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	<title>Poesia Portuguesa &#8211; Editora Urutau</title>
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		<title>Sal nas Feridas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 11:44:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[enfiei-me num campo
onde o arame farpado
percorre 14 hectares
de silêncio
para manter cativa
a língua
em vias de extinção

(página 14)

&#160;
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>10% de desconto</strong></span>
<span style="color: #ff0000;"><strong>PRÉ-VENDA ATÉ 24/05/2026.</strong></span></p>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>Os livros serão enviados no prazo máximo de 15 dias após o término da pré-venda</strong></span></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os poemas são verbos.<em> Sal nas Feridas</em> acomoda nas ações de meter, passar, esfregar, lavar e arder a subjetividade do sentimento proposto pelo ato. Um livro feito de palavras-flechas. Sensorial abastecimento de uma voz elegante entornada em linguagem despudorada. Poemas maduros em preparo, enquanto crus e bonitos de morrer em convulsões que trazem à tona a escrita e seu desejo.</p>
<p><strong>Nara Vidal</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Falta muito para o meteorito?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Apr 2026 09:55:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[​​pequenas gotas
aumentam o sol
que tatua a janela

a mão aberta e vaga
repousa na mesa fria
entre grainhas espalhadas

a violência de uma cama desfeita
fruta velha à espreita
árvores mortas em flor

ouve-se o mar ao longe
escondido de improviso
na sombra da paisagem nua

<em>Natureza-morta da tua ausência</em> (I), página 28
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>10% de desconto</strong></span>
<span style="color: #ff0000;"><strong>PRÉ-VENDA ATÉ 24/05/2026.</strong></span></p>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>Os livros serão enviados no prazo máximo de 15 dias após o término da pré-venda</strong></span></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Luís A. Fernandes percorre o espaço da casa, empoleira-se à janela, e observa a cidade. Diante de si, do reflexo, espera aqueles que vão dormir; também um menino, talvez o poeta, ele próprio, seu filho (re)nascido do ventre da urbe. Os versos de Fernandes são as palavras aflitas desse menino reflectido, tomadas por um choro que se cala à procura de gritar. “Vês filho todos dormem menos nós”, também assim nos silencia o poeta propondo-nos, contudo, o grito calado; e a poesia de Fernandes faz-nos gritar, como meninos calados gritando e chorando à dor, talvez prestes a sonhar. “Com o que sonha uma criança acabada de nascer?”. Atentos, escutamos estes versos para podermos imaginar o que infelizmente já conhecemos porque aprendemos, precisamente, a imaginar. Até ao limite do cansaço, do grito e do choro. Eu diria que os versos de Fernandes são o embalo dessa exaustão, sossegando a figura que teima em mover-se imperceptível num quadro de uma natureza-morta pronta a tomar-se de vida.</p>
<p><strong>Francisco Mota Saraiva</strong><br />
romancista e Prémio Saramago em 2024</p>
<p>Falta muito para o meteorito? poderiam ser imagens que o Luís rouba à cidade para, depois da errância, nos devolver, a nós, leitores, com os modos de uma linguagem que condensa num fluxo que, ora acima, ora abaixo, parece não chegar a bater nem num teto nem num chão. Talvez este livro seja um convite que o poeta dirige para uma caminhada poética, daquelas que têm início na memória, transitando por futuros possíveis até ao instante em que o embate com a contingência caótica, extremista e extremada faz com que o corpo atravesse a sombra de ruelas, passeios, becos, numa busca insaciável das coisas e dos seres que ainda vivem. Porque só quem sabe que tem um porto seguro, se arrisca a partir. Só quem sabe construir segurança a partir das ruínas, daquele fragmento que ilumina um dia inteiro, de um raio de sol que rasga o céu negro. Este livro, travessia do ódio até ao que resta do amor, mas amor, é canto que eleva as coisas simples, criando sentido para o dia-a-dia, numa voz poética que, em sol menor, discreta, se tem tornado mais coesa, limpa, certeira. Um livro para se sentir o prazer de viajar sem sair do lugar.</p>
<p><strong>José Oliveira Pinto</strong><br />
poeta e editor da revista Txon</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Arquiteturas da ausência</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/arquiteturas-da-ausencia</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2026 13:00:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Tenho dificuldade
grave e séria
em compreender por que te encolhes
atrás dessa cortina de fumo denso.
Desenhei as tuas lágrimas.
Supliquei que não as escorresses
olhos fora. Lembras-te
que quase perdeste um!?
Um olho, um dente,
todos juntos, e eu
que gritava loucamente
para te salvar.

Há muito fumo entre nós.
Sempre.

(<em>Sobre o fum</em>o, página 52)
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>10% de desconto</strong></span>
<span style="color: #ff0000;"><strong>PRÉ-VENDA ATÉ 24/05/2026.</strong></span></p>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>Os livros serão enviados no prazo máximo de 15 dias após o término da pré-venda.</strong></span></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Ana Luísa, nesta estreia com Arquiteturas da ausência, partilha a geografia íntima, a cartografia do invisível, onde “em cada espaço, há um vazio que o ampara.” Pois a ausência não surge aqui como falha, mas como estrutura, como a arquitetura secreta de um relicário de reminiscências.<br />
Este primeiro livro afirma uma voz que compreende que habitar é também perder, e que todo espaço guarda a marca do que o atravessou, e que todos os espaços e corpos em nós deixam marcas.<br />
Neste poemário, Ana Luísa reúne um conjunto de poemas votados ao vazio, ao amor, ao desamor, não de esquiva, a convidar-nos a percorrer a nossa “casa” interior e outros espaços “lá fora” por nós percorridos, e, através da sua escrita, a escutar o que em nós é também ausência e ainda persiste.</p>
<p><strong>Yara Nakahanda Monteiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>As raposas estão a arder</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/as-raposas-estao-a-arder</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Apr 2026 11:13:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Mataram todas as minhas sombras.
Já não há mais.
Como faço?
Vou para onde apanhar sombra?
As sombras onde bebi leite da minha mãe
Onde apanhei os primeiros galhos caídos
para a fogueira de casa
As sombras que cheiravam a tojo, urze e pinheiro
As sombras dos meus pulmões, dos pirilampos,
dos javalis, das pedras,
dos penedos, das abelhas, das libélulas,
As sombras do meu sol
Já não há mais.
Nunca mais,
Nunca mais serão iguais
E as raposas? Alguém as viu?

(<em>As minhas sombras</em>, página 45)

&#160;
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>10% de desconto</strong></span>
<span style="color: #ff0000;"><strong>PRÉ-VENDA ATÉ 24/05/2026.</strong></span></p>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>Os livros serão enviados no prazo máximo de 15 dias após o término da pré-venda.</strong></span></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O fogo arde. O fogo limpa. Entre as cinzas talvez não se perceba a diferença.<br />
Mas o fogo sobretudo queima e deixa cicatriz.<br />
Sob o olhar astuto de uma raposa, Senhor Vulcão vai abrindo brechas de zanga, crueza, espanto e renascimento. Da brutalidade cavernosa do ser humano aos ventos de esperança de terras intocadas, viajamos pelo meio de árvores inocentes e desprevenidas, como espectadores inertes.<br />
Quem sabe se ainda vamos a tempo?</p>
<p><strong>Rita Redshoes</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Uma pequena fome</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/uma-pequena-fome</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Apr 2026 12:41:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Oscilar
Entre o mar, a areia
Entre a quebra e a crença

Afundar
Na recusa do precipício

Vento no rosto, cabelo desenhando o ar
Grito afinal mudo, roupa presa
Sal do inverno
Revolto

Cair e ficar
Imóvel

Apesar do temor

(página 15)
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>10% de desconto</strong></span>
<span style="color: #ff0000;"><strong>PRÉ-VENDA ATÉ 10/05/2026.</strong></span></p>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>Os livros serão enviados no prazo máximo de 15 dias após o término da pré-venda.</strong></span></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Na primavera de um ano como o de dois mil e vinte e seis, Teresa Leão traz-nos Uma pequena fome.<br />
À primeira vista, temos um livro que estreia.<br />
Um primeiro livro que poderia ser um verso longo, muito longo, feito de fruto inteiro em cesta de vime.<br />
Nota-se o cuidado de alguém que queria colher o fruto, sim, mas maduro: há um olhar atento ao movimento das casas e uma falta de pressa que só as memórias antigas carregam.<br />
É precisamente aí que questiono esta ideia de inauguração; a escrita de Teresa Leão está já acostumada a um corpo sensível que perfaz as metáforas receptivas, o corpo poroso que quer esculpi-las na parte física e sensível do signo.<br />
Ouve-se a lentidão da tarde que cai sobre o verso; a fotografia projetando o tempo em cianotipia, ou, como escreve, o silêncio sentado na casa vazia / estremecido / mãos enleadas / a sós.<br />
Neste seríssimo exercício de observação, a Teresa que escreve — ou a musa que faz a Teresa escrever, porque não acredito em sujeitas poéticas, muito menos sujeitos — senta-se numa e muitas esplanadas. Os miradouros que escolhe são um pretexto para olhar por dentro o lado de fora do mundo. Nesse universo do concreto que facilmente se fundirá com aquilo que não se vê, Ruy Belo chega e senta-se também. Como num verso seu, pergunta-lhe, “Não achas que a esplanada é uma pequena pátria a que somos fiéis?”, e habitam esse silêncio.</p>
<p>Mas que não se antecipe neste país de solitude a flecha previsível do solilóquio: como na “ilha de edição” de Waly Salomão, o caderno aberto em figuração assume a responsabilidade de desalinhar o que imaginávamos ser estanque, mas que afinal é um complexo jogo de sombras a perseguir — a voracidade é, aqui, feita coisa que carrega o fruto, e não o seu contrário.<br />
Há então que fazer contas ao que sobrou:<br />
A alforria paga pela náusea conversa com a precariedade quotidiana (a da fragilidade do que é diáfano e quebrável, não a da mesquinhez da desigualdade absurda). É a paisagem “humana, demasiado humana” que se vê da esplanada que desaforadamente segura o fio dos afectos que dão sentido às perguntas, territórios perenes, engolidas entre bombardeamentos e sismos, cirurgias a peito aberto.<br />
A linha da vida que parece amparar é a mesma que se dispõe frente ao precipício: afinal de contas, não houve tempo de arrumar / Os destroços, / As cartas.<br />
Mas eis que subitamente surgem, desavergonhadas, rosas muito vivas, peixes imaginários, o sabor a cereja. E a vontade de permanecer à mesa resiste.<br />
A quem vier para esta colheita, que observe o fruto: uma pequena fome, / o sonho em esquisso. A inteireza do olhar que o compõe no tempo.</p>
<p><strong>Francisca Camelo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Mirtilos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/mirtilos</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 09:55:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[É preciso apagar
esta palavra
dentro de mim
desdizer-me para
me limpar
pestanejar
até que se varra da minha
retina
e
a luz possa por fim
voltar a entrar

A memória é o meu habeas corpus.

(<em>O perdão</em>, página 25)
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>10% de desconto</strong></span>
<span style="color: #ff0000;"><strong>PRÉ-VENDA ATÉ 10/05/2026.</strong></span></p>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>Os livros serão enviados no prazo máximo de 15 dias após o término da pré-venda.</strong></span></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Cresceu numa aldeia, a ver sementes germinar, flores a cair, regas regulares e frutos colhidos. Mirtilos.<br />
Hoje vive num jardim, onde cultiva poemas nostálgicos, introspetivos, rítmicos e cativantes. A cada verso e meio verso, fugimos para o corpo em crescimento, a mente oscilante, ou a qualquer instante já esquecido, respirando o sopro do campo antes que a rotina nos reclame.<br />
A menina sonhou. A menina escreveu.<br />
A mulher sonha. A mulher continuará a escrever.</p>
<p><strong>Daniela Carvalho</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Elegia dos mitos quotidianos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/elegia-dos-mitos-quotidianos</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Mar 2026 18:08:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Esbracejamos para ainda ficar
À tona d’água, à beira-mar.
Um dínamo profundo nos impele
Nessa peleja, a morte à flor da pele,
O que fica são restos,
Memória para os mais lestos.

Ao longe, mas que formigueiro admirável!
Gentes pequenas, mas d’ânimo indomável.

(<em>Binóculo</em>, página 159)
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>10% de desconto</strong></span>
<span style="color: #ff0000;"><strong>PRÉ-VENDA ATÉ 27/04/2026.</strong></span></p>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>Os livros serão enviados no prazo máximo de 15 dias após o término da pré-venda.</strong></span></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Ser humano, voltar à essência, nunca foi tão necessário, ou mais, nunca foi tão urgente. A poesia é justamente esta força pujante que Paulo Ferreira da Cunha, através dos seus poemas, nos convida a resgatar, retirando-nos da opacidade e da alienação por um meio que os mais incautos chamariam paradoxalmente de alienante, o poema.<br />
É no jogo das palavras, com leveza, que o espírito se torna pleno e vê o que os olhos atentos e os pés no chão têm dificuldade para enxergar. Paulo Ferreira da Cunha traz temas importantes, críticas e questionamentos necessários para um mundo que se desabituou de pensar, mas continua ainda a ouvir, escolha perigosa que permite àqueles que falam metamorfosear, nas palavras de nosso autor no poema Miragens, a própria realidade sem que se perceba. Eis um tempo carente de poesia, eis um tempo carente de lucidez.<br />
Neste livro o leitor encontra questionamentos de diversas naturezas, mas todos eles dedicados ao humano, à nossa essência, dilemas, relações, realidade. Nesta obra ouve-se a voz elegante e eloquente de um autor cuja perspicácia nos convida a pensar. Que bom que temos poetas em tempos indigentes!<br />
Mário Quintana disse que poemas são passarinhos. Que possamos nos valer das asas dos poemas que Paulo Ferreira da Cunha nos oferece para voar. (Trecho do prefácio)</p>
<p><strong>Karine Salgado</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Parir montanhas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/parir-montanhas</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Feb 2026 09:56:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[podia só ser nós a
ser as onças nas
ondas a pular no
ar, chora xuxu,
rabos nudes pele
de golfinho e as
mitocôndrias
milénios de
amizade, célula e
fauna e flora, tudo
é bicho entre o ar
dos nossos espaços, ácaros hackeiam, como não
a língua do vírus concha aberta e nós leitantes
a primeira vacina do mundo veio da vaca, sempre mãe
já no princípio éramos guelra e verbo nenhum

(página 9)
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>
&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Dizem que o raio é um dos criadores. Que a cavalo nele, ela pode aparecer aí em qualquer momento. Que foi assim que eles chegaram, invertendo as ordens. Mas no princípio ela já estava lá. Sentada numa pedra, num tricot muito antigo que junta concha, que afia os ossos em fios muito miudinhos. Nós ainda agora aqui chegámos mas ela já lá estava.<br />
Cátia Sá hidrata a linguagem que, liberta do feitiço do alfabeto, logo expande os seus limites. São os peixes por ancas. São os rios. É o sangue na guelra, é a lava. Pororocou. Pródiga em abrir dois faróis imensos no fundo do fundo, lá onde ninguém quer ir e ela nada, desenvolta. Tudo o que nomeia fica no seu lugar. Isso é mais que uma dulcíssima, bruta ordem — isso é poder. Poder ver. E ainda dá de beber? Isso é mais do que entrega — isso é ternura da crua. Crua mãmã.<br />
Tudo o que nomeia fica em seu lugar: Veja como tudo na sua ausência fica tranquilo, e na presença ganha uma ginga de casquinhos. É um animal, não morde por mal. Catia Sá já veio, foi conjurada desde o poder quando não havia verbo nenhum: atentos à vibração do ronrom que abre as portas, as corolas, os mamilos. Chegou a que vem dar de mamar ao chão.</p>
<p><strong>Maria Archer</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>De uma membrana vítrea nasceram espectros</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/de-uma-membrana-vitrea-nasceram-espectros</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Feb 2026 10:32:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Quem diz uma mulher, diz: falésias horizontais —
uma longa jornada em direção aos meridianos.

(<em>Tempestade solar</em>, pág. 16)
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A tensão que se condensa no vidro, anacronicamente comportando os atravessamentos dos tempos na sua transparência, que muito esconde ao supostamente revelar: é a ilusão angustiada que Erika Rodrigues parece colocar-nos prestes a tocar em De uma membrana vítrea nasceram espectros. Lá, onde os elementos se confundem com movimentos, ritmos e imaginários. O futuro e o passado aliam-se no instante à dissidência do presente, no qual já não se pode tatear, pensar, sentir, senão como uma fratura. Pensa-se o futuro do dizer a partir do retorno hieroglífico à falsa origem da escrita. As ondas deslocam-se, já em movimento, nos cabelos encaracolados conduzidos pelo vento, a desembocar nos grãos de areia deslizantes, que assumem a dissolução e a reconstituição constante de tudo. Enche-se, aos punhados, a boca de uma sinestesia que mistura a chuva com a terra que pressente o choro dos céus. O musgo do Jardim, a ferrugem que se humedece nos pregos, a madeira que estala e se torna carvão, anunciam essa subversão do tempo que passa, marcando a distância necessária para a produção de organismos-palavras, de mofos-flores, que se unem na sua distância, e a despeito dela. A obra compõe-se de quatro momentos, quatro movimentos, quatro gestos dessa fratura vítrea, a partir da qual nasceram os espectros rebentos, que carregam a membrana-translúcida, o corpo-terra, as formas-dispersão e o peso-corte. Em “Teu corpo de ondas, Helena”, as planícies, os campos, os ventos, os mares amalgamam-se com a indecidibilidade e a esperança da matéria em um dia chegar a ser inteira. Em “Tua boca de terra, existe”, o corpo, já despido da sua pele, choca-se com a metamorfose fértil do seu futuro, que permanece promessa. Em “Tua forma, incógnita”, estes deslimites são testados na transparência que vela a inefabilidade para, enfim, em “Teu peso humano, espada”, sentir o espectro a assombrar esse devir com passados intocáveis, exceto por seus rastos em musgo, mofo, fungos, sarcófagos e subtração. A poesia de Erika Rodrigues espanta ao inscrever-nos num movimento que não cessa e que nos joga ao mar, de frente à miragem de um dia, enfim, tocarmos o dedo de Deus.</p>
<p><strong>Mayara Dionizio</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Pérolas e malaguetas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/perolas-e-malaguetas</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/perolas-e-malaguetas#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Jan 2026 10:10:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[nem tudo o que arde
está em chamas
o silêncio queima

(página 18)
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Não há elefantes na sala, há grãos de areia. A engrenagem para, o olho lacrimeja. Parece tolo, inocente, inócuo, mas basta para gerar incómodo. PÉROLAS E MALAGUETAS é um jogo de palavras, um conjunto de poemas curtos e aforismos, que evocam a brevidade da linguagem. É a recusa do enorme, agigantando o minúsculo. Poemas não-poemas, não-sistema, não-restritos, não-específicos, o léxico brincando às escondidas, esconde-esconde, a efemeridade. Um lugar de possibilidades acessíveis, uma ponte para a marginalidade das reflexões sobre a vida, o tempo e as emoções. O livro captura o pestanejar, o estalar de dedos, o voo dos pássaros numa gaiola com a porta aberta. Os seus não-textos não se constroem no excesso, antes se excedem na fricção do gesto. A brevidade não é economia formal, é uma posição ética que valoriza o que passa depressa, mas deixa marca suficiente para o regresso. Desperta a delicadeza e a ardência, o brilho e a ferida, o que alimenta e o que provoca. A linguagem aproxima-se da oralidade, mas não se acomoda — brinca, desloca-se, incomoda. Pérolas ornamentam, malaguetas inflamam. Não existe uma linha reta nem promessa de futuro, aceita-se o instável como o equilíbrio possível,<br />
uma leveza que não ignora o peso do perigo do que é exposto. Irónico, repetitivo, conflituoso: o atrito como abrigo para a desconstrução do que é imposto. Não há progenitores, nem prole. Há linguajares, linguarudos, dando à língua, recusando normas fixas e sentidos únicos. PÉROLAS E MALAGUETAS não oferece respostas estáveis nem estáticas, mas um desconforto fértil à construção contínua de quem o lê. A palavra é molde e matéria.</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>E se a orelha disser porque não sou olho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Jan 2026 09:41:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[quis prestar-me à gesta do corpo
a sucessão do cordão que amarra a minha boca
à minha mão
escrever com cuspo
o idioma em contração
real
como a trama da pele.
talvez por ser a verdade que ainda nos resta
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>10% de desconto</strong></span>
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<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>Os livros serão enviados no prazo máximo de 15 dias após o término da pré-venda.</strong></span></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A tua imagem a juntar papéis, a erguê-los como paredes e a riscá-los, dias a fio, durante anos, com canetas coloridas roubadas de supermercados. Agora sei, que, ao toque amoroso das tuas mãos, as canetas se faziam tesouras.<br />
Não as tesouras das barbáries, as que nos levam as mães pelo umbigo. Mas as tesouras com que lhes respondes. As tesouras com que, à falta de dentes — poeta desdentada —, recortas versos de folhas caídas que depois colas com cuspo, nos buracos da carne. E tua árvore genealógica brota em copa, como uma nuvem de clorofila e purpurina.<br />
Lembro-me de, numa manhã de Agosto, em Sines, ver-te de touca de natação na cozinha, a recortar cartolinas amarelas, rosa e verdes. A casa é um organismo. Precisa de rotinas de cuidado diário: composição e compostagem — processos biológicos através dos quais as poetas transformam a verdade numa substância semelhante ao solo. O húmus é a “trama da pele”. É um “ainda”, o “ainda” do que é recortado, como um poema ou um desenho. A compostagem e a composição, parto e invenção, são costuras universais. Ligam infinitamente o mundo para o manter vivo. Só elas, as verdades sujas, não morrem.<br />
Compostar e parir são também gestos de vidente. São trabalhos de antecipação. Enquanto actos de fé, acontecem numa espécie de confiança no que depois se tornará visível. As videntes vêem com o ouvido o que espera ser dito para nascer.<br />
Dizias que não podias ter um emprego a tempo inteiro porque precisavas de investigar. Saltavas de sofá em sofá a pensar a infância em Walter Benjamin, qual forma de garantir a subsistência. É que tu começas sempre pela copa: primeiro os papéis, depois o pão. Estavas a ouvir os papéis como mesa posta para o pão. E o pão apareceu. E este livro também. És afecta e devota a tudo quanto te brilha no peito. Cumpres esse destino que, quando deixamos de brincar passamos a temer, ou antes, a deixar de ouvir. Mas tu não.<br />
Sentada a meu lado no degrau do canteiro, nosso posto secular de observação e costura, na Avenida de Berna, disseste que estes poemas te eram próximos e que talvez fosse mais importante dar a ler coisas que nos sustentassem os dias.<br />
Irmã, tu mostras como é preciso que não nos roubem o peito e o saco das lágrimas a caminho de casa. Qual política que não seja a dos nossos dias?<br />
Não perder as pedras, as pernas, remendos de perdas, e o pedido das mães. Cantar às casas ao passar, e em jeito de provocação, subir a saia, mostrar-lhes as musculadas pedras, as perdas, maiores, mais rijas, medidas em tempo geológico. Lançá-las aos retratos familiares e mostrar-lhes a verdade de vidro. Chegar ao quarto, já sem uma ou outra veia do nariz, sem dente nenhum, recortar e oferecer. Preservar a vontade musical. E um caderno aberto sobre a cabeça, como um telhado.<br />
<strong>Raquel Luís</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>História das sombras do monte</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Nov 2025 09:59:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O meu berço foi um sobreiro enviesado
que me acariciou o seio inanimado.

