<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>CONFESSO, TENHO UM CRUSH POR VOCÊ!!! &#8211; Editora Urutau</title>
	<atom:link href="https://editoraurutau.com/pre-venda/confesso-tenho-um-crush-por-voce/feed" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://editoraurutau.com</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Fri, 15 Aug 2025 20:49:25 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0.4</generator>
	<item>
		<title>Prato frio</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/prato-frio</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/prato-frio#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Jun 2023 16:35:56 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=17212</guid>

					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“[...] Entrei ali como havia chegado ao mundo. E enquanto toda aquela água morna caía sobre minha cabeça, braços, pernas e pés, sentia que uma outra de mim escorria pelo ralo. Ia embora para morrer nas entranhas da terra. Eu não era mais Sula. Ficara uma outra. Agora eu era Índia. Lembrei-me, nesse momento, olhando para mim no espelho, que meu pai havia me dito que minha vó era índia. Disse ainda que eu tinha todos os traços dela: os olhos, o nariz, a cor da pele, os cabelos de graúna, a estatura, a voz, tudo, até o jeito de andar. Então, de alguma forma, eu a via em mim. Não, eu não a conheci. Meu pai disse que ela morreu quando ele era ainda um rapazote com uma baladeira no bolso. Mas eu sabia que era um pouco dela ali, da mesma forma que, algumas vezes, encontramos o sorriso de um pai ou de uma mãe no rosto de um dos filhos. Eu via o fogo do qual a minha pequena chama havia se desprendido. Via meu povo, minha aldeia, meu chão. Ouvia os estalos das fogueiras, os cantos lamentosos, doídos, palavras rilhadas numa oração de esperança e dor ao mesmo tempo. Via um rosto tomado de rugas iluminado pela lua. Tudo isso não me vinha como uma imagem. Não. Estava mais para um pesado manto sobre os meus ombros. Não como o peso de um fardo, mas sim, de uma responsabilidade, de um reconhecimento, de um encontro comigo mesma [...]”</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Contar uma boa história e movimentar a imaginação do leitor gerando a possibilidade de outras vidas é desapear do cavalo, mas seguir galopando com toda a velocidade: crina contra o vento, respiração e suor. Apenas fechando as pálpebras, sintam as fibras e os músculos se queimando.</p>
<p>No peso dessas páginas que sentes entre as mãos, tu serás pai e filho. Encontrarás o dilema de nosso país descrito com total precisão, o drama de conjugar o amor pleno com o simples direito de existir, de sobreviver.  Reynaldo Bessa, autor deste livro, está no hall daqueles grandes escritores que possuem a sensibilidade de absorver diferentes realidades e nos presentar desvelando cenas dos rincões mais interiores de nosso Brasil.</p>
<p>Adentres essa porta, essa narrativa, como se tu chegasses ao mundo, aos dourados das tardes sem pressa. Conhecerás a indomabilidade de Demétrius, o facho escancarado de Tereza, Índia movida de encantamento pela velha arara, o barulhinho da explosão dos insetos no lampião e essa luz que alumia tal qual saudade.  Reynaldo conseguiu criar um universo de personagens singulares, mas que ao mesmo tempo existem, são presentes, estão no dia a dia, nas paisagens que, desapercebidos, esquecemos de contemplar.</p>
<p>Estilo é algo que todo artista busca e das coisas mais complexas de se apropriar. Muitos tangem esse lugar, mas não chegam a produzir uma voz própria. Reynaldo tem estilo e sua voz potente não se reduz em florear sentenças, mas movimenta os sentidos, nos leva a ser para além do que somos. Isso é belo e aterrador. A verdadeira literatura reverbera no corpo e quando nos deparamos com construções assim</p>
<p>“<em>A estrada era toda uma existência”, </em></p>
<p><em>“Refiro-me mesmo aos tropeços da vida, a cair dos meus desígnios.”</em></p>
<p>ou ainda</p>
<p><em>“Hábitos difíceis de abandonar quando o espírito se molda na forma rotunda da obediência, na aspereza da subserviência de joelhos carcomidos, nos olhos para o chão dos pássaros sem voos, na timidez, na lida dura, na queda iminente. Estas, todas, filhas das privações, da ignorância, da miséria, da lama.”</em></p>
<p>é impossível ficar alheio, atravessa a pele, chega num lugar mais de dentro que até então desconhecíamos. Há um escritor em sua máxima potência entremeado nas palavras as questões fundamentais que permeiam nossos dias.  “Prato frio” está recheado do começo ao fim de momentos sublimes, é um exercício de humanidade.</p>
<p>Num mar de livros publicados todos os anos, este jamais ficará à deriva, salvará muitos afogados, tenho certeza. No escuro da noite, nos ajudará a cantar.</p>
<p><strong>Tiago Fabris Rendelli</strong>,<br />
Editor e escritor</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/prato-frio/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Prospectos: feitiços entre o tempo, o vórtex, o eu e o eco</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/prospectos-feiticos-entre-o-tempo-o-vortex-o-eu-e-o-eco</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/prospectos-feiticos-entre-o-tempo-o-vortex-o-eu-e-o-eco#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Jun 2023 02:51:31 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=16767</guid>

					<description><![CDATA[De maneira sensível é como gozo
quente encostando na moleira do corpo.
Que sente rente a temperatura do osso,
os peitos, anseios, as pistas, o outro.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Escrever para não ser esquecida. Ler para não esquecer.  Este livro é sobre a direção do fogo, os percursos das águas e os pés firmes no chão para alongar as asas. Retratar a voz do meu corpo tentando se comunicar com a sua. O diálogo é o feitiço das palavras. Será que conseguimos dançar juntes essa prosódia de ecos? Adentrar um tempo passado-presente-prospecto?  Será que aqui nos convencemos do vórtex que é ser e sentir? Quem escreve, quem lê, quem escuta, quem fala? Não sei mais… mas sei que as palavras chegam aonde têm que chegar, quando têm que chegar. Se você chegou até aqui, te convido para dançar com o corpo todo.  Escrevo pelo que há de poroso na língua e no peito.</p>
<p>Luna Dy Córtes</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/prospectos-feiticos-entre-o-tempo-o-vortex-o-eu-e-o-eco/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Atentações [quatro atos]</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/atentacoes-quatro-atos</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/atentacoes-quatro-atos#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Apr 2023 14:12:59 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=16233</guid>

					<description><![CDATA[tudo em ti é show
mas deixa-me te avisar o que ignoras
mesmo que o budget do teu job seja top
não passas de tenra carne dos trópicos
a água da tua colônia não é potável
a canga que vestes não cansa
apenas mansamente encanta
e te emparelha ruminando olhares]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>prenúncio para atentar<br />
</strong>breves cantos:</p>
<p>1</p>
<p>um livro de estreia múltiplo<br />
a desejada (e necessária) vazão<br />
para tanta criação de décadas<br />
que no pós-mundo de tudo que é coisa<br />
reconecta o olhar de outro tempo<br />
com perspicácia em ver com olhos livres<br />
a doce amargura do atual calendário</p>
<p>2</p>
<p>sagaz nas páginas que seguem<br />
é entre outras a capacidade fluida<br />
de transar o trânsito entre popular e erudito<br />
boa medida de passeios por clássicos<br />
em paisagens cotidianas<br />
e o domínio de línguas/gens<br />
que favorece o batuque das palavras<br />
onde improvável se torna possível<br />
e louco confunde sábio sem deus pra adorar</p>
<p>3</p>
<p>lucidez dos sóbrios delírios<br />
caminhos que se apresentam sem mapas<br />
somente ao percorrê-los será possível<br />
chegar em algum lugar (ou lugar algum)<br />
uma bússola girando pode interessar mais<br />
que direções previsíveis óbvias datadas<br />
pathos de poeta nas páginas arenas e ágoras<br />
a incrível peleja entre o sangue e as veias abertas<br />
por tanto tempo que já nem se sabe quando<br />
haverão de serem fechadas</p>
<p>4</p>
<p>a questão épica<br />
e a questão antropofágica<br />
ocidentes com ares de orientes<br />
aforismos flertando com provérbios<br />
variadas atmosferas em diferentes camadas<br />
memória afetiva colchas de retalhos<br />
por aqui o ritmo é quente — item indispensável<br />
tem de sobra só de sapato não pode sobrar<br />
pode embarcar tranx porém atentades<br />
nos versos deste outro grande Alexandre<br />
que disse “e a noite cai sem nunca haver subido”</p>
<p><strong>Caco Pontes</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/atentacoes-quatro-atos/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Doze passos até você</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/doze-passos-ate-voce</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/doze-passos-ate-voce#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Mar 2023 12:27:26 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=15805</guid>

					<description><![CDATA[<p style="text-align: left;"><span class="fontstyle0">finjo ausência num canto da sala
procuro um manto escuro
um arbusto
ouço atenta
a moto que passa e arranca na rua
sem me levar sequer um pedaço</span></p>
<p style="text-align: left;"><span class="fontstyle0">fico tonta
do giro brusco que faço
quando você toca meu ombro</span></p>
<p style="text-align: left;">(te vejo e sorrio mesmo que ainda nada).</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Ainda que bell hooks tenha alertado que amor é mais ação do que sentimento, começamos a leitura de <em>Doze Passos Até Você</em> distantes dessa compreensão. Entretanto, muito acontece quando nos permitimos sentir e olhar de frente para a impossibilidade de sermos correspondidos. E não é surpresa nos questionarmos sobre o amor romântico após anos confinados nos dando conta da precariedade das relações humanas. A solidão, mal do nosso século, é ainda mais perversa quando vivida ao lado de alguém. A palavra amor, ela mesma, tão desgastada.</p>
<p style="text-align: justify;">Para além disso, por mais bem sucedidas que sejamos, nós (as mulheres) há gerações somos treinadas para orbitar em torno de outrem. Tanto dentro dos poemas, como na vida, nos pegamos de novo e de novo fora do nosso centro. É olhando por essa perspectiva que <em>Doze Passos Até Você</em> não leva ninguém a lugar algum. Mas é também sem sair do lugar que muitas vezes damos os passos mais importantes. Vemos a perspectiva da narradora migrar da obsessão para a possibilidade de simplesmente enxergar o outro. Luciana Annunziata nos entrega o ponto de partida para um caminho novo, que se abre em infinitas direções.</p>
<p style="text-align: justify;">Experimente ouvir os poemas com o corpo, deixar-se atravessar por eles. É possível que seus ossos enxerguem o próprio deserto e suas miragens. Mas é provável também que a poesia ocupe os espaços vazios do seu corpo, revelando a possibilidade de sentir-se bem em ser vulnerável. Poema a poema, vértebra a vértebra, passo a passo, testemunhamos um amor contido e sua urgência cronometrada. A busca, a falta e a ânsia, a conta-gotas, alimentando a iminência. Mas, então, aquilo que não chegou a ser abre espaço ao que é, como é. Porque sim, também amor.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Doze passos até você</em> é um romance mínimo, escrito em poemas, sobre um amor em tempos de pandemia. A narrativa, que se forma através de um delicioso encadeamento, vai deixando cair no trajeto muitas das desilusões sobre o que julgamos saber do amor. Os mesmos objetos, antes cúmplices durante a fuga da realidade, compõem o cenário do que foi possível acontecer em presença. Terminamos a leitura de mãos dadas com o passado e, da cabeça ao corpo, percebemos escorrer aquilo que em palavras tanto nos escapa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Lucila Losito</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/doze-passos-ate-voce/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Grãos: poemas de lembrar a infância</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/graos-poemas-de-lembrar-a-infancia</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/graos-poemas-de-lembrar-a-infancia#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Mar 2023 13:00:02 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=15818</guid>

					<description><![CDATA[<p style="text-align: left;"><span class="fontstyle0">a filha é bela, a vida é difícil, o país é difícil ,
a filha ri nos anos da infância.</span></p>
o salário é baixo
a filha é bela
a vida nem tanto.

o mar está longe, o gozo está longe
o dia pesou no corpo inteiro e exige o sono
a vida exige o sangue
mas a filha é bela, rimos com ela
enquanto a comida na mesa espera
enquanto a vida lá fora é fera.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span class="fontstyle0">A boa melancolia</span></p>
<p>As memórias infância-juventude impressas neste livro são habilmente mescladas por uma visão retroativa e prospectiva da autora. Lá estão fundidas duas visões infantis — uma sob o ângulo de alguém enquanto criança, embora não mais criança; outra, a criança ainda criança. Logo no início do livro, quase que como um código a ser memorizado, a autora se situa claramente dentro do seu passado: “estou de azul no primeiro/degrau da escada olhando/as frutas verdes. as frutas/quietas respiram. encosto/a boca no seu rosto/adormecido e constato/a textura de pêssego, manga/maçã”. E assim também se situará o leitor como espectador de vidas que começarão a se desenrolar dentro da “narrativa” dos poemas. Pois o livro é quase uma novela em poesia, possui sequências narrativas. É isso que torna <span class="fontstyle2">Grãos </span><span class="fontstyle0">um livro melancolicamente doce, nos conduzindo todo ele ao repouso.<br />
</span><span class="fontstyle3"><br />
<strong>Joyce Cavalcante</strong><br />
</span><em><span class="fontstyle0">em </span></em><span class="fontstyle2"><em>Livros</em> <em>em Debate</em></span><span class="fontstyle0"><em>,</em> jornal O Escritor, UBE/SP. <span style="color: #ffffff;">Ieda</span><br />
Romancista, contista e conferencista, autora de </span><em><span class="fontstyle2">O Cão Chupando Manga</span></em><span class="fontstyle0">, </span><span class="fontstyle2"><em>O Discurso da Mulher Absurda</em> </span><span class="fontstyle0">e </span><em><span class="fontstyle2">Noites Masculinas</span></em><span class="fontstyle0">, entre outros <span style="color: #ffffff;">Ieda Estergilda de Abreu</span></span></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/graos-poemas-de-lembrar-a-infancia/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Frio magma</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/frio-magma</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/frio-magma#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Feb 2023 18:04:00 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=15659</guid>

