Bendito ele entre os textos
No decorrer do dia, nos perguntamos o que falta. Acredito que, após a leitura do livro de Gaspar Rocha, iremos nos questionar sobre essas faltas, sobre as ausências, pois, em um jogo de palavras, nos detemos diante de textos que nos mostram, nitidamente — como Narciso olhando o seu reflexo na água — essa ausência exposta. Fratura exposta é uma obra que, graficamente, dilui em líquido sangue o que está guardado, todos os medos e anseios que carregamos de forma geracional, o luto, a ausência paterna e do eu, a constante iminência do ser humano se deparando com um mundo que não oferece nenhum espaço.
Quando a fratura se dá, observamos inicialmente a carne se romper. Após a leitura dos contos me deparei com inúmeros questionamentos, principalmente tocando em assuntos bem íntimos, que atingem da mesma forma que ao Jr., personagem de um dos contos. Fratura exposta é uma obra de catarse, ou melhor, uma obra de jorro; após a leitura, nos deparamos com o corpo do autor atingido, e todos nos colocamos ao seu redor para ler o que sai de sua carne aberta e vemos o osso brilhando, com inúmeros textos.
Sendo assim, Fratura exposta é um livro de contemplação, uma resposta para os nossos mundos corriqueiros: muitos de nós paramos de observar que todas as nossas cenas podem ser dignas de prosa. As sentenças que jorram dessa carne sangrenta nos provocam admiração, ou inúmeros sentimentos que podem ser expostos em uma rua, ou até em uma roda de amigos.
Felipe Matheus Silva Alencar
Escritor e professor