É necessário dizer, ao menos uma vez, qual a idade do espelho. Somente assim será possível reconhecer que olhar para fora e olhar para dentro são um mesmo movimento, pois em mil nomes se manifesta uma única imagem. O mar revela que em nosso peito se concentra uma flor impossível. O voo da ave marinha reflete todas as nossas ausências convergidas em um único fim. A areia segreda aos nossos pés como é traiçoeiro chamar cada abrigo de lar. Seguimos cegos pelas correntes dos dias. Mas é sempre possível que as palavras, as nossas palavras, atinjam os ouvidos dos espelhos fazendo-os se estilhaçarem em um sem-fim de cacos de sombra e luz.