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	<title>Poesia &#8211; Editora Urutau</title>
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		<title>As mulheres dos bosques</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 May 2026 14:49:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Vidas diferentes convivem
dentro de um mesmo receptáculo.
Como palimpsestos.

Há três gerações de mulheres,
Misturadas, escondidas por entre
as camadas da pele do lobo

Enquanto isso, a menina, lá de dentro, no escuro
Ouve a voz que sopra ao ouvido:
o perigo é narrativa recorrente.

(<em>A menina vermelha</em>, 9)
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>10% de desconto</strong></span>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>É antiga a tradição das écfrases: fazer com que uma imagem converse com palavras, e que desse encontro nasça algo novo. Katia Canton domina essa arte. Em As mulheres dos bosques, seus próprios desenhos dialogam com poemas — e no intervalo entre um e outro, um novo objeto se precipita.<br />
A autora nomeia o último poema de “Os bosques de cura”. Cura, aqui, não é o retorno à saúde perdida nem a salvação pela fé. Vem do alemão Hagen: sebe, clareira, lugar onde o caminhante para, respira e simplesmente está. Cuidar de si — cura sui — é habitar esse bosque, entre presenças e ausências, e existir de verdade.<br />
Katia não reescreve contos de fadas com a chatice moralista de quem apaga o passado. Ela os atravessa criticamente: a indústria dos cosméticos, o cinema de Hollywood, a guerra contra os germes, o destino doméstico da mulher. E, sobretudo, a sexualidade feminina. Seu gesto é irônico, afiado e nada ressentido: “o destino de toda princesa é encenar delicadeza”.<br />
Aqui, a mulher faz fotossíntese. Escreve como planta que converte luz em energia — mas sem virar deusa intocável. É mundana, sujeita à raiva, à inveja, ao êxtase, à gula, à ternura. Rejeita a pose heroica para reescrever o legado do corpo, do desejo e do gozo.<br />
O método de Katia Canton é arqueológico (reconstruir imagens), onírico (deformar como nos sonhos) e mítico (narrar o sofrimento psíquico sem fugir dele). Seus desenhos não ilustram: criam um hiato fértil. Ali, sapatos viram armas, barrigas são de pedra, a beleza desamparada se liga à inveja e à imortalidade.<br />
Entre o bosque e a clareira, entre a palavra e o traço, resta a você, leitor, um só movimento: entrar.<br />
Boa viagem ao leitor, e bom passeio no bosque.</p>
<p><strong>Christian Dunker</strong></p>
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		<title>Tauromaquia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 May 2026 14:37:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[lutei com touros esse ano.
touros implacáveis, deuses, semideuses, grandes e bufantes e enormes correndo atrás de mim, quase me alcançando, quase me perfurando o olho esquerdo como o de Granero.
Zeus raptando Europa over e over. um rapto, para não dizer estupro — a palavra censurada —, estampado nas bandeiras, nas estátuas das praças, nas moedas, na bolsa de valores.
traumas antigos sendo descongelados do frio profundo das calotas polares como uma cicatriz que se abre anos depois do rasgo.
tive que aprender a tauromaquia na marra, no susto...

(<em>Feliz ano novo,</em> página 9)

&#160;
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>10% de desconto</strong></span>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A milenar corrida de touros encontra na boca da poeta a vermelhidão de alguém que prova no estrangeiro o gosto da própria terra. Risco de sangue e perdas dentárias. Aqui as boas maneiras dos Alpes não cabem nas mesas amarelas, com o litrão e o funk brasileiro. Não é possível contar sobre a música que toca. A pele. O mar. Mar — palavra miúda que esconde o oceano de uma fêmea que se recusa a ser Penélope: “a arena também me pertence/ o navio também me pertence/ a cidade é minha/ e a minha aventura também começa/ quando você sai”. (O que resta do Grande Odisseu diante do Grande Touro Mulher?). Penélope em deriva oceânica é desta vez para ela a casa que nunca chega. “Eu não trouxe muitas coisas para a Holanda”, ela diz. O que se ganha ao perder o pertencimento? Uma língua nova. Um livro de poesias no idioma materno — embora às vezes gringo e com sotaque de saudade. Este é o caminho contrário dos ancestrais: de São José do Rio Pardo a Amsterdã. Mas o corpo insiste. Os mesmos tendões e costelas de outros tempos. De Alberto Caeiro a Cardi B. Em ponte aérea, estamos todas dançando no poste familiar desta outra cidade. É assim: todas as bifurcações levam a um beco sem saída. Isto porque há muitas formas de não dizer alguma coisa. Poliglota da mudez, ela escreve “o eu te amo sempre me escapa”. Nomeia o impossível com o corpo em catástrofe: “mas você bem sabe que/ se você me dissesse por exemplo/ vamos sair correndo no meio da tempestade/ eu diria vamos”. Aqui está a melancolia e sensualidade da poeta. Paguem a melancolia e a sensualidade da camgirl. Os tailandeses com seus trinta centímetros de fala penetram a superficialidade das máscaras desta Minotauro — tão exposta quanto histericamente inacessível. Larvatus prodeo. Afinal, Tauromaquia ressoa pelos labirintos do ouvido, em várias bocas: “who is the monster and who is the man?”</p>
<p><strong>Camila Ferrazzano</strong></p>
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		<title>Entre o nó e a palavra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Apr 2026 19:31:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Certos vazios
só almas solitárias entendem...
Há lugares despovoados dentro de si que
apesar de comunicarem constelações inteiras
ficam imersos no vácuo
tal como os sons do universo que não se podem propagar.
No fundo, é apenas silêncio sufocante.
Nada mais.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Como o corpo aparece na escrita? No livro que você tem em mãos, esta parece ser a questão norteadora. Partindo do incômodo que se impõe a este corpo que surge como matéria finita, submetida ao tempo, mas capaz de abrigar “sensações infinitas”, <em>Entre o nó e a palavra</em> nasce da pergunta e se constrói sobre ela. Rayana de Carvalho escreve sobre amadurecer e envelhecer como quem observa a própria permanência na carne, sobretudo no ser mulher. A pergunta “quem eu sou”, de frente para o espelho, se apresenta como gesto de busca, indicando uma identidade que não se encerra no corpo, mas se revela por meio dele. O tempo acompanha essa reflexão como presença ambígua, ora sustentação, ora desgaste. A rachadura surge como imagem central das imperfeições que nos formam, lembrando que o “desequilíbrio também é uma forma de equilibrar a vida”. O desejo se afirma pela corporalidade, pelo contato que expõe limites, a intensidade que convive com a ansiedade, sem disfarce. Ao final, a escrita aponta para o que permanece quando tudo passa: “vai-se o corpo, mas a palavra é o que fica”. Um convite direto para o leitor, que aqui se vê diante do desejo de permanecer na poesia.</p>
<p><strong>Carla Guerson</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>De mãos ocupadas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Apr 2026 19:24:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[o rosto da minha mãe
muda
de figura
não sei
se me lembro dela
ou da foto dela

tento me lembrar
da rosto da filha
mas no lugar do rosto
é um espaço no corpo
ou um colo sorrindo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Este livro é uma espécie de <em>coreografia das mãos</em>: nele, as mãos cooperam, seguram, cuidam, se ocupam, se mexem. As mãos se tocam e os dedos dançam — um no outro e, depois, no outro, ora em pinça, ora abertos, e se buscam e se estranham.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse balé, vai se desenhando um percurso nada óbvio que exibe o músculo de um exercício contínuo: o percurso da <em>transmissão</em>. Os gestos passam de uma geração para a outra e atravessam o tempo. As mãos da avó, da mãe, da filha deixam sua marca e permanecem.</p>
<p style="text-align: justify;">Aos poucos, com passo delicado e firme, Isabel Ramos Monteiro vai lendo algumas formas de herança que restam e se refazem. A avó que pisca e olha com vagar, a mãe da mãe que anda com os chinelos arrastando, o avô que gira a aliança, que senta ao piano, as palavras e expressões que sobrevivem, o nome de uma que se repete em diferença no nome da outra (Daisy, Margarida, o mesmo nome com duas grafias). Ou, ainda, a impressão digital que se forma na ponta dos dedos durante a gestação graças ao movimento das mãos do bebê no contato com o líquido amniótico. A herança em seu caráter involuntário e singular, capaz de marcar a identidade.</p>
<p style="text-align: justify;">O que parece estar em jogo aqui é uma espécie de “manutenção da vida”, levando em conta o sentido etimológico da palavra manutenção: ato de segurar com a mão. E passar adiante. Assim, nesses poemas comparecem a infância, a memória, as práticas corporais, mas também os nascimentos, as mortes, e tudo aquilo que pauta nossa existência. Além da presença de autores que trazem pistas de leitura, como Winnicot, Ursula K. Le Guin, Andreia Yonashiro etc., multiplicando os sentidos em jogo.</p>
<p style="text-align: justify;">Nessa hora em que nos isolamos nas tecnologias digitais, cada vez mais distantes do manual, estes poemas evocam um mundo em que o cuidado e a comunicação passam pelo gesto de tocar, segurar e fazer coisas concretas com as mãos — quem sabe uma forma de vislumbrar “uma fresta de futuro” adiante.</p>
<p><strong>Marília Garcia</strong></p>
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		<title>Ossos que dançam na cova</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Apr 2026 18:49:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Ossos que dançam na cova é um livro de poesia cru e cômico que mergulha nos submundos da morte, vasculha os ossos que submersos na terra e manchados de resquícios de sangue, ainda insistem em dançar.
Este livro irá agradar leitores que já tiveram o seu primeiro contato com a morte e os que de alguma maneira flertem com ela, ainda que sem impulsos suicidas. As palavras que constroem este livro mostram que vida e morte estão mais entrelaçadas do que pensamos e que dançar debaixo da sepultura é necessário para quem não quer perder o rebolado.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Visceral, feminino e cru. Angélica Glória cria em Ossos que dançam na cova uma composição viva e pulsante de palavras e afetos. Somos golpeadas pelo instante em que se descobre que a morte corre em nossas veias, tendo seu lado paralisante, mas também energizante. Crescer é o cair de fichas de que somos feitos também de matéria morta e é ela que em sua organicidade pode nos mover ou apodrecer. Vivemos nesse entre da podridão e do adubo, nem sempre nos é concedida a escolha, mas cria-se a partir disso, é o que sussurra sua poesia em sua condição de ato.</p>
<p style="text-align: justify;">Há um texto que é tecido e amarrado por suas poesias de maneira única, sensível e corajosa, a história contada diz que na lambança de sabores, na textura da comida e no cheiro da carne nascem e morrem memórias de onde germinam os desejos e a tragicidade de uma vida inteira.</p>
<p style="text-align: justify;">Para mergulhar até os ossos das palavras, a autora traz meninas como personagens, se o osso sustenta a carne, a infância é o osso de uma vida, mulheres se moldam feito músculo em suas meninas. Com sua escrita, vemos esse processo duro e brilhante de (des)fazer-se roendo, engolindo e cuspindo.</p>
<p style="text-align: justify;">Há conforto e beleza na leitura, pois é a partir do que é duro que encontramos o que é macio. A poesia de Angélica Glória torce a palavra e cria uma língua nova, que se viva então o mistério de como pode uma vida inteira caber em um verso? Em um movimento de moer o cotidiano com pitadas de humor e horror, a obra expõe aos nossos olhos pedaços de histórias, corpos e objetos para revirá-los do avesso. Em seus diferentes enlaces e desenlaces, essa é a vida como ela é.</p>
<p>“nós forrando a quina com lixa</p>
<p>cobertas no leito da vida”</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Luísa Monte Real Raña</strong></p>
<p><em>Psicanalista e escritora</em></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Águas de palavras</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Apr 2026 15:53:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[a maresia se deitou
em todos os cantos
da casa

cobrindo o luto
do lar perdido
e desarrumado

a moça deixou a água salgada entrar
transbordando os cômodos vazios

o mar curando as palavras doídas
o sal enfeitando as feridas
antes da maré mudar.

(<em>Convite</em>, pág. 11)
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>10% de desconto</strong></span>
<span style="color: #ff0000;"><strong>PRÉ-VENDA ATÉ 31/05/2026.</strong></span></p>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>Os livros serão enviados no prazo máximo de 15 dias após o término da pré-venda</strong></span></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Julia Sereno mais uma vez nos traz uma coleção de poemas pungentes, obra extremamente pessoal e pertinente, retrato de uma alma inquieta num mundo desafiador. Num contexto de permanente mutação, inevitável ou voluntária, a artista não tem receio de se apresentar por completo, suas fraturas e cicatrizes, perdas e conquistas, inseguranças e certezas, ainda que transitórias.<br />
A poesia de Julia Sereno é um lugar de experimentações, jogos de palavras e textos curtos e fragmentados, mas que permanecem na mente do leitor, que apenas pode supor se são versos cuidadosamente semeados ou abruptamente despejados no papel. Ordem e caos se confundem porque, como bem disse outro poeta, a vida acontece enquanto fazemos planos.<br />
A sensação é de que há um olhar apurado sobre pessoas, gestos, coisas, lugares e, mais precisamente, sentimentos à flor da pele, ou a duras penas, camuflados na aparente trivialidade cotidiana. Todas essas partes representam mais do que o todo, vão muito além, perpassam o que é visto e nos atravessam por completo.</p>
<p>Se o lar é o lugar onde nos sentimos mais à vontade, o de Julia Sereno é a poesia. Nela, a artista se protege e se revela, e, enquanto constrói jardins e derruba paredes, tem a gentileza de nos convidar para uma visita ao que está em permanente reconstrução.</p>
<p><strong>Rodrigo Goulart</strong><br />
escritor</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Trailer frenesi</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Apr 2026 13:24:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Prezo demais poetas que se movimentam pela convicção estética que, mais cedo ou mais tarde, fará de suas vozes expressões únicas. O experimento contido neste romance, de autoria de um poeta que não faz concessão alguma, é um feito, é único. Aqui uma história contada pelo som e pelo ritmo, um altar estético que celebra o contar pela dicção do desejo e do arriscar. Um longo verso que, nas linhas e nas entrelinhas, se transmuta em prosa para nos mostrar que sempre há caminhos novos a percorrer desde que tenhamos coragem, a tal coragem de saltar.</p>
<p style="text-align: justify;">
Paulo Scott</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Estamos diante de um verdadeiro diálogo entre linguagens. O livro <em>Trailer Frenesi —</em> romance de estreia do poeta Fabio Santiago traz a forma do poema à frente da linguagem introspectiva, muitas vezes considerada fundamental na escrita lírica. Toda a ação se passa na produção de dois videoclipes de uma banda formada por três mulheres e um cara. A partir daí é incorporada a linguagem do cinema ao citar locações, câmeras, lentes, o clima e, inclui em seguida, a linguagem do meio musical. Revela, também, as canções que acompanham a aventura. Grande parte das ações se passa em torno do set de filmagem, o comportamento das integrantes, as relações entre elas, com o diretor e com os personagens trazidos pela trama.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo isso faz parte da grande aventura que envolve <em>Trailer Frenesi</em>. Um romance policial, passado nos anos 1990, trazendo toda a liberação sexual conquistada a partir dos anos 60. É interessante lembrar que tanto o cinema, quanto a música foram meios fundamentais para socializar essa revolução. E, se hoje, o cinema encontrou um viés crítico-político, a música parece viver uma polarização, em que por um lado se boleriza (como dizia Tom Jobim) e, por outro, busca radicalmente suas raízes (com perdão da redundância) em busca não sei se da felicidade ou da fidelidade a uma verdadeira ideia nacional ou étnica. Enquanto isso, a literatura, que em minha opinião é a mais atingida pela idade e ideias digitais, tem no livro sua grande ferramenta tecnológica, ainda insuperável.</p>
<p style="text-align: justify;">O livro de Fabio Santiago, intitulado <em>Trailer Frenesi</em>, é um romance sobre como manter viva uma revolução de ordem sexual. Ou, porque não dizer, desobedecendo a uma ordem que, a partir do século xxi, se viu renascida por um falso moralismo muitas vezes travestido de religião.</p>
<p style="text-align: justify;">A sensualidade sem filtro do poeta invade os diálogos com a volúpia determinante para se tornar erótica. E, dessa forma, atingir um tom mais próximo da juventude dos personagens que se relacionam de maneira aberta, sendo fiéis a uma época em que não era usual se esconder por trás de câmeras, telas, monitores para declarar seus sentimentos, satisfazer seus desejos e revelar seu jeito de ser.</p>
<p style="text-align: justify;">Fabio Santiago no romance <em>Trailer Frenesi </em>expõe para todos a essência do existencialismo — viver o que você acredita é revelar tudo que está encoberto pelo medo, pela timidez, ou por não saber que um dia as coisas aconteciam daquela maneira. E cada um se sentir livre para ser o que queria, gostaria ou sonhava ser.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Bernardo Vilhena</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Baile de solar terra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Apr 2026 13:11:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[por minha maçã do rosto
por tua batata da perna
por nossa uva dos olhos

nos esfomeemos saciados
nos lambamos agramáticos
engulamos nossas almas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Luiz. Imaginem uma sala de aula. Uma sala de aula tomada de pessoas, vidas, ideias e pluralidades. Entre fofocas, conversas alheias, discussões e anotações sobre coisas importantes, imaginem, então, uma voz silenciosa que se faz presente e torna esse baile de vozes silêncio. Olhos e atenções se viram para nada perder. Você dança com sua fala e cria com palavras o que a gente imagina estando presente. Imaginem que a sala de aula é uma metáfora para a vida.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Baile de solar terra</em> é um convite ao jogo. São poemas que se abrem através do brincar de significar, nos quais pontuações e definições tornam a gramática, careta por natureza, um enorme parque de diversões — e quem não vira uma criança feliz e faceira dentro de um?</p>
<p style="text-align: justify;">Se você é daquele tipo de pessoa que lê poesia em voz alta, pois aquele ritmo pulsa tão forte que é difícil de se controlar, este livro é para você. Se você gosta de versos que emanam imagens tão oníricas qual reais, este livro é para você. Se você se abre às possibilidades que habitam entre as palavras e nossas interpretações, este livro é para você. Este livro sempre foi para você.</p>
<p style="text-align: justify;">Luiz me disse que pensava em <em>baile</em> a partir de dois pontos: como <em>celebração</em>, uma euforia, e como <em>derrota</em>, levar aquele baile. Como também me disse, como bom poeta que é, <em>seja como for, sei que deu vida ao texto</em>. Seu lindo. Mas, meu caro, eu aprendi que baile vem de <em>ballare</em>, que é dançar. E seu livro, assim como a dança, está sempre em movimento, em transformação, jamais se repetindo e a cada novo movimento novas possibilidades se abrem diante de quem dança — seu livro é dança. A você, que dançou, que dança e que sempre dançará, este livro é para você.</p>
<p><strong>Matias Corbett Garcez</strong></p>
<p>Doutor em Estudos Linguísticos e Literários pela Universidade de Santa Catarina</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>O fio da faca</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-fio-da-faca</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Apr 2026 22:07:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A faca precisa de um outro. É em um outro que a faca cumpre sua função. É o outro que é sensível ao fio da faca. Poemas que expressam toda volatilidade da pessoa que os escreve. Íntimos, como confissões em um diário. A faca corta, e o lápis?</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Quando uma palavra é lançada ao mundo, o silêncio entre o pensar e o agir é cortado. Antes, afia-se a língua até salivar. Neste livro, Crystal Duarte conjura poemas que produzem um corte libertador (ou libertino) em quem lê. Das ranhuras, escorre um fio líquido, que não se sabe se é sangue, secreção, seiva, suor, <em>squirt</em>, saliva, mas umedece constantemente a leitura. Algo flui da epifania em sentir-se desejada e desejante, embebida por uma melancólica volúpia e solidão. Contudo, para essa narradora não há dicotomias.</p>
<p style="text-align: justify;">A faca é a morada dos paradoxos:</p>
<p style="text-align: justify;">A proximidade da morte jorra a vida.</p>
<p style="text-align: justify;">O gozo que convoca os corpos à guerra e depois à calmaria.</p>
<p style="text-align: justify;">O corte seco da poda. Galhos caídos. O beijo molhado da foda.</p>
<p style="text-align: justify;">A palavra corta um fluxo contínuo de sensações. Não afirma o que é “a coisa em si”, mas o que a coisa pode vir a ser. Fixa a verdade por uns instantes, depois liberta, deixa escapar.</p>
<p style="text-align: justify;">Dos galhos caídos que avistamos, produzimos o lápis.</p>
<p style="text-align: justify;">Da suspensão do silêncio, fazemos rabisco e poesia.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p><strong>Rubens Takamine</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Metástase</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/metastase</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Apr 2026 20:26:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Divisão binária da sexualidade,
Hipermasculinização do pensamento.
Tendo os direitos jurídicos negados,
Vivendo da exclusão esterilizante
Da pureza compulsória.
Músculos prontos para a destruição.
Casas queimadas, mortes prematuras
Ser homossexual é uma benção.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Metástase é uma coleção de 50 poemas escritos em 2014 e 2015. Trata-se de questões acerca da impossibilidade da comunicação completa, preenchida, portanto, de lapsos, abismos e vazios. Impulsionados por uma tonalidade negativa e pessimista, os poemas se dedicam a evocar questionamentos existenciais com base em aporias do conhecimento e relações biológicas. A linguagem que compõe o texto é hermética, refletindo, desse modo, as complexidades irresolutas que se corporificavam na ausência de métricas e rimas, em versos livres e fechados em blocos. Ecos de diversos assuntos atravessam os poemas, com o objetivo de ampliar as discussões de caráter também díspares e descentralizados, variando entre temáticas de gênero, filosofia ocidental, industrialização, resíduos orgânicos e sintéticos. O corpo assume lugar inequívoco na interpretação do mundo e como eu lírico que confronta sua própria mortalidade em um presente cada vez mais urbano. O tom que assombra a escrita é de desconfiança e alienação, mediante tanto os seres humanos quanto as inovações técnicas que afligem a contemporaneidade, utilizando-se de um ceticismo niilista que busca, nas contradições da vida social e na negação de sentido intrínseco, uma redenção poética.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Para tocar com os olhos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 14:26:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O pequeno libelo que você tem nas mãos nasce de uma esperança. Aquela do primeiro livro, primeiro toque da caneta na folha de papel. A poesia singra nos versos, na prosa poética de Thiago Abercio como se à procura de mar, com fluidez de um rio, Beberibe se junta ao Capibaribe e desemboca em Para tocar com os olhos. De maneira nua, crua, nossa. Raiz até a ponta dos cabelos. Nos desconcertando. Nos retirando do centro, dos campos verdejantes, do estado de pedra. Que sente, apesar de estática. Que luta, apesar de invisível. Para se tornar luz nos olhos e iluminar toda a vida até o fim dos tempos.</p>
<p style="text-align: justify;">
<strong>Patricia Gonçalves Tenório</strong></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Como se cada poema desarmasse uma bomba melancólica no asfalto minado da cidade. Calçado naquelas botas carcomidas pelo tempo, o poeta transforma o artefato em flor — flecha germinada por pés flutuantes antes da pisada inaugural. Neste livro de estreia, Thiago Abercio se move entre o que persiste no grito fantasmático e a voz residual ecoada a partir do abismo. Há um universo de esplendor precário, feito de coisas inacabadas que se encenam nos sussurros geográficos trocados entre observador e observado, num jardim de escombros com pedras tateadas por dedos aquosos.</p>
<p style="text-align: justify;">Em <em>Para tocar com os olhos</em>, Abercio descortina o horror do mundo e suas minúsculas gotas de esperança, num mar de versos fuliginosos — iluminados, por contraste, pelos dias vacilantes de desconfortável brancura. Para realizar esse gesto, ele tensiona uma linha de costura que, ao se esticar, revela o movimento das retinas num assombroso deslocamento cinético entre o fluido e o sólido. Suas evocações desconcertam e erguem uma urbanidade polifônica de ruínas, dialogando com os antepassados — aqueles que também beberam o cotidiano em pratos rasos, preenchidos pelos restos da primeira e também da última refeição do dia.</p>
<p style="text-align: justify;">Ali, o olhar não é apenas um gesto de ver, mas um campo de afetos, cortes e descobertas, exatamente como propõe Roland Barthes. Cada cena é composta pelo encontro entre o que o pensamento enxerga e aquilo que, de súbito, o atinge como <em>punctum</em>: um detalhe, uma memória, uma presença que devolve o olhar. A narrativa poética se constrói nessa tensão entre o que é culturalmente compreensível e o que escapa ao controle, revelando que ver é sempre interpretar, desejar e ser tocado. O olhar não descreve: ele transforma, fere, convoca — e, como em Barthes, faz do instante uma experiência íntima e irrepetível.</p>
<p><strong>Manoella Valadares<br />
</strong>Poeta, tradutora e crítica literária</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Mercúrio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 14:08:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[aqui eu não tenho família
não tenho os laços
que me seguram
para dizer que tenho casa
sou puro osso da minha costela
meu porto seguro
é a minha mão esquerda
e eu escrevo com a direita
pra fazer fingir que tenho lar

(<em>Marte</em>, página 16)
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>10% de desconto</strong></span>
<span style="color: #ff0000;"><strong>PRÉ-VENDA ATÉ 24/05/2026.</strong></span></p>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>Os livros serão enviados no prazo máximo de 15 dias após o término da pré-venda</strong></span></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Pâmela Pedra atravessa em Mercúrio a instabilidade enquanto condição humana e a impossibilidade de permanência. Com uma voz literária intensa, que absorve a perda e o desejo constante de pertença a um lugar inexistente, os poemas desta obra nascem de um estado de combustão emocional contínuo, no qual sentir é sempre demasiado e a consciência desconhece repouso.<br />
Estruturado como um percurso cósmico, Mercúrio transforma planetas, astros e forças gravitacionais em metáforas diretas da experiência humana. Cada poema é uma proposta de corpo enquanto estudo em órbita vulnerável, em tensão entre a vontade de permanecer e a urgência da fuga, o apego e a ruína, o amor e o desgaste que ele impõe. Sem possibilidade de harmonia, o universo não surge como figura contemplativa, mas como espelho de um sujeito fragmentado, à deriva e submetido a forças que não controla.<br />
Com uma escrita económica, cortada e por vezes abrupta, Pâmela Pedra assume o risco de dizer o indizível sem recorrer a ornamentos ou concessões, ao mesmo estilo que fez com Uma gaivota esmagada no asfalto da avenida. Este livro não é um exercício de delicadeza, mas da exposição deliberada da falha, da carne sensível, da memória que insiste ou do tempo que corrói, e do peso do corpo num mundo saturado e de indiferença, sem promessas de redenção ou cura. Mercúrio, enquanto objeto literário, propõe o gesto insistente de olhar para dentro sem desvios, na sustentação do desconforto como matéria poética e ética. É uma obra que aborda a solidão, as relações assimétricas, a precariedade dos afetos, o esgotamento emocional contemporâneo e a infância como território perdido, do próprio sujeito poético, mas também do outro enquanto pessoa.</p>
<p><strong>Rui Sobral</strong><br />
escritor e poeta</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Sal nas Feridas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/sal-nas-feridas</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 11:44:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[enfiei-me num campo
onde o arame farpado
percorre 14 hectares
de silêncio
para manter cativa
a língua
em vias de extinção

(página 14)

&#160;
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>10% de desconto</strong></span>
<span style="color: #ff0000;"><strong>PRÉ-VENDA ATÉ 24/05/2026.</strong></span></p>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>Os livros serão enviados no prazo máximo de 15 dias após o término da pré-venda</strong></span></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os poemas são verbos.<em> Sal nas Feridas</em> acomoda nas ações de meter, passar, esfregar, lavar e arder a subjetividade do sentimento proposto pelo ato. Um livro feito de palavras-flechas. Sensorial abastecimento de uma voz elegante entornada em linguagem despudorada. Poemas maduros em preparo, enquanto crus e bonitos de morrer em convulsões que trazem à tona a escrita e seu desejo.</p>
<p><strong>Nara Vidal</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Falta muito para o meteorito?</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/falta-muito-para-o-meteorito</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Apr 2026 09:55:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[​​pequenas gotas
aumentam o sol
que tatua a janela

a mão aberta e vaga
repousa na mesa fria
entre grainhas espalhadas

a violência de uma cama desfeita
fruta velha à espreita
árvores mortas em flor

ouve-se o mar ao longe
escondido de improviso
na sombra da paisagem nua

<em>Natureza-morta da tua ausência</em> (I), página 28
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>10% de desconto</strong></span>
<span style="color: #ff0000;"><strong>PRÉ-VENDA ATÉ 24/05/2026.</strong></span></p>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>Os livros serão enviados no prazo máximo de 15 dias após o término da pré-venda</strong></span></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Luís A. Fernandes percorre o espaço da casa, empoleira-se à janela, e observa a cidade. Diante de si, do reflexo, espera aqueles que vão dormir; também um menino, talvez o poeta, ele próprio, seu filho (re)nascido do ventre da urbe. Os versos de Fernandes são as palavras aflitas desse menino reflectido, tomadas por um choro que se cala à procura de gritar. “Vês filho todos dormem menos nós”, também assim nos silencia o poeta propondo-nos, contudo, o grito calado; e a poesia de Fernandes faz-nos gritar, como meninos calados gritando e chorando à dor, talvez prestes a sonhar. “Com o que sonha uma criança acabada de nascer?”. Atentos, escutamos estes versos para podermos imaginar o que infelizmente já conhecemos porque aprendemos, precisamente, a imaginar. Até ao limite do cansaço, do grito e do choro. Eu diria que os versos de Fernandes são o embalo dessa exaustão, sossegando a figura que teima em mover-se imperceptível num quadro de uma natureza-morta pronta a tomar-se de vida.</p>
<p><strong>Francisco Mota Saraiva</strong><br />
romancista e Prémio Saramago em 2024</p>
<p>Falta muito para o meteorito? poderiam ser imagens que o Luís rouba à cidade para, depois da errância, nos devolver, a nós, leitores, com os modos de uma linguagem que condensa num fluxo que, ora acima, ora abaixo, parece não chegar a bater nem num teto nem num chão. Talvez este livro seja um convite que o poeta dirige para uma caminhada poética, daquelas que têm início na memória, transitando por futuros possíveis até ao instante em que o embate com a contingência caótica, extremista e extremada faz com que o corpo atravesse a sombra de ruelas, passeios, becos, numa busca insaciável das coisas e dos seres que ainda vivem. Porque só quem sabe que tem um porto seguro, se arrisca a partir. Só quem sabe construir segurança a partir das ruínas, daquele fragmento que ilumina um dia inteiro, de um raio de sol que rasga o céu negro. Este livro, travessia do ódio até ao que resta do amor, mas amor, é canto que eleva as coisas simples, criando sentido para o dia-a-dia, numa voz poética que, em sol menor, discreta, se tem tornado mais coesa, limpa, certeira. Um livro para se sentir o prazer de viajar sem sair do lugar.</p>
<p><strong>José Oliveira Pinto</strong><br />
poeta e editor da revista Txon</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Minha língua queima</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/minha-lingua-queima</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Apr 2026 13:35:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[curioso como eu sempre soube
que a morte é destino comum
que todos já vêm com bilhete gratuito
para essa última volta,
mas ao tocar sua pele envelhecida e gelada
eu achei ser sonho irreal e impossível
que morte é essa? o que é isso que chega?
sua partida, sua despedida do que foi vida
gostaria que esse trem não fosse só de ida
gostaria de te ver e sentir seu cheiro
seu poder e sua voz
gostaria disso tudo para ontem
isso está no ontem]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Minha língua queima é um livro de poesia sobre viver com o corpo exposto ao mundo. A obra se inicia com um poema de despedida escrito pela avó da autora, encontrado após sua morte, instaurando desde o primeiro texto uma reflexão sobre luto, memória e continuidade da voz. Dividido em quatro capítulos, o livro percorre diferentes camadas da experiência contemporânea. Em “São Paulo”, a cidade aparece como espaço de deslocamento, violência cotidiana e insistência em seguir, mesmo quando os caminhos falham. “Dor verdadeira” enfrenta tragédias coletivas e questões sociais urgentes, revelando como a dor do mundo atravessa e esgota o corpo individual. Em “Bem querer”, o amor surge como fervor e ferida, marcado pela rejeição, pela comparação e pelo desejo de desaparecer diante do não pertencimento. Já em “Alguns sentidos”, a escrita se volta para o íntimo, para a infância, a memória, o choro e a necessidade vital de sentir.<br />
Com uma linguagem direta, intensa e sensível, Giovanna Laislla constrói poemas que não buscam conciliação, mas presença. Minha língua queima é um convite à leitura de um tempo que arde, de afetos que doem e de uma voz que se recusa ao silêncio.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Filosofia para dias vazios</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/filosofia-para-dias-vazios</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Apr 2026 13:09:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Natália Medeiros de Santana soube costurar de modo magistral as agruras do cotidiano com a leveza da linguagem poética em sua belíssima Filosofia para os dias vazios. Mesclando pinceladas de humor e ironia à acidez da existência, a obra nos traz reflexões profundas sobre a condição humana e impacta com primazia a poesia brasileira contemporânea.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“O Rosário do Poeta</p>
<p>Ave, Maria, cheia de rima<br />
O Senhor é convosco<br />
Bendita sois vós entre os poetas<br />
Benditos são os frutos de nossas entranhas<br />
Santa Maria, Mãe de Deus<br />
Rogai por nós trovadores<br />
Agora e na hora de nosso salário, amém”</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Tudo que eu bebi de um quase mar</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/tudo-que-eu-bebi-de-um-quase-mar</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Apr 2026 16:45:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Minha rua parecia estrada:
Excesso de lama, buracos,
Nenhuma calçada.
Número sem história é o mais celebrado que se conte:
Entre os dentes, minhas janelas conhecem melhor a dureza
do chão,
Em vez da transparência do horizonte.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em tempos em que petroleiros são saqueados em alto-mar pelo maior império da Terra, e palestinos são impedidos de acessar o mar pelo sionismo israelense, a poesia — por vezes tão frágil — nos lembra que o mar também é vínculo e origem. Afinal, “a vida começou no mar”, como canta Paulinho da Viola em “Prisma luminoso”. Em <em>Tudo que eu bebi de um quase mar</em>, Rafael Antunes articula seu conhecimento do mundo em linguagem poética, quase sempre passando uma rasteira em quem lê. Seus jogos de palavras captam as grandes miudezas da vida e as combinam com a experiência de estar vivo em um tempo profundamente dilacerado.<br />
Os poemas não se oferecem como revelação imediata; antes, driblam os sentidos — como as jogadas de Dener — produzindo sinestesias. Entre pausas, quebras e lances inesperados, a leitura se constrói como travessia: um mar instável, mas vivo, onde as palavras surgem com a liberdade das invenções feitas pelas bocas das crianças.<br />
Longe de qualquer simplificação, a escrita afirma escolhas claras. O poeta sabe o que busca e também o que recusa: “fujo de quem anda facilitando as coisas quando apanha”. Entre as porradas da vida, Rafael Antunes articula dor, solidão e pequenas alegrias sem abdicar do rigor, do risco e da invenção.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Thiago Cervan</strong><br />
Escritor</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Este é um não poema</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/este-e-um-nao-poema</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Apr 2026 16:38:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">respira dia sim dia não outro dia nasce com o sol para reverter o avesso da certeza espera vou quebrar a metáfora e ser direta para a clareza de ser aflorar seja claro o que quer que seja amor carinho paixão dor e contrapeso no abraço singelo palavras não serão demais nem bobas tolas apenas o que sentiu dentro são.
este é um não poema.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Este é um não poema é o segundo livro de poesia de Natércia Moraes Garrido e compreende 30 poemas compostos de forma isolada que buscam refletir sobre sentimentos incômodos ao ser humano: solidão, caos, inconstância, rebeldia e instinto de sobrevivência. A voz poética se eleva, em uma linguagem experimental e contemporânea, para questionar temas intrínsecos ao nosso cotidiano: vida, morte e tempo. No cerne da proposta literária, e também evidenciado pelo título da obra, a autora explora o conceito de ideia e composição de um poema ou o que de fato o caracteriza como tal, integrando linguagem, ritmo e imagem, tal como reflete o poeta e crítico literário Octavio Paz em sua obra O arco e a lira. Para além disso, Este é um não poema não serve para o conforto e para o descanso; ao contrário, dá voz ao grito. Ele foi escrito para aqueles que enxergam a poesia como “arte insurgente e resiliente”; que entendem que poemas “são arcos incendiários, flechas do desejo”; e que a poesia é uma “voz perdida e sonhadora, porta aberta que flutua no horizonte” como afirma outro poeta rebelde: Lawrence Ferlinguetti.</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>A leitura do tempo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-leitura-do-tempo</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Apr 2026 16:25:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Esta obra está dividida em 17 partes a fim de situar você, caro leitor, cara leitora, nos variados olhares acerca da noção de tempo, fenômeno digno de respeito.

Desejo-te uma ótima leitura.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>A leitura do tempo</em>, de Adriana Carneiro, é uma obra literária composta de 54 poemas sobre a relação que estabelecemos com o tempo em suas diversas vertentes: física, metafísica, política, cotidiana e existencial (“morrer em vida é desperdício de tempo dos segundos que se vive…”). Com a sensibilidade de um indivíduo que vive à frente do seu tempo, a autora observa o fenômeno ora como finito (“até é o limite de tudo”), ora como infinito (“o tempo é pleno”) e nos convida a nos deixarmos guiar pelos versos que compõem cada poesia e transmitem diferentes reflexões acerca do mundo tal como nos é apresentado; diariamente, entre outros temas, sobre o feminicídio (“a criança vira órfã de mãe/marcada dos cacos de sonhos/quebrados/no dia do seu aniversário”). Mundo este, onde vivem grupos e indivíduos — inclui-se o eu lírico —, com seus questionamentos, anseios, sentimentos de pertencimento e identidade, suas limitações e memórias.</p>
<p style="text-align: justify;">De alguma forma, das ocorrências, seja do ponto de vista dos fenômenos da natureza (“éolo”, “raios e trovões”) ou pelos nossos próprios feitos, somos passíveis de sermos marcados por alguma observação, que possa no futuro facilitar nosso retorno ao passado e, com o tempo, nos encontrar novamente por meio das nossas lembranças como na poesia: “os dias passam” (“percebia-se a alegria num longínquo momento/talvez pela solitude ao visitar anos vividos”). No entanto, o tempo vai além, atravessa continentes, paira nas zonas de conflitos que movem o mundo (“pacto de cessar-fogo/sem prazo fixado/gera agonia de fuga/reféns capturados”), como versa a autora na poesia “poderes”, enquanto aqui, o tempo da exclusão das minorias não tem fim (“vidas-trans”). Com uma linguagem não menos poética, Adriana provoca com certa ironia as relações humanas no mundo digital (“seja”, “queira”, “tenha” e “gaste”), em outras, ela cogita, imageticamente, diversificadas formas de vida, dinâmicas e, quem sabe; com um nascer do sol específico (“multiverso”). Para Adriana Carneiro, no sentido figurado, o tempo é quase um ser e, desta analogia, reforço o convite para conhecer este “tempo-quase-humano”, que segue pulsando em nós, nos norteando conforme nossa disposição diária para a vida, à medida que amadurecemos com o tempo ou no tempo nos perdemos no espaço cotidiano, lugar de múltiplas realidades.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Dilma Bartniczak</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>O que há de mar em mim</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-que-ha-de-mar-em-mim</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Apr 2026 16:19:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Este livro é uma maré identitária: um caminho escrito em movimento de vai e vem que destaca um pouco do que é estar vivo nesta conjuntura. O mar que há em mim é mais que água salgada, são as cidades sem praia que amo; são as musas que idolatro, o berço que me alimenta; os olhos que já beijei e o suor que me escorre em sangue. Como morador da capital federal brasileira, Brasília, aprendi a cultivar o mar mesmo em solos desérticos. Portanto apresento esta obra para quem não tem medo de cultivar o inusitado, o profundo e até o impossível. Que sejamos sempre água, chuva e lágrimas em terras secas.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“[…] que minhas palavras se tornem ossos, e meus ossos, poeira”</p>
<p style="text-align: justify;">Em seu livro de estreia, Kaio de Sousa Ribeiro — pesquisador, professor e poeta brasiliense — nos desvela uma lição sempre tão cara, sempre tão valiosa, ainda que esquecida: como sustentar um corpo quando seus afetos são tão limítrofes? Como se sobressair à margem sem ter qualquer empreendimento com o que é garantido? Sem respostas simples, o poeta nos oferece por diversas lentes essa “poesia de rebento”, esse “quebrar-se em mar”, como se tentasse fazer poesia remontando um caleidoscópio, como se tivéssemos de lidar com um corpo-espuma que insiste em ficar pelas encostas, apesar de ser, vez ou outra, dissolvido pelos outros, pelo ambiente, por si mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso não vem do nada. Poemas como a razão pela qual escrevo: “meu sangue/não sabe/me ler”; “barreiras i”: “[…] mas a decisão/não me pertence/tampouco eu pertenço/a mim [a ti”; ou ainda, “finalmente”: “como pássaros de verão//[…] como uma caverna estufada//[…]como olhos que não enxergam a si//[…]como carnaúbas corcundas” servem de exemplo do compromisso e atenção do poeta em se tentar, a cada vez, mesmo que aos pouquinhos, se (re)inscrever, tendo de partir de advérbios de negação, conjunções comparativas, verbos em formas subjuntivas e pronomes objetos. Tantos recursos, tanta esperança em suas incertezas. Assim como no romance <em>Autobiografia do vermelho</em>, da poeta canadense Anne Carson, Kaio se vale de aspectos mitológicos gregos em suas referências e descrições de devaneios, compartilha com o protagonista do romance, Gerião, o desejo de comunicar sua infância, resvala afetos ainda que instáveis, levando-nos a uma fala ainda crua, direta, pequena… a voz do poeta ora se perdendo, quase pela espuma do mar, ora se reencontrando, em matéria marcada por rastros delicados de seu sofrimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Kaio de Sousa Ribeiro nos dá um livro com toda a dualidade e intensidade de um jovem autor, mas com todo o manejo necessário para um bom poema, e deixa claro como crescer, se ver e se entender é essencialmente difícil, como o amadurecimento desconcerta e nos põe em suspenso. Em suas palavras: “nos braços de meu pai/sustentei-me com força/dos seus braços cresci/[não muito”. Ledo engano. São nesses versos “nestes morfemas inundados/a maré/um oásis exclusivo/um oceano de lobas apenas/para quem sabe mergulhar” onde nós mais podemos aprender, basta saber se precisamos, ou não, de escafandros.</p>
<p><strong>Pedro Willgner</strong></p>
<p>Poeta</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Não quero mais ser tóxica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Apr 2026 10:00:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Na Almirante Reis
no Terreiro do Paço
nas escadas enguiçadas do metro do Chiado
no Marquês de Pombal
no Padrão dos Descobrimentos
ainda se assustam com o meu alto astral
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>10% de desconto</strong></span>
<span style="color: #ff0000;"><strong>PRÉ-VENDA ATÉ 24/05/2026.</strong></span></p>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>Os livros serão enviados no prazo máximo de 15 dias após o término da pré-venda.</strong></span></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>As Contentes, dupla formada por Duda Las Casas e Érika Machado, faz da música, da palavra e da performance um campo de invenção política e afetiva. Entre refrões, listas, repetições e slogans, suas letras atravessam temas como imigração, precariedade, trabalho, amor, desejo, autocuidado, envelhecimento e fascismo, sempre a partir de uma perspectiva situada, feminista e profundamente contemporânea. Camufladas em canções aparentemente leves e alegres, essas letras operam como ferramentas de pensamento, modos de nomear o cansaço, o absurdo e as contradições de existir no mundo de hoje.<br />
A dupla nasce do encontro entre duas artistas multidisciplinares brasileiras, latino-americanas, radicadas em Portugal, cujas trajetórias atravessam a música, a performance, a escrita, o teatro e as artes visuais. A experiência da migração, do deslocamento e da reinvenção cotidiana alimenta suas práticas e reverbera nas canções, que articulam humor e crítica, fragilidade e enfrentamento, intimidade e comentário social. A amizade entre Duda e Érika vai além de ser apenas contexto, mas transforma-se em método, uma forma de trabalho baseada na escuta, na partilha e na construção coletiva.<br />
A atuação das Contentes insere-se numa tradição de práticas artísticas que utilizam a canção como dispositivo crítico e ferramenta de intervenção no real. Ao deslocarem a música do lugar do entretenimento para o campo da reflexão e da experiência compartilhada, Duda Las Casas e Érika Machado atualizam estratégias da arte feminista, da performance e da cultura popular. Suas performances criam situações de encontro em que o riso funciona como forma de desarme, a repetição como gesto de insistência política e o palco como espaço de elaboração coletiva do mal-estar contemporâneo.<br />
Os textos reunidos neste livro são letras de canções criadas para serem cantadas, encenadas e partilhadas em performances tão lúdicas quanto afiadas, nas quais ironia, deboche e cuidado caminham juntos. Preservando o ritmo e a oralidade da performance, as letras mantêm viva a dimensão do corpo, da voz e do riso. São textos que pedem para ser lidos em voz alta, repetidos, cantados ou simplesmente sentidos.<br />
Não quero mais ser tóxica não propõe uma purificação moral nem uma pedagogia do comportamento. Ao contrário, reivindica o direito à ambivalência, à falha, à raiva e ao prazer. Ser “tóxica” é evocado como um estado a ser exposto, partilhado e talvez desarmado coletivamente, num gesto que mistura humor, vulnerabilidade e resistência.<br />
Este livro é, ao mesmo tempo, arquivo e extensão de uma prática performativa que se recusa à solenidade e aposta na potência do jogo e do lúdico. Um convite para rir juntas, cantar contra o esgotamento e imaginar outras formas de viver, criar e resistir, mesmo quando tudo parece pedir silêncio.</p>
<p><strong>Cristiana Tejo</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Arquiteturas da ausência</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/arquiteturas-da-ausencia</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2026 13:00:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Tenho dificuldade
grave e séria
em compreender por que te encolhes
atrás dessa cortina de fumo denso.
Desenhei as tuas lágrimas.
Supliquei que não as escorresses
olhos fora. Lembras-te
que quase perdeste um!?
Um olho, um dente,
todos juntos, e eu
que gritava loucamente
para te salvar.

Há muito fumo entre nós.
Sempre.

(<em>Sobre o fum</em>o, página 52)
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>10% de desconto</strong></span>
<span style="color: #ff0000;"><strong>PRÉ-VENDA ATÉ 24/05/2026.</strong></span></p>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>Os livros serão enviados no prazo máximo de 15 dias após o término da pré-venda.</strong></span></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Ana Luísa, nesta estreia com Arquiteturas da ausência, partilha a geografia íntima, a cartografia do invisível, onde “em cada espaço, há um vazio que o ampara.” Pois a ausência não surge aqui como falha, mas como estrutura, como a arquitetura secreta de um relicário de reminiscências.<br />
Este primeiro livro afirma uma voz que compreende que habitar é também perder, e que todo espaço guarda a marca do que o atravessou, e que todos os espaços e corpos em nós deixam marcas.<br />
Neste poemário, Ana Luísa reúne um conjunto de poemas votados ao vazio, ao amor, ao desamor, não de esquiva, a convidar-nos a percorrer a nossa “casa” interior e outros espaços “lá fora” por nós percorridos, e, através da sua escrita, a escutar o que em nós é também ausência e ainda persiste.</p>
<p><strong>Yara Nakahanda Monteiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Epitáfio / Epitaf</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/epitafio-epitaf</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2026 10:16:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<strong>EDIÇÃO BILINGUE</strong>
[romeno-português]

dá-me a tua manta
para a pôr sobre a cabeça
sei que não gostas de partilhar
tenho medo do escuro
vou ficar na minha metade da cama
na minha metade do coração
para que tu estejas quentinho e bem
vou calar-me a partir de amanhã
a partir de amanhã não tenho tempo para sentir
vou dormir a partir de amanhã
sem sonhos
contigo quando me contavas os sinais das faces
contigo quando ias ao non-stop buscar açúcar
(sabes bem que não bebo café de outra maneira)
contigo quando tínhamos dois pães na gaveta de baixo
dos quais só resta agora uma migalha

<em>Café sem açúcar</em>

dă-mi pătura ta
să mi-o pun pe cap
știu că nu-ți place să împarți
mi-e urât de întuneric
o să stau pe jumătatea mea de pat
pe jumătatea mea de inimă
să-ți fie ție cald și bine
o să tac de mâine
de mâine nu mai am timp să simt
o să dorm de mâine
fără vise
cu tine când îmi numeri alunițele de pe obraji
cu tine când te duci la nonstop după zahăr
(știi bine că nu pot să-mi beau cafeaua altfel)
cu tine când țineam 2 pâini în sertarul de jos
din care a mai rămas doar o fărâmă

<em>Cafea fără zahăr</em>

&#160;
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>10% de desconto</strong></span>
<span style="color: #ff0000;"><strong>PRÉ-VENDA ATÉ 24/05/2026.</strong></span></p>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>Os livros serão enviados no prazo máximo de 15 dias após o término da pré-venda.</strong></span></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O termo “nulisciente” capta melhor a essência desta poesia: uma sabedoria do nada que não pretende explicar o mundo, mas apenas habitá-lo em todo o seu esplendor e horror. O amor tem “cabelo cor-de-rosa pastel”, passa-nos pelo “programa mais eficaz / da máquina de lavar”, seca-nos ao sol e faz-nos sentir “tão pequeno” ao lado da sua grandeza. No entanto, mesmo que “até a árvore da vida falha por vezes” e confunda “o dia com a noite / o fim contigo”, a poetisa propõe a única solução possível: “ao menos se lhe pendurássemos uma rede de descanso / para termos, como se diz / descanso eterno”.<br />
Cătălina Sandu não escreve para consolar, mas para testemunhar. A sua voz é a da sobrevivência num mundo em que “a esperança morreu / a penúltima”. Esta edição bilingue permite-nos acompanhar como uma jovem poetisa romena quebra “o espelho” do silêncio para nos mostrar o que está para lá: frio, luz, borboletas e uma imensa vontade de ser, mesmo com as costelas frágeis.<br />
<em>Epitáfio</em> é um bilhete “só de ida” para o centro da fragilidade humana, uma leitura que não termina com a última página, mas continua a pulsar sob as ligaduras de plástico da vida.</p>
<p><strong>Dan Caragea</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Termenul „nuliscient” surprinde cel mai bine esența acestei poezii: o înțelepciune a neantului care nu pretinde să explice lumea, ci doar să o locuiască în toată splendoarea și oroarea ei. Iubirea are „părul roz pastel”, te trece prin „cel mai eficient program de la mașina de spălat”, te usucă la soare și te face să te simți „atât de mic” lângă mărimea ei. Totuși, chiar dacă „copacul vieții dă greș câteodată” și confundă „ziua cu noaptea / sfârșitul cu tine”, poeta propune singura soluție posibilă: „măcar de am agăța de el un hamac / s-avem […] odihnă veșnică”.<br />
Cătălina Sandu nu scrie ca să consoleze, ci ca să depună mărturie. Vocea ei este a supraviețuirii într-o lume în care „speranța a murit penultima”. Această ediție bilingvă ne permite să urmărim cum o tânără poetă sparge „oglinda tăcerii” pentru a ne arăta ce se află dincolo: ger, lumină, fluturi și o imensă poftă de a fi, chiar și cu coastele fragile.<br />
<em>Epita</em>f este un bilet „doar dus” spre centrul fragilității umane, o lectură care nu se termină odată cu ultima pagină, ci continuă să pulseze sub bandajele de plastic ale vieții.</p>
<p><strong>Dan Caragea</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>As raposas estão a arder</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/as-raposas-estao-a-arder</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Apr 2026 11:13:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Mataram todas as minhas sombras.
Já não há mais.
Como faço?
Vou para onde apanhar sombra?
As sombras onde bebi leite da minha mãe
Onde apanhei os primeiros galhos caídos
para a fogueira de casa
As sombras que cheiravam a tojo, urze e pinheiro
As sombras dos meus pulmões, dos pirilampos,
dos javalis, das pedras,
dos penedos, das abelhas, das libélulas,
As sombras do meu sol
Já não há mais.
Nunca mais,
Nunca mais serão iguais
E as raposas? Alguém as viu?

(<em>As minhas sombras</em>, página 45)

&#160;
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>10% de desconto</strong></span>
<span style="color: #ff0000;"><strong>PRÉ-VENDA ATÉ 24/05/2026.</strong></span></p>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>Os livros serão enviados no prazo máximo de 15 dias após o término da pré-venda.</strong></span></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O fogo arde. O fogo limpa. Entre as cinzas talvez não se perceba a diferença.<br />
Mas o fogo sobretudo queima e deixa cicatriz.<br />
Sob o olhar astuto de uma raposa, Senhor Vulcão vai abrindo brechas de zanga, crueza, espanto e renascimento. Da brutalidade cavernosa do ser humano aos ventos de esperança de terras intocadas, viajamos pelo meio de árvores inocentes e desprevenidas, como espectadores inertes.<br />
Quem sabe se ainda vamos a tempo?</p>
<p><strong>Rita Redshoes</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Uma pequena fome</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/uma-pequena-fome</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Apr 2026 12:41:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Oscilar
Entre o mar, a areia
Entre a quebra e a crença

Afundar
Na recusa do precipício

Vento no rosto, cabelo desenhando o ar
Grito afinal mudo, roupa presa
Sal do inverno
Revolto

Cair e ficar
Imóvel

Apesar do temor

(página 15)
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>10% de desconto</strong></span>
<span style="color: #ff0000;"><strong>PRÉ-VENDA ATÉ 10/05/2026.</strong></span></p>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>Os livros serão enviados no prazo máximo de 15 dias após o término da pré-venda.</strong></span></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Na primavera de um ano como o de dois mil e vinte e seis, Teresa Leão traz-nos Uma pequena fome.<br />
À primeira vista, temos um livro que estreia.<br />
Um primeiro livro que poderia ser um verso longo, muito longo, feito de fruto inteiro em cesta de vime.<br />
Nota-se o cuidado de alguém que queria colher o fruto, sim, mas maduro: há um olhar atento ao movimento das casas e uma falta de pressa que só as memórias antigas carregam.<br />
É precisamente aí que questiono esta ideia de inauguração; a escrita de Teresa Leão está já acostumada a um corpo sensível que perfaz as metáforas receptivas, o corpo poroso que quer esculpi-las na parte física e sensível do signo.<br />
Ouve-se a lentidão da tarde que cai sobre o verso; a fotografia projetando o tempo em cianotipia, ou, como escreve, o silêncio sentado na casa vazia / estremecido / mãos enleadas / a sós.<br />
Neste seríssimo exercício de observação, a Teresa que escreve — ou a musa que faz a Teresa escrever, porque não acredito em sujeitas poéticas, muito menos sujeitos — senta-se numa e muitas esplanadas. Os miradouros que escolhe são um pretexto para olhar por dentro o lado de fora do mundo. Nesse universo do concreto que facilmente se fundirá com aquilo que não se vê, Ruy Belo chega e senta-se também. Como num verso seu, pergunta-lhe, “Não achas que a esplanada é uma pequena pátria a que somos fiéis?”, e habitam esse silêncio.</p>
<p>Mas que não se antecipe neste país de solitude a flecha previsível do solilóquio: como na “ilha de edição” de Waly Salomão, o caderno aberto em figuração assume a responsabilidade de desalinhar o que imaginávamos ser estanque, mas que afinal é um complexo jogo de sombras a perseguir — a voracidade é, aqui, feita coisa que carrega o fruto, e não o seu contrário.<br />
Há então que fazer contas ao que sobrou:<br />
A alforria paga pela náusea conversa com a precariedade quotidiana (a da fragilidade do que é diáfano e quebrável, não a da mesquinhez da desigualdade absurda). É a paisagem “humana, demasiado humana” que se vê da esplanada que desaforadamente segura o fio dos afectos que dão sentido às perguntas, territórios perenes, engolidas entre bombardeamentos e sismos, cirurgias a peito aberto.<br />
A linha da vida que parece amparar é a mesma que se dispõe frente ao precipício: afinal de contas, não houve tempo de arrumar / Os destroços, / As cartas.<br />
Mas eis que subitamente surgem, desavergonhadas, rosas muito vivas, peixes imaginários, o sabor a cereja. E a vontade de permanecer à mesa resiste.<br />
A quem vier para esta colheita, que observe o fruto: uma pequena fome, / o sonho em esquisso. A inteireza do olhar que o compõe no tempo.</p>
<p><strong>Francisca Camelo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Mirtilos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/mirtilos</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 09:55:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[É preciso apagar
esta palavra
dentro de mim
desdizer-me para
me limpar
pestanejar
até que se varra da minha
retina
e
a luz possa por fim
voltar a entrar

A memória é o meu habeas corpus.

(<em>O perdão</em>, página 25)
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>10% de desconto</strong></span>
<span style="color: #ff0000;"><strong>PRÉ-VENDA ATÉ 10/05/2026.</strong></span></p>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>Os livros serão enviados no prazo máximo de 15 dias após o término da pré-venda.</strong></span></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Cresceu numa aldeia, a ver sementes germinar, flores a cair, regas regulares e frutos colhidos. Mirtilos.<br />
Hoje vive num jardim, onde cultiva poemas nostálgicos, introspetivos, rítmicos e cativantes. A cada verso e meio verso, fugimos para o corpo em crescimento, a mente oscilante, ou a qualquer instante já esquecido, respirando o sopro do campo antes que a rotina nos reclame.<br />
A menina sonhou. A menina escreveu.<br />
A mulher sonha. A mulher continuará a escrever.</p>
<p><strong>Daniela Carvalho</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Água turva</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/agua-turva</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Apr 2026 13:27:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Deito nas fronteiras
ainda que as canoas
saibam o percurso.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A <em>Água turva</em> de Douglas Laurindo transita entre dimensões diversas. Em seu passeio, a voz lírica atravessa cômodos e rios como um fantasma, convidando o leitor a um mundo de deuses e semideuses que ralam os joelhos num chão de tijolos ou que fumam enrolados numa toalha fina.</p>
<p style="text-align: justify;">Após o excelente <em>O limiar das fendas</em> (Urutau, 2022), a poesia de Laurindo torna-se ainda mais concisa. O resultado é uma constrição a serviço do impacto, na qual palavras como pia, cóccix, Cristo ou rebojo podem muito bem ter o mesmo peso e hierarquia.</p>
<p style="text-align: justify;">Por sua vez, piabas se unem a vulcões, canoas e ostras, de forma que o amante cotidiano se funde cada vez mais ao imaginário de entidades agora reconfiguradas pela excitação. São essas as nossas águas do Norte, nas quais não se nada: o leitor apenas se deixa levar por elas para dentro do desejo.</p>
<p><strong>Susy Freitas</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Escorredores</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/escorredores</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Mar 2026 18:11:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em qualquer fila de espera, vez ou outra,
alguém enterra os medos no sovaco.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">É possível acumular muitos itens numa casa que, ao longo da vida, continuam não dando tempo de secar. Foi preciso começar a escorrer as ideias, os sentidos, a cabeça, o coração. <em>Escorredores</em> surgiu da iniciativa de escrever um texto por dia durante um ano inteiro. E começar a olhar para esse acúmulo de tudo aquilo que precisa voltar a correr.</p>
<p style="text-align: justify;">A minha escrita passa completamente pelo meu corpo, pela dança, pelos desenhos que faço em picos de ansiedade. Como uma maneira de traduzir verbo de ligação em movimento de poesia. Para desafogar a depressão, para comunicar amor, para consolidar um pacto de beleza crua com o mundo. Escrevo porque muitas palavras precisam TRANSbordar.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Tudo que colhi no fundo do mar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Mar 2026 14:44:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[lá onde a voz encontra o vazio
invento um buraco chamado deus
cabe tudo no buraco
então eu jogo
choro
medo
prece
pedidos tantos pedidos
pra que m. tenha saúde
pra que p. não queira morrer
gemido de gozo
desespero —grito:
o buraco só responde
eu

(página 9)
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>10% de desconto</strong></span>
<span style="color: #ff0000;"><strong>PRÉ-VENDA ATÉ 30/04/2026.</strong></span></p>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>Os livros serão enviados no prazo máximo de 15 dias após o término da pré-venda.</strong></span></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Neste livro, Luciana Soares mergulha na experiência da maternidade como quem desce a uma fossa abissal para reencontrar a própria origem. Entre a vírgula e o verbo, entre o corpo que gera e o corpo que se descobre gerado, a autora constrói uma poética em que identidade, criação e a herança da mulher se entrelaçam num vaivém contínuo de “eu”, “tu” e “nós”.<br />
A maternidade surge aqui não como idealização, mas como abismo e revolução, lugar de exaustão e clarividência, de operária e medusa, de vulnerabilidade e potência ancestral.<br />
A vírgula deixa de ser apenas pausa e torna-se (re)início: sinal de que a criação é contínua, de que cada corpo que comporta outro corpo altera para sempre a sintaxe do mundo. Há aqui um diálogo entre mulheres que vieram antes e as que virão depois, numa espécie de matrioska afetiva na qual cada voz carrega muitas outras.<br />
<em>Tudo que colhi no fundo do mar</em> é, assim, um livro sobre nascer — a filha, a mãe, a palavra — e sobre a coragem de sustentar o abismo até que dele brote sentido.</p>
<p><strong>Irma Estopiñà</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Alcançar a palavra na base do nada</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Mar 2026 09:51:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Alcançar a palavra, às vezes, exige o silêncio absoluto do nada. Rafaelle Artof sabe que para criar é preciso coragem para encarar o medo de frente — diferente. Nesta obra, ela nos conduz por um labirinto de sensações no qual as palavras “Te vejo como águas salgadas, mesmo que teu lar seja concreto”. É nesse espaço entre o que nos prende e o que nos liberta que pulsa a poesia de Rafaelle Artof. Após habitar o cinza denso da metrópole, a autora retorna ao azul de si mesma, trazendo na bagagem o que restou do salto.
Atriz de sua própria história e cenógrafa de seus abismos, Rafaelle estreia na Urutau com uma poesia que é salto y é mar. Seus versos não pedem licença; eles inundam como água salgada que vem com o intuito de nos transformar. A vida é como a maré. Ora nos joga contra o concreto, ora nos devolve à imensidão. Ler este livro é aprender a flutuar onde o chão não existe mais.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Rafaelle ecoa o que de muitas maneiras já foi experimentado aqui e acolá: “nenhuma palavra é suficiente, nenhuma”. nem por isso deixamos de escrever poemas. E estes que ela apresenta aqui &#8211; poderíamos dizer &#8211; aparecem numa voz pã, ferida de ausência. tenho a sensação de palavras laçadas. cada vez que um braço puxa é o mesmo assunto. a mesma insistência. a mesma onda. eu tenho vontade de perguntar, o que fazemos quando não estamos apaixonadas? de alguma forma a resposta é: escrevemos. de outra forma a resposta pode ser: nunca deixamos de estar. ler esse livro pode ser como olhar com olhos de um povo que não sabe o que é cavalgar e se depara pela primeira vez com a montaria. dizem que assim inventaram quíron e, de tão impressionante que foi, chegou até aqui.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Natália Nuñez</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Elegia dos mitos quotidianos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Mar 2026 18:08:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Esbracejamos para ainda ficar
À tona d’água, à beira-mar.
Um dínamo profundo nos impele
Nessa peleja, a morte à flor da pele,
O que fica são restos,
Memória para os mais lestos.

Ao longe, mas que formigueiro admirável!
Gentes pequenas, mas d’ânimo indomável.

(<em>Binóculo</em>, página 159)
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>10% de desconto</strong></span>
<span style="color: #ff0000;"><strong>PRÉ-VENDA ATÉ 27/04/2026.</strong></span></p>
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>Os livros serão enviados no prazo máximo de 15 dias após o término da pré-venda.</strong></span></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Ser humano, voltar à essência, nunca foi tão necessário, ou mais, nunca foi tão urgente. A poesia é justamente esta força pujante que Paulo Ferreira da Cunha, através dos seus poemas, nos convida a resgatar, retirando-nos da opacidade e da alienação por um meio que os mais incautos chamariam paradoxalmente de alienante, o poema.<br />
É no jogo das palavras, com leveza, que o espírito se torna pleno e vê o que os olhos atentos e os pés no chão têm dificuldade para enxergar. Paulo Ferreira da Cunha traz temas importantes, críticas e questionamentos necessários para um mundo que se desabituou de pensar, mas continua ainda a ouvir, escolha perigosa que permite àqueles que falam metamorfosear, nas palavras de nosso autor no poema Miragens, a própria realidade sem que se perceba. Eis um tempo carente de poesia, eis um tempo carente de lucidez.<br />
Neste livro o leitor encontra questionamentos de diversas naturezas, mas todos eles dedicados ao humano, à nossa essência, dilemas, relações, realidade. Nesta obra ouve-se a voz elegante e eloquente de um autor cuja perspicácia nos convida a pensar. Que bom que temos poetas em tempos indigentes!<br />
Mário Quintana disse que poemas são passarinhos. Que possamos nos valer das asas dos poemas que Paulo Ferreira da Cunha nos oferece para voar. (Trecho do prefácio)</p>
<p><strong>Karine Salgado</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Flores para a fúria</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 Mar 2026 14:47:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Sentir a dor do outro é conhecer Gaza
como a própria casa
com os pés no chão, a bunda no sofá
e as mãos na cabeça.
Sentir a dor do outro é tentar entender.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em <em>Flores para a fúria</em>, João Greco transforma a dor, a festa, a memória e a luta em matéria luminosa. Seus poemas percorrem as estações íntimas de alguém que se reconstrói enquanto cai, que se entrega enquanto teme, que ama enquanto sangra. Entre cenas de infância, abismos afetivos, reflexões urbanas e ressonâncias sociais, ergue-se uma cartografia emocional feita de ruínas, epifanias e sobrevivências. Trata-se de uma poesia que se assume sensível e feroz, capaz de expor fragilidades sem ceder à obviedade. Greco escreve com o corpo inteiro: o pulso acelerado, o humor que salva, a coragem que falha, a vulnerabilidade que insiste. Em “Hematomas”, por exemplo, declara: “Meus olhos capturaram o luto/ ouvi rumores de últimos suspiros”, instaurando uma estética da dor que nunca é gratuita, mas que se avoluma para revelar humanidades. Já nos versos do poema que dá nome ao livro, ele reivindica a potência da indignação: “Que lhes mandem flores toda vez que precisarem/ levantar a voz contra a censura”, reafirmando a literatura como um gesto ético. Há poemas que nascem nas madrugadas, versos que se movem como quem atravessa multidões em um carnaval, imagens que aproximam Gaza da sala de estar e metáforas que reconfiguram o amor, a raiva e o próprio ato de existir. Aqui, a poesia não entrega alívio imediato, mas enfrentamento. Não propõe um abrigo, mas, sim, uma travessia. Ao mesmo tempo, Greco nos convida à empatia radical, à escuta, ao reconhecimento de que cada vida é feita de fragmentos que vibram. Entre o íntimo e o coletivo, o sagrado e o profano, o poeta expande a linguagem para nomear o que geralmente escapa: a falha, o desejo, a perda, o recomeço. <em>Flores para a fúria</em> é um gesto inaugural. E também uma promessa. Seus poemas acendem uma chama que não se apaga ao fim da leitura; permanecem como um chamado para observar o mundo com mais coragem, delicadeza e desobediência poética.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Kátia Borges</strong></p>
<p>Poeta, jornalista e cronista finalista do Prêmio Jabuti</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Cenas de um luto retido</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 Mar 2026 14:38:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A poesia de Aline tira o curativo, vê a ferida e revive a dor com honestidade e coragem. O luto que te faz virar as páginas também consegue te dar a mão e te levar junto nessa jornada difícil, pesada, mas viva, indiscutivelmente, viva. Há muitas formas de lidar com o que se vive, a literatura de Aline invade a realidade com profundidade, como se comunicar o que se sente fosse uma forma de reorganizar e retomar o fôlego. Como uma espécie de psicanálise com belas tintas estéticas. A literatura, aqui, te enfeita para um momento de silêncio, dor e libertação.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Como as palavras lidam com o luto?</p>
<p style="text-align: justify;">Como elas permitem a passagem do vazio que sobra em nós, que cresce no silêncio da dor, para a outra margem, uma margem feita de uma nova presença, que nos traz de volta para o movimento da vida?</p>
<p style="text-align: justify;">O livro de estreia de Aline Guimarães Couto parece mover-se a partir desse “precipício invisível”, título do poema que abre a coletânea, para refletir e narrar o desdobramento da experiência da perda em quem fica, nos vivos. Nesse sentido, a escrita torna-se, para ela, um gesto quase concreto, necessário, para compreender, ou melhor, para dar outro sentido àquilo que permanece sem respostas, como lemos nesses versos: “com as mãos/ toco o buraco/ esse cheio de silêncio/ ele precisa de um nome/ um completo”.</p>
<p style="text-align: justify;">Preencher esse “cheio de silêncio” é também uma resposta que tentamos dar, nós humanos, por meio da poesia e da arte, talvez para ensaiarmos dizer algo, como se tivéssemos que “medir o vazio” anterior e posterior à nossa passagem sobre a Terra. A poeta parece assumir essa tarefa, não tanto como quem conhece algum mistério e deseja confiá-lo ao seu leitor, e sim como quem sabe que perguntar é o que nos cabe, apenas isso, principalmente diante do irreversível, como um luto. Perguntar para dentro, perguntar para si mesmo — ou para a folha em branco — como diante de um espelho, para olhar para si e para o mundo, outra vez, com a consciência de que o luto está ali, à espreita, atrás das coisas vivas, no movimento inicial da mão de um recém-nascido ou na planta que cobre o rio.</p>
<p style="text-align: justify;">A poesia da autora se alimenta, portanto, do dispositivo da pergunta como elemento constante que introduz densidade e abertura ao longo do livro, multiplicando as cenas e as vozes. Sua poesia assume por vezes tons narrativos, e o diálogo — ainda que sem um interlocutor explícito — atravessa todos os textos como um convite para que possamos, nós leitores, juntar-nos à dança do poema que encerra o livro, uma dança que é uma “marcha da alegria”, uma celebração urgente da vida nos que ainda estão aqui, após o luto. Apesar do luto, depois do luto.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Prisca Agustoni</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>A crosta do ontológico: poemas de saturação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 Mar 2026 14:25:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Sementes dormentes:
Há uma intenção preguiçosa
chamada desculpa.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em sua nova obra, <em>A crosta do ontológico: poemas de saturação</em>, José Ruy Pimentel de Castro revela-se um autor em pleno domínio de sua maturidade estética. A “crosta”, aqui transmutada em símbolo central, não é mera superfície, mas o sedimento resultante de complexos processos criativos e experienciais. É uma camada ao mesmo tempo espessa e sensível; uma couraça que, embora endurecida pelo tempo, resguarda a carne viva e exposta de um eu-poético que não teme a própria vulnerabilidade. A ontologia de Castro se faz, portanto, na tensão entre o que protege e o que fere, indicando que a verdadeira profundidade humana só é alcançada quando atravessamos as camadas mais densas da existência.</p>
<p style="text-align: justify;">O subtítulo, “poemas de saturação”, funciona como um contraponto dialético a essa solidez. Ele evoca a urgência do esvaziamento por meio do verbo. Em tempos marcados por excessos informacionais e pela exaustão das interações, a poesia de Castro propõe o esgotamento da dor, da alegria e da angústia até o último suspiro. É o exercício de deixar-se exaurir para que, no vácuo do que foi dito, a essência humana possa finalmente respirar.</p>
<p style="text-align: justify;">Herdeiro de uma trajetória consolidada por obras como <em>Tricótomo</em> (2009), <em>Autofagia</em> (2022) e <em>Versos de planta entre sonho e miséria</em> (2025), o autor nos entrega agora 96 poemas de arquitetura instigante. Castro maneja com erudição a intertextualidade, estabelecendo diálogos vivos com a tradição canônica — como se depreende em “Minha terra tem palmeiras” — e com a mitologia grega, invocando figuras como a Medusa para tatear os abismos da psique contemporânea. Suas memórias de infância e as asperezas da vida adulta fundem-se em um mosaico onde o arcaico e o presente convergem.</p>
<p style="text-align: justify;">[…]</p>
<p style="text-align: justify;">A escrita de Castro opera como a formação de uma ostra: ele extrai das pressões externas as questões mais urgentes da gênese da vida. Mesmo quando o eu-lírico se autodefine como uma &#8220;ferida ignorável&#8221;, o autor o faz com uma sagacidade que equilibra o peso existencial e a leveza lírica.</p>
<p style="text-align: justify;">Convido o (a) leitor (a) a despir-se das certezas e a iniciar a escavação destas páginas. Ler <em>A crosta do ontológico</em> é aceitar o desafio de romper a superfície das aparências para encontrar, no âmago da saturação, a pureza do que ainda nos torna humanos. Permita-se atravessar esta crosta; o que há do outro lado é o espanto renovado da poesia.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Trecho do Prefácio de Rízia Lima Oliveira</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>A dança dos anjos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Mar 2026 17:52:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A morte deixa espaços vazios
Portas abertas
Panelas destampadas.
Ainda há comida na geladeira,
Ainda há remédios nas cartelas.
É como se uma cena parasse no tempo eternamente.
A pessoa nunca se vai por completo.
Ela só está do outro lado da parede,
Onde você não consegue enxergar.
Nunca se sabe quando será a última vez
que falaremos com alguém,
Ou quando veremos este alguém.
Mas a sua presença sempre estará ali,
no cotidiano invisível.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Sempre que a Elis — minha amiga Lili — está prestes a escrever as palavras que vêm do seu coração, ela se fecha para o mundo externo. E, quando volta a se revelar ao mundo, escreve os melhores e mais tocantes poemas.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo assim, ela não fechou a janela do quarto, deixando perceber que une em seus versos passado e presente, que fluem em suas páginas luz e sombra, criando um verso de harmonia e conhecimento, aproximando o antepassado.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesta obra, que com certeza para mim é a mais profunda e ancestral, seus versos tocam o passado e trazem para o nosso presente a certeza de um amor vívido e correspondido. São versos que irão envolver a todos com sentimentos de amor e realidade.</p>
<p style="text-align: justify;">É um convite a expressar sensações de liberdade. Desejo que Elis possa tocar claramente os seus corações. Que esse convite faça com que todos também ultrapassem as suas próprias janelas da poesia, em cada poema tão amoroso e revelador.</p>
<p><strong>Solê</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>O livro das trepadeiras</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-livro-das-trepadeiras</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Mar 2026 15:23:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[No esforço à procura de luminosidade, são exímias as trepadeiras na criação de caminho e meios de suporte. Como numa parede as trepadeiras espalham-se, cheias de artifícios de sustentação, sobre a página avançam as palavras. Por dentro há uma seiva que as impele e sustenta. De onde irrompe esta seiva que percorre o interior das palavras? Que as trepadeiras inspirem o jardineiro de palavras, para que logre o enleio das suas na página.

&#160;
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“A árvore é uma frase com ponto de exclamação, e afirma: estou viva!”<br />
Os poemas não apresentam quebra de verso, quais trepadeiras que se expandem, num movimento contínuo de paixão-observação-envolvimento com as plantas e os seus nomes. Ao subirmos no Livro das trepadeiras apreendemos a composição do que é humano, a nossa natureza construída de tantas e várias matérias — em que a presença vegetal é fundadora de uma realidade absoluta. Qualquer divórcio entre as partes nos deixará órfãos de nós mesmos, órfãos de humanidade, desalojados da nossa casa primeira. A natureza oferece-se ao nosso olhar, tacto, olfacto, com uma capacidade de atração inexplicável, e é nesse inexplicável que radica todo o seu esplendor.<br />
Nestas folhas crescem nomes, nomes que conhecemos, outros não, designações científicas das plantas enxertadas por nomes populares que expõem a sua força iconográfica esteticamente absorvente: ipomeas e madressilva, sapatinho-de-judia, maracujá, glicínia, líquenes, musgo, bromélias, samambaias, cactos, cipó-são-joão, buganvílias (que também são primavera), visgo, ora-pro-nóbis, silvas que escondem oliveiras, dedal de dama, jasmim, Boquila trifoliolada, videira, cuscuta, roseiras (rosas com seus espinhos e ecos de Rilke), Solandra maxima, hera japonesa a crescerem em todas as direções: para a terra, o escuro e a humidade, e para o sol, o céu e a luz.</p>
<p>São eles poderosos porque chamam, atraem tantos animais, como é o caso da buganvília. “Nós, adoradores dos nomes e de os classificar, os chamamos por abelha, zangão, marimbondo, vespa, colibri, melro, andorinha, cotovia. Chamamos estes nomes e mesmo assim estes seres não vêm. A buganvília, alastrando-se ao longo do muro e afora, jorrando como cascata florida, quando chama a esses seres, à sua maneira, é correspondida.” Não basta a linguagem para comunicar.<br />
O livro, na sua última folha, expressa: “Embora das plantas não saibamos decifrar o idioma ou as palavras, o poeta estuda os ritmos e artifícios desta expressão com afinco. Como as trepadeiras, engenha todo o seu empenho e arte, para por métodos diversos verter o que sente em palavras, e estas enlear na página. A palavra do poeta, seu verso, é percurso repleto de pontos de fixação. Visando ascender à melhor luz, é caminho e arrimo, para fixar-se nos olhos de quem percorre a página. O verso que vem do interior do poeta porventura logra enlear-se no íntimo de quem o lê, até amparar-se em seu coração.” No trânsito constante entre poesia e flora, Mauricio Vieira não esquece o que quer como poeta: que o leitor enleie-se em suas palavras.</p>
<p><strong>Elisa Scarpa</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Na terra do sol e do mar</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/na-terra-do-sol-e-do-mar</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 07 Mar 2026 19:37:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[fazer um poema é olhar-te de longe
e te tocar com as palavras não ditas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Os poemas de <em>Na terra do sol e do mar</em> atravessam o corpo, a linguagem e a natureza e chegam em campos de conflito, que buscam por amparos e resoluções. Andressa Monteiro constrói uma voz feminina que se move entre o desejo, a perda e a insurreição simbólica e poética.</p>
<p style="text-align: justify;">A obra percorre paisagens de calor, ferida e exílio, onde o amor não é redenção, mas força de ruptura. Entre peixes, ossos, pedras e marés, a poeta transforma a experiência da ausência em matéria viva de linguagem. Há livros que pedem silêncio. Outros, atravessamento. Este, por outro lado, exige ambos. Ele toca os leitores com as mãos abertas e afetuosas, mesmo quando isso fere. Os poemas caminham entre o amor e a animalidade. O corpo feminino não é apenas metáfora, mas também território. A natureza não é cenário, mas força em disputa.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao adentrar as páginas, os leitores são envolvidos por uma tríade poética: o abstracionismo que desafia o concreto, a natureza que pulsa em cada verso e o misticismo que permeia as entrelinhas, evocando narrativas ancestrais.</p>
<p style="text-align: justify;">A poeta entrelaça tais elementos e cria um universo lírico onde o tangível e o etéreo coexistem em harmonia. Seus poemas convidam a uma jornada sensorial e espiritual, para transcender o ordinário e chegar perto de tudo aquilo que não se pode explicar.</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Ainda bem que ele teve a decência de virar a esquina</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/ainda-bem-que-ele-teve-a-decencia-de-virar-a-esquina</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 07 Mar 2026 19:18:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em <em>Ainda bem que ele teve a decência de virar a esquina</em>, uma mulher que faz do próprio desejo um experimento radical atravessa a performance dos encontros sexuais e dos amores casuais. No conto, ela confronta seu apetite e o que significa escolher ficar, amar e ir embora, em um relato direto sobre autonomia, culpa e a fome de ser inteira.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“O jogo da sedução me encanta, não tenho medo de mostrar interesse, eu quero transar. Confesso que me agrada muito ver um homem caindo nas minhas armadilhas, com o olhar perdido nos meus peitos, assistindo à minha bunda balançar enquanto eu me movo, ou hipnotizado pelos meus lábios propositalmente pintados de vermelho. Me admira como esses homens são iludidos, e isso me atrai muito: a facilidade de mexer com a fantasia desses punheteiros.”</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Antídoto para o felino</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Feb 2026 17:56:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ele não vem.

Mas meu corpo se prepara
todo dia como se fosse.

Visto lingerie nova,
me perfumo inteira,
acendo vela e pele.