					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Frio magma é um livro sobre encontros repletos de consequências. Vida e morte, alegria e tristeza, amor e solidão, delírio e lucidez, sol e chuva, mar e sertão. Rejeitando o repouso nas dualidades, o que interessa aqui é o conjunto de forças que habita a fronteira, o
espaço arrevesado do “entre”.</p>
Os 14 contos passados em Fortaleza dão ao/à leitor/a a chance de cruzar com tipos comumente encontrados na capital cearense. Os personagens percorrem  caminhos incertos, questionam o tempo todo as próprias intenções e se aproximam da dimensão extraordinária do cotidiano.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Frio magma</em> é rocha fundida no subterrâneo que vem à superfície e corre lambendo o solo, lava que resfria e fabrica o mundo. Disso é feito o livro de Leonardo Araújo: do choque de temperaturas que muda estados físicos; do absurdo cotidiano que transborda quente e forma o chão da cidade — que é Fortaleza em várias das suas nuances, mas que é também qualquer lugar que construímos dentro do corpo que pressente o assombro.</p>
<p style="text-align: justify;">A capital alencarina, assim como nosso próprio desamparo ou mesmo a mistura entre crença e descrença no agora e no depois, nos encontra, ao mesmo tempo, na pele suarenta do “caçador” — personagem que guarda os segredos do mundo em latas de leite —, na solidão do Edifício Rubi e ainda no cansaço e na rouquidão que guardam as palavras ditas por um navio-fantasma. A suavidade das cascas de manga, o amor desavisado da morte e as mentiras que o passado conta formam esse “oceano vermelho-alaranjado de poeira e vento” que Leonardo Araújo anima em <em>Frio magma</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">As palavras, aqui, fabricam imagens que se sucedem no corpo de quem lê. O “azul elétrico” do céu da capital, a profundidade do buraco que cresce, o corpo de poucos satélites que repara o vazio são também caminhos que o livro assenta — e nos convida a tracejar. O passar de páginas põe nossa respiração suspensa e nos obriga a abrir os olhos, vem nos acertar em cheio e “derramar o próprio calor em todas as coisas”. As masculinidades falhas e risíveis, as histórias de amor que se esgarçam ou se costuram como tecido de algodão, as maternidades possíveis, as falências, os medos que nutrimos e os que teimamos em ignorar, tudo isso nos espreita por dentro das histórias que, como pequenos filmes, são memória feita pra ver, ouvir e guardar. É um convite à atenção: este é um livro sobre o que teima em acontecer.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Marília Oliveira</strong>,<br />
artista visual e pesquisadora.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/frio-magma/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Barba Azul ou todo coração tem um bosque</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/barba-azul-ou-todo-coracao-tem-um-bosque</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/barba-azul-ou-todo-coracao-tem-um-bosque#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Feb 2023 14:42:53 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=15511</guid>

					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Barba Azul faz uma viagem e deixa a esposa livre para explorar o castelo. Deixa ela fazer o que quiser, convidar quem quiser para lhe fazer companhia. Dá um molho de chaves pra ela. Cada chave abre um cômodo e ela pode abrir todos. Menos um, o da chavinha menor. Ah, ela concorda. Antes da viagem, eu dou pra ele. Eu dou muito pra ele. Eu dou o benefício da dúvida.</p>
<p style="text-align: justify;">Fico muito curiosa com as chaves e os quartos e finjo não saber que, a cada vez que ele viaja, ele leva uma mulher diferente com ele. Cada vez que ele viaja, ele faz mais alguém se apaixonar. E cozinha pra elas, promete vestidos para elas, promete joias para elas, promete filhos para elas. Ele promete filhos para elas. Eu finjo não saber, porque amo com desespero cada fio azul daquele corpo.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Uma mulher nos oferece um banquete, nos servindo um delicioso menu <em>confiance.</em></p>
<p style="text-align: justify;">“Sabe o que é um menu <em>confiance</em>? É quando você vai a um restaurante e não escolhe nada no cardápio, você deixa a critério do chef os pratos que vai provar. Você entrega nas mãos dele o destino da sua próxima refeição.”</p>
<p style="text-align: justify;">Assim Lígia Fonseca disseca a si mesma com uma faca afiada, expõe suas vísceras, sangra a nossas vistas usando o conto O <em>Barba-Azul</em>, escrito por Charles Perrault em 1697, como bandeja onde será servida a sua carne.</p>
<p style="text-align: justify;">O conto de Perrault já passou por inúmeras interpretações ensaísticas e psicanalíticas ao longo dos anos, especialmente a partir do século XX, quando suas leituras se multiplicaram, mas agora aqui, neste livro, Lígia traz uma nova perspectiva que nos identificamos imediatamente, não sem dor, não sem medo, não sem horror, mas urgente para nós mulheres, principalmente nesses tempos que nossas vozes estão sendo ouvidas. Ela nos mostra a violência que somos condicionadas a naturalizar, a loucura que nos é atribuída como forma de desvalidação. Quantos Barbas Azuis existiram e existem no mundo? Quantas mulheres são iludidas para se tornarem mortas psicológica e até fisicamente através do abuso e da violência que estes relacionamentos trazem?</p>
<p style="text-align: justify;">Lígia está certa. Abrir portas misteriosas é muito mais do que “curiosidade feminina” ou “desobediência”, características depreciativas que tanto tentam nos enquadrar há séculos. Os Barbas Azuis de nossas vidas usam os quartos trancados dentro de si para nos anular, nos silenciar enquanto tentamos desvendá-los, entendê-los, amá-los. Eles se sentem no direito de abrir as portas que desejarem tanto quanto nossas pernas. Portas são criadas para esconder segredos e aqui encontraremos a chave certa para abrir as que irão nos libertar.</p>
<p style="text-align: justify;">Ler, <em>Barba Azul ou todo coração tem um bosque </em>de Lígia traz a confiança de que estamos no caminho certo. Nada mais poderoso do que fazer de traumas uma obra, ou pelas páginas de um livro ou em cima de um palco, suportes que ela transita com igual talento e força. Difícil colocar em palavras o quanto é necessário este texto, uma refeição tão profunda como indigesta.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fernanda Nobre </strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/barba-azul-ou-todo-coracao-tem-um-bosque/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Antes de mais nada</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/antes-de-mais-nada</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/antes-de-mais-nada#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Feb 2023 12:00:34 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=15280</guid>

					<description><![CDATA[sente a firmeza do meu punho cerrado
e o pulsar incessante das artérias furiosas
a arrebentar as cordas de sisal
que sustentam pesos e estátuas
no teto de memórias desvanecidas

sou inteira pó
pólvora

pergunta
e renascimento]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“Quando pequena/encantava-me com os pentes de madeira/de fragrâncias florais […]/perdia-me na mística que haveria de ter ali […]”: guardar-se “perfume de flor/em natureza morta.”</p>
<p style="text-align: justify;">Assim — com uma pergunta sobre o mistério, um enigma posto, incandescendo — Juliana Dias abre este <em>Antes de mais nada</em>, seu livro de estreia. Como podem os cheiros, que são vivos, inscreverem-se num corpo frio, na matéria inânime? Há um vislumbre e um espanto que nascem aí, no litoral dessa pergunta.</p>
<p style="text-align: justify;"> Agrupados em quatro seções, os poemas de <em>Antes de mais nada</em> repõem a incógnita própria do encontro entre os opostos, desdobrando-a na descoberta de que nós mesmos nos construímos pelo contraste entre o vivenciado e o perdido. Afinal, ao lado do tempo que se desenrola e se cumpre, corre outro tempo, feito de nossas desistências e abandonos, “uma pilha de livros/não lidos […]/um rio de palavras/não vertidas […]/uma lista de projetos/não executados/um punhado de amores/não ateados”.</p>
<p style="text-align: justify;"> Não deixa de ser uma espécie de cronologia que segue à sombra — e que, vale lembrar, também atua sobre nós, sobre nossos corpos. “Desejo não é bicho que se mate”, diz a poeta. Não há renúncia que não pese sobre aquela que renunciou, seja numa cicatriz ou numa ferida aberta, seja na presença insistente de uma voragem represada ou num ímpeto torcido. Vira um hóspede, no fim das contas. “Ferve-me o sangue/arqueia-me as garras da boca”.</p>
<p style="text-align: justify;">Com uma linguagem repleta de sutilezas, delineada no fio entre certa poética da sensação e a abertura à reflexão, Juliana nos oferta aqui um livro a um só tempo delicado e provocador, tênue e fulguroso. Nele, atravessamos um caminho em que a rede de referências e o endereçamento do vivido não encerram o vivo, pelo contrário: há sempre algo que a palavra não esquadrinha jamais, uma espécie de “silêncio-sussurro”, “furo-passagem da dúvida”. Deslumbramento, digo eu depois da leitura. Sonho a ser lido no escuro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mar Becker</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/antes-de-mais-nada/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A noite dentro de nós</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-noite-dentro-de-nos</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/a-noite-dentro-de-nos#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Feb 2023 11:51:10 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=15342</guid>

					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Se o agiota descesse do carro, de arma em punho, e invadisse a casa, haveria uma chacina? O homem não teve dúvidas, desvencilhou-se do abraço da esposa e foi à porta. Não atire, a gente vai conversar, vou sair, gritou. Escondeu a tesoura no bolso da bermuda, única arma disponível, e se dirigiu ao portão. A esposa soluçava, e os meninos tentavam acalmá-la. Não atire, vou sair, o homem gritou novamente, mas sua voz foi coberta pelos latidos do cachorro.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Os personagens de <em>A noite dentro de nós</em> adotam um tom confessional e mergulham em suas vivências conflituosas, trazendo à luz a <em>noite</em> dentro de cada uma delas. Aqui, podemos atribuir uma conotação patológica à palavra “noite”. Veremos nela uma metáfora para sentimentos como solidão, ansiedade, depressão, angústia — entranhados em seus personagens por um autor seguro do que faz, porque faz como se apenas descrevesse o que observa de sua janela ou do noticiário. O que as retinas e os ouvidos alcançam. E por isso tais histórias são tão nossas. Esses mergulhos psicológicos nos obrigam a repensar nossas próprias angústias e as do outro. Como fica a mente de uma pessoa em situação de rua que foi incendiada enquanto tentava dormir? Refletimos em “A fogueira”.</p>
<p style="text-align: justify;">A <em>noite</em> é o <em>mal</em>. É esse <em>mal </em>de se perceber só, sem saber como ou por que gritar a um mundo de poucos ouvidos. E é assim que estão os personagens de José Nascimento, com um grito na agulha. O que nem sempre é ruim. No conto “O grito”, as bombas, os disparos e a truculência policial não impedem a marcha. A manifestação prossegue. O grito não é sufocado. “Mesmo que acuados, mesmo que não nos restasse outro sentimento além do medo que era quase pânico, não deveríamos fugir. Fugir seria reconhecer o massacre moral”, diz a narradora sobre como responder à selvageria autoritária. Diz a narradora sobre nossos dias atuais. Além disso, se a ansiedade (esse “cansaço” que “debilita as certezas”, como coloca o narrador de “Tsé-tsé”) é mesmo o <em>mal do século</em>, este livro é sobre nossos dias. Se ainda continuamos sendo cruéis com o corpo feminino — como acontece em algumas narrativas aqui presentes —, é, infelizmente, um livro bem atual.</p>
<p style="text-align: justify;">“Matilda quer ler” é, também, um conto sobre o efeito catártico para aqueles que abrem um livro em busca de fugir da realidade sufocante. <em>A noite dentro de nós</em>, livro de estreia do escritor potiguar José Nascimento, certamente seria um desses livros.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Aliedson Lima</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/a-noite-dentro-de-nos/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Mar adentro</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/mar-adentro</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/mar-adentro#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Jan 2023 12:57:06 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=15035</guid>

					<description><![CDATA[E te recebo e celebro
olhos do mar olhando
às cinco horas da tarde,
e estou feliz.
Meço a espessura de tua tristeza,
abro as nervuras
limpas
por tuas asceses
duras de menina,
beijo-as, e reverenciando-te,
te toco os joelhos,
suplicando.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>eu te observo, poeta, há noites em teu retiro,<br />
esquecido de si,<br />
lavrado pelas notícias do mar.</p>
<p>o claror nos pulsos, teus sóis aindas em vísceras erguendo-se em canções, andanças,<br />
um violão que cruza a turquesa da estação mais quente,<br />
o lírio de sal nos teus lábios.</p>
<p><em>dói num homem a mulher amada ali onde lhe dói o mar.</em></p>
<p>nós já estivemos aqui antes —<br />
e tu eras ave em meus pulmões de organza,<br />
e eu era passo em teus pés. dizíamos</p>
<p><em>eis o início de tudo</em></p>
<p>esta cidade: suas meninas dormindo inclinadas nas janelas,<br />
a rosa dos ventos ainda entregue<br />
às figuras do impensado,<br />
os cabelos em naufrágio sobre os parapeitos, casas afora, afogando gentes,<br />
ruas e avenidas.</p>
<p><em>             só se aprende o mar pelo que o mar devora.</em></p>
<p>eu te observo, poeta, em teus escuros de retiro,<br />
entreaberto pela boca apenas — teu vocabulário de óbulo de jaspe.</p>
<p>pela <em>rue du caire</em> ou em tramandaí, no anúncio da vindima ou no elã, tu segues,</p>
<p>e já todos os nomes do mundo me parecem pouco<br />
para dizer do outro livro que há neste livro, mar adentro</p>
<p><em>aberto</em>,</p>
<p>intocado miráculo,<br />
infinito</p>
<p>como um fogo.</p>
<p><strong>Mar Becker</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/mar-adentro/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Urgente é a gente</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/urgente-e-a-gente</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/urgente-e-a-gente#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Dec 2022 16:24:21 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=15097</guid>

					<description><![CDATA[tenho aceitado a solidez e o peso das coisas
tenho observado os movimentos coreográficos da vida
especialmente quando me calo ou contraio os músculos
deixando gestos suspensos no ar

tenho ansiado por águas limpas
persigo a única lagoa cheia no estio
o mergulho compensa a fadiga

não quero ser barragem
quero ser canal

depois de tantas imersões em águas doces e mares revoltos
sigo indagando:

vamos?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em seu livro de estreia, Mariana Diniz transforma a vida em poesia. Dividido em três parte — mulheres, idosos, crianças —, a poeta brinca com a mulher que é: “a certeza/dos últimos óvulos/pesa na fronte/comprime o ventre/turva o horizonte”; a idosa que será: “como a velhice crescendo em meus escombros”; a criança que foi: “no sonho, caminhei de mãos dadas com uma garotinha que desperdiçou a infância”. Presente, futuro, passado misturados no cotidiano.</p>
<p><em>Urgente é a gente</em> nos convida a enxergar beleza nas contradições do ser mulher: o cuidado, o desejo, a maternidade, a culpa, o envelhecimento, o amor, “na moldura do casamento, para onde resvalam as mulheres?”, e nos faz refletir sobre o peso dos papéis sociais do gênero feminino.</p>
<p>Minha primeira lembrança da Mari é a de que ela não queria ser escritora. Eterna leitora, era o que dizia ser. Mas a palavra é traiçoeira: quem vai se cercando dela numa leitura aqui, num livro acolá, quando vê, está tão misturada delas que “enquanto você escreve/seu marido vai ao supermercado/a professora ensina os filhos”. Para nossa sorte, Mariana Diniz se deixou ser levada pelas palavras e não é mais uma “escritora muda”. Eis aqui a urgência de sua poesia.</p>
<p><strong>Nayara Noronha</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/urgente-e-a-gente/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Ao modo dos girassóis</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/ao-modo-dos-girassois</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/ao-modo-dos-girassois#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Nov 2022 21:41:06 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=14967</guid>

					<description><![CDATA[Desenharam um girassol
de giz no ponto de ônibus.

