<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Livros em Portugal / Europa &#8211; Editora Urutau</title>
	<atom:link href="https://editoraurutau.com/categoria-produto/livros-em-portugal-e-na-europa/feed" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://editoraurutau.com</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Sun, 05 Jul 2026 15:50:15 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>
	<item>
		<title>Crônicas de um país em fuga</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/cronicas-de-um-pais-em-fuga</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/cronicas-de-um-pais-em-fuga#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Jun 2026 11:04:02 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=31698</guid>

					<description><![CDATA[Foram duzentos e vinte e cinco pores do sol desde que me jogaram aqui. Em cada um deles, eu pensei na primeira vez em que botei os pés no Tain. Naquele dia, anos atrás, também fui recebido por um pôr do sol. Dou-me conta agora, que o céu é tudo que posso ver, do quanto fiquei grato por aquele sol queimando vermelho, abraçando com suas cores cada coisa viva. Considerei como um presságio do que me aguardava nesta terra.
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>10% de desconto</strong></span>
<span style="color: #ff0000;"><strong>PRÉ-VENDA ATÉ 31/07/2026.</strong></span></p>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>Os livros serão enviados no prazo máximo de 15 dias após o término da pré-venda</strong></span></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Tudo gira em torno de uma flor. Ou tudo gira em torno de um móbile onde se penduram vidas em seus desencontros. Ou, melhor, tudo gira. Ou tudo treme. <em>Crônicas de um país em fuga</em>, de Regina Ribeiro, conta histórias do Tain, um território esfacelado e diaspórico, marcado pela ferida colonial, chaga sempre aberta seja nas relações sociais, seja nas relações íntimas, aquelas mais caras: as muitas faces do amor, da amizade. O pensador franco-martinicano Édouard Glissant fala de um “pensamento trêmulo”, que se contrapõe aos grandes sistemas de pensamento homogeneizante ocidental e isso se traduz, nos territórios que passaram pela colonização, em histórias fragmentadas, híbridas, deslocadas. E assim é o Tain e os que lá nasceram, terra em transe, personagens cujas identidades só podem ser compreendidas em turbilhão e, no entanto, emaranhados entre si, indissociáveis. E nisso, a autora capta muito bem o tremor, a instabilidade com uma prosa que emula esses movimentos, sem, no entanto, perder o espírito que os anima.<br />
A narrativa dividida em três partes, as tais crônicas, conta desse lugar sob óticas e momentos históricos distintos, em recortes em que o subjetivo e o coletivo se entrelaçam: Os filhos da cidade, A arte de enfeitar vitrines e A substituta. Em cada uma das crônicas, se destaca um personagem, a sua voz e história: na primeira, um médico que, ao modo dos cientistas viajantes do século XIX, documenta a vida cultural e ambiental daquele território, até que se desencanta com as relações violentas estabelecidas pela elite local; na segunda narrativa, apresenta-se uma jovem diaspórica em crise entre a identidade herdada, seus costumes e crenças e a nova vida escolhida em um país ocidental; e, finalmente, no último relato, as noções identitárias como mônadas são postas em xeque na relação intricada entre duas biólogas e uma planta local, uma fábula sobre o humano e as alteridades radicais representadas pela natureza.<br />
Quem se propõe a escrever ficção a partir da experiência de grandes violências, como a colonial, busca uma outra urgência e forma para as suas narrativas. Uma forma disruptiva em que a complexidade das múltiplas experiências históricas, políticas, naturais (no sentido mesmo da natureza) e afetivas possam ser contempladas. Cada escritor que atua nessa “fratura” busca meios eficazes que possam dar conta de traduzir essa pluralidade, esses organismos de muitas vozes. Nesse sentido, Crônicas de um país em fuga e sua autora são muito felizes. E o leitor é fisgado. Ou colhido.</p>
<p><strong>Micheliny Verunschk</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/cronicas-de-um-pais-em-fuga/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Poemas do ínicio e do fim dos tempos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/poemas-do-inicio-e-do-fim-dos-tempos</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/poemas-do-inicio-e-do-fim-dos-tempos#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Jun 2026 10:38:34 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=31693</guid>

					<description><![CDATA[Eva
Eva a comer da árvore do conhecimento
essa
é
a verdadeira história da
desobediência
Eva
sabe
Eva
intui
que não há autoridade que não deva ser
questionada
nem mesmo a de
Senhor Deus
Eva é a
heroína
desta história
e Adão é o
pau
mas só mandado

&#160;
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>10% de desconto</strong></span>
<span style="color: #ff0000;"><strong>PRÉ-VENDA ATÉ 31/07/2026.</strong></span></p>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>Os livros serão enviados no prazo máximo de 15 dias após o término da pré-venda</strong></span></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Afonso Curval reinventa o repouso a que aponta a simbólica associada ao nome próprio: Noé: personagem bíblico do Génesis, e o incomum, ou seja, aquele que continua presentemente a transportar-nos, esforço vão, na arca destes tempos — que tanto podem ser os últimos como os do renovo. As palavras assomam como principais agentes de acção, indiciam os humanos condenados a remar, desobedientemente atordoados de estímulos, naufrágio adentro. O “eu” é a figura ao leme do metrónomo da sucessão e do monótono, das formas e disformas, das cores, aromas, acasos e eflúvios, e dá-nos a ver como são sugestivos e sedutores os modos contemplativos, operativos, a fim de cruzar as infra-estruturas poemáticas. Em contraciclo, estes poemas são, recorrentemente, esteios de operações formais, bem mais do que semânticas, e ousam abster-se da postiça rede metafórica, ad nauseam, pelo que considero esta poesia próxima, com muitos cambiantes, do que se afirma para lá das modas, destituída de quaisquer gongorismos e votada à experimentação, embora sem cair na armadilha de deslocamento do poético face à realidade. Por conseguinte, este é um livro nunca falho de inovação e susceptível de trabalhar estrofes, versos, meândricas palavras que se destacam através de sedutoras alternativas gráficas, de hiatos impeditivos do mando ou da unilateralidade do sentido, espaços em branco, palavras ora mais protensionais ora mais retensionais, mais abertas ou mais fechadas, acoplamentos &amp; declives. Aí onde flutua a zona neutra da escrita [: ou melhor: abertura à diluviana sobrecriação de fendas que desafiam os irritantes padrões, a excessiva estridência &amp; os fogos-de-artifício mais ou menos encapuzados], o poeta desloca as margens para o rigor do breve e franqueia campos heurísticos com vista a pensarmo-nos no tempo, a tornarmo-nos, via poesia &amp; conhecimento que lhe subjaz, mais rentes ao elemental. Eis a primavera literária antecipada por Afonso Curval neste livro: Poemas do início e do fim dos tempos.</p>
<p><strong>luís filipe pereira</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/poemas-do-inicio-e-do-fim-dos-tempos/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Esse silêncio que determina  o almoço</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/esse-silencio-que-determina-o-almoco</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/esse-silencio-que-determina-o-almoco#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jun 2026 15:27:05 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=31622</guid>

					<description><![CDATA[Este texto nasceu em Setembro de 2021, no Montijo. Deu os seus primeiros passos em Junho de 2022, em Joane. A partir daí e até Dezembro de 2023, tornou-se adulto entre Almada, Montemor-o-Novo, Alfafar e Sobralinho. Foi desenvolvido ao abrigo do programa de Bolsas de Criação Literária 2022 promovido pela Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas. E foi escrito imaginando que o amigo e actor João Jacinto seria o seu intérprete.
esse silêncio que determina o almoço fez-se espectáculo e estreou no dia 18 de Outubro de 2024 na Casa da Música Jorge Peixinho, Montijo. A encenação foi de Miguel Branco, a interpretação de João Jacinto (ao qual se juntaram as vozes de André Alves, Luís Madureira e Maria Mascarenhas), a assistência de encenação e produção de André Alves, o som e o apoio dramatúrgico de Levi Martins, a luz de Maria Mascarenhas, o guarda-roupa de Ana Simão, a fotografia de Luana Santos (que também esteve presente numa residência artística realizada no Bunheiro, Murtosa, terra natal da minha mãe) e a voz e elocução de Luís Madureira. Uma produção da Mascarenhas-Martins.
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>10% de desconto</strong></span>
<span style="color: #ff0000;"><strong>PRÉ-VENDA ATÉ 31/07/2026.</strong></span></p>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>Os livros serão enviados no prazo máximo de 15 dias após o término da pré-venda</strong></span></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>As famílias narram-se constantemente. Cada dúvida genealógica de uma criança curiosa é uma oportunidade para que a história familiar seja reescrita ao vivo e a cores. E isso nem é bom nem mau, é o expectável. Mas a factualidade nem sempre satisfaz. Há alturas em que só as possibilidades líricas da memória encontram resposta para as questões da infância e adolescência que inevitavelmente assombram e polinizam a maioridade. O trabalho autobiográfico a que o Miguel se propôs com esta peça é herdeiro dessas dúvidas, abraçando o conflito como terreno fértil para a escuta e para o diálogo.<br />
As famílias, como qualquer construção social, variam no tempo e no espaço. Quando o Miguel escreveu esta peça, por exemplo, ainda não era pai; e em certa medida podemos ler esta obra como uma carta à sua futura filha. Por outro lado, o lugar que o Miguel ocupa na minha vida — talvez até sem que o próprio se aperceba — é o de um irmão mais velho que nunca tive; e agora cá estamos a ler sobre a relação com o irmão mais velho que ele efectivamente tem.<br />
Em 2022, durante a nossa primeira residência artística para o que viria a ser esse silêncio que determina o almoço, descrevi o trabalho do Miguel enquanto autor, bem como o desbravamento dramatúrgico que ali levávamos a cabo durante a fase inicial da pesquisa, como produto de uma articulação de dois conceitos familiares ao teatro, embora não habitualmente justapostos: estávamos perante um naturalismo inverosímil. Vejamos.<br />
É evidente, para quem folheia as peças do Miguel, a rejeição absoluta do estilo em nome do estilo, da elucubração retórica em nome da elevação literária; as pessoas são como são — ou como o Miguel as imagina —, falam como falam, dizem o que pensam e pensam como dizem. Ainda assim, há espaço para o implausível, para o onírico e distópico dentro das suas personagens. Há também, portanto, uma rejeição da necessidade absoluta da verosimilhança, que habitualmente impera sob a máxima da procura do sentido no decorrer de uma investigação em artes performativas. Talvez o maior dom do Miguel seja esse mesmo, o de caçar sem malícia, quotidiano fora, com a sua rede de borboletas, as incongruências, contradições, incoerências e autoficções que povoam a nossa existência, para depois, como prometido, as libertar entre as palavras com que reconstrói a realidade. É isso que aqui vão encontrar, esse olhar crítico e gentil.<br />
Hoje, no dia em que escrevo este texto, nasceu o segundo filho do Miguel, o irmão mais novo. E se mais nenhuma poesia restasse, esta coincidência resgatá-la-ia das profundezas de uma embalagem de iogurte.</p>
<p><strong>Pedro Nunes</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/esse-silencio-que-determina-o-almoco/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Embrulho</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/embrulho</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/embrulho#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Jun 2026 11:58:41 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=31548</guid>

					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Talvez eu esteja pendurada no trauma da página em branco, nos diz a personagem, uma mulher que se reescreve no aberto.
Se os papéis e seus cortes podem ser traumáticos, e se o trauma embrulha o estômago, e se o embrulho esconde o corpo, Barthes, em O império dos signos, diz que o embrulho faz parte do presente, assim como a leitura não é um invólucro a ser descartado para se chegar a uma mensagem. Da mesma maneira, Gabriele Rosa nos oferece uma leitura/presente sem mensagens/respostas imediatas, mas cheia de lampejos e deleites poéticos — um contínuo desembrulhar.</p>
<p style="text-align: justify;">Sara Pinheiro
Dramaturga e poeta</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Embrulho</em>, nova obra da escritora e dramaturgista Gabriele Rosa, contém em si um plural: a palavra, a potência do dobrar-se e o movimento de desvio. A palavra, criada no mundo dos homens para sustentar estruturas feitas de papéis sistematicamente distribuídos, esvazia-se de corpo para que possa ser asfixia e soterramento de tudo aquilo que se movimenta para fora de seus limites. Esse processo de molde pelas palavras é, invariavelmente, violência. Lá, onde o corpo-mulher encontra a si como bigorna violentada, é preciso ir contra o martelo-palavra.</p>
<p style="text-align: justify;">Em vez de reproduzir o sistema de desvitalização e violência, ela contragolpeia com uma nova estratégia: devolver a palavra ao corpo e o corpo à palavra, desfazendo a cisão. Contra a brutalidade, fixa em sua rigidez, somos presenteadas com vulnerabilidade e encantamento. Mas Gabriele não apazigua, ela expõe que lá onde houve a cisão é precisamente onde vida e morte coincidem. E é de lá que nasce a fratura, a mesma que sinaliza a fragilidade da estrutura dos papéis que, com sua arrogante imutabilidade, carrega uma fratura de revolta ― o desmoronamento por onde escapa o movimento. Nosso corpo, tal como a palavra encarnada, tem o poder de criar poros nas estruturas introjetadas em quem somos.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao propor uma dramaturgia poética, Gabriele devolve à palavra-corpo o movimento de corte, capaz de atravessar a carne, encontrar os ossos e chegar à medula. A palavra-corte rasga os papéis, criando buracos por onde se torna possível olhar do avesso e, assim, ter uma nova perspectiva de si, insistindo em novas possibilidades de ser e existir. Fazer-se mulher é um processo de encontrar a própria língua.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Embrulho</em> também é um contra-ataque contra o script, indo em direção a um novo vaticínio coletivo. Somos muitas: a velha e a criança ao mesmo tempo, herança e futuro. É um percurso para frente e para trás, que se dobra sobre si, e que se faz presente, feminino, desejo, gozo. Aquilo que aponta para fora e escapa, desmontando e remontando o real sentido pelo qual se deve viver.</p>
<p style="text-align: justify;">É um convite a parar, respirar, olhar. Investigar a brutalidade, dar-se conta dela, senti-la dentro dos músculos, dos ossos, dentro dos nervos. Sentir dentro dos ouvidos e com a língua o que escapa quando se insiste, ali, de novo e de novo. Aquela palavra, aquela miudeza de palavra, até que, de repente, o que escapa da mulher é aquilo que nela a faz relembrar, aquilo que resiste a ser definido, o que a movimenta em direção à colisão surpresa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mariana Mello</strong></p>
<p>Atriz e jornalista</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/embrulho/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O céu debaixo da terra</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-ceu-debaixo-da-terra</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/o-ceu-debaixo-da-terra#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2026 09:51:57 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=31264</guid>

					<description><![CDATA[Cobriram-na de terra. Ficou apenas visível a inscrição na lápide: um retângulo de mármore branco com letras cor de um dourado que não ilumina. Mais de perto, ao centro da superfície lisa, duas datas, que evocam o nascimento e a morte de todos aqueles que ali jazem, comprimem tudo o que Manu viveu, como acontece com um insuflável para não ocupar espaço.

&#160;
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>10% de desconto</strong></span>
<span style="color: #ff0000;"><strong>PRÉ-VENDA ATÉ 12/07/2026.</strong></span></p>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>Os livros serão enviados no prazo máximo de 15 dias após o término da pré-venda</strong></span></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Este poderoso livro de A. Rosa é, potencialmente, um espaço de uma nova cosmovisão do contemplativo e activo, que traz em si o infinito que se mostra acima do céu e debaixo da terra.<br />
A narrativa organiza-se em duas grandes partes: a “Terra” centrada no luto, na infância traumatizada, na relação com o pai e a avó; e o “Fogo” tendo como centro a deslocação de Camila à Guiné-Bissau, em busca de vestígios do tempo em que Manu aí passou à procura da verdade sobre a mãe e a sua própria origem.<br />
Este é um livro repleto de lugares simbólicos e sacros.<br />
A “Terra” é o lugar da lápide e do cemitério. O “Fogo” é o lugar do movimento.<br />
Nestes lugares existem raízes mais visíveis e outras menos visíveis.<br />
E, por que terá A. Rosa escolhido o título: O céu debaixo da terra?<br />
Talvez, por ser o lugar onírico que condensa a experiência final de Camila.<br />
Na verdade, o “céu” da irmã não está suspenso num além intocável; está sim enterrado sob a terra do cemitério e sob a terra vermelha da Guiné.<br />
O que parecia apenas túmulo, torna-se, lentamente, lugar de onde pode nascer outra forma de relação com Manu, feita de memória activa, de escrita, de escolhas futuras.<br />
Se a morte é uma “ave de rapina”, o tempo infantil é da ordem do sacramental (veja-se a boneca “Barbie”).<br />
No final, mais do que uma resolução, o livro oferece a Camila a possibilidade de continuar a viver ligada a Manu sem se anular: através do gesto de escrever, de lembrar, das viagens, da decisão de um dia chamar Manuela a uma futura filha, inscrevendo a irmã num futuro que a morte não consegue plenamente interromper.<br />
São as cicatrizes ora físicas, ora psicológicas que fazem, deste livro precioso, um admirável tesouro acima do céu e debaixo da terra.</p>
<p><strong>Gilda Nunes Barata</strong></p>
<p class="ds-markdown-paragraph">
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/o-ceu-debaixo-da-terra/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Massa mãe</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/massa-mae</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/massa-mae#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2026 09:10:44 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=31260</guid>

					<description><![CDATA[De cabeça para baixo
encostada aos seus joelhos
eu e a minha avó fundimo-nos
numa máquina humana de lavrar terra.

Enquanto ela abre carreiros pela terra fora
com uma pá cheia de cicatrizes
enfaixada de fita cola

eu deito à terra um grão de milho
e rego-o com cuspe
para que nos alimente no verão.

Nunca lhe disse
que também eu abria caminhos
às escondidas
na pele fértil do meu braço

com uma lâmina de barbear
e o mesmo rigor retilíneo
onde semeava angústias
regadas de sangue.

(c<em>olheita</em>, página 21)
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>10% de desconto</strong></span>
<span style="color: #ff0000;"><strong>PRÉ-VENDA ATÉ 12/07/2026.</strong></span></p>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>Os livros serão enviados no prazo máximo de 15 dias após o término da pré-venda</strong></span></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Quão difícil é segurar a beleza ao narrarmos a perda. Será necessário reler estes poemas uma e outra vez, já que a perda só encontra a sua forma, delicada e acutilante, nos territórios do mundano. “Lembras-te?”, lê-se repetitivamente num dos poemas de Massa mãe, porque o exercício da memória obriga-nos a retomar tudo o que perdemos. Visitamos os lugares por nós abandonados, ou que alguém por nós abandonou. É o encanto das assombrações: a cada partida, a sua pequena e sombria melancolia. A hipótese que ruiu antes de qualquer fruição. Somos reféns da memoração. O luto faz-se assim: é intermitente, entranha-se na matéria que se avoluma dentro de nós, em cada poema, esbracejando, rompendo a fina película de um ovo. Uma e outra vez. Num esforço contido e interminável. Num corpo, outro corpo, que reconhece que há um ciclo que recomeça e, talvez, nunca termine. Quão difícil é encontrar ternura na feiura da morte. É querer ter uma avó quando nunca se teve nenhuma. É a fantasmagoria de um carinho. Mas reconforta quando um poema arrisca e se engrandece e dói de tão desarmante, com tamanha convicção. Quebro a casca do ovo, observo o líquido gelatinoso, o visco da clara, a gema contida na sua margem prestes a rasgar. Toco com o dedo e sei, instintivamente, o quão difícil é escrever — como tu, como a autora — com esta destreza. Massa mãe é feito de canções, de retratos, de uma fatídica paragem de autocarro. Tudo o que advém da morte é aqui desenhado com minúsculos contornos de luz. “Lembras-te?”, e logo imagino todas estas mulheres, amassando o pão, lavrando a terra, rompendo guerras. Mastigam o interior das suas bocas, acostumadas à dor e às perdas, outrora fantasias, batendo suavemente o ovo frio contra a dureza da porcelana ou de um osso. Na morte também se celebra. A poesia nunca entenderia o ritmo belíssimo e frenético destas imagens. Será necessário reler estes poemas uma e outra vez, como um fotograma velado pelo tempo, para que se revelem na sua totalidade: uma configuração do luto, da perda e, acima de tudo, a possibilidade da rendição.</p>
<p><strong>Stella Faustino</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/massa-mae/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Epitélio</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/epitelio</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/epitelio#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2026 08:19:07 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=31254</guid>

					<description><![CDATA[A corda que enforca a garganta
é uma alga-de-sal,
azuleja a língua dos amantes
e cinzela a pele fria de cal.
O meu coração...
é uma antena sensorial,
cintilação que cai para os lutos.

(<em>Litania</em>, página 74)
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>10% de desconto</strong></span>
<span style="color: #ff0000;"><strong>PRÉ-VENDA ATÉ 12/07/2026.</strong></span></p>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>Os livros serão enviados no prazo máximo de 15 dias após o término da pré-venda</strong></span></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Aproximo-me deste livro como quem se aproxima de uma pele que não é sua. Antes de tudo, uma advertência: não lhe acrescento nada, senão a possibilidade de um sopro que, quem sabe, talvez arrepie.<br />
Com Epitélio aprendi que os tecidos do corpo também se desdobram em poesia. Afinal, não nos torna isso, finalmente, mais humanos? Com a escrita da Raquel Rubus aprendi que a biologia responde sim às metáforas — “[…] a carne aberta ao verbo”. É verdade que, como nos diz Paula Godinho, “o impossível demora mais”, mas não estaremos já tão perto que quase o sentimos? Pelo menos, é isso que Raquel nos faz querer quando nos fala abertamente de Maria Teresa Horta e Sophia de Mello Breyner Andresen, ou indiretamente nos remete para um verso de Vasco Gato, uma canção de Sérgio Godinho — “Preciso de ser outros”. Mas não se deixem enganar, não é só de referências que se faz esta poeta. A sua voz pestaneja sobre a imagem que constrói como o voo de um pássaro “fora do bando”. A sua escrita é a membrana que protege o sangue vivo que habita debaixo da crosta. O sangue que partilha em palavras.<br />
Raquel Rubus permite a saudade do sabor das maçãs que só existem nos quintais das avós, do sentimento irrepetível do deslumbramento, “como quem vê o mar/pela primeira vez”, e do mistério das constelações. Nem sempre inteira, mas apaixonada por inteiro, a poeta une fragmentos de tempo, de espaço e de corpo, para que nos possamos, por fim, render ao que realmente importa: “àquilo que cresce de dentro”. Em Epitélio encontramos o luto como semente, a queda como promessa, a natureza como tradução da única vida possível: somos de tudo um pouco. Nestas páginas aceitamos, com amor e resignação, a imperfeição como mote para o futuro. Ler este livro é como reaprender a andar a pé — esse ato “tão antigo” de que não nos livramos —, mas é em verso que caminhamos. Lentamente e sem pressa, vamos longe o suficiente para contemplar a fachada e regressamos, no mesmo passo, para assimilar o interior. Concluímos, então, que desatar ou persistir são, no fundo, a mesma coisa.</p>
<p><strong>Sara Duarte Brandão</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/epitelio/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Deus também é uma cadela</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/deus-tambem-e-uma-cadela</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/deus-tambem-e-uma-cadela#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 May 2026 15:59:32 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=31015</guid>

					<description><![CDATA[Dios también es una perra

Tradução: Lana Ruff

EDIÇÃO BILINGUE
[espanhol-português]

&#160;

(...)

deus é fraco come sanduíche com maionese
deus não pede pão integral pede pão branco
deus não cuida da sua forma
é rechonchudo

deus tem 53 anos
rugas
deus está menopáusico
tem raiva
odeia seu corpo que incha
deus agora é uma geladeira de costas largas
deus perdeu suas curvas
deus é temporal e o tempo ataca a sua figura
deus sabe dançar
com seu novo corpo
e sua cara cansada
senta na mesa do bar de salsa
porque deus além de tudo

é latinoamericano

deus teve que lutar
defender-se da academia racional
foi descobrindo
com os golpes da vida
que é canibal

deus também é uma cadela
e agora mesmo é uma cadela enrugada e larga
sua menstruação foi secando intermitente

deus vai dançar

(...)]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“Que a tua fúria me dê um corpo”<br />
A primeira coisa que senti lendo a poesia de María Paz Guerrero é que ela é mestra em prender o lugar-comum com um fio, amarrá-lo à maçaneta e arrancá-lo como a um dente de leite. São puxões secos, bem-intencionados e, muitas vezes, bem-humorados. Ela expõe a raiz do fracasso, do pedantismo e do sonho americano para que o novo (sempre) venha.<br />
Neve e desterro, fim e começo, um divino despojado de disfarces como na canção de Joan Osborne. Há a paz, e há a guerra, e há Maria, tão banal e mundana e universal que só poderia ser deus.<br />
Este livro está com medo, está com fome, está com pressa, está com tudo. “Está” porque é verbo de passagem, é transitivo e direto. O verso não está escrito na pedra. Ser e estar não se confundem como no dialeto do imperialismo, ser e estar são distintos nessa língua mátria porque precisa ser exatamente assim.<br />
Sua tradução, feita por uma mulher, latina e imigrante, preserva com maestria os elementos dessa tempestade tropical. O movimento marca as palavras e os espaços, e os poemas se espreguiçam, indomáveis e contraditórios como a tigresa de Lygia Fagundes Telles.<br />
Deus também é uma cadela tem o conforto de uma aguapanela (com limão verde latino-americano). Tem o doce da cana e o azedo de séculos de exploração e patriarcado. Tem o suor do sacrifício e a entrega da saliva, dentes e mãos capazes de nos trazer conforto em dias tão difíceis. Sua ironia fina nos deixa nuas, e, gratas, sorrimos.</p>
<p><strong>Paula Groff</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/deus-tambem-e-uma-cadela/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Feminismos. Citação</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/feminismos-citacao</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/feminismos-citacao#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 May 2026 09:36:35 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=30924</guid>

					<description><![CDATA[<strong>mulher a.</strong>
(Desiste de dormir.) E como é que vais fazer para trabalhar menos? Na nossa profissão só existe o oito e o oitenta: ou se trabalha muito ou não se tem trabalho. Os espectáculos têm uma data para estrear. Não é quando nos apetece. Como é que vais fazer para trabalhar menos?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Feminismos. Citação mexe-nos por dentro. É interpelação constante — da autora, das personagens e nossa. Quem pense que pode marcar a página e voltar no dia seguinte, que desista. Não há alternativa senão entrar. A interpelação sobre o que é ser mulher, atriz, precária, feminista é exigente. E pode ser transgressora.<br />
Onde estamos? Como vamos ficar? Que feminismo nos guia e nos inspira? O que construímos juntas? Ainda vale? Ao responder, o texto arrisca a transgressão. Então, as melhores referências podem ser questionadas? O feminismo poderá ser uma canseira, uma carga nas costas de cada uma de nós? E que pensaria Virginia Woolf daquele quarto? O lugar onde se misturam o mobiliário parco, a alimentação racionada das gatas, mas também a carreira, a maternidade, a roupa suja.<br />
Há ironia, ainda, sobre a realidade de quem trabalha no meio artístico, e há sonho sobre o que ela poderia ser. Há humor até quando as mais reputadas intelectuais podem ser interpeladas, ou quando o lar — que acantonou durante séculos as mulheres, invisibilizando-as no espaço público — é dissecado sem piedade.</p>
<p>Mas no rodopio de todas as dificuldades e dúvidas não há nem derrota nem desesperança. Há superação. Não só porque a vida privada de duas mulheres é assumida na sua total dimensão política, e o quotidiano de resistência e frustrações exibido e questionado sem pudor, mas porque a convocatória é para o dia seguinte — para a esperança e para a luta.</p>
<p><strong>Cecília Honório</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/feminismos-citacao/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Vida gauche e doce</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/vida-gauche-e-doce</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/vida-gauche-e-doce#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 May 2026 15:15:59 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=30885</guid>

					<description><![CDATA[Nesta autobiografia corajosa e envolvente, a cantora e compositora Bárbara Eugênia nos conduz por uma jornada íntima entre luz e sombra, entre o gauche — estranho, torto, deslocado — e o doce — a beleza que resgata.
Dos primeiros anos entre Brasil e Estados Unidos às noites loucas da cena underground paulistana, das relações abusivas às redes de amizade que sustentam, do câncer na tireoide ao despertar espiritual que transformou sua arte em cura, Bárbara desnuda sua trajetória com uma honestidade rara.
Mais do que um relato biográfico, este livro é um testemunho de que é possível renascer das próprias ruínas. Entre tapas e beijos, entre a boemia e o divino, entre a música que salva e a dor que ensina, Vida Gauche e Doce é um convite a abraçar a própria imperfeição — e encontrar nela a chave para voar.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Eu nunca vou esquecer a primeira vez que vi Bárbara! Mil novecentos e noventa e nove, Lapa, porta da Fundição Progresso. A caravana de Niterói tentando entrar na X-Demente (procure saber!). Ela estava virada da noite anterior — louca, arregalada, irritada e absolutamente linda. Saia longa, All Star de cano alto, blusinha regata: tudo preto cobrindo a pele muito branca. O cabelo, também tingido de preto, bem curto. A cara lavada, só um lápis realçando os olhos arregalados, lindos, loucos e irritados. Acho que fui eu quem pôs seu apelido de Bárbara Bad. É que ela estava sempre raivozinha, revoltada, reclamativa, se esforçando para ser menos linda, e obviamente sem sucesso. No livro ela diz que foi Paulo Gustavo, mas gosto de pensar que eu falei, ele gritou, geral ouviu e o apelido pegou: Bárbara Bad.<br />
Nós não tínhamos nem “20 anos blue” (e já que música permeia a vida e o livro de Bárbara, deixo aqui essa da Elis sugerida porque tem tudo a ver) e agora nossa geração está chegando aos 50. Passados esses anos todos, acho que entendi a Bad. Com tanta sensibilidade, senso crítico e coragem, Bárbara não queria ser reduzida à sua beleza — o que seria muito fácil. E ela conseguiu. Escrever sua própria biografia mostra isso. Bárbara não só vem cumprindo uma vida autêntica, como tem a coragem de olhar para si e nos contar tudo.</p>
<p>Sua história não é um poema em linha reta: há avanços e retrocessos, abismos e molas no fundo do poço. E se Fernando Pessoa nunca conheceu quem tivesse levado porrada, é porque não conheceu Bárbara Eugênia. Narrando uma vida de quem escolheu a liberdade em vez da segurança, escolheu escolher, e ainda poder mudar de escolha se quiser — por isso de estudante de cinema a cantora e compositora; de tradutora a mestra em Reiki e canalizadora dos Registros Akáshicos —, Bárbara conta sem vergonha as muitas porradas que levou e as tantas vezes em que foi ridícula, vil e errônea nesta terra (seja em Niterói, Atibaia, Washington d.c., Sampa ou Lisboa).<br />
É bonito ver uma mulher expor com honestidade — e muita terapia — sua bagunça. Abrir esta vida gauche e doce, dedicar-se a estas páginas, deve ter sido uma cura para ela. Pode ser também para quem a ler.<br />
Pra mim foi.</p>
<p><strong>Fil Braz</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/vida-gauche-e-doce/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>As mulheres dos bosques</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/as-mulheres-dos-bosques</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/as-mulheres-dos-bosques#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 May 2026 14:49:45 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=30841</guid>

					<description><![CDATA[Vidas diferentes convivem
dentro de um mesmo receptáculo.
Como palimpsestos.

Há três gerações de mulheres,
Misturadas, escondidas por entre
as camadas da pele do lobo

Enquanto isso, a menina, lá de dentro, no escuro
Ouve a voz que sopra ao ouvido:
o perigo é narrativa recorrente.

(<em>A menina vermelha</em>, 9)]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>É antiga a tradição das écfrases: fazer com que uma imagem converse com palavras, e que desse encontro nasça algo novo. Katia Canton domina essa arte. Em As mulheres dos bosques, seus próprios desenhos dialogam com poemas — e no intervalo entre um e outro, um novo objeto se precipita.<br />
A autora nomeia o último poema de “Os bosques de cura”. Cura, aqui, não é o retorno à saúde perdida nem a salvação pela fé. Vem do alemão Hagen: sebe, clareira, lugar onde o caminhante para, respira e simplesmente está. Cuidar de si — cura sui — é habitar esse bosque, entre presenças e ausências, e existir de verdade.<br />
Katia não reescreve contos de fadas com a chatice moralista de quem apaga o passado. Ela os atravessa criticamente: a indústria dos cosméticos, o cinema de Hollywood, a guerra contra os germes, o destino doméstico da mulher. E, sobretudo, a sexualidade feminina. Seu gesto é irônico, afiado e nada ressentido: “o destino de toda princesa é encenar delicadeza”.<br />
Aqui, a mulher faz fotossíntese. Escreve como planta que converte luz em energia — mas sem virar deusa intocável. É mundana, sujeita à raiva, à inveja, ao êxtase, à gula, à ternura. Rejeita a pose heroica para reescrever o legado do corpo, do desejo e do gozo.<br />
O método de Katia Canton é arqueológico (reconstruir imagens), onírico (deformar como nos sonhos) e mítico (narrar o sofrimento psíquico sem fugir dele). Seus desenhos não ilustram: criam um hiato fértil. Ali, sapatos viram armas, barrigas são de pedra, a beleza desamparada se liga à inveja e à imortalidade.<br />
Entre o bosque e a clareira, entre a palavra e o traço, resta a você, leitor, um só movimento: entrar.<br />
Boa viagem ao leitor, e bom passeio no bosque.</p>
<p><strong>Christian Dunker</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/as-mulheres-dos-bosques/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Tauromaquia</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/tauromaquia</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/tauromaquia#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 May 2026 14:37:36 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=30806</guid>

					<description><![CDATA[lutei com touros esse ano.
touros implacáveis, deuses, semideuses, grandes e bufantes e enormes correndo atrás de mim, quase me alcançando, quase me perfurando o olho esquerdo como o de Granero.
Zeus raptando Europa over e over. um rapto, para não dizer estupro — a palavra censurada —, estampado nas bandeiras, nas estátuas das praças, nas moedas, na bolsa de valores.
traumas antigos sendo descongelados do frio profundo das calotas polares como uma cicatriz que se abre anos depois do rasgo.
tive que aprender a tauromaquia na marra, no susto...

(<em>Feliz ano novo,</em> página 9)]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A milenar corrida de touros encontra na boca da poeta a vermelhidão de alguém que prova no estrangeiro o gosto da própria terra. Risco de sangue e perdas dentárias. Aqui as boas maneiras dos Alpes não cabem nas mesas amarelas, com o litrão e o funk brasileiro. Não é possível contar sobre a música que toca. A pele. O mar. Mar — palavra miúda que esconde o oceano de uma fêmea que se recusa a ser Penélope: “a arena também me pertence/ o navio também me pertence/ a cidade é minha/ e a minha aventura também começa/ quando você sai”. (O que resta do Grande Odisseu diante do Grande Touro Mulher?). Penélope em deriva oceânica é desta vez para ela a casa que nunca chega. “Eu não trouxe muitas coisas para a Holanda”, ela diz. O que se ganha ao perder o pertencimento? Uma língua nova. Um livro de poesias no idioma materno — embora às vezes gringo e com sotaque de saudade. Este é o caminho contrário dos ancestrais: de São José do Rio Pardo a Amsterdã. Mas o corpo insiste. Os mesmos tendões e costelas de outros tempos. De Alberto Caeiro a Cardi B. Em ponte aérea, estamos todas dançando no poste familiar desta outra cidade. É assim: todas as bifurcações levam a um beco sem saída. Isto porque há muitas formas de não dizer alguma coisa. Poliglota da mudez, ela escreve “o eu te amo sempre me escapa”. Nomeia o impossível com o corpo em catástrofe: “mas você bem sabe que/ se você me dissesse por exemplo/ vamos sair correndo no meio da tempestade/ eu diria vamos”. Aqui está a melancolia e sensualidade da poeta. Paguem a melancolia e a sensualidade da camgirl. Os tailandeses com seus trinta centímetros de fala penetram a superficialidade das máscaras desta Minotauro — tão exposta quanto histericamente inacessível. Larvatus prodeo. Afinal, Tauromaquia ressoa pelos labirintos do ouvido, em várias bocas: “who is the monster and who is the man?”</p>
<p><strong>Camila Ferrazzano</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/tauromaquia/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A louca?</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-louca</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/a-louca#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 May 2026 12:23:01 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=30759</guid>

					<description><![CDATA[Esta obra é uma ficção dramatúrgica baseada em fontes históricas.
D. Maria I, Rainha de Portugal. Presa num limbo pós-morte. Forcas. Um trono deslocado — cadeira de hospital, banco de réu, poltrona de manicômio, vaso sanitário. O espaço fragmenta-se

D. Maria
O inferno são os outros, Sartre? Não. O inferno são os homens que escrevem laudos. Não foi num dia. Foi numa morte. Depois noutra. Depois num silêncio. Depois num decreto!]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Falar sobre uma mulher que foi considerada louca numa sociedade machista e misógina é fundamental, sobretudo quebrando paradigmas. Evoluímos pouco. Estamos numa sociedade onde a permanência de rótulos que desqualificam o papel da mulher é constante, principalmente se ela atinge pontos de destaque ou poder. Trazer essa fala num recorte da nossa própria história, utilizando o olhar de D. Maria sobre pontos de sua vida, aproxima a reflexão sobre esse posicionamento, principalmente quando promovemos o comparativo com os dias de hoje. Como diretora e mulher, poder dirigir esse monólogo e criar espaço para que um olhar feminino conduza essa vivência de D. Maria só fortalece a visceralidade deste posicionamento.<br />
O monólogo toca em algumas feridas de nossa sociedade ainda em processo de construção. Queremos promover um expurgo sobre posicionamentos machistas, sobre desvalorização das falas femininas, entendendo que temos um melhor caminho a seguir enquanto sociedade. Agora será D. Maria a declarar a sua execução final, o desfecho da sua história que poderá surpreender até ela mesma.</p>
<p><strong>Marcia Salgueiro</strong><br />
Diretora Artística e Investigadora Cênica<br />
Cofundadora da Dona Cena Investigação Artística</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/a-louca/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A pele dos peixes</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-pele-dos-peixes</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/a-pele-dos-peixes#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 May 2026 11:01:19 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=30753</guid>

					<description><![CDATA[Pele que guarda mar, memória e ferida. Peixes que nadam entre infâncias, exílios e águas que sobem. Nestes contos, o corpo é território, o tempo é líquido, e o que resta é o brilho fugaz de uma escama antes do mergulho. Alexandra Lopes da Cunha costura Brasília, Porto Alegre e Portugal num mosaico de vozes que resistem ao esquecimento.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Numa prosa de cadência hipnótica, atenta ao ritmo e ao detalhe, Alexandra Lopes da Cunha abarca, nestes contos, temas que atravessam o nosso tempo, das alterações climáticas às migrações, do colonialismo à maternidade, do envelhecimento às artes e à literatura. No entanto, essa diversidade temática converge para uma reflexão implacável: a injustiça, social ou natural, como condição estrutural da existência.<br />
O retrato idílico da infância chega-nos atravessado pela consciência de que tudo se esboroa. “Nunca mais vou ser tão feliz”, diz a adolescente, melhor amiga da narradora num conto sobre corpos jovens à beira-mar, risos sem preocupações, prazeres por descobrir. E com a meia-idade vem a solidão.<br />
Casas e cidades são construídas como promessa de futuro e tornam-se, anos depois, ruína, como os corpos. Da construção de Brasília e do sonho malogrado de progresso às paisagens do Sul do Brasil, do mar às ruas urbanas, os espaços não funcionam apenas como cenário.<br />
Há ecos de uma tradição romântica na melancolia, no retrato dos artistas malditos, dos deslocados e no reconhecimento da natureza como presença ativa. O vento ou a água que avança sobre a terra torna-se força que interfere na vida humana.<br />
Mas se no poema “Ode ao Vento Oeste”, de Percy Bysshe Shelley, o vento é exaltado como renovador, o “Minuano” de Alexandra Lopes da Cunha revolve o passado e traz recordações sem espalhar sementes revolucionárias. É esse olhar lúcido e desencantado que distingue a sua escrita dos românticos e a situa firmemente no presente.<br />
No conto final, que dá nome ao livro, a autora abandona a memória e o passado para se projetar num futuro distópico. Num cenário inquietantemente próximo, as águas tomaram conta da terra. A narradora vê o mundo tal como o conhecia desaparecer. Não há espaço para nostalgia nem para contemplação. É preciso adaptar-se, aprender novas formas de viver, endurecer para sobreviver.<br />
<em>A pele dos peixes</em> é um livro sobre a inclemência da passagem do tempo, que desmorona o corpo, a casa, a terra e, eventualmente, a memória, porém não se vota completamente à desesperança. A obra encontra, na própria linguagem, uma forma de atravessar a enxurrada dos tempos sem perder a iridescência da pele dos peixes.</p>
<p><strong>Sandra Castiço</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/a-pele-dos-peixes/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Branco</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/branco-2</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/branco-2#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Apr 2026 10:24:54 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=30684</guid>

					<description><![CDATA[Neste romance de estreia na ficção longa, Carla Coelho Branco constrói uma narrativa hipnótica sobre os prazeres secretos que nos definem. Ao passear por corredores hospitalares, a protagonista descobre mais sobre si do que sobre os doentes que visita. Com prosa depurada e um olhar cirúrgico sobre a duplicidade quotidiana, o livro confronta o leitor com a pergunta incómoda: quantas vidas vivemos, afinal, para além da que os outros imaginam?
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A ciência é incerta sobre o que ocorre na mente daqueles que estão em estado de coma. Mas a arte não se inibe em fintar o incerto. Criar é fazer existir. E é essa a audácia da escrita de Branco de Carla Coelho: uma promenade hospitalar e psicológica através do olhar de uma mulher, tradutora de ofício, que, diante do insondável, imagina. A cor do título ecoa no espaço físico onde ocorre a acção, um hospital privado com paredes e corredores brancos, e repousa na palidez dos rostos e corpos comatosos. Mas convoca, antes que tudo, o lugar primordial da criação: a folha em branco. O branco é o campo infinito onde podemos encontrar as (nossas) vidas por imaginar. A autora sabe-o e leva-nos para esse exercício.<br />
Os elementos formais do livro são-nos entregues sem rodeios e emancipam-nos na leitura. Há um contrato íntimo com o leitor, que, sabendo a priori qual o artefacto do romance, colabora com a autora a imaginar as vidas daqueles que a protagonista começa a visitar de forma regular e oculta. Mas, ao contrário dos conflitos internos que esta mulher, tradutora, mãe de família e, ao fim e ao cabo, criadora, tem com a antiética da mentira, o exercício de suposição permite ao leitor entrar em contacto com a sua própria arte da imaginação. É neste pas-de-deux imaginário, entre autora e leitor, que laços afectivos se vão criando com R. e A., personagens entregues a um lado impenetrável da vida.<br />
Neste novo livro de Carla Coelho, flores nascem entre pedras de jardim, mesmo quando nos quartos do hospital morre gente. Os mais delicados sinais de vida são apontados como uma fresta de esperança, sem com isso nos lançar para transcendências gratuitas. A escrita de Branco flui como quem improvisa a vida em tempo real. E, se a morte é uma sombra incessante que nos ameaça com um fim à vista, este livro prova o contrário, a certeza de que a imaginação será sempre o início de tudo.</p>
<p><strong>Cláudia Varejão</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/branco-2/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Águas de palavras</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/aguas-de-palavras</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/aguas-de-palavras#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Apr 2026 15:53:46 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=30642</guid>

					<description><![CDATA[a maresia se deitou
em todos os cantos
da casa

cobrindo o luto
do lar perdido
e desarrumado

a moça deixou a água salgada entrar
transbordando os cômodos vazios

o mar curando as palavras doídas
o sal enfeitando as feridas
antes da maré mudar.

(<em>Convite</em>, pág. 11)]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Julia Sereno mais uma vez nos traz uma coleção de poemas pungentes, obra extremamente pessoal e pertinente, retrato de uma alma inquieta num mundo desafiador. Num contexto de permanente mutação, inevitável ou voluntária, a artista não tem receio de se apresentar por completo, suas fraturas e cicatrizes, perdas e conquistas, inseguranças e certezas, ainda que transitórias.<br />
A poesia de Julia Sereno é um lugar de experimentações, jogos de palavras e textos curtos e fragmentados, mas que permanecem na mente do leitor, que apenas pode supor se são versos cuidadosamente semeados ou abruptamente despejados no papel. Ordem e caos se confundem porque, como bem disse outro poeta, a vida acontece enquanto fazemos planos.<br />
A sensação é de que há um olhar apurado sobre pessoas, gestos, coisas, lugares e, mais precisamente, sentimentos à flor da pele, ou a duras penas, camuflados na aparente trivialidade cotidiana. Todas essas partes representam mais do que o todo, vão muito além, perpassam o que é visto e nos atravessam por completo.</p>
<p>Se o lar é o lugar onde nos sentimos mais à vontade, o de Julia Sereno é a poesia. Nela, a artista se protege e se revela, e, enquanto constrói jardins e derruba paredes, tem a gentileza de nos convidar para uma visita ao que está em permanente reconstrução.</p>
<p><strong>Rodrigo Goulart</strong><br />
escritor</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/aguas-de-palavras/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Mercúrio</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/mercurio</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/mercurio#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 14:08:59 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=30525</guid>

					<description><![CDATA[aqui eu não tenho família
não tenho os laços
que me seguram
para dizer que tenho casa
sou puro osso da minha costela
meu porto seguro
é a minha mão esquerda
e eu escrevo com a direita
pra fazer fingir que tenho lar

(<em>Marte</em>, página 16)
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Pâmela Pedra atravessa em Mercúrio a instabilidade enquanto condição humana e a impossibilidade de permanência. Com uma voz literária intensa, que absorve a perda e o desejo constante de pertença a um lugar inexistente, os poemas desta obra nascem de um estado de combustão emocional contínuo, no qual sentir é sempre demasiado e a consciência desconhece repouso.<br />
Estruturado como um percurso cósmico, Mercúrio transforma planetas, astros e forças gravitacionais em metáforas diretas da experiência humana. Cada poema é uma proposta de corpo enquanto estudo em órbita vulnerável, em tensão entre a vontade de permanecer e a urgência da fuga, o apego e a ruína, o amor e o desgaste que ele impõe. Sem possibilidade de harmonia, o universo não surge como figura contemplativa, mas como espelho de um sujeito fragmentado, à deriva e submetido a forças que não controla.<br />
Com uma escrita económica, cortada e por vezes abrupta, Pâmela Pedra assume o risco de dizer o indizível sem recorrer a ornamentos ou concessões, ao mesmo estilo que fez com Uma gaivota esmagada no asfalto da avenida. Este livro não é um exercício de delicadeza, mas da exposição deliberada da falha, da carne sensível, da memória que insiste ou do tempo que corrói, e do peso do corpo num mundo saturado e de indiferença, sem promessas de redenção ou cura. Mercúrio, enquanto objeto literário, propõe o gesto insistente de olhar para dentro sem desvios, na sustentação do desconforto como matéria poética e ética. É uma obra que aborda a solidão, as relações assimétricas, a precariedade dos afetos, o esgotamento emocional contemporâneo e a infância como território perdido, do próprio sujeito poético, mas também do outro enquanto pessoa.</p>
<p><strong>Rui Sobral</strong><br />
escritor e poeta</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/mercurio/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Sal nas Feridas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/sal-nas-feridas</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/sal-nas-feridas#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 11:44:54 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=30518</guid>

					<description><![CDATA[enfiei-me num campo
onde o arame farpado
percorre 14 hectares
de silêncio
para manter cativa
a língua
em vias de extinção

(página 14)]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os poemas são verbos.<em> Sal nas Feridas</em> acomoda nas ações de meter, passar, esfregar, lavar e arder a subjetividade do sentimento proposto pelo ato. Um livro feito de palavras-flechas. Sensorial abastecimento de uma voz elegante entornada em linguagem despudorada. Poemas maduros em preparo, enquanto crus e bonitos de morrer em convulsões que trazem à tona a escrita e seu desejo.</p>
<p><strong>Nara Vidal</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/sal-nas-feridas/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Falta muito para o meteorito?</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/falta-muito-para-o-meteorito</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/falta-muito-para-o-meteorito#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Apr 2026 09:55:25 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=30498</guid>

					<description><![CDATA[​​pequenas gotas
aumentam o sol
que tatua a janela

a mão aberta e vaga
repousa na mesa fria
entre grainhas espalhadas

a violência de uma cama desfeita
fruta velha à espreita
árvores mortas em flor

ouve-se o mar ao longe
escondido de improviso
na sombra da paisagem nua

<em>Natureza-morta da tua ausência</em> (I), página 28]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Luís A. Fernandes percorre o espaço da casa, empoleira-se à janela, e observa a cidade. Diante de si, do reflexo, espera aqueles que vão dormir; também um menino, talvez o poeta, ele próprio, seu filho (re)nascido do ventre da urbe. Os versos de Fernandes são as palavras aflitas desse menino reflectido, tomadas por um choro que se cala à procura de gritar. “Vês filho todos dormem menos nós”, também assim nos silencia o poeta propondo-nos, contudo, o grito calado; e a poesia de Fernandes faz-nos gritar, como meninos calados gritando e chorando à dor, talvez prestes a sonhar. “Com o que sonha uma criança acabada de nascer?”. Atentos, escutamos estes versos para podermos imaginar o que infelizmente já conhecemos porque aprendemos, precisamente, a imaginar. Até ao limite do cansaço, do grito e do choro. Eu diria que os versos de Fernandes são o embalo dessa exaustão, sossegando a figura que teima em mover-se imperceptível num quadro de uma natureza-morta pronta a tomar-se de vida.</p>
<p><strong>Francisco Mota Saraiva</strong><br />
romancista e Prémio Saramago em 2024</p>
<p>Falta muito para o meteorito? poderiam ser imagens que o Luís rouba à cidade para, depois da errância, nos devolver, a nós, leitores, com os modos de uma linguagem que condensa num fluxo que, ora acima, ora abaixo, parece não chegar a bater nem num teto nem num chão. Talvez este livro seja um convite que o poeta dirige para uma caminhada poética, daquelas que têm início na memória, transitando por futuros possíveis até ao instante em que o embate com a contingência caótica, extremista e extremada faz com que o corpo atravesse a sombra de ruelas, passeios, becos, numa busca insaciável das coisas e dos seres que ainda vivem. Porque só quem sabe que tem um porto seguro, se arrisca a partir. Só quem sabe construir segurança a partir das ruínas, daquele fragmento que ilumina um dia inteiro, de um raio de sol que rasga o céu negro. Este livro, travessia do ódio até ao que resta do amor, mas amor, é canto que eleva as coisas simples, criando sentido para o dia-a-dia, numa voz poética que, em sol menor, discreta, se tem tornado mais coesa, limpa, certeira. Um livro para se sentir o prazer de viajar sem sair do lugar.</p>
<p><strong>José Oliveira Pinto</strong><br />
poeta e editor da revista Txon</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/falta-muito-para-o-meteorito/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Não quero mais ser tóxica</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/nao-quero-mais-ser-toxica</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/nao-quero-mais-ser-toxica#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Apr 2026 10:00:03 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=30376</guid>

					<description><![CDATA[Na Almirante Reis
no Terreiro do Paço
nas escadas enguiçadas do metro do Chiado
no Marquês de Pombal
no Padrão dos Descobrimentos
ainda se assustam com o meu alto astral]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>As Contentes, dupla formada por Duda Las Casas e Érika Machado, faz da música, da palavra e da performance um campo de invenção política e afetiva. Entre refrões, listas, repetições e slogans, suas letras atravessam temas como imigração, precariedade, trabalho, amor, desejo, autocuidado, envelhecimento e fascismo, sempre a partir de uma perspectiva situada, feminista e profundamente contemporânea. Camufladas em canções aparentemente leves e alegres, essas letras operam como ferramentas de pensamento, modos de nomear o cansaço, o absurdo e as contradições de existir no mundo de hoje.<br />
A dupla nasce do encontro entre duas artistas multidisciplinares brasileiras, latino-americanas, radicadas em Portugal, cujas trajetórias atravessam a música, a performance, a escrita, o teatro e as artes visuais. A experiência da migração, do deslocamento e da reinvenção cotidiana alimenta suas práticas e reverbera nas canções, que articulam humor e crítica, fragilidade e enfrentamento, intimidade e comentário social. A amizade entre Duda e Érika vai além de ser apenas contexto, mas transforma-se em método, uma forma de trabalho baseada na escuta, na partilha e na construção coletiva.<br />
A atuação das Contentes insere-se numa tradição de práticas artísticas que utilizam a canção como dispositivo crítico e ferramenta de intervenção no real. Ao deslocarem a música do lugar do entretenimento para o campo da reflexão e da experiência compartilhada, Duda Las Casas e Érika Machado atualizam estratégias da arte feminista, da performance e da cultura popular. Suas performances criam situações de encontro em que o riso funciona como forma de desarme, a repetição como gesto de insistência política e o palco como espaço de elaboração coletiva do mal-estar contemporâneo.<br />
Os textos reunidos neste livro são letras de canções criadas para serem cantadas, encenadas e partilhadas em performances tão lúdicas quanto afiadas, nas quais ironia, deboche e cuidado caminham juntos. Preservando o ritmo e a oralidade da performance, as letras mantêm viva a dimensão do corpo, da voz e do riso. São textos que pedem para ser lidos em voz alta, repetidos, cantados ou simplesmente sentidos.<br />
Não quero mais ser tóxica não propõe uma purificação moral nem uma pedagogia do comportamento. Ao contrário, reivindica o direito à ambivalência, à falha, à raiva e ao prazer. Ser “tóxica” é evocado como um estado a ser exposto, partilhado e talvez desarmado coletivamente, num gesto que mistura humor, vulnerabilidade e resistência.<br />
Este livro é, ao mesmo tempo, arquivo e extensão de uma prática performativa que se recusa à solenidade e aposta na potência do jogo e do lúdico. Um convite para rir juntas, cantar contra o esgotamento e imaginar outras formas de viver, criar e resistir, mesmo quando tudo parece pedir silêncio.</p>
<p><strong>Cristiana Tejo</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/nao-quero-mais-ser-toxica/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O Senhor do Adeus</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-senhor-do-adeus</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/o-senhor-do-adeus#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Apr 2026 11:08:06 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=30342</guid>

					<description><![CDATA[<p class="ds-markdown-paragraph">"Um dia estava na rua e acenaram-me.
E eu acenei de volta"
João Manuel Serra, O Senhor do Adeus</p>
Há encontros que nascem de um aceno. Um gesto simples, quase invisível, que atravessa o para-brisas e toca alguém do outro lado. João Albano Fernandes constrói, neste romance vencedor do Prémio Montijo Jovem 2022, a história de um homem que, na solidão dos dias que lhe restam, descobre que dizer olá pode ser mais urgente do que qualquer despedida.
<p class="ds-markdown-paragraph">O velho do Saldanha não tem família, não tem pressa, não tem onde chegar. Tem dores nas costas, uma mãe falecida com quem ainda discute, e um braço que um dia, quase por acaso, se levanta para acenar. A cidade responde. E nessa troca mínima — uma buzina, uma mão no ar — habita talvez o essencial: a certeza de que ninguém quer passar por este mundo sem ser visto.</p>
<p class="ds-markdown-paragraph">Entre o Cemitério dos Prazeres e a Praça do Saldanha, entre as visitas à campa da mãe e as noites frias em que se instala no seu posto como um farol na costa, o velho vai tecendo uma comunidade improvável. Condutores anónimos, um rapaz de bicicleta amarela, vizinhos que redescobrem o gesto de cumprimentar. E, no meio de tudo, a ausência de um amor antigo, um poema de que já não se lembra, e essa pergunta que todos fazemos: terá valido a pena?</p>
<p class="ds-markdown-paragraph">Como lhe chamou Pedro Abrunhosa: <em>"Sou estátua de pele e de sonhos, / O Príncipe Feliz do Saldanha, / Escondo andorinhas no peito, / O coração é de quem o apanha."</em> Este livro fala do que nos faz humanos: a fragilidade, a memória, o medo de não ter feito a tempo, e essa coisa estranha que é precisar dos outros mesmo quando já aprendemos a prescindir deles. Não se trata de salvar o mundo. Trata-se, apenas, de não deixar ninguém passar sem um aceno.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Esta história de desamparo e solidão transforma-se, no seu final, numa história de esperança, em que o afeto entre os seres humanos é celebrado através do gesto do adeus. É esta transformação alquímica que constitui a maior das virtudes desta obra, que conta com um trabalho primoroso de linguagem e de compreensão psicológica das personagens. Desde a Dona Lucinda ao jovem Artur, companheiro do «Senhor do Adeus» nas suas peripécias, todas estas figuras são constituídas por uma humanidade rara, o que confere à obra uma dimensão reflexiva particular, nomeadamente do modo como podemos transformar os sentimentos mais negativos em humanidade irradiante.</p>
<p><strong>Maria João Cantinho</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/o-senhor-do-adeus/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Arquiteturas da ausência</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/arquiteturas-da-ausencia</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/arquiteturas-da-ausencia#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2026 13:00:20 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=30312</guid>

					<description><![CDATA[Tenho dificuldade
grave e séria
em compreender por que te encolhes
atrás dessa cortina de fumo denso.
Desenhei as tuas lágrimas.
Supliquei que não as escorresses
olhos fora. Lembras-te
que quase perdeste um!?
Um olho, um dente,
todos juntos, e eu
que gritava loucamente
para te salvar.

Há muito fumo entre nós.
Sempre.

(<em>Sobre o fum</em>o, página 52)]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Ana Luísa, nesta estreia com Arquiteturas da ausência, partilha a geografia íntima, a cartografia do invisível, onde “em cada espaço, há um vazio que o ampara.” Pois a ausência não surge aqui como falha, mas como estrutura, como a arquitetura secreta de um relicário de reminiscências.<br />
Este primeiro livro afirma uma voz que compreende que habitar é também perder, e que todo espaço guarda a marca do que o atravessou, e que todos os espaços e corpos em nós deixam marcas.<br />
Neste poemário, Ana Luísa reúne um conjunto de poemas votados ao vazio, ao amor, ao desamor, não de esquiva, a convidar-nos a percorrer a nossa “casa” interior e outros espaços “lá fora” por nós percorridos, e, através da sua escrita, a escutar o que em nós é também ausência e ainda persiste.</p>
<p><strong>Yara Nakahanda Monteiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/arquiteturas-da-ausencia/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Epitáfio / Epitaf</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/epitafio-epitaf</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/epitafio-epitaf#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2026 10:16:30 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=30305</guid>

					<description><![CDATA[<strong>EDIÇÃO BILINGUE</strong>
[romeno-português]

dá-me a tua manta
para a pôr sobre a cabeça
sei que não gostas de partilhar
tenho medo do escuro
vou ficar na minha metade da cama
na minha metade do coração
para que tu estejas quentinho e bem
vou calar-me a partir de amanhã
a partir de amanhã não tenho tempo para sentir
vou dormir a partir de amanhã
sem sonhos
contigo quando me contavas os sinais das faces
contigo quando ias ao non-stop buscar açúcar
(sabes bem que não bebo café de outra maneira)
contigo quando tínhamos dois pães na gaveta de baixo
dos quais só resta agora uma migalha

<em>Café sem açúcar</em>

dă-mi pătura ta
să mi-o pun pe cap
știu că nu-ți place să împarți
mi-e urât de întuneric
o să stau pe jumătatea mea de pat
pe jumătatea mea de inimă
să-ți fie ție cald și bine
o să tac de mâine
de mâine nu mai am timp să simt
o să dorm de mâine
fără vise
cu tine când îmi numeri alunițele de pe obraji
cu tine când te duci la nonstop după zahăr
(știi bine că nu pot să-mi beau cafeaua altfel)
cu tine când țineam 2 pâini în sertarul de jos
din care a mai rămas doar o fărâmă

<em>Cafea fără zahăr</em>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O termo “nulisciente” capta melhor a essência desta poesia: uma sabedoria do nada que não pretende explicar o mundo, mas apenas habitá-lo em todo o seu esplendor e horror. O amor tem “cabelo cor-de-rosa pastel”, passa-nos pelo “programa mais eficaz / da máquina de lavar”, seca-nos ao sol e faz-nos sentir “tão pequeno” ao lado da sua grandeza. No entanto, mesmo que “até a árvore da vida falha por vezes” e confunda “o dia com a noite / o fim contigo”, a poetisa propõe a única solução possível: “ao menos se lhe pendurássemos uma rede de descanso / para termos, como se diz / descanso eterno”.<br />
Cătălina Sandu não escreve para consolar, mas para testemunhar. A sua voz é a da sobrevivência num mundo em que “a esperança morreu / a penúltima”. Esta edição bilingue permite-nos acompanhar como uma jovem poetisa romena quebra “o espelho” do silêncio para nos mostrar o que está para lá: frio, luz, borboletas e uma imensa vontade de ser, mesmo com as costelas frágeis.<br />
<em>Epitáfio</em> é um bilhete “só de ida” para o centro da fragilidade humana, uma leitura que não termina com a última página, mas continua a pulsar sob as ligaduras de plástico da vida.</p>
<p><strong>Dan Caragea</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Termenul „nuliscient” surprinde cel mai bine esența acestei poezii: o înțelepciune a neantului care nu pretinde să explice lumea, ci doar să o locuiască în toată splendoarea și oroarea ei. Iubirea are „părul roz pastel”, te trece prin „cel mai eficient program de la mașina de spălat”, te usucă la soare și te face să te simți „atât de mic” lângă mărimea ei. Totuși, chiar dacă „copacul vieții dă greș câteodată” și confundă „ziua cu noaptea / sfârșitul cu tine”, poeta propune singura soluție posibilă: „măcar de am agăța de el un hamac / s-avem […] odihnă veșnică”.<br />
Cătălina Sandu nu scrie ca să consoleze, ci ca să depună mărturie. Vocea ei este a supraviețuirii într-o lume în care „speranța a murit penultima”. Această ediție bilingvă ne permite să urmărim cum o tânără poetă sparge „oglinda tăcerii” pentru a ne arăta ce se află dincolo: ger, lumină, fluturi și o imensă poftă de a fi, chiar și cu coastele fragile.<br />
<em>Epita</em>f este un bilet „doar dus” spre centrul fragilității umane, o lectură care nu se termină odată cu ultima pagină, ci continuă să pulseze sub bandajele de plastic ale vieții.</p>
<p><strong>Dan Caragea</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/epitafio-epitaf/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>As raposas estão a arder</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/as-raposas-estao-a-arder</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/as-raposas-estao-a-arder#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Apr 2026 11:13:49 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=30286</guid>

					<description><![CDATA[Mataram todas as minhas sombras.
Já não há mais.
Como faço?
Vou para onde apanhar sombra?
As sombras onde bebi leite da minha mãe
Onde apanhei os primeiros galhos caídos
para a fogueira de casa
As sombras que cheiravam a tojo, urze e pinheiro
As sombras dos meus pulmões, dos pirilampos,
dos javalis, das pedras,
dos penedos, das abelhas, das libélulas,
As sombras do meu sol
Já não há mais.
Nunca mais,
Nunca mais serão iguais
E as raposas? Alguém as viu?