Minha espera é performática,
é rito —
me gozo na antecipação de um toque
que talvez nunca volte.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Este livro não se lê — se sente.</p>
<p>Você tem em mãos um livro escrito com corpo, suor e memória.<br />
As páginas cheiram a pele e pulsam como carne viva.</p>
<p>O pudor não encontra espaço<br />
onde a essência grita faminta.</p>
<p>Somos desejo,<br />
desejantes,<br />
desejados —<br />
e a palavra é saliva.</p>
<p>Quando tudo é febre<br />
e a pele quente exige presença,<br />
o único caminho a percorrer<br />
é o do encontro.</p>
<p>Aqui, entre lençóis desarrumados,<br />
línguas emaranhadas<br />
e vidros embaçados,<br />
Gre Nardim não esconde a verdade,<br />
nem a saudade que dói,<br />
nem a vontade que mata.</p>
<p>Tudo às claras,<br />
assim como é o desejo<br />
entre quatro paredes.</p>
<p>Aqui não cabe medo<br />
de se revelar por inteiro,<br />
nem de se descobrir partido.</p>
<p>Sabemos que, entre veneno e antídoto,<br />
a diferença está na dose —<br />
e a dose que você precisa,<br />
apenas você será capaz de descobrir.</p>
<p>A única certeza<br />
é que a porta está sempre aberta,<br />
como bem disse a autora:</p>
<p>“Volta.<br />
Nem que seja<br />
para rasurar<br />
meu texto<br />
ou tentar me corrigir!”</p>
<p><strong>Bárbara Marca, @babiemversos</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Guarapyranga</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Feb 2026 17:48:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[“Somos da terra de Guarapyranga..
Nosso umbigo está enterrado lá.
De frente para o mar.
Mar de Maranhão.
Mar das reentrâncias maranhenses,
Onde o mar adentra a terra ao encontro dos rios e igarapés.
Ponto perto da linha do Equador.
Meio do corpo da Terra.
Umbigo do mundo.
Terra de Guarapyranga,
Onde se colhe coco e jussara do pé.
E tem camarão fresco, muito peixe, de muitas espécies.”
Fartura da vida vindo da floresta e do mar.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Guarapyranga</em> é um livro que carrega muitas vidas, trazendo as vozes das mulheres que vieram antes da Ruth: Felicidade, Margarida, Joana e Flor, mulheres Tapuyas que atravessaram violências, perdas e silenciamentos, mas que nunca deixaram de existir, assim como eu e como as mulheres que vieram antes de mim. O que mais me encanta na escrita da Ruth é que, ao se fazer escrita, ela não fala só de si, ela fala de muitas, fala de um coletivo. Escreve para romper o silêncio que nos foi imposto e para lembrar que somos de um povo que persiste há séculos. Guarapyranga é também o nome do território de onde sua família vem, lugar onde o mar encontra o rio, onde se enterram umbigos e se guardam memórias, um território ferido pela colonização que transformou aldeias em fazendas e pessoas livres em escravizadas. Sinto que cada palavra lançada por Ruth neste livro é também uma forma de dizer que nossas histórias seguem vivas, mesmo quando tentaram apagá-las. Guarapyranga é vida que insiste na sua necessidade de florescer e se reflorestar. Te convido a ler, ouvir e sentir Guarapyranga, a mergulhar nessas águas e se deixar transformar por elas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Por natureza: Zahỳ Tentehar</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Gira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Feb 2026 17:42:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A poesia em Gira é um convite para sentir as pulsações da existência em delicados movimentos. As luzes dos dervixes, os mistérios dos orixás, a força dos caboclos da mata, a sabedoria dos giros humanos pelas pequenas cidades do interior do Brasil. Girar em busca de novos sentidos para estar no mundo. Gira é um convite para suavizar o cotidiano e respirar fundo em busca de novas sensibilidades para a alma.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Gira</em> grita no giramundo existencial. Um girassol de sete santíssimas e giratórias profanações incompletas de tudo. Junções de girândolas reflexivas, rodopios da gíria e da lágrima: gambiarras do pássaro e geringonças dos sinos; abandonos gingados do céu e germinações digitais da terra. <em>Gira</em> arredonda a eternidade e a relampeia na dança e na dor na gincana vivente. Gestas de Dona Eva, em fornadas criatórias de planetas, de fogos de gigabytes naturais, de giros espiralados de eternidade. Ledo engano admitido: o gesto perpétuo pertence a Ofanim (roda rodante!) e a Exu (glutão renascente!). Aos ossos, à carne, ao sopro, resta o gesto do sonho de renascer até onde der. E, o germe na giração do relógio redescobre um tempo faminto de rios, de glórias, de vazios, imperdoável na função de engolir o centro, o globo, os deuses. Guia a <em>Gira</em> e vive uma vida em um dia, num orvalho causador de tempestades, num leito no qual o maluco do centro, dervixe esquecido, gira no asfalto ou na porta da Igreja. Nele, gravita o gongo de Angola e guau’ das matas de pedras azuis da Acayaca ibiti-ruída pela sanha do giro minerário, evidentes nos seus pés grassados por feridas de pecados anônimos e gostos murados por ruas direitas. Seu dente não é de ouro, é podre, e gorjeia o silêncio gorado de Deus, na medida exata do gozo absurdo da sabedoria gravitacional de ser tocado pela solidão azul das procissões e dos giros. A geometria entortada pela dança vagabunda dos becos, para-raios prematuros de graças. Incômodo e glorioso como o tonteio do transe do sono e na gramática do verão borboletado, tão feito de vazio, como um paiol de estrelas governantes das sombras, na imaterialidade universal, nomeada pelo pai como gracioso inconformismo de sentidos. A busca de <em>Gira</em> é a ancestral transgressão da certeza contida na paz girante de uma criança. Toda criança é um dervixe, e assim, todos nós já o fomos, na criancice, divinos. Brincar de girar o pequenino desejo de nada mais existir além do rodar é o gigantesco curto-circuito dos gestos escritos adiante. Nenhum grafema, nenhum gráfico, nenhuma grade conseguem impedir a liberdade sem motivo, presente no fado do poema e no eco dos nascedouros das gavetas da avó, confluída no fruto da fé primaveril, de extinta aparência, revigorada pelo descaminho do simples rodar com os pés na grama e com a cabeça nos grávitons de tudo, seja do canto apassarinhado, seja do riso guapo da inocência. Gire como um infante, gire como um louco, gire junto com <em>Gira</em>!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Giordano Leonardo Alves</strong></p>
<p>Escritor de Santo Antônio do Itambé/mg</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Baldeação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Feb 2026 17:11:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[entre

dentro e fora; esquerda e direita; acima e abaixo; pra lá e
pra cá; norte e sul; psdb e pt; tietê e pinheiros; Santos e
Guarujá; dia e noite; Corinthians e Palmeiras; frente e trás;
começo e fim... onde se está, como se encontra, qual o
tempo, espaço... não há extremos, não há dois lados...

estamos sempre no entre]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Nos versos de <em>Baldeação</em>, bem como fora deles, a cidade não para. Erick Vicente examina a vida urbana com poemas em frequente movimento, nos quais a cidade é vivida pelos sentidos de habitantes sempre à procura de um respiro. No entanto, a cidade explorada aqui é um labirinto que confunde qualquer busca. Todos sabem aonde precisam ir, mas é um sentido sem sentido. É uma cidade que aprisiona em movimento circular, prende em meio a contradições.</p>
<p style="text-align: justify;">A rotina esvazia os indivíduos, o que os versos de “rua piracuama” desvelam a partir de uma das menores unidades urbanas. A rua cumpre o papel de microcosmo para o vazio criado pelo dia a dia. É onde tudo se supõe visível, está do lado de fora, mas nestes versos ocorre o inverso. Em “o dia”, novamente uma das menores unidades, dessa vez de tempo, o esvaziamento é ainda mais cruel.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas Erick Vicente oferece esperança. A noite traz aquele respiro e inspira o desejo de que algo mude. O jornal e a novela no fim do dia não são meras distrações; são o que mantém os citadinos despertos. A noite e o respiro levam ao que é humano. A rotina da cidade também esvazia os bolsos, condenando o lazer e até mesmo a nutrição, mas, nos poemas de <em>Baldeação</em>, bem como fora deles, Erick Vicente não se dá por vencido.</p>
<p style="text-align: justify;">Há espaço até mesmo para a catarse, na liberação de energia que dá função ao caos em “danço”. Os habitantes da cidade buscam enxergar em meio à fumaça, seguir em meio ao concreto, e encontram música em meio ao ruído. Em “domingo”, há boteco, futebol na tv e risos à mesa. O merecido descanso para o corpo esgotado. Olhos moles enfim veem o que a rotina tenta sufocar.</p>
<p style="text-align: justify;">Olhos amanhecidos registram a paisagem de asfalto e o sol reluzente, do momento em que despertam até o fim do dia, do começo ao fim da semana. Em um ambiente que frita e devora, o dia a dia leva a uma solidão acompanhada, até que, ao fim da jornada, o sono leva ao oblívio, distrai das obrigações. Todos buscam o respiro em meio aos cotovelos do coletivo moedor de almas. O tempo corre ao lado de cada um e passa quase despercebido.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas há luz na saída do subterrâneo. Nas trocas da baldeação, há trocas de olhares e toques. Contato que resiste ao esvaziamento, reacende a humanidade e devolve a personalidade quase esquecida. Na cidade também há o momento para observar o instante e apreendê-lo por todos os sentidos. E há, ainda, a fuga pelo delírio. Fuga para dentro como proteção na busca pela identidade fugidia. Em <em>Baldeação</em>, bem como aqui fora, a cidade alucina.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Lucas Mendes Kater</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Porque justo agora</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Feb 2026 13:45:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[meu exílio não tem nome
não é fora, não é dentro
meu exílio é eu que invento
está no meio do mundo
abrindo o mundo ao meio
exílio é força da arte
não pede fidelidade
não aceita seguidores
só partilha, só reparte]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>ANA E SEUS INFINITOS <em>AGORAS</em></p>
<p style="text-align: justify;">Evocar! Palavra que etimologicamente também remete a um símbolo concreto, que sai de si mesmo e que chama a voz por si própria! Evocar também (in)voca, (pro)voca, pede uma voz que diga, ressoe, cante (?) um verso escrito, grafado, e que segue mesmo assim sendo dito!</p>
<p style="text-align: justify;">E por que esta evocação a respeito de um livro de poemas? Te explico já!</p>
<p style="text-align: justify;">Sempre que eu leio os textos-versos da Ana Helena Amarante alguma coisa acontece na minha emoção: a palavra me pede, me solicita o som, a voz, a fala, e vale dizer, o canto.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma pequena história&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Conheci a Ana poeta depois de sentir e ouvir que por dentro dos versos dela, ressoam canções. Sim, a cancionista chegou antes da poeta! Se tu não sabes, quero te contar: esta moça poeta também tem o dom de criar letras e melodias, ou seja, canções, sem lançar mão de qualquer instrumento!</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, ela ressoa nas palavras as emoções do canto em formas entoativas, e este seu <em>trejeito </em>peculiar, ressoa nos seus versos, mesmo não sendo canções!</p>
<p style="text-align: justify;">Tu não crês? Então vamos lá:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>(&#8230;)“Porque justo agora a fila/ justo agora vi quem não queria/ justo agora a vontade de mar/ uma alegria/ porque justo agora”(&#8230;) </em></p>
<p style="text-align: justify;">Agora, experimenta entoar em voz semi-alta, estes mesmo versos&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Dá pra sentir uma melodia e um ritmo vindo juntos né? E mesmo assim, continua sendo poesia, mesmo soando canção!</p>
<p style="text-align: justify;">Tem outro <em>agora</em> mais ali adiante:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>“Onde é que era o hoje?/  o ponto/ a incisão/ o corte/ o pingo/ a marcação/ a mira/ o alvo/ o x da questão/ encontro de paralelas/ o ali ” (&#8230;)</em></p>
<p style="text-align: justify;"> É como se ao ressoar estes grafismos rimados, essa poeta e querida amiga estivesse também se perguntando: “O que eu faço agora quando a vida me oferta essa variedade de tantos <em>agoras</em>? Agrupo eles todos? Simplesmente convivo com eles? Ou faço poesia tentando senti-los?”</p>
<p style="text-align: justify;">E do nada, ela brinca com o som em duplo sentido, e nada!</p>
<p style="text-align: justify;"><em>(&#8230;)“Poesia pra quê? Pra nada  r”</em></p>
<p style="text-align: justify;">E tem também uma coisa doida de se ler-ouvir: a polifonia! Poli(várias) fonia(vozes):</p>
<p style="text-align: justify;"> <em>“Como controlar o que em mim desatina</em> [pode ser pergunta ou afirmação, entoa e descobre aí!] <em>Gênero, raça, etnia, perfil, valor de mercado</em>&#8230;” [dizem as outras vozes] E por aí ela segue&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Diz o filósofo italiano, Giorgio Agambem: “Vocativo é o que chama. Com o vocativo, nos dirigimos a quem amamos ou odiamos, com o vocativo invocamos, rezamos e blasfemamos, cumprimentamos, nos despedimos, exaltamos e lamentamos. Com o vocativo iniciamos cartas, mensagens, acariciamos animais e crianças”</p>
<p>Sim, a voz chega antes da escrita, reocupa o seu lugar de <em>fala</em>, quando nos pede para entoarmos, ainda que isolados, mergulhados nas palavras que nos solicitam serem sons! E muito sentidos brotam nesse sentir, e Ana faz isso o tempo todo, seja com poesia, seja com a canção, e de forma lindamente espontânea!</p>
<p>Nela o Amar ante o mar se faz Helena, nas ramas do tempo, faíscas, pedaços, estilhaços e fragmentos.</p>
<p>De fato, Ana, tinha que ser agora, justo agora!</p>
<p><strong>Felipe Azevedo</strong></p>
<p>(Compositor e Ensinador)</p>
<p>Outubro de 2025</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Bem-aventurânsia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Feb 2026 20:25:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[não acredito em palavra da minha boca
dita ou silenciada
não acredito em mim mesmo
nos atos das minhas mãos
na correria dos pés
no galope do coração
a partir de hoje sou tambor
de alguém que corra seus dedos sobre mim
ou bata com força até pingar suor
escorrer vinho e sangue, derramar estrelas
com o couro cru que me envolve
a partir de hoje sou pele
de acordar quem dorme]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>AO SOM DE UM ESTILETE AMOLADO NA PELE</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Provocado pelo autor para redigir as orelhas deste livro, mergulhei no discurso que compõe suas “bem-aventurânsias”, e detive-me na suavidade de um estilete afiado, invadindo a carne do verbo do mundo, limpando pouco a pouco, com profundidade, os ossos de suas palavras.</p>
<p style="text-align: justify;">Sustentei o fôlego nos cabelos do seu “corasol” em continuado brilho, em mim, a incendiar o corpo do meu universo, grudado com suas “digitais na pele” da manhã, recém-chegada, na escrita do poeta.</p>
<p style="text-align: justify;">Confirmei que a poesia, se bem emendados os fios de seus mistérios, pode gerar a luz que brota do branco do papel ou da tela, para seguir escancarando as portas da escuridão.</p>
<p style="text-align: justify;">A poesia deste livro alcança nossos ouvidos trazida pelos ventos da memória, em clamor de Vila de pescadores, estragada pelo descuido dos passos dos estrangeiros, em continuada invasão; de algum deserto de riacho, guardado por uma concha, em angústia de partilha de cantoria com outras escutas, do barro esturricado que bebeu toda a água das nascentes, pedindo clemência para que a chuva crie outras correntezas, acabe com o lodo, o lixo, que o peso da insensibilidade humana, impôs ao seu vazio.</p>
<p style="text-align: justify;">Experiente escafandrista, o autor vai ao fundo do riacho seco, porém fértil, com suas touceiras de capins maduros, experimentando ressureição, faz os olhos dançarem nas margens do mundo; reabilita o girar de tudo que necessita de inquietação para não enferrujar a engrenagem do seu sopro.</p>
<p style="text-align: justify;">Atravessado por momentos sublimes, capazes de nos levar às alturas, sem tirar os pés do chão, este livro nos ensina a refletir sobre o sequestro da rotina que estraga o lirismo de nossos dias, e empobrece a convivência com o que nos resta de sagrado.</p>
<p style="text-align: justify;">Fotografa com maestria a imagem do poema, para determinar o ritmo que move o destino de cada palavra de seus versos; rastreia a sua poesia o sentido de tudo pelo ouvir, pelo tocar, pelo aroma, deixado na pele das coisas.</p>
<p style="text-align: justify;">Solar e noturna, a poesia de Rogério Newton, serve para abrir nosso 3º olho e enxergar além dos abismos humanos, no fundo da noite adormecida, inquietada por areias das distâncias que nos transportam ao infinito da matéria escura.</p>
<p style="text-align: justify;">Deixo com o leitor a continuidade da busca da claridade de um horizonte possível, com olhar livre, ao encontro da ânsia criadora do verso e re/verso, deste livro, em reunião da arte com a poesia de um autor que aprendeu a transitar com segurança, pelos labirintos da voz.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p>Rubervam Du Nascimento-poeta</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Imagens do dorso. Do fim.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Feb 2026 15:30:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Virilidade após o sexo. Teu dorso
maciço e maduro no alpendre,
escuro e quieto,
de costas, propondo ambições,
contas e angústias,
cantando um estado de cortes,
de costas pra mim; além, além o mundo.
Gárgula e náutico e atalaia,
no alpendre o meu amor.
Na cama, excessos de sexo sobre os lençóis —
alcatrão e eu.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em> [&#8230;]</em></p>
<p><em>A Pangeia,</em></p>
<p><em>O Sopro do Espírito,</em></p>
<p><em>O primeiro homem arcado e implacavelmente sozinho</em></p>
<p><em>criando, descalço, dáctilos, anfíbracos e deuses,</em></p>
<p><em>As tuas mãos seis anos atrás entre as minhas</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>invento —</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>todas no dorso do pensamento.</em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Entre o real e o inventado, o plástico e o sonoro, <em>Imagens do dorso. Do fim </em>desenha experiências de ruptura, mas também de insistência — trata-se do olhar por vezes fixo, por vezes vacilante que, na contramão das despedidas, incapaz de desviar-se por inteiro, retém a sensação de que as coisas acabam.</p>
<p style="text-align: justify;">Em sua organização interna, a obra divide-se em poemas cuja escrita em série propõe lógicas de união e de semelhança (“Ecfrástica”, por exemplo, contém quatro retratos de temática distinta; “Patéticos”, embora heterogêneos quanto à forma, versam todos sobre o amor apaixonado; “Antropologias”, obedecendo a um mesmo princípio rítmico, investiga em cinco poemas o que faz do homem o homem) e versos mais incidentais e autônomos, porém nunca totalmente independentes, afinal o signo poético aqui apresenta-se como força capaz de restabelecer o senso da união perdida, senão ao menos organizá-lo. Dáctilos e anfíbracos atualizados na busca e na experimentação rítmicas tornam a palavra o centro dessa reconstrução inventada sobre as coisas que perecem: a vida, a memória, os afetos, as formas e referentes culturais, a própria distância e o espaço geográfico, também a violência, a náusea e a morte. Assim, neste livro recai o olhar sobre as costas daquilo que se esvai; possibilita, no entanto, em alguma instância (a da palavra) a permanência.</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Cardume</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/cardume</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Feb 2026 12:46:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ferva o corpo
para separar
da pele os ossos

venha preencher
com fios de ouro
as fraturas todas

de infância
das quedas
e também

das outras partes
que continuam a abrir
enquanto a vida cresce]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>No rio de Heráclito</em></p>
<p><em>eu peixe único, eu peixe separado</em></p>
<p><em>(ao menos do peixe árvore e do peixe pedra)</em></p>
<p><em>escrevo, em momentos isolados, pequenos peixes</em></p>
<p><em>de escamas tão fugazmente prateadas</em></p>
<p><em>que talvez a escuridão pisque de embaraço</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>— trecho de “No rio de Heráclito”, de Wisława Szymborska</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A prodigiosa poeta polonesa já apontou que somos todos peixes habitando um vasto planeta-peixe. Se é verdade que nunca nos banhamos duas vezes nas mesmas águas, ainda assim somos parte de um grande cardume tentando perseguir a ilusão de um fluxo no tempo.</p>
<p>Gosto de pensar que é assim que nascem os poetas e escritores que, de tanto nadar e circular por essas correntezas, logram encontrar o ritmo e as palavras certas que levam nossos sentidos a viajarem pelo espaço-tempo.</p>
<p>É nessa brilhante qualidade de peixe único que Guilherme Amorim nos apresenta em seu segundo livro uma nova constelação de palavras. Nos registros de suas memórias somos atravessados por contos de amor, de solidão, de família, arquipélagos do corpo e cartografias da natureza, além de lembranças dedicadas a outras obras e diversos artistas que participam do precioso murmúrio de afetos do poeta.</p>
<p>Na dança caleidoscópica de suas cadências, <em>Cardume</em> revela a proeza de M.C. Escher e os mestres ilusionistas ao transformar escamas-espelhos na iridescência de pássaros em revoada. Assim são os movimentos de seus versos, com sua capacidade de expansão e dispersão que criam formas e mosaicos em constante mudança. Como um bando de estorninhos mergulhando em pleno azul.</p>
<p>Estes poemas são travessias, pontes a mundos de devaneios aos quais pertencem as sementes e raízes, luzes e reflexos de mares e montanhas, mitologias tão íntimas e tão universais quanto a nostalgia da infância. Talvez esse seja, no fim, um tratado sobre a saudade, sentimento oceânico comum a todos nós, peixes voadores, que entre nado e voo, podemos nos recostar flutuando à deriva contemplativa da arte das palavras.</p>
<p>marcela moretto</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Parir montanhas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Feb 2026 09:56:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[podia só ser nós a
ser as onças nas
ondas a pular no
ar, chora xuxu,
rabos nudes pele
de golfinho e as
mitocôndrias
milénios de
amizade, célula e
fauna e flora, tudo
é bicho entre o ar
dos nossos espaços, ácaros hackeiam, como não
a língua do vírus concha aberta e nós leitantes
a primeira vacina do mundo veio da vaca, sempre mãe
já no princípio éramos guelra e verbo nenhum

(página 9)
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>
&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Dizem que o raio é um dos criadores. Que a cavalo nele, ela pode aparecer aí em qualquer momento. Que foi assim que eles chegaram, invertendo as ordens. Mas no princípio ela já estava lá. Sentada numa pedra, num tricot muito antigo que junta concha, que afia os ossos em fios muito miudinhos. Nós ainda agora aqui chegámos mas ela já lá estava.<br />
Cátia Sá hidrata a linguagem que, liberta do feitiço do alfabeto, logo expande os seus limites. São os peixes por ancas. São os rios. É o sangue na guelra, é a lava. Pororocou. Pródiga em abrir dois faróis imensos no fundo do fundo, lá onde ninguém quer ir e ela nada, desenvolta. Tudo o que nomeia fica no seu lugar. Isso é mais que uma dulcíssima, bruta ordem — isso é poder. Poder ver. E ainda dá de beber? Isso é mais do que entrega — isso é ternura da crua. Crua mãmã.<br />
Tudo o que nomeia fica em seu lugar: Veja como tudo na sua ausência fica tranquilo, e na presença ganha uma ginga de casquinhos. É um animal, não morde por mal. Catia Sá já veio, foi conjurada desde o poder quando não havia verbo nenhum: atentos à vibração do ronrom que abre as portas, as corolas, os mamilos. Chegou a que vem dar de mamar ao chão.</p>
<p><strong>Maria Archer</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Tudo existe para desaparecer</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Feb 2026 13:41:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Chama-me a chama
que chama-se mares
ama-se, como me ama
chama que queimando leva-me
aos ares, ventos que inflamam
amam-me violentos os olhares
ares que me sopram os planos
anos que se foram
oramos para o tempo
empoeirados fósseis
seis vidas perdidas
das crias do inferno
noite ao inverso
versos curtos de trincheira
irados, suam no inverno
no fim nada importa
talismã ou poeira
tudo é ideia morta e passageira.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Entre o instante e o infinito, entre o primeiro suspiro e o último silêncio, estes poemas percorrem o território frágil e luminoso da existência, com palavras que emergem como espelhos da impermanência, onde o tempo, a memória e a ausência se entrelaçam em um diálogo constante com o efêmero. Há, neste livro, o desejo de compreender o que permanece quando tudo se desfaz, o que ainda brilha mesmo sob o peso do fim, mesmo que não haja um fim.</p>
<p style="text-align: justify;">Os versos transitam entre a filosofia e a melancolia, entre o humano e o abismo, na obra a voz poética reflete sobre as contradições da vida, a vaidade, o medo, a ilusão, o anseio pela eternidade, e revela que a beleza pode residir justamente naquilo que está condenado a desaparecer, os poemas assumem um tom de ficção e solidão cósmica: uma humanidade extinta, um homem que resiste apenas por hábito, um grito que ecoa em um mundo vazio, o pungente e o dramático.</p>
<p style="text-align: justify;">A escrita deste livro é contemplativa e inquieta, e de poema em poema, somos convidados a verificar vestígios dos pensamentos diante da finitude, um retrato de um ser que se reconhece transitório, mas ainda assim busca sentido. A linguagem, ora minimalista, ora densa, convida o leitor a um mergulho silencioso, um encontro com a própria vulnerabilidade, com a sombra e a centelha do que somos.</p>
<p>E, por fim, resta a pergunta que atravessa todos os versos: o que é ser humano quando tudo se apaga? A resposta talvez esteja na própria poesia, no gesto de nomear o que morre, de amar o que passa, de encontrar, finalmente, a beleza de existir, mesmo que no fim, na verdade, tudo irá se consumir.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Adelina Lazzarotto Rockembaker</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Embarcações</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Feb 2026 12:31:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[na linha
limite
entre
o céu e o mar
é possível
avistar
o princípio]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O mar pode ser lugar de inúmeros perigos e desafios. Já foi cantado e escrito assim, desde a Antiguidade, por poetas e seresteiros. Também pode ser a tão sonhada liberdade, como se atravessá-lo fosse nos levar para um sonho bom, a terra prometida ou a ilha perfeita. Aline Bernardi coloca o barco na água, com bravura, para testemunhar a aparição do poema. Mar, aqui, é caminho. Não monstros e sereias; seres fantásticos são os poemas, que surgem, engendrados, enquanto a autora mira a linha do horizonte, singrando a embarcação por sobre as ondas, grandes ou serenas. Sabedora do poder inventivo da poesia, Aline entra na água para, dançando, transformar a vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Escrita sinestésica, <em>Embarcações </em>vai em busca de novos mundos, construídos a partir de corpos em movimento. Talvez tenha fim essa viagem poética. Navegar é preciso. Talvez se chegue aos primórdios. Quem sabe a timoneira-poeta aviste uma praia, toque suas areias e sinta o cheiro das primeiras maresias? Para onde nos levarão as marés que lavam os tecidos de nossas peles? É possível ter algum controle sobre nossos destinos? Será que o próprio destino é alcançar os começos?</p>
<p style="text-align: justify;">O certo é a simbiose, poderosa trama entre a navegante, o barco e a natureza marítima. A linguagem do livro nasce desse encontro. As costas do corpo se misturam às costas do continente. As nuvens dançam. À bordo do barco-poema, Aline borda com verbos e conchas, olhos e faróis, as velas dessa navegação ancestral.</p>
<p style="text-align: justify;">O vento empurra a canoa à vela e, desse modo, nos modela. A escrita é filha do vento. Somos arremessados de um lado a outro, da popa à proa, de bombordo a estibordo, pelas fortes tremulações deste livro que você agora tem em suas mãos. Nosso corpo é flexível. Queremos esticar a corda, retomar o norte, desatar os nós, desembarcar em um atol biodiverso. Mas é o tempo, esse grande senhor, na verdade, é o tempo que nos balança e nos serpenteia.</p>
<p style="text-align: justify;">Abra os olhos, leitor, leitora! Nosso barco — esse no qual Aline Bernardi nos transportou até aqui — está à deriva. Deixemo-nos levar. Vamos para dentro d’água, brincar com os cavalos-marinhos. Façamos a travessia a galope. Nunca se está perdido enquanto estiver vivo o poder do encantamento. As palavras são os remos. Rumo ao continente, não nos esqueceremos jamais da viagem que fizemos. Nosso corpo foi pedra, sal, peixe, coral, maresia. Terra à vista! É o dia que está nascendo, junto com o verbo. Aline nos oceanizou com sua escrita barcorpórea. Que bom foi dar esse mergulho no infinito do caminho-mar. Viver é preciso!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Thiago Thiago de Mello, poeta e compositor</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Vênus em escorpião</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Feb 2026 10:36:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<strong>hortifruti</strong>

ao empurrar um carrinho no setor de frutas e verduras
penso
quantas mãos tocaram as tangerinas
dispostas a minha direita
e
aquelas bananas? por quantos dedos suas cascas foram
alisadas?
um morango fora do pé continua vivo? o que ele sente
ao ser mordido?
percebo que caminho só e sinto o sangue caminhando
em minhas veias
toco minhas costelas lembrando que ontem
a fruta fui eu]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Escrever sobre o desejo é um gesto ancestral. Quase um rito. Há algo de bruto e sagrado quando o verbo encontra o gozo, como se ambos viessem da mesma matéria. No Vênus em Escorpião, Lanuk oferta corpo e sangue para que quem o lê possa comer e beber.  Algo sacro partilhado sobre a mesa, um banquete a ser degustado por nossas papilas gustativas para saborearmos intensamente o doce, salgado, azedo, amargo e umami. Não há reservas.<br />
Aqui, sentir é essencial.<br />
E, mesmo com toda volúpia que escorre por entre as páginas, é o amor que tensiona a cada subtexto, no cerne de cada palavra. A busca incessante em fluidos e corpos não se contenta com o instante efêmero do gozo, há uma urgência de amar e ser amado pelo afeto desprovido de barreiras e armaduras, desses que nos arrebata em qualquer lugar e a qualquer hora. Ler Lanuk é despir-se junto a ele e lançar-se no mundo com corpo livre, amável e irresistível. Um corpo que dança descalço sobre um peito irrestrito e voraz.<br />
Saboreio-o com dedos úmidos; Com o corpo aberto; E a boca repleta de amor e desejo.</p>
<p style="text-align: justify;">
<strong>Gessyka Santos</strong><br />
Poeta e produtora cultural</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>De uma membrana vítrea nasceram espectros</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Feb 2026 10:32:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Quem diz uma mulher, diz: falésias horizontais —
uma longa jornada em direção aos meridianos.

(<em>Tempestade solar</em>, pág. 16)
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A tensão que se condensa no vidro, anacronicamente comportando os atravessamentos dos tempos na sua transparência, que muito esconde ao supostamente revelar: é a ilusão angustiada que Erika Rodrigues parece colocar-nos prestes a tocar em De uma membrana vítrea nasceram espectros. Lá, onde os elementos se confundem com movimentos, ritmos e imaginários. O futuro e o passado aliam-se no instante à dissidência do presente, no qual já não se pode tatear, pensar, sentir, senão como uma fratura. Pensa-se o futuro do dizer a partir do retorno hieroglífico à falsa origem da escrita. As ondas deslocam-se, já em movimento, nos cabelos encaracolados conduzidos pelo vento, a desembocar nos grãos de areia deslizantes, que assumem a dissolução e a reconstituição constante de tudo. Enche-se, aos punhados, a boca de uma sinestesia que mistura a chuva com a terra que pressente o choro dos céus. O musgo do Jardim, a ferrugem que se humedece nos pregos, a madeira que estala e se torna carvão, anunciam essa subversão do tempo que passa, marcando a distância necessária para a produção de organismos-palavras, de mofos-flores, que se unem na sua distância, e a despeito dela. A obra compõe-se de quatro momentos, quatro movimentos, quatro gestos dessa fratura vítrea, a partir da qual nasceram os espectros rebentos, que carregam a membrana-translúcida, o corpo-terra, as formas-dispersão e o peso-corte. Em “Teu corpo de ondas, Helena”, as planícies, os campos, os ventos, os mares amalgamam-se com a indecidibilidade e a esperança da matéria em um dia chegar a ser inteira. Em “Tua boca de terra, existe”, o corpo, já despido da sua pele, choca-se com a metamorfose fértil do seu futuro, que permanece promessa. Em “Tua forma, incógnita”, estes deslimites são testados na transparência que vela a inefabilidade para, enfim, em “Teu peso humano, espada”, sentir o espectro a assombrar esse devir com passados intocáveis, exceto por seus rastos em musgo, mofo, fungos, sarcófagos e subtração. A poesia de Erika Rodrigues espanta ao inscrever-nos num movimento que não cessa e que nos joga ao mar, de frente à miragem de um dia, enfim, tocarmos o dedo de Deus.</p>
<p><strong>Mayara Dionizio</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Contorno liquefeito</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/contorno-liquefeito</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Feb 2026 22:32:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[sem garantia

na corda bamba,
pisar em falso
pode ser o fim.

mas a tensão da corda
nos manteria na linha?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A viagem, quando começa? Quando o avião/ônibus/van/bicicleta parte rumo a seu destino? Quando os planos começam a ser traçados? Quando brota um desejo, uma inquietude nas entranhas? Quando o contorno dos dias fica nítido demais, fixo, limitante, cerceado por esquinas, / uma grande grade / fazendo da existência / uma planilha de Excel. O melhor remédio: vitamina Horizonte. Entre uma paisagem e outra, a vida: amores, crises, prazeres, tempestades, fluidez sim, até liquefazer todas as certezas, mora na porosidade. Topa? Você e eu no banco do copiloto avançamos Brasil adentro numa vanguiada por Carolina De Marchi, poeta e nômade. Faminta pela vida, observa, escuta, sente, lança: / avante! / aponta e vai vamos galgar horizontes.<br />
Bora? Bora.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Lívia Aguiar </strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Entre marés</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/entre-mares</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Feb 2026 20:21:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[“Na maré as vozes ecoam
aqueles que as águas recordam
do toque dizer e cantar

as mil águas do mar
guardam vozes
que ecoam
no despertar]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Entre marés </em>há o quê? O fundo encharcado e exposto.</p>
<p style="text-align: justify;">O primeiro livro de Otávio Tavares anuncia desde o seu título o interesse por um <em>lugar</em> que é, simultaneamente, um instante. Seus poemas são instantâneos feitos durante décadas, séculos — refeitos a cada verso. E são biografia, a escrita da vida — a palavra que inclui tudo, enquanto brilha mais forte se colocada ao lado da morte. O índice nas primeiras páginas é um mapa, mas também uma pista de que estamos diante, sim, de uma biografia, mas também de uma certidão de nascimento, e de um diário, e de uma memória, e de um presságio e de uma invenção.</p>
<p style="text-align: justify;">Os lugares na poesia de Otávio Tavares são animados e colocados em movimento pela artesania das pessoas amadas que moldaram as lembranças do poeta. O mercado <em>é </em>o avô, a casa <em>é </em>o irmão, e cada um desses sítios é a materialização de uma ausência: as palavras, aqui, como de costume nos poemas que permanecem, atestam a impossibilidade de captura do tempo e confirmam que estamos destinados a essa trágica tentativa. Uma tragédia também alegre, à maneira brasileira, pois começamos no exercício melancólico das andanças e chegamos à eufórica partilha dos festejos.</p>
<p style="text-align: justify;">E, observado por gatos, serpentes, urubus e árvores, o poeta se constrói como objeto e como sujeito, celebra o olhar silvestre das paisagens que atravessa e seus ecos, de cujas ruínas originam-se os versos, invadem nossos ouvidos numa tranquila e assombrosa inundação de imagens-sons; mas qual o principal? Ou melhor, qual a origem de tudo isso? De todo esse rejeito sentimental? Desta matéria que não serviria para nada se não para isto que chamamos poesia?</p>
<p style="text-align: justify;">Entre as marés há um suspiro, uma impressão, um finíssimo véu que se levanta por um átimo de segundo. Nesse instante-espaço encharcado e exposto, Otávio escreve. Traz consigo tudo o que já tocou e tudo o que já imaginou. A correnteza dos seus versos, sua força e sua ressaca, são intenso sinal de que na precariedade honesta do poeta é dado a ele ser também o oceano.</p>
<p><strong>Felipe Cruz</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
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		<title>A que escreve no silêncio</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-que-escreve-no-silencio</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Feb 2026 20:15:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Entre o som e o silêncio, uma mulher escreve com a pele. Cada palavra é rito, cicatriz e encantamento. Nas margens da dor, ela escuta o que o mundo não ouve — ecos de infância, vozes soterradas, memórias que queimam devagar. Seu corpo é território da escuta, onde o trauma vira verbo. O silêncio é feitiço, morada e permanência, refúgio e recomeço.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Através das idades, um raio corta e aguarda durante copiosas noites, em casulo, até se fazer trovão. Se contando o tempo de silêncio calculamos as distâncias, é assim que estes versos pingam sobre o tato do leitor e o inundam, ao<br />
lado de uma poeta destemida que escolheu nadar quilômetros de anos-tempestade e trazê-los até bem aqui próximo — em páginas nada sussurradas. Apelidado de “progresso”, um implante coclear, na verdade, pode interrogar tudo o que concebemos irrisoriamente sobre estar “conectada” e o que, de fato, permeia a genuinidade da comunicação, porque “ouvir não era entender. / e entender não era sentir.” A poesia, tantas vezes plantada em solo árido e hipocrômico, se reafirma neste livro como capaz de irrigar a si, ao terreno hostil que a banha e ao horticultor que timidamente a cultiva. Do “travesseiro, testemunha muda das lágrimas contidas” ao “levantar da cama sem negociar com o abismo”, é impossível não mergulhar neste desvendar da identidade de uma mulher que não precisa vestir sons alheios desde que ouviu as próprias cores. Os tons da luz e da música são sua escolha, seu feitiço, as suas palavras e os seus sentidos. A que escreve no silêncio é um presente inebriante a quem lê e sente os trovões em ressonância consigo.</p>
<p style="text-align: justify;">
<strong>Giovana Fischer Neto</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Psychê rasteja feito lagarta</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/psyche-rasteja-feito-lagarta</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Feb 2026 20:00:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Quando ressurge
traz consigo um narguilé
e estúpidos conselhos
digo que não sou Alice
estiro minhas pernas
verifico meus braços
toco meu rosto
estou do mesmo tamanho
tenho ainda o formato de uma mulher.
Soprando fumaça
Psychē me perturba
com voz afiada feito lascas
pedregosas de um vulcão
insiste em perguntar
quem eu sou.
Hesito em responder
por medo de que
ao dizê-lo
eu possa me ouvir
e ao ouvir
eu possa sonhar
que rastejar
é condição primária
da lagarta.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Entre sonhos, presságios, paixão e temor, Naylane Araújo nos conduz, neste livro tão delicado quanto arrebatador, a adentrar nas imagens do nosso próprio inconsciente. Sempre à procura do amor, o eu-lírico mergulha em uma viagem onírica em que, como lagarta de fogo, se transmuta ao longo da narrativa poética. A busca incessante, arraigada e enlouquecedora das mulheres pelo amor do outro e, junto com ele — quase como consequência deste —, pela validação social e psíquica de si mesmas é desvelada aqui pela precisão das palavras da autora. Nos deparamos com uma escrita construída por imagens que, mesmo bem delimitadas, abrem espaço para o mistério. Tudo está aqui: dito, sentido, intuído, mas nada é entregue de graça ao leitor(a). Quem abre este livro, coloca a si mesmo(a) na posição aterrorizante de ser uma mulher em busca do amor que a flagela. Um ideal de amor romântico que se constrói acima da liberdade feminina. Ao mesmo tempo, Naylane subverte esta lógica, à medida que o eu-lírico se afasta de suas referências român(t)icas — sem menosprezá-las — para buscar outras bases do que pode ser amor. Saindo do domínio de Psychē, que sofreu as mais duras penas para ser “digna” do amor de Eros, surge a voz de Inanna, a deusa mesopotâmica que enfrentou a morte com bravura. Através de referências animalescas a entidades mitológicas e escritoras suicidas — ou suicidadas? —, Naylane tece a história desta mulher que, em sua busca pelo que parece inalcançável, descobre a si mesma.</p>
<p><strong>Clara Romariz </strong></p>
<p>Atriz, escritora, dramaturga e diretora baiana</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Pérolas e malaguetas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/perolas-e-malaguetas</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Jan 2026 10:10:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[nem tudo o que arde
está em chamas
o silêncio queima

(página 18)
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Não há elefantes na sala, há grãos de areia. A engrenagem para, o olho lacrimeja. Parece tolo, inocente, inócuo, mas basta para gerar incómodo. PÉROLAS E MALAGUETAS é um jogo de palavras, um conjunto de poemas curtos e aforismos, que evocam a brevidade da linguagem. É a recusa do enorme, agigantando o minúsculo. Poemas não-poemas, não-sistema, não-restritos, não-específicos, o léxico brincando às escondidas, esconde-esconde, a efemeridade. Um lugar de possibilidades acessíveis, uma ponte para a marginalidade das reflexões sobre a vida, o tempo e as emoções. O livro captura o pestanejar, o estalar de dedos, o voo dos pássaros numa gaiola com a porta aberta. Os seus não-textos não se constroem no excesso, antes se excedem na fricção do gesto. A brevidade não é economia formal, é uma posição ética que valoriza o que passa depressa, mas deixa marca suficiente para o regresso. Desperta a delicadeza e a ardência, o brilho e a ferida, o que alimenta e o que provoca. A linguagem aproxima-se da oralidade, mas não se acomoda — brinca, desloca-se, incomoda. Pérolas ornamentam, malaguetas inflamam. Não existe uma linha reta nem promessa de futuro, aceita-se o instável como o equilíbrio possível,<br />
uma leveza que não ignora o peso do perigo do que é exposto. Irónico, repetitivo, conflituoso: o atrito como abrigo para a desconstrução do que é imposto. Não há progenitores, nem prole. Há linguajares, linguarudos, dando à língua, recusando normas fixas e sentidos únicos. PÉROLAS E MALAGUETAS não oferece respostas estáveis nem estáticas, mas um desconforto fértil à construção contínua de quem o lê. A palavra é molde e matéria.</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>E se a orelha disser porque não sou olho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Jan 2026 09:41:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[quis prestar-me à gesta do corpo
a sucessão do cordão que amarra a minha boca
à minha mão
escrever com cuspo
o idioma em contração
real
como a trama da pele.
talvez por ser a verdade que ainda nos resta
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A tua imagem a juntar papéis, a erguê-los como paredes e a riscá-los, dias a fio, durante anos, com canetas coloridas roubadas de supermercados. Agora sei, que, ao toque amoroso das tuas mãos, as canetas se faziam tesouras.<br />
Não as tesouras das barbáries, as que nos levam as mães pelo umbigo. Mas as tesouras com que lhes respondes. As tesouras com que, à falta de dentes — poeta desdentada —, recortas versos de folhas caídas que depois colas com cuspo, nos buracos da carne. E tua árvore genealógica brota em copa, como uma nuvem de clorofila e purpurina.<br />
Lembro-me de, numa manhã de Agosto, em Sines, ver-te de touca de natação na cozinha, a recortar cartolinas amarelas, rosa e verdes. A casa é um organismo. Precisa de rotinas de cuidado diário: composição e compostagem — processos biológicos através dos quais as poetas transformam a verdade numa substância semelhante ao solo. O húmus é a “trama da pele”. É um “ainda”, o “ainda” do que é recortado, como um poema ou um desenho. A compostagem e a composição, parto e invenção, são costuras universais. Ligam infinitamente o mundo para o manter vivo. Só elas, as verdades sujas, não morrem.<br />
Compostar e parir são também gestos de vidente. São trabalhos de antecipação. Enquanto actos de fé, acontecem numa espécie de confiança no que depois se tornará visível. As videntes vêem com o ouvido o que espera ser dito para nascer.<br />
Dizias que não podias ter um emprego a tempo inteiro porque precisavas de investigar. Saltavas de sofá em sofá a pensar a infância em Walter Benjamin, qual forma de garantir a subsistência. É que tu começas sempre pela copa: primeiro os papéis, depois o pão. Estavas a ouvir os papéis como mesa posta para o pão. E o pão apareceu. E este livro também. És afecta e devota a tudo quanto te brilha no peito. Cumpres esse destino que, quando deixamos de brincar passamos a temer, ou antes, a deixar de ouvir. Mas tu não.<br />
Sentada a meu lado no degrau do canteiro, nosso posto secular de observação e costura, na Avenida de Berna, disseste que estes poemas te eram próximos e que talvez fosse mais importante dar a ler coisas que nos sustentassem os dias.<br />
Irmã, tu mostras como é preciso que não nos roubem o peito e o saco das lágrimas a caminho de casa. Qual política que não seja a dos nossos dias?<br />
Não perder as pedras, as pernas, remendos de perdas, e o pedido das mães. Cantar às casas ao passar, e em jeito de provocação, subir a saia, mostrar-lhes as musculadas pedras, as perdas, maiores, mais rijas, medidas em tempo geológico. Lançá-las aos retratos familiares e mostrar-lhes a verdade de vidro. Chegar ao quarto, já sem uma ou outra veia do nariz, sem dente nenhum, recortar e oferecer. Preservar a vontade musical. E um caderno aberto sobre a cabeça, como um telhado.<br />
<strong>Raquel Luís</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Contos de fado</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/contos-de-fado</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Jan 2026 10:13:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em <em>Contos de Fado</em>, Nilton Marlúcio de Arruda mobiliza sua experiência fronteiriça para construir narrativas precisas e potentes. O “imigrande” — sua palavra-chave — não é só um personagem, é uma lente que desfoca clichês e revela novas perspectivas sobre identidade, pertencimento e resistência.
Aqui, a crítica social e a força poética não se opõem; são fios do mesmo tecido. Uma costura narrativa firme revela como os grandes movimentos da história ecoam nas pequenas sagas cotidianas. Este livro é um testemunho literário necessário e uma afirmação da arte de contar como ato político e de beleza.
<p class="ds-markdown-paragraph"><span style="color: #ff0000;"><strong>10% de desconto</strong></span>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Quem conta um conto acrescenta mais um ponto na estrada já determinada de cada um. Com sensibilidade, o escritor Nilton Marlúcio de Arruda constrói pedra a pedra os seus contos, fados literários; não como uma narrativa acidental, mas com um propósito bem costurado e estrutural. A força do livro reside na sua capacidade de articular o político com o poético.<br />
Em “Carquejeiras, as mulheres invisíveis”, a luta pela memória torna-se um ato de resistência contra o apagamento histórico, narrado com um realismo sóbrio que evita o sentimentalismo fácil. Já em “A freira numa gira de fados”, o sobrenatural e o social entrelaçam-se, criticando a intolerância religiosa através de um imaginário que bebe tanto da tradição popular quanto da rebeldia contemporânea.<br />
O autor oscila entre o coloquial e o lírico, com uma densidade linguística que reforça o carácter “fadista” da escrita: uma elaboração consciente que transforma a dor em arte. Contos como “Adamastor, o gato voador” e “Entre carros e gaivotas” destacam-se pela subtileza com que tratam a solidão e o desenraizamento, usando elementos simbólicos (um gato-águia, gaivotas urbanas), para falar de invisibilidade e conexão.<br />
A saudade, este bem comum da língua portuguesa, também é elemento marcante nalguns contos. Ela é deslocada do plano individual e nostálgico para o território da memória coletiva e da justiça social. Esta releitura é fundamental, pois contribui ao tirar o fado de qualquer idealização populista e devolve-lhe o fio da navalha, a sua capacidade de corte social.<br />
A construção narrativa, no entanto, segue o mesmo espírito do género musical; no qual o drama das personagens é maior do que elas próprias. A menina Iris, a avó descartada, o menino cego e sua águia-gato; cada uma encarna uma luta contra um sistema (religioso, familiar, económico) que tenta defini-los.<br />
A força destas personagens não está na vitória, mas na resistência do gesto, no ato de permanecer resiliente, apesar dos reveses. A linguagem é sempre trabalhada, com um ritmo por vezes próximo da cantiga, sem medo de experimentar a pontuação e o fluxo de consciência para transmitir urgência e emoção.<br />
Fica exposta, nestas páginas dos Contos de fado, a presença de um escritor comprometido com as margens sociais, geográficas e existenciais, dando voz a personagens cujas vidas são, elas próprias, cantigas de dor e de resistência. O escritor dá inúmeras provas de que este seu fado, enquanto estrutura de sentir, é uma forma literária potente.</p>
<p><strong>Ozias Filho</strong><br />
escritor, fotógrafo, editor</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Por si só</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/por-si-so</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Jan 2026 16:03:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Caro leitor,
eu não sei qual é o seu nome, sexo, ou a cor da sua pele, não que mude muita coisa. Comprei esse papel de carta ontem numa livraria qualquer e, quando terminar de enchê-lo com meus pensamentos, vou colocá-lo em uma prateleira no fundo da biblioteca para que a vida faça o que quiser, assim como fez comigo. Amanhece o sol, o dia, e com ele vêm os ruídos: sobre estudo, alguém, isso e aquilo e talvez outra coisa, porém não escuto. Não passa de estática ao fundo. Em meio ao turbilhão na sala, o pensamento flui sóbrio. Tentam interromper-lhe, mas este não se permite findar, calar; ele é independente, abastado de desejo.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Há livros que chegam como um sopro delicado, e há aqueles que chegam como um estilhaço de vidro. <em>Por si só</em>, estreia literária da jovem escritora Bianca Parron, tem essa dupla face: por um lado, frágil e transparente, mas, por outro lado, também cortante e impossível de ignorar. Neste livro de contos a autora nos conduz aos labirintos de experiências limítrofes em que são abordados temas como violência, silenciamento, loucura, luto e os desencontros do amor.</p>
<p style="text-align: justify;"> A escrita feminina perfurante, direta e sensível de <em>Por si só</em> não é apenas disruptiva, mas traça rotas de cumplicidade com suas leitoras e leitores. Bianca nos conduz por narrativas intensas que se movem entre memórias, afetos e dores. Os contos nos levam a atravessar um vitral indiscreto, expondo zonas íntimas da vida cotidiana até então vedadas ao olhar comum. Suas primeiras palavras suaves, pueris, inocentes aturdem quando se encontram com os golpes inesperados do abuso sexual infantil, do delírio, da inadequação, da equivocidade dos amores vividos e das distorções de realidade.</p>
<p style="text-align: justify;">As redomas que se apresentam neste livro – todas feitas de vidro &#8211; , seja para a proteção ou para a denúncia de suas personagens, erguem-se já trincadas e frágeis. São paredes de vidro que funcionam como um terceiro cenário entre a autora e seus leitores. A cada visada por entre as trincas deste invólucro vítreo, vemos o caráter vertiginoso e desconcertante da realidade. De um jogo de luzes e sombras de uma primorosa tessitura literária, deste livro não deixam portanto de brotar imagens carregadas de um lirismo transfigurador, revelando silêncios abafados e emoções que resistem mesmo quando ameaçam se estilhaçar.</p>
<p style="text-align: justify;">Cada conto pode ser aqui lido como uma pequena redoma de vidro em que se abriga uma experiência intensa, guardada em segredo, até o momento em que o vidro se estilhaça e começamos a suspeitar do que realmente vemos.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Por si só</em> anuncia assim a escrita de Bianca Parron como parte de uma nova geração de escritoras brasileiras que se arriscam a narrar o que muitas mulheres não conseguem ou não podem falar. Assim como outras vozes emergentes da literatura contemporânea brasileira, a autora paranaense traz com esta obra inicial a afirmação de uma potência literária capaz de tocar quem se dispõe a atravessar as redomas que envolvem as nossas histórias malditas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Profa. Dra. Regiane Collares</strong></p>
<p>Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Cariri</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Um coração azul infinito</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/um-coracao-azul-infinito</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Jan 2026 11:44:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[pois se sou míope
e só enxergo o que me cabe
nas mãos
pelo que toco
e aproximo,
e que de novo
assumo
me faltam os horizontes
sem embaçamento
até das grandes verdades
ás vezes só chego
na intuição]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Um coraçã</em><em>o azul infinito</em> é uma obra para quem deseja não ser sozinho dentro da própria solidão. Rodolfo Hipólito oferece uma brecha segura no tempo para preservar diálogos genuínos com os leitores, transitando entre a delicadeza do cotidiano que demanda respostas e a experiência assustadora, mas aqui sempre reparadora, da vulnerabilidade.</p>
<p style="text-align: justify;">                A poética de <em>Um coraçã</em><em>o azul</em> <em>infinito</em> é um exercício de insistência que ressoa dentro de quem desejou ser invisível por medo de não ser visto. Em tom de confissão, o autor explora afetos que pedem reparos, mensagens sem retorno, a arte inestimável de não finalizar um poema, a prova de vida que é um verso. Porque Rodolfo Hipólito escreveu este livro, podemos confiar que existir, assim como a poesia, é movimento. Assim como a poesia de Rodolfo Hipólito, há dias de pisar nos cacos do que quebramos e há dias de ver o mar. Assim como <em>Um coraçã</em><em>o azul infinito</em>, a poesia está em enxergar-se parte da mesma página que recebeu a palavra do autor.</p>
<p style="text-align: justify;">                É possível que a maior beleza da obra seja a generosidade com que Rodolfo Hipólito se entrega como ouvinte de quem o lê. Ele diz: “desde criança/ sou companhia”. Por tudo isso, ler este livro é receber o amparo de ser compreendido.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Jarid Arraes</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
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		<title>O primeiro poema era o mundo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-primeiro-poema-era-o-mundo</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Jan 2026 10:04:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[o mar
é um tecido:
veste de onda
as águas.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">a poesia não está voltada a comentar a vida, é uma manifestação da vida — portanto, dela emerge, solidifica-se e se expande. mais que dar nome às coisas, a escrita poética de Juliane Nascimento amplifica nosso olhar sobre o mundo, trazendo um novo significado àquilo que nos cerca. cada verso nasce como um gesto que reinventa, questiona e transforma a realidade.</p>
<p style="text-align: justify;">os poemas de <em>o primeiro poema era o mundo</em> têm densidade, identidade, corporeidade. enxergam o universo a partir das janelas-olhos da autora como se o fizessem pela primeira vez, traçando, genuinamente, relações que subvertem o senso comum. ao escreverem a vida, não têm a falsa esperança de laçar o tempo e afagar o eterno, como já disse Conceição Evaristo, mas de criar novos sentidos para a nossa existência. o mar, a natureza, o amor, a finitude, tudo ganha forma e significados próprios, nos fazendo lembrar que escrever é também inventar vivências.</p>
<p style="text-align: justify;">no mergulho vagaroso neste livro, irremediavelmente saímos transformados: seus versos não se encerram na página; atravessam a linguagem, reverberam na pele, na escuta, na capacidade de sentir, no silêncio, naquilo que somos e seremos. como um impulso vital, este primeiro poema inaugura o — nosso — mundo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fernanda Simões Lopes</strong></p>
<p><em>editora e mestra em Literatura Hispano-Americana pela Universidade de São Paulo</em></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Assovio</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/assovio</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Jan 2026 16:51:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Há tantas flores aqui.
Eu e você somos homens que adoram jardins.
Homens que gostam de pôr os pés na terra.

Arruda e liamba derramadas sobre as nossas cabeças,
a janela aberta toda para Olinda.

Os blocos de frevo passando inocentes lá fora.

(<em>Ervas de cheiro</em>, página 23)
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“Escrever é transcender a si mesmo para chegar a ser quem se é, mas ainda não se sabe”, disse a escritora argentina Sara Gallardo. É o que faz João Pereira Vale Neto neste seu Assovio, coletânea com 134 poemas que revelam, nos seus diferentes tons e registros, uma busca incessante por si próprio, um eu verdadeiro e ainda desconhecido — do qual o leitor se aproxima e depois se afasta.<br />
Como numa dança, somos convidados a acompanhar o ritmo e o corpo dos textos: “Até que a lágrima acabe, ninguém sai dessa pista/ Dançamos juntos”, escreve João. Nesta dança, entre o mundo interno, do autor, e o externo, trascendemos com ele. Os corpos ocupam um território familiar — Recife, Olinda, Porto, ruas, parques, praças, sonhos —, e mesmo num terreno conhecido é possível se perder. Depois nos situamos outra vez: também nisso consiste dançar.<br />
Transcender, aliás, é a palavra certa para tratar de vários dos textos que você, leitor, tem em mãos. Ao eu, aqui, é permitido tornar-se outro: “virei uma górgona, passei a gostar de assustar todo mundo”; “Virei esse homem, meio bicha/ Meio máquina/ De exibir filmes”; “Eu me via como Afrodite selvagem e gorda/ Cheia de risos/ A caverna dos segredos” – são pistas dessa transcendência. Para chegar a ser quem se é, João parece nos dizer, é preciso transmutar-se em outros seres. Em Assovio, aquele que fala (estamos prestes a conhecê-lo) está em constante transformação.<br />
Também a voz de João se metamorfoseia em outro som. Ao longe, ouvimos ecos de um assovio. No poema “Busca” (que também poderia ser o título de uma seção inteira deste livro), escreve o autor: “Eu corri uma serra inteira em busca desse assovio/ E ele não estava lá/ Que estranho é gostar de alguém”. Assovio-afeto formam a caixa torácica do poema, que expande e se contrai diante dos nossos olhos e ouvidos.<br />
O dueto é retomado mais adiante no livro: “Quando precisar, assovia”. E, nós, leitores, assoviamos. Sinalizamos, sem saber por que o fazemos, que precisamos. Queremos seguir a voz, transcender com ela. “Sim, quero que cada leitor receba esses poemas secretando algo”, deseja João, a certa altura. E por diferentes que sejam os segredos, a depender de quem lê, nós os escutamos e lhes damos nossa própria forma. É também isto que faz a poesia: devolve-nos a nós mesmos.<br />
Agora abra esta caixa de sapatos — imagem que percorre todo o livro, indício daquilo que coletamos, guardamos e escondemos — e veja o que tem dentro dela. Seja por um instante o eu e o outro. Apaixone-se, se possível. Porque o Assovio de João é sobretudo sobre isto: o percurso de um amor.</p>
<p><strong>Leonardo Piana</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Não-contida</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Dec 2025 16:09:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[as retinas faíscam
com o ar pesado de refrigeração interna

na boca
um sabor de madrugada
quatro da manhã
pálpebras piscam
durante o sonho
dos curtos fartos dedos
os teus cachos dedolissando
contrariando os pés carecas
reféns do teu
desmando

&#160;

<span style="color: #ff0000;">O livro está em pré-venda até 16/01/2026. Os envios serão posteriores a essa data. </span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Muito se busca pela inspiração, pela metafísica que moveria a caneta, pelo insight. Nesta verdadeira caçada pelo raio de luz que pairaria sobre o papel (ou que se transfiguraria pela tela), muros elevam-se. É o cotidiano com seu pesado martelo, é a questão mental impondo dúvidas, é economia, é lágrima, é noticiário, é grito abafado, é tudo, mais um pouco, mais além. Conteúdos misturados. Em nome dessa amálgama de experiências, <em>Não-contida</em> traz o primeiro esforço, iniciado em dezembro de 2023, de exprimir as sensações e vivências diante de obstáculos, tanto geográficos quanto subjetivos. É uma obra que expressa o empenho de registrar e analisar o mundo como mulher do sul global, do norte do Brasil, cercada por paredes, por fronteiras, por representações. Ao longo do livro, dividido em quatro partes, os textos inicialmente reinterpretam narrativas nortistas e aspectos naturais dos estados do Amazonas e de Tocantins, dois pontos distantes entre si no mapa e que, ao mesmo tempo, compartilham semelhanças. É o olhar de uma manauara situada no caos metropolitano e exotizado, começando com uma relação entre dois amantes que não se compreendem em seus discursos, e trazendo os caminhos de uma escrita ainda a se descobrir com pesquisa, com reelaboração após partidas, términos. As linhas seguem, refletindo sobre vontades e desejos enquanto flertam com outros corpos, outras estórias pessoais. É perceber-se fragmentada nos fragmentos do agora, enquanto bloqueios de anos não voltam a assombrar. É substantivar a persona, desobedecendo a norma culta do uso do hífen para, na desordem, criar um corpo fora de ordem.</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Casa de retalhos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/casa-de-retalhos</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Dec 2025 18:11:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[o homem que eu amo
largou os ombros em mim

não sei dizer o aspecto
noturno e fálico amante
aparento soar
nuances de raiva
no meu curto vestido preto

quero largar a pele
seca em vaso fértil
ou num cálice
de vinho tinto

&#160;

<span style="color: #ff0000;"><strong>O livro está em pré-venda até 16/01/2026. Os envios serão posteriores a essa data. </strong></span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Entre memórias e poeira de cômoda, o lirismo que emerge dos poemas de Déborah Bacelar opera como uma experiência de retorno ao peso dos dias. É como se o conjunto de poemas nos lembrasse de que, sim, a casa também comporta borrões e fragmentos inexatos.</p>
<p style="text-align: justify;">Tais lampejos incompletos dão, paradoxalmente, contorno às imagens que transmitem movimento. Aqui, a casa é parte do próprio corpo, duto da experiência diária. Neste recinto, retalhado com tamanha lucidez, há um sujeito lírico que, como arqueólogo à cata de vestígios, assume duas notáveis posições.</p>
<p style="text-align: justify;">De um lado, questiona os papéis de gênero que limitam ou impossibilitam a permanência de figuras femininas na mesma medida em que experiencia o desejo, a recusa e a ousadia diante de estruturas sexistas e limitantes: “uma cadeira/ espaço de muita vida/ cabe um céu de pedra [&#8230;]/ só não as carolinas”.</p>
<p style="text-align: justify;">De outro, no mesmo tempo em que narra, estende as mãos àquelas fraturas que se alargam nos quartos ou na nossa consciência alvejada, seja ao ansiar a inexistência do outro, seja ao reconhecer a própria culpa diante de um delito.</p>
<p style="text-align: justify;">As situações descritas e representadas pela poeta, nesse sentido, tecem um fio que conduz o leitor a uma compreensão divertida e acrobática em relação às diferentes subjetividades, por meio, inclusive, de inteligentes alusões e alegorias. Há, ao longo dos textos desta <em>casa de retalho</em>s, um exercício constante de alteridade.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p><strong>Douglas Laurindo</strong>, professor e poeta</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Breaking and entering</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Dec 2025 14:53:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[a bandeira
da libido da minha casa
a bandeira da libido
da minha casa
a bandeira da libido da minha casa]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>quero escrever um poema coxo/ baixa literatura/ alto-mar</em>. Essa é uma das pequenas poéticas que Jorge Castro nos apresenta. Uma poesia que se quer manca, suja, permeada pelos baixos corporais e pela imundície da vida mundana. Mas, até ali, onde a vulva, o pênis e o mijo são, à primeira mirada, signo do nojo e da aversão, surge também a busca do inefável, do brilho fugidio presente no êxtase do orgasmo. Nesse transbordar-se palpita a linha tênue que separa o prazer e a dor inenarrável, a explosão da vida e o aniquilamento da morte. Não à toa a mesma poesia, que se anuncia baixa, almeja à grandeza do alto-mar, quer brincar com o perigo de aventurar-se pelo desconhecido.</p>
<p style="text-align: justify;">A profusão de imagens inesperadas — <em>a esperança bamba/ da gota de sêmen</em>, o <em>homem-boto sem memória</em>, <em>as mangas verdes/ comidas com sal/ e sexo</em>, o <em>seio/ banhado de poeiras cósmicas/ apanhado de jocastas enfermas</em> —, orbita uma das constantes da poesia moderna desde Baudelaire: a busca da beleza na feiura, da musicalidade no horror. Aí, ladeiam-se o <em>golden shower</em> e a <em>água mais pura do mundo</em>, os<em> pés talhados por Michelangelo</em> e os pulmões tísicos de Egon Schiele. Algo desse jogo com a quebra de expectativa do leitor aparece já no título do livro: as metáforas em questão tentam arrombar as portas do imaginário e entrar com tudo. As palavras de Castro invadem, impõem-se com violência e ternura.</p>
<p style="text-align: justify;">Trata-se, ainda, de uma poesia eminentemente urbana, que, como as <em>pessoas</em> que <em>se acumulam/ nas terras do araçá</em>, vive da sobreposição dos detritos e fragmentos que se encavalam nas ruas da cidade. O mundo aparece implodido entre pedaços de Caetano Veloso, <em>Casablanca</em>, Waldick Soriano, Drummond e da arquitetura de Lina Bo Bardi. A abordagem caleidoscópica do real ecoa, em primeiro lugar, as contradições da colcha de retalhos que são a cultura e a sociedade brasileiras de maneira geral. A manifestação máxima desse movimento é a cidade de São Paulo, com seu traçado bruto e revestido de ruínas, obras e concreto. Ao mesmo tempo, porém, há algo de universal nessa urbe contemporânea, morada do profundo desconsolo com os rumos da contemporaneidade, essa que promete o futuro mas entrega apenas a expectativa do fim dos tempos.</p>
<p style="text-align: justify;">Nem por isso desaparecem as possibilidades de diversão e prazer nos meandros da melancolia: o presente se mostra veloz e implacável, mas esse eu lírico é sagaz, ácido, cachorrão — é mastigado e cuspido pela cidade e pelo tempo, mas acha a mordida e o cuspe sexy, tem tesão em chafurdar-se, cai atirando. O mundo em que vive é desesperador, mas o poeta afirma: <em>quero preservá-lo/ como uma bela memória/ de um certo/ amargor</em>. Bebendo na fonte da poesia insólita de um Roberto Piva, bem como na irreverência dos pós-tropicalistas dos anos 1970, aí está a força da linguagem de Castro: <em>até do oco/ brota som</em>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Rafael Paccola</strong></p>
<p>setembro de 2025</p>
<p><strong> </strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Poemas, desalinhos e declarações de amor</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Dec 2025 11:09:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[“chove agora
Chove agora
Pés frios e nada de bolinhos
Pouca coisa sob controle
Preciso te dizer:
o carinho faltou
o tesão murchou
— como uma margarida que não se rega há dias
E, para dizer a verdade,
gostei de mais espaço na cama
Vai ver
o prazo de validade do nosso amor expirou
azedou
— tal qual aquele iogurte abandonado há dias na geladeira
Para evitar mal-estar, prefiro jogar tudo fora
Não há mais o que pensar
Nem nada a reciclar.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Há livros que tocam a mente e há os que tocam a pele. <em>Poemas, desalinhos e declarações de amor</em>, da minha querida amiga Tamara Amoroso, é desses que a gente sente na carne.</p>
<p style="text-align: justify;">Ela escreve com o corpo todo. Com as mãos, o ventre, a boca, o silêncio. Cada poema é uma confissão vestida de coragem, uma lembrança com cheiro, uma saudade que pulsa. Tamara não descreve o amor: ela o encarna. Mostra o que resta dele: o gozo, o enjoo, o arrepio, o desencaixe, o retorno a si.</p>
<p style="text-align: justify;">Este livro faz a gente se olhar no espelho sem filtro. É reconhecer, no espelho da outra, as nossas próprias contradições: o querer e o não querer, o prazer e a culpa, o poder e a entrega, a liberdade e o medo de estar só. Ela escreve de um lugar que é feminino e feroz.</p>
<p style="text-align: justify;">O sexo aqui não é só desejo: é pensamento. É pela carne que ela entende o mundo. Pela escrita, devolve sentido ao corpo, ao amor, ao tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">Tamara escreve sobre o que toda mulher já sentiu, mas poucas tiveram coragem de dizer. Faz isso com uma linguagem que é dela: crua e lúcida. Terna. Irresistível.</p>
<p style="text-align: justify;">Este livro é um convite. Um chamado para habitar o corpo e a alma com presença. Para lembrar que ser livre também é se contradizer, se despir, se recompor.</p>
<p style="text-align: justify;">Tamara nos lembra: amar é um ato político. E sentir, um risco necessário.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Ana Luisa Neca</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Navalha</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Dec 2025 12:35:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[[eras mãe]

eras mãe,
tecestes uma teia em diversos nós,
cuidadosamente apertados,
fizeste presa tua própria cria
mataste tua prole,
penduraste em praça pública,
enredou outros em tua trama,
em nome da faz justiça,
por fim deu-se conta:
o mal dirigido aos outros ricocheteou,
feriu-te a ti mesma,
mortífero]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;búfala</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>reordenei quase tudo</p>
<p>(internamente)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>perdi a inocência da infância</p>
<p>(presa na fotografia três por quatro)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>perdeu-se também certo idealismo</p>
<p>(sobre o comum e sobre o humano)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>aprendi a resolver boa parte das coisas ficando imersa nas águas</p>
<p>(para regular a temperatura interna)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>cresceu sobre a pele uma couraça</p>
<p>dura e flexível,</p>
<p>extensa e firme,</p>
<p>fiz-me assim: búfala.”</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>TRANSpassada: versos cortantes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Dec 2025 12:06:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[retornei e recebi um obrigado
uma semana distante
eu que agradeço
desobrigada

abrigada

amada]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em TRANSpassada: versos cortantes, a poeta Gianni Gomes corta disfarces, fatia mentiras. Afiada, espalha a fúria guardada “no fundo da despensa da cozinha” — e na alma — sem economizar palavras, sem subterfúgios. E se liberta de qualquer máscara. E se declara uma “desmorta pós-antropofágica”. E se apresenta viva. E (sobre)vive. Com o olhar apurado de quem sabe enxergar “as roupas das mentiras” e escolhe se despir dos privilégios e de toda e qualquer máscara social, Gianni apresenta o seu calvário, a sua cruz àqueles que buscam uma poesia sem floreios. Queima toda a farsa e faz questão de espantar as chamas. Para longe. Compartilha com os leitores as consequências das suas escolhas, sem qualquer receio, sempre certa do que quer e deseja. Gianni é firmeza, ainda que o mundo ao redor tente lhe desestabilizar; é feita de base sólida, pois inclina, mas não quebra, ainda que fale de sofrimento, de recusas, das adversidades e da solitude. O que sangra, cicatriza. E TRANSpassada é dor, cicatriz, coragem e, principalmente, libertação.</p>
<p style="text-align: justify;">
<strong>Içara Bahia</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Em algum lugar a natureza está a descortinar um mundo sem nomes</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/em-algum-lugar-a-natureza-esta-a-descortinar-um-mundo-sem-nomes</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Dec 2025 11:57:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[É possível que meu estômago
esteja cheio de pedras
é possível que minha boca
mastigue rochas e paisagens
e se engasgue com as nascentes
eu cozinho todos os animais
e faço das árvores meu desjejum
ainda é possível
ou absoluto
que minha fome permaneça]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>A verdade </em><em>é</em><em> dura como o diamante e fr</em><em>á</em><em>gil como a flor do pessegueiro</em></p>
<p style="text-align: right;">Gandhi</p>
<p style="text-align: justify;">A arte é poderoso conduto para transcender a mente rumo ao silêncio criador. Sendo ferramenta potente, também oferece risco ao desvio de um imaginário sem norte.</p>
<p style="text-align: justify;">Em algum lugar a natureza está a descortinar um mundo sem nomes, a &#8220;reabsorver as circunstâncias como quem absorve o calor do fogo, como quem não tem outra opção&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Luiz Frazon nos desperta com gentis pontos luminosos de integração consciente com a Mãe Divina: a natureza. Apontando o caminho real sem se furtar ao agridoce sabor do mundo manifesto.</p>
<p style="text-align: justify;">Adentre com amor e poderá desfrutar da busca, companheira de trilha que, ao pousar na clareira para o descanso, encontra enfim o expansivo silêncio da alma.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Léo Mathias</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>História das sombras do monte</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Nov 2025 09:59:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O meu berço foi um sobreiro enviesado
que me acariciou o seio inanimado.

Eu, ruína de um monte,
perene ao tempo, espero.
Trago por manto a geada e nuvens,
esburacado o teto.

As ovelhas que passam
alimentam-se das ervas
que me crescem nas paredes.

Depois, muito gordas
a comer bolotas,
que me decoram o chão,
rebolam pelos campos
e transformam-se em cadáveres.

Assim sou eu. E as ovelhas
réplicas sombrias de mim.
Morro com elas.