Eu, ruína de um monte,
perene ao tempo, espero.
Trago por manto a geada e nuvens,
esburacado o teto.

As ovelhas que passam
alimentam-se das ervas
que me crescem nas paredes.

Depois, muito gordas
a comer bolotas,
que me decoram o chão,
rebolam pelos campos
e transformam-se em cadáveres.

Assim sou eu. E as ovelhas
réplicas sombrias de mim.
Morro com elas.

(<strong><em>Primeira sombra que foge ao sol</em></strong>, pág. 31)]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Na pele e no corpo de Madalena Maria, encontramos uma mulher que é todas as mulheres. Nas sombras que são a pele e o corpo que restam depois do desfazer dos seus sonhos, o destino possível de que toma posse, encontramos a escuridade cuja travessia é tantas vezes cruel, tantas vezes inevitável, tantas vezes transformada em algo outro. Um lugar novo de existência e de criação. Um tempo, ainda assim, luminoso.<br />
Na resistência serena e silenciosa de Madalena Maria, encontramos a história da face feminina do mundo, arredada de decidir sobre si e sobre tudo o resto. Arredada da importância que lhe é devida pela medida do seu número, da sua força, da sua vontade, do seu direito.<br />
“Os homens não gostam de futuros fugidios que pressagiem destinos livres de medos”, diz o poema, que é parte de uma história que conta uma vida que são muitas vidas e que reclamam uma igualdade e uma liberdade que respiram na ausência de medo. Respiram de pés descalços enterrados no pó, de solidão assumida, de cabelos revoltos e de desfazer de ideias feitas. De gestos corajosos, no trabalho como no amor. De compaixão e de sobrevivência, de pensamento e de exaltação.<br />
A escrita da Lúcia Vicente traz os sentidos colados ao chão, na escuta e na sensibilidade do pulsar da luta pela dignidade de todos os seres humanos, pela existência em respeito, paridade e liberdade, horizontes verdadeiros que aqui se apontam no fim de um caminho percorrido em ficção e em poesia. Porque as palavras têm o poder de tocar a alma de quem as lê ou escuta, de quem se deixa transformar. Têm o poder de partilhar a sombra e a vida de outras árvores, de partilhar a luz de outras estrelas e de abrir novos caminhos. Porque as palavras são impossíveis de destruir: metade sombra, metade sopro, metade sonho.<br />
Hoje, como em cada momento da História em que as ameaças rosnam perto e as conquistas parecem prestes a sucumbir, o testemunho em revolta e afronta de Madalena Maria é ainda mais importante. Porque nos embrulha as entranhas e nos faz cerrar os punhos. Porque lhe reconhecemos verdade. Porque olhamos à nossa volta, observamos e escutamos e lhe reconhecemos ainda mais verdade.<br />
Entre pó que se solta da terra, estendendo a foice às hastes de trigo, ou na frente de um caderno, estendendo as palavras ao verso, personagem e criadora, inspiração e narrativa, unem as vozes que interpelam quem as lê. Convocando a força ancestral de mulheres tão comuns como extraordinárias, convocando-nos a nós também, a escrita da Lúcia Vicente ganha pele sensível e corpo concreto. Deixa de ser sombra, passa a ser vento.</p>
<p><strong>Raquel Patriarca</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Microfábulas ou poemas disfarçados de animais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Nov 2025 12:53:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Rosa Maria era uma gaivota. tinha uma mancha vermelha na ponta do bico, provavelmente de ketchup do McDonalds. Rosa tinha uma predilecção por restos dessa cadeia americana de solas de sapatos. e achava que lhe ficava bem aquele apontamento impressionista no bico. imaginava-se uma sufragista do início do século XX e as asas cresciam-se-lhe além das nuvens. sempre pensei que não há gaivotas macho. continuarei a pensar assim.

<strong>(<em>Gaivota</em>, página 24)</strong>
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Escrever para ser livre, ser livre para se escrever como e onde e com quem se quiser, é privilégio de poucos em tempos como estes, cheios de espartilhos obrigatórios, na vida, nos dias e, naturalmente, nas literaturas e dizeres. A escrita de Francisco Coelho Neves é um acto de rebeldia do princípio ao fim, e ao mesmo tempo, um gesto de intimidade com tudo aquilo que habita em nós e não nos atrevemos a partilhar. Como o elefante de Van Gogh que se esconde atrás dos girassóis, em microfábulas. Como Adélia, em livro do futuro, oriunda de parte nenhuma e, no entanto, prima do homem ruivo de Daniil Kharms, irmã de um rinoceronte muito Ionesco, comadre de uma tisana de Hatherly. Ler estes micro-contos é como exercitar o cérebro a sair fora da caixa, fora da matemática, fora dos dias que nos obrigam a deixar de sonhar.<br />
<strong>Patrícia Portela</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Um whiskey com duas pedras, por favor.</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/um-whiskey-com-duas-pedras-por-favor</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Nov 2025 10:38:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[se em vez de dormir estivesse caída
a posição horizontal como queda
acordar seria vitória
o despertar um ato de resistência
cada dia construção
o futuro principia no colapso.

(página 61)
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>um whiskey com duas pedras, por favor., o primeiro livro de poemas de Irina Chitas, contraria a ligeireza com que a poesia circula hoje. Ao mesmo tempo, torna-se irresistível o desejo de sublinhar todas as frases, de as repetir a alguém, de as não esquecer. Os poemas habitam o quotidiano e o desvio, a loiça por lavar (“aqueles restos de tomate que têm restos de nós”) convive com os grandes temas do mundo — o amor, a morte, a solidão —, palavras encostadas umas às outras como ténis ao lado de livros. “Se calhar o amor é isto. as minhas palavras aos teus pés”. São poemas curtos, poemas longos, poemas que nos fazem dançar com a língua pelos cantos da boca, tropeçando sobre a brancura das páginas numa oralidade desavergonhada que soa a conversa interior, monólogo num registo da quase-banalidade que nunca o é, um jeito de dizer o poema com o olhar. Seria um erro resumir este um whiskey com duas pedras, por favor. como um livro de poemas sobre o amor, mesmo sendo-o em alguns dos seus mais iluminados momentos. Ao lado deles, estão outras inquietudes, reflexões sobre promessas da vida contemporânea, sonhos de revolução, recomeços sem princípios, sentimentos que não são alheios às convulsões políticas do mundo.</p>
<p>Entre o humor e o desalento, percorrer estas páginas é galgar ruas conhecidas, mas também territórios sombrios, mergulhar no passado, mas insistir em avançar. O tempo, ora cúmplice ora carrasco, deixa que cada verso se torne um impulso. Pelo meio, a cidade desenha-se enquanto as sombras dos casacos desfocados se perdem no amanhecer. “Estava sozinha em casa e escrevi. acho que é a isto que sabe a solidão. ou a liberdade”.<br />
Se há livros que desviam o curso de uma leitura contínua, há outros que ecoam de tal modo em nós que nos atingem como farpas, que nos reorganizam por dentro. E que, na melhor das possibilidades, como aqui acontece, nos fazem acreditar que “o poema é não estarmos sozinhos quando nos falta a voz”.</p>
<p><strong>Joana Moreira</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Pesquisa poética de vida com janelas abertas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/pesquisa-poetica-de-vida-com-janelas-abertas</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Oct 2025 10:50:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Tem paredes de cal e sol dançando na cal, e notícias de festa em todas as páginas do jornal. Não há dores de joelho nem chuva no Natal. Engole-se a maldade com o pão, e o pão nunca se conta a menos dos que se precisa de contar. E quando dizemos “até à próxima”, nunca é um adeus para tão longe assim, e tudo o que é esquecido é perdido por bem,

foge apenas para adoçar o seu voltar.

(O lugar mais seguro do mundo, página 20)
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O bule de chá e a chuva guardam<br />
escoam e sopram os fumos da memória.<br />
e depois passa. Assim se fazem as tréguas<br />
com o que foi e o que será.<br />
Chega-se a casa. Constrói-se a casa como<br />
uma história que é contada: era uma vez,<br />
felicidade sempre.<br />
Felicidade, pelo menos uma vez.<br />
Lava-se o bule, limpa-se a verdade das janelas<br />
e convida-se o ar fresco a entrar.<br />
Nas ruas, quem caminha segue rotas mil-vezes traçadas, e refaz-se de novo sob uma luz que sempre se multiplica. O espaço doméstico não consegue escapar da sua qualidade de lugar-cidade, a alma foge e retorna à sua condição de corpo domesticado.<br />
E, no entanto, entre todos os lugares do mundo, existe sempre o espaço da memória, mais real do que os outros.<br />
Pesquisa poética de casa com janelas abertas é um estudo sobre o ato da atenção. A atenção faz os dias e os lugares, constrói a poesia de todas as pequenas coisas.<br />
Entre revolta e desapego, estes textos são um retrato da tensão interna do pós-quarentena. Todas as referências familiares transformadas (reveladas) em pontos de pressão.<br />
A objetificação do próprio espaço-tempo permite fantasiar, caminhar entre projecções, capturar autoridade sobre a linguagem como instrumento de análise do Antropoceno. A materialidade dos objetos e as irrealidades da memória coexistem num único espaço, por vezes num único instante. É essa faísca que o poema olha de soslaio, sem segurar com tanta força que fuja.<br />
E, no entanto, o convite que o mundo nos faz de o ocupar é algo solene, repleto de rituais. Todas as coisas comuns são, pelo menos uma vez na sua existência, capazes de produzir ternura. Este livro é um inventário de afetos e olhares, faz-se relato de um passado possível.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Consequência do Fogo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/consequencia-do-fogo</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Oct 2025 08:45:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Morrer devagar
sem que o coração arda
sem que os olhos evaporem no fumo
sem que a palavra abandone a boca.

Nenhum heroísmo consegue combater a doença:
o gene mau da cinza indesejada
o rasto de lume que abre a ferida
o crepitar da terra atingida

escuta-se

qual canto do cisne
diante do gesto lasso
enquanto tudo nos treme por dentro.

<em>Consequência do fogo</em>, página 14
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>
&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Consequência do Fogo: rasto ardido que a poesia deixa depois de explorada a paisagem, sensação, vertigem, emoção, objecto, delírio ou catarse. Serve a consequência do fogo para nos lembrar que em nós se extingue o irrisório ao mesmo ritmo com que ardem unhas, olhos, língua, sonhos, cútis, sexo, cabelos. Serve a consequência do fogo para nos recordar que também na morte há a beleza da lentidão: na suave decomposição orgânica dos cadáveres ou na cinzelada erosão da matéria perecível. E também serve para nos mostrar quão tangível é a transcendência na dança das labaredas ou nas sombras das cavernas.</p>
<p class="ds-markdown-paragraph">
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Abro livros, encontro espelhos — Abro libros, encuentro espejos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/abro-livros-encontro-espelhos-abro-libros-encuentro-espejos</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 May 2025 13:07:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[[traducción]
<strong>José Ángel Cilleruelo</strong>

edição bilíngue

—
um homem
vive às escuras

só um relógio de gritos
o
pode
puxar

ou seremos só amantes de olhos fechados
com lâmpadas nos dedos
para
poder
pintar

—

un hombre
vive a oscuras

solo un reloj de gritos
lo
puede
sacar

o seremos solo amantes de ojos cerrados
con lámparas en los dedos
para
poder
pintar

(Relógio de gritos / Reloj de gritos)

&#160;

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Desde su primer libro, Folha Móvel (1987), Maria Azenha (Coimbra, 1945) ha construido una obra donde cada certeza contiene su opuesto. Su poesía es lírica y terrenal, abstracta y concreta, íntima y universal. Dos de sus libros han sido traducidos al español: La casa de leer en lo oscuro (2019) y Bosque blanco (2024), pero su fuerza no reside en los datos biográficos, sino en esa voz que funde contradicciones sin resolverlas.<br />
Es una escritura de paradojas: ensimismada y solidaria, sensual y doliente, arraigada en la tradición y abierta a lo contemporáneo. Usa un lenguaje delicado que no rehúye la crudeza, símbolos que se multiplican en significados. Su poesía es amorosa y civil a la vez, porque no rechaza nada: lo absorbe todo en versos donde conviven lo clásico y lo visionario.<br />
Tres pilares sostienen su obra: trascendencia (su lenguaje no es vehículo, sino destino), belleza (la emoción como forma de conocimiento) y perfección (un presente que se renueva en cada lectura). El resultado es una poesía tan personal como marmórea, tan corporal como conceptual. Una paradoja hecha palabra, que exige entrega y, al mismo tiempo, la devuelve intacta.</p>
<p><em>Abro libros, encuentro espejos</em>, traducida al español por José Ángel Cilleruelo, celebra los casi 40 años de trayectoria poética y los 80 años de vida de Maria Azenha.</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Ísis e assim se esvai o mundo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/isis-e-assim-se-esvai-o-mundo</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 May 2025 10:58:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[a Ísis
a gata do Eugénio
ganhou o vício de vir até
aos livros a secar à janela e enroscar-
-se a sonhar com as páginas
que mais a seduziram

hei-de perguntar
se consegue arrancar-lhes
das entranhas dos seus mistérios
as respostas que encontrou

pode ser que ajude
a nos encontrarmos

&#160;

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>No esvair do mundo<br />
Há uma gata no peitoril, a partilhar o calor do sol com os livros. Ísis de seu nome, como a divindade egípcia (Ísis com acento, claro, nada de confusões com a sigla do sangrento califado), no espaço e na casa de uma ausência, a de Eugénio Lisboa (1930-2024). Foi desafiado por ele que Manuel Almeida Freire uniu lira e ira n’A simpatia dos exilados (2023), garantindo um ano depois que apetece mais um trago (2024) – aos que partem, aos que ficam, à vida ainda por viver. Iluminado pela luz de Ísis, reflexo felino da luz eterna de Eugénio, ei-lo de volta a uma poesia por onde passam certas dolorosas despedidas (Eugénio, também Maria Clara Rocha dos Santos ou José Neto), a luta e o luto, guerras e martírios, Walt Whitman e Walter Benjamin, Mozart e Ungaretti, o rio e a ria, a atracção do infinito do mar ou de amar (como o infinito das paisagens, pasto de viajantes), ideias por vir e a caneta para escrever e descrever, lembranças eclesiásticas separadas por séculos (dos abades Suger e Bernard numa disputa de luz e trevas no século XI e do Padre António a pregar aos peixes no século XVII), a coragem do assassinado Navalny e a ascensão de novos tiranetes, onde se meneia “um emprenhado de arrotos arrogantes” que vemos “a governar a nova Roma em queda”. Disto se ilumina a escrita de Manuel Almeida Freire nesta nova incursão poética, enquanto aos nossos olhos “se esvai o mundo”.<br />
<strong>Nuno Pacheco</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Subsolo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/subsolo</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 May 2025 13:40:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A separação
Dos teus lábios que tocam o ar-fronteira dos meus
Da magra linha de ar que ambos inspiramos
Do frémito que ainda não é beijo
Da diluição dos nossos lábios
Da aguarela das nossas línguas
Do quadro que desenham os nossos corpos

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Entre o passado e o futuro, a existência vê-se, por vezes, suspensa, imobilizada. É-se atravessado pelo tempo que corre voraz e impiedoso, mas que, ainda assim, é suficientemente lento para que se espere pelo que há-de vir. É na tensão entre a revisitação melancólica do que não aconteceu e o desejo de que pudesse acontecer, que Beatriz desenha o presente inacabado, por natureza. Torna tangível o que é subterrâneo e procura a expressão máxima do ser, a exaltação, o êxtase, a pulsação, o corpo e a morte.<br />
Sem subestimar o carácter ininteligível da matéria de que somos feitos, reconfiguram-se a linguagem e os significados, que aproximam a poesia da pele, para sentir e questionar o estremecer de se estar vivo e as suas flutuações. Percorremos sem pudor os universos vários do corpo, reflectindo sobre a potência da liberdade e do desejo, mas também sobre a aparente sentença e angústia de se ser algo, ainda antes de ser. Uma existência presa a significações que, impostas, tornam mais estreitas as margens do corpo. Deste conflito entre o mundo exterior e o de dentro, parece imprescindível ter o atrevimento de enfrentar e ser permeável ao abismo do ser, perscrutando os latentes lugares sombrios, obscuros, mas também sinceros. Ser-se vulnerável, perante a própria essência, na busca da nossa forma verdadeira e justa — que não é estanque, antes transitória —, para poder enfim olhar para fora e para o outro. Degustar o dissabor da desilusão, aceitar a tristeza e a revolta como traduções do viver e não temer a amargura ou o medo que se constroem no decorrer do tempo, mostra-se-nos indispensável. Entre o desenho do quotidiano e da consciência, o fulgor revela-se nas pequenas coisas e a sublimação, tal como a noção de tempo, sugere-se efémera.<br />
Num diálogo entre a esperança e a memória Subsolo emerge. A palavra torna-se matéria-prima, plástica, para traduzir os contornos do invisível e mudo que habita sob a pele — esse lado oculto do ser que se manifesta misteriosamente. Talvez o consolo possa advir do encontro insaciável com esse nosso lado por conhecer.</p>
<p><strong>Teresa Moreira</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O labirinto das duas árvores</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 May 2025 10:30:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Vou esculpindo o tronco,
o mistério
que me trouxe até aqui,
à arqueologia dos valados,
à cal, aos telhados de barro da terra,
às raízes amargas e venenosas
a suster a amendoeira
tão delicada em flor.

Trago o desejo
de cavar, de encontrar uma luva
ou pequeno utensílio
esquecido dentro de um valado.
E esse amargo do veneno
das minhas próprias raízes
a suster a amendoeira
tão delicada em flor.

(<em>porta-enxerto</em>, 39)

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Este é um pequeno livro fascinante. Havia muito tempo que não lia nada assim. Quando se diz que poesia é linguagem, habitualmente esquece-se que as palavras só criam sobressalto quando o mundo que elas evocam ergue diante dos nossos olhos uma revelação esperada, mas cujas imagens desconhecíamos. Foi esse sentimento de encontro súbito com o inesperado aguardado que me provocou um terramoto pelo encontro com o universo de Sofia Correia. Os poemas de O labirinto das duas árvores levantam do chão sombras de animais selvagens, figuras ancestrais de um tempo mediterrânico remoto, sentimentos em diminutivo que ficaram escondidos sob o lastro da tecnologia e da modernidade, os lugares pacatos dos campos de que se tem vergonha de pronunciar os nomes, as figuras queridas mortas que ressuscitam para acarinhar as mãos da poeta.<br />
É possível que as vivências longe da pátria tenham criado em Sofia a noção do valor do mundo desaparecido, mas cuja raiz se encontra sob a terra que pisamos e condiciona o nosso futuro colectivo. É bom encontrar, assim, uma poesia moderna sem metáfora convencional, toda ela palco e narrativa, ladainha, a organização de um livro cuja imperfeição confere perfeição e sentimento de verdade. Uma homenagem a um povo em transformação, através de versos esparsos, por vezes ilógicos, por vezes literais, como se a autora ignorasse regras básicas da gramática poética, e por esse despenteado sopra uma sinceridade que comove. Uma autobiografia angélica, não confessional, sem outra pretensão que não seja o louvor das coisas. Ao ler este livro, pensei em vozes como a de Herta Müller dos primeiros romances, ou a Irene Solà de Eu canto e a montanha dança, textos em que as autoras não têm pudor de usar os materiais ancestrais e domésticos mais modestos que há para erguerem vozes que vêm ter connosco e nos surpreendem por nelas reconhecermos o que estava a ser esperado, sem o sabermos. Coloco em relevo poemas como “A sobremesa”, “Memória dos montes ou ainda “Celebração dos cem anos do Museu do Cineteatro”. Nós sabíamos que eles existiam em algum lugar, mas estavam escondidos. Que este seja o primeiro de muitos livros da autora.</p>
<p><strong>Lídia Jorge</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Coreografia de um imaginário</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Apr 2025 11:45:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[No silêncio
Há um horizonte de mãos caídas
sem nenhum pensamento que te limite
Só as mãos sabedoras percorrem o corpo

Desvendando todos os lugares
Cada curva geométrica
em que me reconheço

Traz de volta em gemido
o nome
Sei-me em cada célula
no fluir da entrega

(III, página 11)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Desde as memórias remotas, a poesia foi para Teresa um refúgio e um modo de dar forma às suas perceções e emoções. Ainda em adolescente, encontrava nas palavras um território seguro onde podia transformar angústias em versos e perplexidades em ritmos e imagens. Com o passar dos anos, a relação com a poesia tornou-se mais consciente e estruturada, funcionando como uma espécie de amortecedor para lidar com a realidade, tantas vezes exigente e desafiante.<br />
A sua escrita poética é, assim, um prolongamento da sua investigação e do seu olhar artístico, refletindo um compromisso com a beleza, a introspeção e a expressão emocional. Para Teresa, a poesia não é apenas uma manifestação estética, mas também uma ferramenta de elaboração subjetiva, uma forma de dar sentido ao vivido e de transformar experiências em linguagem partilhável.</p>
<p><strong>Carlos Lopes Silva</strong><br />
psicoterapeuta e psicanalista</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Algumas palavras não devem sair do céu da boca</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Apr 2025 09:40:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[a palavra discorre abaixo da consciência.
labora autónoma
manifestando-se à superfície, como parte do eu.
no mesmo compasso do complexo de Jung, mas
a semelhante galope, do fidalgo enlouquecido
que vive valores de cavalaria.
qualquer coisa intermédia de coragem merecida:
enfrentar
gigantes ou moinhos de vento, como papel
ou sintoma.
transgredir camadas,
ora levedadas.
ora escritas.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Este manuscrito é uma travessia visceral pelas camadas mais profundas da psique humana, estruturado por fragmentos que desnudam o corpo, o tempo, a linguagem e a solidão. O texto explora as tensões entre o consciente e o inconsciente, revelando pulsões, desejos e angústias que emergem das dinâmicas do eu. O corpo, frequentemente representado em imagens cruas e tangíveis, aparece como o palco das pulsões freudianas, num território onde se cruzam o prazer, o sofrimento e a inevitabilidade da decadência.<br />
A linguagem como campo de batalha psíquico, funcionando tanto como expressão, quanto como limitação. Há um esforço constante de simbolizar o inominável, mas também de confrontar o silêncio, como se as palavras fossem insuficientes para conter a vastidão do que é vivido internamente. Os elementos banais como café, pão e listas de compras são reinterpretados como palco das pequenas tragédias psíquicas e existenciais, ora atravessados por humor ácido, ora por melancolia.<br />
O tempo e a mortalidade assumem um papel central, aparecendo como forças que corroem a matéria e os sentidos, ao mesmo tempo que impulsionam a escrita como um ato de resistência frente ao inexorável. As construções identitárias fragmentadas refletem um eu em constante desconstrução e reconstrução, ecoando a luta psicanalítica pelo autoconhecimento e pela integração de partes dispersas. A obra, ao mesmo tempo filosófica e visceral, expõe um mosaico da condição humana, onde as camadas mais profundas da psique dialogam com a superfície.<br />
Catarina SottoMayor combina simbolismo denso e o concreto da abstração. Este manuscrito transita entre o corpo e a palavra, entre a carne e o pensamento, criando uma poética de confrontação com as forças invisíveis que moldam a existência.<br />
É uma jornada ao inconsciente, onde o poético se torna análise e a análise se torna poesia, num movimento contínuo de sondagem das profundezas da psique humana.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Peixes carnívoros</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Apr 2025 10:03:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O parque é amplo e insinua-se a todos que nele entram. Se soubessem. Mas não sabem que estão prestes a sucumbir. O parque insinua-se e fá-lo sem rodeios. Ele, pelo contrário, cultiva timidez na forma como se senta ao lado dela. Com um olhar de sumarenta fruta tropical, ela espreme-se em rendição. Sem hora marcada, por entre os galhos, alguém assiste à discreta revolução de um beijo.
(<em>peixe-cravo,</em> página 28)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A prova de que estamos sempre no ponto de partida, ignorantes do futuro e sem noção da maravilha que nos falta está inteira no livro de Chantal Guilhonato.<br />
Subitamente, a estreia de uma poeta do tamanho de Guilhonato mostra como falta saber tudo acerca da poesia, porque aqui se inaugura uma personalidade que não tem paralelo com nenhuma outra, feita de ser tão ímpar que nos desampara.<br />
Tentei encontrar-lhe pares, e julgo que talvez pudesse acompanhar-se de Clarice Lispector e Adília Lopes ou Lourdes Castro e Belkis Ayón, mas apenas como almas que se podem avistar mutuamente à distância, porque de perto, de facto, o mundo nunca viu Chantal Guilhonato, a bizarra, diria absolutamente improvável, maneira de esta mulher o ser e nos dizer acerca dos seus dias.<br />
Tudo é diário ou tudo é para caçar o tempo, que é o mesmo que guardar pequenas coisas no lugar crescendo da memória.<br />
Ao terminar este livro não estamos de leitura acabada. Muito ao contrário. No planeta dos livros acaba de chegar uma habitante de largo fulgor. Ao terminar este livro reconhecemos sua cidadania. Estaremos para sempre na sua vizinhança. Passaremos a ver o que aqui está escrito em tanta coisa de nossos próprios dias. Como para sempre o faremos com Clarice, Adília, Lourdes ou Belkis.<br />
Pessoas assim são inevitável, fértil, maravilhosa companhia. Para sempre.</p>
<p><strong>Valter Hugo Mãe</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O cheiro das belas balas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Apr 2025 09:43:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Assombro o relógio, persigo as horas,
declaro guerra ao tempo
Existo momento, guilhotino a janela,
cerro a porta ao instante
Humilho o papel, estendo o lençol,
aguardo-me fim fatigado
Esmago o piano, conspurco o livro, lanço-me nu ao rio