(<em>As minhas sombras</em>, página 45)]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O fogo arde. O fogo limpa. Entre as cinzas talvez não se perceba a diferença.<br />
Mas o fogo sobretudo queima e deixa cicatriz.<br />
Sob o olhar astuto de uma raposa, Senhor Vulcão vai abrindo brechas de zanga, crueza, espanto e renascimento. Da brutalidade cavernosa do ser humano aos ventos de esperança de terras intocadas, viajamos pelo meio de árvores inocentes e desprevenidas, como espectadores inertes.<br />
Quem sabe se ainda vamos a tempo?</p>
<p><strong>Rita Redshoes</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/as-raposas-estao-a-arder/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Planetas doces na penumbra</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/planetas-doces-na-penumbra</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/planetas-doces-na-penumbra#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Apr 2026 11:06:01 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=30236</guid>

					<description><![CDATA[— É para o Roseiral, se faz favor — enunciou, gerindo temerosamente o espaço tomado pelas botas na retaguarda do condutor. A viatura entrou em movimento, despertando o alarme do cinto. Tim. Tim. O coração de Carlota pôs-se-lhe ao ritmo enquanto, atabalhoada, deitava as mãos à faixa negra e puxava, puxava. Não entrava: não era aquele o trinco. Era o do lugar do meio. O que lhe pertencia estava enterrado nas ranhuras entre os bancos repletas de cotão, areias e pele morta. Tim. Tim. O clique final recuperou-a da urgência fria e incómoda. Cheirava a hortelã-pimenta. Ajeitou-se na cadeira, sentindo ainda o peso das botas para as quais mal tinha espaço e, finalmente, olhou o condutor no retrovisor.
Ele olhava de volta.

(O Roseiral, página 9)]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Esta colectânea é o perfeito aglomerado da natureza eclética e exploratória de Carolina Fidalgo. Lê-la é, por isso, essencialmente, uma descoberta — de mundos e de sensações, de consciência, de como a estranheza, a violência e o absurdo se entranham no quotidiano e em todos nós.<br />
Em Planetas doces na penumbra, uma obra cujos temas a tornam intemporal, descobre-se também uma voz madura e elegante, onde as palavras são tecidas com precisão, sentimento e, sobretudo, com propósito. São palavras para guardar, para estimar no momento e mais tarde, no relicário da nossa mente.<br />
Só estes atributos seriam mais do que suficientes para fazer com que o leitor se apaixonasse por este livro, que submergisse nele, encontrando em cada frase novas chaves de significância. No entanto, ao percorrer estas histórias divididas em quatro partes, torna-se evidente que, aliada à forma, está outra das grandes fundações literárias: a imaginação.<br />
É nesse campo que a autora, entre a dureza concreta do realismo e o espectro prismático do fantástico, oferece fragmentos de quem é — vislumbres negros, cómicos, satíricos, trágicos — em narrativas intimistas que abrem espaço à reflexão, à desconstrução de conceitos e, em último caso, à reedificação de construções sociais e humanas.<br />
É raro encontrar uma primeira obra com uma linguagem tão maturada e inovadora, de sentidos e instintos tão apurados. Carolina Fidalgo é, portanto, uma raridade. Apreciem-na como tal.<br />
<strong>Pedro Lucas Martins</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/planetas-doces-na-penumbra/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Uma pequena fome</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/uma-pequena-fome</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/uma-pequena-fome#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Apr 2026 12:41:40 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=30186</guid>

					<description><![CDATA[Oscilar
Entre o mar, a areia
Entre a quebra e a crença

Afundar
Na recusa do precipício

Vento no rosto, cabelo desenhando o ar
Grito afinal mudo, roupa presa
Sal do inverno
Revolto

Cair e ficar
Imóvel

Apesar do temor

(página 15)
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Na primavera de um ano como o de dois mil e vinte e seis, Teresa Leão traz-nos Uma pequena fome.<br />
À primeira vista, temos um livro que estreia.<br />
Um primeiro livro que poderia ser um verso longo, muito longo, feito de fruto inteiro em cesta de vime.<br />
Nota-se o cuidado de alguém que queria colher o fruto, sim, mas maduro: há um olhar atento ao movimento das casas e uma falta de pressa que só as memórias antigas carregam.<br />
É precisamente aí que questiono esta ideia de inauguração; a escrita de Teresa Leão está já acostumada a um corpo sensível que perfaz as metáforas receptivas, o corpo poroso que quer esculpi-las na parte física e sensível do signo.<br />
Ouve-se a lentidão da tarde que cai sobre o verso; a fotografia projetando o tempo em cianotipia, ou, como escreve, o silêncio sentado na casa vazia / estremecido / mãos enleadas / a sós.<br />
Neste seríssimo exercício de observação, a Teresa que escreve — ou a musa que faz a Teresa escrever, porque não acredito em sujeitas poéticas, muito menos sujeitos — senta-se numa e muitas esplanadas. Os miradouros que escolhe são um pretexto para olhar por dentro o lado de fora do mundo. Nesse universo do concreto que facilmente se fundirá com aquilo que não se vê, Ruy Belo chega e senta-se também. Como num verso seu, pergunta-lhe, “Não achas que a esplanada é uma pequena pátria a que somos fiéis?”, e habitam esse silêncio.</p>
<p>Mas que não se antecipe neste país de solitude a flecha previsível do solilóquio: como na “ilha de edição” de Waly Salomão, o caderno aberto em figuração assume a responsabilidade de desalinhar o que imaginávamos ser estanque, mas que afinal é um complexo jogo de sombras a perseguir — a voracidade é, aqui, feita coisa que carrega o fruto, e não o seu contrário.<br />
Há então que fazer contas ao que sobrou:<br />
A alforria paga pela náusea conversa com a precariedade quotidiana (a da fragilidade do que é diáfano e quebrável, não a da mesquinhez da desigualdade absurda). É a paisagem “humana, demasiado humana” que se vê da esplanada que desaforadamente segura o fio dos afectos que dão sentido às perguntas, territórios perenes, engolidas entre bombardeamentos e sismos, cirurgias a peito aberto.<br />
A linha da vida que parece amparar é a mesma que se dispõe frente ao precipício: afinal de contas, não houve tempo de arrumar / Os destroços, / As cartas.<br />
Mas eis que subitamente surgem, desavergonhadas, rosas muito vivas, peixes imaginários, o sabor a cereja. E a vontade de permanecer à mesa resiste.<br />
A quem vier para esta colheita, que observe o fruto: uma pequena fome, / o sonho em esquisso. A inteireza do olhar que o compõe no tempo.</p>
<p><strong>Francisca Camelo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/uma-pequena-fome/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Sou só som e uma língua em ecdise</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/sou-so-som-e-uma-lingua-em-ecdise</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/sou-so-som-e-uma-lingua-em-ecdise#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Apr 2026 11:42:13 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=30176</guid>

					<description><![CDATA[Moram letras que não dormem
Sonhos de palavras
Que formam sindicatos
Os picos dos cactos
O aguçar da saliva em actos
A ponta da roca
O canino na broca
O veneno da serpente
A aspereza da pele de elefante
A certeza de todas as coisas
que o sol não queima
A poesia teima

em
sobreviver
no vértice mais afiado da lança

(<em>Por baixo da minha língua</em>, página 17)
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O poeta é a única espécie do mundo que se alimenta do que diz. Cada verso degustado enche-lhe as medidas com doçura. Porém, as palavras que realmente o saciam são as que ressoam no outro. Degustadas a meias. Em falta de escuta ativa, o poeta reage como o comum mortal reagiria a uma desidratação.<br />
Este é um livro de palavras em metamorfose à procura de devorar a vossa inércia como quem beija na boca. Luís Perdigão, o poeta-pássaro, que começou a dançar com a poesia desde tenra idade, apropriou-se mais tarde da oralidade como ferramenta-corpo, parte de si, arma ciborgue. Pacemaker. Leia-se peace maker. Válvula mecânica dos seus poemas-coração.<br />
Entenda-se ecdise como a mudança do exoesqueleto duro dos insetos de forma a permitir o seu crescimento. Note-se que escrevi “duro”. É o primeiro capítulo desta obra, a meu ver, o nascimento do som, parido pela língua do poeta. Uma luta pela libertação, um estrebuchar como quem se solta das amarras da forma. Notarão os leitores a dureza necessária do seu novo exoesqueleto nas páginas que lhe seguem. A resistência pede uma outra pujança e assim vamos, em crescendo, nos capítulos seguintes.<br />
Chegarão ao último capítulo talvez exaustos, talvez purgados, talvez mais leves. Eu cheguei com a certeza de que metamorfose não é só um livro que toda a gente diz que leu. É um processo profundo e curandeiro, dentro do qual tudo parece turvo, que nos guia até águas cristalinas. Pássaro é fénix e voo alto. Decerto também imenso, dada a força com que nos leva consigo.</p>
<p><strong>Maria Caetano Vilalobos</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/sou-so-som-e-uma-lingua-em-ecdise/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Mirtilos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/mirtilos</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/mirtilos#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 09:55:40 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=30158</guid>

					<description><![CDATA[É preciso apagar
esta palavra
dentro de mim
desdizer-me para
me limpar
pestanejar
até que se varra da minha
retina
e
a luz possa por fim
voltar a entrar

A memória é o meu habeas corpus.

(<em>O perdão</em>, página 25)
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Cresceu numa aldeia, a ver sementes germinar, flores a cair, regas regulares e frutos colhidos. Mirtilos.<br />
Hoje vive num jardim, onde cultiva poemas nostálgicos, introspetivos, rítmicos e cativantes. A cada verso e meio verso, fugimos para o corpo em crescimento, a mente oscilante, ou a qualquer instante já esquecido, respirando o sopro do campo antes que a rotina nos reclame.<br />
A menina sonhou. A menina escreveu.<br />
A mulher sonha. A mulher continuará a escrever.</p>
<p><strong>Daniela Carvalho</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/mirtilos/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Tudo que colhi no fundo do mar</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/tudo-que-colhi-no-fundo-do-mar</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/tudo-que-colhi-no-fundo-do-mar#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Mar 2026 14:44:59 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=29985</guid>

					<description><![CDATA[lá onde a voz encontra o vazio
invento um buraco chamado deus
cabe tudo no buraco
então eu jogo
choro
medo
prece
pedidos tantos pedidos
pra que m. tenha saúde
pra que p. não queira morrer
gemido de gozo
desespero —grito:
o buraco só responde
eu

(página 9)
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Neste livro, Luciana Soares mergulha na experiência da maternidade como quem desce a uma fossa abissal para reencontrar a própria origem. Entre a vírgula e o verbo, entre o corpo que gera e o corpo que se descobre gerado, a autora constrói uma poética em que identidade, criação e a herança da mulher se entrelaçam num vaivém contínuo de “eu”, “tu” e “nós”.<br />
A maternidade surge aqui não como idealização, mas como abismo e revolução, lugar de exaustão e clarividência, de operária e medusa, de vulnerabilidade e potência ancestral.<br />
A vírgula deixa de ser apenas pausa e torna-se (re)início: sinal de que a criação é contínua, de que cada corpo que comporta outro corpo altera para sempre a sintaxe do mundo. Há aqui um diálogo entre mulheres que vieram antes e as que virão depois, numa espécie de matrioska afetiva na qual cada voz carrega muitas outras.<br />
<em>Tudo que colhi no fundo do mar</em> é, assim, um livro sobre nascer — a filha, a mãe, a palavra — e sobre a coragem de sustentar o abismo até que dele brote sentido.</p>
<p><strong>Irma Estopiñà</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/tudo-que-colhi-no-fundo-do-mar/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Quarto branco — contos psicoterapêuticos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/quarto-branco-contos-psicoterapeuticos</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/quarto-branco-contos-psicoterapeuticos#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Mar 2026 12:37:45 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=29926</guid>

					<description><![CDATA[Quarto branco – Contos psicoterapêuticos é uma coletânea de contos sobre saúde mental, emoções e neurodiversidade. Não tem caráter científico, mas parte de um conjunto de sintomas que são, nos dias de hoje, comuns na discussão pública sobre saúde mental.
A literatura pode e deve assumir um papel importante nessa discussão. Assim, de forma mais empática e menos científica, falo sobre gestão emocional e sobre o respeito pela neurodiversidade. A literacia em saúde mental é essencial na desmistificação do assunto.
Esta coletânea recebeu uma menção honrosa no<em> Prémio de Conto Manuel da Fonseca</em>, em 2024.
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>
&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Quarto branco é um livro de contos que atravessa o território frágil e profundamente humano da saúde mental. Sem recorrer a explicações clínicas ou fórmulas científicas, estas narrativas partem da experiência emocional, da metáfora e da linguagem literária para dar corpo à depressão, à ansiedade, ao medo, à síndrome do impostor, à bipolaridade e à neurodiversidade. Aqui, a literatura surge como espaço de escuta e de tradução emocional, onde o sofrimento não é reduzido a rótulos, mas compreendido na sua complexidade e ambiguidade.<br />
Cada conto constrói um espaço íntimo onde as emoções ganham voz própria, forma e personagem. Bonecas de trapos, bichos no umbigo, ruas povoadas por sentimentos, janelas que se abrem e se fecham sobre o mundo interior: tudo serve para nomear o que tantas vezes permanece invisível, silenciado ou mal compreendido.<br />
Entre o real e o simbólico, as narrativas convocam o leitor para um lugar de partilha silenciosa: a depressão que não tem rosto, a ansiedade que ocupa as ruas, o impostor que sabota a criação, a instabilidade que oscila entre o excesso e o vazio. A dor psíquica surge aqui sem caricatura nem dramatismo excessivo, mas com a densidade de quem observa de perto e escreve a partir da empatia.<br />
Os textos não oferecem soluções nem promessas de cura. Recusam o discurso normativo e o conforto fácil. Oferecem, antes, reconhecimento: um espelho imperfeito onde o leitor pode encontrar fragmentos das suas próprias inquietações, contradições e fragilidades. Falar de saúde mental é também falar de identidade, de memória, de relações e da forma como habitamos o nosso corpo e o nosso pensamento.<br />
Este livro dá continuidade ao percurso de Grito umbilical, aprofundando uma escrita que insiste em tornar visível aquilo que socialmente se esconde ou se suaviza. Se nesse livro a dor surgia como grito primordial, urgente e quase corporal, em Quarto branco ela manifesta-se num registo mais silencioso, contido e reflexivo, como se o grito tivesse sido levado para dentro, para um espaço de clausura e escuta.<br />
A saúde mental é aqui tratada como experiência coletiva e íntima em simultâneo, atravessando o quotidiano, as relações e a identidade.<br />
Quarto branco propõe uma aproximação sensível a estados emocionais que fazem parte da experiência contemporânea, desmontando estigmas e abrindo espaço à escuta.<br />
É um livro que não explica, acompanha. Que não julga, observa. E que lembra que, mesmo nos quartos mais assépticos e silenciosos, há histórias a acontecer por dentro.</p>
<p><strong>Simone Noir</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/quarto-branco-contos-psicoterapeuticos/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Elegia dos mitos quotidianos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/elegia-dos-mitos-quotidianos</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/elegia-dos-mitos-quotidianos#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Mar 2026 18:08:50 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=29917</guid>

					<description><![CDATA[Esbracejamos para ainda ficar
À tona d’água, à beira-mar.
Um dínamo profundo nos impele
Nessa peleja, a morte à flor da pele,
O que fica são restos,
Memória para os mais lestos.

Ao longe, mas que formigueiro admirável!
Gentes pequenas, mas d’ânimo indomável.

(<em>Binóculo</em>, página 159)
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Ser humano, voltar à essência, nunca foi tão necessário, ou mais, nunca foi tão urgente. A poesia é justamente esta força pujante que Paulo Ferreira da Cunha, através dos seus poemas, nos convida a resgatar, retirando-nos da opacidade e da alienação por um meio que os mais incautos chamariam paradoxalmente de alienante, o poema.<br />
É no jogo das palavras, com leveza, que o espírito se torna pleno e vê o que os olhos atentos e os pés no chão têm dificuldade para enxergar. Paulo Ferreira da Cunha traz temas importantes, críticas e questionamentos necessários para um mundo que se desabituou de pensar, mas continua ainda a ouvir, escolha perigosa que permite àqueles que falam metamorfosear, nas palavras de nosso autor no poema Miragens, a própria realidade sem que se perceba. Eis um tempo carente de poesia, eis um tempo carente de lucidez.<br />
Neste livro o leitor encontra questionamentos de diversas naturezas, mas todos eles dedicados ao humano, à nossa essência, dilemas, relações, realidade. Nesta obra ouve-se a voz elegante e eloquente de um autor cuja perspicácia nos convida a pensar. Que bom que temos poetas em tempos indigentes!<br />
Mário Quintana disse que poemas são passarinhos. Que possamos nos valer das asas dos poemas que Paulo Ferreira da Cunha nos oferece para voar. (Trecho do prefácio)</p>
<p><strong>Karine Salgado</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/elegia-dos-mitos-quotidianos/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Fugas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/fugas</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/fugas#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Mar 2026 14:24:04 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=29823</guid>

					<description><![CDATA[A Amazônia é uma mentira. Joguei a ponta da onça no rio e desci para me deitar. O pastor estava berrando na frente do celular. Vi seu rosto raivoso brilhando pela luz azul da tela e ouvi os pés batendo no assoalho de madeira. Sai, Satanás! Sai, Satanás! Eu te expulso! Aleluia! A mulher na escada do barranco, o filho no colo. De um lado do igarapé são os católicos, do outro lado, os crentes. Coloquei a mochila para baixo da minha cabeça na rede. O cara da rede do lado estava de olho, eu achei. A mulher garimpeira desceu na voadeira com as duas meninas e levou o sorriso de ouro com ela (...)
(<em>A Amazônia é uma mentira</em>, página 15)
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em um tempo em que fugir parece inevitável, o que escolhemos enfrentar quando decidimos permanecer?<br />
Em Fugas, Rosana Carvalho Paiva reúne contos concebidos em um momento marcado pelo sequestro dos nossos afetos e por um modo de vida produtivista que esvazia o tempo da escuta e da convivência. Resistindo a essa padronização do comportamento, o livro se debruça sobre as diferentes dimensões das relações humanas, provocando desconfortos necessários ao expor desejos, crenças, contradições, violências e silenciamentos. Superando o óbvio, o real e o fantástico se entrelaçam de forma orgânica em cada história, abrindo espaço para o poder pedagógico do simbólico. A autora expõe de maneira criativa as hipocrisias e os mecanismos de normalização que sustentam situações muitas vezes insuportáveis.<br />
As narrativas devolvem ao leitor a urgência de sentir e pensar as interações cotidianas, confrontando realidades complexas sem simplificações ou caricaturas. A obra é um convite a olhar com atenção para o que estrutura nossos encontros e para as contradições que permeiam nossas vidas.<br />
Com sensibilidade e coragem, Rosana Carvalho Paiva não oferece respostas nem cenários confortáveis, mas propõe uma reflexão sobre como habitamos as relações e o que nos leva a fugir ou permanecer nelas.<br />
Nascida na Bahia, com a infância vivida entre o interior de Minas Gerais e Salvador, parte da vida adulta em Manaus e atualmente radicada na Catalunha, Rosana Carvalho Paiva traz em seu primeiro livro histórias que dialogam diretamente com suas raízes e vivências plurais. Cada personagem e contexto revela um conhecimento sensível de um Brasil visto de dentro e de fora, atravessado por deslocamentos, pertencimentos e estranhamentos. Desafiando conceitos fabricados e caricatos das nossas relações humanas, o livro navega entre o real e o fantástico, não para estabelecer uma noção clara de ficção, mas movido por uma urgência de trabalhar temas que, muitas vezes, são mais difíceis de articular no campo da experiência do concreto.</p>
<p><strong>Mairê Carli</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/fugas/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>As voltas e revoltas da vida e da morte</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/as-voltas-e-revoltas-da-vida-e-da-morte</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/as-voltas-e-revoltas-da-vida-e-da-morte#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Mar 2026 13:25:50 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=29817</guid>

					<description><![CDATA[Contos que nos mostram o quão frágil é a natureza humana. Histórias que revelam segredos, retratam os perigos de uma mente manipulada, ligações ambíguas, combinações perniciosas e relações desgastadas pelo excesso de amor, ou pela falta dele, que nos fazem descobrir que a vida caminha de mãos dadas com a morte e que uma não vive sem a outra.
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Nascida nos anos setenta, lisboeta, com formação na área da comunicação e da cultura, Maria João Amaral Graça não consegue descrever-se sem referir uma grande paixão, os livros. Lê, escreve, tem participação ativa em comunidades literárias e possui vários contos publicados em coletâneas e antologias.<br />
As voltas e revoltas da vida e da morte é o primeiro livro em nome próprio. Uma coletânea de contos através dos quais a autora nos leva a viajar pela dualidade que caracteriza a vida e a morte, entidades opostas, mas indissociáveis, que são dissecadas ao longo desta obra — muitas vezes apresentadas com limites dúbios, que se mesclam e fundem à medida que as decisões das personagens são feitas com base no afeto, no desejo, no perdão ou na vingança. Um espelho da realidade, também ela sujeita à distorção provocada pelos olhos de quem a vê, como o leitor terá oportunidade de constatar.<br />
Este livro é, ainda, e talvez, acima de tudo, um conjunto de textos onde a figura feminina assume sempre o papel de relevo. Uma análise atenta da autora, que nos brinda com a introdução subtil de elementos sociais, culturais, ambientais e, muitas vezes, castradores, sem falsos ou pretensiosos pudores de disfarçar tanto as cicatrizes como as feridas abertas provocadas pelo patriarcado.<br />
Um início promissor na carreira literária da Maria João. Certamente, o primeiro livro de uma vasta obra futura, que desafiará as leis físicas da vida e da morte.</p>
<p><strong>Laura Vasques de Sousa</strong><br />
escritora</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/as-voltas-e-revoltas-da-vida-e-da-morte/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Se não me falha a memória</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/se-nao-me-falha-a-memoria</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/se-nao-me-falha-a-memoria#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Mar 2026 11:08:42 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=29694</guid>

					<description><![CDATA[Com o cotidiano da lavanderia onde trabalha como pano de fundo, uma mulher apaixonada por roupas e obcecada pela própria aparência revisita memórias enquanto se vê envolvida na vida de seus clientes. Em meio a fofocas, comentários maldosos, fantasias eróticas e questionamentos sobre religião, sexualidade, casamento e maternidade, a sua voz percorre o humor, a lucidez e o delírio. Narradora de olhar afiado para a existência alheia, ela tece uma tensão constante entre realidade e invenção.
<em>Se não me falha a memória</em> aborda temas como o desejo na velhice, o ressentimento, a solidão e a deterioração do corpo, equilibrando aspereza e lirismo. Uma narrativa que atravessa o universo íntimo e perturbador de uma mulher na sua última semana de vida.
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>É um alívio quando uma voz dissonante rompe o coro da literatura. A narradora de Se não me falha a memória tem uma voz para lá de única. Sarcástica, aguçada, obscena, ácida e, às vezes, cruel. Uma voz que rompe toda e qualquer idealização do feminino, ainda mais quando levamos em conta a sua idade, algo em torno dos setenta anos.<br />
É do alto dessas décadas que ela assiste aos clientes entrando e saindo da lavanderia onde trabalha. As conversas de balcão e as roupas, com seu caráter sugestivo, servem de pretexto para que ela vá contando as suas memórias e fazendo um balanço de sua vida.<br />
Casada com um cara que não amava, mãe de duas filhas sem nunca ter desejado ser mãe. Gostava de sexo, mas não com o marido. E não se furtava a fazer o que queria, desde que escondido, às vezes quebrando a cara e voltando para trás do fogão, como em um dos momentos mais belos e comoventes do livro.<br />
“Queria ser uma mulher com uma coleção de chapéus”, a narradora revela, mostrando que o corpo pode murchar; os sonhos, nunca. Quantas mulheres assim conhecemos, sem saber que conhecíamos?<br />
Fernanda Ávila nos dá a chance de viajar nesse íntimo, e acerta duas vezes ao apostar numa honestidade implacável e corrosiva. Mesmo quando o romance dá uma guinada, que leva a narradora a uma situação-limite, seu humor não arrefece, suas tiradas não perdem o tino. Uma voz singular e, ao mesmo tempo, a voz de um coletivo.</p>
<p><strong>Giovana Madalosso</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/se-nao-me-falha-a-memoria/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O livro das trepadeiras</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-livro-das-trepadeiras</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/o-livro-das-trepadeiras#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Mar 2026 15:23:05 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=29678</guid>

					<description><![CDATA[No esforço à procura de luminosidade, são exímias as trepadeiras na criação de caminho e meios de suporte. Como numa parede as trepadeiras espalham-se, cheias de artifícios de sustentação, sobre a página avançam as palavras. Por dentro há uma seiva que as impele e sustenta. De onde irrompe esta seiva que percorre o interior das palavras? Que as trepadeiras inspirem o jardineiro de palavras, para que logre o enleio das suas na página.

&#160;
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“A árvore é uma frase com ponto de exclamação, e afirma: estou viva!”<br />
Os poemas não apresentam quebra de verso, quais trepadeiras que se expandem, num movimento contínuo de paixão-observação-envolvimento com as plantas e os seus nomes. Ao subirmos no Livro das trepadeiras apreendemos a composição do que é humano, a nossa natureza construída de tantas e várias matérias — em que a presença vegetal é fundadora de uma realidade absoluta. Qualquer divórcio entre as partes nos deixará órfãos de nós mesmos, órfãos de humanidade, desalojados da nossa casa primeira. A natureza oferece-se ao nosso olhar, tacto, olfacto, com uma capacidade de atração inexplicável, e é nesse inexplicável que radica todo o seu esplendor.<br />
Nestas folhas crescem nomes, nomes que conhecemos, outros não, designações científicas das plantas enxertadas por nomes populares que expõem a sua força iconográfica esteticamente absorvente: ipomeas e madressilva, sapatinho-de-judia, maracujá, glicínia, líquenes, musgo, bromélias, samambaias, cactos, cipó-são-joão, buganvílias (que também são primavera), visgo, ora-pro-nóbis, silvas que escondem oliveiras, dedal de dama, jasmim, Boquila trifoliolada, videira, cuscuta, roseiras (rosas com seus espinhos e ecos de Rilke), Solandra maxima, hera japonesa a crescerem em todas as direções: para a terra, o escuro e a humidade, e para o sol, o céu e a luz.</p>
<p>São eles poderosos porque chamam, atraem tantos animais, como é o caso da buganvília. “Nós, adoradores dos nomes e de os classificar, os chamamos por abelha, zangão, marimbondo, vespa, colibri, melro, andorinha, cotovia. Chamamos estes nomes e mesmo assim estes seres não vêm. A buganvília, alastrando-se ao longo do muro e afora, jorrando como cascata florida, quando chama a esses seres, à sua maneira, é correspondida.” Não basta a linguagem para comunicar.<br />
O livro, na sua última folha, expressa: “Embora das plantas não saibamos decifrar o idioma ou as palavras, o poeta estuda os ritmos e artifícios desta expressão com afinco. Como as trepadeiras, engenha todo o seu empenho e arte, para por métodos diversos verter o que sente em palavras, e estas enlear na página. A palavra do poeta, seu verso, é percurso repleto de pontos de fixação. Visando ascender à melhor luz, é caminho e arrimo, para fixar-se nos olhos de quem percorre a página. O verso que vem do interior do poeta porventura logra enlear-se no íntimo de quem o lê, até amparar-se em seu coração.” No trânsito constante entre poesia e flora, Mauricio Vieira não esquece o que quer como poeta: que o leitor enleie-se em suas palavras.</p>
<p><strong>Elisa Scarpa</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/o-livro-das-trepadeiras/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Buracos Negros as letras</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/buracos-negros-as-letras</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/buracos-negros-as-letras#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Mar 2026 10:42:24 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=29535</guid>

					<description><![CDATA[Pensar o mundo através das letras, dos números e dos astros. E através da religião da avó que chora, do avô que bebe, da que passa o dia no café e do que deixa bastardos espalhados aqui e além como troféus. Confrontar-se com a ausência de deus e a solidão. Aprender a homossexualidade pelos tímpanos. Ter sempre muitas vidas: a real, a sonhada, a sentida, a desejada, a proibida. Estar em trânsito entre Lisboa, Paris, Torres Vedras, Sevilha, Rio de Janeiro, Aveiro e Mem Martins.
Contado na primeira pessoa, um romance queer, fragmentado, de Ulisses ao Facebook e Instagram, passando pelos anos 80 e 90. Uma ficção autobiográfica organizada por capítulos segundo a sequência do alfabeto. Como um cubo mágico, onde se monta uma face de uma cor e depois se desmancha para ver as outras, de outras tantas cores. Uma tentativa de algoritmo e de organização do mundo a partir da aprendizagem da escrita, onde espaço e tempo são apenas dimensões pelas quais se viaja livremente. O retrato de uma sociedade rural como pano de fundo, de onde emerge um jovem gay a caminho da capital e do mundo.
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>para falar de buracos negros poderíamos começar pelo princípio: alfa + beta &gt; aleph + bet &gt; ab. ou seja, pai e mãe, masculino e feminino, concepção, coração, casa, pão, verdade, verbo. regressar à estrutura — à linguagem antes da linguagem — que permite que algo seja lembrado, organizado e dito. poderíamos falar de uma tentativa de reconstituir a própria origem — não para narrar uma vida, seja ela real ou ficcional, e, na verdade, qual é a diferença? —, mas para pesar, nomear e ordenar aquilo que a constituiu. uma tentativa de voltar ao lugar onde a linguagem começou a formar-se — verbal, afectiva, relacional e eticamente.<br />
as nossas experiências são descontínuas, intrinsecamente saturadas e confusas. e buracos negros dá-lhes uma ordem, cria um dispositivo de justiça íntima. diz-nos: isto é o que precisa de ser dito para que uma verdade se organize.<br />
cada participante de qualquer biografia é, inevitavelmente, um buraco negro: não os conhecemos em si, mas sim as deformações que vão causando. a sua influência não termina com a existência — aliás, a ausência pode ser ainda mais gravitacional do que a presença. sugam tempo, atenção e desejo. fazem colapsar possibilidades. obrigam a que se descreva uma órbita à volta deles, a que se façam ajustamentos. levam ao sacrifício de trajectórias pessoais para que não acabemos destruídos.<br />
o que é que fazemos com os outros sabendo que estamos presos, com eles, num sistema? e o que é que fazemos, mais tarde, quando compreendemos que esse sistema está dentro de outro, talvez ainda mais demente do que o primeiro? e o que é que acontece quando percebemos que não há lugar nenhum fora deles — lugar nenhum garantido?<br />
o primeiro impulso é o desespero. mas ele não resolve nada sozinho. então, pensa. e a resposta que lhe chega parece ser a autoria — ainda que tenha, desde cedo, a cara fixa. ainda que a escrita não resgate nada em absoluto. ainda que as novidades sejam invariavelmente as mesmas.<br />
se existe uma saída, ela é mínima: a capacidade de duvidar, talvez. e a recusa em naturalizar o sofrimento. e a insistência em não tratar os outros como objectos — mesmo num mundo possivelmente falso, cheio de memórias e de fragmentos.<br />
a autoria não nos tira do mundo, é certo — impede-nos de nos confundirmos totalmente com o labirinto.<br />
<strong><del>migue</del>l bonneville</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/buracos-negros-as-letras/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A vida das peles</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-vida-das-peles</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/a-vida-das-peles#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Mar 2026 13:53:16 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=29463</guid>

					<description><![CDATA[Contos sobre trauma, identidade, invisibilidade, violência e resiliência que atravessam as peles ancestrais de mulheres. Peles que se sobrepõem para proteger, para esconder, para expor a vida de manequins manipulados por jaulas internas e por relações de poder, que encarceram.
A autora, nesta coletânea, dá voz a mulheres sem rosto, que percorrem trilhos densos, tentando tratar a gordura visceral em excesso ou a sua ausência, de forma a manter a funcionalidade dos órgãos vitais e a encontrarem o seu reflexo.

—

Lembras-te de quando nem pensavas nas tuas peles? Provavelmente, não. Elas sempre fizeram questão de te lembrar que estavam ali.
Nunca as imaginaste apenas como uma barreira entre o mundo e os teus órgãos.
Lembras-te de a tua mãe ter uma pele por dentro igual à de fora? Acreditavas porque vias. Era irregular, com nódoas negras que apareciam e desapareciam para outras tomarem-lhe o lugar.
Deslizavas os dedos pelas nervuras das suas feridas, como se assim pudesses entender as que te nasciam por dentro.
(...)

(A vida das peles, página 15)

&#160;
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em A vida das peles, Joana Rocha compõe uma galeria de mulheres marcadas pelo trauma, mas que teimam em afirmar-se num mundo que as empurra para o limiar da insanidade.<br />
Os contos exploram relações de poder desiguais — familiares, amorosas e institucionais — e convidam-nos a refletir sobre a forma como essas relações se inscrevem na pele das personagens. A pele que protege e expõe.<br />
A escrita é quase física, sem deixar espaço para subterfúgios. A autora afasta-se da romantização da dor e usa uma linguagem crua, que acompanha a experiência interna das personagens. A voz narrativa mantém-se próxima, obrigando o leitor a sentir a derme áspera do trauma, que talvez em alguns momentos preferisse não tocar. Mas é nesse desconforto que nasce a literatura, e é nesse contacto que a obra nos prende.<br />
Este é um livro sobre mulheres que lutam para sobreviver dentro das suas próprias peles, e que através da voz única da autora encontraram forma de nomear as histórias de muitas mulheres.</p>
<p><strong>Lara Barradas</strong><br />
escritora</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/a-vida-das-peles/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Os veios da invicta</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/os-veios-da-invicta</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/os-veios-da-invicta#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Mar 2026 11:36:27 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=29452</guid>

					<description><![CDATA[Quando Manuel Teles se despede do filho e parte sem dar explicações, o mundo do pequeno Nuno Teles desmorona-se. Mas cedo, no seu lugar, emerge uma história de sonhos, resistência e esperança.
Três famílias, três realidades que se chocam entre o silêncio do campo e o bulício da cidade Invicta. Do Douro ao Alentejo, das ilhas açorianas até à costa da Galiza, este romance cruza gerações, interceptando as suas complexidades. Um retrato cru de uma sociedade que ecoa anseios e tribulações, de quem resiste à indigência e a quem a influencia, num mosaico de histórias tecidas ao longo de um século. O desfecho — vertiginoso, inesperado — expõe o que de mais humano existe em cada um de nós.
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Um romance de resistência, onde a cidade do Porto pulsa como memória e destino, e onde uma nova voz literária se afirma com maturidade rara. Uma estreia literária sólida e comovente, que revela um autor atento às fissuras da intimidade e às origens enquanto matéria viva da escrita.<br />
<strong>Álvaro Curia</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/os-veios-da-invicta/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Parir montanhas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/parir-montanhas</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/parir-montanhas#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Feb 2026 09:56:41 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=29234</guid>

					<description><![CDATA[podia só ser nós a
ser as onças nas
ondas a pular no
ar, chora xuxu,
rabos nudes pele
de golfinho e as
mitocôndrias
milénios de
amizade, célula e
fauna e flora, tudo
é bicho entre o ar
dos nossos espaços, ácaros hackeiam, como não
a língua do vírus concha aberta e nós leitantes
a primeira vacina do mundo veio da vaca, sempre mãe
já no princípio éramos guelra e verbo nenhum

(página 9)
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>
&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Dizem que o raio é um dos criadores. Que a cavalo nele, ela pode aparecer aí em qualquer momento. Que foi assim que eles chegaram, invertendo as ordens. Mas no princípio ela já estava lá. Sentada numa pedra, num tricot muito antigo que junta concha, que afia os ossos em fios muito miudinhos. Nós ainda agora aqui chegámos mas ela já lá estava.<br />
Cátia Sá hidrata a linguagem que, liberta do feitiço do alfabeto, logo expande os seus limites. São os peixes por ancas. São os rios. É o sangue na guelra, é a lava. Pororocou. Pródiga em abrir dois faróis imensos no fundo do fundo, lá onde ninguém quer ir e ela nada, desenvolta. Tudo o que nomeia fica no seu lugar. Isso é mais que uma dulcíssima, bruta ordem — isso é poder. Poder ver. E ainda dá de beber? Isso é mais do que entrega — isso é ternura da crua. Crua mãmã.<br />
Tudo o que nomeia fica em seu lugar: Veja como tudo na sua ausência fica tranquilo, e na presença ganha uma ginga de casquinhos. É um animal, não morde por mal. Catia Sá já veio, foi conjurada desde o poder quando não havia verbo nenhum: atentos à vibração do ronrom que abre as portas, as corolas, os mamilos. Chegou a que vem dar de mamar ao chão.</p>
<p><strong>Maria Archer</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/parir-montanhas/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Anamnesis</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/anamnesis</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/anamnesis#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Feb 2026 11:33:28 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=29046</guid>

					<description><![CDATA[Um jogo? Um reality show? Uma conspiração que envolve os descendentes dos Bandeirantes, grandes patrocinadores multinacionais e a democracia corintiana? Afinal, o que é Anamnesis? Numa trama em que personagens aparecem e desaparecem na velocidade dos anúncios da internet, o leitor, protagonista da história, vivencia esta aventura durante uma semana inteira em uma São Paulo que, de tão surreal, lembra muito ela própria. O objetivo? Decifrar o Grande Enigma, diluído em pistas numa trama alimentada pela paranoia coletiva. Ora conduzido por uma motoqueira misteriosa que engana a própria morte, ora por Fusako, companheira de leitura apaixonada por pássaros, Anamnesis mostra que, em tempos de pós-verdade e necropolítica, nada é tão absurdo que não possa ficar ainda mais.

&#160;
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Anamnesis é uma insurgência textual que transborda. Um corpo linguístico em estado de febre permanente que pulsa, sangra e se derrama para além das margens que tentam contê-lo. Não se submete à classificação de romance, ensaio ou distopia — é uma sublevação ontológica da palavra, um organismo vivo que respira no abismo entre o colapso e a revelação.<br />
Lucas Augusto da Silva não transita entre gêneros literários, mas entre estados de consciência: habita simultaneamente o espetáculo e sua falha, o diagnóstico e sua encenação, o corpo e a interface digital que o devora. Sua escrita é um labirinto onde o leitor não se perde por desorientação, mas por excesso de verdades simultâneas — todas igualmente autênticas e fictícias, como ecoa o mantra que atravessa a obra: “A verdade tem estrutura de ficção”.<br />
No epicentro deste vórtice narrativo não encontramos personagens, mas presenças espectrais que emergem das fraturas entre linguagem e poder. São entidades que carregam nas dobras o peso da história colonial brasileira e, paradoxalmente, a potência subversiva da insurreição.<br />
Anamnesis não pede leitura passiva, exige escuta visceral. Escuta dos ruídos, das repetições obsessivas, dos silêncios ensurdecedores que habitam as entrelinhas. Há nele reminiscências de Hilda Hilst, Roberto Bolaño e Nuno Ramos, mas sua voz é singularmente original — uma voz que transmuta o trauma nacional em matéria-prima estética, que expõe as vísceras de um país que exibe suas feridas em transmissão nacional e disfarça tortura de entretenimento.<br />
A narrativa se materializa como um Ouroboros literário — inicia-se como névoa e culmina como lama — substância primordial que escorre entre os dedos de quem tenta apreendê-la em uma sinopse. Não oferece respostas, apenas perguntas cada vez mais incisivas sobre identidade, memória e os limites entre realidade e ficção em tempos de espetacularização da existência.<br />
Este livro não termina. Como toda ruptura sistêmica autêntica, ele continua a reverberar muito depois da última página, desestabilizando certezas, desorganizando convenções e convidando o leitor a participar de um ritual de passagem literário que é, simultaneamente, um ato político de desobediência textual.<br />
Anamnesis não é apenas um livro. É um território a ser habitado, uma ferida necessária aberta na literatura brasileira contemporânea — da qual emerge uma das vozes mais originais e perturbadoras de nossa ficção recente. Uma voz que não se deixa narrar: tensiona, desorganiza, desliza.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Freda Paranhos</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/anamnesis/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>De uma membrana vítrea nasceram espectros</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/de-uma-membrana-vitrea-nasceram-espectros</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/de-uma-membrana-vitrea-nasceram-espectros#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Feb 2026 10:32:04 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=29040</guid>

					<description><![CDATA[Quem diz uma mulher, diz: falésias horizontais —
uma longa jornada em direção aos meridianos.

(<em>Tempestade solar</em>, pág. 16)
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A tensão que se condensa no vidro, anacronicamente comportando os atravessamentos dos tempos na sua transparência, que muito esconde ao supostamente revelar: é a ilusão angustiada que Erika Rodrigues parece colocar-nos prestes a tocar em De uma membrana vítrea nasceram espectros. Lá, onde os elementos se confundem com movimentos, ritmos e imaginários. O futuro e o passado aliam-se no instante à dissidência do presente, no qual já não se pode tatear, pensar, sentir, senão como uma fratura. Pensa-se o futuro do dizer a partir do retorno hieroglífico à falsa origem da escrita. As ondas deslocam-se, já em movimento, nos cabelos encaracolados conduzidos pelo vento, a desembocar nos grãos de areia deslizantes, que assumem a dissolução e a reconstituição constante de tudo. Enche-se, aos punhados, a boca de uma sinestesia que mistura a chuva com a terra que pressente o choro dos céus. O musgo do Jardim, a ferrugem que se humedece nos pregos, a madeira que estala e se torna carvão, anunciam essa subversão do tempo que passa, marcando a distância necessária para a produção de organismos-palavras, de mofos-flores, que se unem na sua distância, e a despeito dela. A obra compõe-se de quatro momentos, quatro movimentos, quatro gestos dessa fratura vítrea, a partir da qual nasceram os espectros rebentos, que carregam a membrana-translúcida, o corpo-terra, as formas-dispersão e o peso-corte. Em “Teu corpo de ondas, Helena”, as planícies, os campos, os ventos, os mares amalgamam-se com a indecidibilidade e a esperança da matéria em um dia chegar a ser inteira. Em “Tua boca de terra, existe”, o corpo, já despido da sua pele, choca-se com a metamorfose fértil do seu futuro, que permanece promessa. Em “Tua forma, incógnita”, estes deslimites são testados na transparência que vela a inefabilidade para, enfim, em “Teu peso humano, espada”, sentir o espectro a assombrar esse devir com passados intocáveis, exceto por seus rastos em musgo, mofo, fungos, sarcófagos e subtração. A poesia de Erika Rodrigues espanta ao inscrever-nos num movimento que não cessa e que nos joga ao mar, de frente à miragem de um dia, enfim, tocarmos o dedo de Deus.</p>
<p><strong>Mayara Dionizio</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/de-uma-membrana-vitrea-nasceram-espectros/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Pérolas e malaguetas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/perolas-e-malaguetas</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/perolas-e-malaguetas#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Jan 2026 10:10:05 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=28918</guid>

					<description><![CDATA[nem tudo o que arde
está em chamas
o silêncio queima

(página 18)
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Não há elefantes na sala, há grãos de areia. A engrenagem para, o olho lacrimeja. Parece tolo, inocente, inócuo, mas basta para gerar incómodo. PÉROLAS E MALAGUETAS é um jogo de palavras, um conjunto de poemas curtos e aforismos, que evocam a brevidade da linguagem. É a recusa do enorme, agigantando o minúsculo. Poemas não-poemas, não-sistema, não-restritos, não-específicos, o léxico brincando às escondidas, esconde-esconde, a efemeridade. Um lugar de possibilidades acessíveis, uma ponte para a marginalidade das reflexões sobre a vida, o tempo e as emoções. O livro captura o pestanejar, o estalar de dedos, o voo dos pássaros numa gaiola com a porta aberta. Os seus não-textos não se constroem no excesso, antes se excedem na fricção do gesto. A brevidade não é economia formal, é uma posição ética que valoriza o que passa depressa, mas deixa marca suficiente para o regresso. Desperta a delicadeza e a ardência, o brilho e a ferida, o que alimenta e o que provoca. A linguagem aproxima-se da oralidade, mas não se acomoda — brinca, desloca-se, incomoda. Pérolas ornamentam, malaguetas inflamam. Não existe uma linha reta nem promessa de futuro, aceita-se o instável como o equilíbrio possível,<br />
uma leveza que não ignora o peso do perigo do que é exposto. Irónico, repetitivo, conflituoso: o atrito como abrigo para a desconstrução do que é imposto. Não há progenitores, nem prole. Há linguajares, linguarudos, dando à língua, recusando normas fixas e sentidos únicos. PÉROLAS E MALAGUETAS não oferece respostas estáveis nem estáticas, mas um desconforto fértil à construção contínua de quem o lê. A palavra é molde e matéria.</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/perolas-e-malaguetas/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>E se a orelha disser porque não sou olho</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/e-se-a-orelha-disser-porque-nao-sou-olho</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/e-se-a-orelha-disser-porque-nao-sou-olho#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Jan 2026 09:41:05 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=28885</guid>

					<description><![CDATA[quis prestar-me à gesta do corpo
a sucessão do cordão que amarra a minha boca
à minha mão
escrever com cuspo
o idioma em contração
real
como a trama da pele.
talvez por ser a verdade que ainda nos resta
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A tua imagem a juntar papéis, a erguê-los como paredes e a riscá-los, dias a fio, durante anos, com canetas coloridas roubadas de supermercados. Agora sei, que, ao toque amoroso das tuas mãos, as canetas se faziam tesouras.<br />
Não as tesouras das barbáries, as que nos levam as mães pelo umbigo. Mas as tesouras com que lhes respondes. As tesouras com que, à falta de dentes — poeta desdentada —, recortas versos de folhas caídas que depois colas com cuspo, nos buracos da carne. E tua árvore genealógica brota em copa, como uma nuvem de clorofila e purpurina.<br />
Lembro-me de, numa manhã de Agosto, em Sines, ver-te de touca de natação na cozinha, a recortar cartolinas amarelas, rosa e verdes. A casa é um organismo. Precisa de rotinas de cuidado diário: composição e compostagem — processos biológicos através dos quais as poetas transformam a verdade numa substância semelhante ao solo. O húmus é a “trama da pele”. É um “ainda”, o “ainda” do que é recortado, como um poema ou um desenho. A compostagem e a composição, parto e invenção, são costuras universais. Ligam infinitamente o mundo para o manter vivo. Só elas, as verdades sujas, não morrem.<br />
Compostar e parir são também gestos de vidente. São trabalhos de antecipação. Enquanto actos de fé, acontecem numa espécie de confiança no que depois se tornará visível. As videntes vêem com o ouvido o que espera ser dito para nascer.<br />
Dizias que não podias ter um emprego a tempo inteiro porque precisavas de investigar. Saltavas de sofá em sofá a pensar a infância em Walter Benjamin, qual forma de garantir a subsistência. É que tu começas sempre pela copa: primeiro os papéis, depois o pão. Estavas a ouvir os papéis como mesa posta para o pão. E o pão apareceu. E este livro também. És afecta e devota a tudo quanto te brilha no peito. Cumpres esse destino que, quando deixamos de brincar passamos a temer, ou antes, a deixar de ouvir. Mas tu não.<br />
Sentada a meu lado no degrau do canteiro, nosso posto secular de observação e costura, na Avenida de Berna, disseste que estes poemas te eram próximos e que talvez fosse mais importante dar a ler coisas que nos sustentassem os dias.<br />
Irmã, tu mostras como é preciso que não nos roubem o peito e o saco das lágrimas a caminho de casa. Qual política que não seja a dos nossos dias?<br />
Não perder as pedras, as pernas, remendos de perdas, e o pedido das mães. Cantar às casas ao passar, e em jeito de provocação, subir a saia, mostrar-lhes as musculadas pedras, as perdas, maiores, mais rijas, medidas em tempo geológico. Lançá-las aos retratos familiares e mostrar-lhes a verdade de vidro. Chegar ao quarto, já sem uma ou outra veia do nariz, sem dente nenhum, recortar e oferecer. Preservar a vontade musical. E um caderno aberto sobre a cabeça, como um telhado.<br />
<strong>Raquel Luís</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/e-se-a-orelha-disser-porque-nao-sou-olho/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Ping Pong</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/ping-pong</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/ping-pong#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Jan 2026 12:16:33 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=28835</guid>

					<description><![CDATA[Nesta coletânea vibrante, reúnem-se os textos que Luís G. Rodrigues publicou entre 2021 e 2024 em jornais e revistas como o <em>Fantastic</em>, o <em>Público</em>, o <em>Observador</em>, o <em>Record</em> e a revista <em>Comunidade, Cultura e Arte</em>.
Com perspicácia crítica e um olhar simultaneamente lúcido e afectuoso, o autor devolve-nos o retrato de um país em movimento: da política ao futebol, dos dilemas da juventude ao quotidiano de quem pensa Portugal nesta década de 2020.
<em>Ping Pong</em> é mais do que uma sucessão de crónicas — é um diálogo vivo com o leitor, um jogo de ideias e emoções que capta o pulsar de um tempo cheio de interrogações, contradições e esperanças.

&#160;
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Abrir um livro de crónicas do Luís Rodrigues assemelha-se à sensação de abrir a janela do quarto com os primeiros raios da manhã: a realidade de um novo dia entra sem pedir licença, mas entra com alguma graciosidade. O Luís olha para o agora com a atenção de quem não deixa nada passar (nem a política, nem o absurdo, nem as pequenas tragédias domésticas), e devolve-nos tudo em modo de crónica recheada de um humor refrescante e inovador. Pelo caminho, há comida, porque pensar também se faz à mesa, há futebol e há o nosso provincialismo português, esse bicho tão familiar que tanto dá ternura como dá vontade de o contrariar. E, claro, há sombras boas da literatura portuguesa a acompanhá-lo. Não para os imitar, mas para lhes responder.<br />
E é aqui que este livro acerta em cheio. Vivemos um tempo que se vai tornando mais impaciente, mais polarizado e mais cansado. Neste tempo, o humor não é um enfeite, mas antes uma ferramenta de sobrevivência. Rir, hoje, pode ser uma forma de resistência, mas fazer rir enquanto se comenta o mundo exige um sentido crítico afiado, um otimismo teimoso e uma coragem de não desistir das pessoas, mesmo quando tudo parece empurrar para o cinismo. O Luís escreve desse lugar raro: o de quem percebe o que está errado sem perder a capacidade de gostar do que ainda está certo.<br />
Talvez por isso a escrita dele tenha esta sensação de precisão, como se fosse impossível dizer “quase” a palavra certa. O Luís lê muito. Conhece o livro como um cirurgião que tem de mexer no mesmo órgão cinquenta vezes por dia e, depois de décadas de repetição, já conhece os corpos de cor. As palavras, para ele, são família próxima. Ele trata-as pelo nome, sabe onde doem, onde curam, onde fazem cócegas. Daí dizer, ao abrir este livro, sem grande medo de parecer exagerado, que estamos perante o futuro da crónica em Portugal.<br />
Mas o que une estas crónicas, por baixo do humor, da ironia e da lucidez, é uma espécie de bússola íntima que recusa a desumanização fácil. É isso. Este livro não quer apenas ter razão; quer continuar a reconhecer gente dentro da gente. E, honestamente, nesta época, isso é uma forma bonita, e rara, de se ser muito corajoso e “radicalmente humanista”.</p>
<p><strong>João Miguel Miranda</strong><br />
Professor de Português e membro do Secretariado da Juventude Socialista de Lisboa</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/ping-pong/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Assovio</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/assovio</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/assovio#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Jan 2026 16:51:35 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=28590</guid>

					<description><![CDATA[Há tantas flores aqui.
Eu e você somos homens que adoram jardins.
Homens que gostam de pôr os pés na terra.

Arruda e liamba derramadas sobre as nossas cabeças,
a janela aberta toda para Olinda.

Os blocos de frevo passando inocentes lá fora.

(<em>Ervas de cheiro</em>, página 23)
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“Escrever é transcender a si mesmo para chegar a ser quem se é, mas ainda não se sabe”, disse a escritora argentina Sara Gallardo. É o que faz João Pereira Vale Neto neste seu Assovio, coletânea com 134 poemas que revelam, nos seus diferentes tons e registros, uma busca incessante por si próprio, um eu verdadeiro e ainda desconhecido — do qual o leitor se aproxima e depois se afasta.<br />
Como numa dança, somos convidados a acompanhar o ritmo e o corpo dos textos: “Até que a lágrima acabe, ninguém sai dessa pista/ Dançamos juntos”, escreve João. Nesta dança, entre o mundo interno, do autor, e o externo, trascendemos com ele. Os corpos ocupam um território familiar — Recife, Olinda, Porto, ruas, parques, praças, sonhos —, e mesmo num terreno conhecido é possível se perder. Depois nos situamos outra vez: também nisso consiste dançar.<br />
Transcender, aliás, é a palavra certa para tratar de vários dos textos que você, leitor, tem em mãos. Ao eu, aqui, é permitido tornar-se outro: “virei uma górgona, passei a gostar de assustar todo mundo”; “Virei esse homem, meio bicha/ Meio máquina/ De exibir filmes”; “Eu me via como Afrodite selvagem e gorda/ Cheia de risos/ A caverna dos segredos” – são pistas dessa transcendência. Para chegar a ser quem se é, João parece nos dizer, é preciso transmutar-se em outros seres. Em Assovio, aquele que fala (estamos prestes a conhecê-lo) está em constante transformação.<br />
Também a voz de João se metamorfoseia em outro som. Ao longe, ouvimos ecos de um assovio. No poema “Busca” (que também poderia ser o título de uma seção inteira deste livro), escreve o autor: “Eu corri uma serra inteira em busca desse assovio/ E ele não estava lá/ Que estranho é gostar de alguém”. Assovio-afeto formam a caixa torácica do poema, que expande e se contrai diante dos nossos olhos e ouvidos.<br />
O dueto é retomado mais adiante no livro: “Quando precisar, assovia”. E, nós, leitores, assoviamos. Sinalizamos, sem saber por que o fazemos, que precisamos. Queremos seguir a voz, transcender com ela. “Sim, quero que cada leitor receba esses poemas secretando algo”, deseja João, a certa altura. E por diferentes que sejam os segredos, a depender de quem lê, nós os escutamos e lhes damos nossa própria forma. É também isto que faz a poesia: devolve-nos a nós mesmos.<br />
Agora abra esta caixa de sapatos — imagem que percorre todo o livro, indício daquilo que coletamos, guardamos e escondemos — e veja o que tem dentro dela. Seja por um instante o eu e o outro. Apaixone-se, se possível. Porque o Assovio de João é sobretudo sobre isto: o percurso de um amor.</p>
<p><strong>Leonardo Piana</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/assovio/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>História das sombras do monte</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/historia-das-sombras-do-monte</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/historia-das-sombras-do-monte#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Nov 2025 09:59:51 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=28064</guid>

					<description><![CDATA[O meu berço foi um sobreiro enviesado
que me acariciou o seio inanimado.

Eu, ruína de um monte,
perene ao tempo, espero.
Trago por manto a geada e nuvens,
esburacado o teto.

As ovelhas que passam
alimentam-se das ervas
que me crescem nas paredes.

Depois, muito gordas
a comer bolotas,
que me decoram o chão,
rebolam pelos campos
e transformam-se em cadáveres.

Assim sou eu. E as ovelhas
réplicas sombrias de mim.
Morro com elas.

(<strong><em>Primeira sombra que foge ao sol</em></strong>, pág. 31)]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Na pele e no corpo de Madalena Maria, encontramos uma mulher que é todas as mulheres. Nas sombras que são a pele e o corpo que restam depois do desfazer dos seus sonhos, o destino possível de que toma posse, encontramos a escuridade cuja travessia é tantas vezes cruel, tantas vezes inevitável, tantas vezes transformada em algo outro. Um lugar novo de existência e de criação. Um tempo, ainda assim, luminoso.<br />
Na resistência serena e silenciosa de Madalena Maria, encontramos a história da face feminina do mundo, arredada de decidir sobre si e sobre tudo o resto. Arredada da importância que lhe é devida pela medida do seu número, da sua força, da sua vontade, do seu direito.<br />
“Os homens não gostam de futuros fugidios que pressagiem destinos livres de medos”, diz o poema, que é parte de uma história que conta uma vida que são muitas vidas e que reclamam uma igualdade e uma liberdade que respiram na ausência de medo. Respiram de pés descalços enterrados no pó, de solidão assumida, de cabelos revoltos e de desfazer de ideias feitas. De gestos corajosos, no trabalho como no amor. De compaixão e de sobrevivência, de pensamento e de exaltação.<br />
A escrita da Lúcia Vicente traz os sentidos colados ao chão, na escuta e na sensibilidade do pulsar da luta pela dignidade de todos os seres humanos, pela existência em respeito, paridade e liberdade, horizontes verdadeiros que aqui se apontam no fim de um caminho percorrido em ficção e em poesia. Porque as palavras têm o poder de tocar a alma de quem as lê ou escuta, de quem se deixa transformar. Têm o poder de partilhar a sombra e a vida de outras árvores, de partilhar a luz de outras estrelas e de abrir novos caminhos. Porque as palavras são impossíveis de destruir: metade sombra, metade sopro, metade sonho.<br />
Hoje, como em cada momento da História em que as ameaças rosnam perto e as conquistas parecem prestes a sucumbir, o testemunho em revolta e afronta de Madalena Maria é ainda mais importante. Porque nos embrulha as entranhas e nos faz cerrar os punhos. Porque lhe reconhecemos verdade. Porque olhamos à nossa volta, observamos e escutamos e lhe reconhecemos ainda mais verdade.<br />
Entre pó que se solta da terra, estendendo a foice às hastes de trigo, ou na frente de um caderno, estendendo as palavras ao verso, personagem e criadora, inspiração e narrativa, unem as vozes que interpelam quem as lê. Convocando a força ancestral de mulheres tão comuns como extraordinárias, convocando-nos a nós também, a escrita da Lúcia Vicente ganha pele sensível e corpo concreto. Deixa de ser sombra, passa a ser vento.</p>
<p><strong>Raquel Patriarca</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/historia-das-sombras-do-monte/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Microfábulas ou poemas disfarçados de animais</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/microfabulas-ou-poemas-disfarcados-de-animais</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/microfabulas-ou-poemas-disfarcados-de-animais#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Nov 2025 12:53:54 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=27828</guid>

					<description><![CDATA[Rosa Maria era uma gaivota. tinha uma mancha vermelha na ponta do bico, provavelmente de ketchup do McDonalds. Rosa tinha uma predilecção por restos dessa cadeia americana de solas de sapatos. e achava que lhe ficava bem aquele apontamento impressionista no bico. imaginava-se uma sufragista do início do século XX e as asas cresciam-se-lhe além das nuvens. sempre pensei que não há gaivotas macho. continuarei a pensar assim.

<strong>(<em>Gaivota</em>, página 24)</strong>
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Escrever para ser livre, ser livre para se escrever como e onde e com quem se quiser, é privilégio de poucos em tempos como estes, cheios de espartilhos obrigatórios, na vida, nos dias e, naturalmente, nas literaturas e dizeres. A escrita de Francisco Coelho Neves é um acto de rebeldia do princípio ao fim, e ao mesmo tempo, um gesto de intimidade com tudo aquilo que habita em nós e não nos atrevemos a partilhar. Como o elefante de Van Gogh que se esconde atrás dos girassóis, em microfábulas. Como Adélia, em livro do futuro, oriunda de parte nenhuma e, no entanto, prima do homem ruivo de Daniil Kharms, irmã de um rinoceronte muito Ionesco, comadre de uma tisana de Hatherly. Ler estes micro-contos é como exercitar o cérebro a sair fora da caixa, fora da matemática, fora dos dias que nos obrigam a deixar de sonhar.<br />
<strong>Patrícia Portela</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/microfabulas-ou-poemas-disfarcados-de-animais/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Um whiskey com duas pedras, por favor.</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/um-whiskey-com-duas-pedras-por-favor</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/um-whiskey-com-duas-pedras-por-favor#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Nov 2025 10:38:59 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=27763</guid>

					<description><![CDATA[se em vez de dormir estivesse caída
a posição horizontal como queda
acordar seria vitória
o despertar um ato de resistência
cada dia construção
o futuro principia no colapso.

(página 61)
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>um whiskey com duas pedras, por favor., o primeiro livro de poemas de Irina Chitas, contraria a ligeireza com que a poesia circula hoje. Ao mesmo tempo, torna-se irresistível o desejo de sublinhar todas as frases, de as repetir a alguém, de as não esquecer. Os poemas habitam o quotidiano e o desvio, a loiça por lavar (“aqueles restos de tomate que têm restos de nós”) convive com os grandes temas do mundo — o amor, a morte, a solidão —, palavras encostadas umas às outras como ténis ao lado de livros. “Se calhar o amor é isto. as minhas palavras aos teus pés”. São poemas curtos, poemas longos, poemas que nos fazem dançar com a língua pelos cantos da boca, tropeçando sobre a brancura das páginas numa oralidade desavergonhada que soa a conversa interior, monólogo num registo da quase-banalidade que nunca o é, um jeito de dizer o poema com o olhar. Seria um erro resumir este um whiskey com duas pedras, por favor. como um livro de poemas sobre o amor, mesmo sendo-o em alguns dos seus mais iluminados momentos. Ao lado deles, estão outras inquietudes, reflexões sobre promessas da vida contemporânea, sonhos de revolução, recomeços sem princípios, sentimentos que não são alheios às convulsões políticas do mundo.</p>
<p>Entre o humor e o desalento, percorrer estas páginas é galgar ruas conhecidas, mas também territórios sombrios, mergulhar no passado, mas insistir em avançar. O tempo, ora cúmplice ora carrasco, deixa que cada verso se torne um impulso. Pelo meio, a cidade desenha-se enquanto as sombras dos casacos desfocados se perdem no amanhecer. “Estava sozinha em casa e escrevi. acho que é a isto que sabe a solidão. ou a liberdade”.<br />
Se há livros que desviam o curso de uma leitura contínua, há outros que ecoam de tal modo em nós que nos atingem como farpas, que nos reorganizam por dentro. E que, na melhor das possibilidades, como aqui acontece, nos fazem acreditar que “o poema é não estarmos sozinhos quando nos falta a voz”.</p>
<p><strong>Joana Moreira</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/um-whiskey-com-duas-pedras-por-favor/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Exercícios de observação</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/exercicios-de-observacao</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/exercicios-de-observacao#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Nov 2025 19:24:23 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=27729</guid>

					<description><![CDATA[Caminho de volta. A sombra é invertida. Agora já são mais de 60 borboletas. Parei de contar quando uma estava para morrer. Não tive coragem de guardá-la.
Estou numa porção de terra cercada de água por todos os lados, menos um, ligado ao continente. Quase ilha.
O cheiro de mangue ativa alguma parte da memória e me joga para longe. Precisamente dez anos atrás. A incompatibilidade entre o tempo corrido, o vivido, o lembrado, o esquecido, o sonhado. Pessoas e lugares que não posso resgatar. Pequenos falecimentos coletivos. (...)