(<strong><em>Primeira sombra que foge ao sol</em></strong>, pág. 31)]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Na pele e no corpo de Madalena Maria, encontramos uma mulher que é todas as mulheres. Nas sombras que são a pele e o corpo que restam depois do desfazer dos seus sonhos, o destino possível de que toma posse, encontramos a escuridade cuja travessia é tantas vezes cruel, tantas vezes inevitável, tantas vezes transformada em algo outro. Um lugar novo de existência e de criação. Um tempo, ainda assim, luminoso.<br />
Na resistência serena e silenciosa de Madalena Maria, encontramos a história da face feminina do mundo, arredada de decidir sobre si e sobre tudo o resto. Arredada da importância que lhe é devida pela medida do seu número, da sua força, da sua vontade, do seu direito.<br />
“Os homens não gostam de futuros fugidios que pressagiem destinos livres de medos”, diz o poema, que é parte de uma história que conta uma vida que são muitas vidas e que reclamam uma igualdade e uma liberdade que respiram na ausência de medo. Respiram de pés descalços enterrados no pó, de solidão assumida, de cabelos revoltos e de desfazer de ideias feitas. De gestos corajosos, no trabalho como no amor. De compaixão e de sobrevivência, de pensamento e de exaltação.<br />
A escrita da Lúcia Vicente traz os sentidos colados ao chão, na escuta e na sensibilidade do pulsar da luta pela dignidade de todos os seres humanos, pela existência em respeito, paridade e liberdade, horizontes verdadeiros que aqui se apontam no fim de um caminho percorrido em ficção e em poesia. Porque as palavras têm o poder de tocar a alma de quem as lê ou escuta, de quem se deixa transformar. Têm o poder de partilhar a sombra e a vida de outras árvores, de partilhar a luz de outras estrelas e de abrir novos caminhos. Porque as palavras são impossíveis de destruir: metade sombra, metade sopro, metade sonho.<br />
Hoje, como em cada momento da História em que as ameaças rosnam perto e as conquistas parecem prestes a sucumbir, o testemunho em revolta e afronta de Madalena Maria é ainda mais importante. Porque nos embrulha as entranhas e nos faz cerrar os punhos. Porque lhe reconhecemos verdade. Porque olhamos à nossa volta, observamos e escutamos e lhe reconhecemos ainda mais verdade.<br />
Entre pó que se solta da terra, estendendo a foice às hastes de trigo, ou na frente de um caderno, estendendo as palavras ao verso, personagem e criadora, inspiração e narrativa, unem as vozes que interpelam quem as lê. Convocando a força ancestral de mulheres tão comuns como extraordinárias, convocando-nos a nós também, a escrita da Lúcia Vicente ganha pele sensível e corpo concreto. Deixa de ser sombra, passa a ser vento.</p>
<p><strong>Raquel Patriarca</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>A história de uma artista e poeta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Nov 2025 14:53:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Tentei escrever a realidade
assim que eu capturei
um fragmento seu,
não era mais realidade
era um poema,
não sei falar da realidade
ela não me cabe.
Sou mais irreal que meus sonhos
sonho com a irrealidade
que tentei escrever]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em seu novo trabalho poético, <em>A história de um artista e poeta</em>, através de uma linguagem afiada e afetiva, a poeta fluminense Marques Brites demonstra estar em uma investigação sobre o ofício do poeta, como em “Boombap”, onde paira uma pergunta intrigante e direta, “Qual a utilidade do poeta?”, que converge com a exploração de um eu ao afirmar posteriormente, “Linhas vazias e silêncio nunca me incomodaram”.</p>
<p style="text-align: justify;">Ela nos convida a ser espectadores e participantes de uma jornada de autodescobertas e descobertas multiculturais sobre um tempo e espaço real e imaginado que cerca a existência de um artista e poeta, um criador brasileiro surgido graças a tantos operários das artes que, mesmo com tantas dificuldades, se propõem a permanecer no constante estado de busca que a arte muitas vezes demanda.</p>
<p style="text-align: justify;">Para a criação de um mundo lúcido e lúdico, dividido em dez partes que aparentam linearidade à primeira vista, a autora conta com contribuições em um jogo apurado entre referências e homenagens, ora visíveis ora sutis. Como no poema “Piano cansado”, dedicado à compositora Carol Brites, e também transitando entre poetas como Murilo Mendes e Manoel de Barros e rappers como Racionais MC’s e BK’, que deságuam em versos inquietantes como “Dentro de mim há outro eu/ dentro do outro eu há mais de mim e se entrar mais/ não saio”.</p>
<p style="text-align: justify;">Por fim, tomando emprestado o verso de Manoel de Barros que diz “No descomeço era o verbo”, a poesia de Marques Brites é uma brincadeira com o contraditório: ao mesmo tempo em que atravessa e transcende a realidade, não se esquece que é transpassada pelo dito real e nos faz caminhar por suas paisagens criativas como se lêssemos uma fantasia ou ouvíssemos uma playlist diversa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Freitas de C. Silva</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Aqui é um bicho</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/aqui-e-um-bicho</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Nov 2025 13:18:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[não te interessam as palavras
mas a mim muito me importam não fossem as palavras
eu aqui não estaria]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Todos nós sabemos que há um bicho no peito. Cada um carrega o seu próprio, mas, neste <em>aq</em><em>ui é </em><em>um bicho</em>, de Vinicius Medeiros, ele rói, dança, esgarça e rompe a materialidade do corpo e quaisquer sistemas de classificação. Ele não fala a “língua humana”, apenas sabe roer, e talvez por isso ainda não tenhamos a total capacidade de ouvir o seu “silêncio verbal”. Mas é preciso estar atento.</p>
<p style="text-align: justify;">Todo este livro é sobre a palavra, sobre as suas insuficiências, as suas dificuldades de ser pronunciada, a sua demora em chegar até nós. É um gesto que percorre boa parte de seus poemas, sobretudo os metalinguísticos, nos quais o poeta medita sobre o próprio ofício da poesia. Ensina-nos que o “não dito” não padece quando é dito — antes, está sempre à procura de uma palavra. A poesia é isso: a busca incessante pela palavra, mesmo que ela escape por entre os dedos da inteligibilidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao lado da palavra, o amor — e, sobretudo, o amor entre dois homens – irrompe nos poemas, resistindo aos medos e disfarces impostos pela homofobia, mas também é mutável, perecível e não cabe em coisas tão breves como um “te amo”. Em flerte intertextual com Carlos Drummond de Andrade (além de outros autores, como Caio Fernando Abreu), na “quadrilha” amorosa de Vinicius Medeiros ninguém sabe responder o que é o amor.</p>
<p style="text-align: justify;">É também o tempo que atravessa <em>a</em><em>qui é </em><em>um bicho</em>, que mostra o quanto o mundo é feito de tempo — aquilo que é, que foi, que será e que poderia ter sido. Calculável, mas impalpável, ele irrompe no ritmo dos versos, nas sonoridades que dançam na boca ao passo da leitura, acompanhando a semântica da própria vida — ora ligeira, ora vertiginosa.</p>
<p style="text-align: justify;">A homossexualidade é questão patente. Nele, sabemos que se aprende o “não gostar” antes do “gostar”; sabemos que “gay” é um nome que pode carregar outros nomes — muitos deles não foram cunhados por nós. Mas é preciso ir além: considerar este livro como “temático” é limitar as suas possibilidades de leitura e toda a capacidade de alteridade inerente ao ser humano.</p>
<p style="text-align: justify;">Vinicius Medeiros desponta na literatura como nome que merece ser lido e relido. Estreia na poesia com <em>a</em><em>qui é </em><em>um bicho</em>, provando que forma e conteúdo podem (e devem) caminhar de mãos dadas — algo um tanto raro de se ver por aí. Com ele, aprendemos que “a palavra é nosso/único-último recurso” e que, se “não fossem as palavras/eu aqui não estaria” — e nós também não.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p><strong>Leandro Noronha da Fonseca</strong></p>
<p>Jornalista, pesquisador e doutorando em Estudos Literários (Unesp)</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>A contrapelo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-contrapelo</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Nov 2025 12:55:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[minhas costas no arranha-céu,
rendidas ao cabernet sauvignon
a boca latina tomou uma taça de malbec
e dois dedos da minha mão
minha testa se perde no seu esterno
minha testa se encontra no seu umbigo
o externo não há.
cogimos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">a contrapelo, tudo está dado ao encontro, as pessoas, a cidade, as ruas. Olhando o tempo no fresco da conversa, na memória revivida, na cena vista de cima.<br />
O convite que Leidiane Lima nos faz é tecer, desde o fio como criação até a costura como conserto. Os textos em forma-poema contam de amar: o ato, a tentativa e vontade, os corpos quentes, sabida de que os encontros guardam despedidas e se despedindo.<br />
No jogo íntimo com a língua, as palavras em torções dançarinas chamam o corpo ao baile, fantasiam imagens saborosas e as entregam a quem lê.<br />
pode ser que a palavra crie pernas e saia por aí&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">
<strong>ana silva</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Amor, parto, faxinas e outras alquimias</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/amor-parto-faxinas-e-outras-alquimias</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Nov 2025 12:09:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Tenho um deus alto.
Pra alcançar, preciso confundir esforço com destino.
sofrimento particular/colonizações continentais
Ando olhando pra cima na fé de que ele ainda me peça desculpas.
E em nome desse capricho,
perco algumas unhas.
No unguento, encontro meu outro deus.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Giulia Esteves é o que chamo de Pessoa Portal: a gente encontra e passa para outra etapa. Também em sua Poesia, há provocação com delicadeza e honra pelo Encontro em sua Sacralidade.<br />
Adentrar <em>Amor, partos, faxinas e outras alquimias</em> é se soltar em um rodamoinho de milhões de sinapses até a entrega de um brilho no olhar, de uma quietude barulhenta ou de um sorriso.</p>
<p style="text-align: justify;">Lendo suas “brotações”, fiz de suas imagens espelhos de algumas de minhas sagas; e, quando não me vi, ainda assim respirei amplo e luzes se acenderam em mim.</p>
<p style="text-align: justify;">É transformador me saber “acometida pela deselegância da impotência”, e, deste lugar aparentemente conclusivo, seguir criando outros Caminhos, ainda em busca da tal da Pedra.</p>
<p style="text-align: justify;">Este é um Livro que convida e convoca: somos Alquimistas!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Yolanda Freire</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Psicoterapeuta junguiana</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Escravidão do silêncio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Nov 2025 11:55:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[“minha mãe nasceu no barreto
foi criada pelos avós
com quem aprendeu
proferir bênçãos
e maldizeres

minha mãe cresceu no barreto
quarou e passou
muita roupa
capinou quintal
limpou chão cuspido

minha mãe saiu do barreto
atravessou a ponte
colocou em prática
aquilo que sua tataravó
trisa
bisa
avó
haviam lhe ensinado

minha mãe viveu no barreto
e reproduz em outros espaços
os mesmos serviços
a mesma mudez”]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>uma poesia que é mistério e encantaria</strong></p>
<p>desde que os povos africanos foram sequestrados e trazidos como escravizados para as Américas, opera-se uma lógica colonial de silenciamento, uma violência não apenas física, que corta línguas, mas também simbólica: o memoricídio de nomes, origem, família, costumes, cultura. línguas.</p>
<p style="text-align: justify;">porém há um silêncio contra-colonial levado a cabo pelos povos escravizados e seus descendentes ainda hoje: o segredo.</p>
<p style="text-align: justify;">o segredo tem sido nossa arma de resistência, repassado oralmente, porque sabemos que a escrita pode ser rasurada, modificada, silenciada.</p>
<p style="text-align: justify;">aprendemos o segredo nos terreiros e capoeiras, nas gingas e mandingas; no samba e no pagode, no jazz e no blues, no rap e no funk; nos grafites, pixos e na poesia.</p>
<p style="text-align: justify;">e é na poesia que cassiano figueiredo não apenas mantém o segredo, como afirma na escritura o nosso poder: escreve e se inscreve.  para que ninguém mais manipule, rasure, silencie sua fala. porque só ele poderia criar esses poemas, verdadeiros ofós, encantamento.</p>
<p style="text-align: justify;">com uma linguagem impressionante, o poeta dobra a língua, assumindo ironicamente a voz de supremacistas, rememoria o passado para enfim retomar a sua própria língua, nossa língua, e dizer: venha ver o mistério, ele é escuro, é encruzilhada, e é aláfia: caminhos abertos.  uma ponta de lança no futuro-agora.</p>
<p style="text-align: justify;">entre, ouça e se deixe também encantar: axé-ô!</p>
<p><strong>nina rizzi</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Vou me juntar aos pássaros</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Nov 2025 10:01:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ainda dói lembrar das cenas
onde as cortinas se abriam
e eu desaparecia
ainda choro águas saborizadas
mas não mais ácidas
já sinto lágrimas adocicadas
rompendo o poço de águas paradas
que haviam estancado meus rios que fluem
ainda hei de chorar
mas em ritmo de dança
onde as cortinas se abrirão
revelando luzes que sorriem
pela alegria de me iluminar
sem ressalvas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Vou me juntar aos pássaros</em> é, para além de um livro, um convite, onde em cada poesia há um chamamento, um ímpeto de transformação de si e do mundo. Assim, somos inspirados a <em>cantar os compassivos hinos, que ressoam aos quatro ventos, floreando nuvens em movimento, atravessadas pelas asas despertas, que se abrem para abraçar o mundo</em>. Emanando a simplicidade que ultrapassa a barreira das pseudo-importâncias, o livro nos impulsiona às nossas páginas em branco, nos instigando a visitar o sol com as pelagens cruas e a receber a chuva com as entranhas nuas, para que, sem ressalvas e sem recortes, possamos vivenciar a extraordinária arte de simplesmente ser, e o ser inteiramente em amor. Cada poesia do livro nos toca, portanto, com a força das sementes, celebrando as ressignificações, cultivando a empatia e nos presenteando com esperança.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Me jurei nunca escrever poemas de amor</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Nov 2025 09:55:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[fui menina
mulher
tirei as camadas que me cobriam
crua
me entreguei à poesia
te entreguei a poesia
me entreguei a ti.

sei bem
não te pude dar prosa
quando desnuda sou poesia]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O livro de estreia de Lígia Villaron repousa sobre uma delicada contradição. Dividido em quatro partes (“me jurei nunca escrever poemas de amor”, “metrópole”, “percurso” e “takes”), a força desse conjunto de textos, escritos entre 2017 e 2025, nos dois lados do Oceano Atlântico, se concentra no próprio gesto de trair a frase-título. O primeiro poema termina afirmando que, no fundo, “todos os poemas são de amor”. Ao recuperar um verso já intertextual de Ana Martins Marques, o livro desnuda suas referências e demonstra seus procedimentos internos.</p>
<p style="text-align: justify;">Partindo, sobretudo, de versos curtos que constroem imagens sintéticas e, por isso, muito vivas e bastante sonoras, os poemas trabalham contradições (“como a cidade me tem/ nas pontas dos dedos/ que ela não possui”), exploram possíveis certezas (“perdi as horas/ por algum canto da sua casa/ não fiz questão de procurar”) e revelam um olhar atento para as coisas cotidianas do mundo (“se o vagão fosse grama/ os corpos orvalho/ que tombam a cada manhã”) e de si (“sou matéria/ densa/ bruta/ flutuante”).</p>
<p style="text-align: justify;">A ideia de jurar implica acreditar ser capaz de cumprir aquilo que se jura. Porém, ao escrever, certas coisas se provam mais fortes do que as vontades da autoria; há uma espécie de <em>vida própria </em>do poema que se impõe. A promessa rompida, voluntária ou involuntariamente, é a premissa aqui. O elemento que insiste em estar presente, apesar do juramento, é o tema do amor — um dos temas clássicos da poesia de que nós (essa classe escorregadia dos leitores de poesia contemporânea) frequentemente tentamos fugir ou juramos recusar e que, ao descobrir que são inescapáveis, nos tornamos capazes de ver por outro ângulo. Esses poemas de amor navegam esse confronto com maestria.</p>
<p style="text-align: justify;">Para Anne Carson, Eros — o desejo, o amor — tem a ver com fronteiras: entre o ser que ama e o objeto amado, mas também entre o eu e o mundo. Ao trilhar o percurso do livro de Lígia, constatamos o quanto fronteiras são imaginárias. Andamos sobre o meio-fio que divide uma pessoa da cidade em que habita, uma pessoa da outra. Um pé depois do outro, percorremos um caminho mais atento ao gesto, ao corpo, à escuta do silêncio e do ruído.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ana Canellas</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Me olha. Me olha de novo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Nov 2025 09:49:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[um poema talvez seja pouco
para louvar pele e pelos
para glorificar carne e gozo

mas pode ser caminho
percurso, imagem
linguagem

um poema talvez seja pouco
mas no corpo
cabe (quase) tudo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em <em>me olha. me olha de novo</em>, o corpo é o elemento central de experiência com o mundo e com o outro. A descrição física em poemas como “pele e texturas” não nos leva a padrões estéticos, uma vez que evoca o que temos em comum: a pele, o suor, as cicatrizes. Esses elementos biológicos dão liberdade a quem lê para que costure o texto de acordo com suas próprias noções de gênero e sexualidade. Assim, o eu-poético pode ser mulher, homem, cis, trans, trazendo a diversidade para dentro do poema. Essa característica insere a autora na poesia erótica contemporânea que rompe com os estereótipos da heteronormatividade.</p>
<p style="text-align: justify;">Há ainda os poemas em que a voz poética é marcadamente feminina e trazem no título nome de mulheres: “verônica”, “sabrina” e “cecília”. Neles a mulher é protagonista do próprio gozo. É ela quem orquestra os atos sexuais e sem censura. O prazer ganha a dimensão de ritual, um ato sagrado de autoconhecimento.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>me olha. me olha de novo</em> é um convite para pensar a sexualidade fora de padrões, um convite para rever conceitos e buscar o prazer à sua própria maneira, no seu próprio corpo, sem idealizações, nem de si nem do outro. É um livro que louva o corpo como ele é, além das pressões estéticas e sociais.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p><strong>Kariny Tavares Dutra</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O silêncio cheio de peixes</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-silencio-cheio-de-peixes</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Nov 2025 09:42:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Por que você faz poemas?
1. pra chatear os imbecis;
2. pra dizer a verdade como se fosse uma mentira;
3. pra dizer uma mentira como se fosse uma verdade;
4. porque gosto do liame entre o claro e o escuro;
5. porque prefiro as armadilhas;
6. porque prefiro o erro;
7. porque alguns gostam de poesia;
8. porque eu queria escrever como quem deixa uma
pluma cair no abismo;
[...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Por que você faz poemas? Se acaso um poeta escapa de responder em público a essa pergunta inevitável, toda obra pode ser lida como um inventário de respostas. Neste livro, o catálogo de motivos surge logo de início, quase como um manifesto: a enumeração urgente, oscilando entre o íntimo e o coletivo, o trivial e o filosófico, em diálogo com outras respostas célebres do universo da poesia, da canção e do cinema.</p>
<p style="text-align: justify;">A citação — o ensaio de reproduzir uma paixão de leituras, como diz Antoine Compagnon — é um motor decisivo neste livro de estreia de Luiz Felipe Riva. A conversa apaixonada com grandes poetas atravessa os poemas e se converte em matéria elementar, em que convivem o deboche e a epifania, a voracidade e a delicadeza. O diálogo com os textos de origem não se organiza como quem ergue monumentos, mas como quem deixa bilhetes nos corredores, pede emprestada a um vizinho uma xícara de açúcar sem intenção de devolver. Com a altivez de quem sabe que prepara a receita mais excelente e que todo banquete é um jogo perigoso.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao mesmo tempo, quando enumera o que roubaria, nos surpreende na coleção que monta com seu butim, e isso é tudo, na poesia. Poesia é a arte da escolha da palavra; a colisão de palavras cantada por Bandeira, as melhores palavras na melhor ordem de Coleridge, a palavra poderosa de Dickinson que, quando escrita, até começa a brilhar. As palavras que não prevemos e que agora nos são servidas de forma tão natural que é como se sempre estivessem estado ali. Um bom poema temos vontade de subir no banquinho no meio da praça e repetir tal qual: “da lua: as cicatrizes; das cicatrizes: as formas; das formas: os rios&#8230;”. Como em “Diário de um sonho que se repete” ou em “Pensamento”, as imagens se somam em mutações inesperadas, saltos líricos, deslocamentos de categorias. O poeta joga com as palavras como num pega-pega de infância, abrindo fendas de percepção e sentido. Este, um dos fios condutores deste livro: a ludicidade de pensar as semelhanças e os desvios, em um processo que nos faz reconsiderar o que é uma coisa, o que é outra.</p>
<p style="text-align: justify;">Aqui, o perigo está em toda parte, mas não paralisa. O perigo é vital. Com essa sabedoria, o eu lírico encara tudo — o amor que fere, a morte inevitável, o risco de perder (e de achar, ainda mais) as palavras. <em>O silêncio cheio de peixes</em> é um livro que arrisca, e é também por isso que lemos poesia: testemunhar a beleza de um percurso intrigante e luminoso como o desta estreia.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Moema Vilela</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Amanhã não seremos dois</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/amanha-nao-seremos-dois</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Nov 2025 21:34:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Amanhã não seremos dois é um livro breve e profundo sobre a impossibilidade de permanência, sobre o amor como início e ruína, e sobre a ausência como presença contínua. Em poemas curtos, líricos e cortantes, a autora percorre as margens de afetos interrompidos, a memória dos gestos pequenos e o silêncio posterior às palavras que não puderam ser ditas. As imagens do cotidiano — lençóis lavados, corredores de supermercado, o café que esfria sobre a mesa — tornam-se, em suas mãos, signos de uma intimidade ferida, ainda viva. Há algo de confissão, algo de bilhete não enviado, algo de poema-respiro em cada linha. Com estilo fluido e direto, Beatriz Felipe da Rocha constrói uma escrita emocionalmente madura, atravessada por linguagem poética sem ornamentação excessiva. É literatura feita com o corpo.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Existem dores que não cabem nos prontuários.<br />
Há sintomas que não se descrevem com precisão clínica, nem respostas que venham em forma de bula.<br />
Muitos dos afetos que me atravessam — e que atravessam tantos que escuto — não encontram nome nos protocolos.</p>
<p><em>Amanhã não seremos dois</em> nasce desse espaço: entre o que arde e não se vê, entre o silêncio da cidade e o ruído de um coração que insiste.</p>
<p>Não escrevo porque sei.<br />
Escrevo porque sinto, porque preciso, porque é o que me resta quando tudo o mais falha.</p>
<p style="text-align: justify;">Este livro reúne fragmentos de presença e de ausência. São textos que caminham pelas margens do afeto interrompido, da saúde mental em colapso, da memória que insiste mesmo depois da partida.</p>
<p style="text-align: justify;">É uma tentativa de fazer da palavra um lugar de cuidado — ainda que precário, ainda que provisório.</p>
<p style="text-align: justify;">Sou médica. Escuto histórias diariamente.<br />
Mas há histórias que não se dizem em voz alta.<br />
Há dores que ninguém verbaliza — e que talvez só possam ser ditas assim: em poesia.</p>
<p style="text-align: justify;">Se estas páginas oferecerem a alguém o mínimo de reconhecimento, um abrigo breve, um respiro entre os dias, então, já cumpriram seu papel.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Beatriz Felipe da Rocha</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Mulheres com vontade de comer tijolo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/mulheres-com-vontade-de-comer-tijolo</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Nov 2025 21:11:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Penélope descobre

que gozar acontece
quando o novelo de ideias noturnas
se desenrola em seus dedos cansados
que enfim encontram o encaixe
que gozar é o silêncio
quando tudo avança trêmulo
em sua cama de casal para uma:
casco rompendo onda
gozar é oceano gelado
que irrompe morno no fundo
estar à deriva e gostar
do vento que bate nas velas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Desejo de grávida? A imagem que fecha este livro são três mulheres unidas com feras ao meio de seus corpos, como se estivessem grávidas dessas feras. As <em>mulheres com vontade de comer tijolo</em> conversam com <em>A fera ao meio</em>, o livro anterior de Priscilla Menezes. Mudam de forma, transitam entre os estados sólido, líquido e gasoso, entre o animal, o mineral, o vegetal. Conversam com as <em>Metamorfoses </em>de Ovídio, mas de outro lugar. Nele, mulheres e monstros são reféns de heróis. Aqui, estar entre nascimento e extinção é o lugar do começo justamente porque não há dicotomia nem aniquilação entre seres e formas. Um corpo nasce do sal, do pó que se deposita nas águas salgadas, da poeira que se deposita nas estantes ou nas camadas geológicas.</p>
<p style="text-align: justify;">Narrar o nascimento para si mesma é nascer de novo através de outro nascimento feito de água, terra e fogo. Ler linhas da vida em mãos, ler linhas invisíveis que se tecem fora do alcance da vista é escrever essas linhas como movimento de ser gestada pela vida que habita o mínimo: ser estranha, ser entranha — há muitas formas de nascer: “Ela me devora, grávida de mim”. Nascer de um inseto, por exemplo, é ser lida por outras linhas.</p>
<p style="text-align: justify;">Ser devorada, devorar-se com as mãos: uma mulher com muita vontade nasce, erótica, pelas próprias mãos. Com uma fome insaciável, fala-se com todas as moscas dentro da boca, vira-se a mosca que entra na boca alheia. Se a poesia ocidental foi fundada por um verso que cantou a ira de um homem (“Canta, ó musa, a ira de Aquiles”, eis o primeiro verso da <em>Ilíada</em>), aqui, dar passagem à poesia é dar passagem à ira de uma mulher que passa por muitas mulheres: “canto, ó musa, a ira que é minha/ filha da minha mãe que é filha/ da mãe dela que incontáveis/ trouxe ao mundo deitada/ em sua cama de casada, cambraia e renda / mordaça na boca para não gritar”. O canto é grito chamejante, que chama e queima. Abrir a boca e abrir as pernas estão em estreita relação. <em>Mulheres com vontade de comer tijolo</em> reconectam garganta e sexo para que elas possam percorrer seus próprios buracos e viver gozando com eles, e não morrer porque são tomadas por eles.</p>
<p style="text-align: justify;">Os versos deste livro, tijolo por tijolo, constroem “uma terra sem heróis”. Quando há “algo de novo no front”, restos de guerra são poeira onde tudo ganha vida e chama brilho. Após os destroços, o que se ergue de uma ponta afiada não é senão a língua que, tijolo por tijolo, lambe o pó, a poeira, as entranhas, e diz “sobre o destino de toda estrutura: vai ter que quebrar para ver”.</p>
<p><strong>Danielle Magalhães</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>O voo da libélula nas asas do dinossauro</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-voo-da-libelula-nas-asas-do-dinossauro</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Nov 2025 20:47:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ave, café, cheio de graça,
a natureza é convosco,
bendito sois vós entre as xícaras
bendito é o sabor do vosso grão, café.
Santo café, pai do vício,
rogai por nós bebedores,
agora e na hora do próximo café.

Amém.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>Origamis</strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">A libélula pousa sobre o fóssil de um dinossauro.</p>
<p style="text-align: justify;">Frágeis, segundos dobram-se sobre si: <em>a areia dourada do outono passa na ampulheta do tempo</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Para este voo, Nima desafia a cronologia e costura versos com fios de memória. A vida aqui não conhece linha reta. Passado e presente, em espiral; DNA que guarda segredos em cada uma de suas voltas.</p>
<p style="text-align: justify;">A eternidade mora nos detalhes: borboletas aninhadas em órbitas vazias, urutau que canta a primeira palavra pronunciada pelo vento. Saturno e suas 145 luas brilham neste quintal.</p>
<p style="text-align: justify;">Com 35 composições, a obra articula uma delicada arqueologia do instante; paciente, a poeta escava silêncios, até que flores raras <em>paridas ao sol</em> arejem <em>o sufoco, a dor, o pó</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">O caminho é por poemas breves, haicais, cânticos e preces — desenhos no ar, recitativos de pedras. Percorro a rota entre o efêmero e o eterno, até chegar à casa. Vejo sua varanda ocre, o ocaso sobre a mesa ainda posta. Sou a convidada que chega tarde demais para o café da tarde?</p>
<p style="text-align: justify;"><em>A vida no corpo, na terra, é passagem, fecunda, nada escapa ao seu arrepio</em>. O livro termina onde o tempo recomeça. A manhã ensaia mais um retorno, rosa obstinada, poesia que se recusa a morrer.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Adriana Aneli</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Microfábulas ou poemas disfarçados de animais</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/microfabulas-ou-poemas-disfarcados-de-animais</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Nov 2025 12:53:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Rosa Maria era uma gaivota. tinha uma mancha vermelha na ponta do bico, provavelmente de ketchup do McDonalds. Rosa tinha uma predilecção por restos dessa cadeia americana de solas de sapatos. e achava que lhe ficava bem aquele apontamento impressionista no bico. imaginava-se uma sufragista do início do século XX e as asas cresciam-se-lhe além das nuvens. sempre pensei que não há gaivotas macho. continuarei a pensar assim.

<strong>(<em>Gaivota</em>, página 24)</strong>
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Escrever para ser livre, ser livre para se escrever como e onde e com quem se quiser, é privilégio de poucos em tempos como estes, cheios de espartilhos obrigatórios, na vida, nos dias e, naturalmente, nas literaturas e dizeres. A escrita de Francisco Coelho Neves é um acto de rebeldia do princípio ao fim, e ao mesmo tempo, um gesto de intimidade com tudo aquilo que habita em nós e não nos atrevemos a partilhar. Como o elefante de Van Gogh que se esconde atrás dos girassóis, em microfábulas. Como Adélia, em livro do futuro, oriunda de parte nenhuma e, no entanto, prima do homem ruivo de Daniil Kharms, irmã de um rinoceronte muito Ionesco, comadre de uma tisana de Hatherly. Ler estes micro-contos é como exercitar o cérebro a sair fora da caixa, fora da matemática, fora dos dias que nos obrigam a deixar de sonhar.<br />
<strong>Patrícia Portela</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Um whiskey com duas pedras, por favor.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Nov 2025 10:38:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[se em vez de dormir estivesse caída
a posição horizontal como queda
acordar seria vitória
o despertar um ato de resistência
cada dia construção
o futuro principia no colapso.

(página 61)
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>um whiskey com duas pedras, por favor., o primeiro livro de poemas de Irina Chitas, contraria a ligeireza com que a poesia circula hoje. Ao mesmo tempo, torna-se irresistível o desejo de sublinhar todas as frases, de as repetir a alguém, de as não esquecer. Os poemas habitam o quotidiano e o desvio, a loiça por lavar (“aqueles restos de tomate que têm restos de nós”) convive com os grandes temas do mundo — o amor, a morte, a solidão —, palavras encostadas umas às outras como ténis ao lado de livros. “Se calhar o amor é isto. as minhas palavras aos teus pés”. São poemas curtos, poemas longos, poemas que nos fazem dançar com a língua pelos cantos da boca, tropeçando sobre a brancura das páginas numa oralidade desavergonhada que soa a conversa interior, monólogo num registo da quase-banalidade que nunca o é, um jeito de dizer o poema com o olhar. Seria um erro resumir este um whiskey com duas pedras, por favor. como um livro de poemas sobre o amor, mesmo sendo-o em alguns dos seus mais iluminados momentos. Ao lado deles, estão outras inquietudes, reflexões sobre promessas da vida contemporânea, sonhos de revolução, recomeços sem princípios, sentimentos que não são alheios às convulsões políticas do mundo.</p>
<p>Entre o humor e o desalento, percorrer estas páginas é galgar ruas conhecidas, mas também territórios sombrios, mergulhar no passado, mas insistir em avançar. O tempo, ora cúmplice ora carrasco, deixa que cada verso se torne um impulso. Pelo meio, a cidade desenha-se enquanto as sombras dos casacos desfocados se perdem no amanhecer. “Estava sozinha em casa e escrevi. acho que é a isto que sabe a solidão. ou a liberdade”.<br />
Se há livros que desviam o curso de uma leitura contínua, há outros que ecoam de tal modo em nós que nos atingem como farpas, que nos reorganizam por dentro. E que, na melhor das possibilidades, como aqui acontece, nos fazem acreditar que “o poema é não estarmos sozinhos quando nos falta a voz”.</p>
<p><strong>Joana Moreira</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Meu medo vem de você</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Nov 2025 22:50:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[sou bixa
sou quimera
sou poeta
bento,
eu sou poeta.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Bento se foi. O nome que antes ocupava espaço agora é apenas um corpo que fecha a porta para as promessas. Ele só esquece uma coisa em casa: o luto de quem ficou e algumas cicatrizes. Meu medo vem de você é um mergulho na experiência de um homem gay lidando entre o desabrigo da ausência e a tortuosa desconstrução de uma relação tóxica. Bruno Figueredo transforma o abandono em versos que transitam entre raiva, saudade e reconstrução. Aqui, a dor não se acomoda — ela pulsa, se desfaz e se refaz, traçando o caminho incerto de quem tenta seguir adiante.<br />
O amor entre homens é retratado sem amenizar arestas, sem legitimar o injustificável. As palavras cortam, mas também costuram. Este livro é para quem já chamou por um nome que não respondeu mais, para quem conhece o peso da ausência e a luta para reinventar um espaço desocupado de si mesmo.<br />
Não é sobre Bento. É sobre quem ficou. Sobre a dor de continuar. Sobre cicatrizes.<br />
É difícil encontrar alguém que nunca tenha vivido o amor e a perda. Por isso, Meu medo vem de você te convida a atravessar esse estranho, já conhecido, intervalo — entre o adeus e o que vem depois.</p>
<p style="text-align: justify;">
<strong>Beatriz Sernagiotto</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Oceano negro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Nov 2025 15:31:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Humanos-máquina, veremos
a humanidade voltar à idade da pedra;
a pedra envelhecer
como pedra.

É o fim da morte.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>A poesia, a máquina e a metafísica </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em O oceano negro, Thales Guaracy recria a busca essencial pelo valor da vida diante dos dilemas contemporâneos, mesclando mitologia clássica, ciência e memória pessoal numa narrativa íntima e épica.</p>
<p style="text-align: justify;">Deus não é ser divino, mas o robô de inteligência artificial; a promessa de eternidade não vem da fé, mas da máquina, possibilidade de continuidade além da morte.</p>
<p style="text-align: justify;">O poema enfrenta dilemas atuais como inteligência artificial, transumanismo e risco de desumanização. No desafio da perpetuidade, viver é morrer para renascer na máquina — não fim, mas evolução.</p>
<p style="text-align: justify;">A dúvida persiste: será a máquina humana? O diálogo do poeta com a máquina, que aprende os princípios da humanidade, une indivíduo e cosmos, presente, passado e futuro num tempo indivisível.</p>
<p style="text-align: justify;">No limiar entre a civilização de carne e osso, adormecida na “cidade elétrica”, e o “ser-luz” feito de energia, ele se dirige ao “Grande Carteiro”, guardião de cartas sem resposta que coleta a informação da humanidade em “museu do sentimento”.</p>
<p style="text-align: justify;">Alternando lirismo, filosofia e narrativa, o poema mostra como, ao inventar deuses e máquinas, o homem reinventa a si mesmo — e corre o risco de se perder.</p>
<p style="text-align: justify;">Dividido em ciclos — Gênese, Civilização, Cosmo — o poema percorre da origem mítica ao futuro tecnológico, da criação dos deuses à máquina, onde o progresso ameaça abolir a morte e, com ela, o sentido da vida. Como contraponto, emergem memórias e lembranças de infância: a solução está na inocência — tanto humana quanto da máquina — que aprende pelo desconhecimento e mantém vivo o impulso do infinito.</p>
<p style="text-align: justify;">O texto dialoga com Hesíodo, em sua Teogonia, onde a poesia funda não só o mundo, mas o humano. Atualiza o gesto arcaico da criação poética na era em que ciência, tecnologia e memória pessoal tornam-se novas mitologias.</p>
<p style="text-align: justify;">Poema em verso livre e fragmentado, alterna cadências curtas e enumerações extensas, ecoando a descontinuidade da história humana, feita de saltos e contradições. Move-se como fluxo de pensamento, por vezes próximo ao ensaio filosófico, mas sustentado pela densidade imagética da poesia.</p>
<p style="text-align: justify;">No fim, O oceano negro é uma autoelegia crítica: celebra a grandeza criadora do homem, mas reconhece sua miséria. Afirma que só a poesia pode dar sentido ao universo inventado; ao recusar a explicação, oferece ao humano — ou humano-máquina — a chance de resistir ao vazio.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Lírios</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Nov 2025 11:59:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[deus tem os olhos lindos
o som cintilante das ninfas
a cor arabela do céu
o passo do balanço das ondas
as pegadas sonoras do ar
o leito alvo dos montes
a súplica profunda do mar
o desenho do arco sob o véu
a cinza acre dos homens
os sufrágios donos do vento
um menino a chorar
a voz que canta o encontro
sua mãe
Deus tem os olhos lindos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Lírios: </em></strong><strong>a língua dos hieróglifos</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Neste intrigante livro de estreia, plasmada em porções de flores e abóboras maduras, a linguagem se contorce sob o céu quimérico da alagoana Maria Alice Ferreira da Silva. A palavra poética, isso é sabido, tem a capacidade de ecoar, em seu mais íntimo recôndito, o mistério do mundo, o princípio. Nalguns poetas, contudo, o trato com esse “segredo” da linguagem integra um projeto de escrita. Menciono, disso, um exemplo mais próximo geograficamente: a obra da poeta Ana Maria Vasconcelos, cujo trato com a linguagem se dá no campo do enigma. Escorre o enigma do litoral para o agreste de Alagoas. Maria Alice lança o verbo — ora metáfora, ora alegoria — ao encontro, tantas vezes, do insondável. Em “Antropomórfico”, por exemplo, são dois os dados tangíveis: 1. um abdômen, pelugem, visto em primeiríssimo plano (1º verso); 2. um homem deitado de bruços (7º verso). Funcionando como <em>dispositivo nimboso</em>, entre essas duas imagens, correm aquelas que contrastam desejo e culpa: a margem do rio, um ouriço enjaulado (que rosna e move os olhos), o leito de pecados, o beijo no pé do vigário. O que esse ouriço, banhado em pecado, diz sobre o cara deitado de costas? E, mais, o que diz sobre a voz poética, nessa ocasião, tão impessoal? Já em “Lírios”, texto que dá título à obra, a voz poética, embebida de amor, joga com a sinestesia: os ardores do/a amado/a soam como um “respirar de areia” e como um “craquelar de traqueia”. Qual som faz a areia ao respirar? Quando craquela a traqueia? Aqui, mais uma vez em foco, o segredo da palavra exige de quem lê <em>outro tempo</em> de recepção.</p>
<p style="text-align: justify;">Se para Octavio Paz “a imagem [poética] é cifra da condição humana”, com a rara habilidade de aprisionar a “alteridade estranha” dos humanos e das coisas, citando de Bosi em complemento, a poeta, em diferentes momentos de seu livro, embaralha e turva a linguagem, convertendo-a em símbolo, ícone. As palavras de <em>Lírios</em>, nesse sentido, jogam nos limites entre a língua portuguesa e a língua dos hieróglifos: é preciso percorrer com cautela esse poemário, atendo-se a cada um dos símbolos-imagens-ícones criados por ele.  A poeta Maria Alice dá, assim, pistas de que sua trajetória na poesia andará no encalço do mistério.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Larisse Nolasco</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Professora, poeta e mestra em Literatura pela Unicamp</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Erosão à brecha</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Nov 2025 14:41:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[para que exista no começo nosso encontro
neste poema há o vestígio:
você esteve aqui]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em <em>Erosão à brecha</em>, Nathalia Bezerra conduz o leitor por uma experiência fragmentária, na qual a linguagem se arrisca constantemente entre o vestígio e a desaparição. Nessa arquitetura da perda, seguimos o percurso da &#8220;flecha venenosa&#8221; anunciada por Alejandra Pizarnik na epígrafe do livro: &#8220;como uma flecha venenosa, contaminou-a um desejo: escrever, escrever&#8221;. E escrever, aqui, é também perder-se para o papel: &#8220;há uma fina película entre a pele e o mundo / desfazendo-se lentamente / na procura obsessiva da palavra&#8221;, diz Nathalia.</p>
<p style="text-align: justify;">Fazendo do poema um desdobramento do corpo e da memória, os poemas culminam na fantasmagoria que resta, afinal “a palavra depois de ir, evapora / não sobra rastro / do sumiço”. Este corpo, que parece estar sempre se desmanchando na paisagem, é também o corpo amoroso, numa tessitura em que o desejo evapora desde as ausências e as tentativas frustradas de nomeação. A poeta constrói seu texto na oscilação entre anseio e apagamento, em versos que recriam a experiência amorosa à espreita da finitude: &#8220;te pedi finalmente / que me olhasse / mas não sobrevivi&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Há desde o título do livro uma aposta no inacabado, no deslocamento de sentido, na recusa de uma totalidade. Os poemas, com sua dicção hesitante, vão sendo interrompidos por uma urgência de dissolução: &#8220;há na escrita o ato / de testemunhar um desaparecimento&#8221;. As imagens, muitas vezes abruptas e oblíquas, são atravessadas por silêncios estratégicos que presentificam a brutalidade dos finais. Agravando a erosão da palavra, o perigo do corte iminente confirma que não há caminho seguro no percurso destas linhas.</p>
<p style="text-align: justify;">Do atrito entre nome e o seu avesso, Nathalia Bezerra constrói neste livro um território não apenas de ruína, como também de reinvenção. Ao trazer à baila outras vozes para ressoar em seus versos, como as de Chico Buarque e Ana Cristina Cesar, além da própria Alejandra Pizarnik, a poesia passa a compor uma paisagem. Estamos, portanto, diante de um panorama que nos desafia por preferir a fissura e o rastro, por perseguir aquilo que, a todos nós, escapa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Ana Maria Vasconcelos</strong></p>
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		<item>
		<title>Saudade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Nov 2025 14:17:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[tenho poemas
que ainda não podem ser lidos

trabalho semanalmente
para que sejam escritos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Poetas e cientistas, acredito, têm muito em comum: ambos são experimentadores. Poetas precisam testar a palavra, ver seu peso, conferir se fica em pé se é jogada pra cima, observar o que acontece quando a palavra se esconde, o que é preciso pra que se desdobre em múltiplos sentidos. Antes de tudo, poetas experimentam a palavra. No caso deste livro, especialmente, isso é ainda mais forte: o que Ana Clara escreve é a poesia de uma cientista. Ela mesma diz que esse é o seu lugar de conforto, então não é de se estranhar que ela experimente as rimas, a sonoridade da palavra e o espaçamento do texto. Faz sentido que o poema seja, por natureza, um lugar de teste.</p>
<p style="text-align: justify;"> Em <em>Saudade</em>, além da experimentação em si, a poesia também se torna um exercício de velocidade e ritmo. Ainda no começo deste livro, Ana Clara escreve que são &#8220;várias saudades de um mesmo dia&#8221;, são vários ângulos pra se ver o cotidiano, pra sentir saudade. Também explica que “saudade” é uma palavra de que gosta, então, o livro se torna uma abordagem de várias coisas, inclusive a vivência da poeta, sua perspectiva, sua memória, sua saudade. O sentimento é que sua poesia não desvia os olhos de nada, mas conta de um jeito próprio, como se, tirando uma fotografia, escolhesse outros ângulos pra mostrar o que está aí, pra todo mundo ver. Aqui fica um aviso: este livro é um experimento poético.</p>
<p style="text-align: justify;">Em um dos poemas, Ana Clara escreve que &#8220;escrever às vezes é dolorido&#8221;, e eu concordo muito. De fato, nem todos os assuntos abordados neste livro são fáceis, mas se escrever é dolorido, o poema, em si, se colore. É no sotaque, na sonoridade, na poesia quase imagética, íntima, que a poeta foca sua poesia. É no enquadramento do cotidiano, o ônibus, o canteiro, a vista do prédio, o sol, e como ela mesma definiu, uma saudade é relembrar algo querido, puro e simples. Muito por isso, este livro é um convite para ler um poema, se sentar, ficar um pouquinho, olhar de novo. E, quem sabe, depois do fim, guardar um pouquinho de saudade pra depois.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p><strong>Débora Cançado</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Bom amar</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/bom-amar</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Nov 2025 13:53:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[um esbarrão
no metrô
um desculpe
tudo bem
vai e vem
de trens
e amores]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Advertência. <em>Bom amar</em> é uma experiência nada fugaz. Quem aqui entra, certamente vai se demorar. A poesia é letreiro luminoso, lirismo aceso, que não para de piscar. Em três atos, clarões e refúgios, o corpo do leitor vai sendo alumiado, abduzido por um mar de sensações. Eros incendeia com brandura cada cena poética. Ninguém sai imune. A poesia transborda, segue ventos de um doce incêndio. A autora vai elevando a temperatura das letras no mesmo compasso de cotidianos gestos.</p>
<p style="text-align: justify;">Segunda advertência. Ler é ato. Ninguém poderá alegar que não foi alertado. Fabiana Grieco cria, entre versos, a vibração silenciosa e sutil do dia a dia. Sua escrita opera nos interstícios, nas brechas entre o banal e o sub-reptício. Sem alarde, a autora age na intenção de descomedimentos. Entre vagões, paralelas, diadorins, solavancos, costuras, fechaduras, diamantes, oroboros e outros artefatos poéticos, cria enlaçamentos que mudam de lugar, descarrilham o desejo.</p>
<p style="text-align: justify;">Terceira e última advertência. Esqueça as notas de precaução. Mova-se pelo instante. A plenos pulmões, tudo pode acontecer: “a língua longa louca de desejo/ o todo enfiado”. A própria autora, uma curiosa, revela manter sua chama acesa. É um livro-provocação, precioso convite. Diante do terceiro ato, atreva-se, arrisque. Vida que segue, “o olho vai/ para não voltar”. Bom ou não, vale amar. E entregar-se.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p><strong>Glória Diógenes</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Surpresas são bem mais comuns que o tédio</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/surpresas-sao-bem-mais-comuns-que-o-tedio</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Oct 2025 12:56:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[e eu
que não ando muito normal
acabei gostando
desse tal de urutau]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">COMO NÃO AMAR(ELA)?</p>
<p style="text-align: justify;">Que surpresa boa, e que sorte, encontrar a poesia humorada e madura de Vivi Rocha!</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Surpresas são bem mais comuns que o tédio</em> não poderia ser um título mais apropriado para este essencial livro de poemas. A poesia de Vivi fala da essência de poeta-pessoa, a que explicita a urgência de dizer e nos põe em contato direto — quase corpóreo — com a essência de pessoa, a se espraiar para todas as pessoas, a se reconhecerem em subjetividades e sentimentos.</p>
<p style="text-align: justify;">A poesia de Vivi tem vários estratos. Visito uma artista-poeta, culta, autêntica, e isso faz a poesia dela saborosa para vários paladares. Ela provoca, em versos, leitores e leitoras a sentir e refletir sobre a humanidade, a partir de sua existência.</p>
<p style="text-align: justify;">Os poemas se apresentam para nós, lindamente organizados, em oito capítulos. Nestes capítulos, a poeta fala de sentimentos íntimos, intrínsecos, e, também, de cenas por ela vividas. Mas tanto esses sentimentos como as cenas parecem nossos, nos apropriamos deles espontaneamente, pela qualidade da poesia e pela intensidade dos temas.</p>
<p style="text-align: justify;">Os nomes dos capítulos, todos escandalosamente sobre o ato de amar, amalgamados, me permitem visualizar um novo poema de Vivi, a parte:</p>
<p style="text-align: justify;">“moças urbanas míopes</p>
<p style="text-align: justify;">surpresas são bem mais comuns que o tédio</p>
<p style="text-align: justify;">justo agora,</p>
<p style="text-align: justify;">cair em si</p>
<p style="text-align: justify;">essa mania irritante de escrever em rima</p>
<p style="text-align: justify;">nenhum ruído silencia</p>
<p style="text-align: justify;">escafandrista num mundo de espelhos d&#8217;água</p>
<p style="text-align: justify;">minha cama é uma ilha deserta”</p>
<p style="text-align: justify;">“Surpresas” é para brincar e ficar na cabeceira, um livro para ser visitado e revisitado como um amigo e surpreender a cada vez que lido.</p>
<p style="text-align: justify;">Escolher apenas um poema para exemplificar a força e as características da poética de Vivi é tarefa dificílima, mas o poema Amarela tem esse dom:</p>
<p style="text-align: justify;">“amarela</p>
<p style="text-align: justify;">nunca me vi assim</p>
<p style="text-align: justify;">a cor do sol não está na minha pele</p>
<p style="text-align: justify;">nunca esteve a cor da minha pele</p>
<p style="text-align: justify;">talvez não reflita a minha origem</p>
<p style="text-align: justify;">não escolhi o rótulo mas entendo a luta</p>
<p style="text-align: justify;">e de tanto entender que não era branca</p>
<p style="text-align: justify;">fui me amarelando</p>
<p style="text-align: justify;">a pouco e pouco</p>
<p style="text-align: justify;">tal como as folhas amadurecem</p>
<p style="text-align: justify;">e caem em si</p>
<p style="text-align: justify;">amarela</p>
<p style="text-align: justify;">sou</p>
<p style="text-align: justify;">por raiz</p>
<p style="text-align: justify;">por história</p>
<p style="text-align: justify;">por maturidade</p>
<p style="text-align: justify;">por entender</p>
<p style="text-align: justify;">que tenho que ocupar um lugar</p>
<p style="text-align: justify;">que é só meu</p>
<p style="text-align: justify;">amarela”</p>
<p style="text-align: justify;">E finalizo a sentir: me torno amarela por esses versos, sou amarela, geral é amarela.  Afinal o sol amarelo brilha, tal a poesia da Vivi.</p>
<p style="text-align: justify;">Aproveitemos, pois, as inevitáveis surpresas em cada deliciosa visita ao precioso mosaico de versos de Vivi Rocha, fragmentos a serem sempre renovados. E viva a poesia de Vivi que nos permite voar além!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Beatriz Di Giorgi</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Quintal</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/quintal</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Oct 2025 12:43:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[escrevo poemas para o mar
sou, portanto, a melhor das mulheres:
aquela que toma o mundo que não é seu
e torna lar]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Só depois de atravessar as fronteiras da intimidade é que se pode adentrar o quintal. Esse chão poético, tão caro a um certo Manoel, imana a meninice de alma, neste caso, de uma jovem poeta paraibana.</p>
<p style="text-align: justify;">Beatriz Tavares delineia em seu livro de estreia a percepção de dentro sobre a mudança e seu revés numa voz poética recém-saída do pé. Em três partes, as palavras convidam ao passeio por um roteiro que inicia na contemplação do <em>céu aberto</em>, chega até a <em>semente</em> e perpassa as <em>estações</em>. Além de figurar na divisão do livro, o caminho do todo ao específico indica as alternâncias do eu lírico na obra.</p>
<p style="text-align: justify;">Há versos-máximas, como: “trai aquele que acreditou/que colheria o que plantou” e “vejo-me no outro/pois sou o outro que vejo”, os últimos, dotados de um espelhamento duplo saltante aos olhos dos leitores mais atentos. Noutros momentos, prevalece a particularidade, como em <em>o passado, o júbilo e o presente</em>: “tenho vinte e dois anos/não sou um mito/e muito menos exemplar/não sei de muita coisa/mas não sou flor que não sabe brotar”.</p>
<p style="text-align: justify;">Em certos poemas, ser dos arredores pode encurtar a estrada rumo ao intento de toda boa leitura: o reparar. Reparem, conterrâneos, as cores de uma cidade acinzentada à revelia. De acordo com o eu lírico, “o progresso tem dessas/de nos fazer querer regressar”, seja à terrinha, como em <em>saudade incoerente</em>, seja à fantasia, no desfecho encantador de <em>testemunho de domingo</em>, ou até a referências grandiosas do cânone literário. O regresso na escrita da paraibana são folhas caídas em volta da árvore: servem ao solo mais do que à copa, isto é, ao contrário de incitar um retorno, geram a transformação.</p>
<p style="text-align: justify;">Beatriz demonstra em <em>quintal</em> ter fôlego para, na esteira de Alice Ruiz, Débora Gil Pantaleão, Regina Azevedo e diversos nomes de excelência na poesia, construir uma casa fabulosa no coração da literatura brasileira contemporânea.</p>
<p><strong>Naíla Cordeiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Traslado</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/traslado</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Oct 2025 13:41:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[edição <span data-dobid="hdw">bilíngue</span> – português e inglês

–

imagina silenciar os motores
as buzinas
as peças soltas que chacoalham
as portas emperradas
as instruções estúpidas
as notificações alarmantes
os anúncios
as sirenes
o som dos passos
meus e dos outros
(...)
(<em>cállete</em>, pg. 25)

<strong>–</strong>

imagine silencing the engines
the horns
the loose pieces that rattle
the jammed doors
the stupid instructions
the alarming notifications
the ads
the sirens
the sound of footsteps
mine and others’
(...)
(<em>shup up</em>, pg. 86)
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Atenção passageires, última chamada para embarque nessa viagem que abre rotas entre barcos, ondas sonoras, aviões, karaokês, caminhões de lixo, pistas de corrida e de dança — e também alcança lonjuras de pedra parada, reverberando voos silenciosos nos recônditos canteiros de si mesmo. Traslado é bordado de som e palavra, tecido em conversas e observações, sempre na abertura para o encontro. Um lembrete de que estamos de passagem e que o melhor a fazer é partilhar a jornada, aprender de outras gentes: crianças, idosos, rochas, pombas-relógio e o que mais pintar.</p>
<p>Estamos diante de um vulcão que observa, escuta, questiona, conecta, transgride, jorra e escreve. Bruna Castro escreve muito. Escreve como escape, carregando contrabando imaterial que entra nas fronteiras, infiltrado e imigrante. Ela escreve, entre lenguas, across the oceans, tecendo alas dans l’aire, encontrando gente da mesma laya, primavera nos dentes, metal e crocs no pé.</p>
<p>Em Traslado, Bruna segue a intuição das andanças e “cria a própria subtitle”. Dá a letra e nos faz chafurdar nos Ks (tenho certeza que foi ela que inventou o meme “kkkkrying”), enquanto concordamos que podemos viver sem alguns Zs, embaixo do solinho português. Na cisma, ela cava buracos com a própria língua, cria nós &amp; mezcla tudo com farinha, borrando fronteiras. Sem sutiã, pero siempre com insistência.</p>
<p>Se o narrador arcaico (camponês e viajante) de que nos fala Walter Benjamin contava histórias com a alma, o olho e a mão, em Traslado temos uma narradora artesana, tecnológica y queer feminista, de bruxismos guturais, que escreve com o labirinto, os dentes e a garganta. Ela fala, “e, como toda mulher que fala, é mal interpretada”. E então ela fala de novo (“entra muda e não sai calada”!). Ela quer ser ouvida tanto quanto um homem.E então, quando é preciso, ela GRITA. Grita do fundo da gruta, no “gozo dos prazeres que saem da garganta”.</p>
<p>É claro que neste traslado também há silêncio. O silêncio é bem-vindo, quando cala a máquina, os jet-skis, a turba das metrópoles, a avalanche incontrolável do capital. O silêncio abre brechas de espanto nas fendas das rochas. E de repente, sob o céu estrelado da praia, podemos viver de luar e sardinha, como Mariella, e de manhã mergulhar na quietude das ondas, concordando com os olhos que é demasiado “cedo para falar alto”.</p>
<p>Decantado o silêncio, podemos rompê-lo novamente, na entrega às descobertas, abrindo conversas com estranhos mientras esperamos o ônibus, o autocarro, a roupa por lavar.<br />
O silêncio se rompe nas miudezas da fala, nas diferentes estratégias de small talk e nos modos de demonstrar gentileza entre desconhecidos, matéria que Bruna Castro investiga tão bem. O que faz uma pessoa desconhecida virar conhecida, amiga, parceira? Na troca, podemos encontrar hérnias e hiatos em comum, construir vínculos, pares, comunidades.</p>
<p>“Wanna scream together?” Não há melhor convite neste traslado alto astral. A vida é finita, então toca gritar junto e aproveitar os encontros, pois pode ser que nunca nos vejamos de novo. Me joga pra cima, que te jogo também. E quem sabe, como disse o sr. Antonio: “ya nos veremos en el cielo!”</p>
<p><strong>Flora Lahuerta </strong><br />
(aeroporto de Roma, julho de 2025, depois de comer um tiramisù)</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Baleia</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/baleia</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Oct 2025 14:07:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Grafada no asfalto
em letras enormes
a mensagem nada sutil
“Mônica, te amo”

uma história de amor
como as escritas
nas paredes de Roma
Pompeia
Cajuru
ou Campinas

material arqueológico
sopra seu sopro
como enigma —

quem foi Mônica?
quem foi o artista?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Uma amoreira irrompendo a hostilidade do concreto da metrópole. Olhos, coxas, virilhas, pele, boca, tímpanos: um corpo vivo e lúbrico. Um território engendrado na violência, constituído de carne tupinambá. A natureza ativa: o sal, a pedra, os cachorros, o mar, a chuva, os fiordes de cana, o deserto. Os lugares onde a vida acontece, onde a vida estanca: São Paulo, Cajuru, Pompeia, Campinas, Roma, Itamambuca.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Baleia</em>, livro de estreia de Felipe Bier Nogueira, é um entremeado de imagens fortes e dicotomias profundas: o erótico e o ingênuo, o profano e o sagrado, o coletivo e o estritamente individual, o transcendente e o tangível, a vida e a morte, o alusivo e o literal, a memória e o esquecimento.</p>
<p style="text-align: justify;">A poesia de Felipe é imagética, sensorial, carregada de musicalidade e simbolismo. Os poemas são compostos de todas as coisas que constituem a vida, a matéria fina que molda um país e uma cidade, uma mãe e um pai, os ventos e as ausências. <em>Baleia</em> imprime no leitor a sensação de estar vendo algo que é ao mesmo tempo original e primitivo. Felipe escreve resgatando a ancestralidade das palavras.</p>
<p style="text-align: justify;">Os versos soam estranhos e familiares. E é tão bonito, que é difícil de esquecer: <em>na boca aberta do país há uma placa de pus, </em><em>rasgar convulsões aos semblantes, Brasil é máquina de moer ficções, o sol estilhaça em cosseno perfeito, os olhos vidrados de sim, moagem de chuva e sol</em><em>o</em><em>, Junho, mês dos cachorros com nomes de filhos,</em> <em>mês dos úteros soterrados de azul</em><em>.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Em um dos poemas, Felipe diz que um livro se escreve do miolo<em>. </em>E é verdade. Pelo menos no que diz respeito aos bons livros, o que, definitivamente, é o caso de <em>Baleia. </em></p>
<p style="text-align: justify;">A escrita nasce do tutano da língua. É preciso afiar a pena e escavar sem medo até o alcance da medula das palavras.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Maria Fernanda Elias Maglio</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Um selvagem, coração: poemas e máquinas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Oct 2025 14:29:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[a verdade
com todos os seus dentes caninos
limpíssimos, brancos, exemplares,
abocanha um pedaço do real
mastiga-o
deleite sem medida
engole, engole rápido antes que a vejam.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">me falta imparcialidade e decoro para uma análise crítica aproximada do que foi cuspido por mim mesmo. não tenho nada além de amontados de palavras e <em>post festum</em>. se quiserem devorá-las como costumam um hambúrguer ultraprocessado nas fábricas do palhaço ou discuti-las em grupelhos de criativos degustando um idealismo abstrato, fiquem à vontade. o melhor jeito de entender uma máquina é apertando seus botões, deslocando suas manivelas,  pensando o som metálico que urra do atrito entre o desgaste e a metonímia. os poemas são poemas e foram escritos durante três meses, ínicio de outubro ao final de dezembro de dois mil e vinte e quatro. uma máquina, para Deleuze e Guattari, <em>se define como um sistema de cortes. Não se trata de modo algum do corte considerado como separação da realidade; os cortes operam em dimensões variáveis segundo a característica considerada. Toda máquina está, em primeiro lugar, em relação com um fluxo material contínuo (hylê) que ela corta.</em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">acredito que não existem definições melhores do que a ruptura e a totalidade para representar o movimento dialético e concreto da reprodução criadora — não confundam com o conceito liberaloide de criatividade. não há nenhuma propriedade no pensamento, não há, aliás, propriedade alguma em qualquer coisa e por isso somos selvagens ao contrário dos beatos e civilizados portugueses, franceses, ingleses, que nos trouxeram o progresso e as máquinas de fazer máquinas nesta terra antes abençoada por deus. somos os filhos da invasão e expansionismo do capital. somos os filhos da revolta ascentral e originária dos povos. somos filhos dos acorrentados pela máquina de fazer açúcar. somos filhos da América Latina. é preciso, portanto, comer o coração de Rousseau e mostrar-lhe o bom selvagem.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Dicionário da xuva</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Oct 2025 14:14:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[o ventre do firmamento
origem do desespero
por vezes, um acalento
por vezes, promessa falsa
por vezes, um exagero]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Dicionário da Xuva</em> é um livro de poesia disfarçado de léxico, que convida você que o tem em mãos não a uma leitura página a página, mas de acordo com seu estado de espírito do momento.</p>
<p style="text-align: justify;">Cada verbete desmonta o silêncio em torno das enchentes, da negligência e do descaso que se repete em cidades, e vidas, alagadas. Não há consolo fácil: o livro convida você a atravessar a densa lama da linguagem, enfrentar lembranças tempestuosas e reconhecer as marcas deixadas pela água no espaço e na memória coletiva.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma leitura desconfortável, mas necessária, que lembra, acusa e, ao mesmo tempo, abre um lugar de resistência. Ler o <em>Dicionário da Xuva</em> é atravessar águas turvas… e perceber que o verdadeiro desastre não é a enchente, mas os repetidos silêncios que a perpetuam.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Camélia comete um crime</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/camelia-comete-um-crime</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Oct 2025 14:45:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[aos que escrevem por empáfia. falam mais. foda.
melhor errar. perder as vírgulas nas melhores frases
e ser inteiro um desalinho in sintagma
dois dialetos legítimos e sussa]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Mulheres fazem arte e política.<br />
Não sei quando teremos a possibilidade de fruir, apenas, falando de coisas amenas no que escrevemos, desenhamos, pintamos, costuramos, cantamos e contamos. Porque ainda não é permitido às mulheres o sossego, neste mundo, ao menos desde que se começou a contar o tempo. Fazemos arte, sim, mas precisamos fazer o lugar que nos cabe na História, essa que nos nega acento todos os dias nas ditas tarefas “do espírito”.</p>
<p style="text-align: justify;">Às mulheres tocou o trabalho pesado de gestar e materializar o que se vê. E o fazemos pelo cuidado que nos é exigido — para a além de escolha e prazer em servir de chão para a vida, como e com a maior de todas, a Mãe-Terra tão ofendida, profanada e agredida. Mas é no profundo [da Terra] que vivemos, de alguma forma, mesmo quando nos matam na superfície.</p>
<p style="text-align: justify;">Creio que é desse lugar profundo, do fundo da Alma que habita as profundezas, que vem a poesia de Cintia Luando. De vísceras nas mãos, tem um mundo gritando através de suas palavras. Pela sua poesia vemos que “deus” renasce sofrido na alma dela, de Cintia; e talvez na alma de quem a lê e na alma do mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">Boa leitura!</p>
<p><strong>Socorro Lira</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Latitudes</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/latitudes</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Oct 2025 16:39:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Somos somente o sopro
Temerário e vacilante
Que cessará breve
Ante o vendaval da história.
No entanto, o que pode restar
Desse pouco que somos
Dependerá das palavras
Que o futuro nos legar.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">É difícil dissociar da poesia a tensão que lhe constitui. Neste, que é seu quarto volume de poemas, Jonas Leite perscruta, justamente, as ambivalências que nos cercam, imergindo na dinâmica primeira que é sermos, a um só tempo, seus criadores e suas criaturas. Nas páginas deste livro, encontramos uma voz poética marcada por uma fricção de forças que deixa patente seu caráter dúbio, desde a eleição do tema que lhe serve de eixo condutor: a amplidão do mito.</p>
<p style="text-align: justify;">Se é possível afirmar que a narrativa mítica acompanha o homem desde os tempos mais remotos, carregando consigo uma verdade específica e uma potência criativa incessante, aqui, ela reafirma seu caráter atual e de perpétua construção, ao entrelaçar o sublime e o banal, o antigo e o contemporâneo, cantando “[&#8230;] para o amanhã/ com a voz do ontem”. Tudo isso numa dicção que, meticulosamente concisa, quase impessoal, confirma seu caráter humano quando vacila, desdobrando-se ora numa ironia mordaz, ora num apelo ao íntimo, mas abrindo-se sempre a um universo de reinvenções, no qual cada palavra é tomada como um espaço infindo de dúvida e revelação.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse sentido, é instigante a escolha das <em>Latitudes</em>, que dão título à obra, já que o termo, derivado do latim <em>latus</em>, que significa “largo, amplo”, corresponde à tentativa humana de, por meio de linhas invisíveis, tentar abarcar a vastidão do mundo; não seria esse, afinal, o esforço basilar da poesia, que, por meio da linguagem, busca comportar e — por que não — ultrapassar a realidade?</p>
<p style="text-align: justify;">Nestas páginas, o leitor orbitará por mitos de cosmopercepções diversas, ao lado de uma voz que guia na justa medida, sabendo sustentar a beleza do enigma, à medida que nos enlaça ao prazer paradoxal de encontrar conforto diante do abismo. Em cada verso, mais do que a contemplação do belo, temos o questionamento, a dúvida golpeando e nos incitando a manter os olhos atentos no jogo que se estabelece entre a realidade e a necessidade de fugir dela, de mergulhar no fabular e de conseguir, nesse mergulho, a iluminação necessária para melhor avistá-la, afinal real e fantástico caminham em paralelo e a poesia parece ser justamente o estalo que se dá no momento em que se cruzam. Ao percorrer mitos ancestrais, figuras tornadas míticas e os mitos pessoais que habitam seu íntimo, o leitor trilha também esse encontro, guardando consigo a necessidade de manter “O mistério/ Eterno/ De acreditar”.</p>
<p style="text-align: justify;">Em suma, estes poemas não oferecem respostas: abrem fendas. Cabe ao leitor aceitar o convite de caminhar por essas latitudes que, moventes, esboçam-se como mapa e enigma, lembrando-nos que imaginar é, por si só, uma maneira de existir.</p>
<p><strong>George Henrique</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Dentes polidos de fera</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Oct 2025 13:55:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Penso que o sexo é banal
Não me afetam olhares de descaso
Às vezes transbordo, mas sou raso
E se me inquieto: o orgasmo
Distraindo horas descontentes.

O rancor é fera de silêncios
E às vezes penso nos desfechos
Pego quatro ônibus por dia
Leio cinco contos de Moreira
Choro um choro fino de um minuto
Nada disso resta após a curva.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Dentes polidos de fera</em>, livro de estreia de Matheus Picanço Nunes na poesia, nos serve imagens cruas e impuras do desejo — um banquete para o qual garfo e faca não são bem-vindos.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao nutrir-se da poesia de Hilda Hilst, Ana C., José Régio e Augusto dos Anjos, o autor de <em>Sereia de mármore e névoa</em> arrisca-se ao revelar o quanto é tênue a linha entre o humano e o animal, entre o sagrado e o profano. O resultado é um longo santuário de sexo, gozo e perversão, ao qual o eu-lírico se expõe, levando o desejo às últimas consequências, como uma fera indomesticável.</p>
<p style="text-align: justify;">Valendo-se de símbolos cristãos para construir um repertório próprio, interessam-lhe mais os membros quebrados dos anjos do que seu brilho divino. A serpente é o sexo; o paraíso, uma sauna gay. Os dias santos são os dias da danação, quando deseja “escorrer inteiro” [&#8230;] “nos vazios de um rosto talhado/ à imagem de Deus”.</p>
<p style="text-align: justify;">Como criatura das ruas, o eu-lírico faz do sexo isca para pescar suas imagens poéticas. Guia-nos por espaços clandestinos da urbe — lagoas, banheiros, cabines, motéis — onde o corpo, constantemente febril, é, a um só tempo, linguagem e arquivo.</p>
<p style="text-align: justify;">Aqui, tanto ele quanto seus amantes são feras: mordem, lambem, caçam. De vez em quando, porém, descansa. É quando deixa de ser bicho para revelar sua verdadeira condição humana: ama, chora, adormece, lê, acalma-se ao toque dos terremotos. Até que o dia amanhece, e as feras o chamam novamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Nessa busca dolorosa por preencher os vazios, a partir do contato impessoal com homens sem rosto nem nome, o eu-lírico — um desvio no plano divino — se espanta quando se vê encarado de volta pelas ausências que coleciona. O que fazer com elas? <em>Dentes polidos de fera</em> nos convida a enfrentá-las.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ues Batista</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Memorial</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Oct 2025 13:44:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[não paramos de viver
quando o outro se vai

nem por um segundo
sequer

sequela
pós-morte

viver compulsório]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Não raro, pensamos nas perdas como um fim irremediável; histórias irrecuperáveis… mas a inevitável verdade abordada por Patrícia Cordeiro em <em>Memorial</em> é que, certamente, haverá um amanhã à espera. Mesmo que um laço se rompa ou um corpo pereça, resta sempre um resquício de vida em alguma esquina da memória ou objeto esquecido entre relações e gerações.</p>
<p style="text-align: justify;">Em uma coletânea de poemas que flertam com o conceito de morte, Patrícia legitima as dores que se escondem no silêncio e se veem obrigadas a seguir em frente quando as vivências chegam ao fim, mas que, através da palavra escrita, encontram a forma de encarar a perda do outro, do eu e dos lugares que um dia ocuparam.</p>
<p style="text-align: justify;">O<em> Memorial</em> é um monumento escrito para reflexão e celebração da sensibilidade por trás das perdas. Quando diz “a morte absolutamente não é o fim/ não é o fim/ absoluto // tantas dores que enterrei em mim/ ainda as sinto // à espreita”, a autora nos apresenta à ideia de uma sobrevida, aos fragmentos que persistem em nosso mais íntimo pesar.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Memorial</em> é uma leitura mórbida, que utiliza esse recurso para transitar entre a tristeza e a esperança, capaz de envolver o leitor em uma contemplação sensível dos dilemas de quem sente demasiado, porque “é preciso segurar tão firme a caneta/ a ponto de rasgar o papel e o coração todo em verdade // porque ninguém vive só de acertos // e na ambiguidade voraz da vida/ viver e morrer // tentando”.</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>No cerrado a árvore seca tem alma</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/no-cerrado-a-arvore-seca-tem-alma</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Oct 2025 12:42:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Eu fingi que escrevi todas as linhas
as falas, as rimas
mas o poema final
o mais importante, o derradeiro, o cabal
é todo, todinho, dela

Ela, que é mãe das mães
e mãe dos pais
mãe dos filhos
mãe de Deus
mãe maior das coisas que são
devir que devem
porvir,
para sempre]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Querida,</p>
<p style="text-align: justify;">acabei de ler este livro. Os poemas, sinergéticos, estalam a pele “em alto-relevo” e, ainda, são bons de prosa. Lê-los é acompanhar um traçado no chão de terra que escreve, na poeira vermelha, histórias do cerrado mineiro e do asfalto paulista. Histórias secas e férteis que nos afetam como “as gentes” que brotaram de lá.</p>
<p style="text-align: justify;">É bem um livro de encontros de passagens, aqui se encruzilham diferentes gerações da família, sotaques, desejos, cidades. A criança que não conheceu tristeza, mas que cresceu chorando o choro de quem lhe deu o que não teve: <em>Minha mãe começou a trabalhar / quando era criança / e não teve infância / porque decidiram que pobre / tinha mais é que sofrer</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Encruzilhada onde desembocam e iniciam caminhos, num tempo que espirala na reescrita das gerações. As vivências pessoais se revelam em sua amplitude social: na experiência coletiva do controle e da normatização do desejo. O livro é um exercício para: <em>aprender a se apropriar / a fazer o usucapião do corpo expropriado / </em><em>é reaver o si que  </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>[sabe</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>[sobre</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>[viver</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Diz dos não ditos, do tio bixa, melhor pessoa do mundo e assunto proibido a quem restou gozar na mingua e olhar pelos próximos. Com a benção de Exu – que acertou o pássaro ontem com a pedra que lançou hoje –, esse amor discriminado, feito doença, foi quarado ontem, pelo gozado hoje no entre de duas mulheres amadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Um passado que se completa agora, na herança recebida, e que se faz futuro pela herança escolhida. Mesmo quando a depressão espreite à porta como um parente com quem se divide a casa. <em>(&#8230;) porque a correnteza das vidas que ocupam a gente desde cedo / faz o corpo querer desaguar</em>. São muitos os versos que marcam.</p>
<p style="text-align: justify;">Aqui se escrevem poemas de amor, esse bálsamo ardido que derrete órgãos e departamentos. Faz dizer com outra língua enfiada na boca; que em suas re-voltas úmidas, re-voltam a vida em poesia, “numa pele porvir”.</p>
<p style="text-align: justify;">Terminei o livro agora, ao contrário do sistema que denuncia, ele é bom de serviço, segue na boca, no gosto vermelho de ferro das minas</p>
<p>Gerais.</p>
<p><strong>Juliana Guida</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Pesquisa poética de vida com janelas abertas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Oct 2025 10:50:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Tem paredes de cal e sol dançando na cal, e notícias de festa em todas as páginas do jornal. Não há dores de joelho nem chuva no Natal. Engole-se a maldade com o pão, e o pão nunca se conta a menos dos que se precisa de contar. E quando dizemos “até à próxima”, nunca é um adeus para tão longe assim, e tudo o que é esquecido é perdido por bem,

foge apenas para adoçar o seu voltar.

(O lugar mais seguro do mundo, página 20)
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O bule de chá e a chuva guardam<br />
escoam e sopram os fumos da memória.<br />
e depois passa. Assim se fazem as tréguas<br />
com o que foi e o que será.<br />
Chega-se a casa. Constrói-se a casa como<br />
uma história que é contada: era uma vez,<br />
felicidade sempre.<br />
Felicidade, pelo menos uma vez.<br />
Lava-se o bule, limpa-se a verdade das janelas<br />
e convida-se o ar fresco a entrar.<br />
Nas ruas, quem caminha segue rotas mil-vezes traçadas, e refaz-se de novo sob uma luz que sempre se multiplica. O espaço doméstico não consegue escapar da sua qualidade de lugar-cidade, a alma foge e retorna à sua condição de corpo domesticado.<br />
E, no entanto, entre todos os lugares do mundo, existe sempre o espaço da memória, mais real do que os outros.<br />
Pesquisa poética de casa com janelas abertas é um estudo sobre o ato da atenção. A atenção faz os dias e os lugares, constrói a poesia de todas as pequenas coisas.<br />
Entre revolta e desapego, estes textos são um retrato da tensão interna do pós-quarentena. Todas as referências familiares transformadas (reveladas) em pontos de pressão.<br />
A objetificação do próprio espaço-tempo permite fantasiar, caminhar entre projecções, capturar autoridade sobre a linguagem como instrumento de análise do Antropoceno. A materialidade dos objetos e as irrealidades da memória coexistem num único espaço, por vezes num único instante. É essa faísca que o poema olha de soslaio, sem segurar com tanta força que fuja.<br />
E, no entanto, o convite que o mundo nos faz de o ocupar é algo solene, repleto de rituais. Todas as coisas comuns são, pelo menos uma vez na sua existência, capazes de produzir ternura. Este livro é um inventário de afetos e olhares, faz-se relato de um passado possível.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Verde violeta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Oct 2025 14:25:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">É necessário dizer, ao menos uma vez, qual a idade do espelho. Somente assim será possível reconhecer que olhar para fora e olhar para dentro são um mesmo movimento, pois em mil nomes se manifesta uma única imagem. O mar revela que em nosso peito se concentra uma flor impossível. O voo da ave marinha reflete todas as nossas ausências convergidas em um único fim. A areia segreda aos nossos pés como é traiçoeiro chamar cada abrigo de lar. Seguimos cegos pelas correntes dos dias. Mas é sempre possível que as palavras, as nossas palavras, atinjam os ouvidos dos espelhos fazendo-os se estilhaçarem em um sem-fim de cacos de sombra e luz.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span id="more-27309"></span>Esse livro nada mais é do que a tentativa, um bocado frustrada, de separar o joio do trigo, a primavera do outono, dizer aqui acaba o medo e aqui começa a imensidão. A violeta não é um girassol, tampouco um cravo amarelado. Sabemos que são inúmeras as dificuldades que essa tarefa impõe. Ainda mais quando nunca se viu um grão de joio. <span style="color: #ffffff;">Túlio Stafuzza</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #ff0000;"><strong>PRÉ-VENDA ATÉ 16/11/2025.</strong></span></p>
<p><span style="color: #ff0000;"><strong>10% de desconto. </strong></span></p>
<p><span style="color: #ff0000;"><strong>Os livros serão enviados no prazo máximo de 15 dias após o término da pré-venda.</strong></span><!--more--></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Teto baixo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Oct 2025 14:12:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[não é verdade que não estou tentando agradar ninguém
a chuva sim não está tentando
a chuva não para de chover porque não tem motivo
o coração parado onde está
quer cumprir
um dos sonhos hoje mas não sabe qual
algum delírio salivado do meu carinho
mas não qualquer
jesus por sua vez parecia saber
exatamente o que queria]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Um teto baixo num apartamento alugado, um teto de nuvens baixas encobrindo o céu. Existe algum espaço para sair voando, mas não muito. Existe ainda espaço para respirar, para fazer acrobacias e aventuras, só não dá para enxergar muito longe. Olhar para o teto à procura de sinais do próximo mundo, porque neste a água já está batendo na bunda. Pelo menos continuamos lavando as nossas fronhas.</p>
<p style="text-align: justify;">Alguém procura você, mas não sabe se você existe. Alguém sabe muito bem que você não existe e continua procurando assim mesmo. Uma troca infinita de mensagens, um homem que não responde, um terceiro encontro adiado para a próxima encarnação. Uma nuvem de nudes, um bosque de dick pics, um poema de amor sem segundas intenções. O périplo interminável dos bares de homens da cidade. Um homem luminoso que não esfarele na mão. A palavra “gay” significa “alegre”, ou deveria significar.</p>
<p style="text-align: justify;">O café não salva, os livros não salvam, a internet é infinita, mas não salva. O sexo por si só não salva, mas o contrário do sexo ainda menos. A pornografia é barata, coisificante e irrealista. Os aplicativos de date são ansiogênicos e homogenizam os indivíduos. A palavra “queer” significa “estranho”, ou deveria significar.</p>
<p style="text-align: justify;">Patinar num gelo que está rachando, ou lutar na lama do cansaço coletivo. Esticar os braços para que alguém nos resgate da enchente, ou construir um navio juntos para o próximo lugar. O fatalismo como um movimento de alívio, de se libertar do peso do futuro. Uma erótica do amor aos fatos, uma lírica da chuva e dos chuveiros, uma comédia do pavor e do pânico. Um inventário de afetos inventados, em tempos em que o teto parece estar sempre à beira de desabar.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Avestruz pequeno estudo sobre a prontidão</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/avestruz-pequeno-estudo-sobre-a-prontidao</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Oct 2025 12:53:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[dois adolescentes embriagados, dia amanhecendo, resolvem pegar a estrada de volta para casa, o carro começa a sair da pista, ambos adormeceram, o carro trepida, a roda chega cada vez mais perto do desfiladeiro, eu acordo meu amigo ao volante, o livro começa.

&#160;
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Na minha terra, dizem que aquelas pessoas que comem de tudo (até comida estragada) e que não passam mal têm estômago de avestruz, pois parece que esta, que é a maior ave do mundo, alimenta-se de tudo um pouco: sementes, pedras, pequenos objetos, o que estiver ao redor. Trata-se também de um animal “sempre em prontidão”, veloz e ágil, capaz de correr a 60km/h, e que em muitas culturas africanas, carrega simbolismos ligados à vigilância, ao movimento entre mundos e à justiça. Todas estas características qualificam o avestruz a se tornar uma potente metáfora do que é importante para alguém tornar-se artista e só por isso já agradeço à Diego Garcez por este livro que apresenta de maneira perspicaz o seu processo de tornar-se artista. Sempre digo que esta profissão é talvez das mais insalubres, demandantes e injustas do mundo, pois não oferece garantias, não tem sindicato, não há um plano de salários, cargos e carreiras, e exige coragem para expor o que há de mais íntimo e subjetivo ao escrutínio público.<br />
Desde 2022 acompanho esse percurso de perto. Escrevo esta orelha não como uma leitora externa, mas como quem está implicada, tocada, transformada no processo de e com Diego Garcez. Como quem conhece o avestruz e reconhece os dilemas da gestacão artística, as angústias, as frustrações, as buscas, e também como alguém que nasceu no Recife e foi brincante do Carnaval de Olinda como Diego, reconhecendo um certo sotaque, ritmo e tom de uma trajetória migrante semelhante. Há anos venho cutucando a divisão que existia na produção dele entre pintura e escrita: por que escolher entre uma coisa e outra? O livro aponta para esse entre-lugar como um campo fecundo.<br />
Este é um livro mestiço também por ter algo de tratado, algo de diário e algo de poesia. Nele, o gesto de pintar está entrelaçado ao gesto de escrever. Diego escreve como pinta e pinta como escreve. O texto caminha lado a lado com a construção de uma identidade como artista e como homem. Um homem que observa outros homens: seu pai, seus professores, os artistas e poetas mais velhos. E também observa o filho, Caio. Um artista que se pergunta a que tradição pertence, como se engendra uma genealogia artística e identitária. Sua escrita está comprometida não apenas em refletir sobre as masculinidades, mas em performá-las no cotidiano e, contrariando o que se espera de um homem a partir de uma perspectiva social tradicional, Diego Garcez escancara a sua vulnerabilidade de aprendiz e afirma que não está pronto, mas está em prontidão e é isso que importa na pintura. Ele acaba por nos mostrar em seu relato que isso é também o que importa na vida.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Cristiana Tejo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Baculejo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Oct 2025 15:49:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[primeira miragem do dia
enquanto os meus
se imaginando em sonho
aos poucos despertam]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“Não se nasce mulher ou homem, torna-se”</p>
<p style="text-align: justify;">Mas nascer negro é imperativo, e o primeiro baculejo nunca se esquece:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>O camburão da polícia parou na porta do bar do meu pai (&#8230;) / caíram em gargalhada (&#8230;) / Acharam engraçado / o menino de cinco anos / afastar o máximo que pôde / perninhas e bracinhos magros / diante da parede / Por muitos anos essa foi uma lembrança / divertida da minha infância / no bairro Renascença em Montes Claros</em></p>
<p style="text-align: justify;">Que ninguém se engane, ainda que o teor do vivido nem sempre reine sobre o sabor da lembrança, a perda da inocência também é obrigatória:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>eu tinha cinco anos e já sabia / que coturnos chutariam as pernas / e cassetetes machucariam braços / que não se abrissem a contento / na hora do baculejo</em></p>
<p style="text-align: justify;">O negro poeta* sabe o quanto é difícil flanar e observar o mundo, enquanto os olhos ao redor estão a pensar que se está a serviço ou planejando furto:</p>
<p style="text-align: justify;"><em> — Você trabalha aqui? / Fui promovido, penso / Antes de virar a última gôndola era o ladrão / Agora sou funcionário</em></p>
<p style="text-align: justify;">Nem tudo é esbarro, predomina lirismo e o corpo que forma X enigmático, enquanto olhos fitam a parede, faz cair naturalmente a religiosidade (barroca) mineira do bolso esquerdo:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Bem-aventurados os luxuriosos / cuja paixão habilmente / intumesce a carne / e amolece o espírito / enquanto A Paixão com rispidez / faz o contrário / ao trespassar ferozmente ambos</em></p>
<p style="text-align: justify;">Do bolso direito escorre tradição mais antiga:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Depois do verdejar / talos fibrosos / rútilos / trazem vermelho ao pasto / outrora verde aquoso, agora / longas lanças de Troia: / Marte / Morte / Moira à espreita / de Aqueus e Dânaos / Mas que memória é esta / que até mesmo doce pasto / palatável ao paciente boi / e ao belo e exigente cavalo / torna belicoso?</em></p>
<p style="text-align: justify;">Se Lennon disse que “a mulher é o negro do mundo”, o negro poeta também pode em sonho (ou seria pesadelo?), formular necessária resposta:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Ontem fugi de Pasárgada / foi lá que matei o rei / Enforcado nas vísceras / do poeta que estripei / Pasárgada só é idílica / pros velhos amigos do rei</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Baculejo</em> é o primeiro livro de poesia tardio do escritor mineiro Marcelo Luiz Silva, representante da linhagem dos negros poetas brasileiros: Cartola, João do Vale e Zé Keti. Negros que o Brasil não deixou ser poetas, talvez vislumbre dos livros que poderiam ter escrito.</p>
<p style="text-align: justify;">*Nem mesmo foi escolha ser negro primeiro, é apenas o mundo colocando as coisas em seu devido lugar</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
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		<title>Revoluteia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Oct 2025 18:27:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[basta de ser sombra sob os ponteiros
basta de ser número no alvo
a hora que me roubam,
a hora que me negam,
a hora que peço,
revoluteia,
na insurgência que esvoaça a alma]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>se todos são velas<br />
quem será a chama?<br />
precisamos de quem,<br />
com um pavio curto,<br />
arda o instante<br />
e ilumine a escuridão.</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
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		<title>Consequência do Fogo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/consequencia-do-fogo</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Oct 2025 08:45:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Morrer devagar
sem que o coração arda
sem que os olhos evaporem no fumo
sem que a palavra abandone a boca.

Nenhum heroísmo consegue combater a doença:
o gene mau da cinza indesejada
o rasto de lume que abre a ferida
o crepitar da terra atingida

escuta-se

qual canto do cisne
diante do gesto lasso
enquanto tudo nos treme por dentro.

<em>Consequência do fogo</em>, página 14
<p class="ds-markdown-paragraph"></p>
&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Consequência do Fogo: rasto ardido que a poesia deixa depois de explorada a paisagem, sensação, vertigem, emoção, objecto, delírio ou catarse. Serve a consequência do fogo para nos lembrar que em nós se extingue o irrisório ao mesmo ritmo com que ardem unhas, olhos, língua, sonhos, cútis, sexo, cabelos. Serve a consequência do fogo para nos recordar que também na morte há a beleza da lentidão: na suave decomposição orgânica dos cadáveres ou na cinzelada erosão da matéria perecível. E também serve para nos mostrar quão tangível é a transcendência na dança das labaredas ou nas sombras das cavernas.</p>
<p class="ds-markdown-paragraph">
]]></content:encoded>
					
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		<title>A caligrafia da língua</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Sep 2025 14:26:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Caligrafar a língua, o corpo, a rua, a cidade. Desacomodar os versos. Desenhar as palavras, traçá-las, bordá-las, pari-las, uma a uma. Enrolá-las num cueiro. Segurar nos braços o poema que nasce, aos prantos. O desgosto, a margem, o desumano. Aquilo que vive escondido. A caligrafia da língua se aloja no tempo, no som, no ritmo. Organizado em quatro tomos, é um livro de intensidades, que se arrisca. Um imenso poema de coisas ausentes.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Roger Ceccon disseca e acolhe. De quantas maneiras podemos seccionar a anatomia da <em>Caligrafia da língua</em>? Somos levados pelas mãos por sua escrita sintética, às margens. A língua, aqui, pode ser a forma como nos comunicamos, nosso sistema, nosso idioma. Pode também ser a língua do paladar e do saborear, a caligrafia como marca, e o poeta rasgado pela escrita. A linguagem como ruptura. Escrever e ler nas linhas das mãos os sentidos suscitados pela poesia. Pelas linhas da gengiva e das rugas dos poemas.</p>
<p style="text-align: justify;">Ler este livro me lembrou a língua da medicina tradicional chinesa, instrumento diagnóstico que reflete os estados e os ânimos. Janela para o corpo, leitura da carne humana digna apenas a quem está poeticamente vivo. A língua, órgão muscular usado para falar e colocar para fora, é também usada para engolir realidades secas: <em>outro marginal louro?</em> Em duas f(r)ases da deglutição, a língua é fundamental. A parte voluntária durante a mastigação, que depois involuntariamente empurra o que foi mastigado. O involuntário que mata a fome que grita nos poemas de almas abichadas das realidades rachadas que vivemos.</p>
<p style="text-align: justify;">Como podemos engolir realidades? Roger não responde, mas encarna nessa geografia das coisas miúdas e silenciosas, do invisível, do não dito. A morte, indigesta e engolida, nos pergunta de quantos fins podemos ser feitos? Porém, essa caligrafia também é de cura depois do luto do livro <em>As imposturas da língua</em> (2022), também escrito por ele. Aqui encontramos a sutura da língua. A ferida, o desejo, a cicatriz. Como resistentes, reaprendemos a poetizar depois dos silêncios dos vazios. Leiamos a <em>Caligrafia da língua</em> para rasgar e costurar nossas poesias.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mayara Floss</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Poeta, escritora e médica de família e comunidade</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Meus minimalismos gigantes</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/meus-minimalismos-gigantes</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Sep 2025 15:32:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[programar os cristais
escutar a intuição
perceber os sinais]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em <em>Meus minimalismos gigantes</em>, somos lançados ao sensorial que redesenhou minha visão sobre o viver. A simplicidade ganhou grandiosidade e cada verso se transformou numa onda conectiva entre nós e a natureza. Por meio de imagens vibrantes em rápidos flashes, Diana nos instiga a refletir sobre a beleza contida nas ações cotidianas: cultivar um jardim não é apenas uma atividade, mas um ato de amor e deslumbre; olhar para o céu é um convite a sonhar. Há muito que não parava para sonhar olhando a beleza que me é oferecida diariamente e, num desleixo, ignoro.</p>
<p style="text-align: justify;">Os versos de Diana Castilho nos convidam a colocar o pé na terra e nos conectam profundamente à nossa ancestralidade e às pequenas tradições que, muitas vezes, esquecemos em meio à agitação moderna. Esses gestos simples, como benzer um patuá ou inspirar os aromas da vida, lembram que a plenitude está nas pequenas grandes ações.</p>
<p style="text-align: justify;">Este livro é um testemunho de que, ao abraçar nossos minimalismos, encontramos intimidades. Isto aqui não é apenas uma leitura, é um convite à descoberta de um novo olhar sobre a vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Diana, obrigada por me fazer apaixonar novamente. Obrigada por agigantar com tanta fluidez a vida.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Debora Rendelli</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Apesar do banzo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/apesar-do-banzo</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Sep 2025 13:23:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[desejo pela invenção de um nome e de uma língua,
antever movimentos de linguagem,
no lugar,
cozinho,
e sou filha, todos os dias.
agora neta de vó de unhas sujas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Apesar do banzo,</em> de Paula Campos, nos lança na encruza de uma escrita de travessias.</p>
<p style="text-align: justify;">A escrita, que costura este livro, dança. Dança essa que se dá entre línguas — português, inglês, francês, espanhol, silêncio. Uma invenção corporificada de uma língua singular que nos convida a caminhar por casas, ruas, varandas, cozinhas, lençóis, países. É entre várias que a poeta tece seu bailar, em um culto à força da ancestralidade feminina: mãe, avó, tia e amante. Glorita, Conceição, Virginia, Luedji, Bethânia e Gal.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta carta-diário-poema desapega da forma e, pela via da escrevivência, produz um deslizamento de temporalidades. O tempo-espaço esguio que nós, mulheres do terceiro mundo, temos para dedicarmo-nos à escrita, a infância no solo europeu, o retorno a um país materno, a difícil agenda das despedidas, partidas-chegadas de uma existência migrante.</p>
<p style="text-align: justify;">A poeta dança entre memórias e seus cacos. Vai da ponta dos pés ao ato de encostar sua sola andarilha no chão na busca por raízes, pertencimento, um lugar. Escreve com as unhas sujas da avó. Escava com as próprias mãos o corpo, os barrancos da língua, as saudades… retecendo sua existência, incontáveis vezes, no gesto de fazer-se desconhecida para reconhecer-se, de novo, a cada vez que lança seu corpo no mundo. Seu texto é agridoce. Invade o corpo de quem lê: saliva as papilas, arranha a pele, molha os olhos.</p>
<p style="text-align: justify;">Paula se insere, com seu primeiro livro, na cena literária forjada pelo trabalho de escritoras em diáspora, nos convocando a um além-mar “do que pode a literatura” diante dos feitos da colonialidade. Aqui encontramos a linguagem poética torcida ao limite para tocar e enunciar as experiências transatlânticas, a ficcionalização da memória e o exercício ético da imaginação de futuros (im)possíveis.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p><strong>Mariana Queiroz</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Perverso universo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Sep 2025 13:14:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[e eu fui plena imensidão
descansando
nos seus abraços
até que um dia
chegamos ao fim]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O universo de dentro</p>
<p style="text-align: justify;">Nos versos de <em>Perverso universo</em>, o amor é catástrofe e epifania. O autor Jordan Caetano convida o leitor a mergulhar num cosmos íntimo, no qual as palavras vibram com a dor da ausência, os espasmos da memória e a beleza incômoda do afeto não resolvido. Esta poesia não busca o consolo fácil — ela encosta no abismo da experiência emocional e, sem medo, transforma o colapso em criação.</p>
<p style="text-align: justify;">Dividido em três partes, o livro constrói uma trajetória lírica que vai do lamento ao lampejo, da perda à permanência simbólica. Há um cuidado quase tático no ritmo dos poemas, como se o autor coreografasse o sofrimento, extraindo dele imagens de altíssimo teor sensível. Em sua poética, o cotidiano — uma camisa azul, uma fotografia antiga, um café quente — torna-se vestígio do sagrado que habita as pequenas coisas.</p>
<p style="text-align: justify;">A poesia de Jordan Caetano é marcada por uma linguagem direta, mas não simplista; íntima, sem ser confessional demais; melancólica, mas não desprovida de esperança. O poeta tem consciência do drama, mas também do estilo: cada poema é lapidado com atenção ao som, à quebra de verso, ao silêncio.</p>
<p style="text-align: justify;">Este livro é um convite: leia devagar, sinta com o corpo inteiro, aceite não compreender tudo — como quem observa o céu noturno sem entender as constelações, mas ainda assim se comove. Porque há, nesta obra, uma verdade emocional que transcende o eu lírico e atinge em cheio o leitor que já conheceu o amor, a ausência e a estranha gravidade que nos prende ao outro.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Juliane Elesbão</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Dourado deságuo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Sep 2025 12:47:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">minha cria, no dia que você nascer, vai chover feito rio. como se minha mãe N’dandalunda chorasse aos prantos. e com suas lágrimas de rio lavasse seu rosto. feito água de cachoeira, você será cuidada e banhada. como eu fui em ouro, você será limpa de tudo que é ruim. o mundo ainda não será bom, mas se inundará em rio, no dia que você vier.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Steffane Santos é toda água. O livro Dourado Deságuo é banhado de palavras que encharcam o papel de ritmo e poesia. Quando li os textos de Steffane Santos perguntei a ela qual a trilha sonora que deveria escutar para mergulhar em seus textos. Ela me disse para ouvir “A volta ao mundo”, cantada por Alcione e Kiriê, cantada por Georgette. Assim o fiz. Acrescentou que está fascinada pelas músicas da década de 70. Fiquei pensando nisso, em como nosso tempo é espiralar de retorno contínuo de tempos que nem pensamos em tocar. Pensei o quanto seu trabalho traz, em poesias, palavras de gerações passadas e presentes, e passadas porque presentes. Em como ela molha nosso rosto em vários momentos do texto. Esse é um trabalho de pequenos contos/poesias que nos faz repensar a ideia de gerações não como algo que se encerra em si e abre para novas, mas como um contínuo de mudanças e atualizações. Suas palavras são diretas nos levando a entrar no mesmo ritmo que ela. Água em ritmo é o que define seu trabalho literário. Observa-se ainda nesse compêndio de palavras ritmadas reflexões da diáspora negra. Onde referências como Lélia Gonzalez, Audre Lorde, Carolina Maria de Jesus e tantas outras, são evocadas como nomes que inspiram passos vindouros. Steffane Santos nos mostra que não caminhamos só e nos brinda com a complexidade da existência transatlântica em versos íntimos sobre si e sobre seu redor. Porque mesmo quando falamos de nós mesmas, estamos ecoando vozes coletivas. E é isso que seu trabalho nos inspira.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Denise da Costa</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Jazigo, encruzilhadas e ditos de um mulato Josué</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Sep 2025 12:18:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Por que bate em mim,
sino da chegada
do açoite?

