a Ísis
a gata do Eugénio
ganhou o vício de vir até
aos livros a secar à janela e enroscar-
-se a sonhar com as páginas
que mais a seduziram
hei-de perguntar
se consegue arrancar-lhes
das entranhas dos seus mistérios
as respostas que encontrou
pode ser que ajude
a nos encontrarmos
R$50,00
_sobre este livro
No esvair do mundo
Há uma gata no peitoril, a partilhar o calor do sol com os livros. Ísis de seu nome, como a divindade egípcia (Ísis com acento, claro, nada de confusões com a sigla do sangrento califado), no espaço e na casa de uma ausência, a de Eugénio Lisboa (1930-2024). Foi desafiado por ele que Manuel Almeida Freire uniu lira e ira n’A simpatia dos exilados (2023), garantindo um ano depois que apetece mais um trago (2024) – aos que partem, aos que ficam, à vida ainda por viver. Iluminado pela luz de Ísis, reflexo felino da luz eterna de Eugénio, ei-lo de volta a uma poesia por onde passam certas dolorosas despedidas (Eugénio, também Maria Clara Rocha dos Santos ou José Neto), a luta e o luto, guerras e martírios, Walt Whitman e Walter Benjamin, Mozart e Ungaretti, o rio e a ria, a atracção do infinito do mar ou de amar (como o infinito das paisagens, pasto de viajantes), ideias por vir e a caneta para escrever e descrever, lembranças eclesiásticas separadas por séculos (dos abades Suger e Bernard numa disputa de luz e trevas no século XI e do Padre António a pregar aos peixes no século XVII), a coragem do assassinado Navalny e a ascensão de novos tiranetes, onde se meneia “um emprenhado de arrotos arrogantes” que vemos “a governar a nova Roma em queda”. Disto se ilumina a escrita de Manuel Almeida Freire nesta nova incursão poética, enquanto aos nossos olhos “se esvai o mundo”. Nuno Pacheco
_outras informações
isbn: 978-85-7105-206-2
revisão: Victor Negri
imagem da capa: Elisa Scarpa
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5 cm
páginas: 76 páginas
papel polén 90g
ano de edição: 2025
edição: 1ª