(<em>De murunduns e fronteiras</em>, 2010)
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Não são evidentes as relações entre a arte e a escrita. Saindo do campo tradicional da crítica e da história, geralmente lemos mais textos que informam sobre uma obra do que aqueles que seguem contribuindo para abrir ainda mais o que pode estar em jogo. No caso de artistas que escrevem sobre os próprios trabalhos, esses produzem com uma liberdade rara, já que não há fórmula prévia para uma escrita desse tipo. Do teórico ao telúrico, eles conseguem produzir algo que, neste livro de Luiza Baldan, é precioso: fazer com que as palavras sejam parte de um tempo espiralado que atravessa duas décadas e seis países.<br />
Com uma rara capacidade fabuladora, Luiza Baldan é esse tipo de artista que faz da escrita uma eletricidade plástica. Em outras palavras, quando lemos os textos deste volume, cada um dedicado a uma série criada pela fotógrafa, as imagens ganham outra voltagem. A excelência literária, sua liberdade de estilo pra cada situação (autobiográfico, jornalístico, poético, investigativo), a beleza original das imagens construídas, tudo isso expande cada foto e vídeo associados pelos títulos àquelas escritas. Se a maioria de seus trabalhos são dedicados a espaços, arquiteturas, geografias, seus textos mergulham em retratos humanos, desnudando anônimos e nos tornando íntimos do que não vemos.<br />
É como se a escrita de Luiza fosse uma contra-pele de suas imagens, pois ela aguça os sentidos e nos fornece um laço sensorial com o visto. Passamos a ouvir os sons, sentir as texturas e perceber os cheiros em cada fotografia. Em suma, como diz a autora, “de histórias vivemos mais que de imagens”. E são as histórias sobre a História, as fabulações que falam do tempo — de sua perda, mas também de sua busca — que transformam as imagens em recortes de algo sempre maior. Talvez seja esta a singularidade da arte de Luiza: a imagem não basta, e a escrita só existe porque há imagens para serem feitas. Uma simbiose que produz um arquivo incompleto, porém perfeito em sua incompletude.<br />
Se as suas fotos são afirmações autônomas de uma força plástica na história da arte, seus textos são peças impecáveis em sua força escritural. Cada um deles conta uma história em si, sustenta uma narrativa delicada de uma artista em trânsito, sempre aberta ao novo e sempre perplexa com o comum. Em um mundo cujo sentimento de perda é constante, Luiza Baldan escreve para que o tempo não seja apenas aquilo que se esvai, e sim o que, ainda, se pode.</p>
<p><strong>Fred Coelho</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/exercicios-de-observacao/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Traslado</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/traslado</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/traslado#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Oct 2025 13:41:05 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=27508</guid>

					<description><![CDATA[edição <span data-dobid="hdw">bilíngue</span> – português e inglês

–

imagina silenciar os motores
as buzinas
as peças soltas que chacoalham
as portas emperradas
as instruções estúpidas
as notificações alarmantes
os anúncios
as sirenes
o som dos passos
meus e dos outros
(...)
(<em>cállete</em>, pg. 25)

<strong>–</strong>

imagine silencing the engines
the horns
the loose pieces that rattle
the jammed doors
the stupid instructions
the alarming notifications
the ads
the sirens
the sound of footsteps
mine and others’
(...)
(<em>shup up</em>, pg. 86)
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Atenção passageires, última chamada para embarque nessa viagem que abre rotas entre barcos, ondas sonoras, aviões, karaokês, caminhões de lixo, pistas de corrida e de dança — e também alcança lonjuras de pedra parada, reverberando voos silenciosos nos recônditos canteiros de si mesmo. Traslado é bordado de som e palavra, tecido em conversas e observações, sempre na abertura para o encontro. Um lembrete de que estamos de passagem e que o melhor a fazer é partilhar a jornada, aprender de outras gentes: crianças, idosos, rochas, pombas-relógio e o que mais pintar.</p>
<p>Estamos diante de um vulcão que observa, escuta, questiona, conecta, transgride, jorra e escreve. Bruna Castro escreve muito. Escreve como escape, carregando contrabando imaterial que entra nas fronteiras, infiltrado e imigrante. Ela escreve, entre lenguas, across the oceans, tecendo alas dans l’aire, encontrando gente da mesma laya, primavera nos dentes, metal e crocs no pé.</p>
<p>Em Traslado, Bruna segue a intuição das andanças e “cria a própria subtitle”. Dá a letra e nos faz chafurdar nos Ks (tenho certeza que foi ela que inventou o meme “kkkkrying”), enquanto concordamos que podemos viver sem alguns Zs, embaixo do solinho português. Na cisma, ela cava buracos com a própria língua, cria nós &amp; mezcla tudo com farinha, borrando fronteiras. Sem sutiã, pero siempre com insistência.</p>
<p>Se o narrador arcaico (camponês e viajante) de que nos fala Walter Benjamin contava histórias com a alma, o olho e a mão, em Traslado temos uma narradora artesana, tecnológica y queer feminista, de bruxismos guturais, que escreve com o labirinto, os dentes e a garganta. Ela fala, “e, como toda mulher que fala, é mal interpretada”. E então ela fala de novo (“entra muda e não sai calada”!). Ela quer ser ouvida tanto quanto um homem.E então, quando é preciso, ela GRITA. Grita do fundo da gruta, no “gozo dos prazeres que saem da garganta”.</p>
<p>É claro que neste traslado também há silêncio. O silêncio é bem-vindo, quando cala a máquina, os jet-skis, a turba das metrópoles, a avalanche incontrolável do capital. O silêncio abre brechas de espanto nas fendas das rochas. E de repente, sob o céu estrelado da praia, podemos viver de luar e sardinha, como Mariella, e de manhã mergulhar na quietude das ondas, concordando com os olhos que é demasiado “cedo para falar alto”.</p>
<p>Decantado o silêncio, podemos rompê-lo novamente, na entrega às descobertas, abrindo conversas com estranhos mientras esperamos o ônibus, o autocarro, a roupa por lavar.<br />
O silêncio se rompe nas miudezas da fala, nas diferentes estratégias de small talk e nos modos de demonstrar gentileza entre desconhecidos, matéria que Bruna Castro investiga tão bem. O que faz uma pessoa desconhecida virar conhecida, amiga, parceira? Na troca, podemos encontrar hérnias e hiatos em comum, construir vínculos, pares, comunidades.</p>
<p>“Wanna scream together?” Não há melhor convite neste traslado alto astral. A vida é finita, então toca gritar junto e aproveitar os encontros, pois pode ser que nunca nos vejamos de novo. Me joga pra cima, que te jogo também. E quem sabe, como disse o sr. Antonio: “ya nos veremos en el cielo!”</p>
<p><strong>Flora Lahuerta </strong><br />
(aeroporto de Roma, julho de 2025, depois de comer um tiramisù)</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/traslado/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Pesquisa poética de vida com janelas abertas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/pesquisa-poetica-de-vida-com-janelas-abertas</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/pesquisa-poetica-de-vida-com-janelas-abertas#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Oct 2025 10:50:03 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=27327</guid>

					<description><![CDATA[Tem paredes de cal e sol dançando na cal, e notícias de festa em todas as páginas do jornal. Não há dores de joelho nem chuva no Natal. Engole-se a maldade com o pão, e o pão nunca se conta a menos dos que se precisa de contar. E quando dizemos “até à próxima”, nunca é um adeus para tão longe assim, e tudo o que é esquecido é perdido por bem,

foge apenas para adoçar o seu voltar.

(O lugar mais seguro do mundo, página 20)
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O bule de chá e a chuva guardam<br />
escoam e sopram os fumos da memória.<br />
e depois passa. Assim se fazem as tréguas<br />
com o que foi e o que será.<br />
Chega-se a casa. Constrói-se a casa como<br />
uma história que é contada: era uma vez,<br />
felicidade sempre.<br />
Felicidade, pelo menos uma vez.<br />
Lava-se o bule, limpa-se a verdade das janelas<br />
e convida-se o ar fresco a entrar.<br />
Nas ruas, quem caminha segue rotas mil-vezes traçadas, e refaz-se de novo sob uma luz que sempre se multiplica. O espaço doméstico não consegue escapar da sua qualidade de lugar-cidade, a alma foge e retorna à sua condição de corpo domesticado.<br />
E, no entanto, entre todos os lugares do mundo, existe sempre o espaço da memória, mais real do que os outros.<br />
Pesquisa poética de casa com janelas abertas é um estudo sobre o ato da atenção. A atenção faz os dias e os lugares, constrói a poesia de todas as pequenas coisas.<br />
Entre revolta e desapego, estes textos são um retrato da tensão interna do pós-quarentena. Todas as referências familiares transformadas (reveladas) em pontos de pressão.<br />
A objetificação do próprio espaço-tempo permite fantasiar, caminhar entre projecções, capturar autoridade sobre a linguagem como instrumento de análise do Antropoceno. A materialidade dos objetos e as irrealidades da memória coexistem num único espaço, por vezes num único instante. É essa faísca que o poema olha de soslaio, sem segurar com tanta força que fuja.<br />
E, no entanto, o convite que o mundo nos faz de o ocupar é algo solene, repleto de rituais. Todas as coisas comuns são, pelo menos uma vez na sua existência, capazes de produzir ternura. Este livro é um inventário de afetos e olhares, faz-se relato de um passado possível.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/pesquisa-poetica-de-vida-com-janelas-abertas/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Os meus mortos pedem nomes</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/os-meus-mortos-pedem-nomes</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/os-meus-mortos-pedem-nomes#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Oct 2025 14:57:07 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=27278</guid>

					<description><![CDATA[Ainda estou juntando os pedaços das histórias dos meus mortos para dar sentido à minha existência e entender a bagagem que carrego, de emoções, pensamentos e comportamentos que me constituem. Minha mãe faleceu deixando quatro crianças pequenas. Assim como a minha avó, ela nasceu numa fazenda, no sertão mineiro. E não sei onde. Sou a primeira geração da minha família materna a nascer fora das terras de outrem, da moderna <em>plantation</em>. Sei pouco ou quase nada da sua infância, a não ser o fato de ter sido extremamente miserável, marcada pela fome e pela violência do patriarcado, da própria família e dos patrões.

(<em>Resquícios</em>, página 29)]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O “não dito” é a principal causa de morte no Brasil. Ele é agente de AVCs, infartos, depressões, ansiedades, esquizofrenias, drogadições, alcoolismos, assassinatos, suicídios. O “não dito” é um sintoma social que não passa, uma dor, uma doença que não se cura. E, evidentemente, nesse “não dito”, cabem inumeráveis memórias de histórias e dores transgeracionais de um Brasil concebido “no laço e no relho” de ventres infantis, impedidos ao aborto e forçados a gestar um “arremedo” de nação.<br />
O Brasil é um território sem afeto e, por isso, sem povo; emudecido e, por isso, sem memória; torturado e, por isso, sem desejo. E é na contramão do esvaziamento e da morte que a narrativa de Fabiane Albuquerque emerge como um berro. Poderia chamar de grito, mas, o que cabe aqui é o berro. Um som desesperado que tenta dar significado ao que sequer sabe o que é, ainda. É raiva? É ódio? É revolta? Não sabemos. Mas, indiscutivelmente, é impossível não ouvir esse brado que faz nascer o “sujeito” daquilo que está historicamente abjeto.<br />
Os meus mortos pedem nomes não é apenas um livro, é um ritual de invocação. Fabiane Albuquerque ousa, a partir do seu “ebó” em forma de narrativa, trazer ao estado de individuação a massa disforme de almas negras e indígenas feridas que, destituídas daquilo que nos faz humanos — o reconhecimento — vaga errante à margem da História. Aqui, não jazem mais escravos. Mas nascem histórias.<br />
Em Os meus mortos pedem nomes, o berro se torna brado de revolta, a carne se torna palavra e a ferida aberta se cura. Agora, nomeadas as dores e reconhecidas as memórias, enfim, os nossos mortos poderão viver através de nós e, assim, descansar. E nós, quem sabe, poderemos sonhar! Narrado o passado, enfim, podemos construir um presente e ter um futuro onde Brazilina, Lurdes, Maria Eulália, Conceição, Alice, João, Abel, Aminto, Avelino, Antônia, Jorge, Miguel, Isabel, Rosineide&#8230; Possam ser concebidos do consentimento e do amor, nascer e serem cuidados, crescer e serem amados, envelhecer e serem colocados com carinho na cama quentinha. Um futuro onde nós, que hoje narramos histórias, possamos ser mais que recordação, mas “relicários” nas existências de “alguéns” com nome, sobrenome e lembrança.</p>
<p><strong>Thaíse Mendes Farias</strong><br />
professora de psicologia da Universidade Federal de Pelotas</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/os-meus-mortos-pedem-nomes/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Teto baixo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/teto-baixo</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/teto-baixo#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Oct 2025 14:12:05 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=27270</guid>

					<description><![CDATA[não é verdade que não estou tentando agradar ninguém
a chuva sim não está tentando
a chuva não para de chover porque não tem motivo
o coração parado onde está
quer cumprir
um dos sonhos hoje mas não sabe qual
algum delírio salivado do meu carinho
mas não qualquer
jesus por sua vez parecia saber
exatamente o que queria]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Um teto baixo num apartamento alugado, um teto de nuvens baixas encobrindo o céu. Existe algum espaço para sair voando, mas não muito. Existe ainda espaço para respirar, para fazer acrobacias e aventuras, só não dá para enxergar muito longe. Olhar para o teto à procura de sinais do próximo mundo, porque neste a água já está batendo na bunda. Pelo menos continuamos lavando as nossas fronhas.</p>
<p style="text-align: justify;">Alguém procura você, mas não sabe se você existe. Alguém sabe muito bem que você não existe e continua procurando assim mesmo. Uma troca infinita de mensagens, um homem que não responde, um terceiro encontro adiado para a próxima encarnação. Uma nuvem de nudes, um bosque de dick pics, um poema de amor sem segundas intenções. O périplo interminável dos bares de homens da cidade. Um homem luminoso que não esfarele na mão. A palavra “gay” significa “alegre”, ou deveria significar.</p>
<p style="text-align: justify;">O café não salva, os livros não salvam, a internet é infinita, mas não salva. O sexo por si só não salva, mas o contrário do sexo ainda menos. A pornografia é barata, coisificante e irrealista. Os aplicativos de date são ansiogênicos e homogenizam os indivíduos. A palavra “queer” significa “estranho”, ou deveria significar.</p>
<p style="text-align: justify;">Patinar num gelo que está rachando, ou lutar na lama do cansaço coletivo. Esticar os braços para que alguém nos resgate da enchente, ou construir um navio juntos para o próximo lugar. O fatalismo como um movimento de alívio, de se libertar do peso do futuro. Uma erótica do amor aos fatos, uma lírica da chuva e dos chuveiros, uma comédia do pavor e do pânico. Um inventário de afetos inventados, em tempos em que o teto parece estar sempre à beira de desabar.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/teto-baixo/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Um nó apertado</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/um-no-apertado</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/um-no-apertado#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Oct 2025 14:56:11 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=27203</guid>

					<description><![CDATA[Eu estou aqui para uma coisa que eu não me lembro exatamente qual é, mas que tem a ver com qualquer coisa sobre a falta de memória e de como a aceleração dos tempos, combinada com a falta da memória e a imponderabilidade do fim, nos traz um vazio qualquer.
Eu sofro disso.
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Teatro é isto: encontros. Entre encenador e dramaturgo, entre encenador e atrizes e atores, entre cenógrafos, coreógrafos, iluminadores, músicos. Encontros entre cena e público. É um espaço/tempo de encontros, contatos, diálogo. Ao trilhar os caminhos para o e no palco, sempre haverá muitos encontros. Um desses, em minha vida, foi com Lígia Soares, em Portugal, em um projeto que envolvia em uma equipe portugueses, brasileiros e santomenses.<br />
O encontro com uma nova dramaturgia, fascinante, cheia de propostas de novas relações entre a cena e o espectador, que, diante de Lígia, não tem mais como ser aquele que especta, precisa ser aquele que é parte.<br />
Este <em>Um Nó Apertado</em> é isso. Um texto que já nasce em cena encarando o espectador, espelhando-se nele ao tempo em que lhe mostra seu reflexo. Uma tragédia onde o coro muda de lugar e se transfigura. Ora se encarna no herói/heroína que interpela a plateia, como fazem os coros diante do herói, ora a plateia é o coro que interpela em silêncio o herói/heroína que, do palco, faz as vezes de deuses ou titãs em guerra acirrada consigo mesmos.<br />
É uma tragédia, não há dúvidas. Fragmentos de antiquíssimas tragédias apontam para outros lugares, para pontos de fuga em perspectivas a rever a história da humanidade e seus mitos, agora reais — não mais mitos: seres homens ou mulheres. Seres de ser, não de estar. Seres de ser e seguir sendo. Nos textos de Lígia a saída é para dentro. Já vêm encenados — encarnados.<br />
Com o suave estranhamento de uma outra língua portuguesa. Língua e linguagem que são nossas, mas não são, são de outros além-mar. O texto de Lígia traz o espectador para os problemas deste palco que desaba, para o engenho da dramaturgia, para o mistério da atuação, o mistério de ser o outro a falar de si, quando fala do outro. Para este mundo mais que real.<br />
Um Nó Apertado que não se desata, que nos enforca à medida que tentamos afrouxá-lo. Um nó que não se afrouxa, mas segue apertado, estendido em tensão entre a vida e a não vida do palco. Entre o simulacro que vivemos no dia a dia e sua verdade maior que mostramos no palco.<br />
O texto de Lígia é um tirar a máscara e mostrar uma outra ficção por trás dela. A ficção que vivemos no dia a dia e que só o teatro pode revelar plenamente ao transformar um em outro.<br />
Sempre tenho vontade de encenar os textos de Lígia, descobrir com atrizes/atores como se pode ser tão cru e cruel e colocar a palavra como dedo em riste, como lábios húmidos, como pele seca à disposição do espectador. Inventar um modo de fazer com que este não saiba o que fazer do que está ouvindo e vendo, até descobrir quem ele não é mas poderia ser se quisesse. Se tivesse coragem de romper a barreira das palavras, de atravessar som e representação gráfica, de estar nu no palco à espera de que ele desabe.</p>
<p><strong>Marcio Meirelles</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/um-no-apertado/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Avestruz pequeno estudo sobre a prontidão</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/avestruz-pequeno-estudo-sobre-a-prontidao</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/avestruz-pequeno-estudo-sobre-a-prontidao#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Oct 2025 12:53:58 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=27197</guid>

					<description><![CDATA[dois adolescentes embriagados, dia amanhecendo, resolvem pegar a estrada de volta para casa, o carro começa a sair da pista, ambos adormeceram, o carro trepida, a roda chega cada vez mais perto do desfiladeiro, eu acordo meu amigo ao volante, o livro começa.

&#160;
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Na minha terra, dizem que aquelas pessoas que comem de tudo (até comida estragada) e que não passam mal têm estômago de avestruz, pois parece que esta, que é a maior ave do mundo, alimenta-se de tudo um pouco: sementes, pedras, pequenos objetos, o que estiver ao redor. Trata-se também de um animal “sempre em prontidão”, veloz e ágil, capaz de correr a 60km/h, e que em muitas culturas africanas, carrega simbolismos ligados à vigilância, ao movimento entre mundos e à justiça. Todas estas características qualificam o avestruz a se tornar uma potente metáfora do que é importante para alguém tornar-se artista e só por isso já agradeço à Diego Garcez por este livro que apresenta de maneira perspicaz o seu processo de tornar-se artista. Sempre digo que esta profissão é talvez das mais insalubres, demandantes e injustas do mundo, pois não oferece garantias, não tem sindicato, não há um plano de salários, cargos e carreiras, e exige coragem para expor o que há de mais íntimo e subjetivo ao escrutínio público.<br />
Desde 2022 acompanho esse percurso de perto. Escrevo esta orelha não como uma leitora externa, mas como quem está implicada, tocada, transformada no processo de e com Diego Garcez. Como quem conhece o avestruz e reconhece os dilemas da gestacão artística, as angústias, as frustrações, as buscas, e também como alguém que nasceu no Recife e foi brincante do Carnaval de Olinda como Diego, reconhecendo um certo sotaque, ritmo e tom de uma trajetória migrante semelhante. Há anos venho cutucando a divisão que existia na produção dele entre pintura e escrita: por que escolher entre uma coisa e outra? O livro aponta para esse entre-lugar como um campo fecundo.<br />
Este é um livro mestiço também por ter algo de tratado, algo de diário e algo de poesia. Nele, o gesto de pintar está entrelaçado ao gesto de escrever. Diego escreve como pinta e pinta como escreve. O texto caminha lado a lado com a construção de uma identidade como artista e como homem. Um homem que observa outros homens: seu pai, seus professores, os artistas e poetas mais velhos. E também observa o filho, Caio. Um artista que se pergunta a que tradição pertence, como se engendra uma genealogia artística e identitária. Sua escrita está comprometida não apenas em refletir sobre as masculinidades, mas em performá-las no cotidiano e, contrariando o que se espera de um homem a partir de uma perspectiva social tradicional, Diego Garcez escancara a sua vulnerabilidade de aprendiz e afirma que não está pronto, mas está em prontidão e é isso que importa na pintura. Ele acaba por nos mostrar em seu relato que isso é também o que importa na vida.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Cristiana Tejo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/avestruz-pequeno-estudo-sobre-a-prontidao/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Decomposição dos pássaros</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/decomposicao-dos-passaros</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/decomposicao-dos-passaros#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Oct 2025 14:49:04 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=27131</guid>

					<description><![CDATA[Quem nos deu a notícia de que Valtinho abocanhou a orelha do irmão foi o Beto, o pequeno mensageiro de oito anos. Paramos o jogo de rouba-bandeira, chutamos ao léu o galho da mangueira que marcava os dois territórios e descemos o morro do Boticão feito um raio em direção ao córrego Lava-pés. Lá chegando, ficamos agachados, espiando a movimentação através dos arcos da ponte de cimento. Jamais perderíamos um escândalo nessa terra morosa. Havia dois carros de polícia e um monte de gente falando alto. Seria bom se os lóbulos das orelhas fossem como os rabos das lagartixas, que se desprendem do corpo nos momentos de perigo e se regeneram naturalmente.

(Tudo o que o mestre mandar, página 19)
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Contista e romancista, ao surgir, em 2007, com Meu nome agora é Jaque, Eltânia André já era escritora madura. De lá para cá, foram mais três coletâneas de contos, Manhãs adiadas, Duelos e Corpos luminosos, e dois romances, Para fugir dos vivos e Terra dividida, além de um livro em colaboração com Ronaldo Cagiano, Diolindas. E, a cada nova publicação, a escritora foi aprofundando seu universo ficcional, particularizando sua assinatura, marcas que caracterizam e diferenciam os bons autores dos medíocres. A consolidação dessa voz própria pode ser conferida neste Decomposição dos pássaros, volume que reúne, em dez histórias, as melhores qualidades da prosa de Eltânia André: o sentido trágico da vida envolvido por uma intensa carga poética.<br />
As personagens de Decomposição dos pássaros são homens e mulheres ordinárias vivendo situações corriqueiras, nas quais nos reconhecemos como seres falhos que aspiram a alguma redenção — pois Eltânia André consegue insuflar dimensão metafísica a seus enredos. É assim com Ellen, magra como o mapa do Chile, que, em “Pluma e osso”, pouco a pouco toma consciência de seu lugar no mundo. A Ellen, cuja trajetória acompanhamos desde a infância, juntam-se as crianças de “Tudo o que mestre mandar”, que retrata, de forma pungente, o encontro com a violência e a morte, algo que perpassa também “Márrio-Riomar: um nome todo água”. A morte preside ainda “A última música: 2 minutos e 35 segundos”, mas como possibilidade de reparação: o narrador reconcilia-se com o pai, para além do último suspiro.<br />
A derrocada, seja pessoal, seja coletiva, seja psicológica, seja financeira, está presente nas narrativas “Céu na boca”, “Construção” e “Sob o som das matracas”: em algum momento, as escolhas no passado emergem como fantasmas para abalar nosso presente. “Evangelina Agustina: a Baba Vanga brasileira” e “Subindo as montanhas de xisto da Bulgária” fogem um pouco à unidade do livro, sendo o primeiro uma espécie de crônica irônica da vida e morte de uma legítima sibila nacional, e o segundo uma bela homenagem a Campos de Carvalho, autor maldito, mas reverenciado por um grupo de fanáticos admiradores.<br />
Enfim, Eltânia André mostra o firme domínio do ofício, quando, de certa maneira, sintetiza toda a inquietude na fábula “Decomposição dos pássaros”, na qual resgata e destila nossas angústias ancestrais, num texto eivado de poesia, a começar pelo título, que evoca imenso conhecimento de quem da vida participa corpo-a-corpo. Por isso, por tudo isso, que não é pouco, o nome de Eltânia André vem angariando, mais e mais, espaço no sempre seletivo número de escritores fundamentais da literatura contemporânea.</p>
<p><strong>Luiz Ruffato</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/decomposicao-dos-passaros/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Bafo do Mondego</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/bafo-do-mondego</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/bafo-do-mondego#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Oct 2025 09:35:33 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=27096</guid>

					<description><![CDATA[O rio Mondego não é o Tietê, o Amazonas, o São Francisco, muito menos os córregos enterrados sob o concreto de São Paulo. Mas, nas crônicas deste livro, o Brasil mergulha, se banha, se mistura e se afoga em suas águas, que já não surgem tão claras e doces, como escreveu Camões.
Nos 258 quilômetros que percorre da Serra da Estrela até Figueira da Foz, o Mondego faz muito mais do que só molhar Coimbra. Nestes textos, ele arrasta também as faíscas do encontro entre o português lusitano e a língua brasileira, carrega os tijolos do labirinto onde imigrantes estão presos em Portugal e embala uma série de outros ruídos que fazem tremer as ruas do país — tudo diluído pela correnteza da linguagem, da literatura, da ambiguidade e da poesia.
Pode até não parecer, mas, depois que as águas do Mondego desembocam no Atlântico, elas cruzam o mundo e se tornam ondas nas praias brasileiras. Bafo do Mondego é fruto desse encontro. Uma coletânea em forma de pororoca, sobre dois países cada vez mais distantes e inseparáveis.
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Não sei como você chegou a este texto. Talvez sem querer, de pé, sem tempo, com trabalhos atrasados, leituras incompletas, o celular na mão cheio de notificações pipocantes, apressado ou apressada, desinteressado ou desinteressada demais pra gastar minutos com palavras que não vão ensinar nada de útil. Principalmente estas, sobre Coimbra, cidade fora do mapa. Vou entender se for embora. Talvez eu mesmo devesse ir também. Porque este é um texto sem ganchos, sem plot twist, sem malabarismos, sem final grandiloquente. É só uma crônica solitária, sentada numa mesa, dentro daquela portinha, bem ali, no fim das escadas, ao lado do sapateiro&#8230;</p>
<p>(Como Ti Irene numa noite de inverno, página 24)</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/bafo-do-mondego/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Consequência do Fogo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/consequencia-do-fogo</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/consequencia-do-fogo#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Oct 2025 08:45:35 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=27091</guid>

					<description><![CDATA[Morrer devagar
sem que o coração arda
sem que os olhos evaporem no fumo
sem que a palavra abandone a boca.

Nenhum heroísmo consegue combater a doença:
o gene mau da cinza indesejada
o rasto de lume que abre a ferida
o crepitar da terra atingida

escuta-se

qual canto do cisne
diante do gesto lasso
enquanto tudo nos treme por dentro.

<em>Consequência do fogo</em>, página 14
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>
&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Consequência do Fogo: rasto ardido que a poesia deixa depois de explorada a paisagem, sensação, vertigem, emoção, objecto, delírio ou catarse. Serve a consequência do fogo para nos lembrar que em nós se extingue o irrisório ao mesmo ritmo com que ardem unhas, olhos, língua, sonhos, cútis, sexo, cabelos. Serve a consequência do fogo para nos recordar que também na morte há a beleza da lentidão: na suave decomposição orgânica dos cadáveres ou na cinzelada erosão da matéria perecível. E também serve para nos mostrar quão tangível é a transcendência na dança das labaredas ou nas sombras das cavernas.</p>
<p class="ds-markdown-paragraph">
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/consequencia-do-fogo/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Loriane veio às costas do boto tucuxi.</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/loriane-veio-as-costas-do-boto-tucuxi</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/loriane-veio-as-costas-do-boto-tucuxi#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Sep 2025 10:31:47 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=26863</guid>

					<description><![CDATA[<em>Loriane veio às costas do boto tucuxi.</em> é uma obra que explora o limite e a tensão entre os sentidos e as invenções da própria vida. Uma existência nua e vivida ao acaso de paisagens tropicais e paradisíacas. Mas será tudo só paraíso?
Nestes contos, transparece o gume incisivo de uma respiração poética herbertiana, a inquietude existencial de Camus e o estupor dorido de Lispector. Porém, a grande mestra é a realidade. As histórias pertencem ao povo caboclo, aos ribeirinhos do Tapajós e do Arapiuns.
Quem conta a história passa em fala branca mas periférica, caboclando as vozes de Dona Martinha de Suruacá, do Sô Hipólito de Muratuba, do Senhor Joaquim de Maguari… E Loriane, existiu ela? Existe?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Mirar Loriane às costas do boto é lançar-se num movimento de rotação que exige fôlego — especialmente quando atravessados por um mundo às avessas. Este livro, escrito há vinte anos, quando o mundo ainda era mais mundo, repousou sob os igarapés, imerso numa suave sedimentação. Agora, desperta com a força de um boto que se atira aos céus — numa dança mais livre e delirante.<br />
A sua poética desconcertante e provocadora nasce da vastidão da floresta Amazônica e das vivências transatlânticas que o autor se atreveu a sentir em corpo e febre, entre 2004 e 2005, junto aos ribeirinhos do Tapajós e do Arapiuns. No gigante dos trópicos, Júlio do Carmo Gomes desafia-se a construir uma cartografia pessoal, fixando as vibrações da travessia com coragem e transgressão. Décadas depois, essas memórias ressurgem como visões distorcidas no espelho da escrita: o delírio e a lucidez, o sonho e a matéria bruta. Se a Amazônia profunda foi um transe luminoso, vivido na presença dos lugares e do povo caboclo, estas histórias são o seu negativo: sombras projetadas na memória, vislumbres de um universo onde o real e o fantástico se confundem. Um território onde a realidade se dissolve na vertigem, e o homem se descobre, de repente, estrangeiro dentro de si.<br />
Em sete contos ritmados e vigorosos, tão cruéis quanto magníficos, o autor-caçador prende-nos numa rede de inquietações e experiências-limite. Testa-nos diante do emaranhado de dilemas existenciais, mesclados com cosmologias indígenas, cores technicolor e cheiros da Amazônia. Cada conto é uma chave para as complexidades da vida nos “tristes trópicos”, explorando não apenas a brutal beleza e a vitalidade das terras férteis, mas também os ecos de uma modernidade jamais superada e o giro crítico da colonização.<br />
Com a faca nos dentes e uma pulsão criativa que explode em subversão e desejo, o autor nos arrasta para uma terra em transe, onde a violência estomacal se transmuta em alegoria. Inquieto, entrega-se à premissa de Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas: “O real não está na saída nem na chegada, ele se dispõe para a gente é no meio da travessia”. É aqui que a escrita de Júlio do Carmo Gomes mais se destaca: na ousadia de captar enigmas e na entrega a um pensamento que abraça obsessivamente, equilibrando razão e poesia. Ele compreende a realidade como uma construção e mergulha na tontura desse percurso. É impossível não se surpreender com esta transa-atlântica, nem permanecer indiferente aos mistérios de Loriane. Com sua fluidez própria, ela expande-se e contagia — enfrentando as dores que as travessias inevitavelmente trazem.</p>
<p><strong>Ângela Berlinde</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/loriane-veio-as-costas-do-boto-tucuxi/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A montanha de Albert Camus: a biografia de um biógrafo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-montanha-de-albert-camus-a-biografia-de-um-biografo</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/a-montanha-de-albert-camus-a-biografia-de-um-biografo#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Sep 2025 09:44:53 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=26820</guid>

					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Um homem que escreve a vida dos outros ignora a sua própria. Tudo o que sabe sobre si está contido num livro que se recusa a ler. Até que, inesperadamente, se apaixona por uma montanha — palco de um trágico acidente com um famoso filósofo. Refugiando-se na sua gruta familiar, fará tudo para conhecer o objeto do seu amor obsessivo. Assim inicia uma viagem solitária em busca do único lugar onde, finalmente, a sua vida poderá começar.</p>
&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O que há de mais humano que o reconhecimento do nonsense da vida? O que há de mais humano que o pensamento em fuga da realidade, o esquecimento recorrente do mundo, o desejo escondido nas palavras e nas coisas, a loucura desenfreada como paranoia perante a morte inevitavelmente iminente? O que há de mais humano que o apetite pelo inumano, como essa utopia do derradeiro desmembramento da existência?<br />
É neste cenário desencantado que Pedro Saavedra realiza o exercício de lucidez perante o absurdo da vida. Um exercício que passa pela afirmação do nada. E porque Pedro Saavedra é também um dramaturgo do fim do teatro, digo, então, num tom encenado: senhores e senhoras, meninos e meninas: eis o grande, o fantástico, o exuberante, o absoluto nada! Niente. Nichts. Rien du rien. Qual profeta do absurdo, Pedro Saavedra delicia-se com um festim do nada!<br />
E é, realmente, de nada que se trata, porque nada há a explicar nestas linhas que escrevo e que antecedem o livro de Pedro Saavedra. Não há mesmo. Não há, porque o livro que se segue não é da ordem da explicação. É, antes, um livro-sensação, um livro que se arroga a liberdade da experimentação do vazio, do deleite de uma existência cheia de nada. É um livro que, sem rodeios, apresenta o nada como seu personagem principal e nos faz mergulhar no abismo mental de um narrador cuja complexidade advém de estar cheio de nada, em coabitação com a ausência de significado do mundo, num estado de permanente vertigem perante a vida.<br />
Não há nenhuma lógica para que algo aconteça em vez de outra coisa. Trata-se apenas de uma coreografia de vazios e pequenos nada, pois a vida, como diz o Sérgio Godinho, é feita de pequenos nadas. E o narrador oferece-nos um percurso pelo seu mundo embrulhado de biografias vazias, episódios de morte e delírio perante o pequeno grande nada que é a vida e o seu sentido.<br />
Homem invisível que vive na ansiedade de se manter sem qualidades, o narrador tem uma obsessão dupla e contraditória pela vida. É um biógrafo que inventa vidas, mas que as consome e elimina a uma velocidade impressionante, movido por um insaciável desejo de nada. Tem com a vida uma relação mortífera. Sôfrego do inorgânico, entra num desenfreado e fatal devir-montanha, mineral, rocha, ressequido na sua “humanidade” que transporta ao peito, tatuada na pele. O personagem principal é uma espécie de Bartleby mineralizado, solitário, serial killer que sabe que nada faz sentido, que já esperou Godot demasiadas vezes, sempre em vão. Um personagem que há muito habita o impossível e sabe que a sua repetição, o eterno retorno do impossível, é tudo o que lhe resta. O juízo final é, sempre, esse quotidiano repetido, onde a esperança é apenas um mapa esbatido, seco, ténue de um labirinto fechado, sem sentido, oco e vazio, da existência. Catadupa de percepções e de pensamentos desligados do corpo que desembocam irremediavelmente em esquecimento no divã de um psicólogo em quem ninguém — a começar pelo próprio narrador — acredita.<br />
Camus, numa recensão à Náusea de Sartre, dizia que “um romance não é senão uma filosofia em imagens”. E é isso mesmo que Pedro Saavedra faz: cria uma série de imagens que remetem para a filosofia e o seu problema eterno do sentido da vida.<br />
Em modo de conclusão, acresco apenas o seguinte: o livro que se segue é uma deliciosa alucinação.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Catarina Pombo Nabais</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/a-montanha-de-albert-camus-a-biografia-de-um-biografo/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Eu não falo brasileiro crónicas de um imigrante em Lisboa</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/eu-nao-falo-brasileiro-e-cronicas-de-um-imigrante-em-lisboa</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/eu-nao-falo-brasileiro-e-cronicas-de-um-imigrante-em-lisboa#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 Aug 2025 23:40:21 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=26672</guid>

					<description><![CDATA[Nesta coletânea, reúnem-se 25 crónicasdo escritor e jornalista pernambucano-lisboeta Álvaro Filho, originalmente publicadas no jornal <em>A Mensagem de Lisboa</em>. Destaque para <em>O Meu Vizinho Omar Sharif</em>, vencedor do Prémio de Crónica Jornalística Rogério Rodrigues, atribuído pela Câmara Municipal da Amadora em 2023.

Com um olhar agudo e uma prosa que entrelaça ironia, memória e fina observação social, Álvaro Filho guia o leitor por narrativas que atravessam a experiência migrante — entre o familiar e o estrangeiro. Seus textos capturam personagens vívidos, dilemas silenciosos e episódios aparentemente banais, revelando, sob a superfície do cotidiano lisboeta, histórias universais de deslocamento e pertença.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Mas quem é que este Álvaro Filho julga que é?<br />
Ele até responde, em algumas das suas crónicas (publicadas periodicamente na Mensagem de Lisboa). Um &#8220;cronista&#8221; que, como um &#8220;trovador&#8221;, canta as &#8220;idiossincrasias da sociedade onde vive.&#8221; E veio lá dessa terra tropical, o Recife, infestada de tubarões e com equipas de futebol de que nenhum europeu nunca ouviu falar, para mandar uns bitaites sobre a nossa terra, as nossas manias, alegrias e tristezas? Sim, é isso. Bem mais do que isso, até. E ainda bem. Fazem falta mais livros assim. O olhar de Álvaro &#8211; crítico, às vezes mordaz, divertido, criativo e carinhoso &#8211; tem tanto de revelação da sua identidade como da nossa. E é sempre bom olharmos assim para nós, de outros ângulos. Os portugueses, aliás, têm uma curiosidade histórica por observações exteriores sobre si próprios, como se só elas nos valorizassem. Eu disse &#8220;exteriores&#8221;? Já não é bem o caso&#8230; Álvaro Filho pode autoproclamar-se &#8220;lisboeta&#8221; com toda a propriedade (é, aliás, assim que termina este livro, desculpem-me ter já contado o fim), é oficialmente português (&#8220;E agora, o que será de mim?&#8221;, pergunta-se a esse propósito). Mas é um &#8220;recém-nascido na lusitanidade.&#8221; Por isso, estranha palavras como &#8220;autoclismo&#8221; ou &#8220;panaché&#8221;; também por isso saca belas crónicas de cenários e quadros que, para nós, se tornaram quase invisíveis na sua permanência quotidiana, como o engraxador que todos os dias se senta de costas para a grande estátua de um santo. E tira-nos a pinta, sem paninhos quentes. Denuncia a &#8220;buro-xenofobia&#8221; que &#8220;inviabiliza a existência do imigrante no país, humilhando-o, com requintes de sadismo.&#8221; E escreve: &#8220;Um dos traços marcantes da personalidade portuguesa é o de acreditar que as coisas nunca podem ser fáceis.&#8221; Não é 100% verdade essa acusação&#8230; Ler este livro de crónicas, por exemplo, é fácil, é proveitoso e tanto nos faz sorrir como pensar – coisas de que tanto precisamos.<br />
<strong>Pedro Dias de Almeida</strong>, editor de Cultura da <em>Revista Visão</em>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/eu-nao-falo-brasileiro-e-cronicas-de-um-imigrante-em-lisboa/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Leopardos que dormem nas copas de árvores</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/leopardos-que-dormem-nas-copas-de-arvores</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/leopardos-que-dormem-nas-copas-de-arvores#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Jul 2025 11:42:13 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=26141</guid>

					<description><![CDATA[mulher sabe
como se imaginar
em porta sessão

olhei nápoles
como caneca de odin

descentrar falas roubadas
amarrar cadarços
uns dos outros

ver-me em primeira
escala. <strong> <span style="color: #ffffff;">Julia Peccini</span></strong>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Leio Julia em pausas<br />
&#8230;<br />
Estou em uma ilha, cercada de água,<br />
sem atracadouros, sem amarras, superfície lisa<br />
Exilada<br />
À frente, o Atlântico<br />
Em suas palavras “olho a onda<br />
entre o murmúrio do tempo”.<br />
Silêncio é o que me cabe nessa profusão<br />
de palavras<br />
sólidas<br />
expostas<br />
nuas<br />
Me vejo entre fronteiras,<br />
em um “tempo fora do tempo”<br />
Sinto<br />
&#8230;<br />
E como Julia me pergunto<br />
“será que todas as raízes das palavras<br />
do mundo são as mesmas?”<br />
&#8230;<br />
Mergulho<br />
Rodamoinho de desejo, medo, vinho, sexo,<br />
memória, amor, falta,<br />
círculos e círculos e círculos<br />
“às raízes escondidas prefiro afundar-me<br />
na dor daquele descobrimento”</p>
<p>Ainda com a roupa molhada no corpo penso<br />
Todos estamos presos a um Coliseu<br />
sem muralhas<br />
A poesia de Julia me atravessa<br />
Preciso do tempo<br />
Do silêncio<br />
Me abeirar até<br />
“a península que ainda não existe”</p>
<p><strong>Chris Facó</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/leopardos-que-dormem-nas-copas-de-arvores/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>leva (     ) dias e ( 49 ) poemas para esquecer</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/leva-dias-e-49-poemas-para-esquecer</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/leva-dias-e-49-poemas-para-esquecer#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Jul 2025 17:10:36 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=25966</guid>

					<description><![CDATA[Aceitar que o seu rosto não toca mais a minha mão
é aceitar
a galinha
que a raposa
matou
e não comeu.
(<em>oferenda</em>, página 24)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>São pequenas aberturas, pequenas frestas por onde o vento passa, por onde a água sai da pedra, por onde o sentido, inaudito, chega. Os poemas que você vai ler neste livro são, a um só tempo, sutis e profundos, leves e densos, ásperos e suaves. Como em um oxímoro a tempestade é calma, o silêncio é sonoro. E o que chega pelas frestas, de onde vem?<br />
Vamos aos poucos sendo conduzidos pelas mãos de Juliana à abertura de uma outra escuta, atenta ao rumor subterrâneo das relações, dos seres, da vida. Atenta ao invisível da poesia que permeia tudo e à densidade dos corpos. Independente do que faça, a poesia é a raiz mais profunda de Juliana Schneider, sua escuta primordial, algo que nasceu com ela.<br />
Por sua sensibilidade poética somos tocados pelo amor. A vida é o amor se movendo em seu infindável caminho de transformação, aqui mesmo, no mínimo gesto, na vida de todo dia. Porém o que chega pelas frestas vem de um corpo profundo de mulher que se abre, afunda, morre e vira cinza para esquecer, renascer. Esquecer é virar cinza. O rumor vem de um processo uterino que vai nos revelando a geografia de um território feminino em movimento, nascente das águas que chega à superfície. Temos acesso ao itinerário desse “desmanche” que não cabe em números e ainda assim se traduz em dias, em poemas. E deságua na tessitura de seu próprio aviso, sua própria voz: “é por aqui que o ar entra”.<br />
Nada neste livro é ao acaso e ao mesmo tempo é como sentar-se para tomar um café numa tarde desocupada.<br />
No entre, o fio invisível se transforma e alcança a vida maior que o indivíduo. A escrita é o testemunho deste itinerário e desta geografia, e também a possibilidade de partir, soltar-se no devir, de seguir a vida que, transformando-se, chama, como no poema &#8220;mesmo que chova&#8221;:<br />
“Olha bem as roupas no varal e o sol que talvez não fique e neste momento tens que decidir se o abrigo com pouca luz vale mais que um tempo incerto a queimar.”</p>
<p><strong>Camila Jabur</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/leva-dias-e-49-poemas-para-esquecer/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O perigo das vírgulas malpostas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-perigo-das-virgulas-malpostas</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/o-perigo-das-virgulas-malpostas#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Jul 2025 09:50:23 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=25956</guid>

					<description><![CDATA[Mil novecentos e noventa e seis. Eu tinha oito anos e eu costumava dançar na sala. A minha mãe nunca se importava com a música alta e o meu pai quase nunca estava em casa. Eu girava, saltava, inventava coreografias, imitava os meus artistas favoritos, imaginava um microfone e sonhava. O suor era o líquido que transformava o chão da sala em palco. Eu era feliz.
Um dia, o meu pai me viu na sala. Ríspido, disse que a música estava muito alta. Eu diminuí o volume e continuei a dançar. Mas não pareceu suficiente, o meu pai voltou à sala e, ainda mais áspero, desligou o som com a justificativa de que queria ver a tv em paz. Respondi que ia usar o walkman. Eu só queria dançar. Ele saiu de casa visivelmente agitado. Eu dancei.
Mas esse foi só o primeiro dia. Depois houve outro. E outro. O meu pai bebia. Eu só queria dançar. O sofá cheirava sempre a cerveja. Eu confundia com o cheiro do meu pai.
— Homem não dança desse jeito!
...
(<em>O que é ser homem?</em>, pág. 13)

&#160;

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O perigo das vírgulas malpostas</em> aventura-se nas profundezas da experiência queer, desafia as normas sociais e explora a complexidade da identidade, defendendo a liberdade de desejar sem obstáculos. Este livro não tem receio de expor as partes mais íntimas do corpo e da alma.<br />
Com uma escrita crua, honesta e que provoca desconforto, o autor convida-nos a testemunhar um processo de transformação no qual a vontade de pertencer e a dor de não ser compreendido coexistem. O desconforto cede lugar à cura e ao empoderamento à medida que o eu se liberta de processos normativos impostos. A diacronia revela uma descoberta contínua da identidade, uma busca não linear.</p>
<p>O corpo e a sua beleza escatológica são explorados sem receio e censura. O balneário é tido como um dos primeiros espaços de maior vulnerabilidade e autenticidade, experiência com a qual me relaciono. Com uma sensibilidade única, Felipe Castro denuncia e celebra a resistência queer.</p>
<p><strong>Filipe Heath</strong><br />
influenciador literário especializado em literatura queer, promovendo em sua conta instagram (@filipeheath) obras que celebrem a diversidade e a cultura lgbtqiap+.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/o-perigo-das-virgulas-malpostas/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Cartas de amor para meninas mal comportadas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/cartas-de-amor-para-meninas-mal-comportadas</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/cartas-de-amor-para-meninas-mal-comportadas#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Jul 2025 11:12:08 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=25904</guid>

					<description><![CDATA[A primeira vez que fiz amor com uma mulher
Despertei com os gritos dela de alívio,
Um silêncio alto de suplício
Afinal era apenas o início.

Das suas pernas escorriam lágrimas de um dilúvio,
Ela era a nascente de uma nova guerra,
E eu aprendia a distinguir o mar da terra.

...
(Virgem, página 15)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Querida L.,<br />
Ao escolher o encontro que essas páginas provocam, talvez você não saia ilesa. O tempo é malandro, quase nunca antecipa o que destruirá ao chegar. Mas o tempo sempre chega e a escolha do encontro é sua.<br />
Eu própria, L., já conhecia essas Cartas de amor para meninas mal comportadas desde o nascimento das primeiras linhas. Foi no Núcleo de Dramaturgia Feminista, conduzido por mim online em plena pandemia de 2020, que o desenho deste encontro começou a pressionar o contorno da folha em branco. Podia dizer a você: “conhecer protege”. Mas não é verdade. O encontro, quando tem acontecimento, é inexorável.<br />
Eliana N’Zualo é bem humorada e isso é perigoso. Ela é um corpo em movimento e faz essas cartas viverem – e assisti a uma prova disso em Lisboa anos depois dos primeiros versos dessas cartas, por isso posso dizer com propriedade.<br />
Veja L., eu não saí ilesa a essa leitura mesmo depois de ter certa intimidade com o texto. Seria muito inocente da sua parte achar que sairá a mesma pessoa depois de colocar cada uma dessas palavras para dentro de você. Veja bem: estamos falando da força de uma poção mágica “Feita das placentas/ Daquelas que enterravam /Os nossos umbigos/ Onde os pudéssemos encontrar,/ Para sabermos sempre /Onde era o nosso lar.”.<br />
Talvez L., depois dessa leitura você saiba para onde voltar. Talvez não tenha volta. Talvez o tempo seja malandro com você.<br />
De qualquer forma, há um acontecimento neste livro L., a sua escolha em provocá-lo é um partir para dentro de si. E, diz Eliana: “As dores de partir/ São as mesmas que nascer:/ Agudas e teimosas.”</p>
<p>Boa leitura.<br />
Bom nascimento, L.</p>
<p>Com amor,<br />
<strong>Maria Giulia Pinheiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/cartas-de-amor-para-meninas-mal-comportadas/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Contos dos subúrbios</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/contos-dos-suburbios</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/contos-dos-suburbios#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Jul 2025 14:36:09 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=25794</guid>

					<description><![CDATA[Ao reunir os contos desta coletânea — escritos ora com entusiasmo febril, ora com desmotivação errática, tendo sido rasurados, abandonados, retomados e adiados vezes sem conta —, cheguei ao fim, à presente página e coloquei-me a seguinte questão: o que têm em comum estas histórias tão dispersas? Existe neste saco de gatos algum elo, será possível deslindar um meridiano entre, por exemplo, uma história sobre uma pirómana convencida de que nasceu “com o diabo no ventre” e um conto sobre um homem que se fecha no seu apartamento, esmagado pela agorafobia? E a existir, terá esse fio vertebral brotado silencioso do meu subconsciente, visitando-me como um fantasma com a sua mão espetral pousada no meu ombro, sem eu dar conta?
Relendo-os cheguei à conclusão de que sim, existe uma linha de novelo que serpenteia entre estes contos, uma corda de roupa quase invisível na qual todas estas histórias díspares e muito modestas — a versão literária de peúgas, cuecas carcomidas por traças e t-shirts made in China — estão penduradas: a ideia de subúrbio.
É um subúrbio na definição mais lata possível — um espaço, ora físico e geográfico, ora psicológico e mental, fora do centro, à margem, desterrado, longínquo. Algumas das histórias que integram esta coletânea têm lugar, de facto, em subúrbios geográficos de Lisboa, como Almada, Corroios, ou o Barreiro, zonas dormitório onde as classes trabalhadoras são armazenadas e desarmazenadas diariamente no afã de prestarem o seu tributo e sacrifício mecânico — guardarem e limparem escritórios, passarem códigos de barras em caixas de supermercado, servirem cafés a turistas — à reprodução do Capital, esse deus Sumério. Mas outras desenrolam-se em subúrbios sociológicos e mentais, com personagens que, apesar de se situarem geograficamente no centro do centro da capital do antigo império, de viverem em Alvalade ou serem empresários do alojamento local em Campo de Ourique, possuem um qualquer traço marginal — são pessoas racializadas, leram os livros errados sobre os Descobrimentos, vêm de uma “ilha ardente e tropical, com presidentes loucos e sanguinários e árvores de fruto mágicas” — sendo, por conseguinte, colocadas numa situação de alteridade, depositadas à margem na consciência coletiva e perpetuamente afastadas da centralidade sociológica e histórica do país.
Tal como Júlio César disse acerca do seu rival Pompeu, “podemos tirar o homem do Piceno [região considerada atrasada e bárbara], mas nunca tiraremos o Piceno do homem”, muitas das personagens destas histórias carregam consigo essa marginalidade, essa longinquidade, essa “sub-urbanidade” mesmo quando se movem nas ruas do Príncipe Real ou do Chiado. E, outras vezes, noutras histórias, trata-se simplesmente de pessoas da Cova da Piedade a apanhar autocarros dos Transportes Sul do Tejo para irem para outro bairro dormitório de Almada.
Como pessoa que nasceu, cresceu e viveu muitos anos na Margem Sul, talvez eu também traga comigo um pouco dessa suburbanidade pós-industrial, de betão e dos estaleiros navais em corrosão — e, talvez, ela esteja sempre ao meu lado, com a mão pousada no meu ombro, enquanto escrevo.

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os que vivem nas margens das grandes malhas urbanas e à margem do que tantas vezes é tido, num mundo em que o cinismo impera, como uma vida plena, têm o papel central em <em>Contos dos subúrbios</em>. Ao levá-los para o âmago dos seus contos, Carim Vali (inconscientemente ou não) retira estes protagonistas do quotidiano da marginalidade multidimensional a que a sociedade, o mundo e até o Olimpo os parece ter sujeitado.<br />
Com uma ironia agridoce, o autor retrata de forma crua os desafios que se apresentam aos que vivem diariamente os preconceitos generalizados da sociedade a par da sensibilidade particular que nasce de tais vivências e que parece dotar as suas personagens de uma sabedoria superior.<br />
Porventura por força desta sabedoria, o conceito de poder desmistifica-se. As correntes materiais e espirituais que habitualmente espartilham os corpos e mentes daqueles que suportam a pirâmide do mundo contemporâneo quebram perante a subtil realização de que mesmo o mais fraco tem, em si, o poder de fazer-se ver.<br />
E, por vezes, fazer-nos ver implica assumir a nossa própria existência com todas as suas limitações, os seus rancores, e darmos um primeiro passo — como o que S. dá quando confrontado com o conteúdo de uma gaveta em “A morte de um bilhete expirado” ou como o que é dado na carruagem de um comboio em “Ser humano é ser deus punido”. Diferentemente, fazer-nos ver pode implicar não darmos passo algum e mantermo-nos imóveis, irredutíveis, como em “Novo Regime do Arrendamento Urbano”.<br />
Contos dos subúrbios apresenta uma componente sensorial que transporta o leitor para o interior das narrativas e potencia a identificação com as personagens. O simbolismo dos contos adensa-se com as referências de Carim Vali às texturas dos tecidos, à arquitetura dos edifícios, à cor dos toldos, dos passeios e aos sons do rebuliço da cidade tão bem personificados, por exemplo, no burburinho de uma conversa de café, regada a medronho e aguardente.<br />
Carim Vali retrata uma Lisboa, um Portugal, em vias de extinção. A Lisboa dos cafés de bairro e das vizinhas que distribuem panfletos, espreitam à janela e tratam dos jardins, que se vê substituída pela Lisboa do brunch e dos turistas que fotografam os habitantes sem ver a sua humanidade.<br />
Com acutilância elegante, somos, durante esta leitura, confrontados com o peso do passado de Portugal — que nos convida a um ato de reflexão e/ou expiação — e com a nostalgia e saudosismo por um presente que ainda não se perdeu totalmente. Um retrato verdadeiro e imperdível da atualidade portuguesa na estreia de Carim Vali.</p>
<p><strong>Ana Jorge Corrêa Cardoso</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/contos-dos-suburbios/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Ao largo dos meridianos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/ao-largo-dos-meridianos</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/ao-largo-dos-meridianos#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Jul 2025 13:39:25 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=25749</guid>

					<description><![CDATA[Assombrado pela desventura, Adão Bencatel adquire um bar speakeasy chamado Bretão, numa zona remota e de ventos aziagos. Apesar de parca, a clientela do Bretão demonstra-se mágica, exótica e idiossincrática, ao embalo etéreo das bebidas que Adão Bencatel, qual curador, selecciona, prepara e serve. Iniciando-se como conversas de circunstância em tudo banais, os diálogos entre Adão Bencatel e os clientes do Bretão vão adquirindo uma dimensão íntima, revelando a misteriosa interligação entre os seus passados ou futuros. Pela ironia universal, Adão Bencatel vê-se imbuído, à aparente fortuidade, numa visita aos seus fantasmas mais belos e temíveis que deixara, ao esquecimento, no Burundi.
<em>Ao largo dos meridiano</em>s é o coágulo onírico de imagens com as quais, derivando, se depara um pensamento perdido na frescura bravia de um jardim.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Este é o terceiro livro que li do Pedro e, de longe, o mais desafiador. Adão Bencatel tem um bar no meio do nada e por lá passa uma galeria de personagens desconcertante, com histórias de vida mirabolantes e surreais. Os diálogos entre Adão e os clientes são deliciosos, plenos de surrealismo, mas também intimistas, tudo se revela naquele balcão parcamente iluminado, nada ficando por contar. O passado é dissecado e o futuro encarado de peito feito, tudo magistralmente interligado. Também Adão, pelo meio das conversas, se confronta com uma vida que quis deixar para trás, repleta de fantasmas e arrependimentos. Mais do que as histórias em si, este é um soberbo exercício literário, no qual a forma como as histórias nos são contadas e se entrelaçam é o verdadeiro trunfo deste grande livro. Destaco os diálogos, feitos com uma originalidade e mestria ao alcance de poucos. Um enorme festim da palavra, a ser degustado com tempo e calma. Se passou aqui os olhos antes de iniciar a leitura, deixo-lhe um conselho: sente-se confortável e respire fundo. Tem nas mãos um universo mágico, feito de páginas deliciosas. Deixe que estas palavras dancem a sua dança consigo. Como diz um dos personagens:<br />
“Onde estaríamos se as palavras não se afogassem nas bocas?”<br />
<strong>Rui Miguel Almeida</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/ao-largo-dos-meridianos/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Imagética ode</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/imagetica-ode</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/imagetica-ode#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Jun 2025 09:59:53 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=25604</guid>

					<description><![CDATA[Como camaleão camuflo
As linhas obtusas da vida

Com garras de leão
Defendo os dentes
Caço a liberdade do ventre

Procuro o eu
Liquidificado na miscelânea
Das emoções do viver

Simplesmente
É complexo somente ser

(<em>Metamorfo</em>, 53)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Amor e odes</p>
<p>Os apontamentos poéticos da rosa-dos-ventos de Vulcão, roçados por sua híbrida língua braso-lusitana, são expoentes de delícias a desapontamentos.<br />
Em seu cinema de palavras traceja páginas e caminhos, pontilha lembranças, derrama sensações, em exercícios de formas — muitas vezes mínimas — típicos de quem foi fisgada definitivamente pela poesia e por poetas. Há um fluxo de potência feminal na totalidade dos versos aqui reunidos. Ela, a autora, deixa-nos como que assistir a tudo, ora por frestas, ora nos pondo espectadores diante da tela luminosa, em projeção, posto que tudo aqui, como revela o título do livro, é uma imagética ode de seus viveres agora impressos nas páginas que vão nos impressionando a retina, para projetar as suas memórias poéticas em nossos cinemas imaginários. E assim nos seduz, fazendo-nos achar que somos íntimos de seus viveres de ilhéu-cosmopolita.<br />
Em sua segunda obra, e ouso dizer que ousar obras é um tanto se atirar em abismos, sei que a queda de Ana Vulcão é para cima, como se pesca num poema daqui deste conjunto. E ela singra — vez cosmonauta, vez argonauta — tal qual uma Afrodite Afro, na constelação de seus escritos, que vão cada vez mais firmando sua tinta autoral. Recomendo a jornada por esse deleite particular que aqui se torna publicado.</p>
<p><strong>Pedro Luís</strong><br />
Cantor, compositor e poeta do Rio de Janeiro</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/imagetica-ode/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Números ímpares</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/numeros-impares</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/numeros-impares#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Jun 2025 10:56:05 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=25562</guid>

					<description><![CDATA[— Essa merda vai matar-te.
Perdi a conta às vezes que lho disse. Conhecia-a desde sempre, não havia momento da minha vida em que não me lembrasse dela lá, a irradiar positividade e a desconsiderar as pedras no caminho, como se não existissem, não pesassem e não fossem capazes de nos esmagar. Não quero parecer mal-agradecida, reconheço-lhe a coragem louca e imparável que tantas vezes me deu a mão, resgatando-me da espiral embriagada e destrutiva parida pela ausência de autoestima com a típica venda de banha da cobra, “o Van Gogh só foi reconhecido depois de morto” ou “também disseram ao García Marquez para se dedicar a outra coisa”, mas há limites para tudo. A gravidade puxa-nos para baixo, não é por acaso que nos dizem para ter os pés assentes na terra, voar é uma metáfora bonita, tirar o brevet também, mas sonha-se melhor deitado numa cama feita de lavado e com uma almofada a guiar-nos o espírito do que estatelado no chão. E ela era das que saltava de chapa na piscina.

(<em>Vício dos astros</em>, página 11)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Com cinco “Delírios e um “Testemunho”, Joana Barata oferece, neste livro, uma oportunidade de nos posicionarmos no lugar de quem olha de fora para dentro. Não se trata apenas de julgar do outro lado do espelho, é uma apropriação das experiências alheias como quem corre ladeira abaixo, na fronteira entre ficção e realidade.<br />
“(…) brincar com a semiótica, a inventar absurdos” e “experimentar uma inconveniência”, são modos de assumir o papel dos múltiplos “eus” — que se cruzam, opõem e distorcem, como os quatro imaginários da fotografia de Roland Barthes: quem se julga ser, quem se pretende que os outros pensem que se é, quem o fotógrafo percebe, e de quem este se serve para expressar a sua arte.<br />
Este livro apresenta-nos seis contos com ecos de relato, temperados com o resgate de mitos, referências literárias, cinematográficas e, porque não?, quotidianas do universo da autora. A voz e o ritmo próprios revelados não se esgotam na estrutura narrativa. Em “Quem?”, a composição visual tece uma relação com o leitor que transcende o decifrar do sentido, envolvendo o corpo, e até o pulsar do sangue, nas variações da leitura de uma palavra.</p>
<p>Números ímpares não são divisíveis em dois números inteiros iguais, não têm par nem igual, são únicos, extraordinários, e jamais poderiam ser (apenas, arrisco acrescentar) múltiplos de dois. Constituem, por isso, um convite ao delírio e ao testemunho da vida destas mulheres — também elas — ímpares e múltiplas.<br />
Para a pergunta “Quanto custa a liberdade, por favor?”, não tenho respostas, mas feitas as contas, ler estes delírios que precisavam ser imaginados e o testemunho que não pode ser calado pode bem ser um acto de resistência.</p>
<p><strong>Isabel Peixeiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/numeros-impares/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Caderno de constrangimentos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/caderno-de-constrangimentos</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/caderno-de-constrangimentos#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Jun 2025 10:48:02 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=25541</guid>

					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">a mesa comprida estava atafulhada com os destroços do almoço. pratos sujos sobrepostos, manchas de vinho e migalhas. a sogra trouxe os cafés numa bandeja de plástico florida e encaixou-os nos poucos espaços livres à frente de cada um dos filhos e enteadas, que iam murmurando agradecimentos sem interromper a conversa animada. os homens acenderam cigarros, deitando as cinzas no pires do café. ela também queria um, mas ainda se sentia constrangida a fumar ao pé da família do marido. (...)
(<em>o limão</em>, 9)</p>
&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Abrir <em>Caderno de Constrangimentos</em> pela primeira vez é segurar um bilhete para uma exibição da mais canónica experiência feminina, que é o embaraço. Nesta primeira publicação de ficção desde a adolescência, Rebeca Csalog ordena o seu imaginário em histórias que, mais que pequenos contos, se lêem como cenas que se desenrolam no tempo real da leitura. Apresentam-se elaborados dioramas de constrangimentos, reproduções exatas dos lugares mais incómodos da mente. A autora extraiu, construiu e dispôs as encenações iluminadas por focos em corredores escuros; depois sabotou-as, em protesto a si mesma e às vivências colaterais que teimam em se prender na memória —como a omnisciente crueldade da infância; adolescência transpirada de vergonha; ou a família nuclear. A cada leitor/a de Rebeca Csalog oferece-se esta mesma experiência de exposição e sabotagem; a vertigem de se dissolver o vidro protector e de cair para dentro de um diorama que se mostra acolhedor primeiro, perigoso em segundo. Ao longo de cada engolir em seco, os constrangimentos titulares aguentam-se em suspensão, de cena em cena, aguçados como estalactites. Rodeada pelos objectos desses lugares, molhada pela chuva insolente de Portugal, resta ao leitor replicar o acto final da experiência e assumir-se cúmplice da inevitável sabotagem; imbuído da perversidade de voluntariamente trilhar um percurso que anuncia um descarrilamento, ou do penoso prazer de se viver como mulher.</p>
<p><strong>Mariana Tilly</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/caderno-de-constrangimentos/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Amaurose fugaz</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/amaurose-fugaz</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/amaurose-fugaz#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Jun 2025 10:24:11 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=25462</guid>

					<description><![CDATA[Pousou os sacos no chão, aflito. Tinha os dedos das mãos inchados e escurecidos, garrotados pelo peso que carregava. Esfregou-os uns nos outros para facilitar o retorno da circulação sanguínea e fechou a porta. Pegou novamente nos sacos pelas asas e percorreu o corredor, direto à cozinha, sem desviar o olhar para nenhuma das outras divisões da casa.
Tirou a panela grande do armário e atestou-a com dois quilos de batatas por lavar e descascar e um frango defunto, inteiro, que mantinha a cabeça, unhas, penas e os olhos abertos. Cobriu o conteúdo com água, transferiu a panela para o fogão e acendeu o lume. Só depois despiu o casaco e descalçou as botas.