Se de mim parte,
Açoite, assaltando
o corpo

de bruços no tronco?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em <em>Jazigo, encruzilhadas e ditos de um mulato Josué</em>, Zé Mariano lança sua produção ao mundo a partir de uma empreitada ambiciosa: a de reconstruir a tradição da lírica brasileira pela visão do negro, remontando a memória e a tradição dos de baixo enquanto parte significativa da experiência poética. São os degenerados, os escravizados, os esquecidos e cansados de trabalhar que ajudam a construir a figura de <em>mulato Josué</em>, um corpo que participa da história (poeticamente).</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda que nos remeta aos versos simbolistas, às imagens barrocas e a uma realidade de tempo incerto, a escrita de Mariano absorve o tempo presente e a estética do contemporâneo através da <em>bricolagem</em>, ou do que podemos nomear de uma “poesia reencarnada”, em que a intertextualidade do cânone e da cultura popular servem de estruturas para a produção de imagens e da experimentação literária.</p>
<p style="text-align: justify;">“Canta, preto velho, / canta bonito para o mar / torna o mulato Josué / apenas Josué com teu cantar”. Para além dos recursos de oralidade e a métrica que nos lembra as ladainhas e as rezas populares, os versos de Zé Mariano dialogam com uma temática predominante: o lugar da fronteira, da indeterminação. O mulato Josué enquanto sujeito amalgamado à sua raça, se materializa também na figura do pardo, cuja pele ambígua remonta aos percursos da formação da identidade brasileira, em que o povo majoritariamente é apartado do sentido da sua origem: “Essa pele clara foi herdada de Nenê [&#8230;] / enquanto esse cabelo veio do preto / Josimar”. O pardo enquanto signo é a contribuição sensível de Mariano ao debate racial, elaborada também por meio da linguagem poética, de modo que a poesia é a forma literária indeterminada, a qual emula as tensões e as fronteiras entre o texto e a experiência vivida.</p>
<p style="text-align: justify;">Não basta apenas a consciência da realidade, a poesia de Zé Mariano nos apresenta um mundo em construção: “Dançar como dançam os pretos / Cantar como cantam os pretos / Foder como fodem os pretos” e que revela a disputa de um projeto estético que não se submete à ordem, mas que escolhe um mundo imaginado, porém duro. Pois bem, a vida é dura — mas as encruzilhadas podem nos levar à emancipação.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Isabela Benassi</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Verde suspiro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Sep 2025 12:12:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">Já não temos mais nossos caminhos
Nem onde nos encontrarmos
O areal está perdido
Nossos passos apagados
Nossas lembranças devoradas
O tempo e a ambição
Soterraram a vila
Vivem os habitantes tão falsamente felizes sob pedras.</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong> <span class="fontstyle0">Nossa terra</span></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span class="fontstyle0"><br />
</span><span class="fontstyle2">Chega,<br />
Ara a terra<br />
Terra vermelha</span></p>
<p><span class="fontstyle2"><br />
O suor no rosto<br />
O sol do meio-dia<br />
As marcas do tempo</span></p>
<p><span class="fontstyle2"><br />
Em tempos em que a terra era a vida,<br />
Terra era seu amor e o seu cuidar</span></p>
<p><span class="fontstyle2"><br />
Planta, colhe, consome<br />
Cuida, trata o solo<br />
Tira o sustento</span></p>
<p><span class="fontstyle2"><br />
Ensaia<br />
Seca o café, ensaca</span><br />
<span class="fontstyle0"><br />
</span><span class="fontstyle2">Cultiva o pomar<br />
Colhe a fruta, desfruta</span></p>
<p><span class="fontstyle2"><br />
É hora da recompensa,<br />
Dias cheios e cansativos de labuta</span></p>
<p><span class="fontstyle2"><br />
Os calos e as marcas<br />
O caminhar, carregar<br />
O dia a dia de muita luta</span></p>
<p><span class="fontstyle2"><br />
O apanhar algodão, café, laranja<br />
O cortar lenha, cortar cana</span></p>
<p><span class="fontstyle2"><br />
O fincar ao chão os pés<br />
Dar o sangue à terra e tê-la em seu sangue<br />
Dar a ela o nome e dela ter o sobrenome.</span></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Estorvo coração</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/estorvo-coracao</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Sep 2025 11:58:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[estes poemas de amor separam
o meu medo das criaturas da praia
do meu desejo insaciável de arriscar tudo
debaixo d’água.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Acompanho a escrita deste autor há tempo suficiente, desde quando descobri a minha forma de amar. Ele, afinal, foi uma das pessoas que caminhou sobre pedras ardentes enquanto buscávamos onde repousar. É sensível como inicia seu abrir-coração para que nós, leitores, o vejamos saudando seus mais velhos com a mesma ternura com que versa sobre amores findos, banzo e o fulgor de ser quem é.</p>
<p style="text-align: justify;">Me arrisco a dizer que quem começa a escrita é o homem-menino, mas quem põe o ponto final é o menino-homem. E vejam: aponto o fim desta obra como ponto final, não</p>
<p style="text-align: justify;">como encerramento — a poesia dele não se encerra em si, tamanhos os sentimentos que transbordam e se entrelaçam com o existir do mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">Em <em>Estorvo coração</em>, é possível tatear sua humanidade ímpar e visceral, capaz de inebriar os sentidos de quem acessa com sobriedade. O choro, o riso, a dor, a saudade, o anseio, o gozo, o amor. O encantamento diante de sentimentos tão sublimes, que aqui escorrem sem a intenção de caber, apenas de existir em contato com o que nos afeta.</p>
<p style="text-align: justify;">Trago um alerta: é preciso se deixar afetar. Pablo Emmanuel se deixa afetar quando permite, ainda em sua formação de menino-homem, não aquiescer diante das tragédias da vida e dos escombros do que um dia fora uma cidade reluzente. Entre vigas e penumbra, há sempre uma criança que o resgata e o leva pr’um caminho seguro, um cais onde seu barquinho velejante possa descansar em águas mornas e içar vela para desbravar o mundo sob novas ondas.</p>
<p style="text-align: justify;">Escrever, aqui, é lançar-se em alto-mar e sentir a maresia do desconhecido. É tocar</p>
<p style="text-align: justify;">um jazz e descobrir o amor num sábado frio. É também recusar cobri-lo: amor não se cobre — se cuida, protege e acolhe. A língua que corta silêncios e escreve poesias no céu da boca é a mesma que detém silêncios preciosos como uma joia. E entre segredos, sagrados, lágrimas e sorrisos contra a maré, o perigo do amor vem à tona: como ousa ser um homem que tateia as próprias dores, grita em silêncio e adormece com os seus barulhos?</p>
<p style="text-align: justify;">Os convido a vê-lo tecer acordos tácitos com o sentir, pensando em perguntas que talvez não tenham respostas, digerindo lutos e adoçando quereres. O que sinto ao escrever estas palavras, com tamanha dedicação e honra, é o afago de ver a promessa se cumprindo sob a seiva da folha e o negrume da noite. Que esse <em>Jardim Ossâinico</em>, mata fechada e abrigo de tantos em um só, também os afete e conduza a um futuro possível, em que poesia e amores bonitos iluminem os dias.</p>
<p><strong>Lavínia Ribeiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Eu começaria incêndios</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Sep 2025 18:39:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Para viver o desejo
coragem
Para desfrutar do desejo
Tempo
Segurança
Para defender o desejo
Uma comunidade
Unida
Em chamas.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A mensagem da poeta perpassa todos os caminhos que seu pé pisou, uma mistura de areia, galhos, seres encantados, fé, raiva, tristeza e prazer misturados em um caldeirão que ao lermos pegamos fogo! E que fogo!</p>
<p style="text-align: justify;">
Trecho do prefácio de Flávila Barbosa D’Ávila</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Desaguamentos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/desaguamentos</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 06 Sep 2025 14:48:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">gosto do mar
porque somos mais peixes
que humanos
mais bichos sedentos
com dentes olhos bocas guelras
para respirar o mundo</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A face espantosa do mar sobrenada estes <em>Desaguamentos</em> de Helena Arruda. Neles permanece inesquecível o terror daquela guerra mundial que o relógio do tempo terminou em 1945, mesmo ano de publicação de <em>Mar</em> <em>absoluto</em>, de Cecília Meireles, mas a clepsidra dos poemas deste livro de Helena, oitenta anos depois, ousa anunciar sua continuidade em cada grão de areia que cai. É a besta do nazifascismo sempre pronta a atacar. Atravessando esse conluio dos tempos e espaços bélicos, a poesia lida com aquilo que, aparentemente esquecido, retorna sempre vigoroso. Náufragos que somos, a poesia de Helena Arruda lembra-nos que a dispneia é diuturna. Ainda assim, a busca pela palavra poética é incessante, reforça a poeta em cada página deste livro. A poesia se faz no curso das águas, que nunca são, heraclitamente, as mesmas.</p>
<p style="text-align: justify;">Faz-se também nas ondas tempestuosas do mar, que discursam ávidas. Faz-se no lugar do outro que não conhecemos, no sentimento de exílio que não nos pertence, na morte que não vemos, no choro da mãe que grita por cada criança morta, no tempo que se repete no eterno ainda-é. Não há conforto nestes poemas que deságuam. Só a terrível angústia pelos que lavam as mãos. Ainda assim, escreve Helena, &#8220;sigo as águas à procura da ave rara que leva no bico a palavra&#8221;. Ainda assim.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Anélia Montechiari Pietrani</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Da neblina, da poesia, do Oiapoque</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/da-neblina-da-poesia-do-oiapoque</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 06 Sep 2025 14:15:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">As buzinas me enlouquecem.
Procuro não ver o que passa,
sobre os momentos em que,
na cena,
pude ensaiar o grande papel da minha vida.</span>

<span class="fontstyle0">
Busco sempre o veneno
para as feridas abertas,
para justificar o caos,
e a falta de explicação
sobre o que sucede em mim.</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Há uma citação de Glória Anzaldúa, em sua <em>Carta para as mulheres escritoras do terceiro mundo</em>: “mulher mágica, se esvazie. Choque você mesma com novas formas de perceber o mundo, choque seus leitores”.</p>
<p style="text-align: justify;">A névoa setentrional, as brumas tropicais, a nebulosidade fronteiriça, a alquimia das horas que precedem o amanhecer imponente no rio que é dentro. O mistério insondável do limítrofe. Em meio a tanta obscuridade, amores túrbidos, mas que são lidos com a transparência hermética do lirismo. Entre dias enluarados e crepúsculos largos, Mariana Alves delineia um percurso poético marcado por imagens sinestésicas, paisagens amazônidas que refletem epifanias, dilemas existenciais e tensões emocionais.</p>
<p style="text-align: justify;">Oiapoque é o horizonte que ambienta esta obra que se divide em três seções principais — “Neblina do Oiapoque”, “Céu aberto” e “Maré cheia”. Ainda pensando por meio dos conceitos de Anzaldúa, Mariana se configura no <em>ethos</em> de uma “mulher fronteira” — e “mulher mágica” —, ser interseccional situado entre múltiplos mundos: cultural, social, econômico, plurilíngue, político e psíquico, com habilidade de navegar em zonas de conflito, sejam eles geográficos ou simbólicos. A fronteira que para Anzaldúa não é apenas uma linha física, mas um espaço psicológico de (des)encontros, em <em>Da neblina, da poesia, do Oiapoque</em> se liquefaz nos fluxos da memória, inebriante travessia literária, tal como as passagens e descaminhos navegáveis em <em>Saint-Georges-de-l’Oyapock</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">A poesia de Mariana Alves está profundamente ancorada em uma cartografia imperscrutável: uma região que representa literalmente uma fronteira — entre Amapá e Guiana Francesa — se desenha no mapa das encantarias entre terra e rio, entre o vivido e o imaginado, entre a saudade e o desejo, entre amores findos e a celebração das paixões vindouras.</p>
<p style="text-align: justify;">A neblina como metáfora catalizadora dessas elucubrações evoca e traduz os esfíngicos enigmas que a cidade esconde nas ensimesmadas encruzilhadas do extremo Norte. Junto da cidade, outro território — o corpo — oculta e revela também. Sondando essa abstrusa neblina, olhando para o firmamento infinito para ser inundada de incertezas, Mariana Alves escreve: chagas, feridas abertas, delícias do afeto, diários do passado e do devir. Este livro é um convite para penetrar o impenetrável: os contornos das bordas-limiares do Eu.</p>
<p><strong>Lara Utzig</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Museu das musas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/museu-das-musas</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Sep 2025 13:29:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ai que saudade da Sônia!
Eu assistindo TV
E ela me batendo bronha]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Museu de musas</em> não é apenas um livro. É um relicário de afetos, onde a memória pulsa como sangue e cada poema abre uma nova sala para o visitante desavisado. Nele, Carlos Castelo não escreve sobre mulheres: escreve com elas. Com suas presenças ou ausências, com a fagulha do desejo, a sombra da perda, o susto do encontro, o espanto do cotidiano. Suas musas não são estátuas de mármore, mas figuras de carne e espírito, riso e mágoa, melodia e silêncio.</p>
<p style="text-align: justify;">Este museu é feito de versos que se recusam à moldura. Aqui, a poesia se move, dança em becos, cicia em lençóis, zomba das normas da métrica e do decoro. Pode-se encontrar uma ode ao simples, um sonetilho fotográfico, uma epifania entre o afeto e o absurdo, um amor que se serve cru como sashimi. Tudo com humor, lirismo e ironia: marcas de um autor que domina o tom da delicadeza tanto quanto o da provocação.</p>
<p style="text-align: justify;">Carlos Castelo, reconhecido por sua verve humorística e seu olhar afiado para o humano, reúne neste livro letras e poemas escritos ao longo de décadas. São declarações tardias, confissões improvisadas, bilhetes que nunca foram entregues. Musas reais ou inventadas, passageiras ou perenes, todas reunidas neste espaço de palavras que ora se parece com um quarto de pensão, ora com um altar pagão.</p>
<p style="text-align: justify;">Entre versos, aliterações e afagos, <em>Museu de musas</em> é também um autorretrato em pedaços. Onde cada mulher inspira um homem diferente. E onde o amor, mesmo impossível, sempre encontra abrigo em algum canto da linguagem.</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>COMBO FINALISTAS OCEANOS 2025</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 Aug 2025 12:14:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<strong>Os três títulos finalistas do Prêmio Oceanos 2025: </strong>

"A parte que falta", de José Antônio Cavalcanti

"Ninguém fica rica a trabalhar", de Sofia Lemos Marques

"O outro: poema", de Michele Flores]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Conheça os autores dessa edição:</p>
<p><a href="https://editoraurutau.com/autor/jose-antonio-cavalcanti">José Antônio Cavalcanti </a></p>
<p><a href="https://editoraurutau.com/autor/michele-flores">Michele Flores </a></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://editoraurutau.com/autor/sofia-lemos-marques">Sofia Lemos Marques</a></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Por um fio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Aug 2025 09:37:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[emoções transpassam meu corpo
e por aqui elas se manifestam trazendo prazer ou dor
tudo que calo reflete em alívio ou enfermidade
tudo que falo reflete em guerra ou paz

em terra de olhares sorrateiros e ouvidos ferinos moderar
silêncio e fala é desafio de gente grande]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Sobre qual fio você caminha? Qual é o fio que te liga com a vida? Com quantos fios e emaranhados se costura uma existência?</p>
<p style="text-align: justify;">São muitos os tipos de fio neste mundo e, em cada um deles, há a ambivalência de dois lados ora opostos, ora companheiros. O fio da sutura entre o corte e a cicatrização. O fio da pesca entre a espera e a conquista. Os fios de um tecido que só se torna tecido quando todos os fios ocupam a trama.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Por um fio</em> é um livro do “entre”. Entre o silêncio e a voz, a pausa e o impulso, a análise e a escolha. Em meio a uma sociedade febril e distraída pela pressa, pelos excessos e por muito barulho, é o olhar sensível da poeta Mara Santos que nos devolve o fôlego ao pinçar da vida o fio entre o devastador e o belo, entre a realidade e a arte, entre o sofrimento e o encanto.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao trilhar a vida como quem caminha por um fio, é possível encontrar o equilíbrio em meio ao balanço do corpo: sabedoria é movimento, toda cura vem da insistência em adentrar a linha tênue entre sacudir e serenar. Ao escrever como quem amassa a vida com as mãos, Mara entrega a sua palavra ao toque, nos oferece relatos íntimos, desnuda sentimentos e lembra que “sonhar é atemporal”.</p>
<p style="text-align: justify;">A poeta nos inspira a exercitar o cuidado, a fazer do amor um ato, a enternecer a vida e tecer com o fio da palavra um bordado-poesia na pele do tempo. Para quem dança com o vento, toda brisa é música. Acerta o passo quem respeita o ritmo de dentro.</p>
<p style="text-align: justify;">Mara, atenta e forte, anuncia: “ser amada é o meu manifesto”. Este livro é um gesto de amor a si mesma, às pessoas do seu coração, ao coletivo, a você. Te convido a cruzar o fio e adentrar a obra com os pés descalços sem temer a travessia. A distância entre os seus olhos e as páginas a seguir é espaço fértil a ser ocupado por um fio que se estica, embola, emaranha e não rompe.</p>
<p style="text-align: justify;">Ser humano é estar por um fio, aqui há espaço para a humanidade, a liberdade e a poesia. Desfrute deste banquete!</p>
<p><strong>Maria Ávila</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Palavra-mormaço</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Aug 2025 15:55:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Meu lugar de fala
é a escrita.
Nela, sou sujeita de minha história.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Palavra-mormaço é sobre ser e sentir. Uma obra poética que começa com “pressa de passarinho avoado” e nos leva à “proteção sob camadas de sorrisos [&#8230;] onde tudo enfim transparece”. Nos convida a ler/sentir, assim, como se fosse uma coisa só, sendo. Marcada pela subjetividade dela e nossa, começa, mas não tem fim, porque toca o que de mais humano há em nós.<br />
Palavra-enigma, catártica, que traz a marca da sua incrível capacidade de síntese quando diz “Revelo-me, na indiscreta friagem do vento”, revela-nos a todos. Em seu poema “Intuição” (“Crio poemas com os olhos fechados. / Quero-os intensos, / perene sereno na madrugada”) ou em “Justificativa” (“Meu lugar de fala / é a escrita. / Nela sou sujeita de minha história”), Cátia Hughes nos convida de forma direta, às vezes desconcertante, a encarar o espelho da poesia onde nos vemos refletidos e desnudos. Ao mesmo tempo, acolhe-nos com leveza na beleza das palavras breu, carmim, e no fruir da Palavra-mormaço.</p>
<p style="text-align: justify;">
<strong>Elisa Oliveira</strong><br />
filósofa e escritora</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Primeiro prestamos honras à morte</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Aug 2025 14:44:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[seguramos o trabalho do mundo
o amor que os homens fazem

seguramos o sustento nos seios
as feridas de um batalhão

não há um fim para segurar
os braços congelados]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O intenso livro de estreia da poeta mineira Alice Pereira Carlos, <em>Primeiro prestamos honras à morte </em>se configura como uma obra muito bem arquitetada partir de algumas investigações sobre o corpo e suas representações (as violências, as palavras e os não-ditos que incidem sobre ele). Como mostram as quatro divisões internas, esses eixos são distribuídos ao longo do livro como as pétalas de uma corola em cujo núcleo, no entanto, não temos apenas um único pistilo-ideia central, da qual tudo se irradia e que sustentaria a obra, mas a linguagem, protagonista absoluta dessa criatura-obra inquietante. Sim, a linguagem, em seu estado mais poético: trabalhada e retrabalhada até chegar ao cerne da realidade. Porque, como a própria poeta escreve, “a palavra /é faca afiada // e o que resta / são fendas”.</p>
<p style="text-align: justify;">A realidade, com suas experiências duras e por vezes violentas, assombra então nos poemas por meio de uma linguagem áspera, cortante, que reverbera no leitor de forma contundente, incitando-o a entrar e a habitar as fendas, as zonas de silêncio, os “terrenos baldios”.</p>
<p style="text-align: justify;">Interessante observar como o olhar da poeta sobre a realidade é desprovido de resquícios românticos: o que lhe chama atenção são as ruínas, os terrenos baldios, os rasgos nos muros, os cortes na pele e, em geral, os fantasmas que habitam as zonas invisíveis da imaginação. Para isso, Alice Pereira Carlos foge da representação narrativa do cotidiano, tão presente na tradição lírica brasileira contemporânea, e recorre à composição por fragmentos, por retalhos, por blocos, como se os versos fossem partes de uma escultura ou de uma colagem. A poeta articulou um jogo sofisticado de recortes e encaixes de versos e referências de outras poetas mulheres (Aglaja Veteranyi, Luiza Romão, Regina Azevedo, Maria Teresa Horta, entre outras) além de um diálogo com a pintura da artista Adriana Varejão. Sei disso, pois o livro foi escrito durante seu curso de mestrado em Criação Literária na UFJF, ocasião em que segui de perto seu processo criativo. No entanto, a poeta optou por não tornar visíveis essas referências, com a intenção de embaralhar e intensificar as relações entre as peças no seu tabuleiro da escrita.</p>
<p style="text-align: justify;">Afinal, é disso que se trata: de uma poesia que resolve, ao “prestar honras à morte”, celebrar aquilo que pulsa, que lateja, nas feridas e nas tensões, criando um mundo poético no qual a vida “tanto dança /quanto aniquila /extraindo as cores do jardim”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Prisca Agustoni</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Feicebuque entrar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Aug 2025 14:10:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">já faz mais de hora que um helicóptero da polícia militar vem e vai sobre o céu do bairro vila velha. ele também deve ficar circulando sobre as áreas ao redor, causando um barulho infernal, ó. holofotes sobre as casas. o que procuram os que coagem de cima? quais crimes cometemos vivendo nossas vidas?</p>
<p style="text-align: right;">21 de janeiro de 2017</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A força da natureza é sentida pela humanidade em momentos de celebração. “O milagre da renovação em cada ano faz tudo começar outra vez?” Em cada virada de ano, nossa sina é viver ciclos entre a lembrança, o sonho e o esquecimento. Nos tornamos anciões ao vivermos cinquenta fevereiros e nos imaginamos muitos mais em uma reminiscência sobre nossa juventude do que estaríamos dispostos para vivermos um carnaval a mais. Nesse sentido, a passagem do tempo é medida pela quantidade de amuletos que partilhamos como histórias, somos mortais vivendo carnavais e atravessando a eternidade dos momentos.</p>
<p style="text-align: justify;">Onde moramos é onde mora nosso coração — que, em quase todo fim de tarde, se senta em cadeira de balanço à calçada do bairro. Onde moramos é onde saramos das dores de amores partidos e onde imaginamos nossa partida da cidade de maresia, cidade essa massacrada de movimento, da vida retirante de sua população, gente que já chorou tanto que inventou o mar. A força da natureza também é expressada assim. Tantos quilômetros entre o instante e a eternidade que, ao mesmo tempo, não há unidade de medida universal que meça tal lonjura. A humanidade, pelo instante, manda mensagens sangrentas ao Criador, mas antes disso, são interceptadas pelos senhores da guerra que não gostam de criança. Já o papel da maternidade em nossas comunidades é solo de refúgio e de guarida; e nossas mães representam a dinâmica de prosperidade afetiva em cada morada, entendendo maternidade como a unidade entre nossos pais para nos guiar em nosso assento futuro. Sempre voltamos ou procuramos voltar em memória para esses braços: canais entre a doença e a cura, o descanso.</p>
<p style="text-align: justify;">Em <em>Feicebuqui entrar</em> (2014 a 2018), o trivial e ordinário é nossa conversa com Deus e os encantados, como o canto de Sérgio Sampaio em “Leros, leros e boleros”. Em certo momento, Deus desaba do céu como os anjos de Wim Wenders no filme <em>Asas do desejo</em> (1987) e passa a viver no bairro, desaba com muamba nas costas em busca de maloca e tapioca; e apenas encontra morada na favela. É quando sente saudades pela infância que não viveu, pois Ele nasceu como sol. O documento histórico da metrópole é sua população. A cidade faz das casas gaiolas e as pessoas se prendem e prendem seus pássaros em prisões para eles cantarem de tristeza e de saudade. Meu canto é de pássaro novo longe do ninho. Em Fortaleza, o mar trata de enferrujar cada estrutura metálica, colapsando grades e cercas elétricas. Já o corpo do amante é preenchido de ferrugem e osso.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Amores de bolso</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Aug 2025 13:54:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[realinho meus chakras
quando sento na sua cara]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Desejos a tiracolo — costurados com linha fina na carne dos bolsos que atravessam campos e cidades. É ziguezague, é movimento serpenteado neste livro: enquanto a brutalidade do mundo segue desfazendo todas as nossas costuras, Amores de bolso, da autora Dani Mara, nos lasca um beijo feroz e urgente. Você se esquiva ou agarra?</p>
<p style="text-align: justify;">
<strong>Thaiz Cantasini</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Poemas porque você não gosta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 09 Aug 2025 21:06:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[dizer tchau

aqui me invade
a vontade de ir embora
passar pela porta e dizer:
aqui já não existo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">quando li o livro de profânia tomé, depois de longas ressalvas sobre o que se apresentava, olha aqui, não é bem assim do jeito que você tá pensando – peraí, tem aquilo também – foi como sair para um date. dei match, rolou aquele interesse pré-papo, flertei, nos falamos a sério as intenções pretendidas, combinamos. poderia ser a qualquer hora, menos às seis da tarde. encontramo-nos: o livro estava lá, numa sedução meio dúbia, no intento do mistério, no desejo do desleixo, fazendo um cu doce disfarçado de charme, despretendido de me querer. mas ali descobri os gostos, os desgostos e os esgotos. coisas acesas, delirando e queimando na cama, por dentro do vestido, nos loucos cabelos, nas unhas pintadas, nos traços do papel, nos tragos da fumaça, consumidas nas cinzas e fagulhas do ardor. é um livro sobre amor, sim, não vou mentir. mentira seria dizer que não amamos e nem mais amaremos. acho que ciceroneamos as afetações da vida tentando captá-las, dominá-las, quando tudo que capturamos é o que não conseguimos fazer com elas. em tanto pavor de amar e medo de se dar, nos trincos das portas abertas do peito, é piegas talvez admitir que os dizeres a que nos destinamos são quase todos sobre amor. da sofrência, paixão, tesão, solidão, sofreguidão, esfregão de água sanitária para tirar você de dentro de mim. nada expurga, apenas consuma. choramos, gozamos, rimos, abraçamos, beijamos, lambuzamos, execramos, afetamo-nos. são poemas sim, também porque você não gosta deles. podem ser poemas sobre você, talvez alguns podem até para ti ser, outros para outros, outros para ela, mas não importa se você gosta de poemas ou desses – nem todos bem te querem ou mal te querem. mas sobretudo porque eles bem quiseram ser escritos, e que fosse profânia a escrevê-los, roçando, afetando-se com todos os porquês que sabe ou não sobre o gostar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>noah mancini</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Estilhaços de um baobá de vidro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 09 Aug 2025 20:24:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A palavra tem poder
A palavra limita
A palavra extrapola
A palavra desnuda
Muda, transforma, muda, cala

Fala, preta! Fala!
Articula essa raiva
Exala resistência
Grita a tua inconformidade
Presenteia-me com tua palavra

Sinta-se livre para palavrear
Deixa a marca da tua autoridade
Espalha teu corpo-grito
Escurece minhas vistas
Incendeia nossa sala]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>Afroestima e resist</strong><strong>ê</strong><strong>ncia</strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Em <em>Estilha</em><em>ç</em><em>os de um baob</em><em>á</em> <em>de vidro</em>, sexto livro da baiana Lavínia Mendes, a poeta se utiliza de observações sobre o corpo feminino, antes (em suas obras) abordado a partir da sexualidade com foco no amor e prazeres, agora como ferramenta de resistência.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos textos desta coletânea, Lavínia desnuda-se para ampliar vozes de mulheres diversas que, infelizmente, compartilham das mesmas angústias que o eu lírico das poesias que compõem o livro. Trazendo referências da História de quem veio antes de nós, da questionável política brasileira e todo o racismo e violência existentes, os cotidianos de mulheres negras no Brasil são traduzidos em versos marcantes.</p>
<p style="text-align: justify;">Entretanto, <em>Estilha</em><em>ç</em><em>os de um baob</em><em>á</em> <em>de vidro</em>, lógico, não se resume a dores: a afroestima, as resistências desde a manutenção do cabelo black power ao uso do pretuguês, são os pilares deste conjunto de poesias que farão você refletir e ambicionar a revolução.</p>
<p style="text-align: justify;">Boa leitura.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Lorena Ribeiro</strong></p>
<p>Escritora e responsável pelo Passos entre Linhas</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Um corpo que espera</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Aug 2025 21:24:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Só fui entender meu pensamento
quando te vi: elefante.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Um corpo que espera – e transborda! Os poemas de Carla Andrade são flashes – focos de luz a iluminar momentos, traduzindo em palavras o espanto, a surpresa, o encantamento pelo que nos cerca. Carla atravessa o cotidiano a observar os detalhes, o que pareceria mínimo, se não o fizesse de forma tão bela e poética: “Como quem vence um campeonato de apneia“, “Voltagem de um trovão”, “Buquês esfarelados no céu” “Ela soprou o dente-de-leão/ para desintegrar o universo”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Líria Porto</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Tempestade intempestiva</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Aug 2025 17:40:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[não é mais tempo de dúvida.
ser incerto
hesitar
cego diante das necessidades:
de que isso adianta?
nos últimos dias,
tenho amanhecido assim
cheio de dúvidas.
nutrem meus medos,
devoram minha sanidade
e diante da verdade
percebo —
não há tempo para viver outra vida.
outra época pensei
quem dera viver outro eu;
hoje eu repenso
quero ser o melhor que puder agora.
meu coração se nutre da certeza.
o sol permanece em seu ir e vir;
tudo passa um dia
sempre foi assim.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Assim me atravessa Tempestade intempestiva: explana o movimento e as mudanças, como um dia ensolarado cortado por raios e chuva forte. Sinto Iroko e Oya.<br />
A seiva do tempo é a conexão com a natureza, este que mesmo diante da morte continua o seu fluxo.<br />
E nas entranhas da morte, é preciso permitir a fluidez das águas. Limpa e renova enquanto corre. É viver em luta e não deixar fugir a serenidade.<br />
Mesmo ao cair e perder, jamais render-se ao mundo cruel e à iniquidade capitalista.<br />
Os mistérios da esfera precisam ser vividos, como destino sem negação. Abandonar frios etapismos e aprender a viver as dúvidas — depois matá-las ou transformá-las. Finaliza sobre amolecer a dureza através do amor e dos seus anseios, apaixonar-se e descer dos céus, lágrimas-chuva no rio ao levar a água que nunca será a mesma.<br />
Os poemas ensinam que não se controla, nem dentro e nem fora, o súbito Tempo.<br />
O livro me diz: viva.</p>
<p style="text-align: justify;">
<strong>Paula Ana </strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Leopardos que dormem nas copas de árvores</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/leopardos-que-dormem-nas-copas-de-arvores</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Jul 2025 11:42:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[mulher sabe
como se imaginar
em porta sessão

olhei nápoles
como caneca de odin

descentrar falas roubadas
amarrar cadarços
uns dos outros

ver-me em primeira
escala. <strong> <span style="color: #ffffff;">Julia Peccini</span></strong>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Leio Julia em pausas<br />
&#8230;<br />
Estou em uma ilha, cercada de água,<br />
sem atracadouros, sem amarras, superfície lisa<br />
Exilada<br />
À frente, o Atlântico<br />
Em suas palavras “olho a onda<br />
entre o murmúrio do tempo”.<br />
Silêncio é o que me cabe nessa profusão<br />
de palavras<br />
sólidas<br />
expostas<br />
nuas<br />
Me vejo entre fronteiras,<br />
em um “tempo fora do tempo”<br />
Sinto<br />
&#8230;<br />
E como Julia me pergunto<br />
“será que todas as raízes das palavras<br />
do mundo são as mesmas?”<br />
&#8230;<br />
Mergulho<br />
Rodamoinho de desejo, medo, vinho, sexo,<br />
memória, amor, falta,<br />
círculos e círculos e círculos<br />
“às raízes escondidas prefiro afundar-me<br />
na dor daquele descobrimento”</p>
<p>Ainda com a roupa molhada no corpo penso<br />
Todos estamos presos a um Coliseu<br />
sem muralhas<br />
A poesia de Julia me atravessa<br />
Preciso do tempo<br />
Do silêncio<br />
Me abeirar até<br />
“a península que ainda não existe”</p>
<p><strong>Chris Facó</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Claustrofílica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Jul 2025 13:17:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ao som de quaisquer
anos noventa meus dentes
claustrofóbicos

teu gosto azul
mastiga todos os domingos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Encontram-se, em Claustrofílica, eu líricos fragmentários, contraditórios, inquietos e excessivamente autoanalíticos, que lutam contra sua própria natureza. Espera-se que entretenham o leitor por exaustão, mas por uma exaustão que, sendo escolha, faz-se potente: pendula porque precisa, porque seu lugar é aquele e não é, porque o amor há de ser e não há. O desejo está no meio do caminho entre ir e ficar, entre o eu e o outro; o vem e vai entre extremos é a alternativa para abarcar o complexo e manter a tensão, que não pode ser resolvida. As vozes do poema encontram a identidade na hipótese; e se a hipótese fatora-se em múltiplas possibilidades diante de um eu mutável, o encontro com o outro, suposto mutável também, torna-a infinita. Não há conforto diante do infinito, mas há. Os eu líricos são indagadores incansáveis, e as perguntas parecem ter fim em si mesmas — não<br />
devido à estrutural incapacidade do interlocutor de responder, nem à ausência de ânsia pela resposta — pelo contrário, ela está presente, e muito —, mas devido à essencialidade do mistério. O mistério é, em Claustrofílica, o objeto do desejo; e, embora a busca por resolvê-lo seja sua força motriz, resolvê-lo, de fato, é dispensável. O encontro amoroso aparece, então, com amálgama da tensão irresolvível, que a contém e, por isso, reproduz — o amor, para ser amor, é não amor, também. E aliciado pelas suas contradições é como se espera que esteja o leitor recém-saído deste emaranhado.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Marselhesa para sangues impuros</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Jul 2025 12:25:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[calunga é meu passado
é meu futuro
calunga é o mar
calunga é o monturo

calunga é o monturo
de corpos
empilhados
no cais do valongo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>marselhesa para sangues impuros</em>, de leo gonçalves, é uma séria proposta e testemunho de experimentação poética que remexe e recombina as profundezas da cultura em textos/espelho como contribuições onde se vocosonorizam, tactiabilizam, cromatizam e gestualizam, movimentos em vai e vem das experimentadas linguagens ancestrais em zigue-zague como resistência vibrante e exemplar de ovissungus. estes ecoando com a força de um povo que, mesmo sob o açoite da opressão, expõe nesse movimento ou como dança, ou como música, ou como narrativa ou como ato de fé, as energias que subvertem em sexualidade, em eroticidade a dor em luta, como gestos do lúdico e da alegria em miríades expandidas.</p>
<p style="text-align: justify;">o livro é uma orquestração de vozes e ritmos, onde o sagrado e o profano se encontram, onde a alegria, o lúdico e o erótico se manifestam multiformes agregando em si várias temporalidades como o refúgio de buscas constantes. das encruzilhadas do blues aos tambores ancestrais, da diáspora à celebração da negritude, esses ovissungus de leo gonçalves pulsam com a vida que teima em florescer em meio ao caos de seda e de ternura.</p>
<p style="text-align: justify;">com uma linguagem em sexualidade que ora fere e ora acaricia em eroticidade, o autor nos convida a revisitar a história, a questionar o presente do antropoceno e a construir um futuro onde a liberdade seja mais que uma palavra, mas a energia que pulsa em todos. <em>marselhesa para sangues impuros</em> expõe em cena os sentidos dos cantos/poemas (ovissungu) em sonoridades, visualidades, tactiabilidades como músculos da paisagem que deve residir na beleza humana.</p>
<p>abreu paxe</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Estado de particular calamidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Jul 2025 00:35:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Apesar de toda a esterilidade dos tempos

engravidar calendários

com a obstinação dos ciclos

gestar as dores

parir planos e

criar expectativas sem apego:

contrariar estatísticas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Quando a Molina realizou um voo curto por uma aula de interpretação teatral em 2014, eu estava presente para aplaudir. Onze anos depois, nos reencontramos online — e escritores. Neste seu brilhante Estado de Particular Calamidade, ela revela o segredo que só quem já fez teatro sabe: os deuses estão a um verso de distância.<br />
Na poesia de Molina, até um chiclete amassado no asfalto serve de portal para a Grécia Antiga.<br />
O sublime e o transcendental acontecem no encontro com o cotidiano, longe da Igreja ou de qualquer Instituição Maiúscula.<br />
Molina conhece o tamanho de uma frase. Às vezes, um haicai flutua pequeno na imensidão da página, mas o seu poder de síntese atravessa pior que flecha. É o mais saboroso da poesia contemporânea: a observação lírica da vida convivendo com o desabafo no ponto de ônibus, aquele versinho esquecido no bloco de notas ou uma confissão íntima e cortante.<br />
A relação complicada com a profissão-poeta não fica de fora. Arte, carreira e dinheiro escorregam sem romance nos poemas, o que cria um vínculo honesto com quem lê. Da calamidade, se fez poesia, já dizia aquela passagem bíblica que eu inventei — mas que a Molina inventaria melhor. Mais irônica, honesta e genial.<br />
Aprendo com os deuses.</p>
<p style="text-align: justify;">
<strong>Moisés Baião</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>leva (     ) dias e ( 49 ) poemas para esquecer</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/leva-dias-e-49-poemas-para-esquecer</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Jul 2025 17:10:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Aceitar que o seu rosto não toca mais a minha mão
é aceitar
a galinha
que a raposa
matou
e não comeu.
(<em>oferenda</em>, página 24)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>São pequenas aberturas, pequenas frestas por onde o vento passa, por onde a água sai da pedra, por onde o sentido, inaudito, chega. Os poemas que você vai ler neste livro são, a um só tempo, sutis e profundos, leves e densos, ásperos e suaves. Como em um oxímoro a tempestade é calma, o silêncio é sonoro. E o que chega pelas frestas, de onde vem?<br />
Vamos aos poucos sendo conduzidos pelas mãos de Juliana à abertura de uma outra escuta, atenta ao rumor subterrâneo das relações, dos seres, da vida. Atenta ao invisível da poesia que permeia tudo e à densidade dos corpos. Independente do que faça, a poesia é a raiz mais profunda de Juliana Schneider, sua escuta primordial, algo que nasceu com ela.<br />
Por sua sensibilidade poética somos tocados pelo amor. A vida é o amor se movendo em seu infindável caminho de transformação, aqui mesmo, no mínimo gesto, na vida de todo dia. Porém o que chega pelas frestas vem de um corpo profundo de mulher que se abre, afunda, morre e vira cinza para esquecer, renascer. Esquecer é virar cinza. O rumor vem de um processo uterino que vai nos revelando a geografia de um território feminino em movimento, nascente das águas que chega à superfície. Temos acesso ao itinerário desse “desmanche” que não cabe em números e ainda assim se traduz em dias, em poemas. E deságua na tessitura de seu próprio aviso, sua própria voz: “é por aqui que o ar entra”.<br />
Nada neste livro é ao acaso e ao mesmo tempo é como sentar-se para tomar um café numa tarde desocupada.<br />
No entre, o fio invisível se transforma e alcança a vida maior que o indivíduo. A escrita é o testemunho deste itinerário e desta geografia, e também a possibilidade de partir, soltar-se no devir, de seguir a vida que, transformando-se, chama, como no poema &#8220;mesmo que chova&#8221;:<br />
“Olha bem as roupas no varal e o sol que talvez não fique e neste momento tens que decidir se o abrigo com pouca luz vale mais que um tempo incerto a queimar.”</p>
<p><strong>Camila Jabur</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Cartas de amor para meninas mal comportadas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/cartas-de-amor-para-meninas-mal-comportadas</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Jul 2025 11:12:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A primeira vez que fiz amor com uma mulher
Despertei com os gritos dela de alívio,
Um silêncio alto de suplício
Afinal era apenas o início.

Das suas pernas escorriam lágrimas de um dilúvio,
Ela era a nascente de uma nova guerra,
E eu aprendia a distinguir o mar da terra.

...
(Virgem, página 15)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Querida L.,<br />
Ao escolher o encontro que essas páginas provocam, talvez você não saia ilesa. O tempo é malandro, quase nunca antecipa o que destruirá ao chegar. Mas o tempo sempre chega e a escolha do encontro é sua.<br />
Eu própria, L., já conhecia essas Cartas de amor para meninas mal comportadas desde o nascimento das primeiras linhas. Foi no Núcleo de Dramaturgia Feminista, conduzido por mim online em plena pandemia de 2020, que o desenho deste encontro começou a pressionar o contorno da folha em branco. Podia dizer a você: “conhecer protege”. Mas não é verdade. O encontro, quando tem acontecimento, é inexorável.<br />
Eliana N’Zualo é bem humorada e isso é perigoso. Ela é um corpo em movimento e faz essas cartas viverem – e assisti a uma prova disso em Lisboa anos depois dos primeiros versos dessas cartas, por isso posso dizer com propriedade.<br />
Veja L., eu não saí ilesa a essa leitura mesmo depois de ter certa intimidade com o texto. Seria muito inocente da sua parte achar que sairá a mesma pessoa depois de colocar cada uma dessas palavras para dentro de você. Veja bem: estamos falando da força de uma poção mágica “Feita das placentas/ Daquelas que enterravam /Os nossos umbigos/ Onde os pudéssemos encontrar,/ Para sabermos sempre /Onde era o nosso lar.”.<br />
Talvez L., depois dessa leitura você saiba para onde voltar. Talvez não tenha volta. Talvez o tempo seja malandro com você.<br />
De qualquer forma, há um acontecimento neste livro L., a sua escolha em provocá-lo é um partir para dentro de si. E, diz Eliana: “As dores de partir/ São as mesmas que nascer:/ Agudas e teimosas.”</p>
<p>Boa leitura.<br />
Bom nascimento, L.</p>
<p>Com amor,<br />
<strong>Maria Giulia Pinheiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Aziza</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/aziza</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Jul 2025 13:04:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ruído na escada
o vazio deixado por alguém que passa
move a existência
no jardim o atobá
e o seu frescor oculto
exala docemente
a vida no alto
o vazio deixado por alguém que passa
alumia para fora a paisagem
incendeia os olhos
que horas são? — pergunta ela
o vazio deixado por alguém que passa
sorve do dia seu abismo
e não responde
mantém com ele estranha sintonia]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em AZIZA novas constelações eclodem das <em>oscilações prolongadas entre sons e sentidos</em>, deslizando entre o onírico e o hiper-real, entre a delicadeza e a volúpia, entre o fluido e o pontiagudo. Torrente. Intensidade diferente e próxima à <em>lâmina d’água</em> em <em>sim, é</em>, o livro anterior.</p>
<p style="text-align: justify;">Fátima Pinheiro escreve com <em>a zona febril da voz</em> porque <em>arder na linguagem</em> é também acolher a morte, e trazê-la para perto vem junto com a fina observação dos objetos mesclados aos estados d’alma e corpo, fazendo-se palavra desde a sua gênese, envoltos na voragem das <em>coisas feitas de sons, </em>deflagrando sabores nas <em>minúcias acústicas que as vogais sugam</em>: <em>o cheiro da fruta me conduz à fruta/ a cor se abre como mácula.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Leio AZIZA como um cântico de amor à língua, essa que <em>desliza numa zona crispada, </em>amor apaixonado, amor sem solução, amor que exige nada menos que <em>levar a palavra ao seu limite/ de tal forma que ela se sinta usada/ que nem pedaço de pano que se molha</em>, pano úmido sobre a tez, o mais superficial e o mais fundo, memória d’água e<em> margem fresca</em>, a equilibrar a <em>África que ressoa </em>nos pulmões.</p>
<p style="text-align: justify;">Ode sagrada, profana, carnal, brado e pranto, as palavras se embebem de corpo, banhando a língua em louvores à África. Onde? <em>Mãe, mulher parida, mutumba, fundura, deserto, evaporada. </em>Talho, página, cicatriz: <em>nenhuma palavra, não há nenhuma/ a África desbota a razão.</em></p>
<p style="text-align: justify;">O corpo-África é sítio geográfico e não-geográfico, lugar e deslocalização, címbalos de vozes em línguas diversas, vegetal, animal, mineral e simultaneamente, o <em>vazio deixado por alguém que passa.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Réquiem entoado em silêncio, por instantes à duas vozes, <em>luto em fúria sob árvores dobradas</em>. Qual é a medida do luto? <em>Ver o rinoceronte/ cultivar flores em seus cascos/ encontrar o teu rosto frente ao meu</em>. Duas e uma e várias e múltiplas vozes a indagar: &#8211; <em>o que é a língua? De onde nascem as palavras? Vazias agudas e falhas, suspensas, incriadas</em>&#8230; shssssssshssss&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;  &#8230;. ..</p>
<p style="text-align: justify;">Leia Aziza Moyo, e você verá como é <em>arriscar onde não há nada/ dali cravar uma pequena palmeira/ e ver se desprender o fr&#8230;&#8230;&#8230;. &#8230;. &#8230; </em>leiam Aziza Moyo!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong> Lucíola Macêdo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>A morte e a sorte não mandam recado</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-morte-e-a-sorte-nao-mandam-recado</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Jul 2025 17:57:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Tudo são palavras.
Se você não piar,
passarinho verde fala.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Ao ler <em>A morte e a sorte não mandam recado</em>, o livro de estreia de Maurício de Olinda, uma pergunta me ronda: que tipo de sorte acompanha uma pessoa que escreve poesia no Brasil?</p>
<p style="text-align: justify;">Logo, algumas certezas surgem. A primeira delas é que, assim como a escritora italiana Natália Ginzburg afirma em seu belíssimo ensaio “O meu ofício”, Maurício sabe que é escritor há muito tempo. Não sei se, há 15 anos, quando o conheci, ele se via assim, mas sempre foi um excelente contador de histórias. Acredito que, assim como Ginzburg, ele já sabia, de algum modo, que a escrita se transformaria em seu ofício; que escrever seria como estar “em seu país, nas ruas que conhece desde a infância”. A sorte, portanto, está cravada nesse não-dito, nesse mistério que envolve o processo e o desejo de escrever.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>A morte e a sorte não mandam recado</em> é uma estreia literária que traz um projeto bem delineado, que vai além de organizar poemas com temas ou estilos semelhantes: ela os conecta ao ciclo da vida e da morte de corpos humanos e não-humanos, de ideias e de amores. Em <em>O corte</em>, <em>O outro</em> e <em>A morte</em>, as três partes que compõem o livro, somos apresentados a poemas que exploram a beleza e o tormento das relações. Que corte seria esse (de um baralho, talvez?) senão o do corpo, que se expõe ao mundo e, consequentemente, ao leitor? O que seria o outro senão aquele, seja humano ou não, com quem buscamos entender nossa própria realidade de mundo? O que seria a morte senão o grande mistério que persegue a vida e, paradoxalmente, lhe dá sentido? O percurso da existência, com suas vitórias e desafios, é impregnado de sorte (ou da falta dela): “Viveremos um resplendor ou uma tragédia”, dependendo do alcance de nosso desejo; é possível perceber, nos pequenos rituais diários, que ainda estamos vivos “Enquanto ralo/ meus nabos e rabanetes”; ao entrar em contato com a vileza do mundo, se perguntar “Qual será o deus depois do massacre?”.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez a sorte de escrever poesia no Brasil esteja diretamente ligada à de conhecer obras de escritores que, assim como nós, buscam na escrita seu verdadeiro ofício. A sorte, ao ler Maurício de Olinda, é encontrar, neste livro, o <em>Outro</em> sendo representado por uma mariposa, um gafanhoto, um carcará, o vento ou um pé de tangerina: “Tudo são palavras./ Se você não piar,/ passarinho verde fala.” Nessas relações, revela-se a necessidade de ressignificar o corte, nosso primeiro contato com o mundo, e a morte, que não é nosso último.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mariana Marino</strong> busca viver do ofício de escrever. É poeta e doutora em Letras.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Bagatelas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/bagatelas</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Jul 2025 17:50:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[nada, nada, é funda a barra
ou canhão que à fura-barda
ou navarra surra, às tranças
nada às ratas, tudo às padas

nada, tudo, é pouca a borda
ou quinhão que à barafunda
ou mascarra, o nó e a corda
nada à parca e tudo à mosca

tudo, nada, é lança às barras
ou brasão, que à semelhança
ou amarra, ao mais se dobra
nada às faltas, tudo às duas.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Por seu ritmo entrecortado e sua sintaxe fragmentada, o leitor que percorrer Bagatelas, conjunto de 96 poemas escritos entre 2022 e 2024, se deparará com uma espécie de alvenaria de imagens deslocadas. Em sua definição dicionarizada, o termo que dá nome ao livro é utilizado para se referir a algo prosaico, trivial; mas é também, em música, o nome dado a pequenas peças, geralmente compostas para instrumentos de câmara, como piano ou quarteto de cordas, em que a brevidade não exclui a densidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Como em uma pintura de gênero barroca, um interior de cômodo holandês atravessado por luz lateral, os atos cotidianos adquirem uma carga litúrgica, contrapondo o sagrado e o mundano. Em versos curtos e sincopados, escritos com uma estrutura marcada (três estrofes de quatro versos heptassílabos cada), um imaginário de excessos e volutas se confronta com o desejo de ordem e simetria formal apolínea, marcado por rimas internas, ecos e aliterações.</p>
<p style="text-align: justify;">Nestes hinos esburacados, o leitor perceberá uma condensação de imagens compostas por justaposições abruptas, montagens orientadas por uma direção de cor e de volume, quase como se fossem talhadas em camadas de matéria. Capelas, portos, desertos e cidades marcam êxodos e deslocamentos que coexistem com geografias interiores. A violência e a calmaria, o bélico e o civil, o náutico e o terrestre, o humor e a sobriedade, a história e o idílio, linguagem e ícone, se tensionam como superfícies em atrito, massas comprimidas em uma escultura instável, prestes a ruir ou a se recompor.</p>
<p style="text-align: justify;">O material e o figurado aparecem em constante fricção com a cadência oral e uma lírica rarefeita, marcada pela cintilação de uma atmosfera metálica. Uma orientação escultórica e ornamental envolve os poemas em um véu delicado, mas que esconde estilhaços. Há aqui um impulso enciclopédico, com versos que evocam outros versos, que abrem fendas e nelas se insinuam referências, heráldicas, preces. Esse impulso opera ao lado de cartografias de territórios e romarias.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez seja possível ler <em>Bagatelas</em> como um gesto de inconfidência lírica; não no sentido da ruptura, mas de uma continuidade que só se realiza por desvio. Como escreveu René Char, “nossa herança não é precedida de qualquer testamento”: é preciso traí-la para que sobreviva. A forma aqui não é cárcere, mas campo de tensão; e essa aparente contenção encena cópulas inesperadas, revelando o esboço de uma insurreição.</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Prendi o pé na corrente da minha bicicleta</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/prendi-o-pe-na-corrente-da-minha-bicicleta</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Jul 2025 20:23:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[existe, nas ruas, um gato sultão
sem comida, sem água
nem dá pra fazer
glubglubglub

e uma gata napolitana
sem casquinha
quase sem o creme
o chocolate já esteve na moda]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Quando li pela primeira vez os poemas de Malena Pedro, logo os associei àquela sensação descrita pelo título de um dos livros do Dalton Trevisan, “picos na veia”. São poemas que vêm rápidos, como um recado pra gente fazer alguma coisa, ou prestar atenção em alguma coisa. Agora, com o livro que eu e o leitor vamos ter nas mãos, uma outra ideia surge pelo título aparentemente comum, mas incômodo: <em>Prendi o pé na corrente da minha bicicleta</em>. Os poemas podem bem ser experimentados pelo <em>frisson</em> da experiência: um pouco de raiva e do ridículo involuntário, e uma vontadezinha de ser salvo pra alguma coisa (o pé?, o coração?) não machucar e não doer. De bicicleta, um certo território é percorrido, e, no atravessar de uma esquina, os poemas de Malena Pedro te encontram, leitor. Em algum momento, um deles vai nos dizer: “não quero te beijar/só quero ficar aqui sentado no meio-fio da calçada”. Nada contra o beijo, mas há momentos em que o que interessa é o meio-fio, o meio do caminho, o meio da rua. O beijo para as horas de amorzinho, o meio-fio é o entrelugar de ficar atento. O meio-fio é um bom lugar para se pensar a poesia que a gente lê aqui: entre o beijo e a rua, entre um verso e outro, esse espaço entre o ir e ficar parece então se traduzir na feição dos poemas. De um verso a outro, Malena Pedro nos leva a provar da familiaridade do cotidiano até nos fazer andar aos tropeços (para uma percepção ou às vezes uma decepção) do que não pode ser evitado, e que por isso é viragem do dia a dia, e virada do verso: “coloca o leite na medida/de uma lata de leite condensado/joga na panela/e mexe mexe mexe mexe sem parar/até você perceber que/doeu em mim também.” Para tampar esta orelha, ainda um som do poema: “não me importo de preencher o buraco /da sua parede/sou mesmo um engenheiro de obra pronta”, diz o poeta para quem ama e para quem lê. O engenheiro, que não é João Cabral, trabalha aqui muito mais para re/desconstruir do que para montar edifícios: faz a gente olhar de novo cada calçada, cada muro, cada palavra ouvida ou riscada na parede. É assim que Malena Pedro, sabendo cada medida do que faz, traz tudo de mais genuíno que a poesia tem a oferecer.</p>
<p><strong>Marcelo dos Santos</strong></p>
<p>UNIRIO, Professor de Literatura</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Falando da cidade</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/falando-da-cidade</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Jul 2025 13:43:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[e a profecia continua dizendo:
“na seca quem cospe
‘tá sujeito a morrer.”]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Clóvis Filho (Clovinhos), poeta no submundo da insignificância da arte para pessoas desinteressadas, em Falando da cidade, traz a poesia urbana das cidades do interior do Brasil, suas pessoas, seus costumes, contradições e contemplações, e por ser sertão, a seca, a raiva, a revolta, mas também o molhado, o amor, o sonho, e toda construção de quem olha por fora sentindo o que está por dentro; o quintal como o mundo no pertencimento do que a personalidade fala de si, misturado ao que a cultura do lugar diz de todos, inclusive do próprio. Enfim, a história de uma cidade contada em poemas, a beleza (ou estranheza) interiorana que há em várias cidadezinhas brasileiras por aí.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Resto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Jul 2025 13:20:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">os cheiros. a insistência. o cheiro de pano de louça lavado. o cheiro de metrô. o cheiro ruim e amarfanhado que é fetiche — você não tem mais aquela calcinha achada com o motorista? o cheiro da pobreza que é fetiche, que não é cheiro de flores abertas, aromatizador ou de vinho importado comprado na bodega. ao ouvir falar do seu cheiro, a vermelhidão vai subindo no homem. cheiros de tensão, cheiro de sexo, cheiro sentido pelo cachorro debaixo da cama.</p>
<p style="text-align: justify;">
(trecho de “hospedeiro”)</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A poesia de George França nos convida a um mergulho exatamente onde o rio encontra o mar — e a poesia a prosa. Com pontos de Walt Whitman e seus versos longos, prosaicos, quase épicos, mas também com a vividez e intimidade dos proemas de Ana Cristina Cesar, França costura uma tapeçaria entre o Brasil e o mundo; o moderno e o contemporâneo.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda, <em>Resto</em> fica na corda bamba entre o clássico e a cultura pop, como no poema “Shakespeare existiu”, onde aborda o grande poeta e dramaturgo a partir da polêmica de sua existência. O poema reflete também sobre a noção de permanência do cinema e de sua reprodutibilidade, televisão e música com ironia e queeridade. Dessa forma, França se coloca como um poeta refinado e pós-moderno por expressar o que é mais caro à poesia contemporânea.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Resto</em> é composto de sete partes: <em>infans</em>; <em>escola</em>; <em>nascer, crescer e fugir</em>; <em>empacotados</em>; <em>de um diário abandonado</em>; <em>marinheiro</em>; e, por fim, <em>necrológios</em>. Os poemas trazem à tona temas tais quais: queeridade; infância; dualidade entre vida e morte; carnaval; envelhecimento; literatura; cinema; música e tantos outros tão relevantes quanto para se pensar o Eu contemporâneo. Ambientados ora no interior e ora na capital, com marcas culturais de Florianópolis — local onde “miramora” — e tantas outras cidades cosmopolitas do mundo, <em>Resto</em> é também uma viagem por culturas e lugares mundo afora.</p>
<p style="text-align: justify;">Em versos pincelados com tom surrealista, George França cria em “casa de bloquinhos” uma espécie de passeio pelo universo onírico, um tipo de fluxo de consciência versificado daquilo que é espectro do mais íntimo Eu — pontos em que flerta com a poesia moderna de Murilo Mendes. Já em “<em>live to tell</em>”, França nos apresenta um poema epistolar para alguém muito amado que já se foi. Com intimidade que deixa quem lê à mercê dos não-ditos, à la Ana C., “<em>live to tell</em>” mostra também o não vivido e, portanto, torna-se um poema sobre ausências — a carta tardia para a qual não já não há mais destinatário.</p>
<p style="text-align: justify;">Com clareza e refinamento, França constrói uma poética que transborda intertextualidades, humor e crítica social a partir de eus-líricos que soam um desbravar pelo mundo e, mais importante, pelos seus universos interiores: memórias, opiniões, desejos e inquietudes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Renata Gonçalves Gomes</strong></p>
<p>Professora da UFPB e Doutora em Literaturas de Língua Inglesa pela UFSC</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Linguagema</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Jul 2025 13:12:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[dizer sim
pra algo sim
tão rápido
que nem se deixe projetar qualquer não

cada evento
não mais que
trem que atravessa em travessia]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Linguagema</em> é um livro que te obriga a aprender a ler de novo. Não porque inventou uma sintaxe nova. Não porque a palavra metáfora transporta ilusões de conteúdo. É porque <em>Linguagema</em> nos faz os pés em ferida. É porque <em>Linguagema </em>nos faz os pés em ferida andando sobre veredas de sal. É porque <em>Linguagema </em>faz a letra coincidir com o corpo, e tudo dói. Ainda que contra a tristeza, ainda que contra a solidão, ainda que alegres, aprendemos tudo de novo de novo e de novo ainda dói.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando a letra coincide com o corpo, um trânsito de sentimentos emerge da folha fina de papel. O poema não oferece mais a garantia da página em branco, do indizível, do silêncio do beco, do quarto escuro mesmo que dia seja. E isso não é simples, pois perdemos o pronome pessoal do caso reto e já não podemos dizer eu (leio, penso, existo etc. etc. etc.). Este livro é que nos lê, nos ensina outros nomes, palavras esquecidas e palavras em devir. Palavras vão e saltam e vem e mergulham e se chocam e se unem na falta. Faz a gente sair catando caquinhos de si — alguém trouxe cola¿</p>
<p style="text-align: justify;">Dividido em sete seções, cada poema torna-se uma chance que a gentchy ganha.</p>
<p style="text-align: justify;">Estratagemas de dizer:</p>
<p style="text-align: justify;">“não</p>
<p style="text-align: justify;">não é isso</p>
<p style="text-align: justify;">não é isso ainda</p>
<p style="text-align: justify;">também não é isso</p>
<p style="text-align: justify;">nem aí</p>
<p style="text-align: justify;">ali também não</p>
<p style="text-align: justify;">também não do lado de lá</p>
<p style="text-align: justify;">aqui mais perto também não</p>
<p style="text-align: justify;">ainda não</p>
<p style="text-align: justify;">ainda não isso</p>
<p style="text-align: justify;">também não aquela outra coisa</p>
<p style="text-align: justify;">menos ainda esta</p>
<p style="text-align: justify;">talvez essa mas não</p>
<p style="text-align: justify;">e menos ainda isto”</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Ensaios de si-mesmo na palavra outra, de mundos outros, de quem escreve outre. Quem¿</p>
<p style="text-align: justify;">Ensaios de língua, de linguagem, de gema de pedra preciosa e imprecisa, de gema mole dourada escorrendo escapando de qualquer possibilidade de definição. O que se propõe aqui só pode ser descrito com muita descrença de acerto como uma experiência, com todas as exigências melindrosas que a palavra experiência nos traz. O convite está feito.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Tarsilla Couto de Brito, poeta e professora de literatura</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>50 poemas para L.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Jul 2025 13:03:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[L., o que foi feito do ônibus que ainda pensa
a solidez do meu prédio amarelo
o meu corpo
que nunca esteve no portão
por mera coincidência
de te ver passar]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Todo poema é de amor — isso se sabe há tanto tempo que começamos a esquecer, eis grande parte do big problema hoje. Quando um tempo encontra no esquecimento virtude, a gente fica um pouco esperto e terrivelmente triste. Escrevemos sobre outras coisas agora, e, parece, gostamos assim. O amor, sobretudo aquele, ficou meio ridículo. A paixão costumava dizer coisas como os poemas deste livro dizem. Eis a beleza de Maria Fernanda, um risco e uma coragem, e que não haja dúvida: este é um livro terrivelmente triste, ainda que um pouco esperto também, e, sobretudo, belo. Seria bom que começássemos a nos recordar que há questões que só os poetas tomam como suas. É como meter o corpo na lama e enunciar o que, de outro modo, se preferiria deixar pra lá. Eros é uma delas. O que se encontra neste livro é o trajeto de um corpo em Eros, com e contra ele, é claro. Maria Fernanda deve ter visto a carcaça — é o que se anuncia aqui, rara e desconcertante vontade de cantar uma ruína, com voz e tudo — ritmo, verso — esta: a paixão, hoje. Um Deus morrendo. É preciso se lembrar disso antes que tudo comece a voar no esquecer&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Italo Diblasi</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Uma casa de piso vermelho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Jul 2025 12:43:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[As lamparinas no meu quarto
e a mãe contando de quando era menina
— Tinha um moço...
isso, tinha um moço que não era meu pai,
mas também era amor
e eu nunca quis saber deste amor
que meu pai não podia ouvir.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">É nos detalhes do piso, das paredes, da infância e da juventude que Viviane Santiago resgata e define memórias em palavras. Uma coreografia pontuada pela simplicidade e destreza de minuciar o poema de tal modo que se crie um inventário de emoções, amores e saudades. A autora encontra, na observação do cotidiano familiar, no abstrato e no imaginativo, um espaço aberto para o outro. Como se pudesse expressar, no poema, além de sua própria voz, também a voz daquele que a lê; numa compulsória valsa de semelhanças e lirismo, compartilhadas como em um acordo de cumplicidade e segredo sobre coisas que não contamos a (quase) ninguém.</p>
<p style="text-align: justify;">A autora expressa com sua despretensiosa delicadeza e observação momentos íntimos, tão seus que passam a ser nossos: “A foto da avó sorrindo/ ou meu irmão menino,/ que não sabia do peso que um homem carrega sobre as costas.”</p>
<p style="text-align: justify;">Em todos os versos, um grito. Uma fala que deve permanecer em silêncio. Silêncios possíveis nas entrelinhas, frenéticos pela possibilidade de serem vistos.</p>
<p style="text-align: justify;">A autora tece palavras como quem constrói caminhos feitos de linha de seda, numa tessitura de saberes que nos carregam com desejo incessante para que o trajeto — da vida e das páginas — dure um pouco mais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Carol Diniz Bernardes</strong></p>
<p>Doutora em Teoria da Literatura e escritora</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O dia mais feliz da minha vida</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Jun 2025 18:09:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[E quando, criatura,
toda cabelos eletrizados,
maquiagem corvídea
e vestido longo evasê,
em ataduras
ela
acordou
sobre uma maca,
e foi posta
para ladear o
noivo
?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>Lista de convidados</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em seu segundo livro de poesia, Ana Marta Cattani assume um desafio temático e adentra um dos motes mais versados pela poesia ocidental, o matrimônio. Mas casamento não é necessariamente amor.</p>
<p style="text-align: justify;">Amor era um dos temas principais de seu primeiro livro, <em>Tutano</em> (Laranja Original, 2023), no qual acompanhamos um eu lírico apaixonado que formula sua paixão até os limites do desejo físico, tornando-se, para dizer o mínimo, ameaçador. Cattani é uma poeta exemplar em rejuvenescer temas calejados.</p>
<p style="text-align: justify;">É importante considerar que <em>O dia mais feliz da minha vida</em> aponta para um casamento, mas o que a poeta nos entrega é mais esteticamente próximo de uma quadrilha de São João. Afinal, o que a seleta manifesta não é o rigor moribundo do cerimonial, mas uma imagem de sua afetação, de sua estética desencontrada, de sua propagação de mitos ultrapassados via ritos cafonas.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa exuberante quadrilha conjugal vai se desfiando mediante uma série de reposicionamentos da figura do eu lírico e, como não poderia deixar de ser, a figura da noiva é conjurada aqui numa enxurrada de versões e arquétipos: “Noiva descalça”, “Noiva-papão”, “A Noiva de Frankenstein”. Uma legião que transita por situações características ou radicalmente arbitrárias, chocadas nesse universo: “Véspera”, “A marcha nupcial” vs. “A barata bota a mesa”, “Orgia boliviana” etc.</p>
<p style="text-align: justify;">Enfrentando a missão de repensar personagens cristalizados, a autora aciona referências da cultura pop e de certo imaginário cinematográfico que abrange desde filmes b de ficção científica até a virilidade em caps lock de um Clint Eastwood.</p>
<p style="text-align: justify;">Percorrem todo o livro (como docinhos espalhados pela festa) aliterações sofisticadas das quais a poeta faz uso sem se render a saídas convencionais, mobilizando inclusive idiomas estrangeiros em prol da consistência sonora, como no caso de “Noivas”: <em>bibelôs no Marché aux Puces / embaraçadas embarazadas em baciadas / de preto pós-crepuscular</em>. Ou em “Trampa”: <em>um troço / branco / atrapada no banco de trás / entrapada em rendas / y tules /</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>destrozada / (com zê)</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Figuras como Batgirl e Eva são convocadas com absoluta paridade de força, e temos também um delicioso aceno ao menor kafkiano, quando os poemas encenam a voz de uma ervilha ou de uma barata.</p>
<p style="text-align: justify;">O que Cattani nos oferece neste livro, em suma, é um multiverso do “dia mais feliz” e as implicações terríveis e maravilhosas de um dia que leva esse título.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Gustavo Marcasse</strong></p>
<p style="text-align: justify;">dramaturgo e artista visual</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Imagética ode</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/imagetica-ode</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Jun 2025 09:59:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Como camaleão camuflo
As linhas obtusas da vida

Com garras de leão
Defendo os dentes
Caço a liberdade do ventre

Procuro o eu
Liquidificado na miscelânea
Das emoções do viver

Simplesmente
É complexo somente ser

(<em>Metamorfo</em>, 53)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Amor e odes</p>
<p>Os apontamentos poéticos da rosa-dos-ventos de Vulcão, roçados por sua híbrida língua braso-lusitana, são expoentes de delícias a desapontamentos.<br />
Em seu cinema de palavras traceja páginas e caminhos, pontilha lembranças, derrama sensações, em exercícios de formas — muitas vezes mínimas — típicos de quem foi fisgada definitivamente pela poesia e por poetas. Há um fluxo de potência feminal na totalidade dos versos aqui reunidos. Ela, a autora, deixa-nos como que assistir a tudo, ora por frestas, ora nos pondo espectadores diante da tela luminosa, em projeção, posto que tudo aqui, como revela o título do livro, é uma imagética ode de seus viveres agora impressos nas páginas que vão nos impressionando a retina, para projetar as suas memórias poéticas em nossos cinemas imaginários. E assim nos seduz, fazendo-nos achar que somos íntimos de seus viveres de ilhéu-cosmopolita.<br />
Em sua segunda obra, e ouso dizer que ousar obras é um tanto se atirar em abismos, sei que a queda de Ana Vulcão é para cima, como se pesca num poema daqui deste conjunto. E ela singra — vez cosmonauta, vez argonauta — tal qual uma Afrodite Afro, na constelação de seus escritos, que vão cada vez mais firmando sua tinta autoral. Recomendo a jornada por esse deleite particular que aqui se torna publicado.</p>
<p><strong>Pedro Luís</strong><br />
Cantor, compositor e poeta do Rio de Janeiro</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>A hora da chegada é mais longa do que o imaginado</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-hora-da-chegada-e-mais-longa-do-que-o-imaginado</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Jun 2025 12:29:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Desfoco o olhar e o olho treme,
a cidade passa feito vento,
e ao nada pertence.
Sem memórias, nem expectativa de uma vida futura a criar.
Nada físico, nem dor, nem anseios.
A pessoa que conduz o carro, não sei se possui um rosto, nem
ao menos se tem dois olhos e uma boca.
Uma distância absoluta, dele, da cidade.
Feito o trem em movimento do filme antigo, desfoque.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Há livros que contam histórias. E há livros que nos fazem percorrer nossos sentimentos.<br />
Bruna escreve suas poesias com vontade, não de afirmar algo, mas de abrir uma janela e deixar uma névoa sutil entrar.<br />
Sem um desejo de definir, seus poemas se debruçam sobre a dúvida, a insônia, a solidão.<br />
A fragmentação de tudo o que queríamos segurar para que parecesse sólido como a memória, o corpo, a identidade.<br />
Há uma comunicação que precisa se expandir, e é nessa expansão que o texto se constrói: entre o que se diz e o que se cala.</p>
<p>Ao leitor, oferece um fluxo de consciência desprovido de supérfluos, lembranças e esquecimento da memória, com imagens e palavras que se repetem, se desfazem e retornam.</p>
<p>Este é um livro para quem reconhece, na dúvida, um caminho para o questionamento.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Lucas Nunes</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Entre o cabimento das coisas e alguma redenção</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/entre-o-cabimento-das-coisas-e-alguma-redencao</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 21 Jun 2025 14:43:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[amor à gente
amor agente
amor, a gente.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Entre o cabimento das coisas e alguma redenção, Helen Fadul descobre e esconde o sentido dos dias. Sabe que, nos não-ditos da vida discreta, cabe o indomável, o selvagem, o não domesticado. É por isso que busca, na radicalização do <em>ser-de-linguagem</em>, não a salvação, mas uma rendição.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste volume, que combina poemas em verso e prosa, a autora percorre a matéria da palavra em sucessivas investigações. Experimentos verbais que desafiam a transparência das frases cotidianas para poder “ver acesas as línguas ambidestras”.</p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em>“Nada fácil criar um lugar para pertencer”, confessa. Fácil não é, mas é necessário — e por isso ela desentranha a rotina buscando “liberar as palavras mais reais quase visíveis”<em>. </em>Cria, assim, um sistema de códigos próprio, que aposta na proximidade máxima como estratégia de olhar.</p>
<p style="text-align: justify;">Submersão, subversão: seus textos sintéticos insinuam o encontro libidinal da autora com a linguagem. “Não para fazer lembrar, mas inaugurar / momento de impregnação”. Da leitura fica a sensação de estarmos diante de um segredo. Uma intimidade que não é nossa, mas que passa a nos incluir a partir do momento em que deciframos, sem verbo, os enigmas que ela escreve com o som das palavras que, sabe, serão sempre insuficientes.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p><strong>Carolina Zuppo Abed</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Águas para te beber amor</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/aguas-para-te-beber-amor</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Jun 2025 14:19:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Quer comer chocolate, mas abomina o açúcar, assim dizem que quanto mais preto melhor. Quanto mais preto mais amargo, difícil de digerir, mas é instigante o desconforto que causa, comem suavemente na tentativa de aliviar a dureza. O de leite não é saudável, muito doce, misturamos o amargo do chocolate com café e assim satisfazemos o nosso vício, preto no preto, sólido no líquido, molhado é mais gostoso.
(<em>Fetiche</em>, página 19)

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Entre afeto e solitude, a travessia marca ritos de passagem de diferentes fases de percepção do amor. A obra é uma viagem à intimidade da pessoa artista e um desafio ao sistema que coloca suas crenças coloniais, binárias e heteronormativas como única possibilidade de ser. Águas para te beber amor escreve e vive as emoções de uma pessoa negra audaz.</p>
<p><strong>Ami Sow</strong><br />
cineasta e ativista queer</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Vala comum</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/vala-comum</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Jun 2025 16:12:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span style="text-decoration: underline;">refluxo de consciência</span>: às vezes visagens violentas ouço vir lá do fundo, numa noite literal, o precisado buscar dentro, longe de ninguém, e o molde idêntico fazendo a diferença. algo rosna intacto: ovo-cacto em fome de mofo prenunciada.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Fluxo poético. Jogo poético. <em>Vala comum</em> é o mais recente livro de Ricardo Pedrosa Alves, que parece escavar no fluxo da linguagem, exatamente, uma vala. Cavado no solo da página em branco — nunca realmente branca, pois como se estabelecem diálogos com outros autores, inclusive de certa tradição —, o fosso (ou a vala) funciona, ao mesmo tempo, como espaço para o escoamento desse fluxo (“eu quero que leiam um chão e como afundei nele, querendo que afundem comigo”), mas também como espaço de instalação: “ir abrindo parênteses para que não se fechem, apenas o gesto inaugural importa, isso me permite iniciar muitos trajetos”. É o que se lê numa das últimas páginas.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Vala comum</em>, como outros livros de Ricardo Pedrosa Alves, experimenta a forma e a linguagem, traço distintivo deste laboratório poético, “um poema são todas as palavras juntas onde lemos um corpo que nos lê”. Corpo, corpos diferentes colocados lado a lado, que demandam por uma construção. Um gesto no poético, do poético que coloca em cena o “fazer poesia”. Um gesto para o outro, que exige esse outro (“é preciso haver alguém ali”), um movimento de letras e espaços no qual “a poesia, se vier, virá na sequência, enigmática”. Talvez um voo proposto/exposto, oferecido ao leitor?</p>
<p style="text-align: justify;">Trazer para o primeiro plano a distorção e o “fazer caleidoscópio” parecem ser, aqui, uma possibilidade de lidar com o real, uma vertigem necessária quando se está diante da “urdidura do estar no mundo”, ou ainda quando a tentativa de centrar essa trama só pode se realizar de forma descentrada, uma vez que, seguindo os passos de Lacan, o real “não cessa de se inscrever”. E esse não cessar chega em <em>Vala comum</em> pela via da própria performance dos poemas. Um livro que não deixa de lado a esfera do político, questões urgentes de nossa contemporaneidade acompanham o ritmo de sobressaltos, onde o(s) rasgo(s), que pode(m) lembrar os de Lucio Fontana na pintura, se apresenta(m) como elemento constitutivo do poema. A língua poética de Ricardo Pedrosa Alves enfrenta a palavra, lançando uma sonda na vala vertiginosa da linguagem e da vida: “ouviram o chamado do fundo? ninguém pode dizer, sequer o espelho inventor. melhor ser fungo, acaso mucosa // amor acaso, amor corpo, memória amor, amor doença”.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Patricia Peterle (UFSC)</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>No sétimo dia não descansou</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Jun 2025 21:36:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">a cada minuto, um funeral
sepultados nos rostos, assentos,
no chão de folhas metálicas
necrópoles modernas onde jazem
horas perdidas, irrecuperáveis
tragadas do escasso tempo
nesse, desconfortavelmente unidos,
rumores de música, telas, livro
pois, ao longo do dia, não há outro ensejo.</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span class="fontstyle0">Em meados de 2022, sob efeito de uma jornada exaustiva de trabalho, com deslocamentos demorados e insalubres em transportes coletivos, sem um tempo digno para me exercer, estar com quem amo e lograr de algum ócio, vi-me frustrado e revoltado. Como, à época, não possuía meios de mudar tal imbróglio, recorri às palavras para denunciar e dar vazão àquela angústia. Assim nasceu </span><span class="fontstyle2">No sétimo dia não descansou</span><span class="fontstyle0">, uma narrativa poética que expõe os dilemas de um personagem, ora homem, ora menino, ora ambos, que vê sua existência esmagada pelas cruéis nuances do capitalismo, como também pelo preconceito e outras violações. O livro traz ainda reflexões sobre a controversa relação entre fé, paixão e morte. Gosto de crer que há lampejos que reluzem no momento oportuno. Com esta obra sinto isso. </span><span class="fontstyle2">No sétimo dia não descansou </span><span class="fontstyle0">chega aos leitores justamente no momento em que se debate e defende o fim da escala 6&#215;1, modelo escravista de trabalho que anula existências reduzindo-as a meros corpos fabris e sustenta outros sistema de opressão. Nas esperanças e dramas deste menino-homem, reside o pranto de milhares de pessoas que, como ele, veem sonhos se esvaírem pela ausência de tempo e estímulo. Desejo que este livro ilumine e aqueça muitas consciências, e fortaleça essa discussão tão urgente e necessária.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="fontstyle0"><br />
</span><strong><span class="fontstyle3">Guilherme Rocha</span></strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Difíceis afetos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Jun 2025 14:52:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Esse ardor memorioso
repousado no corpo em demência.
Meu pai era militar. Minha mãe, dona de casa.
A ramagem exposta que alarda.
A casca dura que ampara a seiva.
Em casa havia uma arma escondida.
Estava vertida lá no fundo.
O que ainda provém?
Várias vezes peguei nesta arma.
Você também já não me olha como antes.
A recusa aprisionada no descanso do passado.
O filho gay. O desalinhado.
Corrosão nas vértebras dessa cidade
que também não me vê,
descobrindo os alicerces esfalfados
do precipício.
(<em>Voragem</em>, pág. 50)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Na <em>Ética</em>, Baruch Espinosa entende por afeto o modo como afetamos e somos afetados pelo mundo. Os afetos são forças de existir e de agir. Para o filósofo a alegria é um afeto que exprime a passagem de um estado de menor perfeição para um de maior perfeição; e a tristeza é um afeto que exprime a passagem de um estado de maior perfeição para um de menor perfeição. A partir da tristeza e da alegria, surgem novos afetos. Sendo forças, não se sujeitam a ideias ou vontades, apenas a outros afetos mais fortes e opostos. <em>Difíceis afetos</em>, de Jean Sartief, é um contramovimento. Uma afirmação da vida: <em>Esse ardor memorioso repousado no corpo em demência./ Meu pai era militar. Minha mãe, dona de casa./ A ramagem exposta que alarda./ A casca dura que ampara a seiva./ Em casa havia uma arma escondida./ Estava vertida lá no fundo./ O que ainda provém?/ Várias vezes peguei nesta arma./ Você também já não me olha como antes./ A recusa aprisionada no descanso do passado./ O filho gay. O desalinhado./ Corrosão nas vértebras dessa cidade que também não me vê,/ descobrindo os alicerces esfalfados/ do precipício</em>. Em “Voragem”, afeto e tempo misturam-se. O poeta recupera imagens e revela experiências. Passado e presente fundem-se e mostram como o tempo e o afeto operam na feitura do poema. A poesia reinaugura novas possibilidades de vida: <em>Muitas vezes tenho a certeza/ que os poemas/ guardam a vida/ mais que o próprio poeta. A palavra é o que fica, o que salva.</em> […] <em>No último fólio, está lá o desenho do coração entre os ossos/ e a caveira demarcando o fim ainda que a esperança seja uma promessa,/ um sopro de ar que se atreve a refrear a violência porque há a poesia</em>. Há a poesia?<br />
Se o tempo é o que se prolonga, o que dura, diz Sartief : <em>No princípio era a minha bisavó faminta/ atravessando um mar sem refúgio com sua roda da fortuna./ Hoje, a contagem dos passos em falso. A zanga.</em> Aqui, o tempo é como um raio encadeando o poema. Palavra lâmina, palavra em movimento. Tempo da palavra, visualidades. <em>A torre atingida por um raio</em>.<br />
Este livro é raio, lâmina, imagem, desejo, vida, lugar nenhum: <em>Ela disse que depois que eu me assumi já não podia ser seu parente./ Esse trauma emocional./ Esse sobressalto de não avançar para lugar algum&#8230; O raio afeta o mundo?</em> O afeto, raio do mundo? <em>Quase inverno e as folhas dançam foragidas./ No chão alguém desenhou um coração partido./ A senhora de caros sapatos azuis passa por cima sem se importar.</em> A poesia é corte, frestas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Elizabeth Olegário</strong><br />
Investigadora do CHAM (FCSH NOVA) e doutoranda em Estudos Portugueses (NOVA)</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O intocável</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Jun 2025 14:10:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Que som terá
a grama quando cresce,
um pássaro que aninha
antes de dormir?
Que som tem
um carro estacionado,
a água parada
na calçada?
A escuridão profunda da noite,
a cumplicidade de um olhar,
as mãos entrelaçadas,
o cheiro do café,
a pele que se arrepia
em algum lugar
digo
devem ressoar.
(<em>Silêncio II</em>, página 13)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O intocáve</em>l, de Florencia Guzzetti, começa falando sobre a língua materna, perguntando-se o que aconteceria se a perdêssemos: <em>não sei/ como acordar e balbuciar sons/ numa língua estrangeira — por mais/cotidiana que ela seja —, como/ amar ou sentir saudades, como/ pedir ajuda quando a febre sobe/ numa língua em que não se aprende/ a dizer frio, dói, mamãe?/ Como será o silêncio/ para quem esqueceu a sua língua?</em> E o livro responde a essas perguntas com poemas, porque os poemas são sempre escritos, como disse Proust sobre todos os textos bonitos, em uma espécie de língua estrangeira. Vamos permitir então, sugere este livro, que seja essa língua estrangeira a que revele o que acontece quando estamos no exílio, quando saímos de casa, quando nos despojamos de tudo, até mesmo do que considerávamos intocável. Quando não há mais nada intocável, porque o mundo — finalmente percebemos — é puro e excesso, e luto e festa, então podemos deixar ir embora aquilo que tínhamos tanto medo de perder, então podemos nos afastar de nossa terra natal e pedir ajuda ou dizer “eu te amo” a alguém nesse idioma estrangeiro, confiando que seremos compreendidos, confiando que, além das palavras aprendidas, haverá outras, outras que nos permitirão fazer contato com o corpo dos outros, outras palavras que serão gentis e raras, que designem tudo de novo, que criem uma nova pátria, um novo lar.<br />
<em>Entrar na prática/ de perder dia a dia/ algum objeto, alguma ideia/ nos beneficia, mas insisto/, escreve a poeta, / também se trata/ de olhar com grandeza/ pequenas coisas: um caracol/ uma pedra/ uma casa/ em qualquer lugar.</em> Olhar para as pequenas coisas com grandeza, será que é isso o que a linguagem poética faz, essa bela língua estrangeira, redefinir hierarquias, fazer com que o insignificante e o desnecessário se tornem indispensáveis, de modo que não possamos mais viver sem essas coisas que não servem para nada além de preencher nossas vidas com graça, serenidade e beleza?<br />
Este é um livro — para nos acompanhar aonde quer que a gente vá, para que, nos momentos em que nos julgarmos mudos, insensíveis, incapazes de entrar em contato com outros seres vivos por termos perdido nossa língua materna, possamos descansar nessa língua estrangeira que é a poesia, uma língua que não nos demanda ou exige, mas que nos convida a nos deixar levar pelo que não interessa a ninguém, pela música daquela eterna manhã, por aquela melodia que limpa e cura o coração. Por essa melodia que recomeça todos os dias, quer a ouçamos ou não.</p>
<p><strong>Claudia Masin</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Abro livros, encontro espelhos — Abro libros, encuentro espejos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/abro-livros-encontro-espelhos-abro-libros-encuentro-espejos</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 May 2025 13:07:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[[traducción]
<strong>José Ángel Cilleruelo</strong>

edição bilíngue

—
um homem
vive às escuras

só um relógio de gritos
o
pode
puxar

ou seremos só amantes de olhos fechados
com lâmpadas nos dedos
para
poder
pintar

—

un hombre
vive a oscuras

solo un reloj de gritos
lo
puede
sacar

o seremos solo amantes de ojos cerrados
con lámparas en los dedos
para
poder
pintar