Está lá, ao lado do girassol
que eu rabisquei numa segunda-feira

quando o abraço de despedida
manava agridoce
pelo vazio dos meus braços.

Aquele outro desenho,
feito em lápis grafite,
do coração apunhalado que chora
também continua lá.

O sol dominical faz doer
as olheiras das janelas.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Victor H. Azevedo, um velho conhecido nosso de outros livros, agora é detentor de uma gibosa plantação de girassóis. A seu modo, crava imagens suburbanas com vestígios explícitos de uma linguagem autossuficiente — incansavelmente calculada. Azevedo é um verdadeiro poeta da minúcia, da filtragem, pois, dedicando sua obra à <em>Pepita</em>, sua companheira, enquanto recorta quadros vivos da cidade, nos conduz a um romantismo — em um sentido mais cotidiano — peculiar. Com muito cuidado, em poemas como “Te sussurro…”, “Estrela” e “Pepita…”, insere o seu leitor em um universo muito particular, em um universo só possível àqueles que fazem do próprio trajeto (e por que não do próprio movimento?) a sua pátria, combinando estéticas que fazem dele um exímio lapidador de palavras, que não cansa de buscar, a seu modo, uma faceta crua e autêntica.</p>
<p style="text-align: justify;">O poeta escreve: <em>“</em>Este não é um daqueles livros de poesia sobre o amor<em>”</em>. De fato, trata-se de um diário de poesia, um artefato usado para cantar pinturas fotográficas colhidas pela mão do poeta, que forja, como se em argila do manguezal, o itinerário dos girassóis, como quem clama a estrela maior, o sol.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste <em>Ao modo dos girassóis</em>, temos a insistência do autor em uma escrita pela reinvenção, que, trajada por um vestuário de palavras, pontua um vértice fora da curva, curva essa que dá gás a Victor H. Azevedo a continuar tecendo uma memória, inconformada ou não, que começa a sair de suas gavetas, de seus diários de bordo, de sua cachola e beija o mundo. Saímos ganhando nós, que somos do mundo, pois o autor parece ter muito mais a contar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Jefferson Martim Turibio</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/ao-modo-dos-girassois/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Sombria e outros contos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/sombria-e-outros-contos</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/sombria-e-outros-contos#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Nov 2022 18:44:18 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=14884</guid>

					<description><![CDATA[Durante a quarentena da pandemia da covid, as autoridades orientaram as pessoas a se resguardarem em suas casas, consideradas como local seguro, enquanto não chegava uma solução concreta para a situação.

No entanto, e se nossas casas não fossem tão seguras assim?

Afinal, atrás das portas, dentro dos guarda-roupas, embaixo das camas e dentro de nós vivem seres de outros mundos que perambulam de um lado para o outro…

<em>Sombria</em> e outros contos traz dezesseis histórias e um bônus que narram acontecimentos em que o sobrenatural se mistura ao real e o limite entre os dois é completamente ignorado]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Um dos maiores conflitos para o ser humano é deparar-se com as próprias sombras. Para Jung, o lado sombrio é nosso arquétipo primitivo e se refere ao <em>eu</em> reprimido por não ser socialmente aprovado. Nesse sentido, os anos de 2020 e 2021, com todas as mudanças de rotina suscitadas pela pandemia, nos obrigaram a parar. Dentro desse contexto de esvaziamento, olhar para dentro de nós mesmos se tornou inevitável.</p>
<p style="text-align: justify;">A autora Emanoelli Soares Farias apropriou-se desse medo coletivo e explorou em cada um de seus contos um embate, em que o sobrenatural se coloca como uma alegoria a representar tais terrores que tentamos manter ocultos. Quarentena, <em>home office</em>, <em>fake news</em>, sanidade mental, violência doméstica, entre outras importantes pautas levantadas nos últimos anos, atravessam suas narrativas em paralelo a elementos lendários como bruxas e demônios tão amedrontadores quanto o lado de nossa personalidade passível de disfarce.</p>
<p style="text-align: justify;">As palavras da autora são perfeitas para dar o tom pedido pelas temáticas empregadas. As linhas se enchem de frases perspicazes, criatividade, um bom toque de sarcasmo e outros ingredientes literários, fazendo cada narrativa inserida na obra se salientar entre outras do mesmo gênero. À medida que o texto flui, os sentimentos afloram, e a obra transcende ao período da pandemia. Temos amor, superação e muita reflexão.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Sombria e outros contos</em> vem para nos impactar. Afinal, mexe o tempo inteiro com nossos medos. É somente a partir desse confronto que podemos chegar a novos lugares — esses mais iluminados.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Michele Fernandes</strong>,<br />
escritora, editora e crítica literária</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/sombria-e-outros-contos/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Do que sorriem os homens</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/do-que-sorriem-os-homens</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/do-que-sorriem-os-homens#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Nov 2022 19:53:12 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=14017</guid>

					<description><![CDATA[<p style="text-align: center;">Vejo, circunspecto
nossa carne covarde
despindo-se aos medos infantis
que nos trazem, impunes
este cotidiano cair do anoitecer.</p>
<p style="text-align: center;">A sanidade põe-me vulnerável
ao espreitar vítreo do tempo
o fulgor incorpóreo
a emergir, intempestivo
defronte à alma que descreio
e sou indigno
e sou errado
e sou outro
desplumado.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>— Acendam as luzes! — Um grito no escuro.</p>
<p>Só quem tem coragem sabe como usar as palavras no tom certo. Elas nascem e, em um movimento preciso, podem rasgar o fio que une a venda dos nossos olhos. É preciso coragem para encarar estes versos. Essa é a tal da sensibilidade a qual ouso dizer que é a maior arma que temos.</p>
<p>A grande revolução não se constrói no silêncio, não se constrói no conforto, não se ganha nem se perde. Foi isso que aprendi com estes poemas. O homem ocidental nasceu adoecido, e estes versos podem ser usados como remédio. Às vezes tão amargo quanto a doença, às vezes tão doce quanto a cura.</p>
<p>A grande revolução tem traços marcados pela literatura, e no caminho da transformação tenho o privilégio de acompanhá-los, caminhar pelo íntimo, ancestral e expansivo (do autor e do leitor), cutucando cada parte do conforto. Esta obra é um convite para desconfortar-se.</p>
<p>A grande revolução é um grande desconforto. Encará-la é tatear o cotidiano com atenção e deixar-se atravessar pelos versos que encontramos no nosso caminho. Eu deixei e deixo este texto como um reflexo do que li e um alerta a quem lerá: se quer continuar abstendo-se das suas revoluções, feche este livro e vista novamente a sua venda.      <span style="color: #ffffff;">Renato Franco</span></p>
<p><strong>Talita Horniche</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/do-que-sorriem-os-homens/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Ex-voto</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/ex-voto</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/ex-voto#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Nov 2022 13:11:51 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=13952</guid>

					<description><![CDATA[tudo o que em mim parecia inexistir
a caatinga, o sertão, o retrato
grava a sorte

tal qual essa
que você de mãos finas arou
na casa de ciganas que sabiam amar

e todas elas eram eu
então canto fino
kukukaya, eu quero você aqui
kukukaya, presta atenção em mim]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Este é um livro digno de nota. Note-se, para começar, o título, que designa objetos artísticos doados às divindades como forma de agradecimento por uma graça alcançada ou pagamento de alguma promessa. Note-se a estrutura em quatro partes: “Fogo, Danação, Cinzas, Arrebatamento”; sugerindo uma trajetória de penas, morte e ressurreição. Note-se a poesia intimista, surgida de um mundo interior cultivado, urdindo uma poética da observação, conexão e sentido vazada em linguagem por vezes elíptica e lacunar, feita de digressões, frases entrecortadas. Note-se as referências e diálogos com outros textos e autores, e os versos muitas vezes flertando com a prosa. Note-se o humor, preciso e corrosivo, atento às ironias e hipocrisias da sociedade. Note-se como os textos transitam entre raízes familiares, leituras, sonhos, mas sobretudo a memória e o cotidiano.</p>
<p style="text-align: justify;">É conhecida a afirmação de Ferreira Gullar de que a poesia surge do espanto. Neste sentido, os poemas deste livro parecem querer nos dizer que, se olhadas com atenção, até a mais rotineira das experiências é de fato espantosa. Desse modo, a realidade imediata se estabelece como ponto de partida para muitos dos poemas, num exercício meditativo (porém ativo) de presença e observação, como, entre outros, nos poemas “Aos urubus da avenida Omar O’grady”, “Despertador”, “O piolho de Cassandra” e “Depois de tudo”, onde o mundo exterior do rio e do cair da tarde (com suas árvores, pássaros e animais) se mistura com naturalidade às imagens e associações do mundo interior do sujeito lírico, e no qual o fluxo poético e lírico desse encontro é desfeito, de forma sintomática, pela chegada incontornável de outras presenças e subjetividades.</p>
<p style="text-align: justify;">Note-se, portanto, que a poesia aqui emerge não só da observação, mas do atrito com o cotidiano, do embate entre a realidade objetiva (os fatos e coisas e seres externos) e a subjetiva (o mundo interior, os sentimentos, as associações e referências do sujeito lírico). Estabelecendo uma atenção relacional ao mundo que é também uma investigação do mundo por meio da linguagem, que funciona como um vínculo, um veículo, uma ponte, uma forma profundamente humana de conexão e contato com os seres e as coisas ao nosso redor. Note-se, assim, finalmente, que é preciso embarcar quando uma poeta digna de nota nos concede um passeio pelo mundo visto por seus olhos, cérebro e nervos. <span style="color: #ffffff;">Maíra Dal’Maz</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Márcio Simões</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/ex-voto/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A catástrofe violeta</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-catastrofe-violeta</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/a-catastrofe-violeta#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Nov 2022 19:36:45 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=13996</guid>

					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Esse livro é sobre o amor de duas mulheres. Não de uma para outra necessariamente, apesar de se amarem. É do amor delas pelo todo. Tão denso e profundo quanto oceano. Frágil e desbotado como tinta velha na parede. Efêmero e intenso como as pétalas da violeta. Um livro sobre existências que se atravessam, em tons que vão do sangue ao <em>blues</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Começou pelas trocas de e-mails de duas amigas vivenciando o luto pelo fim de seus relacionamentos. Mas se expandiu. A escrita virou uma necessidade, uma ferramenta ou um ritual através do qual a existência se fez possível. Escrevendo puderam (r)existir. Puderam se olhar. Nesse gesto em que uma, vendo a outra, via a si mesma. Um reflexo. Uma reflexão. Então, um território foi criado. No qual circularam afetos múltiplos. No qual a história e a singularidade de cada uma emergiram através de personagens que podem, talvez, misturar-se a singularidades outras; podem, quem sabe, afetar leitoras e fazê-las também se enxergar nestas linhas.</p>
<p style="text-align: justify;">Não se trata, no entanto, de um livro epistolar apenas. Há nele, certamente, um quê de crônica. Antonio Candido, em seu texto “A vida ao rés do chão”, diz que a crônica é um gênero menor, não faz parte da grande literatura. Por isso possui uma sensibilidade outra. Ainda bem.</p>
<p style="text-align: justify;">Por fim, a leitora talvez tenha a sensação de que o livro começa pelo meio e de que não termina. Pois é. É que tudo não passa de uma conversa. E, como diria Clarice Lispector, “faz parte de conversa ser inacabada. O resto é invenção”.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>onda.<br />
a onda transporta energia, mas não transporta matéria.<br />
cor é onda.<br />
violeta é cor.<br />
a última cor do espectro visível<br />
e<br />
como seu oposto direto<br />
tem<br />
o<br />
vermelho.</p>
<p>De todas as mortes, as secretas são as mais doloridas e as microscópicas, imensas. Sejam células, neurônios e/ou esperanças: matamo-nos diariamente.</p>
<p>Liz e Nina morrem e renascem a cada frase. Em cada encontro regam seus brotos e arrancam matos de seus jardins com a doce loucura das que teimam em seguir amando — seja a si mesma, seja ao outro.</p>
<p>Suas catástrofes ganham contornos e se desmancham de maneira fluida e contínua, e tudo as mobiliza. Tudo. Tudo vira matéria poética para elas que tecem como Moiras seus próprios destinos e brincam de profanar tradições e velhas formas de amar e morrer, com a sabedoria das deusas expulsas de paraísos. Paraísos construídos para que permanecessem domesticadas, nutrindo, com suas entranhas e sonhos, a fome insaciável do patriarcado, enquanto elas próprias minguam como minguam as esponjas do mar expostas ao Sol.</p>
<p>De Paris ao Rio Grande do Sul, de São Paulo à cama repleta de fotografias velhas e coisas antigas, a viagem infinita e infinitesimal guiada por Liz e Nina faz com que nós — finalmente — olhemos para os nossos e ao redor, com a delicadeza dos que nada sabem. O encontro entre elas nos encontra.</p>
<p>“Quando a gente escreve, a gente sepulta. As pessoas leem e a gente morre um pouco.”</p>
<p>Leiam-nas<br />
e<br />
boa viagem.</p>
<p><strong>Gabriela Guinatti</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/a-catastrofe-violeta/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Endereço certinho</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/endereco-certinho</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/endereco-certinho#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Nov 2022 18:47:50 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=13975</guid>