(<em>O quarto do meio</em>, página 7)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Cientista de formação, a escritora encontrou nas palavras um veículo de catarse. O entusiasmo transformou-se em paixão e é, hoje, uma nova forma de vida.<br />
Atenta e empenhada, absorve todos os conhecimentos que lhe passam pelos olhos e põe-nos em prática com rigor e método. Organiza criteriosamente os seus objetivos de escrita e faz das palavras um bordado de personagens entrelaçadas em enredos, cenários e tempos que conheceu ou que (re)inventa. O seu talento aliado ao trabalho trouxe-lhe prémios relevantes. Tem contos e poemas publicados em várias coletâneas, antologias e revistas.<br />
Este é o seu primeiro livro. Um conjunto de folhas que reúne as palavras da autora acerca de vários temas. Um conjunto de folhas onde depositou histórias sobre a condição humana. Atraem-na, sobretudo as sombras, o lado lunar que cada pessoa carrega de forma mais e menos visível.<br />
Embora tenha atribuído ao livro o título de um dos 5 contos que o compõem, todos se refugiam na noite dos pensamentos. Diferentes no espaço, no tempo, nas personagens, no enredo, todos têm em comum almas em conflito, amarguradas e de insustentável peso. Há um pendor para o oculto e o insólito associados a alguma inovação no registo de escrita. No entanto, o grande mérito da autora é a sua capacidade de transformar histórias e personagens que poderiam ser banais em memoráveis leituras. A reviravolta final, em cada conto, é o que distingue a sua mestria.<br />
Este é um livro imperdível. Laura Vasques de Sousa, um nome a registar. Encontrá-la-emos em muitos outros livros que, com toda a certeza, escreverá.</p>
<p><strong>Paula Campos</strong><br />
escritora</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/amaurose-fugaz/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Águas para te beber amor</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/aguas-para-te-beber-amor</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/aguas-para-te-beber-amor#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Jun 2025 14:19:59 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=25405</guid>

					<description><![CDATA[Quer comer chocolate, mas abomina o açúcar, assim dizem que quanto mais preto melhor. Quanto mais preto mais amargo, difícil de digerir, mas é instigante o desconforto que causa, comem suavemente na tentativa de aliviar a dureza. O de leite não é saudável, muito doce, misturamos o amargo do chocolate com café e assim satisfazemos o nosso vício, preto no preto, sólido no líquido, molhado é mais gostoso.
(<em>Fetiche</em>, página 19)

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Entre afeto e solitude, a travessia marca ritos de passagem de diferentes fases de percepção do amor. A obra é uma viagem à intimidade da pessoa artista e um desafio ao sistema que coloca suas crenças coloniais, binárias e heteronormativas como única possibilidade de ser. Águas para te beber amor escreve e vive as emoções de uma pessoa negra audaz.</p>
<p><strong>Ami Sow</strong><br />
cineasta e ativista queer</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/aguas-para-te-beber-amor/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Zuca</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/zuca</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/zuca#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Jun 2025 11:29:50 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=25362</guid>

					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“És brasileira? Respondi que sim. Ela emendou outra pergunta: Vieste à nossa terra pra roubar os maridos às portuguesas? E a velha nem me deu tempo de responder que não, de jeito nenhum, já sou casada, e com um brasileiro. A doida chalada agarrou o meu passaporte e avisou: Pois olha bem o que eu faço ao teu documento. Ela tentou rasgar o livrinho ao meio, e só não conseguiu porque reagi a tempo. Eu me debrucei inteira sobre o balcão, com a barriga e com tudo, estiquei os braços em cima da maluca e apanhei de volta o meu documento, todo amassado.”</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Após um episódio de violência urbana, Bárbara, uma advogada carioca, se muda para Portugal com o marido e o filho pequeno em busca de uma vida mais tranquila. Mas por trás da decisão não está somente o medo de uma bala perdida. Ela foi detida e está sendo processada por crime de racismo depois de ter agredido verbalmente um candidato cotista que “tomou” sua vaga em um concurso público.</p>
<p style="text-align: justify;">De início, Bárbara se encanta com a vida em Lisboa. O patrimônio cultural, os vinhos do porto e a água encanada potável lhe proporcionam o alívio e segurança que procurava. Aos poucos, as nuances da sua nova posição social se impõem. A xenofobia surge na linguagem e nas carrancas dos lisboetas, e logo revela sua face mais cruel.</p>
<p style="text-align: justify;">Bárbara não consegue emprego em Portugal por ser brasileira e seu filho Zeca sofre preconceito na escola. Wagner, seu marido, se adapta melhor, mas vai se tornando insensível às dificuldades do resto da família. Privilegiada no Brasil do qual tenta escapar, ela agora é uma “zuca”, e terá as crenças e a identidade confrontadas pela discriminação. No registro quase diarístico de suas experiências, Bárbara risca os termos brasileiros e os substitui pelos equivalentes do português lusitano, esforço que, paradoxalmente, parece produzir ainda mais distanciamento.</p>
<p style="text-align: justify;">Com uma prosa firme e lúcida, Fernanda Hamann não entrega ao leitor uma jornada de salvação. Sua protagonista não é uma heroína. Tampouco é completamente vilã. <em>Zuca</em> busca o oposto do maniqueísmo didático, oferecendo uma trama construída com ambiguidades e sutilezas, provocando nossos juízos automáticos de justiça e compaixão. Bárbara não enxerga completamente o racismo que pratica, mas sentirá na pele a xenofobia. Insegura, recorrerá ao álcool e ao tabagismo para suportar o lento colapso da vida íntima e doméstica.</p>
<p style="text-align: justify;">Até que ponto sairá transformada? O leitor descobrirá. Ou melhor: terá que decidir. Sem respostas definitivas, a pergunta deixa um gosto amargo, mas o romance faz nas entrelinhas uma defesa indubitável da necessidade de diálogo em nossa época de crescente intolerância. Os afetos reacionários, nos sugere Hamann, se alimentam de pulsões destrutivas que só serão contornadas com união e empatia. O caminho é árduo, para os indivíduos e a sociedade. E sem garantias de redenção.</p>
<p><strong>Daniel Galera</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/zuca/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Grito Umbilical</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/grito-umbilical</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/grito-umbilical#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Jun 2025 11:03:33 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=25329</guid>

					<description><![CDATA[VALQUÍRIA (num tom triste, mas com uma certa ironia. Mantém-se de costas voltadas para a mãe)
Já acabaste? Não sei se percebeste, mas estive sempre aqui. Podes não verbalizar os desabafos que escreves? Digo isto porque me fazes sentir como um dos maiores erros da tua vida.
mãe da valquíria (fica incomodada, mas lida com naturalidade)
O problema não és tu. Sou eu. A coragem que perdi assim que te vi pela primeira vez. Viveste dentro de mim quarenta semanas. E assim, num ápice, nasceste e queriam cortar a nossa ligação à tesourada.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Grito umbilical</em> é uma peça que nos confronta com um laço inquebrável: o amor de uma mãe por uma filha. Mas quando esse amor ultrapassa os limites do visível e se torna um vínculo físico, um cordão umbilical que persiste para além do nascimento, para além da infância, para além do que consideramos normal — pararíamos para olhar? Julgaríamos? Compreenderíamos?<br />
Margarida Azevedo leva-nos a questionar as fronteiras entre afeto e aprisionamento, entre maternidade e anulação, entre dor e loucura. O amor pode consumir uma mãe até lhe roubar a identidade? Pode um filho ser uma extensão do corpo materno, mesmo quando já deveria ser livre? Pode a ausência de um filho destruir o amor entre um homem e uma mulher?<br />
Na voz de Simone, Mãe de Valquíria, ecoa a inquietação que atravessa toda a peça:<br />
“Tornei-me um pedaço de carne, com um cordão que nutre amor e insanidade”.<br />
Entre o instinto e a obsessão, entre o natural e o insano, <em>Grito umbilical</em> é um espelho onde nos vemos refletidos como Mãe, como Filha, como Pai… ou apenas como Os Outros.</p>
<p><em>Grito umbilical</em> é uma peça que desconstrói o amor materno para o expor na sua forma mais crua, visceral e, talvez, insuportável. Porque o amor, quando absoluto, pode ser um gesto de entrega, um refúgio ou um abismo.<br />
E no fim, fica a pergunta: é o amor um ato de insanidade?</p>
<p><strong>Elisa Scarpa</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/grito-umbilical/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Difíceis afetos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/dificeis-afetos</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/dificeis-afetos#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Jun 2025 14:52:08 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=25260</guid>

					<description><![CDATA[Esse ardor memorioso
repousado no corpo em demência.
Meu pai era militar. Minha mãe, dona de casa.
A ramagem exposta que alarda.
A casca dura que ampara a seiva.
Em casa havia uma arma escondida.
Estava vertida lá no fundo.
O que ainda provém?
Várias vezes peguei nesta arma.
Você também já não me olha como antes.
A recusa aprisionada no descanso do passado.
O filho gay. O desalinhado.
Corrosão nas vértebras dessa cidade
que também não me vê,
descobrindo os alicerces esfalfados
do precipício.
(<em>Voragem</em>, pág. 50)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Na <em>Ética</em>, Baruch Espinosa entende por afeto o modo como afetamos e somos afetados pelo mundo. Os afetos são forças de existir e de agir. Para o filósofo a alegria é um afeto que exprime a passagem de um estado de menor perfeição para um de maior perfeição; e a tristeza é um afeto que exprime a passagem de um estado de maior perfeição para um de menor perfeição. A partir da tristeza e da alegria, surgem novos afetos. Sendo forças, não se sujeitam a ideias ou vontades, apenas a outros afetos mais fortes e opostos. <em>Difíceis afetos</em>, de Jean Sartief, é um contramovimento. Uma afirmação da vida: <em>Esse ardor memorioso repousado no corpo em demência./ Meu pai era militar. Minha mãe, dona de casa./ A ramagem exposta que alarda./ A casca dura que ampara a seiva./ Em casa havia uma arma escondida./ Estava vertida lá no fundo./ O que ainda provém?/ Várias vezes peguei nesta arma./ Você também já não me olha como antes./ A recusa aprisionada no descanso do passado./ O filho gay. O desalinhado./ Corrosão nas vértebras dessa cidade que também não me vê,/ descobrindo os alicerces esfalfados/ do precipício</em>. Em “Voragem”, afeto e tempo misturam-se. O poeta recupera imagens e revela experiências. Passado e presente fundem-se e mostram como o tempo e o afeto operam na feitura do poema. A poesia reinaugura novas possibilidades de vida: <em>Muitas vezes tenho a certeza/ que os poemas/ guardam a vida/ mais que o próprio poeta. A palavra é o que fica, o que salva.</em> […] <em>No último fólio, está lá o desenho do coração entre os ossos/ e a caveira demarcando o fim ainda que a esperança seja uma promessa,/ um sopro de ar que se atreve a refrear a violência porque há a poesia</em>. Há a poesia?<br />
Se o tempo é o que se prolonga, o que dura, diz Sartief : <em>No princípio era a minha bisavó faminta/ atravessando um mar sem refúgio com sua roda da fortuna./ Hoje, a contagem dos passos em falso. A zanga.</em> Aqui, o tempo é como um raio encadeando o poema. Palavra lâmina, palavra em movimento. Tempo da palavra, visualidades. <em>A torre atingida por um raio</em>.<br />
Este livro é raio, lâmina, imagem, desejo, vida, lugar nenhum: <em>Ela disse que depois que eu me assumi já não podia ser seu parente./ Esse trauma emocional./ Esse sobressalto de não avançar para lugar algum&#8230; O raio afeta o mundo?</em> O afeto, raio do mundo? <em>Quase inverno e as folhas dançam foragidas./ No chão alguém desenhou um coração partido./ A senhora de caros sapatos azuis passa por cima sem se importar.</em> A poesia é corte, frestas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Elizabeth Olegário</strong><br />
Investigadora do CHAM (FCSH NOVA) e doutoranda em Estudos Portugueses (NOVA)</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/dificeis-afetos/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Abro livros, encontro espelhos — Abro libros, encuentro espejos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/abro-livros-encontro-espelhos-abro-libros-encuentro-espejos</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/abro-livros-encontro-espelhos-abro-libros-encuentro-espejos#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 May 2025 13:07:26 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=25213</guid>

					<description><![CDATA[[traducción]
<strong>José Ángel Cilleruelo</strong>

edição bilíngue

—
um homem
vive às escuras

só um relógio de gritos
o
pode
puxar

ou seremos só amantes de olhos fechados
com lâmpadas nos dedos
para
poder
pintar

—

un hombre
vive a oscuras

solo un reloj de gritos
lo
puede
sacar

o seremos solo amantes de ojos cerrados
con lámparas en los dedos
para
poder
pintar

(Relógio de gritos / Reloj de gritos)

&#160;

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Desde su primer libro, Folha Móvel (1987), Maria Azenha (Coimbra, 1945) ha construido una obra donde cada certeza contiene su opuesto. Su poesía es lírica y terrenal, abstracta y concreta, íntima y universal. Dos de sus libros han sido traducidos al español: La casa de leer en lo oscuro (2019) y Bosque blanco (2024), pero su fuerza no reside en los datos biográficos, sino en esa voz que funde contradicciones sin resolverlas.<br />
Es una escritura de paradojas: ensimismada y solidaria, sensual y doliente, arraigada en la tradición y abierta a lo contemporáneo. Usa un lenguaje delicado que no rehúye la crudeza, símbolos que se multiplican en significados. Su poesía es amorosa y civil a la vez, porque no rechaza nada: lo absorbe todo en versos donde conviven lo clásico y lo visionario.<br />
Tres pilares sostienen su obra: trascendencia (su lenguaje no es vehículo, sino destino), belleza (la emoción como forma de conocimiento) y perfección (un presente que se renueva en cada lectura). El resultado es una poesía tan personal como marmórea, tan corporal como conceptual. Una paradoja hecha palabra, que exige entrega y, al mismo tiempo, la devuelve intacta.</p>
<p><em>Abro libros, encuentro espejos</em>, traducida al español por José Ángel Cilleruelo, celebra los casi 40 años de trayectoria poética y los 80 años de vida de Maria Azenha.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/abro-livros-encontro-espelhos-abro-libros-encuentro-espejos/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Ísis e assim se esvai o mundo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/isis-e-assim-se-esvai-o-mundo</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/isis-e-assim-se-esvai-o-mundo#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 May 2025 10:58:04 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=25168</guid>

					<description><![CDATA[a Ísis
a gata do Eugénio
ganhou o vício de vir até
aos livros a secar à janela e enroscar-
-se a sonhar com as páginas
que mais a seduziram

hei-de perguntar
se consegue arrancar-lhes
das entranhas dos seus mistérios
as respostas que encontrou

pode ser que ajude
a nos encontrarmos

&#160;

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>No esvair do mundo<br />
Há uma gata no peitoril, a partilhar o calor do sol com os livros. Ísis de seu nome, como a divindade egípcia (Ísis com acento, claro, nada de confusões com a sigla do sangrento califado), no espaço e na casa de uma ausência, a de Eugénio Lisboa (1930-2024). Foi desafiado por ele que Manuel Almeida Freire uniu lira e ira n’A simpatia dos exilados (2023), garantindo um ano depois que apetece mais um trago (2024) – aos que partem, aos que ficam, à vida ainda por viver. Iluminado pela luz de Ísis, reflexo felino da luz eterna de Eugénio, ei-lo de volta a uma poesia por onde passam certas dolorosas despedidas (Eugénio, também Maria Clara Rocha dos Santos ou José Neto), a luta e o luto, guerras e martírios, Walt Whitman e Walter Benjamin, Mozart e Ungaretti, o rio e a ria, a atracção do infinito do mar ou de amar (como o infinito das paisagens, pasto de viajantes), ideias por vir e a caneta para escrever e descrever, lembranças eclesiásticas separadas por séculos (dos abades Suger e Bernard numa disputa de luz e trevas no século XI e do Padre António a pregar aos peixes no século XVII), a coragem do assassinado Navalny e a ascensão de novos tiranetes, onde se meneia “um emprenhado de arrotos arrogantes” que vemos “a governar a nova Roma em queda”. Disto se ilumina a escrita de Manuel Almeida Freire nesta nova incursão poética, enquanto aos nossos olhos “se esvai o mundo”.<br />
<strong>Nuno Pacheco</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/isis-e-assim-se-esvai-o-mundo/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Subsolo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/subsolo</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/subsolo#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 May 2025 13:40:43 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=25125</guid>

					<description><![CDATA[A separação
Dos teus lábios que tocam o ar-fronteira dos meus
Da magra linha de ar que ambos inspiramos
Do frémito que ainda não é beijo
Da diluição dos nossos lábios
Da aguarela das nossas línguas
Do quadro que desenham os nossos corpos

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Entre o passado e o futuro, a existência vê-se, por vezes, suspensa, imobilizada. É-se atravessado pelo tempo que corre voraz e impiedoso, mas que, ainda assim, é suficientemente lento para que se espere pelo que há-de vir. É na tensão entre a revisitação melancólica do que não aconteceu e o desejo de que pudesse acontecer, que Beatriz desenha o presente inacabado, por natureza. Torna tangível o que é subterrâneo e procura a expressão máxima do ser, a exaltação, o êxtase, a pulsação, o corpo e a morte.<br />
Sem subestimar o carácter ininteligível da matéria de que somos feitos, reconfiguram-se a linguagem e os significados, que aproximam a poesia da pele, para sentir e questionar o estremecer de se estar vivo e as suas flutuações. Percorremos sem pudor os universos vários do corpo, reflectindo sobre a potência da liberdade e do desejo, mas também sobre a aparente sentença e angústia de se ser algo, ainda antes de ser. Uma existência presa a significações que, impostas, tornam mais estreitas as margens do corpo. Deste conflito entre o mundo exterior e o de dentro, parece imprescindível ter o atrevimento de enfrentar e ser permeável ao abismo do ser, perscrutando os latentes lugares sombrios, obscuros, mas também sinceros. Ser-se vulnerável, perante a própria essência, na busca da nossa forma verdadeira e justa — que não é estanque, antes transitória —, para poder enfim olhar para fora e para o outro. Degustar o dissabor da desilusão, aceitar a tristeza e a revolta como traduções do viver e não temer a amargura ou o medo que se constroem no decorrer do tempo, mostra-se-nos indispensável. Entre o desenho do quotidiano e da consciência, o fulgor revela-se nas pequenas coisas e a sublimação, tal como a noção de tempo, sugere-se efémera.<br />
Num diálogo entre a esperança e a memória Subsolo emerge. A palavra torna-se matéria-prima, plástica, para traduzir os contornos do invisível e mudo que habita sob a pele — esse lado oculto do ser que se manifesta misteriosamente. Talvez o consolo possa advir do encontro insaciável com esse nosso lado por conhecer.</p>
<p><strong>Teresa Moreira</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/subsolo/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Cabras</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/cabras</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/cabras#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 May 2025 10:42:28 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=24797</guid>

					<description><![CDATA[destroçado, muro aparta
distraído, furo aponta
desmembrado, dedo monta
destruída a rara manta
destronada a clara santa
desnutrida, clama sexo
deslumbrante, diz-se puta
diluída, clama fruta
desvairada, morde a fronha
tresloucada, ama o freixo
(<em>a vida é selvagem</em>, pág. 21)

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>É como estivéssemos em viagem. Para perto ou longe, num tempo presente ou passado, chegando e partindo entre paisagens e emoções. Lana Ruff propõe, em seu segundo livro de poesia, cabras, que façamos o trajeto pelas partes do corpo físico de um animal-humano-não humano, e que depois seja feita meia-volta pelo mesmo trajeto, desta vez por uma espécie de corpo espiritual ou emocional.</p>
<p>Como quem escuta um bom disco de vinil, a obra nos convida a apreciar um balir de cabra repetidas vezes e em dois lados. O Lado A — pra dentro e pra cima — narra em cinco partes um movimento de internalização de si, de adensamento e aterragem do corpo, de crescimento do ser. O Lado B — pra fora e pra baixo — espelha e completa o arco narrativo, revelando em outras cinco partes o resultado das tentativas que a cabra faz para esvaziar-se e simplificar a sua apreensão de mundo: o regresso ao pasto.<br />
Nessa construção poética, as palavras &#8211; escolhidas a dedo e colhidas do pé &#8211; aparecem com profundidade mas também com o bom humor de quem brinca de se encaixar. Onde isso talvez seja mais evidente é em cada um dos mini poemas que inauguram cada capítulo, costurados de forma intrincada e divertida para refletir (literalmente) seu capítulo correspondente no lado oposto.</p>
<p><em>Cabras</em> é uma e muitas. É percurso, pensamento, paisagem e viagem. É mulher, animal, senhora ou criança. É um corpo não-corpo que nos acompanha quando subimos montanhas, damos ou tiramos leite ou saltitamos por aí. Sem ser nada disso, a cabra em cabras é imaginária, universal, onipresente, inexistente.</p>
<p><strong>Thais Ozzetti</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/cabras/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O labirinto das duas árvores</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-labirinto-das-duas-arvores</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/o-labirinto-das-duas-arvores#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 May 2025 10:30:05 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=24779</guid>

					<description><![CDATA[Vou esculpindo o tronco,
o mistério
que me trouxe até aqui,
à arqueologia dos valados,
à cal, aos telhados de barro da terra,
às raízes amargas e venenosas
a suster a amendoeira
tão delicada em flor.

Trago o desejo
de cavar, de encontrar uma luva
ou pequeno utensílio
esquecido dentro de um valado.
E esse amargo do veneno
das minhas próprias raízes
a suster a amendoeira
tão delicada em flor.

(<em>porta-enxerto</em>, 39)

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Este é um pequeno livro fascinante. Havia muito tempo que não lia nada assim. Quando se diz que poesia é linguagem, habitualmente esquece-se que as palavras só criam sobressalto quando o mundo que elas evocam ergue diante dos nossos olhos uma revelação esperada, mas cujas imagens desconhecíamos. Foi esse sentimento de encontro súbito com o inesperado aguardado que me provocou um terramoto pelo encontro com o universo de Sofia Correia. Os poemas de O labirinto das duas árvores levantam do chão sombras de animais selvagens, figuras ancestrais de um tempo mediterrânico remoto, sentimentos em diminutivo que ficaram escondidos sob o lastro da tecnologia e da modernidade, os lugares pacatos dos campos de que se tem vergonha de pronunciar os nomes, as figuras queridas mortas que ressuscitam para acarinhar as mãos da poeta.<br />
É possível que as vivências longe da pátria tenham criado em Sofia a noção do valor do mundo desaparecido, mas cuja raiz se encontra sob a terra que pisamos e condiciona o nosso futuro colectivo. É bom encontrar, assim, uma poesia moderna sem metáfora convencional, toda ela palco e narrativa, ladainha, a organização de um livro cuja imperfeição confere perfeição e sentimento de verdade. Uma homenagem a um povo em transformação, através de versos esparsos, por vezes ilógicos, por vezes literais, como se a autora ignorasse regras básicas da gramática poética, e por esse despenteado sopra uma sinceridade que comove. Uma autobiografia angélica, não confessional, sem outra pretensão que não seja o louvor das coisas. Ao ler este livro, pensei em vozes como a de Herta Müller dos primeiros romances, ou a Irene Solà de Eu canto e a montanha dança, textos em que as autoras não têm pudor de usar os materiais ancestrais e domésticos mais modestos que há para erguerem vozes que vêm ter connosco e nos surpreendem por nelas reconhecermos o que estava a ser esperado, sem o sabermos. Coloco em relevo poemas como “A sobremesa”, “Memória dos montes ou ainda “Celebração dos cem anos do Museu do Cineteatro”. Nós sabíamos que eles existiam em algum lugar, mas estavam escondidos. Que este seja o primeiro de muitos livros da autora.</p>
<p><strong>Lídia Jorge</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/o-labirinto-das-duas-arvores/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Paixões (a partir das sete últimas palavras de cristo)</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/paixoes-a-partir-das-sete-ultimas-palavras-de-cristo</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/paixoes-a-partir-das-sete-ultimas-palavras-de-cristo#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 May 2025 15:16:37 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=24736</guid>

					<description><![CDATA[José Outra vez, filho? Como é que isso voltou a acontecer? Foi o mesmo colega?
Cristo Não sei como é que aconteceu, pai, eu não consigo defender-me, é mais forte do que eu. Não tenho vontade nenhuma de lutar com os meus colegas. Eles sabem isso, aproveitam-se de mim.
(paixão #1 pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Paixões, a partir das sete últimas palavras de Cristo é um projeto que começou quando ouvi uma obra de Joseph Haydn, mais propriamente no programa da Antena 2 de Martim Sousa Tavares, O mundo à minha procura. Estava no carro, ia buscar o meu filho à escola, e o apelo para escrever este projeto foi imediato, como se tivesse de o desenvolver para alguém, como uma mensagem para o presente e futuro, e esse alguém era o meu filho.<br />
Reunidas as condições para adentrar neste projeto, abri uma convocatória para ter um grupo de leitores críticos, uma vez que as sete peças curtas seriam escritas em Google Docs, precisava das palavras e do pensamento dos leitores, mas também do diálogo, tendo em conta que desde a primeira palavra o grupo de leitores teve acesso aos textos, assim como a possibilidade de comentar sempre que entendesse. Ao longo da escrita das sete peças, os seis leitores críticos comentaram as peças, trouxeram inquietações e apontamentos que muito enriqueceram o trabalho final, por isso só posso agradecer profundamente a Eduardo Molina, João Delgado Lourenço, Ivan Fernandez, Patrícia Duarte, Rafa Jacinto e Thiago Arrais.</p>
<p><strong>Ricardo Cabaça</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/paixoes-a-partir-das-sete-ultimas-palavras-de-cristo/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Partida ao cais</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/partida-ao-cais</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/partida-ao-cais#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 May 2025 10:40:19 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=24732</guid>

					<description><![CDATA[Beth, uma mulher que prefere ser sereia, quer um passado novo. Não basta reescrever o conto de Ariel, é urgente reeditar sua própria história. Ela não quer mais ser a moça assassinada, a Black Dahlia, aquela que chamou tanta atenção nos jornais dos EUA no início do século XX. Beth quer seu passado de volta, sua morte também.
Cabe à narradora desta novela, uma escritora radicada em Veneza e escondida no centenário Café Florian, aceitar esta ordem no meio de um luto, uma inundação e uma pausa no casamento. Ninguém pode dizer não a uma sereia gótica com apenas um seio, do outro lado uma cicatriz, no rosto uma tristeza sólida e macilenta. Juntas, numa costura artística de cicatrizes, as duas seguem em busca da transformação, da metamorfose, do maravilhamento. Partida ao cais é uma jornada surrealista, uma viagem feita numa Veneza inundada, Veneza-pântano, onde o corpo da mulher pode ser o que a dona deste corpo bem quiser e não o que artistas surrealistas como Max Ernst e André Breton desejavam, obcecados com a figura da femme-enfant.

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Você já sabe como se escreve a raiva?</p>
<p>Escrever sobre a mãe morta é procurar por problema. Quando uma mãe morre, começa uma transformação no corpo da filha. Um legado insuportável e pesado como fardo que nos faz repuxar a perna, doer os nervos, pesar as ancas como se afundássemos, criar fungos nos pulmões.<br />
Carla Mühlhaus e sua escrita embriagada de ricos sentidos como se fosse uma ode à sinestesia, nos colocam em contorno com o delírio da dor, do ressentimento e do espanto de uma mulher sem uma mãe, essa personagem sempre inacreditavelmente desconhecida de uma filha. Contorna a narrativa uma asma, uma dificuldade da mais natural capacidade de um corpo, a respiração, porque respirar não é tão simples quanto faz parecer o ar onírico de uma Veneza quase surrealista, acostumada a afundar e que nos intoxica com as referências molhadas de uma memória mofada, banhada a cicatrizes. Uma leitura que exige do leitor a atenção irrestrita, não só pela complexidade narrativa que dá ao texto uma estética deslumbrante e rara, mas pelas referências nunca gratuitas pontilhadas como cristais que, além de iluminar, fazem cortar. Elementos que se fincam, estacas venezianas profundamente mergulhadas que sustentam, mas que, como quem narra a morte, também apodrecem, deixando à mostra a beleza daquilo que desaba.</p>
<p><strong>Nara Vidal</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/partida-ao-cais/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Coreografia de um imaginário</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/coreografia-de-um-imaginario</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/coreografia-de-um-imaginario#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Apr 2025 11:45:50 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=24677</guid>

					<description><![CDATA[No silêncio
Há um horizonte de mãos caídas
sem nenhum pensamento que te limite
Só as mãos sabedoras percorrem o corpo

Desvendando todos os lugares
Cada curva geométrica
em que me reconheço

Traz de volta em gemido
o nome
Sei-me em cada célula
no fluir da entrega

(III, página 11)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Desde as memórias remotas, a poesia foi para Teresa um refúgio e um modo de dar forma às suas perceções e emoções. Ainda em adolescente, encontrava nas palavras um território seguro onde podia transformar angústias em versos e perplexidades em ritmos e imagens. Com o passar dos anos, a relação com a poesia tornou-se mais consciente e estruturada, funcionando como uma espécie de amortecedor para lidar com a realidade, tantas vezes exigente e desafiante.<br />
A sua escrita poética é, assim, um prolongamento da sua investigação e do seu olhar artístico, refletindo um compromisso com a beleza, a introspeção e a expressão emocional. Para Teresa, a poesia não é apenas uma manifestação estética, mas também uma ferramenta de elaboração subjetiva, uma forma de dar sentido ao vivido e de transformar experiências em linguagem partilhável.</p>
<p><strong>Carlos Lopes Silva</strong><br />
psicoterapeuta e psicanalista</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/coreografia-de-um-imaginario/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Em movimento</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/em-movimento</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/em-movimento#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Apr 2025 09:22:19 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=24554</guid>

					<description><![CDATA[O instante exato em que, ainda longe da vista de todos, uma bailarina se decide a entrar no palco: é agora.
A possibilidade de andar para trás num vídeo, os gestos tornando-se sobre-humanos quando executados na sequência inversa.
Ao cingir um nó, a tensão dos braços em direção contrária um ao outro, para fora, até serem puxados para o centro pela força do nó que se aperta.
O momento em que alguém que corre olha para baixo, para os seus pés, para as suas pernas, não as sentindo como suas.
A tensão na vara de uma funambulista; aparentemente inerte, mas em tensão forte e delicada, de uma ponta à outra, mantendo o equilíbrio do corpo que a segura.
Os saltos que o barco dá em resposta à passagem de uma onda por baixo da sua quilha. O ímpeto com que as pessoas que o barco transporta se elevam, e depois caem.
O impulso do nosso corpo quando o comboio trava: a inércia forçando o tronco a avançar um pouco mais, ainda que a máquina que nos envolve se estanque.
(<em>Prólogo</em>, página 7)

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Pousados nas prateleiras das estantes, alinhados por uma ordem caprichosa ou impecavelmente racional (alfabética, cronológica, às vezes secreta e enigmática), os livros podem parecer objetos estáticos. Fixos entre capa, lombada e contracapa, com os cadernos colados ou cosidos, os livros repousam, iguais a si próprios, num silêncio obstinado. Mas basta alguém abri-los e seguir de linha em linha para o tempo surgir, e a passagem das horas, e a transformação de todas as coisas. Nesse instante, percebemos que nada é estático no livro, que nele tudo se move e se muda, e que nós próprios mudamos com ele, graças a ele. Ler é uma experiência do movimento, o movimento é uma experiência da transformação.<br />
Chama-se precisamente Em movimento este belo livro de estreia de Ana Sabino Moura. São vinte e três histórias, quase uma por cada hora do dia, mais um prólogo e um epílogo, como que abrindo, como que fechando. São histórias de seres sozinhos ou acompanhados, corajosos ou assustados, quantas vezes contemplativos ou surpreendidos com os seus próprios gestos. Alguns estão no limiar de uma viagem que ainda mal começou, outros recordam viagens terminadas; todos, todas — se definem por um percurso, que às vezes é desejo e às vezes é memória.<br />
Mas chega a ser enganador colocar a questão nestes termos, como se houvesse, por um lado, a viagem, e, por outro, o viajante; como se existissem corpos separados dos espaços, identidades fixas atravessando o mundo. Este livro ensina a pensar de outro modo, ou seja: que nós somos as próprias viagens que fazemos e os percursos que traçamos. Não se pode separar a viagem do viajante: o nosso nome é apenas a memória de todos os nossos gestos — recuperar um objeto perdido, ganhar uma corrida, conhecer o desconhecido, reencontrar a pessoa amada. Gestos simples, mas essenciais: gestos em que cada personagem aposta a totalidade da sua vida, decidindo assim o sentido dos seus dias.<br />
Como bem sabe uma destas personagens, estamos em movimento perpétuo: o mundo não existe, transforma-se sem descanso na insistência dos nossos passos. Ou no intervalo das folhas, no livro em movimento.</p>
<p><strong>Pedro Eiras</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/em-movimento/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Algumas palavras não devem sair do céu da boca</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/algumas-palavras-nao-devem-sair-do-ceu-da-boca</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/algumas-palavras-nao-devem-sair-do-ceu-da-boca#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Apr 2025 09:40:59 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=24540</guid>

					<description><![CDATA[a palavra discorre abaixo da consciência.
labora autónoma
manifestando-se à superfície, como parte do eu.
no mesmo compasso do complexo de Jung, mas
a semelhante galope, do fidalgo enlouquecido
que vive valores de cavalaria.
qualquer coisa intermédia de coragem merecida:
enfrentar
gigantes ou moinhos de vento, como papel
ou sintoma.
transgredir camadas,
ora levedadas.
ora escritas.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Este manuscrito é uma travessia visceral pelas camadas mais profundas da psique humana, estruturado por fragmentos que desnudam o corpo, o tempo, a linguagem e a solidão. O texto explora as tensões entre o consciente e o inconsciente, revelando pulsões, desejos e angústias que emergem das dinâmicas do eu. O corpo, frequentemente representado em imagens cruas e tangíveis, aparece como o palco das pulsões freudianas, num território onde se cruzam o prazer, o sofrimento e a inevitabilidade da decadência.<br />
A linguagem como campo de batalha psíquico, funcionando tanto como expressão, quanto como limitação. Há um esforço constante de simbolizar o inominável, mas também de confrontar o silêncio, como se as palavras fossem insuficientes para conter a vastidão do que é vivido internamente. Os elementos banais como café, pão e listas de compras são reinterpretados como palco das pequenas tragédias psíquicas e existenciais, ora atravessados por humor ácido, ora por melancolia.<br />
O tempo e a mortalidade assumem um papel central, aparecendo como forças que corroem a matéria e os sentidos, ao mesmo tempo que impulsionam a escrita como um ato de resistência frente ao inexorável. As construções identitárias fragmentadas refletem um eu em constante desconstrução e reconstrução, ecoando a luta psicanalítica pelo autoconhecimento e pela integração de partes dispersas. A obra, ao mesmo tempo filosófica e visceral, expõe um mosaico da condição humana, onde as camadas mais profundas da psique dialogam com a superfície.<br />
Catarina SottoMayor combina simbolismo denso e o concreto da abstração. Este manuscrito transita entre o corpo e a palavra, entre a carne e o pensamento, criando uma poética de confrontação com as forças invisíveis que moldam a existência.<br />
É uma jornada ao inconsciente, onde o poético se torna análise e a análise se torna poesia, num movimento contínuo de sondagem das profundezas da psique humana.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/algumas-palavras-nao-devem-sair-do-ceu-da-boca/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Peixes carnívoros</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/peixes-carnivoros</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/peixes-carnivoros#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Apr 2025 10:03:17 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=24419</guid>

					<description><![CDATA[O parque é amplo e insinua-se a todos que nele entram. Se soubessem. Mas não sabem que estão prestes a sucumbir. O parque insinua-se e fá-lo sem rodeios. Ele, pelo contrário, cultiva timidez na forma como se senta ao lado dela. Com um olhar de sumarenta fruta tropical, ela espreme-se em rendição. Sem hora marcada, por entre os galhos, alguém assiste à discreta revolução de um beijo.
(<em>peixe-cravo,</em> página 28)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A prova de que estamos sempre no ponto de partida, ignorantes do futuro e sem noção da maravilha que nos falta está inteira no livro de Chantal Guilhonato.<br />
Subitamente, a estreia de uma poeta do tamanho de Guilhonato mostra como falta saber tudo acerca da poesia, porque aqui se inaugura uma personalidade que não tem paralelo com nenhuma outra, feita de ser tão ímpar que nos desampara.<br />
Tentei encontrar-lhe pares, e julgo que talvez pudesse acompanhar-se de Clarice Lispector e Adília Lopes ou Lourdes Castro e Belkis Ayón, mas apenas como almas que se podem avistar mutuamente à distância, porque de perto, de facto, o mundo nunca viu Chantal Guilhonato, a bizarra, diria absolutamente improvável, maneira de esta mulher o ser e nos dizer acerca dos seus dias.<br />
Tudo é diário ou tudo é para caçar o tempo, que é o mesmo que guardar pequenas coisas no lugar crescendo da memória.<br />
Ao terminar este livro não estamos de leitura acabada. Muito ao contrário. No planeta dos livros acaba de chegar uma habitante de largo fulgor. Ao terminar este livro reconhecemos sua cidadania. Estaremos para sempre na sua vizinhança. Passaremos a ver o que aqui está escrito em tanta coisa de nossos próprios dias. Como para sempre o faremos com Clarice, Adília, Lourdes ou Belkis.<br />
Pessoas assim são inevitável, fértil, maravilhosa companhia. Para sempre.</p>
<p><strong>Valter Hugo Mãe</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/peixes-carnivoros/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A palavra mata a coisa</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-palavra-mata-a-coisa</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/a-palavra-mata-a-coisa#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Apr 2025 13:42:19 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=24351</guid>

					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Disseram que eu era uma menina e naquele momento me alienaram de mim. Havia sido dada ao mundo há instantes, é que a palavra mata a coisa. Vai se chamar Marina. Uma vez perguntei o porquê do meu nome . “Tínhamos pensado em Olívia, mas se você fosse muito magra, iriam te chamar de palito!” Nasci Marina para não ser chamada de palito.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Uma mulher nasce antes de nascer. O mito da tábula rasa foi desfeito há muito. Um ser quando nasce não é um papel em branco, uma página a se escrever. Quando chegamos ao mundo, já há algo escrito em nós. Nosso corpo é esperado, sonhado, a imaginação antecede a pessoa.</p>
<p style="text-align: justify;">E ao nascer Mulher?</p>
<p style="text-align: justify;">Quando uma semente é brotada no colo de nossa mãe, a mãe nos entrega uma memória. Não apenas a sua, mas a daquelas que vieram antes, daquelas com quem conviveu, daquelas que nem conheceu. Não só a mãe, mas todos a sua volta, esperam e entregam.</p>
<p style="text-align: justify;">No ato do nascimento, a palavra mulher, que antes se traduz como a palavra menina, é dada àquela que nasce e de algum modo a acompanhará por toda a vida.</p>
<p style="text-align: justify;">“É preciso plantar para colher e eu fico aqui agarrada às minhas sementes”, Marina Sales Rodrigues se agarra às sementes, ao mesmo tempo em que as quer soltar, me pergunto se não é o mesmo que fazemos com as palavras ao escrever um livro. As agarramos na intenção mais profunda de que elas sejam lançadas e sigam seu próprio caminho. Assim, são as raízes que se fincam no solo e se nutrem da água para que possam emergir. São nas raízes, nas águas de sua própria história, que Marina nos coloca diante do acontecimento de se nascer Mulher.</p>
<p style="text-align: justify;">Os capítulos “Útero”, “Aquário”, “Areia”, “Mar Afora” e “Oceano” percorrem o caminho do nascimento à fase adulta de uma mulher, trazendo historietas e percepções sobre sua própria vida. Do mesmo modo que a memória não é linear, o livro pode ser lido em qualquer tempo e em qualquer ordem, como um oráculo que nos acompanha no encontro e no acaso de quem lê. Cada texto é em si próprio, ao mesmo tempo que é cuidadosamente alinhado a um todo.</p>
<p style="text-align: justify;">A metáfora da água que irriga o útero e chega ao oceano, em uma escrita poética e límpida, mostra o <em>devir</em> mulher. Nossos fluxos são diversos, temos em nós a singularidade, mas há uma semente que nos une. É essa gota, que espalha e nos acompanha por todo sempre, que é reconhecida em <em>A palavra mata a coisa</em> desta autora que estreia na literatura com consistência e delicadeza. Mulher. Palavra de encontro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Isabelle Borges</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/a-palavra-mata-a-coisa/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O cheiro das belas balas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-cheiro-das-belas-balas</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/o-cheiro-das-belas-balas#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Apr 2025 09:43:47 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=24330</guid>

					<description><![CDATA[Assombro o relógio, persigo as horas,
declaro guerra ao tempo
Existo momento, guilhotino a janela,
cerro a porta ao instante
Humilho o papel, estendo o lençol,
aguardo-me fim fatigado
Esmago o piano, conspurco o livro, lanço-me nu ao rio

Corto a cabeça da boneca, corto o pelo do cão,
desassombro-me
Olho nos olhos do ídolo, desmascaro-o,
cuspo-lhe na roupa nova
Arranco as asas do anjo,
arranco a minha mão desnecessária
Mão de ferro forjada, esguicha o sangue
e domino-o à dentada

(<em>A torre</em>, página 24)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O cheiro das belas balas</em> não é simplesmente uma colectânea de poemas. Lê-se mais como uma rapsódia: uma sequência de episódios fortemente contrastantes (expressivamente contrastantes, como o contraste que o próprio título exemplifica) no que diz respeito ao tom emocional, temas, ideias, e, sobretudo, nas experiências que evoca. Porém, a sucessão contrastante desses episódios conta (ou canta, à maneira do rapsodo ou bardo) uma história que não é a história deste ou daquele indivíduo, um relambório de alma dorida. A história aqui contada tem um ponto de vista mas não um sujeito definido. É uma caixa de ressonância, em que as experiências e afectos de uma geração se cruzam e amplificam, condensadas numa voz, num momento, numa imagem. É uma história de fantasmas, no duplo sentido da palavra: presenças espectrais do que já não é, mas, de algum modo, continua presente; do que não chegou a ser, mas tampouco deixou de se fazer sentir; mas também as imagens, os escolhos da imaginação, a lenha imaterial da ideologia. O modo como começa e as palavras com que termina são emblemáticas: o confronto do pensamento com o horror da indiferença, o esquecimento, a desilusão com a travessia, as promessas de um mundo não materializado, congelado como imagem, ícone do nosso cinismo e de um inerradicável idealismo que não consegue deixar de cantar a redenção possível: amor, amigos, um obrigado (imenso) pelo indizível. Uma maneira de ler este poema, rapsódia de poemas cosidos com o fio de duas paixões que se negam mutuamente e no entanto não podem não ser juntas (gémeos siameses, o exílio da síntese que não se resolve, porque o progresso era mentira), é como um responso dos vindouros (cabrões de vindouros!), a geração que cresceu e viveu com o rescaldo da festa (somos a recordação do momento que toma o lugar do momento propriamente dito). Quem leu bem a insuperável rapsódia do Portugal contemporâneo (refiro-me a FMI de José Mário Branco) entende o que quero dizer. Não só o mar e a travessia, as interpelações directas, mas os motivos, que aqui têm eco e desenvolvimento, transmutação.<br />
Este texto é, antes de mais, honesto, nas palavras certeiras do autor: “a vergonha do meu poema é a necessidade do meu poema”. Não escolhemos o que somos, apenas viver o que somos. Porém, as emoções a que o André dá aqui forma e corpo são nossas. Porque são assim, tão profundamente nossas, podem, enfim, ser de toda a gente.</p>
<p><strong>Vítor Guerreiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/o-cheiro-das-belas-balas/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Uma gaivota esmagada no asfalto da avenida</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/uma-gaivota-esmagada-no-asfalto-da-avenida</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/uma-gaivota-esmagada-no-asfalto-da-avenida#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Apr 2025 10:15:31 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=24312</guid>

					<description><![CDATA[Durante os dias mais frescos vou para a varanda da pousada sentar-me na minha cadeira de bambu. Tenho um quarto só para mim, mas como a vista da minha janela é um dos muros laterais da propriedade, prefiro sempre passar o dia lá fora, na minha cadeira. Às vezes compartilho o espaço com Aldemaro — ele não fala muito, e por conta disso não me importo com sua companhia. Ficamos os dois nos nossos próprios mundos observando o mundo dos outros lá fora, não há muito para fazer além disso. Quer dizer, dentro da pousada há uma sala de jogos de cartas e tabuleiros, onde inclusive acontecem aulas de crochê, pintura e pseudo ginástica durante as terças e quintas-feiras. Também há uma sala para assistir televisão, mas enquanto a velha Dolores estiver viva aquilo vai estar sempre a passar novelas mexicanas ou algum programa estúpido de auditório. Por isso, na maioria das vezes, estou na varanda com Aldemaro. Observamos as pessoas transitando do outro lado do pequeno muro apressadas ao telefone; jovens sorridentes saindo da escola com suas risadas altas que ecoam ultrapassando o som de tudo à nossa volta; vemos também, vez ou outra, alguns velhos da vizinhança arrastando os pés na calçada com seus sapatos de couro de vaca igualmente velhos — é até engraçado como alguns deles tentam não olhar para cá, contam as moedas para o pão, desviam os olhos, viram o pescoço para o outro lado da rua, assobiam a imitar passarinhos, mexem na bolsa à procura de qualquer coisa, etc. etc. Penso que esses velhos malucos sentem receio de que possam ser igualmente estufados aqui dentro a qualquer momento, como se nós fossemos agarrá-los pelos calcanhares e fazê-los de reféns. Por mim, arrancaria-lhes os sapatos e os lançaria na testa até que não os visse mais à minha frente.

(<em>Casa de pouso</em>, página 9)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em Uma gaivota esmagada no asfalto da avenida, Pâmela Pedra transforma o ordinário em espelho da condição humana. Por meio de narrativas que ecoam as angústias e os dilemas das vidas comuns, a autora conduz o leitor a um encontro visceral com a verdade — uma verdade que, muitas vezes, nem sabíamos estar buscando.<br />
Essa verdade se impõe, inevitável e crua, evidenciando as contradições da existência: a solidão como companheira silenciosa, a dor que molda e corrói, e as desilusões que, ao mesmo tempo, destroem e revelam. A cada página, o leitor se descobre e se redescobre, identificando fragmentos de si mesmo nos personagens e nos cenários que, tão próximos, poderiam ser extraídos de suas próprias memórias.<br />
A autora, observadora das miudezas da vida, escancara as mazelas da natureza humana sem condescendência, mas com uma sensibilidade que transforma a leitura em um ato de introspecção e catarse. Este livro é uma jornada que provoca, inquieta e, sobretudo, emociona.<br />
A obra transita pelos limites entre o real e o simbólico, capturando as tensões e os dramas que habitam o cotidiano de cada um de nós, e é marcada por uma escrita que dialoga com a poesia da dor e a brutalidade da existência.<br />
<strong>Layane Almeida</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/uma-gaivota-esmagada-no-asfalto-da-avenida/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Travessias poemas sobre o partir(se)</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/travessias-poemas-sobre-o-partirse</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/travessias-poemas-sobre-o-partirse#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Apr 2025 10:06:30 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=24282</guid>

					<description><![CDATA[a menina se confunde,
baralha-se.
troca o pequeno-almoço
pelo café da manhã.
os colegas acham graça, mas ela não.
tem vontade de voltar.
mas pra onde?
se a família está aqui,
se os amigos cá estão.
pertencimento.
dizem que vem com o tempo,
não parece ser o caso.
os anos passam
mas não o ressentimento
de habitar um limbo
em que já não é mais
e também jamais será.
parte de…
part(idas).

[<em>part(idas), </em>página 13]

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“Somos una especie en viaje”, toca na vitrola Jorge Drexler enquanto te escrevo&#8230;”yo no soy de aquí, pero tú tampoco”. Vim em missão de amor te contar que aqui as palavras são andorinhas que vão atiçar sensações adormecidas. Sonhos de asa própria, de alguma revolta contra preconceitos, sonhos de vento e movimento.<br />
A gente tem medo de desejar sopros de mudança. Tem medo de perder aquilo que conhece, aquilo que achamos que nos compõe. Migrar amansa o ego e as ilusões todas, um dia escrevi isso no meu primeiro livro e a Cleidi leu. Nos encontramos na Praça das Flores em Lisboa e as letras, nossas filhas e histórias começaram uma costura bonita que dura mais de 7 anos.<br />
Há um vazio entre mundos que é conhecido pelo coração de imigrante, mais ainda de mulheres que pariram suas crias e amamentaram pelas ladeiras enquanto exerciam o direito ao sonho. Reinvenção. Só quem empurra o barco na praia, joga a bagagem ali e começa a enfrentar as rebentações pode saber o temor que dá.<br />
Mas medo é farol, diz tanto do que no fundo queremos e devemos fazer. E ela foi, não sem medo, mas com coragem.<br />
É preciso que uma vida morra para que a vida desejada possa nascer, mais ou menos isso falou Campbell. Pessoas que se jogam na arena da vida com coragem inspiram e servem de luzinha no meio da imensidão da noite quando nosso barco migratório fica à deriva em alto mar. Somos todos criadores e nossa vida bem podia ser nossa obra de arte. Sinto que para a Cleidi a escrita vem assim, como fonte salvadora quando nada mais resta de resposta.<br />
Este livro foi escrito com dígitos em chamas, com olheiras profundas, casa caos e amor e três crianças para criar, com grana acabando, com angústia tomando conta e muita gana de, mais que existir, viver! Ele contém pingos de recomeço e morte da inocência do desejo de pertencer.<br />
Pois quando nada é certo, tudo pode ser redesenhado. E isso pode ser libertador. Ainda mais quando sabemos que o movimento é nossa sina, mas é a alma que buscamos resgatar no andar dos mundos&#8230;<br />
Se deixe afetar pelo rio de palavras que Cleidi nos criou&#8230;ele te levará ao mar da tua própria imensidão poética.</p>
<p><strong>Eliana Rigol</strong><br />
escritora</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/travessias-poemas-sobre-o-partirse/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Mais perto do céu que da terra</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/mais-perto-do-ceu-que-da-terra</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/mais-perto-do-ceu-que-da-terra#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Apr 2025 09:23:45 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=24200</guid>

					<description><![CDATA[O barco vem todas as terças-feiras. Acho que são terças, não tenho realmente nenhum modo de medir a passagem do tempo além da primitiva contagem dos dias, e mesmo o meu talento para isso agora escasseia, nós não temos calendários ou telemóveis ou raio que o parta, somente o sol, a lua e a fraca memória, mas, quando me trouxe a mim, foi a uma terça-feira e faz sentido que tal se mantenha, o homem é uma criatura de hábitos, se não for de mais nada. Lá se aproxima ele, lentamente, lentamente. Nós esperámos, com os pés enterrados na areia, os braços enrolados à volta do corpo e os olhos postos com dificuldade no horizonte. Já quase consigo distinguir a silhueta dos seus ocupantes recortada contra o nascer do sol, o capitão e a pequena figura que carrega. Então, o barco traz nova gente.

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A novela retrata um cenário apocalíptico que ilustra os dilemas e inquietações que trazem das gerações mais novas. O texto pretende, sem o fazer explicitamente, abordar questões profundamente relacionadas com o quotidiano de uma geração que cresceu no seio de transformações sociais, económicas e tecnológicas rápidas e intensas.<br />
O protagonista vive num mundo desprovido de esperança, onde os dias se arrastam numa rotina monótona e apática. Sonho e realidade misturam-se, criando uma atmosfera de confusão e resignação. Essa tensão entre a dificuldade de enfrentar a realidade e o desejo por algo melhor traduz a experiência de muitos jovens adultos. Criados sob a promessa de que poderiam conquistar qualquer coisa, enfrentam um mercado de trabalho precário, crises económicas, uma pandemia global e conflitos incessantes, tudo contribuindo para uma sensação coletiva de incerteza e desalento. Comparativamente, na presente narrativa, as memórias enganam, desfazendo a noção de tempo e espaço, os traumas passados, pouco nítidos, obscurecidos por uma memória entristecida, afetam o protagonista de forma incapacitante. Num mundo digital, onde fotos, vídeos e publicações revivem continuamente memórias antigas, cria-se a ilusão de que o passado está sempre presente. No entanto, essa constante revisitação muitas vezes leva a uma sensação de estagnação e saudade de momentos que não foram vividos plenamente — ou que talvez nunca tenham existido.<br />
A batalha desoladora descrita na novela, em que a natureza se torna um adversário implacável, faz eco dos desafios ambientais enfrentados atualmente. O impacto das mudanças climáticas, a insegurança em relação ao futuro económico e social molda vidas e escolhas. Simultaneamente, essas mesmas escolhas parecem não ecoar para o futuro, cingindo-se apenas ao espaço e ao tempo em que foram tomadas, tornando-se, as pessoas e as personagens, conscientes do seu próprio escasso peso.<br />
Ainda assim, esta geração é marcada pela sua capacidade em encontrar propósito na adversidade e força na incerteza, o que também podemos verificar na narrativa, ainda que tal não seja claro para o protagonista, o que também espelha o atual panorama de dúvida e a insegurança em que estas são mais comuns que o oposto. Esta busca por significado não é isenta de obstáculos, a incerteza e o medo do fracasso são companheiros constantes nesta jornada, porém, não obstante essa verdade de todos sentidos, a novela deixa claro que os verdadeiros companheiros de viagem são as pessoas que nos rodeiam, que connosco caminham. É por meio das conexões que formamos com aqueles que nos são mais próximos que logramos encontrar maior conforto. O protagonista debruça-se sobre relações passadas enquanto, no presente, se confronta com a aparente dificuldade na partilha e vulnerabilidade. É precisamente essa vulnerabilidade, superficialmente desconfortável, mas pessoal e necessária, que permite a partilha, a comunhão e o amor com e pelos demais, que torna a vida merecedora de ser vivida, não obstante os obstáculos. A novela, por vezes confusa devido a uma narrativa tão emocional, termina deixando um travo de nostalgia pelas nossas próprias relações passadas, presentes e futuras. É uma história para quem procura o seu caminho.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/mais-perto-do-ceu-que-da-terra/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Pirilampos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/pirilampos</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/pirilampos#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Apr 2025 10:41:32 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=24173</guid>

					<description><![CDATA[Na zona industrial, a noite aproxima-se com uma brisa morna, as nuvens são fiapos cor-de-rosa no horizonte. Ouves as gaivotas. Queres pôr-te na alheta. Mais vale ir para a zona dos restaurantes, onde passa gente. Mas vês um carro, ao longe, e atravessas a rua a esbracejar.
O carro para enviesado ao pé dos contentores do lixo, com uma das rodas por cima do passeio. Sai um homem de fato, que segura uma maleta de couro vermelho. Fecha a porta com um estrondo. Com cara de poucos amigos, faz que não te vê. Mas tu gostas de dar a volta a estes finórios. Em tudo na vida é preciso dar show, é preciso lábia. Não é só chegar e pedir. É chegar e deslumbrar, ensinou-te a tua mãe, antes de fugir para o Brasil com o namorado.
(<em>Dado da sorte</em>, página 9)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Pirilampos</em> será, espero, um livro muito lido. Sandra Castiço é uma contista extraordinária que, criando um universo absolutamente próprio, recorda-me Katherine Mansfield, Edgar Allan Poe, Anton Tchekhov, Lucia Berlin. Dificilmente se diria que é uma primeira obra, tamanha é a maturidade narrativa. Afirmo-o despudoradamente, com a segurança de quem tem acompanhado desde há algum tempo a sua escrita e, em cada momento onde tal acontece, observado com espanto o fulgor de cada uma das suas criações literárias. Fulgor peculiar, acompanhado de um certo estranhamento, até desconforto, que ainda assim convoca à adição — não conseguir parar de ler até atingir a última página. Aquilo que, parece-me, é caraterística de todo o grande conto. O conto, esse género de tão difícil definição, tão esquivo nos seus múltiplos e antagónicos aspectos, e, em última análise, tão secreto e voltado para si mesmo, caracol da linguagem, irmão misterioso da poesia em outra dimensão do tempo literário, como descreve tão bem Julio Cortázar em <em>Valise de Cronópio</em>. Sandra Castiço fá-lo com uma mestria e naturalidade que sidera. Esta palavra, “naturalidade”, serve-me para caracterizar um pouco do universo que referi acima. Debruçando-se sobre o banal, sobre a vida diária, a autora impele-nos a mergulhar no detalhe, no neurótico, até no sórdido, sem nunca perder o que, entre o mais difícil do humano na sua relação com o outro, é comovente e vulnerável. Como se despisse o texto de todas as palavras que seriam apenas decorativas e as personagens de todos os acessórios desnecessários para as trazer até nosso lado e até nosso reflexo — afinal, somos todos um pouco do mais difícil do humano, não é?</p>
<p>As autorias que referi inicialmente estão entre as que mais admiro no género e não as mencionei por acaso. Quando refiro Poe, faço-o para ilustrar a tensão que estes contos mantêm como constante desde o corte das primeiras frases e a sua proximidade com a estética que permeia o gótico. Menciono Tchekhov pelo realismo, Berlin pela atmosfera de dias difíceis entre personagens obsessivas que algures parecem ter perdido o rumo mas teimam em viver, a ambos pela proximidade com o quotidiano. Finalmente, Mansfield pela capacidade de, em apenas uma página, estabelecer o essencial da narrativa, o suficiente para as personagens e o seu contexto, até subtexto, se fazerem nossas e, por tal, termos necessidade de as acompanhar e saber o que lhes vai acontecer. Pirilampos oferece uma atmosfera de cinema, a sucessão de imagens vivas, uma coleção de instantâneos capturados por um ângulo tão original quanto inesperado.</p>
<p><strong>Judite Canha Fernandes</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/pirilampos/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Inventário de menores &#8211; contos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/inventario-de-menores-contos</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/inventario-de-menores-contos#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Apr 2025 13:53:36 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=24154</guid>

					<description><![CDATA[E o mês de setembro era decerto o que mais eu aproveitava. Não é que os demais não fossem deliciosos. Mas não possuíam aquela calma, aquela penumbra já a anunciar a queda das doiradas folhas das árvores no mês seguinte. Um anúncio que só por si era uma latência confortante.
Até setembro, era a praia. Como que em preparação, a minha avó, sobretudo, a que vivia connosco (ou melhor: nós vivíamos com ela, porque ela era a grande matriarca — uma matriarca moderna, mas ainda assim...), pegava em mim e nos meus irmãos e levava-nos no seu rubro Citroën Dyane (apinhado) para a praia do Homem do Leme ou do Molhe, ou ainda Emília Barbosa, ou principalmente Allen, ali na Foz. Dependia dos anos e das vagas nas barracas que arrendava, embora (sobranceiros então ao rigor do léxico jurídico) sempre disséssemos “alugava”. Nem era longe de casa. Mas ela não tinha assim tantos pretextos para conduzir. E gostava. Como aliás de fumar e de usar calças compridas, por vezes mesmo com botas à cavaleira. Era uma mulher emancipada. Alguns seriam levados a dizer “para o tempo”. Mas tudo é localizado num tempo, e fazer confusões e décalages cronológicas só cria descompassos. Eu não acrescentaria nada a essa consideração. Emancipada. Ponto.
(<em>Pecado original</em>, página 18)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os relatos de Paulo Cunha neste livro são um desafio à ideia tradicional de incapacidade das crianças e um elogio à sua inteligência e sensibilidade. Merece ser lido!<br />
<strong>Maria Clara Sottomayor</strong></p>
<p>Este livro realiza, de modo saboroso e brilhante, o ideal da melhor literatura: a genial concretude de detalhes desses contos, com a viveza e a verdade de seus personagens, tem o poder de contagiar o leitor e despertar nele o tesouro de suas próprias lembranças: de infância e juventude — vividas em outro tempo e lugar, distinto contexto familiar etc., mas afinal: De te fabula narratur&#8230; Não nos ensina nada de novo, mas nos brinda o que importa: a memória de nosso passado, a raiz de nossa identidade.<br />
<strong>Jean Lauand</strong></p>
<p>Tinha razão Montesquieu ao recomendar um par de horas de leitura para dominar os males da mente, do espírito e até do coração. Ao lermos o Inventário de menores de Paulo Ferreira da Cunha, podemos confirmar a justeza deste conselho e desta afirmação. De facto, ao tomar contacto com memórias próximas ou distantes, compreendemos a força da palavra, do livro e da leitura. Através deles podemos conviver ao mesmo tempo com quem está próximo de nós e com quem estando longe no tempo torna-se extremamente próximo. A memória permite contarmos com o testemunho da eternidade. E a palavra escrita permite reunirmos num mesmo tempo gerações distantes que se tornam próximas. Como disse Umberto Eco, quem não lê vive apenas a fugacidade do momento, enquanto quem lê pode viver o tempo longo das civilizações que chegam até nós, nas suas diferenças e complementaridades. Quem canta seus males espanta? Mais do que isso! Quem lê revive tempos e vidas que nos levam a aprender a sermos melhores, porque somos pessoas que dialogam e se completam, ao longo dos tempos.<br />
<strong>Guilherme d’Oliveira Martins</strong></p>
<p>Façamos o “inventário” das nossas menoridades. A aleturgia do conto é uma forma de dizer a verdade de si aberta à verdade do outro. A hetero-autoveridicção dos dez contos não tem fronteira. Neste livro não está escrito “fim”, “conclusão”. A obra funciona como estímulo ambíguo que provoca e acolhe as projeções imaginárias e experienciais dos leitores. Que haja mais 10, 100, 1000… “inventários de menores” para que possamos dizer com Terêncio “homo sum et nihil humani a me alienum puto”. Sou homem e nada do que é humano me é estranho.<br />
<strong>Cândido da Agra</strong></p>
<p>Dez Contos. Em cada um, um “menor” no papel de personagem principal. Cada qual com seu nome. (&#8230;)<br />
À medida que lemos, o ritmo da escrita e o encanto sentido na leitura fazem-nos passar, quase de corrida, de conto para conto e, pouco a pouco, aqueles nomes vão-se diluindo e, em vez deles, desenha-se apenas um outro, sempre do mesmo menino. E apetece-nos pedir-lhe que nos deixe usá-lo, também por nós. E apetece-nos aplaudi-lo, com o gozo próprio do aplauso. E apetece-nos, por fim, chamar por ele, assim:<br />
— Paulo!<br />
<strong>Álvaro Laborinho Lúcio</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/inventario-de-menores-contos/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>o que tem no fundo do rio</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-que-tem-no-fundo-do-rio</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/o-que-tem-no-fundo-do-rio#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Mar 2025 13:47:04 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=24134</guid>

					<description><![CDATA[encher a cabeça de sonhos como se ainda fosse possível realizá-los e olhar, longo, longuíssimo tempo, os quadros da parede.
tomar um ar de esperança e despedir-se do cachorro.
segurar a mala, soltar a mala, achar que está esquecendo alguma coisa muito importante e conferir mil vezes os documentos.
despedir-se da filha, segurar seus cabelos, passar as mãos pelo seu rosto, abraçá-la tão forte como se fosse possível misturá-la em meu corpo, grudá-la em meu peito e levá-la comigo.
sair de casa e não levar as chaves.