Corto a cabeça da boneca, corto o pelo do cão,
desassombro-me
Olho nos olhos do ídolo, desmascaro-o,
cuspo-lhe na roupa nova
Arranco as asas do anjo,
arranco a minha mão desnecessária
Mão de ferro forjada, esguicha o sangue
e domino-o à dentada

(<em>A torre</em>, página 24)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O cheiro das belas balas</em> não é simplesmente uma colectânea de poemas. Lê-se mais como uma rapsódia: uma sequência de episódios fortemente contrastantes (expressivamente contrastantes, como o contraste que o próprio título exemplifica) no que diz respeito ao tom emocional, temas, ideias, e, sobretudo, nas experiências que evoca. Porém, a sucessão contrastante desses episódios conta (ou canta, à maneira do rapsodo ou bardo) uma história que não é a história deste ou daquele indivíduo, um relambório de alma dorida. A história aqui contada tem um ponto de vista mas não um sujeito definido. É uma caixa de ressonância, em que as experiências e afectos de uma geração se cruzam e amplificam, condensadas numa voz, num momento, numa imagem. É uma história de fantasmas, no duplo sentido da palavra: presenças espectrais do que já não é, mas, de algum modo, continua presente; do que não chegou a ser, mas tampouco deixou de se fazer sentir; mas também as imagens, os escolhos da imaginação, a lenha imaterial da ideologia. O modo como começa e as palavras com que termina são emblemáticas: o confronto do pensamento com o horror da indiferença, o esquecimento, a desilusão com a travessia, as promessas de um mundo não materializado, congelado como imagem, ícone do nosso cinismo e de um inerradicável idealismo que não consegue deixar de cantar a redenção possível: amor, amigos, um obrigado (imenso) pelo indizível. Uma maneira de ler este poema, rapsódia de poemas cosidos com o fio de duas paixões que se negam mutuamente e no entanto não podem não ser juntas (gémeos siameses, o exílio da síntese que não se resolve, porque o progresso era mentira), é como um responso dos vindouros (cabrões de vindouros!), a geração que cresceu e viveu com o rescaldo da festa (somos a recordação do momento que toma o lugar do momento propriamente dito). Quem leu bem a insuperável rapsódia do Portugal contemporâneo (refiro-me a FMI de José Mário Branco) entende o que quero dizer. Não só o mar e a travessia, as interpelações directas, mas os motivos, que aqui têm eco e desenvolvimento, transmutação.<br />
Este texto é, antes de mais, honesto, nas palavras certeiras do autor: “a vergonha do meu poema é a necessidade do meu poema”. Não escolhemos o que somos, apenas viver o que somos. Porém, as emoções a que o André dá aqui forma e corpo são nossas. Porque são assim, tão profundamente nossas, podem, enfim, ser de toda a gente.</p>
<p><strong>Vítor Guerreiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O avesso da casa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Mar 2025 18:40:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[o avesso da casa abre portas
com imagens até onde a vista alcança
mesmo que de olhos fechados

mas é no papel que se refaz
livro livre vida casa
outra vez

(página 17)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em<em> O avesso da casa</em>, Ozias Filho reúne duas práticas e paixões: o instante poético e o instante fotográfico. Mas tal reunião não se faz por proximidade e semelhança, uma vez que, em casos assim, das duas, uma: ou o poema apequena-se em legenda ou a fotografia muda em mera ilustração. Ao contrário, a força deste encontro está em algo vizinho ao que Nietzsche denomina “páthos da distância”, no qual afirma-se “a vontade de ser si próprio”. Tanto que o autor, fotógrafo e poeta, tratou de rubricar as diferenças e as distâncias entre texto e imagem, destinando a cada qual lugar próprio na arquitetura da obra.<br />
Neste quase diário da peste, o leitor não estranhe a repetição de palavras — silêncio, solidão, medo, olhos, janela, vírus, tempo, lugar (e outras análogas, tangentes ou adversativas) e de imagens vernaculares —, paisagem urbana, retrato, natureza-morta, abstração, interior de ambiente, documental —, pois tais procedimentos prestam a dar “um negativo do negativo da realidade pandémica” da covid-19, como diz o autor em sua apresentação.<br />
Arriscaria a dizer que dentro e fora são os tópoi secretos deste “ensaio poético/fotográfico”, no qual, à rebours do sempre questionável senso comum, o fotógrafo olha para dentro e o poeta para fora. A voz lírica e o corpo confinados em “caixas dentro de caixas dentro de caixas” ou sob as “salvas ao vírus silêncio”; a outra voz que aciona e alimenta o diálogo poético submetida ao “silêncio do caos” e destituída de corpo pelas distâncias da mediação — e eis que o poema se faz “exercício de ver/através do olhar alheio”. O próprio olhar restrito à moldura da janela ou ao óculo da porta; o ato fotográfico en plein air sob interdição ou privado de seus claros objetos de desejo — e eis que a fotografia desvela o seu negativo, rascunha o seu ensaio sobre a cegueira física e simbólica. Do velar/desvelar os transes e os trânsitos entre o eu e o mundo, o poema aspira aos foras da realidade, ao outro, aos acontecimentos, às coisas, para além do deserto e da assepsia. De registro documentário da realidade fora, a fotografia converte-se em testemunho dos dentros da “bolha higiénica”.<br />
Na cultura brasileira, como registra Claude Lévi-Strauss em Tristes trópicos, difícil ter a rua como o avesso da casa, pois “não se distingue quando se está dentro ou fora”. Neste sentido, para um poeta brasileiro, mesmo há tempos radicado em Portugal, a imposição abrupta de fronteiras nítidas e higiênicas entre casa e rua terá sido dos encargos mais custosos nesta sua participação involuntária na versão contemporânea do “congresso internacional do medo”.</p>
<p><strong>Fernando Fiorese</strong><br />
poeta, escritor, ensaísta e professor</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>rua nove casa vinte e um</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Feb 2025 15:21:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[nasceu água
e teve de caber num copo
quis ser chuva
mas teve de contentar-se
com o evaporar
de cada dia

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Lugares de partida, lugares almejados, lugares de pertença</p>
<p>Com rua nove casa vinte e um, Hellington Vieira retorna à vila operária onde viveu até os 10 anos.<br />
Dividido em “Notas Introdutórias”, &#8220;Primeiro Turno&#8221;, &#8220;Intervalo&#8221;, &#8220;Segundo Turno&#8221; e &#8220;Hora Extra&#8221;, este é um livro atravessado pelo fardo do trabalho, pelas desigualdades sociais e por um quotidiano duro que, ao mesmo tempo que sufoca, alimenta sonhos e aspirações para tanta gente impossíveis de alcançar.<br />
Numa voz melancólica, reflexiva e crítica, Vila Estrela é apresentada como um lugar de pertença, mas também de limitação. O próprio título, reforça a ideia de um quotidiano sistemático, no qual as ruas têm números como as casas e há fronteiras claras entre pobres e ricos.<br />
Vila Estrela é o subúrbio de onde o poeta quer escapar para alcançar algo maior, mais alto e mais longe, mas também o reconhecimento de quão profundas são as raízes. As origens são um passado que carregamos para sempre às costas. O desejo de liberdade encontra na gravidade uma realidade implacável: “o chão não gosta de quem sabe voar”.<br />
Mas se estes poemas denunciam expectativas sociais (como em “[não nasci para escrever]”), também celebram o empoderamento: “o resto da vida/era o que tinha/de maior valor”.<br />
Hellington escreve em versos curtos com rimas insistentes. Os seus poemas são estruturais e secos como uma espinha limpa, mas só na aparência são simples, até porque “as coisas simples da vida/não existem”.<br />
Com o avançar das páginas, na “Hora Extra”, a libertação territorial já não basta e mesmo ser poeta já não é desejo suficiente, é preciso ser poesia, ter uma existência que transcenda a produção, tornando-se algo maior e mais puro: a poesia como possibilidade de transcender.</p>
<p><strong>André Tecedeiro</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Este é um livro para ter nos bolsos, para fazer da casa cidade<br />
e da cidade casa, para levantar voo com a terra nos dentes (&#8230;)</p>
<p><strong>Sara Duarte Brandão</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Sabão azul e branco</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/sabao-azul-e-branco</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jan 2025 15:56:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Voltar é sempre uma coisa vulcânica, muito intensa. Emoções à flor da pele, vontade de escrever coisas pouco sensatas, medo de parecer ridícula, tantas são as sensações pouco políticas, pouco literárias e muito confusas. Fim de feira. Os olhos em todo o lado, os olhos até nos cheiros. Manter-me sóbria, apesar do amor e da capacidade de ainda andar de biquíni. Fim de feira.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Sabão azul e branco</em> é um pequeno diário amoroso sobre dias assim-assim, escrito quase à força. Não tem pretensões poéticas e acha-se até um pouco ridículo, naquilo que todos os amores têm de ridículo, aos olhos de quem não passa por “sofrências”. Se calhar podia ser um podcast e seria mais giro, se calhar podia ser um sabonete mais fino chamado Frescor da Manhã e isso também ajudava. Mas só que não.</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Os ventos e as marchas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/os-ventos-e-as-marchas</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Jan 2025 15:04:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[uma sucuri abriu meus lábios
e com a sua pele pantanosa
ensinou-me que a fome é a única

forma de linguagem.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Os ventos e as marchas</em>, de Jorge Vicente, é uma obra em que a poesia se entrelaça com a natureza, revelando uma profunda conexão entre o ser humano e os elementos que moldam a existência. Dividida em duas partes, a coletânea reflete sobre o corpo, a linguagem e o mundo natural em uma sinfonia poética repleta de imagens sensoriais.<br />
Na primeira parte, “Os Ventos”, Vicente evoca a vastidão da floresta e a fusão do corpo com o ambiente que o rodeia. O vento, como força ancestral, carrega memórias e revela o potencial transformador da palavra. Em versos como “uma sucuri abriu meus lábios / e com a sua pele pantanosa / ensinou-me que a fome é a única / forma de linguagem”, o poeta dialoga com os instintos mais profundos, mostrando que a comunicação surge da necessidade visceral de expressão, tão natural quanto os rios que correm pela Amazônia. A linguagem aqui tem uma fisicalidade, como se fosse um corpo que respira e age, refletindo uma conexão orgânica com a floresta e os seres que habitam esses espaços.<br />
Na segunda parte, “As Marchas”, o ritmo dos poemas revela um caminhar deliberado, evocando o progresso e a resistência de uma jornada coletiva. Em “silêncio e vida e marcha e amor / e círculos de cultura nascendo e baptizando / o desejo e a esperança”, o poeta celebra a resistência humana e a marcha em direção à esperança, sempre marcada pela luta e pelo renascimento.<br />
Jorge Vicente também questiona o papel do corpo e da palavra na existência humana. A imagem do corpo que “escreve sempre na profunda voz da catástrofe” sugere que a experiência de ser humano está entrelaçada à criação e à destruição. O corpo e a palavra tornam-se territórios de expressão e repressão, rompendo e refazendo a própria humanidade.<br />
Os ventos e as marchas é uma obra que pulsa com vida, movimento e resistência, convidando a refletir sobre o equilíbrio entre a força bruta da natureza e a fragilidade da existência.</p>
<p><strong>Lisa Alves</strong><br />
escritora e videoartista, autora de Arame farpado e do livro transmídia <em>Quando tudo for possível</em>.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Observatório</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Oct 2024 09:18:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Quando tenho dificuldade em adormecer,
conto os dentes com a ponta da língua
Como quem conta carneiros,
recito em silêncio um, dois...
Conto o espaço vazio dos sisos
Perco-me à frente, nos incisivos, e tenho de recomeçar
Há noites em que adormeço com o tédio,
há noites em que me demoro mais
Sinto a aresta do canino esquerdo e volto a senti-la,
vez após vez, saboreando a sua letalidade
Imagino-me a rasgar carne, primitiva
A defender-me de um agressor
Avalio a força que teria de fazer
A eficácia que teria ou não
As marcas que ao menos deixaria na carne alheia enquanto a minha perdia a vida
Isto quando tenho dificuldade em adormecer, claro.

(<em>Adormecer</em>, página 27)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Neste Observatório, como noutras viagens narrativas de Rita Canas Mendes, é preciso ir com cautela. A sua escrita é metódica e ludibriosa. Entramos neste livro de forma imperturbável, conduzidos por narrativas curtas de palavras suaves, com aquele sentido de humor despudorado, aparentemente ingénuo, que traz à ideia um dia de sol com um cocktail junto à piscina. Mas, de súbito, as luzes apagam-se. O ritmo cardíaco acelera e tateamos no escuro um cadáver aberto. Sem darmos por isso, já derrapámos e embatemos nesse inequívoco acidente de crueza e jugulares expostas.<br />
Se, num primeiro momento, achamos que deveríamos ter evitado o impacto, a verdade é que damos por nós agarrados à adrenalina de não querer parar de ver até ao fim — os finais sucedem-se e são curtos, em aberto. Como em qualquer micro-conto que nos arrebata, estendem-se em ecos de um futuro indeterminado.<br />
Nesta viagem ao centro da terra, qual Júlio Verne que se perdeu pelo caminho, descobre-se o inferno, que para nossa surpresa nos traz de tudo, em iguais doses de candura e de crueldade. Perceber, como Rita Canas Mendes escreve, que «até Deus fica sem imaginação, às vezes», conduz-nos ao lugar do precipício; o último reduto de fundamentos como a «compaixão amorosa», onde entendemos, claramente, que «Estamos aqui / e não estamos».<br />
Tal como a nossa voyeur, que participa ruidosamente em silêncio, também nós nos alimentamos de tudo o que queremos ver e, simultaneamente, engolimos em seco depois de tudo aquilo que não queríamos ter sabido.<br />
Entre grãos de arroz, marinheiros de água benta, suicídios falhados e a ideia tão esquecida de que o animal já teve alma, reside neste Observatório uma possível ideia de Humanidade — e talvez os detalhes, um dia, nos redimam.</p>
<p><strong>Francisca Camelo</strong></p>
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		<title>Geografia dos lugares-comuns</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Jul 2024 09:52:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Quando voltar do exílio, prometo
relembrar-te todos os lugares onde foste.
Dentro do meu peito, ocupaste por inteiro
o lugar do coração que, na partida,
se pôs do tamanho de uma semente.
Devo-te, por isso, a vida.
Quando voltar do exílio, espero
retomar a coragem de crescer
árvore com copa e frutos,
que nos dêem sombra e doçura às
memórias da tarde quente.
Quando voltar do exílio,
se alguma vez voltar do exílio,
porque voltar é, também,
uma espécie de asilo
da loucura que foi deixar-te.

(<em>Exílio</em>, página 33)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Coibir-me-ei de grandes biografias, mas eu fui editor. Ainda sou, vá. Mas mesmo editor, esse, eu já fui. As Quasi nasceram vai para 25 anos e viveram dez anos de sofreguidão, ânsia, fascínio, paixão. No fim desses dez anos, os erros meus, a má fortuna e o amor ardente colocaram um ponto final ao sonho. “Agora tenho maturidade para definições, e, no meu dicionário, primavera rima com desilusão.” Foi no outono, mas a metáfora serve bem.<br />
Desde aí tenho editados muitos e bons livros. Mas, primeiro na Babel e depois como consultor editorial, sempre com alguém ou alguma coisa a balizar as minhas decisões. E isto implica uma coisa: há sempre condicionantes para o que quero ou não publicar. Chama-se ser maior, talvez.<br />
Este pequeno preâmbulo serve bem de exemplo ao que aqui vão ler mal decidam — e bem — comprar o livro. (Podem parar a leitura da badana e ir pagar. Eu espero. Vale muito a pena, podem confiar.)<br />
Eu queria ter publicado este livro.<br />
Mas a minha primavera outonal é o ganho da Urutau, pelo menos isso. Tem, no seu catálogo, uma nova geografia — a dos lugares-comuns.<br />
Sim, a poesia voltou-se para o quotidiano ainda com mais premência do que há vinte anos, a altura em que lutas intestinas em hebdomadários tinham de um lado os sublimes e do outro os franciscanos. Mas este livro revolta-se de outra forma: com graça e saber.<br />
Veja-se o poema de onde tirei pretexto para estacionar o ano: “A primeira vez que me apaixonei por ti, arrombei tudo”. Pronto, está o caldo entornado. Mas isto de apaixonar, se for para contar vezes, não deve ser para contar também apaixonados? O poema comum tem um risco: ser gratuito. Os da Daniela Frias Guerra não são de graça (como bem sabe, agora que pagou o livro, caro leitor), mas têm graça e são pertinentes — porque têm uma ideia e um olhar novos para onde nos guiam.<br />
Já escrevi dezenas e dezenas de biografias para outras dezenas e dezenas de badanas. Mas esta é a minha primeira badana assinada. Tem um bocadinho de mim, narciso que sou. Mas que tenha bem mais da vontade de ler os poema da Daniela Frias Guerra.<br />
“Há um sítio onde as estações descaem/e o pigmento de outono nos sobe à boca.” Estava eu a sentir-me aconchegado na minha citada tristeza outonal quando leio: “É nesse sítio que o infinito, tão/perto, nos toca nos fios dos cabelos/e faz mais por nós do que um suspiro.” Afinal, é preciso deixar de poder editar com ânsia e sofreguidão para ser tocado pela possibilidade de nos associarmos com todo o nosso nome a um livro de que gostamos.</p>
<p><strong>Jorge Reis-Sá</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Volta para tua terra: não há abril sem imigrantes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jul 2024 14:54:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[alexandra lopes da cunha &#124; ana paula vulcão &#124; atija assane &#124; corina lozovan &#124; danielle baracho &#124; diego garcez &#124; duda las casas &#124; fernanda drummond &#124; florencia guzzetti &#124; gabriela rodrigues de oliveira barbosa &#124; gustavo freitas &#124; isabella faustino &#124; jean sartief &#124; lana ruff &#124; lucelina rosa &#124; luciana soares &#124; marcelo freitas gaspar &#124; márcia c. brito &#124; maria clara lima pinheiro &#124; marina campanatti &#124; marta fanti &#124; ozias filho &#124; shahd wadi &#124; tatiana betz &#124; taynnã santos &#124; tomásio costa &#124; alessandro allori &#124; betina juglair &#124; bruno molinero &#124; carla muhlhaus &#124; cia cruz &#124; dai rodrigues &#124; flávia six &#124; freda paranhos &#124; giovana chiconelli &#124; hannah bastos &#124; hilda de paulo &#124; javiera espinosa pizarro &#124; juliana garbayo &#124; naiana padial &#124; daniela lima &#124; jamila pereira &#124; raí ângelo