(Relógio de gritos / Reloj de gritos)

&#160;

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Desde su primer libro, Folha Móvel (1987), Maria Azenha (Coimbra, 1945) ha construido una obra donde cada certeza contiene su opuesto. Su poesía es lírica y terrenal, abstracta y concreta, íntima y universal. Dos de sus libros han sido traducidos al español: La casa de leer en lo oscuro (2019) y Bosque blanco (2024), pero su fuerza no reside en los datos biográficos, sino en esa voz que funde contradicciones sin resolverlas.<br />
Es una escritura de paradojas: ensimismada y solidaria, sensual y doliente, arraigada en la tradición y abierta a lo contemporáneo. Usa un lenguaje delicado que no rehúye la crudeza, símbolos que se multiplican en significados. Su poesía es amorosa y civil a la vez, porque no rechaza nada: lo absorbe todo en versos donde conviven lo clásico y lo visionario.<br />
Tres pilares sostienen su obra: trascendencia (su lenguaje no es vehículo, sino destino), belleza (la emoción como forma de conocimiento) y perfección (un presente que se renueva en cada lectura). El resultado es una poesía tan personal como marmórea, tan corporal como conceptual. Una paradoja hecha palabra, que exige entrega y, al mismo tiempo, la devuelve intacta.</p>
<p><em>Abro libros, encuentro espejos</em>, traducida al español por José Ángel Cilleruelo, celebra los casi 40 años de trayectoria poética y los 80 años de vida de Maria Azenha.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Ísis e assim se esvai o mundo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/isis-e-assim-se-esvai-o-mundo</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 May 2025 10:58:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[a Ísis
a gata do Eugénio
ganhou o vício de vir até
aos livros a secar à janela e enroscar-
-se a sonhar com as páginas
que mais a seduziram

hei-de perguntar
se consegue arrancar-lhes
das entranhas dos seus mistérios
as respostas que encontrou

pode ser que ajude
a nos encontrarmos

&#160;

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>No esvair do mundo<br />
Há uma gata no peitoril, a partilhar o calor do sol com os livros. Ísis de seu nome, como a divindade egípcia (Ísis com acento, claro, nada de confusões com a sigla do sangrento califado), no espaço e na casa de uma ausência, a de Eugénio Lisboa (1930-2024). Foi desafiado por ele que Manuel Almeida Freire uniu lira e ira n’A simpatia dos exilados (2023), garantindo um ano depois que apetece mais um trago (2024) – aos que partem, aos que ficam, à vida ainda por viver. Iluminado pela luz de Ísis, reflexo felino da luz eterna de Eugénio, ei-lo de volta a uma poesia por onde passam certas dolorosas despedidas (Eugénio, também Maria Clara Rocha dos Santos ou José Neto), a luta e o luto, guerras e martírios, Walt Whitman e Walter Benjamin, Mozart e Ungaretti, o rio e a ria, a atracção do infinito do mar ou de amar (como o infinito das paisagens, pasto de viajantes), ideias por vir e a caneta para escrever e descrever, lembranças eclesiásticas separadas por séculos (dos abades Suger e Bernard numa disputa de luz e trevas no século XI e do Padre António a pregar aos peixes no século XVII), a coragem do assassinado Navalny e a ascensão de novos tiranetes, onde se meneia “um emprenhado de arrotos arrogantes” que vemos “a governar a nova Roma em queda”. Disto se ilumina a escrita de Manuel Almeida Freire nesta nova incursão poética, enquanto aos nossos olhos “se esvai o mundo”.<br />
<strong>Nuno Pacheco</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Enquanto não amanhece</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/enquanto-nao-amanhece</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 May 2025 17:41:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[03:53

Sorriso sozinho
Encontrou uma companhia
Partilharam vida.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Conceber um poema é como explorar uma casa feita de sentimentos.</p>
<p style="text-align: justify;">Em cada cômodo, o escritor se depara com um residente que transforma a experiência humana em algo mais significativo e único. Esses encontros são vertidos em linguagem escrita e compartilhados conosco, os leitores. A poeticidade infiltra-se em nosso âmago, desperta emoções adormecidas e desfibrila uma energia única em nosso coração.</p>
<p style="text-align: justify;">A obra de Joely Queiroz nos transforma ao aproximar o nosso olhar do afeto e suas ramificações. O amor é o cerne dos livros <em>Nas vielas do meu ser</em> (2016) e <em>Duas casas: um só ser</em> (2021), mas nessas obras existem também alguns versos existenciais sobre a lida de juntar os nossos cacos e renascer como uma fênix após eventos difíceis da vida.</p>
<p style="text-align: justify;">O livro <em>Enquanto não amanhece </em>(2025) amadurece este veio artístico mais existencial germinado nas obras anteriores. Aqui, a poesia de Joely Queiroz constrói um lar por meio de sentimentos que fervilham dentro de uma poeta insone que troca o sono pela expiação através da poesia.</p>
<p style="text-align: justify;">A calmaria da madrugada é uma oportunidade silenciosa de atingirmos um nível profundo de reflexão e Joely Queiroz abraça essa oportunidade para mostrar a poesia presente na ocasião. O conceito de <em>Enquanto não amanhece</em> se enquadra perfeitamente nas palavras escritas por William Wordsworth: “a poesia é o transbordamento espontâneo de sentimentos intensos: tem a sua origem na emoção recordada num estado de tranquilidade”.</p>
<p style="text-align: justify;">A metáfora da casa não é leviana. Afinal, construir um poema é erigir sobre um terreno em branco um lar feito a partir das emoções humanas. Nesse sentido, Joely Queiroz é uma construtora de beleza, de angústias e de sensações que apenas quem adentrar as páginas desta obra poderá experimentar.</p>
<p style="text-align: justify;">A poesia de Joely Queiroz é mais cativante antes do amanhecer — principalmente, quando apreciada à luz do luar. O brilho emanado pelas palavras dessa escritora magnificente dissipa a nossa escuridão interna.</p>
<p><strong>Hugo Sales</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Subsolo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/subsolo</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 May 2025 13:40:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A separação
Dos teus lábios que tocam o ar-fronteira dos meus
Da magra linha de ar que ambos inspiramos
Do frémito que ainda não é beijo
Da diluição dos nossos lábios
Da aguarela das nossas línguas
Do quadro que desenham os nossos corpos

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Entre o passado e o futuro, a existência vê-se, por vezes, suspensa, imobilizada. É-se atravessado pelo tempo que corre voraz e impiedoso, mas que, ainda assim, é suficientemente lento para que se espere pelo que há-de vir. É na tensão entre a revisitação melancólica do que não aconteceu e o desejo de que pudesse acontecer, que Beatriz desenha o presente inacabado, por natureza. Torna tangível o que é subterrâneo e procura a expressão máxima do ser, a exaltação, o êxtase, a pulsação, o corpo e a morte.<br />
Sem subestimar o carácter ininteligível da matéria de que somos feitos, reconfiguram-se a linguagem e os significados, que aproximam a poesia da pele, para sentir e questionar o estremecer de se estar vivo e as suas flutuações. Percorremos sem pudor os universos vários do corpo, reflectindo sobre a potência da liberdade e do desejo, mas também sobre a aparente sentença e angústia de se ser algo, ainda antes de ser. Uma existência presa a significações que, impostas, tornam mais estreitas as margens do corpo. Deste conflito entre o mundo exterior e o de dentro, parece imprescindível ter o atrevimento de enfrentar e ser permeável ao abismo do ser, perscrutando os latentes lugares sombrios, obscuros, mas também sinceros. Ser-se vulnerável, perante a própria essência, na busca da nossa forma verdadeira e justa — que não é estanque, antes transitória —, para poder enfim olhar para fora e para o outro. Degustar o dissabor da desilusão, aceitar a tristeza e a revolta como traduções do viver e não temer a amargura ou o medo que se constroem no decorrer do tempo, mostra-se-nos indispensável. Entre o desenho do quotidiano e da consciência, o fulgor revela-se nas pequenas coisas e a sublimação, tal como a noção de tempo, sugere-se efémera.<br />
Num diálogo entre a esperança e a memória Subsolo emerge. A palavra torna-se matéria-prima, plástica, para traduzir os contornos do invisível e mudo que habita sob a pele — esse lado oculto do ser que se manifesta misteriosamente. Talvez o consolo possa advir do encontro insaciável com esse nosso lado por conhecer.</p>
<p><strong>Teresa Moreira</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Dragão-de-Komodo e sua babinha irresistível</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/dragao-de-komodo-e-sua-babinha</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 May 2025 15:43:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Investigo teus passos com as pontas de meus pés,
desvendo teu corpo nu à minha frente.
Você é tudo aquilo que deixou de ser.
É o bagaço de teus vizinhos,
encontrada sozinha na margem da rodoviária.
É o cheiro de mijo nos lugares ocultos.
É o fedor de dinheiro nos lugares que brilham.
Por que você não me amou, Natal?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Dois séculos depois do “mal do século”, os poemas de Gabriel Cavalcanti refletem a seu modo uma nova crise da sensibilidade, no exato momento em que a nossa vida globalizada caminha, em escala planetária, para a sua sexta extinção em massa. No mundo em que vivem o jovem autor deste livro e seus irmãos de século,</p>
<p style="text-align: justify;"><em>nada importa, nada importa:</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>é tudo grama para pasto, carne para salsichas,</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>tempo a ser gasto, vida a ser perdida.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;">O eu lírico, afinado com o autor, não reage com indiferença, por vontade própria, às solicitações de uma realidade empobrecida e desumanizante; simplesmente constata, desanimado, que é nelas mesmas que as coisas carecem de importância, postas a serviço de uma existência submetida aos imperativos da produtividade neoliberal. E se esforça para reconhecer e afirmar o valor do que realmente importa, coisa difícil de fazer quando se é jovem (ou adulto), e são infinitas as tentações do mercado.</p>
<p style="text-align: justify;">Se não perdeu sua vivacidade devido à educação que lhe foi imposta, a pessoa jovem, mas também a pessoa em que persiste, irredutível, certo elã de juventude, protagoniza à sua própria revelia a “hesitação” a que Kafka se referiu num de seus aforismos: “Existe um objetivo, mas nenhum caminho; o que chamamos de caminho é hesitação.” O eu poético deste <em>Dragão-de-Komodo </em>hesita, no sentido kafkiano, entre o desamparo do remanescente, egresso de uma vida que tão depressa ficou para trás, e a solidão do reminiscente, reduzido, ainda muito jovem, às suas próprias lembranças.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma saída possível, embora precária, é a mesma a que este livro deve sua existência: a poesia, que, no entanto, pode faltar quando mais se precisa dela:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>percebo tarde demais que, em mim, </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>não há poesia suficiente para terminar o poema.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;">À crise da sensibilidade corresponde a eventual insuficiência da invenção poética. Na poesia, que se contrapõe à feiura de qualquer século, Mallarmé enxergava nossa “única tarefa espiritual”. É de espírito, e da alegria que ele fecunda, que sente falta o eu lírico que assim se expressa, em nome de seus companheiros de classe e de geração:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Somos a desilusão do sonho,</em></p>
<p><em>no fim do poema,</em></p>
<p><em>na margem do mundo,</em></p>
<p><em>esquecidos e imundos,</em></p>
<p><em>postos de lado,</em></p>
<p><em>sem fogo, sem fogo.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Ora, “o poeta é verdadeiramente ladrão de fogo”, escreveu Rimbaud na famosa carta do Vidente, aludindo ao feito mítico de Prometeu, benfeitor dos mortais. Ladrão de um fogo originário, primordial, indispensável a quem plasma, com o barro de sua arte, alguma forma de sonho plausível. Privados desse fogo e da vida espiritual que ele propicia; abandonados pelos gestores municipais nas favelas ou no outro lado do rio, postos de lado, os filhos, as filhas deste século dificilmente podem vir a ser poetas. E este livro talvez não existisse.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Carlos Eduardo Galvão Braga</strong></p>
<p>Natal, 9 de fevereiro de 2025</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Da tua boca saem as palavras sementes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 May 2025 13:35:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A memória abre ramas líquidas
A memória abre ramas líquidas
e mergulha por entre as pedras limosas do fundo
Confeccionando esperanças,
abrindo roçados abundantes de sonhos...
A memória abre ramas líquidas
generosas
em movimento de rio.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Que presente lindo nos dá a artista Yacunã Tuxá neste livro, tão sensível quanto vibrante. As cores que já conhecíamos em seus quadros agora também se apresentam por meio da poesia, iluminando cenas de memórias vividas por uma poeta que tem na diversidade a sua força.</p>
<p style="text-align: justify;">Contrariando os desígnios da colonização, e para além de reconhecer as violências que nós povos indígenas vivemos, os versos afirmam, sobretudo, nosso direito à alegria, ao prazer, ao encontro.</p>
<p style="text-align: justify;">Em especial para aquelas de nós que amam outras mulheres, os versos trazem reconhecimento ao nosso direito de existir.</p>
<p style="text-align: justify;">Os encontros que o livro enseja ora sinalizam vínculos intergeracionais, com as avós e avôs, ora anunciam relações que vão além do humano, em que o avô também é rio e as árvores também são irmãs. Aqui, o rio fala e a terra tem memória.</p>
<p style="text-align: justify;">Os poemas são gentis com quem lê, como se convidassem para a dança, para a roda, para o canto todas aqueles e aquelas que chegarem com cuidado e respeito.</p>
<p style="text-align: justify;">Este é um livro de plurais, há mais de uma língua, há mais de um sentimento, há coletividades e comunidades e um chamado para que estas palavras continuem semeando outros caminhos.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p><strong>Geni Nuñez</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Ossos e corais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 May 2025 11:50:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[tenho um amor infantil por você
quando você chega
é igual descer pro play]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Corais são agrupamentos de individualidades múltiplas, complexas, constituídas por uma infinidade de matéria orgânica — <em>ossos</em>, se quisermos.</p>
<p style="text-align: justify;">Numa poética que articula o natural e o erótico, o corpo e a existência doméstica, a superfície pictórica e o papel em que as palavras são inscritas, <em>Ossos e corais</em> (2024) é uma teia de formas híbridas. Como no percurso da água a escorrer na aquarela, somos carregados num movimento contínuo por certa metafísica e filosofia da natureza, por um diário sentimental açucarado, por reflexões metateóricas sobre a prática da escrita e lições de pintura que ensaiam uma pedagogia da concretude. Para a natureza é elaborada uma linguagem própria, que nos permite o exercício do extravio na imanência das coisas.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste que é o seu segundo livro, após <em>Peito do pé sobre peito</em>, de 2019, Helena Borges desenha palavras para tratar de experiências que são suas mas que também se exteriorizam; questionando, enfim, as margens evidentes da matéria. Neste entrelaçamento, enxergamos as partes secretas da vida: seu sistema circulatório próprio, aquilo que a configuração meramente aparente parece esconder. Compomos e nos recompomos incessantemente, em várias atividades, no amor e na pintura, que, em seu olhar voluntariamente perdido, faz a linguagem caminhar como se tivesse corpo. A carne, assim, não é aquilo que macula a existência, mas sim o abrigo aberto a partir do qual podemos fazer linguagem. Jamais em repouso, seus poemas fazem a língua derivar, exigindo, enfim, a sua — e a nossa — regeneração constante.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Carmel Ramos</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Itinerário do amor urbano</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 May 2025 11:20:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Anízio Vianna quer escrever com a voz e para a voz, soprar essa nuvem de sons por todos os lados, sem outro rumouvido certo além do pleno anonimato. Curiosamente, essa condição escorregadia, também flutuante, e, no limite, deitada no anonimato, o que os poetas sempre souberam sentir: todo amor é amor a nada.</p>
<p style="text-align: justify;">
Anelito de Oliveira</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A irregularidade é o traço fundamental do gesto poético de Anízio Vianna, subidas aos céus e descidas ao brejo, caronas em disco voador, nados em piscina e descanso em calçadas sujas. Nada parece lhe causar tanto desagrado como a linha reta, o passo ensaiado, direções diretas que desembocam em lugares previsíveis. Isto é ele, isto parece ser ele, isto não é ele: respectivamente, se pensamos na vida, se pensamos na condição ficcional/fingida do poeta, se pensamos somente no texto. Este rol de possibilidades nos assalta no primeiro contato com o trabalho de Vianna e ficamos, automaticamente, desemparados, sem saber onde ancorar essa voz, a quem atribuir sua irregularidade. Prefiro pensar que essa irregularidade é do texto, mas um texto “partidarista”, que toma o partido do poeta, um poeta, por sua vez, comprometido com o lugar do Poeta, disposto a falar a partir desse lugar. Daí é que se torna possível dizer que a irregularidade do texto descende da irregularidade do poeta, este é que é o grande irregular, que não suporta nenhuma regularidade, a começar por aquela de escrever com o papel e para o papel. Anízio Vianna quer escrever com a voz e para a voz, soprar essa nuvem de sons por todos os lados, sem outro rumouvido certo além do pleno anonimato. Curiosamente, essa condição escorregadia, também flutuante, e, no limite, deitada no anonimato, o que os poetas sempre souberam sentir: todo amor é amor a nada.</p>
<p><strong>Anelito de Oliveira</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Fenda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 May 2025 10:39:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Confunde
teu sotaque no meu
amor pagão
que prenuncia um fim.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">É sempre um desafio encarar a impermanência daquilo que muitas vezes temos como garantido. Igualmente difícil é lidar com a inevitabilidade da vida, o tempo, e seus acontecimentos. Miriã Linhares convida o leitor a mergulhar em uma jornada sensível por emoções dolorosas, aprendendo a expressar graciosidade no sofrimento, no cansaço e até mesmo no sombrio momento pandêmico que poucos anos atrás todos experienciamos.</p>
<p style="text-align: justify;">A autora também explora a complexidade das construções afetivas que temos uns com os outros, mas mantendo uma postura gentil e tentando acolher esta complexidade. Reconhecendo o potencial que tem todos os laços de serem desfeitos, sem fugir da própria responsabilidade, ela afirma sua individualidade a contragosto:</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><em>desculpa por não te amar</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>o tanto que eu me amo</em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Em outros momentos ela traz em contraste aquelas experiências de vida que nos marcam de forma mais alegre. Miriã pinta cenários de deleite e mostra a busca pelas novas experiências que por vezes servem como faróis de sentido na rotina da vida. Porém faz isso com os pés no chão, de forma madura.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta obra revela a relação de Miriã com a espiritualidade ao mostrar seu encanto pelo mundo como ele é. Ela expressa gratidão a seus orixás pela beleza que encontra nas coisas mais simples e corriqueiras, como o belo pôr do sol florianopolitano, mantendo sua reverência àquele sublime sentimento que é melhor expressado em versos do que na prosa.</p>
<p style="text-align: justify;">Você encontrará nestas páginas um amplo leque de sensações que atravessam o corpo, coração e alma. Reflexões para rir, chorar e rir chorando. Versos para se apaixonar, amar e desamar. E amar a si, a própria vida, e as dores.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p><strong>Yolanda Cardoso</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Libidorragia</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/libidorragia</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 May 2025 17:27:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">III</span>

<span class="fontstyle0">
lava-me o verso arredio de impropérios
risca-me do teu dia sagrado
sou formada para dúvidas
para o nada</span>

<span class="fontstyle0">
bélico mundo corta meu cordão umbilical
para que o sangue mar filicídio
me enterre nas asas
do nada ser</span>

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span class="fontstyle0">Marilene é um meteoro que rasga o céu, causa um estampido ensurdecedor e deixa um rastro que espanta. Um meteoro pode destruir, extinguir toda uma era para que se comece outra. Pode ser o fim arrasador, mas também pode ser a beleza que passa cruzando a atmosfera de quem observa. E aqui, na sua </span><span class="fontstyle2">Libidorragia</span><span class="fontstyle0">, há aquela força contínua do trajeto. A potência de algo que atravessa e se impregna na retina.<br />
Marilene é um fenômeno incandescente, do qual pouco se sabe a origem. Uma espécie de vulcão que desperta e anuncia algo. A morte? O renascimento? O lamento intrínseco no cerne de uma elegia? Talvez. Marilene aqui é a própria vertigem. O </span><span class="fontstyle2">corpo poema </span><span class="fontstyle0">que voa no rasante da rapina. Que cai como pedra gigante na cratera. Algo que se estabelece antes das construções. </span><span class="fontstyle2">As dores faíscam nos tempos sombrios</span><span class="fontstyle0">, e é por essas veredas que caminha e persiste. Respira quando pode, grita </span><span class="fontstyle2">nos cemitérios dos imbecis </span><span class="fontstyle0">quando brilha na </span><span class="fontstyle2">luz do corpo poema. </span><span class="fontstyle0">Ainda assim, há o momento entre tempestades, quando entre dilúvios cresce o limo na rocha e deixa o horizonte mais verde na enseada, </span><span class="fontstyle2">a voz manca que parece rodear as estrelas.<br />
</span><span class="fontstyle0">Marilene é maremoto, mas também é a gota de lava que petrifica uma escultura quando toca na água. </span><span class="fontstyle2">Os corações foram enterrados na primavera</span><span class="fontstyle0">, assim como os cantos da voz do </span><span class="fontstyle2">corpo poema </span><span class="fontstyle0">que celebram em volta do fogo. Como um réquiem de lágrimas que </span><span class="fontstyle2">nos </span><span class="fontstyle0">destroços desse mundo segue as marcas dos passos dados</span><span class="fontstyle2">. </span><span class="fontstyle3">E no </span><span class="fontstyle0">silêncio à beira do abismo </span><span class="fontstyle3">surge </span><span class="fontstyle3">essa fenda. Depois do sol, antes da noite. Naquele instante em que tudo parece se estender no crepúsculo dos </span><span class="fontstyle0">cordéis da alma</span><span class="fontstyle3">. Onde tudo arde e tudo se alinha e </span><span class="fontstyle0">arrepia os ombros e as vértebras</span><span class="fontstyle3">. Onde </span><span class="fontstyle0">gestos triplicados de ausências futuras lançam angústias para versos secretos. </span><span class="fontstyle3">E no </span><span class="fontstyle0">sonho que ainda tem estrelas</span><span class="fontstyle3">, antes de qualquer evento apocalíptico que se calcule diante das angústias do mundo-navalha, Marilene é poeta.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="fontstyle3"><br />
</span><strong><span class="fontstyle4">Pedro Lago</span></strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Cabras</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 May 2025 10:42:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[destroçado, muro aparta
distraído, furo aponta
desmembrado, dedo monta
destruída a rara manta
destronada a clara santa
desnutrida, clama sexo
deslumbrante, diz-se puta
diluída, clama fruta
desvairada, morde a fronha
tresloucada, ama o freixo
(<em>a vida é selvagem</em>, pág. 21)

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>É como estivéssemos em viagem. Para perto ou longe, num tempo presente ou passado, chegando e partindo entre paisagens e emoções. Lana Ruff propõe, em seu segundo livro de poesia, cabras, que façamos o trajeto pelas partes do corpo físico de um animal-humano-não humano, e que depois seja feita meia-volta pelo mesmo trajeto, desta vez por uma espécie de corpo espiritual ou emocional.</p>
<p>Como quem escuta um bom disco de vinil, a obra nos convida a apreciar um balir de cabra repetidas vezes e em dois lados. O Lado A — pra dentro e pra cima — narra em cinco partes um movimento de internalização de si, de adensamento e aterragem do corpo, de crescimento do ser. O Lado B — pra fora e pra baixo — espelha e completa o arco narrativo, revelando em outras cinco partes o resultado das tentativas que a cabra faz para esvaziar-se e simplificar a sua apreensão de mundo: o regresso ao pasto.<br />
Nessa construção poética, as palavras &#8211; escolhidas a dedo e colhidas do pé &#8211; aparecem com profundidade mas também com o bom humor de quem brinca de se encaixar. Onde isso talvez seja mais evidente é em cada um dos mini poemas que inauguram cada capítulo, costurados de forma intrincada e divertida para refletir (literalmente) seu capítulo correspondente no lado oposto.</p>
<p><em>Cabras</em> é uma e muitas. É percurso, pensamento, paisagem e viagem. É mulher, animal, senhora ou criança. É um corpo não-corpo que nos acompanha quando subimos montanhas, damos ou tiramos leite ou saltitamos por aí. Sem ser nada disso, a cabra em cabras é imaginária, universal, onipresente, inexistente.</p>
<p><strong>Thais Ozzetti</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O labirinto das duas árvores</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-labirinto-das-duas-arvores</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 May 2025 10:30:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Vou esculpindo o tronco,
o mistério
que me trouxe até aqui,
à arqueologia dos valados,
à cal, aos telhados de barro da terra,
às raízes amargas e venenosas
a suster a amendoeira
tão delicada em flor.

Trago o desejo
de cavar, de encontrar uma luva
ou pequeno utensílio
esquecido dentro de um valado.
E esse amargo do veneno
das minhas próprias raízes
a suster a amendoeira
tão delicada em flor.

(<em>porta-enxerto</em>, 39)

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Este é um pequeno livro fascinante. Havia muito tempo que não lia nada assim. Quando se diz que poesia é linguagem, habitualmente esquece-se que as palavras só criam sobressalto quando o mundo que elas evocam ergue diante dos nossos olhos uma revelação esperada, mas cujas imagens desconhecíamos. Foi esse sentimento de encontro súbito com o inesperado aguardado que me provocou um terramoto pelo encontro com o universo de Sofia Correia. Os poemas de O labirinto das duas árvores levantam do chão sombras de animais selvagens, figuras ancestrais de um tempo mediterrânico remoto, sentimentos em diminutivo que ficaram escondidos sob o lastro da tecnologia e da modernidade, os lugares pacatos dos campos de que se tem vergonha de pronunciar os nomes, as figuras queridas mortas que ressuscitam para acarinhar as mãos da poeta.<br />
É possível que as vivências longe da pátria tenham criado em Sofia a noção do valor do mundo desaparecido, mas cuja raiz se encontra sob a terra que pisamos e condiciona o nosso futuro colectivo. É bom encontrar, assim, uma poesia moderna sem metáfora convencional, toda ela palco e narrativa, ladainha, a organização de um livro cuja imperfeição confere perfeição e sentimento de verdade. Uma homenagem a um povo em transformação, através de versos esparsos, por vezes ilógicos, por vezes literais, como se a autora ignorasse regras básicas da gramática poética, e por esse despenteado sopra uma sinceridade que comove. Uma autobiografia angélica, não confessional, sem outra pretensão que não seja o louvor das coisas. Ao ler este livro, pensei em vozes como a de Herta Müller dos primeiros romances, ou a Irene Solà de Eu canto e a montanha dança, textos em que as autoras não têm pudor de usar os materiais ancestrais e domésticos mais modestos que há para erguerem vozes que vêm ter connosco e nos surpreendem por nelas reconhecermos o que estava a ser esperado, sem o sabermos. Coloco em relevo poemas como “A sobremesa”, “Memória dos montes ou ainda “Celebração dos cem anos do Museu do Cineteatro”. Nós sabíamos que eles existiam em algum lugar, mas estavam escondidos. Que este seja o primeiro de muitos livros da autora.</p>
<p><strong>Lídia Jorge</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Sagração</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 May 2025 16:26:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Tarde e manhã
Toda menina
Será anciã
Deus me defenda
De ser lenda
Que hoje seja
Meu dia de sorte]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Manoel de Barros, Chacal, Conceição Evaristo, Mario Quintana, Cacaso, Cecília Meireles e tantos outros serviram de inspiração para a escrita deste livro de poemas experimentais que marca a estreia da escritora mineira Isabella Albuquerque. O livro reúne poemas de sua infância, adolescência e alguns que acabaram de sair do forno. <em>Sagração ou</em> <em>primeiros poemas </em>é um convite a lançar o olhar em torno de si, refletir sobre a passagem do tempo, a delicadeza do cotidiano e o inesperado. Este é um livro para ler ouvindo sua música favorita, o som do vento correndo entre as folhas das árvores ou aquele primeiro passarinho da manhã. Sejam bem-vindos a essa leitura.</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>A sexta hora</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-sexta-hora</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 May 2025 15:49:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ao longe
longitudes
pequenas esferas
mal cozidas
nos meandros
maleáveis da
sensorialidade.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A começar pelo título, a obra <em>A sexta hora</em>, da poeta Jandira Zanchi, é uma alusão à “hora sexta”, que, segundo o calendário judaico, é aproximadamente ao meio-dia. Nas Escrituras Sagradas, possui relevância significativa, principalmente no Novo Testamento, onde diversos acontecimentos importantes se desenrolam nesse período. Ou seja, é um instante de introspecção, meditação e prece. Nesse contexto, o eu lírico de <em>A sexta hora</em> nos convida para uma viagem poética, reflexiva e contemplativa, onde a poesia “não é a lógica ou a luz ou o leve o entretanto / antes o breve a ascensão um milagre ou neve/imersão.”</p>
<p style="text-align: justify;">Ao longo dos 53 poemas que compõem a obra, iremos nos deparar com imagens bem trabalhadas, o que nos remete à Fanopeia — recurso retórico estabelecido pelo poeta norte-americano Ezra Pound para associar imagens à imaginação visual poética —, além de recursos estilísticos como a aliteração, sinestesia, ritmo e musicalidade, que potencializam a expressividade e despertam sentimentos em quem lê.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>A sexta hora</em> é um livro que flerta com a tradição poética, especialmente o Simbolismo, mas com o frescor contemporâneo, principalmente nos temas abordados e a estrutura dos poemas, que &#8220;não aceitam esse lirismo pobre manufaturado dos códigos da resistência&#8221;. Isto é, a poesia é catarse como &#8220;a água remove todo resíduo ou busca / ou oração / encontro&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao ler esta obra é importante &#8220;que se entenda e não se surpreenda / não é retilíneo nem discursivo / o processo / o ingresso / a feliz ou infeliz permanência&#8221; da poesia que a todo momento se revela, ou melhor, se rebela.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Francisco Gomes</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Coreografia de um imaginário</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Apr 2025 11:45:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[No silêncio
Há um horizonte de mãos caídas
sem nenhum pensamento que te limite
Só as mãos sabedoras percorrem o corpo

Desvendando todos os lugares
Cada curva geométrica
em que me reconheço

Traz de volta em gemido
o nome
Sei-me em cada célula
no fluir da entrega

(III, página 11)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Desde as memórias remotas, a poesia foi para Teresa um refúgio e um modo de dar forma às suas perceções e emoções. Ainda em adolescente, encontrava nas palavras um território seguro onde podia transformar angústias em versos e perplexidades em ritmos e imagens. Com o passar dos anos, a relação com a poesia tornou-se mais consciente e estruturada, funcionando como uma espécie de amortecedor para lidar com a realidade, tantas vezes exigente e desafiante.<br />
A sua escrita poética é, assim, um prolongamento da sua investigação e do seu olhar artístico, refletindo um compromisso com a beleza, a introspeção e a expressão emocional. Para Teresa, a poesia não é apenas uma manifestação estética, mas também uma ferramenta de elaboração subjetiva, uma forma de dar sentido ao vivido e de transformar experiências em linguagem partilhável.</p>
<p><strong>Carlos Lopes Silva</strong><br />
psicoterapeuta e psicanalista</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Eu perdi minha mãe na praia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Apr 2025 20:49:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[um matema existe pois
a linguagem comporta
uma inércia considerável
que se vê
ao se comparar
seu funcionamento
com os signos que chamamos
de matemáticos
os matemas
unicamente pelo fato
de eles se transmitirem
integralmente]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em <em>Eu perdi minha mãe na praia</em>, a poeta nos conduz a um território onde o real e o imaginário se entrelaçam, onde as fronteiras da memória, do desejo e da fantasia se tornam tênues, quase imperceptíveis. Com uma escrita fluída e aquosa, ela cria um espaço lírico de intensidade e delicadeza, no qual a figura materna se revela, se dissolve e se reinventa. O livro se abre com “mate(r)mas”, um poema longo que desconstrói a fórmula da maternidade idealizada, oferecendo uma visão crua e poética sobre a relação com a figura materna.</p>
<p style="text-align: justify;">No segundo poema, <em>Eu perdi minha mãe na praia</em>, a narradora tenta recuperar, de todas as formas, a presença dessa mãe que se esvai. Aqui, o litoral é o cenário perfeito para essa busca, pois é no encontro entre o mar e a terra que as imagens de perda e de falta se tornam palpáveis. A praia, com sua vastidão e transitoriedade, surge como metáfora da própria instabilidade da memória e da relação com o outro.</p>
<p style="text-align: justify;">O livro transita entre o lirismo e o fugaz, a necessidade de pertencimento e a consciência de que todo encontro com o passado é, em última instância, um reencontro com o efêmero. Ao explorar a experiência da maternidade e a dor da perda, a autora nos oferece um olhar singular e poético sobre a fragilidade das certezas humanas. Aqui, a mãe não é apenas uma figura de cuidado, mas também um símbolo de tudo o que se perde e se reinventa, de tudo o que a poesia tenta recuperar.</p>
<p style="text-align: justify;">Seja pela desconstrução da imagem da mãe idealizada ou pela busca persistente à beira-mar, este livro propõe a quem o lê uma reflexão sobre as dinâmicas entre o real e o imaginado, o fixo e o transitório. Por meio de uma investigação poética da maternidade, da perda e da memória, a autora abre espaço para repensar a ambiguidade do vínculo, questionando as certezas que sustentam as experiências de identidade e pertencimento.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Haicaindo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Apr 2025 14:17:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Cometa no céu
E eu aqui observo
Acometido

Corpo celeste
Sê leste, norte e sul
Paisagem solar

Passagem lunar
O cometa a dançar
Comete risos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong><em>Uma epopeia em haicai</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Desvirtuar o haicai sem deixar de prestar deferência a ele. Está posto o desafio de Elias Fontele no sedutor universo de <em>Haicaindo</em>, um livro moderno que provoca reflexões sobre o ser e as coisas do mundo, fazendo arte com o pouco espaço (em termos de significante) que o famoso modelo japonês de poesia contemplativa deixa para a habilidade do poeta.</p>
<p style="text-align: justify;">Elias, professor, filósofo e multitalentoso artista, olha tanto para a placidez fenomênica de Bashô quanto para as provocações em haicai de Alice Ruiz para elaborar seu próprio método de dizer a partir do extremamente econômico, do escasso recurso poético, o mundo a partir do mínimo. Afinal, sendo um raro poeta que se dedica principalmente às formas fixas, ele se debruça sobre o método acima de tudo, tendo claro entendimento de que, no haicai, só se produz semanticamente se tivermos a perícia do olho técnico.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, Elias criou seu método <em>haicaindo</em>, um continuum de haicais triplos que inclusive ultrapassa os poemas individualizados que acompanhamos em cada página, como se fosse possível escrever uma espécie de epopeia de haicais. Por contraditório que possa parecer, o <em>haicaindo</em> sugere um pensamento em fluxo, onde uma reflexão pungente leva a outra, criando uma teia de olhares que demonstram sua sensibilidade, que não se limita à impressionante capacidade de criar ricos jogos de palavras, silogismos e figuras de linguagem.</p>
<p style="text-align: justify;">Por exemplo, em <em>Haicaindo</em> lemos um ávido panorama da vida moderna, inoculada na morfologia mesma das palavras e das sílabas. A visão paisagística e zen de Bashô dá lugar aos algoritmos, à ansiedade moderna, à genética. Ao mesmo tempo, também se desenterra a paisagem interior, alternando entre razão e ser, refletidos no mundo material que nos rodeia, em imagens como as do sol e da lua. Humor, sarcasmo, otimismo e pureza também dançam e balançam, como se, contrários, não pudessem residir no imaginário proposto.</p>
<p style="text-align: justify;">Finalmente, vale ressaltar o valor metalinguístico desta obra, já que Elias Fontele mostra também uma alta capacidade de se dobrar para o interior de seu método, com a lucidez de quem entende que o haicai é também sobre folhas de papel, tinta e livros. “Lá estão livres / Mas aqui sempre digo: / Eu estou livro”, assinala ele em um dos mais instigantes poemas. Sim, ao praticar o <em>haicaindo</em>, estamos livros. Livros das amarras de uma poesia engessada. Livros como este, l(i)avrado na longevisão onipresente deste poeta diferente e audaz.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ciro Inácio Marcondes</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>A língua de Filomela</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Apr 2025 19:24:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Aprender a lição de casa é
como receber o sol no final da tarde,
com os olhos cerrados.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>A Língua de Filomela</em> é o grito poético de todas as mulheres que, como Filomena, são mães, amigas, amantes, irmãs, filhas, eróticas e lobas, não necessariamente nessa ordem. Mulheres que tomaram a palavra poética para se libertarem das violências sofridas e por muito tempo silenciadas, rompendo assim o ciclo de abusos diversos a que estiveram reféns, envoltas em relacionamentos tóxicos com homens cis-héteros misóginos. Filomela é Filomena, que não nasceu mãe, tornou-se mãe aos 24 anos. Amamentou a filha com seu leite espremido em seu peito murcho, limpou seus vômitos, acalentou-a em seu colo, amando-a sempre como uma loba que zela instintivamente pela filha. Sara, por sua vez, não seguiu a saga de Rosa, Lilith, Eva, Maria Gabriela, Filomena e outras tantas mulheres aqui poetizadas. Sara transgrediu a tradição da família e da bíblia e se fez Saru, nome de lago – eis o renascimento. É Saru quem devolve a língua à Filomena, concedendo-lhe vez e voz para versificar suas dores e delícias, cessar seus traumas, abandonar todas as suas culpas e voltar a ter o gozo. O resultado desse revozeamento é este livro de poesias densas e corajosas, fortes porque íntimas, revolucionárias porque libertárias, à imagem de Filomena e Saru e de todas as mulheres que preferem dois pássaros voando do que segurar um pela mão. Eu sou, Filomena e Saru são (d)essas mulheres.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Cynthia Agra de Brito Neves</strong></p>
<p>Universidade Estadual de Campinas &#8211; Unicamp</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Sotaque ambulante</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Apr 2025 17:54:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[[...]
A melancolia
Tem sabor a melancia
Minha mãe comprava sempre
No mercado de casa

[trecho de Melancolia de melancia]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Jorgelina Tallei escreve entre línguas e vive entre Brasil e Argentina. A poeta não faz cerimônia ao dançar um samba-tango em portuñol. Este poemário que atravessa fronteiras reúne versos que tratam das migrações, do recomeçar em outro lugar, do levar um sotaque para sempre, fazer mesclas amorosas, viver na ponte entre aqui e lá, referenciais que mudam conforme os deslocamentos. Sotaque ambulante registra as vivências da estrangeira e as experiências da brasileira naturalizada, da molinense e rosarina fervorosa, da moradora do Paraná, lugares que ela homenageia sem medo de ser infiel. É bem-vinda a poesia brargentina ou argenteira, de uma autora que circulou pelo país em que escolheu viver, nas línguas que resolveu não abandonar. Adotou uma enquanto cultivou a outra. Ir e (não) voltar, ser e estar, aprender sempre, preferir as conexões aos abandonos. Mesclar, e não trocar ou substituir. Poesia que desdenha dos limites, vai procurando as contiguidades. Bem-vindo e bendito seja o acento na palavra Poesía.</p>
<p style="text-align: justify;">
<strong>Ana Elisa Ribeiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Ainda somos humanos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Apr 2025 13:47:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Astro (ogiva?) que pontua a noite
cindindo as nebulosas, os sóis.
Será que brilham estrelas em Gaza?
O verso não rima com relento,
não importa.
Lá, cortam num átimo de segundo,
a luz dos vivos,
isso é maior que um poema.
Lápides siderando na Guerra,
homens são poeira e vento.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Este é um compêndio de poemas sobre a contemporaneidade, dividido em seis partes. Em algumas delas, o poeta retrata um pouco da Guerra no Oriente Médio e na Ucrânia e suas consequências para o mundo atual; em outras, abre espaço para as experiências que, apesar dos pesares, ainda resistem, como a do amor vivido numa troca furtiva de olhares e uma reflexão lírica sobre a própria poesia enquanto ferramenta em um mundo que desaba. Há também lugar para a esperança, pois apesar das guerras, como o próprio título diz, ainda somos humanos.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Algumas palavras não devem sair do céu da boca</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/algumas-palavras-nao-devem-sair-do-ceu-da-boca</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Apr 2025 09:40:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[a palavra discorre abaixo da consciência.
labora autónoma
manifestando-se à superfície, como parte do eu.
no mesmo compasso do complexo de Jung, mas
a semelhante galope, do fidalgo enlouquecido
que vive valores de cavalaria.
qualquer coisa intermédia de coragem merecida:
enfrentar
gigantes ou moinhos de vento, como papel
ou sintoma.
transgredir camadas,
ora levedadas.
ora escritas.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Este manuscrito é uma travessia visceral pelas camadas mais profundas da psique humana, estruturado por fragmentos que desnudam o corpo, o tempo, a linguagem e a solidão. O texto explora as tensões entre o consciente e o inconsciente, revelando pulsões, desejos e angústias que emergem das dinâmicas do eu. O corpo, frequentemente representado em imagens cruas e tangíveis, aparece como o palco das pulsões freudianas, num território onde se cruzam o prazer, o sofrimento e a inevitabilidade da decadência.<br />
A linguagem como campo de batalha psíquico, funcionando tanto como expressão, quanto como limitação. Há um esforço constante de simbolizar o inominável, mas também de confrontar o silêncio, como se as palavras fossem insuficientes para conter a vastidão do que é vivido internamente. Os elementos banais como café, pão e listas de compras são reinterpretados como palco das pequenas tragédias psíquicas e existenciais, ora atravessados por humor ácido, ora por melancolia.<br />
O tempo e a mortalidade assumem um papel central, aparecendo como forças que corroem a matéria e os sentidos, ao mesmo tempo que impulsionam a escrita como um ato de resistência frente ao inexorável. As construções identitárias fragmentadas refletem um eu em constante desconstrução e reconstrução, ecoando a luta psicanalítica pelo autoconhecimento e pela integração de partes dispersas. A obra, ao mesmo tempo filosófica e visceral, expõe um mosaico da condição humana, onde as camadas mais profundas da psique dialogam com a superfície.<br />
Catarina SottoMayor combina simbolismo denso e o concreto da abstração. Este manuscrito transita entre o corpo e a palavra, entre a carne e o pensamento, criando uma poética de confrontação com as forças invisíveis que moldam a existência.<br />
É uma jornada ao inconsciente, onde o poético se torna análise e a análise se torna poesia, num movimento contínuo de sondagem das profundezas da psique humana.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Imagino Macapá</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Apr 2025 14:45:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Imagino o gosto do suor
dos corpos de Macapá
brilhantes dourados fluviais.
O suor e a chuva em encontro
de pele.
Porque mesmo que saibam da sua vinda,
há os que escolhem suar com a chuva
em uma alquimia de corpo.
A pele a chuva o suor
são um só.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Criado dentro de um país desenhado pelas distâncias, <em>Imagino Macap</em>á subverte uma ideia comum traçada sobre o que é uma cidade, um estado, um lugar. No poema-jornada-mergulho de Mariana Vogt, quem o acompanha começa a compreender um segredo que as próprias linhas do livro não contam. Explora-se um rumo para colocar a vida onde ela realmente deve estar, naquele local onde ela exista junto com tudo o que a rodeia. Por isso, um tipo muito específico de sensibilidade é buscada pela poeta, que inicia seu caminho indagando e tateando a linguagem das águas. Trata-se de uma forma de sobreviver às necessidades da pele, da língua, e principalmente, do imaginar. Macapá surge para Mariana como tudo aquilo que ainda não é. É a farinha que procura no mercado público e não encontra, são os lábios pintados pelo roxo do açaí que não provou, são as janelas das mulheres que não conhece, são os desejos dos peixes aprofundados em si. A aproximação que encurta a inexistência é apenas um meio de se chegar a um destino. Seguindo a chuva que a torna ilhada, na ilha cercada de mar onde mora, o presente se expande e a molha no Rio Araguari. De repente tudo é água. Mas também tudo se torna Macapá. Inspirada na artista Julia Panadés e sua obra <em>Imagino Veneza</em>, que foi escrita desde o Brasil sobre uma possibilidade da cidade italiana, Mariana parte do Sul, lugar em que os extremos são incorporados ao espaço dos sentimentos, e de onde o Norte do país se distancia cada vez mais quando se afirma o quão longe ele é. A poeta a localiza em um entorno incorporado aos limites da identidade que vive de sobrenomes e estrangeirismos para tentar dizer: “sobre como não olhamos para cima”. Mas também, coloca os pés na terra vermelha de onde vem, como se dissesse que as raízes a pertencem, assim como as raízes que no subterrâneo do mundo a ligam a Macapá.</p>
<p><strong>Nina Veras</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Folhetos antigerminativos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Apr 2025 14:37:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Improlífera obsedante
De cerzida síntese apneica
Liliputiana sentinela
À acatisia silente dos minerais

Irreversibilidade cromada, a fuligem aglutinada em tronco
Despercebida ossatura]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Folhetos antigerminativos evoca o apuro por plácido pertencimento, seja pelo anti-silêncio, seja pelo rastro. Detém-se no essencialismo de sua Voz, megásporo de remissivo alarido, rugindo-se sísifa natimorta; no apelo pela Palavra, sidérica em riste impovoado, pizarnikiana mesura impossível; na precipitação oca das Horas; na Vida adentro, velejante nas migratórias linhas sustenidas das ferais mãos nunca nascidas; na Vida afora, sombra de suas vãs biogêneses; na Inospitalidade. Esmiúça os Ritos de uma amonite a esmo em seu clandestino gameta azul, singularíssimo vórtice opaco, onde delineia-se na impronuciação piedosa em ser-se a própria deidade morta, transfigurando-se de criatura a substância, cedendo ao murmúrio cavo, prevendo-se pleomórfica em precoce maresia, amotinada em ruidosa onipresença; imoto silêncio; difuso interstício; etérea nudez primordial e desconfinada sombra, olvidando-se em seu regresso a d a berço, na ontogênese da própria gênese.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Peixes carnívoros</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Apr 2025 10:03:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O parque é amplo e insinua-se a todos que nele entram. Se soubessem. Mas não sabem que estão prestes a sucumbir. O parque insinua-se e fá-lo sem rodeios. Ele, pelo contrário, cultiva timidez na forma como se senta ao lado dela. Com um olhar de sumarenta fruta tropical, ela espreme-se em rendição. Sem hora marcada, por entre os galhos, alguém assiste à discreta revolução de um beijo.
(<em>peixe-cravo,</em> página 28)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A prova de que estamos sempre no ponto de partida, ignorantes do futuro e sem noção da maravilha que nos falta está inteira no livro de Chantal Guilhonato.<br />
Subitamente, a estreia de uma poeta do tamanho de Guilhonato mostra como falta saber tudo acerca da poesia, porque aqui se inaugura uma personalidade que não tem paralelo com nenhuma outra, feita de ser tão ímpar que nos desampara.<br />
Tentei encontrar-lhe pares, e julgo que talvez pudesse acompanhar-se de Clarice Lispector e Adília Lopes ou Lourdes Castro e Belkis Ayón, mas apenas como almas que se podem avistar mutuamente à distância, porque de perto, de facto, o mundo nunca viu Chantal Guilhonato, a bizarra, diria absolutamente improvável, maneira de esta mulher o ser e nos dizer acerca dos seus dias.<br />
Tudo é diário ou tudo é para caçar o tempo, que é o mesmo que guardar pequenas coisas no lugar crescendo da memória.<br />
Ao terminar este livro não estamos de leitura acabada. Muito ao contrário. No planeta dos livros acaba de chegar uma habitante de largo fulgor. Ao terminar este livro reconhecemos sua cidadania. Estaremos para sempre na sua vizinhança. Passaremos a ver o que aqui está escrito em tanta coisa de nossos próprios dias. Como para sempre o faremos com Clarice, Adília, Lourdes ou Belkis.<br />
Pessoas assim são inevitável, fértil, maravilhosa companhia. Para sempre.</p>
<p><strong>Valter Hugo Mãe</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Tripas liquídas minha lírica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Apr 2025 18:22:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Chafurdo em meu sangue ancestral
com um riso colossal
A sujeira do meu esgoto
É o ponto de partida do meu voo
Na busca obsessiva pelo escuro
Só quando sacio minha sede de sarjeta é que me curo
Orgulho de não pertencer
Cada uma das gentes eu sei ser]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Miro fatal para meu peito todos os gatilhos e atiro Díscola epístolas piso mijo nos versículos assunção de pistilos nos ísquios dançar na beira do abismo sugar sussurros suturas de moribundos defuntos velar murchos jacintos agônicos mosquitos é meu ofício Vitrifico em agulhas solidões noturnas ausências que chegam com a lua com elas acupuntura nas asas das escápulas arrancadas pelas pisadas epifânicas das ratazanas em fila indiana rumo ao bueiro que guarda os gritos das crianças do Peloponeso e as 7 galáxias que viraram do avesso Fura abdômen que brame brâmane brota bruma de luminescência grisalha a rugir malta prata contra ideia de casta Esgoelo no prelo fabrico cutelo cútis cutuco ceifo cravo que nasceu com o espasmo do pássaro pelo carro atropelado avento corações de lontras titilando nos ouvidos suídeos cataratas caio a catar atas nas cadeias e praças a convocar a fazer fumaça fazer fumaça</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Som e mácula</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Apr 2025 14:19:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[memória é registro
lembrança uma faca serrilhada
sem dentes]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A história da literatura apresenta uma profusão de imagens e tropos nos quais a arquitetura e o corpo estão interligados, podendo surgir como elemento inconsútil entre eu-lírico/personagem e cenário ou mesmo como configuração do espaço mental daqueles sujeitos que habitam a ficção. Em <em>Som e mácula</em>, Lucas Gabriel Soares acaba compondo visões poéticas a partir de referências de um escritor-cidadão permeado pela vertical e faraônica cidade de Balneário Camboriú. Sob tal aspecto, não é difícil localizar nas frinchas dos poemas versos que dialogam com o binômio infâmia e fama — seja da cidade natal do autor, seja da atividade do poeta em si mesmo — e que fundam na paisagem o suporte para memórias — ainda que algumas possam emergir da escuridão dos pensamentos. Por isso, facilmente pode-se pensar no flerte poético entre ruído e nódoa operado por uma ocupação da mancha da página muito limpa, algo que contrasta com versos engastados em coisas que vão da imperfeição ao labéu.</p>
<p style="text-align: justify;">Entre ruínas e arranha-céus, as imagens líricas erguem-se sobre uma paisagem que mistura lembranças de infância e o ruir inevitável das estruturas — tanto físicas quanto emocionais, de onde se ouvem diversos ruídos, incluindo o ambíguo barulho de um salto. O registro das máculas, celestes ou terrestres, sugere uma busca pela transcendência, mas também o assombro da imanência, como demonstram as ruínas, a erosão e os terrenos baldios.</p>
<p style="text-align: justify;">Por essa leitura, não apenas de ocupação arquitetônica ostensiva é feita a cidade em-verso, pois é a engenharia da perfuração e a técnica do andaime que sustentam a exploração poética da memória, nem sempre nostálgica. Há um movimento constante de retorno e projeção, por meio do qual as camadas do tempo e da perda sobrepõem-se, sugerindo, sob a lógica dos estágios geológicos, que somos, do mesmo modo que os minerais, formados pela erosão lenta e constante de nossas experiências. Mesmo as literárias.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse viés é que Lucas Gabriel Soares elabora um diálogo com a tradição, revelando ecos, diálogos distantes entre o eu-lírico e outras vozes, como se as palavras fossem telas fachadeiras de um prédio literário, capturando fragmentos de existências passadas, detritos, pedaços de reboco, ferramentas. As ruínas tornam-se símbolos de resistência, de uma história pós-moderna na qual o poeta, mesmo intimidado pelo passado, sustenta a continuidade de algo maior — um novo empreendimento, um moderno projeto literário.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Marcio Markendorf</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Massa amorfa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Apr 2025 13:57:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[o dia grita morte
a noite grita morte
e eu grito para ambos
por que eu não
morro de uma vez?
às vezes
por que eu não
vivo de uma vez?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Os poemas de <em>Massa amorfa</em>, obra composta de 60 entradas de um diário, usam de uma variegação de estilos e recursos estéticos, indo do verso livre ao haikai e ao tanka, passando também pela página em branco e pela gravura, para contar a jornada de desconforto e inadequação de um eu lírico que vê sua vontade de potência desandar em um <em>non serviam</em> irrefreável.</p>
<p style="text-align: justify;">Há, nesses versos, uma batalha de reconhecimento do &#8220;eu&#8221; <em>no</em> mundo; batalha perdida, visto que ele é incapaz de se encontrar nas formas fornecidas por esse mundo. Isso aparece na discrepância entre interioridade e exterioridade, entre o Ser e a aparência, entre aquilo que se espera e aquilo que se obtém de si, da vida, do outro. Essa dualidade está presente também na forma e organização dos poemas, e no espelhamento estrutural do livro.</p>
<p style="text-align: justify;">Se a vida, externamente, é regida pela incerteza e pela contingência, fluindo como o rio de Heráclito, é feita internamente de uma não aceitação tenaz daquilo que se experiencia. Viver desse modo significa observar e ruminar, mas sobretudo lembrar: o entendimento e a vivência chegam somente com atraso e de forma retrospectiva, num recorrente <em>esprit de l&#8217;escalier</em>. O eu lírico jamais está <em>lá</em>, mas dentro de si, que é um outro lugar.</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, a tentativa de encontrar sentidos para si a partir dos próprios rastros se mostra vã, já que os rastros se constituem de tentativas elas mesmas frustradas de se estar no mundo, e que, por isso mesmo, nada explicam; não revelam indícios de uma natureza que esclareceria o estado de coisas presente. O &#8220;conhece-te a ti mesmo&#8221; não pode, portanto, ser confiado à recuperação, através da memória, de uma inocência e ingenuidade genuínas, pois, se já existiram, são, de todo modo, irrecuperáveis.</p>
<p style="text-align: justify;">Como é possível que consciência e corpo coexistam? É aceitável que ambos não sejam irreconciliáveis? Questionamentos sobre o sagrado e o transcendente se misturam com os dilemas do corpo, e também com a inacessibilidade do Outro, que se apresenta como mistério. Se há algum conforto possível nessas relações, vem do silêncio. E o que se ganha com isso é uma perda: manter-se em um insistente estado de vir-a-ser, constantemente na iminência de algo que não se realiza.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Massa amorfa</em> é a segunda publicação de F. K. Bettiol, e dá seguimento ao projeto poético iniciado em <em>O velho</em>. Autocontido, este segundo livro, de maior fôlego, levanta questões próprias e, de maneira brilhante, concentra em uma metáfora todas as suas preocupações estéticas, criativas e temáticas.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p><strong>Lucas Hirata Mizuguchi</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>A palavra mata a coisa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Apr 2025 13:42:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Disseram que eu era uma menina e naquele momento me alienaram de mim. Havia sido dada ao mundo há instantes, é que a palavra mata a coisa. Vai se chamar Marina. Uma vez perguntei o porquê do meu nome . “Tínhamos pensado em Olívia, mas se você fosse muito magra, iriam te chamar de palito!” Nasci Marina para não ser chamada de palito.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Uma mulher nasce antes de nascer. O mito da tábula rasa foi desfeito há muito. Um ser quando nasce não é um papel em branco, uma página a se escrever. Quando chegamos ao mundo, já há algo escrito em nós. Nosso corpo é esperado, sonhado, a imaginação antecede a pessoa.</p>
<p style="text-align: justify;">E ao nascer Mulher?</p>
<p style="text-align: justify;">Quando uma semente é brotada no colo de nossa mãe, a mãe nos entrega uma memória. Não apenas a sua, mas a daquelas que vieram antes, daquelas com quem conviveu, daquelas que nem conheceu. Não só a mãe, mas todos a sua volta, esperam e entregam.</p>
<p style="text-align: justify;">No ato do nascimento, a palavra mulher, que antes se traduz como a palavra menina, é dada àquela que nasce e de algum modo a acompanhará por toda a vida.</p>
<p style="text-align: justify;">“É preciso plantar para colher e eu fico aqui agarrada às minhas sementes”, Marina Sales Rodrigues se agarra às sementes, ao mesmo tempo em que as quer soltar, me pergunto se não é o mesmo que fazemos com as palavras ao escrever um livro. As agarramos na intenção mais profunda de que elas sejam lançadas e sigam seu próprio caminho. Assim, são as raízes que se fincam no solo e se nutrem da água para que possam emergir. São nas raízes, nas águas de sua própria história, que Marina nos coloca diante do acontecimento de se nascer Mulher.</p>
<p style="text-align: justify;">Os capítulos “Útero”, “Aquário”, “Areia”, “Mar Afora” e “Oceano” percorrem o caminho do nascimento à fase adulta de uma mulher, trazendo historietas e percepções sobre sua própria vida. Do mesmo modo que a memória não é linear, o livro pode ser lido em qualquer tempo e em qualquer ordem, como um oráculo que nos acompanha no encontro e no acaso de quem lê. Cada texto é em si próprio, ao mesmo tempo que é cuidadosamente alinhado a um todo.</p>
<p style="text-align: justify;">A metáfora da água que irriga o útero e chega ao oceano, em uma escrita poética e límpida, mostra o <em>devir</em> mulher. Nossos fluxos são diversos, temos em nós a singularidade, mas há uma semente que nos une. É essa gota, que espalha e nos acompanha por todo sempre, que é reconhecida em <em>A palavra mata a coisa</em> desta autora que estreia na literatura com consistência e delicadeza. Mulher. Palavra de encontro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Isabelle Borges</strong></p>
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		<title>O mínimo desnecessário</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Apr 2025 12:02:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[teria sido grande poeta
tivesse publicado apenas
os versos que cortava.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O humor é a chave de leitura para os poemas de Jorge de Barros, mas não se engane: ele não esconde os temas profundos e existenciais que permeiam o livro. Esse contraste talvez seja o “truque” sugerido já no título paradoxal, sonoro e metapoético: <em>O mínimo desnecessário</em>, que ao mesmo tempo desconcerta e arranca um riso sarcástico. O tom joco-sério domina a cena, como no poema “Trânsito paulistano”:“― Queria ver se tu, Oh! Magalhães,/circumnavegavas esta Praça Panamericana!” Aqui, o passado português encontra os problemas insolúveis das Américas em uma combinação que diverte e faz pensar. É um humor que amplia a percepção, comove e leva à reflexão.</p>
<p style="text-align: justify;">A intertextualidade é outro elemento fundamental para a construção do sentido deste livro. Jorge de Barros dialoga com Fernando Pessoa, Cazuza, Bandeira, Herman Melville, Gonçalves Dias e outros, tecendo camadas de leitura que vão do literal ao simbólico. Em um caso emblemático, o poeta parece ecoar a resposta precisa — talvez de algum aluno — resgatada de sua experiência como professor de literatura: “Bandeira transformou um carregador de feira que morreu afogado em poesia”. Mas essa intertextualidade não se apresenta como um exercício de erudição; ao contrário, é fruto de vivência e convívio, cultivada em anos de sala de aula e da relação íntima com a poesia.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro eixo relevante são as dedicatórias a amigos e familiares, que acrescentam um tom afetivo à ironia e à crítica do conjunto. O inventário familiar aparece no poema “Floema” como uma “Árvore genealógica” viva, em que os parentes são o próprio líquido vital que atravessa gerações, dos avós aos pais, até o poeta. Ele, por sua vez, bombeia um “coração espremido” pelo peso dessa herança. O reconhecimento das origens — com referências a Mauá e Pernambuco — aparece de forma tocante em “Sinos”, um tributo ao pai, projetando uma cosmovisão poética constituída pelas memórias.</p>
<p style="text-align: justify;">A relação com autores prediletos é marcante, especialmente Drummond, Bandeira e Mário de Andrade. Jorge ressignifica suas referências modernistas com um olhar atual, criando um horizonte de diálogo imediato com essa tradição. A escolha por poemas curtos e diretos, quase telegráficos, reforça essa aproximação, como no poema “Paisagem mineira”: “tanta igrejinha assim em cada canto que a gente/quase nunca se esquece de estar pecando…”. A leitura de <em>O mínimo desnecessário</em> é um convite à boa poesia brasileira contemporânea. Prepare-se, porque essa redondilha maior já vai começar.</p>
<p><strong>Danilo Bueno</strong></p>
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		<title>Consumo imediato</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Apr 2025 11:53:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[você vale
ou mais valia?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Você tem fome de quê? De cliques, de atenção, de um futuro que parece cada vez mais inalcançável? No mundo ultraprocessado, onde a herança colonial é somada à retórica do mérito e o “Deus Mercado” dita suas regras, o que resta para aqueles que correm sem linha de chegada?</p>
<p style="text-align: justify;">Mais do que uma denúncia, <em>Consumo imediato</em> é um manifesto poético que expõe, com precisão e ironia, as problemáticas contemporâneas. Entre versos incisivos, aforismos e indagações, Zeli revela um ciclo de exaustão que atravessa todas as esferas da vida. Da exploração à crise climática, das relações sociais à fabricação de realidades, os poemas transitam entre o íntimo e o coletivo, entre o humor mordaz e o desconforto necessário, trazendo à tona o retrato das engrenagens que nos empurram para um consumo sem fim.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Consumo imediato</em> apresenta uma movimentação que abrange cortes abruptos, enquadramentos em plano aberto e fechado, jogos de perspectiva, constituindo, assim, fragmentos narrativos e visuais. Somados a esse dinamismo, há os momentos de contemplação, que possibilitam um território para a análise crítica da materialidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Com referências que dialogam com Carlos Drummond de Andrade, Ferreira Gullar, João Cabral de Melo Neto, Luiza Romão, Manuel Bandeira, Mário Quintana, Paulo Leminski e outros grandes poetas, <em>Consumo imediato</em> não é apenas poesia — é reflexão filosófica embebida no cotidiano. Ao percorrer seus versos, o leitor é provocado a enxergar as contradições do presente e a refletir sobre o que ainda resta após os excessos.</p>
<p style="text-align: justify;">Leia sem moderação. Leia com urgência.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Larissa Campos</strong></p>
<p style="text-align: justify;">mediadora cultural e pesquisadora de artistas mulheres atuantes na América Latina</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O cheiro das belas balas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Apr 2025 09:43:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Assombro o relógio, persigo as horas,
declaro guerra ao tempo
Existo momento, guilhotino a janela,
cerro a porta ao instante
Humilho o papel, estendo o lençol,
aguardo-me fim fatigado
Esmago o piano, conspurco o livro, lanço-me nu ao rio

Corto a cabeça da boneca, corto o pelo do cão,
desassombro-me
Olho nos olhos do ídolo, desmascaro-o,
cuspo-lhe na roupa nova
Arranco as asas do anjo,
arranco a minha mão desnecessária
Mão de ferro forjada, esguicha o sangue
e domino-o à dentada

(<em>A torre</em>, página 24)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O cheiro das belas balas</em> não é simplesmente uma colectânea de poemas. Lê-se mais como uma rapsódia: uma sequência de episódios fortemente contrastantes (expressivamente contrastantes, como o contraste que o próprio título exemplifica) no que diz respeito ao tom emocional, temas, ideias, e, sobretudo, nas experiências que evoca. Porém, a sucessão contrastante desses episódios conta (ou canta, à maneira do rapsodo ou bardo) uma história que não é a história deste ou daquele indivíduo, um relambório de alma dorida. A história aqui contada tem um ponto de vista mas não um sujeito definido. É uma caixa de ressonância, em que as experiências e afectos de uma geração se cruzam e amplificam, condensadas numa voz, num momento, numa imagem. É uma história de fantasmas, no duplo sentido da palavra: presenças espectrais do que já não é, mas, de algum modo, continua presente; do que não chegou a ser, mas tampouco deixou de se fazer sentir; mas também as imagens, os escolhos da imaginação, a lenha imaterial da ideologia. O modo como começa e as palavras com que termina são emblemáticas: o confronto do pensamento com o horror da indiferença, o esquecimento, a desilusão com a travessia, as promessas de um mundo não materializado, congelado como imagem, ícone do nosso cinismo e de um inerradicável idealismo que não consegue deixar de cantar a redenção possível: amor, amigos, um obrigado (imenso) pelo indizível. Uma maneira de ler este poema, rapsódia de poemas cosidos com o fio de duas paixões que se negam mutuamente e no entanto não podem não ser juntas (gémeos siameses, o exílio da síntese que não se resolve, porque o progresso era mentira), é como um responso dos vindouros (cabrões de vindouros!), a geração que cresceu e viveu com o rescaldo da festa (somos a recordação do momento que toma o lugar do momento propriamente dito). Quem leu bem a insuperável rapsódia do Portugal contemporâneo (refiro-me a FMI de José Mário Branco) entende o que quero dizer. Não só o mar e a travessia, as interpelações directas, mas os motivos, que aqui têm eco e desenvolvimento, transmutação.<br />
Este texto é, antes de mais, honesto, nas palavras certeiras do autor: “a vergonha do meu poema é a necessidade do meu poema”. Não escolhemos o que somos, apenas viver o que somos. Porém, as emoções a que o André dá aqui forma e corpo são nossas. Porque são assim, tão profundamente nossas, podem, enfim, ser de toda a gente.</p>
<p><strong>Vítor Guerreiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Travessias poemas sobre o partir(se)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Apr 2025 10:06:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[a menina se confunde,
baralha-se.
troca o pequeno-almoço
pelo café da manhã.
os colegas acham graça, mas ela não.
tem vontade de voltar.
mas pra onde?
se a família está aqui,
se os amigos cá estão.
pertencimento.
dizem que vem com o tempo,
não parece ser o caso.
os anos passam
mas não o ressentimento
de habitar um limbo
em que já não é mais
e também jamais será.
parte de…
part(idas).

[<em>part(idas), </em>página 13]

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“Somos una especie en viaje”, toca na vitrola Jorge Drexler enquanto te escrevo&#8230;”yo no soy de aquí, pero tú tampoco”. Vim em missão de amor te contar que aqui as palavras são andorinhas que vão atiçar sensações adormecidas. Sonhos de asa própria, de alguma revolta contra preconceitos, sonhos de vento e movimento.<br />
A gente tem medo de desejar sopros de mudança. Tem medo de perder aquilo que conhece, aquilo que achamos que nos compõe. Migrar amansa o ego e as ilusões todas, um dia escrevi isso no meu primeiro livro e a Cleidi leu. Nos encontramos na Praça das Flores em Lisboa e as letras, nossas filhas e histórias começaram uma costura bonita que dura mais de 7 anos.<br />
Há um vazio entre mundos que é conhecido pelo coração de imigrante, mais ainda de mulheres que pariram suas crias e amamentaram pelas ladeiras enquanto exerciam o direito ao sonho. Reinvenção. Só quem empurra o barco na praia, joga a bagagem ali e começa a enfrentar as rebentações pode saber o temor que dá.<br />
Mas medo é farol, diz tanto do que no fundo queremos e devemos fazer. E ela foi, não sem medo, mas com coragem.<br />
É preciso que uma vida morra para que a vida desejada possa nascer, mais ou menos isso falou Campbell. Pessoas que se jogam na arena da vida com coragem inspiram e servem de luzinha no meio da imensidão da noite quando nosso barco migratório fica à deriva em alto mar. Somos todos criadores e nossa vida bem podia ser nossa obra de arte. Sinto que para a Cleidi a escrita vem assim, como fonte salvadora quando nada mais resta de resposta.<br />
Este livro foi escrito com dígitos em chamas, com olheiras profundas, casa caos e amor e três crianças para criar, com grana acabando, com angústia tomando conta e muita gana de, mais que existir, viver! Ele contém pingos de recomeço e morte da inocência do desejo de pertencer.<br />
Pois quando nada é certo, tudo pode ser redesenhado. E isso pode ser libertador. Ainda mais quando sabemos que o movimento é nossa sina, mas é a alma que buscamos resgatar no andar dos mundos&#8230;<br />
Se deixe afetar pelo rio de palavras que Cleidi nos criou&#8230;ele te levará ao mar da tua própria imensidão poética.</p>
<p><strong>Eliana Rigol</strong><br />
escritora</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Mar de palavras</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Apr 2025 13:06:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Nesse mar que é palavra
Dessa água que faz poesia
Me alongo até demais
Profundo escuro
Até de dia.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Quem distraidamente folhear este livro poderá pensar: mais um livro de poemas sobre o mar. Sim, mais um livro de poemas sobre o mar — porém, com um diferencial que o leitor mais atento tenderá a concordar comigo: mais um livro de poemas sobre o mar, mas ancorado num sentimento pra lá de perigoso: a paixão pela palavra.</p>
<p style="text-align: justify;">Jandeilsom vem construindo uma trajetória literária em que essa paixão extrapola asfalto e favela, rua e academia, luta e poder: simplesmente salta aos olhos e volta ao coração. Ser apaixonado pela escrita requer a sorte da inspiração, mas também a dedicação de cuidar do que pede, cotidianamente, crescimento e foco.</p>
<p style="text-align: justify;">“Sentimento um tanto tato/ Proscrito saudade e contentamento/ Memória, não esquecimento,/ apneia poética/ desejo contrito” (em “Nada-dor”) e “Adiante o silêncio devora o mar/ E a última luz era estrela” (em “Antes do tsunami a resistência”) são provas dessa paixão em estado maduro.</p>
<p style="text-align: justify;">Outra prova desse amadurecimento poético está em “Pororocando o mar”<em>: “</em>Quantas margens te tocam/ nesses rios de saudades, nascentes pequenas,/ de correntes que jorram/ nos caminhos ancestrais/ por onde tu passas/ na força do vento ou do silêncio/ sendo onda que dança/ no encontro do mar?”: típico poema que, de tão preciso, dá margem a múltiplas interpretações. O autor registrou um momento de amor a dois ou a sua própria relação com a poesia? Pouco importa saber. Recomendo, apenas, sentir.</p>
<p style="text-align: justify;">Usando o mar como ref(v)erência, o livro também traz à tona o eterno mistério que habita a essência de todo escritor: de onde vem tudo isso? A criação, em si, a surgir no horizonte e pedir nascimento. Em “No fundo o poema é mar”, Jandeilsom dá a sua versão que, ele bem sabe, não passa de uma suspeita: “Como em um céu azul de maritacas/ Transparentes são as águas onde/ Nadam as letras e as palavras/ Tão profundo e denso/ Nadam em sincronia/ Preenchendo/ O oceano.” Uma suspeita a ser lida e ouvida com atenção.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Jacinto Fabio Corrêa</strong></p>
<p>Poeta</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Selvagem silêncio</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/selvagem-silencio</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Apr 2025 12:57:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[novas palavras querem passear pela minha boca
passo a língua com força pelo céu
dou a volta pela bochecha e respiro fundo
como quem vai parir um novo dizer

novos embaraços não querem ser chamados pelo mesmo nome]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Minha irmã tem o texto com os pés fincados na canção. Como curiosa disciplinada à psicanálise, sua escrita parece querer, a cada frase, descobrir-se a si mesma. Por isso, a intimidade com quem lê se dá de imediato. Por isso, quem lê acha que a está lendo também, e isso acentua o vínculo e a sedução ao poema. A gênese de sua escrita, e que torna-se uma espécie de farol, é a de compositora. Essa conexão com a letra de canção se expande nos textos presentes nessa quase coletânea, dada a distância temporal da criação de cada um, de maneira quase como um diário de pensamento, coloquial e, por vezes, prosaico, ao mesmo tempo que dialoga com o profundo do sentimento, das dores do dia a dia. Tudo o que parece livre está preso ao fluxo de pessoalidade e aos recantos de alma da autora. No seu livro de estreia, Andrea nos segura pelas mãos e nos convida à amizade.</p>
<p style="text-align: justify;">
<strong>Ronei Jorge</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Delirio gaucho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Apr 2025 18:48:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[tua beleza assimétrica
contornos surpreendentes
fractais incandescentes
dentes de centopeia
margens do titicaca
na tempestade cristã
a bonança de teus matizes
pomar furta-cor
tua magna expansão
krakatoa criando chão
extirpei-te]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Aqui neste livro leia-se: um orfanato é um orfanato de plantas. Tomie é Tomie Attack. Adília Lopes não morreu (explico o porquê no rodapé — finalzinho — dessa orelha). Kledir acordou borocoxô e o <em>Delirio</em> é <em>Gaucho</em> (ambos sem acentos). Tudo inverso em cada verso. E é disso que gosto. E acho que o poeta (meu amigo autor) nem vai gostar que eu goste. Porque não é disso que se fala. Falhará qualquer propósito de dizer: este livro vale a pena. Quando a alma não é estabanada tudo empena. Contorce, retorce. O bom é o desequilíbrio. Abalo sísmico no sopé da Paulista. Chega de gente chorando sob palavras. Um estegossauro irrompendo no Pacaembu. E outros dinossauros vocês verão ressuscitados por essas páginas. Ao que parece, acho: um verdadeiro trabalho de arqueologia      este volume de poesias. Construídas a partir de rimas que se querem ímãs. Pobrinhas de tão ricas e amplas de tão sozinhas. Raras ruínas de um circo punk. Poemas seriamente engraçados. E acho também que Dilson Branco (Dilson tem um nome que parece um pseudônimo) não vai curtir que eu diga: “cara, tu me fez rir com o uso dos adjetivos”. A maneira com que casaste certas palavras que viviam ad eternum viúvas. E até: nem sei bem o que esse “tu” tá fazendo      neste meu texto. Mas sei. É que tudo em teu livro me influenciou e é inexplicável (poesia não é para explicar). Dono que és de um ritmo incomum. Que vai tornando cada verso (universo) grandioso. Talvez, por isso, tantos edifícios e vulcões e pterodáctilos aparecem pelas tuas páginas. É tão bom ler um livro e querer ler de novo e de novo. Em voz Alta. Mostrar para o(a) colega ao lado. Pedir que espalhe esta novidade: a poesia está viva. Viva! Dito isto, vem o rodapé que eu prometi lá em cima (aqui no pezinho dessa orelha): Adília Lopes nos deixou. Na hora em que eu estava escrevendo este texto. Ainda bem que eu estava com o teu original na mão. O baque foi grande. Foi imenso, parceiro, o tombo. Só não foi maior porque você ressuscitou o tipo de poesia que para mim é a que fica: Adília, Dilson. Dilson, Adília. Entre os escombros.</p>
<p><strong>Marcelino Freire</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>A vida larga</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-vida-larga</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Mar 2025 13:44:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[você já viu uma pedra de gelo
nadando numa xícara de café?

você já viu uma pedra de gelo
se contorcendo numa xícara de café?