...
(mudar de país, página 9)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Crônicas fora de casa, o caminho entre o prazer e o repúdio<br />
Neste novo trabalho, Adriana Sydor nos leva para o outro lado do Atlântico, para dentro do cotidiano de uma curitibana na Terra do Pessoa, dos doces, vinhos e fados.<br />
E toda viagem da autora tem sempre excesso de bagagem, ela adora recolher coisas, impressões, imagens&#8230;<br />
Autoexilada numa cidade do interior, se mete em todo tipo de tarefas enquanto tenta, sem sucesso, manter a saudade distante.<br />
“estou entulhada de ausências.<br />
cada uma delas tem nome. algumas, sobrenome. o meu. outras quase têm o meu sobrenome.”<br />
Curitibaníssima feito personagem de Dalton Trevisan, ela vive as inquietudes tão comuns em Fernando Pessoa: quem sou, o que faço aqui, de quem devo me lembrar, isso tem algum sentido?<br />
“eu precisava saber do fundo do rio com a mesma intensidade com que o fundo do rio não precisa saber de nada.<br />
éramos, fundo do rio e eu, dois silêncios de correntezas, duas securas de águas transbordantes, duas possibilidades esgotadas.<br />
éramos, eu e fundo do rio, a rotina do lodo, da lama e de uma beleza encravada no avesso, que ninguém nunca não vê.”<br />
Bichos, plantas, bordados e calendários.<br />
Amores, saudade, prazeres e desejos.<br />
Usando tudo que pode do vocabulário (muito), a escritora trata as palavras com intimidade, faz moderna literatura que também funciona como diário de viagem, viagem do tipo interna.<br />
“todo o meu corpo se retraiu e eu soube que as águas transbordam só para esconder o fundo do rio, que é mistério feito de silêncios.<br />
eu vou navegar.”<br />
Parece até que o Caeiro do Pessoa leu o O que tem no fundo rio e depois escreveu algo assim:<br />
“O Tejo é mais belo que os rios que correm em Curitiba.<br />
E daí, o Tejo não é o Belém, o Atuba, o Barigui&#8230;”.</p>
<p><strong>Fernando Rodrigues</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/o-que-tem-no-fundo-do-rio/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O avesso da casa</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-avesso-da-casa</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/o-avesso-da-casa#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Mar 2025 18:40:56 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=23945</guid>

					<description><![CDATA[o avesso da casa abre portas
com imagens até onde a vista alcança
mesmo que de olhos fechados

mas é no papel que se refaz
livro livre vida casa
outra vez

(página 17)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em<em> O avesso da casa</em>, Ozias Filho reúne duas práticas e paixões: o instante poético e o instante fotográfico. Mas tal reunião não se faz por proximidade e semelhança, uma vez que, em casos assim, das duas, uma: ou o poema apequena-se em legenda ou a fotografia muda em mera ilustração. Ao contrário, a força deste encontro está em algo vizinho ao que Nietzsche denomina “páthos da distância”, no qual afirma-se “a vontade de ser si próprio”. Tanto que o autor, fotógrafo e poeta, tratou de rubricar as diferenças e as distâncias entre texto e imagem, destinando a cada qual lugar próprio na arquitetura da obra.<br />
Neste quase diário da peste, o leitor não estranhe a repetição de palavras — silêncio, solidão, medo, olhos, janela, vírus, tempo, lugar (e outras análogas, tangentes ou adversativas) e de imagens vernaculares —, paisagem urbana, retrato, natureza-morta, abstração, interior de ambiente, documental —, pois tais procedimentos prestam a dar “um negativo do negativo da realidade pandémica” da covid-19, como diz o autor em sua apresentação.<br />
Arriscaria a dizer que dentro e fora são os tópoi secretos deste “ensaio poético/fotográfico”, no qual, à rebours do sempre questionável senso comum, o fotógrafo olha para dentro e o poeta para fora. A voz lírica e o corpo confinados em “caixas dentro de caixas dentro de caixas” ou sob as “salvas ao vírus silêncio”; a outra voz que aciona e alimenta o diálogo poético submetida ao “silêncio do caos” e destituída de corpo pelas distâncias da mediação — e eis que o poema se faz “exercício de ver/através do olhar alheio”. O próprio olhar restrito à moldura da janela ou ao óculo da porta; o ato fotográfico en plein air sob interdição ou privado de seus claros objetos de desejo — e eis que a fotografia desvela o seu negativo, rascunha o seu ensaio sobre a cegueira física e simbólica. Do velar/desvelar os transes e os trânsitos entre o eu e o mundo, o poema aspira aos foras da realidade, ao outro, aos acontecimentos, às coisas, para além do deserto e da assepsia. De registro documentário da realidade fora, a fotografia converte-se em testemunho dos dentros da “bolha higiénica”.<br />
Na cultura brasileira, como registra Claude Lévi-Strauss em Tristes trópicos, difícil ter a rua como o avesso da casa, pois “não se distingue quando se está dentro ou fora”. Neste sentido, para um poeta brasileiro, mesmo há tempos radicado em Portugal, a imposição abrupta de fronteiras nítidas e higiênicas entre casa e rua terá sido dos encargos mais custosos nesta sua participação involuntária na versão contemporânea do “congresso internacional do medo”.</p>
<p><strong>Fernando Fiorese</strong><br />
poeta, escritor, ensaísta e professor</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/o-avesso-da-casa/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Meigo energúmeno notas para uma leitura antimachista de Vinicius de Moraes</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/meigo-energumeno-notas-para-uma-leitura-antimachista-de-vinicius-de-moraes</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/meigo-energumeno-notas-para-uma-leitura-antimachista-de-vinicius-de-moraes#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Mar 2025 14:09:34 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=23931</guid>

					<description><![CDATA[Este ensaio parte de uma curiosa anedota sobre Vinicius de Moraes, que ilustra como sua obra muitas vezes provoca reações ambivalentes nos leitores. Assim como o poeta, que suportou uma dor insuportável sem perceber que seu dedo estava preso à porta do carro, muitos leitores e leitoras sentem um desconforto ao se deparar com aspectos de sua poesia, especialmente no que diz respeito ao machismo presente em seus versos. Essa constatação, ainda que inicialmente desperte surpresa e resistência, frequentemente leva à reflexão sobre como essas questões estão entrelaçadas à obra de Vinicius, sem diminuir a relevância e o impacto cultural de sua produção.
A pesquisa, desenvolvida como dissertação de mestrado, destaca a complexidade da obra do poeta, que transita entre o erudito e o popular, o tradicional e o vanguardista, sendo parte essencial da identidade cultural brasileira. Apesar do foco crítico, a análise não busca desmerecer a contribuição de Vinicius, mas sim explorar um novo ângulo de interpretação, embasado em referências teoricas feministas, destacando as autoras: Simone Beauvoir, Judith Butler e Silvia Federici.

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Com este ensaio, Luca Argel procurou resposta para um sentimento ambivalente, partilhado de resto por muitos de nós que também achamos lindas e comoventes as canções de Vinicius, ao ponto de lhes sabemos os versos de cor, mas reagimos às profundas assimetrias com que desenham as relações entre homens e mulheres. No texto de apresentação do livro, Luca Argel recorda a relevância e o papel inspirador que Vinicius de Moraes teve na sua juventude e sublinha o seu modo de ligar o universo erudito e o popular, a oralidade e escrita, a tradição e a vanguarda, afirmando inscrever-se nesse tipo de linhagem. E todavia (ou, talvez melhor, e por isso mesmo), Luca sente-se na necessidade de interrogar o machismo que facilmente se surpreende por detrás do elogio do amor e da expressão de uma empatia sem reservas pelas mulheres amadas, tão celebradas na obra do Poetinha.<br />
Os livros de poesia, as canções e estudos de Luca Argel denotam uma atenção muito aguda às desigualdades de classe e de género. A leitura que faz do samba clássico, para dar um exemplo, vê na celebração da festa não uma mera expressão da alegria, mas uma resposta com dimensão política ao peso da opressão, da marginalização, da racialização e da pobreza. Do mesmo modo, nesta leitura transversal da obra de Vinicius de Moraes (considerando livros de poesia, canções, crónicas e teatro), Luca analisa uma contradição paradoxal entre a valorização da mulher, companheira num amor absoluto, e a sua real subvalorização como ser humano autónomo e actuante, por muito que isso possa acontecer de maneira involuntária, geracional ou menos consciente. Nas canções que sabemos de cor, Luca identifica estereótipos de uma cultura machista, atitudes paternalistas, formas de subalternização, de infantilização e coisificação das mulheres. E mostra-nos que, sob o elogio da mulher amada, feito de facto com toda a meiguice e delicadeza, corre uma cultura machista por certo mais actuante em meados do século XX, mas ainda hoje longe de desaparecida. Ler criticamente e de forma antimachista a obra de Vinicius de Moraes é então uma maneira de prestar homenagem às inesquecíveis criações do poeta sem render-se acriticamente ao que nelas permanece como sintoma de uma ideologia que ansiamos por ver ultrapassada. E importa notar que Luca Argel deixa bem claro que não lhe compete ajuizar sobre a vida pessoal do famoso e querido Vinicius de Moraes e raramente sai do universo dos poemas, embora possa fazer uma ou outra incursão biográfica. Interessa-lhe, sim, compreender as realizações artísticas do poeta e compositor simultaneamente na sua beleza e no que elas entremostram de um mundo que, mesmo quando parecia render-se às mulheres, as subalternizava de muitas maneiras.</p>
<p><strong>Rosa Maria Martelo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/meigo-energumeno-notas-para-uma-leitura-antimachista-de-vinicius-de-moraes/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>rua nove casa vinte e um</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/rua-nove-casa-vinte-e-um</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/rua-nove-casa-vinte-e-um#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Feb 2025 15:21:05 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=23774</guid>

					<description><![CDATA[nasceu água
e teve de caber num copo
quis ser chuva
mas teve de contentar-se
com o evaporar
de cada dia

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Lugares de partida, lugares almejados, lugares de pertença</p>
<p>Com rua nove casa vinte e um, Hellington Vieira retorna à vila operária onde viveu até os 10 anos.<br />
Dividido em “Notas Introdutórias”, &#8220;Primeiro Turno&#8221;, &#8220;Intervalo&#8221;, &#8220;Segundo Turno&#8221; e &#8220;Hora Extra&#8221;, este é um livro atravessado pelo fardo do trabalho, pelas desigualdades sociais e por um quotidiano duro que, ao mesmo tempo que sufoca, alimenta sonhos e aspirações para tanta gente impossíveis de alcançar.<br />
Numa voz melancólica, reflexiva e crítica, Vila Estrela é apresentada como um lugar de pertença, mas também de limitação. O próprio título, reforça a ideia de um quotidiano sistemático, no qual as ruas têm números como as casas e há fronteiras claras entre pobres e ricos.<br />
Vila Estrela é o subúrbio de onde o poeta quer escapar para alcançar algo maior, mais alto e mais longe, mas também o reconhecimento de quão profundas são as raízes. As origens são um passado que carregamos para sempre às costas. O desejo de liberdade encontra na gravidade uma realidade implacável: “o chão não gosta de quem sabe voar”.<br />
Mas se estes poemas denunciam expectativas sociais (como em “[não nasci para escrever]”), também celebram o empoderamento: “o resto da vida/era o que tinha/de maior valor”.<br />
Hellington escreve em versos curtos com rimas insistentes. Os seus poemas são estruturais e secos como uma espinha limpa, mas só na aparência são simples, até porque “as coisas simples da vida/não existem”.<br />
Com o avançar das páginas, na “Hora Extra”, a libertação territorial já não basta e mesmo ser poeta já não é desejo suficiente, é preciso ser poesia, ter uma existência que transcenda a produção, tornando-se algo maior e mais puro: a poesia como possibilidade de transcender.</p>
<p><strong>André Tecedeiro</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Este é um livro para ter nos bolsos, para fazer da casa cidade<br />
e da cidade casa, para levantar voo com a terra nos dentes (&#8230;)</p>
<p><strong>Sara Duarte Brandão</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/rua-nove-casa-vinte-e-um/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Travesseiro</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/travesseiro</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/travesseiro#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Feb 2025 16:49:53 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=23605</guid>

					<description><![CDATA[Eternidade
atenta aos sinais
para não queimar
na chama interna
tem sofrido menos
pela causa

Este
mundinho
seco
engessado
inevitável

Inflamável
carrossel

<em>Etern-idade</em>, página 11.

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os poemas transitam entre a delicadeza e a inquietação, entre o pertencimento e a errância, entre o sonho e a vigília. Tatiana Cobbett escreve com o corpo e a memória, e sua poesia dança, canta e pulsa.<br />
Antes de ler seus poemas, lembrei-me de nossas viagens pelo Brasil afora. Um cantarolar constante que vinha do fundo do ônibus. Me fazia bem ouvir!<br />
A bailarina logo se revelou como atriz na montagem da obra Estatutos do Homem (1983), com poesia de Thiago de Melo. Presença plena, íntegra e honesta. Depois veio a montagem da obra Missa dos Quilombos, sua voz clamando por Zumbi dos Palmares ecoava por todo o teatro, em tempos mais que especiais, de gestação de seu primeiro filhote. Emocionante de ver! Viajei no tempo, lembrando os momentos difíceis por que o nosso Brasil passava, entretanto dissemos tudo que era necessário dizer. Lendo Travesseiro, me surpreendi novamente com a Tatiana, agora escritora. Confesso que me identifiquei com cada palavra! Palavras que cantam e dançam! Viva, querida amiga Tatiana, e muito obrigada por participar neste seu momento tão sagrado!</p>
<p><strong>Marika Gidalli</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/travesseiro/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Psicanálise, fascismo e (de)colonialidade</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/psicanalise-fascismo-e-decolonialidade</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/psicanalise-fascismo-e-decolonialidade#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Jan 2025 09:55:27 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=23439</guid>

					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Como demonstrado por autores como Marx, Césaire, Fanon e Faustino, a expansão do capital é profundamente
tributária do genocídio colonial, sendo o racismo e a evolução dos modos de produção da sociedade capitalista dois fenômenos indissociáveis. As formas de exploração que caracterizaram a acumulação primitiva de capital não foram superadas pelo seu estágio tardio. Do mesmo modo, a violência colonial e a distinção ontológica, fun
dadas em uma humanidade racial, não foram superadas pelas democracias liberais-burguesas. A partir da preservação da estrutura colonial, as democracias contemporâneas fabricam a adesão social necessária ao discurso fascista, chegando-se até a mesma conclusão de Quijano: “a descolonização é o piso necessário de toda revolução social profunda”.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Tomando como referência a ideia de que o fascismo circula de maneira pacífica na governabilidade neoliberal, e que ações como o justiçamento de Mussolini e o declínio do Terceiro Reich foram insuficientes para eliminá-lo de maneira definitiva, este livro aborda as possibilidades de compreensão do fenômeno através de diferentes abordagens psicanalíticas. Inicialmente, empreende-se um debate que se estende desde a teoria política ocidental, em que o fascismo é pensado enquanto força <em>sui generis</em> — como inovação política do século xx — até a chegada nos pensadores da tradição decolonial, em que o fascismo, para além da implosão do pacto social europeu, representa um ricochete dos processos coloniais no seio da Europa. Na segunda interpretação, rompe-se a clivagem epistemológica inaugurada pela razão ocidental, demonstrando que modernidade e colonialidade não são processos distintos, mas sim interdependentes. Como estratégia para orquestrar a dinâmica metapsicológica do discurso fascista, abordada tanto como movimento orgânico de massas, quanto como condição latente e intrínseca às democracias liberais-burguesas, percorre-se um caminho que se inicia desde uma perspectiva naturalista da economia libidinal em Freud, especialmente em sua dimensão mito-política, até escolas de pensamento consideradas “pós-psicanalíticas” que abrem gradualmente para o diálogo com os determinantes sociais. A Escola de Frankfurt encabeçada por Adorno, as metapolíticas que flertam com o marxismo em Reich e Bataille, bem como a Filosofia da Diferença em Deleuze e Guattari, inauguram a possibilidade de compreender a adesão psicológica e inconsciente aos regimes fascistas para além de um determinismo viciado, mas como retrato fidedigno das forças sociais. Em outras palavras, trata-se do quanto os derivados coloniais, a discursividade fascista e as tendências patriarcais que constituem o aparato moderno se atravessam no desenvolvimento psicossexual, freando o potencial revolucionário de Eros e constituindo formas fascistas de existência.</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/psicanalise-fascismo-e-decolonialidade/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Sabão azul e branco</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/sabao-azul-e-branco</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/sabao-azul-e-branco#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jan 2025 15:56:46 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=23394</guid>

					<description><![CDATA[Voltar é sempre uma coisa vulcânica, muito intensa. Emoções à flor da pele, vontade de escrever coisas pouco sensatas, medo de parecer ridícula, tantas são as sensações pouco políticas, pouco literárias e muito confusas. Fim de feira. Os olhos em todo o lado, os olhos até nos cheiros. Manter-me sóbria, apesar do amor e da capacidade de ainda andar de biquíni. Fim de feira.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Sabão azul e branco</em> é um pequeno diário amoroso sobre dias assim-assim, escrito quase à força. Não tem pretensões poéticas e acha-se até um pouco ridículo, naquilo que todos os amores têm de ridículo, aos olhos de quem não passa por “sofrências”. Se calhar podia ser um podcast e seria mais giro, se calhar podia ser um sabonete mais fino chamado Frescor da Manhã e isso também ajudava. Mas só que não.</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/sabao-azul-e-branco/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Notas de Anita</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/notas-de-anita</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/notas-de-anita#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Jan 2025 22:26:01 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=23310</guid>

					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Eu me sentei no chão da sala, em cima de um tapete peludo. Estava encostada no sofá para assistir à televisão e
vi o sapato quadrado de napa amassando o tapete, uma brisa vinda da barra da calça vincada, o cheiro de talco amargo se aproximando. Ele sem pedir licença sentou-se no sofá, colocou uma perna de cada lado e me deixou no meio delas. Fiquei encaixada ali, presa.
Novamente suas mãos começaram a massagear os meus peitos de menina, por cima da minha cacharréu cor de ocre. Eu senti meu corpo amolecer, fiquei prestando atenção no ritmo das suas mãos, percebi meu corpo ficando quente, não conseguia me mexer, nem queria. Nunca mais esqueci do calor das suas mãos.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">As notas de Anita — ou melhor, de Branca Lescher — me visitaram à noite, já perto do sono. De modo que não pude mais dormir. Foi necessário conhecer Anita até o fim: devorá-la.</p>
<p style="text-align: justify;">Anita é uma narradora encantadora de serpentes. Tão sacana quanto as personagens com que se encontra. No entanto, nada em Anita me soa mesquinho. Sacaneia para dar uma rasteira na sacanagem; se defende como pode. Sem um pingo de hipocrisia ou autocomiseração. Uma filha proscrita de Alice Munro com Philip Roth, que vive dentro da própria cabeça ao mesmo tempo, em que sabe ser corpo, em que sabe ser pele. Em Anita, tudo é espontâneo e pensado: vive solta, mas parece ter vivido para poder contar, o que fica claro no capítulo sobre a morte do ginecologista e confidente. Afinal, o que pode restar de um narrador sem falsos pudores, (auto)irônico e arguto, sem a presença de um ouvinte à sua altura?</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o caso é que Anita não é feita só de alfinetadas. Com suas agulhas, também soube bordar sobre si um manto de memórias finas. No trecho em que ela revisita sua coleção de objetos — a matéria viva do que restou —, Anita dialoga com a memória dos pais e de tudo que, tendo se dissipado, serviu para parir uma nova Anita, lúcida e — por que não dizer? — ainda mais livre.</p>
<p style="text-align: justify;">Do vivido, contudo, parece ter sido guardada uma voz severa, direta, cortante, em que não se medeiam os subterfúgios. E foi conservada com o propósito de urdir a linguagem deste relato em primeira pessoa, na certeza de que o único pecadilho de Anita foi — e continua a ser — a inescapável franqueza consigo mesma, numa absoluta impossibilidade de refrear o desejo. Como disse Geni Nuñez, não há que se pedir perdão quando nunca se concordou com a noção de pecado.</p>
<p><strong>Paula Novais Ferreira </strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/notas-de-anita/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Os ventos e as marchas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/os-ventos-e-as-marchas</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/os-ventos-e-as-marchas#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Jan 2025 15:04:49 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=23163</guid>

					<description><![CDATA[uma sucuri abriu meus lábios
e com a sua pele pantanosa
ensinou-me que a fome é a única

forma de linguagem.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Os ventos e as marchas</em>, de Jorge Vicente, é uma obra em que a poesia se entrelaça com a natureza, revelando uma profunda conexão entre o ser humano e os elementos que moldam a existência. Dividida em duas partes, a coletânea reflete sobre o corpo, a linguagem e o mundo natural em uma sinfonia poética repleta de imagens sensoriais.<br />
Na primeira parte, “Os Ventos”, Vicente evoca a vastidão da floresta e a fusão do corpo com o ambiente que o rodeia. O vento, como força ancestral, carrega memórias e revela o potencial transformador da palavra. Em versos como “uma sucuri abriu meus lábios / e com a sua pele pantanosa / ensinou-me que a fome é a única / forma de linguagem”, o poeta dialoga com os instintos mais profundos, mostrando que a comunicação surge da necessidade visceral de expressão, tão natural quanto os rios que correm pela Amazônia. A linguagem aqui tem uma fisicalidade, como se fosse um corpo que respira e age, refletindo uma conexão orgânica com a floresta e os seres que habitam esses espaços.<br />
Na segunda parte, “As Marchas”, o ritmo dos poemas revela um caminhar deliberado, evocando o progresso e a resistência de uma jornada coletiva. Em “silêncio e vida e marcha e amor / e círculos de cultura nascendo e baptizando / o desejo e a esperança”, o poeta celebra a resistência humana e a marcha em direção à esperança, sempre marcada pela luta e pelo renascimento.<br />
Jorge Vicente também questiona o papel do corpo e da palavra na existência humana. A imagem do corpo que “escreve sempre na profunda voz da catástrofe” sugere que a experiência de ser humano está entrelaçada à criação e à destruição. O corpo e a palavra tornam-se territórios de expressão e repressão, rompendo e refazendo a própria humanidade.<br />
Os ventos e as marchas é uma obra que pulsa com vida, movimento e resistência, convidando a refletir sobre o equilíbrio entre a força bruta da natureza e a fragilidade da existência.</p>
<p><strong>Lisa Alves</strong><br />
escritora e videoartista, autora de Arame farpado e do livro transmídia <em>Quando tudo for possível</em>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/os-ventos-e-as-marchas/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>No tempo dos super-heróis</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/no-tempo-dos-super-herois</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/no-tempo-dos-super-herois#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Nov 2024 12:12:10 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=22472</guid>

					<description><![CDATA[Olhou o espelho de barbear do pai partido ao meio. Deu um passinho em frente para ver a sua imagem por inteiro num dos lados, pois a quebradura fragmentava-a em duas e distorcia-lhe as proporções. Queria medir com precisão a barriga. De silhueta em frente ao espelho, esfregou o ventre. A protuberância, não tardaria, dava de si ao mundo. Só pensar nisso atemorizava-a. Subia-lhe um frio pela espinha que lhe arrepiava os cabelos da nuca. Interrogava-se se haveria um mundo onde a culpa fosse perdoada, um lugar para lá da bola redonda onde o desvario, o descuido não desse origem à maledicência. Tais suposições transformavam-se e esvaneciam-se no espírito em segundos, pois os dedos parrudos, de tanto lavrarem, reproduziam a forma arredondada do ventre, dedilhavam da esquerda para a direita e da direita para a esquerda todos os cantos do seu abdómen. Esse gesto alargava-lhe os horizontes do imaginário e permitia-lhe ver para lá da pele, indagar sobre o bichinho que se formava em sussurros que só ela entendia. (...)

(<em>Encontra-me nas nuvens</em>, página 19)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“O conjunto de doze contos perpassa sob uma teia, viva e transparente, que vai sendo urdida entre a realidade e a história, em período esparso, que decorrerá sensivelmente entre os primórdios do século XX e a actualidade. Uma teia que sempre esteve cá…<br />
Irrompem, por vezes ferozes, muitas vezes, muitas vozes, apenas de uma imagem, de um cenário, de uma ação, ou, sobretudo, de uma personagem incontornável. (…) Este conjunto de contos revela-nos através das personagens, em geografias passadas ou presentes, em protagonistas inventados ou recriados, por um lado, os anseios e os seus temores, mas, também, os desejos e as esperanças, do íntimo das personagens — do mais profundo e arreigado íntimo da autora?<br />
(…)<br />
Poder-se-á, talvez, afirmar que a sua escrita, nesta obra em concreto, revela através da dicotomia espacial e temporal o ensaio de um modo de narração não linear que condensa o tempo (nomeadamente o seu, que se espalhará por três gerações). E procura fazê-lo, constantemente, através de uma articulação apoiada no sopro do sensível e do inteligível, para que possamos (possa ela também) ter uma melhor percepção e/ou entendimento do mundo, da humanidade, do verbo.<br />
Mais do que uma escrita feminista, julgo estarmos perante uma escrita feminina, comprometida com a contenda por uma sociedade mais justa. Uma escrita em que os valores de humanidade que a voraz e trituradora sociedade contemporânea vai estilhaçando, esmagando e corroendo e onde a palavra, a literatura, a arte em geral, são um palco, mesmo que exíguo, frágil, de obrigatória intervenção (…).<br />
Além disso, o caráter universal dos sentimentos das personagens, gerados por questões que continuam a ser “bem reais”, os conflitos de gerações ou de géneros (ainda hoje, a dualidade que subalterniza a mulher em relação ao homem nas sociedades contemporâneas é gritante e inadmissível), as ruturas familiares ou de amizade, a emigração (para fora do país, ou mesmo para dentro do próprio país, tão díspar ainda hoje, em ensejos e utopias) em busca da sobrevivência e da decência, a cruel e inaceitável rejeição daquele que “é diferente” (qualquer que seja a errónea ideia de diferença, mas, que perturbe e incomode os ignorantes) (…).<br />
E, claro, de forma mais explícita ou não, a condição feminina, a eterna condição de ser mulher, ontem, hoje e no futuro, são tópicos fundamentais nesta interpelação da autora que, de forma plena e objectiva, pretende inquietar e fazer reagir não só o leitor, mas, creio, particularmente, a própria progenitora destes contos, deste verbo.”</p>
<p><strong>João Rasteiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/no-tempo-dos-super-herois/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Cisne de vidro</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/cisne-de-vidro</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/cisne-de-vidro#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 Nov 2024 13:14:23 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=22817</guid>

					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O nome desaparece. Num percurso entre lembranças e especulações, o narrador de Cisne de vidro enfrenta as surpresas de uma viagem para redescobrir o nome do irmão, o que revela as dobras inconsistentes de uma história carregada de silêncios. “Eu me esqueci do seu nome. E essa foi a coisa mais angustiante que experimentei nos últimos anos.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em <em>Cisne de vidro</em>, Claudinei Sevegnani nos conduz por uma narrativa da falta. Um irmão deixa de existir, levando junto de si os contornos da memória e as definições das coisas do mundo. Isso acontece em algum lugar do tempo, não importa se no passado, no presente ou no futuro, porque a falta aqui narrada atravessa os calendários e torna-se a falta de si mesmo. Torna-se a falta de um nome.</p>
<p style="text-align: justify;">Sair em viagem na busca de um nome é o que resta. O narrador atravessa desertos e litorais e atraca em uma ilha de encontros inusitados: uma pessoa de perucas, um cavalo que faz lembrar da vida inteira, uma pergunta improvável, capaz de contorcer as próprias questões.</p>
<p style="text-align: justify;">Há um mistério que se avoluma pelas páginas deste livro, um mistério que nos guia como se estivéssemos no dorso de um cavalo, adentrando uma floresta cheia de segredos e nenhuma visibilidade. E no fim é a ficção que encontramos, nos lembrando que a memória é terreno de vazios e invenções.</p>
<p style="text-align: justify;">Sevegnani nos oferece um romance que também versa sobre a reorganização da própria linguagem no momento em que perdemos as palavras capazes de definir certas fendas da vida. Escrito em combinações de imagens que o autor reorganiza em sua paisagem literária, <em>Cisne de vidro</em> torna-se um romance sedutor pelos inesperados que provoca.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Marina Monteiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/cisne-de-vidro/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Observatório</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/observatorio</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/observatorio#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Oct 2024 09:18:53 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=22350</guid>

					<description><![CDATA[Quando tenho dificuldade em adormecer,
conto os dentes com a ponta da língua
Como quem conta carneiros,
recito em silêncio um, dois...
Conto o espaço vazio dos sisos
Perco-me à frente, nos incisivos, e tenho de recomeçar
Há noites em que adormeço com o tédio,
há noites em que me demoro mais
Sinto a aresta do canino esquerdo e volto a senti-la,
vez após vez, saboreando a sua letalidade
Imagino-me a rasgar carne, primitiva
A defender-me de um agressor
Avalio a força que teria de fazer
A eficácia que teria ou não
As marcas que ao menos deixaria na carne alheia enquanto a minha perdia a vida
Isto quando tenho dificuldade em adormecer, claro.

(<em>Adormecer</em>, página 27)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Neste Observatório, como noutras viagens narrativas de Rita Canas Mendes, é preciso ir com cautela. A sua escrita é metódica e ludibriosa. Entramos neste livro de forma imperturbável, conduzidos por narrativas curtas de palavras suaves, com aquele sentido de humor despudorado, aparentemente ingénuo, que traz à ideia um dia de sol com um cocktail junto à piscina. Mas, de súbito, as luzes apagam-se. O ritmo cardíaco acelera e tateamos no escuro um cadáver aberto. Sem darmos por isso, já derrapámos e embatemos nesse inequívoco acidente de crueza e jugulares expostas.<br />
Se, num primeiro momento, achamos que deveríamos ter evitado o impacto, a verdade é que damos por nós agarrados à adrenalina de não querer parar de ver até ao fim — os finais sucedem-se e são curtos, em aberto. Como em qualquer micro-conto que nos arrebata, estendem-se em ecos de um futuro indeterminado.<br />
Nesta viagem ao centro da terra, qual Júlio Verne que se perdeu pelo caminho, descobre-se o inferno, que para nossa surpresa nos traz de tudo, em iguais doses de candura e de crueldade. Perceber, como Rita Canas Mendes escreve, que «até Deus fica sem imaginação, às vezes», conduz-nos ao lugar do precipício; o último reduto de fundamentos como a «compaixão amorosa», onde entendemos, claramente, que «Estamos aqui / e não estamos».<br />
Tal como a nossa voyeur, que participa ruidosamente em silêncio, também nós nos alimentamos de tudo o que queremos ver e, simultaneamente, engolimos em seco depois de tudo aquilo que não queríamos ter sabido.<br />
Entre grãos de arroz, marinheiros de água benta, suicídios falhados e a ideia tão esquecida de que o animal já teve alma, reside neste Observatório uma possível ideia de Humanidade — e talvez os detalhes, um dia, nos redimam.</p>
<p><strong>Francisca Camelo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/observatorio/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Derivações</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/derivacoes</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/derivacoes#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Oct 2024 09:00:43 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=22338</guid>

					<description><![CDATA[Abriu os olhos sem realmente tê-los aberto. Era peculiar a sensação de enxergar, sem que aquela luz viesse lhe machucar a retina. Abriu os olhos, assim, já em pé, como se ali mesmo houvesse se materializado, parado naquele gramado, próximo à sombra de uma árvore frutífera, cujos frutos não podia reconhecer.
Abriu os olhos e viu um sol a meio termo, um sol-quatro-da-tarde, que aquecia a pele sem queimar, que iluminava sem ofuscar a vista, que alegrava os corações mais melancólicos. A cor daquele céu parecia uma canção do Bob Dylan. E viu o rio que corria manso, refletindo esse sol benevolente, como fizesse um poema otimista sobre o amor. De frente para o rio, separada por uns vinte metros, uma casa simples de alvenaria, com uma chaminé que espalhava uma tímida fumaça branca. Um banco de madeira, à frente da casa, dava aconchego a um violão com cordas de nylon. Próximos ao calmo rio, dentes-de-leão tremulavam levemente ante a confortável brisa passageira. Suas sementes pairavam pelo ar, viajando em busca de outras paragens. No rio, ao longe, via uma figura indistinguível, mas certamente era humana. Não sabia se estava em pé na outra margem do rio ou nas próprias águas. Pela janela da casa, via um rosto conhecido, um rosto feminino. Era Suzanne.
(<em>Alucinação</em>, página 31)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Derivações</em> pode ser lido como um livro de contos sobre busca; busca pelos que não estão mais lá, por respostas a perguntas há muito reprimidas, pela redenção de impulsos que não conseguiríamos conter, pela possibilidade de fazer as pazes com o luto ou dar risada da pior desgraça.<br />
Pode também ser lido como uma coleção de contingências, em que a curiosidade e o imprevisível atravessam pessoas, nacionalidades e períodos históricos, sejam esses reais ou imaginários. Em um sutil jogo de luz e sombra, é difícil saber quando se ri ou se chora.<br />
Sentar-se com o Derivações é preparar-se para uma partida de pinball: diferentes partes do nosso córtex irão se acender, e emoções diversas vão apitar por reflexo antes que possamos ordená-las. Mudam as quebras de linha, mudam os tempos, mudam os registros e os estilos de pontuação. Muda o peso dos personagens, que vão desde uma mosca da fruta pesando um mero miligrama aos quatrocentos e dez quilos de um boi-almiscarado e exausto.<br />
Exaustos também estão muitos dos seus homens e mulheres, que se tensionam e se contrastam, incautos, com o frescor dos jovens e da descoberta. Compassivos, entorpecidos, esperançosos ou derrotados, todos os seus personagens parecem carregar em si o poder de se virar a qualquer momento e olhar para dentro de nós.<br />
O leitor de Anderson Antonangelo é convidado a passear pelas suas inquietudes, sua curiosidade e o seu olhar atento ao singelo, ao vulnerável, ao mundano, que nos conduz a ver humor na tragédia e beleza num filete de suor ou na fumaça de um cigarro. Ele nos leva a prestar tributo não à vida ou à morte, mas à própria transitoriedade que habita entre esses dois parênteses.</p>
<p><strong>Paula Groff</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/derivacoes/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Um garoto de Haifa gira a palavra e outros poemas palestinos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/um-garoto-de-haifa-gira-a-palavra-e-outros-poemas-palestinos</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/um-garoto-de-haifa-gira-a-palavra-e-outros-poemas-palestinos#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Aug 2024 17:34:13 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=21852</guid>

					<description><![CDATA[<span style="color: #ff0000;"><strong>edição bilíngue</strong></span>

(árabe-português)

THIAGO PONCE DE MORAES
[tradução]

Teria gostado de me deitar
e esperar por Sulamita
com os lírios-do-vale
os narcisos dos montes
e todas as outras flores
cujos nomes não sei
indiferentes à reprovação
dos filhos da minha mãe
ou à culpa
das filhas de Sião.

Mas os aviões voaram da Bíblia Sagrada
para dilacerar uma família
à beira-mar...

Onde você se deita ao meio-dia?
Em que assentamento você dorme
você que matou Sulamita?

(Sulamita, página 55)

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“Nunca houve nada em que eu acreditasse, mas se existir um deus, ele é o mesmo deus para mim e para o poeta palestino Najwan Darwish”<br />
Raúl Zurita</p>
<p>—</p>
<p>Najwan Darwish (Jerusalém, Palestina, 1978) é um dos principais poetas de língua árabe de sua geração, traduzido para mais de vinte línguas. E esta é a primeira vez que temos a chance de ler os seus poemas em português, colhidos de três dos seus livros publicados até aqui. Se não é uma antologia exaustiva, sem dúvida é uma consistente apresentação da força (ou ainda: do campo de forças) da poesia palestina contemporânea. Logo de cara, um assombro: “não há homem livre com quem eu não tenha parentesco, e não há uma única árvore ou nuvem à qual eu não seja devedor.”<br />
A tradução do poeta Thiago Ponce de Moraes que temos em mãos foi realizada na companhia do próprio Najwan Darwish, ao longo de mais de sete anos de trabalho, em que foram cotejadas muitas das traduções publicadas em outros cantos do mundo. Aliás, o livro é muito coerente com a trajetória de Thiago, que tem se destacado como um dos poetas mais interessados em criar relações multilaterais do Brasil com outros países, ao representar nosso país em diversos festivais internacionais de grande importância, e atuando como o coordenador brasileiro do World Poetry Movement.<br />
O encontro de Najwan Darwish e Thiago Ponce de Moraes é uma alegria e um presente para todos nós, leitores de língua portuguesa. Em um ano assombrado pelo genocídio, em que testemunhamos uma espécie de “solução final” para a destruição em massa de vidas e territórios da Palestina, a voz de Darwish traz notícias de um país ao qual não se tem acesso nos jornais ou nos livros de História. Sua poesia, como escreve Thiago, é uma força política na medida em que “apresenta a sua presença, acentuando o caráter daquilo que existe.” Ou ainda, quando traduz as palavras de Darwish: “meu desprezo por sionistas não vai evitar que eu diga que eu fui um judeu expulso de Andaluzia, e que eu ainda teço sentidos a partir da luz daquele sol se pondo.”</p>
<p><strong>Marcelo Reis de Mello</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/um-garoto-de-haifa-gira-a-palavra-e-outros-poemas-palestinos/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Apele à pele</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/apele-a-pele</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/apele-a-pele#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Aug 2024 18:45:33 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=21737</guid>

					<description><![CDATA[fais moi gémir pour toi
desde agora à noite,
até amanhã de manhã

fais moi gémir pour toi
durante a tarde,
no carro,
no chuveiro,
ao ler-te
ou ao ouvir-te falar

fais moi gémir pour toi
usa teu toque,
teu peso
e tua língua pra me explorar

fais moi gémir pour toi
e faz cada centímetro da minha pele
arrepiar

(f<em>ais moi gémir pour toi</em>, pág. 110)

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Pati Nakamura é uma desbravadora dos mares. Uma artista múltipla.<br />
Mulher, brasileira, amarela, formada em publicidade, trabalhou com marketing no Brasil e, já em terras lusas, teve a coragem de entender que tem alma de artista.<br />
Transitando pelas artes visuais com experimentações no papercutting e douramento, resolveu também navegar mais a fundo pelas águas da escrita, pra nossa sorte e pra ajudar a desinchar apertos e alegrias que se acumulavam no peito.<br />
Compreendeu então que todo e qualquer detalhe do mundo tem sua beleza, basta alguém enxergar isso. E é o que ela fez nessa obra, em que fotografava em tempo real seus sentimentos e os transcrevia em poesia, partilhando sob suas lentes o que via de sensível no seu entorno e seu interior, emoções que estão conosco a todo momento durante esse caminhar que chamamos de vida.<br />
De forma despretensiosa, partindo de um oceano de sensações e uma vontade gritante de exprimi-las é que se começa uma obra. E assim começou essa. Pode ser a lua cheia em leão, a beleza de um barquinho, o tesão ou a solidão. Tudo é poesia, basta querer! Afinal, como diria Pati Nakamura, “poesia é cura”!</p>
<p><strong>Pedro Passari</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/apele-a-pele/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Andar como as nuvens andam</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/andar-como-as-nuvens-andam</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/andar-como-as-nuvens-andam#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Aug 2024 17:27:02 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=21711</guid>

					<description><![CDATA[Sabes bem que o longe
é o abismo
que a presença
é areia nas mãos
que os dias são todos mortais
sabes bem
que criaste um império
uma imensa catedral
perfumada e com luz
entro nela e por viver dela
brilham
os meus dias
depositas uma flor
no centro da minha falta
vagueio sem vê-la
esmago-a sem querer
sem conseguir dizer
qual flor.

(<em>Avô</em>, página 31)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Cúmulo, cumulus, é a nuvem que mais aparece nos desenhos de criança. É a nuvem mais nítida, almofadada, branca. Junto a essa almofada volante, no desenho de criança, há sempre uma casa cujo telhado é vizinho das nuvens. Essa casa deve ser a casa mais célebre do mundo — bilhões de crianças já a desenharam, vão desenhar e estão desenhando.<br />
Na poesia, essa casa matriz é Babel. Todos reconhecem sua existência, mas ninguém tem sua morada. Muitos escrevem sobre ela, mas sua aparência é sempre diferente. Ruína, castelo, floresta, cidade, água, ventre, amor, morte. Todas as palavras podiam ser casa em poesia. E é por isso que a casa de criança nunca se repete.<br />
Nesta poesia, essa casa é omnipresente, mas nunca igual. Ela é [&#8230;] a promessa<br />
casa<br />
a casa<br />
a casa e é, em simultâneo, o lar em chamas, a rua com nome de mulher em Mogi das Cruzes ou a guarida de uma avó. Essa casa tem [t]eto, chão, portas e janelas./Feijão no fogo, pão. E essa casa é também o espaço minúsculo onde desponta<br />
a maior das<br />
espécies de planta<br />
aquática de árvore<br />
atlântica<br />
explodindo em cachoeiras</p>
<p>Essa casa existe na realidade e não existe na realidade. Ela se comporta como nuvem. Tanto se contém num novelo de algodão como se torna em uma enchente cuja força só a poesia consegue suportar.</p>
<p><strong>Regina Morais</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/andar-como-as-nuvens-andam/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Geografia dos lugares-comuns</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/geografia-dos-lugares-comuns</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/geografia-dos-lugares-comuns#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Jul 2024 09:52:34 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=21532</guid>

					<description><![CDATA[Quando voltar do exílio, prometo
relembrar-te todos os lugares onde foste.
Dentro do meu peito, ocupaste por inteiro
o lugar do coração que, na partida,
se pôs do tamanho de uma semente.
Devo-te, por isso, a vida.
Quando voltar do exílio, espero
retomar a coragem de crescer
árvore com copa e frutos,
que nos dêem sombra e doçura às
memórias da tarde quente.
Quando voltar do exílio,
se alguma vez voltar do exílio,
porque voltar é, também,
uma espécie de asilo
da loucura que foi deixar-te.

(<em>Exílio</em>, página 33)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Coibir-me-ei de grandes biografias, mas eu fui editor. Ainda sou, vá. Mas mesmo editor, esse, eu já fui. As Quasi nasceram vai para 25 anos e viveram dez anos de sofreguidão, ânsia, fascínio, paixão. No fim desses dez anos, os erros meus, a má fortuna e o amor ardente colocaram um ponto final ao sonho. “Agora tenho maturidade para definições, e, no meu dicionário, primavera rima com desilusão.” Foi no outono, mas a metáfora serve bem.<br />
Desde aí tenho editados muitos e bons livros. Mas, primeiro na Babel e depois como consultor editorial, sempre com alguém ou alguma coisa a balizar as minhas decisões. E isto implica uma coisa: há sempre condicionantes para o que quero ou não publicar. Chama-se ser maior, talvez.<br />
Este pequeno preâmbulo serve bem de exemplo ao que aqui vão ler mal decidam — e bem — comprar o livro. (Podem parar a leitura da badana e ir pagar. Eu espero. Vale muito a pena, podem confiar.)<br />
Eu queria ter publicado este livro.<br />
Mas a minha primavera outonal é o ganho da Urutau, pelo menos isso. Tem, no seu catálogo, uma nova geografia — a dos lugares-comuns.<br />
Sim, a poesia voltou-se para o quotidiano ainda com mais premência do que há vinte anos, a altura em que lutas intestinas em hebdomadários tinham de um lado os sublimes e do outro os franciscanos. Mas este livro revolta-se de outra forma: com graça e saber.<br />
Veja-se o poema de onde tirei pretexto para estacionar o ano: “A primeira vez que me apaixonei por ti, arrombei tudo”. Pronto, está o caldo entornado. Mas isto de apaixonar, se for para contar vezes, não deve ser para contar também apaixonados? O poema comum tem um risco: ser gratuito. Os da Daniela Frias Guerra não são de graça (como bem sabe, agora que pagou o livro, caro leitor), mas têm graça e são pertinentes — porque têm uma ideia e um olhar novos para onde nos guiam.<br />
Já escrevi dezenas e dezenas de biografias para outras dezenas e dezenas de badanas. Mas esta é a minha primeira badana assinada. Tem um bocadinho de mim, narciso que sou. Mas que tenha bem mais da vontade de ler os poema da Daniela Frias Guerra.<br />
“Há um sítio onde as estações descaem/e o pigmento de outono nos sobe à boca.” Estava eu a sentir-me aconchegado na minha citada tristeza outonal quando leio: “É nesse sítio que o infinito, tão/perto, nos toca nos fios dos cabelos/e faz mais por nós do que um suspiro.” Afinal, é preciso deixar de poder editar com ânsia e sofreguidão para ser tocado pela possibilidade de nos associarmos com todo o nosso nome a um livro de que gostamos.</p>
<p><strong>Jorge Reis-Sá</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/geografia-dos-lugares-comuns/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Volta para tua terra: não há abril sem imigrantes</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/volta-para-tua-terra-nao-ha-abril-sem-imigrantes</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/volta-para-tua-terra-nao-ha-abril-sem-imigrantes#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jul 2024 14:54:23 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=21509</guid>

					<description><![CDATA[alexandra lopes da cunha &#124; ana paula vulcão &#124; atija assane &#124; corina lozovan &#124; danielle baracho &#124; diego garcez &#124; duda las casas &#124; fernanda drummond &#124; florencia guzzetti &#124; gabriela rodrigues de oliveira barbosa &#124; gustavo freitas &#124; isabella faustino &#124; jean sartief &#124; lana ruff &#124; lucelina rosa &#124; luciana soares &#124; marcelo freitas gaspar &#124; márcia c. brito &#124; maria clara lima pinheiro &#124; marina campanatti &#124; marta fanti &#124; ozias filho &#124; shahd wadi &#124; tatiana betz &#124; taynnã santos &#124; tomásio costa &#124; alessandro allori &#124; betina juglair &#124; bruno molinero &#124; carla muhlhaus &#124; cia cruz &#124; dai rodrigues &#124; flávia six &#124; freda paranhos &#124; giovana chiconelli &#124; hannah bastos &#124; hilda de paulo &#124; javiera espinosa pizarro &#124; juliana garbayo &#124; naiana padial &#124; daniela lima &#124; jamila pereira &#124; raí ângelo

[organização]
manuella bezerra de melo &#38; wladimir vaz mourão

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Este é o nosso terceiro volume, que batizamos de Volta para tua terra: Não há abril sem imigrantes. Para ele, foram aprovados 43 autores distribuídos nos géneros poesia, prosa e ensaio, escritores naturais de 11 países diferentes. Entretanto, temos muito orgulho em dizer que, ao todo, a Volta para tua terra em seus três volumes alcançou 128 textos publicados de autoria de 105 escritores estrangeiros residentes em Portugal com origem em 15 países: São Tomé e Príncipe, Argentina, Palestina, Cabo Verde, Moçambique, Moldávia, Angola, Chile, Guiné-Bissau, Itália, Brasil, Guadalupe, Colômbia, Espanha e Israel.<br />
Seguimos neste labirinto que é a imigração, as divisões se entrecruzam, tentam nos confundir, sabemos que há um país por trás de todo esse concreto seco; ou encontraremos a saída ou agora, juntos, temos a força necessária para derrubar os muros. O que nós esperamos com isso? Disputar a memória, ocupar o campo simbólico, produzir outras subjetividades, lembrar ao futuro que estávamos aqui, que éramos homens, mulheres, pessoas trans ou não-binárias, gays e lésbicas, bissexuais ou assexuais, negros e negras, árabes e orientais, brancos, pardos ou indígenas, jovens ou velhos; trabalhadores das fábricas, da restauração, das obras, da cultura, das artes, e que estamos nas ruas, nas escolas, nas universidades, nos parques. Queremos alcançar o horizonte, queremos ver Portugal e queremos também que Portugal veja Portugal.</p>
<p><strong>Manuella Bezerra de Melo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/volta-para-tua-terra-nao-ha-abril-sem-imigrantes/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Satanás Lilás</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/satanas-lilas</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/satanas-lilas#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jul 2024 17:40:41 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=21191</guid>

					<description><![CDATA[no sobressalto do soluço
engoli dez palavras e saliva
que não eram minhas

foi o tempo de eu soluçar
já estavam todas em minha boca

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Satanás Lilás. Eu vi uma pintura e li um livro de poemas com esse título. O autor é Diego Garcez, um poeta e pintor brasileiro, radicado em Lisboa. O satan é popularmente mais conhecido como diabo, que, segundo o Dicionário Etimológico: no latim diabolus, significa “entidade intrigante”, “acusador” ou “aquele que engana”. Já lilás, a origem é a cor, do árabe lilak, do persa nilak, “azulado”, de nil, “azul índigo”… Pois bem. Este livro é uma “entidade intrigante”, um ser “acusador”, “aquele que engana”. O poeta escolheu a cor lilás para, exatamente, confundir quem o lê: lilás é uma cor não primária, similar ao violeta, uma nuance mais clara do roxo, a partir da junção do azul com o vermelho, assim como o texto: à medida que fui lendo, percebi que o narrador são vários, com múltiplas narrativas. Elas, como o diabo lilás, mudavam de matizes: lilás claro, brilhante, vívido, e o lilás francês. É um texto camaleônico. Esse jogo blefador de xadrez entre narrativas e narradores, deus, diabo e o poeta, ele deixa claro em dois poemas (lembro o filme do cineasta sueco Ingmar Bergman, O Sétimo Selo, 1957, no qual o protagonista, ao receber a visita da morte, desafia-a a uma partida de xadrez, para ganhar tempo).</p>
<p>Aqui, alguns fragmentos deles:</p>
<p>dê-me meu lanche<br />
com guaraná<br />
que prometo<br />
sentar-me quieto<br />
permanecer quieto<br />
mover-me quieto<br />
fingir que não planejo explodir o mundo<br />
todos os dias pela manhã<br />
…</p>
<p>ontem<br />
escrevi o melhor poema da minha vida</p>
<p>rasguei<br />
peguei os pedaços dos papéis<br />
coloquei embaixo da torneira<br />
esfreguei com as mãos<br />
para que nada mais restasse<br />
além da palavra<br />
à sua frente<br />
…</p>
<p>não terminei a pintura<br />
não fechei o verão<br />
não concluí<br />
este poema</p>
<p>Não terminou a pintura nem o poema, porque o livro e as ilustrações contidas nele não estão prontos. Continuarão sendo reescritos e repintadas, até quando os jogos entres esses personagens, lilasmente falando, existirem. Ou seja, ad infinitum…</p>
<p><strong>Wilson Freire</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/satanas-lilas/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>livro do daniel e outros textos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/livro-do-daniel-e-outros-textos</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/livro-do-daniel-e-outros-textos#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jul 2024 11:06:24 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=21167</guid>

					<description><![CDATA[lamento não poder olhar-te nos olhos —
tentarei criá-los através das palavras
para que nos possamos ver
de alguma forma —

observar-te a partir da escrita,
na leitura
ser observado.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>ler sempre os mesmos textos e meditar no que varia é uma forma de oração e tu tens feito parte das minhas: dás-me noites, madrugadas e manhãs, em que uivam cães e alicerces e a fronteira entre dormir, sonhar e hibernar se esbate, nada é uma coisa, nada é uma ou outra coisa, gosto das tuas triplas enumerações, há “noites, visões, sonhos” (“abertura”), “sonhos, visões e curas” (“xlvi”), “a criança, a noite, a fantasia” (“lxviii”), “o braço, a mão e a nuca” (“lxxi”), “a nobreza, a fidelidade e a ternura” (“lxxiv”), “as mãos, o pescoço e o cabelo” (“lxxv”) e até deus e os profetas são “ela-ele-isso” (“xxv”), “feminino, masculino, não interessa” (prolongamentos); ouço-te chamar o amigo cinquenta e duas vezes, quantas as semanas do ano, num diálogo possível com várias vidas de intervalo, para lá da unidade de tempo e espaço que, às tantas, nunca existiu: perguntas “e se entrasses num corpo de carne e osso/ e viesses ter comigo?” (“vii”), respondes “talvez/ só depois de mortos/ possamos ser considerados de carne e osso” (“x”) e concluis “o que circundo é o meu nome —/ fantasma de carne e osso” (“lxi”), o teu erotismo de-mãos-e-cabelo tem a força de ser tanto sobre ele como sobre ti; na noite escura da “vontade de dormir na desordem” (“xxx”) e “sonhar com a desordem do corpo inteiro” (“xviii”), o desejo parece ser por vezes uma aparição de cura, mas nunca é, não nesse sentido nem para o vazio, há em nós uma solidão essencial, não nos completam, “locupletam-nos” (lii), esse estranho verbo que aprendi contigo: a nós que somos como um locus mal situado, muito nos pode preencher, enriquecer, sem nos fechar; escreveste “conheço quem não leia livros —/ imagino que seja porque queiram saber/ para onde serão levados” (prolongamentos): este é dos que começa e segue em dúvida, o “tentei” que abre, um “não sei” (i), o último verso condicional, consciente de que cada livro pode ser o derradeiro e, ainda assim, não acabar aí; por muito que o medo às vezes nos consuma e nos apeteça desaparecer em silêncio, já houve demasiadas revelações de fim do mundo para que achemos que algo realmente termina: então manténs-te “taciturno/ mas cintilante” (“xxv”) como uma faca de cabo velho que ainda brilha, a distorção do reflexo é dado adquirido, mais vale assumi-la, morrer é trocar de rosto e “de todos os livros/ os da morte são um incêndio” (“iv”); tu, por exemplo, sei que te tens rasurado e, por mim, podes chegar a chamares-te ille, quase-ilha, quase-comunidade, um pronome neutro — tu o disseste, “torna-se difícil falar em unidade” (“xxiv”), mas “também a perfeição é múltipla” (“lxv”) e continuas.</p>
<p><strong>paulo brás</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/livro-do-daniel-e-outros-textos/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Estórias sobre  temperatura</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/estorias-sobre-temperatura</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/estorias-sobre-temperatura#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Jun 2024 11:00:23 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=21066</guid>

					<description><![CDATA[essa carne é uma caverna impermanente ou
essa caverna é impermanentemente carnívora ou essa
permanência na caverna carnifica minha pele
que apodrece e fede.
esse cheiro me marola:
é a delícia
y a sina
do sabor da vida
na
boca.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O primeiro livro de Jade Rocha se lança com catorze poemas que desembocam em uma partilha de narrativas de um corpo friccionado no erotismo cotidiano. Esse encontro deságua no desejo que é anunciado em texturas, sabores e tempo. O erotismo está em criar espaço e transformação de estados, para então manipular resíduos de memória, histórias e afetações.<br />
A desobediência dos sentidos e estados físicos é uma aposta dirigida a todo corpo, oriunda da dança entre palavras que se expandem no universo proposto e dedilhada com a dedicação de sentir conjuntamente.<br />
A partir do entrelaçamento de segredos, desistências e solavancos da vida, que embora exausta, insiste, os poemas da autora tomam forma de rebuliços, dilatando-se na intimidade das relações, em imagens de um movimento descoreografado nas paisagens cotidianas que compõem um corpo, um Porto, um desassossego, em relações interespécies, num marejo de amor e bagaceira que cerca a sociedade.<br />
As sensações versadas emergem nas experiências de diferentes corporeidades e são afiadas pela cadência das palavras que embalam nas fendas, tramas e riscos, a revelação dos poemas impregnados pelas modulações do real que estabelece essa obra.<br />
Seu título escancara a sinuosidade das palavras treinadas em bocas distintas, as quais ganham ritmo e rítmica, contornando assim um manejo aguado dos versos e pausas. Através da mudança de temperatura é que a deformidade das matérias acontece para acionar na pele a renovação do encontro e a aposta na subversão de quem busca a partir de suas múltiplas facetas o pulso do encantamento.</p>
<p><strong>Thais De Menezes</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/estorias-sobre-temperatura/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Para comer com o coração de Dom Pedro</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/para-comer-com-o-coracao-de-dom-pedro</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/para-comer-com-o-coracao-de-dom-pedro#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Jun 2024 18:05:45 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=21010</guid>

					<description><![CDATA[um frasco de ouro e vidro
com um órgão conservado
exposto em museu
[sagrado]
remonta a fome [que tem um povo inteiro]

de comer o coração de Dom Pedro

[<em>formol</em>, pág. 34]

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“E a 11 de setembro de 2022, […] o coração do rei português D. Pedro IV e imperador brasileiro D. Pedro I voltou ao lugar em que repousava desde 1834, preservado em formol num bocal de vidro, na Igreja de Nossa Senhora da Lapa, no Porto (pt), depois de completar uma viagem de dezanove dias ao Brasil para que a real e imperial relíquia estivesse presente nas celebrações do bicentenário da independência do Brasil. A exposição do coração ao público português, que fez fila para o contemplar, bem como a cerimónia do seu transporte transatlântico mereceram holofotes mediáticos, com o presidente da câmara portuense a defender que a relíquia não poderia faltar às celebrações do bicentenário; seria “uma desdita”, assim escreveu [em artigo no diário português Público].<br />
[…] [O]rganizaram-se cerimónias políticas alusivas ao tema genérico “dois povos unidos por um coração”, não sem as críticas contundentes dos dois lados do Atlântico que, naturalmente, chamavam à atenção sobre o facto de a autorização da Câmara do Porto para que o coração experimentasse a viagem aérea transatlântica coadjuvar a sua instrumentalização política pelo governo brasileiro, entretanto também já bem defunto. […] Para comer com o coração de Dom Pedro é a resposta poética que preserva o coração, mas desconstrói o fetiche, com os seus mitos lusotropicalistas sobre nações unidas por um só coração e uma sociedade integradora das vidas imigrantes, recorrentes nos discursos políticos, mas que demasiados não encontram o seu respaldo no dia a dia numa sociedade pós-colonial que, estruturalmente patriarcal, ainda não exorcizou os seus fantasmas coloniais e cuida dos seus fetiches.<br />
Considerando de forma interseccional que a mulher imigrante é um duplo alvo da xenofobia, machismo e misoginia que grassam de forma cada vez menos velada, a poesia de Melo constitui, ainda, mais um reduto de resistência. É deste lugar que a autora escreve, o que, inclusive, deixa claro em “Uma nota da autora” feita, aqui, nesta publicação: “Este livro foi escrito por uma mulher imigrante, latino-americana, brasileira, nordestina e comunista”, convocando vários lastros e camadas sobre histórias de alteridades.<br />
[…] É também uma reparação com vista a um futuro decolonial que encontramos em Para comer com o coração de Dom Pedro, um livro sobre como devemos atentar às dores, as nossas e as dos outros, representadas para que possam ser transformadas com vista a uma comunidade de afetos. Que não desespere, então, o leitor que inicia agora a leitura deste livro: comer o coração de Dom Pedro, mantido em formol, seria um risco certo de saúde pública e a sua autora sabe bem disso. Uma comunidade de futuro, inteira, inclusiva e plural, tem de se ancorar nos afetos que acompanham o cuidado do Outro como a nós mesmos. Saibamos, por isso, comer com o coração.”</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Margarida Rendeiro</strong><br />
<em>trecho do prefácio</em></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/para-comer-com-o-coracao-de-dom-pedro/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Acho que eram lágrimas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/acho-que-eram-lagrimas</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/acho-que-eram-lagrimas#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Jun 2024 11:23:51 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=20919</guid>

					<description><![CDATA[ENTIDADE 1
(a ler) Quero que me leias como se fosse um livro proibido. Que me escrevas em páginas envenenadas como se fosses um monge copista. Que derrames em mim a tinta e que faças parte da minha história, e que juntos formemos o único original de uma odisseia que só o mar poderá afogar em lágrimas, se o conseguir.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em <em>Acho Que Eram Lágrimas</em>, Hugo Vasconcelos convida e expõe o olhar do outro à descrição do sofrimento. “Bem vindos à tragédia”, diz-nos logo e acrescenta: “A história humana é aliás o registo de crueldade ilimitada”, pelo que Acho Que Eram Lágrimas é também um exercício de crueldade, especialmente porque os diversos quadros de sofrimento se apresentam, formalmente, como farsa. O problema da dor é, desde Job, o problema da exposição e da descrição de uma sensação privada. A dor que eu sinto só existe perante o olhar do outro. Mas como pode alguém sentir as minhas dores pela descrição que delas faço? Que histórias e palavras usar para descrever a dor e o sofrimento? A crueza da dor parece incompatível com o consolo retórico da linguagem. Como tornar a linguagem crua como a dor? E o corpo que a representa é o corpo que sofre? “Não se consola a mão, mas sim a pessoa que sofre; olha-se a pessoa nos olhos”, diz Wittgenstein. Mas como se olha nos olhos quem sofre, sem que ela veja em mim o seu sofrimento?</p>
<p><strong>David João Neves Antunes</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/acho-que-eram-lagrimas/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O sol em maio</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-sol-em-maio</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/o-sol-em-maio#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Jun 2024 14:41:30 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=20884</guid>

					<description><![CDATA[acendemos as luzes
regressam os corpos da cidade
estão cansados sem necessidade
espero cá fora
a porta esconde atrás um mundo
e só eu aqui desobediente
a querer casa no centro
salto pelo muro
é branco mas lembro-me dele amarelo
há uma escada em cima
obras no telhado
contradição de valores escondida do mau olhado
nunca vi um outono assim
enlouqueço.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os poemas de Isabel Milhanas Machado falam dos corpos da cidade que querem escapar e se refugiam em perguntas, muitas delas sem resposta. Corpos que são obrigados a ser da interminável rotina, do eterno cansaço. As palavras da autora viajam rapidamente entre o barulhento trânsito citadino e a natureza alentejana, calma e silenciosa, procurando uma harmonia que parece ser coisa do passado. A memória recuperada é o que ainda nos faz viver por cá, na confusão. É uma escrita que não esquece o que lá vai, as mulheres que vieram antes, mas também antigas companhias, amores, amizades. São textos que conversam longamente com o passado, numa tentativa de com ele fazer contas, chegar a uma paz, originar um recomeço ou deixar-se afogar. Por vezes, uma curta linha é suficiente para descrever uma partida, uma saudade. É um longo luto que se faz em frases soltas e incompletas, habitando numa nuvem cinzenta de sentido para aquilo que fica. É a difícil luta de viver com a ausência e forçados a agir como se nada tivesse acontecido. São discursos que alguém lerá para não quebrar, para viver com o que sobra.</p>
<p><strong>André Murraças</strong><br />
dramaturgo</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/o-sol-em-maio/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A casa da memória</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-casa-da-memoria</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/a-casa-da-memoria#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 May 2024 14:26:51 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=20761</guid>

					<description><![CDATA[Aos olhos levo a água lenta que corre para a terra
sob a névoa de uma manhã cega
de
chuva.

Sem nenhum anjo da guarda
à entrada
da Casa da Memória
agora,

só tu e o mar.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“Não tem importância nenhuma escrever um poema”, diz Azenha. E com isto ela sacramentou a verdade da causa secreta do poema, sua metafísica, sua origem, a fenomenologia de sua aparição.</p>
<p><strong>Rogel Samuel</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/a-casa-da-memoria/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Autobiografias ou o que se é enquanto se tenta ser</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/autobiografias-ou-o-que-se-e-enquanto-se-tenta-ser</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/autobiografias-ou-o-que-se-e-enquanto-se-tenta-ser#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 May 2024 09:17:59 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=20597</guid>

					<description><![CDATA[Há uma estranha normalidade e antiguidade nos gestos matinais.

Repetem-se quase intocáveis há anos, e sinto-me a caminhar num passado que desconheço ou que esqueci enquanto caminho até ao trabalho.

