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	<title>Poesia moçambicana &#8211; Editora Urutau</title>
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		<title>Cartas de amor para meninas mal comportadas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Jul 2025 11:12:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A primeira vez que fiz amor com uma mulher
Despertei com os gritos dela de alívio,
Um silêncio alto de suplício
Afinal era apenas o início.

Das suas pernas escorriam lágrimas de um dilúvio,
Ela era a nascente de uma nova guerra,
E eu aprendia a distinguir o mar da terra.

...
(Virgem, página 15)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Querida L.,<br />
Ao escolher o encontro que essas páginas provocam, talvez você não saia ilesa. O tempo é malandro, quase nunca antecipa o que destruirá ao chegar. Mas o tempo sempre chega e a escolha do encontro é sua.<br />
Eu própria, L., já conhecia essas Cartas de amor para meninas mal comportadas desde o nascimento das primeiras linhas. Foi no Núcleo de Dramaturgia Feminista, conduzido por mim online em plena pandemia de 2020, que o desenho deste encontro começou a pressionar o contorno da folha em branco. Podia dizer a você: “conhecer protege”. Mas não é verdade. O encontro, quando tem acontecimento, é inexorável.<br />
Eliana N’Zualo é bem humorada e isso é perigoso. Ela é um corpo em movimento e faz essas cartas viverem – e assisti a uma prova disso em Lisboa anos depois dos primeiros versos dessas cartas, por isso posso dizer com propriedade.<br />
Veja L., eu não saí ilesa a essa leitura mesmo depois de ter certa intimidade com o texto. Seria muito inocente da sua parte achar que sairá a mesma pessoa depois de colocar cada uma dessas palavras para dentro de você. Veja bem: estamos falando da força de uma poção mágica “Feita das placentas/ Daquelas que enterravam /Os nossos umbigos/ Onde os pudéssemos encontrar,/ Para sabermos sempre /Onde era o nosso lar.”.<br />
Talvez L., depois dessa leitura você saiba para onde voltar. Talvez não tenha volta. Talvez o tempo seja malandro com você.<br />
De qualquer forma, há um acontecimento neste livro L., a sua escolha em provocá-lo é um partir para dentro de si. E, diz Eliana: “As dores de partir/ São as mesmas que nascer:/ Agudas e teimosas.”</p>
<p>Boa leitura.<br />
Bom nascimento, L.</p>
<p>Com amor,<br />
<strong>Maria Giulia Pinheiro</strong></p>
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