					<description><![CDATA[os próprios fenômenos a própria natureza
te cura
os próprios fenômenos da natureza
me curam as ondas
do mar fazem qualquer coisa na ordem do planeta
que te curam
e me curam de qualquer contratempo ou
intempérie que
o coração de cada um possa
causar em cada um as próprias
frentes frias os próprios ciclones bomba as nuvens
de gafanhotos as nuvens
as sombras
os eclipes ou
o eclipse.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Eagle Igor, Eagle Mo, Igor Mozão, Igor em sobrevôo citadino é a águia tropical; a harpia amazônica que plana também nos céus do Pará [de onde emerge o Igor, em toda a sua exuberância]; a ave de rapina planando sob um arpejo eletrônico de technocarimbó. Planando com as asas para trás e o bico cortando o vento, chega a São Paulo e pousa no alto de um prédio da Santa Cecília. Eagle Mo fisga em plongée a cidade, os prédios e os amantes conformados da mesma matéria — pra qual endereço eu envio essa missiva? Onde fica a casa do meu amante? —;  a palavra forjada pelo concreto armado que é herança de uma venerável poesia brasileira. Em outro tempo, a arquitetura maciça subtraída de arabescos de Le Corbusier incidiu sobre a antilira cabralina [joão CABRAL de melo neto, o CABRAL que fundou um país porque criou uma língua]. Aqui, no Eagle Mo, mesmo de forma obtusa e violentamente erótica, ela aparece, a máquina de comover<em>, </em>que cria as habitações duras e antilíricas e por isso mesmo arranca de quem as habita o maior e mais derramado lirismo; não é nem Igor, nem Cabral, nem Corbusier, nem o michê do trianon que vão te dar o lirismo embrulhado em celofane. É na brutalidade que se alicia o habitante desses prédios ou desses corpos à produção de poesia. Igor entrega o seu edifício duro e, para o desfrute lírico-erótico, roga colaboração de quem escuta. Igorila King-Kong, em cima do prédio, observa a cidade; embaixo do prédio, em contra-plongeé<em>, </em>engole o prédio, mastiga e cospe de volta. De que jeito eu ou você podemos nos avizinhar desses poemas e dizer coisas sobre uma poesia que infla as palavras, desafia a bidimensionalidade da página e dá volume ao escrito, poesia de arquiteto &amp; pedreiro — endereço certinho — ?  Escrita com volume é ter a palavra, a locução, o verso e a estrofe para se esfregar neles, versos superfície cilíndrica de se colar a pélvis contra eles, palavras para nelas passar óleo bronzeador. O leite da pedra. De repente o livro, que é um sobrevoo, agora é um perfurador de britadeira, e não mais que de repente é um trator em alta velocidade ou um rolo compressor (mas o voo da harpia tem também esse brilho). Dunas de cimento, infestação de latinos, autocoroação do homem objeto. Lendo as palavras do Igor é possível, mais ainda do que ouvir a voz dizendo tudo, sentir o respingar da saliva da boca de onde sai essa voz; o som, a textura e o veneno dessa saliva.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Arthur Braganti</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/endereco-certinho/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Cancioneiro da desilusão</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/cancioneiro-da-desilusao</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/cancioneiro-da-desilusao#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Oct 2022 13:20:08 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=14599</guid>

					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">asas fechadas
um selo sobre os lábios
olhos no chão</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Ler <em>Cancioneiro da desilusão</em> é embarcar em duas viagens. A primeira é a do narrador personagem, descrevendo vivências de um imigrante japonês que chega ao Brasil na segunda metade do século XX. A segunda é a do leitor dentro de si mesmo, à medida que o texto apresenta condições humanas universais, propiciando contemplações sobre a própria vida: a expectativa causada pela iminência do contato com o novo, a sensação de despertencimento, os caráteres braçal e moral do trabalho são temas que instigam tanto reflexões pessoais como a empatia com o imigrante que chega em terra estranha.</p>
<p>Do mesmo modo como esse leitor duplamente passageiro, no renga (連歌, &#8220;poema encadeado”), também as estrofes estão em um jogo de duplicidade. A estrutura desse gênero de poesia japonesa é tal que toda sequência de duas estrofes constitui um poema. Sendo assim, à exceção da primeira e da última estrofes, todas as outras formam dois poemas: um com a sequência de versos antecessora, e outro com aquela que vem depois. Dessa maneira, o renga maneja simultaneamente a repetição e a variação, mantendo uma unidade temática ao mesmo tempo em que modifica as imagens apresentadas.</p>
<p>Originalmente, essa poesia era composta por dois ou mais poetas, que escreviam cada uma das estrofes intercaladamente. E é apenas por isso que o texto de Karen Kazue Kawana é chamado &#8220;pseudo-renga”. Em <em>Cancioneiro da desilusão</em>, cada estrofe ajuda a revelar duas cenas da narrativa, ressignificando seu próprio sentido enquanto conduz a progressão da história. Os versos “um rapaz da cidade/com aspirações rurais”, além de promoverem o encadeamento entre as cenas, têm a capacidade de sugerir um cenário de ares idealizados quando juntos da estrofe anterior:</p>
<p>leio sobre flores<br />
espécimes tropicais<br />
plantar e colher<br />
um rapaz da cidade<br />
com aspirações rurais</p>
<p>E a de constituir um quadro de teor realista ao serem lidos com a estrofe que os sucedem:</p>
<p>um rapaz da cidade<br />
com aspirações rurais<br />
enxada em punho<br />
pele queimada de sol<br />
trabalho árduo</p>
<p>Assim, o texto de Karen Kazue Kawana exibe o fluir característico do renga: foca no presente, através dos poemas formados a cada cinco versos, enquanto realça a transitoriedade de todas as coisas no recontextualizar de cada estrofe.</p>
<p><strong>Leonardo Reis</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/cancioneiro-da-desilusao/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Contos desencantos: literatura de ninar &#038; histórias da peste</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/contos-desencantos-literatura-de-ninar-historias-da-peste</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/contos-desencantos-literatura-de-ninar-historias-da-peste#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Oct 2022 12:25:27 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=13689</guid>

					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em <em>Contos Desencantos</em> somos convidados a mergulhar no mundo moderno colapsado. Nesse, a crise dos indivíduos representa pequenas mortes simbólicas e banalizadas. Ao tatearmos esse universo caótico e caricato, entre contos e poesias, sentimos como se o livro tentasse de diversas formas achar novos pontos de ancoragem para a reflexão sobre o viver. O leitor crítico e atento irá se perceber como sendo a pedra de toque almejada.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O livro de ficção de estreia de Ronaldo Kirilauskas,<em> Contos Desencantos: Literatura de Ninar &amp; Histórias da Peste, </em>apresenta um rico exercício de imaginação voltada à reflexão sobre nosso cotidiano.</p>
<p style="text-align: justify;">Transitando entre a poesia e o conto, o livro traz sujeitos atormentados pela violência das relações sociais, atentos aos momentos de revelação da violência que se esconde na cordialidade.</p>
<p style="text-align: justify;">O lirismo crítico dos poemas também surge nos contos, como é o caso da narrativa “A salvação da ignorância”: “enfim havia descoberto, entre as obviedades técnicas resultantes da observação do fogo, como o fogo nos observa. Como o fogo é por dentro. Qual a verdadeira alma do fogo. A ciência novamente dava um enorme passo na reconciliação com a igreja”.</p>
<p style="text-align: justify;">Professor de geografia, o autor oferece um bom mapeamento sensível dos trabalhadores e de sua vida cotidiana, revelando afeto por aqueles que não se encaixam, assim como um respeito que dignifica suas escolhas e seus desejos. Veja-se, nesse sentido, a abertura do conto “O preço do pão”, com um trabalhador desempregado que se pensa, reflete sobre sua habilidade com a linguagem e vê a insuficiência do mundo que o submete com uma certa ideologia do trabalho — “Sempre se julgou melhor cronista que trabalhador fabril. Mesmo assim se empenhava”.</p>
<p style="text-align: justify;">Não é fácil, depois da demanda pela experiência de isolamento social e pela vivência da violência estatal que o Brasil presenciou nos últimos anos, querer escrever literatura, menos ainda uma poesia que nos oferte um olhar carinhoso, ainda que exigente.</p>
<p style="text-align: justify;">Veja-se, por fim, este convite de um dos narradores: “Concluí com um certo orgulho poético, embora logo depois viesse a esquecer, que as voltas que o mundo dá separam as pessoas como se essas fossem pedras de dominó mexidas por mãos habilidosas”. Se o mundo separa as pessoas, a literatura mostra essa movimentação — por vezes aleatória e violenta — e nos permite participar do jogo com mais compreensão e com a sensibilidade apurada.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mônica Gama</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/contos-desencantos-literatura-de-ninar-historias-da-peste/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Princípio</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/principio</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/principio#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Oct 2022 11:19:46 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=13544</guid>

					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">nem teu nome te dou de volta, como-o com dentes podres e língua poderosa. lambo o é do teu nome, como quem busca o gozo do outro. mastigo tuas consoantes, banquete maior não há. como calado, como quem comete pecado. como como cobra. engulo-te todo, e só já dentro de mim é que podes ser livre, repousar em teu samadhi.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">um <em>princípio</em> teria que supor a ideia não só de que algo ali se começa, aqui se começando de maneira ainda demorada, mas que também teria como preposição a anterioridade da própria possibilidade de estarmos começando: se algo é princípio, origem, quem lhe garantiria a chance de gastarmos, aqui com nosso vocabulário sempre escasso, sempre em falta, sempre mais seco que a fonte do desejo, uma formulação que pressuporia termos chegado, enfim, ao começo? como finalidade que tem o desejo da origem, estar em um mundo no qual uma formulação sobre a origem seria um tanto idílica que nos faria querer sempre retomar e retornar ao começo, o desejo de pressuposição como uma capacidade de voltarmos para lá, já que temos ciência de para onde estamos voltando, aqui não se realiza, prova-se impossível, caso não se revisite que o fundante também pressupõe uma chance de voltarmos sempre a um ponto que não é aquele para onde estávamos indo. a menos que se saiba de onde vêm nossos desejos, nossos começos, estaremos em falso passeando em volta do medo e da negação do outro que também nos faz parte, que nos torna, assim, coletivos, principiantes no meio de um <em>princípio</em> principado ao precipício.</p>
<p style="text-align: justify;">o desejo da nomeação de uma origem passa também por uma composição possível que interliga tudo a todos e a algo que também deve de alguma maneira sobrepujar a possibilidade da linguagem, que, ao mesmo tempo em que a perpassa, também a limita para que a própria chance da língua se prove somente limitada e limitante perante a sua materialidade: desejo de enroscar a sua na minha, fazer da prece algo que se endereça e se prova sempre cheia de desejo, ainda que de um desejo vazio, faz da constituição de um <em>princípio</em> algo que também evoca aquilo que já veio de forma faltante. pressupor a falta, o vazio, ao invés da presença, é também se tornar parte de um todo que se encaixe independentemente se sei ou não <em>qual</em> o <em>meu</em> papel perante esse grande outro que se apresenta e assume tantas faces possíveis quanto as minhas palavras poderiam formar, tanto quanto o desejo que nutro e nego seria capaz de materializar. se ainda não se sabe, enfim, o lugar de tudo perante todos, há aqui, nas páginas agora protegidas por essa capa orelhada, pronta para <em>ouvir</em> o sussurro gritado dessa prece, uma chance de começarmos a entender o que é que se começa a partir dos contos desejosos de outro de eduardo valmobida. leitor(a), devore-os.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fabio Saldanha</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/principio/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>No sexto dia</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/no-sexto-dia</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/no-sexto-dia#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Oct 2022 13:25:43 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=14401</guid>