(<em>sobre o dentro e o fora</em>, número 8, página 23)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Autobiografias ou o que se é enquanto se tenta ser</em> é o primeiro livro de coletâneas de textos de Francisca Sousa Soares.<br />
Estruturado cronologicamente, com pequenas passagens que lembram entradas de diário, questiona o que difere a autobiografia da ficção e o banal do extraordinário. Assim, como o ciclo da natureza, acompanhamos as percepções e os sentimentos da autora que nascem, crescem, transformam-se e desfazem-se para depois nascerem novamente.<br />
Na sua escrita, Francisca reflete-se e parece moldar-se a todos os estados possíveis, entre sólido, gasoso e, principalmente, líquido. A própria expressão ‘o que se é enquanto se tenta ser’ descreve algo que vive mas que não é possível intitular. Assim é o corpo da narradora que nos conta em pequenos textos, e quase em sigilo, como é que o ser humano se funde entre construções premeditadas e instintos selvagens, estes que provêm de lugares ancestrais e de uma sabedoria intrínseca.<br />
São reflexões profundas e introspectivas que analisam as rotinas diárias e as expõem como vivências complexas e repletas de questões filosóficas. O ritmo da vida é alongado ao máximo que lhe é possível. Um sentimento natural das almas jovens e ambiciosas que procuram incessantemente conhecer-se a si e ao mundo, com uma teimosia que é no fundo uma vontade plena de viver cada segundo e mergulhar cada vez mais fundo num mar de novidades e incertezas.</p>
<p><strong>Pietra Galli</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/autobiografias-ou-o-que-se-e-enquanto-se-tenta-ser/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>as 12 voltas de júpiter e a mira de saturno</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/as-12-voltas-de-jupiter-e-a-mira-de-saturno</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/as-12-voltas-de-jupiter-e-a-mira-de-saturno#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 May 2024 09:40:19 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=20573</guid>

					<description><![CDATA[não crer no mistério é como observar o vazio
sem ceder, perplexo, ao esquecimento
do nome do tempo
registro de pedra à porta dum sopro
que se instaura e inaugura
o momento mesmo do sopro.
o mistério dum tempo
não daqui, mas de antes
a centelha de outrora de alhures
afronta o corpo presente
matéria forjada no campo
inenarrável da Ideia:

talvez seja isto
a impossibilidade de desvio
da irrefutável concretude
da estrutura e
do motivo por e a que viemos.

(...)

[<em>almuten figuris</em>, página 31]

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os poemas de Ana Zambi queimam: como a verdade prática ou a brasa do cigarro. Tanto fado: verdade, destino, quanto fardo: peso e responsabilidade dessa mesma verdade e destino — “carregar o signo do rigor das palavras/é fado e fardo/não se transmite”.<br />
Astróloga e poeta, Ana Zambi surge com o belo <em>as 12 voltas de júpiter e a mira de saturno</em>, um primeiro livro que reflete os ciclos da experiência. Ciente dos desastres e augúrios que esses ciclos podem causar, esta poesia pendula entre o trauma e a beleza, tentando tirar do cotidiano aquilo que os ingleses chamariam de “silver lining”, ou seja, o revestimento prateado de toda situação tempestuosa.<br />
A expressão significa “tudo tem um lado bom”, o que poderia ter laços bem apertados com o sentido jupiteriano do otimismo: mas se engana quem acredita que os poemas de Zambi caem no otimismo inocente ou no dualismo estanque. Com o lirismo temperado de ironia, devedor de Alexandre O’Neill, citado nas epígrafes do livro, esta poesia também elabora com escárnio a reação a uma realidade comezinha e mundana demais.<br />
Quanto a ela, o maior tributo a se pagar com a moeda do tempo de Caronte é listar as coisas escritas com fúria: “olhos fechados de desejo/tentativas de esquecer o frio/a cama dura que nos fere as costas/as minhas costas feridas e o modo como as dei ao mundo”.<br />
Sem querer dar spoiler, as 12 voltas… falam de como se voltar mais uma vez para esse mundo, se reconectar com ele, a partir do básico: dos seus elementos naturais, da escrita vertiginosa dessa realidade, do desejo por um corpo permanentemente em falta.<br />
Quem está sob a mira destes poemas é o leitor, ele é o interlocutor final dessa voz que se dirige ao ser amado, aos luminares, às métricas do céu. Que ele se permita ser flechado.</p>
<p><strong>Fernanda Drummond</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/as-12-voltas-de-jupiter-e-a-mira-de-saturno/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Sereias-anjos nadam ou voam?</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/sereias-anjos-nadam-ou-voam</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/sereias-anjos-nadam-ou-voam#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 May 2024 16:47:42 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=20552</guid>

					<description><![CDATA[Bruxas
da América
Central
queimando a fibra da terra
com histórias de outras terras
reivindicando para si o óleo sagrado
do primeiro dendezeiro

o eco vem através das águas
aninha-se de aromas e ritmo
o tambor ancestral renasce
Mulheres Sagradas da América Central

[<em>Poema à Tituba, a bruxa negra de Maryse Condé</em>, página 42]

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A metafísica do universo é o corpo de uma mulher negra. Este é o princípio fundador das páginas de Sereias-Anjos Nadam ou Voam?, da poeta Hannah Bastos, que no seu livro de estreia transfigura a sobrevivência em uma existência ritualística onde é preciso talhar-se a si com ladainha e reza de mangue e mar para de si nunca deslembrar. Mas não só. Aqui, esta mulher deslocada na diáspora que exibe a voz poética de alguém que se entende negra há milhares de quilómetros de casa para perceber que é preciso reinventar a casa para reinventar também o próprio centro e o centro do mundo. E, à medida que se torna negra, percebe-se não como lhe desejam que se perceba, mas ao contrário, como a sendo aquilo que concretamente se é: esta grande tecnologia ancestral. Assim, evoca as bruxas da América Central com o mesmo tom radical e sedento em que chama pela sua avó bilíngue em plantas e serenos. Faz-se ninho de si mesma enquanto encara a solidão do seu próprio espelho, conquista e reconquista o seu rosto incerto, observa a vida e a morte pelos olhos de Suçuarana, e enquanto procura, encontra e assenta sua retomada. Sereias-Anjos Nadam ou Voam? é sobre a pele, que, uma vez que habita o sal (e a água), assume o estatuto da eternidade, assume o reinado de um povo inteiro; e sobre o encontro entre o Nilo — este rio de um continente África onde nunca esteve, mas ao qual sempre pertenceu — com as águas do Rio Jaguaribe ao sul do Equador; ou do oceano Atlântico, que umedece as finas areias de Tambaú com o Mediterrâneo, cujas conchas são de ambos sempre os ossos, as pernas, os braços dos que ali ficaram antes de si. Esta é a forma valente que a poeta encontrou para que sua voz fizesse cumprir a promessa das manhãs e esperasse pelos peixes presos nas redes de arrasto mais uma vez, seja lá em que água esteja. Sereias-Anjos Nadam ou Voam? é o sopro da esperteza de gente de beira de mar.</p>
<p><strong>Manuella Bezerra de Melo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/sereias-anjos-nadam-ou-voam/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Só é possível ser feliz numa cidade estrangeira (poemas portugueses)</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/so-e-possivel-ser-feliz-numa-cidade-estrangeira-poemas-portugueses</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/so-e-possivel-ser-feliz-numa-cidade-estrangeira-poemas-portugueses#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Apr 2024 10:29:21 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=20342</guid>

					<description><![CDATA[O tempo fez-se, expandiu-se, dilatou-se.
Expôs a polpa sumarenta de fruta madura
a rebentar sementes; um tempo prenhe,
voraz; urgente, tempo egoísta.

Fugidio, escapa dos pulmões a cada golfada de ar,
desfaz-se em fiapos nos interstícios dos músculos tesos,
sente-se desfalecer entre sístoles e diástoles pressurosas,
repousa por ínfimos segundos no dorso da língua.

Este tempo, janela entre o ontem e o agora,
despossuído de mim ou de ti,
explode em partículas de nada e água,
E leva-nos, pulverizados, indistinta poeira,
pelos céus de agosto.

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O escritor Juliano Garcia Pessanha uma vez escreveu: “Aquilo que desaloja é o mais hospitaleiro”. Em Só é possível ser feliz numa cidade estrangeira, Alexandra não apenas expõe com eloquência esse aparente desatino, mas também alerta com sabedoria sobre o perigo de enraizar e sobre a importância de saber partir quando a cartografia que nos cerca se torna mundana.<br />
Nesses poemas portugueses, tudo que passa por ordinário no cotidiano e tudo aquilo que envolve o destino humano é observado de maneira generosa e com ternura. Essa capacidade de olhar, que se equipara a de um Georges Perec, nos conduz a reflexões sobre os espectros da infância, as ambivalências do ofício da palavra, a fatalidade da morte, a esperança no amor, a inflexibilidade do luto e o tamanho incomensurável do vazio que ele desenha. A morte de um ente querido é uma ausência categórica que não arrefece com o tempo, é um decreto do não. A vida não se repõe, afinal.<br />
Mas a vida se atualiza. Em solo estrangeiro, é legítimo descobrir que partir pode ser como retornar. É assim mesmo: a geografia é um tanto traiçoeira, andamos em círculos. Em calçadas portuguesas, nos aguarda a oportunidade de reaprender a caminhar e a tropeçar, repensar o vínculo com o chão e a impossibilidade de ser colibri. Olhar para o turista criticamente, mas também com compaixão — ele também está fugindo. Olhar para a tristeza com igual compaixão, ela também é um rebento assustado.<br />
Reconhecer que o peso da mala é ínfimo diante do peso do corpo. Perceber que os pés de bebê que estranharam a areia de Ipanema ainda são os pés que hoje em dia ressentem a textura do mundo. Assumir a constituição mineral e a veneração pelas pedras, como quem finalmente aceita as próprias dores. Amar, mesmo sabendo que o amor não é uma estrutura balanceada. Parar de esconder os rastros, aprender a reconhecer os índices, no caminho e no rosto. Amar as ruínas e saber que todo corpo é uma ruína postergada.<br />
O texto de Alexandra transparece uma vitalidade vocabular inédita que nos confirma: a literatura memorável é também uma cidade onde chegamos estrangeiros, ainda sem saber como conduzir a exploração do território e, acima de tudo, sem adivinhar o tamanho do legado humano da incursão poética — e que legado Alexandra nos deixa. Nas frestas destes poemas, a tal felicidade nos espreita muito tímida e, às vezes, nos cumprimenta. Noutras, se despede do leitor com delicadeza, feito uma amiga de longa data que atravessou um oceano para terras portuguesas e sobre a qual nutrimos esperança de, algum dia, vermos novamente.</p>
<p><strong>Harini Kanesiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/so-e-possivel-ser-feliz-numa-cidade-estrangeira-poemas-portugueses/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Escândalo escuro</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/escandalo-escuro</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/escandalo-escuro#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Apr 2024 13:43:14 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=20276</guid>

					<description><![CDATA[Um colo ficou vazio,
intacto na noite,
quando te foste em direção a outras noites,
e o silêncio ficou a arejar-me o peito
que já não tem o teu contorno,

que é só escândalo escuro.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Na superfície das palavras bem garimpadas, vem o alívio: Arte. Para dores escuras.<br />
No subterrâneo, como lava quente, num vulcão em franca ebulição, brota o fulgor. O escândalo. Ou seria do fulgor? Ou, talvez ainda também, no fulgor do escândalo?<br />
Luminosa como um candeeiro na caverna, Carolina mostra suas veias, seus meandros. Coloca o imensurável na linha do horizonte. Esse lugar existe sem talvez ser nunca suposto pelos olhos que leem. Capturados pela cordialidade rebelde daquela presença potente que se faz pairar. Em cena. Em linha, em verso. Uma artista que entende a impermanência está em busca da eternidade no agora do sentir.<br />
Desmedida, intensa. Abusada mesmo e no seu escrever incontrolável da pessoa que deseja romper limites. Seus, meus, nossos. Amém.<br />
Quero estar na plateia de todos seus assombros. Como guarda-chuva na tempestade violenta. Na proteção segura da tempestade, que acabou de passar. Do sentimento que atravessou o pensamento em busca da palavra. Palavra hóstia. Dando, assim, novo sentido ao estar. De novo o agora, sim, mesmo na madrugada seguinte. Ou anterior. Pouco importa. Importa a flâmula, o vigor, a desafinação perfeita de sons inaudíveis. O torpor das noites insones. Criando e demolindo seus castelos. E são tantos. E há tantos por vir. Afivele seus cintos porque o melhor aqui está sempre por vir. Na próxima página, na próxima máscara. O palco da escrita te aguarda a cada espaço vazio bem-ocupado. De um ar que corre pelas frestas que restam do fôlego, na voz partida do coração já quase sem som. Mas que ainda bate forte.<br />
A escrita de Carolina perturba e ronrona. Aponta dores possíveis na beleza estética de quem acaricia palavras. Ela as usa. Toca-as como notas musicais do seu sentir tão vertiginoso. Algumas morrem, quedadas nos precipícios da sua ousadia, mas nenhuma vai sem que as beije uma a uma em despedida antes que se afoguem nas linhas.<br />
Há um matar e um morrer que não se cala em nós.<br />
A garganta sempre viva da artista, pulsa, arde a carne.<br />
Nos escuros ou nos escândalos, nada morre:<br />
Pois tudo Vive<br />
Na Entrada<br />
Na Tomada<br />
No Assombro<br />
Na Vida Eterna<br />
Ave, Carolina<br />
Que na sua Poesia<br />
____________ se<br />
Eletri(fi)ca</p>
<p><strong>Christine Fernandes</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/escandalo-escuro/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>(em) lume bravo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/em-lume-bravo</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/em-lume-bravo#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Apr 2024 10:59:57 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=20100</guid>

					<description><![CDATA[Pena pele pelve
escrevo entre mares
a contrapelo
trans-lúdica opacidade
incandescente
e à margem:
nu(l)a alteridade.

(Do Mar Egeu
ao Jalapão,
a mesma
soberana lua
sobre o que
não tem
explicação.)

[<em>Lume</em>, página 9]

&#160;

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>(Em) lume bravo</em>, livro que estreia a poesia de Isabella Faustino, toda matéria poética se ergue sobre um risco. Não somente o risco do confronto, multifacetado na sua experiência imigrante, na sua bússola nortista, na sua assertiva feminista ou, sobretudo, no senso de justiça que costura com dor e ironia as linhas de força desta obra. Trata-se também de um risco da linguagem, que ora se camufla na hipnose rítmica, verbo-imagética ou idiomática das palavras, ora se desembainha seca e arremata um poema como quem explode uma estrela. Do começo ao fim, a progressão do plano temático nos orienta por um movimento espacial gradativo e imersivo. O primeiro segmento — assim o chamemos — estende-se por largos traços em uma geografia colonial, cujo centro de gravidade são as tensões entre um certo imperialismo linguístico-cultural e a “ilusofonia”, sempre forjadas na incapacidade de assimilação das diferenças entre o local e o alheio. Tal voz, predominantemente direta, desembocará em poemas como “Rubra”, de interrogação biográfica sobre sua vivência em Coimbra e os expressivos sintomas de uma tradição decadente: “submerjo (em) tua noite/como se eu mesma fosse/a própria voz de mulher/que falta no teu fado”. Como um contrapeso, essa ansiedade do reconhecimento irá ser suspensa ao evocar como uma memória idílica a paisagem da cidade de Palmas. Aqui, a luminosidade oratória das imagens projetadas irá friccionar com os limites da representação, dissolvendo em contornos imprecisos ou até inatingíveis a dimensão do seu horizonte: “é olhar de soslaio/espalmado/de quem, sob a luz,/vê o mundo para além/de seu fim”. Em paralelo, esse retorno a Palmas se demarca como um divisor de águas do livro, desdobrando-se adiante em um novo percurso pessoal, não mais delineado pela (des)territorialização da identidade, mas agora pela reivindicação de uma individualidade ética, tanto sublinhada pelo tema da justiça, quanto pela luta pela liberdade do corpo feminino. Por fim, essa imersão encontrará na metalinguagem uma última etapa produtiva ou um retorno essencial desfreado por um plural de vozes. Sobretudo, ao adentrarmos pelo itinerário poético de (Em) lume bravo, defrontamo-nos com a notável perspicácia de Isabella Faustino em extrair de uma consciência coletiva (e histórica) não somente o espelho de um amargo cotidiano, mas uma metáfora da criação de uma saída possível como uma condição literária: “Era vontade de usar a língua:/a portuguesa/e a própria”.</p>
<p><strong>Daniel Cruz</strong><br />
professor, produtor cultural, escritor e mestre e doutor em Literatura pela Universidade de Coimbra.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/em-lume-bravo/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Mulher, Posso e Mando</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/mulher-posso-e-mando</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/mulher-posso-e-mando#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Apr 2024 15:31:49 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=20038</guid>

					<description><![CDATA[Nunca me senti tão barragem
De comportas a ceder
Ruturas
Trémulas

Nunca me senti tão represa
De águas a tremer
Tonturas
E névoas

Nunca me senti tão contenção
Húmida
De águas
Afluentes

...

(<em>Barragem que sou</em>, 82)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A poesia de Maria Caetano Vilalobos<br />
grita no papel.</p>
<p>Não leia parada/o.</p>
<p>Leia em movimento, voz alta,<br />
palavra entre a língua e o pé.</p>
<p>A palavra performática de Maria implora por ação.</p>
<p>A poeta constrói imagens como quem viaja junto,<br />
cantando no carro,<br />
observando as nuvens<br />
e o cheiro dos pneus.</p>
<p>A estrada é a sociedade,<br />
e o veículo,<br />
um corpo de mulher.</p>
<p>Goza, treme e luta.</p>
<p>O corpo poético de Maria Caetano imprime<br />
as suas opiniões e manifestos na palavra<br />
e as palavras em seus movimentos.</p>
<p>Convida a não assistir ao presente<br />
impunemente.</p>
<p>Aceite e mova-se com ela<br />
sabendo que, juntas,<br />
podemos.</p>
<p><strong>Maria Giulia Pinheiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/mulher-posso-e-mando/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Hamsterdão e alguns desapontamentos de poesia tópica</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/hamsterdao-e-alguns-desapontamentos-de-poesia-topica</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/hamsterdao-e-alguns-desapontamentos-de-poesia-topica#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Apr 2024 10:03:12 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=20028</guid>

					<description><![CDATA[viver todos os dias
cansa

há demasiado tempo
ruído e confusão
sobredose de informação

perde-se o foco e a esperança
com a lista de compras na mão

é infinito o rol de cenas
a verdade é adaptação

da realidade
queremos saber apenas
se o roque ainda é o que era
quando chega a primavera
ou se chega
ou não
(...)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Na declaração de intensões — assim mesmo — com que abre <em>Hamsterdão,</em> e alguns desapontamentos de poesia tópica, Rui Portulez trincha a poesia em cima de uma mesa de mistura e tempera-a com um raminho de ervas confessionais: “a meu favor/muitas canções de amor/versos que só eu sei de cor/e pouco mais”.<br />
Para muitos, Amsterdão é aquele lugar onde se vai em busca de um café simpático, onde se possa enrolar um charro sem ter a polícia à perna ou, para os mais dados a confortar o estômago, uns bolinhos com ingredientes extra. Para Portulez, que trata de inventar aqui a sua própria cidade, esta será um pouco a terra de todos nós, uma utopia nebulada onde “usamos espressões/em série/de televisão”, esperando “pelo anúncio da próxima rodada/para voltar a encher o copo”.<br />
Recusando fazer a revolução no sofá, Rui Portulez dispara em várias direcções, soprando a nuvem de forma difusa a que chamamos cloud, definindo a (nova) imortalidade como o “acaso de alguém tropeçar em nós”, caminhando pela terra do like tentando não ficar enleado na “sobredose de informação” ou no extenso “rol de cenas” que nela habitam. A rádio, essa continua a merecer os mais rasgados elogios, uma forma de resistência que caminha em ondas hertezianas: “há gente tresmalhada/energia e bons refrões/em transferência modelada”.<br />
Em tempos de enfiar a cabeça na areia ou no forno, as dúvidas chegam a perturbar até o espírito mais irrequieto: “vale a pena insistir?/vale a pena resistir?/vale a pena um bom refrão?/vale a pena outra canção?/vale a pena apresentar reclamação?”. Como começar, então, a revolução que a todos toca, tirando o caruncho a um reino que está tão podre quanto o da Dinamarca imortalizada por Shakespeare? Talvez começando por aqui: “há que levantar o cú do sofa, ya/e os olhos do umbigo”.<br />
Como muleta ou consolo, teremos sempre a música — e o vinho: “é urgente convocar/o cancioneiro popular/e deixar a porta aberta/ao desvario e fruição/da pop descoberta/à canção de intervenção/à loucura e ao protesto/brindo de copo na mão/emborco tudo de resto”.<br />
Anos depois de <em>Rima, não rima?</em>, livro de poesia para adultos descomprometidos com letras que dariam canções para gravar um novo disco para meninos, Rui Portulez faz do verbo fazer o motor da revolução: “fazer de conta/fazer por fazer/fazer por dever/é coisa de valor!”. O livro fecha-se, mas a janela com vista para esta <em>Hamsterdão</em> comum fica aberta. Saltemos.</p>
<p><strong>Pedro Miguel Silva</strong><br />
in <em>Deus Me Livro</em></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/hamsterdao-e-alguns-desapontamentos-de-poesia-topica/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Silvina</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/silvina</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/silvina#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Apr 2024 11:23:44 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=20008</guid>

					<description><![CDATA[há um santinho bem gasto
tinta estalada e fenda quebrada a meio
com o menino ao colo
fica de lado sobre a cabeceira
nunca ninguém lhe reza
nem lhe dá graças por melhores dias
sempre deitado no mármore
quieto sem nome nem milagre

não sabem
mas a avó é que o beijava
todas as noites antes do sono
e essa é ainda a bênção
que guarda aquela casa

(<em>dia 8</em>, página 9)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Para a Leonor e a sua Silvina.</p>
<p>Em cada poema de Leonor, há uma casa num Sul pouco árido mas húmido e fresco. A frescura é tão velhaca que está sempre presente e à espreita pelo ombro, tal como a morte. <em>Como uma erva daninha numa parede de betão? Sim, como uma erva daninha numa parede de betão. À entrada, ela diz, poisem a cabeça neste varandim e olhem para a pombinha morta, e nós olhamos, mas é como se a pombinha fosse voar a qualquer momento. A pombinha está morta?</em> Silvina desorganiza-nos; é uma selvajaria de ruas, flores e chochos gordos que enchem os lábios de ternura. Se há uma casa, há alicerces tortos e açucarados como a seiva de algumas árvores e pelo caminho;</p>
<p><em>golfadas de silêncio absolutas</em><br />
<em>como poças de ar</em></p>
<p>Encontram-se becos sem saída e angústias. A poesia é angústia. Nesse silêncio dos lugares que já conhecemos, julgamos perder a sensibilidade. Não queremos um Alentejo moderno mas um Alentejo sem modernices e pejado de léxico vintage; queremos inhas, inhos, itos e itas. Cacofonia e açúcar. Não sabendo se a pombinha se encontra viva ou morta, temos sempre para onde nos virar, e há sempre uma janela na poesia <em>Silvina</em>. A Natureza, obviamente, é o que vemos dessa janela para nos aliviar do burburinho dessa angústia. À mesa erguemos chávenas e praticamos o tilintar à burguesia, mas a falhada. Pode a burguesia ser outra coisa que não falhada? E, se há sempre um santo em casa de alguém, estalado, mofento e com bafio nas brechas, também há sempre um santinho na poesia de Leonor. Estamos de saída mas ainda queremos soprar milagres. <em>Silvina</em>, minha querida, penso nela todos os dias. Sopramos, não acontece nada, só a sombra que as pedras fazem nos pequenos círculos de relva fria é que parece aumentar. Ah! É verdade, dizem que os milagres não existem, mas Leonor diz muitas coisas, e eu digo esta, há luz na sombra, que cliché tão cheiinho de<em> verité</em>.</p>
<p><strong>Rafaela Jacinto</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/silvina/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Navio</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/navio</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/navio#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Mar 2024 14:27:27 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=19963</guid>

					<description><![CDATA[em protesto
os frutos subiam às
árvores
prendiam-se
aos ramos
e recusavam-se a
cair.

(Protesto, página 13)]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Na melhor tradição da atual poética em língua portuguesa, António Quintas Mendes faz pausar o tempo, ralentar a vida, cumprindo as funções máximas do poeta: baralhar sentidos, dar novo nome a velhas coisas, transformar palavras em perguntas e certezas em delírios.<br />
A relação entre Brasil e Portugal é ressignificada a partir deste <em>Navio</em>, nau contemporânea mensageira dos poemas do autor, ora líricos, ora misteriosos. Então, cenas e imagens se sucedem, mas a pressa esperada não assalta a alma que, sequestrada por metáforas potentes, queda frouxa e extática nesses alguns versos e poemas que singram mares, borrascas e funduras, desde o lado europeu do Atlântico.</p>
<p><strong>João Peçanha</strong><br />
escritor, doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/navio/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Ninguém fica rica a trabalhar</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/ninguem-fica-rica-a-trabalhar</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/ninguem-fica-rica-a-trabalhar#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 Mar 2024 18:09:17 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=19924</guid>

					<description><![CDATA[Torna-se inevitável descobrir como
Coreografar areia
Desprogramar o café da manhã
Soltar berros fortes
Beber o máximo de água das pedras possível
E ficar mineral
Aquecer o colchão e não os lençóis
Dormir sem lençóis
Dormir sempre com algum corpo
Nenhuma cama deveria estar vazia
Torna-se inevitável descobrir como
Pagar a conta de eletricidade no mês de dezembro de 2022

<em>Para a Mafalda</em>, página 13.

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Ninguém fica rica a trabalhar</em>, o primeiro livro de poesia de Sofia Lemos Marques, nasce da necessidade descomplexada de escrever e é como se nos convidasse a nós, seus leitores, a fazer exatamente o mesmo. Ver no baixo preço das diárias um convite alargado a todos e na humidade das paredes a inutilidade da rápida construção é olhá-las para lá da sua existência simples: tudo poderão ser sinais que nos apontam para as ideias, temos de estar atentos. Este livro traz-nos a audacidade de ver na marmita em tupperware a classe operária que, mesmo com cursos e mestrados, se une à mesa do escritório. Não nos enganemos, a nossa liberdade começa nos nossos pequenos sonhos quotidianos — será o topless na piscina municipal um sonho impossível de concretizar? E a escrita? Posso escrever? Ok, obrigada.</p>
<p><strong>Ana Mariz</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/ninguem-fica-rica-a-trabalhar/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>As putas escrevem</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/as-putas-escrevem</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/as-putas-escrevem#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Mar 2024 23:41:54 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=19809</guid>

					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>AS PUTAS ESCREVEM</em></p>
<p style="text-align: justify;">Estava escrito na capa do livro.</p>
<p style="text-align: justify;">Embaixo, o nome da autora, o meu.</p>
<p style="text-align: justify;">Hesitei muito para publicá-lo, mas eu tinha aquela urgência de reconhecimento. O muro da escola, o e-mail impresso e pendurado no quadrinho de cortiça me pareciam tímidos, insuficientes. Quando você é uma puta é preciso ter garantias, alardear o fato, inscrevê-lo em letras de imprensa na capa de um livro e associado ao seu nome, senão as pessoas podem usar isso contra você. Podem querer te trancar dentro de um grande armário, aquele onde eles colocam as putas e os viados e onde eu até gostava de me esconder quando criança pra minha mãe não me achar. Ficava lá entre os ternos de linho do meu pai, e feliz por caber toda lá dentro, era escuro, era quente, era gostoso, mas uma hora me dava vontade de sair.</p>
&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">As putas de Marcela cometem reincidentemente dois crimes do mais alto risco. O primeiro, amar. O segundo, escrever.</p>
<p style="text-align: justify;">São mulheres que amam muito: amam a visão vertiginosa de uma outra mulher sorvendo um drinque azul à beira da piscina, amam a delicadeza da velhice nos olhos do próprio avô, amam a metafísica das lesmas, amam homens que as odeiam, amam outras mulheres através de suas nucas, amam como se tivessem “nascido com uma tesoura entre os dedos” (assim observa uma das narradoras sobre seu objeto de amor). São mulheres que tomam para si o mundo, seja amando, seja roubando, matando ou escrevendo.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse amor-tesoura está presente na forma como elas picotam o mundo à sua volta e como o representam nos contos. Através desta observação quase pervertida, as narradoras veem em fragmentos de outros um universo inteiro e se alimentam disso, roubando para si o que viram. Olhar, ou pior, ver é a característica mais importante dos crimes que essas mulheres cometem. E, se a sua visão corta; a escrita, recorta.</p>
<p style="text-align: justify;">São narradoras que ousam desejar e, em alguns dos contos, essa ousadia as faz receber o título de putas, como ocorre com tantas mulheres. O que as conecta, o que as torna putas, não é a alcunha, mas o risco que correm ao quererem conhecer o próprio desejo. Optam pelo arriscadíssimo caminho do pensar livre, pelo menos para uma mulher. “Querer, essa coceira”, diz uma delas.</p>
<p style="text-align: justify;">Já o escrever, presente no título, é uma ação que aparece em sua dimensão cinética. Numa contração quase espasmódica dos músculos da fala, as personagens de <em>As putas escrevem</em> falam a própria história através da voz que a autora as concede, ou seja, criam sua história ao falá-la. Aqui, portanto, a escrita não é apenas o exercício do escritor diante das letras, mas o jorro do pensamento criativo que responde ao olhar voraz das personagens diante do mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">Convido leitoras e leitores a penetrarem <em>As putas escrevem</em> como se olhassem escondidos pelo buraco obsceno da fechadura: com a visão, sim, mas com todos os outros sentidos engajados no ato pecaminoso da leitura.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Natália Zuccala</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/as-putas-escrevem/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A observadora de pássaros</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-observadora-de-passaros</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/a-observadora-de-passaros#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 09 Mar 2024 13:51:45 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=19759</guid>

					<description><![CDATA[Fumavas como arregaçavas as mangas.
Saltavas em ressaca como se fosse de alegria.
Olhavas de soslaio como se disfarçasses
a ternura que as olheiras escondiam.

Sorrias de barba à frente
e querias sempre sentir doçura
para além do dia.

Tentavas.

(página 56)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Esta observadora de pássaros é uma observadora de passagens e, inevitavelmente, de memórias, que surgem, muitas vezes, sob forma narrativa, ao criá-las em histórias, esses meios, tão antigos como as fogueiras, de construção de comunidade.<br />
<strong>Raquel Luís </strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/a-observadora-de-passaros/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Um dia serei humano</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/um-dia-serei-humano</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/um-dia-serei-humano#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Mar 2024 13:24:43 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=19725</guid>

					<description><![CDATA[A memória de não ser amado
ascende no calor do verão
como escapar ao laço do outro?

As aves por exemplo será
que apreendem a sua forma alada
na angústia do embate na rede?

(Regresso aos mistérios, página 19)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Por aqui começa então a poesia de João Vilhena, esta é a ponta do icebergue que se esteve formando há tantos anos, em tantas cristalizações subterrâneas e invisíveis. E, se não é tarefa fácil para mim a de segurar esta garrafa de champanhe gelada com que o quero brindar, é precisa muita coragem para lançar esse barco num mar cheio de portentos e potenciais titanics.<br />
Quem é então este poeta, ou seja, o que nos diz esta poesia? Há, na poesia de João Vilhena, uma oscilação clássica entre duas pulsões: se por um lado o autor é capaz de dotar muitos dos seus poemas de um lirismo bastante erotizante (eros), por outro lado há uma constante observação da morte (thanatos) no decurso da sua escrita: “Os mortos quero crer são plantas/em movimento no pátio com o sol/mas quem afinal se move é a terra/o sol vai ficando atrás de nós/mudam as mãos as plantas no pátio de lugar/e surgem flores: a vida toda/condensada em horas/mas que morte será a das plantas/ainda vivas quando se for a mão/que em busca do sol as move?”.<br />
O Algarve é tanto o território deste poeta, que aí nasceu, quanto a cidade de Paris, onde agora vive. Alguns destes poemas reflectem essa dupla vivência, essa contra-dicção, essa convivência, por vezes mais feliz, outras mais conflituosa. E que poemas não nascem do conflito feito inquietação (por vezes aparentando acalmia)? Imagens várias, sonetos falsos e imperfeitos, esparsas e outras músicas constituem a música por onde se pauta esta poesia (auto-)questionadora, rigorosa e, na sua simplicidade, muito lida.<br />
Mas não precisamos saber muito mais, para já, sobre João Vilhena. Não precisávamos saber nada, na verdade. A sua biografia, a de qualquer poeta, não nos pode interessar, no limite.<br />
No limite das palavras, o que podemos dizer sobre este João português é que ele “um dia será humano”. Título provocatório em tempos de inteligência artificial, ou da progressiva ausência de sentido de comunidade. Ele lá saberá o que quis dizer com isto, e nós, seus leitores, com isso não temos nada e temos tudo.</p>
<p><strong>Ricardo Marques</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/um-dia-serei-humano/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O jardim onde os poemas murcham</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-jardim-onde-os-poemas-murcham</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/o-jardim-onde-os-poemas-murcham#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Mar 2024 11:08:44 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=19700</guid>

					<description><![CDATA[Havia algo de sensual na violência.
No frio da navalha entre os corpos.
Quando o sangue fervia
E tudo era raiva e fogo,
Que com a língua nos despia,
Sem reflexo no espelho.

Matéria feita poeira,
Alquimia da devassidão,
Mestres da manipulação.

(<em>o fogo</em>, página 39)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Um jardim é um lugar. E um lugar é o onde-quando em que o tempo e o espaço se cruzam para fazer-se hábito. Mas o hábito — o fazer-se significado até do absurdo — não é algo que permaneça, que se essencialize ou que se transcenda. O hábito, num lugar, é o que persiste na transformação.<br />
O jardim de Rosário Alves Cardoso é um lugar em que o hábito se faz no entre: num espaço e num tempo amplos e demorados, onde as coisas fervilham, levitando, entre uma e outra coisa. “Por isso pairas,/Bem longe do que és/E não és balão sequer.”<br />
O entre, esta distância entre as coisas contrárias, é uma casa. E habitá-la não parece fácil. “Entrem. Fiquem. Bem-vindos ao jardim”, somos assim convidados, talvez por alguém que amanheceu estátua e cuja existência é apenas sinalizada por “pontas de cigarros intermitentes”. Entrar, poderíamos dizer, é estar no entre. Este não é um convite fácil. Mas entramos. E encontramos então poemas murchando, um pouco por todo o lado.<br />
O que será isto de poemas que murcham? Imagino então palavras que levitam — como algo entre um grito e um suspiro, entre o dado e o indizível — e que depois caem na terra húmida, virando húmus. Os poemas murchos são linguagem que habita o entre: o crepúsculo entre a noite e o dia, o cruzamento entre a vida e a morte, a ponte entre a vigília e o sonho, o “cheio vazio” e o “vazio cheio” entre o tudo e o nada, o “imprevisto cósmico” entre o absurdo e o dogma e a “ausência da comunhão do todo” entre o ego e o comum.<br />
No Jardim onde os poemas murcham a poesia é matéria viva e morta, onde as coisas se encontram e se misturam. Os poetas são “necrófagos da experiência humana” e do mundo. E os leitores são “abutres que se alimentam do poeta morto”.<br />
“Escavo e escrevo até o coração bater apenas/Pelas cordas tendinosas que o sustentam./Sou só ridículo/E gosto da audiência desta morte transmitida”.<br />
Entramos. E a meio das estátuas, das flores várias, da areia e deste húmus, descobrimos que o jardim do entre é também o lugar da alteridade. E que este lugar se pode habitar de várias formas. Com indiferença, soberba e sarcasmo. Ou com empatia — esse gesto que se deleita no esforço do impossível. Rosário Alves Cardoso parece conhecê-las a todas e parece ter escolhido a sua.<br />
“Ninguém chorou por ti,/Nem pegou na tua mão cerrada./Dormiste até adormecer.//Não te sou ninguém./Mas chorei por ti.//Amanhã há mais”</p>
<p><strong>Miguel Oliva Teles</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/o-jardim-onde-os-poemas-murcham/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Poemas do manicômio de Mondragón</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/poemas-do-manicomio-de-mondragon</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/poemas-do-manicomio-de-mondragon#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Mar 2024 11:31:09 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=19678</guid>

					<description><![CDATA[você que só tem palavras doces para os mortos
e leva na mão um ramo de flores
para esperar a Morte
que cai de seu corcel, ferida
por um cavaleiro que a captura com seus lábios brilhantes
e chora pelas noites pensando que lhe amava,
e diz vá ao jardim e contemple como desabam as estrelas
e falemos calmamente para que ninguém nos escute]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Poemas do manicômio de Mondragón</em> (1987) reúne, pela primeira vez no Brasil, um conjunto de poemas e textos escritos por Leopoldo María Panero (1948-2014) – um dos mais importantes e desafiadores poetas da literatura espanhola moderna – durante os primeiros anos de sua permanência no Hospital Psiquiátrico San Juan de Dios. Nesta edição, o leitor contará também com a publicação dos poemas vinculados ao livro de Mondragón que saíram esparsamente em outras obras. Além disso, encontrará os textos de Globo Rojo e uma seleção de fac-símiles da revista homônima, editada, escrita e ilustrada pelos próprios internos</p>
<p>(tradução: Ayrton A. Badriah, Pedro Spigolon e Tiago Fabris Rendelli)</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/poemas-do-manicomio-de-mondragon/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Tosca lyrica</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/tosca-lyrica</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/tosca-lyrica#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Jan 2024 13:13:15 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=19194</guid>

					<description><![CDATA[Não sei escrever poemas de amor
só sei adivinhar-te na ausência
só sei adiar o silêncio para te procurar na luz
só sei comer pão nas horas mortas
esperando que o estômago reaja
ao calor do amido e do fermento
como compensação por não ouvir meu nome
saindo como um fruto da tua boca.

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Tosca Lyrica</em> é fruto de uma síntese de metamorfoses condensadas em verso. Alguns destes versos careceram de algum tempo nas trevas de um caderno fechado para que se percebesse se seriam semente ou esterco. Muitos foram esterco.<br />
Estes, porém, e na perspectiva da poetisa, tornaram-se sementes. Poderão ser raízes de outra espécie, ou ramificar-se. Existe um elevado grau de imprevisibilidade na escrita lírica — por mais que os poetas afirmem habitar num reino místico de onde se colhem poemas como frutos das árvores,<br />
não será bem assim. É difícil encontrar um poema que se possa contemplar, morder, despedaçar. A espera, creio, faz parte integrante do processo de escrita. Não obstante, eu devo ter-me enganado, e duvido que esteja no tal reino místico de que os poetas falavam. No reino onde estou, há aridez sob os pés e pó na atmosfera. Todas as janelas de todas as casas se quebraram, e todas as portas se abandonaram, permanecendo abertas. Cicia o vento. O ar crepita de febre e de fumo. Não é fácil encontrar libélulas poisando num lago, ou buganvílias espreitando de um muro. As pessoas parecem silhuetas que parecem sombras. Não se ouve música, canto ou som cristalino. Nem sequer a água ecoando de um poço. Mas continuo à procura.<br />
Talvez <em>Tosca Lyrica</em> seja isto: um testemunho da procura de um reino que já ninguém encontra.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/tosca-lyrica/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Merdas do amor</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/merdas-do-amor</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/merdas-do-amor#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jan 2024 10:59:08 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=19114</guid>

					<description><![CDATA[Esse perfume deixa-me extasiado
Louco, delirante, inebriado
Num tumulto de sensações únicas
Transportado a paragens idílicas
Aos pensamentos mais atrevidos
À inocência primitiva dos sentidos
E mesmo quando mais sonoro
O teu peido é lindo. Adoro!

(o teu perfume, página 49)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Conheço o autor há muito tempo. Não fosse ele meu pai há 20 anos. As piadas sempre lhe foram inatas e sempre fizeram parte da nossa relação, especialmente as “piadas secas”. O meu pai é super talentoso, disso não há dúvidas, desde ter-se autoensinado a tocar guitarra até a escrever textos com uma destreza impressionante.<br />
Mas nunca pensei que a sua maior paixão algum dia pudesse ser a poesia. Um dia estávamos os dois na sala de espera de um serviço de saúde e, em modo de brincadeira, desafiei-o a fazer um poema tendo como base a palavra “gaivotas”. E, em três meses, este senhor tinha escrito, ilustrado e paginado um livro. Fiquei tão impressionada e orgulhosa ao mesmo tempo.<br />
Apesar de tudo isto, vou ser sincera, sempre gostei do início dos poemas, especialmente aqueles que eram contemplativos. Mas porque é que todos têm que acabar com algum tipo de humor de casa de banho? Porquê?<br />
Os poemas estavam tão bonitos nas suas palavras e forma. Mas, mesmo não sendo este o meu sentido de humor e ficar sempre com cara de enjoo depois de acabar de ler os poemas, tenho a certeza de que o livro vai encontrar a sua audiência. E espero que cause exatamente o que o meu pai quer, risadas e boa disposição.</p>
<p><strong>Clara Rodrigues</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/merdas-do-amor/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Mergulhar na pele, desoxidar a língua</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/mergulhar-na-pele-desoxidar-a-lingua</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/mergulhar-na-pele-desoxidar-a-lingua#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Nov 2023 19:20:46 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=18736</guid>

					<description><![CDATA[a mulher abriga
ruídos da onça
a casca afina o
mistério
rasga a água
do mar
o peito luta]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Mergulhar na pele, desoxidar a língua</em> é entender a pele enquanto mistério maior da existência. É a celebração do verbo pelar, enquanto presenciamos uma dissecação detalhada das várias camadas dessa cobertura pelas mãos da autora de forma robusta e delicadamente num poro só! Essa pele-ritmo, pele-diário, pele-casa, pele-eu, pele-você, pele-nós, pele-confronto, pele-transformação, pele-fortaleza é uma viagem em que o mapa é a própria sensibilidade da escrita que nos é presenteada. O mergulho é real, os poros vão se abrindo de tal forma que até a superfície tem a sua profundidade e também transborda troca, enquanto se reinventa e se encontra. Este livro é para você que sabe que a pele fala e vai agora poder finalmente escutá-la. Aqui, o mapeamento vai acontecendo à medida que a bússola, que também é língua, se funde ao vasto reino dos poros.<br />
Essa é uma pele que respira e por isso vive na iminência de ser asfixiada. Aqui, pele e língua viram sinónimos no radar da violência que se desenha e tenta se afundar nela. Apesar de serem lidas como isco, são na verdade a fonte da resistência. Essa pele-língua é arco e flecha cheio de sabedoria ancestral, é encontro que segue enfrentando a violência, escancarando as cicatrizes, se desfazendo das crostas, evidenciando e desfazendo os enigmas e principalmente se pelando de novas possibilidades, novas linguagens, num mapeamento tão profundo que protege. Aqui, pelar, é existir na pele no seu todo. Afinal, é esse o maior órgão que temos. Tchibum! <strong> <span style="color: #ffffff;">Julia Peccini</span></strong></p>
<p><strong>Jorgette Dumby</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/mergulhar-na-pele-desoxidar-a-lingua/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Reclamar a sacarina surpresa</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/reclamar-a-sacarina-surpresa-2</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/reclamar-a-sacarina-surpresa-2#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Nov 2023 17:47:02 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=18727</guid>

					<description><![CDATA[Espero
que a data da minha
última menstruação
me seja bem
anunciada,
para
assegurar
a maior das
festas,
com o mais
elevado gáudio,
a mais estridente
gargalhada,
o mais
ostensivo
guarda-roupa
e o mais
animado
arpejo.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Como naquele instante em que, ao vestir-me, senti que o meu corpo era o corpo da minha mãe; que eu era ela ou o contrário, não sei muito bem, e assim me tornei oficialmente adulta.</p>
<p style="text-align: justify;">Denise reconhece na bisavó as suas próprias pernas. Aquelas que seguram o peso do corpo, da família, da casa, do trabalho invisível e do trauma. Enquanto mulheres sabemos bem que verbos guardam para nós: suportar, servir, aguentar, ouvir, carregar, engolir, calar, cuidar, cuidar, cuidar, calar — variantes viciadas da subalternidade. O que herdamos das nossas mães e avós é mais carga simbólica que genética. Ressentimos no corpo as falhas da História e perdemo-nos na repetição. Mas o que temos de nosso afinal? Quem podemos nós ser no meio da confusão?</p>
<p style="text-align: justify;">Denise volta ao início. Observa-se. Descreve-se para se encontrar e, ao fazê-lo, propõe um novo atlas sensível da anatomia feminina, que é poema e manifesto — insurjam-se, moças, contra o ato de contrição. O direito à ira é vosso, assim como o desejo, o prazer e a alegria!</p>
<p style="text-align: justify;">O exercício que lhe serve de contorno estende-se a nós, neste pequeno poemário de palavras afiadas e exatas, em que o corpo se faz de matéria, mas também de política, memória, dor e festa, tempo, espaço, campo, revolução e voz, voz, voz…. que nos encharca de riso áspero e choro, espanto e admiração.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez as pernas ainda suportem o peso do passado, mas chegará o dia em que um grito das entranhas se lançará livre pela primeira vez.</p>
<p><strong>Mariana Camacho</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/reclamar-a-sacarina-surpresa-2/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O Livro de Sagres</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-livro-de-sagres</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/o-livro-de-sagres#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Nov 2023 18:22:38 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=18654</guid>

					<description><![CDATA[monólitos e cromeleques quedam
serenados nos campos abertos e inúteis
onde a estrada não passa margeia e para
e na placa em madeira arruinada anuncia a flecha
NEOLÍTICO as pedras perdidas e sacras
os menires que não encontrei os
monólitos castanhos ainda abaulados como
cabeças de cães servis ou fragmentados
pelos matos baixos últimos resquícios pré-
-históricos talhados pelo homem e retrabalhados
pela erosão do tempo quais ventos quais vestes
quais chuvas quais pedaços
de caminhos estraçalhados de pergaminhos
futurísticos quais respirações passantes
e adejantes bordejaram esse planalto]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Entre Brasil e Portugal, o mar. Salino, corrente, vasto. Este livro de Elisa Andrade Buzzo traz a força arenosa, granular e sedimentada de um tempo que vem de sempre, mas que nos leva a um lugar que ainda não conhecemos. Uma Sagres como símbolo de linhagem e de alinhamento, não só com as profundezas da língua portuguesa, com a dicção portuguesa — tão íntima e tão misteriosa aos autores brasileiros — mas também com a natureza lírica da poesia.</p>
<p>A poeta é especialmente habilidosa nessa construção encantatória, barravento, a partir de elementos do imaginário literário português, explorando o que poderia haver para além de falésias, infantes, seixos, alcovas, relíquias, lamparinas, âncoras, espumas… E ainda muito antes, em vestígios do período neolítico, “num território reduzido ao essencial”. Uma espécie de ourivesaria sobre camadas mais fundas — ou melhor, dissecação e rearranjo das partes primordiais para que ressignifiquem na caleidoscópica poesia contemporânea.</p>
<p>Elisa Andrade Buzzo, que é pesquisadora, em Portugal, da literatura brasileira, posiciona-se justamente no limiar da familiaridade: como quem observa um lugar, uma cultura, uma língua que é sua sem totalmente o ser: “esse padrão de sagres aqui fincado/como os dos solos tropicais/é lembrete calado e de distantes/enfadonhos ditames coloniais”. Assim, consciente da sua sensibilidade além-mar, a poeta percorre a topografia do Algarve como quem busca por uma memória perdida, munida, em suas escavações, de ferramentas bibliográficas e afetivas intrínsecas. Deixa a intuição ancestral revelar um elo nas encostas pedregosas, nos personagens locais, nas manifestações transformadoras do presente: nas fábricas, nas velas de windsurf, nas casas neoclássicas que irrompem espontaneamente pelo terreno.</p>
<p>Vai anotando, com o olhar poético-científico, suas impressões sobre “relíquias vicentinas”, a Sagres mítica e simbólica que há muito já não reside somente em Portugal. A poeta revisita o imaginário colonial e arvora seus direitos sobre territórios oníricos em comum: “a paisagem não adentra antes sou eu/que me anteparo insólita no peso físico da paisagem/e vejo sem enxergar e ando sem caminhar”. Sob o ponto de vista da poesia, da vivência poética, este não poderia ser, jamais, um olhar estrangeiro.</p>
<p><strong>Flávia Rocha</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/o-livro-de-sagres/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Avessamento (2ª edição)</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/avessamento-2a-edicao</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/avessamento-2a-edicao#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 Sep 2023 10:58:29 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=18218</guid>

					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">Tenho o mar morto no peito.
Tanto sal, tanto sal, tanto sal, tanto sal, tanto sal, tanto sal, tanto sal.
Sou o mar morto do meu peito.
Tanto sal, tanto sal, tanto sal, tanto sal, tanto sal, tanto sal, tanto sal.</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A gente se conhece tanto, eu e Magiu, de uma maneira que não conheço muita gente. A gente não se conhece direito, eu e Magiu, de uma maneira que sei mais dela do que de gente que não conheço. É uma relação que ficou profunda e próxima por sentimentos, por isso digo que a gente se conhece tanto e a gente ainda não se conhece tanto assim. E aí recebo um convite para escrever nesta orelha, e claro, um livro Avessamento. Percebo que isso, esse conhecer por sentimentos, é coisa dela, essa vontade de avesso, de mostrar o que a gente não conseguiria ver, de ousar o que a gente não conseguiria ler, de amar o que a gente não conseguiria ser. Uma fome de vida, uma literatura que faz parte da carne e do corpo, um desejo de uma arte com risco (eu nem sei se existe arte sem risco, existe?), a arte que é capaz de tirar a gente do nosso ordinário lugar e nos levar para um outro: extra-ordinário; e é deste lugar que escrevo. E daqui vejo: o tempo, esse maldito que passa e passa e passa e nos deixa aflitos para viver e viver e viver. Vejo também muito mais: um lugar onde é possível um outro lugar, diferente deste que estamos. Livre, onde uma cidade seja possível, onde as pessoas são respeitadas. Neste lugar também as mulheres são tudo, porque nesse lugar ser tudo é possível e mais do que respeitado, tudo vale, vale tudo.<br />
Ser deslocada para um lugar assim é assim um lugar para ser deslocada. Avesso. Avessamento. Triste perceber que o lugar dela é o avesso do mundo porque o mundo anda muito do avesso. Escrever isso do mundo é sempre atual, pois estaremos sempre em busca de outro lado, de outro dentro, de outro ser. Encontrei aqui um lugar para chamar de meu, podemos chamar de nosso. Cabe mais. porque o mundo anda muito do avesso. Escrever isso do mundo é sempre atual, pois estaremos sempre em busca de outro lado, de outro dentro, de outro ser. Encontrei aqui um lugar para chamar de meu, podemos chamar de nosso. Cabe mais.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/avessamento-2a-edicao/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O livro do absurdo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-livro-do-absurdo</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/o-livro-do-absurdo#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Aug 2023 20:07:52 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=18003</guid>

					<description><![CDATA[nasci no século xx e vim para a poesia a nado
como tinha números no sangue estudei matemática como não trazia letras
fiquei a escrever cartas ao Minotauro]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Absurdo é uma palavra de origem latina que procede do termo absurdus, que é a junção das palavras ad e surdus, na qual a primeira significa afastamento, afastamento no tempo e no espaço, e já a segunda relaciona-se com o ouvido, fora do que comumente se ouve.<br />
Escreve Walter Franco:</p>
<p>“o<br />
ab<br />
surdo<br />
não<br />
h<br />
ouve”</p>
<p>Em <em>O livro do absurdo</em>, o criador, representado inúmeras vezes pelo Homem do Absurdo, faz o escândalo de uma sociedade. Ele tem uma forma própria de a manifestar. Forma que não coincide com a forma dominante da sociedade em que vive perante a qual é um estranho.<br />
Não é fácil descrever os homens e o mundo e ao mesmo tempo conviver com eles.<br />
Ele não é indiferente ao sofrimento, às injustiças, e aos mecanismos que escravizam o ser humano, tornando a Criação uma necessidade, embora saiba que só mergulhando no Absurdo a (re)vela.<br />
“A arte pela arte, o divertimento de um artista solitário, seria uma arte artificial de uma sociedade fictícia e abstrata. O seu resultado lógico seria a arte dos salões ou a arte puramente formal cheia de preciosidades e abstrações e que acabaria pela destruição de toda realidade”, diz Camus.<br />
O livro do absurdo é um poemário que usa a linguagem ordinária com o intuito de ultrapassar a própria linguagem e recorrendo a uma escrita irracional, sabendo que o absurdo não se situa nem no homem nem no mundo mas na relação de confronto entre ambos.<br />
Se o consegue ou não, só o leitor o dirá.<br />
Advirta-se:<br />
Este poemário brinca ao absurdo com o gato de Schrödinger.</p>
<p><strong>Alexandra Kräft</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/o-livro-do-absurdo/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Bajubás poéticas da Travesti Quilombola</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/bajubas-poeticas-da-travesti-quilombola</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/bajubas-poeticas-da-travesti-quilombola#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Jul 2023 15:16:49 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=17759</guid>

					<description><![CDATA[Transvestir o mundo é necessário
Transformar a educação é um caminho
Transvestilizar a sociedade cheia de espinhos
Transparecer que existimos e sentimos
Transgredir as normas do CIStema
Transpassar novos caminhos encruzas
Transvestir novos imaginários sentidos
Transformar as narrativas duras
Transportar saberes trans
Transvestidos os céus de cor]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Por aqui cada palavra é um rito, verbo vivo, palavra que subverte, TRANSpõe significados e significâncias. A autora nos convida para ler de corpa inteira, revirar concepções, reexistir, reinventar, reencantar. Djankaw apresenta em suas poéticas um chamado, um convite, uma provoc&#8217;ação: encruzilhar a si! Ler com o corpo inteiro significa também escutar com o corpo inteiro, imaginar, consciensentir&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">A cada poema somos lançades de forma rítmica e subversiva a TRANSperceber o que a autora nos convoca a ouvir. Ler e escutar as poéticas aqui presentes é como um intenso passeio por gramaturas distintas, é um exercício sensível que nos chama a revisitar nossas memórias junto às águas, às folhas, às montanhas, ao fogo — é um aquilombamento poético, cada poema é um território.</p>
<p style="text-align: justify;">Com profundas indagações [re]existenciais, a leitura nos leva a buscar por novas referências de significados, de linguagens, de uso das palavras, das imagens e paisagens. Somente uma corpa-encruzilhada poderia nos projetar para diferentes gramaturas subjetivas e temporais. Em vários poemas somos convidades a espiralarmos no tempo, na ancestralidade, nas faunas e floras dimensionais que Djankaw nos traz. Laroyê Exú Mulher!</p>
<p style="text-align: justify;">As escrevivências estão vivas e cheias de vida! Ao ler as próximas páginas deste livro, se permita aquilombar-se, prestar atenção ao bajubá, aos convites, orações e chamamentos que nos são apresentados. A obra <em>Bajubás Poéticas da Travesti Quilombola</em> é também um manifesto poético, existencial, místico-cultural. São poemas de reconstrução de um mundo-casa, de um mundo-colo, em que é possível existir e re-existir, criar e desejar&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Ao seguir para a leitura, esteja preparade para escutar palavras com sons de chuva, vento, tambores e, ainda, sentir cheiros e sabores, visitar lugares, territórios, questionar e projetar a si nos vários locais para onde a autora nos convida a ir. Esta é uma obra poética de reencantamento e de reexistência, é uma obra de referência decolonial sobre escrita, vivência e criação.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Jojo Souza Santos</strong>, mulher cis barbada, artista independente e pesquisadora no campo de arte e cultura.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/bajubas-poeticas-da-travesti-quilombola/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Atlântico</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/atlantico</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/atlantico#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Jul 2023 17:43:44 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=17734</guid>

					<description><![CDATA[foi preciso um atlântico entre nós, foi preciso te encontrar do outro lado, e retornar ao passado… pra poder terminar de montar a rima, de engolir o mapa... os processos que nos separaram não nos venceram, não nos mataram! é que nós não sucumbimos... não! nós lutamos. bravas. èsù. òsàlá. rosa branca e caboclaria. nós lutamos e sobrevivemos, dia a dia… eparei iansan bangalô três vez. num mafuá de bons ventos. bons sentimentos... e tempestades. e kizumbas. águas dos rios. alagados. sahel e cordilheiras... inteiras. seguimos… aquilombando reticências. aquilombando… resistências. ancestralidade! nós somos e seguimos sendo, vontade. em nós. um mesmo corpo, em vários corpos… carnes de um mesmo significado. eita, pretume danado! crioulo danado. negada. samba de quarta-feira, consciência e dororidade sagrada.... terreiro de mãe dinha e revoada. num tipo de elo, atado! enterrado. dentro da gente. amefricanidades insurgentes. kimbundu e canela. yorùbá, tupinambá. yanomami. ava canoeiros e favelas. amefricanidades...

(<em>Sem nome</em>, página 40)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em Atlântico, Maíra Zenun nos presenteia com uma coletânea de escritos nascidos da experiência de se tornar imigrante e mãe, ao mesmo tempo. Isso, enquanto caminha pela importante reflexão a respeito do que é a própria poesia. Entre brisas, florestas, entidades, águas e expressões ancestrais, em ritmos, cadências e tonais vindos de longe, mas que não cessam nunca. Este tipo de narrativa, que nos é entregue em forma de escrevivência, faz deste livro uma obra íntima e necessária. O título, certeiro, permite convocar inúmeras referências que abrem espaço para reimaginarmos este lugar do meio que é o Atlântico. Uma leitura deliciosa, mas delicada, sobretudo porque Zenun nos leva a criar rotas de confluência e descompasso, ilhas de (re)encontro e desapego, em um outro tipo de luto, luta e celebração, num manto de limbo profundo que é esse mar, em todas as suas heranças ladino-amefricanas — pegando emprestado este conceito tão exato de Lélia Gonzalez.<br />
Maíra Zenun denuncia, a partir da poesia, discrepâncias socioeconômicas sustentadas pelas atuais estruturas e hierarquizações veladas. Mesmo quando fala de amor, ela se junta a toda uma escrita consolidada, que escancara o que se passa em sociedades como Brasil e Portugal, assentadas no sistema colonial. Ao trilhar estes caminhos, a autora escolhe poetizar os efeitos nos afetos, da vida que gira em torno de tudo o que respira. Tanto que, em boa parte de sua obra, Zenun mergulha fundo na vontade de quem se camufla na paisagem de nunca ter sido criança, de nunca ter estado à beira da morte ou sufocada de medo, camuflada no sossego que não chega, nunca, e nos desejos mais desesperados, que insistem e esbarram nas pessoas que teimam em nascer poetas. Tem sido mesmo assim, desde o final dos anos 1990, a sua escrita. Como as sementes que cultivou e colheu em seu blog “Flores de Maio” (2007-2017), durante dez anos de versos e prosas deflagradas pelo deserto que assola mulheres negras, em muitas das batalhas de suas rotinas diárias. Em “Receita para podar felicidade” (2016), seu primeiro livro publicado pela Edições da Nêga, a autora bebe das águas assombradas pelas solidões impostas e violências deflagradas. Ao mesmo tempo em que começa a caminhar pela estrada de como é ser — e se tornar — poeta. Trajetória trilhada ao lado de muitas outras mulheres negras que, como ela, vivem carregadas de afetos, espinhos e palavras. E que, nesta obra específica, desabrocha de maneira surpreendente e originária.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/atlantico/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Fronteira-mátria [ou como chegamos até aqui]</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/fronteira-matria-ou-como-chegamos-ate-aqui</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/fronteira-matria-ou-como-chegamos-ate-aqui#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Jun 2023 10:11:59 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=17292</guid>

					<description><![CDATA[Sou fronteira
dois lados de lugar qualquer
um pé em cada território.

O ser fronteiriço é
nascer
&#38;
ser
de todo-lugar/ lugar-nenhum.