[organização]
manuella bezerra de melo &#38; wladimir vaz mourão

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Este é o nosso terceiro volume, que batizamos de Volta para tua terra: Não há abril sem imigrantes. Para ele, foram aprovados 43 autores distribuídos nos géneros poesia, prosa e ensaio, escritores naturais de 11 países diferentes. Entretanto, temos muito orgulho em dizer que, ao todo, a Volta para tua terra em seus três volumes alcançou 128 textos publicados de autoria de 105 escritores estrangeiros residentes em Portugal com origem em 15 países: São Tomé e Príncipe, Argentina, Palestina, Cabo Verde, Moçambique, Moldávia, Angola, Chile, Guiné-Bissau, Itália, Brasil, Guadalupe, Colômbia, Espanha e Israel.<br />
Seguimos neste labirinto que é a imigração, as divisões se entrecruzam, tentam nos confundir, sabemos que há um país por trás de todo esse concreto seco; ou encontraremos a saída ou agora, juntos, temos a força necessária para derrubar os muros. O que nós esperamos com isso? Disputar a memória, ocupar o campo simbólico, produzir outras subjetividades, lembrar ao futuro que estávamos aqui, que éramos homens, mulheres, pessoas trans ou não-binárias, gays e lésbicas, bissexuais ou assexuais, negros e negras, árabes e orientais, brancos, pardos ou indígenas, jovens ou velhos; trabalhadores das fábricas, da restauração, das obras, da cultura, das artes, e que estamos nas ruas, nas escolas, nas universidades, nos parques. Queremos alcançar o horizonte, queremos ver Portugal e queremos também que Portugal veja Portugal.</p>
<p><strong>Manuella Bezerra de Melo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>livro do daniel e outros textos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jul 2024 11:06:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[lamento não poder olhar-te nos olhos —
tentarei criá-los através das palavras
para que nos possamos ver
de alguma forma —

observar-te a partir da escrita,
na leitura
ser observado.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>ler sempre os mesmos textos e meditar no que varia é uma forma de oração e tu tens feito parte das minhas: dás-me noites, madrugadas e manhãs, em que uivam cães e alicerces e a fronteira entre dormir, sonhar e hibernar se esbate, nada é uma coisa, nada é uma ou outra coisa, gosto das tuas triplas enumerações, há “noites, visões, sonhos” (“abertura”), “sonhos, visões e curas” (“xlvi”), “a criança, a noite, a fantasia” (“lxviii”), “o braço, a mão e a nuca” (“lxxi”), “a nobreza, a fidelidade e a ternura” (“lxxiv”), “as mãos, o pescoço e o cabelo” (“lxxv”) e até deus e os profetas são “ela-ele-isso” (“xxv”), “feminino, masculino, não interessa” (prolongamentos); ouço-te chamar o amigo cinquenta e duas vezes, quantas as semanas do ano, num diálogo possível com várias vidas de intervalo, para lá da unidade de tempo e espaço que, às tantas, nunca existiu: perguntas “e se entrasses num corpo de carne e osso/ e viesses ter comigo?” (“vii”), respondes “talvez/ só depois de mortos/ possamos ser considerados de carne e osso” (“x”) e concluis “o que circundo é o meu nome —/ fantasma de carne e osso” (“lxi”), o teu erotismo de-mãos-e-cabelo tem a força de ser tanto sobre ele como sobre ti; na noite escura da “vontade de dormir na desordem” (“xxx”) e “sonhar com a desordem do corpo inteiro” (“xviii”), o desejo parece ser por vezes uma aparição de cura, mas nunca é, não nesse sentido nem para o vazio, há em nós uma solidão essencial, não nos completam, “locupletam-nos” (lii), esse estranho verbo que aprendi contigo: a nós que somos como um locus mal situado, muito nos pode preencher, enriquecer, sem nos fechar; escreveste “conheço quem não leia livros —/ imagino que seja porque queiram saber/ para onde serão levados” (prolongamentos): este é dos que começa e segue em dúvida, o “tentei” que abre, um “não sei” (i), o último verso condicional, consciente de que cada livro pode ser o derradeiro e, ainda assim, não acabar aí; por muito que o medo às vezes nos consuma e nos apeteça desaparecer em silêncio, já houve demasiadas revelações de fim do mundo para que achemos que algo realmente termina: então manténs-te “taciturno/ mas cintilante” (“xxv”) como uma faca de cabo velho que ainda brilha, a distorção do reflexo é dado adquirido, mais vale assumi-la, morrer é trocar de rosto e “de todos os livros/ os da morte são um incêndio” (“iv”); tu, por exemplo, sei que te tens rasurado e, por mim, podes chegar a chamares-te ille, quase-ilha, quase-comunidade, um pronome neutro — tu o disseste, “torna-se difícil falar em unidade” (“xxiv”), mas “também a perfeição é múltipla” (“lxv”) e continuas.</p>
<p><strong>paulo brás</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O sol em maio</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-sol-em-maio</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Jun 2024 14:41:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[acendemos as luzes
regressam os corpos da cidade
estão cansados sem necessidade
espero cá fora
a porta esconde atrás um mundo
e só eu aqui desobediente
a querer casa no centro
salto pelo muro
é branco mas lembro-me dele amarelo
há uma escada em cima
obras no telhado
contradição de valores escondida do mau olhado
nunca vi um outono assim
enlouqueço.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os poemas de Isabel Milhanas Machado falam dos corpos da cidade que querem escapar e se refugiam em perguntas, muitas delas sem resposta. Corpos que são obrigados a ser da interminável rotina, do eterno cansaço. As palavras da autora viajam rapidamente entre o barulhento trânsito citadino e a natureza alentejana, calma e silenciosa, procurando uma harmonia que parece ser coisa do passado. A memória recuperada é o que ainda nos faz viver por cá, na confusão. É uma escrita que não esquece o que lá vai, as mulheres que vieram antes, mas também antigas companhias, amores, amizades. São textos que conversam longamente com o passado, numa tentativa de com ele fazer contas, chegar a uma paz, originar um recomeço ou deixar-se afogar. Por vezes, uma curta linha é suficiente para descrever uma partida, uma saudade. É um longo luto que se faz em frases soltas e incompletas, habitando numa nuvem cinzenta de sentido para aquilo que fica. É a difícil luta de viver com a ausência e forçados a agir como se nada tivesse acontecido. São discursos que alguém lerá para não quebrar, para viver com o que sobra.</p>
<p><strong>André Murraças</strong><br />
dramaturgo</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>A casa da memória</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-casa-da-memoria</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 May 2024 14:26:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Aos olhos levo a água lenta que corre para a terra
sob a névoa de uma manhã cega
de
chuva.

Sem nenhum anjo da guarda
à entrada
da Casa da Memória
agora,

só tu e o mar.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“Não tem importância nenhuma escrever um poema”, diz Azenha. E com isto ela sacramentou a verdade da causa secreta do poema, sua metafísica, sua origem, a fenomenologia de sua aparição.</p>
<p><strong>Rogel Samuel</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Autobiografias ou o que se é enquanto se tenta ser</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/autobiografias-ou-o-que-se-e-enquanto-se-tenta-ser</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 May 2024 09:17:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Há uma estranha normalidade e antiguidade nos gestos matinais.

Repetem-se quase intocáveis há anos, e sinto-me a caminhar num passado que desconheço ou que esqueci enquanto caminho até ao trabalho.

(<em>sobre o dentro e o fora</em>, número 8, página 23)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Autobiografias ou o que se é enquanto se tenta ser</em> é o primeiro livro de coletâneas de textos de Francisca Sousa Soares.<br />
Estruturado cronologicamente, com pequenas passagens que lembram entradas de diário, questiona o que difere a autobiografia da ficção e o banal do extraordinário. Assim, como o ciclo da natureza, acompanhamos as percepções e os sentimentos da autora que nascem, crescem, transformam-se e desfazem-se para depois nascerem novamente.<br />
Na sua escrita, Francisca reflete-se e parece moldar-se a todos os estados possíveis, entre sólido, gasoso e, principalmente, líquido. A própria expressão ‘o que se é enquanto se tenta ser’ descreve algo que vive mas que não é possível intitular. Assim é o corpo da narradora que nos conta em pequenos textos, e quase em sigilo, como é que o ser humano se funde entre construções premeditadas e instintos selvagens, estes que provêm de lugares ancestrais e de uma sabedoria intrínseca.<br />
São reflexões profundas e introspectivas que analisam as rotinas diárias e as expõem como vivências complexas e repletas de questões filosóficas. O ritmo da vida é alongado ao máximo que lhe é possível. Um sentimento natural das almas jovens e ambiciosas que procuram incessantemente conhecer-se a si e ao mundo, com uma teimosia que é no fundo uma vontade plena de viver cada segundo e mergulhar cada vez mais fundo num mar de novidades e incertezas.</p>
<p><strong>Pietra Galli</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Escândalo escuro</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/escandalo-escuro</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Apr 2024 13:43:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Um colo ficou vazio,
intacto na noite,
quando te foste em direção a outras noites,
e o silêncio ficou a arejar-me o peito
que já não tem o teu contorno,

que é só escândalo escuro.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Na superfície das palavras bem garimpadas, vem o alívio: Arte. Para dores escuras.<br />
No subterrâneo, como lava quente, num vulcão em franca ebulição, brota o fulgor. O escândalo. Ou seria do fulgor? Ou, talvez ainda também, no fulgor do escândalo?<br />
Luminosa como um candeeiro na caverna, Carolina mostra suas veias, seus meandros. Coloca o imensurável na linha do horizonte. Esse lugar existe sem talvez ser nunca suposto pelos olhos que leem. Capturados pela cordialidade rebelde daquela presença potente que se faz pairar. Em cena. Em linha, em verso. Uma artista que entende a impermanência está em busca da eternidade no agora do sentir.<br />
Desmedida, intensa. Abusada mesmo e no seu escrever incontrolável da pessoa que deseja romper limites. Seus, meus, nossos. Amém.<br />
Quero estar na plateia de todos seus assombros. Como guarda-chuva na tempestade violenta. Na proteção segura da tempestade, que acabou de passar. Do sentimento que atravessou o pensamento em busca da palavra. Palavra hóstia. Dando, assim, novo sentido ao estar. De novo o agora, sim, mesmo na madrugada seguinte. Ou anterior. Pouco importa. Importa a flâmula, o vigor, a desafinação perfeita de sons inaudíveis. O torpor das noites insones. Criando e demolindo seus castelos. E são tantos. E há tantos por vir. Afivele seus cintos porque o melhor aqui está sempre por vir. Na próxima página, na próxima máscara. O palco da escrita te aguarda a cada espaço vazio bem-ocupado. De um ar que corre pelas frestas que restam do fôlego, na voz partida do coração já quase sem som. Mas que ainda bate forte.<br />
A escrita de Carolina perturba e ronrona. Aponta dores possíveis na beleza estética de quem acaricia palavras. Ela as usa. Toca-as como notas musicais do seu sentir tão vertiginoso. Algumas morrem, quedadas nos precipícios da sua ousadia, mas nenhuma vai sem que as beije uma a uma em despedida antes que se afoguem nas linhas.<br />
Há um matar e um morrer que não se cala em nós.<br />
A garganta sempre viva da artista, pulsa, arde a carne.<br />
Nos escuros ou nos escândalos, nada morre:<br />
Pois tudo Vive<br />
Na Entrada<br />
Na Tomada<br />
No Assombro<br />
Na Vida Eterna<br />
Ave, Carolina<br />
Que na sua Poesia<br />
____________ se<br />
Eletri(fi)ca</p>
<p><strong>Christine Fernandes</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Mulher, Posso e Mando</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/mulher-posso-e-mando</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Apr 2024 15:31:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Nunca me senti tão barragem
De comportas a ceder
Ruturas
Trémulas

Nunca me senti tão represa
De águas a tremer
Tonturas
E névoas

Nunca me senti tão contenção
Húmida
De águas
Afluentes

...

(<em>Barragem que sou</em>, 82)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A poesia de Maria Caetano Vilalobos<br />
grita no papel.</p>
<p>Não leia parada/o.</p>
<p>Leia em movimento, voz alta,<br />
palavra entre a língua e o pé.</p>
<p>A palavra performática de Maria implora por ação.</p>
<p>A poeta constrói imagens como quem viaja junto,<br />
cantando no carro,<br />
observando as nuvens<br />
e o cheiro dos pneus.</p>
<p>A estrada é a sociedade,<br />
e o veículo,<br />
um corpo de mulher.</p>
<p>Goza, treme e luta.</p>
<p>O corpo poético de Maria Caetano imprime<br />
as suas opiniões e manifestos na palavra<br />
e as palavras em seus movimentos.</p>
<p>Convida a não assistir ao presente<br />
impunemente.</p>
<p>Aceite e mova-se com ela<br />
sabendo que, juntas,<br />
podemos.</p>
<p><strong>Maria Giulia Pinheiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Hamsterdão e alguns desapontamentos de poesia tópica</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/hamsterdao-e-alguns-desapontamentos-de-poesia-topica</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Apr 2024 10:03:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[viver todos os dias
cansa

há demasiado tempo
ruído e confusão
sobredose de informação

perde-se o foco e a esperança
com a lista de compras na mão

é infinito o rol de cenas
a verdade é adaptação

da realidade
queremos saber apenas
se o roque ainda é o que era
quando chega a primavera
ou se chega
ou não
(...)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Na declaração de intensões — assim mesmo — com que abre <em>Hamsterdão,</em> e alguns desapontamentos de poesia tópica, Rui Portulez trincha a poesia em cima de uma mesa de mistura e tempera-a com um raminho de ervas confessionais: “a meu favor/muitas canções de amor/versos que só eu sei de cor/e pouco mais”.<br />
Para muitos, Amsterdão é aquele lugar onde se vai em busca de um café simpático, onde se possa enrolar um charro sem ter a polícia à perna ou, para os mais dados a confortar o estômago, uns bolinhos com ingredientes extra. Para Portulez, que trata de inventar aqui a sua própria cidade, esta será um pouco a terra de todos nós, uma utopia nebulada onde “usamos espressões/em série/de televisão”, esperando “pelo anúncio da próxima rodada/para voltar a encher o copo”.<br />
Recusando fazer a revolução no sofá, Rui Portulez dispara em várias direcções, soprando a nuvem de forma difusa a que chamamos cloud, definindo a (nova) imortalidade como o “acaso de alguém tropeçar em nós”, caminhando pela terra do like tentando não ficar enleado na “sobredose de informação” ou no extenso “rol de cenas” que nela habitam. A rádio, essa continua a merecer os mais rasgados elogios, uma forma de resistência que caminha em ondas hertezianas: “há gente tresmalhada/energia e bons refrões/em transferência modelada”.<br />
Em tempos de enfiar a cabeça na areia ou no forno, as dúvidas chegam a perturbar até o espírito mais irrequieto: “vale a pena insistir?/vale a pena resistir?/vale a pena um bom refrão?/vale a pena outra canção?/vale a pena apresentar reclamação?”. Como começar, então, a revolução que a todos toca, tirando o caruncho a um reino que está tão podre quanto o da Dinamarca imortalizada por Shakespeare? Talvez começando por aqui: “há que levantar o cú do sofa, ya/e os olhos do umbigo”.<br />
Como muleta ou consolo, teremos sempre a música — e o vinho: “é urgente convocar/o cancioneiro popular/e deixar a porta aberta/ao desvario e fruição/da pop descoberta/à canção de intervenção/à loucura e ao protesto/brindo de copo na mão/emborco tudo de resto”.<br />
Anos depois de <em>Rima, não rima?</em>, livro de poesia para adultos descomprometidos com letras que dariam canções para gravar um novo disco para meninos, Rui Portulez faz do verbo fazer o motor da revolução: “fazer de conta/fazer por fazer/fazer por dever/é coisa de valor!”. O livro fecha-se, mas a janela com vista para esta <em>Hamsterdão</em> comum fica aberta. Saltemos.</p>
<p><strong>Pedro Miguel Silva</strong><br />
in <em>Deus Me Livro</em></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Silvina</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/silvina</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Apr 2024 11:23:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[há um santinho bem gasto
tinta estalada e fenda quebrada a meio
com o menino ao colo
fica de lado sobre a cabeceira
nunca ninguém lhe reza
nem lhe dá graças por melhores dias
sempre deitado no mármore
quieto sem nome nem milagre

não sabem
mas a avó é que o beijava
todas as noites antes do sono
e essa é ainda a bênção
que guarda aquela casa

(<em>dia 8</em>, página 9)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Para a Leonor e a sua Silvina.</p>
<p>Em cada poema de Leonor, há uma casa num Sul pouco árido mas húmido e fresco. A frescura é tão velhaca que está sempre presente e à espreita pelo ombro, tal como a morte. <em>Como uma erva daninha numa parede de betão? Sim, como uma erva daninha numa parede de betão. À entrada, ela diz, poisem a cabeça neste varandim e olhem para a pombinha morta, e nós olhamos, mas é como se a pombinha fosse voar a qualquer momento. A pombinha está morta?</em> Silvina desorganiza-nos; é uma selvajaria de ruas, flores e chochos gordos que enchem os lábios de ternura. Se há uma casa, há alicerces tortos e açucarados como a seiva de algumas árvores e pelo caminho;</p>
<p><em>golfadas de silêncio absolutas</em><br />
<em>como poças de ar</em></p>
<p>Encontram-se becos sem saída e angústias. A poesia é angústia. Nesse silêncio dos lugares que já conhecemos, julgamos perder a sensibilidade. Não queremos um Alentejo moderno mas um Alentejo sem modernices e pejado de léxico vintage; queremos inhas, inhos, itos e itas. Cacofonia e açúcar. Não sabendo se a pombinha se encontra viva ou morta, temos sempre para onde nos virar, e há sempre uma janela na poesia <em>Silvina</em>. A Natureza, obviamente, é o que vemos dessa janela para nos aliviar do burburinho dessa angústia. À mesa erguemos chávenas e praticamos o tilintar à burguesia, mas a falhada. Pode a burguesia ser outra coisa que não falhada? E, se há sempre um santo em casa de alguém, estalado, mofento e com bafio nas brechas, também há sempre um santinho na poesia de Leonor. Estamos de saída mas ainda queremos soprar milagres. <em>Silvina</em>, minha querida, penso nela todos os dias. Sopramos, não acontece nada, só a sombra que as pedras fazem nos pequenos círculos de relva fria é que parece aumentar. Ah! É verdade, dizem que os milagres não existem, mas Leonor diz muitas coisas, e eu digo esta, há luz na sombra, que cliché tão cheiinho de<em> verité</em>.</p>
<p><strong>Rafaela Jacinto</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Navio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Mar 2024 14:27:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[em protesto
os frutos subiam às
árvores
prendiam-se
aos ramos
e recusavam-se a
cair.

(Protesto, página 13)]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Na melhor tradição da atual poética em língua portuguesa, António Quintas Mendes faz pausar o tempo, ralentar a vida, cumprindo as funções máximas do poeta: baralhar sentidos, dar novo nome a velhas coisas, transformar palavras em perguntas e certezas em delírios.<br />
A relação entre Brasil e Portugal é ressignificada a partir deste <em>Navio</em>, nau contemporânea mensageira dos poemas do autor, ora líricos, ora misteriosos. Então, cenas e imagens se sucedem, mas a pressa esperada não assalta a alma que, sequestrada por metáforas potentes, queda frouxa e extática nesses alguns versos e poemas que singram mares, borrascas e funduras, desde o lado europeu do Atlântico.</p>
<p><strong>João Peçanha</strong><br />
escritor, doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Ninguém fica rica a trabalhar</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/ninguem-fica-rica-a-trabalhar</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 Mar 2024 18:09:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Torna-se inevitável descobrir como
Coreografar areia
Desprogramar o café da manhã
Soltar berros fortes
Beber o máximo de água das pedras possível
E ficar mineral
Aquecer o colchão e não os lençóis
Dormir sem lençóis
Dormir sempre com algum corpo
Nenhuma cama deveria estar vazia
Torna-se inevitável descobrir como
Pagar a conta de eletricidade no mês de dezembro de 2022

<em>Para a Mafalda</em>, página 13.

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Ninguém fica rica a trabalhar</em>, o primeiro livro de poesia de Sofia Lemos Marques, nasce da necessidade descomplexada de escrever e é como se nos convidasse a nós, seus leitores, a fazer exatamente o mesmo. Ver no baixo preço das diárias um convite alargado a todos e na humidade das paredes a inutilidade da rápida construção é olhá-las para lá da sua existência simples: tudo poderão ser sinais que nos apontam para as ideias, temos de estar atentos. Este livro traz-nos a audacidade de ver na marmita em tupperware a classe operária que, mesmo com cursos e mestrados, se une à mesa do escritório. Não nos enganemos, a nossa liberdade começa nos nossos pequenos sonhos quotidianos — será o topless na piscina municipal um sonho impossível de concretizar? E a escrita? Posso escrever? Ok, obrigada.</p>
<p><strong>Ana Mariz</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>A observadora de pássaros</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 09 Mar 2024 13:51:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Fumavas como arregaçavas as mangas.
Saltavas em ressaca como se fosse de alegria.
Olhavas de soslaio como se disfarçasses
a ternura que as olheiras escondiam.

Sorrias de barba à frente
e querias sempre sentir doçura
para além do dia.

Tentavas.

(página 56)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Esta observadora de pássaros é uma observadora de passagens e, inevitavelmente, de memórias, que surgem, muitas vezes, sob forma narrativa, ao criá-las em histórias, esses meios, tão antigos como as fogueiras, de construção de comunidade.<br />
<strong>Raquel Luís </strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Um dia serei humano</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Mar 2024 13:24:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A memória de não ser amado
ascende no calor do verão
como escapar ao laço do outro?

As aves por exemplo será
que apreendem a sua forma alada
na angústia do embate na rede?

(Regresso aos mistérios, página 19)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Por aqui começa então a poesia de João Vilhena, esta é a ponta do icebergue que se esteve formando há tantos anos, em tantas cristalizações subterrâneas e invisíveis. E, se não é tarefa fácil para mim a de segurar esta garrafa de champanhe gelada com que o quero brindar, é precisa muita coragem para lançar esse barco num mar cheio de portentos e potenciais titanics.<br />
Quem é então este poeta, ou seja, o que nos diz esta poesia? Há, na poesia de João Vilhena, uma oscilação clássica entre duas pulsões: se por um lado o autor é capaz de dotar muitos dos seus poemas de um lirismo bastante erotizante (eros), por outro lado há uma constante observação da morte (thanatos) no decurso da sua escrita: “Os mortos quero crer são plantas/em movimento no pátio com o sol/mas quem afinal se move é a terra/o sol vai ficando atrás de nós/mudam as mãos as plantas no pátio de lugar/e surgem flores: a vida toda/condensada em horas/mas que morte será a das plantas/ainda vivas quando se for a mão/que em busca do sol as move?”.<br />
O Algarve é tanto o território deste poeta, que aí nasceu, quanto a cidade de Paris, onde agora vive. Alguns destes poemas reflectem essa dupla vivência, essa contra-dicção, essa convivência, por vezes mais feliz, outras mais conflituosa. E que poemas não nascem do conflito feito inquietação (por vezes aparentando acalmia)? Imagens várias, sonetos falsos e imperfeitos, esparsas e outras músicas constituem a música por onde se pauta esta poesia (auto-)questionadora, rigorosa e, na sua simplicidade, muito lida.<br />
Mas não precisamos saber muito mais, para já, sobre João Vilhena. Não precisávamos saber nada, na verdade. A sua biografia, a de qualquer poeta, não nos pode interessar, no limite.<br />
No limite das palavras, o que podemos dizer sobre este João português é que ele “um dia será humano”. Título provocatório em tempos de inteligência artificial, ou da progressiva ausência de sentido de comunidade. Ele lá saberá o que quis dizer com isto, e nós, seus leitores, com isso não temos nada e temos tudo.</p>
<p><strong>Ricardo Marques</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O jardim onde os poemas murcham</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-jardim-onde-os-poemas-murcham</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Mar 2024 11:08:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Havia algo de sensual na violência.
No frio da navalha entre os corpos.
Quando o sangue fervia
E tudo era raiva e fogo,
Que com a língua nos despia,
Sem reflexo no espelho.

Matéria feita poeira,
Alquimia da devassidão,
Mestres da manipulação.