					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A mãe dividida entre a esperança e a angústia. Toda história precisa de um fim. Uma semana depois, encontraram um corpo. Pelos exames, descobriram que tinha sido do menino.</p>
Nesse desfecho, todos sofriam. A mãe mais do que todos. Do que sobrou do menino, fizeram velório, enterraram. Na frente da casa, no meio do asfalto, ainda estavam os caracóis. A mãe que nunca mais foi a mesma, concha sem caracol.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O livro <em>No sexto dia </em>de Hortência Siebra convida o leitor a experienciar as infinitas formas de ser e estar no mundo. Acho que foi ao longo da leitura que eu realmente compreendi a frase de Clarice Lispector: “Já que sou, o jeito é ser”. Afinal, não foi isso que Billy fez? Decidiu aceitar-se pássaro, ponto.</p>
<p style="text-align: justify;">A complexidade da vida dos seres envolve muitas forças, algumas controláveis, outras inexoráveis, que nos enredam em coisas que nem sabemos existir. Ao longo da leitura, me senti uma intrusa autorizada (isso existe?). A mim parece que andei xeretando momentos que eu não devia, tal qual Paulo Roberto. Outras vezes, senti a força de conhecer as histórias que ressignificam aspectos de minha própria vida. Eu já havia tido contato com alguns dos textos de forma aleatória, mas a força de ler todos eles, juntos, foi uma experiência marcante.</p>
<p style="text-align: justify;">Verdadeiramente, o livro nos mostra que é pelo fato de sermos humanos que essas experiências, embora distantes de nossa realidade individual, são passíveis de serem nossas, e essa mera possibilidade nos aproxima de uma forma surpreendente de cada uma delas. A obra da autora se insere em uma longa corrente que vem desde a Literatura Antiga: representar o homem, recriando-o em suas relações com os outros homens e com seus próprios destinos. Não importa quanto tempo passe, quanto a sociedade mude, há algo primitivo que sempre unirá essas experiências, afinal elas advêm do caráter singular que existe dentro de nós.</p>
<p style="text-align: justify;"> Enfim, no sexto dia, Deus criou os homens, sua <em>master piece</em>, já Hortência Siebra <em>No sexto dia</em> apresentou as diversas facetas que nos torna mais humanos e menos parecidos com Deus. A leitura dessa obra se mostra relevante e nos permite ver a grande versatilidade e o grande potencial da autora.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Leticia Freitas Alves.</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/no-sexto-dia/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Eu tento ser grato, patrão, eu tento ser grato sim, patroa</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/eu-tento-ser-grato-patrao-eu-tento-ser-grato-sim-patroa</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/eu-tento-ser-grato-patrao-eu-tento-ser-grato-sim-patroa#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Oct 2022 13:09:51 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=14387</guid>

					<description><![CDATA[ser uma graça em estado de metralhadora
tirar as balas do pente para chupar
ler a bíblia como se estivesse em um consultório
e defronte ou de costas à bandeira azul-vermelha-estrelada e seu
hino da guerra, sempre cínico,
nunca vacilante
conspirar e sorrir antiamericanamente]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Estamos no século 21 e a vida está acelerada. Quanto mais se trabalha, mais acelerada a vida fica. Perdemos tempo no caminho e na pressa de recuperá-lo, nos alienamos mais ainda daqueles detalhes que diferenciam cada uma de nossas experiências. Os detalhes são valorosos, porque a regra é da homogeneidade. A maioria trabalha, a maioria sofre, a maioria consome (se permitido), a maioria dorme (quando dá) e começa tudo de novo como esperado. Nessa história, vamos esquecendo que a vida em comum deve unir em consciência, mas os detalhes importam. Joaquim Bührer sabe que os detalhes importam.</p>
<p style="text-align: justify;">A “pobre alma trabalhadora” de que Bührer fala é o que resta em modo de sobrevivência, aquele pedacinho da essência humana que se tenta proteger de um sistema que cobra tudo e abocanha tudo se puder. Quem trabalha um dia morre, mas morrer trabalhando já é demais. O capitalismo já tira a vida, tirará também até a morte? Aqui nós, amantes da poesia, encontramos um dos muitos segredos que o poeta revela a cada página. <em>eu tento ser grato, patrão, eu tento ser grato sim, patroa </em>traz consigo a rebeldia do cotidiano do trabalho, da precariedade, das negativas sociais, que mora entre a norma da obediência de classe e o impulso corporal, consciente ou não, que impede genuína gratidão aos ladrões de alma e suas mansões.</p>
<p style="text-align: justify;">Os poemas aqui contidos foram escritos entre 2019 e 2022. Foram atravessados por pandemia, gestão de morte, deterioração do que resta de vida da classe trabalhadora, novos módulos de opressão, repressão, perseguição e a horrenda sensação de caminharmos de volta ao passado cruel que formou as desigualdades da nação brasileira. Mas o Brasil pode ser mais, já diziam os intelectuais, seja Lélia, Florestan ou Darcy, que ensinaram que devemos olhar para o nosso lugar a partir dele mesmo. “Conspirar e sorrir”, escreve Bührer de uma forma que poderia ser um mantra, mas pela natureza política – como deveria ser – de seus poemas funciona também como um manifesto.</p>
<p style="text-align: justify;">A quem ainda se pergunta se há tempo para a poesia se vivemos cronometrados pela uniformidade do capital: claro que há. E se por acaso não há, que o criemos. O mundo livre não irá se anunciar sem que saibamos apreciar os detalhes do hoje e do porvir. Que a pulsão de utopia que brota entre as palavras mais cansadas e as mais destemidas dos poemas de Joaquim Bührer agucem nossos sentidos para quando a hora chegar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sabrina Fernandes</strong>,<br />
socióloga, autora e educadora</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/eu-tento-ser-grato-patrao-eu-tento-ser-grato-sim-patroa/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O que há de autêntico em uma mãe inventada</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-que-ha-de-autentico-em-uma-mae-inventada</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/o-que-ha-de-autentico-em-uma-mae-inventada#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Oct 2022 16:16:20 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=13465</guid>

					<description><![CDATA[entre nós há o mundo inteiro
e seu barulho
as pessoas imersas à pressa
presas às nove
e mais presas ainda às dezoito

entre nós há o incontável
borboletas, portas fechadas, o azul
há até aqueles que desistiram de estar aqui
e tudo parece se expandir

entre nós há quase tudo
mas se eu fecho os olhos
sinto o peso e a leveza de sua mão

sinto você deixando suas digitais
em todo canto da minha pele

e quando te sinto enfim não há mais nada entre nós]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A escritora afro-americana Toni Morrison, quando questionada sobre a maternidade, afirmou que o lugar de mãe, para as mulheres negras, nunca significou meramente opressão, pois era também um lugar em que projetos de liberdade podiam ser gestados, sonhados e levados a cabo. Além disso, ela acreditava que as mulheres negras deviam prestar atenção às “propriedades ancestrais” que herdaram, o que envolve, principalmente, a capacidade de cuidar não apenas do outro, mas também de si.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse sentido, Oluwa Seyi, nos poemas de seu livro de estreia <em>o que há de autêntico em uma mãe inventada</em>, revela, na verdade, como há tudo de autêntico na mãe que inventa, pois ela é também uma herdeira das propriedades ancestrais. Em seus versos a maternidade se torna não apenas uma inspiração ou um tema, mas o lugar a partir do qual Oluwa materna a sua criança interior, materna a jovem adulta com medo do futuro e, principalmente, parteja palavras como quem deseja parir um mundo em que as vidas negras não sejam interrompidas o tempo todo.</p>
<p style="text-align: justify;">Da poeta que não sabe abandonar a própria carne, uma “casa que me prende/que não é confortável ou quente”, à poeta que afirma “serei, pelos séculos, a mulher da minha vida”, acompanhamos a jornada de alguém que aposta na capacidade e na possibilidade de gerar vida como força e potência da sua existência e de sua poesia. Ao mesmo tempo, é a maternidade que também a assusta e desperta o desejo de jamais dar à luz num país que “mata por capricho/criança que ousa nascer preta”, rogando por Iemanjá, pois “chorarei quando me souber grávida”.</p>
<p style="text-align: justify;">Em seus poemas encontramos, então, uma menina-jovem-mãe que sonha, chora, ama, se cansa, tem medo, tem coragem — virtude que “só cresce em condições adversas” —, mas sem esquecer de se ver “como potência de outras vidas”, rezando e cantando os nomes dos rebentos futuros que, ainda que não nasçam, já vivem em sua poesia. Nada mais autêntico, então, do que a mãe inventada de Oluwa Seyi, uma “mulher parida” que escreve como quem materna. Sua poesia é, sem dúvidas, sua propriedade ancestral.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fernanda Silva e Sousa,</strong><br />
crítica literária, tradutora e professora</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/o-que-ha-de-autentico-em-uma-mae-inventada/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Sismos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/sismos</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/sismos#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Oct 2022 15:00:01 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=13414</guid>

					<description><![CDATA[entendo de vazios
de fomes
e de cios
alimento bestas
engulo abelhas
e trovões

sei de abismos
desfiladeiros, depressões
de sismos, de frações
e de inteiros

entre terremotos
abalos sísmicos
e devaneios
forjo meu paraíso
nos escombros
e nos entremeios]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Cefas Carvalho reúne em<em> Sismos</em> poemas em estado terroso, de solo, epicentro e lava, talvez um pouco de fogo, mas sem voos ou águas. Poemas arenosos que transformam a aridez em ar possivelmente respirável. Ao lê-los, temos a sensação de um soco, mas também de um sopro.</p>
<p style="text-align: justify;">Como um Hades grávido de cactos e pedras, talvez também grávido de mortes, esse poeta nos brinda, em seu primeiro livro de poemas, após o livro de contos <em>Não sei quantas almas tenho</em>, com um diálogo com o chão, a terra, o espaço seco, vazio de estrelas, pleno de ecos bárbaros e diários.</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, é um jornalista que escreve, e, como tal, a rispidez da existência aparece. Além disso, é também um autor de quatro romances publicados com as trepidações, já sem muitos devaneios, de um homem em sua quinta década de vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Ler <em>Sismos </em>também é encontrar Perséfone beijando o submundo, tecendo com agave e sal as linhas mais duras da vida e da morte. Ícaro às avessas, Cefas mantém o corpo poético no plano médio e baixo, quase réptil.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse convite à dureza provoca um impactante espanto filosófico. Tal qual uma pedra na garganta, é uma poesia que dói com pouco sangue, mas lateja e fere como treva.</p>
<p style="text-align: justify;">Terminamos a leitura deste livro com essa treva nas mãos: meio planta, buscando ar, sol, raiz. O poeta trouxe duras sementes para que possamos plantá-las sob nossos pés. Lê-lo é também dialogar com a terra escura, com a morte e a sorte.</p>
<p style="text-align: justify;">Entre bordados, fardos, rochedos, azulejos, o poeta tece e destece sua tapeçaria e nos apresenta um livro sem ardência nem dor, mas com uma árida e cálida força, como no poema “Ícaro, não!”:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>o firmamento<br />
</em><em>deixo para<br />
</em><em>vocês<br />
</em><em>que voem em vão<br />
</em><em>em paz</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>desejo o solo<br />
</em><em>o chão<br />
</em><em>e nada mais.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Enfim, convidamos todos e todas a essa leitura ríspida e bela.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Iracema Macedo,<br />
</strong>poeta e professora de Filosofia do Instituto Federal Fluminense</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/sismos/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Aranhas pensam com a teia</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/aranhas-pensam-com-a-teia</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/aranhas-pensam-com-a-teia#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Oct 2022 14:52:19 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=13400</guid>

					<description><![CDATA[<p style="text-align: center;">Batemos os pés no chão para levantar poeira.</p>
Outrora toda espécie de matéria sólida
as agora partículas aventam nossos passos
e sorrimos — veem-se as gengivas

Até os filhos das famílias bem-dispostas
fizeram ventar o rés do chão
quando crianças, como crianças
se não quando se deu
o indeglutível

Até os filhos das famílias raras

É como com os gatos —
buscamos o fundo do chão para
buscamos o fundo do chão e
resiliente, a energia reanima:
fúria redistribuída brilha
residual fragmento
funcional como uma lâmina ou
perfeito para enterrar]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Thaise Nardim estreia como alguém que publica poesias e enfrenta o inusitado do cotidiano. A poeta, aquela, como diz o poeta, que faz da luta com a palavra a luta mais vã, é colocada nessa tarefa por Thaise como a que capta a dimensão das coisas na balança do tempo — o seu tempo. Por isso, a realidade é entrecortada, como tem que ser — ganha um ritmo de quem faz graça porque não tem saída e <em>sente</em> para achar saída. Esses poemas, poemas de circunstâncias de poemas de circunstâncias, circunstancialmente pensados e tecidos a fios de ouro ou de cobre roubado do poste — como os que pensam, na tormenta ou no café da manhã, na padaria ou na performance, na obra de arte ou no modelo pronto, na conversa, no jardim, nos milênios.</p>
<p>Os poemas e a poeta às vezes se juntam, às vezes se separam, aranhas pensam com a teia, garante-se a proteção, o lugar de andar, sua armadilha e sua beleza: as teias — uma extensão do corpo, como as nossas caraminholas. Mas além e com o título tem a poesia, essa arte sutil, besta e grandiosa, que se faz no próprio ato da pena, na virtualidade do miúdo e no todo que rebenta o mapa da mina da humanidade.</p>
<p>A Thaise fez da sua inquietude intelectual-artística-política um deslocamento da exatidão que a palavra no poema exige. E fez muito bem. Louvo a sua estreia com essas passagens que tentam, intentam e encarnam uma prosa de vida, que é uma poética dela, das coisas, do cotidiano — do corpo em extensão e tudo, os seus adjetivos: “Tenho as pintas quebrando a monotonia da pele/e elas não significam nada até que sejam tumor” (“Interpretose”); e outro: “já cortei assim duas vezes;/tô ficando parecida com minha mãe;/tá no meio mas ainda posso pedir pra mudar;/foi isso que pedi mas acho que pedi errado;/quantos cortes será que já tive;/no fim das contas cabelo cresce rápido;” (“Cortes”); e mais: “Toda a tragédia que emergirá como afluente da correnteza dela./Filha criando a vida com suas linhas,/toda tragédia que emergirá como afluente da correnteza da mãe” (“Novela”). Poesia para ler e reler com partes do corpo e outras.</p>
<p><strong>Marcelo Brice,<br />
</strong>doutor em Sociologia pela Universidade Federal de Goiás (UFG), professor na Universidade Federal do Tocantins (UFT) e atualmente realiza estágio pós-doutoral em Literatura na Universidade Nova de Lisboa.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/aranhas-pensam-com-a-teia/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Gólgota ignota</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/golgota-ignota</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/golgota-ignota#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Oct 2022 17:45:51 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=14217</guid>