(...)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Todas as coisas primeiras são impossíveis de definir. <em>Fronteira-Mátria</em> é um livro que traz um oceano ao meio. Neste projeto original que une TERRA e MAZE, há que mergulhar fundo para ler além da superfície uma pulsão imensa de talento e instinto.<br />
Toda a criação é um exercício de resistência. Aqui se rimam as narrativas individuais, com as suas linguagens, seus manifestos, suas tribos, mas disparando flechas para lá das fronteiras da geografia, do território, das classes e regressando, uma e outra vez, à ancestral humanidade de uma história que é coletiva — a nossa. Veja-se a beleza e a plasticidade da língua portuguesa, a provar como este diálogo transatlântico é também a celebração necessária do que, na diferença, nos une.<br />
Todas as coisas surpreendentes são de transitória definição. Há que ler as ondas nas entrelinhas. Talvez o mais audacioso deste livro seja o servir de testemunho para muito mais do que as quatro mãos que o escrevem. Ficamos nós, leitores, sem saber onde terminam eles e começamos nós.<br />
Todas as coisas maravilhosas são difíceis de definir. Este é um livro para ouvir, sem sabermos se é poesia, se é música, se é missiva no vento. Se é uma oração antiga, ainda que nascida ainda agora pela voz de dois enormes nomes da cultura hip-hop de Portugal e do Brasil. Mátria carregada de futuro, anterior à escrita e à canção.</p>
<p><strong>Minês Castanheira</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/fronteira-matria-ou-como-chegamos-ate-aqui/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Língua solta</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/lingua-solta</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/lingua-solta#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jun 2023 15:52:22 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=17254</guid>

					<description><![CDATA[<strong>prefácio de Eliane Robert Moraes</strong>

língua solta
rolezeira
entre céu e
véu
fala sobre falo
ave rasteira
nunca à míngua
nem desmilinguida
trapo farto
de alívio
e saliva
lambisgoia do palato mole
e duro
salamandra em saltos
em repouso também
(às vezes calar
cai bem)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“herdeira de todas as mães e de todas as putas”<br />
<strong>Eliane Robert Moraes</strong></p>
<p>Língua solta foi parar até no ai, calma. Misturo com a minha saliva e deixo arder em mim o desejo. Como partir da língua para uma orelha? Antes passamos pelas napas, ventas. Antes demoramos muito em detalhes ínfimos, na curva dos zoinho por exemplo. Antes de uma orelha pode-se sentir o cio das axilas até. Pois fique sabendo: o caminho que estas páginas nos oferecem é o de uma loba boladona correndo veloz em direção à utopia delas das manas monas queer com vulvas elétricas cintaralhas vassouras mágicas rendas kinky cães araras gatos &amp; o que mais a gente quiser. Ufa, que bom. “é um aval essa voz”, este livro. Uma autorização. A própria lesma gastando a borda da vida, ou sete corpos lambendo as gotas dessa água toda. Fartura. Não seca, felizmente: permanecemos lubrificando com espanto os serões das províncias. Oremos, senhoras, senhorys e senhorus. Oremos antes, durante e após a leitura deste manual sensorial, desta cartografia dos afetos meio errados. Eu fico jaqueiro; aberto em mil sementes; entre poemas esguios e palíndromos; entre bombas por explodir e outras já escancaradas. O território que Flora oferta em Língua solta é ao mesmo tempo pontiagudo e constrangedor, profético e erótico. Sem papas nessa língua, bebê! Hoje é dia de maldade. São retratos de uma linguagem que se constrói nos espaços fronteiriços da migração, do gênero e da sexualidade e que caminha para um novo centro descentralizado. Hoje é dia de verdade, bebê, quer ouvir? “perdeu, tigrão/o trono agora/é das queens.”<br />
É um alento ver uma nova poeta na cena oferecendo tanto insumo, contribuindo tanto. Que bom é ver a chegada deste livro, mas também a estruturação de uma poeta que veio muito bem alimentada pelas suas tetas, uma poeta que vem muito bem instrumentalizada pelos seus passeios nas línguas que lambem ou não. Essas todas que falam, que nos dão orientações num bairro desconhecido, que nos dão o telefone numa noite de tesão, que nos mordem ou coçam ou… essas línguas todas que fazem o diálogo e todas essas que passam por nós e moram nos nossos versos. Língua que se solta… língua que se lembra!</p>
<p><strong>João Innecco</strong><br />
poeta-etc.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/lingua-solta/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Nos confins de um lapso</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/nos-confins-de-um-lapso</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/nos-confins-de-um-lapso#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Jun 2023 14:42:49 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=17154</guid>

					<description><![CDATA[uma revoada de palavras simples,
guardadas
ao acaso do bolso das calças
como pedras, como vagas.
Um veleiro antigo
ou as mãos brandas do destino,
esfolemos a preceito as suas
almas danadas.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Se atentarmos nas afirmações de René Char, de que “A poesia é o amor realizado do desejo que permanece como desejo”, ou de que “Aquele que vem ao mundo para nada perturbar não merece nem consideração nem paciência”, talvez possamos olhar <em>Nos confins de um lapso</em>, de Fernando Chagas Duarte, e perceber esse frágil mas persistente canto, que se tenta fazer grito, elegia, poesia, em todos os sentidos.<br />
E é um canto por entre tensão, quer filosófica, quer expressiva, nos meandros dialógicos da subjectividade e objectividade interior e exterior, sobretudo em alguns dos textos, pois, como profere: desconheço/a cópula infernal/dos insectos/desconheço/o impossível milagre/das rosas/(…) é que o tempo/tem o paladar do engano/essa substância espessa/da ingratidão.<br />
Se escrever poesia hoje, a julgar pelos actuais circunstâncias de insanidade do mundo, poderá expressar uma atitude susceptível de ainda se resistir, a questão da utilidade do acto poético impõe uma abordagem mais profunda dos impasses que a envolvem na linguagem bárbara do mundo. Este livro é um corpus do labor poético do autor, quer seja na “reconhecida” leitura de poesia, seja no polir do artefacto poético. Citando o grande Antonio Machado, “o caminho faz-se caminhando”, e é isso que F.C. Duarte está a fazer desde o seu primeiro livro, a resistir, a caminhar!<br />
Um livro que, de alguma forma, no seguimento dos anteriores — em que quase todo o labor poético é uma viagem, a do poeta, a nossa, a de todos —, é uma ética da palavra, da poesia, do humano, onde a escoriação e o fogo são, ou só poderão ser, o único catalisador desta poesia, na poesia: serei a mesma parte de um homem/que se alimenta do silêncio,/quase aos braços dele//os animais são uma parte adormecida/essa secreta errância da ternura/que sobe pelos pulsos da existência.<br />
Se antes de Baudelaire e Mallarmé a poesia se evidencia por falar sobre um sujeito que busca somente desvendar as esfinges da sua alma, autores modernos, como Char e, de alguma forma, como o autor, já não buscam uma resolução para o quem sou eu?, mas, sobretudo, questionam, mas e tu, quando surgirás?<br />
A poesia de F.C. Duarte é uma busca incessante da percepção do mundo, interior e exterior, suportada por um palimpsesto lírico e metafórico, mas também fotográfico do real, do seu real. E, se algumas palavras ou imagens o acompanham desde o primeiro livro ou poema — água, mar, chão, lugar, memória, tempo, poesia —, neste livro, como é natural, palavras ou imagens de crueldade, humanidade, guerra, fim, branco, ruína inundam a textura que se reflete no olhar do poeta e do leitor. Perante este mundo, nem a poesia, nos confins de um lapso, poderá travar o suicídio da humanidade: <em>as palavras/estão tão gastas, o passado é tão inútil/como as mãos do mundo/(…)/as pessoas parecem enigmas umas das outra</em>s.<br />
Concluo, esperando que a ética poética de resistência que daqui brota possa espelhar-se do “alabastrino” do poeta para os olhos e coração dos leitores e que o amor e a poesia possam reviver a infância, a nossa e a do mundo, para que seja possível ainda o “tempo enfim de ser humano/(…) em transparência”!</p>
<p><strong>João Rasteiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/nos-confins-de-um-lapso/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Para quem está se afogando crocodilo é tronco</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/para-quem-esta-se-afogando-crocodilo-e-tronco</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/para-quem-esta-se-afogando-crocodilo-e-tronco#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Jun 2023 13:39:25 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=17118</guid>

					<description><![CDATA[[colagens]
Elisa Scarpa

um dia, desses tantos que se cabem em algum calendário,
estará a data da morte de meu pai, o acidente de um amigo
ou o meu próprio,
relembrarei por dias, meses e anos,
nesses calendários chamados de folhinhas por minha avó,
que era cega e me pedia para ver que dia estávamos
e que desde 20 de setembro de 1996, não me pede mais nada.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Aquilo que se faz pela apática busca da beleza resulta na assepsia da própria vida. Portanto, ao falar deste livro, não evocarei o azul atlântico das distâncias que constroem a língua estrangeira de todos os lugares, nem as montanhas cobertas com o verde da primavera tecida nos olhos da infância ou algum carnaval dos sentidos perdido na linha da história. Tudo caberia aqui, mas pareceriam palavras grandes como tantas outras que escutamos nesse farfalhar de asas sem rumo que estamos imersos.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Para quem está se afogando crocodilo é tronco </em>foge dos estereótipos possíveis numa festa erigida no que há de mais marginal, interior e real, é o bailado de Deus morto, o lixo esculpindo o sublime, a ressaca da manhã seguinte. A experiência do poeta Wladimir Vaz Mourão é da falta de pertencimento de ser de alguma parte alguma, do moleque recém-chegado da várzea distante e cujo sotaque e português era motivo de chacota entre os colegas, futuros acadêmicos — homogeneizadores do conhecimento —, até o homem que encontra Dionísio nas seringas de heroína jogadas pela rua suja e entende que isso tem a potência de mil declarações de amor.</p>
<p style="text-align: justify;">Agora que as cerejas apodrecem no fundo de nossas bocas, sabemos que relembrar os amigos mortos será feito no calendário de nossas cegueiras, pois cada poema das páginas que se seguem possuem o peso de um dia riscado. Desfalecem as ilusões: fora da tormenta, somos apenas autofagia, jamais o outro, nunca a maravilhosa fome compartilhada do que nos é mais humano.</p>
<p style="text-align: justify;">Podemos ver também nos escritos do autor a consciência da classe trabalhadora, dos explorados, daqueles que se negam a entender a realidade como patrimônio privado e a arte sendo a representação da fartura. Nas lentes brutais do capitalismo, poucas fotografias possuem cor. Os desajustes dos versos desta obra são pequenas inserções no repositório fastidioso do cotidiano.  E, quando o medo se releva de julgarem que tais intentos são o da mariposa enganada com a lâmpada e a sua falsa luz, a coragem se revela: fechem as portas, os países, os corações, o voo persistirá até o limite do sol.</p>
<p style="text-align: justify;">Tu que estás com esse pedaço de tempo nas mãos, abra-o cavando na terra para depositar o teu próprio corpo e, no vasto céu que fitas, recebas os abutres pousados pelo naco de tua carne com a mesma alegria da chegada das aves carregando os mais doces frutos. Assim, tu estarás pronto a repensar teus sentidos.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao poeta, amigo, guerrilheiro, inventor de onças, digo-te: já sou homem velho, mas sigo pouco sábio. No entanto já consigo desejar o teu sorriso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Tiago Fabris Rendelli</strong><br />
escritor e editor</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/para-quem-esta-se-afogando-crocodilo-e-tronco/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Fresta</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/fresta</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/fresta#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 May 2023 10:32:32 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=16889</guid>

					<description><![CDATA[logo eu
que era crisântemo
que já fui rosa espinhuda
orquídea exótica
tantas vezes cacto
outras, tulipa
folhagem camuflada
quase mato seco de geada em manhã fria
floresci girassol
na noite nua

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma fresta é ruptura: a depender da circunstância, pode ser que seja necessária — mas nunca fácil.<br />
Uma fresta também é brecha: através dela enxergar o que há do outro lado, ainda que não se possa transpassar muro.<br />
E ainda: por meio de uma fresta, a água vence a telha, e o concreto e pinga sua liberdade até formar poça, encher balde — então nunca lidou com uma goteira no teto?<br />
De todas as metáforas imagináveis com o título do livro que você tem agora às mãos, nos encanta pensar que todas as significações são possíveis. E as tantas mais que lhe couber criar.<br />
Marília nos presenteia essas frestas como possibilidade de ver o facho de luz que invade um quarto escuro atrás de paredes cerradas: a expectativa da flor — e há um imenso jardim delas aqui — move um corpo que busca força em direção a um que-virá ao mesmo tempo em que contempla, crítico, vez-que cético, o presente: “só o nada testemunha o espaço entre o céu e o todo”, observa a poeta.<br />
Entre os bordados, flores, águas, nuvem e brecha costurados neste livro, Marília alinhava arremates precisos sobre o existir/resistir mulher, imigrante, lgbtqia+. Nos fios, cores que nos levam ora a um estado onírico: “tem um mar em mim que é só vertigem”, ora a uma assertividade crua: “é esse silêncio resguardado/o meu direito sobre o mundo”, ora a imagens lúdicas: “a bota sem par da cartografia da Itália”. Afinal, “é preciso leveza para a luta”. E assim, a costura que parte da experiência íntima também nos veste, coletiva.</p>
<p><strong>Janaína Moitinho e Michele Santos</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/fresta/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A minha pele arde como o sol quente que nela ecoa</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-minha-pele-arde-como-o-sol-quente-que-nela-ecoa</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/a-minha-pele-arde-como-o-sol-quente-que-nela-ecoa#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 May 2023 10:20:47 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=16863</guid>

					<description><![CDATA[Uma mulher que carregava
o céu em seu nome
e as muitas dores em seu corpo
que mirava o além
como se ele estivesse na esquina

Uma mulher que me apertava
em seu ventre
e que agora carrego no meu
céu, centro, corpo.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A poesia encontra veios para simbolizar o que, no mais das vezes, não vem a lume pelo ordinário arranjo de palavras — ou sequer ressoa num significante próprio. Daí a necessidade de compor acordos textuais para dizer do que, à primeira vista, se mostra indizível, notadamente por meio daquele expressar corriqueiro.<br />
Compondo seu modo peculiar de exercitar o dizer poético, Benedita de Matos, graduada em Moda, no Brasil, mestre em Criação Artística Contemporânea pela Universidade de Aveiro e mestranda em Filosofia Contemporânea pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, em Portugal, nos apresenta este comovente A minha pele arde como o sol quente que nela ecoa.<br />
A maioria dos poemas aqui contidos foi gestada durante a reclusão pandêmica e sob o fumo das queimadas que assolaram algumas cidades portuguesas. Na própria expressão da poeta: “no insuportável calor de um apartamento vazio, era difícil até de respirar. Mas foi um encontro comigo mesma”.<br />
Aí, talvez, tenha nascido a Benedita poeta, pois crava: “Giro a ponta dos pés/Até ficar de ponta-cabeça». Ou ainda: “Quero segurar o tempo/(entre minhas próprias mãos)/Como quem segura a chuva/(que nunca cai)».<br />
A poesia de Benedita de Matos é uma tentativa de deslindar fios e tramas que tecem e vestem nosso viver. Viver que, no seu caso, também foi adensado pelo habitar chão estrangeiro, apesar de estar na terra da língua-mãe.<br />
Aqui está sua poesia de existir. Versos sobre o viver, suas impossibilidades, possibilidades, afetos, emoções; seus fantasmas e suas potências.<br />
Poesia de persistir. Versos viscerais, de tons densos e arquiteturas comoventes.<br />
Poesia de aludir. Versos de observar a cena do existir, de céus, mares, asfaltos, tempestades, chuvas&#8230;<br />
A poesia de Benedita de Matos retraça um olhar pervasivo, de quem vive e assiste ao existir, de nós e de si.</p>
<p><strong>Nohêmia Santos Lima</strong><br />
poeta e jornalista<br />
<span style="color: #ffffff;">paula lima</span></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/a-minha-pele-arde-como-o-sol-quente-que-nela-ecoa/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Afetos navegantes: olhar o porto do mar</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/afetos-navegantes-olhar-o-porto-do-mar</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/afetos-navegantes-olhar-o-porto-do-mar#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Apr 2023 13:11:25 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=16706</guid>

					<description><![CDATA[desenhos de
diana sofia varela cabral e stephanie borges
—
Fez-se do resto, rito
Celebração em fá sustenido
Na batucada, o espaço do grito
Nessa sede violenta
Se germina a cadência
Sem pudor e sem ausência
Viajei
Percorri um solo seco e parei
Nesse abismo do encontro
Nessa falta de você
De vocês
Comer feijão e alimentar-se do outro
Do pouco
Dessa fome ancestral
Que torna imenso o encontro

...

(feijuca, página 13)]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Mais do que lido, este livro tem que ser ouvido, porque é no corpo que a palavra da Marina ganha sentido. É no fazer real, na vibração das marés que habitam nos seus versos, que provocam para quem ouve uma viagem que vai da ponta dos dedos dos pés até a mente, passando sempre pelo coração.<br />
Marina rasga com a verdade crua dos olhos que veem, reconstrói com as mãos que escrevem e pisa com a firmeza de quem se sabe sensível aos seus afetos.<br />
Marina estende a mão sempre que necessário e é por isso que a poesia dela se torna tão essencial, para poder questionar um mundo que grita pela desconfortável e tão necessária reinvenção.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Irma Estopiñà</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/afetos-navegantes-olhar-o-porto-do-mar/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Metamorfose do corpo enquanto dorme</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/metamorfose-do-corpo-enquanto-dorme</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/metamorfose-do-corpo-enquanto-dorme#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Apr 2023 10:58:25 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=16702</guid>

					<description><![CDATA[(...)

Sou ventre de pássaro
e no corpo das palavras
pouso o amor que descansa sobre a mesa.
Trago em mim trinta corpos teus,
habito dentro do teu nome,
menstruada de frio e noite escura,
sentada,
plena,
em modos de morrer.

<em>(modos de morrer</em>, página 19)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Marta Rocha apresenta-se neste primeiro livro como uma poeta do amor-corpo fluido e de consciência surrealista.<br />
Num imaginário que habita as divisões da casa, o trabalho fonético e gramatical exige uma leitura atenta à melodia cuidada dos seus versos, naquilo que é mais uma evidência de que a sua poesia é para se ler “sedentos de vincos de nós”.<br />
Deste imaginário nasce um outro rio, o do corpo, cuja metamorfose evoca a impossibilidade e a deterioração do sentido habitual das palavras.<br />
Marta Rocha, neste seu conjunto de poemas, encontra um ser-se erótico, fundindo corpo e casa que acabam, quase sempre, na ausência.</p>
<p><strong>Guilherme Lidon Guerra</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/metamorfose-do-corpo-enquanto-dorme/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A simpatia dos exilados</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-simpatia-dos-exilados</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/a-simpatia-dos-exilados#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Apr 2023 01:34:10 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=16451</guid>

					<description><![CDATA[separados por paredes

da flor do pinheiro defronte

colho a corrente

até meu filho
deitado
na mesa de operação

capaz de continuar
a operar vida

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Este livro de Manuel Almeida Freire foi escrito no decurso de duas pestes mortíferas (a pandemia do vírus Covid-19 e a guerra suja de Putin) e de outra ainda mais mortífera (a anunciada peste climática, que tudo indica ir pôr fim à vida no planeta que habitamos).<br />
Este pano de fundo convoca indignação e, no caso de haver talento disponível, a expressão acutilante dessa indignação. O horror que defrontamos não se compadece com uma linguagem penteada e vigiada, antes sugere, com grande força e acinte, o uso deliberado daquele calão feio, do qual o grande poeta americano Carl Sandburg dizia que ele é “a linguagem que arregaça as mangas, cospe nas mãos e vai à vida”.<br />
O autor deste livro usa o verso livre, que notáveis poetas do século xx rejeitaram, mas que outros, igualmente notáveis, acolheram.<br />
O verso livre acomoda bem a linguagem brutal, vingativa e assassina, que se impõe, como reacção inútil mas incontornável, ao pesadelo que vivemos e promete ser terminal.<br />
O verso livre e indignado é aquela espécie de “gaguez organizada”, de que falava Marshall McLuhan, a propósito de linguagem, e que esta, de Manuel Freire, é, muito em particular, bom exemplo.<br />
W.H. Auden definia a poesia como “a expressão clara de sentimentos confusos”. O verso livre do autor deste livro nunca deixa de ser claro, mesmo quando glosa a grande confusão que nos cerca e os sentimentos contraditórios que nos visitam. Sandburg, a que já atrás recorremos, dizia que a poesia é misturar jacintos com biscoitos. A poesia fala-nos, realmente, muitas vezes, de “aproximações” improváveis ou bizarras: estas poderão confundir-nos, mas a linguagem que no-las veicula não deve acrescentar à confusão: deve ser clara, para nos permitir visitar a complexidade e o contraditório, sem nos perdermos pelo caminho.<br />
A “linguagem afiada”, de que nos fala um poema deste livro, é isto mesmo: clara, na sua acutilância bem afiada e vingadora.</p>
<p><strong>Eugénio Lisboa</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/a-simpatia-dos-exilados/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Muralha</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/muralha</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/muralha#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Mar 2023 11:57:37 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=16278</guid>

					<description><![CDATA[O mar é uma muralha a bordejar um país
é uma das teorias para ter aqui demorado

estar circunscrita a um corpo d’água e nunca
poder ir parar lá do outro lado

uma ilha, assim aprendi

é haver o mar emparedando
um pedaço de terra

que continua ali por baixo

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Essa Fernanda que agora publica o seu primeiro livro de poemas tem sobrenome de poeta brasileiro, mas desengane-se quem acha que esta poesia é apenas devedora do riquíssimo património poético do maior país da América do Sul. Quem assim proceder ficará no meio do caminho. Aqui estão presentes as pedras que Fernanda foi recolhendo no meio do seu caminho individual, mas, em vez de ficar por ali pensando nelas, ela puxou-lhes algum brilho e erigiu a sua Muralha.<br />
<em>Muralha</em> é, assim, um livro da humildade. A expressão que aqui é mais repetida pelo sujeito poético é «Não sei», sobretudo num poema longo no qual a dúvida se plasma em interrogações retóricas (que livro de poesia não é, todo ele, uma interrogação retórica, mesmo que cheio de frases declarativas?). São poemas urbanos de hoje, de alguém que vive entre baías e estuários e com um oceano pelo meio.<br />
Mas a razão primeira por que este livro deve ser lido é porque ele não pretende estar em cima do muro, apesar do título. Como todo bom livro de poesia, leva o seu leitor a pensar em que lado da <em>Muralha</em> nos devemos (ou queremos) sentar. Eu sento com ela e Blake e Fiama e Sophia e toda a “porra da literatura portuguesa” que, como ela diz, também acabou com a minha vida. Como nómadas, havemos de fazer a festa rija por cima das ruínas do nosso mundo e “explodir essa muralha/arruinar esse muro/assassinar esse verso/e isto é preciso”.</p>
<p><strong>Ricardo Marques</strong></p>
<p><span style="color: #ffffff;">Fernanda Drummond</span></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/muralha/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Preciso de outro cérebro</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/preciso-de-outro-cerebro</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/preciso-de-outro-cerebro#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Mar 2023 15:42:02 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=16246</guid>

					<description><![CDATA[fotografias de Wladimir Vaz

Consegui ligar o computador,
a rede já está acessível.
Ontem engoli duas entradas USB,
um cabo áudio,
duas bananas de aparelhagem
e o abecedário completo
do teclado de telemóvel.
Hoje é dia 10.
Procuro, ao acordar,
o meu fio umbilical eléctrico.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>No dia 12 caguei um chapéu,<br />
não sei se o hei-de<br />
usar na cabeça ou no cu.<br />
No dia 13 escrevo um poema,<br />
não sei se o hei-de publicar<br />
ou limpar-lhe o cu.<br />
Dá-me a tua opinião<br />
em cu@poema.pt</p>
<p><span style="color: #ffffff;">elisa scarpa</span></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/preciso-de-outro-cerebro/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Descolonizar o sujeito poético</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/descolonizar-o-sujeito-poetico</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/descolonizar-o-sujeito-poetico#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Mar 2023 14:56:05 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=16218</guid>

					<description><![CDATA[Às vezes o naufrágio —
colisão sem fronteira entre os corpos —
meu lugar de repouso ausente
da cronologia semântica do texto.
Creio nas almas
fruto das coordenadas consequentes
de um infortúnio naval qualquer
destroços das profundezas
tesouros à superfície do meu olhar

quando eu nasci, em tempos,
só o mar sei amar

(Naufrágio, página 17)

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Descolonizar é preciso.<br />
Sara Duarte Brandão — “sou um frágil desencontro entre o corpo e a palavra” — proporciona-nos neste seu lucipotente livro uma lenta e incendiária viagem no mar alcandorado da Palavra, esse animal indomável.<br />
(Bem sabe Sara que são sempre as palavras que vencem, resistindo ao silêncio, à distância, ao tempo e à ausência.)<br />
Viagem fecunda, sem métrica, sempre com a madrugada a vigiar-nos os impulsos, a colocar a mão no cachaço da Vida, essa coisa sem solução.<br />
Sara Brandão também sabe que o acto de escrita é um gesto de resistência, de sublevação.<br />
Sara encostou uma metáfora à garganta do poema, e a Poesia (a Vida?), rendida, vai-lhe dando tudo o que ela quer: Amor, Sonho, Liberdade.<br />
Interroga a poeta: “Com quantos cravos se liberta uma mulher?”.<br />
Sara cheira bem, cheira a liberdade, e, já sabemos, quanto mais livre, mais perigosa.<br />
Ler Sara Brandão é aceitar e compreender que há um espaço dentro do Homem onde a liberdade é livre.<br />
“Do cadáver de um homem que morre livre pode sair acentuado mau cheiro — nunca sairá um escravo.” — exulta Cesariny.<br />
Sara Brandão consegue neste livro aquilo que é mais difícil para um jovem poeta: conquistar um estilo, conquistar uma voz própria.<br />
A Sara já tem o mundo debaixo da língua.<br />
<em>Descolonizar o sujeito poético</em> é um livro comovente, eivado de autenticidade, de limpeza verbal, de te(n)são poética.<br />
É um livro líquido, contundente, com humor certeiro, impróprio para manteigueiros, sacristas e convertidos ao império do tédio.<br />
Definitivamente: a Sara escreve para quem a sabe ler.<br />
Escrever é um acto libertador, mas pressupõe a descida aos infernos.<br />
“A estrada que conduz ao céu passa pelo inferno”, ensina-nos Henry Miller.<br />
Sara Brandão é decisivamente “um caminheiro do céu”, em trânsito para Elsinore, em hora de ponta e mola.<br />
Roubem <em>Descolonizar o sujeito poético</em> numa livraria junto ao vosso coração. Ruminem a obra, de trás para a frente. Encontrarão sempre um livro novo, cada vez mais vertiginoso, mais desenfreado.<br />
A alma é a arma secreta da Sara Brandão. Com ela aprenderão a deixar “o verso a cerejar”.<br />
Fico refém do batimento cardíaco deste livro “exquisito”, um livro onde nos arriscamos a perder o pé a cada página folheada.</p>
<p><strong>João Gesta</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/descolonizar-o-sujeito-poetico/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Giz</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/giz</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/giz#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Mar 2023 14:44:32 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=16162</guid>

					<description><![CDATA[prefácio por Emicida

Pantera negra prende
a verdade entre as garras,
afia a História com os dentes.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Mário Quintana dizia que poesia é insatisfação. Afinal de contas, um poeta satisfeito não satisfaz. Lendo Gisela Casimiro, fico pensando nessa insatisfação, que ela partilha com o velho Mário, e em seu poder de nos manter em movimento. Movimento é vida.</p>
<p><strong>Emicida</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/giz/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Meia lua ou meia laranja?</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/meia-lua-ou-meia-laranja</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/meia-lua-ou-meia-laranja#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Mar 2023 12:05:18 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=16061</guid>

					<description><![CDATA[Duas esferas.
Dois círculos.
duas esferas mais pequenas,
progressivamente escurecendo,
à medida que te aproximas.

De natureza lípidica,
montanhas lúbricas
que sobressaem,
funcionais e taxonómicas.

...

<strong>[Duas esferas, uma linha, página 57]</strong>

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O presente livro é a segunda publicação não científica da autora. Engana-se quem achar que possa parecer um livro “normal”. Não o é. É um livro que vem apetrechado. Quem consiga sintonizar- se na frequência certa, não só ouvirá um ukulele de maneira persistente a acompanhar os textos, senão que verá surgir, a poucos palmos do nariz, a figura de uma marioneta a recitá-los, com um pontual a dois terços, mais por trás do que pela frente. A partir daí, é um espectáculo sinestésico que se desata. Começa com uma sensação aveludada na boca, um zumbido persistente nos ouvidos e um tac-a-tac, tac-a-tac, tac- -a-tac cada vez mais grave que vai dando lugar ao som da terra a abrir-se num precipício.</p>
<p><strong>Mário Gomes</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/meia-lua-ou-meia-laranja/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Poemas verdes</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/poemas-verdes</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/poemas-verdes#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 04 Mar 2023 15:30:55 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=16043</guid>

					<description><![CDATA[Mas, uma vez visto
o céu estrelado
e o imenso em suspense
e a janela que grita
de fresta
em
fresta:

criação

A janela anuncia
os tempos
e toda a gente
a história.

(Socialismo, página 48)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Este livro de verdes poemas e poemas verdes traz com ele um segredo, segredo carregado dentro de um peito cujo calor transita entre duas metrópoles, São Paulo e o Porto, e que convoca o leitor a desvendá-lo.<br />
A voz poética, firme e sutil, é a grande entrega da autora, que oferece em seu primeiro livro aquilo que ela, pessoalmente, tem de melhor e mais valoroso: o seu existir e a sua forma de olhar as coisas intangíveis, deixando fluir as fragilidades do desconforto mas a beleza incontestável da existência.<br />
Como autora, carrega consigo a sacola da vida. Bióloga, educadora popular, pode ser generosa, paciente, didática ou jogar as bombas no front, quando é preciso. Por isso, empresta à sua poética a sapiência de quem conhece todas as formas de confronto, de quem sabe que guerra se faz com flores e coquetéis molotov, com pão e com poemas; e escreve verde porque verde é, e escreve para tornar verde aquilo que sempre o foi, mas deixou de ser, porque foi desfeito o verde que lá estava.<br />
Nas três fases do livro, os poemas seguem em estado de encanto, e sente-se em cada um deles a experiência vivente do planeta nas suas mais diversas — e sublimes — formas. A poética passeia tingindo tudo de verde. Esverdeia a cidade, a luz e a escuridão, deixa verde a justiça, o minhocão de São Paulo e a gentrificação.<br />
Ao tornar verdes as coisas, ela enaltece a sabedoria do sutil, o conhecimento popular de saber ser, apenas ser, na metrópole, enquanto em apneia batalha-se contra forças invisíveis.<br />
Dois países, o oceano, o trabalhador na sua estação, que é sempre o trabalhador em sua estação, em qualquer país, o amor e sua grande delicadeza, uma carta ou uma receita em que cabe a flor, a pedra, a montanha, a areia, a água e o sangue, a compostagem da própria vida, o extraordinário que só o ordinário pode nos dar, tudo isso são pistas para que o leitor acesse esse segredo e a pergunta que persiste: “qual o lugar do segredo na terra dos homens?”.<br />
A resposta nunca é dada, mas é.<br />
Basta deixar-se ser olhos e ouvidos dos Poemas verdes para encontrá-la.</p>
<p><strong>Manuella Bezerra de Melo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/poemas-verdes/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Pés pequenos pra tanto corpo [2ª edição]</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/pes-pequenos-pra-tanto-corpo-2a-edicao</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/pes-pequenos-pra-tanto-corpo-2a-edicao#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Mar 2023 10:39:23 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=16024</guid>

					<description><![CDATA[Não sei se mudei multipliquei
se subtraí alguma eu de mim
se me somei posso ter inflado
ou esvaziado mas já não sou
mais ela aquela magrela tagarela
insegura gazela cheirando a mar
não sei se alcancei aquela moça
que desenhei ou se nesse projeto
fui vitoriosa ou me equivoquei
alcei voo depois posei em cima
da fiação eletrifiquei morri feito
urubu malcriado ou burro ou tonto
pensando ser subversivo mudou tanto
tanta coisa mas manteve o velho hábito

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Toda a poesia repete o ato alucinado de uma pergunta, de múltiplas perguntas, de uma busca em direção a um lugar nenhum que nos corrói. Dito isto, lembro-me de um amigo me contar que, ao ler um poema, corava e ficava perplexo, sem saber o que fazer, incapaz de repetir o poema alto. Assim me sinto também. Falar sobre a poesia da Manuella é um exercício que sei nunca ser capaz de cumprir. Suas perguntas são suas, sua busca algo que me escapará sempre. Detive-me por isso nas palavras, lugares palpáveis deste livro e são essas que gostava de partilhar convosco. Alguns versos que me ofereceram um lugar parado no tempo, o colapso dos ruídos à minha volta, o esquecer de minha própria consciência que parece nunca querer dormir. Espero que vos possam oferecer algo de semelhante. É muito.</p>
<p align="justify"><i>pés pequenos para tanto corpo.</i></p>
<p align="justify"><i>São elas, as moscas, que chegaram pra anunciar a primavera</i></p>
<p align="justify"><i>corpo caminho, porém morto e descompensadamente torto embora vivo</i></p>
<p align="justify"><i>mas mesmo/ queria ser laranja de/ pomar ou chuchu na / serra que dá aos montes o ano inteiro</i></p>
<p align="justify"><i>de cada caco varrido da tua vida em mil; / foi golpe</i></p>
<p align="justify"><i>Enquanto me cobram hojes, passo com o carro / na frente dos bois</i></p>
<p align="justify"><i>Ah, Renata! Eras tão clara ou mascarada / sob teus telhados de vidro estilhaçados? / Salve, Renata. Salva-te!</i></p>
<p align="justify"><i>serpentes de todas espécimes / humanas dormem nas árvores que também cochilam / aproveitando o vento da tarde;</i></p>
<p align="justify"><i>os outros são somente / onde eu gostaria de morar / pra não ter que morar em mim</i></p>
<p align="justify"><i>morreu ainda com vida / e embora tenha vivido quarenta anos / Já nascera morta</i></p>
<p align="justify"><i>Coração que pousa / no marfim elefante / dribla a morte</i></p>
<p align="justify"><strong>Judite Canha Fernandes</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/pes-pequenos-pra-tanto-corpo-2a-edicao/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Centelha</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/centelha</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/centelha#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Feb 2023 15:31:44 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=15944</guid>

					<description><![CDATA[Acaba com a minha voz,
começa com o meu corpo inteiro.
Vi nas nuvens, estava escrito, há muito tempo.
Há muito tempo.
Nada começa — já tudo mudou, e não há um fim.
Só o nosso rídiculo de que eu tanto gosto,
e as nossas asneiras, os nossos disparates.
O ar sério que pomos quando estamos irritados
e a nossa maneira triste de brincar às guerras e às cidades,
aos amantes, exactamente como perguntam os rapazes.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Esta <em>Centelha</em> que o leitor tem em mãos abarca dois tempos, situados nos dois extremos do sonho do desterro. O primeiro ciclo de poemas, de ‘Acaba com minha voz’ a ‘Bloco de notas’, escrito entre 2002 e 2008 aproximadamente, prenuncia a partida da autora para o Brasil, onde viveria por cerca de sete anos e se dedicaria à realização de uma obra cinematográfica documental de profunda delicadeza e engajamento. Somam-se a esses os poemas escritos após seu regresso a Portugal, em 2017, por ocasião de uma residência literária no Teatro do Silêncio, em Carnide. Entre esses dois tempos reunidos, a fricção de que nasce a Centelha, título de um de seus poemas mais recentes.<br />
“Acaba com minha voz, começa com meu corpo inteiro”. Esse impactante verso de abertura desata uma das forças motrizes do livro, um ímpeto para a dissolução que se revela ora nessa súplica a um outro, ora na negociação com certa violência simbólica, ora no explícito desejo de fuga da paisagem familiar, num movimento de aura rimbaudiana como lemos em ‘Sentamo-nos lá fora?’: “Quero ir para lá das ruas. Negociar o preço da minha sorte./ Pôr-me num navio para navegar à deriva”. Conforme o desejo avança, esse sujeito cindido vai se metamorfoseando, como no quimérico autorretrato de ‘A inspiração?’: “Eu sou uma ave./ Tenho as costelas de uma vaca./ Os olhos de todos os animais.” Em ‘Daqui a nada’, refulge por fim o ansiado verão perene no horizonte da partida: “Eu tenho planícies a perder de vista/ dentro de mim um riso perdido sabe/ que há um sol inominável que me guarda o corpo.” O corpo, novamente o corpo, ambígua morada que avança pelo caminho sazonal dos pássaros.<br />
Não à toa a intensa carga erótica de alguns poemas, que resvala num desejo de agarrar-se à impermanência, de gargalhar frente à erosão perpétua do todo-poderoso teatro das nações, como nestes belos versos de ‘Para que as mães se sobressaltem’: “A vida é para nós uma torrente de sais / sob um manancial de armas.” Ou, também, em ‘Acaba com a minha voz’, onde esse jargão enleia o jogo mais íntimo: “Só o nosso ridículo de que eu tanto gosto (&#8230;) e a nossa maneira triste de brincar às guerras e às cidades.” Na alcova, afinal, vinga-se a angústia e a desesperança.<br />
Com seus versos livres carregados de mapas, direções, instantâneos de vidas alheias, objetos cotidianos alçados a símbolos, manchetes corrompidas, paixões inebriantes e vagalhões imaginários, esta <em>Centelha</em> de Rita Brás é uma viagem vertiginosa aos cantões da epifania, onde se descobre que partir é também regressar, e que nem mesmo a paisagem mais arraigada ou os olhos do amor podem permanecer a salvo das incessantes transformações a que nos entregamos na imensa aventura da descoberta de si.</p>
<p><strong>Camila de Moura</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/centelha/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Tudo se distingue além da fruta</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/tudo-se-distingue-alem-da-fruta</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/tudo-se-distingue-alem-da-fruta#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Jan 2023 13:25:10 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=15550</guid>

					<description><![CDATA[me vejo te abandonar
como rio que corre pro
céu

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Um livro de poesia não tem por que ser dissecado, pois extravasa em semântica e forma. Porém, de alguma maneira, deve-se apresentá-lo ao leitor. De primeira, talvez seja eficiente denunciar que existe em <em>Tudo se distingue além da fruta</em> uma pequena organização, uma maneira de desmembrar o que se vê e o que se sente, com efeito de detecção do mundo. Em contraposição, há um segundo elemento, para o qual a atenção é imprescindível, que é a fluidez da narrativa.<br />
Lana Ruff apresenta a natureza em si, suas aparições de fauna, flora e o que mais há de se encontrar por aí — uma composição plástica arrebatada de surpresa. Com o seu olhar subjetivo, partimos então para uma observação atenta de quem percebe e do que se percebe. E lá vamos nós, alinhando informações, sistematizando pensamentos. Seguimos como num passeio e, nele, observamos ainda outro aspecto da natureza que nos é trazido pela autora: as situações provocadas pela ação humana.<br />
Às vezes soltos e fluidos, como se sentir e escrever pudesse ser apenas um devaneio, logo nos vemos diante de uma análise estética do patético da vida ou da sua beleza intrínseca. Em outros momentos, somos atraídos por uma breve narração prática, até fisiológica. Parece que há uma tentativa de apreensão do banal, mas somada a ela há também a simples sensação de apenas se estar no mundo.<br />
Finalmente, talvez o que interesse à autora sejam ainda as possibilidades de composição linguística — o que de fato não importa, pois o sentido é dado na leitura, e nada disso está imune ao que nos rodeia e nos comove. Quem descobrirá como entrar neste livro é o leitor, a partir de pistas que lhe são oferecidas.</p>
<p><strong>Rachel Amoroso</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/tudo-se-distingue-alem-da-fruta/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Os cavalos  adoram maçãs</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/os-cavalos-adoram-macas</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/os-cavalos-adoram-macas#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Jan 2023 11:42:48 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=15438</guid>

					<description><![CDATA[antes de olhar
ver

estranhar
o que nos vai no círculo

entranhar
desaprender

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Escritor, fotógrafo e editor de livros, Ozias Filho aprimorou a sua carreira artística e profissional em Portugal, país em que reside há mais de três décadas. Durante esse período, inclusive, o autor de Páginas despidas e Poemas do dilúvio tem desempenhado também a função extraoficial de embaixador da poesia brasileira em terras lusitanas, as mais das vezes sem o natural apoio do Itamaraty.<br />
Como poeta, antes de <em>Os cavalos adoram maçãs</em>, Ozias Filho tivera apenas dois de seus livros editados no Brasil: <em>Insulares</em> e <em>O relógio avariado de Deus</em>. É importante salientar que ambos foram originalmente publicados em Portugal. Portanto, este <em>Os cavalos adoram maçãs</em> já salta da prensa com o mérito de ser a única obra do escritor, até o momento, cuja primeira edição se dá no país em que “Vinicius escreveu um poema/ para Teresa, mãe de Leonor” e para onde se volta, numa página pungente, a sua “finestra di memoria”.<br />
Embora a memória funcione como um<em> leimotiv</em> em diversas passagens deste livro — acendendo até mesmo “o aroma da saudade” ou “a bossa/sempre nova” de Tom Jobim e João Gilberto —, há espaço também para a crítica político-social e para aguda certeza de que “nenhuma palavra pode nos salvar”. A “tecla minimalista do silêncio” serve de contraponto à precisão momentânea da realização poética, exposta ao “esquecimento para continuar/a escrever coisas novas/mesmo que seja para bater/às mesmas portas”.<br />
Até mesmo a dicção confessional jamais se entrega ao leitor, aqui, sem a tradicional sagacidade do ofício: “para não dizer que não falhei às flores”; “desconfio que deus é a minha mãe//quando diz/come e cala-te”; “troco de pele todos os dias/no evangelho de destruir o planeta”; “tu não verás os meus cabelos brancos/a tua face heterônima (…) não verás morrer a ficção que criaste”. Este último excerto se insere num núcleo simbólico no qual a lembrança paterna domina a cena e, aos poucos, se adere ao próprio eu lírico, num processo de radical identificação: “mais anos de calendário/do que o meu pai/entanto o espelho insiste/em devolver-me/a sua imagem”.<br />
O título desta coletânea rebrilha numa peça premida pela imagem de “um cavalo branco morto/estendido sobre a linha férrea que liga/a Praia das Maçãs a Sintra”. Uma imagem que, como um poliedro, reflete em suas faces tanto o “calmo azul/por sobre/a cidade/que perece” quanto a “noite de posses ancestrais”. Captar tais nuances é o destino das grandes leituras. Oxalá o presente livro se entregue por inteiro a este destino.</p>
<p><strong>Iacyr Anderson Freitas</strong><br />
escritor e ensaísta</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/os-cavalos-adoram-macas/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Algo errado</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/algo-errado</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/algo-errado#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Jan 2023 09:46:39 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=15419</guid>

					<description><![CDATA[talvez um dia
da janela de um avião
entre o medo da morte
e o silêncio das nuvens
eu acabe por ver um anjo

&#160;

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Algo errado deu certo: as palavras encontraram-se num campo de batalha onde se fizeram aliadas, mesmo que o combate seja inevitável: lutam entre a tristeza e a alegria. Leio-as como se as ouvisse. No recorte destes poemas encontro o autor e quero pôr-me na sua cabeça: “O meu lugar no mundo sou eu”.<br />
Hellington ocupa a geografia afectiva de ser neto de Ana Okarenko, filha de refugiados ucranianos. O livro, sem saber ainda que tinha nascido, partiu da guerra, e os poemas alinharam-se entre a dor e a certeza que tantas vezes a tristeza nos dá, de estarmos vivos. É tão forte essa certeza que às vezes chegamos à alegria. É assim este livro, um semáforo que ora nos faz avançar, ora nos detém para pousarmos sobre palavras tão simples e, ao mesmo tempo, tão certeiras. É a tristeza que nos empurra para a lucidez. São palavras disparadas do coração que ocupam agora estas páginas.<br />
Neste semáforo de poemas algo errado deu certo. Avanço sem medo para a travessia.</p>
<p>Apropriação citada ou Citação apropriada: a questão não é quantas páginas temos, mas quantas nos restam.</p>
<p><strong>Inês Meneses</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/algo-errado/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Geografias exaustas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/geografias-exaustas</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/geografias-exaustas#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Jan 2023 12:01:36 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=15392</guid>

					<description><![CDATA[(...)

O sexo existe,
no breve instante das mãos a abrir figos
a abrir bocas
métodos pouco ortodoxos
pois se era Deus e Deus sabe de tudo
só pode haver má-fé e ódio às mulheres
como nos livros do Stieg Larsson,

Coração de salvamento.

&#160;

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Este livro é um conjunto de textos — espécie de prosa poética — que foi acontecendo do lado errado do Atlântico. Que lado foi esse, cabe ao leitor decifrar. Fala-se muito de geografia, fala-se de amor e de raiva e de outras coisas que mais parecem um tabuleiro de Scrabble. Essa palavra aqui não vale, essa outra pode ser. <em>Geografias exaustas</em> é um livro que tinha muita vontade de ser redondo e azul, mas é muita turbulência na zona de ventos convergentes do Equador, num voo noturno da TAP, entre Lisboa e o Rio de Janeiro.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/geografias-exaustas/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Apagão</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/apagao</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/apagao#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Dec 2022 10:58:36 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=15315</guid>

					<description><![CDATA[A delicadeza
É uma missa.

Opõe sempre ao céu
O frio que fecha
A Graça luminosa.

Reunida na vida,
Cada pétala
Está onde ela chora.

És tu —
Onde não se entra ou mora,
Rubras águas
De duas lágrimas apenas.

Eis que não procuro coisas humanas.
Só a delicadeza me enamora.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Minha querida POETA, quem escreve um poema como aquele que começa assim:<em> A delicadeza/é uma missa</em> não precisa de perguntar a ninguém se a sua poesia tem mérito. Esse poema e outros que juntou a este acervo revelam uma escrita poética singular, na qual a subtileza vulnerável convive com uma assertividade de visão veiculada por um uso certeiro de fonemas que dedilham uma música sedutora. Minha Amiga, não vou cobri-la de palavras inúteis. Sabe bem o que escreveu, não sabe? Espero, esperamos muito de si.</p>
<p>Um bom abraço fraterno.<br />
<strong>Eugénio Lisboa</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/apagao/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>minha raiva com uma poesia que só piora</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/minha-raiva-com-uma-poesia-que-so-piora</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/minha-raiva-com-uma-poesia-que-so-piora#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Sep 2022 12:42:42 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=8711</guid>

					<description><![CDATA[a poeta amola a faca com a sua língua. a faca amola a poeta
com a língua dela. a língua da poeta é uma faca. a faca da
língua é uma poeta! quem é mais língua? a faca, a poeta ou
língua? a poeta amola a faca com a sua língua. a faca amola
a poeta com a língua da poeta que amola a faca com a
língua que amola a língua com o amolador da faca. língua-
-faca, faca ou tiro de bazuca? que arma é a língua da poeta?
que língua é a faca da poeta? em que língua a faca fala? em
que faca fala a língua da poeta? em que poeta fala a língua?
em que língua fala a faca da poeta? quais línguas são faca
e quais língua são fala? quais poetas são faca? que línguas
são amoladas? a minha língua é fala, faca ou amolador? a
minha língua é de poeta? poeta-faca, poeta-fala, GRITA,
poeta! mata camões! genocida da língua, da língua de camões.
amola a faca-língua, corta inteira a língua de camões.

<strong> </strong>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Qual é o lugar da pertença na miragem de um mundo sem fronteiras? Penso ser a partir deste território de profundidade que a Carol desenha a sua cartografia poética, estabelecida entre a fragilidade de uma ponte indestrutível e a leveza intensa de um uivo afirmativo. O uivo, qual oásis no deserto deste mundo selvático, radica na raiva como única virtude humana capaz de legar testemunhos de lugares que os vernizes da civilização pintaram como inóspitos. E a ponte, erguida sobre a dádiva do encontro, carrega presságios de um gesto vocal articulado com a partilha desmedida na nudez de um face-a-face. É esta voz-raiva poética, voz-ponte inabalável e voz-espaço de liberdade que se lança no mutirão de um verso pontiagudo, debruçado sobre as páginas do futuro, para abanar os pêndulos da história e determinar o rumo do seu próprio destino. <span style="color: #ffffff;">carol braga</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Lucerna do Moco</strong><br />
é a palavra-poema de Gabriel Capiñgala. Artista natural do Huambo – Angola (1994), formado em direito e dedicado à vida para tocar o universo pela oralitura actuante, tendo como veículos a escrita, a música, o teatro e a performance. Vencedor da sexta edição do Portugal.SLAM! (2019) e Vice-Campeão do 7º Campeonato Europeu de Poetry Slam (2020).</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/minha-raiva-com-uma-poesia-que-so-piora/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Conversas com Federico García Lorca</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/conversas-com-federico-garcia-lorca</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/conversas-com-federico-garcia-lorca#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Aug 2022 11:23:23 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=12870</guid>

					<description><![CDATA[Senti o teu filho chamado Juan.
Senti o teu filho.
Cheirava a pólvora e a tomilho
Trazia no mar os braços
E um peixe nos ossos, Deus meu!
Ai!, trazia nos ossos sargaços.
Senti o teu filho da guerra
Senti o Juan.
E tu dizias:
<em>Yo tenía un mar. ¿De qué? ¡Dios mío! ¡Un mar!</em>

(<em>Senti</em>, página 22.)

&#160;

<strong> </strong>

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Brilhante<br />
Com o seu jaleco de riscas<br />
Todo o corpo à vista tatuado<br />
O rosto ainda de menino<br />
Assombrosa<br />
A voz num assopro subindo<br />
E subindo e subindo ainda mais…<br />
Tarda em galáxias crispadas<br />
E eu a ouvir e a tremer:<br />
— Aguentas?</p>
<p>(<em>Adam, the singer</em>, página 31)</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/conversas-com-federico-garcia-lorca/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Dedo no cru y gritaria</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/dedo-no-cru-y-gritaria</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/dedo-no-cru-y-gritaria#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Jul 2022 15:17:32 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=12371</guid>

					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Largada a teus pés, faço teto das tuas solas. Teu dedão toma de assalto o céu da boca. Cascudo invasor. Eu me acanho. Teu calcanhar então calça caminho na minha cara e pisa em todas minhas vergonhas. Inspiro fundo, aspiro ao sol das tuas tetas — tão peludas. Apurar o grosso das canelas, adorar a tuas coxas como a falsos ídolos, vou subindo-subindinho até acabar cara a cara com a careca babada de deus.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>O que você tem em mãos é um petardo da literatura cuíer brasileira</em>, declarou madame Mercedes Sonsa na primeira vez em que a vi. Toda trabalhada nas cores cítricas e tonalidades neon, ela me visitou, por sete noites seguidas, na forma de uma aparição desejada, e, conforme minha leitura avançava, passei a entender melhor o que ela quis me dizer.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao entrar em contato com os dez contos que compõem DEDO NO CRU y GRITARIA, é possível descobrir qual literatura viceja nos bueiros mais sacrossantos. Qual linguagem lateja, reinventada, nos orifícios mais frequentados. Quais narrativas poéticas-prosaicas percorrem as peles e os pelos dos seres mais irremediáveis. Quais muralhas identitárias são dinamitadas com o extrato de fluídos que percorrem frequências antinormativas da existência.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste livro, é possível intuir as marcas de uma infinidade de autories desviades de outros tempos, somadas à essência inconfundível e atualíssima de Mercedes &amp; Ga Rossetti, corpo dissidente que, flanando da sarjeta aos céus, conta histórias enquanto vislumbra tragédias e maravilhas.</p>
<p style="text-align: justify;">DEDO NO CRU y GRITARIA apresenta rupturas e alianças que trazem à escrita novas tonalidades, a profanação dos limites entre os gêneros, bem como a absolvição e a possibilidade de criação artística pelo gozo, pelo sarcasmo, pela transformação, pela crueza das realidades retratadas e pela legítima expressão de vivências marginalizadas do nosso tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">Já na ansiedade pelas próximas empreitadas de Mercedes Sonsa &amp; Ga Rossetti, espero que esse livro seja tocado por todas as mãos possíveis,</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Cristina Judar</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/dedo-no-cru-y-gritaria/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O banquete da chanfana de Séneca aos rojões de Nietzsche</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-banquete-da-chanfana-de-seneca-aos-rojoes-de-nietzsche</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/o-banquete-da-chanfana-de-seneca-aos-rojoes-de-nietzsche#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Jul 2022 10:37:01 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=12058</guid>

					<description><![CDATA[Não recordo se foi ontem
No fogo do meu nascimento
Se agora
Neste preciso momento sendo
Ou talvez amanhã
Ou num futuro ainda longínquo
Estarei já dentro dela?
Brindemos juntos e bebamos
Nada mais há para ver
Na poeira caminhei
A mim me coube o instante
Que resvala e pesa o que foi
É e será
Na febre da festa
Tremi noite e dia
Agora silencia-se o canto
Dilacerado na embriaguez

Velho ou menino
Já me esqueço de ser homem
E sem lembrança
Remorso fingido

<strong> </strong>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>«O quarto grau da poesia lírica é aquele, muito mais raro, em que o poeta, mais intelectual ainda mas igualmente imaginativo, entra em plena despersonalização. Não só sente, mas vive os estados de alma que não tem diretamente. Em grande número de casos, cairá na poesia dramática, propriamente dita, como fez Shakespeare, poeta substancialmente lírico erguido a dramático pelo espantoso grau de despersonalização que atingiu. Num ou noutro caso continuará sendo, embora dramaticamente, poeta lírico.», é isso que nos diz Fernando Pessoa em um fragmento intitulado “Os graus da poesia lírica”, e que neste livro singular de Pedro Loureiro podemos entrever, porém com uma diferença em relação ao gênero de poesia dramática tradicional, já que em muitos diálogos as personagens não podem ser previamente conhecidas, deixando-nos um espaço vago que é, afinal, a possibilidade de um campo aberto — palco onde a literatura pode ser um acontecimento. Nesse campo é gerada uma tensão pela própria impossibilidade de um saber prévio (quem afinal está falando, quem está respondendo, há alguém que podemos conhecer?) e um desconcerto muito próximo do onírico (as notas de rodapé reforçam a estranheza ao invés de elucidá-la), embora possamos suspeitar que esse onírico, no caso desses diálogos, seja apenas mais uma das inúmeras janelas do absurdo.<br />
A escolha do diálogo para esta obra de poesia dota-a de uma amplidão de vozes na qual uma fina ironia, por vezes, deixa implícita uma capacidade de visão do poeta em relação a temas valorosos da história, da metafísica, da mitologia e da arte, não como uma discussão ensaística, mas a partir dos próprios seres que a engendraram. Giorgio Coli, em sua obra O nascimento da filosofia, aponta que «Platão inventou o diálogo como literatura, como um particular tipo de retórica escrita, que apresenta num quadro narrativo os conteúdos de discussões imaginárias a um público indiferenciado. Este novo género literário recebe do próprio Platão o novo nome de “filosofia”». No caso, a referência a um dos mais famosos diálogos do filósofo grego, O Banquete, torna explícita a referência ao gênero inaugurado por Platão, mas aqui a diferença é que Pedro Loureiro não assume a posição de um «filósofo» (um amante da sophia), mas sim a posição abandonada pelo próprio Platão: a de um poeta. Ou seja, de alguém que não se apresenta como portador do logos, mas apenas como um meio, como uma abertura que, à medida que se abre, esconde o próprio rosto.<br />
Os diálogos deste <em>O banquete da chanfana de Séneca aos rojões de Nietzsche</em> não são constituídos como fios que nos conduzem a uma conclusão, como alguma verdade que pudesse ser atingida por uma ascese do discurso. Pelo contrário, a verdade dos diálogos (quando ela se propõe a existir) surge ao modo de uma revelação, tal qual um antigo oráculo (Quis o amor/Que a morte/Fosse o esquecimento) ou uma sentença da ordem dos mistérios (Aos homens resta-lhes/Uma imitação de sangue/Um desejo de regresso ao informe). Isso tudo entrecortado por momentos de pura sensorialidade como no caso de Ares &amp; Afrodite (Se ao acordares/Eu aqui não estiver/Contenta-te com tua mão/Ou o que mais te aprouver). Com isso, afasta-se do diálogo platônico e aproxima-se da poesia dramática, tal qual em Diálogos com Leucó de Cesare Pavese, ainda que este mantivesse a presença efetiva das personagens em uma estrutura mais tradicional.<br />
O Banquete inaugura na trajetória literária de Pedro Loureiro um novo momento, em que a voz escapa de uma escrita de si para uma região mais ampla, mais indefinida também, o que em termos de poesia é sempre um encontro, um acontecimento e uma possibilidade. Em outros termos, a dimensão de uma experiência.<br />
<strong>Augusto Meneghin</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/o-banquete-da-chanfana-de-seneca-aos-rojoes-de-nietzsche/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Erosão [2ª edição]</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/erosao-2a-edicao</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/erosao-2a-edicao#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 May 2022 18:45:40 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=11364</guid>

					<description><![CDATA[O tempo de vir o autocarro
e descobrir o que temos em comum:
eu, a mulher que arrasta uma gaiola vazia
pelas ruas da cidade,
e tudo o que ainda lá está.

(O tempo, página 45)]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="p1"><span class="s1">O </span>título do primeiro livro de Gisela Casimiro antecipa a melancolia dos poemas, nos quais convivem o desgaste do corpo, a destruição das relações, a morte, o afastamento, a perda. No entanto, até estas destruições parecem sofrer o poder da erosão, porque após a leitura não é o seu gosto que fica, mas o da cicatrização e das luzinhas que nos encaminham para a reconfiguração e a redescoberta do bem-estar. São pequenas receitas para a sobrevivência que Gisela partilha connosco: a ironia, a esperança, o doce de tomate da mãe, as sardas da pele de alguém ou a relação intima com o que a transcende.</p>
<p class="p1">Estes poemas testemunham movimentações físicas e emocionais, são a passagem que a palavra abre da ferida à cicatriz, porque entre muitas outras coisas “o poema é o verbo salvar”.</p>
<p class="p1">Direi por isso que esta erosão é sobretudo a promessa de uma forma futura.</p>
<p class="p1"><strong>André Tecedeiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/erosao-2a-edicao/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Amantes Ocasionais</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/amantes-ocasionais</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/amantes-ocasionais#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 May 2022 18:33:30 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=11320</guid>

					<description><![CDATA[Falem-lhe de rios-prisma,
um feixe de luz a queimar a água:
do lado de lá sairemos ilesos
e a nossa cegueira será uma bênção.

Falem-lhe das mulheres em escama,
os seus seios são hálitos doces
com que prendo a respiração:
e mergulho sob a fluidez do desejo.

Falem-lhe de todas as criaturas
que se escondem no riso da margem.

(<em>Ninfas</em>, página 28)

<strong> </strong>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Este não é um prefácio. É um aviso de segurança. Toda Beleza deveria trazer junto um desse. A Beleza é um mal, uma praga, do tipo irreversível. A Beleza é uma peste. Eu poderia não avisar e deixar que você se transformasse sem consciência. Principalmente porque a estética moderna, meio junkie, meio urbana de Lígia Reyes engana. Ela é sorrateira. Aquele tipo de noite que não nos deixa dormir, e nunca mais somos os mesmos depois. A verdade é que Lígia Reyes é perigosa. A doçura nos embebeda sem percebermos. A caneta de Lígia é um desses entorpecentes colocados em bebidas na madrugada. Acontece que, ao invés de um rim, os poemas da Lígia talvez tirem a sua inocência.<br />
É sutil, sabe, você lê como quem toma um gole e, quando vê, está sozinho (a), como todos os outros.<br />
Mulheres como Lígia estão aqui para serem mais uma. Para que os desavisados se percam. Se você for um filho bastardo de homens sem causas nobres, talvez se queime. Tomara que se queime. Permita-se queimar. Vai fazer muito bem. Agora, se você for uma mulher a atravessar a escuridão, o ardor de um céu, ou uma jovem em um colete de forças pronta para a humilhação, Lígia guiará o princípio de todas as eternidades.<br />
É um favor que faço, percebe?, ao colocar um aviso de segurança aqui, no lugar do prefácio. Depois você vai achar que as janelas abertas são sinais de voo e que o amor é isso. Não me diga que não avisei.<br />
“Os Amantes” de Magritte se cobriam de uma forma diferentes dos Ocasionais de Lígia. Os amantes de Lígia se escondem nas esquinas, nas vielas, nas tabernas, nos Galetos e, principalmente, nas palavras. Mas a palavra é traiçoeira, a cada uma somam-se as entrelinhas, e é no entre que a poesia se revela. Nos revela. A revelação de Lígia, caro(a) leitor(a), já aviso, será a sua própria revelação. Vá consciente e depois não diga que não disse.<br />
Os amantes de Lígia não têm os rostos cobertos. Pelo contrário, estão profundamente à mostra. Mas são muitos, muitos, muitos, a tal ponto que os rostos se tornam mosaicos insuportáveis. Narciso enlouqueceu e vê espelho em qualquer face. Os amantes de Lígia estão no começo do século XXI. Estão aqui. São ácidos, apaixonados, tristes e tantos, que são nenhum.<br />
Talvez você conheça Lígia de O Amor peixe e outras loucuras, então você já sabe um pouco do que estou falando, mas não tudo. A poesia de Lígia se transformou, está mais traiçoeira, mais afiada, e, querido(a) leitor(a), quando você olhar o mar na cama de alguém, vai perceber que o oxigênio é uma invenção da boca da poeta.<br />
Acontece, leitor(a), que a vida sem Beleza, sem paixão, sem pathos, é um acordar para contar as horas. É preciso “nem que sejam apenas alguns segundos/escrever sob influência do suicídio” para sentir-se realmente vivo(a). Mergulhe no oxigênio que Lígia Reyes lhe oferece.<br />
“Pelo menos existiu um adeus que doeu,<br />
e nada me foi neutro ou vulgar”<br />
Deste livro e do amor ocasional ninguém sai incólume.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Maria Giulia Pinheiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/amantes-ocasionais/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Súbito</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/subito</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/subito#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 May 2022 16:39:11 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=10892</guid>

					<description><![CDATA[Vago só pelas encruzilhadas do tempo,
a fuga impossível ao flagelo dos ponteiros,
caminhos bifurcados como línguas de víboras,
a deriva infectada pelos despojos das trevas,
rastejo pelo ventre da noite
suspensa no pó da viagem,
o sono impossível sob o grito das estrelas,
no quarto escuro
a vela acesa como um farol...

<strong> </strong>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Talvez os versos demorem a fazer ricochete. Emudece-nos a sua nudez que, enquanto acontece, não nos deixa desviar o olhar. Nada temos a acrescentar. Ficamos apenas esperançosos pela coincidência feliz de alguém, carregado de outras vivências, mais ou menos duras, leia as mesmas palavras e delas saiba extrair o que lhe tocar.<br />
Peter Handke, autor do Poema Duração, disse numa entrevista qualquer que “há uma idade para a poesia: tem de se ser muito novo e, depois, tem de se esperar&#8230; pela sabedoria e intensidade e tristeza e alegria, tudo junto”. E, depois, que a “poesia precisa não só de inocência, mas talvez de culpa e de inocência”, de ambas. Nada percebo de poesia e menos ainda de que precisará ela, abomino fórmulas (embora seja sensível a preocupações formais) e tampouco creio em idades certas para se fazer algo.<br />
Comove-me ainda sentir o calor ou a dor por intermédio das palavras de alguém que nos dá o pulso a medir a temperatura. Temperatura essa normalmente não correspondente entre corpo e voz. Então, ao arriscado ofício de traduzir dor e beleza, seja a “tua”, da rua, ou das trevas potentes, desejo o melhor passeio que nos vai sendo calcetado à medida da leitura. Brassalano Graça intriga aqueles que pisam, ainda que de leve, as suas palavras. Sejam poéticas-radiofónicas, pela atenção e vibração que confere aos outros, pela delicadeza com que chega ao trabalho do outro, seja poéticas-escrita, desde um Facebook surpresa ao livro <em>Súbito</em>.<br />
Intuo que a sua incursão na poesia em livro afasta-se do poema perfeito, que enferma algumas mentes adeptas de virtuosismos apoucados. Ferreira Gullar, autor de Poema Sujo, defende mesmo “que não existe poesia pura. A poesia verdadeira não é sectária, não é unilateral.”<br />
A poesia de Brassalano Graça poderá ser a farinha do moinho que há anos lhe arde no peito. O lançar das cartas comprometedoras para todo o jogo. Uma poesia sensorial, entre coxas, orvalho, declive da pele, amores, carnes e música fúnebre do futuro. Onde as noites pesam de insónia e chumbo, e as lágrimas são de luz. Embora tudo esteja sobejamente adjectivado para dar saltos não estridentes de sentido, a composição não arrebata a espontaneidade. Nestes versos parece que nunca se sai de uma imagem que está sempre a abrir para novas imagens, átomos em choque, que nos vão povoando, produzem combustões — amor e conflito — é o que faz andar, creio.<br />
Memórias antigas de cadáver da humanidade &#8211; de onde veio? qual o propósito? Unha de arranhar por dentro, extravasando os dias ponderados e fazer-nos cúmplices da sua inquietação. Uma poesia que é dança glacial de seres erráticos, que logo se derretem como barcos afundados. Uma poesia que permite inventariar possibilidades, amores, retornos a um nós mesmo com a única casa que realmente temos: esta nossa acumulação existencial. Uma poesia que convida a entrar em novas paisagens à boleia de nuvens prateadas, para chegar a cidades suspensas num domingo eterno.<br />
Não sei se os seus poemas devidamente respiram, ou se se penduram na vertigem de brevidade, na atenção às pequenas coisas. Nada têm a ver com a atualidade, mas com as cidades libertárias, onde o jazz ecoa e a literatura acrescenta pormenores videntes. No seu poema encontro o que há “de sobrevivente no mais inóspito da realidade, no mais fundo da linguagem”. Mas não sei onde o poeta repousa a cabeça, se é que repousa, esse “clássico de dentes grandes, tortos e manchados por fumo e café”, esse “nervo desvitalizado do dente canino da civilização”. Brassalano oferenda-nos temores e deleitamentos, comparece nesta casa imunda e eternamente desarrumada que pode ser a poesia.</p>
<p><strong>Marta Lança</strong><br />
tradutora e editora</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/subito/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>E eu era a casa</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/e-eu-era-a-casa</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/e-eu-era-a-casa#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Jan 2022 13:24:11 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=9709</guid>

					<description><![CDATA[Chove
E o mundo é grande
Igual a um deserto
Que não cabe em nós

Nunca somos de um mundo apenas
É isso que nos dói
Quando andamos sobre o soalho
Desta casa
Escoando para as fendas os barcos que a vida tem]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>ONDE FUI PÁSSARO ANTES DE SER GENTE</p>
<p>“Onde fui pássaro antes de ser gente” assim começa este livro.<br />
Tudo indica que, num momento anterior, a Poesia aconteceu quando o Poeta foi pássaro.<br />
A distância temporal entre um estado e outro parece não existir.<br />
O que existe é uma memória atualizada.</p>
<p>E cito:<br />
“Pouso a minha face na tua mão: A piedade de um<br />
verso<br />
Dentro da chuva”.</p>
<p>É tão verdadeiro o poema quanto a imagem gerada pela lente que ele revela.<br />
Os versos de “E eu era a casa” são seres delicados.<br />
Respiram através do “orvalho da manhã” na intimidade das águas, mesmo que em “(des)conhecidas palavras”.</p>
<p>Neste livro não há espaço para notas de rodapé. Os poemas são naturais. E próximos de nós.</p>
<p>“Repara / Como labora a chuva sobre a terra // Disseste-o tão próximo de mim”.<br />
Não admira que em “E eu era a casa” todos os endereços estejam representados.<br />
Escrever poesia é seguir o voo dos pássaros, indo muito além dos próprios passos.</p>
<p>Vai sendo raro “ver” como M Céu Costa.</p>
<p>É desta linguagem que temos Saudades.</p>
<p><strong>Maria Azenha</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/e-eu-era-a-casa/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Errando</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/errando</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/errando#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Nov 2021 14:50:09 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=8922</guid>

					<description><![CDATA[gaivotas
entrando dentro de casa
no seu canto memoriado
não porque haja no mar tempestade
mas porque é Porto
meu
afinal sempre meu
e contendo toda a minha idade.