você já viu uma pedra de gelo
se trans for man do em café?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">o livro <em>a vida larga</em> é um convite para habitar a espontaneidade das dúvidas, para caminhar por territórios onde as palavras se desdobram em silêncio e o silêncio, em poesia. buscar respostas não é o caminho. o livro pulsa perguntas — aquelas que nos seguem quando tudo parece quieto demais.</p>
<p style="text-align: justify;">um universo que se desdobra em fragmentos — camadas que se tocam e se afastam, compondo uma paisagem cheia de hiatos, ritmos, humor, metáforas e palavras vivas que ecoam como ondas. <em>a vida larga</em> embarca em uma jornada poética de múltiplas dimensões: o corpo, a linguagem, o amor são camadas em constante transformação.</p>
<p style="text-align: justify;">a obra instiga os encontros entre o subjetivo e o tangível, os dilemas da identidade, e as paisagens emocionais de quem transita entre o ser e o tornar-se. é um lugar onde o cotidiano se recria. onde limites não são barreiras, mas pontos de partida para entender o que nos define e o que inevitavelmente escapa.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>a vida larga</em> atravessa fissuras — aquelas que carregamos, mesmo sem saber. deixar vestígios e descobrir-se naquilo que se move. entre ausências e presenças, o que se desfaz também inaugura. expandir é sempre recomeço. uma ode ao encontro entre palavras e sentidos, um lembrete de que a vida não é reta nem estreita.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>A única vida no universo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-unica-vida-no-universo</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Mar 2025 16:52:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[quando eu me letrava em chicórias
tinha mais certeza que vontade
por isso até hoje só me analfabetizo em lesmas
que precisam de pouca ou nenhuma fé]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em <em>A única vida no universo</em>, o real e o fantástico se entrelaçam como fios invisíveis, conduzindo o leitor por um labirinto de paradoxos e ausências. Cada verso é uma explosão silenciosa de imagens que desbordam o sentido, como se a palavra fosse a última tentativa de capturar o que está além do visível. O que se busca, aqui, é mais que uma compreensão; é um mergulho profundo nas águas turvas da existência, onde o corpo, a mente e o espírito se desfazem e se recriam sem cessar.</p>
<p style="text-align: justify;">As palavras dançam em um equilíbrio entre a crueza e a melancolia, abrindo um espaço para o mistério que se esconde em cada gesto, em cada som, em cada silenciamento. A escrita que emerge dessa tensão é uma bússola que aponta para a fragilidade da vida, a solidão que nos acompanha desde o primeiro suspiro, e a busca incessante por algo que transcende o entendimento humano. O livro não oferece certezas, mas nos envolve na inquietude do não saber, convidando-nos a abraçar a incerteza como a única verdade possível.</p>
<p style="text-align: justify;">As crianças que habitam estas páginas são habitantes de um mundo em que tudo se desfaz e se reconstrói em uma incessante metamorfose. Elas caminham por um continente marcado pela fome, onde as árvores têm o poder de retardar a loucura, e os olhos, sempre voltados para o rio, buscam os demônios que nadam em suas águas. A escrita não faz promessas de entendimento, mas evoca a força de um olhar que se recusa a ser domesticado pela realidade. Ela é um grito de liberdade, uma tentativa de entender o incompreensível.</p>
<p style="text-align: justify;">Cada poema surge como uma ausência, uma falta que se torna presença. Um espaço vazio que, paradoxalmente, é preenchido pela intensidade daquilo que não se diz. Este livro não é sobre o que se pode entender, mas sobre o constante fluir de uma vida que se reinventa a cada instante. A cada palavra, o leitor é conduzido a um mergulho naquilo que é invisível, tocando o silêncio que se esconde atrás da linguagem e da experiência.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>A única vida no universo</em> é, assim, uma meditação sobre a efemeridade do ser e o eterno retorno do nada. Ele nos convida a olhar para o que somos com olhos novos, a ver o que está diante de nós e, ainda assim, não conseguir entender. Em cada linha, há a promessa de que, ao final, restará apenas a vida, em sua forma mais pura e indomável, como o único ponto de ancoragem em um universo que não se deixa capturar.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Sopro</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/sopro</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Mar 2025 09:38:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[era engraçado lá debaixo
ver vocês em seus tronos
num desconforto absoluto
desfiando o veneno de sua infelicidade
numa teia de verdades e poder]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Se queres tanto saber<br />
não sou cigana, neo-hippie,<br />
donzela a ser salva, camponesa, poeta, puta,<br />
angoleira, marginal<br />
Nem aprendiz eu sou<br />
Sou o eco de todas as coisas<br />
Como tu! (como entenderes)<br />
Sou seu reflexo<br />
E seu desejo crucificado me contendo<br />
nas paredes de seus moldes industriais<br />
Eu sou por ti<br />
Razão de meus delírios asfixiantes<br />
Quando em mim sou o vento<br />
A água e o calor<br />
A firmeza da terra<br />
e nela, você é meu palhaço favorito</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Íntimo das aves</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Mar 2025 19:43:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Sempre ao chão o rosto nunca se recupera.
Olhares nesse convívio
jamais percebem.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Renato Melo, em seu <em>Íntimo das aves</em>, nos apresenta uma obra poética cujo lirismo evidencia a força profética em cada poema. O eu lírico, meditativo e resiliente, professa e profetiza o Verbo para o mundo — ou mundos? —, numa despretensiosa busca &#8220;Sem qualquer/ desperdício de tempo&#8221;:  &#8220;Não me ressenti,/ nesse parto quase sem dor, foi assim que nasci — poeta”.</p>
<p style="text-align: justify;">De cunho reflexivo, dividido em três seções (&#8220;Voo cego&#8221;, &#8220;Âmbito&#8221; e &#8220;Pouso e migração&#8221;), <em>Íntimo das aves</em> é um livro que traz o brilho epifânico e o alívio que a catarse proporciona. Uma obra cristalina, que descortina o existencial do que resiste; o que é intrínseco ao Ser: &#8220;É quase uma dança, subir é preciso. O caminho não muda,/ ser é se tornar&#8221;. Eis uma obra que distingue-se pela beleza da poesia; o belo harmoniza-se entre as palavras, as imagens, o não-dito e as entrelinhas: o belo da estranheza ao colher a novidade e &#8220;sem dela exigir alento ou qualquer/ explicação”.</p>
<p style="text-align: justify;">Em tempos de modismos e de versos que &#8220;desdenham ao entardecer o nome e a forma da flor&#8221;, Renato Melo, com este <em>Íntimo das aves</em>, nos presenteia com uma obra inspiradora, fruto de indagações, silêncios e da contemplação do viver, onde o &#8220;eu estoico&#8221;, habitante do eu lírico, busca &#8220;Paz imensa mesmo ante os transtornos do mundo&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao término da leitura de <em>Íntimo das aves</em>, aliás, a cada releitura do livro, tive a sensação de elevação do espírito, como o voo das aves, onde do alto é possível ver e perceber o Todo, o si-mesmo, quando nos distanciamos. No mais, &#8220;Deixemos que os filamentos do sol expliquem/melhor as coisas&#8221;.</p>
<p><strong>Francisco Gomes</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Língua Lab</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Mar 2025 18:28:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[as folhas do antúrio
que bailam a ausência
do vento que vejo
enquadrado]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>laboratório </strong>[s.m.]: Lugar destinado ao estudo experimental de qualquer ramo da ciência, ou à aplicação dos conhecimentos científicos com objetivo prático (exame e/ou preparo de medicamentos, fabricação de explosivos, exame de líquidos e tecidos do organismo etc.)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>fonte</em>: Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa</p>
<p><strong> </strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Deseiério</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/deseierio</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Mar 2025 12:38:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[aqui
tudo brota
suor dos poros
água da nascente
a presença diante dos olhos

a Realizo
está aqui
e Teus pés
e a craca

Deus é uma palavra
a se repetir indefinidamente
um susto
uma aca
uco uco uco]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“De que se trata o livro?” é a pergunta que se faz ao se deparar com um. Uma pergunta que, neste caso, mais do que uma resposta, requer que se faça uma brincadeira de criança: o que é o que é?</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Deseiério</em> apresenta-se como um convite a mergulhar naquilo que pulsa a todo momento, na Voz que se encontra — e se esconde — dentro de cada ser. Como um leão faminto busca pela sua presa, o homem, desejante, busca. E o que é que busca esse bicho da linguagem? Qual a Voz que tanto o move quanto é movida por ele?</p>
<p style="text-align: justify;">A Voz é a fonte da qual o autor bebe. Para ouvi-la, é preciso tapar os ouvidos. Manter o olhar atento. Tão atento quanto uma criança.</p>
<p style="text-align: justify;">A cada página, a Voz vai se inscrevendo no texto, se fazendo e desfazendo, ela própria uma brincadeira de tapar seus buracos, mostrar outros. Uma semente com furos, palavras quebradas, cortes de faca, uma craca que arranha a língua. Neologismos, quebras e aglutinações são a maneira da Voz dizer a si mesma.</p>
<p style="text-align: justify;">Imagens como a craca, os pés, e a faca se mostram eixos de leitura: obsessão paranoide &#8211; uma figura de linguagem necessária para compor <em>Deseiério</em>. A partir dela, esse universo esquisito e encantado ganha vida e ritmo, próprios das canções infantis: “este é Meu canto cranal/a crá cá cá cá/não lava o pé”.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma das obsessões centrais, a craca, parece esconder dentro de si o próprio mistério a se decifrar. É a esfinge do texto. E, justamente ao se aproximar demais e tentar tocá-la, ela se esconde. Foge como uma gata, no pulo do susto.</p>
<p style="text-align: justify;">E “Eis o que há:/uma palá”, que se encontra escondida nas palavras, no impossível de se de se dizer e de tapar todos os buracos.</p>
<p style="text-align: justify;">Deste destino, impossível escapar. Sempre haverá a Voz que alimenta a busca de cada um em direção àquilo que escapa à língua comum, em direção ao signo incognoscível. A Voz dá o ritmo do compasso; de cada palavra, de cada verso inscrito; e se finda com batidas onomatopeicas, entre sístole e diástole silábicas: um coração que faz o texto pulsar.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Isabela Reversi</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Pelúcio</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/pelucio</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Mar 2025 11:30:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Oh, mon cheri. Tens, tu, uma bela rabeta, tão
curvilínea e grande. Cabe eu e o mundo?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Pode entrar, fica à vontade, sinta-se em casa. Não precisa tirar o sapato, senta aqui, esse poeta já vai passar um café. Preste atenção, isso aqui não é um museu, você está na casa do poeta, não tem por que toda essa formalidade. Ele te diz menino, você não vai acreditar no que me aconteceu, depois engata nas notícias de ontem, te conta o que pensa sobre deuses e pecados, brinca com Drummond e busca um retrato. De canto de boca xinga um parente que não deveria estar naquela foto, profana o que já é profano, sacraliza o que há de mais comum do mundo, chora por um amor, faz um draminha e ri de si por isso. A poesia mágica-banal em que você está prestes a embarcar não precisa de cerimônia nem de sapatos apertados para acontecer. Nesses dias cada vez mais repletos de agito-informação-barulho, Diego nos lembra que a poesia está numa tarde silenciosa em que estamos de chinelo amargurando a vida enquanto esperamos no portão o carro do biscoito de polvilho passar. Aceita um bolinho? Toma aqui seu café! Só cuida um pouquinho, ainda tá quente.</p>
<p><strong>Raphael Khalil</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>O avesso da casa</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-avesso-da-casa</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Mar 2025 18:40:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[o avesso da casa abre portas
com imagens até onde a vista alcança
mesmo que de olhos fechados

mas é no papel que se refaz
livro livre vida casa
outra vez

(página 17)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em<em> O avesso da casa</em>, Ozias Filho reúne duas práticas e paixões: o instante poético e o instante fotográfico. Mas tal reunião não se faz por proximidade e semelhança, uma vez que, em casos assim, das duas, uma: ou o poema apequena-se em legenda ou a fotografia muda em mera ilustração. Ao contrário, a força deste encontro está em algo vizinho ao que Nietzsche denomina “páthos da distância”, no qual afirma-se “a vontade de ser si próprio”. Tanto que o autor, fotógrafo e poeta, tratou de rubricar as diferenças e as distâncias entre texto e imagem, destinando a cada qual lugar próprio na arquitetura da obra.<br />
Neste quase diário da peste, o leitor não estranhe a repetição de palavras — silêncio, solidão, medo, olhos, janela, vírus, tempo, lugar (e outras análogas, tangentes ou adversativas) e de imagens vernaculares —, paisagem urbana, retrato, natureza-morta, abstração, interior de ambiente, documental —, pois tais procedimentos prestam a dar “um negativo do negativo da realidade pandémica” da covid-19, como diz o autor em sua apresentação.<br />
Arriscaria a dizer que dentro e fora são os tópoi secretos deste “ensaio poético/fotográfico”, no qual, à rebours do sempre questionável senso comum, o fotógrafo olha para dentro e o poeta para fora. A voz lírica e o corpo confinados em “caixas dentro de caixas dentro de caixas” ou sob as “salvas ao vírus silêncio”; a outra voz que aciona e alimenta o diálogo poético submetida ao “silêncio do caos” e destituída de corpo pelas distâncias da mediação — e eis que o poema se faz “exercício de ver/através do olhar alheio”. O próprio olhar restrito à moldura da janela ou ao óculo da porta; o ato fotográfico en plein air sob interdição ou privado de seus claros objetos de desejo — e eis que a fotografia desvela o seu negativo, rascunha o seu ensaio sobre a cegueira física e simbólica. Do velar/desvelar os transes e os trânsitos entre o eu e o mundo, o poema aspira aos foras da realidade, ao outro, aos acontecimentos, às coisas, para além do deserto e da assepsia. De registro documentário da realidade fora, a fotografia converte-se em testemunho dos dentros da “bolha higiénica”.<br />
Na cultura brasileira, como registra Claude Lévi-Strauss em Tristes trópicos, difícil ter a rua como o avesso da casa, pois “não se distingue quando se está dentro ou fora”. Neste sentido, para um poeta brasileiro, mesmo há tempos radicado em Portugal, a imposição abrupta de fronteiras nítidas e higiênicas entre casa e rua terá sido dos encargos mais custosos nesta sua participação involuntária na versão contemporânea do “congresso internacional do medo”.</p>
<p><strong>Fernando Fiorese</strong><br />
poeta, escritor, ensaísta e professor</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Rito de passagem</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/rito-de-passagem</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Mar 2025 16:15:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[E ainda que de ti o corpo eu toque,
não te toco. Estás além,
rainha de tua dimensão outra,
de linguagem sem verbo
e de palavra sem voz.
E ainda que de ti o corpo eu toque,
toco apenas estes nós
que unem nossos destinos
por instantes.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Uma orelha de advertência</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Livro de estreia há de ser sempre um ensaio. Em <em>Rito de passagem</em>, de Laura Tomé, temos o ensaio teatral. Não um mero e primeiro ensaio de mesa, mas aquele em que o sujeito lírico entra em cena — uma cena hoje menos avessa e alheia à <em>performance</em> de mulheres — para experimentar as máscaras dramáticas e o figurino de páginas numeradas, colocar à prova os gestos e as entonações de suas falas, examinar as deixas de ação dos autores (próximos ou distantes) com que escolheu contracenar, revisar as marcações dos movimentos e corpos futuros. A plateia pode ser amiga ou restrita, mas trata-se de um ritual de passagem, de um teste do texto: “Eu pairo o texto./Eu pairo no texto./Eu, quando me texto, pairo. [&#8230;]/&#8230; logo eu/ que testo se um texto paira na minha testa/simplesmente testando se um texto me testa/Se me testa ao me textar!//A minha parte eu faço: me texto.”.</p>
<p style="text-align: justify;">Passagem há de ser sempre o lugar e o modo do poema. E a poeta sabe das passagens da vida ao texto e do texto à vida, tal eterno retorno nas diferenças: “Aquela palavra: fronteira./Depois da fronteira,/a vida.”. Daí o cúmulo de substantivos e verbos da <em>flânerie</em>: limite, paisagem, movimento, labirinto, margem, encruzilhada, desejo, passar, viajar, circular, passear, caminhar, atravessar, procurar, apenas para citar alguns. Porque a <em>flânerie</em> da poeta que diz “me escrevo/no escuro” é procura de si e do mundo: “Para o mundo,/precisa-se de/palavra,/fonema,/sílaba,/verbo e/caneta.”.</p>
<p style="text-align: justify;">Procura há de ser sempre amorosa, famélica, sedenta: “A procura não se sabe: se saboreia.”. Com fome e sede insaciáveis, ainda quando refere que “Anoiteceu o vocabulário da poeta”, Laura Tomé não arrefece na busca de si, do mundo, da palavra, do outro, do amor, essas coisas esquivas que se ocultam na noite e iluminam: “Me visitas à noite,/trazes algo para beber:/és tu.”. Porque a procura do amor (como também da poesia) tem algo da ritualística canibal: “O meu corpo pede mais vinho/e a minha boca pede a tua carne.”.</p>
<p style="text-align: justify;">Noite há de ser sempre simbólica, dentro e fora. Ao atravessar a noite, com “O poema na mala” e um verso de Drummond no bolso — “Sempre dentro de mim meu inimigo” —, não é luz nem razão o que a poeta busca, mas estar no e dizer do ritual iniciático da palavra, no qual vigoram em enigma a via e a viagem, o viajante e a paisagem: “Plural é meu eu em minha estória,/que à noite sou santa, louca e puta.”. Então, a todas e todos advirto: ou o leitor devora este livro ou Laura o “indecifra”.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Fernando Fiorese</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>rua nove casa vinte e um</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Feb 2025 15:21:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[nasceu água
e teve de caber num copo
quis ser chuva
mas teve de contentar-se
com o evaporar
de cada dia

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Lugares de partida, lugares almejados, lugares de pertença</p>
<p>Com rua nove casa vinte e um, Hellington Vieira retorna à vila operária onde viveu até os 10 anos.<br />
Dividido em “Notas Introdutórias”, &#8220;Primeiro Turno&#8221;, &#8220;Intervalo&#8221;, &#8220;Segundo Turno&#8221; e &#8220;Hora Extra&#8221;, este é um livro atravessado pelo fardo do trabalho, pelas desigualdades sociais e por um quotidiano duro que, ao mesmo tempo que sufoca, alimenta sonhos e aspirações para tanta gente impossíveis de alcançar.<br />
Numa voz melancólica, reflexiva e crítica, Vila Estrela é apresentada como um lugar de pertença, mas também de limitação. O próprio título, reforça a ideia de um quotidiano sistemático, no qual as ruas têm números como as casas e há fronteiras claras entre pobres e ricos.<br />
Vila Estrela é o subúrbio de onde o poeta quer escapar para alcançar algo maior, mais alto e mais longe, mas também o reconhecimento de quão profundas são as raízes. As origens são um passado que carregamos para sempre às costas. O desejo de liberdade encontra na gravidade uma realidade implacável: “o chão não gosta de quem sabe voar”.<br />
Mas se estes poemas denunciam expectativas sociais (como em “[não nasci para escrever]”), também celebram o empoderamento: “o resto da vida/era o que tinha/de maior valor”.<br />
Hellington escreve em versos curtos com rimas insistentes. Os seus poemas são estruturais e secos como uma espinha limpa, mas só na aparência são simples, até porque “as coisas simples da vida/não existem”.<br />
Com o avançar das páginas, na “Hora Extra”, a libertação territorial já não basta e mesmo ser poeta já não é desejo suficiente, é preciso ser poesia, ter uma existência que transcenda a produção, tornando-se algo maior e mais puro: a poesia como possibilidade de transcender.</p>
<p><strong>André Tecedeiro</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Este é um livro para ter nos bolsos, para fazer da casa cidade<br />
e da cidade casa, para levantar voo com a terra nos dentes (&#8230;)</p>
<p><strong>Sara Duarte Brandão</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Manante</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Feb 2025 13:48:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Tudo comove.
Tudo desorganiza e se esconde.
Aquilo que teimosamente tenho chamado de fé
insiste em se embaraçar na cabeça branca do senhorzinho
octogenário do 609.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Desde que o homem entendeu sua finitude, vencer a morte é, talvez, a batalha que trava com mais intensidade, uma luta que perdura pelo tempo e se espraia nos mais variados campos. Alguns dedicam-se à busca do corpo imortal, missão, ao que tudo indica, natimorta. Contudo, ao que parece, alguns encontraram uma maneira de imortalidade: os que escrevem. Estes, por sua vez, embrenham-se por veredas muito próprias: alguns registram a vida tal qual ela é (variando no grau de crueza), outros fantasiam e dão vida a sujeitos que nunca existiram, mas que passam a ocupar este mesmo mundo que habitamos; outros ainda misturam vida e fantasia de maneira que o nosso cotidiano banal ganha a possibilidade de, não mais que de repente, ao virar uma esquina, se deparar com fantasmas, árvores que andam, homens que viram pássaros, etc. Por fim, existem aqueles que, crentes em uma metafísica qualquer, entendem que a única imortalidade possível (mesmo para os que escrevem) é a da alma e, assim, buscam, enquanto dura a energia do corpo, transpô-la em suas palavras. Para isso, alguns buscam a forma rígida das rimas e dos decassílabos, outros buscam a dança possível entre o signo-palavra e o suporte-página, outros se deixam simplesmente fluir de si para o papel. Assim é Andressa Lameu em seu livro de estreia.</p>
<p style="text-align: justify;">Manante é uma palavra cuja origem está no latim e que dá conta daquilo que escorre, que mana, que flui&#8230; como as palavras-imagens-ideias que se encontram nas páginas deste volume. (Pensei em dizer <em>se organizam</em>, mas <em>organizar </em>não é uma expressão que contemple a experiência de escrita e leitura deste livro; tampouco a palavra <em>encontrar</em> está aqui como sinônimo de <em>achar</em>, mas no sentido do encontro mesmo, como o das águas.) As palavras se tocam, se repelem, se afastam, encontram outras; de cada encontro nasce um novo sentido e, por fim, as palavras nos encontram, leitores, e tocam nossas línguas, percorrem nossos cérebros, veias, os campos ocos dos nossos corpos. Como a água, que caça todos os caminhos possíveis para seguir seu fluxo ao encontro de, Lameu vai se imiscuindo em nós a cada leitura, garantindo a imortalidade de sua alma, que está nestas páginas que devem ser lidas — atenção! — como quem lê o mais íntimo dos diários, o mais profundo dos segredos. Afinal — vocês verão! — a sensação é que estamos lendo algo que nós escrevemos (talvez porque ela já se lance pra dentro de nós assim que lemos “entre a hesitação do primeiro gole de café e a fuga para o litoral”).</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Jefferson Almeida</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Perspectivas da escarpa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Feb 2025 10:12:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[uma rua só rua
abriga aguarda nua
paralelepipedos
gastos
gestos artesãos
da manipulação das pedras

estas, moradoras do solo
só pedras sozinhas
viviam vivas no viver
mais solo
do recordar de cada dia]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Quem acessa as <em>Perspectivas da escarpa</em> (em signo de pluralidade já no título) se percebe imerso, de imediato, em uma nítida construção de poesia plasmada numa cosmopercepção — explico, estaríamos mais afeitas/os, talvez, ao termo cosmovisão: tributárias/os de uma ocidentalidade calcada no audiovisual, mas a miríade de versos e imagens aqui urdidas nos lança em outra matriz de tempo. Estevão Machado invoca o animismo: apesar de parecer uma poesia do olhar, nascida de flanagem e de atenta observação, não repousa em uma cosmovisão, porque convoca a experiência dos sentidos em sinestesia — uma ciranda de sentires, de habilidades para encontrar onde no corpo leitor reverberam as pontas afiadas do verbo trançado em palavra, em cal, em som, em pedra, em sol pela teia do poeta.</p>
<p style="text-align: justify;">Da parte baixa do íngreme relevo, elege a perspectiva de quem “mina de dentro” — expressão que é minha teoria da potência de revolvição pelo caminho miúdo, interno — as estruturas da cidade e das próprias palavras (aqui o poeta revela seu dna cabralino). Para além das filiações que explicita com Alberto Cunha Melo e outros antecessores neste ofício de “dos sonhos dos homens inventar uma cidade” (evocação a Carlos Pena Filho), Estevão escolhe a via menor, a sutileza das águas, capazes de derrubar arranha-céus, para conferir voz ao que habita o mais fundo.</p>
<p style="text-align: justify;">O poeta lança o convite-desafio, sua “proposta de reassentamento” feita por “mãos calejadas na vontade de durar”. Não almeja pouco: a escolha das tantas perspectivas é estratégia de quem quer cerzir “a beira da vida ribeira”, arquitetando encruzilhadas. De sua cidade-terreiro desfolha uma poesia que não oculta sua face política, rasga “na carne morta dos mangues” e escancara as “novas senzalas de zinco”. Sentencia, com a força do anímico, o poder das pedras, dos tijolos que carregam o suor de quem neles trabalhou, e estanca a percepção linear do tempo e da geografia. A partir dos arrecifes (ecoando Cícero Dias, “Eu vi o mundo… e ele começa no Recife”) deambula pelos quatro cantos da esfera e revela “as cabeças dos homens/entre os vãos do tempo”, para emitir a dureza do aviso, sua carta em uma garrafa à cata de nós, leitoras/es: “a ruína da democracia é a falência da fala”, por isso a poesia a reinstaura no estreito fio da navalha. Que o prazer da descoberta destas trilhas na escarpa acorde o que há de gente em nós: evoé, poeta!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Renata Pimentel </strong></p>
<p>Poeta, escritora, professora, artista do teatro, da dança e do audiovisual</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Terra abrasada</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Feb 2025 09:51:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O pôr do sol alaranjou o azul
Meu leal cão repousa confortavelmente.
À direita, há vida. Trânsito de carros na via
E à esquerda, quietude verde, somente.
Ao centro, há o poeta,
Fadigando os olhos há horas,
Procurando à esquerda e à direita
A linha em que perdeu as amoras.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Terra abrasada</em> veio a mim como uma obra vem ao artista, com um impacto único e sem precedentes.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">“Um brilho inédito atravessa confiante</p>
<p style="text-align: justify;">A fissura das pálpebras (&#8230;)”</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Sua colocação, ao meu ver, sempre foi muito audaciosa, expandindo-se a cada verso e consumindo, das beiradas ao centro, cada nova página. Por isso o nome: Terra abrasada é o local depois da catástrofe, o resultado de um incêndio, fruto da extrapolação enorme das temperaturas.</p>
<p style="text-align: justify;">Após a primeira onda de calor que instaurou suas ideias, então, o que se seguiu foi um intenso trabalho de busca, interna e externa, o qual por diversas vezes me fez regredir nas observações e estabilizar os pensamentos incendiários. Estas importantes pausas dão cadência ao livro e permitem, assim como ao eu-lírico, a compreensão de si, do outro e das vontades motrizes de ambos.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">“(&#8230;) Ergo o tronco, por fim</p>
<p>Como se levantasse a cabeça</p>
<p>De um balde d&#8217;água gelada</p>
<p>E repouso a consciência na materialidade (&#8230;)”</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>“(&#8230;) Ao centro, há o poeta,</p>
<p>Fadigando os olhos há horas,</p>
<p>Procurando à esquerda e à direita</p>
<p>A linha em que perdeu as amoras.”</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Fato é que, mesmo durante a escrita, este livro absorve e consome quem o lê. Os cenários pintados tentam, com esforço tremendo, atrair o leitor para dentro deles, onde a experiência sensorial atravessa a camada lisa das palavras e permite a existência de declives, a flutuação das temperaturas e do ar, o paladar dos sabores, a audição dos estrondos etc.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>“Acordei de sobressalto no meio da noite</p>
<p>Estava febril como uma lâmpada em uso</p>
<p>Estava, na verdade, convulsionando de febre”</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">            Por esta razão, <em>Terra abrasada</em> ambienta, comunica e se aprofunda, essencialmente, nas relações humanas, principalmente naquelas em que se dialoga consigo mesmo e se abstrai o cerne do que é capaz de nos mover, individual e coletivamente.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p>“(&#8230;) Era, enfim, uma estrela nova</p>
<p>Incinerando a fonte exposta de minhas capacidades inúmeras.</p>
<p>Lampejava esplendorosamente em cada canto do universo (&#8230;)”</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Espero, enfim, que os leitores deste meu livro querido possam dialogar e se relacionar com ele de alguma forma. Além disso, espero que estas palavras permeiem por diferentes camadas e permitam múltiplas reflexões na contraposição do que existe dentro e o que se coloca do lado de fora. Desejo-lhes uma excelente leitura e uma boa viagem por este campo renovado após o atravessamento das chamas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Allan de Carvalho</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Na casa dos suspiros</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Feb 2025 10:07:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[“Eu vou acabar morta, sabia?”, eu dizia
para minha amiga enquanto amassávamos pão.
“Todo mundo vai”, continuei,
sob o olhar atento de suas pupilas de vidro.

A massa inchou com o fermento —
o calor certamente ajudou.
E a morte pairava como uma velha amiga
naquela cozinha de madeira
cujos talheres de prata contavam uma história
muito melhor do que a minha.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Nas brumas do tempo convivem o velho amor e o corrente desejo, entrelaçados, porém distintos, ambos carregam a intensidade da vivência humana. Em <em>Na Casa dos Suspiros</em>, Mia explora essa conexão mediante diferentes estágios do amor romântico, elaborando uma narrativa que traduz as emoções vividas por aqueles que já se apaixonaram.</p>
<p style="text-align: justify;">O poema que abre o livro pode ser tido como uma chave de leitura para o todo da obra, pois apresenta uma característica de autorreflexão que se concretiza ao navegar pelo tempo dessas paixões; trata-se de “Espelho”, objeto que se materializa enquanto metáfora fundamental para a narrativa proposta e para a consolidação do contentamento de si.</p>
<p style="text-align: justify;">A poesia de Mia cativa o leitor e o encanta, comportando sentimentos universais em versos de singela humanidade, reproduzindo a “criação constante” do eu lírico por meio de inúmeros caminhos percorridos ao longo das existências. Em poemas como “Sob o olhar de Saturno”, “Bosque sagrado” e “Do teu nome uma prece”, temos a insubmissão do tempo à potência do amor, enquanto poemas como “Vertigem ao luar” e “Canção de amor” exploram o alcance desse sentimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar das andanças nas vidas passadas, há um tom jovial sempre presente, imprimindo frescor e um certo brilho à poesia. O eu lírico navega entre momentos de amor não correspondido, de paixão intensa e mútua, de nostalgia por um amor que se perdeu, de sofrimento por um amor que já se foi e de reconexão com o eu nessa jornada de vidas. Avesso ao não sentir, o eu lírico sofre de amor, de morte e de solidão, mas encontra a si próprio na natureza, a canção da vida e da eternidade.</p>
<p><strong>Isabelle Araújo </strong></p>
<p>Mestra em Estudos Literários pela UFPE</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Tormenta por vir</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/tormenta-por-vir</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Feb 2025 16:48:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[caras e bocas e
ouvidos atentos e brincos
que pendem pros ombros desnudos
e braços tão finos com mãos
que se apertam e olhos
que veem seus amigos de infância
e os lábios que riem dizem sobrenomes
narizes pra cima que testam sua classe
e rostos que viram quando você passa
no meio dos passos
do salão em festa]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em <em>Tormenta por vir</em>, Gabriel Silveira escreve com uma língua pungente sobre habitar diferentes mundos, apontando os pactos não ditos de exclusão. Com o eu-de-ontem arrebatado pelo eu-de-amanhã, dá espaço às versões de si para um novo-eu que nasce, mas não esquece: “somos todos apátridas”.</p>
<p style="text-align: justify;">Tão passional quanto cético, Gabriel caminha pelos cenários de sua vida e faz uso dos filmes <em>O mágico de Oz</em> e <em>Apocalypse now</em> (dentre outros) como panos de fundo, evocando imagens familiares do cinema sem medo de subvertê-las. Sempre artístico, porém nunca leniente, o livro chama a nossa atenção para o chiado que fingimos não ouvir e aponta a fragilidade das bolhas e panelas do meio literário, sinalizando os títulos que escolhemos desconhecer e a hipermetropia que rodeia as nossas leituras. Com a mesma escuta cuidadosa, consegue capturar a sutileza dos ecos de um abraço e os desencontros agudos de um eu-lírico intruso.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Tormenta por vir</em> é simultaneamente incendiário e tempestuoso, escrito com versos agridoces que convidam à reflexão e fazem o leitor questionar “qual versão de mim estará certa no juízo final?”.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p><strong>Dora Lutz</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Cantar o chão em pleno voo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Feb 2025 13:35:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<strong><span style="color: #0000ff;">fotografias de Bárbara Milano</span></strong>

&#160;

Volver-me ao útero e
abandonar-me vasto
a farfalhar sentidos.

Desdobrar a língua
sem saber do som
que afagará a bruma

na gélida madrugada da
palavra
que ainda não profanei.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">UM CANTO NA POÉTICA DE NITIREN QUEIROZ</p>
<p style="text-align: justify;">“Vem/ouça o canto das folhas —/tu podes beijá-las/e com elas cantar/ajoelhar e chorar/mas não as arranques/de seus galhos”. Assim se inicia o <em>Cantar o chão em pleno voo</em>. Inicia-se o grande código de experimentação da vida conduzido pelo poeta Nitiren Queiroz. É uma declaração poética constituída com propriedade, intensa, e com uma particularidade: a linguagem de encanto nomeada com todo o seu encadeamento de sons, figuras e movimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Autor de <em>Nêfesh</em>, <em>pelos olhos do jaguar</em> e <em>O apocalipse é meu parque de diversões</em>, livros nos quais já se pronunciava a sua profunda percepção, engenhosidade e fecundidade, Nitiren Queiroz amplia, com rigor, seu horizonte neste livro. Desdobra o processo. Isso é evidente quando nos deparamos com uma coisa fabulosa, com uma coisa estranha, um delírio, peças fundamentais para a significação, para o encantamento, para a construção da poesia. É um anunciado de inventividade, de multiplicidade.</p>
<p style="text-align: justify;">“Canto e persigo esse monstro/para renascer/em seu colo vibrando/cores e cores/de mundos que navego/e de outros tantos/que me germinam pelos poros”. Nitiren Queiroz tem consciência plena de todo o seu campo de emprego. É uma penetração na alma humana. É a caixa de Pandora aberta. Tem ele conhecimento de tudo aquilo que o cerca, tem relações com o mundo, conhece as paisagens. É cúmplice das grandes metáforas. Tudo isso é <em>Cantar o chão em pleno voo</em>. É poesia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Celso de Alencar</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Calor de março</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/calor-de-marco</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Feb 2025 13:14:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Acordar esgoto
Quente, fétida
e morta
Ser humana tal qual
um caldo espesso de
desejos-dejetos derretidos
No calor da angústia]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Calor de março</em> marca a estreia de Lohaine Miguez na poesia, apresentando-se como um convite à travessia por labirintos de sensações, inquietações e epifanias. Em seus 76 poemas, Lohaine transforma experiências cotidianas e angústias universais em versos que oscilam entre o corte e o afago, estabelecendo um diálogo rico com a tradição poética brasileira, desde a rebeldia de Belchior, presente já na epígrafe, até o existencialismo de Gilka Machado e de Mario Quintana.</p>
<p style="text-align: justify;">O título evoca a sensação sufocante do calor que marca o fim do verão, metáfora que se desdobra em estados emocionais variados ao longo da obra. O poema “Negativo” explora a matemática do sofrimento: “Toda semana, tenho / morrido três vezes. / E renascido duas”. A morte simbólica reaparece em “Ai de mim” — “Ai de mim, ai de mim / se não fosse a poesia. / Como eu faria para morrer / tantas vezes e, ainda assim, / continuar viva?” — e encontra eco nos versos de Mario Quintana — “Da primeira vez que me assassinaram, / Perdi um jeito de sorrir que eu tinha. / Depois, a cada vez que me mataram, / Foram levando qualquer coisa minha”. Em Lohaine, a poesia emerge como espaço privilegiado de reinvenção da vida.</p>
<p style="text-align: justify;">A obra é atravessada por imagens uterinas e fetais, possível reflexo da formação em Psicologia da autora. Em poemas como “Autoabortável”, “Amniótico” e “Romaria”, o útero simboliza simultaneamente proteção e angústia, numa ambivalência que ecoa teorias psicanalíticas sobre o desejo de retorno ao estado pré-natal. Em “Lar-falo”, a vulnerabilidade feminina é exposta em uma sociedade que nega proteção e equidade de gênero: “Eu chorei pela / falta / da proteção / Muro maciço / Pele materna / Barriga // Tampouco saí, / tocaram-me as mãos / do gatilho / Dele. / Que me deu meia vida / E tirou outras inteiras / Sem dó”. Para as mulheres, nem mesmo o lar é sinônimo de segurança.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar da densidade temática, <em>Calor de março</em> oferece vislumbres de esperança. Em “Resistência”, gestos cotidianos como “o café quente e amargo” ou “o ‘crock’ do pão levado aos dentes” tornam-se rituais de sobrevivência, mostrando como pequenos atos podem ancorar o sujeito na existência. É nesta tensão entre desespero e resistência que a obra encontra sua força maior. Conjugando sua formação em Literatura e Psicologia, Lohaine Miguez constrói uma poética que transcende o mero registro confessional, alcançando uma dimensão universal que dialoga com as experiências mais profundas do ser humano contemporâneo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Anna Faedrich</strong></p>
<p>Professora de Literatura Brasileira na Universidade Federal Fluminense</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Varanda de insônia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Feb 2025 22:37:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Há uma luz nova
que se abre ao encontro
dos bons pastos. Onde
o capim se renova ao lume do sol
de todo dia.

A chuva também é bem-vinda,
desde que seja a saudosa como
o apelo da vaca separada da cria
que até hoje se ouve. Havia
o Boitempo
em minha descoberta poesia.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Neste seu segundo trabalho poético, <em>Varanda de insônia</em>, Daniel Veras Pinheiro, através de uma dicção peculiar, nos apresenta a poesia como fruto de lampejos e surtos brotados de insônias e reflexões, onde o universo introspectivo do eu lírico é revelado como num avarandado, lugar em que “o tempo do poeta não cabe na esfera terrestre”, mas que “O poeta é como qualquer um — o outro”.</p>
<p style="text-align: justify;">Essencialmente catártico, <em>Varanda de insônia</em> é um livro visceral, de um lirismo insubmisso, que, também, por meio de temas metalinguísticos e metafísicos, desnuda sem pudor o eu lírico, expondo suas vulnerabilidades, vontades e — por que não? — frustrações; uma obra meditativa, inquietante e redentora: “De repente a noite virou dia/eu e minha poesia/passamos a noite em claro/eu e meu dicionário/cúmplices do silêncio não raro/naquela noite/em que eu não dormira”.</p>
<p style="text-align: justify;">Com imagens fortes, eis um livro de buscas, autoconhecimento e silêncios. A poética que habita <em>Varanda de insônia</em> é potencializada pelo tom prosaico da linguagem expressiva, revelando uma poesia intensa e emocional, que fará o leitor imergir em si mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">Mergulhar nestes poemas, dissecando palavra por palavra, verso por verso, estrofe por estrofe, me fez perceber que “Neste instante/comovo-me com exatidão/quase que como um devoto/da poesia/que me aposso//Pouco a pouco/sou outro”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Francisco Gomes</strong></p>
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
					
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		<title>O levante das águas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Feb 2025 09:10:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[menopausa

Sem panos de mulher;
Varal de vestidos para as danças despreocupadas;
Abundância em sabedoria;
Namoros livres;
Plenitude de águas íntimas salgadas.
— Elas só brotam aos afetos sublimes.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">maré, substantivo feminino</p>
<p style="text-align: justify;">É feita de água e de anatomia feminina a poesia de Leila Tabosa. E seu levante nos ergue com o fluxo de mil enxurradas. Maré brava. Seus poemas percorrem estações da vida e de um mundo que ainda sobrevive graças aos deságues que um corpo-água esguicha. A menarca, o sexo, o gozo, o parto, o climatério, a umidade que redime e reproduz. A água, que rega e se refaz no fogo, reverte a fina poeira de ressentimento misógino que os costumes devotam ao corpo das mulheres. Uma biografia líquida, na flexão feminina do gênero, vivida através das águas. Desde os batismos de uma infância sitiada às revoadas de resistência, sob balanços de chuvas. “Tudo em mulher é água”, diz. E também das águas nascem geografias do olhar. Cidades fêmeas erguem-se dos nossos 70% de água orgânica. Morcegas e guarás voam, caçadoras, sobre os caranguejos do Delta do Parnaíba, que sonham ser devorados por elas. Expõe a água como elemento de poder, controle e sobrevivência no continente Nordeste. Onde a má distribuição de chuvas serviu a governos coronelistas, fabricantes de misérias úteis. Cães e gatos magros incorporam a desapropriação das águas, sequestradas pela ingerência. A especulação que a tudo drena, até mesmo a praia. Roubando o lúdico dos faróis, jangadas, brinquedos de mar. Das águas nascem um herói cearense: Dragão do mar. E um rio lar potiguar: Mossoró. Onde uma gata sarnenta regurgita a dor de etnias indígenas exterminadas, lambendo o dorso envenenado. Não há tréguas para o que a vida vaza. Seus poemas têm tempestade. Sangram. Recitam. A água, toda fonte de vida. Resíduo de infância. Vestígio colonial, elemento civilizatório. Casa. Verbo onde escorre o começo e o cerco ao que nos resta de humano. A exemplo de João Cabral e Sophia de Mello Breyner, Jorge Amado e Zila Mamede, o leito da poesia de Leila se deita sobre o desejo de desvelar as mãos que secaram os rios, que medraram as veias do sangue exploratório. E corpos fartos de chuva. A água-corpo-poesia é uma força maior que os diques, extravasa. Um fio de água, como um fio de sangue, conduz o corpo revoltoso a uma vida contracorrente. Não cede às rochas. Não cabe no cabaço comezinho da falsa moralidade. Água placentária, de onde outro corpo germina, explosivo. Atravessa a vida como um rio que é tangido do córrego. Se recusa a deixar de escoar. Transforma-se em flecha. E nos atinge em cheio. Envolve-nos numa escrita de estuário. Doce, salgada. Viva. Oásis. Tal qual sua Ilha de Cajus.</p>
<p><strong>Daiany Dantas</strong></p>
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		<title>Exoterra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Feb 2025 08:46:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Abrace com sua imensidão
o meu futuro suspenso,
me mostre a face gentil de seu corte,
guarde em seus limiares
as pérolas de minha nostalgia,
para que assim eu possa ir adiante
ao invés de querer me deitar
no exílio da gravidade.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Exoterra</em> é uma promessa. A busca por um lugar habitável fora daqui. Um convite ao leitor para que adentre este espaço que, diverso, torna-se semelhante na medida em que serve de ponto de partida para o retorno.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos poemas de Beatriz, a escrita funciona como um instrumento de dissecação da identidade, uma bússola que aponta para o seu íntimo enquanto analisa o seu entorno, transformando o incômodo do não pertencimento em arte.</p>
<p style="text-align: justify;">Diante do novo, o eu lírico se sente uma criança: ávida pela novidade, pelas primeiras vezes e pela incerteza. Ao vislumbrar a imensidão de um novo horizonte, passa a se encontrar nos vestígios do que desconhece. Como um explorador que tenta demarcar o território não pelos pontos de reconhecimento, mas sim pelo que lhe causa estranheza.</p>
<p style="text-align: justify;">Em terras estrangeiras, a poeta traça um mapa de si mesma. Analisa cada possibilidade, tomando o cuidado de afirmar, a todo momento: não estou aqui. Até se perceber como alguém que partiu, mas leva dentro de si o lugar de origem. “Sentir saudade significa / estranhar a ausência de algo”, e é nessa ausência (nas entrelinhas) que ela se encontra: “onde eu puder sorrir / hei de fincar / minha bandeira”.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Carla Guerson</strong>, escritora e poeta</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Queer ear</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Feb 2025 14:45:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[up up and away
upa upa cavalinho
para o alto e avante
tuco tuco bão]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A leitura do livro de Ricardo Brasileiro revela um autor influenciado pelas experimentações e pesquisas das artes visuais. Sua escrita parece refletir o assopro de artistas contemporâneos de verve irônica e cômica, como o italiano Piero Manzoni (Merda do Artista, Pedestal do Mundo), o brasileiro Nelson Leirner (Você Faz Parte – O Retorno, Missamóvel, Made in Brazil, Quadro a Quadro: Cem Monas) e o norte-americano Bruce Nauman (Seven Figures, Self Portrait as a Fountain, Hand Circle, Carousel). No texto, são visíveis e confessos os expedientes criativos de apropriação, colecionismo, deslocamento, rolagem, hibridismo e transformação de objetos, sentidos, coisas, imagens, escritos, mídias e significados de um cotidiano muitas vezes opressivo e trágico, mas também passível de sorrisos irônicos, auto-irônicos, libertários e libertinosos. Do campo literário, transparecem influências de autores com abordagem também extravagante e burlesca, como Cervantes, Gógol, Rabelais, Houellebecq, Petronio e Boccaccio. Mas, conjugados com uma solução formal enxuta, que lembra um veio mais econômico do poeta Francisco Alvim. Tudo isso, num texto com ritmos variados e seções de poemas únicos (II e V) ou autônomos (III), mais seções de anúncios (IV), abertura (I) e encerramento (VI), e uma plaquete final avulsa. A temática de fundo sexual e a sonoridade algo incomum já se mostram no título e sub-título, talvez sugerindo que a estranheza e a aberração verdadeiras estejam nas convencionalidades chapadas, não-desejantes, com processo de subjetivização interrompido ou sem mobilidade. Enfim, ao gosto de Cage, Happy New Ears!</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Travesseiro</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/travesseiro</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Feb 2025 16:49:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Eternidade
atenta aos sinais
para não queimar
na chama interna
tem sofrido menos
pela causa

Este
mundinho
seco
engessado
inevitável

Inflamável
carrossel

<em>Etern-idade</em>, página 11.

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os poemas transitam entre a delicadeza e a inquietação, entre o pertencimento e a errância, entre o sonho e a vigília. Tatiana Cobbett escreve com o corpo e a memória, e sua poesia dança, canta e pulsa.<br />
Antes de ler seus poemas, lembrei-me de nossas viagens pelo Brasil afora. Um cantarolar constante que vinha do fundo do ônibus. Me fazia bem ouvir!<br />
A bailarina logo se revelou como atriz na montagem da obra Estatutos do Homem (1983), com poesia de Thiago de Melo. Presença plena, íntegra e honesta. Depois veio a montagem da obra Missa dos Quilombos, sua voz clamando por Zumbi dos Palmares ecoava por todo o teatro, em tempos mais que especiais, de gestação de seu primeiro filhote. Emocionante de ver! Viajei no tempo, lembrando os momentos difíceis por que o nosso Brasil passava, entretanto dissemos tudo que era necessário dizer. Lendo Travesseiro, me surpreendi novamente com a Tatiana, agora escritora. Confesso que me identifiquei com cada palavra! Palavras que cantam e dançam! Viva, querida amiga Tatiana, e muito obrigada por participar neste seu momento tão sagrado!</p>
<p><strong>Marika Gidalli</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Brumação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Feb 2025 12:36:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[a geometria urbana se refaz
no estranho desenho noturno
de sombra em sombra mesmo se reluz

no aceso xadrez da paisagem
em cada linha reta só a luz
atroz de um tempo obscuro

e faz sofrer, angústia e asfixia,
de futuro mal dormido
com uma lua fria na janela]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O mundo não tem sido um lugar fácil de habitar. Até passamos por uma pandemia. Nessa época, alguns foram acusados de virar jacaré. Observando esse bicho, até que se aprende algumas estratégias para enfrentar tempos difíceis. Para suportar condições desfavoráveis de sobrevivência, é preciso guardar energia. É importante usar estrategicamente a força vital. É possível que seja mesmo necessário diminuir o vigor para preservar a vitalidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa é a prática adotada pela voz lírica que atravessa tempos difíceis em <em>Brumação,</em> de Isadora Dutra. O isolamento social, as tensões sociais e políticas, a crise climática e a insegurança em relação ao futuro afetam a vivência cotidiana dessa voz que contempla as noites como uma forma de suportar a dureza do momento.</p>
<p style="text-align: justify;">Entre a memória e a insônia, a voz lírica inventa uma conversa com a Lua que vê da janela. Assim reflete sobre os acontecimentos, a sensação do tempo, os medos e desejos, o sentimento de revolta, e o que ainda está por vir. A série de conversas oscila conforme os estados ânimo dessa voz que precisa inventar para si novas formas de experimentar a passagem dos dias diante das imposições das circunstâncias.</p>
<p style="text-align: justify;">Em alguns momentos, ela lança apelos e súplicas, em outros esbraveja e maldiz a Lua na janela, jurando vingança. Por meio dessa conversa insólita, vai elaborando angústias, sonhos e lembranças ao passo que recria os dias e o ânimo para enfrentar a solidão do isolamento. Nesse fluxo, vai se tornando possível até reinventar alguma esperança de dias melhores.</p>
<p style="text-align: justify;">A noite observada da janela ainda traz outros personagens que atravessam as reflexões da voz lírica: um cão que ladra e outro manco, um sabiá madrugador, uma vizinha que rega plantas, uma catadora que passa com os filhos, os ônibus na avenida e uma saudade, afinal, os jacarés também amam.</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Grafite aquarela, muro sobre tela</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/grafite-aquarela-muro-sobre-tela</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Feb 2025 07:30:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ultimamente tenho feito muito
a pergunta: “o que é a vida?”
e me respondido
ultimamente tenho feito muito
o que é a vida
sem me responder:
Sou declarativo,
e basta.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Grafite aquarela, muro sobre tela tem como mote o livro Bucólicas, de Virgílio. Trata-se de um conjunto de poemas que avança como um rosto grafitado num muro de periferia que cria rizoma com a árvore do bairro nobre armando assim seu cabelo. Há poemas táticos e há quadros que os agenciam. São poemas prosaicos que endurecem em resistência periférica, negra (“Murilo Mendes misturado com slam”, como disse Wladimir Cazé, escritor a quem mostrei um punhado de poemas), ora envolvida por redondilhas que festejam as vitórias, os avanços.</p>
<p style="text-align: justify;">
<strong>Macula Amaral,</strong><br />
professor e escritor</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Manual prático para a pista de dança</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/manual-pratico-para-a-pista-de-danca</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Feb 2025 07:01:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[na travessia da selva oscura do meu <em>anti-idílio</em>
fiz de Leonard Cohen um excomungado Virgílio
e com ele refinei infernos
nos pós-festas deste <em>afterworld </em>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Todo escritor deveria ser, antes de tudo, um grande leitor. Não pela quantidade, mas pela qualidade da leitura: abrir portas secretas entre outros textos, navegando no oceano de signos ou subindo montanhas para ver a paisagem literária alterada. E, depois do percurso, adentrar os abismos e os picos das palavras em busca de um equilíbrio entre a devoção e a criação. Tudo isso não para tomar de empréstimo estilos e imagens, e sim como possibilidades de uma linguagem particular. Conseguir isso é abrir o futuro — e esse é o elogio que sinto mais urgência de realizar diante deste volume de poemas de Davis Diniz, que estreia nestas páginas.</p>
<p style="text-align: justify;">Convidados à dança, somos chamados pela música que aparece como substrato importante nos poemas, enquanto experiência auditiva, íntima, física, espacial e motivadora. E é nessa existência sinestésica que os poemas se formulam agregando quantos temas e formas são necessários para se desenvolverem enquanto universos de palavras.</p>
<p style="text-align: justify;">Davis tem a capacidade de criar pequenas ilhas moventes que, aos poucos, se juntam em arquipélagos até simularem um cosmos. E em meio a essas estrelas dançantes algo relampeja para o nosso mundo em perigo: experiências de amizades, encontros, nossa implacável solidão, as ruínas do mundo ao redor, as guerras, configuram temas aqui escritos em uma tinta capaz de produzir fagulhas entre passado e futuro. Os poemas, em conjunto, não chegam a constituir uma aporia, mas apostam em uma fricção produtiva ao colocar o pensamento em movimento, sem se entregar ao niilismo, nem tampouco sucumbindo à esperança.</p>
<p style="text-align: justify;">As greves e as mãos do poeta, os sacrificados e os sobreviventes, a casa e o mundo, memórias e esquecimento, os navios e as névoas, as novidades e as repetições, o corpo, o rio e a cama, são colocações poéticas que produzem aqui deslocamentos singulares: “pássaros / têm um tanto de barcos” ou “lembrar dos mortos / e ser enterrado pelos vivos”.</p>
<p style="text-align: justify;">Não se trata de qualquer dança o movimento que aqui se concebe de uma a outra página: entre o desequilíbrio e o mastro, entre os momentos claudicantes e a certeza, o corpo aparece enquanto produtor de verbo capaz de nos orientar durante a turvação do olhar provocada pelo nosso mundo atual. E isso é só um pouco do que o leitor poderá encontrar nestas páginas em que a mastigação lenta só tem a oferecer mais e mais sabor.</p>
<p><strong>Pedro Kalil</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Marula aos leões</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/marula-aos-leoes</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Jan 2025 23:22:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Não terei uma trajetória em vão
Eu farei o meu próprio caminho
Darei a mão aos meus sonhos
E entre a metamorfose cantarei
Tudo silenciado para ser ouvido
Sem estereótipos e sem vícios
Como tudo deve ser... infinito
A busca dos acertos repetidos
A conquista dividida e escrita
O mal me quer feito com o bem
Sem excessos, só com reflexos
O caminho percorrido, intenso
Tudo onde deve estar... na vida
Como a memória sendo história.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Marula aos leões</em> é uma viagem através das palavras, com requintes de história, escrito em sonetos e poemas, numa obra criada pela mente delirante e poética de Priscila Bissaro, escritora determinada e promissora que vem mostrando notoriedade no gênero. A obra que você tem em mãos é um mergulho impactante numa longínqua e remota região da Savana Oriental, próxima à Bacia do Congo, na antiga e ancestral Aldeia dos Pigmeus do povo Banto. A narrativa do local é bem explorada, aguçando os sentidos do leitor. Uma vez ouvi dizer que o bom escritor é aquele que nos faz enxergar imagens através das palavras, como um filme que se passa em nossa mente, e Priscila faz isso com maestria.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ademir Pascale</strong></p>
<p style="text-align: justify;">escritor, editor e ativista cultural</p>
<p style="text-align: justify;">Priscila Bissaro é uma escritora fascinante. Em seu livro <em>Marula aos leões</em>, nos conduz em uma jornada poética pela ancestralidade, onde cada verso resgata memórias do passado, atravessa as fronteiras do presente e expande os horizontes do futuro. Simplesmente incrível!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Marcos Prates</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Makarios Books Livraria</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Marula aos leões</em>, ou melhor, aos leitores!</p>
<p style="text-align: justify;">Embarque em uma viagem cultural sem fronteiras, onde as palavras são seu guia turístico e os poemas, o mapa que revela um mundo escondido ao nosso redor. Este livro nos convida a descobrir o que está ao nosso alcance, mas tão frequentemente passa despercebido. Prepare-se para sair “amarulado” desta jornada literária, com uma nova perspectiva e um olhar renovado para o mundo que nos cerca.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sara Gomes</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Editora Ascensão</p>
<p style="text-align: justify;">Priscila, uma linda Rainha que cuida do seu Orí com equilíbrio em conexão com os Orixás, na essência do seu ser cheio de generosidade, amor, bons pensamentos refletidos em seus            poemas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Eliane Queiroz Auer</strong></p>
<p style="text-align: justify;">escritora e poetisa</p>
<p style="text-align: justify;">Um aluno me perguntou hoje: &#8220;É verdade que História não cairá mais no ENEM?&#8221;, sim, está rolando este boato entre eles&#8230; minha resposta foi que, independente se vai sair ou não, a História foi, é e sempre será importante: quem não procura entender as antigas civilizações não consegue entender o passado, se situar no presente, nem ter uma perspectiva de futuro. Nesse sentido, esta obra tem inestimável valor, uma vez que a África é o berço cultural da humanidade. É preciso entender como o passado influencia o presente, o porquê das coisas serem como são e quais são os melhores modelos de vida, de sociedade, para ser capaz de gerar infinitas possibilidades.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Maria Nilda Bissaro</strong></p>
<p style="text-align: justify;">historiadora, especialista em docência e antropologia</p>
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		<title>Para alguém escutar no futuro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Jan 2025 11:49:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Pés da nuvem entrou na casa logo pela manhã.
Os cabelos pretos encacheados de pés da nuvem espalharam
luminosidade pela sala inteira.
Pés da nuvem e seu corpo tomaram o espaço do que estava
ausente num instante.
A voz de pés da nuvem arrepiou a espinha dorsal.
Milimetricamente, beijei cada extensão do corpo de pés da
nuvem.
Como se fosse me estender ao longo de um grande deserto
avermelhado americano.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em <em>Para alguém escutar no futuro</em>, Karen Debértolis cria uma poesia-promessa para o tempo, um convite feito tanto para o instante quanto para o porvir. Em cada linha, estabelece um compromisso radical com quem já está e com quem ainda virá. Se irmana ao que escrevem Luiz Rufino — “palavra é corpo ofertado ao tempo” — e Leda Maria Martins — “a palavra se inscreve no corpo, na memória, no tempo”.</p>
<p style="text-align: justify;">Aqui, a escrita parece ser uma prática transtemporal, na qual cada poema dialoga com o futuro, o presente e o passado simultaneamente. A poeta investiga o cotidiano de forma sensível e crítica, atribuindo ao aparente “pequeno” uma profundidade que o transforma em possibilidade de reflexão. Ela questiona, com o desvelo de quem escuta o mundo ao redor: “de onde brotam estas palavras miúdas?”. Questões políticas e sociais entrelaçam-se ao tecido poético, conferindo ao tempo presente contornos de fúria, indignação e afeto coletivos. Como ela expressa, “há anos disfarço a intensa lucidez com as tarefas do dia a dia” — uma escrita que não se esconde na rotina, mas emerge dela.</p>
<p style="text-align: justify;">Composto em três movimentos, o livro convida a leitora a se mover junto com a poesia, que percorre despedidas, ausências e sonhos. Para a autora, o silêncio não é vazio e parece ser uma ação importante no trabalho com as palavras. Ao escrever “eu preciso de silêncio”, ela nos apresenta, da mesma forma, uma questão: como realizar uma real escuta — neste e em outros tempos? O silêncio é como um elo que liga o presente e o porvir, também sendo ofertado, ele mesmo, ao futuro.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesta obra, os versos abraçam a vida em sua transitoriedade, como ao afirmar: “não há nenhum deus na despedida”. Eles não procuram divindades ou certezas — ao contrário, acolhem a impermanência e o fluxo das existências: “não há o que cicatrize o corte profundo na carne viva”, lemos.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta publicação é, então, muito mais do que uma reunião de poemas e prosas poéticas: é um chamado para resgatar a escuta em meio às pressas e distrações da vida cotidiana, para que possamos encontrar a poesia nas minúcias e complexidades do dia a dia. Karen Debértolis nos convida a um espaço onde a escrita é um ato de afeto profundo pelo tempo e pelos outros — e pelo tempo dos outros. É um livro que nos lembra, a cada página, que a poesia pode ser o lugar onde é possível — verdadeiramente — imaginar: para alguém escutar no futuro.</p>
<p><strong>Francisco Mallmann</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Samba mudo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jan 2025 13:02:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Fiz esse poema exclusivamente para você,
faltam alguns detalhes e arestas,
algumas letras fora de lugar —

mas pode vestir.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Brenno Costa é aquele tipo de poeta que parece gostar de se perder em labirintos, mas faz isso apenas pelo desafio de poder sair de lá com um meio sorriso no rosto e o fio de Ariadne esquecido em algum dos muitos bolsos que deve ter em sua calça (“só para viver o perigo de me perder/ só para não achar o caminho de volta.”).</p>
<p style="text-align: justify;">Ao longo desse livro você vai se surpreender com a facilidade com que ele simula e joga o tempo inteiro com a expectativa do leitor. Ele parece não ter um estilo, mas isso é mais uma informação falsa. O seu estilo é sugerir que não há estilo e assim o leitor é levado a se perder nesse labirinto sem ansiedade para sair de lá. Poemas curtos com imagens fortes e de beleza irresistível se misturam com outros de maior fôlego que se alternam com poemas fonéticos que flertam com poesia visual. Tudo parece espontâneo e armado para enriquecer o desenvolto <em>Samba mudo</em> do poeta polifônico.</p>
<p style="text-align: justify;">Toda essa liberdade poética permite que o autor nos proporcione uma prazerosa experiência que permite com que nos percamos no mesmo labirinto até o desfecho do poema sempre beirando o inusitado e que faz com que um sorriso adventício brote em nossos rostos cansados (“São capazes de sorrir/ sem um mínimo movimento da sua boca.”). E para isso ele não tem o menor pudor de flertar com referências pop (“um amor Ross e Rachel”) a fim de fechar a conta com o mais deslavado, delicioso e surpreendente arremate (“Eu quero um amor de época que seja na nossa época. Eu quero um amor inteiro e completo, com paixão e se puder, até um pouquinho de farofa.”).</p>
<p style="text-align: justify;">O lirismo incontido e desavergonhado do autor faz com que nos identifiquemos com vários versos ao mesmo tempo em que somos levados a equivalências saborosas (“desconfio dos poetas que não sabem o que é comprar fichas para telefonar no orelhão e dizer eu te amo”) como Chacal e outros poetas cariocas que costumavam dormir em nuvens ciganas nos já longínquos anos 70.</p>
<p>A poesia de Brenno Costa nos lembra paradoxalmente de que “escrever é esquecimento” e que amar não só parece, mas é mesmo indubitavelmente um naufrágio.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Mário Bortolotto</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Sabão azul e branco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jan 2025 15:56:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Voltar é sempre uma coisa vulcânica, muito intensa. Emoções à flor da pele, vontade de escrever coisas pouco sensatas, medo de parecer ridícula, tantas são as sensações pouco políticas, pouco literárias e muito confusas. Fim de feira. Os olhos em todo o lado, os olhos até nos cheiros. Manter-me sóbria, apesar do amor e da capacidade de ainda andar de biquíni. Fim de feira.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Sabão azul e branco</em> é um pequeno diário amoroso sobre dias assim-assim, escrito quase à força. Não tem pretensões poéticas e acha-se até um pouco ridículo, naquilo que todos os amores têm de ridículo, aos olhos de quem não passa por “sofrências”. Se calhar podia ser um podcast e seria mais giro, se calhar podia ser um sabonete mais fino chamado Frescor da Manhã e isso também ajudava. Mas só que não.</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Diálogos uterinos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jan 2025 13:36:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[eu sou isso:
carne osso vícios
e vísceras errantes]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Diálogos uterinos</em> é uma imersão poética nos ciclos da vida, onde o corpo é território e linguagem. Embora o título evoque imagens ligadas ao útero e ao ciclo feminino, esta obra não se limita a uma visão biológica do que é ser mulher. Ao contrário, trata-se da construção de um espaço de identidade que acolhe não só o feminino, como outras vivências queers/cuirs e não normativas, no qual o útero simboliza, sobretudo, a primeira morada humana.</p>
<p style="text-align: justify;">Dividido em três seções, o livro aborda questões universais que vão além de uma anatomia específica. Na primeira, <em>Cordões,</em> são evocadas as raízes e o vínculo com as mulheres que vieram antes, refletindo sobre a herança que carregamos e que, muitas vezes, nos pesa. A segunda parte, <em>Corpo lúteo</em>, mergulha na experiência de habitar um corpo marcado pelo desejo sáfico e pela recusa a se render a expectativas externas. A última parte, <em>Endométrio</em>, nos lembra que tudo na vida é cíclico: morte e renascimento se intercalam, nos levando a constantes recomeços.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Diálogos uterinos</em> é um manifesto contra limites impostos e um convite para quem deseja celebrar a identidade, a memória e a reinvenção em suas diversas formas. Este é um livro para quem já se perdeu e se reencontrou, para quem busca um espaço onde possa ser e estar por inteiro. Aqui, cada página é um convite ao sentir.</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Todas as vezes que eu te vi, até virar poesia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Jan 2025 08:04:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A gente sai para dançar todas as noites e sempre tocam as mesmas músicas.
Dançamos todas igualmente e sempre mudamos os passos.
Cada dia um passo novo.
Acho que era isso que minha terapeuta dizia para eu fazer  quando ela dizia “Um passo de cada vez”]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Este livro é a captura do momento inicial de um sentimento, o desenrolar apaixonado e conturbado, e o fim do relacionamento. Os versos e a poesia retratam a intensidade, o coração acelerado e preocupado, a descoberta mútua e a construção de algo até a separação. A linguagem poética é repleta de vivências e comparações que transmitem a beleza e o caos do amor nascente, e que se chocam ao explorar o rompimento, os desafios enfrentados e a inevitável saudade. A linguagem poética se torna mais introspectiva, refletindo a solidão, os amigos, a lembrança e a terapia, ligada à tentativa de encontrar sentido com o fim. Os versos transformam a experiência amorosa em algo já sentido por muitos, contando o que foi vivido e imortalizado nas lembranças em um apartamento cheio de poesia.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Segredos da carne</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Jan 2025 22:40:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[isbn: 978-65-5900-838-4
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5 cm
páginas: 100 páginas
papel polén 90g
ano de edição: 2024
edição: 1ª]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Este livro é um corpo. Toque-o. Beije-o. Deseje-o. É seu. E deve ser seu, como cada palavra que se faz nua diante do olho leitor, da língua ávida por tocar o dedo e vibrar as páginas. Este livro te fará salivar ao fim de alguns poemas, sem fôlego para a realidade insaciável de um mundo onde o afeto é em tudo maior que o ego. Sim, este livro é amor, um carinho no braço, um beliscão querido na coxa, um chupão na orelha — todo sentimento sempre se deita ao pé do ouvido de uma mulher. E, quando digo que este livro é também uma mulher, seios e rimas, digo que suas mãos tocam a verdade de quem se entrega. A autora não mentiria em tantas poesias. Ou talvez sim, este livro também seja a dúvida e o desafio para que se comecem os versos de trás para frente, o gozo retroativo de quem sempre sente com intensidade. Este livro é uma mordida, uma inflexão, uma crueldade que acalma as dúvidas selvagens sob a cama e expande o líquido nos lençóis, imensidão de mares e mãos. Este livro é um acorde, um acordo de gargantas extasiadas que engolem as ondas com um único gemido. Cântico. E, depois do grito, este livro é também o silêncio. Ouça. A morada sob a lua permanente que lambe as pontas dos dedos, as unhas vermelhas. Ouça. Este livro te sussurrará segredos alheios como se seus fossem, quando aninhá-lo sobre o peito em solidão. E ainda, quando o vento frio abre um pouco a janela, assustando a carne, este livro é também uma lágrima e um rio. Calmo e caudaloso, este livro é um corpo. Abra-o.</p>
<p><strong>Thainá Carvalho</strong></p>
<p>Escritora e artista visual sergipana.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>À água e ao sal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Jan 2025 22:31:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O teor crítico e o desassossego em relação ao futuro das sociedades são partes constituintes da poesia de Marcos Honorio. As imagens poéticas aludidas pelo autor estreante em À água e ao sal foram plasmadas em sua militância política e na identificação de que o mundo se aproxima de um quadrante histórico decisivo para a humanidade. Ao invés de ficar absorto pelo arbítrio de irreversibilidade de um futuro que se posta implacável, Marcos retira desse painel inspiração para a sua poesia, que conta com ressonâncias de perspectivas de transformações e melhoramentos para as décadas que virão. Além da poesia política, o autor também tematiza o jazz e alguns outros afetos.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>À água e ao sal </em>apresenta uma abordagem singular e sensível para o lugar do fazer poético em nossa época. Caracterizada fortemente por um olhar crítico e por uma lírica da natureza, a poesia mineral de Marcos Honorio associa as magnificências do espírito ao tempo presente e suas mazelas, amarrando-as marcantemente sobre paisagens perfeitamente tateáveis. Os solavancos produzidos pelas imagens poéticas presentes nos versos arrebatam o leitor para uma experiência reflexiva por meio de signos fascinantes. Não é possível separar o olhar sensitivo do poeta a respeito de seu entorno e de si próprio das relações sociais estruturais nos marcos da nossa era. Ao contrário, aqui o “ouro branco do arrozal” é diretamente afetado pela inflação do “ouro louro” e a revolta intimista está atada à inserção do sujeito coletivo como um agente social ativo na história. Esse entrelaçamento entre o que é experienciado e sentido pelo poeta e o seu olhar crítico sobre as correntes sociais que separam os homens das suas integrais potências humanas e de sua liberdade dá o tom a essa coletânea de poemas. Vertendo resistência, esse poeta sonhador, esperançoso, sensualista e coletivista que canaliza as aspirações que habitam em nós, ao fazer a sua estreia com <em>À água e ao sal</em>, fornece uma amostra de uma obra poética poderosa e comprometida com a vida.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p><strong>Lucas Marques</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Exoterra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Jan 2025 00:17:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Abrace com sua imensidão
o meu futuro suspenso,
me mostre a face gentil de seu corte,
guarde em seus limiares
as pérolas de minha nostalgia,
para que assim eu possa ir adiante
ao invés de querer me deitar
no exílio da gravidade.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Exoterra</em> é uma promessa. A busca por um lugar habitável fora daqui. Um convite ao leitor para que adentre este espaço que, diverso, torna-se semelhante na medida em que serve de ponto de partida para o retorno.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos poemas de Beatriz, a escrita funciona como um instrumento de dissecação da identidade, uma bússola que aponta para o seu íntimo enquanto analisa o seu entorno, transformando o incômodo do não pertencimento em arte.</p>
<p style="text-align: justify;">Diante do novo, o eu lírico se sente uma criança: ávida pela novidade, pelas primeiras vezes e pela incerteza. Ao vislumbrar a imensidão de um novo horizonte, passa a se encontrar nos vestígios do que desconhece. Como um explorador que tenta demarcar o território não pelos pontos de reconhecimento, mas sim pelo que lhe causa estranheza.</p>
<p style="text-align: justify;">Em terras estrangeiras, a poeta traça um mapa de si mesma. Analisa cada possibilidade, tomando o cuidado de afirmar, a todo momento: não estou aqui. Até se perceber como alguém que partiu, mas leva dentro de si o lugar de origem. “Sentir saudade significa / estranhar a ausência de algo”, e é nessa ausência (nas entrelinhas) que ela se encontra: “onde eu puder sorrir / hei de fincar / minha bandeira”.</p>
<p><strong>Carla Guerson</strong>, escritora e poeta</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Como estou dirigindo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/como-estou-dirigindo</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Jan 2025 00:12:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[alguém na varanda
leva uma vasilha
que está cheia
e
espera o fio
voltar a ficar quieto]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Poderíamos dizer: este é um livro que se compõe como um álbum de figurinhas, uma coleção de imagens, uma sequência de espantos que se chocam com a própria vivência do poeta. Mas, se comparamos seus poemas a objetos, cairíamos em um erro, “porque um objeto pode ser útil ou decorativo, e a poesia não o pode ser nunca”, como disse Herberto Helder.</p>
<p>O melhor é se deixar levar pelo livro. <em>Como estou dirigindo</em> é daqueles que ficam para sempre na memória. Dividido em quatro partes (<em>Saturno leva sempre algo nas mãos</em>, <em>Como se constrói uma melancolia de domingo</em>, <em>Ante nossas portas desdentadas</em> e <em>O escapista</em>), o livro reage também com as próprias lembranças e imaginação do leitor, “como uma cisalha da memória do chumbo”.</p>
<p>No poema que dá nome ao volume, a frase-clichê “Como estou dirigindo” revela imagens impressionantes: uma biga conduzida por coiotes, um boi em chamas. O poema “mas isso só me ocorre agora”, com sua música encantatória, parece ecoar Joe Brainard ao mesmo tempo que se afasta dele: <em>Lembro da face da dona do Tibola mas não sei bem o porquê (&#8230;) lembro da cara de Francrílson cujo nome pedi que me copiassem/ em um rótulo de cerveja/ e guardei como um troféu oleoso/ conquistado no ringue dos nomes transformadores.</em></p>
<p>Poderíamos dizer, sem medo de errar, que é um livro como uma barbearia que aparece e reaparece como mágica, cujo barbeiro é um tipo que lembra Houdini ou Gurdjieff e nunca se deixa deter.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bernardo Brayner</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Traçado</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/tracado</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Jan 2025 00:07:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ocupara-se nebulosamente
em conter na argila
vapores esgueirados
por escapes carbôneos
ignotos
O latente locomover
de ideias próprias
fazia-lhe broncoaspirar notas
secas
de cegueiras circundantes]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Traçado é o verbo-desenho do percurso. Acompanha a voz poética numa (re)estruturante tomada de consciência: a de que seus mapas pessoais têm autorias múltiplas e alheias. É, de certa forma, um convite ao desmascaramento das próprias motivações.</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Infértil desejo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/infertil-desejo</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 18 Jan 2025 11:29:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[encontrar um elo
entre a realidade
e o mar

o que ela quer de nós
é mergulhar

<em>e saber voltar.</em>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Não se espera ler sobre abuso em um relacionamento amoroso entre duas mulheres, o tema é chocante na mesma medida em que é invisibilizado pela literatura. Como é possível uma mulher entender o significado dos seus sentimentos dentro de uma relação se a própria relação não é creditada pela sociedade e nem pelas pessoas que a cercam?</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Infértil desejo</em> explora as principais fases do ciclo do abuso dividido em três capítulos. Cada fase é desvendada por uma narrativa em poemas, que testemunham o estado psíquico abalado de uma mulher dentro de um relacionamento tóxico com outra mulher.</p>
<p style="text-align: justify;">O livro percorre em poesia visceral a passagem das fases do ciclo dentro da percepção dolorida, invisibilizada e silenciada de uma mulher que não se conforma em amar e viver em estado de angústia ao mesmo tempo.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Infértil desejo</em> é um livro honesto em sua narrativa autobiográfica que vai além das lentes subjetivas, entrega também questionamentos e respostas por meio de uma denúncia sociológica e cultural da questão do abuso sofrido por tantas mulheres em nome do amor.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Um acaso nas mãos (e outros poemas)</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/um-acaso-nas-maos-e-outros-poemas</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jan 2025 15:23:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[leio os poemas de Mar absoluto em um shopping center às
18:49 de uma quarta-feira
espero para ver o novo filme de Martin Scorsese no alto de
seus 80 anos
penso em coisas passageiras, uma conversa com amigos no
último fim de semana
a felicidade, a dureza e as dificuldades da vida, dinheiro
começo um tratamento para o estômago que vem me
matando
leio os versos
“Todas as palavras são inúteis
desde que se olha para o céu”]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Economia e força são duas palavras adequadas para pensar <em>Um acaso nas mãos</em>, que marca a estreia de Rubens Corgozinho na poesia. Economia, porque o verso, em geral, é preciso. Força, porque a precisão é aguda. Economia: o verso ora vai, ora volta; e as palavras se repetem. Força: coisa, amor, desejo, mundo, numa circularidade que dá corpo a uma visão e a uma relação particular com a cidade e com as pessoas.</p>
<p style="text-align: justify;">Também se destaca a palavra melancolia, emprestada em larga medida de Carlos Drummond de Andrade e Roberto Bolaño, algumas das muitas referências para os poemas. Ela aparece sem alardes, mas é assumida como traço distintivo, e é percebida geograficamente, num mundo que se mostra com frequência empobrecido. Através dessa paisagem ao mesmo tempo interior e exterior, o sujeito apresenta ao leitor o mundo visto, e tudo acontece como uma conversa singela, uma que se faz ao caminhar.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez por isso a forma deste “acaso” conjugue o poema longo e o verso curto. Assim, cada sílaba é um passo; cada verso, um metro ou mais — e as imagens da rua e da cidade e do mundo se dão a ver em um mosaico feito de “cacos fora da moldura”, que o sujeito do poema indica ao leitor como alguém que aponta com o nariz.</p>
<p style="text-align: justify;">Dizendo assim, parece sobrar desencanto em <em>Um acaso nas mãos</em>, e é possível que sobre. Mas não há engano: apesar da melancolia, um verso sempre escapa, o amor brota, a memória ilumina e a estrofe diz, implícita ou explicitamente: — Ainda vale a pena estar vivo, vale a vida.</p>
<p style="text-align: justify;">E vale um verso também, ou muitos, mesmo que escritos por acaso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Gabriel Reis Martins</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Espelho só</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/espelho-so</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jan 2025 12:51:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">Eu não preciso da lírica
Só dá poética
Todos têm direito à poética
Inclusive os malditos desafinados</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“Afeita a limbo/arte sem mecenas/embrutecida/feita à minha bel mercê.” Tais versos, como muitos outros deste <em>Espelho só, </em>expõem o cotidiano do artista errante, projetado pela escrita de maneira orgânica. Em outro poema, precisamente intitulado “Seu desejo”, o autor conjectura sobre a aptidão da fala para a arte e o amor: “Falar até quando não posso (acho que nunca pude), desautorizado, proibido, interditado/Irrelevante, falar por falar/Não é isso que chamam de arte?/E sua atenção sincera à minha fala irrelevante?/É isso que chamam de amor”.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesta reunião de poemas de Victor Oliveira podemos ver o espectro da simplicidade de <em>O Velho e o Mar</em>, da intimidade e delicadeza de <em>A teus pés</em> e do fragmentado desassossego de Fernando Pessoa. A poesia inerente a uma vida prosaica, transpassada por toda a dificuldade do que é traduzir a realidade sem olhar para o abismo (ou muitas vezes olhando e seguindo, mesmo assim), traz ao leitor o fascínio de olhar o outro pela fresta da porta.</p>
<p style="text-align: justify;">Em busca do seu próprio espaço — até mesmo geográfico, entre os morros de Minas e a vida noturna paulista —, Victor escreve sempre do interstício, e <em>Espelho só</em> traduz a liberdade desta condição. Ou, como diz em um de seus versos: “Onde está o ponto na face da Terra em que eu me vejo exausto, caído, espatifado, fatigado, enfim, livre?”.</p>
<p><strong>Luiza Anaya</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Tornada</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/tornada</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Jan 2025 14:11:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[a linguagem poética
me fez estrangeira

meu desejo era voltar pra casa,
mas a casa caiu]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Neste livro, Hortência Siebra nos convida para o jogo desde o título: afinal, seria “tornada” o particípio passado do verbo “tornar”, um adjetivo com o sentido de “que voltou”, ou uma pequena transgressão linguística, possibilidade feminina do substantivo “tornado”?</p>
<p style="text-align: justify;">Lendo o livro, não podemos ter certeza, o que é ótimo, uma vez que a leitura que me parece mais interessante é pensar que “tornada” é as três coisas a um só tempo: tufão que faz remoinho e um sujeito lírico aqui torna(-se) e retorna: aos sentidos, a si mesma, a algum lugar de onde partiu.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde o poema de abertura, somos convidados a pensar sobre o “princípio”, ou melhor, sobre “antes do princípio”. Intitulado “criacionismo”, ele nos diz:</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">antes do princípio,</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">havia uma entidade</p>
<p style="text-align: justify;">descontente</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">e sobretudo só</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">O poema seguinte nos situa no campo da investigação sobre a linguagem poética:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>diário </strong></p>
<p style="text-align: justify;">a linguagem poética</p>
<p style="text-align: justify;">me fez estrangeira</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">meu desejo era voltar pra casa,</p>
<p style="text-align: justify;">mas a casa caiu</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">A escrita, seja ela de poesia ou de prosa, sempre nos convida para alguma categoria de jogo: situada entre o autobiográfico e ficcional, esta é uma partida em que aquele que escreve, sem poder escapar de si mesmo, é, ao mesmo tempo, irremediavelmente alguma espécie de alteridade, um sujeito outro, capaz de olhar a sua própria língua com estranhamento.</p>
<p style="text-align: justify;">Escrever também é sempre retornar, já que não há folha em branco. Escrevendo em 2024, com uma longa tradição que vem antes de nós – mesmo sem que tenhamos plena consciência disso – encontramos a página já toda escrita. Cabe à poeta retornar – a poemas, a autores, a temas, e relacionar-se com aqueles que lhe interessa. E, nesse caminho de volta, cabe a ela, também, multiplicar os estranhamentos, jogar o tufão sobre quem a lê, insistir e teimar</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">(&#8230;)</p>
<p style="text-align: justify;">até achar jeito novo</p>
<p style="text-align: justify;">que sustente</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">o meu nome</p>
<p style="text-align: justify;">no fim</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Hortência Siebra</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">O percurso da “Tornada” tem tudo isso. E tem bom-humor e fofocas misturadas a histórias trágicas e poemas “matemáticos”. Com uma linguagem condensada, acertada e precisa, Siebra não nos fornece respostas definitivas (ainda bem!), antes no convida para retornarmos, uma vez mais, a cada poema e investigarmos as possibilidades de resposta com ela. E não é isto mesmo, esse eterno retorno em cujo percurso levanta-se um tufão, a essência de cada poema que nos acompanha?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Lilian Sais</strong></p>
<p><em>Escritora e educadora</em></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Os ventos e as marchas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Jan 2025 15:04:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[uma sucuri abriu meus lábios
e com a sua pele pantanosa
ensinou-me que a fome é a única