					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Destituído do direito de ser bicho, tornava-me todos os dias casto e calmo, dormente pela obrigação do nascer do sol, e a luz que brotava queimava e jogava para uma terra distante as sombras que me abraçavam com os seus tentáculos gelados e com a promessa do anoitecer do meu juízo, do crepúsculo da sensatez. E quando a hora vinha, quando não me aguentava de tanto adoecimento, meu corpo pedia a Deus a mesma clemência pedida por minha mãe, as mesmas palavras, as promessas impossíveis de serem cumpridas.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">É difícil traduzir para as palavras todo o peso do mundo. Não cabe nas dimensões dos números escritos a falta e a ausência que preenchem tudo. Nos sonhos encontram-se todas as impossibilidades da humanidade, e são deles que brotam aquelas realidades que escapam e nos atormentam o estado de vigília. As Miríades vêm do mundo dos sonhos. Os sonhos vêm do mundo das Miríades. Elas nos contam os segredos ancestrais que moldaram o mundo, nos tempos em que o mundo era virgem e nenhum humano ainda havia pisado na Terra, e assim acordamos apavorados com as verdades primitivas que jamais farão parte de nós novamente. A construção humana deixou de lado o animalesco que havia em nós. E o narrador sem nome, em um embate interno, adentra nos labirintos oníricos das dimensões de dentro, vendo suas marcas no tempo, no avançar dos anos e nas cicatrizes que ficaram em sua pele, percorrendo os dias melancólicos e entediantes de vidas vazias. Sob a tutela surreal de entidades muito além da compreensão de qualquer pessoa. As senhoras. As avós. As Miríades. Tudo veio de um sonho. A realidade é formada por uma infinidade deles. E se tudo veio do sonhar, talvez nada exista de verdade. Ou talvez a verdade seja insuportável. Em Ilhazinha, no fosso do fim do mundo, a Gólgota Ignota está lacrada. E dentro dela, as Miríades.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/golgota-ignota/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Aprender a se apaixonar observando répteis</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/aprender-a-se-apaixonar-observando-repteis</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/aprender-a-se-apaixonar-observando-repteis#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Oct 2022 17:12:21 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=13185</guid>

					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Régia loucura que me rege
Cálice mostrado à altura da boca
Tomo suas poções
De letargia litúrgica
E ascensão aos céus
O bater coincide com o nascer de asas
De um pássaro humano
Volante voltande no determinado instante
Que não se demora e nunca se sabe
Nascido à loucura que reina
Do caos mais ordenado já visto
Que me rege</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Embora não facilmente identificável, existe um fio condutor discreto, quase imperceptível, que percorre toda a extensão de <em>Aprender a se apaixonar observando répteis</em>. Da potente inocência que se expressa no primeiro capítulo de maneira espontânea e irresistivelmente informal, através de afetuosas lembranças de expressões regionais, dinâmicas familiares e marcantes personagens, ao inquietante existencialismo encharcado de todo tipo de desejo impresso nos escritos mais recentes, somos conduzidos por uma voz que se altera, se desafia, se acostuma a cicatrizes recém-adquiridas, descobre novos mundos e se adéqua às circunstâncias que a cercam. Seria fácil ceder à tentação de usar o adjetivo “camaleônico” e assim fazer uma alusão ao título sob o qual residem estes textos, mas também seria injusto, preguiçosamente reducionista com o complexo registro apresentado por Robson Ashtoffen em sua promissora estreia literária. O poder destas reflexões claramente não se limita a agir sobre o narrador. Transforma as relações, ressignifica as memórias, adéqua as expectativas sobre o que se pode esperar de uma vida que se intensifica em seus percalços a cada momento.</p>
<p style="text-align: justify;">O amor enquanto servidão, a servidão enquanto gesto de amor. A ambição sem limites de “posar nu para Deus” e “ser condecorado o melhor dos humanos”. A tocante simplicidade de sonhar com uma máquina de moer cana dentro de casa. As necessárias fugas de realidade cotidianas na constatação de que “alucinamos ao beijar, chorar ou cair” — afinal, “alucinação é a linguagem”. Conviver com ideias que se assemelham a moscas inoportunas, do tipo que não vão embora facilmente.</p>
<p style="text-align: justify;">Tópicos tão distintos recebem como tratamento redirecionamentos estilísticos bruscos, imprevisíveis, assim como repentinas quebras no ritmo narrativo. Constrói-se, dessa maneira, uma biografia sinuosa e incomum, tanto em forma quanto em conteúdo. Como se o autor nos contasse sua história não através de fatos, sempre tão manipuláveis e sujeitos à censura da memória, mas ao nos apresentar quais eram seus questionamentos, percepções, paixões e anseios em diferentes momentos de seu desenvolvimento artístico e pessoal.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Jair Naves</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/aprender-a-se-apaixonar-observando-repteis/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Outros escritos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/outros-escritos</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/outros-escritos#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Oct 2022 16:51:58 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=13173</guid>

					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Não tardaria muito para que deixasse de escrever minhas primeiras obras da juventude. A primeira delas inexistiu sob a forma de um diário de viagem intitulado <em>Jornada a nenhures. </em>Dessa etapa igualmente consta <em>Personne, </em>uma coletânea de apagamentos em francês dos poemas de Afonso Calado, heterônimo de Fernando Pessoa. É também desde aquela época que venho adiando a escrita de <em>Más allá de ningún front, </em>baseado nas profundas marcas que a ausência na Guerra Civil Espanhola me deixara.</p>
<p style="text-align: justify;">(Trecho de “O manifesto invisível”)</p>
&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Estes oito contos de Martim Butcher são de fato <em>outros</em>. Se a literatura brasileira na contemporaneidade tende às histórias identitárias, com seu realismo por vezes bruto e uma reprodução direta da(s) fala(s) popular(es), ou às distopias que figuram no futuro o que se entrevê na atualidade, esta coletânea (re)inaugura uma nova modalidade da escrita.</p>
<p style="text-align: justify;">Os narradores de <em>Outros escritos</em> compõem um conjunto cuja unidade, pouco apreensível à primeira leitura, define a qualidade indiscutível desta escrita. Tal unidade relaciona-se à qualidade linguística e às escolhas de estilização da linguagem. Todos os narradores são apaixonados pelas palavras e retiram de limbos vocábulos pouco conhecidos ou termos raros, mesclando-os a formas coloquiais de enunciação. Essa mescla, em si mesma significativa, não é gratuita: ela se articula organicamente à matéria dos contos e dá forma estilística ao que neles configura o sentido do conjunto.</p>
<p style="text-align: justify;">Trata-se, antes de qualquer especificidade temática, de dar voz àqueles que a história sequer conheceu (como em “Anunciada”, curiosa narrativa, um pouco à maneira borgiana, acerca de uma outra carta do descobrimento do Brasil que, como o navio que a levava, foi tragada pelo mar). E, sobretudo, de apresentar personagens que, mesmo ao alcançar o sucesso, orientam-se pelo fracasso (como em “Questão de tempo”, em que as fantasias do escritor premiado revelam sua autoinclinação para a derrota e a certeza de que o mundo finalmente descobrirá ser ele um embuste). O ponto máximo da ironia em que o amor às palavras choca-se com a autoanulação da obra está no irônico e delicioso “O manifesto invisível”, quando o narrador proclama seu “dom para o nada”.</p>
<p style="text-align: justify;">Configurar esse conjunto de contos nas temáticas do fracasso e, por outro lado, da tentativa de revelar o que permaneceu desconhecido indicia um modo de conceber a literatura na contramão do que atualmente tem sido produzido. O que há, aqui — e é novo por revigorar uma tradição que parece esquecida —, reinventa homens e atos falhados ou por suas fantasias negativas ou por contingências desastrosas que, não obstante, a linguagem salva. Não por acaso, o último conto é “Introdução ao fracasso”, manual que, na contramão do ideário do sucesso a qualquer preço, revela a contrapelo o ideal da derrota.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo isso e mais — que não cabe numa orelha — revela que Martim Butcher é um escritor pronto. E que queremos mais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ivone Daré Rabello</strong>,<br />
crítica literária e professora da USP</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/outros-escritos/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O tráfico de órgãos na poesia brasileira</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-trafico-de-orgaos-na-poesia-brasileira</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/o-trafico-de-orgaos-na-poesia-brasileira#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Oct 2022 14:58:52 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=13158</guid>

					<description><![CDATA[Minhas queridas amigas, já não sei o que poderemos fazer,
e talvez, e certamente, não exista mais qualquer tempo.

Mas digo que, por causa de vocês,
o suicídio se esqueceu dos lugares altos

e o que antes convocava ao mundo dos mortos,
num pisca-alerta contínuo,
tornou-se a luminária de nosso vagão-restaurante,
entre Belgrado e Sarajevo, num país imaginário, por onde
nós seguimos, sempre alegres, em passeio.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Neste <em>O tráfico de órgãos na poesia brasileira</em>, o segundo volume de uma trilogia poética que se iniciou com <em>Insta fantasma </em>(Urutau, 2021), desde o título o leitor é apresentado a uma imagem — o tráfico de órgãos — que sintetiza a reificação e radicaliza sua expressão. Se, desde os anos 1980, o tráfico de órgãos assustou, no noticiário, o imaginário brasileiro, hoje se trata de um assunto quase esquecido, deflacionado na nossa infindável lista de preocupações. Gabriel Morais Medeiros recupera esse passado para nos lembrar, com certa nostalgia sadomasoquista — “o passado/em devastação” —, que os terrores do neoliberalismo fascista dos dias de hoje já se anunciavam no neoliberalismo vanilla das décadas de 1980 e 1990. O tráfico de órgãos, assim como o turismo de transplante e o turismo sexual — temas recorrentes nesta obra, entre outros —, são consequências, todos sabem, de um projeto de precarização já antigo, mas que agora se pornografiza.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, o poeta assume a “posição fetal/passiva ante a netflix” para descrever e enfrentar o tempo, enquanto o tempo no capitalismo lentamente acaba. Estamos todos presos neste pesadelo, como no “feed do insta-fantasma” que não cessa de se atualizar, uns agonizando mais do que os outros, vislumbrando pelo “google glass adaptável/aos escudos faciais/apple watch em sincronia/co’a guarita antimendigo” um futuro que promete terminar por nos devassar, porque não há “fuga do mundo dos mortos”, mesmo com “‘sonho por sonho’ à playlist”, mesmo com “a minissainha voandinho”.</p>
<p style="text-align: justify;">[Arthur Araujo, escritor]</p>
<p style="text-align: justify;">Depois de tanto destroço social, do lixo e da glória televisivos, dos primórdios da internet, das décadas de neoliberalismo, dos antigos videogames, afinal, há vários fantasmas dos anos 90 dando voltas na poesia de Gabriel. O “et de varginha”, várias vezes citado, é um primor, é uma assombração cômica e recorrente. Diante dessas voltas, devemos talvez retornar aos primeiros poemas, procurar pelo bonito nome de Luane ou pela declaração à “pesseguinha”. Porque em meio aos ruídos dos ossos urbanos, em meio a tudo isso, há o afeto: “[&#8230;] seus bocejos flébeis, gráceis ao fim de tudo, enfim, nossas delicadezas alegres, travessuras, de verdade, inesquecíveis”. E ao afeto, Gabriel Medeiros dedica os poemas mais extensos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Maíra Vasconcelo</strong>s,<br />
poeta e jornalista</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/o-trafico-de-orgaos-na-poesia-brasileira/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Mamãe chora quando quando eu falo de partida</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/mamae-chora</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/mamae-chora#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Oct 2022 18:28:10 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=13963</guid>

					<description><![CDATA[Se eu morrer amanhã, não chore
Vá no meu quarto e quebre todas as janelas
Se o fatídico dia ocorrer amanhã
Não fique triste, rasgue todas as páginas de todos os meus livros
Se isso ocorrer, não pereça
Jogue minhas roupas na rua
Pois de mim, não me tenho
E de tu, não tereis
Por isso, me jogue no liberto júbilo do ar
Nos côncavos marulhos exorbitantes]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Uma casa que não proteja, mas que seja como os relógios de Dalí: paredes derretidas, escadas que mudam de lugar, um teto aberto ao céu — belo e ameaçador —, sob o qual o morador contará uma existência de amor, saudades e dor.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Arquiteto e mentiroso”, Felipe Matheus divide sua obra em capítulos-cômodos. Guiados por seus versos, percorremos entrada, quarto, banheiro, cozinha, quintal de um projeto quase antidoméstico, no qual não há fronteiras entre dentro e fora. Ao mesmo tempo em que deseja se esconder do mundo e blindar-se do fato de existir, o autor é atravessado por eventos que ultrapassam suas paredes tão permeáveis: a força imposta à pele preta, os avós que dançam e depois vão embora, a história e a memória que se refazem a cada dia.</p>
<p style="text-align: justify;">Com este livro, aprendemos que, quando sentimos muito e nos aventuramos a imergir no sentimento, seja ele o desespero de estar ou a melancolia de perder — um avô ou um possível amor —, os tijolos ao nosso redor umedecem de experiência. E então o universo inteiro, o completo cosmos de ser humano, passa a caber sobre uma cama desarrumada.</p>
<p style="text-align: justify;">Sem temer a linguagem, remontando as palavras para que ergam sua casa-carta, e usando-as num jorro que tem tanto de grito quanto de lucidez, Felipe Matheus nos lembra por que escrevemos. Não para encontrar o que procuramos sobre nós e sobre o todo e muito menos para erguer muros. Escrevemos para seguir buscando, o que significa continuar vivendo. <span style="color: #ffffff;">felipe matheus silva alencar</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ingrid Fagundez</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/mamae-chora/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Bruxismo e outras automutilações</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/bruxismo-e-outras-automutilacoes</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/bruxismo-e-outras-automutilacoes#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Sep 2022 13:05:57 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=12959</guid>