&#160;

<strong> </strong>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Tudo começa então no somatismo das vidas, de umas com as outras. O choque entre tudo, desastroso e simbiótico, é constante. Nos desenhos textuais de <em>Errando,</em> nas divagações telúricas urbanas, entre exterior e interior, em proximidade e distância, xs protagonistas, para Miguel Oliva Teles, são as sensações de tristeza e prazer, melancolia e nostalgia, as saudades ou desejos que invadem os corpos, que os habitam e que são meras estratégias arraigadas para a energia sobreviver ao que quer que seja; os percursos, muitos, de um dia que correu mal ao caos doce do passado no presente, No ritmo melado de quem tem sítio nenhum para chegar, as sensações neste livro-vida pousam em tudo, atravessam tudo, okupam tudo.</p>
<p><em>Errando</em> de Miguel Oliva Teles é o livro que conhecemos sem conhecer, a língua que dobra a língua, a energia do amor totó, futuro ou ancestral, o presente como multiplicidade, o desqualificado como valor. Um livro que atravessa tudo e todxs, e com o qual</p>
<p><em>os olhos descansam, viajam </em><br />
<em>e fica só o coração</em><br />
<em>batente</em></p>
<p><em>Errar é uma sorte.</em></p>
<p><strong>André e. Teodósio</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/errando/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Cosmos e casas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/cosmos-e-casas</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/cosmos-e-casas#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Nov 2021 17:04:51 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=8756</guid>

					<description><![CDATA[sendo o coração pedra,
estrutura regular poliédrica, cuja morfologia
move em constante vocação hialoide,
o embuste do silêncio incide

<strong> </strong>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Cosmos e Casas</em> é o livro de estreia de uma poeta que pressentimos vir de há muito constelando vozes, e que logo de entrada, “sendo que amor e palavra alinham distâncias,” assume o ofício de fiar versos para constituir e cruzar corpos, para correr riscos, para descobrir (mas não colonizar) o eu, para ligar e se alterar. Daí também, desde o início, a assunção da aventura do amor, desafio e metamorfose no outro pela palavra, a reivindicação e dádiva de uma encarnação: “sou teu corpo / dito / génese.” Transmutando-se, prossegue-se pela aliteração e pela invenção das imagens, por guinadas de sintaxe e dobras de morfologia (por exemplo adjetivos a agirem como verbos). As associações não surgem meramente por contiguidade mas por ondulações e feixes, procurando ramificados desenhos, mais amplos e melhores prolongamentos, a desfazer convenções e espartilhos, a pretender uma compreensão do cosmos à margem da discriminação do logos: “Em vez de ciência crua quero tratados alquímicos pura magia tudo o que existe e se conquista pelo sono ou se expande no segredo da meditação”. Não que se rejeite o que revela o conhecimento científico, antes se valoriza o seu abalar do sólido, o desfazer da ilusão de ser fixo o solo: “a crosta afinal terreno / móbil resvaladiço içando fraca barreira / ao avanço líquido”.<br />
Crente na emergência a partir do movimento, esta poesia evita dualismos, e, imbuída de uma ironia capaz de matizar acusações, não se demora na mera contraposição. Se “Madame Bovary” ou “Princesa de Clèves” lamentam a tipificação literária da mulher dividida entre a liberdade passional e a circunscrição social, nestes textos vai-se descobrindo um feminino lírico capaz de se reinventar, de se multiplicar, inclusive de alargar o sentido da maternidade além da biologia, da família ou da genealogia – a um fazer da comunidade, ao evento generativo do poema: “a palavra cantante / o verbo ardente / muro vivo do poema / corpo sílaba / sangue” . Por outro lado, se há em certos textos revisionismo literário, há, acima de tudo, restauração: dos textos e ritos sagrados em que a palavra é corpo e profecia, em que poesia é oração e êxtase, de uma tradição espiritual herética e erótica, evocando o “Cântico dos Cânticos” ou o misticismo desejante do andaluz Al Mut’Amid, bem como legados de sabedoria e visões sagradas do Oriente. Comparecem ainda a música e uma memória moldada pelas artes visuais (“imagem treme tangente tragando resquícios por ela conduzo”), e celebra-se, pelo saber dos sentidos, enfim, a união dos corpos como ascese caleidoscópica a mais vastos planos, de que a palavra é inscrição, gesto de mistura e desvendamento: ou “as mãos entrando na pele / até outro reino onde somos um no outro.”</p>
<p><strong>Margarida Vale de Gato</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/cosmos-e-casas/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Tríbades, Safistas, Sapatonas do mundo, uni-vos!</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/tribades-safistas-sapatonas-do-mundo-uni-vos</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/tribades-safistas-sapatonas-do-mundo-uni-vos#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Nov 2021 20:15:12 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=8581</guid>

					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em Tríbades, Safistas, Sapatonas do mundo, uni-vos! a principal premissa é investigar filosófica, política, e poeticamente as questões levantadas pela arte e literatura ditas lésbicas. As obras de arte e as poesias que trazemos à luz aqui são o fio condutor da pesquisa, que aborda a teoria e a economia marxista-feminista, questões raciais, de “minorias” e queer, crítica social, história da arte e da literatura, idéias decoloniais e a tradição do pensamento lésbico, como Adrienne Rich, Monique Wittig e Gloria Anzaldúa. A chicana Laura Aguilar, e sul-africane Zanele Muholi, a norte-americana Catherine Opie, os coletivos brasileiros Bruxas de Blergh e o grupo GALF, são algumas das artistas sobre as quais trabalhamos aqui. A poesia vai de Maria Isabel Iorio, Tatiana Nascimento, Cecília Floresta, Taís Bravo, Helena Zelic, Tatiana Pequeno, eu mesma e outras escritoras brasileiras, às obras de Cherríe Moraga, Audre Lorde e Cheryl Clarke. Resumir é sempre restringir, este trabalho não é sobre isso. O objetivo é observar a constelação — plural, não normativa, às vezes conflitante — de sapatonas que ousaram viver e criar.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Esse livro chegou às minhas mãos como um golpe. Algo que ainda me surpreende: como podem algumas palavras produzirem efeitos tão profundos? Uma mulher parada lendo ou uma mulher parada escrevendo são imagens aparentemente estáticas, que escondem movimentos incontornáveis. Enquanto eu lia, era tomada por um desejo desconcertante. Essa é a palavra que define a trajetória de estudo e de escrita de Leíner Hoki. “Tríbades, safistas, sapatonas do mundo uni-vos: investigações sobre a poética das lesbianidades” é uma pesquisa movida pelo desejo. As imagens que esse arquivo de poéticas lésbicas guarda são imagens de mulheres desejantes, mulheres que ousam desejar outras mulheres, mais ainda, mulheres que desejam deixar rastros de seus desejos sáficos. Esse livro guarda esse triunfo do erotismo como um poder que se propaga. Uma vez que uma mulher rompe a fronteira da heteronormatividade e se autoriza a desejar outras mulheres, algum tipo de liberação de forças acontece. Uma vez que essa mesma mulher se autoriza a criar imagens sobre ou a partir desse desejo, esse poder erótico se espalha e se infiltra. O seu desejo de investigar poéticas lésbicas está presente em cada página de seu livro e esse desejo que se retroalimenta em um continuum erótico alcança suas leitoras. Assim, esse arquivo de lesbianidades torna-se um vetor que ativa e transmite outras formas possíveis de imaginar e de desejar. O corpo, ou melhor, os corpos não são apenas temas de seus objetos de análise, mas também participam de sua metodologia de trabalho. Como uma prática feminista, sua pesquisa é um pensamento situado que se faz com o corpo, “com carne, sexo, língua, desejo e história”. Essa forma de pensar promove fricções nos próprios conceitos de história, arte e arquivo. Ao tornar arquivável aquilo que foi e ainda é apagado, torna-se necessário encontrar ou inventar outras formas de arquivo. Leíner, então, assume essa tentativa de tecer genealogias que desviam da linearidade, da origem e da autoria como forças de autoridade, genealogias que se constituem pelos rastros e lacunas. Registrar as imagens que sobrevivem é também um modo de imaginar aquelas que foram rasuradas. Seu texto, como um exercício dessa prática de arquivo, costura uma ponte entre o que fomos e o que poderemos ser. É um trabalho de existência lésbica que continuamente precisa imaginar que um dia alguém do futuro lembrará de nós e do nosso desejo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Taís Bravo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/tribades-safistas-sapatonas-do-mundo-uni-vos/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Onírica</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/onirica</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/onirica#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Oct 2021 08:57:54 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=8236</guid>

					<description><![CDATA[tony cassanelli [desenhos]

&#160;

&#160;

Onde plantei
Meus ontens
Florescerão
Botões de amanhãs
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q"></div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto"></div>
</div>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Onírica</em> é um espelho do infinito.<br />
Uma obra que reflete a luz e a sombra de uma mulher que se permitiu mergulhar em si mesma e emergiu em poemas.<br />
Cada texto sugere uma experiência de relacionamento com uma arte viva, que transpõe a superfície da ideia de ser e se ver para encarar o âmago das grandes questões de um indivíduo.<br />
Uma viagem sem tempo e espaço que permitiu à palavra ser o alimento do traço.<br />
Poética a revelar as diferentes faces de uma personagem que se veste de histórias embalsamadas na vivência de um ser andante, imigrante e detentor da própria morada.<br />
Composta pela magia do infinito, resgata o amor mais bonito e rasga o véu da ilusão do Narciso.<br />
<em>Onírica</em> é um espelho do infinito no sentido em que nos permite visualizar a amplitude de possibilidades de caminhos internos, não obstante às fases da lua, ora mais clara, outra mais escura, que enche e esvazia as águas das emoções no movimento constante de se recriar a cada ciclo.<br />
Respire fundo e permita-se ser tomado pela magnificência desta viagem onírica.</p>
<p><strong>Nati Valle</strong><br />
escritora e arteterapeuta</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/onirica/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Teimosia e memória</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/teimosia-e-memoria</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/teimosia-e-memoria#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Oct 2021 08:46:00 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=8216</guid>

					<description><![CDATA[de bruma e faísca surgem os sonhos

que independentemente dos gritos, gemidos e gargalhadas
são mais silenciosos do que a vida.
em encruzilhadas de teimosia e
memória são celebrados os nossos
corações,
mais barulhentos do que o silêncio
formados por camadas de tinta vermelha
que escondem, pouco a pouco,
tudo aquilo que dorme
e segue acordado.

[abro a porta para você entrar]
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q"></div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto"></div>
</div>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A boca abre e fecha, fala e cala, abre as cortinas, anuncia e encerra. Por ela, sussurramos aquilo que com muita dificuldade não gritamos e urramos aquilo que se espalha pelas veias e cerra os punhos (e os olhos) em lágrimas vermelhas.  O mundo que acessamos pela boca, embora muito não tenha gosto, todos sabemos o sabor que tem. Entre o azedo e o doce da saudade, o sal do mar, da pele, das lágrimas, o doce do cafuné, do enjoativo, daquilo que engolimos a contragosto.<br />
<em>Teimosia e memória</em>, é sobre tudo aquilo que degustamos (e desgostamos) em um mar de tons, toques, carícias e carências. Salgar o feijão, entornar o leite e adoçar o café. Os medos e as medidas. Afinal, o homem é o único ser vivo que permanece no sol mesmo quando o couro queima.<br />
Aqui experimentamos o gosto da vida por meio das palavras, como quando sentimos o sabor pelas pontas dos dedos. Daquilo que feito pimenta faz a gente lembrar que o sangue corre (e escorre). É um lembrete de que a vida é movida pelo fogo, não ganha quem apaga, ganha quem se esquenta.</p>
<p><strong>Heloiza Dias</strong><br />
escritora, artista multimídia e redatora</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/teimosia-e-memoria/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Fragilissimamente</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/fragilissimamente</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/fragilissimamente#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Jun 2021 10:27:16 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=6900</guid>

					<description><![CDATA[Barquinhos
Dançam uma valsa
Em torno de um farol.

O forte
Chora.

Queria pedir a mão
À areia,
Casar com o mar.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>FRAGILISSIMAMENTE é um coração.<br />
Como é que se fazem-escrevem badanas/orelhas para um coração?<br />
Como é que se escutam os batimentos de um coração que se expõe na sua delicadeza furiosa? Sem pudor de se mostrar, sem medo de levar o corpo à deserção existencial.<br />
Uma tensão crescente de sentimentos e ideias atravessa os poemas e afirma com profunda lucidez lírica: “As pessoas fáceis estão nas prateleiras dos supermercados”.</p>
<p><strong>Elisa Scarpa</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/fragilissimamente/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Etcétria</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/etcetria</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/etcetria#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Jun 2021 15:09:35 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=6597</guid>

					<description><![CDATA[Depois do amor ter reduzido uma baleia a predicados
Tão cedo, aqui, não me lavo
Não me levanto para ser esperança
Nem outras condicionantes
À parte os sujeitos
Que em parte não me sujeito
E fico condescendente
Na mesa tenho o que sonho
E tombo sobre a travessa
Estou longe e nunca me vejo
Sei de mim pelos boatos
Tão cedo não me levanto
Fico para ver as lembranças
Sou feito desses bocados
Antes do amor ter reduzido o mundo inteiro a predicados

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="western" lang="pt-PT" align="justify"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">Eis a frenética poesia de Pedro Morcego. Eis o poema que se faz radicalmente vivo ou o poeta que “</span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i>se</i></span></span> <span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i>preside e reivindica”</i></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">. Poesia, portanto, da insurreição ontológica ou da voraz desobediência linguística. Desta língua em permanente rebelião, a percorrer “</span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i>planícies virgens”</i></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"> – língua acesa que quer “</span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i>provar todos os lábios”</i></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"> e “</span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i>em todos os lábios ser grito” </i></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">– diremos somente que aglomera, como um rock transgressor, todas as vozes da experiência profana. É que </span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i>Etcétria</i></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"> é um registo impetuoso do mundo: cataloga-se, nos versos, a avidez de ser inteiro, a liberdade de sentir completamente, e de tocar, com dedos sujos e um sorriso “</span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i>sem amarras”</i></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">,</span></span><i> </i><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">o espontâneo coração – ainda fresco, ainda alto e palpitante – de um espécime humano. </span></span></p>
<p class="western" lang="pt-PT" align="justify"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">E se de humanas compleições nos falará este livro, a solidão será o cerne do catálogo das sombras. Solidão que tudo rasga, despedaça e digere. Inveterada adversária do amor – dessa emoção de “</span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i>ideal gémeo”</i></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">, alicerçada em juras mútuas que se inscrevem sobre a carne – a solidão será vencida unicamente no exercício da palavra. À dor pungente que advém de uma existência solitária, à dor aguda em que fiéis acreditamos – mais ainda “</span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i>do que em qualquer outro deus” – </i></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">a poesia há de propor-se</span></span><i> </i><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">como</span></span><i> </i><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">fórmula secreta</span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i>, </i></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">como unguento</span></span><i> </i><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">ou luminoso</span></span><i> </i><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">elixir</span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i>. </i></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">Pois que</span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i> Etcétria</i></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">, em luz altiva e euforia redentora, possa agora sanar-nos. </span></span></p>
<p class="western" lang="pt-PT" align="justify"><strong><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">Luiza Nilo Nunes</span></span></strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/etcetria/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Racionemos também a estupidez</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/racionemos-tambem-a-estupidez</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/racionemos-tambem-a-estupidez#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Jun 2021 14:39:10 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=6399</guid>

					<description><![CDATA[percebemos que não percebemos
deriva do fuso da terra
falta um fuso
parafuso a menos
na cabeça

alegres rodopiamos
quem vier atrás

que feche a porca
terra

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“A penetração dos elementos mecânicos no nosso quotidiano é avassaladora _ acontece como uma avalanche _ sem aviso, deixando-nos pouca capacidade de recuo. Tirar um documento de identificação, procurar uma informação necessária ou até divertirmo-nos, todas estas acções implicam o uso de computadores.<br />
“Racionemos também a estupidez” de Manuel Almeida Freire faz uso do humor verbal para atravessar este planeta, onde os homens parecem sentir apenas o vibratum dos écrans, obliterando tudo o que não é mediado por estes.<br />
O autor chama a si o erro , o espanto, a angústia, o enlevo, ou seja, deixa-se tocar pelo mundo. Ladeado pelos «animais queridos do zoo doméstico» e os «frios algoritmos antropófagos» fica a pergunta: que prodigiosa irracionalidade é esta que nos está a tomar?</p>
<p><strong>elisa scarpa</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/racionemos-tambem-a-estupidez/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A loucura das facas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-loucura-das-facas</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/a-loucura-das-facas#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 May 2021 10:37:36 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=6316</guid>

					<description><![CDATA[As nuvens urdem facas no solo.
Os ciprestes colhem do céu
letras
quebradas

gosto dos poemas que caem nas mãos como balas
ou como granadas.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Uma faca azul nos dentes</strong></p>
<p>O espaço é uma grande máquina de sombras e<br />
o poema uma miragem de letras<br />
não posso escrever os meus gritos<br />
não posso dizer-te quem sou</p>
<p>escrevo um testemunho inútil numa noite imensa<br />
e o amor para sempre é um defunto<br />
com uma faca azul nos dentes. <span style="color: #ffffff;">Maria Azenha</span></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/a-loucura-das-facas/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O resto é céu</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-resto-e-ceu</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/o-resto-e-ceu#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Apr 2021 16:47:13 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">http://editoraurutau.kinghost.net/?post_type=product&#038;p=5881</guid>

					<description><![CDATA[nunca soube diferenciar o poema do mundo
nem do meu corpo
mal distingo um cais ou o peso de um entardecer
da pele avultada que arredonda as unhas
mas posso, por exemplo, colocar a palavra ilha
no limite do esterno aonde só chega o ar
e a partir daí, talvez pronunciar povo
muitas vezes, a partir daí
a partir daí: a vida

e o resto céu

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O poemário começa cumha operaçom de camuflagem, a ilha converte-se no corpo dela, ou ao contrário ela converte-se na ilha. Nestes casos, toda panorámica é autorretrato. Ela nom sabemos quem é. As poetas sempre, por respeito à venerável retórica, falam em primeira persoa. Depois temos a sensaçom de que Penas deixou a porta aberta, para que entrassem outras vozes, outros corpos. Como o corpo está camuflado, provavelmente por lama, ou cinsa vulcánica, nom reconhecemos bem quem som as outras que estám a falar. Umha voz dirige-se a um filho (a um desses filhos que sempre aparecem nos poemas): “Deverás ir armado de ontem até os dentes”. Outra voz afirma: “Posso conhecer umha cidade polo latido dos cães”. Quem diga isso tem que vir de moi longe, de moi atrás. É alguém que ainda lembra a fala dos cans. Andando o livro, levantam-se silhuetas femininas sobre a paisagem ocre baixo o céu limpíssimo, mulheres, nenas, velhas que falam coa boca cheia de terra. Som vozes que aparecem por primeira vez nos versos de Silvia Penas. As vozes falam de cousas que a poeta galega nom pode saber pola própria experiência. Ela vem dumha terra que ignora a sede, e onde o mar é manso e familiar como a horta que contorna a casa. Criaturas que pedem para falar, mulheres das ilhas que descolonizam para sempre o poema e coa sua voz escacham todas as cámaras dos turistas: “Há uma mulher a meio chorar, pelos cantos, suplicando amor, um gesto, umha moeda, suplicando amor”. E essa mulher fala, e escuta, espantada, a visitante. Atrás dela, tomárom a palavra as mulheres do país, e o verso fijo-se teatro. Entendendo por teatro o lugar onde a poeta deixa que falem as demais. “A minha saia abanada pelo desejo da chuva”, di o coro. Nom vou continuar a indicar versos, a citá-los. Dixem algúns que se levantaram do testo terroso e salobre, e apelarom-me directamente. Cada vez que aparece a palabra “cão”, “cães”, estremeço, e vejo-me de novo ali, olhado polos cachorros dos terraços. Talvez a outra persoa nom lhe diga nada, e será noutro verso, que para mim seja inócuo, onde aparecerá o resplendor para outra persoa. As instantáneas de Penas aparecem umha atrás da outra ante os meus olhos, e as minhas fotos, excepto umha, vam perdendo nitidez diante do teatro propiciatório da poesia. Eu também amei em Cabo Verde, mais nom lembro que fosse tam arrassador e conmovente como a estória de Penas. Hai turistas que nom saem dos hotéis dos trópicos por medo a topar com o corpo, com o povo, com a vida. Talvez eu seja um desses agarrado prudentemente ao daiquiri. A autora deste livro, nom, desde o primeiro dia saiu do hotel atravessando o muro de cristal que incluem no preço os tour operators. Ela saiu e “empunhou a vista, empunhou o fundo dos olhos” e percorreu o seu corpo, o seu teatro, rápido, rápido até o último verso, e o resto é céu.</p>
<p style="text-align: justify;">E assim, o céu passa a ser, na voz poética de Silvia Penas, sinónimo de silêncio.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quico Cadaval</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/o-resto-e-ceu/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Volta para tua terra: uma antologia antirracista/antifascista de poetas estrangeirxs em Portugal</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/volta-para-tua-terra-uma-antologia-antirracista-antifascista-de-poetas-estrangeirxs-em-portugal</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/volta-para-tua-terra-uma-antologia-antirracista-antifascista-de-poetas-estrangeirxs-em-portugal#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Apr 2021 16:57:43 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">http://editoraurutau.kinghost.net/?post_type=product&#038;p=5779</guid>

					<description><![CDATA[amanda vital &#124; ana luiza tinoco &#124; ana paula vulcão &#124; bruna carolina carvalho &#124; carla muhlhaus &#124; carol braga &#124; costa neto &#124; daniel cruz &#124; danilo cardoso &#124; delmar maia gonçalves &#124; duda las casas &#124; dulce semedo &#124; elizabeth olegario &#124; ellen lima &#124; etivaldo camala &#124; flávio catelli &#124; francisco mateus &#124; francisco welligton barbosa jr &#124; gabriela carvalho &#124; gabriela gomes &#124; hilda de paulo &#124; huggo iora &#124; irma estopiñà &#124; ivan braz &#124; jamila pereira &#124; jaqueline arashida &#124; jean d. soares &#124; jorgette dumby &#124; juliano mattos &#124; laura beaujour &#124; leidy rocio anzola chaparro &#124; luca argel &#124; luciana pontes &#124; luciana soares &#124; mai zenun &#124; manuella bezerra de melo &#124; maria giulia pinheiro &#124; mariana dorigatti woritovicz &#124; marianna di giovanni pinheiro serrano &#124; monise martinez &#124; murilo b. lense &#124; murilo guimarães &#124; noemi alfieri &#124; ronaldo cagiano &#124; salazar crioulo &#124; samara azevedo &#124; samara ribeiro &#124; sylvia damiani &#124; vum-vum kamusasadi

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A imigração é um labirinto. Um labirinto de concreto cujo céu não se vê. Seguir em frente é o único sentido e até mesmo voltar para trás significa seguir em frente. Decidir tirar os pés do próprio chão, cujo solo é conhecido, cujo terreno está medido, onde se planta, onde não se planta, onde é possível colher ou não, é um ato de coragem. Perguntam então porque faz-se isto se é um ato tão duro consigo mesmo? As vezes a gente conhece o próprio solo, mas está exausto da espera pela colheita. As vezes, ainda que se saiba sobre o teor do solo, da terra abaixo do seu corpo, é preciso que o grão brote, e se não brota, a sobrevivência leva os humanos, que tem pernas, a se movimentarem. Assim constituiu-se o mundo, a sociedade, as civilizações. Homens e mulheres com pernas caminharam, deslocaram-se para onde já estavam deslocados os seus sonhos. Uma vez dentro do labirinto, uma vez que é feita esta escolha, não há mais volta a dar. Algumas pessoas passam uma vida inteira no mesmo lugar, no mesmo sítio, na mesma aldeia. É respeitável, é uma escolha. Mas são as que se movimentam aquelas que transformaram a humanidade, as pessoas cujo deslocamento de si mesmo promoveu o deslocamento do eixo da terra. Quando alguém se desloca ela transforma tudo dentro e também à sua volta. O movimento, a deslocação em si não é danoso, pelo contrário, é importante e produtivo, desde que isto não leve a um encontro danoso com a alteridade. E é sobre alteridade que também queremos falar. Nós, estes poetas estrangeiros que vos falam, viemos dos mais variados países, nós estamos em Portugal, somos aqui residentes por uma série de motivações conhecidas apenas por cada um de nós. Portugal, este país de território pequenino na ponta da Península Ibérica, é pela história conhecido por sua essência exploratória, curiosa e desbravadora. As míticas personalidades históricas portuguesas conquistaram o mundo para a sua coroa, sua monarquia na altura poderosa, vigorosa, que construíram uma imaginária nação gigantesca. Imaginária porque falamos aqui sobre imaginário mesmo, sobre como as narrativas são capazes de produzir verdades que talvez não sejam assim tão verdadeiras como esperávamos que fossem. Estamos falando de algo que inicia em um tempo remoto, que parece que não se vê neste agora.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Manuella Bezerra de Melo <span style="color: #ffffff;">VOLTA PRA TUA TERRA</span></strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/volta-para-tua-terra-uma-antologia-antirracista-antifascista-de-poetas-estrangeirxs-em-portugal/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Esta noite dormimos em Tânger</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/esta-noite-dormimos-em-tanger</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/esta-noite-dormimos-em-tanger#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Oct 2015 18:25:42 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=3139</guid>

					<description><![CDATA[Esta noite dormimos em Tânger
Se o furacão Elsa
Permitir que o avião levante voo.

Mas já dormimos antes
Em Tânger
Era mês de Ramadão <span style="color: #ffffff;">Maria Estela Guedes</span>
Abril ou maio, agora é Natal.

Foges, na esperança de poderes dormir
Num país sem fantasmas de família.
Veremos, veremos…
Nem Allah consegue escapar às verdes folhas
E rubras bagas de azevinho,
Às prendas, ao comércio, à impiedosa exploração.
Quem sabe? Veremos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>São muito belos, os rostos sombrios<br />
Sob a noite dos cabelos.<br />
Depois, a miséria e os anos<br />
Arrancam-lhes a luz dos olhos<br />
E da boca os dentes<br />
Deixando na máscara<br />
A caverna do sorriso.</p>
<p>Só umas figurinhas lá em baixo, no porto,<br />
Parece que dançam, que levitam<br />
Acima do chão espelhante.</p>
<p>Indiferentes à chuva e à ventania<br />
Os meninos<br />
Patinam incessantemente para lá<br />
E para cá<br />
Descrevendo infinitos oitos<br />
Na marginal de vidro.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/esta-noite-dormimos-em-tanger/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Elogio da divergência</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/elogio-da-divergencia</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/elogio-da-divergencia#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Sep 2015 18:51:05 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=3150</guid>

					<description><![CDATA[Dos quadros
Da afasia dos interruptores
Da apneia das portas
Da compulsão das janelas.

Um dia
Acordo
E sou cama. <span style="color: #ffffff;">Elisa Scarpa</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Sou uma mulher<br />
Cega<br />
Que<br />
Encontra na barba<br />
Do mar<br />
A explicação de ter<br />
Mãos.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/elogio-da-divergencia/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>NEGRO SILÊNCIO (uma série a partir da obra de Rui Chafes)</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/negro-silencio-uma-serie-a-partir-da-obra-de-rui-chafes</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/negro-silencio-uma-serie-a-partir-da-obra-de-rui-chafes#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Sep 2015 19:51:28 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=3156</guid>

					<description><![CDATA[urge demolir a construção
armadilhar a casa
contra a óbvia domiciliação
desdobrar portas e janelas
suturar os sonho]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p><strong>Quando do negro baço nasce a luz…</strong></p>
<p><em>Negro Silêncio</em> apresenta-se como uma poesia assumidamente devedora do contacto íntimo com a obra escultórica de Rui Chafes – logo no título –, mas sem que isso se traduza em réplicas poéticas desta ou daquela obra, nem na prática «ecfrástica» de um discurso <em>sobre</em> um objecto que lhe é exterior, como a encontramos numa já longa tradição da poesia portuguesa contemporânea, pelo menos desde as <em>Metamotfoses</em> de Jorga de Sena. Aqui, a Obra do escultor (mais o seu espírito do que a sua matéria) vai sendo absorvida e integrada no próprio corpo do poema – nos motivos que discretamente vão espreitando, na conivência e convergência de um modo de ler o mundo, com a inevitável opacidade desse espaço de vida activa, hoje alucinadamente activa, onde tudo «sempre esteve errado» (Rui Chafes).</p>
<p>A esse «escuro labirinto» contrapõe esta poesia exercícios poéticos que, como a prática artística de Rui Chafes, tendem a suprir o vazio e a não-existência dos objectos do mundo. E fá-lo com recurso a imagens recorrentes em que dominam – uma vez mais em claro paralelo com o magma escultórico de Chafes – o silêncio e a luz, a atenção às coisas e a introspecção, a progressiva rarefacção do Eu que se retira e esfuma para deixar falar o pensamento ou o peso da palavra ou da imagem que se destacam, remetendo para os contra-mundos que verdadeiramente contam.</p>
<p>O poema sabe, desde início, que «urge demolir a construção» falaciosa do mundo, para «depois deixar o silêncio falar» e «inaugurar uma casa em constante mutação». E assim cada poema, na sua pulsão imagética e na sua densidade mental, se constitui numa espécie de programa-sem-Eu para uma leitura do mundo actual na sua «dissolução mediática». O perfil que os poemas dele traçam pode resumir-se nas linhas: «na hemorragia do seu discurso / grandes declarações foram feitas / sem nada dizer».</p>
<p>Era já assim no livro anterior de Pedro Loureiro, <em>Astigmatismo ou Redenção</em>. É visível já aí a via de um <em>projecto radical</em>, que se continua em <em>Negro Silêncio</em> (aqui sempre com a sombra de Rui Chafes por perto) e que pretende, como o escultor, reencontrar as raízes da criação num tempo que cultiva o jogo sem consequências, o simulacro e o cinismo. <em>Pro-jecto</em>, é-o esta poesia no sentido que ao termo deram os Românticos alemães (tão caros a Rui Chafes), nomeadamente Friedrich Schlegel: «o gérmen subjectivo de um objecto em devir», «um fragmento de futuro». Nada de definitivo, portanto, mas com um substrato de promessa em cada linha, como parece evidenciar o belo poema que fecha o livro. Com a plena consciência de que cada obra é talvez apenas a «máscara mortuária da sua intuição ou Ideia», um projecto em devir, como o da própria poesia para os Românticos. Ou uma inquirição permanente sobre o estado do mundo e os modos de nele estar, como parece ser mais o caso aqui. Nos dois livros do autor até agora escritos, é esse, e não o do <em>fait divers</em> pessoal em transfigurações mais ou menos felizes, o caminho seguido. E procurar ler um tempo, auscultar uma época pela poesia e com a poesia, é tarefa exigente e rara em tempos de hedonismo cego ou de poesia meramente descritiva, sem que a descrição se amplifique a uma dimensão maior.</p>
<p>Com <em>Negro Silêncio</em> estamos perante uma poesia do desencanto do mundo, visto como coisa fosca e tosca, sem redenção possível («Não há absolvição / apenas a ilusão de um recomeço», lemos no livro anterior a este). Quase apetece sofrer de astigmatismo, para ver o mundo desfocado (já numa peça do italiano Ugo Betti, <em>O Jogador</em>, o protagnista dizia: «Prefiro o nevoeiro: vê-se um pouco menos do mundo»!). Mas o poema sabe dessa <em>pan-hipocrisíade</em> global, desse «como se» do mundo – como se nele tudo estivesse em ordem. E o seu papel é o de desfazer essa ilusão; a sua arma, como acontece neste livro, é a de uma lucidez que constantemente o faz «emprenhar de espanto». Também a voz esculpida de Rui Chafes se não cansa de nos alertar para a banalidade e a dessacralização, a incapacidade de espanto, a que chegou a ponta crepuscular de uma época como a nossa, em que o cinismo e o mercantilismo imperam e o pensamento – como antes escreveu outro poeta da diferença, Fernando Guerreiro – já só «vai / buscar as imagens ao fundo / lodoso do túmulo».</p>
<p>Diferentes são os atalhos por onde se aventura este livro de Pedro Loureiro, desde as epígrafes que o inauguram. Com Rui Chafes, ele sabe que «é a poesia que tende a suprir o vazio…» (e o ruído do mundo). Com Llansol, aprende que o texto é, entre tantas outras coisas, o receptáculo do silêncio. Nas entrelinhas da poesia de Pedro Loureiro sente-se a presença do vazio pleno que responde à vacuidade borbulhante da <em>ágora</em> mundana. Aí, contra a «hemorragia de palavras», sentimos que «no negro baço / somos pura luz», e ouvimos «retinir um silêncio / que tudo vê / como um passado no corpo / uma cesura oculta / no ponto mais obscuro da palavra».</p>
<p>É para a luz desse ponto obscuro que parecem orientar-se os poemas deste livro. Neles, como sobre outros escreveu esse mentor e guia de Rui Chafes que foi Novalis, «as palavras entram em movimentos livres reveladores da alma do mundo, que as transformam em delicada medida e desenho das coisas».</p>
<p><strong>João Barrento</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/negro-silencio-uma-serie-a-partir-da-obra-de-rui-chafes/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Bosque branco</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/bosque-branco</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/bosque-branco#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Sep 2015 20:01:13 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=3162</guid>

					<description><![CDATA[Um bosque
Um barco

A lembrança do vento
O voo de um pássaro

Um número de ouro por toda a parte.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Uma criança inocente dorme em meu leito<br />
Com o nome do meu Amado.</p>
<p>Vem a cada manhã ressuscitar-me. <span style="color: #ffffff;">Maria Azenha</span></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/bosque-branco/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O Amoroso</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-amoroso</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/o-amoroso#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Aug 2015 20:09:54 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=3168</guid>

					<description><![CDATA[<p class="p1">e a língua descobre
essa sombra
de carne viva</p>
<p class="p1">entre as pernas</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Estes poemas de José Viale Moutinho são mais uma fulgurante comprovação do corpo a corpo da linguagem amorosa com a língua, que, na poesia poético-erótica se trava. Nela se dão a ler não só as múltiplas posições do amor in fieri, como no <em>Kama Sutra</em>, mas as figurações em que se vão declinando as suas pulsões e movimentos. Veja-se como essa conjugação se consuma, quando os sujeitos amorosos se enlaçam, numa entrega total à linguagem do corpo.</p>
<p><strong>JOSÉ AUGUSTO SEABRA</strong></p>
<p>Ao breve enxame de palavras que pousam neste livro, tão sabedoras do mel do afecto como da cera de que o favo se fabrica, discurso nenhum convirá, susceptível de lhe desinquietar o silêncio.</p>
<p><strong>MÁRIO CLÁUDIO</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/o-amoroso/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Mem(orais): poéticas de uma byxa-travesty preta de cortes</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/memorais-poeticas-de-uma-byxa-travesty-preta-de-cortes</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/memorais-poeticas-de-uma-byxa-travesty-preta-de-cortes#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Aug 2015 13:40:59 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=3659</guid>

					<description><![CDATA[Travesty. Sou e me encanta. Me dói e me espanta, me carrega e
me levanta. Me mundo me murra. Me luz de minha escura. Me
atravessa travessa. Espessa. Sentada na sarjeta, murro que tenta
me deixar murrada e pensando em toda minha curta e grande
estrada, espero… a esperança. Cansa. Mas cansa. Cansada dessa
paz branca manchada de sangue. Me Te Nós. Mete em mim e
não vejo o fim da dor. Voei pro sol demais e minhas asas derreteram, eram apenas uma cis-ilusão. Cai. Sentada eu me sangro no
mangue e penso em Deus, que Deus? Trago um dos meus poucos
cigarros: será que em algum dia poderei te perdoar?

(Mas eu sei ser trovão
e se eu sei ser trovão
que nada desfez
eu vou ser trovão
que nada desfaz)]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro Luna Souto Ferreira</h2>
<p>Sobre o que me tira o sono… Sobre o que sonho… Sobre o que me acorda, quem eu olho, quem me olha… O que me faz, o que me muda, a quem me ama, ao que me toca, a quem estava, a quem me morde, quem me devora, me engole, eu entro… Então hoje de noite me jogo, querendo cair, <em>com<br />
frio<br />
na<br />
barriga. </em></p>
<p>Diretamente da quadrilha das travas, escrita na língua e saberes das byxas, Luna escreve sobre o frio, no país que é o mais gelado pras travestis no mundo. Com gilete na boca, obrigada pelas escritas, de tudo que nos roubaram, retomaremos.</p>
<p>O que me liga é muito mais<br />
Que a opressão que nós sentimos,<br />
Que ser vítima do inimigo,<br />
Gozamo junta e nóiz tramamo<br />
As alegrias e nossos planos<br />
Do fim do mundo e arrasamo<br />
Nossa rede e retomando,<br />
Nosso ritmo rimando.<br />
Rimos juntas no solhando,<br />
Com corote e dançando,<br />
Eu aprendi a estar sozinha,<br />
A ser inteira, não metade,<br />
Conectada eu faço parte,<br />
Dou valor às amizades. <span style="color: #ffffff;">Luna Souto Ferreira</span></p>
<p><strong>Marcela Trava</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/memorais-poeticas-de-uma-byxa-travesty-preta-de-cortes/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Alguns mundos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/alguns-mundos</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/alguns-mundos#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Jul 2015 20:38:37 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=3203</guid>

					<description><![CDATA[É preciso
desfiar os dias
como figos na boca
enquanto o sol aperta
disparam gatilhos
contra a pele negra
no mesmo instante
tudo arde]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Onde ancorar hoje uma poesia ‘segura’ que não esteja em crise, que não refaça sistematicamente seus pontos de apoio e sustentação? <em>Alguns mundos</em> – livro de poesia de Virgínia Mota, parece partir deste lugar, ao assumir-se como objeto experimental em atmosfera de interrogação e abertura a múltiplos sentidos.</p>
<p>Contribui para isso o efeito produzido por uma voz lírica de tom impessoal que, mesmo quando interiorizada, retira desse processo não tanto uma marca individual, mas antes um apelo ao comum, à comunidade: e eu/eu não veio/eu não chegou/para dizer/eu é coisa/precisamente/eu é / nós/ assim/alvorada fora.</p>
<p>Refazendo um dos gestos fundadores da poesia moderna, (eu é / nós), o poema retorna aqui como não-coincidência entre o eu que escreve e aquele reconfigurado pela escrita. Sob a presença tutelar de Adília Lopes, todavia, este gesto refaz-se como negação autotélica e reinvenção de itinerários: “tão importante é lembrar quanto esquecer”.</p>
<p>É possível pressentir, na convocação desta poeta, uma proximidade com o procedimento poético que lhe é mais caro: a desconstrução. Como em Adília, a poesia de Virgínia percorre referências da cultura para as fazer ressurgir modificadas numa operação de montagem-desmontagem que recusa posições fixas e canônicas: “Chá preto e/bolachas de água e sal/fazem lembrar Marcel Proust”.</p>
<p>Inclui-se nesta operação um olhar sobre o humano, renovado por poemas em que a presença da animalidade parece propor certa transmutação. “Agora/eu era/um hipopótamo/um rio de hipopótamos”; “queria eu olhos de lebre / ver de repente/aves de rapina/ fugir do lince / ir espreguiçar”. Deste desejo de recuperação de um corpo-vivo aberto a movimentos e percepções, resulta este olhar poético nômade e ambulante, de sentidos expandidos para fora.</p>
<p>O que é possível depreender da leitura do conjunto destes poemas? Que eles não formam um conjunto exatamente, nem têm a pretensão de constituir uma totalidade. Não há motivos poéticos. Poetar é operação de linguagem, contornar objetos ou inventá-los, deter-se no limite do excesso das palavras. Poesia é o que se abre à imaginação e recusa o imperativo do real concreto. É preciso saber ler, não esperar pela morte ou vida dos poetas, quem lê ou não lê poesia somos nós.</p>
<p><strong>Madalena Vaz Pinto</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/alguns-mundos/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Last river together</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/last-river-together</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/last-river-together#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jul 2015 19:43:25 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=3130</guid>

					<description><![CDATA[tradução:
Pedro Spigolon

edição bilíngue
<p class="p1">Vocês, todos vocês, toda
essa carne que na rua
se amontoa, são
para mim alimento,
todos esses olhos
cobertos de ramelas, como quem jamais termina
de despertar, como se
olhassem sem ver ou apenas por sede
da absurda sanção de outro olhar,
todos vocês,
são para mim alimento, e o espanto
profundo de ter como único espelho
esses olhos de vidro, essa névoa
em que se cruzam os mortos, esse
é o preço que pago por meus alimentos.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Aqui, leitor, você encontra um dos maiores escritores que já passou pelo nosso mundo, aliás, nas próximas páginas há um poeta para além das amarras do tempo: Leopoldo María Panero (Madri, 16 de junho de 1948 – Ilhas Canárias, 05 de março de 2014).</p>
<p>Panero faz parte de uma tradição literária que encontra poesia no feio, no grotesco, no escândalo e que pensa o poema numa escuridão que ilumina, num inferno paradisíaco no qual surgem eletrochoques anarquistas, pederastas santos, bêbados lúcidos, vagabundos essências e o louco e o louco e o louco outra vez e uma vez mais, mostrando que no cárcere está a semente da liberdade e na falta de juízo, a sabedoria final. Opondo-se a todos os valores sociais vigentes, ele encontra numa poética da crueldade a sua própria cura.</p>
<p>Aos 21 anos foi internado pela primeira vez num manicômio pela sua mãe devido a sintomas de esquizofrenia que se desenvolveram durante o período em que esteve preso por razão de sua militância anti-franquista.  No fim dos anos 80, ele se internou noutro manicômio, Mondragón, e quase 10 anos depois ingressou no hospital psiquiátrico de Las Palmas de Gran Canaria, onde viveu até o dia de sua morte.</p>
<p>Por meio de sua escrita, conta-nos sobre sua vida de prisões, dores familiares, ressentimentos, tristezas. No entanto, não deixa fincar os pés no chão da lucidez, pois a loucura não passa de um sintoma social. Ao atacar a tudo e a todos, ao buscar inclusive sua própria destruição, declara seu profundo desprezo pelo mundo. A missão do poeta segue sendo a de proporcionar consciência crítica ante o suposto bem-estar da sociedade.</p>
<p>Querido leitor, Leopoldo mostrará que a verdade não é o mijo na calça, nem o olhar mirando o nada, tampouco nossos delírios de infância amaldiçoados por cachorros loucos e que o real habita uma criança morta, está nos reflexos dos retratos daqueles que esquecemos e impresso nos mapas dos continentes desaparecidos.</p>
<p>É mais do que necessário celebrar essa publicação, esse poeta, afinal, um dia Leopoldo esteve entre nós com o seu cigarro aceso e seu fumar de estrelas e mesmo que seu corpo já esteja putrefeito em simbiose com outras criaturas escuras, sua lucidez seguirá sendo uma serpente com asas a voar pelos séculos.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/last-river-together/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Aos outros só atiro o meu corpo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/aos-outros-so-atiro-o-meu-corpo</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/aos-outros-so-atiro-o-meu-corpo#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Jun 2015 20:20:25 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=2961</guid>

					<description><![CDATA[Exercitada: a matemática é ridiculamente feita
de desejo.
Dizemos que um intervalo é aberto quando
seus extremos não estão incluídos. Exemplo:
meus olhos, dois números irracionais
sobre a conta dos teus cafés da manhã
veja:

qualquer boca é metade de um beijo.

O corpo querendo 1 corpo a mais.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">S</span>obre este livro</h2>
<p>Existe literatura feminina? Essa pergunta nos é feita sempre a nós, poetas-mulheres, e de certa forma ela nos persegue. Ainda que gênero seja uma invenção, a divisão sexual do trabalho e os papeis sociais impostos às pessoas que se autoidentificam como mulheres* é muito real e esses fatores influenciam nossa escrita, óbvio, porque influencia a nossa vida. Assim sendo, é claro que existe uma literatura feminina, por mais raiva que eu sinta em aceitar. Só que esse aspecto, que por séculos foi limitação, vira elemento emancipador, a partir do momento em que nos acotovelamos para dar a nossa versão dos fatos: se é nesse mundo, e não em outro, que vivemos, e se as coisas são assim, e se há coisas que só um corpo de mulher sabe, então é disso, meu amor, desse corpo nesse mundo, de que falaremos.</p>
<p>Nesse sentido, a poesia de Maria Isabel Iorio vem como um coquetel molotov atirado por alguém que está sozinho, mas sozinho está no meio da multidão, dentro desse protesto infinito que é ser mulher, e que é ser mulher brasileira desde 2013. “Aos outros só atiro meu corpo”, que começa com a palavra <em>chupar</em> e termina com a palavra <em>falar</em>, é um livro sobre a solidão que historicamente nos persegue em todas as nossas facetas – poetas, mulheres, feministas, esquerdistas.</p>
<p>Como diz a própria autora, existem ofícios, hábitos e acontecimentos que só podem ser feitos quando estamos sozinhos – “cortar as unhas depois do banho”, “lembrar escovar os dentes de trás”. Ser preso político. Morrer. Morrer trabalhando. Morrer de desgosto, desistir. Morrer não em outro, mas <u>neste</u> mundo – o de Brumadinho, de Suzano, o de Damares, onde podemos contar com tão pouco, onde nem mesmo a dor é companhia certa, porque “parece que a dor também se atrasa”. Mas esse é o mesmo mundo onde nossos dedos tremem quando adentram o corpo que amamos, onde “qualquer boca é metade de um beijo”.</p>
<p>O livro de Maria Isabel Iorio não vai te afagar, talvez porque seja 2019, talvez porque ela confie que nós, seus leitores, precisamos menos de afago e mais de sustos. De menos aviso de gatilho e de mais coragem. Eu não sei o que Bel queria com esse livro, mas sei que ele está situado, pensando em nós e existindo entre nós, no Brasil 2019. É esse seu maior feito.</p>
<p><strong>Adelaide Ivánova</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/aos-outros-so-atiro-o-meu-corpo/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A mamã por cima dos telhados e o meu amor</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-mama-por-cima-dos-telhados-e-o-meu-amor</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/a-mama-por-cima-dos-telhados-e-o-meu-amor#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 May 2015 13:59:10 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=3229</guid>

					<description><![CDATA[<p class="p1">Há fotografias como punhais e poemas também
Todos os poemas que escreverei já foram escritos
Dou-me apenas ao ofício da névoa
De revelá-los em pedaços de argila</p>
<p class="p1">Neles todos estão impressos a chuva e o vento
E as folhas noviças dos séculos e
Meu pai e minha mãe que já partiram
Esvoaçando num passado remoto</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p class="p1">Los versos se sitúan como postales vivas. Cada palabra se ha escrito con la intensidad suficiente para estremecer al  lector, pues <em>A Mamã por cima dos Telhados </em><em>e o meu Amor</em> es un poemario lleno de imágenes, engranajes que conducen al dolor, la soledad, la muerte, pero también al amor y la esperanza. Una plegaria de hijas que reclaman, cuestionan e imploran a su madre súplicas concernientes a los tiempos de egoísmo y guerra.</p>
<p class="p1">Una madre encarnada en la historia, las manos, la memoria colectiva, la tierra y la vida misma. La propuesta poética de Maria Azenha plantea la observación de una maternidad desde diferentes prismas, pues en ella coexisten complicidad y el abandono, el lenguaje no verbal, las reminiscencias, la intuición y el silencio. La mamá, aquel motor inicial que da la vida y que puede acabar con ella. La búsqueda de sentido inmanente y trascendente.</p>
<p class="p1">Un libro escrito desde las entrañas. Una lectura necesaria y acorde a nuestro siglo, tan falto de besos y poesía, de abrazos y canciones.</p>
<p><strong>Daniela Sol</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/a-mama-por-cima-dos-telhados-e-o-meu-amor/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Carta lírica a otra mujer — antología poética</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/carta-lirica-a-otra-mujer-antologia-poetica</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/carta-lirica-a-otra-mujer-antologia-poetica#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 May 2015 18:34:45 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=2929</guid>

					<description><![CDATA[<p class="p1">Mis nervios están locos, en las venas
la sangre hierve, líquido de fuego
salta a mis labios donde finge luego
la alegría de todas las verbenas.</p>
<p class="p1">Tengo deseos de reír; las penas
que de donar a voluntad no alego,
hoy conmigo no juegan y yo juego
con la tristeza azul de que están llenas.</p>
<p class="p1">El mundo late; toda su armonía
la siento tan vibrante que hago mía
cuando escancio en su trova de hechicera.</p>
<p class="p1">Es que abrí la ventana hace un momento
y en las alas finísimas del viento
me ha traído su sol la primavera.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p class="p1"><span class="s1">“</span>por su sencillez, por su sobriedad, por su escasa manifestación de emotividad, por su profundidad sin transcendentalismos. Y sobre todo por su información, propia de una mujer de gran ciudad, que ha pasado tocándolo todo e incorporándoselo.</p>
<p class="p1">Extraordinaria la cabeza, pero no por rasgos ingratos, sino por un cabello enteramente plateado, que hace el marco de un rostro de veinticinco años.</p>
<p class="p1">Su cabello, más hermoso no he visto; es extraño, como lo fuera la luz de la luna a mediodía. Era dorado, y alguna dulzura rubia quedaba todavía en los gajos blancos.</p>
<p class="p1">El ojo azul, la empinada nariz francesa, muy graciosa, y la piel rosada, le dan alguna cosa infantil que desmiente la conversación sagaz y de mujer madura”</p>
<p><strong>Gabriela Mistral</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/carta-lirica-a-otra-mujer-antologia-poetica/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Amor peixes e outras loucuras</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/amor-peixes-e-outras-loucuras</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/amor-peixes-e-outras-loucuras#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 May 2015 14:05:39 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=3234</guid>

					<description><![CDATA[<p class="p1">Fui o Diabo de alguém a troco de compulsivo
Amor nos braços de outrem. Queixava-se do tempo
que tinha o corpo trocado com o inferno
vestidos de Lolita, uma ninfeta sem amparo —
e um pacto quebrado que impede os sobrelimites
da escrita – e do andamento nefasto da morte:
do consumo exasperado de literatura a troco
de umas poucas moedas de vida. Banalidades
que desaprendo com a virtude de desconhecer
a mão perversa que guia todos os poemas:
Sou-o por mim e de mais ninguém, alegras-me,
solidão de memória, inventada para todas as ocasiões
tal qual o vestido negro que dispo perante
Anjos Caídos, figuras celestiais à coca
de paranoias inventadas – redenções e outros
desgostos vívidos da fantasia que teima a vigilância
do demónio Maior Amor, Corpo torpe que cai-cai
e brilha a música que preenche o vazio e é
orquestra de espirito sem maestro. <span style="color: #ffffff;">Lígia Reyes</span></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p class="p1">Três temas se destacam ao longo desta obra: o esquecimento, a lucidez e a individualidade. Não fosse a segunda parte do livro apelidada de “outros exercícios de loucura”, pois sabemos que precisamente estas três componentes são parte essencial da identificação de um estado mental saudável. Contudo, a transfiguração da memória, o entendimento do que é ou não lúcido, assim como o respeito pelas individualidades são dimensões transversais a toda a gente. Não é só o sujeito poético que as atravessa, mas sim todos os leitores. Somos todos produtos de exercícios repetidos de loucura e de sentimentos absolutamente incompreensíveis, como os dos peixes. No poema “Noturno”, o sujeito poético fala das construções de abstração tridimensional como forma que cada ser humano tem de construir a sua realidade, “poemas exaltados sobre a nossa condição humana,/ mas frágil e de beleza vulnerável”. A poesia é encarada pelo sujeito poético como uma interpretação sempre do leitor, visível no poema “Estirpe”: “Revês um poema à espera de vislumbrar alguém;/és só tu, preso ao espelho em que te admiras”. O silêncio ensurdecedor do poema é reflexo da condição humana, do Amor Peixe, também ele indecifrável mas com tantas implicações emocionais. É o poeta apaixonado por um abismo que se atreve a metamorfosear o universo interior na forma poética. Nesta inércia física, o despertador é música que toca alarmando a cardíaca inércia uma vez que lá fora já é dia há muitos anos.</p>
<p><strong>Sara F. Costa</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/amor-peixes-e-outras-loucuras/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Astigmatismo ou redenção</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/astigmatismo-ou-redencao</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/astigmatismo-ou-redencao#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 May 2015 20:46:10 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=2965</guid>

					<description><![CDATA[<p class="p1">Ilustrado por Inma Serrano &#38; José Louro</p>
<p class="p1">Não há absolvição
apenas a ilusão de um recomeço
a subversão do ontem
perfídia disfarçada
urdindo formações de desalojados
saciando a abstinência virulenta
cabeças que cortam cabeças
matilhas de pássaros orgânicos
causando a obstipação dos profetas</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2>Sobre este livro</h2>
<p class="p1">Astigmatismo ou redenção é um livro felizmente sem chave que coloca, ao mesmo tempo, em cena a bruma e o brilho, a morte e a claridade, a mesa (farta de ser) e a sua severidade. No final, não há uma única palavra que se sinta circunscrita, pois aquilo que se salva acaba sempre por escapar ao insondável. Matéria exposta, pois então. <span style="color: #ffffff;">Pedro Loureiro</span></p>
<p class="p2"><strong>Luis Carmelo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/astigmatismo-ou-redencao/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Água forte</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/agua-forte</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/agua-forte#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 May 2015 17:15:48 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=2982</guid>

					<description><![CDATA[fervem nos ombros
dos montes
as pedras do silêncio

e isto podia ser o mundo
ou a casa onde a morte
se cansa de mentir

no céu, só os restos
dum incêndio trabalham
esta febre do olhar

toda a tarde
te respiro por entre
as árvores submersas!

estou tão quente
como um fruto
que o sol ferrou

só, só eu
te sei cantar
até seres chuva

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>O tempo gera seus frutos na escuridão da terra, isso é fato. No entanto, o caminho que a semente percorrerá até virar colheita é misterioso. Não podemos prever o rumo dos ventos, nem o número de eras que tardará, nem o instante preciso em que a vida se faz. Foi nesse emaranhado de destinos que conheci Gil T. Sousa.</p>
<p>Seria ingênuo e pretensioso de minha parte descrever o tamanho desta obra. “Água forte” é um livro precioso que guarda “geografas de sangue”, “apodrece dilúvios” e que nos mostra que não se pode apreender rostos apenas contemplando quadros. Seus versos falam da imensidão de nosso breve suspiro no mundo, de nossa finitude, mas não se esquecem de revelar a eternidade das pequenas coisas, como algum amor que um dia esteve logo ali e hoje lateja apenas na memória, numa paisagem ou em algum gesto antigo. A poesia, neste livro, se faz do exercício diário de experimentar os olhos além da geografa cotidiana. Por isso é preciso ter coragem, derrubando os muros que guardam aquilo que não podemos ver, até que reste apenas “o silêncio se curvando como um animal sem voz» e escutemos, por fim, a profusão de pássaros escondidos nas palavras desse poeta.</p>
<p>Não tenho dúvidas da força tempestuosa e da bonança contida nas páginas a seguir, por onde saltam angústia, místicas manhãs, rumores de estações anônimas, e de onde a esperança não se esvai, mesmo quando o desconhecido emerge das cinzas em círculos de fogo.</p>
<p>Além de sua belíssima obra, Gil também contribui de maneira efetiva para a difusão desta linguagem chamada poesia, pesquisando e divulgando inúmeros autores. Talvez esse trabalho tenha sido um dos diversos fatores que construíram sua voz singular, afinal de contas, conhecer aquilo que já foi feito ajuda a traçar novas veredas.</p>
<p>Meu caro Gil T. Sousa, quando despertarem os últimos poetas e as aves solitárias me conduzirem para além dos bares, eu tomarei de teu cálice, juntos brindaremos a solidão dos deuses e te agradecerei por me “ensinar como regressar às palavras que abandonei e abraçá-las como filhos perdoados”.</p>
<p><strong>Tiago Fabris Rendelli</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/agua-forte/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Outono azul a sul</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/outono-azul-a-sul</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/outono-azul-a-sul#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 May 2015 17:32:11 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=2991</guid>

					<description><![CDATA[é uma entrada de luz por um furo
que pode ser um poro
e a luz pode ser um touro
o amor pode ser um apuro
uma brutalidade
e pra retirar o bicho cirurgicamente
pode ser duro
pode ser duradouro
uma eternidade
tecnicamente uma fraude
um silogismo indecente
há um sismógrafo no escuro
que pode ser um soro
o sangue sumidouro
daí o amor pode ser puro
novamente (e novamente)]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p class="p1">Belíssimo, outono azul a sul é como uma onda que nos arrasta desde a primeira linha até lugares impossíveis de prever. É tão raro encontrar um verdadeiro poeta.</p>
<p class="p1"><strong>Ana Teresa Pereira</strong></p>
<p class="p1">Prêmio Oceanos 2017</p>
<p class="p1">Entre Lisboa e Rio de Janeiro, desponta um novo canto, herdeiro do vento, do desconcerto e do lírico. Assim é a poesia de Calí Boreaz, geografia do tempo, em seu instante forte e delicado. Uma estreia vigorosa, uma noite que grita, para dizer o mínimo.</p>
<p class="p1"><strong>Paula Fábrio</strong><br />
Prêmio São Paulo de Literatura 2013</p>
<p class="p1">Ao se dar a conhecer em versos de paixão precisa, Calí Boreaz é a poesia e nela aponta novos sentidos. Rosa dos ventos que, colhida de abismos marinhos, exala perfume de “maresia distante”. Seguimos viagem. No rumo ou à deriva, que importa se são seus versos a nos soprar as velas?</p>
<p class="p1"><strong>Francisco Azevedo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/outono-azul-a-sul/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Aforismos de Zürau</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/aforismos-de-zurau</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/aforismos-de-zurau#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2015 18:25:55 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=3287</guid>

					<description><![CDATA[Traduzido por <span style="color: #ff0000;"><a style="color: #ff0000;" href="https://editoraurutau.com/autor/tomaz-amorim-izabel"><strong>Tomaz Amorim Izabel</strong></a></span>

O momento decisivo do desenvolvimento humano é permanente. Daí terem razão os movimentos revolucionários espirituais quando declaram nulo todo o antes, pois nada aconteceu ainda.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Traduzir Kafka é ao mesmo tempo uma tarefa dificílima e imprescindível. Dificílima porque a simplicidade do léxico, a singeleza das palavras tomadas uma a uma, contrasta absurdamente com o caráter enigmático gerado por sua combinação, aquele “como assim?” que nos persegue à medida que percorremos uma escrita que, entrelaçada por silêncio e vazio, nunca abre mão de uma fidelidade à lógica. É interessante perceber que nosso desconcerto e o impulso à decifração que o acompanha são eles mesmos núcleos de conteúdo da ficção kafkiana. Por isso, é imprescindível traduzir Kafka; as diversas tentativas de acomodação da sua língua ao português não são meros exercícios de sinonímia ou de escolha vocabular, mas, na verdade, interpretações, propostas de desvelamento de uma obra que parece se recusar a ser idêntica a si própria. Para dizer com outras palavras, e de maneira algo paradoxal, as traduções, necessariamente díspares e divergentes, contribuem para a configuração do texto original, que nelas se manifesta e se desdobra. (Note que sob essa perspectiva é mais interessante falar português do que alemão.) Nos Aforismos de Zürau, esse estado de coisas atinge o grau máximo e a composição fragmentária aparenta desdenhar da continuidade do sentido, tanto em cada aforismo<br />
quanto na sua sintaxe, no encadeamento de um a outro. Como bem aponta Tomaz Amorim na introdução, trata-se de uma obra dotada de um ímpeto teológico, mas que em nada prejudica seu valor para uma preocupação laica com a interpretação. De fato, o místico aqui combina com o mistério do moderno, e o desejo religioso por um mundo reconciliado não difere tanto da ânsia revolucionária por um mundo completamente outro. É diante de tudo isso que surge o mérito da presente tradução, corajosa, de Tomaz Amorim. O domínio do alemão por parte do tradutor, a opção por uma edição bilíngue, o cuidado gráfico, que não espreme as palavras, mas lhes proporciona amplos espaços em branco – tudo isso contribui para a aclimatação de Kafka à lusofonia – tanto a tropical quanto a temperada – em um processo que nunca será orgânico ou sem fissuras, mas que enriquecerá ambas as partes.</p>
<p><strong>Fabio Akcelrud Durão</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/aforismos-de-zurau/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A casa de ler no escuro</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-casa-de-ler-no-escuro</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/a-casa-de-ler-no-escuro#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Feb 2015 16:52:40 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=3266</guid>

					<description><![CDATA[<p class="p1">Cheguei há poucas horas.
Os sons do mundo são carvões acesos no meio do escuro.
Minha boca gizada a diamantes de sangue
rasga poentes com lenços negros de seda.
A linha do horizonte é uma águia vermelha.</p>
<p class="p1">O poema tomba.</p>

<h2></h2>
&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p class="p1">Há uma parede branca com um poema esmagado<br />
dentro do peito.<br />
É filho da neve e do Castelo do Medo<br />
— um homem abandonado à sua sede —<br />
cujo cadáver clama por ele.</p>
<p class="p1">Vive e chora no Labirinto de Dédalo.</p>
<p class="p1">Urina sem piedade<br />
nas mãos de Deus.</p>
<p>(Século vinte e um, página 51)</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/a-casa-de-ler-no-escuro/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Xeque-mate</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/xeque-mate</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/xeque-mate#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Feb 2015 16:56:38 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=3269</guid>

					<description><![CDATA[<p class="p1">Caem flores submersas no coração das mães.
Digo-te como a uma criança, vem</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p class="p1">há dois tipos de circo: um<br />
com<br />
palhaços<br />
a<br />
fingir</p>
<p class="p1">outro<br />
com<br />
palhaços</p>
<p class="p1">a<br />
sério</p>
<p class="p1">(Página 33: o circo)</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/xeque-mate/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Thats all folks!</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/thats-all-folks</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/thats-all-folks#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Jan 2015 17:20:03 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=3275</guid>

					<description><![CDATA[<p class="p1">Senhoras e senhores, meninos e meninas
bem-vindos ao maior espectáculo do mundo</p>
<p class="p1">o poema do poeta “One Man Show”</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p class="p1">Desceu o gelo<br />
e agora tudo está no osso<br />
aguarda-se a todo o momento<br />
o som de algo a quebrar-se<br />
a integridade destruída<br />
accionada por uma força ímpia<br />
riem-se as peles de marta<br />
a tapar as partes pudibundas<br />
perante os pés entrapados<br />
pela vastidão do medo<br />
as baratas escondem-se no calor<br />
por baixo dos destroços das palavras<br />
e consomem o último gomo são<br />
de uma laranja apodrecida<br />
que enxameia todas as cores<br />
muros erguem-se invisíveis<br />
a aplacar memórias<br />
que tremem no ar de gasolina<br />
a ignorância brota<br />
da casca grossa do esquecimento<br />
e pisa tudo para trás<br />
venha pois o deserto<br />
independente e livre<br />
repor a verdade do escorpião<br />
porque aqui faz frio<br />
foda-se aqui faz muito frio</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://editoraurutau.com/titulo/thats-all-folks/feed</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