(<em>o fogo</em>, página 39)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Um jardim é um lugar. E um lugar é o onde-quando em que o tempo e o espaço se cruzam para fazer-se hábito. Mas o hábito — o fazer-se significado até do absurdo — não é algo que permaneça, que se essencialize ou que se transcenda. O hábito, num lugar, é o que persiste na transformação.<br />
O jardim de Rosário Alves Cardoso é um lugar em que o hábito se faz no entre: num espaço e num tempo amplos e demorados, onde as coisas fervilham, levitando, entre uma e outra coisa. “Por isso pairas,/Bem longe do que és/E não és balão sequer.”<br />
O entre, esta distância entre as coisas contrárias, é uma casa. E habitá-la não parece fácil. “Entrem. Fiquem. Bem-vindos ao jardim”, somos assim convidados, talvez por alguém que amanheceu estátua e cuja existência é apenas sinalizada por “pontas de cigarros intermitentes”. Entrar, poderíamos dizer, é estar no entre. Este não é um convite fácil. Mas entramos. E encontramos então poemas murchando, um pouco por todo o lado.<br />
O que será isto de poemas que murcham? Imagino então palavras que levitam — como algo entre um grito e um suspiro, entre o dado e o indizível — e que depois caem na terra húmida, virando húmus. Os poemas murchos são linguagem que habita o entre: o crepúsculo entre a noite e o dia, o cruzamento entre a vida e a morte, a ponte entre a vigília e o sonho, o “cheio vazio” e o “vazio cheio” entre o tudo e o nada, o “imprevisto cósmico” entre o absurdo e o dogma e a “ausência da comunhão do todo” entre o ego e o comum.<br />
No Jardim onde os poemas murcham a poesia é matéria viva e morta, onde as coisas se encontram e se misturam. Os poetas são “necrófagos da experiência humana” e do mundo. E os leitores são “abutres que se alimentam do poeta morto”.<br />
“Escavo e escrevo até o coração bater apenas/Pelas cordas tendinosas que o sustentam./Sou só ridículo/E gosto da audiência desta morte transmitida”.<br />
Entramos. E a meio das estátuas, das flores várias, da areia e deste húmus, descobrimos que o jardim do entre é também o lugar da alteridade. E que este lugar se pode habitar de várias formas. Com indiferença, soberba e sarcasmo. Ou com empatia — esse gesto que se deleita no esforço do impossível. Rosário Alves Cardoso parece conhecê-las a todas e parece ter escolhido a sua.<br />
“Ninguém chorou por ti,/Nem pegou na tua mão cerrada./Dormiste até adormecer.//Não te sou ninguém./Mas chorei por ti.//Amanhã há mais”</p>
<p><strong>Miguel Oliva Teles</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Tosca lyrica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Jan 2024 13:13:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Não sei escrever poemas de amor
só sei adivinhar-te na ausência
só sei adiar o silêncio para te procurar na luz
só sei comer pão nas horas mortas
esperando que o estômago reaja
ao calor do amido e do fermento
como compensação por não ouvir meu nome
saindo como um fruto da tua boca.

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Tosca Lyrica</em> é fruto de uma síntese de metamorfoses condensadas em verso. Alguns destes versos careceram de algum tempo nas trevas de um caderno fechado para que se percebesse se seriam semente ou esterco. Muitos foram esterco.<br />
Estes, porém, e na perspectiva da poetisa, tornaram-se sementes. Poderão ser raízes de outra espécie, ou ramificar-se. Existe um elevado grau de imprevisibilidade na escrita lírica — por mais que os poetas afirmem habitar num reino místico de onde se colhem poemas como frutos das árvores,<br />
não será bem assim. É difícil encontrar um poema que se possa contemplar, morder, despedaçar. A espera, creio, faz parte integrante do processo de escrita. Não obstante, eu devo ter-me enganado, e duvido que esteja no tal reino místico de que os poetas falavam. No reino onde estou, há aridez sob os pés e pó na atmosfera. Todas as janelas de todas as casas se quebraram, e todas as portas se abandonaram, permanecendo abertas. Cicia o vento. O ar crepita de febre e de fumo. Não é fácil encontrar libélulas poisando num lago, ou buganvílias espreitando de um muro. As pessoas parecem silhuetas que parecem sombras. Não se ouve música, canto ou som cristalino. Nem sequer a água ecoando de um poço. Mas continuo à procura.<br />
Talvez <em>Tosca Lyrica</em> seja isto: um testemunho da procura de um reino que já ninguém encontra.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Merdas do amor</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/merdas-do-amor</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jan 2024 10:59:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Esse perfume deixa-me extasiado
Louco, delirante, inebriado
Num tumulto de sensações únicas
Transportado a paragens idílicas
Aos pensamentos mais atrevidos
À inocência primitiva dos sentidos
E mesmo quando mais sonoro
O teu peido é lindo. Adoro!

(o teu perfume, página 49)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Conheço o autor há muito tempo. Não fosse ele meu pai há 20 anos. As piadas sempre lhe foram inatas e sempre fizeram parte da nossa relação, especialmente as “piadas secas”. O meu pai é super talentoso, disso não há dúvidas, desde ter-se autoensinado a tocar guitarra até a escrever textos com uma destreza impressionante.<br />
Mas nunca pensei que a sua maior paixão algum dia pudesse ser a poesia. Um dia estávamos os dois na sala de espera de um serviço de saúde e, em modo de brincadeira, desafiei-o a fazer um poema tendo como base a palavra “gaivotas”. E, em três meses, este senhor tinha escrito, ilustrado e paginado um livro. Fiquei tão impressionada e orgulhosa ao mesmo tempo.<br />
Apesar de tudo isto, vou ser sincera, sempre gostei do início dos poemas, especialmente aqueles que eram contemplativos. Mas porque é que todos têm que acabar com algum tipo de humor de casa de banho? Porquê?<br />
Os poemas estavam tão bonitos nas suas palavras e forma. Mas, mesmo não sendo este o meu sentido de humor e ficar sempre com cara de enjoo depois de acabar de ler os poemas, tenho a certeza de que o livro vai encontrar a sua audiência. E espero que cause exatamente o que o meu pai quer, risadas e boa disposição.</p>
<p><strong>Clara Rodrigues</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Reclamar a sacarina surpresa</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/reclamar-a-sacarina-surpresa-2</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Nov 2023 17:47:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Espero
que a data da minha
última menstruação
me seja bem
anunciada,
para
assegurar
a maior das
festas,
com o mais
elevado gáudio,
a mais estridente
gargalhada,
o mais
ostensivo
guarda-roupa
e o mais
animado
arpejo.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Como naquele instante em que, ao vestir-me, senti que o meu corpo era o corpo da minha mãe; que eu era ela ou o contrário, não sei muito bem, e assim me tornei oficialmente adulta.</p>
<p style="text-align: justify;">Denise reconhece na bisavó as suas próprias pernas. Aquelas que seguram o peso do corpo, da família, da casa, do trabalho invisível e do trauma. Enquanto mulheres sabemos bem que verbos guardam para nós: suportar, servir, aguentar, ouvir, carregar, engolir, calar, cuidar, cuidar, cuidar, calar — variantes viciadas da subalternidade. O que herdamos das nossas mães e avós é mais carga simbólica que genética. Ressentimos no corpo as falhas da História e perdemo-nos na repetição. Mas o que temos de nosso afinal? Quem podemos nós ser no meio da confusão?</p>
<p style="text-align: justify;">Denise volta ao início. Observa-se. Descreve-se para se encontrar e, ao fazê-lo, propõe um novo atlas sensível da anatomia feminina, que é poema e manifesto — insurjam-se, moças, contra o ato de contrição. O direito à ira é vosso, assim como o desejo, o prazer e a alegria!</p>
<p style="text-align: justify;">O exercício que lhe serve de contorno estende-se a nós, neste pequeno poemário de palavras afiadas e exatas, em que o corpo se faz de matéria, mas também de política, memória, dor e festa, tempo, espaço, campo, revolução e voz, voz, voz…. que nos encharca de riso áspero e choro, espanto e admiração.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez as pernas ainda suportem o peso do passado, mas chegará o dia em que um grito das entranhas se lançará livre pela primeira vez.</p>
<p><strong>Mariana Camacho</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>O livro do absurdo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-livro-do-absurdo</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/o-livro-do-absurdo#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Aug 2023 20:07:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[nasci no século xx e vim para a poesia a nado
como tinha números no sangue estudei matemática como não trazia letras
fiquei a escrever cartas ao Minotauro]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Absurdo é uma palavra de origem latina que procede do termo absurdus, que é a junção das palavras ad e surdus, na qual a primeira significa afastamento, afastamento no tempo e no espaço, e já a segunda relaciona-se com o ouvido, fora do que comumente se ouve.<br />
Escreve Walter Franco:</p>
<p>“o<br />
ab<br />
surdo<br />
não<br />
h<br />
ouve”</p>
<p>Em <em>O livro do absurdo</em>, o criador, representado inúmeras vezes pelo Homem do Absurdo, faz o escândalo de uma sociedade. Ele tem uma forma própria de a manifestar. Forma que não coincide com a forma dominante da sociedade em que vive perante a qual é um estranho.<br />
Não é fácil descrever os homens e o mundo e ao mesmo tempo conviver com eles.<br />
Ele não é indiferente ao sofrimento, às injustiças, e aos mecanismos que escravizam o ser humano, tornando a Criação uma necessidade, embora saiba que só mergulhando no Absurdo a (re)vela.<br />
“A arte pela arte, o divertimento de um artista solitário, seria uma arte artificial de uma sociedade fictícia e abstrata. O seu resultado lógico seria a arte dos salões ou a arte puramente formal cheia de preciosidades e abstrações e que acabaria pela destruição de toda realidade”, diz Camus.<br />
O livro do absurdo é um poemário que usa a linguagem ordinária com o intuito de ultrapassar a própria linguagem e recorrendo a uma escrita irracional, sabendo que o absurdo não se situa nem no homem nem no mundo mas na relação de confronto entre ambos.<br />
Se o consegue ou não, só o leitor o dirá.<br />
Advirta-se:<br />
Este poemário brinca ao absurdo com o gato de Schrödinger.</p>
<p><strong>Alexandra Kräft</strong></p>
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		<title>Fronteira-mátria [ou como chegamos até aqui]</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/fronteira-matria-ou-como-chegamos-ate-aqui</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Jun 2023 10:11:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Sou fronteira
dois lados de lugar qualquer
um pé em cada território.

O ser fronteiriço é
nascer
&#38;
ser
de todo-lugar/ lugar-nenhum.

(...)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Todas as coisas primeiras são impossíveis de definir. <em>Fronteira-Mátria</em> é um livro que traz um oceano ao meio. Neste projeto original que une TERRA e MAZE, há que mergulhar fundo para ler além da superfície uma pulsão imensa de talento e instinto.<br />
Toda a criação é um exercício de resistência. Aqui se rimam as narrativas individuais, com as suas linguagens, seus manifestos, suas tribos, mas disparando flechas para lá das fronteiras da geografia, do território, das classes e regressando, uma e outra vez, à ancestral humanidade de uma história que é coletiva — a nossa. Veja-se a beleza e a plasticidade da língua portuguesa, a provar como este diálogo transatlântico é também a celebração necessária do que, na diferença, nos une.<br />
Todas as coisas surpreendentes são de transitória definição. Há que ler as ondas nas entrelinhas. Talvez o mais audacioso deste livro seja o servir de testemunho para muito mais do que as quatro mãos que o escrevem. Ficamos nós, leitores, sem saber onde terminam eles e começamos nós.<br />
Todas as coisas maravilhosas são difíceis de definir. Este é um livro para ouvir, sem sabermos se é poesia, se é música, se é missiva no vento. Se é uma oração antiga, ainda que nascida ainda agora pela voz de dois enormes nomes da cultura hip-hop de Portugal e do Brasil. Mátria carregada de futuro, anterior à escrita e à canção.</p>
<p><strong>Minês Castanheira</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Nos confins de um lapso</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Jun 2023 14:42:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[uma revoada de palavras simples,
guardadas
ao acaso do bolso das calças
como pedras, como vagas.
Um veleiro antigo
ou as mãos brandas do destino,
esfolemos a preceito as suas
almas danadas.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Se atentarmos nas afirmações de René Char, de que “A poesia é o amor realizado do desejo que permanece como desejo”, ou de que “Aquele que vem ao mundo para nada perturbar não merece nem consideração nem paciência”, talvez possamos olhar <em>Nos confins de um lapso</em>, de Fernando Chagas Duarte, e perceber esse frágil mas persistente canto, que se tenta fazer grito, elegia, poesia, em todos os sentidos.<br />
E é um canto por entre tensão, quer filosófica, quer expressiva, nos meandros dialógicos da subjectividade e objectividade interior e exterior, sobretudo em alguns dos textos, pois, como profere: desconheço/a cópula infernal/dos insectos/desconheço/o impossível milagre/das rosas/(…) é que o tempo/tem o paladar do engano/essa substância espessa/da ingratidão.<br />
Se escrever poesia hoje, a julgar pelos actuais circunstâncias de insanidade do mundo, poderá expressar uma atitude susceptível de ainda se resistir, a questão da utilidade do acto poético impõe uma abordagem mais profunda dos impasses que a envolvem na linguagem bárbara do mundo. Este livro é um corpus do labor poético do autor, quer seja na “reconhecida” leitura de poesia, seja no polir do artefacto poético. Citando o grande Antonio Machado, “o caminho faz-se caminhando”, e é isso que F.C. Duarte está a fazer desde o seu primeiro livro, a resistir, a caminhar!<br />
Um livro que, de alguma forma, no seguimento dos anteriores — em que quase todo o labor poético é uma viagem, a do poeta, a nossa, a de todos —, é uma ética da palavra, da poesia, do humano, onde a escoriação e o fogo são, ou só poderão ser, o único catalisador desta poesia, na poesia: serei a mesma parte de um homem/que se alimenta do silêncio,/quase aos braços dele//os animais são uma parte adormecida/essa secreta errância da ternura/que sobe pelos pulsos da existência.<br />
Se antes de Baudelaire e Mallarmé a poesia se evidencia por falar sobre um sujeito que busca somente desvendar as esfinges da sua alma, autores modernos, como Char e, de alguma forma, como o autor, já não buscam uma resolução para o quem sou eu?, mas, sobretudo, questionam, mas e tu, quando surgirás?<br />
A poesia de F.C. Duarte é uma busca incessante da percepção do mundo, interior e exterior, suportada por um palimpsesto lírico e metafórico, mas também fotográfico do real, do seu real. E, se algumas palavras ou imagens o acompanham desde o primeiro livro ou poema — água, mar, chão, lugar, memória, tempo, poesia —, neste livro, como é natural, palavras ou imagens de crueldade, humanidade, guerra, fim, branco, ruína inundam a textura que se reflete no olhar do poeta e do leitor. Perante este mundo, nem a poesia, nos confins de um lapso, poderá travar o suicídio da humanidade: <em>as palavras/estão tão gastas, o passado é tão inútil/como as mãos do mundo/(…)/as pessoas parecem enigmas umas das outra</em>s.<br />
Concluo, esperando que a ética poética de resistência que daqui brota possa espelhar-se do “alabastrino” do poeta para os olhos e coração dos leitores e que o amor e a poesia possam reviver a infância, a nossa e a do mundo, para que seja possível ainda o “tempo enfim de ser humano/(…) em transparência”!</p>
<p><strong>João Rasteiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Metamorfose do corpo enquanto dorme</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Apr 2023 10:58:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[(...)

Sou ventre de pássaro
e no corpo das palavras
pouso o amor que descansa sobre a mesa.
Trago em mim trinta corpos teus,
habito dentro do teu nome,
menstruada de frio e noite escura,
sentada,
plena,
em modos de morrer.

<em>(modos de morrer</em>, página 19)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Marta Rocha apresenta-se neste primeiro livro como uma poeta do amor-corpo fluido e de consciência surrealista.<br />
Num imaginário que habita as divisões da casa, o trabalho fonético e gramatical exige uma leitura atenta à melodia cuidada dos seus versos, naquilo que é mais uma evidência de que a sua poesia é para se ler “sedentos de vincos de nós”.<br />
Deste imaginário nasce um outro rio, o do corpo, cuja metamorfose evoca a impossibilidade e a deterioração do sentido habitual das palavras.<br />
Marta Rocha, neste seu conjunto de poemas, encontra um ser-se erótico, fundindo corpo e casa que acabam, quase sempre, na ausência.</p>
<p><strong>Guilherme Lidon Guerra</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>A simpatia dos exilados</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Apr 2023 01:34:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[separados por paredes

da flor do pinheiro defronte

colho a corrente

até meu filho
deitado
na mesa de operação

capaz de continuar
a operar vida

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Este livro de Manuel Almeida Freire foi escrito no decurso de duas pestes mortíferas (a pandemia do vírus Covid-19 e a guerra suja de Putin) e de outra ainda mais mortífera (a anunciada peste climática, que tudo indica ir pôr fim à vida no planeta que habitamos).<br />
Este pano de fundo convoca indignação e, no caso de haver talento disponível, a expressão acutilante dessa indignação. O horror que defrontamos não se compadece com uma linguagem penteada e vigiada, antes sugere, com grande força e acinte, o uso deliberado daquele calão feio, do qual o grande poeta americano Carl Sandburg dizia que ele é “a linguagem que arregaça as mangas, cospe nas mãos e vai à vida”.<br />
O autor deste livro usa o verso livre, que notáveis poetas do século xx rejeitaram, mas que outros, igualmente notáveis, acolheram.<br />
O verso livre acomoda bem a linguagem brutal, vingativa e assassina, que se impõe, como reacção inútil mas incontornável, ao pesadelo que vivemos e promete ser terminal.<br />
O verso livre e indignado é aquela espécie de “gaguez organizada”, de que falava Marshall McLuhan, a propósito de linguagem, e que esta, de Manuel Freire, é, muito em particular, bom exemplo.<br />
W.H. Auden definia a poesia como “a expressão clara de sentimentos confusos”. O verso livre do autor deste livro nunca deixa de ser claro, mesmo quando glosa a grande confusão que nos cerca e os sentimentos contraditórios que nos visitam. Sandburg, a que já atrás recorremos, dizia que a poesia é misturar jacintos com biscoitos. A poesia fala-nos, realmente, muitas vezes, de “aproximações” improváveis ou bizarras: estas poderão confundir-nos, mas a linguagem que no-las veicula não deve acrescentar à confusão: deve ser clara, para nos permitir visitar a complexidade e o contraditório, sem nos perdermos pelo caminho.<br />
A “linguagem afiada”, de que nos fala um poema deste livro, é isto mesmo: clara, na sua acutilância bem afiada e vingadora.</p>
<p><strong>Eugénio Lisboa</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Muralha</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Mar 2023 11:57:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O mar é uma muralha a bordejar um país
é uma das teorias para ter aqui demorado

estar circunscrita a um corpo d’água e nunca
poder ir parar lá do outro lado

uma ilha, assim aprendi

é haver o mar emparedando
um pedaço de terra

que continua ali por baixo

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Essa Fernanda que agora publica o seu primeiro livro de poemas tem sobrenome de poeta brasileiro, mas desengane-se quem acha que esta poesia é apenas devedora do riquíssimo património poético do maior país da América do Sul. Quem assim proceder ficará no meio do caminho. Aqui estão presentes as pedras que Fernanda foi recolhendo no meio do seu caminho individual, mas, em vez de ficar por ali pensando nelas, ela puxou-lhes algum brilho e erigiu a sua Muralha.<br />
<em>Muralha</em> é, assim, um livro da humildade. A expressão que aqui é mais repetida pelo sujeito poético é «Não sei», sobretudo num poema longo no qual a dúvida se plasma em interrogações retóricas (que livro de poesia não é, todo ele, uma interrogação retórica, mesmo que cheio de frases declarativas?). São poemas urbanos de hoje, de alguém que vive entre baías e estuários e com um oceano pelo meio.<br />
Mas a razão primeira por que este livro deve ser lido é porque ele não pretende estar em cima do muro, apesar do título. Como todo bom livro de poesia, leva o seu leitor a pensar em que lado da <em>Muralha</em> nos devemos (ou queremos) sentar. Eu sento com ela e Blake e Fiama e Sophia e toda a “porra da literatura portuguesa” que, como ela diz, também acabou com a minha vida. Como nómadas, havemos de fazer a festa rija por cima das ruínas do nosso mundo e “explodir essa muralha/arruinar esse muro/assassinar esse verso/e isto é preciso”.</p>
<p><strong>Ricardo Marques</strong></p>
<p><span style="color: #ffffff;">Fernanda Drummond</span></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Preciso de outro cérebro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Mar 2023 15:42:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[fotografias de Wladimir Vaz

Consegui ligar o computador,
a rede já está acessível.
Ontem engoli duas entradas USB,
um cabo áudio,
duas bananas de aparelhagem
e o abecedário completo
do teclado de telemóvel.
Hoje é dia 10.
Procuro, ao acordar,
o meu fio umbilical eléctrico.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>No dia 12 caguei um chapéu,<br />
não sei se o hei-de<br />
usar na cabeça ou no cu.<br />
No dia 13 escrevo um poema,<br />
não sei se o hei-de publicar<br />
ou limpar-lhe o cu.<br />
Dá-me a tua opinião<br />
em cu@poema.pt</p>
<p><span style="color: #ffffff;">elisa scarpa</span></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Descolonizar o sujeito poético</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/descolonizar-o-sujeito-poetico</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Mar 2023 14:56:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Às vezes o naufrágio —
colisão sem fronteira entre os corpos —
meu lugar de repouso ausente
da cronologia semântica do texto.
Creio nas almas
fruto das coordenadas consequentes
de um infortúnio naval qualquer
destroços das profundezas
tesouros à superfície do meu olhar

quando eu nasci, em tempos,
só o mar sei amar

(Naufrágio, página 17)

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Descolonizar é preciso.<br />
Sara Duarte Brandão — “sou um frágil desencontro entre o corpo e a palavra” — proporciona-nos neste seu lucipotente livro uma lenta e incendiária viagem no mar alcandorado da Palavra, esse animal indomável.<br />
(Bem sabe Sara que são sempre as palavras que vencem, resistindo ao silêncio, à distância, ao tempo e à ausência.)<br />
Viagem fecunda, sem métrica, sempre com a madrugada a vigiar-nos os impulsos, a colocar a mão no cachaço da Vida, essa coisa sem solução.<br />
Sara Brandão também sabe que o acto de escrita é um gesto de resistência, de sublevação.<br />
Sara encostou uma metáfora à garganta do poema, e a Poesia (a Vida?), rendida, vai-lhe dando tudo o que ela quer: Amor, Sonho, Liberdade.<br />
Interroga a poeta: “Com quantos cravos se liberta uma mulher?”.<br />
Sara cheira bem, cheira a liberdade, e, já sabemos, quanto mais livre, mais perigosa.<br />
Ler Sara Brandão é aceitar e compreender que há um espaço dentro do Homem onde a liberdade é livre.<br />
“Do cadáver de um homem que morre livre pode sair acentuado mau cheiro — nunca sairá um escravo.” — exulta Cesariny.<br />
Sara Brandão consegue neste livro aquilo que é mais difícil para um jovem poeta: conquistar um estilo, conquistar uma voz própria.<br />
A Sara já tem o mundo debaixo da língua.<br />
<em>Descolonizar o sujeito poético</em> é um livro comovente, eivado de autenticidade, de limpeza verbal, de te(n)são poética.<br />
É um livro líquido, contundente, com humor certeiro, impróprio para manteigueiros, sacristas e convertidos ao império do tédio.<br />
Definitivamente: a Sara escreve para quem a sabe ler.<br />
Escrever é um acto libertador, mas pressupõe a descida aos infernos.<br />
“A estrada que conduz ao céu passa pelo inferno”, ensina-nos Henry Miller.<br />
Sara Brandão é decisivamente “um caminheiro do céu”, em trânsito para Elsinore, em hora de ponta e mola.<br />
Roubem <em>Descolonizar o sujeito poético</em> numa livraria junto ao vosso coração. Ruminem a obra, de trás para a frente. Encontrarão sempre um livro novo, cada vez mais vertiginoso, mais desenfreado.<br />
A alma é a arma secreta da Sara Brandão. Com ela aprenderão a deixar “o verso a cerejar”.<br />
Fico refém do batimento cardíaco deste livro “exquisito”, um livro onde nos arriscamos a perder o pé a cada página folheada.</p>
<p><strong>João Gesta</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Giz</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Mar 2023 14:44:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[prefácio por Emicida

Pantera negra prende
a verdade entre as garras,
afia a História com os dentes.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Mário Quintana dizia que poesia é insatisfação. Afinal de contas, um poeta satisfeito não satisfaz. Lendo Gisela Casimiro, fico pensando nessa insatisfação, que ela partilha com o velho Mário, e em seu poder de nos manter em movimento. Movimento é vida.</p>
<p><strong>Emicida</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Meia lua ou meia laranja?</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/meia-lua-ou-meia-laranja</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Mar 2023 12:05:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Duas esferas.
Dois círculos.
duas esferas mais pequenas,
progressivamente escurecendo,
à medida que te aproximas.