					<description><![CDATA[<strong>Sinus</strong>

por trás da caveira
dança furioso um fluido
ouço o sono
a quais solos, a que custo a dor meço?
troco
estampas de amarelo por ataduras nos ocos
os círculos secam]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Investigar o corpo como um legista. Tratar o poema como uma dissecação. Captar a beleza na putrefação. São esses os eixos que constroem <em>bruxismo e outras automutilações, </em>estreia na poesia da professora e poeta Samara Belchior.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de trazer uma poética da intimidade, esta muito próxima, ainda, do incômodo, Samara se debruça sobre algo universal — a incompletude do corpo, ou a impossibilidade de mapear todo o aparelho sensorial que constitui um corpo. São poemas que, entretanto, buscam investigar um incômodo para além da dissecação, questionando conceitos como subjetividade e identidade que sobressaem dos processos fisiológicos retratados.</p>
<p style="text-align: justify;">Dividido em três partes, “matéria macia feita de pele deitada”, “ampliar os cortes para saber de que tecido é feito o eu” e “estruturas porosas”, <em>bruxismo e outras automutilações </em>busca trabalhar o corpo em suas interrupções, trazendo como material poético joelhos ralados, narizes escorrendo e, até mesmo, o processo de embalsamamento de cadáveres. São textos que evocam principalmente o conceito de <em>defeito</em>, mas que se catapultam, partindo destes, para um exercício de elaboração — seja da experiência corpórea, seja da construção poética em si.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse sentido, traça-se uma poesia em que se reconhece tanto a influência da ode ao silêncio proposta pela poeta argentina Alejandra Pizarnik (1936-1972) quanto a ideia de conscientização da morte, trabalhada pela escritora e agente funerária estadunidense Caitlin Doughty (1984).</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar da temática pesada — e dos versos curtos de Samara — percebe-se que a autora não se limita em termos de linguagem, explorando a disposição gráfica do texto e se atentando à escolha das palavras, reverberando a ideia inicial de se produzir um efeito físico em quem lê. Trata-se de uma escrita única, que carrega uma verve contemporânea, trazendo elementos performáticos em seu texto.</p>
<p style="text-align: justify;">No final, o que se tem em mãos é uma estreia bastante potente de uma autora que busca não se inserir, mas, sim, se reconhecer dentro do texto a partir de uma visceralidade — palavra que pode definir <em>bruxismo e outras automutilações </em>em sua totalidade. Trata-se de um convite ao eu, o eu que se enxerga e que se tem consciência a partir de uma autópsia.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Laura Redfern Navarro</strong><br />
poeta &amp; jornalista<br />
<a href="https://www.instagram.com/matryoshkabooks/">@matryoshkabooks</a></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/bruxismo-e-outras-automutilacoes/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Entre o que brilha e o que arde</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/entre-o-que-brilha-e-o-que-arde</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/entre-o-que-brilha-e-o-que-arde#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Sep 2022 13:00:06 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=12972</guid>

					<description><![CDATA[Somos talvez somente corpos
cravados nos ossos

os braços que pendem
do tronco vertebral

o valor da espécie
no peso do metal

desejamos de volta
as asas que antecedem

o traçado original,
a cicatriz ou a luz

que nos unia e nos separava,
hoje, silenciosos e errantes

entramos no espelho,
entramos na segunda morte.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O título do livro prenuncia de imediato a presença de dois polos fundamentais, faíscas cintilantes que tanto iluminam quanto cegam o leitor que se aventurar por essa paisagem às vezes fria, outras vezes incendiada, e por onde desfilam figuras andôginas, máquinas mortíferas ou florestas milenares. É nesse pêndulo oscilante entre a ameaça e a esperança, entre o que se projeta para o futuro e o reflexo distorcido do passado que se constroem as tramas principais dessa nova coletânea de Prisca Agustoni, atravessada por temas caros à sua poética, como a migração, o plurilinguismo e a constante indagação da memória coletiva e individual.</p>
<p style="text-align: justify;">O teor metalinguístico de sua escrita está presente no diálogo intenso que a autora estabelece com artistas plásticos e escultores, através do qual propõe reflexões sobre o próprio processo criativo ou sobre a sempre necessária releitura da história. No entanto, se em abertura do livro as estátuas da artista islandesa Steinunn Thoraridsóttir — de aço e de bronze — evocam corpos mudos e sem expressão, através das palavras da poeta, aos poucos, estes assumem uma feição cada vez mais humana, mais semelhante a cada um de nós — perdidos e inertes no caos contemporâneo. Assim, as instalações metálicas  do escultor suíço Jean Tinguely – que evocam a crueldade do holocausto — são ressignificadas a partir de uma voz lírica (e áspera) que parece se levantar da sucata, dessa “fábrica de dejetos”.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro diálogo com as artes plásticas está na sequência que encerra a coletânea. Como explicita Prisca Agustoni, trata-se de uma tentativa de fixar em palavras o movimento interior da artista suíço-brasileira Mira Schendel (migrante assim como ela), movimento este que foi motor de criação em suas obras pictóricas ou em suas instalações, através de um inquieto interrogar a natureza do real (em sua materialidade) na medida em que foi <em>se interrogando</em> sobre os mistérios da existência.</p>
<p style="text-align: justify;">Já na seção central “Arcaicos” — como coração pulsante de um animal ancestral — é onde se desdobram as temáticas recorrentes em sua escrita — a memória individual, a relação entre as línguas, o espanto diante da morte por COVID do último membro da etnia Juma, a releitura dos vários incêndios que devastaram o país, seus museus e suas florestas.</p>
<p style="text-align: justify;">Em definitiva, esse livro, breve e intenso, se compõe por indagações que se cruzam ao longo dos versos, se aproximam, circulares, como uma corola em cujo centro polinizador está a poesia em estado bruto, ardente, lacerante, brilhante.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/entre-o-que-brilha-e-o-que-arde/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Matéria do sopro</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/materia-do-sopro</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/materia-do-sopro#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Sep 2022 13:00:17 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=12833</guid>

					<description><![CDATA[Deixa, amor, os limões
para outras bocas
e comamos nós as amoras
mais silvestres.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O silêncio, a luz, o mar distante, o cansaço, a solidão, muitas vezes desejada, algumas vezes sentida, percorrem a poesia de Ezra Pereira. De poemas finos, com imagens iluminadas, mas sem esquecer a escuridão, esta obra traz algo que se sobrepõe: a Terra. Ezra tem apego ao chão, à natureza dos pássaros, canto de cigarras, mesmo ao corvo — que “pousa na página/e não é a morte/o que anuncia&#8230;”, mas “indício alado de alegria”. Os valores da Terra, o <em>amor fati</em>, mostram o eu-lírico como um <em>flâneur </em>entre os continentes do mundo, pelas terras da Ibéria, da Gália ou do Brasil. Mas, de novo, mesmo na sua errância, o silêncio se faz necessário, para que os versos surjam. Resta nesse silêncio apenas o vento — “respiração única/da Terra”. Enfim, este livro é do poeta de nome cristão-novo, atento aos Antigos, romântico do velho e do novo mundos, mas que escreve enraizado no território de indígenas e de diasporados d’África. Tantos lugares, tantas línguas. Todos da Terra, pátria da sua alma. Do seu corpo, unidos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ricardo Evandro Santos Martins</strong></p>
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/materia-do-sopro/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Despótico, despolítico, despoético</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/despotico-despolitico-despoetico</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/despotico-despolitico-despoetico#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Sep 2022 12:25:37 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=12877</guid>

					<description><![CDATA[<strong>medidas diplomáticas</strong>

quantas tragédias seriam evitadas
se houvesse uma régua
e um banheiro
para medir o tamanho das armas
dos homens de estado
flácido.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Phillipe Sakai (1987) me foi apresentado pelo nosso amigo em comum, Thiago Hansen, como “alguém que eu precisava conhecer”. Bastaram duas palavras para entendermos a proximidade de nossos projetos artísticos e políticos (há diferença?) e começamos de imediato a publicar juntos semanalmente na Hecatombe Edições. Na coluna política “QuintasHeca”, possibilitadas pelo trabalho primoroso de nossa editora Débora Ribeiro, produzimos poesias e imagens de urgência sobre os acontecimentos abjetos em nosso país. Imagens e textos se juntam em sentido como ideogramas chineses — não podem ser pensados em separado, pois os desenhos não são meros apêndices decorativos do texto. O significado é criado no espaço entre.</p>
<p style="text-align: justify;">Em seus poemas, Phil trava as línguas dos leitores, como o país que tropeça em seus descaminhos, evoca imagens e imaginários, varia tecnicamente em estilos e recursos poéticos, usando eu-líricos improváveis, demonstrando sem exibicionismo grande erudição. A justaposição dessas diversidades cria um todo articulado em várias camadas. Assim também fiz com meus desenhos em nanquim, numa estética diretamente desenvolvida pela coluna semanal e que perfaz sentidos parciais que se ativam num todo, exigindo idas e voltas, páginas de um <em>sketchbook</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">De nossas experimentações de quase dois anos de produção, Débora nos convidou para publicarmos este livro. <em>Despótico, Despolítico, Despoético</em> reúne elementos nervais e nervosos do nosso país em crise, de um ponto de vista irônico, que ri, mas que também chora, e que também ergue os punhos. De “pô, emas”, pastos, mi-mi-mis autoritários e contracheques escandalosos até a resistência dos expatriados, sobreviventes e lutadores, este livro é lançado como um molotov incendiário. Uma bomba. Mas uma bomba de versos, pois é com eles que Phil e eu nos armamos <em>versus</em> os “<em>versus</em>” daqueles que são contra. Nas fissuras que subvertem, um Brasil profundo aparece.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Yuri Campagnaro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/despotico-despolitico-despoetico/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Dpois se vão tb os ddos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/dpois-se-vao-tm-os-ddos</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/dpois-se-vao-tm-os-ddos#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Sep 2022 12:39:16 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=12746</guid>

					<description><![CDATA[vivemos desde sempre produzindo e acumulando objetos
junto com os objetos, veio a atribuição de sentido
depois veio a imagem do objeto, signo que o substituiu:

palavra. junto com os objetos, veio uma pergunta
sobre o tempo. e, sobretudo, sobre a finitude. as coisas
permanecem. ou não. vão-se os dedos, ficam anéis

depois se vão também os anéis, ficam imagens. pessoas
se vão, ficam memórias. corpos também se vão, ficam imagens
até que se apaguem. ou que se perca a senha da nuvem.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Anéis nos dedos. De mãos oníricas que desfiam tramas e tecem novas urdiduras no que quase foi. E salpica ainda, em gotas citrinas, rumo à dissonância de uma ironia que desconcerta. Tudo pode viger, agora como outrora, em rotas e derrotas de vida e sonho. E que a tudo abarca, de quando em vez. Livro alusivo, eivado de matizes entre o que se aspira, inspira. E pode expirar. Ao longo dos caminhos. Dos descaminhos também. Sua leitura nos captura sob o naipe do inaudito.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste texto de espessa intensidade e ineditismo formal, uma bisneta contra-canta com ancestrais imagéticos, adejando díspar, por espaço e tempo, vem a pousar na crueza do real que assola e ensombra. Narrativa em que nos cabe erodir, elidir. E se aquilo que escapa à devora nos revigora, outro verão há de vir.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>C. O. Viana </strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/dpois-se-vao-tm-os-ddos/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O limiar das fendas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-limiar-das-fendas</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/o-limiar-das-fendas#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Sep 2022 15:34:34 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=12634</guid>

					<description><![CDATA[<strong>pero vaz da língua</strong>

Entre as pernas do homem, há origem de um continente.
Nele, marés e ondas de saliva em boca levam, afônico, o ser
De um cais-testículo a uma ilha de extensão vertical e rígida.

Ela pulsa, mas só sobrevive quando o céu da boca, encharcado,
Atinge a superfície de sua terra brasílica e rega a vegetação-glande.
É a exceção de toda invasão: esta, não matando, implora e pede.

