Estorvo coração

Disponibilidade: Brasil

estes poemas de amor separam
o meu medo das criaturas da praia
do meu desejo insaciável de arriscar tudo
debaixo d’água.

R$49,90

_sobre este livro

Acompanho a escrita deste autor há tempo suficiente, desde quando descobri a minha forma de amar. Ele, afinal, foi uma das pessoas que caminhou sobre pedras ardentes enquanto buscávamos onde repousar. É sensível como inicia seu abrir-coração para que nós, leitores, o vejamos saudando seus mais velhos com a mesma ternura com que versa sobre amores findos, banzo e o fulgor de ser quem é.

Me arrisco a dizer que quem começa a escrita é o homem-menino, mas quem põe o ponto final é o menino-homem. E vejam: aponto o fim desta obra como ponto final, não

como encerramento — a poesia dele não se encerra em si, tamanhos os sentimentos que transbordam e se entrelaçam com o existir do mundo.

Em Estorvo coração, é possível tatear sua humanidade ímpar e visceral, capaz de inebriar os sentidos de quem acessa com sobriedade. O choro, o riso, a dor, a saudade, o anseio, o gozo, o amor. O encantamento diante de sentimentos tão sublimes, que aqui escorrem sem a intenção de caber, apenas de existir em contato com o que nos afeta.

Trago um alerta: é preciso se deixar afetar. Pablo Emmanuel se deixa afetar quando permite, ainda em sua formação de menino-homem, não aquiescer diante das tragédias da vida e dos escombros do que um dia fora uma cidade reluzente. Entre vigas e penumbra, há sempre uma criança que o resgata e o leva pr’um caminho seguro, um cais onde seu barquinho velejante possa descansar em águas mornas e içar vela para desbravar o mundo sob novas ondas.

Escrever, aqui, é lançar-se em alto-mar e sentir a maresia do desconhecido. É tocar

um jazz e descobrir o amor num sábado frio. É também recusar cobri-lo: amor não se cobre — se cuida, protege e acolhe. A língua que corta silêncios e escreve poesias no céu da boca é a mesma que detém silêncios preciosos como uma joia. E entre segredos, sagrados, lágrimas e sorrisos contra a maré, o perigo do amor vem à tona: como ousa ser um homem que tateia as próprias dores, grita em silêncio e adormece com os seus barulhos?

Os convido a vê-lo tecer acordos tácitos com o sentir, pensando em perguntas que talvez não tenham respostas, digerindo lutos e adoçando quereres. O que sinto ao escrever estas palavras, com tamanha dedicação e honra, é o afago de ver a promessa se cumprindo sob a seiva da folha e o negrume da noite. Que esse Jardim Ossâinico, mata fechada e abrigo de tantos em um só, também os afete e conduza a um futuro possível, em que poesia e amores bonitos iluminem os dias.

Lavínia Ribeiro

_outras informações

isbn: 978-85-7105-282-6
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5cm
páginas: 72 páginas
papel polén 90g
ano de edição: 2025
edição: 1ª

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