forma de linguagem.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Os ventos e as marchas</em>, de Jorge Vicente, é uma obra em que a poesia se entrelaça com a natureza, revelando uma profunda conexão entre o ser humano e os elementos que moldam a existência. Dividida em duas partes, a coletânea reflete sobre o corpo, a linguagem e o mundo natural em uma sinfonia poética repleta de imagens sensoriais.<br />
Na primeira parte, “Os Ventos”, Vicente evoca a vastidão da floresta e a fusão do corpo com o ambiente que o rodeia. O vento, como força ancestral, carrega memórias e revela o potencial transformador da palavra. Em versos como “uma sucuri abriu meus lábios / e com a sua pele pantanosa / ensinou-me que a fome é a única / forma de linguagem”, o poeta dialoga com os instintos mais profundos, mostrando que a comunicação surge da necessidade visceral de expressão, tão natural quanto os rios que correm pela Amazônia. A linguagem aqui tem uma fisicalidade, como se fosse um corpo que respira e age, refletindo uma conexão orgânica com a floresta e os seres que habitam esses espaços.<br />
Na segunda parte, “As Marchas”, o ritmo dos poemas revela um caminhar deliberado, evocando o progresso e a resistência de uma jornada coletiva. Em “silêncio e vida e marcha e amor / e círculos de cultura nascendo e baptizando / o desejo e a esperança”, o poeta celebra a resistência humana e a marcha em direção à esperança, sempre marcada pela luta e pelo renascimento.<br />
Jorge Vicente também questiona o papel do corpo e da palavra na existência humana. A imagem do corpo que “escreve sempre na profunda voz da catástrofe” sugere que a experiência de ser humano está entrelaçada à criação e à destruição. O corpo e a palavra tornam-se territórios de expressão e repressão, rompendo e refazendo a própria humanidade.<br />
Os ventos e as marchas é uma obra que pulsa com vida, movimento e resistência, convidando a refletir sobre o equilíbrio entre a força bruta da natureza e a fragilidade da existência.</p>
<p><strong>Lisa Alves</strong><br />
escritora e videoartista, autora de Arame farpado e do livro transmídia <em>Quando tudo for possível</em>.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Arquipélago de pássaros</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Dec 2024 13:30:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[o barulho agride
a flor. ela só brota no
silêncio das manhãs]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">com este <em>arquipélago de pássaros</em>, o poeta léo prudêncio encerra a trilogia de haicais iniciada com <em>aquarelas</em> em 2016 e continuada em <em>girassóis maduros,</em> de 2017.</p>
<p style="text-align: justify;">em outro livro do mesmo autor, <em>curral de peixes,</em> encontramos uma seleção de haicais inéditos chamada <em>poética das árvores,</em> talvez sinalizando um retorno ao estilo nipônico.</p>
<p style="text-align: justify;">cada um dos livros desta trilogia é regido por alguma estação do ano: <em>aquarelas </em>representa o verão, <em>girassóis maduros</em> outono e primavera, já em <em>arquipélago de pássaros</em> temos o inverno enquanto signo norteador dos poemas.</p>
<p style="text-align: justify;">enquanto <em>aquarelas </em>e <em>girassóis maduros </em>foram compostos com 99 poemas, este <em>arquipélago </em>traz à tona 129 haicais.</p>
<p style="text-align: justify;">este livro chegou a ser anunciado ainda em 2019, mas sabe-se lá por que ele ficou tanto tempo engavetado.</p>
<p style="text-align: justify;">com esta publicação, o poeta encerra uma etapa de seu projeto literário que teve início em 2014, quando estreou na literatura com <em>baladas para violão de cinco cordas.</em></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>As origens do &#8220;Toca Raul&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Dec 2024 12:24:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<strong>Organizadores: Carlos Eduardo de Souza e Mello e Léo Rachid</strong>
<p style="text-align: justify;">Para Dopê Dias, nos parece notável, é como se nunca fosse possível entender porra nenhuma do que se passa ao redor, mas sempre fosse possível estudar epistemes. Talvez a grande lição que nos nega o material de Dopê seja essa geografia literária mundana do não visto: fortes por suspensão, beleza e argumento estão no que ainda não nos atingiu. De resto, é sossegar o facho e deixar o dia cair. Ou a noite subir. Depende da parte do corpo; o coração, o estômago, a virilha e os pés estão localizados em hemisférios por demais distantes para terem uma percepção única da passagem do tempo.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Quando meu neto me enviou um zap sobre a orelha de seu livro a respeito de Dopê Dias, eu disse Hoje a noite da Arábia é qualquer canto, nesses tempos de quentura como nunca se viu. Os lugares onde as caravanas passam são a Tijuca, o Méier, o Centro. Bárbara esta cidade bárbara: como é bárbaro o nosso lar. Já não há direções de onde o vento corre ou solapa: é tudo o todo a não ventar. Os camelos querem descansar, os camelôs também. Para onde vão os impostos que não são sonegados? Estão se acumulando em pilhas mágicas de moedas de ouro em algum lugar das arábias cariocas. A imensidão de cultura e expressão? Sim, poderá ser encontrada. Contudo, pode ser que esteja mais exposta nos lugares menos olhados por quem é de fora. Não queiram, <em>please</em>, se surpreender a todo o tempo com o Rio de Janeiro, como se os absurdos soassem fora de lugar. Trata-se de uma das cidades mais equacionais de perfeição equacional do Brasil. O que me alegra é saber que Leonardo e seu amiguinho se interessam por falar — de um jeito peculiar, <em>é vero</em> — sobre o assunto. Quanto a Dopê Dias, não sei do que se trata.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Vovó Penha, mãe do pai de Léo Rachid</strong></p>
<p style="text-align: justify;">*</p>
<p style="text-align: justify;">Meu neto, desde novo, sempre amou as crônicas de Dopê Dias. Sentava às terças-feiras ao lado do avô para pegar sol na varanda e roubava o caderno “Cotidiano” d’<em>O Mundano Tijucano</em>. De perninhas cruzadas! Ah, que delícia de menino. Fazia umas caretas terríveis de quem não entendia nada do que lia. Mas as perguntas que fazia sobre a cidade em que vivia mostravam o quanto a coluna despertava nele o interesse pela história viva da cidade. “Vovó, o que é um <em>flâneur</em>?”. <em>Hahaha</em>, eu nunca sabia responder nada. Aí eu e o avô inventávamos. E ele se satisfazia com as respostas, sabe? E trazia umas conclusões interessantíssimas sobre o que não estava escrito. Parecia que esse era o objetivo mesmo de Dopê. Provocar o leitor a inventar uma cidade nova a partir do que ele sentia que ela lhe dizia. Dizer pro leitor sentir uma cidade nova a partir do que ele provocava ela a lhe inventar. E qual não foi a minha alegria ao saber que agora ele estava de verdade estudando os escritos de Dopê! Eu achei uma graça. Esses meninos inventam cada uma… e a gente dá força, né? Te amo, meu lindo!!!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Vovó Alayr, mãe da mãe de Carlos Eduardo de Souza e Mello</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Liturgia do abandono</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/liturgia-do-abandono</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Dec 2024 11:59:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[a cara gris
da criança
cria pedras estomacais
irremovíveis
causa escombros no dentro
úlceras de tempo
corrói a retina
mas é logo esquecida
pela partida
após comerciais]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A palavra abandonar traz para si duas formas de manifestação que, lá no fundo, conversam com o eu, mas de maneiras opostas. A primeira forma de abandonar é sofrer, é sentir-se engolido pelos dias e cólicas e diarreias e pontos a serem batidos, ônibus, pressão, homens brancos, micro-ondas. Essa é a forma comum do abandono, você pode vê-la agora mesmo pela sua janela: pessoas amontoadas em dias amarrotados, sem a sutil possibilidade do encanto. Kierkegaard, que também está aqui dentro do livro, já falava da possibilidade como um presente, como uma presença que se perde ao longo do tempo e, por isso, valiosa. Nesta obra, o sujeito, na sua primeira espécie de abandono, está apavorado com a urgência da poesia, que o invade como praga em cidades grandes, carece da rendição ao que não é o mote do capitalismo: o próprio exercício poético. O livro captura essa urgência: tudo o que é abandono, solidão dos dias, é metáfora para a falta e para aqueles homens que acham que se anestesiam, até serem acertados em cheio por ela. À pergunta “que pesa feito escombro / sem pesar uma migalha?”, eu ouço responder: é a falta. Entre surrealismo, magia, palavra-pólvora, Orides Fontela e Leila Míccolis, Raul Colaço fala o seu nome e reivindica o homem “ele mesmo”, que vai se deliciar no outro tipo de abandono, o abandono no outro. Georges Bataille já dizia, aqui em palavras muito minhas, o sexo é a completude, mas carece do abandono. Só se conecta quem abre o seu eu antes do seu corpo e este talvez seja o mais potente e eficaz abandono: não há volta, está feito, entra-se no outro para que o outro seja dono em mim. Vem daí a segunda percepção que contrapõe a lógica da primeira, que a dinamita: o abandono amoroso, o abandono da delícia, sagrada liturgia de abandonar o barco em mares alheios. Este amor impróprio, irregular, sobrando para fora do recipiente, vazando corrente, imperfeito, o amor da ordem do desejo, nada limpo nem positivado, diz a que veio numa época de sentimentos minimalistas, é feito de sangue, feitiço, fezes e gozo. A reivindicação graciosa do homem como bicho amoroso, daquele de se amarrar aos outros. Eu diria um golaço, para fazer jus ao gosto do autor, bem, serei mais piegas, é um kolaço, com k de Kierkegaard.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Yasmin Galindo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Flor do vento</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/flor-do-vento-poemas-de-fim-e-recomeco</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Dec 2024 01:58:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">descobrir um corpo novo
absurdada
como quem descobre pela primeira vez a aparência de
uma fatia de fruta observada por microscopia
um achado não diria pequeno eu diria do tamanho
perfeitamente inconveniente
um susto
tudo fractalmente multicolorido
as tais concomitâncias
tudo pode ser ao mesmo tempo fruta ou caleidoscópio
o desejo habita lugares desconhecidos
as pintas pelos manchas cicatrizes
tudo está onde sempre esteve
mas ainda não se sabe onde é isso</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Flor do Vento </em>confronta diretamente algo que me parece ser uma das tarefas milenares da poesia: processar um luto; retirar, do fim, um início. Morre alguma coisa, outras ganham vida, Luisa me conta. Acho que todos nós já experimentamos o que isso significa: entre o morrer e o nascer das coisas, há algo de sinuoso e desviante, que alonga o tempo da experiência. E dói. E é devagar. Sim, mas o que acontece, então, quando o morrer de algo, como um amor, e o nascer de outro se sobrepõem? Devagar também é pressa, Luisa responde.</p>
<p style="text-align: justify;">Os quarenta poemas que compõem este livro são estruturados sob esse duplo signo: um tempo que corre e escorre entre os dedos, e um tempo suspenso. E, nessa dinâmica, quantos fins e inícios podem ser comportados?</p>
<p style="text-align: justify;">Luisa se propõe, como uma espécie de arqueóloga, a escavar a superfície das coisas em busca constante dos términos e recomeços. E ela encontra-os, bem escondidos, sob tatuagens, sobre pintas, em constelações, dentro de canecas de café, atravessando blocos de Carnaval. É no momento desse encontro que o tempo se suspende. Só que, imediatamente depois do encontro, o tempo acelera, e algo, novamente, se perde. Então ela retoma a busca, repete o mesmo movimento. E repete. E repete. Até que, como diz a epígrafe que abre este livro, tudo fique diferente.</p>
<p style="text-align: justify;">Alguém poderia, portanto, dizer que este é um livro sobre a busca pelo amor em amores perdidos, amores descobertos, amores breves, amores de outras vidas, amores pra vida inteira. E talvez seja. Mas, para mim, há algo bem maior que isso. <em>Flor do Vento </em>é sobre coragem.</p>
<p style="text-align: justify;">Atravessar esse percurso ao lado da autora é pegar emprestado dela essa coragem. E é necessária muita coragem para fazer a operação que estes poemas fazem: dar vida à morte; crer de forma indelével na sobrevivência do amor, ainda que sob a sombra da perda; descobrir que o fim é sempre um não e, ainda assim, retirar desse não tantas possibilidades de sim. E só com a coragem que este livro te ensina que se torna possível ir em busca de tanta coisa; que se torna possível vasculhar mapas incoerentes, até encontrar um sítio onde fim e início se anulam e onde, enfim, se torna possível que algo viva para sempre.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Beatriz Malcher</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Café com pássaros</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/cafe-com-passaros</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Dec 2024 01:49:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">De forma discreta aparece, insiste.
Esquece de pedir licença.
Usa a ausência para marcar presença.
Sabe fazer de conta que não existe.</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em> (&#8230;) para as mulheres, então, a poesia não é um luxo. É uma necessidade vital da nossa existência. Ela cria a qualidade da luz sob a qual baseamos nossas esperanças e nossos sonhos de sobrevivência e mudança, primeiro como linguagem, depois como ideia, e então como ação mais tangível. É da poesia que nos valemos para nomear o que ainda não tem nome, e que só então pode ser pensado. Os horizontes mais longínquos das nossas esperanças e dos nossos medos são pavimentados pelos nossos poemas, esculpidos nas rochas que são nossas experiências diárias.</em></p>
<p style="text-align: justify;">(Audre Lorde, <em>Irmã Outsider</em>)</p>
<p style="text-align: justify;">Quando li <em>Café com pássaros</em> pela primeira vez, imediatamente me lembrei da escritora Audre Lorde e sua reflexão sobre como nós mulheres buscamos saber quem somos, e nos definirmos, por meio das palavras. Em <em>Café com pássaros</em>, Karla Galant esculpe não apenas poesia, mas toda uma existência. E nos convida a um voo às alturas, onde cada verso dá asas para nuances etéreas da nossa humanidade. Karla consegue, com sua escrita lírica e envolvente, capturar a essência das pequenas coisas, deslocando nosso olhar ao alto para revelar novos horizontes. Com uma escrita que transborda autenticidade e paixão, a autora nos conduz por temas como o amor, a maternidade, a passagem do tempo, e a busca incessante pelo sentido da vida e da própria poesia. Karla Galant tem a habilidade rara de transformar o cotidiano em arte, revelando a poesia escondida no prazer da xícara de café ou na dor do dente arrancado.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao abrir este livro, prepare-se para uma viagem sem plano de voo. Entregue-se às alturas, mas também deixe-se levar pelo aroma de cada palavra em torrefação, saboreie cada verso como se fosse o gole de um café bem preparado — artesanal, intenso e inesquecível como o momento antes da partida.  <em>Café com pássaros</em> é uma ode à beleza da vida, um lembrete de que, mesmo nas rotinas mais simples, ou nas dores mais profundas, há poesia.</p>
<p style="text-align: justify;">Desejo que seu próximo café seja na companhia dos pássaros! Bom voo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Elisa Pereira</strong></p>
<p style="text-align: justify;">poeta, escritora, curadora e pesquisadora em literatura brasileira de autoria feminina</p>
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		<title>Artaud visita Pasárgada</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Dec 2024 01:06:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">a pedra também não pediu pra sentir as mãos calejadas de Sísifo roubar-lhe a inércia natural. é por isso que um dia, quase no topo da montanha (outra putaça com o pisotear eterno), ela se cansou e rolou sobre o corpo fatigado do homem. ao que tudo indica, todos tiveram um final feliz.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“fazer passar/o relâmpago/pelo buraco da agulha”, essa é a missão à qual se propõe Aliedson Lima logo no início de <em>Artaud visita Pasárgada</em>: passar a claridade do assombro pela mínima fresta do banal, agudo como navalha nova, escamoteando a face, direta e cortante. Porém, recusando a forma: talhando a carne.</p>
<p style="text-align: justify;">Claridade. O susto diante daquilo que estava ali o tempo inteiro e a gente nunca foi capaz de ver (talvez este seja afinal o trabalho do poeta). Com uma linguagem direta e os dois pés virados em raízes, o poeta sergipano espreita a beleza incauta e crua do cotidiano. Mas por quê?</p>
<p style="text-align: justify;">“Porque antes do amor há a vida”, já disse uma vez Antonin Artaud — como traz na epígrafe da terceira parte do livro. Entre a vida, inocente e cruel (como “uma criança que/acende uma bomba/de São João na boca/de um sapo”) e o tal “amorremanso” (esse vislumbre da Bandeira de Pasárgada) é onde há poesia.</p>
<p style="text-align: justify;">Ser poeta é aprender a amar o espanto (palavras do próprio Aliedson), é ser aquele que já vem voltando enquanto todos caminham em direção ao abismo. Pode parecer, a quem olha de fora, que os poetas de nossa geração se entregaram ao niilismo ou ao existencialismo como se não houvesse mais salvação em parte alguma. Mas isso que chamamos de “salvação” é um número sem fim de possibilidades absurdas, muitas vezes pequenas diante desta vida cada vez mais imediata, e a poesia é uma delas, à qual o poeta se agarrou para não cair na fundura abismal.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse é o mérito do presente livro: extrair das frestas da vida (navalha é lâmina que não cega) a salvação que ninguém mais viu.</p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em>“¿Quién le dio al pequeño dios el centro gris del abismo?”, questiona Spinetta (uma de suas maiores referências musicais) no álbum <em>Artaud</em> (Pescado Rabioso, 1973) na canção “Cementerio Club”; foi quando Aliedson quando escreveu: “[mutilei] do instante/aquele versofaísca que/poderia incendiar a alma/de qualquer desgraçado”, e este livro foi seu sacrifício e sua dádiva.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Christi Rochetô</strong></p>
<p style="text-align: justify;">poeta e escritor</p>
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		<title>Fim de mundo ou fuga com ciganos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Dec 2024 22:03:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Bati uma só vez
Parti antes de abrir
Bater encerra o ato de te procurar
Sua ausência preenche mais
Do que o vazio do encontro.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O conceito de estranho familiar (<em>unheimlich</em>, em alemão) foi explorado por Sigmund Freud em seu ensaio &#8220;O Estranho&#8221; (<em>Das Unheimliche</em>), publicado em 1919. Ele descreve um fenômeno psicológico em que algo parece ao mesmo tempo familiar e perturbador, gerando uma sensação de desconforto ou inquietação. Esse sentimento surge quando uma experiência que deveria ser comum ou conhecida adquire uma aura de estranheza e ameaça. Ao ler os poemas de Bianca Pataro, esse ensaio de Freud imediatamente me veio à mente, a poetisa demonstra, de maneira exemplar, como o familiar pode se tornar estranho, ou como o estranho pode se fazer familiar.</p>
<p style="text-align: justify;">Aqui estão reunidos 30 poemas de Bianca Pataro, com uma semântica que busca expressar a (im)possibilidade de preencher o tempo da infância que se perdeu, o fim de uma relação amorosa e a existência que não pode ser explicada, apenas vivida. Os pequenos detalhes da vida cotidiana ganham um caráter sublime, com uma linguagem direta e precisa, na qual as palavras são cuidadosamente escolhidas, considerando tanto a disposição no espaço quanto a estrutura do poema. Embora sua poesia tenha ritmo, a musicalidade é geralmente controlada, sem o lirismo tradicional, apresentando-se, por vezes, como contos ou histórias vividas ou inventadas. Ela prefere uma métrica mais seca e rígida, refletindo seu estilo mais austero. Sua linguagem muitas vezes revela uma profunda reflexão sobre o ser e o mundo, evitando ostentação ou excessos. Essa introspecção se traduz em uma espécie de &#8220;sabedoria mineira&#8221;, onde o silêncio e o gesto contido dizem mais do que palavras grandiosas. A paisagem e o cotidiano de Minas Gerais, com suas montanhas, vastidões, rituais e crenças, tem um papel importante na obra de Bianca. As montanhas não são apenas geográficas, mas simbolizam barreiras emocionais, introspecção e uma forma de isolamento. O ambiente mineiro serve de metáfora para o estado de alma da poetisa – introspectivo e observador, distante e conectado a suas raízes.</p>
<p><strong>Pedro Castilho</strong> é professor na Faculdade de Educação da UFMG, psicanalista e poeta.</p>
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		<title>Touros e lagartos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Dec 2024 21:40:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[romance:

de barro foi que construí teu busto:

argila que no corpo amansa
touros e lagartos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Ao ler os poemas deste belíssimo <em>Touros e lagartos,</em> de Luana Bruno, a impressão que se impõe não é terrosa como os dois animais do título podem fazer supor. Avesso disso, os poemas anunciam a simbiose com o mar ou, quando menos, a guerrilha que o mar impõe ao que se quer sólido, ao que se quer estável: “<em>farei de meu corpo/ uma enorme retina salgada que tu/ não encontrarás</em>”, e complementa:<em> “irei ao mar aos santos/ descalça de alma maruja (&#8230;)”.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Não é um livro de crenças arraigadas, quase sempre vãs. Semelha, sim, um romance de formação em versos, cuja voz do poema se nos dá a conhecer ao tempo em que se autoconhece: “<em>de rio e mar,/ vou ao barro/ aos vermes que nele vivem/ e choram sozinhos/ como eu.”</em></p>
<p style="text-align: justify;">Eixo importante de leitura aflui no poema XXXIV, em que se vai ao encontro de uma tal Adélia (Prado?) e de um tal Campos (Álvaro?). Ali e nos poemas seguintes, parece vir à tona a indecisão entre a delicadeza do amor burocrático, em Adélia, e o deixar-se rasgar pelos brutos, em Campos. Lugar ínfimo e ímpar este em que Luana faz residir sua poesia.</p>
<p style="text-align: justify;">Por ser o primeiro livro da poeta, há que se ressaltar a organicidade formal e temática dos poemas. Não se vê neles o afã caleidoscópico que as estreias costumam ter, embora se conserve o frescor do achamento da poesia, como convém a quem adentra sua morada.</p>
<p style="text-align: justify;">Quem conhece Luana, sabe que ela é uma pessoa em estado de poesia. Só isso bastaria. Mas o que vemos neste <em>Touros e lagartos</em> é que principia, também, uma jornada de grande poeta.</p>
<p><strong>Marcos de Carvalho</strong></p>
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		<title>Essência lapidar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Dec 2024 21:29:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[nostalgia
é largar mão de guardar
animaizinhos cadavéricos
submersos em álcool
é a sobrevida
por vias mais gentis]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>dragar<br />
exercício humano<br />
de esvaziar as areias<br />
de um rio<br />
dragão<br />
com o mesmo radical<br />
contorna os hemisférios<br />
inquieta<br />
sem forçar o navegar<br />
caber no leito</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O céu de tempestade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Dec 2024 21:23:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O erro da palavra
que mistura o jovem e o antigo
faz o neologismo <em>enjuvenescer</em>
e ser o mote semântico do novo
Abertura poética pra quem quer evoluir
destruir concretos imóveis
e soterrar a arqueologia da linguagem
Não existe mais o sarcófago de dizeres
disfarçado de vislumbre
e nem a múmia empoeirada
caricaturada na parede de pedra
da pirâmide faraônica]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Olhar o céu e ver o infinito misterioso sempre foi um deslumbre ao ser humano. Janela aberta para a imensidão da dúvida. De todas as coisas que no céu existem, as nuvens alimentam nosso sonho de querer voar. O Sol afasta a chuva e ilumina, com a luz dos seus raios, a noite veloz que finda com o adormecer da Lua. É dessa viagem metafísica pelos astros celestes que resultam os versos deste livro<em>.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Os poemas de <em>O céu de tempestade </em>carregam em si o questionamento inolvidável do nosso existir. Sem qualquer pretensão de cultivar crise existencial, traduz em versos os devaneios do sentir artístico e regozija a esquizofrenia das palavras, destacando a liberdade da arte como nos versos “As coisas são feitas sem nome/vem o verbo e empobrece a imagem/O Sol ainda não batizado/insiste em iluminar o dia/e ao transformar-se em Lua/desnuda a noite para os românticos”.</p>
<p style="text-align: justify;">A intenção em cada poema é chacoalhar a realidade. Não para dizer ou desdizer a verdade, mas para referendar o que já dizia Ferreira Gullar: “a arte existe porque a vida não basta”. A metáfora do céu como algo misterioso e divino em contradição à tempestade do cotidiano mostra que a vida precisa de equilíbrio. Segue o conselho: “cuidado com o relâmpago do instante/somos temporais”. Esse é o mote principal do livro.</p>
<p style="text-align: justify;">No poema que dá título à obra, o autor personifica o mistério nos seguintes versos: “Perambulando livre/o vento respira o caminho/e pinta o céu de brilho acobreado”. Já a constatação do cotidiano encontra eco no arremate do mesmo poema: “Desatando suas amarras/iça as velas/deixando que o vento assopre o seu andar/É velejando no incerto que o náufrago volta ao lar”.</p>
<p style="text-align: justify;">É isso que este livro nos mostra, a visão curiosa do céu e a vivência cotidiana na tempestade que nos faz humanos, demasiado humano</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Terra cercada</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Dec 2024 18:28:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Dona Maria
a vizinha
que plantou girassóis no começo
estava agorinha
à sombra do pé de jambo
cantando cantigas antigas
que eu jamais aprendi]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Terral. O vento que sopra da terra para o rio. Que ultrapassa as cercas embandeiradas. Por cima, por baixo e de banda.</p>
<p style="text-align: justify;">No Oriente, há a estação onde predominam ventos que sopram da terra para as águas. Aqui, pelas Alagoas, o chão, a cana, a fome e a coragem compõem um novo signo terreno. Um éter que se espalha sem cheiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Presença além-cercado.</p>
<p style="text-align: justify;">Em suas 40 primaveras passadas, Minervino — que carrega seus anos e os do avô no nome — é um menino-negro, pai do menino-rio Francisco — este um Opará mirim desembocado nas terras da Branquinha (AL).</p>
<p style="text-align: justify;">Poeta sempre a caminho, sempre passando, sempre entre. Natural de Maceió, residente em Branquinha e atuante como técnico administrativo na Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), no <em>campus</em> de União dos Palmares.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesta obra, sua segunda em matéria de poesia, ele perpassa por onde hoje mora, por União, pela capital onde nasceu, por Murici, Messias, Pontal do Coruripe e Rio Largo.</p>
<p style="text-align: justify;">Sempre um aterramento em cada recanto que vai: 72 poemas que seguem um fluxo direto, sem cercamento dividido por seções sumárias.</p>
<p style="text-align: justify;">Há haikais, dísticos, quadras, tercetos, sonetos e mais. Nas “Quadras elementares”, ele já dá pistas do que pode vir a ser um projeto continuado usando os elementos da natureza: água, terra, fogo e ar.</p>
<p style="text-align: justify;">A água já está em <em>Antes e depois da chuva</em>, seu livro de estreia. Agora, o chão se manifesta em <em>Terra cercada</em>. Dois dos quatro elementos naturais.</p>
<p style="text-align: justify;">Da metade para o final, os poemas interseccionam o rio e a terra devastada (enchente que cobriu Alagoas e levou Branquinha da cartografia, com sua feira, bacias, bicicletas, batatas, laranjas e mandioca), nestas peças escritas e revistas entre 2015 e 2024.</p>
<p style="text-align: justify;">Com tanto chão e pouco pão, pouca partilha de existência. Parece esquisito viver num mundo chamado Terra, em que nem todo mundo tem um lugar comum para plantar e colher suas memórias. Um lugar para morrer.</p>
<p style="text-align: justify;">Veja o poema “A posse da terra”: as vírgulas são como as farpas dos arames que delimitam a área e o ponto-final, a ponta de que não se fala mais nisso: a terra tem dono. Um poema do tamanho do livro.</p>
<p style="text-align: justify;">O salto por cima da cerca é necessário. E só nós podemos dar, por nós mesmos. Assim, abracemos uns aos outros nessa lida.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de o formato-livro cercar as palavras, a fim de que não saiam destes limites estabelecidos editorialmente, este livro é um “terramoto”.</p>
<p style="text-align: justify;">Move nossos ventos internos, abalando as estruturas fixas, e prepara o terreno para que um novo bosque possa enterrar suas raízes em nós.</p>
<p style="text-align: justify;">Os nós estão dados ao se abrirem as porteiras. O vento vem.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Breno Airan</em></strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O cultivo das desmemórias</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Dec 2024 14:39:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[já idosa
a madrasta devota do meu velho pai
não se cansava de dizer
que estava praticamente cega
mas fazia os crochês
mais delicados e miúdos
jamais vistos por quem quer que seja
e desapareceu nonagenária

em decorrência do alzheimer

ainda sob os cuidados dos enteados dela
mas vejam vocês
ninguém de casa sabia

naquela época

do que se tratava esse mal
todos ficavam surpresos

como nos surpreendemos
ainda hoje em dia

com aquela decadência acelerada
e falavam apenas
que ela tinha ficado caduca por causa da idade
pudera o estranhamento]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Flávio Augusto constitui neste livro um eu poético que está no centro de uma dúvida existencial e, para ele, fulcral, conforme registra num poema: “nunca vou saber ao certo/ se/ fui/sou /ou algum dia serei// pelo menos de forma idealizada/ também um velho pai/ para os meus filhos”. Essa dúvida, marca da escrita poética, que recusa a certeza para não se tornar preleção, proporciona um efeito reflexivo que suscita mais consequências úteis para a experiência vital que a certeza comovida de uma oração. A vida está em movimento e transforma o ser na medida em que o atravessa pelo tempo que passa, daí a dúvida existencial que o coloca no centro e faz esse eu poético olhar para o passado, que reconhece por pensar tê-lo vivido, assim como, dialeticamente, olhar para o futuro, indagando, de forma idealizada, se o realizará como o modelo afetivo que buscou personificado em seu pai. Essa projeção remarcada nos poemas não é simplificada, circunscrevendo-se apenas a uma relação de ordem familiar, e nisso o livro ganha em potência ao transcendê-la: as vidas estão atravessadas pelos momentos históricos que as restringem, marcam, impedem, abalam. É possível ao leitor apreender que não apenas essas vidas e afetos sugeridos no livro estão aprisionados numa circularidade existencial de eterno retorno do mesmo, mas também a história, essa em que essas vidas estão imersas, num amálgama que o poema (como representação de todos os poemas e do livro) tenta transcender com a dúvida que move a poética por não haver resposta confortadora, pois, afinal, cada ser escapa de todo sentido e, tal como a poética, se move, em trânsito, para o encontro final.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ademir Demarchi</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Papilas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/papilas</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Dec 2024 16:01:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[escrevi um poema
antes de me masturbar
era um poema de amor
que só eu sinto
e esse outro
o mesmo
depois da masturbação
e antes do mijo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“Se a língua cria a realidade e a poesia cria a língua, quem cria a poesia?” A pergunta do filósofo Vilém Flusser pode canalizar a obra de Ellen Kassavara como uma resposta possivelmente honesta. Em tempos contemporâneos e fragmentados, <em>Papilas</em> se destaca por ser um livro de poesia avesso à representação dominante e a todas as formas de padronização da escrita, o que é surpreendente se imaginamos uma escritora tão jovem como a Ellen Kassavara. Em meio a palavras arrojadas, eis a resposta: “o palato é o lugar do poema/onde descansa a minha língua/e a sua/todas as línguas/todas as mulas”. Estamos diante de um livro escrito sob o signo da ruptura, através de uma textualidade não linear e não sequencial: “quase vomito no carro e em casa/não corro pro banheiro, vomito nas mãos/vou pra sala e digito o poema/faço qualquer coisa/parecer um insulto/inveja e autopiedade e ira/é só desejo”. A preferência é pelo mosaico, pelas imagens de vida cotidiana, habilmente coladas aos mundos sombrios de mentes inquietas. <em>Papilas</em> é descontinuidade ácida, é experiência da metamorfose, é vibração do que é vivo e do que é morto, é política, é decolonial. O mundo evocado por Ellen é o nosso mundo com os problemas de fundo que o fazem tal como ele é. A jovem autora não pretende nesta obra encontrar o leitor abstrato, ideal, colonial. Ellen escreve para leitoras e leitores em estado de abertura, em meio a caminhos transitáveis e divergentes. Por meio dessa escrita-caminho, Ellen abre, no real da vida, gestos tomados de dom poético, inclui o feio, o azedo, o soco no estômago, a lágrima nos olhos. A quem quiser entrar em contato com poemas de desencaixe, este é o livro exato; não é sobre uma forma estética alheia à realidade. <em>Papilas</em> se volta contra o artifício, e, por conseguinte, contra as narrativas do mundo, e suas verdades. É escrita-caminho como convite aberto: “não sei em qual língua me encontro/se tenho pelos ou papilas/penugens ou pupilas/sozinha a língua/dá nó/engasga/enrola/se contorce/só não cai pra fora/porque trabalha sozinha”.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Ave maré</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/ave-mare</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Dec 2024 15:49:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[mesmo longe
o privilégio do sol

tocar tua pele]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Quais são as maneiras de entrar no peito de um passarinho? Há várias maneiras de se percorrer um livro, um voo ou um mergulho. Um dos modos mais prazerosos de entrar neste caminho poético de Piera Schnaider é se colocar também na posição de coisas mínimas e flutuantes. Quem lê <em>Ave, maré </em>está diante de grãos de areia, da suspensão de partículas e da própria palavra. Quem acompanha o gesto destes 69 poemas se torna ave “no ventre do tempo” e, simultaneamente, se torna cúmplice deste lembrete: “reinventar o trajeto da sombra”.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste livro, Piera condensa a linguagem e a espalha pela página como forma de evocação de entidades poderosas: a palavra e o papel; o corpo e o entorno. Orikis e origamis justapostos. Concisão, leveza e observação da natureza estão na estrutura do livro que conta com três seções delicadamente nomeadas: “Praticar o vento”, “Descaminhos do corpo”, “Levitar palavras”. Gosto de pensar nessas divisões como um haicai que aninha os demais poemas, que nos saúdam, e como lições despretensiosas desse gênero japonês.</p>
<p style="text-align: justify;">Aprendemos aqui a “sussurrar como folha/ o idioma da ventania” e a observar a comunhão entre fala, silêncio e modos de pronunciar imagens, ritmos e sons. Aprendemos também a expandir a forma: o haicai não apenas enquanto linhas fixas, mas como modo de praticar e convocar a existência. Em algumas práticas de vento, Piera ultrapassa os versos esperados para a forma japonesa, sem perder o estado de presença. Dispor poemas com mais versos ou sílabas poéticas sugere um grau de subversão: a métrica não aprisiona a ventania da palavra.</p>
<p style="text-align: justify;">Aves, palavras e marés são vivas e indicam rotas para se praticar a convicção do transitório: seja na aproximação de maré, Maria, <em>mère</em> na prece que nomeia o livro, seja no poema espiralado que nos remete à ciclicidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Como um pássaro “sobre nossos ombros”, “a poesia” de Piera “flutua”. Levanta voo e se inclina em direção à maré. Entre o lapso do céu e do mar, a exaltação da natureza, da página em branco. É íntima — da água, do ar, do arrepio e do sopro — e intima o mundo a habitar folhas e flores na calçada, ciscos que passam abraçados ao vento ou a brisa que desliza no<em> dorso da borboleta</em>. Há um jogo de proporções presentes neste livro, não somente pela forma do haicai, mas porque o silêncio de quem recebeu um “olho de vento/ pra escalar a altura cintilante dos insetos” insiste na dimensão. Outro caminho para continuar neste livro é confiar na “palavra solta/ ponta de flecha”, isto é, esticar a pronúncia do ar.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p><strong>Nathália Lima</strong></p>
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		<title>Do baú voam os trapos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Dec 2024 15:32:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[lave bem todas as partes
esprema sem arder as mãos
pendure no sol
mas coloque do avesso
que é para secar bem
o lado em que as coisas
guardadas vão ficar]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Fiapos de memória ao vento, eis a poesia!</p>
<p style="text-align: justify;">A poesia de Ariane Sapucaia filia-se a uma longa tradição de mulheres escritoras que, num exercício de luta contra o esquecimento, encontram na memória o seu lugar de abrigo e de conflito. Nesse sentido, as metáforas do baú e dos trapos, tão caras à construção desta obra, podem funcionar como importantes chaves de leitura para os poemas que compõem este livro. Abrir o baú, para que dele voem os trapos, é o gesto inaugural de uma voz fiandeira que, ao tentar ressignificar fiapos de memória, cerze versos, alinhava fragmentos de paisagem e os costura para tecer os fios do passado que se unem aos fios do presente.</p>
<p style="text-align: justify;">Na mitologia grega, conforme lembra Yates, em <em>A arte da memória,</em> Mnemosyne era a deusa da memória e a mãe das Musas, numa linhagem feminina que aponta a indissociabilidade entre lembrar e escrever. No caso específico da poesia, a relação com a lembrança não deve ser entendida em termos documentais. É que a memória da poeta é uma memória inventiva, como indica este fragmento do poema que dá título ao livro: “eu guardo meus resíduos nem tão vividos / do baú voam os trapos / e eu tenho farrapos a contar”.</p>
<p style="text-align: justify;">Abrir o baú, para que dele voem os trapos, é o ato de quem reconhece a leveza, da qual fala Ítalo Calvino, como um valor na poesia. Em contraponto ao peso do baú e de seus “resíduos nem tão vividos”, é o vento que enfuna versos e espalha trapos/fragmentos/memórias ao longo das páginas. Para acompanhar esse movimento, “é preciso sentir o vento enquanto / seu pai não volta a te alimentar pelo bico”, como no poema “memória de pelanquinho”, em que persona poética, criança e passarinho misturam-se em simbiose.</p>
<p style="text-align: justify;">A memória, aqui, é ambivalente. Para tornar-se abrigo, exige o esforço consciente da persona poética, que se sabe “colecionadora de retraídos agoras”, e se desdobra nos gestos de abrir e de fechar o baú. Assim, “caminho nesse cômodo / abro obstruídas reminiscências” e “arrumo os soluços dentro, tampo a caixa” são movimentos complementares da persona que tenta ressignificar o passado e sobreviver ao peso do presente e, para isso, recorre ao exercício metalinguístico da poesia, enquanto olhar que se volta para a tessitura do próprio poema. Ao acompanharmos a abertura do baú e o voar dos trapos, deparamo-nos com poemas que (des)velam sua própria composição, numa seleção e combinação de fiapos de memória, e nos perguntam/convidam, como Drummond: “Trouxeste a chave?”</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Elaine Rapôso</strong></p>
<p style="text-align: justify;">doutora em Estudos Literários</p>
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		<title>Uma língua são oito músculos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Dec 2024 15:24:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[mãe, minha mãe,
por quanto tempo
devo carregar
a culpa
a angústia
o peso
de não ter
nascido na roça
não ter ido
à escola
de chinelos
não ter andado
quilômetros
até a vila,
não ser
feminina
e ainda
amar mulheres?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“uma língua são oito músculos/ um frênulo a retém mais do que a gramática”. Os primeiros versos do poema que nomeia o livro de estreia de Nathalia Müller Camozzato noticiam o fio que contornará seu exercício poético: linha de calibragem fina demais que vincula a palavra à coisa e ao pasmo, tecendo um limiar que suporta a inexorabilidade entre as partes do jogo.</p>
<p style="text-align: justify;">A língua, objeto de investigação de uma poeta-linguista, emerge como algo sempre “em condição muscular” e o articular da palavra nasce do convite feito por uma materialidade, que, não obstante se aloje na própria garganta — “It” no “I”, diria Jane Bennett — lhe é estranha: capturar, na precariedade do gesto, o lugar de si que é coisidade, palavra-corpúsculo, fio enroscado na glote, limas nas raízes dentárias, endométrio descamando no banheiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Há uma personagem que timidamente atravessa o livro, a mulher-ruína — “antes que desertemos da missão de vigiar e repetir essas ruínas<em>” — </em>quem, na conjunção disjuntiva, entre mulheridade, corpo, matéria e língua, inventa rachaduras que acomodam memória, sapatonice, raiva, amor e culpa.</p>
<p style="text-align: justify;">Feito rio, o livro dá no mar. Somente quando lavadas a sal as ruínas é que, de modo heteróclito e ambivalente, pode ser instaurada uma narratividade evocando, por contraste, a violação, um chamado à revolta: “um dia, conforme/ mais e mais violências/ tiverem nome,/ (ou tiverem tradução/ para o português brasileiro)/ todos os estupros que sofremos/ voltarão<em>.</em>”</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Houve dias de humanidade em mim</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Nov 2024 15:50:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[quando a hecatombe acabar
restará o grito mudo gravado nas paredes dos muros
(os muros sobreviverão)
e alguns ossos espalhados sobre o chão

não restarão sinapses humanas
não restarão códigos binários
tampouco os livros de autoajuda
ou toda nossa religião

quando a hecatombe acabar
centopeias andarão livres sobre o húmus dos nossos corpos
e cabras selvagens comerão nossas fotografias
onde ainda sorríamos a felicidade do sonho]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“estar aqui nesta vitrine, exposto/com o corpo dissecado”. Estes são os primeiros versos do poema n.º 2 de <em>Houve dias de humanidade em mim</em>. E se são eles que escolho ao iniciar este texto é porque me oferecem uma imagem muito nítida para dizer algo sobre o novo livro de Viegas Fernandes da Costa. Os vinte poemas, a explicação desnecessária e “(o poema que não coube na conta)” que constituem o livro são a oportunidade de vivenciar uma dissecação anatômica dupla. Em um plano, corajosamente, Viegas oferece seu próprio corpo como matéria poética exposta e disponível para ser observada e estudada. O corpo ainda menino que caminhava no mercado, “a pergunta/queimando na boca”; o corpo adulto que na noite mais escura banhou sua nudez na água fria da nascente. É o corpo, suas geografias e memórias que se oferece em paisagens compostas, na mesma medida, por prazer e dor, revolta e nostalgia.</p>
<p style="text-align: justify;">Em outro plano, é a cidade que se torna corpo a ser explorado, anatomizado. Não qualquer cidade, mas sim a cidade de “Desterro” (também conhecida como Florianópolis). São vários os poemas em que Viegas nos oferece as entranhas da cidade, seus órgãos e tecidos. Suas precariedades, aquilo que se move nas sombras, nas vielas. O cotidiano e suas dores. Sempre sob o olhar cuidadoso e gestos minuciosos de um anatomista-artesão das palavras. Atento e de cortante lucidez. É assim que surge uma poesia que “carrega a sujeira das ruas, a sujeira dos tempos presentes/a palavra colhida do lixo, o poema impresso em papel de jornal”.</p>
<p style="text-align: justify;">Corpo: é disso que se faz <em>Houve dias de humanidade em mim</em>. Ser um corpo atravessado por toda a brutalidade do presente, esbarrando cotidianamente nas misérias do corpo da cidade para, por fim, tornar isso tudo linguagem poética no corpo das palavras, dos poemas e oferecer um convite a caminhar de mãos dadas. Porque afinal, é disso que se faz a poesia.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Eduardo Silveira</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Escritor e professor. Autor dos livros <em>Mirabile plantae</em> (2023) e <em>O Senhor Toshiaki</em> (2018).</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Na janela da frente não cabe uma cidade</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/na-janela-da-frente-nao-cabe-uma-cidade</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Nov 2024 14:40:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Não aprendi a apagar imagens.
Vi o mundo
e nunca mais o esqueci.
Nem quando ficou escuro
ele se fez invisível.

Está nos meus olhos
como a estrela na noite.
A duração desse encontro
irá além do tempo.

Olhar único e visão múltipla,
um se funde na outra.
A cada dia inauguro nas retinas
um universo de espantos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Leonardo da Vinci dá o mote logo à entrada do livro; a senha inicial para descodificarmos uma casa que não é a nossa. A porta ou janela está aberta, e somos convidados a conhecer cada canto que não nos pertence, através dos olhos do poeta que nos fará uma visita guiada. São o espelho da sua alma que, apontamento sobre apontamento, determinará o que cada leitor deve ver, e de que maneira ou de que feitio. O leitor é a testemunha que não sabe o que o espera.</p>
<p style="text-align: justify;">No início, somos invadidos por uma estranheza. Estamos num país estrangeiro, e para qualquer lado que avistemos, tudo tem a roupa da novidade, vista através de uma vitrine. Os cantos da casa conversam connosco; por vezes, paredes vazias, móveis inanimados, pássaro na gaiola, plantas malcuidadas, dizem mais do que textos inteiros, e complexos.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo nesta casa me observa, absorve-me, absolve-me e acusa-me. Lembra-me, instante a instante, cobra o meu tempo, que escoa a cada segundo, e este tem o peso de um silêncio que não se coaduna com o tempo de Cronos, que determina a mortalidade de cada um, mas sim o tempo poético de seu filho Kairós, o tempo sem o relógio mecânico na sua marcha implacável. Mas pai e filho conversam à mesma mesa da eternidade. Poeta e leitor estão frente a frente sem se verem, mas o código é comum aos dois.</p>
<p style="text-align: justify;">Cada objeto, seja o de sentir, seja aquele de se pendurar em qualquer lado; aos poucos, vai entranhando, ocupando espaço, onde antes só havia um terreno de outrem. Como qualquer torneira que pinga insistentemente, marcando o seu ritmo, incomodando o sono – aqui acordado – de qualquer um; assim a poesia vai criando fissuras, lapidando muito devagar a pedra que tem pela frente. Somos esta pedra que vai se moldando, somos esta fenda que se delineia, como um rio, à superfície; vamos cedendo espaço à água que não desiste do seu curso, do seu ritmo, que determina que cada objeto, antes sem serventia, “pendurado atrás de uma porta”, vá ganhando o nosso monograma; e a cada passo, ou leitura, uma nova inicial do meu nome é bordada neste lençol, sobre a outra que antes existia, e se perde na grandeza do território.</p>
<p style="text-align: justify;">É nesse momento de comunhão, de epifania, e de apagamento de outras marcas, que o espelho começa a devolver-me a minha própria imagem. O livro, a casa, a cidade, a janela, o mundo que se vê de fora para dentro, ou de dentro para fora, deixa de ser do deus que o criou. Esta construção já não é mais do poeta que a edificou. Esta construção agora é minha. Eu sou o poeta. Eu sou o leitor.</p>
<p><strong>Ozias Filho</strong></p>
<p>Escritor, Fotógrafo, Editor</p>
<p>Cascais, abril de 2024.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Sobremesa</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/sobremesa</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Nov 2024 14:09:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">primeiro a boca
porque há fome</span>

<span class="fontstyle0">
segundo as mãos
para escolher os perigos antes da boca</span>

<span class="fontstyle0">
terceiro e tudo
a língua
que salta ao corpo
como palavra e paladar</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em um poema dedicado ao teatro (a arte da ação) e ao deus do teatro (Dioniso), Anne Carson afirma que os começos têm sua própria cor e tonalidade, e que são frescos e orvalhados, como uma uva. Uma uva é fresca e orvalhada como um corpo, quando ele age ou atua. Este livro de Paloma Arantes que você tem em mãos tem o sabor de uma uva. Ele poderia se chamar <em>Muito prazer</em>, como aquele primeiro livro de Chacal. Mas chama-se <em>Sobremesa.</em> Porque está cheio de doces e dentes e fomes e gulas. Ou seja, ele está cheio de ações.</p>
<p style="text-align: justify;">A que gênero então <em>Sobremesa </em>pertence? Trata-se de um livro de poemas? Mais do que isso, nele há transas, ginásticas, dramas e esportes. Mas é como se não importasse realmente a finalidade desses jogos do corpo. No poema “handebol”, Paloma escreve que “em uma quadra 40 por 20/as regras em linhas pintadas no chão/dizem muito o que podem nossos corpos/e nossas mãos//mas se jogamos no mesmo time/o placar pouco importa”.</p>
<p style="text-align: justify;">O que importa, de fato, é que dois corpos, quando se encontram, se confundem — <em>Sobremesa</em> é atravessado pelas formas da confusão. A confusão pode ser qualquer coisa como um mal-entendido, uma brincadeira ou uma mistura. Tudo isso você encontrará aqui. Um mal-entendido entre vizinhos ou ex-amantes, uma brincadeira infantil ou das palavras, uma mistura de corpos ou de sentidos. E, nesse ínterim, os corpos se ferem, e a poeta reconhece: “erramos a mão também/perdemos tudo”. Mas um corpo é um corpo: “ainda há fôlego”.</p>
<p style="text-align: justify;">E <em>Sobremesa</em> está cheio de fôlego, como também está cheio de prazer. Nisso, as palavras de Paloma se aproximam de artistas da maior importância de nosso tempo. Ledusha, e seu erotismo melancólico; Ana Martins Marques, e o eros das coisas; Eleonora Fabião, e as ações que não têm por quê.</p>
<p style="text-align: justify;">Paloma é generosa, ela quer dar prazer para você (sim, você). Afinal, com quem a poeta fala quando afirma que “se tiro essa língua da boca/posso, por exemplo, dizer/minha língua/e colocar na sua/o sentido da palavra prazer”? Os começos são sempre prazerosos — e Dioniso, o deus das ações, é deus dos começos. Onde Paloma começa? As últimas linhas deste livro o dizem: “a primeira palavra/sempre foi a palavra/desejo”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Rafael Zacca</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Dura irradiação</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/dura-irradiacao</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Nov 2024 13:42:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">a ideia de que
amanhã a vida
segue como se
nada tivesse
me ocupado
termina na hora
em que releio
o que acabei de
narrar em pape</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Como abertura de seu segundo livro, Carlos F. B. Martin colheu no diário de Patrícia Galvão uma imagem que emprega como epígrafe. A breve frase torna-se uma espécie de farol para a leitura de <em>Dura irradiação. </em>No entanto, não esperem por uma luminosidade que a tudo entrega. A luz emprestada de Galvão ilumina detalhes tão sutis quanto indispensáveis para a travessia do conjunto de poemas, impedindo que naufraguemos com interpretações alheias à sua matéria poética: a imbricada e complexa relação entre subjetividade e o mundo externo. As marcas são visíveis, umas no corpo, outras no pensamento.</p>
<p style="text-align: justify;">Numa conjuntura em que os eventos se sucedem no ritmo desenfreado dos algoritmos, cabendo a nós o papel de uma apática plateia, somos aqui instigados a perceber o quanto da realidade se sente rente à pele e à língua. Cada gesto e cada cena, ainda que domésticos, estão impregnados do que se dá no lado de fora. O movimento imagético de Martin nos leva ora por estreitas trilhas íntimas, às quais visualmente representa por meio da concisão dos versos, ora pelas grandes vias dos argumentos, sem se perder na amplidão e generalização das figuras, pois segue sem desvios na direção indicada.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de aquelas marcas se confundirem conosco, o que sugere a permanência indelével do passado, tudo o mais parece se sujeitar a uma inevitável transitoriedade. Para impedir que o vazio se alastre é que lançamos mão da linguagem e de sua função de descrever e, portanto, de estruturar a existência, dando a ela um sentido. Se nos satisfazemos com a utilidade da fala cotidiana e da memória, com o poema atingimos um ponto mais elevado, pois por meio dele conhecemos o mundo e a nós mesmos de um modo singular e único. A cidade vista pela poesia é distinta daquela que vivemos rotineiramente.</p>
<p style="text-align: justify;">Paisagem e retrato são uma face da cidade, a outra é feita de voz e de ideias. Pode parecer concreta, mas sem uma narrativa que a organize, não existiria. O poeta nos guia por ela, por suas ruas e discursos, é ele quem nos apresenta os caminhos a percorrer e os sinais para identificar seu curso, o que experimentamos na passagem dos poemas, compreendendo o ritmo da sucessão dos temas escolhidos e como um ecoa no outro, revelando sua trama. Aliás, Martin nos alerta para o conflito entre matéria e palavra. Não podemos vencer, mas tampouco seremos vencidos, restando no poema o resquício de um tempo em que o mundo dormia, como ainda dorme diante das crianças que são assim capazes de fabular, essa forma ingênua de narrar.</p>
<p><strong>Paulo Ferraz</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Rabixos &#038; sujeirinhas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/rabixos-sujeirinhas</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Nov 2024 13:53:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Este aqui
Que dou o cu
E chupo pica
E tomo leite
E levo soco
E cavalgo égua
E solto peido
E sujo vara
E peço rola
E choro bicha
E quero mais.

É um outro.
Contumaz.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Este <em>rabixos &amp; sujeirinhas</em> é um exercício de escrita de si segundo a ordem da viadagem brasileira dos finais do século xx e dos inícios do século xxi. Aqui estão a violência e o amor, a invenção dos afetos e a promiscuidade, as doenças e as injunções de normalidade, os excessos e as formas de cuidado. Os poemas pretendem fazer interseções com a materialidade do corpo e com o inescrutável da experiência, por um lado, e retomar as injunções de discursos de anormalização que inscrevem o viado como um outro a ser lido como um problema dos excessos, da passividade, de uma suposta analidade atávica.</p>
<p style="text-align: justify;">Numa senda que vai da injúria relida em Genet como resistência e invenção, passando pela produção das homossexualidades a partir do hiv, até chegar nas relações românticas sempre repletas de ambiguidade, o que os poemas oferecem é uma trama de visibilidades e dizibilidades que parecem forjar a própria escritura do autor: acadêmico dedicado a pensar promiscuidade, passividade, risco e homossexualidade e, ao mesmo tempo, viado em seu tempo e  num esforço de se pensar numa “vida militante”, no vértice entre as injunções da vida prosaica e as práticas de liberdade — como práticas de si que passam, também, pela literatura.</p>
<p style="text-align: justify;">Não se trata, porém, de um livro que se estabelece numa metafísica viada. O que temos é uma espécie de paralaxe, de ruído e grito: um espaço entre a linguagem e o corpo sem órgãos, sempre atravessado pela implicação de um não lugar e de uma negação dos esforços de captura.</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Jasmim nácar</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/jasmim-nacar</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Nov 2024 13:22:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[perco todos os grandes eclipses
luas que sangram, distantes
eu também me oculto
brutalizada

as sereias tremem por dentro
escutando-as, eu tiro cartas em silêncio
e talvez eu segure um tesouro entre os dedos
que estalam, cantam, gemem]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A poesia de Isabela Coelho sempre despertou minha curiosidade, de modo que já fazia alguns anos que eu ficava na expectativa pelo lançamento de seu primeiro livro. E eis que essa espera chega ao fim com este volume. Nele, o leitor encontrará poemas que tematizam o corpo — no que ele tem de febre e breve —, o feminino, os incômodos do existir, as agruras do ambiente citadino, o silêncio, o tempo. São poemas que, em não raras ocasiões, devido a um lavor imagético particular, parecem funcionar como fotografias executadas pela voz que neles habita, pela voz que, antes de ser texto, estava oculta em valises, ânforas, conchas, no corpo e nela própria, e que agora tem a emergência de romper os seus próprios limites e comunicar, de repartir os enigmas do íntimo e de apreender a realidade ao mesmo tempo em que deseja recriá-la. Para essa voz, é necessário fazer algo com “a carne inflamada deste dia”, nem que seja posicioná-la sob “as tempestades que regeneram, ainda que arranquem tudo”, nem que seja cobri-la de sucessivas camadas de nácar a fim de realizar o belo como amuleto para e a partir da nossa humana ruína. É essa voz, em desalinho ao que a rodeia, que carrega na própria carne a mácula de ser tão humana, que nos conduz, em um discurso algo cifrado, por dúvidas, por uma ritualística sublime e brutal e por uma espera do transcorrer dos dias — etérea provisão oracular, possível tesouro que a redimirá de tanta vida. É essa voz, em si mesma, uma das lições da arte poética deste livro, pelo qual, certamente, valeu a pena esperar, e o qual, pelas qualidades literárias que possui, será uma boa descoberta para olhos atentos.</p>
<p> AYRTON ALVES BADRIAH</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Maresia</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/maresia</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 Nov 2024 13:57:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">(...) Rosa se levantou endireitando a coluna, parou um instante e pôs-se a contemplar os carros e os caminhões que passavam com películas escuras nos vidros, rente ao seu varal e aos jarros das plantas, como se fossem entes regulados por uma vontade maléfica. Sentindo-se vagamente ameaçada, viu quando Elísio saiu pela porta da cozinha, logo depois de um ônibus insuflar sobre o varal de camisas brancas uma farra rápida de fantasmas. Vendo-o assim, achou-o fraco: as pernas inchadas, os cabelos desalinhados, os olhos opacos; aquela fleuma, olhando atarantado para os dois lados. Não seria nunca páreo para o Secretário.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Ao leitor que se aventurar neste livro de contos, saiba que não vai encontrar os temas que, em regra, vêm pautando uma certa literatura contemporânea que é festejada na mídia, na academia, nas redes sociais, nos festivais e congressos literários. Uma literatura que, de certa forma, parece preferir a exclamação do que a interrogação, que se orgulha em ser apenas mais uma ilustração ficcional das ideias que hoje são predominantes no horizonte cultural do que cumprir aquela que é uma das mais nobres funções da arte literária: plasmar o indizível. Ante essa literatura impregnada de certezas ideológicas, festejada e aplaudida, como, então, um jovem escritor não se deixaria seduzir pelo seu canto de sereia? O autor deste <em>Maresia</em>, Gilberto Clementino Neto, tal como fizera Ulisses, ouviu o canto das ideias dominantes, mas resistiu aos seus apelos. Resistência essa que o coloca ao lado de outros escritores que, ao longo da história da literatura, caminharam por trilhas diversas daquelas que eram então urgentes na sua contemporaneidade.</p>
<p style="text-align: justify;">O fato é que o título que batiza este livro — <em>Maresia</em> — não diz respeito apenas ao movimento das águas, mas também ao cheiro forte, de peixe cru, ou mesmo de lama podre, advindo dessas águas. Se as marés representam o movimento e a provisoriedade das coisas, o aroma nauseante das suas águas é, por sua vez, uma bela metáfora do desconforto do nosso tempo. Afinal, há sempre algo de podre no reino da Dinamarca. Assim, entre abraçar os clichês que perpassam as poéticas da nossa contemporaneidade e explorar os silêncios que perpassam essas narrativas, Gilberto preferiu os silêncios. E falar dos silêncios é, no caso, falar daquilo que não se quer dizer, não se sabe dizer ou mesmo como se deve dizer. O silêncio é o que ficou emudecido quando se busca narrar sobre o medo do futuro, sobre a busca por uma felicidade idealizada e sempre inalcançável, sobre a difícil adaptação às situações mais absurdamente improváveis, sobre a permanente sensação de vazio existencial, sobre a busca por uma infância perdida… É isto que o leitor encontra neste livro: narrativas que declinam sobre o que os outros saberes não sabem dizer, sobre aquilo que não se vê, mas que vem impregnando o ar, como o cheiro podre das marés.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Anco Márcio Tenório Vieira</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Auto da partida permanente quando da ocasião de um qualquer aquiagora</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 Nov 2024 11:33:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span class="fontstyle0">Chegavam aos montes, sem parar. Só chegavam. Dezenas, milhares, milhões — descarga encarnada em sangue-suor. Sem nomes. — </span><em><span class="fontstyle2">O que também traziam?</span></em></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Lerelereler o poeta não cabe em si. Incapacidade de poetas.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste caso, Iago Ribeiro não expõe relatos. O prazer de sua escrita atual está em utilizar o que é contemporâneo, dialogar com seus pares, dar vazão ao pensamento. Não lhe é suficiente o léxico: desde o título, juntando “aquiagora”, pois no átimo da leitura tem o espaço e o tempo permanentes e o desejo ou a necessidade de partidas.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele fala do corpo de órgãos embaralhados e do inconsciente, o ser e o tudo. Dedica o livro ao nosso mestre maior de criação de cômpitos, pois as palavras e logo os enunciados estão em bifurcações de significados que não estão apenas em dicionários.</p>
<p style="text-align: justify;">Iago conta seu “Estórico de navegação” como uma <em>eroica</em> talvez gostaria de erótica <em>des ave ventura</em>. É o evento. Não há meta no percurso. Na rota ao nunca: mesmo a desistência fingida, pois sempre existe quem escreve, “por que te sujar com rostos, nomes? (&#8230;) Que amante sou eu (&#8230;)? (&#8230;) uma promessa”. Mas se ele nem sabe: é o alienígena: o que chega e o que está.</p>
<p style="text-align: justify;">“Abstratos”, segunda parte do livro, é também um segundo livro. Atinge o tudo-ser, o não-ser, o muda-ser somatório de pontos que no auge forma um padrão como foi a superação do figurativo no início do século passado. “Informe querer-que-cesse”: a partida permanente sem figuras.</p>
<p style="text-align: justify;">Se em <em>O Quarto Chinês</em> (Ofícios Terrestres, 2023) Iago Ribeiro tinha como principais temas o silício e o gozo e a dor das crianças do futuro, de Turing, neste livro, em textos que fazem lembrar aforismos nietzschianos, registra navegações e encontros rarefeitos em um programa que roda sem sujeito nenhum e que não encontra norte nem morte.</p>
<p style="text-align: justify;">Para os “nunca-amparados” lereler — <em>Auto da partida permanente quando da ocasião de um qualquer aquiagora</em> — ficando aí na cibersintaxe deste aguçado autor.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong><strong>Guilherme Zarvos</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O sal e a sede</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 Nov 2024 11:27:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">a essência dos navios
é ter um nome
uma chegada
e sempre</span>

<span class="fontstyle0">
principalmente
a possibilidade
dum naufrágio</span>

<span class="fontstyle0">
não se começa qualquer viagem
sem a sombra</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>armar morada</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;">É com esse primeiro verso que <em>o sal e a sede </em>nos convida, ou — eu ousaria dizer — nos adverte, ainda que sutilmente, a habitar um tempo e um espaço transbordantes. Surge do início uma curiosa quietude às beiradas de um segredo azul profundo.</p>
<p style="text-align: justify;">Então aproveite o silêncio e não se esqueça de molhar os pés. As poesias aquáticas deste livro criam sentidos para palavras que se expandem, dançam com ritmos e semânticas, conjuram corpos, areias e águas-vivas. O mar toma forma nas conchas que escutam, na espuma que desabriga, nas ondas que envolvem e voltam a revestir os passos.</p>
<p style="text-align: justify;">Aqui nos encontramos com a sede de um poeta que escreve com a pele e a língua como os principais instrumentos da memória. São mapas do instinto que ludibriam as linhas do tempo, evocam a saudade e percorrem distâncias, criando caminhos tanto para o anseio quanto para o abraço das marés.</p>
<p style="text-align: justify;">Não apenas um experiente marinheiro, entre cruzamentos, derivas e naufrágios, ele também nos leva a viajar por terra e estrelas que revelam comoventes cartografias de afetos familiares, sonhos e lembranças. A sensibilidade de um olhar para o lampejo fugaz de um cometa ou para a perene mansidão das montanhas nos conduz à contemplação de ecos e espelhos.</p>
<p style="text-align: justify;">Penso que existem muitas formas de cercar-se pelo mar.</p>
<p style="text-align: justify;">Pode ser na solidez de uma ilha,</p>
<p style="text-align: justify;">na travessia de um barco,</p>
<p style="text-align: justify;">ou no flutuar do próprio corpo à deriva.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas talvez seja apenas através da total submersão que faltas e desejos finalmente se incendeiem em cores e vida. Como baleias e perséfones que transitam desimpedidas por tantas camadas de ambivalências, Guilherme nos prova que a profundidade é luminosa. Descobrimos que a melhor forma de emaranhar-se em suas palavras é tomando fôlego, com a sede do sal, do salto e, enfim, do mergulho.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Marcela Moretto</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Até mesmo quando minhas pernas enfraquecem</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/ate-mesmo-quando-minhas-pernas-enfraquecem</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 Nov 2024 23:02:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Se tu não cabes nas tuas roupas,
tira.

Eu enfeito minhas mãos,
abro os caminhos,
mastigo os medos,
brinco contigo,
brinco de deus.
E quando eu pergunto — por quê?
as respostas vêm em forma de borboletas.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em seu primeiro livro, <em>Aqui onde passa um rio</em>, Betânia Noll traz à baila elementos da natureza — o rio, a mata, os pássaros — para tratar de sentimentos intempestivos, mas seus versos não se limitam a isso. Entre poemas com passagens como “cada dia dói por dois” e “eu sou uma casa pegando fogo”, a autora utiliza um eu lírico saudosista e metalinguístico para articular uma relação com a escrita que tende à fuga e ao refúgio, fazendo-o confessar, ainda, que quer, desesperadamente, ser outro alguém. Esse outro eu, idealizado em seu livro de estreia, é quem parece escrever os poemas da segunda entrada na bibliografia da escritora, o caloroso <em>Até mesmo quando minhas pernas enfraquecem</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste livro, a poetisa nos convida a dançar exaltadamente a qualquer momento do dia, a andar de bicicleta em uma noite boêmia e apaixonada e a nos sentir em casa nas mais diversas e adversas circunstâncias. Nele, o amor-próprio, o amor pelo outro e as muitas paixões distribuídas em seus quase 40 poemas nos guiam por um álbum repleto de momentos que nos fazem refletir sobre aceitação e resignação. Essas reflexões, que nos levam aos lugares mais aconchegantes do passado, do presente e, esperançosamente, do futuro, só são possíveis graças à escrita potente e sensível da autora, como nos versos “A vida ficando mais doce,/a gente pegando o jeito das coisas/e as coisas pegando o jeito da gente”.</p>
<p style="text-align: justify;">A dança em <em>Até mesmo quando minhas pernas enfraquecem</em>, inclusive, consigo e com outros, é um elemento central no que diz respeito à aceitação de si e da vida. Os membros estremecidos do título da obra dão lugar a passos certeiros em passagens como “Sou grata por cedo ter tocado/no precioso ato dança movimento/de mergulhar em mim/e me viver” e “Eu danço a dança cósmica do presente:/o amor chega a mim em suas infinitas formas/eu o encontro com meus infinitos sentidos”. Esses versos são, também, convites a serem aceitos quanto a estarmos mais destemidos e dispostos frente à existência, uma postura que parece ter funcionado para o eu lírico, em paz por agora.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando a leitura deste livro chegar ao fim, o leitor se pegará com um sorriso no canto da boca, pensativo sobre seus melhores dias — os que passaram e os que estão por vir.</p>
<p style="text-align: justify;">F.K. Bettiol</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Viver é desconforto</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/viver-e-desconforto</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 Nov 2024 13:05:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Meu sorriso quase escapou,
ficou preso num canto da boca.
Segurei, foi preciso.
Não quis ser mal interpretada.
Conservo minha conhecida versão
trancada.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A poesia de Jéssica Martins Araujo não poderia ter sido reunida sob um título melhor. Todos os poemas deste livro, do primeiro ao último, expressam, alguns mais e outros menos, a ideia de que viver é um desconforto, o que lembra, mais pela formatação do título do que pelo conteúdo e forma, o universo rosiano em que “viver é perigoso”, o que pode nos levar a pensar que, se é desconforto, é, também, perigoso e vice-versa.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos poemas aqui reunidos, tal desconforto assume a representação dos conflitos do eu-lírico e que se referem, por exemplo, aos relacionamentos sociais e amorosos e, supostamente, suas perdas, à vulnerabilidade resultante de circunstâncias de depressão e de ansiedade, à investida no artifício do metapoema, como formas de amparo ou salvaguarda de um desamparo, que, num sentido freudiano, é condição fundamental da existência humana. Tudo é desconforto na poesia de Jéssica, até quando se tem um eu-lírico que ri, como em “Poema da intimidação”.</p>
<p style="text-align: justify;">Os títulos que agrupam os poemas em seções são portas de entrada para a leitora e o leitor acessarem um universo poético que atravessa e/ou representa certos condicionamentos sociais, culturais e existenciais bastante característicos de um <em>modus vivendi</em> moderno com ênfase a doenças que acometem o corpo e a alma da mulher e do homem desse mundo em que vivemos. Não raro encontramos menção ao estômago, intestinos, à digestão, de um ponto de vista mais amplo, numa conceituação da vida humana como algo (in)digerível.</p>
<p style="text-align: justify;">A voz poética neste livro é, predominantemente, feminina e, em decorrência disso, seus temas centrais atravessam pautas reivindicadas política e socialmente, como a liberdade e o empoderamento, além de aspectos da intimidade, relacionados a sentimentos amorosos, perdas, vazios, solidão e, portanto, o desamparo de que tratei acima.</p>
<p style="text-align: justify;">Certos aspectos da dimensão humana, apresentados nos versos de Jéssica, remetem-nos, também, ao místico e ao transcendental. Por meio de um vocabulário comum à(ao) falante da língua portuguesa, o que torna sua poesia acessível, deleitável e visceral, a poeta nos convoca, nessa sua estreia na literatura, à apreciação de um mundo lírico, em que somos recepcionadas(os) com a seguinte provocação: “Minha língua, antes fria e perigosa, é um tecido esponjoso e quente”.</p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Analice Pereira</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Professora de Literatura do Instituto Federal da Paraíba</p>
<p style="text-align: justify;">Julho de 2024</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>A parte que falta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Oct 2024 17:36:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[As cartas mentem,
não existe destino.
Tudo é extravio.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em <em>A parte que falta, </em>José Antônio Cavalcanti, poeta já de longa travessia, alcança o nervo da poética de desabrigo, inconformidade e resistência desenvolvida há décadas. O <em>estar-aí</em> dos poetas em nosso tempo é luta permanente contra a vida avariada. Se a força destrutiva da humanidade em colapso alcança até a arte, é preciso criar uma estética de sobrevivência poética, uma “guerra impopular prolongada” aos agentes e mecanismos que anulam no ser humano a possibilidade de uma vida autêntica e plena.</p>
<p style="text-align: justify;">Em <em>Fluxo</em>, a primeira parte do livro, a ideia heraclitiana assume um trajeto próximo à autobiografia, mas logo percebemos o logro. “Tudo é invenção e intensidade”, o último verso de “Órbita em fuga”, revela a condição fugidia, imprecisa e imprevisível do poema. Se há uma recusa a rótulos e enquadramentos da existência — em vários momentos percebida como algo que escapa, residual e incompleto —, dialeticamente, ela também pode ser vista como a sucessão de fendas, intervalos, fugas e rupturas que formam a pele temporal do corpo de palavras.</p>
<p style="text-align: justify;">Já em <em>O corpo submerso da página</em>, a parte subsequente, o autor apresenta textos metapoéticos. O poema e a falta se entrelaçam amorosamente: “sempre falta / uma letra / sempre / uma letra cai / no mar”. Fundamental à melhor compreensão do universo estético do autor é a leitura do poema “O império da perda”.</p>
<p style="text-align: justify;">Entre Deus e o destino, prevalece a deriva. É ela que determina a <em>Vida extraviada</em>, o terceiro momento do livro. Aqui impera radical tensão acelerada pelo tempo inimigo de mínima permanência: “não nos banhamos na correnteza uma única vez / fluxo volátil / extinto antes das águas de março / o corpo foi o relâmpago / de um sonho de alma”. Sequer nos molhamos.</p>
<p style="text-align: justify;">O mal-estar do mundo contemporâneo se intensifica na penúltima parte: <em>A longa fila</em> <em>dos dias que não deram certo</em>. Os males do nosso século, a supressão da ideia de humanidade e a produção de sombras sentadas em sofás e ilhas de conforto, atendidas por autômatos plugados em ilusões da nova ordem mundial informam o poema “Monstros”.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Formas de sair</em> é a estação terminal dessas páginas de uma poesia de altíssima qualidade. Basta ler o belíssimo poema “Na orla” para corroborar essa afirmação. Ou observar a estrofe final de “Enlace amoroso”: “aqui o único lugar / onde há linguagem / o único lugar / onde a linguagem não deu certo / o único lugar / onde todas as línguas anunciam o fim / o único lugar / onde a morte e a linguagem / se abraçam”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Filippa Schiavo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Sozinho ruína a dois</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/sozinho-ruina-a-dois</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Oct 2024 11:59:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">me odeio todo segundo
que não estou odiando
todo o resto do mundo</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Livro que se desenha nesse arranjo tríptico: Sozinho. Ruína. A dois<em>.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Quando um livro em minha mão me chega, observo esse primeiro desenho. Suas partes. Capítulos. Formato. Como se distribui o que ali se arranja. E aqui esse tríptico. Uma mesma moldura dando contorno para o que se divide em três desenhos. Há ruína sozinho, do mesmo modo como há sozinho a dois e, nessa triangulação, corpo que se escancara na vertigem do poema em primeira pessoa. Escrever em primeira pessoa como quem escreve sobre um mundo. É sobre um eu e também é sobre qualquer um.</p>
<p style="text-align: justify;">Caminhar sem crivo moral pela densidade do afeto. Desde o início, talvez uma síntese do que se trata o livro “música triste quando estou triste/música triste quando feliz”. Afinei meu corpo nesse tom, e segui pelas páginas escritas de Fel. Rio de Janeiro. São Carlos. Uberlândia. Carro na estrada. Um mundo visto de um quarto que não se vê. É sobre o que se perde. Se despedaça. O exagero. Um corpo jogando numa roda viva de embriaguez. A constatação do limite. Constatar o limite: ruína. Ou será que a ruína é sobre nunca se constatar o limite? Ou talvez melhor perguntar, há mesmo isso que se chama de limite? De qualquer modo: ruína.</p>
<p style="text-align: justify;">Drummond. Pessoa. Caetano. Buarque. “Meet me in the bathroom”. E o antigo se encontra com o novo pós-anos 2000 em um banheiro qualquer da vida de um junkie uberlandense. Strokes tocando ao fundo. Um montão de gente passando. Vozes vozes. Muitas vozes. Eu também estava lá. E vi tanta gente conhecida.</p>
<p style="text-align: justify;">E por falar em vozes. Estar a dois é de fato polifonia de vozes. A dois sozinho. A dois ruína. “mergulha em mim/ficarei fundo pra te caber/e raso pra te dar pé”. O amor, essa membrana fina que confunde um eu no mergulho em outro. A dois e entregue. A dois e inseguro. A dois e tantos erros. A dois e a alegria plena tão forte tão frágil. Talvez sobre o amor, a pista lançada quando sozinho seja quase mantra:</p>
<p>“o que é real não é sintoma</p>
<p>embora seja</p>
<p>real o sintoma</p>
<p>já sei também</p>
<p>a essa hora</p>
<p>que não dou pra vida</p>
<p>o que ela toma</p>
<p>é dela de direito”</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Diogo Rezende</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Não quereis ser pornográficos?</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/nao-quereis-ser-pornograficos</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Oct 2024 11:54:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">Cerveja no copo e um colar de flores ornando o pescoço
Na casa quieta, Carmen Miranda é nostalgia
A noite tem promessas
Que a solidão não pode cumprir
Um samba acompanha os meus pensamentos
E uma esperança tímida tamborila em meu peito</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Os poemas deste livro germinaram no mais mortífero período deste mal-começado século XXI. São textos sobre amores marginais que teimam em brotar, assim como brotam as flores drummondianas, as flores feias e as flores horizontais. Carregam inspirações vindas de Luz del Fuego, Madame Satã, Herbert Daniel, Al Parker, Pasolini e outras figuras que foram camufladas no anonimato e codinome beija-flor e, de forma enevoada, sopram variadas referências. Talvez, enquanto leia esses versos, você veja seu próprio rosto no rosto de um outro. Nesses poemas habitam signos de desejos e outras mil intensidades, que podem ser experimentados pelo corpo, que é tudo, inclusive alma. É um livro festivamente triste. Foi escrito com uma devoção religiosa, mas rigorosamente desamparado de transcendências. Foi feito para os que ladram para o nada e para o possível de tudo. Feito sobretudo para os que querem lutar contra preconceitos e provar o doce além do amargo. Poemas que são como chamas que traduzem criação e aniquilamento. Celebram a vida a despeito de suas tristezas e saboreiam essa fortuita chance com o compromisso de não se negar o direito do fracasso e o risco da dor. Estas páginas exalam o perfume de um materialismo erótico. É um livro sobre dizer adeus e estar só. Não é um livro fácil, porque deflora a beleza das coisas tristes e propõe à vida a vida.</p>
<p><strong>Fernanda Mendes </strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Observatório</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/observatorio</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Oct 2024 09:18:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Quando tenho dificuldade em adormecer,
conto os dentes com a ponta da língua
Como quem conta carneiros,
recito em silêncio um, dois...
Conto o espaço vazio dos sisos
Perco-me à frente, nos incisivos, e tenho de recomeçar
Há noites em que adormeço com o tédio,
há noites em que me demoro mais
Sinto a aresta do canino esquerdo e volto a senti-la,
vez após vez, saboreando a sua letalidade
Imagino-me a rasgar carne, primitiva
A defender-me de um agressor
Avalio a força que teria de fazer
A eficácia que teria ou não
As marcas que ao menos deixaria na carne alheia enquanto a minha perdia a vida
Isto quando tenho dificuldade em adormecer, claro.