Quando a navegante-língua desbrava a extensão do mundo, sente,
Estática, que daquela seringueira não deve extrair o látex na tigela.
Português, pois, revertida, fecha-se no navio e parte até outras índias.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A poesia iconoclasta de Douglas Laurindo não propõe, simplesmente, a destruição das imagens sagradas da nossa cultura machista e heteronormativa. Sua operação é a da devoração criadora, com ressonâncias do sonho de Oswald de Andrade. Trata-se, porém, de uma antropofagia particular: devorar o interdito, o proibido, a normatividade e, nesse ato, devorar a si mesmo para recriar-se livre e potente, mesmo na interdição, entre as fendas:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>“e como eu caminhasse/por aqueles pátios líquidos/de violência falada,/algo inesperado se via://a fenda é o espaço/estreito no qual o fio/morte e vida termina.” </em></p>
<p style="text-align: justify;">O desejo nasce nas fendas — dos becos urbanos, do corpo — e manifesta-se despudoradamente na linguagem: <em>varas que latejam</em> à procura de preencher os buracos abertos pelos processos de subjetivação colonizadora de nossos corpos e mentes. Como Adília Lopes, Laurindo está ciente de que esse uso da linguagem constitui “<em>um jogo bastante perigoso</em>” e sabe também que é o único jogo possível, numa sociedade que, desde a infância, fode os corpos <em>queers</em> diariamente, porém lhes censura o direito de foder. Em<em> O limiar das fendas</em>, a violência erótica atinge novos significados, insuspeitos.</p>
<p style="text-align: justify;">A leitora destes poemas ouvirá, entre outras, ressonâncias de Adelaide Ivánova — ignorância deliberada dos “níveis de fala” e produção de imagens que expressam diretamente o que se quer dizer —, Mário de Andrade — o boi como metamorfose da cultura e da palavra — e Dorothea Tanning, de quem Douglas poderia perfeitamente roubar estas palavras: “Por favor, esteja ciente de que irei vacinar o mundo com um desejo de espanto violento e perpétuo”.</p>
<p style="text-align: justify;">Particularmente, este livro me fez lembrar Hélène Cixous: “A literatura como tal é <em>queer</em>”. Douglas Laurindo nos dá uma poesia em que as identidades se diluem: tudo é processo, produção e performance. Devore-a e seja por ela devorada.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Eleazar Venancio Carrias</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/o-limiar-das-fendas/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Água mínima</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/agua-minima</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/agua-minima#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Sep 2022 12:43:35 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=12599</guid>

					<description><![CDATA[<strong>recomeço</strong>

Só hoje notei que as
cadeiras estão bambas
e que a lâmpada do quintal,
de súbito, em algum
momento morreu.
Percebi que a gaveta não
mais fecha sua boca e nem
esconde sua língua seca
sem salivar, e que
vilancetes e madrigais
(ou mesmo rondós e haicais)
por ora não fazem sentido.
Através do vidro canelado
vi que os carros, moto
contínuo, levam ainda
motoristas tristes e fumantes
mastigados pela presteza
dos rádio-jornais,
e que agora pela fresta
já não chega nenhuma luz.
Nesse final de exílio morto,
científico e filosófico o
próprio corpo, diz que se
faz necessário amanhã,
já de antemão,
erigir o céu.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Água mínima</em> precisa ser lido com os ouvidos atentos. A melodia composta por Alexandre Ladeira — palavra a palavra e com ritmo e fluidez — conduz o leitor por três atos de inquietação, dúvidas e encantamento. Não necessariamente nessa ordem, mas quase sempre simultâneos.</p>
<p style="text-align: justify;">Sem ignorar os cânones (mas a partir deles), o poeta experimenta e tensiona ao introduzir cada ato com uma citação que aponta para artistas sempre atuais. Alexandre deixa claro que tem os pés no presente e anuncia: os conflitos e prazeres dessa obra são inerentes às almas também contemporâneas.</p>
<p style="text-align: justify;">O vocábulo “luz” surge diversas vezes ao longo do texto, um convite a enxergar as trevas que nos consomem e as possibilidades além delas. Da origem do mundo ao brilho de um vaga-lume, do valor da alma ao mistério da lâmpada. Não será surpresa se, depois da <em>Água mínima</em>, o leitor perceber que lá fora “é tudo pó de poesia”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Aura Grube</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/agua-minima/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Desejo absoluto</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/desejo-absoluto</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/desejo-absoluto#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Sep 2022 10:59:44 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=12202</guid>

					<description><![CDATA[<strong>mortalha</strong>

a úmida neblina
encharca
meus olhos de vidro
recebo
ligações constantes
o silêncio berrando
ao pé do ouvido
à meia-noite
meu adormecido coração
preserva teu nome
me deixaste
no olho do tornado
do sangue
das almas inocentes
tenho uma nova faceta
dormente — sólida
não demorará
até o dia da maldição
meu veneno correrá
por tuas estreitas veias
sentirás então
a pele seca
o corpo oco
os lábios gélidos
o beijo da morte]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">E haja luz: &#8220;com o fogo não se brinca/porque o fogo queima&#8221;. É o que diz Adília na epígrafe deste livro de poemas, quase como se, pela própria escolha de pontuar tais palavras, Déborah Bacelar falasse que tecer sua poesia e exibi-la ao mundo fosse ato de combustão, perigoso e arriscado. Mas qual o risco? O risco do desejo, de querer. Esse ato, tal qual sua tessitura poética, se desdobra no campo do subversivo bíblico, revirando as entranhas hipócritas de falsos dogmas e atribuindo ao já conhecido texto novos e poderosos sentidos. Transita também no âmbito da memória, da afetividade familiar não construída, do significado de escolher liberdade mesmo quando o contrário seja o considerado normal. É poética de vida, morte e, claro: de desejo. A lumieira está posta, e o fogo está pronto. Brinquem.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Matheus Santos</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/desejo-absoluto/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>As lâminas permeáveis</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/as_laminas_permeaveis</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/as_laminas_permeaveis#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Aug 2022 13:35:05 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=12292</guid>

					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“As cores na natureza espelham a natureza das cores...”. Ela dizia essas palavras sentada ao meu lado em um ônibus que margeava a orla de uma praia com um mar muito verde. Além de nós dois, não havia mais passageiros no veículo. O motorista permanecia incógnito em sua cabine de direção. Lucília estava sentada do lado da janela, e eu, sentado do lado do corredor, segurava sua mão esquerda. Com a mão direita, ela apontava para os elementos do panorama que se apresentava à janela do coletivo fantasma.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>As lâminas permeáveis</em> é um livro que se alastra por paisagens transitórias, que se multiplicam rumo a um aeroporto. Desde a folha de rosto, o reflexo de uma figura se forma entre as linhas. Em meio às notas numa caderneta acerca do que o sonho e a vigília deixam a desejar, tatearemos a textura instigante da matéria textual nua em pelo. Através de Flora, na direção de Lucília, percorreremos as cidades escondidas na cidade. Carlos Eduardo expõe, assim, os cruzamentos daquilo que permeia e é permeado, onde o real, nunca desnudo, é refeito em mais de uma ficção. Cruzamentos esses que se erguem no mapa mental — como duplo da memória (coletiva e afetiva) — dos bairros de São Paulo, locais de passagem que revelam camadas de tempo sobrepostas. Talvez, no percurso, nenhum de nós descubra a natureza da cor nos cabelos de Lucília, essa protagonista figurante, ou nos de Charlotte, hóspede no endereço de uma fantasia muito crua. A pele é negra. A cidade é móvel. Não perderemos a viagem.</p>
<p><strong>Maiara Gouveia</strong>,<br />
poeta, autora de <em>Pleno deserto</em> (2009), <em>Antes que se rompa o fio de prata </em>(2013) e <em>E o resto é barulho de água </em>(2019).</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/as_laminas_permeaveis/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Lidocaína sabor laranja</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/lidocaina-sabor-laranja</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/lidocaina-sabor-laranja#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Aug 2022 13:28:43 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=12553</guid>

					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">aí cê sorri e cê assovia. Cê se põe solícito aos espasmos de medo e finge que a velha chocando a bolsa na suvaqueira-quente duma tarde de sol no dia que cê resolve sair de casa pra pegar busão sem se arrumar é sua vozinha que não tem nada contra preto, ou contra os que são-quase, só não gosta [item indispensável nas famílias birraciais], aí cê lembra da sua boa-vozinha [branca, em algumas famílias birraciais] que te amava e da qual cê era o neto favorito, aliás, como sempre somos os netos favoritos de todos nossos avós racistas, e tem a trip de imaginar caras iguais ocê que tiveram que passar pela mesmíssima coisa, com ela, a vovozinha, em público. Qualquer solução que cê arranjar internamente pra essa incongruência é uma traição que vai te transformar e assombrar pra sempre.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Ao propor uma imersão dentro do seu sub\consciente homoerotizado, o autor de <em>Lidocaína sabor laranja</em> te introduz a um lugar profundo de reconhecimento do tesão existencial. Os contos se encontram dentro de fritações muitas vezes derivadas de experiências momentâneas, que se tornam marcantes pela reconstrução des-hetero-colonial da formatação de palavras canalizadas para uma orgástica experiencia entre estereótipos, críticas a uma sociedade heteronormativa, fetiches e autoaceitação. Essas palavras, ah, as palavras, tão bobas as palavras que insistem em nos fazer de tolos perdidos nos caminhos sinuosos de um falocentralismo (não) normalizado. Ah, essas palavras que ditas uma atrás da outra se tornam um ritual contemporâneo (bem cênicas agora) de ancestralidade biXXXa. COM PESQUISAR: vídeo amador hetero dando pra preto dotado e mamando travesti morena PAUzuda. Foca no P A U, PAUzão, preto e grande. Tem que ser preto e grande, pra eles só servem assim. Mesmo que não seja real, palpável, que só veja pela tela do celular acreditando na mentira do “é de agora”, afinal, enquanto eles que querem e possuem mentem para si, para todos, só resta a biXXXa. COM iludir o mágico enquanto faz seu truque com a piroca sigilosa.</p>
<p style="text-align: justify;">Todo tesão é real? Será que o tesão é narcisista? Ou seria platônico? Tudo é válido pelo tesão? Desejo é desejo ou desejo é automático? CARA, QUE TESÃO! Boêmio demais ou afetado demais? Racializado demais ou foda-se? Ah, a racialização! Este dildo racistinha que é arrancado do cu de uma vez e ainda sai com cheiro de laranja e óleo de coco, SORTE QUE FIZ CHUCA HOJE!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Allie Barbosa</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/lidocaina-sabor-laranja/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Artefato cognitivo nº 7√log5ie</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/artefato-cognitivo-no-7%e2%88%9alog5ie</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/artefato-cognitivo-no-7%e2%88%9alog5ie#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 May 2022 20:30:24 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=11222</guid>

					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Cortaram caminho pela plantação de milho vermelho e voltaram ao chalé, foi o que me contou meu pai, após me explicar como se encantou pela matemática logo cedo, ao se deparar com a identidade de Euler: e iπ + 1= 0. O enigma daquela combinação perfeita de elementos era fascinante. Seria resultado de nossas próprias operações humanas que criaram aquela ciência exata, ou algo transcendente operava por trás das leis da natureza que insistíamos em desvendar? Minha mãe, por sua vez, falava dezoito idiomas, de cinco troncos linguísticos diferentes, e conseguia visualizar mentalmente poliedros de centenas de faces. Desenvolvera, inclusive, alguns teoremas ousados a respeito do rombicosidodecaedro.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Contemplado com o Prêmio Biblioteca Digital 2021, o romance <em>Artefato Cognitivo nº 7√log5ie</em> apresenta uma narrativa que combina a odisseia de uma professora em busca de um castelo com fundamentos dos estudos literários e da crítica cultural. A obra é composta por meio de múltiplos dispositivos diegéticos, jogos linguísticos, paradoxos espaçotemporais e registros que orbitam interpretações simultâneas de ordem realista, subjetiva, onírica e delirante. <span style="color: #ffffff;">Marcio Aquiles</span></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/artefato-cognitivo-no-7%e2%88%9alog5ie/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Mais uma casa de bonecas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/mais-uma-casa-de-bonecas</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/mais-uma-casa-de-bonecas#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 May 2022 17:21:10 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=11110</guid>

					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Este livro é um misto de verdades cruas e de possibilidades de uma vivência fora das normas absurdas que constroem um mundo ficcional. É sobre se autoescrever para conseguir se enxergar por fora. É sobre ler para poder compreender como se constrói a personagem aqui descrita. É talvez um convite para o processo de criação da autora ou um chamamento para penetrar no que acontece com a protagonista, para além da fatia de sua vida descrita na obra que antecede esta. Este livro não é uma história linear, é uma proposta. Este livro pode até nem ser, na verdade, um livro, mas fragmentos que, após lidos de uma forma linear, podem ser quebrados, rasgados, rasurados e justapostos antes, durante ou depois do livro lido anteriormente.</p>
&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Na cicatriz-livro-diário <em>Mais uma casa de bonecas</em>, segunda parte da <em>Trilogia d’Ela</em>, a escrita de Maria Lucas é revelada a nós por um processo de fazimento e de entendimento dela própria no mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">Ela, pronome pessoal do caso reto, que por vezes se mostra no cotidiano da artista-autora como prótese sentimental — tatuagem — marcada abaixo de seu pescoço, é também a travesti, a personagem e a corpa-sobrevivente das páginas da ferida-livro-diário <em>Esse sangue não é de menstruação, mas de transfobia</em>, por conta agora de ser reescrita transcentradamente como alguém que tem sede de viver a tão sonhada vida, apesar d’Ela estar limitada — como toda gente — a viver dentro do grande coma CIScolonial do dia a dia no mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">Ser agora fugitiva de uma antiga casa civilizatória binarista gigantesca localizada no topo de Santa Teresa numa nova casa — semelhante às casas coloridas de brincar recordadas de sua infância — próxima aos Arcos da Lapa, ambas na cidade do Rio de Janeiro (Brasil), não será garantia d’Ela não se deparar novamente com o pacto da cisgeneridade — nomeado por Narcisismo pela autora-artista —, porque, quando Ela quer apenas esquecer da existência da demarcação exaustiva de seu gênero nesse novo espaço, ele será recordado e posto em questão imediatamente pelos novos moradores cisgêneros de uma forma brusca e dolorosa, quase como uma violência física, causando mais desconforto e dor para Ela. E assim o mundo inteiro vai vivendo constantemente numa grande FICÇÃO POLÍTICA ENCARNADA, onde a régua da cisgeneridade — entre outras réguas — atua em peso, o tempo todo, traçando formas de horror que vão desde desvalidar e inferiorizar até negar e matar as experiências e a legitimidade da identidade de gênero d’Ela.</p>
<p style="text-align: justify;">Sob uma ótica transfeminista, <em>Mais uma Casa de Bonecas</em> ecoa — em sua narrativa — a ausência de solidariedade, a perda de oportunidade de entendimento do lugar que Ela ocupa e a recusa de sua presença em lugares inteligíveis que muitos feminismos radicais transexcludentes — e também movimentos LGBcis — assinalaram ao longo de décadas. Mas, afinal, por que a cisgeneridade como estrutura delirante tem tanto medo d’Ela? Porque Ela desafia a forma cisgênera de como o mundo funciona, bem como desestabiliza a organização de certas coerências corporais demandada pela cisgeneridade. Ela é inassimilável à cisgeneridade, em outras palavras, a qual recusa a entender a diferença de sua corpa em seu mundo civilizatório binarista. E o entendimento da consciência da diferença d’Ela e de sua capacidade política deveria ser agregador, porque desagregador é a ideia de negar justamente a diferença em prol de uma suposta igualdade que para se consolidar precisa excluir.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, então, para onde Ela vai? Às multidões queer, para fazer de seu corpo-ouvido um samba corpo-coro que pulsa e grita por vida.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hilda de Paulo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/mais-uma-casa-de-bonecas/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