De natureza lípidica,
montanhas lúbricas
que sobressaem,
funcionais e taxonómicas.

...

<strong>[Duas esferas, uma linha, página 57]</strong>

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O presente livro é a segunda publicação não científica da autora. Engana-se quem achar que possa parecer um livro “normal”. Não o é. É um livro que vem apetrechado. Quem consiga sintonizar- se na frequência certa, não só ouvirá um ukulele de maneira persistente a acompanhar os textos, senão que verá surgir, a poucos palmos do nariz, a figura de uma marioneta a recitá-los, com um pontual a dois terços, mais por trás do que pela frente. A partir daí, é um espectáculo sinestésico que se desata. Começa com uma sensação aveludada na boca, um zumbido persistente nos ouvidos e um tac-a-tac, tac-a-tac, tac- -a-tac cada vez mais grave que vai dando lugar ao som da terra a abrir-se num precipício.</p>
<p><strong>Mário Gomes</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Centelha</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/centelha</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Feb 2023 15:31:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Acaba com a minha voz,
começa com o meu corpo inteiro.
Vi nas nuvens, estava escrito, há muito tempo.
Há muito tempo.
Nada começa — já tudo mudou, e não há um fim.
Só o nosso rídiculo de que eu tanto gosto,
e as nossas asneiras, os nossos disparates.
O ar sério que pomos quando estamos irritados
e a nossa maneira triste de brincar às guerras e às cidades,
aos amantes, exactamente como perguntam os rapazes.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Esta <em>Centelha</em> que o leitor tem em mãos abarca dois tempos, situados nos dois extremos do sonho do desterro. O primeiro ciclo de poemas, de ‘Acaba com minha voz’ a ‘Bloco de notas’, escrito entre 2002 e 2008 aproximadamente, prenuncia a partida da autora para o Brasil, onde viveria por cerca de sete anos e se dedicaria à realização de uma obra cinematográfica documental de profunda delicadeza e engajamento. Somam-se a esses os poemas escritos após seu regresso a Portugal, em 2017, por ocasião de uma residência literária no Teatro do Silêncio, em Carnide. Entre esses dois tempos reunidos, a fricção de que nasce a Centelha, título de um de seus poemas mais recentes.<br />
“Acaba com minha voz, começa com meu corpo inteiro”. Esse impactante verso de abertura desata uma das forças motrizes do livro, um ímpeto para a dissolução que se revela ora nessa súplica a um outro, ora na negociação com certa violência simbólica, ora no explícito desejo de fuga da paisagem familiar, num movimento de aura rimbaudiana como lemos em ‘Sentamo-nos lá fora?’: “Quero ir para lá das ruas. Negociar o preço da minha sorte./ Pôr-me num navio para navegar à deriva”. Conforme o desejo avança, esse sujeito cindido vai se metamorfoseando, como no quimérico autorretrato de ‘A inspiração?’: “Eu sou uma ave./ Tenho as costelas de uma vaca./ Os olhos de todos os animais.” Em ‘Daqui a nada’, refulge por fim o ansiado verão perene no horizonte da partida: “Eu tenho planícies a perder de vista/ dentro de mim um riso perdido sabe/ que há um sol inominável que me guarda o corpo.” O corpo, novamente o corpo, ambígua morada que avança pelo caminho sazonal dos pássaros.<br />
Não à toa a intensa carga erótica de alguns poemas, que resvala num desejo de agarrar-se à impermanência, de gargalhar frente à erosão perpétua do todo-poderoso teatro das nações, como nestes belos versos de ‘Para que as mães se sobressaltem’: “A vida é para nós uma torrente de sais / sob um manancial de armas.” Ou, também, em ‘Acaba com a minha voz’, onde esse jargão enleia o jogo mais íntimo: “Só o nosso ridículo de que eu tanto gosto (&#8230;) e a nossa maneira triste de brincar às guerras e às cidades.” Na alcova, afinal, vinga-se a angústia e a desesperança.<br />
Com seus versos livres carregados de mapas, direções, instantâneos de vidas alheias, objetos cotidianos alçados a símbolos, manchetes corrompidas, paixões inebriantes e vagalhões imaginários, esta <em>Centelha</em> de Rita Brás é uma viagem vertiginosa aos cantões da epifania, onde se descobre que partir é também regressar, e que nem mesmo a paisagem mais arraigada ou os olhos do amor podem permanecer a salvo das incessantes transformações a que nos entregamos na imensa aventura da descoberta de si.</p>
<p><strong>Camila de Moura</strong></p>
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		<title>Os cavalos  adoram maçãs</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Jan 2023 11:42:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[antes de olhar
ver

estranhar
o que nos vai no círculo

entranhar
desaprender

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Escritor, fotógrafo e editor de livros, Ozias Filho aprimorou a sua carreira artística e profissional em Portugal, país em que reside há mais de três décadas. Durante esse período, inclusive, o autor de Páginas despidas e Poemas do dilúvio tem desempenhado também a função extraoficial de embaixador da poesia brasileira em terras lusitanas, as mais das vezes sem o natural apoio do Itamaraty.<br />
Como poeta, antes de <em>Os cavalos adoram maçãs</em>, Ozias Filho tivera apenas dois de seus livros editados no Brasil: <em>Insulares</em> e <em>O relógio avariado de Deus</em>. É importante salientar que ambos foram originalmente publicados em Portugal. Portanto, este <em>Os cavalos adoram maçãs</em> já salta da prensa com o mérito de ser a única obra do escritor, até o momento, cuja primeira edição se dá no país em que “Vinicius escreveu um poema/ para Teresa, mãe de Leonor” e para onde se volta, numa página pungente, a sua “finestra di memoria”.<br />
Embora a memória funcione como um<em> leimotiv</em> em diversas passagens deste livro — acendendo até mesmo “o aroma da saudade” ou “a bossa/sempre nova” de Tom Jobim e João Gilberto —, há espaço também para a crítica político-social e para aguda certeza de que “nenhuma palavra pode nos salvar”. A “tecla minimalista do silêncio” serve de contraponto à precisão momentânea da realização poética, exposta ao “esquecimento para continuar/a escrever coisas novas/mesmo que seja para bater/às mesmas portas”.<br />
Até mesmo a dicção confessional jamais se entrega ao leitor, aqui, sem a tradicional sagacidade do ofício: “para não dizer que não falhei às flores”; “desconfio que deus é a minha mãe//quando diz/come e cala-te”; “troco de pele todos os dias/no evangelho de destruir o planeta”; “tu não verás os meus cabelos brancos/a tua face heterônima (…) não verás morrer a ficção que criaste”. Este último excerto se insere num núcleo simbólico no qual a lembrança paterna domina a cena e, aos poucos, se adere ao próprio eu lírico, num processo de radical identificação: “mais anos de calendário/do que o meu pai/entanto o espelho insiste/em devolver-me/a sua imagem”.<br />
O título desta coletânea rebrilha numa peça premida pela imagem de “um cavalo branco morto/estendido sobre a linha férrea que liga/a Praia das Maçãs a Sintra”. Uma imagem que, como um poliedro, reflete em suas faces tanto o “calmo azul/por sobre/a cidade/que perece” quanto a “noite de posses ancestrais”. Captar tais nuances é o destino das grandes leituras. Oxalá o presente livro se entregue por inteiro a este destino.</p>
<p><strong>Iacyr Anderson Freitas</strong><br />
escritor e ensaísta</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Algo errado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Jan 2023 09:46:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[talvez um dia
da janela de um avião
entre o medo da morte
e o silêncio das nuvens
eu acabe por ver um anjo

&#160;

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Algo errado deu certo: as palavras encontraram-se num campo de batalha onde se fizeram aliadas, mesmo que o combate seja inevitável: lutam entre a tristeza e a alegria. Leio-as como se as ouvisse. No recorte destes poemas encontro o autor e quero pôr-me na sua cabeça: “O meu lugar no mundo sou eu”.<br />
Hellington ocupa a geografia afectiva de ser neto de Ana Okarenko, filha de refugiados ucranianos. O livro, sem saber ainda que tinha nascido, partiu da guerra, e os poemas alinharam-se entre a dor e a certeza que tantas vezes a tristeza nos dá, de estarmos vivos. É tão forte essa certeza que às vezes chegamos à alegria. É assim este livro, um semáforo que ora nos faz avançar, ora nos detém para pousarmos sobre palavras tão simples e, ao mesmo tempo, tão certeiras. É a tristeza que nos empurra para a lucidez. São palavras disparadas do coração que ocupam agora estas páginas.<br />
Neste semáforo de poemas algo errado deu certo. Avanço sem medo para a travessia.</p>
<p>Apropriação citada ou Citação apropriada: a questão não é quantas páginas temos, mas quantas nos restam.</p>
<p><strong>Inês Meneses</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Geografias exaustas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/geografias-exaustas</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Jan 2023 12:01:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[(...)

O sexo existe,
no breve instante das mãos a abrir figos
a abrir bocas
métodos pouco ortodoxos
pois se era Deus e Deus sabe de tudo
só pode haver má-fé e ódio às mulheres
como nos livros do Stieg Larsson,

Coração de salvamento.

&#160;

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Este livro é um conjunto de textos — espécie de prosa poética — que foi acontecendo do lado errado do Atlântico. Que lado foi esse, cabe ao leitor decifrar. Fala-se muito de geografia, fala-se de amor e de raiva e de outras coisas que mais parecem um tabuleiro de Scrabble. Essa palavra aqui não vale, essa outra pode ser. <em>Geografias exaustas</em> é um livro que tinha muita vontade de ser redondo e azul, mas é muita turbulência na zona de ventos convergentes do Equador, num voo noturno da TAP, entre Lisboa e o Rio de Janeiro.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Apagão</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/apagao</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Dec 2022 10:58:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A delicadeza
É uma missa.

Opõe sempre ao céu
O frio que fecha
A Graça luminosa.

Reunida na vida,
Cada pétala
Está onde ela chora.

És tu —
Onde não se entra ou mora,
Rubras águas
De duas lágrimas apenas.

Eis que não procuro coisas humanas.
Só a delicadeza me enamora.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Minha querida POETA, quem escreve um poema como aquele que começa assim:<em> A delicadeza/é uma missa</em> não precisa de perguntar a ninguém se a sua poesia tem mérito. Esse poema e outros que juntou a este acervo revelam uma escrita poética singular, na qual a subtileza vulnerável convive com uma assertividade de visão veiculada por um uso certeiro de fonemas que dedilham uma música sedutora. Minha Amiga, não vou cobri-la de palavras inúteis. Sabe bem o que escreveu, não sabe? Espero, esperamos muito de si.</p>
<p>Um bom abraço fraterno.<br />
<strong>Eugénio Lisboa</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Conversas com Federico García Lorca</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/conversas-com-federico-garcia-lorca</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Aug 2022 11:23:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Senti o teu filho chamado Juan.
Senti o teu filho.
Cheirava a pólvora e a tomilho
Trazia no mar os braços
E um peixe nos ossos, Deus meu!
Ai!, trazia nos ossos sargaços.
Senti o teu filho da guerra
Senti o Juan.
E tu dizias:
<em>Yo tenía un mar. ¿De qué? ¡Dios mío! ¡Un mar!</em>

(<em>Senti</em>, página 22.)

&#160;

<strong> </strong>

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Brilhante<br />
Com o seu jaleco de riscas<br />
Todo o corpo à vista tatuado<br />
O rosto ainda de menino<br />
Assombrosa<br />
A voz num assopro subindo<br />
E subindo e subindo ainda mais…<br />
Tarda em galáxias crispadas<br />
E eu a ouvir e a tremer:<br />
— Aguentas?</p>
<p>(<em>Adam, the singer</em>, página 31)</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>O banquete da chanfana de Séneca aos rojões de Nietzsche</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-banquete-da-chanfana-de-seneca-aos-rojoes-de-nietzsche</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Jul 2022 10:37:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Não recordo se foi ontem
No fogo do meu nascimento
Se agora
Neste preciso momento sendo
Ou talvez amanhã
Ou num futuro ainda longínquo
Estarei já dentro dela?
Brindemos juntos e bebamos
Nada mais há para ver
Na poeira caminhei
A mim me coube o instante
Que resvala e pesa o que foi
É e será
Na febre da festa
Tremi noite e dia
Agora silencia-se o canto
Dilacerado na embriaguez

Velho ou menino
Já me esqueço de ser homem
E sem lembrança
Remorso fingido

<strong> </strong>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>«O quarto grau da poesia lírica é aquele, muito mais raro, em que o poeta, mais intelectual ainda mas igualmente imaginativo, entra em plena despersonalização. Não só sente, mas vive os estados de alma que não tem diretamente. Em grande número de casos, cairá na poesia dramática, propriamente dita, como fez Shakespeare, poeta substancialmente lírico erguido a dramático pelo espantoso grau de despersonalização que atingiu. Num ou noutro caso continuará sendo, embora dramaticamente, poeta lírico.», é isso que nos diz Fernando Pessoa em um fragmento intitulado “Os graus da poesia lírica”, e que neste livro singular de Pedro Loureiro podemos entrever, porém com uma diferença em relação ao gênero de poesia dramática tradicional, já que em muitos diálogos as personagens não podem ser previamente conhecidas, deixando-nos um espaço vago que é, afinal, a possibilidade de um campo aberto — palco onde a literatura pode ser um acontecimento. Nesse campo é gerada uma tensão pela própria impossibilidade de um saber prévio (quem afinal está falando, quem está respondendo, há alguém que podemos conhecer?) e um desconcerto muito próximo do onírico (as notas de rodapé reforçam a estranheza ao invés de elucidá-la), embora possamos suspeitar que esse onírico, no caso desses diálogos, seja apenas mais uma das inúmeras janelas do absurdo.<br />
A escolha do diálogo para esta obra de poesia dota-a de uma amplidão de vozes na qual uma fina ironia, por vezes, deixa implícita uma capacidade de visão do poeta em relação a temas valorosos da história, da metafísica, da mitologia e da arte, não como uma discussão ensaística, mas a partir dos próprios seres que a engendraram. Giorgio Coli, em sua obra O nascimento da filosofia, aponta que «Platão inventou o diálogo como literatura, como um particular tipo de retórica escrita, que apresenta num quadro narrativo os conteúdos de discussões imaginárias a um público indiferenciado. Este novo género literário recebe do próprio Platão o novo nome de “filosofia”». No caso, a referência a um dos mais famosos diálogos do filósofo grego, O Banquete, torna explícita a referência ao gênero inaugurado por Platão, mas aqui a diferença é que Pedro Loureiro não assume a posição de um «filósofo» (um amante da sophia), mas sim a posição abandonada pelo próprio Platão: a de um poeta. Ou seja, de alguém que não se apresenta como portador do logos, mas apenas como um meio, como uma abertura que, à medida que se abre, esconde o próprio rosto.<br />
Os diálogos deste <em>O banquete da chanfana de Séneca aos rojões de Nietzsche</em> não são constituídos como fios que nos conduzem a uma conclusão, como alguma verdade que pudesse ser atingida por uma ascese do discurso. Pelo contrário, a verdade dos diálogos (quando ela se propõe a existir) surge ao modo de uma revelação, tal qual um antigo oráculo (Quis o amor/Que a morte/Fosse o esquecimento) ou uma sentença da ordem dos mistérios (Aos homens resta-lhes/Uma imitação de sangue/Um desejo de regresso ao informe). Isso tudo entrecortado por momentos de pura sensorialidade como no caso de Ares &amp; Afrodite (Se ao acordares/Eu aqui não estiver/Contenta-te com tua mão/Ou o que mais te aprouver). Com isso, afasta-se do diálogo platônico e aproxima-se da poesia dramática, tal qual em Diálogos com Leucó de Cesare Pavese, ainda que este mantivesse a presença efetiva das personagens em uma estrutura mais tradicional.<br />
O Banquete inaugura na trajetória literária de Pedro Loureiro um novo momento, em que a voz escapa de uma escrita de si para uma região mais ampla, mais indefinida também, o que em termos de poesia é sempre um encontro, um acontecimento e uma possibilidade. Em outros termos, a dimensão de uma experiência.<br />
<strong>Augusto Meneghin</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Erosão [2ª edição]</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/erosao-2a-edicao</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 May 2022 18:45:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O tempo de vir o autocarro
e descobrir o que temos em comum:
eu, a mulher que arrasta uma gaiola vazia
pelas ruas da cidade,
e tudo o que ainda lá está.

(O tempo, página 45)]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="p1"><span class="s1">O </span>título do primeiro livro de Gisela Casimiro antecipa a melancolia dos poemas, nos quais convivem o desgaste do corpo, a destruição das relações, a morte, o afastamento, a perda. No entanto, até estas destruições parecem sofrer o poder da erosão, porque após a leitura não é o seu gosto que fica, mas o da cicatrização e das luzinhas que nos encaminham para a reconfiguração e a redescoberta do bem-estar. São pequenas receitas para a sobrevivência que Gisela partilha connosco: a ironia, a esperança, o doce de tomate da mãe, as sardas da pele de alguém ou a relação intima com o que a transcende.</p>
<p class="p1">Estes poemas testemunham movimentações físicas e emocionais, são a passagem que a palavra abre da ferida à cicatriz, porque entre muitas outras coisas “o poema é o verbo salvar”.</p>
<p class="p1">Direi por isso que esta erosão é sobretudo a promessa de uma forma futura.</p>
<p class="p1"><strong>André Tecedeiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Amantes Ocasionais</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/amantes-ocasionais</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 May 2022 18:33:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Falem-lhe de rios-prisma,
um feixe de luz a queimar a água:
do lado de lá sairemos ilesos
e a nossa cegueira será uma bênção.

Falem-lhe das mulheres em escama,
os seus seios são hálitos doces
com que prendo a respiração:
e mergulho sob a fluidez do desejo.

Falem-lhe de todas as criaturas
que se escondem no riso da margem.

(<em>Ninfas</em>, página 28)

<strong> </strong>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Este não é um prefácio. É um aviso de segurança. Toda Beleza deveria trazer junto um desse. A Beleza é um mal, uma praga, do tipo irreversível. A Beleza é uma peste. Eu poderia não avisar e deixar que você se transformasse sem consciência. Principalmente porque a estética moderna, meio junkie, meio urbana de Lígia Reyes engana. Ela é sorrateira. Aquele tipo de noite que não nos deixa dormir, e nunca mais somos os mesmos depois. A verdade é que Lígia Reyes é perigosa. A doçura nos embebeda sem percebermos. A caneta de Lígia é um desses entorpecentes colocados em bebidas na madrugada. Acontece que, ao invés de um rim, os poemas da Lígia talvez tirem a sua inocência.<br />
É sutil, sabe, você lê como quem toma um gole e, quando vê, está sozinho (a), como todos os outros.<br />
Mulheres como Lígia estão aqui para serem mais uma. Para que os desavisados se percam. Se você for um filho bastardo de homens sem causas nobres, talvez se queime. Tomara que se queime. Permita-se queimar. Vai fazer muito bem. Agora, se você for uma mulher a atravessar a escuridão, o ardor de um céu, ou uma jovem em um colete de forças pronta para a humilhação, Lígia guiará o princípio de todas as eternidades.<br />
É um favor que faço, percebe?, ao colocar um aviso de segurança aqui, no lugar do prefácio. Depois você vai achar que as janelas abertas são sinais de voo e que o amor é isso. Não me diga que não avisei.<br />
“Os Amantes” de Magritte se cobriam de uma forma diferentes dos Ocasionais de Lígia. Os amantes de Lígia se escondem nas esquinas, nas vielas, nas tabernas, nos Galetos e, principalmente, nas palavras. Mas a palavra é traiçoeira, a cada uma somam-se as entrelinhas, e é no entre que a poesia se revela. Nos revela. A revelação de Lígia, caro(a) leitor(a), já aviso, será a sua própria revelação. Vá consciente e depois não diga que não disse.<br />
Os amantes de Lígia não têm os rostos cobertos. Pelo contrário, estão profundamente à mostra. Mas são muitos, muitos, muitos, a tal ponto que os rostos se tornam mosaicos insuportáveis. Narciso enlouqueceu e vê espelho em qualquer face. Os amantes de Lígia estão no começo do século XXI. Estão aqui. São ácidos, apaixonados, tristes e tantos, que são nenhum.<br />
Talvez você conheça Lígia de O Amor peixe e outras loucuras, então você já sabe um pouco do que estou falando, mas não tudo. A poesia de Lígia se transformou, está mais traiçoeira, mais afiada, e, querido(a) leitor(a), quando você olhar o mar na cama de alguém, vai perceber que o oxigênio é uma invenção da boca da poeta.<br />
Acontece, leitor(a), que a vida sem Beleza, sem paixão, sem pathos, é um acordar para contar as horas. É preciso “nem que sejam apenas alguns segundos/escrever sob influência do suicídio” para sentir-se realmente vivo(a). Mergulhe no oxigênio que Lígia Reyes lhe oferece.<br />
“Pelo menos existiu um adeus que doeu,<br />
e nada me foi neutro ou vulgar”<br />
Deste livro e do amor ocasional ninguém sai incólume.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Maria Giulia Pinheiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Súbito</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/subito</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 May 2022 16:39:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Vago só pelas encruzilhadas do tempo,
a fuga impossível ao flagelo dos ponteiros,
caminhos bifurcados como línguas de víboras,
a deriva infectada pelos despojos das trevas,
rastejo pelo ventre da noite
suspensa no pó da viagem,
o sono impossível sob o grito das estrelas,
no quarto escuro
a vela acesa como um farol...

