Catarina SottoMayor
nasceu em Lisboa, em 1975. Inicialmente formada em Arquitetura, foi na encruzilhada entre a cognição e a psicanálise que descobriu sua verdadeira vocação.
Para a autora, a ruína é um símbolo eloquente do inconsciente humano, tal como a arquitetura revela os seus vestígios e o que resta dum propósito que se perdeu. Considera que o inconsciente também se manifesta nos lapsos e nos fragmentos que denunciam as estruturas do homem. Uma correspondência entre o físico e o psíquico impregna a sua escrita, que oscila entre a racionalidade construída e o caos libertador da psique humana.
Ávida leitora, defende escrever como ato de expiação e sobrevivência. Reconhece a poesia como a mais pura expressão do pensamento humano. Recusa veementemente a designação de poeta, defendendo e divergindo da ideia de exposição como pressuposto da atividade literária, rejeitando o culto à figura do escritor que coloca a sua imagem acima da obra. Adversa à exposição, deseja tão só que as suas palavras ressoem livres aos que as acolhem, senhorios de si e nunca como reféns de quem as escreveu.
O testemunho inaugural da sua visão singular materializou-se no seu primeiro livro — Está um homem entalado na minha garganta — pela distinção de Menção Honrosa pelo Prémio Ulysses, do ano de 2022.