<strong> </strong>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Talvez os versos demorem a fazer ricochete. Emudece-nos a sua nudez que, enquanto acontece, não nos deixa desviar o olhar. Nada temos a acrescentar. Ficamos apenas esperançosos pela coincidência feliz de alguém, carregado de outras vivências, mais ou menos duras, leia as mesmas palavras e delas saiba extrair o que lhe tocar.<br />
Peter Handke, autor do Poema Duração, disse numa entrevista qualquer que “há uma idade para a poesia: tem de se ser muito novo e, depois, tem de se esperar&#8230; pela sabedoria e intensidade e tristeza e alegria, tudo junto”. E, depois, que a “poesia precisa não só de inocência, mas talvez de culpa e de inocência”, de ambas. Nada percebo de poesia e menos ainda de que precisará ela, abomino fórmulas (embora seja sensível a preocupações formais) e tampouco creio em idades certas para se fazer algo.<br />
Comove-me ainda sentir o calor ou a dor por intermédio das palavras de alguém que nos dá o pulso a medir a temperatura. Temperatura essa normalmente não correspondente entre corpo e voz. Então, ao arriscado ofício de traduzir dor e beleza, seja a “tua”, da rua, ou das trevas potentes, desejo o melhor passeio que nos vai sendo calcetado à medida da leitura. Brassalano Graça intriga aqueles que pisam, ainda que de leve, as suas palavras. Sejam poéticas-radiofónicas, pela atenção e vibração que confere aos outros, pela delicadeza com que chega ao trabalho do outro, seja poéticas-escrita, desde um Facebook surpresa ao livro <em>Súbito</em>.<br />
Intuo que a sua incursão na poesia em livro afasta-se do poema perfeito, que enferma algumas mentes adeptas de virtuosismos apoucados. Ferreira Gullar, autor de Poema Sujo, defende mesmo “que não existe poesia pura. A poesia verdadeira não é sectária, não é unilateral.”<br />
A poesia de Brassalano Graça poderá ser a farinha do moinho que há anos lhe arde no peito. O lançar das cartas comprometedoras para todo o jogo. Uma poesia sensorial, entre coxas, orvalho, declive da pele, amores, carnes e música fúnebre do futuro. Onde as noites pesam de insónia e chumbo, e as lágrimas são de luz. Embora tudo esteja sobejamente adjectivado para dar saltos não estridentes de sentido, a composição não arrebata a espontaneidade. Nestes versos parece que nunca se sai de uma imagem que está sempre a abrir para novas imagens, átomos em choque, que nos vão povoando, produzem combustões — amor e conflito — é o que faz andar, creio.<br />
Memórias antigas de cadáver da humanidade &#8211; de onde veio? qual o propósito? Unha de arranhar por dentro, extravasando os dias ponderados e fazer-nos cúmplices da sua inquietação. Uma poesia que é dança glacial de seres erráticos, que logo se derretem como barcos afundados. Uma poesia que permite inventariar possibilidades, amores, retornos a um nós mesmo com a única casa que realmente temos: esta nossa acumulação existencial. Uma poesia que convida a entrar em novas paisagens à boleia de nuvens prateadas, para chegar a cidades suspensas num domingo eterno.<br />
Não sei se os seus poemas devidamente respiram, ou se se penduram na vertigem de brevidade, na atenção às pequenas coisas. Nada têm a ver com a atualidade, mas com as cidades libertárias, onde o jazz ecoa e a literatura acrescenta pormenores videntes. No seu poema encontro o que há “de sobrevivente no mais inóspito da realidade, no mais fundo da linguagem”. Mas não sei onde o poeta repousa a cabeça, se é que repousa, esse “clássico de dentes grandes, tortos e manchados por fumo e café”, esse “nervo desvitalizado do dente canino da civilização”. Brassalano oferenda-nos temores e deleitamentos, comparece nesta casa imunda e eternamente desarrumada que pode ser a poesia.</p>
<p><strong>Marta Lança</strong><br />
tradutora e editora</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>E eu era a casa</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/e-eu-era-a-casa</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/e-eu-era-a-casa#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Jan 2022 13:24:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Chove
E o mundo é grande
Igual a um deserto
Que não cabe em nós

Nunca somos de um mundo apenas
É isso que nos dói
Quando andamos sobre o soalho
Desta casa
Escoando para as fendas os barcos que a vida tem]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>ONDE FUI PÁSSARO ANTES DE SER GENTE</p>
<p>“Onde fui pássaro antes de ser gente” assim começa este livro.<br />
Tudo indica que, num momento anterior, a Poesia aconteceu quando o Poeta foi pássaro.<br />
A distância temporal entre um estado e outro parece não existir.<br />
O que existe é uma memória atualizada.</p>
<p>E cito:<br />
“Pouso a minha face na tua mão: A piedade de um<br />
verso<br />
Dentro da chuva”.</p>
<p>É tão verdadeiro o poema quanto a imagem gerada pela lente que ele revela.<br />
Os versos de “E eu era a casa” são seres delicados.<br />
Respiram através do “orvalho da manhã” na intimidade das águas, mesmo que em “(des)conhecidas palavras”.</p>
<p>Neste livro não há espaço para notas de rodapé. Os poemas são naturais. E próximos de nós.</p>
<p>“Repara / Como labora a chuva sobre a terra // Disseste-o tão próximo de mim”.<br />
Não admira que em “E eu era a casa” todos os endereços estejam representados.<br />
Escrever poesia é seguir o voo dos pássaros, indo muito além dos próprios passos.</p>
<p>Vai sendo raro “ver” como M Céu Costa.</p>
<p>É desta linguagem que temos Saudades.</p>
<p><strong>Maria Azenha</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Errando</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Nov 2021 14:50:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[gaivotas
entrando dentro de casa
no seu canto memoriado
não porque haja no mar tempestade
mas porque é Porto
meu
afinal sempre meu
e contendo toda a minha idade.

&#160;

<strong> </strong>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Tudo começa então no somatismo das vidas, de umas com as outras. O choque entre tudo, desastroso e simbiótico, é constante. Nos desenhos textuais de <em>Errando,</em> nas divagações telúricas urbanas, entre exterior e interior, em proximidade e distância, xs protagonistas, para Miguel Oliva Teles, são as sensações de tristeza e prazer, melancolia e nostalgia, as saudades ou desejos que invadem os corpos, que os habitam e que são meras estratégias arraigadas para a energia sobreviver ao que quer que seja; os percursos, muitos, de um dia que correu mal ao caos doce do passado no presente, No ritmo melado de quem tem sítio nenhum para chegar, as sensações neste livro-vida pousam em tudo, atravessam tudo, okupam tudo.</p>
<p><em>Errando</em> de Miguel Oliva Teles é o livro que conhecemos sem conhecer, a língua que dobra a língua, a energia do amor totó, futuro ou ancestral, o presente como multiplicidade, o desqualificado como valor. Um livro que atravessa tudo e todxs, e com o qual</p>
<p><em>os olhos descansam, viajam </em><br />
<em>e fica só o coração</em><br />
<em>batente</em></p>
<p><em>Errar é uma sorte.</em></p>
<p><strong>André e. Teodósio</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Cosmos e casas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Nov 2021 17:04:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[sendo o coração pedra,
estrutura regular poliédrica, cuja morfologia
move em constante vocação hialoide,
o embuste do silêncio incide

<strong> </strong>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Cosmos e Casas</em> é o livro de estreia de uma poeta que pressentimos vir de há muito constelando vozes, e que logo de entrada, “sendo que amor e palavra alinham distâncias,” assume o ofício de fiar versos para constituir e cruzar corpos, para correr riscos, para descobrir (mas não colonizar) o eu, para ligar e se alterar. Daí também, desde o início, a assunção da aventura do amor, desafio e metamorfose no outro pela palavra, a reivindicação e dádiva de uma encarnação: “sou teu corpo / dito / génese.” Transmutando-se, prossegue-se pela aliteração e pela invenção das imagens, por guinadas de sintaxe e dobras de morfologia (por exemplo adjetivos a agirem como verbos). As associações não surgem meramente por contiguidade mas por ondulações e feixes, procurando ramificados desenhos, mais amplos e melhores prolongamentos, a desfazer convenções e espartilhos, a pretender uma compreensão do cosmos à margem da discriminação do logos: “Em vez de ciência crua quero tratados alquímicos pura magia tudo o que existe e se conquista pelo sono ou se expande no segredo da meditação”. Não que se rejeite o que revela o conhecimento científico, antes se valoriza o seu abalar do sólido, o desfazer da ilusão de ser fixo o solo: “a crosta afinal terreno / móbil resvaladiço içando fraca barreira / ao avanço líquido”.<br />
Crente na emergência a partir do movimento, esta poesia evita dualismos, e, imbuída de uma ironia capaz de matizar acusações, não se demora na mera contraposição. Se “Madame Bovary” ou “Princesa de Clèves” lamentam a tipificação literária da mulher dividida entre a liberdade passional e a circunscrição social, nestes textos vai-se descobrindo um feminino lírico capaz de se reinventar, de se multiplicar, inclusive de alargar o sentido da maternidade além da biologia, da família ou da genealogia – a um fazer da comunidade, ao evento generativo do poema: “a palavra cantante / o verbo ardente / muro vivo do poema / corpo sílaba / sangue” . Por outro lado, se há em certos textos revisionismo literário, há, acima de tudo, restauração: dos textos e ritos sagrados em que a palavra é corpo e profecia, em que poesia é oração e êxtase, de uma tradição espiritual herética e erótica, evocando o “Cântico dos Cânticos” ou o misticismo desejante do andaluz Al Mut’Amid, bem como legados de sabedoria e visões sagradas do Oriente. Comparecem ainda a música e uma memória moldada pelas artes visuais (“imagem treme tangente tragando resquícios por ela conduzo”), e celebra-se, pelo saber dos sentidos, enfim, a união dos corpos como ascese caleidoscópica a mais vastos planos, de que a palavra é inscrição, gesto de mistura e desvendamento: ou “as mãos entrando na pele / até outro reino onde somos um no outro.”</p>
<p><strong>Margarida Vale de Gato</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Fragilissimamente</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Jun 2021 10:27:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Barquinhos
Dançam uma valsa
Em torno de um farol.

O forte
Chora.

Queria pedir a mão
À areia,
Casar com o mar.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>FRAGILISSIMAMENTE é um coração.<br />
Como é que se fazem-escrevem badanas/orelhas para um coração?<br />
Como é que se escutam os batimentos de um coração que se expõe na sua delicadeza furiosa? Sem pudor de se mostrar, sem medo de levar o corpo à deserção existencial.<br />
Uma tensão crescente de sentimentos e ideias atravessa os poemas e afirma com profunda lucidez lírica: “As pessoas fáceis estão nas prateleiras dos supermercados”.</p>
<p><strong>Elisa Scarpa</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Etcétria</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Jun 2021 15:09:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Depois do amor ter reduzido uma baleia a predicados
Tão cedo, aqui, não me lavo
Não me levanto para ser esperança
Nem outras condicionantes
À parte os sujeitos
Que em parte não me sujeito
E fico condescendente
Na mesa tenho o que sonho
E tombo sobre a travessa
Estou longe e nunca me vejo
Sei de mim pelos boatos
Tão cedo não me levanto
Fico para ver as lembranças
Sou feito desses bocados
Antes do amor ter reduzido o mundo inteiro a predicados

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="western" lang="pt-PT" align="justify"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">Eis a frenética poesia de Pedro Morcego. Eis o poema que se faz radicalmente vivo ou o poeta que “</span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i>se</i></span></span> <span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i>preside e reivindica”</i></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">. Poesia, portanto, da insurreição ontológica ou da voraz desobediência linguística. Desta língua em permanente rebelião, a percorrer “</span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i>planícies virgens”</i></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"> – língua acesa que quer “</span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i>provar todos os lábios”</i></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"> e “</span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i>em todos os lábios ser grito” </i></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">– diremos somente que aglomera, como um rock transgressor, todas as vozes da experiência profana. É que </span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i>Etcétria</i></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"> é um registo impetuoso do mundo: cataloga-se, nos versos, a avidez de ser inteiro, a liberdade de sentir completamente, e de tocar, com dedos sujos e um sorriso “</span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i>sem amarras”</i></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">,</span></span><i> </i><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">o espontâneo coração – ainda fresco, ainda alto e palpitante – de um espécime humano. </span></span></p>
<p class="western" lang="pt-PT" align="justify"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">E se de humanas compleições nos falará este livro, a solidão será o cerne do catálogo das sombras. Solidão que tudo rasga, despedaça e digere. Inveterada adversária do amor – dessa emoção de “</span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i>ideal gémeo”</i></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">, alicerçada em juras mútuas que se inscrevem sobre a carne – a solidão será vencida unicamente no exercício da palavra. À dor pungente que advém de uma existência solitária, à dor aguda em que fiéis acreditamos – mais ainda “</span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i>do que em qualquer outro deus” – </i></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">a poesia há de propor-se</span></span><i> </i><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">como</span></span><i> </i><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">fórmula secreta</span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i>, </i></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">como unguento</span></span><i> </i><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">ou luminoso</span></span><i> </i><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">elixir</span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i>. </i></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">Pois que</span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i> Etcétria</i></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">, em luz altiva e euforia redentora, possa agora sanar-nos. </span></span></p>
<p class="western" lang="pt-PT" align="justify"><strong><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">Luiza Nilo Nunes</span></span></strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Racionemos também a estupidez</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Jun 2021 14:39:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[percebemos que não percebemos
deriva do fuso da terra
falta um fuso
parafuso a menos
na cabeça

alegres rodopiamos
quem vier atrás

que feche a porca
terra

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“A penetração dos elementos mecânicos no nosso quotidiano é avassaladora _ acontece como uma avalanche _ sem aviso, deixando-nos pouca capacidade de recuo. Tirar um documento de identificação, procurar uma informação necessária ou até divertirmo-nos, todas estas acções implicam o uso de computadores.<br />
“Racionemos também a estupidez” de Manuel Almeida Freire faz uso do humor verbal para atravessar este planeta, onde os homens parecem sentir apenas o vibratum dos écrans, obliterando tudo o que não é mediado por estes.<br />
O autor chama a si o erro , o espanto, a angústia, o enlevo, ou seja, deixa-se tocar pelo mundo. Ladeado pelos «animais queridos do zoo doméstico» e os «frios algoritmos antropófagos» fica a pergunta: que prodigiosa irracionalidade é esta que nos está a tomar?</p>
<p><strong>elisa scarpa</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>A loucura das facas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 May 2021 10:37:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[As nuvens urdem facas no solo.
Os ciprestes colhem do céu
letras
quebradas

gosto dos poemas que caem nas mãos como balas
ou como granadas.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Uma faca azul nos dentes</strong></p>
<p>O espaço é uma grande máquina de sombras e<br />
o poema uma miragem de letras<br />
não posso escrever os meus gritos<br />
não posso dizer-te quem sou</p>
<p>escrevo um testemunho inútil numa noite imensa<br />
e o amor para sempre é um defunto<br />
com uma faca azul nos dentes. <span style="color: #ffffff;">Maria Azenha</span></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>O resto é céu</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-resto-e-ceu</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Apr 2021 16:47:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[nunca soube diferenciar o poema do mundo
nem do meu corpo
mal distingo um cais ou o peso de um entardecer
da pele avultada que arredonda as unhas
mas posso, por exemplo, colocar a palavra ilha
no limite do esterno aonde só chega o ar
e a partir daí, talvez pronunciar povo
muitas vezes, a partir daí
a partir daí: a vida

e o resto céu

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O poemário começa cumha operaçom de camuflagem, a ilha converte-se no corpo dela, ou ao contrário ela converte-se na ilha. Nestes casos, toda panorámica é autorretrato. Ela nom sabemos quem é. As poetas sempre, por respeito à venerável retórica, falam em primeira persoa. Depois temos a sensaçom de que Penas deixou a porta aberta, para que entrassem outras vozes, outros corpos. Como o corpo está camuflado, provavelmente por lama, ou cinsa vulcánica, nom reconhecemos bem quem som as outras que estám a falar. Umha voz dirige-se a um filho (a um desses filhos que sempre aparecem nos poemas): “Deverás ir armado de ontem até os dentes”. Outra voz afirma: “Posso conhecer umha cidade polo latido dos cães”. Quem diga isso tem que vir de moi longe, de moi atrás. É alguém que ainda lembra a fala dos cans. Andando o livro, levantam-se silhuetas femininas sobre a paisagem ocre baixo o céu limpíssimo, mulheres, nenas, velhas que falam coa boca cheia de terra. Som vozes que aparecem por primeira vez nos versos de Silvia Penas. As vozes falam de cousas que a poeta galega nom pode saber pola própria experiência. Ela vem dumha terra que ignora a sede, e onde o mar é manso e familiar como a horta que contorna a casa. Criaturas que pedem para falar, mulheres das ilhas que descolonizam para sempre o poema e coa sua voz escacham todas as cámaras dos turistas: “Há uma mulher a meio chorar, pelos cantos, suplicando amor, um gesto, umha moeda, suplicando amor”. E essa mulher fala, e escuta, espantada, a visitante. Atrás dela, tomárom a palavra as mulheres do país, e o verso fijo-se teatro. Entendendo por teatro o lugar onde a poeta deixa que falem as demais. “A minha saia abanada pelo desejo da chuva”, di o coro. Nom vou continuar a indicar versos, a citá-los. Dixem algúns que se levantaram do testo terroso e salobre, e apelarom-me directamente. Cada vez que aparece a palabra “cão”, “cães”, estremeço, e vejo-me de novo ali, olhado polos cachorros dos terraços. Talvez a outra persoa nom lhe diga nada, e será noutro verso, que para mim seja inócuo, onde aparecerá o resplendor para outra persoa. As instantáneas de Penas aparecem umha atrás da outra ante os meus olhos, e as minhas fotos, excepto umha, vam perdendo nitidez diante do teatro propiciatório da poesia. Eu também amei em Cabo Verde, mais nom lembro que fosse tam arrassador e conmovente como a estória de Penas. Hai turistas que nom saem dos hotéis dos trópicos por medo a topar com o corpo, com o povo, com a vida. Talvez eu seja um desses agarrado prudentemente ao daiquiri. A autora deste livro, nom, desde o primeiro dia saiu do hotel atravessando o muro de cristal que incluem no preço os tour operators. Ela saiu e “empunhou a vista, empunhou o fundo dos olhos” e percorreu o seu corpo, o seu teatro, rápido, rápido até o último verso, e o resto é céu.</p>
<p style="text-align: justify;">E assim, o céu passa a ser, na voz poética de Silvia Penas, sinónimo de silêncio.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quico Cadaval</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Volta para tua terra: uma antologia antirracista/antifascista de poetas estrangeirxs em Portugal</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/volta-para-tua-terra-uma-antologia-antirracista-antifascista-de-poetas-estrangeirxs-em-portugal</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Apr 2021 16:57:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[amanda vital &#124; ana luiza tinoco &#124; ana paula vulcão &#124; bruna carolina carvalho &#124; carla muhlhaus &#124; carol braga &#124; costa neto &#124; daniel cruz &#124; danilo cardoso &#124; delmar maia gonçalves &#124; duda las casas &#124; dulce semedo &#124; elizabeth olegario &#124; ellen lima &#124; etivaldo camala &#124; flávio catelli &#124; francisco mateus &#124; francisco welligton barbosa jr &#124; gabriela carvalho &#124; gabriela gomes &#124; hilda de paulo &#124; huggo iora &#124; irma estopiñà &#124; ivan braz &#124; jamila pereira &#124; jaqueline arashida &#124; jean d. soares &#124; jorgette dumby &#124; juliano mattos &#124; laura beaujour &#124; leidy rocio anzola chaparro &#124; luca argel &#124; luciana pontes &#124; luciana soares &#124; mai zenun &#124; manuella bezerra de melo &#124; maria giulia pinheiro &#124; mariana dorigatti woritovicz &#124; marianna di giovanni pinheiro serrano &#124; monise martinez &#124; murilo b. lense &#124; murilo guimarães &#124; noemi alfieri &#124; ronaldo cagiano &#124; salazar crioulo &#124; samara azevedo &#124; samara ribeiro &#124; sylvia damiani &#124; vum-vum kamusasadi

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A imigração é um labirinto. Um labirinto de concreto cujo céu não se vê. Seguir em frente é o único sentido e até mesmo voltar para trás significa seguir em frente. Decidir tirar os pés do próprio chão, cujo solo é conhecido, cujo terreno está medido, onde se planta, onde não se planta, onde é possível colher ou não, é um ato de coragem. Perguntam então porque faz-se isto se é um ato tão duro consigo mesmo? As vezes a gente conhece o próprio solo, mas está exausto da espera pela colheita. As vezes, ainda que se saiba sobre o teor do solo, da terra abaixo do seu corpo, é preciso que o grão brote, e se não brota, a sobrevivência leva os humanos, que tem pernas, a se movimentarem. Assim constituiu-se o mundo, a sociedade, as civilizações. Homens e mulheres com pernas caminharam, deslocaram-se para onde já estavam deslocados os seus sonhos. Uma vez dentro do labirinto, uma vez que é feita esta escolha, não há mais volta a dar. Algumas pessoas passam uma vida inteira no mesmo lugar, no mesmo sítio, na mesma aldeia. É respeitável, é uma escolha. Mas são as que se movimentam aquelas que transformaram a humanidade, as pessoas cujo deslocamento de si mesmo promoveu o deslocamento do eixo da terra. Quando alguém se desloca ela transforma tudo dentro e também à sua volta. O movimento, a deslocação em si não é danoso, pelo contrário, é importante e produtivo, desde que isto não leve a um encontro danoso com a alteridade. E é sobre alteridade que também queremos falar. Nós, estes poetas estrangeiros que vos falam, viemos dos mais variados países, nós estamos em Portugal, somos aqui residentes por uma série de motivações conhecidas apenas por cada um de nós. Portugal, este país de território pequenino na ponta da Península Ibérica, é pela história conhecido por sua essência exploratória, curiosa e desbravadora. As míticas personalidades históricas portuguesas conquistaram o mundo para a sua coroa, sua monarquia na altura poderosa, vigorosa, que construíram uma imaginária nação gigantesca. Imaginária porque falamos aqui sobre imaginário mesmo, sobre como as narrativas são capazes de produzir verdades que talvez não sejam assim tão verdadeiras como esperávamos que fossem. Estamos falando de algo que inicia em um tempo remoto, que parece que não se vê neste agora.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Manuella Bezerra de Melo <span style="color: #ffffff;">VOLTA PRA TUA TERRA</span></strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Esta noite dormimos em Tânger</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/esta-noite-dormimos-em-tanger</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Oct 2015 18:25:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Esta noite dormimos em Tânger
Se o furacão Elsa
Permitir que o avião levante voo.

Mas já dormimos antes
Em Tânger
Era mês de Ramadão <span style="color: #ffffff;">Maria Estela Guedes</span>
Abril ou maio, agora é Natal.

Foges, na esperança de poderes dormir
Num país sem fantasmas de família.
Veremos, veremos…
Nem Allah consegue escapar às verdes folhas
E rubras bagas de azevinho,
Às prendas, ao comércio, à impiedosa exploração.
Quem sabe? Veremos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>São muito belos, os rostos sombrios<br />
Sob a noite dos cabelos.<br />
Depois, a miséria e os anos<br />
Arrancam-lhes a luz dos olhos<br />
E da boca os dentes<br />
Deixando na máscara<br />
A caverna do sorriso.</p>
<p>Só umas figurinhas lá em baixo, no porto,<br />
Parece que dançam, que levitam<br />
Acima do chão espelhante.</p>
<p>Indiferentes à chuva e à ventania<br />
Os meninos<br />
Patinam incessantemente para lá<br />
E para cá<br />
Descrevendo infinitos oitos<br />
Na marginal de vidro.</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Elogio da divergência</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/elogio-da-divergencia</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Sep 2015 18:51:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Dos quadros
Da afasia dos interruptores
Da apneia das portas
Da compulsão das janelas.

Um dia
Acordo
E sou cama. <span style="color: #ffffff;">Elisa Scarpa</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Sou uma mulher<br />
Cega<br />
Que<br />
Encontra na barba<br />
Do mar<br />
A explicação de ter<br />
Mãos.</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>NEGRO SILÊNCIO (uma série a partir da obra de Rui Chafes)</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/negro-silencio-uma-serie-a-partir-da-obra-de-rui-chafes</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Sep 2015 19:51:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[urge demolir a construção
armadilhar a casa
contra a óbvia domiciliação
desdobrar portas e janelas
suturar os sonho]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p><strong>Quando do negro baço nasce a luz…</strong></p>
<p><em>Negro Silêncio</em> apresenta-se como uma poesia assumidamente devedora do contacto íntimo com a obra escultórica de Rui Chafes – logo no título –, mas sem que isso se traduza em réplicas poéticas desta ou daquela obra, nem na prática «ecfrástica» de um discurso <em>sobre</em> um objecto que lhe é exterior, como a encontramos numa já longa tradição da poesia portuguesa contemporânea, pelo menos desde as <em>Metamotfoses</em> de Jorga de Sena. Aqui, a Obra do escultor (mais o seu espírito do que a sua matéria) vai sendo absorvida e integrada no próprio corpo do poema – nos motivos que discretamente vão espreitando, na conivência e convergência de um modo de ler o mundo, com a inevitável opacidade desse espaço de vida activa, hoje alucinadamente activa, onde tudo «sempre esteve errado» (Rui Chafes).</p>
<p>A esse «escuro labirinto» contrapõe esta poesia exercícios poéticos que, como a prática artística de Rui Chafes, tendem a suprir o vazio e a não-existência dos objectos do mundo. E fá-lo com recurso a imagens recorrentes em que dominam – uma vez mais em claro paralelo com o magma escultórico de Chafes – o silêncio e a luz, a atenção às coisas e a introspecção, a progressiva rarefacção do Eu que se retira e esfuma para deixar falar o pensamento ou o peso da palavra ou da imagem que se destacam, remetendo para os contra-mundos que verdadeiramente contam.</p>
<p>O poema sabe, desde início, que «urge demolir a construção» falaciosa do mundo, para «depois deixar o silêncio falar» e «inaugurar uma casa em constante mutação». E assim cada poema, na sua pulsão imagética e na sua densidade mental, se constitui numa espécie de programa-sem-Eu para uma leitura do mundo actual na sua «dissolução mediática». O perfil que os poemas dele traçam pode resumir-se nas linhas: «na hemorragia do seu discurso / grandes declarações foram feitas / sem nada dizer».</p>
<p>Era já assim no livro anterior de Pedro Loureiro, <em>Astigmatismo ou Redenção</em>. É visível já aí a via de um <em>projecto radical</em>, que se continua em <em>Negro Silêncio</em> (aqui sempre com a sombra de Rui Chafes por perto) e que pretende, como o escultor, reencontrar as raízes da criação num tempo que cultiva o jogo sem consequências, o simulacro e o cinismo. <em>Pro-jecto</em>, é-o esta poesia no sentido que ao termo deram os Românticos alemães (tão caros a Rui Chafes), nomeadamente Friedrich Schlegel: «o gérmen subjectivo de um objecto em devir», «um fragmento de futuro». Nada de definitivo, portanto, mas com um substrato de promessa em cada linha, como parece evidenciar o belo poema que fecha o livro. Com a plena consciência de que cada obra é talvez apenas a «máscara mortuária da sua intuição ou Ideia», um projecto em devir, como o da própria poesia para os Românticos. Ou uma inquirição permanente sobre o estado do mundo e os modos de nele estar, como parece ser mais o caso aqui. Nos dois livros do autor até agora escritos, é esse, e não o do <em>fait divers</em> pessoal em transfigurações mais ou menos felizes, o caminho seguido. E procurar ler um tempo, auscultar uma época pela poesia e com a poesia, é tarefa exigente e rara em tempos de hedonismo cego ou de poesia meramente descritiva, sem que a descrição se amplifique a uma dimensão maior.</p>
<p>Com <em>Negro Silêncio</em> estamos perante uma poesia do desencanto do mundo, visto como coisa fosca e tosca, sem redenção possível («Não há absolvição / apenas a ilusão de um recomeço», lemos no livro anterior a este). Quase apetece sofrer de astigmatismo, para ver o mundo desfocado (já numa peça do italiano Ugo Betti, <em>O Jogador</em>, o protagnista dizia: «Prefiro o nevoeiro: vê-se um pouco menos do mundo»!). Mas o poema sabe dessa <em>pan-hipocrisíade</em> global, desse «como se» do mundo – como se nele tudo estivesse em ordem. E o seu papel é o de desfazer essa ilusão; a sua arma, como acontece neste livro, é a de uma lucidez que constantemente o faz «emprenhar de espanto». Também a voz esculpida de Rui Chafes se não cansa de nos alertar para a banalidade e a dessacralização, a incapacidade de espanto, a que chegou a ponta crepuscular de uma época como a nossa, em que o cinismo e o mercantilismo imperam e o pensamento – como antes escreveu outro poeta da diferença, Fernando Guerreiro – já só «vai / buscar as imagens ao fundo / lodoso do túmulo».</p>
<p>Diferentes são os atalhos por onde se aventura este livro de Pedro Loureiro, desde as epígrafes que o inauguram. Com Rui Chafes, ele sabe que «é a poesia que tende a suprir o vazio…» (e o ruído do mundo). Com Llansol, aprende que o texto é, entre tantas outras coisas, o receptáculo do silêncio. Nas entrelinhas da poesia de Pedro Loureiro sente-se a presença do vazio pleno que responde à vacuidade borbulhante da <em>ágora</em> mundana. Aí, contra a «hemorragia de palavras», sentimos que «no negro baço / somos pura luz», e ouvimos «retinir um silêncio / que tudo vê / como um passado no corpo / uma cesura oculta / no ponto mais obscuro da palavra».</p>
<p>É para a luz desse ponto obscuro que parecem orientar-se os poemas deste livro. Neles, como sobre outros escreveu esse mentor e guia de Rui Chafes que foi Novalis, «as palavras entram em movimentos livres reveladores da alma do mundo, que as transformam em delicada medida e desenho das coisas».</p>
<p><strong>João Barrento</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Bosque branco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Sep 2015 20:01:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Um bosque
Um barco

A lembrança do vento
O voo de um pássaro

Um número de ouro por toda a parte.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Uma criança inocente dorme em meu leito<br />
Com o nome do meu Amado.</p>
<p>Vem a cada manhã ressuscitar-me. <span style="color: #ffffff;">Maria Azenha</span></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O Amoroso</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Aug 2015 20:09:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p class="p1">e a língua descobre
essa sombra
de carne viva</p>
<p class="p1">entre as pernas</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Estes poemas de José Viale Moutinho são mais uma fulgurante comprovação do corpo a corpo da linguagem amorosa com a língua, que, na poesia poético-erótica se trava. Nela se dão a ler não só as múltiplas posições do amor in fieri, como no <em>Kama Sutra</em>, mas as figurações em que se vão declinando as suas pulsões e movimentos. Veja-se como essa conjugação se consuma, quando os sujeitos amorosos se enlaçam, numa entrega total à linguagem do corpo.</p>
<p><strong>JOSÉ AUGUSTO SEABRA</strong></p>
<p>Ao breve enxame de palavras que pousam neste livro, tão sabedoras do mel do afecto como da cera de que o favo se fabrica, discurso nenhum convirá, susceptível de lhe desinquietar o silêncio.</p>
<p><strong>MÁRIO CLÁUDIO</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Alguns mundos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/alguns-mundos</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Jul 2015 20:38:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[É preciso
desfiar os dias
como figos na boca
enquanto o sol aperta
disparam gatilhos
contra a pele negra
no mesmo instante
tudo arde]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Onde ancorar hoje uma poesia ‘segura’ que não esteja em crise, que não refaça sistematicamente seus pontos de apoio e sustentação? <em>Alguns mundos</em> – livro de poesia de Virgínia Mota, parece partir deste lugar, ao assumir-se como objeto experimental em atmosfera de interrogação e abertura a múltiplos sentidos.</p>
<p>Contribui para isso o efeito produzido por uma voz lírica de tom impessoal que, mesmo quando interiorizada, retira desse processo não tanto uma marca individual, mas antes um apelo ao comum, à comunidade: e eu/eu não veio/eu não chegou/para dizer/eu é coisa/precisamente/eu é / nós/ assim/alvorada fora.</p>
<p>Refazendo um dos gestos fundadores da poesia moderna, (eu é / nós), o poema retorna aqui como não-coincidência entre o eu que escreve e aquele reconfigurado pela escrita. Sob a presença tutelar de Adília Lopes, todavia, este gesto refaz-se como negação autotélica e reinvenção de itinerários: “tão importante é lembrar quanto esquecer”.</p>
<p>É possível pressentir, na convocação desta poeta, uma proximidade com o procedimento poético que lhe é mais caro: a desconstrução. Como em Adília, a poesia de Virgínia percorre referências da cultura para as fazer ressurgir modificadas numa operação de montagem-desmontagem que recusa posições fixas e canônicas: “Chá preto e/bolachas de água e sal/fazem lembrar Marcel Proust”.</p>
<p>Inclui-se nesta operação um olhar sobre o humano, renovado por poemas em que a presença da animalidade parece propor certa transmutação. “Agora/eu era/um hipopótamo/um rio de hipopótamos”; “queria eu olhos de lebre / ver de repente/aves de rapina/ fugir do lince / ir espreguiçar”. Deste desejo de recuperação de um corpo-vivo aberto a movimentos e percepções, resulta este olhar poético nômade e ambulante, de sentidos expandidos para fora.</p>
<p>O que é possível depreender da leitura do conjunto destes poemas? Que eles não formam um conjunto exatamente, nem têm a pretensão de constituir uma totalidade. Não há motivos poéticos. Poetar é operação de linguagem, contornar objetos ou inventá-los, deter-se no limite do excesso das palavras. Poesia é o que se abre à imaginação e recusa o imperativo do real concreto. É preciso saber ler, não esperar pela morte ou vida dos poetas, quem lê ou não lê poesia somos nós.</p>
<p><strong>Madalena Vaz Pinto</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>A mamã por cima dos telhados e o meu amor</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-mama-por-cima-dos-telhados-e-o-meu-amor</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 May 2015 13:59:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p class="p1">Há fotografias como punhais e poemas também
Todos os poemas que escreverei já foram escritos
Dou-me apenas ao ofício da névoa
De revelá-los em pedaços de argila</p>
<p class="p1">Neles todos estão impressos a chuva e o vento
E as folhas noviças dos séculos e
Meu pai e minha mãe que já partiram
Esvoaçando num passado remoto</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p class="p1">Los versos se sitúan como postales vivas. Cada palabra se ha escrito con la intensidad suficiente para estremecer al  lector, pues <em>A Mamã por cima dos Telhados </em><em>e o meu Amor</em> es un poemario lleno de imágenes, engranajes que conducen al dolor, la soledad, la muerte, pero también al amor y la esperanza. Una plegaria de hijas que reclaman, cuestionan e imploran a su madre súplicas concernientes a los tiempos de egoísmo y guerra.</p>
<p class="p1">Una madre encarnada en la historia, las manos, la memoria colectiva, la tierra y la vida misma. La propuesta poética de Maria Azenha plantea la observación de una maternidad desde diferentes prismas, pues en ella coexisten complicidad y el abandono, el lenguaje no verbal, las reminiscencias, la intuición y el silencio. La mamá, aquel motor inicial que da la vida y que puede acabar con ella. La búsqueda de sentido inmanente y trascendente.</p>
<p class="p1">Un libro escrito desde las entrañas. Una lectura necesaria y acorde a nuestro siglo, tan falto de besos y poesía, de abrazos y canciones.</p>
<p><strong>Daniela Sol</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Amor peixes e outras loucuras</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/amor-peixes-e-outras-loucuras</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 May 2015 14:05:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p class="p1">Fui o Diabo de alguém a troco de compulsivo
Amor nos braços de outrem. Queixava-se do tempo
que tinha o corpo trocado com o inferno
vestidos de Lolita, uma ninfeta sem amparo —
e um pacto quebrado que impede os sobrelimites
da escrita – e do andamento nefasto da morte:
do consumo exasperado de literatura a troco
de umas poucas moedas de vida. Banalidades
que desaprendo com a virtude de desconhecer
a mão perversa que guia todos os poemas:
Sou-o por mim e de mais ninguém, alegras-me,
solidão de memória, inventada para todas as ocasiões
tal qual o vestido negro que dispo perante
Anjos Caídos, figuras celestiais à coca
de paranoias inventadas – redenções e outros
desgostos vívidos da fantasia que teima a vigilância
do demónio Maior Amor, Corpo torpe que cai-cai
e brilha a música que preenche o vazio e é
orquestra de espirito sem maestro. <span style="color: #ffffff;">Lígia Reyes</span></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p class="p1">Três temas se destacam ao longo desta obra: o esquecimento, a lucidez e a individualidade. Não fosse a segunda parte do livro apelidada de “outros exercícios de loucura”, pois sabemos que precisamente estas três componentes são parte essencial da identificação de um estado mental saudável. Contudo, a transfiguração da memória, o entendimento do que é ou não lúcido, assim como o respeito pelas individualidades são dimensões transversais a toda a gente. Não é só o sujeito poético que as atravessa, mas sim todos os leitores. Somos todos produtos de exercícios repetidos de loucura e de sentimentos absolutamente incompreensíveis, como os dos peixes. No poema “Noturno”, o sujeito poético fala das construções de abstração tridimensional como forma que cada ser humano tem de construir a sua realidade, “poemas exaltados sobre a nossa condição humana,/ mas frágil e de beleza vulnerável”. A poesia é encarada pelo sujeito poético como uma interpretação sempre do leitor, visível no poema “Estirpe”: “Revês um poema à espera de vislumbrar alguém;/és só tu, preso ao espelho em que te admiras”. O silêncio ensurdecedor do poema é reflexo da condição humana, do Amor Peixe, também ele indecifrável mas com tantas implicações emocionais. É o poeta apaixonado por um abismo que se atreve a metamorfosear o universo interior na forma poética. Nesta inércia física, o despertador é música que toca alarmando a cardíaca inércia uma vez que lá fora já é dia há muitos anos.</p>
<p><strong>Sara F. Costa</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Espiral</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/espiral</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 May 2015 19:49:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p class="p1">Lá fora ou cá dentro
não disse para te ires embora
Só
que fosses com tudo, disse-te</p>
<p class="p1">Não percebeste o essencial da questão
e nunca voltaste.</p>
—
<p class="p1">Afuera o aquí dentro
no dije que te fueras
Sólo
que fueras con todo, te dije</p>
<p class="p1">No captaste la esencia de la cuestión
y nunca volviste.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p class="p1">O imutável, o impróprio, o imperfeito e a improbabilidade entram num poema… O título do livro de Irma Estopiñà, Espiral, remete-me de imediato para Spiralling, de Antony and the Johnsons, um lamento musicado que debate a possibilidade e o poder de morrer, a incapacidade de levantarse, um coração partido e congelado permanentemente nesse estado.</p>
<p>—</p>
<p class="p1">Lo inmutable, lo impropio, lo imperfecto entran en un poema… El título del libro de Irma Estopiñà, Espiral, se refiere de inmediato a la canción Spiralling, de Antony and the Johnsons, un lamento musical que debate la posibilidad entre la muerte, la incapacidad de levantarse, un corazón roto y congelado de manera permanente.</p>
<p><strong>Gisela Casimiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Clitóris Clítoris</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/clitoris-clitoris</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 May 2015 14:24:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p class="p1">Milhares de mulheres
Anualmente
Sofrem agressões físicas
…………Sob a diagnose antropológica
E médica de «mutilação
……………..Genital feminina»</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #ffffff;">Maria Estela Guedes</span></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Astigmatismo ou redenção</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/astigmatismo-ou-redencao</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 May 2015 20:46:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p class="p1">Ilustrado por Inma Serrano &#38; José Louro</p>
<p class="p1">Não há absolvição
apenas a ilusão de um recomeço
a subversão do ontem
perfídia disfarçada
urdindo formações de desalojados
saciando a abstinência virulenta
cabeças que cortam cabeças
matilhas de pássaros orgânicos
causando a obstipação dos profetas</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2>Sobre este livro</h2>
<p class="p1">Astigmatismo ou redenção é um livro felizmente sem chave que coloca, ao mesmo tempo, em cena a bruma e o brilho, a morte e a claridade, a mesa (farta de ser) e a sua severidade. No final, não há uma única palavra que se sinta circunscrita, pois aquilo que se salva acaba sempre por escapar ao insondável. Matéria exposta, pois então. <span style="color: #ffffff;">Pedro Loureiro</span></p>
<p class="p2"><strong>Luis Carmelo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Água forte</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/agua-forte</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 May 2015 17:15:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[fervem nos ombros
dos montes
as pedras do silêncio

e isto podia ser o mundo
ou a casa onde a morte
se cansa de mentir

no céu, só os restos
dum incêndio trabalham
esta febre do olhar

toda a tarde
te respiro por entre
as árvores submersas!

estou tão quente
como um fruto
que o sol ferrou

só, só eu
te sei cantar
até seres chuva

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>O tempo gera seus frutos na escuridão da terra, isso é fato. No entanto, o caminho que a semente percorrerá até virar colheita é misterioso. Não podemos prever o rumo dos ventos, nem o número de eras que tardará, nem o instante preciso em que a vida se faz. Foi nesse emaranhado de destinos que conheci Gil T. Sousa.</p>
<p>Seria ingênuo e pretensioso de minha parte descrever o tamanho desta obra. “Água forte” é um livro precioso que guarda “geografas de sangue”, “apodrece dilúvios” e que nos mostra que não se pode apreender rostos apenas contemplando quadros. Seus versos falam da imensidão de nosso breve suspiro no mundo, de nossa finitude, mas não se esquecem de revelar a eternidade das pequenas coisas, como algum amor que um dia esteve logo ali e hoje lateja apenas na memória, numa paisagem ou em algum gesto antigo. A poesia, neste livro, se faz do exercício diário de experimentar os olhos além da geografa cotidiana. Por isso é preciso ter coragem, derrubando os muros que guardam aquilo que não podemos ver, até que reste apenas “o silêncio se curvando como um animal sem voz» e escutemos, por fim, a profusão de pássaros escondidos nas palavras desse poeta.</p>
<p>Não tenho dúvidas da força tempestuosa e da bonança contida nas páginas a seguir, por onde saltam angústia, místicas manhãs, rumores de estações anônimas, e de onde a esperança não se esvai, mesmo quando o desconhecido emerge das cinzas em círculos de fogo.</p>
<p>Além de sua belíssima obra, Gil também contribui de maneira efetiva para a difusão desta linguagem chamada poesia, pesquisando e divulgando inúmeros autores. Talvez esse trabalho tenha sido um dos diversos fatores que construíram sua voz singular, afinal de contas, conhecer aquilo que já foi feito ajuda a traçar novas veredas.</p>
<p>Meu caro Gil T. Sousa, quando despertarem os últimos poetas e as aves solitárias me conduzirem para além dos bares, eu tomarei de teu cálice, juntos brindaremos a solidão dos deuses e te agradecerei por me “ensinar como regressar às palavras que abandonei e abraçá-las como filhos perdoados”.</p>
<p><strong>Tiago Fabris Rendelli</strong></p>
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		<title>Outono azul a sul</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 May 2015 17:32:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[é uma entrada de luz por um furo
que pode ser um poro
e a luz pode ser um touro
o amor pode ser um apuro
uma brutalidade
e pra retirar o bicho cirurgicamente
pode ser duro
pode ser duradouro
uma eternidade
tecnicamente uma fraude
um silogismo indecente
há um sismógrafo no escuro
que pode ser um soro
o sangue sumidouro
daí o amor pode ser puro
novamente (e novamente)]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p class="p1">Belíssimo, outono azul a sul é como uma onda que nos arrasta desde a primeira linha até lugares impossíveis de prever. É tão raro encontrar um verdadeiro poeta.</p>
<p class="p1"><strong>Ana Teresa Pereira</strong></p>
<p class="p1">Prêmio Oceanos 2017</p>
<p class="p1">Entre Lisboa e Rio de Janeiro, desponta um novo canto, herdeiro do vento, do desconcerto e do lírico. Assim é a poesia de Calí Boreaz, geografia do tempo, em seu instante forte e delicado. Uma estreia vigorosa, uma noite que grita, para dizer o mínimo.</p>
<p class="p1"><strong>Paula Fábrio</strong><br />
Prêmio São Paulo de Literatura 2013</p>
<p class="p1">Ao se dar a conhecer em versos de paixão precisa, Calí Boreaz é a poesia e nela aponta novos sentidos. Rosa dos ventos que, colhida de abismos marinhos, exala perfume de “maresia distante”. Seguimos viagem. No rumo ou à deriva, que importa se são seus versos a nos soprar as velas?</p>
<p class="p1"><strong>Francisco Azevedo</strong></p>
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		<title>A casa de ler no escuro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Feb 2015 16:52:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p class="p1">Cheguei há poucas horas.
Os sons do mundo são carvões acesos no meio do escuro.
Minha boca gizada a diamantes de sangue
rasga poentes com lenços negros de seda.
A linha do horizonte é uma águia vermelha.</p>
<p class="p1">O poema tomba.</p>

<h2></h2>
&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p class="p1">Há uma parede branca com um poema esmagado<br />
dentro do peito.<br />
É filho da neve e do Castelo do Medo<br />
— um homem abandonado à sua sede —<br />
cujo cadáver clama por ele.</p>
<p class="p1">Vive e chora no Labirinto de Dédalo.</p>
<p class="p1">Urina sem piedade<br />
nas mãos de Deus.</p>
<p>(Século vinte e um, página 51)</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Xeque-mate</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Feb 2015 16:56:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p class="p1">Caem flores submersas no coração das mães.
Digo-te como a uma criança, vem</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p class="p1">há dois tipos de circo: um<br />
com<br />
palhaços<br />
a<br />
fingir</p>
<p class="p1">outro<br />
com<br />
palhaços</p>
<p class="p1">a<br />
sério</p>
<p class="p1">(Página 33: o circo)</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Thats all folks!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Jan 2015 17:20:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p class="p1">Senhoras e senhores, meninos e meninas
bem-vindos ao maior espectáculo do mundo</p>
<p class="p1">o poema do poeta “One Man Show”</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p class="p1">Desceu o gelo<br />
e agora tudo está no osso<br />
aguarda-se a todo o momento<br />
o som de algo a quebrar-se<br />
a integridade destruída<br />
accionada por uma força ímpia<br />
riem-se as peles de marta<br />
a tapar as partes pudibundas<br />
perante os pés entrapados<br />
pela vastidão do medo<br />
as baratas escondem-se no calor<br />
por baixo dos destroços das palavras<br />
e consomem o último gomo são<br />
de uma laranja apodrecida<br />
que enxameia todas as cores<br />
muros erguem-se invisíveis<br />
a aplacar memórias<br />
que tremem no ar de gasolina<br />
a ignorância brota<br />
da casca grossa do esquecimento<br />
e pisa tudo para trás<br />
venha pois o deserto<br />
independente e livre<br />
repor a verdade do escorpião<br />
porque aqui faz frio<br />
foda-se aqui faz muito frio</p>
]]></content:encoded>
					
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