(<em>Adormecer</em>, página 27)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Neste Observatório, como noutras viagens narrativas de Rita Canas Mendes, é preciso ir com cautela. A sua escrita é metódica e ludibriosa. Entramos neste livro de forma imperturbável, conduzidos por narrativas curtas de palavras suaves, com aquele sentido de humor despudorado, aparentemente ingénuo, que traz à ideia um dia de sol com um cocktail junto à piscina. Mas, de súbito, as luzes apagam-se. O ritmo cardíaco acelera e tateamos no escuro um cadáver aberto. Sem darmos por isso, já derrapámos e embatemos nesse inequívoco acidente de crueza e jugulares expostas.<br />
Se, num primeiro momento, achamos que deveríamos ter evitado o impacto, a verdade é que damos por nós agarrados à adrenalina de não querer parar de ver até ao fim — os finais sucedem-se e são curtos, em aberto. Como em qualquer micro-conto que nos arrebata, estendem-se em ecos de um futuro indeterminado.<br />
Nesta viagem ao centro da terra, qual Júlio Verne que se perdeu pelo caminho, descobre-se o inferno, que para nossa surpresa nos traz de tudo, em iguais doses de candura e de crueldade. Perceber, como Rita Canas Mendes escreve, que «até Deus fica sem imaginação, às vezes», conduz-nos ao lugar do precipício; o último reduto de fundamentos como a «compaixão amorosa», onde entendemos, claramente, que «Estamos aqui / e não estamos».<br />
Tal como a nossa voyeur, que participa ruidosamente em silêncio, também nós nos alimentamos de tudo o que queremos ver e, simultaneamente, engolimos em seco depois de tudo aquilo que não queríamos ter sabido.<br />
Entre grãos de arroz, marinheiros de água benta, suicídios falhados e a ideia tão esquecida de que o animal já teve alma, reside neste Observatório uma possível ideia de Humanidade — e talvez os detalhes, um dia, nos redimam.</p>
<p><strong>Francisca Camelo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Relato inverídico da tua morte</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 19 Oct 2024 14:35:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Na noite em que está só &#38; nas manhãs povoadas de corpos.
O som sem fim do automóvel, o pio de algumas aves, três.
De cada lado do rio haverá mais e mais casas, pintadas de azul-
-claro e amarelo desbotado, sem proporção alguma, com paredes
grossas.
Uma, das cabeças do cão.
Obtém-se com a idade adulta, não explodam as pétalas, encurta
a angústia do teu labirinto.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Aqui há um poeta. E este seu livro, <em>Relato inverídico da tua morte</em>, é um acontecimento que me deixa exultante. A poesia há que conspirar em igual medida com a beleza e com o terrível, e, entre uma e outra coisa, a poética de Ivon Rabelo transita.</p>
<p style="text-align: justify;">Poderia falar do rigor da construção formal ou da elegância e espanto que alimentam as imagens que engendra, como o “liso cetim da indeterminação”, do poema “Ma’at”, ou como os três irmãos que envelhecem e são tidos como canecas com e sem tampa, de “Nós, Abjetos”. Mas escolho falar deste livro como o desdobramento sensível de um olhar permanentemente criando/recriando o mundo, um olhar que, como a agulha perfurando o tecido, conduz a linha e, assim, dota de significados outros o novo mundo que vai surgindo. Esse olhar-agulha (aqui brinco com a justaposição, método caro ao poeta) não apenas reclama esse mundo, mas dele se apossa com propriedade.</p>
<p style="text-align: justify;">E eis que temos um artefato poético continente da volatilidade da vida e dos afetos, da carne e do espírito desejantes e ainda do diálogo com o sagrado e com outros poetas, artistas e filósofos. Mundo arquitetado com o apuro da justa medida, que se transforma em outros como sói ser a algo vivo. Livro do Mundo arquitetado sobre um vazio que é paradoxalmente prenhe de possibilidades.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, estão contidas aqui as seguintes dobras/vincos: “Terço”, poema que abre o livro à maneira de um prólogo, mas que pode ser lido como convite a uma contemplação do sagrado sem a ilusão de epifania; <em>Mutação </em>ou<em> O Vazio Provocado</em>, percurso construído em oposições, duplicidades não exatamente coincidentes, pluralidades trepidantes como um certo “eu/pássaro/leopardo/salamandra”; <em>Tradição </em>ou<em> O Vazio Continuado</em>, no qual a voz poética aponta certa genealogia, dialogando com nomes que vão de Malcolm de Chazal, escritor mauritano que encantou W. H. Auden por sua poesia simultaneamente aforismática e inventiva sobre seres e coisas, ao pensador da potência do erótico Georges Bataille; e, finalmente, <em>Escrevência </em>ou<em> O Vazio Vislumbrado</em> no qual grandes nomes da literatura e da arte são postos em diálogos que atravessam os limites do tempo, da morte e quaisquer outros: leia-se o belíssimo “De Bob Dylan para Zabé da Loca<em> (antiode)</em>”.</p>
<p style="text-align: justify;">Finalmente, celebro porque há muito conheço a poesia de Ivon Rabelo, porque desses encontros raros deu-se que, há décadas, somos mais que amigos, interlocutores. E exulto porque, com esta publicação pela Urutau, o grande público terá a oportunidade de conhecer sua elegante e preciosa poesia.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Micheliny Verunschk </strong>é escritora.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Nosso bloco há de sair</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 19 Oct 2024 14:26:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">feito numa checklist
já não assinalo o passado que me sufoca
ou o presente que me devora
rejeito agora o futuro que me paralisa
das ansiedades que me traçam
transbordam algumas urgências:
inventar sutilmente o meu próprio tempo
tornar a cronologia espécie de mito
dançar xote pela madrugada</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em sua segunda obra, Manuela Teteo reafirma o compromisso com uma poética fincada na materialidade: pelo chão da Lapa, da Candelária a Copacabana, do Porto ao Catete, pelas ruas de Pendotiba e do Ingá. O que reside fora de si, a cidade e a civilização, coexiste com um corpo-território que não se amansa, indomesticável, “para tornar as cicatrizes cartografia/ é preciso urbanizar a selvageria com as próprias mãos”. Em <em>Nosso bloco há de sair</em> festejamos, suamos e sangramos o Rio de Janeiro junto à poeta. Mas não só.</p>
<p style="text-align: justify;">Como no carnaval, esse livro subverte a ordem cotidiana para “inventar sutilmente o meu próprio tempo/ tornar a cronologia espécie de mito/ dançar xote pela madrugada”. Debochada e destemida, a voz poética ama radicalmente a vida e tem “os dentes capazes de devorar o mundo”. Se não é convidada para a festa, ela cria a própria celebração da incompletude, do charme medíocre de quem reluz quando apaga, daquilo que é item de colecionador raríssimo com avarias e não encontra comprador.</p>
<p style="text-align: justify;">Filha de uma linhagem insubmissa, Manuela desestabiliza as dualidades, reorganiza as noções de sagrado e profano, “há pouco no mundo tão sagrado/ quanto amar uma mulher”, recusa o paraíso, zomba do inferno e, em oposição à ideia de céu, prefere o fundo do mar. Estar no mundo é um jogo, uma festa e um ritual. É verdade que existe a carne viva, “eu nunca soube caber/ eu nunca coube”. E também o contra-ataque, “estamos deslocando ao mundo com um ódio doce/ rasgando as órbitas do planeta para que nos caibam”.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos chega pulsante esse magnetismo da experiência e da autonomia, “quero experimentar a vida arisca entre os lábios/ como fruta indomável que busco do pé”, “estou viva, estou viva/ sou minha e estou viva”, esfoliando “sempre entre a fricção &amp; o desejo”.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma camada de magia encobre os poemas com suas cartas de tarô, baralhos ciganos, ervas maceradas e espíritos fundadores do mundo. Também nas transmutações em bicho, em mulher-ilha-chuvosa, mulher-pequeno-pedaço-de-mundo, rejeita a hegemonia civilizatória e abraça o que há de mais originário e selvagem em si. Manuela comprova o equívoco de quem pensa não caber ternura na rebeldia. Torno-me agora as palavras deste livro e “peço que, meu bem, sirva-se com as mãos/ peço que, meu bem, leve-me à boca”.</p>
<p><strong>Roberta Freire</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Quente adeus</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 19 Oct 2024 14:10:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span class="fontstyle0">páginas pretas
diário em luto
soam trombetas</span></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span class="fontstyle0">Sobre as engrenagens</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="fontstyle0"><br />
</span><span class="fontstyle2">Poesia que bate do lado de fora: na cidade, entre objetos perdidos; um dente no prato cuspido, o coração nas mãos ou o amante adormecido, à espera, com um buquê de flores — natureza morta no meio do dia. Entre levezas juvenis e sotaques de bem-dizeres. Máquina do coração do lado de fora, onde não tem palavra.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span class="fontstyle2"><br />
</span></strong><span class="fontstyle0"><strong>Flávia Albergaria Raveli</strong><br />
</span></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Máscaras que caem do teto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 19 Oct 2024 13:18:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A gente se escora
na tentativa de melhora
e se apavora
com a malícia da rotina
que nos tira
a força
as últimas gotas
de suspiro e alívio
que a gente mantém
para se preservar vivo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>peça licença e adentre as matas pernambucanas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>se este livro tivesse cheiro, dava pra sentir cachimbo,</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>porra,</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>loló,</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>melaço e</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>abraço de uma mãe que te ama.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">nestas páginas, que sugerem um cair de nossas máscaras em queda livre do teto, há sempre a possibilidade de que alguma dessas que cai nos sirva muito bem. difícil não sentir acomodada na gente uma destas máscaras que nada escondem, só revelam.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">vivemos numa realidade em que bauman, que nos fala dos amores líquidos, coexiste enquanto bell hooks nos fala da construção de uma ética amorosa. percebe a confusão? as palavras de <em>máscaras que caem do teto</em> nos confrontam a encontrar esse ponto de equilíbrio quando, muitas vezes, o tesão nos borra o limite de toda essa pulsão de vida.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">dividido em 4 partes, com poesias intensas e palavras delicadamente colocadas em um motim sensorial, ele nos deixa um alerta: não acreditem, o poeta mente.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">em “fantasia”, acompanhamos a rebeldia de quem sonha com aceitação, com um amor tranquilo e safado e com domingos livres de uma angústia neurótica sem nome. há um convite implícito a vesti-la. há um chamado a experimentar tudo que puder, não há paranóia que consiga prever a delícia de se entregar aos prazeres das coisas não ditas, mas sentidas.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">dessa corda bamba entre imaginário e real surgem breves “14 tuítes”. complexos, curtos e explícitos. aqui não há esconderijos. recife, drogas e ansiedade se misturam quase que instantaneamente e te entregam uma larica textual pronta pra te saciar.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">agora saciadas, vem a sede depois de se ter bem bebido. temos mais! suas “pulsões” inquietantes, aproveitadoras do prazer negado por anos de homofobia, fazem com que você sinta esta bicha escritora gritando de desejo. toda nudez é permitida e todo tesão parece pouco. pica, bunda, língua, cunhão. não há pudor. há uma festa. nela estamos derretendo e o cio nos consumindo.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">daí, o momento do primeiro trago de cigarro após uma bela gozada, onde hibson nos conduz ao interior “do interior”. uma viagem deliciosa pelo mundo que o construiu, pelas relações que atestaram sua ternura, pelas mulheres que o fizeram doce e pelas ausências que o mantiveram presente. um labirinto emocional que parece fruto dessa modernidade tão apressada. não esqueçamos que há infernos em que a saída é atravessando, há silêncios que não se resolvem com gritos e há abraços que nos erguem do chão.</p>
<p style="text-align: justify;">tenho o privilégio de apresentar a primeira obra do meu outro coração no mundo. sinta ele bater tão perto. dentro de você.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo da Silva</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Águas oníricas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Oct 2024 12:05:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Desisto das palavras por breves instantes
E atemporais circunstâncias mórbidas
Bebo o suco de meu hálito
E sozinha pelos cômodos de pensamentos
Tão meus e tão não eu
Sinto que não devo nada a mim.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Águas oníricas</em> é uma obra poética que transcende os limites da linguagem comum, mergulhando profundamente nas correntes misteriosas do inconsciente humano. Cada poema reflete as emoções mais íntimas e as reflexões mais profundas da autora, criando uma paisagem literária onde sonho e realidade se entrelaçam.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde o início, com “Diagnóstico”, somos confrontados com a ideia de que a verdadeira essência da poesia pode ser sufocada pela tentativa de patologizar as características únicas do indivíduo. A autora resiste à conformidade e ao controle, celebrando a liberdade da mente e da expressão criativa.</p>
<p style="text-align: justify;">Os aforismos que pontuam a obra, como “O silêncio é uma erva-doce” e “Sem o mistério a verdade não existe”, são momentos de pausa que nos convidam a uma reflexão mais profunda sobre a vida e a existência. Eles servem como lembretes de que há uma riqueza imensa nas pequenas coisas e no não dito, capturando a essência da experiência humana em poucas palavras.</p>
<p style="text-align: justify;">Em “Paisagens próximas” e “Deteriorando”, a vulnerabilidade e a introspecção são exploradas com uma honestidade crua. A autora nos guia por cenários de luz e sombra, onde a fraqueza e a autossabotagem se revelam.</p>
<p style="text-align: justify;">“Felina” e “00 horas am” expressam a essência selvagem e sensual da autora. A imagem da mulher-gato, simultaneamente dócil e feroz, se entrelaça com a noite insone na qual a autora se reinventa e explora sua identidade. Há uma dualidade constante entre o dia e a noite e entre o controle e a liberdade que permeiam toda a obra.</p>
<p style="text-align: justify;">Os poemas “Encantamento” e “Selenofilia” nos transportam para um universo de fascínio e enigma. A relação da autora com a natureza e os astros é quase mística, uma dança entre o real e o onírico que nos faz questionar nossa própria conexão com o mundo ao nosso redor.</p>
<p style="text-align: justify;">Em “Pessimismo” e “Taciturna”, a melancolia e a apatia são exploradas com uma profundidade tocante. Os dias nublados e as noites que demoram a cair são metáforas para a estagnação e o peso da existência.</p>
<p style="text-align: justify;">Sabrina Morais revela a beleza da impermanência e da espontaneidade, nos convidando a abraçar o caos e a incerteza, e a encontrar poesia nas oscilações da vida. Convoca a ouvir os sonhos enquanto o corpo está desperto.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Águas oníricas</em> desafia a categorização e nos convida a navegar por versos molhados de ironia e solitude, cotidiano e cenários imaginários, música e sonhos, em que cada poesia é um reflexo da alma inquieta e criativa da autora.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Viviane Siade</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Partida</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/partida</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Sep 2024 13:01:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">Respira e se concentra no agora.
No agora, menina, no agora.
O agora sou só eu de pijama nessa cama,
o agora não tem o calor do teu abraço
e nem o som estranho da sua risada.
O agora é vazio.
Mas eu respiro.</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>para ler Pamela Zacharias, é preciso entender algo sobre distâncias.</p>
<p>sobre longas caminhadas.</p>
<p>sobre o silêncio que surge logo após o gozo e a tormenta.</p>
<p>em <em>Partida</em> ficou um pouco de mim quando o li.</p>
<p>e ali, um pedaço meu deixei sem hesitar e assim o faria de novo e mais uma vez.</p>
<p>Pamela nos convida ao mergulho abissal com sua poesia,</p>
<p>sussurra nos nossos ouvidos os cantos noturnos das sábias, das loucas, das deusas e das putas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>“Eu apaguei.</p>
<p>Mas a pressão do lápis</p>
<p>marcou a folha, e,</p>
<p>se eu olho com cuidado,</p>
<p>tudo ainda está lá.”</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>sim, Pamela. sigo em tuas páginas.</p>
<p>todas nós seguimos.</p>
<p>obrigada pela estrada.</p>
<p>as lonjuras de <em>Partida</em> têm a pausa do suspiro do encontro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Gabriela Guinatti</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Desvaneço na trilha da renúncia</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/desvaneco-na-trilha-da-renuncia</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Sep 2024 12:36:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Resistir a um buraco:

caindo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A morte do poeta é uma realidade. Drummond dedicou o poema “Desligamento do poeta” a Manuel Bandeira, falecido em 1968. O mineiro ilustra o sentimento da perda do amigo, que recolhera seu arsenal de sons e signos rumo ao desconhecido — o absoluto do não ser. Nas linhas deste livro, porém, Ricardo não morre de fato, mas nos conduz pelo caminho do seu deixar-de-ser. O autor percorre a paisagem com um olhar atento, e conjura um mosaico que é produto de opostos que se chocam: sólido e gasoso, luz e sombra, verdade e mentira.</p>
<p style="text-align: justify;">Sob o manto do seu tempo, o conjunto de 44 poemas reflete a fatalidade do antropoceno. O espaço urbano e seus símbolos carregam o peso de uma sociedade decadente, da qual Ricardo tenta se abster. Ele encara o mundo, fecha os olhos e não compra o discurso. Por outro lado, a geografia natural e seus elementos fazem sentir a vida, e o autor se vê integrado a uma faca de dois gumes — ainda que seja iminente a ruína, sempre venta, ora na cidade, ora dentro de si.</p>
<p style="text-align: justify;">Diferente de Drummond, que usa do poema para celebrar alguém ausente do próprio legado, o autor quer sumir nas entrelinhas da estrofe, na parafernália da sua criação. Os ritmos regulares, as frases simétricas e a estrutura cíclica: ainda que o eu-lírico se faça presente, uma força impessoal parece tomar conta das páginas. O desligamento de Ricardo ocorre em pleno ar, no fôlego das palavras, enquanto desvanece para um lugar abstrato que (sobre)vive além do horizonte melancólico. A morte do poeta também é fantasia.</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Desabrigo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/desabrigo</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Sep 2024 16:48:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[um mundo que se pudesse

desabaria

uma órbita sonolenta

que se desdobra do nada

&#160;

neste momento

parece tão distante

aquela completude

solitária da noite]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A poesia deste livro de Anielson Ribeiro é um rastro que se faz “em direção ao chão onde piso e sou”. Você é convidado a segui-lo, mas saiba, desde agora, que nem o poeta nem o leitor chegarão lá. Visto por um prisma cartográfico, <em>desabrigo</em> trata dessa condição que enreda o homem contemporâneo seja ele quem for, nacional ou estrangeiro, nômade ou sedentário: a incômoda sensação de nunca estar em casa. Se William Carlos Williams, em <em>Paterson</em>, procurou falar de uma cidade como “alguma coisa mais perto de casa”, aqui Anielson fala da casa como cidade e da cidade como casa, fazendo implicar nesse jogo o sentido de uma cidadania nunca alcançada.</p>
<p style="text-align: justify;">A sensação de exílio e desamparo percorre o espaço-tempo deste conjunto de poemas. Não se escapa da solidão do aqui-agora nem da incerteza e insegurança em relação ao presente e ao futuro: “e nosso futuro jaz perdido em lugar-nenhum”; “quando tudo isso acabar…/ainda não saberei nomear minha época”; “sinto que estou numa cela/do tamanho da europa”.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas a angústia maior, nestes poemas, talvez seja a do forasteiro em sua própria terra. Um desabrigado que viveu aquela experiência referida por Walter Benjamin: “há uma coisa que não tem reparação possível: ter deixado passar a oportunidade de fugir da casa dos pais”. Para onde ir? Alguns poemas sugerem a infância como única casa habitável. Mas ela, claro, não pode ser recuperada. Ainda assim, a infância reaparece, e, em determinado momento, o poeta é salvo pelo “barulho/de crianças num sábado de manhã”.</p>
<p style="text-align: justify;">Persiste, porém, um mundo ou uma civilização que parece não aprender com seus erros, que não avança: “berlim continua dividida”. Frente a essa dura realidade, mesmo quando o poeta revela algum momento de otimismo, trata-se de um otimismo marcado pela ironia, como no poema “agora levante seus olhos”. Porém, diante de um cenário global tão pessimista, mais do que atacar os infortúnios da atual condição humana, me parece que o poeta pretende mesmo é defender “a liberdade de mudar de céu”, como queria Robert Desnos. Pois, “há sempre brechas/toda estrutura é constituída também com falhas/até mesmo a sintaxe, a alegria”. Talvez seja possível encontrar alguma felicidade, mesmo nas cidades. Talvez em Juazeiro ou Petrolina. Além disso, se “a linguagem é a casa do Ser”, como setencia Heidegger, citado numa epígrafe, Anielson Ribeiro nos faz pensar que talvez a poesia seja o abrigo que nos resta.</p>
<p><strong>Eleazar Carrias</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>O outro: poema</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-outro-poema</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Sep 2024 17:33:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ei-lo,
minúsculo e invencível:
o poema.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Este livro surgiu de um retorno ao poema. Após um período considerável sem escrever, comecei o exercício de escrever todos os dias, sem saber muito bem para onde ir. Assim, nos idos de março e abril de 2023, as formas do livro foram se revelando dessa prática.</p>
<p style="text-align: justify;">Rapidamente ele se mostrou como um exercício da busca do Outro, do próximo, o que por si só também se desmembrou em três vertentes. “O Outro: poema”, que o nomeia, é o encontro com o texto em si, ou a percepção da atividade poética como essa tentativa de captura do próximo verso, que será sempre melhor que o atual. “Outros: incêndios” é o encontro com o outro igual e tão diferente no amor, na família, as relações em que o outro é o produto da combustão do “eu” comburente com o “outro”, combustível, o que pode queimar em desejo ou destruição. Por fim, “Outros: naufrágios” é a água que apaga o fogo, mas também revela formas e caminhos. A água é a imagem espelhada do Outro em que me vejo, ou seja, o seu ideal baseado na minha perspectiva, que se desfaz no mergulho. Como não sei nadar, a água é também o meu naufrágio, a minha tontura e o meu impossível. O outro: naufrágio é aqui a utopia, para onde ir.</p>
<p style="text-align: justify;">A primeira parte do livro, “<em>mise en place</em>”, é justamente esse preparo dos ingredientes e dessa forma sinuosa pela qual chego ao poema, muito derivada da topografia dos morros e pastos de onde vim e que muito habita meu imaginário e meu raciocínio em rodeios. Por isso, também, tantos espaços entre as palavras, tantos itálicos, na tentativa de colocar cada ingrediente na sua ordem e posição ideal para que crie a imagem sonora e o ritmo que projetei para a sua apresentação final no prato.</p>
<p style="text-align: justify;">A segunda parte permeia as combustões e explosões que surgem da relação com o Outro. Na relação com o Outro, como indivíduo, é onde o Eu se cria e se fragmenta. É no elemento primitivo da metamorfose da matéria, que é o fogo, que esse Eu se molda. Nessa parte incendiária, caminho pelos efeitos do Outro na concepção do indivíduo: Eu (lírico).</p>
<p style="text-align: justify;">Por fim, o navio precisa partir. A terceira parte é a apresentação desse produto aquoso e disforme do Outro, diante da água. A presença frágil desse Outro que nasceu, como nós nascemos tão frágeis do líquido que nos moldou. É uma elaboração cristalina final dessa turbulência que é nascer. Espero não ter notícias do naufrágio. <span style="color: #ffffff;">MICHELE FLORES</span></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>A história de uma busca</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Aug 2024 11:58:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[quem inventou
a dança
da vida
esqueceu-se
de ensinar-me
os passos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Paulo Zan é um escritor comprometido com seu ofício. Filósofo, mais do que atender ao chamado da Literatura, trocou votos com ela e desde então tem explorado todas e tantas possibilidades, passando pelo conto, carta e romance. Tudo isso apesar dos poucos anos de vida e de escrita ativa e, por assim dizer, séria, até desaguar neste objeto que o leitor agora tem em mãos. <em>Objeto</em> talvez seja palavra excessivamente dura, aspecto que não exprime o que levam as páginas a seguir. Independentes à forma com que se apresentam, os poemas aqui reunidos precisaram, acima de tudo, existir, e serem lidos. Os primeiros fazem pensar no talento do autor para a prosa, fio condutor dos versos; há personagens tão complexos que fazem pensar em como seria interessante a história desenvolvida em uma forma mais longa. Há, no entanto, também, os poemas mais curtos e supostamente simples, assertivos em seu minimalismo. Outros lembram anotações, pensamentos que, felizmente decidiu o autor, precisavam compor esta obra. É de se destacar, afinal, em especial, para aqueles que pela primeira vez leem Paulo Zan, que este se trata de um autor que não se preocupa em definir a si mesmo e ao seu trabalho. Paulo, acima de tudo e por tudo, escreve.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>E meu coração quebrado como o mar da Bahia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Aug 2024 15:41:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[sempre soube
que o mar faz chuá chuá
porque saudade dói
e é preciso gritar pra sarar]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O que acontece quando um sertanejo vai ao litoral?</p>
<p style="text-align: justify;">Decerto há o encantamento com a imensidão do mar, depois a busca por um porto. Este é o primeiro convite que <em>e meu coração quebrado como o mar da Bahia</em> nos faz. Mas junto ao chamado, que se divide em “mar” e “areia”, há também os avisos “inatravessável” e “impertencível”.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, Jonedsun demarca as rupturas, as partidas e rachaduras da sua poesia. Mergulhe, mas não espere travessia, tampouco ancoragem! Dentro do mar tem rio e esse viajante quer ser levado:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>me carregue com coração e tudo quebra         </em>    <em>mar</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">A liquidez aqui nos faz olhar pra dentro, pras fragilidades ou o oculto do ser. Ora reconhecemos as feras, ora a observamos de longe, para depois deixá-las na salmoura. O viajante toma nota das intercorrências, das faltas e despedidas. Ele se desbrava, com a mesma sagacidade em que Raul Seixas separa o meio do início e do fim. Assim, percorremos juntos a Bahia!</p>
<p style="text-align: justify;">Também divagamos nos becos, metrôs e desassossegos da pólis. O pé no chão é temperamental, tropical, vapor barato, feito Salvador. É pra infiltrar</p>
<p style="text-align: justify;"><em>as vigas os ladrilhos e esporadicamente habitar as fraturas dos lares desta cidade</em></p>
<p style="text-align: justify;">Ao ler a obra, atreva-se a estar sob a pele de um sertanejo que carrega a sua própria bagagem e quer se redescobrir nas ruas da cidade.</p>
<p><strong>Mariana Madelinn</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Um garoto de Haifa gira a palavra e outros poemas palestinos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Aug 2024 17:34:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span style="color: #ff0000;"><strong>edição bilíngue</strong></span>

(árabe-português)

THIAGO PONCE DE MORAES
[tradução]

Teria gostado de me deitar
e esperar por Sulamita
com os lírios-do-vale
os narcisos dos montes
e todas as outras flores
cujos nomes não sei
indiferentes à reprovação
dos filhos da minha mãe
ou à culpa
das filhas de Sião.

Mas os aviões voaram da Bíblia Sagrada
para dilacerar uma família
à beira-mar...

Onde você se deita ao meio-dia?
Em que assentamento você dorme
você que matou Sulamita?

(Sulamita, página 55)

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“Nunca houve nada em que eu acreditasse, mas se existir um deus, ele é o mesmo deus para mim e para o poeta palestino Najwan Darwish”<br />
Raúl Zurita</p>
<p>—</p>
<p>Najwan Darwish (Jerusalém, Palestina, 1978) é um dos principais poetas de língua árabe de sua geração, traduzido para mais de vinte línguas. E esta é a primeira vez que temos a chance de ler os seus poemas em português, colhidos de três dos seus livros publicados até aqui. Se não é uma antologia exaustiva, sem dúvida é uma consistente apresentação da força (ou ainda: do campo de forças) da poesia palestina contemporânea. Logo de cara, um assombro: “não há homem livre com quem eu não tenha parentesco, e não há uma única árvore ou nuvem à qual eu não seja devedor.”<br />
A tradução do poeta Thiago Ponce de Moraes que temos em mãos foi realizada na companhia do próprio Najwan Darwish, ao longo de mais de sete anos de trabalho, em que foram cotejadas muitas das traduções publicadas em outros cantos do mundo. Aliás, o livro é muito coerente com a trajetória de Thiago, que tem se destacado como um dos poetas mais interessados em criar relações multilaterais do Brasil com outros países, ao representar nosso país em diversos festivais internacionais de grande importância, e atuando como o coordenador brasileiro do World Poetry Movement.<br />
O encontro de Najwan Darwish e Thiago Ponce de Moraes é uma alegria e um presente para todos nós, leitores de língua portuguesa. Em um ano assombrado pelo genocídio, em que testemunhamos uma espécie de “solução final” para a destruição em massa de vidas e territórios da Palestina, a voz de Darwish traz notícias de um país ao qual não se tem acesso nos jornais ou nos livros de História. Sua poesia, como escreve Thiago, é uma força política na medida em que “apresenta a sua presença, acentuando o caráter daquilo que existe.” Ou ainda, quando traduz as palavras de Darwish: “meu desprezo por sionistas não vai evitar que eu diga que eu fui um judeu expulso de Andaluzia, e que eu ainda teço sentidos a partir da luz daquele sol se pondo.”</p>
<p><strong>Marcelo Reis de Mello</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Memórias da carne, tato no encontro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Aug 2024 16:30:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[minha língua tem três idiomas:
no teu gozo, uma.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">antE não como mera contradição, também sem deixar de ser, no sentido em que a poesia de Rômulo Silva responde a um debate mas não se encerra nele. antE, não como detentora de uma verdade inaugural, mas assumindo a força criadora dos encontros. As antepoemas aqui reunidas não funcionam como um manual para a realização de outra pretendente norma, criam uma zona de afirmação aglutinadora de experiências que instauram a liberdade com a força do existir sem a licença do algoz. É uma Fortaleza que resiste sem pedir autorização e assim não caminha para legitimar sua existência perante a ameaça, impõe-se sobre a ameaça com a tranquilidade com que se anuncia. Joga com o mistério da desobediência! Não se faz pelo desejo de ser um código, mas pelo resguardo da multiplicação de códigos compromissados com a continuidade das vidas-ante. É encontro na penumbra que ilumina os gestos. A negação antes da disputa é uma afirmação radical do im-possível! Ainda no que pese os efeitos das violências constituintes do mundo, as antepoemas se multiplicam como forças geradoras, e é aí que reside a sua mais revolucionária possibilidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>tiago manguebixa</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>cientista social e escritora ensaísta</em></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Enquanto você passa</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/enquanto-voce-passa</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Aug 2024 16:15:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Eu e tua mãe vamos parir os ovos
se é o que falta no bolo
jorrar o leite
se é o que falta no bolo
fazer fermento das mãos
para que você cresça com vigor
e nos queime

— língua e pele —
na boca do fogão]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Este não é um livro de amor escrito aos suspiros.</p>
<p style="text-align: justify;">A poesia de Monique Portela traz um pouco de seu olhar de jornalista no ato de observar o que acontece <em>enquanto você passa</em>. Essa atenção voltada aos amores cotidianos, às suas expressões menos nobres e menos ornamentadas, fica evidente e saborosa em um bom tanto de metáforas caseiras: tem figo, tem pão, tem maçã, tem romã e tem amor cozido a fogo baixo levantando fervura.</p>
<p style="text-align: justify;">Sendo um livro sobre o amor, este é também um livro sobre relações, especialmente em sua segunda e terceira partes, quando a autora fala de homens e mulheres. Aí, então, passa a ser uma obra sobre gênero, poder, abusos, desatenção, distância, desejo, limites, disputas… ingredientes das tantas relações reais, ainda que indesejados.</p>
<p style="text-align: justify;">Para falar de amor é também importante saber escolher as palavras. Não podem vir muito certas, cheias de exatidão. Há que se ter espaço para dúvidas, há que se deixar uma porta aberta caso alguém queira sair ou mais alguém queira entrar. Neste ponto também a obra de Monique é rica, porque vai garimpando o vocabulário até achar a palavra que brilha. É divertido hesitar diante da polissemia de algumas de suas escolhas e olhar para os lados, sem saber exatamente qual caminho escolher.</p>
<p style="text-align: justify;">Este livro, composto por poemas semeados ao longo de dez anos e colhidos agora, é uma belíssima estreia da jovem escritora. Os que amam irrefletidamente talvez se afundem na profundeza de possibilidades do amor. Os mais atentos terão mais elementos para um sorriso de cumplicidade ou uma entusiasmada discordância.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>João Frey, </strong>jornalista</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Apele à pele</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/apele-a-pele</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Aug 2024 18:45:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[fais moi gémir pour toi
desde agora à noite,
até amanhã de manhã

fais moi gémir pour toi
durante a tarde,
no carro,
no chuveiro,
ao ler-te
ou ao ouvir-te falar

fais moi gémir pour toi
usa teu toque,
teu peso
e tua língua pra me explorar

fais moi gémir pour toi
e faz cada centímetro da minha pele
arrepiar

(f<em>ais moi gémir pour toi</em>, pág. 110)

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Pati Nakamura é uma desbravadora dos mares. Uma artista múltipla.<br />
Mulher, brasileira, amarela, formada em publicidade, trabalhou com marketing no Brasil e, já em terras lusas, teve a coragem de entender que tem alma de artista.<br />
Transitando pelas artes visuais com experimentações no papercutting e douramento, resolveu também navegar mais a fundo pelas águas da escrita, pra nossa sorte e pra ajudar a desinchar apertos e alegrias que se acumulavam no peito.<br />
Compreendeu então que todo e qualquer detalhe do mundo tem sua beleza, basta alguém enxergar isso. E é o que ela fez nessa obra, em que fotografava em tempo real seus sentimentos e os transcrevia em poesia, partilhando sob suas lentes o que via de sensível no seu entorno e seu interior, emoções que estão conosco a todo momento durante esse caminhar que chamamos de vida.<br />
De forma despretensiosa, partindo de um oceano de sensações e uma vontade gritante de exprimi-las é que se começa uma obra. E assim começou essa. Pode ser a lua cheia em leão, a beleza de um barquinho, o tesão ou a solidão. Tudo é poesia, basta querer! Afinal, como diria Pati Nakamura, “poesia é cura”!</p>
<p><strong>Pedro Passari</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Andar como as nuvens andam</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/andar-como-as-nuvens-andam</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Aug 2024 17:27:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Sabes bem que o longe
é o abismo
que a presença
é areia nas mãos
que os dias são todos mortais
sabes bem
que criaste um império
uma imensa catedral
perfumada e com luz
entro nela e por viver dela
brilham
os meus dias
depositas uma flor
no centro da minha falta
vagueio sem vê-la
esmago-a sem querer
sem conseguir dizer
qual flor.

(<em>Avô</em>, página 31)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Cúmulo, cumulus, é a nuvem que mais aparece nos desenhos de criança. É a nuvem mais nítida, almofadada, branca. Junto a essa almofada volante, no desenho de criança, há sempre uma casa cujo telhado é vizinho das nuvens. Essa casa deve ser a casa mais célebre do mundo — bilhões de crianças já a desenharam, vão desenhar e estão desenhando.<br />
Na poesia, essa casa matriz é Babel. Todos reconhecem sua existência, mas ninguém tem sua morada. Muitos escrevem sobre ela, mas sua aparência é sempre diferente. Ruína, castelo, floresta, cidade, água, ventre, amor, morte. Todas as palavras podiam ser casa em poesia. E é por isso que a casa de criança nunca se repete.<br />
Nesta poesia, essa casa é omnipresente, mas nunca igual. Ela é [&#8230;] a promessa<br />
casa<br />
a casa<br />
a casa e é, em simultâneo, o lar em chamas, a rua com nome de mulher em Mogi das Cruzes ou a guarida de uma avó. Essa casa tem [t]eto, chão, portas e janelas./Feijão no fogo, pão. E essa casa é também o espaço minúsculo onde desponta<br />
a maior das<br />
espécies de planta<br />
aquática de árvore<br />
atlântica<br />
explodindo em cachoeiras</p>
<p>Essa casa existe na realidade e não existe na realidade. Ela se comporta como nuvem. Tanto se contém num novelo de algodão como se torna em uma enchente cuja força só a poesia consegue suportar.</p>
<p><strong>Regina Morais</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Lições de francês</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/licoes-de-frances</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Jul 2024 13:07:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[a fumaça fica presa entre meus dois dedos primários
esta noite sonhei com a sujeira nas camas do hospital
eu deveria limpar sem constrangimento
afirmo meu batismo e isso pode ser o amor
ou pode ser a continuação do sonho
o princípio do sonho ou a sua base
tomo o desígnio e abro o toque
limpo as camas com perfeição
os meus dedos adulteram a cena
minha cara se transforma no vermelho]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Porto, dezembro de 2018.</p>
<p style="text-align: justify;">Izabela bebia mais um café, observando contrariada o punhado de folhas que eu recém jogara na mesa do escritório. Era o arquivo digitado com a reunião de todos os seus poemas, até então espalhados e negligenciados: o embrião deste livro. Não me parecia justa a ideia de ser privado o deleite poético frente à sua obra. A escrita que toca sua condição humana e sabe dizer sobre isso: “brigo com você pela náusea/brigo com você porque quero quebrar a engrenagem/brigo com você porque não quero quebrar a engrenagem”.</p>
<p style="text-align: justify;">O que intento fazer como apresentação deste é mostrar ao leitor que os escritos aqui publicados são um meio para chegar até a autora. A identificação da arte produzida com a pessoa de Izabela sempre me pareceu grandiosa e urgente de ser comunicada, porque sua vida é genuinamente um gesto estético. O que eu poderia fazer além de me comover com a verossimilhança? As notas de sua poesia — os tempos das esquinas, as paisagens inóspitas, a ternura e também a dureza — são as notas de seu espírito. Ambas têm cheiro de coragem, crueza e retidão.</p>
<p style="text-align: justify;">Belo é não encobrir a vida com dissimulações. Izabela possui dedos frágeis demais para tanger o real sem mediações, mas ainda assim o faz. Como deixa que o gozo escorra pela boca e se transforme em voz ativa? Como maneja olhar para o cansaço das horas e, justamente por isso, acredita na rotina? Como sempre imprime crianças a constranger generais? Por que não titubeia? Por que, quando desaba, produz força para ressurgir e levantar junto de si seus irmãos? E, o mais incompreensível, como opera a destruição de toda a vil moralidade dominante e, ao mesmo tempo, projeta sobre sua cabeça o imperativo categórico que comanda cada uma de suas ações?</p>
<p style="text-align: justify;">Outro dia, revisitando seus registros, escrevi: “Como se tivesse o mar nas mãos”. Mas o que isso poderia significar? Certamente algo sobre a liberdade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Isabelle Cruz</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Caminhei toda a água do meu corpo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/caminhei-toda-a-agua-do-meu-corpo</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Jul 2024 21:15:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[esta ruína também é minha
faço parte da espécie a acabar
antes do tempo com todas as coisas
inauguradas na certeza do fim
divididas entre as que resistem
e as que se precipitam à poeira
à semelhança de nossas células
que a diário partem sem despedida]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Relacionamentos compõem uma geografia própria. Geografia porosa que também se desenha em mapas. O que se lê nesta narrativa poética é o descobrir dessa geografia e o desenhar de seu mapa. Sem clichês, por vezes de forma desconcertantemente íntima, Jadson Rocha nos convida a entrar no espaço que só existe na fricção que é construir uma vida, mesmo que seja só um sopro.</p>
<p>A cidade, o planeta e o corpo representam aqui espaços que se fazem e desfazem a todo instante, numa dança de células e ruas, luzes e sombras, líquidos e asperezas, encontros e despedidas. <em>caminhei toda a </em><em>água do meu corpo</em> nos faz submergir na vastidão do espaço de uma história de amor, ainda que ela caiba em um apartamento, assim como as células que se desprendem de um corpo ao longo de uma semana podem caber no reservatório de um aspirador de pó. É que há tanto no que parece não ocupar espaço.</p>
<p>Caminhar seguindo os mapas aqui apresentados é descobrir que amar é também um ato extremamente solitário — pressupõe acompanhar o tempo de forma metódica, marcar, com precisão, as páginas do que se lê.<br />
Jadson Rocha dialoga com um outro ausente, chamado apenas de você, um nome oculto que se desdobra de mil formas na geografia íntima que olhamos como voyeurs. Quase parece que podemos tocar aqueles corpos e pedras que povoam os poemas delicados deste livro. Pura ilusão.</p>
<p><em>por descuido alguma frase curta</em></p>
<p>na entonação certa reivindicava</p>
<p>sua presença a meu lado</p>
<p>e de súbito pouco mais de mil quilômetros</p>
<p>assim suprimidos do mapa</p>
<p>ainda que meus interlocutores entendessem as palavras</p>
<p>—<em> elegemos para nossa língua justamente as mesmas palavras</em></p>
<p>da língua oficial deste país desencontrado —</p>
<p>conheciam as palavras mas ignoravam tanto</p>
<p>seu nome é um nome comum de homem</p>
<p>quando o chamo em voz alta soa para mim inconfundível</p>
<p>É desse descuido que surgem as frestas que nos permitem ver o inventário de miudezas que compõem o amor, o eu, a cidade e também o chão da cozinha. Este pequeno livro é ainda um guia para navegar o efêmero. Que sorte a nossa!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Anna Davison</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Amassando o pão que o diabo me deu</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Jul 2024 11:39:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[o que não sai pela palavra
sai pelos olhos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Amassando o pão que o diabo me deu</em> é o que acontece quando um monge budista é contratado pra fazer letras de rock. Ou, pelo contrário, quando levam um punk a um retiro de escrita. O que quero dizer é o seguinte: se por um lado a poesia da Camila Felix é concisa e limpa, por outro, seu assunto é a bagunça do coração de uma pessoa.</p>
<p style="text-align: justify;">Aqui vemos o amor em vários formatos. Do embrião do querer, tão carregado de expectativa, à carcaça de uma relação com a qual ninguém sabe o que fazer. Tudo embaralhado, sem contar uma mesma história mas dando pistas de várias. E temperado por um senso de humor, um espírito esportivo de quem entende que a dor faz parte do gozo e vice-versa. Como uma amiga que dá uma tragada funda de cigarro, te olha com todo o carinho do mundo e diz “é, gata”.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez concentrar tanta vivência em versos tão sucintos seja uma forma de cura — de si e dos outros. O que era uma massa amorfa de sentimentos e uma troca sem fim de mensagens se vertem num mesmo objeto mínimo e luminoso; uma sabedoria que se condensa em ferramenta e se passa adiante. Nesse sentido, um livro de poemas como esse é um serviço comunitário.</p>
<p style="text-align: justify;">Num poema sobre Adília Lopes, Rafael Mantovani diz que os versos dela são tão finos que quando ele tenta entrar, acaba chegando do outro lado. Sinto uma coisa parecida quando leio haicais do Bashô, tweets da Rita Lee e agora, posso acrescentar, poemas da Camila Felix.</p>
<p style="text-align: justify;">A palavra <em>desejo</em> tem quatro ocorrências nesse volume: duas delas são logo no começo e as outras, perto do fim. É como se o desejo fosse uma chave que abre e fecha a leitura, nosso companheiro ao longo das páginas, quem sabe até mesmo a farinha do tal pão que o diabo dá. Como pessoa desejante, me sinto contemplado e imagino que você, desejante que tem esse exemplar nas mãos, também tenha algo a encontrar por aqui.</p>
<p><strong>Pedro Cassel</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Geografia dos lugares-comuns</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Jul 2024 09:52:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Quando voltar do exílio, prometo
relembrar-te todos os lugares onde foste.
Dentro do meu peito, ocupaste por inteiro
o lugar do coração que, na partida,
se pôs do tamanho de uma semente.
Devo-te, por isso, a vida.
Quando voltar do exílio, espero
retomar a coragem de crescer
árvore com copa e frutos,
que nos dêem sombra e doçura às
memórias da tarde quente.
Quando voltar do exílio,
se alguma vez voltar do exílio,
porque voltar é, também,
uma espécie de asilo
da loucura que foi deixar-te.

(<em>Exílio</em>, página 33)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Coibir-me-ei de grandes biografias, mas eu fui editor. Ainda sou, vá. Mas mesmo editor, esse, eu já fui. As Quasi nasceram vai para 25 anos e viveram dez anos de sofreguidão, ânsia, fascínio, paixão. No fim desses dez anos, os erros meus, a má fortuna e o amor ardente colocaram um ponto final ao sonho. “Agora tenho maturidade para definições, e, no meu dicionário, primavera rima com desilusão.” Foi no outono, mas a metáfora serve bem.<br />
Desde aí tenho editados muitos e bons livros. Mas, primeiro na Babel e depois como consultor editorial, sempre com alguém ou alguma coisa a balizar as minhas decisões. E isto implica uma coisa: há sempre condicionantes para o que quero ou não publicar. Chama-se ser maior, talvez.<br />
Este pequeno preâmbulo serve bem de exemplo ao que aqui vão ler mal decidam — e bem — comprar o livro. (Podem parar a leitura da badana e ir pagar. Eu espero. Vale muito a pena, podem confiar.)<br />
Eu queria ter publicado este livro.<br />
Mas a minha primavera outonal é o ganho da Urutau, pelo menos isso. Tem, no seu catálogo, uma nova geografia — a dos lugares-comuns.<br />
Sim, a poesia voltou-se para o quotidiano ainda com mais premência do que há vinte anos, a altura em que lutas intestinas em hebdomadários tinham de um lado os sublimes e do outro os franciscanos. Mas este livro revolta-se de outra forma: com graça e saber.<br />
Veja-se o poema de onde tirei pretexto para estacionar o ano: “A primeira vez que me apaixonei por ti, arrombei tudo”. Pronto, está o caldo entornado. Mas isto de apaixonar, se for para contar vezes, não deve ser para contar também apaixonados? O poema comum tem um risco: ser gratuito. Os da Daniela Frias Guerra não são de graça (como bem sabe, agora que pagou o livro, caro leitor), mas têm graça e são pertinentes — porque têm uma ideia e um olhar novos para onde nos guiam.<br />
Já escrevi dezenas e dezenas de biografias para outras dezenas e dezenas de badanas. Mas esta é a minha primeira badana assinada. Tem um bocadinho de mim, narciso que sou. Mas que tenha bem mais da vontade de ler os poema da Daniela Frias Guerra.<br />
“Há um sítio onde as estações descaem/e o pigmento de outono nos sobe à boca.” Estava eu a sentir-me aconchegado na minha citada tristeza outonal quando leio: “É nesse sítio que o infinito, tão/perto, nos toca nos fios dos cabelos/e faz mais por nós do que um suspiro.” Afinal, é preciso deixar de poder editar com ânsia e sofreguidão para ser tocado pela possibilidade de nos associarmos com todo o nosso nome a um livro de que gostamos.</p>
<p><strong>Jorge Reis-Sá</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Volta para tua terra: não há abril sem imigrantes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jul 2024 14:54:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[alexandra lopes da cunha &#124; ana paula vulcão &#124; atija assane &#124; corina lozovan &#124; danielle baracho &#124; diego garcez &#124; duda las casas &#124; fernanda drummond &#124; florencia guzzetti &#124; gabriela rodrigues de oliveira barbosa &#124; gustavo freitas &#124; isabella faustino &#124; jean sartief &#124; lana ruff &#124; lucelina rosa &#124; luciana soares &#124; marcelo freitas gaspar &#124; márcia c. brito &#124; maria clara lima pinheiro &#124; marina campanatti &#124; marta fanti &#124; ozias filho &#124; shahd wadi &#124; tatiana betz &#124; taynnã santos &#124; tomásio costa &#124; alessandro allori &#124; betina juglair &#124; bruno molinero &#124; carla muhlhaus &#124; cia cruz &#124; dai rodrigues &#124; flávia six &#124; freda paranhos &#124; giovana chiconelli &#124; hannah bastos &#124; hilda de paulo &#124; javiera espinosa pizarro &#124; juliana garbayo &#124; naiana padial &#124; daniela lima &#124; jamila pereira &#124; raí ângelo

[organização]
manuella bezerra de melo &#38; wladimir vaz mourão

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Este é o nosso terceiro volume, que batizamos de Volta para tua terra: Não há abril sem imigrantes. Para ele, foram aprovados 43 autores distribuídos nos géneros poesia, prosa e ensaio, escritores naturais de 11 países diferentes. Entretanto, temos muito orgulho em dizer que, ao todo, a Volta para tua terra em seus três volumes alcançou 128 textos publicados de autoria de 105 escritores estrangeiros residentes em Portugal com origem em 15 países: São Tomé e Príncipe, Argentina, Palestina, Cabo Verde, Moçambique, Moldávia, Angola, Chile, Guiné-Bissau, Itália, Brasil, Guadalupe, Colômbia, Espanha e Israel.<br />
Seguimos neste labirinto que é a imigração, as divisões se entrecruzam, tentam nos confundir, sabemos que há um país por trás de todo esse concreto seco; ou encontraremos a saída ou agora, juntos, temos a força necessária para derrubar os muros. O que nós esperamos com isso? Disputar a memória, ocupar o campo simbólico, produzir outras subjetividades, lembrar ao futuro que estávamos aqui, que éramos homens, mulheres, pessoas trans ou não-binárias, gays e lésbicas, bissexuais ou assexuais, negros e negras, árabes e orientais, brancos, pardos ou indígenas, jovens ou velhos; trabalhadores das fábricas, da restauração, das obras, da cultura, das artes, e que estamos nas ruas, nas escolas, nas universidades, nos parques. Queremos alcançar o horizonte, queremos ver Portugal e queremos também que Portugal veja Portugal.</p>
<p><strong>Manuella Bezerra de Melo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Salmoura</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/salmoura</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jul 2024 14:15:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[montanhoso o horizonte circula
enlaçando o olhar
sobre a grande oferta das águas
descendo o rio hoje enterrado
ainda boiam as sacas
isoladas em lacres
logo ali
brilhando escuras noite abaixo
dormentes
no ontem inacabado]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Salmoura</em> vale-se da irredutibilidade das imagens em seus diferentes desdobramentos, seja por meio da metáfora da água, seja como reestruturação da lírica como gênero. A força da noção de jusante, que nomeia uma das seções, similar à correnteza, retoma a ideia de direção e da pujância da palavra e do poema, cujo sentido ultrapassa os limites da linguagem, sem dela prescindir na busca por um sentido último, alguma mínima fixidez. Num gesto de se colocar ao fora de si, a poeta retoma a tradição moderna da crise do sujeito no discurso da poesia e abre novos caminhos para os processos de subjetivação. Os poemas resgatam aquilo que Michel Collot destacou na poesia moderna como a desestabilização do binômio objetivismo <em>versus </em>subjetivismo e elaboram uma poética que associa experiências de negação do lirismo confessional a um antilirismo talvez próximo ao trabalho poético de Ponge, e, no caso brasileiro, de Cabral. Desse modo, a figuração de um <em>eu lírico</em> convencionado deságua na sua quase dissolução, não alcançada por sua barragem, o corpo, <em>topia implacável</em>: justamente por ser o instrumento de comunicação com o mundo. É apenas no corpo que o sujeito, ao se despojar de si, alcança abrir-se plenamente às experiências do mundo. Nessa matéria, o corpo, esse <em>eu mínimo</em>, residual e quase imanente que se acha nos poemas, enredado em seu ritual lírico de se dar novos inícios, batismos, resiste e repensa (a)os impasses da indiferença moral moderna, irmanando, talvez permutáveis, o <em>eu</em> e o outro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ana Karla Canarinos</strong></p>
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
					
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		<title>Kora (contos e poesia)</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/kora-contos-e-poesia</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Jul 2024 19:46:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Meu pai morreu
defendendo a nossa casa,
a nossa vila, o nosso país.
Também eu queria lutar.
Mas somos budistas.
Dizem que devemos ser
pacíficos e não-violentos.
Então, perdoei o meu inimigo.
Mas, às vezes, sinto
que traí meu pai.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>TIBETE NAS VEIAS</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">O poeta Tenzin Tsundue é de um lugar onde nunca esteve: o Tibete. Nasceu na Índia e cresceu ouvindo: “você não é daqui!”. Desde cedo, sentiu que a escrita seria sua forma de resistir e de sobreviver ao não pertencimento, seria a maneira mais eficaz de afirmar que seu lugar no mundo existe e que precisa ser reconhecido.</p>
<p style="text-align: justify;">É a partir desse posicionamento diante do mundo que Tsundue traz a lume <em>Kora</em>, um livro de poemas e relatos que perpassa seu sentimento de filho de expatriados. <em>Kora</em>, em tibetano, significa circum-ambulação, ou seja, prática ritualística em torno de locais e objetos sagrados do Tibete. E essa prática comparece e transparece em todo o livro, como instinto de preservação desses lugares e de seus artefatos místicos. <em>Kora</em>, o livro, é também assentamento da oralidade, ou seja, o entrelugar que registra a memória, e que clama por um Tibete livre.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Kora</em> foi lançado em 2002, e é o livro que, nas palavras do autor, “parece ter capturado a imaginação dos leitores. Inspirou filmes, peças de teatro, histórias em quadrinhos, e alguns dos conteúdos estão sendo ensinados em universidades na Índia e no exterior”. Foi traduzido para 15 idiomas e se tornou um <em>best-seller</em> da poesia.</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, Tsundue é um ativista inconteste, e não há como separar sua escritura da sua luta pela liberdade do lugar que pulsa em suas veias, e que permeia seu imaginário; mais que isso, que confere sentido à sua existência. Porque tudo está amalgamado e é o <em>leit-motiv</em> da sua vida, que é o mesmo que dizer, da sua obra — que busca despertar consciências e juntar forças para que a geografia da sua pátria seja reconhecida perante as outras nações.</p>
<p style="text-align: justify;">Agora, é fazer uma jornada pelas páginas de <em>Kora</em>, subir os andaimes de cada poema, as torres de cada história e, do ponto mais alto, ver Tenzin Tsundue estender o estandarte da liberdade e lutar para que seu povo possa “voltar para casa de novo”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>José Inácio Vieira de Melo</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Pedra Só, Chapada Diamantina,</p>
<p style="text-align: justify;">Bahia, maio de 2024</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Foi o tédio quem forjou em mim ossos pneumáticos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/foi-o-tedio-quem-forjou-em-mim-ossos-pneumaticos</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Jul 2024 16:05:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Como os ossos das aves, também os poemas de erre amaral são densos e plenos de ar. Pneumáticos. E, no entanto, ou justamente por isso, voam e nos servem de antídoto contra o tédio em tempos em que, como o nosso, ele parece imperar.
<strong>Júlio Machado</strong></p>
<p style="text-align: justify;">
Com o título que já é em si um poema, foi o tédio quem forjou em mim ossos pneumáticos é enigmático ao mesmo tempo que provocativo e nos leva a viagens filosóficas, estéticas, psicológicas, desde um voo poético que transita entre o céu contemplativo de brigadeiro e as turbulências do cotidiano, numa época em que buscamos nos livrar de mais uma queda (sanitária, política, moral...).
<strong>Wélcio de Toledo</strong></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Antes de ler este livro, convém observar o voo das aves. Convém ainda saber que, em média, a densidade dos ossos das aves é 1400 vezes maior que a do ar. Sei que há um paradoxo nessas recomendações, mas é disso mesmo que se trata. Para Guimarães Rosa, o paradoxo existe justamente para que possamos expressar aquilo para o qual não existem palavras, e erre amaral, leitor refinado de Rosa, sabe muito bem disso, desse terreno fecundo em que o paradoxo, ao quase se confundir com a metáfora, viceja a linguagem.</p>
<p style="text-align: justify;">É o que se vê nos poemas que compõem <em>foi o tédio quem forjou em mim ossos pneumáticos</em>, escritos com a rara sensibilidade de quem sabe que o infinito e o nada existem, embora se construam com as minudências do dia a dia. Veja-se, por exemplo, o longo verso final de “como esmigalhar um tenro amor”, composto ao modo de um repertório de cruéis miudezas capazes de minar, no chão de fábrica do amor, suas promessas de plenitude: “divida-o em pequenas porções e mastigue-o com os dentes do ódio e engula-o com a garganta do tédio.”</p>
<p style="text-align: justify;">Ora, a face mais premente do tédio é a sensação de que o tempo não passa, embora, para desespero dos que o descobrem, ele passe. Em “canção do amanhecer”, é o próprio tempo quem torna mais densa a experiência de cada dia: “meus amanheceres / são mais densos: / o tempo me obriga / a contá-los.”. Por vezes, essa experiência avassaladora do tempo é de tal magnitude que produz em nós uma espécie de ontologia das cinzas, uma constatação amarga de algo que foi e deixou de ser, sem sequer deixar memória, como o poeta nos anuncia no sintético “de fio a pavio”: “chega um momento em que as cinzas / são apenas cinzas, / e não a aquecida lembrança do fogo.”</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o poético responde. O que dorme dentro dos ossos das aves (pneumáticos, não?) é o <em>pneuma</em>, o sopro, o princípio a que os gregos atribuíam a própria existência da vida, como o verbo da tradição judaica. Aqui, a fala (imaginária?), o verbo rebelde que dá nome ao livro vem da voz de um pintassilgo aprisionado, que, no antológico “como engaiolar um passarinho cantador”, nos adverte: “não se espante, / no entanto, / se, por um breve momento, / percutir em seus tímpanos / o impossível canto de um bico fechado.”</p>
<p style="text-align: justify;">Como os ossos das aves, também os poemas de erre amaral são densos e plenos de ar. Pneumáticos. E, no entanto, ou justamente por isso, voam e nos servem de antídoto contra o tédio em tempos em que, como o nosso, ele parece imperar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Júlio Machado</strong></p>
<p>poeta</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Sapatilha 37</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/sapatilha-37</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jul 2024 14:10:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ilustrações/colagens por <a href="https://editoraurutau.com/autor/thay-kleinsorgen">Thay Kleinsorgen</a>

&#160;

muito errando aprendi
a falar em alto e bom sou
não sugira que eu me cale se
é berrando que cê aprende]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O convite que Luísa Zanni nos faz nesta obra é um mergulho na cultura lésbica. Mergulho que fazemos com nossos corpos, que são corpos, são lésbicos, e são <em>parques de diversões de emoções diversas</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Sapatilha trinta e sete</em> responde muitas das perguntas que não querem calar, para a maioria das pessoas que jamais se aventuraram no universo da lesbianidade: onde vivem? Do que se alimentam? Como se relacionam? O que fazem as lésbicas? É um livro que te desafia e apresenta uma ferramenta imprescindível para a autodescoberta: o olhar genuíno para dentro de si.</p>
<p style="text-align: justify;">Adrienne Rich (2010) nos lembra de que, onde quer que estejamos, somos exemplos de vida que recusam a estrutura patriarcal. Nós somos um erro do patriarcado, e este é um fardo difícil de carregar em um mundo que privilegia a linguagem masculinista de mundo; mas a poesia, diria Audre Lorde (2019), dá luz ao pensamento, nomeia ideias que não têm forma, mas estão prestes a nascer, já que já foram sentidas. A poesia é nossa coragem: nos salva, nos mete em contato com nossa ancestralidade, nos mostra o caminho para nosso próprio poder.</p>
<p style="text-align: justify;">Este livro é sobre esse percurso — uma publicação inteiramente sapatão, de afetos antigos, costumeiramente ocultos, fortalecidos e visivelmente sapatões, feito por mente, alma, mãos, língua e linguagem disruptivas, parte de uma tentativa sáfica e, portanto, histórica e criativa, de nos nomear, dar forma às nossas emoções e olhares, de produzir e tornar memória nosso jeito de enxergar o mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais um presente são as ilustrações e colagens feitas por Thay Kleinsorgen, coração sensível, arte brilhante e grande amiga de Zanni, que pode capturar com tanta destreza o espírito incendiário dos textos irremediavelmente poéticos contidos aqui.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Sapatilha trinta e sete</em> é um alento, um lembrete da sobrevivência da rebeldia, e da resiliência de nossos <em>cansaços zombeteiros</em>. É também um chamado à dança, à fúria, à auto-observação e à celebração de nossos corpos; é, principalmente, uma homenagem ao sensível, <em>que sempre vence</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Natália Kleinsorgen</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>O céu era uma nata pingando</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-ceu-era-uma-nata-pingando</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jul 2024 14:03:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[meu amor há sim
mofo e água pra raspar
pelas omoplatas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Uma das entradas para visualizar os muitos gestos da poesia brasileira contemporânea é entender não só como os autores trabalham a linguagem, mas também quais referências são convocadas para a criação de determinada obra. Em <em>o céu era uma nata pingando</em>, livro de estreia de Pedro Willgner, o diálogo com diversas vozes poéticas e outras expressões artísticas e filosóficas nos mostra um autor atento a produções recentes, não apenas no intuito de reverenciá-las, mas de instaurar uma diferença a partir de recortes singulares. Quer na escolha das epígrafes de João Cabral de Melo Neto e Maria Lucia Alvim, quer na alusão aos céus do cineasta Akira Kurosawa, há todo um “eixo de inspirações e referências” a que Willgner recorre para criar seus próprios frames. O resultado é um movimento de imagens que vai da amplidão sideral ao espaço íntimo da casa, sempre rememorado com estranha delicadeza.</p>
<p style="text-align: justify;">Na primeira parte, homônima ao título do livro, alguns poemas são marcados por datas, outros por espaços e objetos do lar que, aos poucos, vão se insinuando com cores, cheiros, texturas, assim como se revelando em inquietas incrustações nas coisas mais comezinhas: “foi com essa idade (&#8230;) que começou a contar a morte na sua casa”. Sobrevive aos estilhaços da memória a presença da mãe e da irmã, de signos cristãos como vestes, versículos e santos, assim como de uma terceira pessoa com quem se compartilha “a nata pingando” ou a “nata / fina e nojenta” cuja cor contrasta com os muitos elementos em azul para além do céu: inscrições, mensagens, facas, azulejos portugueses. Isso vai construindo uma espécie de promessa, feita pelo enunciador, de um dia produzir um “tratado sobre as natas” a partir de imagens de um lar tomado pelos “modos brancos de um testemunho”, pelos “segredos dos bordados” e pelo silêncio cúmplice. Há também uma atmosfera tensa “no que há de mais fatal / ao abrir a boca”, que culmina, à guisa dos palimpsestos, na revelação de que o esforço mnemônico do eu-poético &#8220;é trabalho de bicho triste”.</p>
<p style="text-align: justify;">Na segunda parte, intitulada “o que acontecerá às circunstâncias quando acabarem todas as goelas?”, o leitor encontrará poemas que se permitem, ao menos por algum instante, sair de casa e falar sobre o amor e o sexo por meio de perspectivas incomuns, como a da eletrostática (a exemplo de Marília Garcia) e da síndrome do coração partido ou cardiomiopatia de takotsubo. O homoerotismo, não sem alguma “dor de cotovelo”, opera sem grandes interdições e tudo agora desce “com o dobro de mucosa” até criar “nós nas amígdalas”. Como se o procedimento fosse raspar o íntimo para doar ou doer silêncios, ou ainda para mostrar alguns vícios, Pedro Willgner talvez deixe o tratado sobre as natas à espera de realização em proveito de uma outra coisa. Com <em>o céu era uma nata</em> <em>pingando </em>ele faz soar aos nossos ouvidos essas tantas sugestões e perguntas a respeito do encontro de corpos que se desejam e se repelem.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Edmon Neto, poeta</strong></p>
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		<title>livro do daniel e outros textos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jul 2024 11:06:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[lamento não poder olhar-te nos olhos —
tentarei criá-los através das palavras
para que nos possamos ver
de alguma forma —

observar-te a partir da escrita,
na leitura
ser observado.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>ler sempre os mesmos textos e meditar no que varia é uma forma de oração e tu tens feito parte das minhas: dás-me noites, madrugadas e manhãs, em que uivam cães e alicerces e a fronteira entre dormir, sonhar e hibernar se esbate, nada é uma coisa, nada é uma ou outra coisa, gosto das tuas triplas enumerações, há “noites, visões, sonhos” (“abertura”), “sonhos, visões e curas” (“xlvi”), “a criança, a noite, a fantasia” (“lxviii”), “o braço, a mão e a nuca” (“lxxi”), “a nobreza, a fidelidade e a ternura” (“lxxiv”), “as mãos, o pescoço e o cabelo” (“lxxv”) e até deus e os profetas são “ela-ele-isso” (“xxv”), “feminino, masculino, não interessa” (prolongamentos); ouço-te chamar o amigo cinquenta e duas vezes, quantas as semanas do ano, num diálogo possível com várias vidas de intervalo, para lá da unidade de tempo e espaço que, às tantas, nunca existiu: perguntas “e se entrasses num corpo de carne e osso/ e viesses ter comigo?” (“vii”), respondes “talvez/ só depois de mortos/ possamos ser considerados de carne e osso” (“x”) e concluis “o que circundo é o meu nome —/ fantasma de carne e osso” (“lxi”), o teu erotismo de-mãos-e-cabelo tem a força de ser tanto sobre ele como sobre ti; na noite escura da “vontade de dormir na desordem” (“xxx”) e “sonhar com a desordem do corpo inteiro” (“xviii”), o desejo parece ser por vezes uma aparição de cura, mas nunca é, não nesse sentido nem para o vazio, há em nós uma solidão essencial, não nos completam, “locupletam-nos” (lii), esse estranho verbo que aprendi contigo: a nós que somos como um locus mal situado, muito nos pode preencher, enriquecer, sem nos fechar; escreveste “conheço quem não leia livros —/ imagino que seja porque queiram saber/ para onde serão levados” (prolongamentos): este é dos que começa e segue em dúvida, o “tentei” que abre, um “não sei” (i), o último verso condicional, consciente de que cada livro pode ser o derradeiro e, ainda assim, não acabar aí; por muito que o medo às vezes nos consuma e nos apeteça desaparecer em silêncio, já houve demasiadas revelações de fim do mundo para que achemos que algo realmente termina: então manténs-te “taciturno/ mas cintilante” (“xxv”) como uma faca de cabo velho que ainda brilha, a distorção do reflexo é dado adquirido, mais vale assumi-la, morrer é trocar de rosto e “de todos os livros/ os da morte são um incêndio” (“iv”); tu, por exemplo, sei que te tens rasurado e, por mim, podes chegar a chamares-te ille, quase-ilha, quase-comunidade, um pronome neutro — tu o disseste, “torna-se difícil falar em unidade” (“xxiv”), mas “também a perfeição é múltipla” (“lxv”) e continuas.</p>
<p><strong>paulo brás</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Apesar das horas das portas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Jun 2024 15:37:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Quero ser
O tapete persa
O perfume francês
O canivete suíço
A chave inglesa

Apesar de coisas,
com origem.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O meio de acesso às distintas experiências da vida é impossível de ser determinado e suas portas não surgem nas circunstâncias e nos momentos fantasiados pelo inconsciente – <em>a</em> <em>máquina ideal</em>. A síntese de <em>Apesar da Hora das Portas</em> seria essa, caso não fosse a inconclusão dos caminhos o traçado direcionando igualmente o leitor através dos diferentes poemas a serem descobertos.</p>
<p style="text-align: justify;">Inicialmente, é necessário construir a delimitação do corpo da linguagem, inserindo uma obra como a vocalização do artista que se manifesta no tempo e ao seu tempo. Não se reivindica, portanto, uma escrita imparcial – afinal, tudo que não consta em um livro é também a afirmação de um silêncio –, concluindo, por isso, que os capítulos materializam as costuras de um ser específico que se auto desenha historicamente. Vislumbrar essa premissa torna possível a continuidade da arte fora do criador, a arte pela arte,<em> a mágica/algo além</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">A obra assume, então, uma segunda face, múltipla, onde o leitor é chamado para identificar nos capítulos e nos poemas a ordenação de sua própria experiência poética de leitura, recriando-o. Ao se apropriar do livro de modo que ele não seja considerado um objeto terminado, seguindo a descrição da poeta argentina Alejandra Pizarnik quando resumiu que “<em>únicamente el lector puede terminar el poema inacabado”</em>, sua ressignificação ocorre<em>.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Toda poesia é política e, por meio dos embates incômodos que <em>movimentam versos/dos corpos/</em>revoltos, o texto identifica a necessidade de se criar meios de recapturar a subjetividade e a capacidade de abstração dos sujeitos. Há no livro, em verdade, uma urgência em debelar a atual massificação da catatonia como verdadeiro estado de espírito coletivo, algo intensificado pelas novas roupagens do fascismo de nosso <em>panóptico</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, a leitura ativa e crítica de <em>Apesar da Hora das Portas</em> acaba sendo um dos caminhos de formatar nossas sensibilidades em alternativas de enfrentamento a realidade contemporânea. Reencantar-se através daquilo que nos toca proporciona o estabelecimento de novas coletividades a partir da ação ao se provar, inclusive, o amor em sua dimensão total, esquentando e esfriando, mesmo quando seu encontro tarda.</p>
<p style="text-align: justify;">O risco é onde a afirmação da vida pode se estabelecer, e entender a <em>máquina humana</em> como construção é, ao fim, entender que estamos sempre no tempo de jogar novos <em>dados</em>; ao contrário disso, de costas para este fato, é certo, estaremos à mercê de sermos preenchidos, seguindo nas mesmas <em>posturas</em> e mesmas portas.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Estórias sobre  temperatura</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Jun 2024 11:00:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[essa carne é uma caverna impermanente ou
essa caverna é impermanentemente carnívora ou essa
permanência na caverna carnifica minha pele
que apodrece e fede.
esse cheiro me marola:
é a delícia
y a sina
do sabor da vida
na
boca.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O primeiro livro de Jade Rocha se lança com catorze poemas que desembocam em uma partilha de narrativas de um corpo friccionado no erotismo cotidiano. Esse encontro deságua no desejo que é anunciado em texturas, sabores e tempo. O erotismo está em criar espaço e transformação de estados, para então manipular resíduos de memória, histórias e afetações.<br />
A desobediência dos sentidos e estados físicos é uma aposta dirigida a todo corpo, oriunda da dança entre palavras que se expandem no universo proposto e dedilhada com a dedicação de sentir conjuntamente.<br />
A partir do entrelaçamento de segredos, desistências e solavancos da vida, que embora exausta, insiste, os poemas da autora tomam forma de rebuliços, dilatando-se na intimidade das relações, em imagens de um movimento descoreografado nas paisagens cotidianas que compõem um corpo, um Porto, um desassossego, em relações interespécies, num marejo de amor e bagaceira que cerca a sociedade.<br />
As sensações versadas emergem nas experiências de diferentes corporeidades e são afiadas pela cadência das palavras que embalam nas fendas, tramas e riscos, a revelação dos poemas impregnados pelas modulações do real que estabelece essa obra.<br />
Seu título escancara a sinuosidade das palavras treinadas em bocas distintas, as quais ganham ritmo e rítmica, contornando assim um manejo aguado dos versos e pausas. Através da mudança de temperatura é que a deformidade das matérias acontece para acionar na pele a renovação do encontro e a aposta na subversão de quem busca a partir de suas múltiplas facetas o pulso do encantamento.</p>
<p><strong>Thais De Menezes</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Para comer com o coração de Dom Pedro</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/para-comer-com-o-coracao-de-dom-pedro</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Jun 2024 18:05:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[um frasco de ouro e vidro
com um órgão conservado
exposto em museu
[sagrado]
remonta a fome [que tem um povo inteiro]

de comer o coração de Dom Pedro

[<em>formol</em>, pág. 34]

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“E a 11 de setembro de 2022, […] o coração do rei português D. Pedro IV e imperador brasileiro D. Pedro I voltou ao lugar em que repousava desde 1834, preservado em formol num bocal de vidro, na Igreja de Nossa Senhora da Lapa, no Porto (pt), depois de completar uma viagem de dezanove dias ao Brasil para que a real e imperial relíquia estivesse presente nas celebrações do bicentenário da independência do Brasil. A exposição do coração ao público português, que fez fila para o contemplar, bem como a cerimónia do seu transporte transatlântico mereceram holofotes mediáticos, com o presidente da câmara portuense a defender que a relíquia não poderia faltar às celebrações do bicentenário; seria “uma desdita”, assim escreveu [em artigo no diário português Público].<br />
[…] [O]rganizaram-se cerimónias políticas alusivas ao tema genérico “dois povos unidos por um coração”, não sem as críticas contundentes dos dois lados do Atlântico que, naturalmente, chamavam à atenção sobre o facto de a autorização da Câmara do Porto para que o coração experimentasse a viagem aérea transatlântica coadjuvar a sua instrumentalização política pelo governo brasileiro, entretanto também já bem defunto. […] Para comer com o coração de Dom Pedro é a resposta poética que preserva o coração, mas desconstrói o fetiche, com os seus mitos lusotropicalistas sobre nações unidas por um só coração e uma sociedade integradora das vidas imigrantes, recorrentes nos discursos políticos, mas que demasiados não encontram o seu respaldo no dia a dia numa sociedade pós-colonial que, estruturalmente patriarcal, ainda não exorcizou os seus fantasmas coloniais e cuida dos seus fetiches.<br />
Considerando de forma interseccional que a mulher imigrante é um duplo alvo da xenofobia, machismo e misoginia que grassam de forma cada vez menos velada, a poesia de Melo constitui, ainda, mais um reduto de resistência. É deste lugar que a autora escreve, o que, inclusive, deixa claro em “Uma nota da autora” feita, aqui, nesta publicação: “Este livro foi escrito por uma mulher imigrante, latino-americana, brasileira, nordestina e comunista”, convocando vários lastros e camadas sobre histórias de alteridades.<br />
[…] É também uma reparação com vista a um futuro decolonial que encontramos em Para comer com o coração de Dom Pedro, um livro sobre como devemos atentar às dores, as nossas e as dos outros, representadas para que possam ser transformadas com vista a uma comunidade de afetos. Que não desespere, então, o leitor que inicia agora a leitura deste livro: comer o coração de Dom Pedro, mantido em formol, seria um risco certo de saúde pública e a sua autora sabe bem disso. Uma comunidade de futuro, inteira, inclusiva e plural, tem de se ancorar nos afetos que acompanham o cuidado do Outro como a nós mesmos. Saibamos, por isso, comer com o coração.”</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Margarida Rendeiro</strong><br />
<em>trecho do prefácio</em></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Poemas deixados</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Jun 2024 13:35:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[o caule da orquídea de plástico
se enrosca na grade da janela
a cor muito viva espanta o pássaro,
deixa o pedestre seguir seu caminho
sem precisar parar
a água desce pelo vaso, leva a poeira
e estranha a raiz
só o sol cai macio e indiferente
sobre a pétala de pano]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em seu ensaio “Contra a interpretação”, originalmente publicado em 1964, Susan Sontag nos incita a “recuperar nossos sentidos” e a “aprender a <em>ver</em> mais, a <em>ouvir</em> mais, a <em>sentir</em> mais”, de modo a “tornar as obras de arte – e, por analogia, nossa própria experiência – mais, e não menos, reais para nós”.</p>
<p style="text-align: justify;">Nada alheios a tais premissas, surgem-nos estes <em>poemas deixados</em> por Juliana Otoni, que se agarram a seus leitores por um “pacto/ sem palavras” de cumplicidade, aquele das experiências que, por serem tão humanas, em alguma medida podemos partilhar, como as do amor e da separação, da memória e do esquecimento, do silêncio e da espera, da maternidade e do ser mulher, do corpo, da casa e da cidade – e as da própria palavra poética.</p>
<p style="text-align: justify;">Dividido em duas partes cujos títulos – “Para ler amanhã” e “Escrever para lembrar” – como que cartografam os caminhos de nossos sentidos ao longo da obra (sentido, aqui, como sinônimo de sensação e de direção), <em>Poemas deixados</em> canta, sobretudo, o tempo amplo do Amor, cujas setas podem ter como alvo o passado – as memórias, as marcas – ou o futuro – o desejo, o amor-vontade –, sendo o presente, o cotidiano, o lugar privilegiado de uma escrita-vivência onde “as palavras param” (e pairam, diria) “pra gente passar”.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, se como afirma Paul Auster em seu ensaio “O livro da memória” (1980-1981), de <em>A invenção da solidão</em>, “a história da memória é uma história da visão” e “no momento em que adentramos o espaço da memória, entramos no mundo”, Juliana Otoni, esta “poeta [que] existe/ quando ninguém vê”, com seus <em>Poemas deixados</em>, coloca-nos diante do mesmo <em>trampantojo</em> “do qual nasce o amor” (este compatriota da dúvida, como ela mesma escreve), para, ao mesmo tempo, nos revelar e fazer adentrar o mundo complexo e belo de uma poesia que “fica como se sempre/ tivesse estado”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fred Spada</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Como se desaparecesse</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/como-se-desaparecesse</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Jun 2024 13:13:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[onde tava o poema
antes de ser escrito
e
pra onde foi
depois de lido]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O que pode residir no último galho de um poema, no auge do sonho, em sobrevida? O livro de Lucca Lobato inicia-se com um poema de luto, espécie de nênia para o seu gato Kurama — “aquele que possui a verdade”. A verdade de Kurama era descansar ante o abismo. Talvez seja da perda ou do desaparecimento dessa verdade que se trata o luto, e é da perigosa aprendizagem do entocar-se que a escrita de <em>Como se desaparecesse </em>se constrói, ela mesma entre o esconder-se e o ser descoberta.</p>
<p style="text-align: justify;">Aqui, a porta que poderia separar o eu e o mundo é elemento de condensação. Desaparecer é fazer desaparecer o mundo. Um <em>céu</em> não mais se abre, mas abriga a dicção de um eu que pode ser dito em vogais abertas — “tradução impossível/do que se faz entre nuvens”. Um eu que é “Bartleby do avesso”, um eu que é outro, outro também natureza: o céu, a tempestade, o rio. A tempestade é a palavra do amor — e assim o mundo poderia acabar inundado.</p>
<p style="text-align: justify;">Dentre os poemas, é possível ler o sentimento daquele que se encontra entre tempos — o de existir e o de deixar de existir — e que é feito portanto de substância temporal. Um dissenso ressentido, sentido novamente no seio vazio, mas que busca algum sentido em um mundo que parece trancado. O livro se faz nesta “repetição da invenção/sem fim”. Uma poesia do sumiço, uma escrita sob a sua ameaça, cuja linguagem obriga o leitor não só a testemunhar, mas a, de alguma forma, também escrever o desaparecimento. É como se o olho lavasse, digo, levasse a escrita. Um livro que se propõe a desaparecer sob o olhar do outro, não como a figuração de uma inibição, mas com uma “total inversão de sentido”, desenhando uma “ilha deserta imagem/dinâmica miragem morada” no olhar de quem lê. Escrever um gozo fora do corpo, mas também perder a linguagem, quebrar as palavras, não mais saber falar, e dizer ainda assim. Dizer desde esse lugar de recolhimento onde o acolhimento falta.</p>
<p style="text-align: justify;">Aqui, se as cartas são lançadas, não abrem a porta. E não precisam. Sua linguagem é como uma flecha que corta o mundo diferentemente a cada vez, a cada direção. O ato é falho, tropeça para destravar, corta a língua, fabrica sangue capaz de dizer <em>outra</em> verdade, que pode se tornar raiz ou ruína — a verdade do corpo <em>por muito tempo</em> observado por Ana Cristina Cesar. O corte e a morte são também nascimento, seja das cinzas, da dor ou da força. <em>Como se desaparecesse</em> faz da ameaça do desaparecimento o anúncio da escrita (“o que eu não podia/era não escrever”).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bárbara Gontijo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Brechas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Jun 2024 13:06:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[e eu
tão cheia de malícia
encontro redenção]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“se estiverem ainda cruas nossas distâncias/coma mesmo assim”. o hematoma da página em branco, qual o limite do teu risco?</p>
<p style="text-align: justify;">em <em>brechas</em>, Biá Torres opera a linguagem com gestos sutis e afáveis, alimenta a ferocidade pela urgência do Aberto, maneja os silêncios em notas de rodapé, dilata ranhuras cotidianas com maravilhamento e espanto em igual medida, movimenta-se enquanto artesã da palavra a partir de um adensamento consciente e progressivo de sua percepção. nota-se a voz poética e a poeta alternarem o mesmo corpo-palavra, fundam juntas um código, “eu jamais poderia escrever/um poema em outra língua/pois a língua que me foi dada é/incontestavelmente/a de minha poesia”, a peleja inesgotável da primeira vez do primeiro verso, a ânsia por bordas, gargantas, fendas e saídas de emergência: “o poema sempre sonha”.</p>
<p style="text-align: justify;">ao criar campos de atração e repulsão — estratégia amável, portanto fatal —, Biá coagula ritos desejantes: a escrita poética, a nudez, o silêncio, o sexo, entre outros. a poeta ama desesperadamente a palavra, o verso, a angústia libidinosa da página em branco. o medo medular do despalavramento flerta com o ingênuo, esmiuça os automatismos cotidianos com respiros brincantes.</p>
<p style="text-align: justify;">este é um livro de delicadezas escandalosas. “somente um orgasmo poderá nos salvar”. e, se continuamos a ler e a escrever poesia ao longo do tempo, talvez seja pelos poderes específicos — e magísticos — da própria poesia, nesse caso, o espanto tangível de um poema nos colocar desnudos diante de nós, “apesar de, apesar de e apesar de: encontrar brechas”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> gabriele rosa</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Tudo que eu queria te falar mas não tive coragem</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/tudo-que-eu-queria-te-falar-mas-nao-tive-coragem</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Jun 2024 12:59:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[a chave da maçaneta é original
o chaveiro da esquina vende cópias
e o fracasso é garantido aqui na porta
muitos querem mas só você consegue entrar]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“para todas as mulheres que já amei”, esse também poderia ser o título deste livro. como aquela comédia romântica que você conhece. mas talvez ele vá além disso. ele vai além disso.</p>
<p style="text-align: justify;">gosto de pensar que algumas cartas de amor foram enviadas para os seus destinatários no mesmo momento em que publiquei estes textos e que quando eu morrer terei a certeza de que amei intensamente e me declarei sempre que necessário — mesmo que em algum momento tenha me faltado coragem.</p>
<p style="text-align: justify;">e você, pode dizer o mesmo?</p>
<p style="text-align: justify;">escrevo aqui para que cada texto seja um chamado. pra deixar o amor entrar, ou sair se precisar. são pequenas e grandes declarações pra lembrar que a vida é uma delícia com amor clichê e ninguém morre por coração partido (a menos que envolva um bisturi).</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>O sol em maio</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-sol-em-maio</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Jun 2024 14:41:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[acendemos as luzes
regressam os corpos da cidade
estão cansados sem necessidade
espero cá fora
a porta esconde atrás um mundo
e só eu aqui desobediente
a querer casa no centro
salto pelo muro
é branco mas lembro-me dele amarelo
há uma escada em cima
obras no telhado
contradição de valores escondida do mau olhado
nunca vi um outono assim
enlouqueço.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os poemas de Isabel Milhanas Machado falam dos corpos da cidade que querem escapar e se refugiam em perguntas, muitas delas sem resposta. Corpos que são obrigados a ser da interminável rotina, do eterno cansaço. As palavras da autora viajam rapidamente entre o barulhento trânsito citadino e a natureza alentejana, calma e silenciosa, procurando uma harmonia que parece ser coisa do passado. A memória recuperada é o que ainda nos faz viver por cá, na confusão. É uma escrita que não esquece o que lá vai, as mulheres que vieram antes, mas também antigas companhias, amores, amizades. São textos que conversam longamente com o passado, numa tentativa de com ele fazer contas, chegar a uma paz, originar um recomeço ou deixar-se afogar. Por vezes, uma curta linha é suficiente para descrever uma partida, uma saudade. É um longo luto que se faz em frases soltas e incompletas, habitando numa nuvem cinzenta de sentido para aquilo que fica. É a difícil luta de viver com a ausência e forçados a agir como se nada tivesse acontecido. São discursos que alguém lerá para não quebrar, para viver com o que sobra.</p>
<p><strong>André Murraças</strong><br />
dramaturgo</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
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		<title>Delito delírio deleite</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Jun 2024 15:27:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[o inimigo bateu em minha porta
e eu
abri

senhoras e senhores]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">aqueles <em>post-its</em> colados no computador ou na geladeira com lembretes, aqueles lembretes sem contexto no bloco de notas do celular, aquele papelzinho que a gente rabisca enquanto fala ao telefone. os poemas reunidos neste livro são como essas palavras e imagens miúdas, alguma coisa que surge na despretensão. e é justo na modéstia onde se encontra a verdade mais íntima das coisas. a eloquência mora na simplicidade radical da vida. por isso são como portinhas, uma passagem, um quase-lá: parece que insinuam algo maior, e se propagam, precisamente, no vazio da página, na falta de mais detalhes. mas a inteligência destes poemas é também querer dizer exatamente o que dizem — sem mensagens criptografadas, sem teses filosóficas. é a palavra que fala de modo direto e reto à experiência: afinal, todo mundo pode se conectar com ditos sobre o amor e o desamor, sobre o fracasso, a preguiça, a tragicidade.</p>
<p style="text-align: justify;">como num fluxo de pensamentos, um devaneio inofensivo é seguido por uma constatação existencial, que é seguida por uma reflexão objetiva da realidade, que é seguida por uma observação tenra ou desagradável sobre algum aspecto da vida. a menor das coisas está indiscutivelmente ligada à maior das coisas. e é a forma orgânica desse movimento que dá grandeza a estas palavras. é também por isso que cada um destes poemas precisa do poema seguinte e do poema anterior para ser grande. os poemas conversam entre si, mudando ou expandindo o sentido que se havia dado a um bocado de palavras anteriormente. elas brincam, nos enganam e nos reafirmam.</p>
<p style="text-align: justify;">tudo isso com a presença de espírito de alguém que não se leva tão a sério — noah comenta o trágico com humor. não aquele humor que esconde uma lama de subjetividade embolada, mal resolvida, mas uma predisposição em não se deixar abater pelos chutes da vida. nada é o fim do mundo, mesmo quando é. tenho a impressão de que noah compartilha conosco as anotações que fez para si em dias de mormaço, quando o calor nos convida violentamente a ser sucintos (num dia de muito sol, até a palavra tem preguiça de se dizer). então falamos pouco — falamos o essencial, registramos apenas o <em>core</em> da mensagem e pensamos: “depois eu volto a isso”, “mais tarde desenvolvo isso melhor”. e, quando voltamos a essas anotações, ou elas não fazem sentido nenhum ou já fazem todo o sentido e não precisam que nada mais as explique — está ali o conteúdo bruto da mensagem. simples, urgente, explícito, inequívoco. assim é <em>delito delírio deleite</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p><strong>thaysa paulo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Pouca lã</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 May 2024 16:50:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ontem
rasguei o bilhete com seu telefone

agora
tenho de ir à papelaria

comprar durex

e pendurar postais
na porta da geladeira]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">As Parcas eram conhecidas como as divindades responsáveis em tecer, medir e cortar o fio que conduz a vida. Cloto, Láquesis e Átropos, como eram conhecidas, possuíam cada qual uma determinada função no destino dos homens.</p>
<p style="text-align: justify;">Recorro à Mitologia Romana, para falar do livro do poeta Marcus Vinicius Santana Lima. Pouca lã, seu quarto livro, é uma grande tecitura sobre a vida: seus afetos, ausências, seus desejos e desassossegos, mas, sobretudo, é um livro de amor, do homem que tece a palavra e corta quando necessário.</p>
<p style="text-align: justify;">Alguns dos poemas reunidos neste livro foram escritos em uma época em que as feridas do mundo ainda estavam abertas por conta da teimosia dos homens. Coube ao poeta suturar para seguir o fio.</p>
<p style="text-align: justify;">Posterior à trama, Marcus Vinicius se isolou do mundo. A reclusão pelas palavras se fez necessária, assim como as imagens que o cercavam: foi preciso desfazer pontos antigos, tecer outros cenários para que novas matizes pudessem acontecer: “como se/fosse possível/desatar o nó/sem ferir as mãos”.</p>
<p style="text-align: justify;">Escrever é tecer, não obstante, segundo o <em>Dicionário Etimológico</em>, a palavra texto, vem do latim <em>texere</em> (construir, tecer), cujo particípio passado <em>textus</em> também era usado como substantivo e significava: maneira de tecer ou coisa tecida.</p>
<p style="text-align: justify;">Marcus Vinicius tece a forma a pensar os poemas como trama e entrelaçamentos: “a palavra está na ponta/da língua/o que ela diz?/‘não estou pronta ainda’”.</p>
<p style="text-align: justify;">Pouca lã abriga, mas também desnuda, tomando um viés mais político. Mesmo que o poeta descreva laconicamente a tragédia devastadora e incompreensível como foi a de Brumadinho, ele faz da imagem o espólio da vida de outrem. Mas também não faltam esperanças, mesmo que estas estejam no fundo do baú, junto a outros tantos tesouros que compõe a trajetória de sua escrita ao longo do livro.</p>
<p style="text-align: justify;">Marcus Vinicius é quem conduz o fio da sua jornada com a compleição mais significativa do amor e suas conexões. Ele segue amando a trama, os encontros e as descobertas num fluxo constante de sensações, desejos e experiências, exaltando assim as belezas encontradas ao longo do fio da (sua) vida.</p>
<p><strong>Tatiana Bicalho</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Nem os ossos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 May 2024 22:03:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[canção de ninar em branco e vermelho
ossos em s
ossos em m
e gritos muito mais profundos
gritos de leite
antes, antes do mundo
e da criação de todos os deuses:
escuridão, lágrimas e suspiros]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">ela pede meu corpo enquanto a leio. e perde o dela enquanto escreve. não, não é que perde: despedaça. no princípio era a queda — nos lábios, no tabuleiro de xadrez. pensei acompanhar a semântica da gravidade despindo o corpo rumo ao chão, da pele à palavra. mas ela pede que meu corpo também caia, na paisagem da cratera que se forma depois do salto —</p>
<p style="text-align: justify;">alto. carimbando de passos a areia, na praia daquela sereia “obscena, porque vista”. toda uma <em>geologia-relâmpago</em> especializada no baixo-relevo que se apaga à onda mais próxima — em blues e sal.</p>
<p style="text-align: justify;">lanço-me a ela, então. no escuro, tom do céu da boca. e lá está a anatomia do tombo: o corpo acidentado. caio nos poemas como na gravidade solar que assola mulheres e janelas abertas, especialmente aos domingos.</p>
<p style="text-align: justify;">Nicole, ali, na margem do caderno, no bilhetinho súbito. como se esboçando no verso de um guardanapo a última esperança para noites em que letreiros rosa-néon dão seus derradeiros suspiros. e aí que, quando a gente vê, esse papel amassado no fundo da bolsa, com marcas de batom e vinho, é, sim, a salvação debochada da meia-noite.</p>
<p style="text-align: justify;">na cratera, ela conta do que permanece, já que nem os ossos. permanece a “delicadeza do que se desespera”, que suspende o tempo para contemplar, desde a urgência das galinhas que correm ao abrigo da chuva, até o “passar os dedos de leve sobre os pratos de porcelana”. permanece “desejar como quem só tem língua”, que desconfio ser o mesmo que uma mulher dizendo <em>eu</em>. ponderar então entre o tato e o caco — da porcelana ou da palavra.</p>
<p style="text-align: justify;">permanece uma anatomia outra, estilhaços do corpo que se despedaça. é dele que ela conta: entre serpentes, pálpebras, consultório de dentista, aranhas, bocas e cômodos oníricos. e tudo isso é, também, o que o corpo se torna. ela diz “não sou uma mulher”. e reivindica, para si, a matéria para além dos devires. funda uma arqueologia da fratura do corpo, que quase devora, “assim, meio sem querer, até os ossos”, o meu. <em>que seja “lenta a digestão”.</em></p>
<p style="text-align: justify;">escrevo oferecendo meu corpo, como se fosse papel no fundo da bolsa. desconfio que seja essa a linguagem singular dos cacos de vidro, dos ossos quebrados e das questões ontológicas do tilt. ela desaba ou debocha em néon?</p>
<p style="text-align: justify;">escrevo para ver se a pego no pulo.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Aline Cibele</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Meu sangue escorre nos ladrilhos furta-cores que a casa que o banco tomou de nós</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 May 2024 11:47:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[no quase nada da madrugada
monto o sapo azul
dropo o ácido em formato de veneno de rato
pulo da sacada com suas mãos em meu pescoço fino
que se alonga e estica até minhas pernas
tocarem o chão
a gillette caminhando greenwich de carne
meridiano púrpura em braço alvo
o volvo desgovernado
a aranha-marrom escondida
no quase nada da madrugada
o gozo de pólvora do cromo
a me engravidar de finitude.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A memória invade os versos de Liara Oliveira por meio de cheiros, sons, gostos e toques do que já não existe mais; uma ressaca dos afetos que se perderam pelo caminho. Há também a observação de tudo com um olhar de quem aprendeu a antecipar ausências, elas que são inevitáveis e acumulam-se, até que ultrapassam os limites do suportável. Mas, como qualquer ressaca, essa só é possível devido à intensidade do que a precede, ainda que por vezes o que a voz lírica receba sejam migalhas (“costurando um cobertor de retalhos/das coisas que você não me diz”). É que o desejo é tanto que transcende os próprios corpos, por isso eles estão sempre sendo destruídos e reconstruídos em sua obra, incapazes que são de comportar tamanha ânsia por conexão.</p>
<p style="text-align: justify;">A rotina e o mormaço dos dias opacos de Brasília se repartem em prédios, engarrafamentos, praças, esquinas e ruas. São espaços que irrompem nos versos da autora como vestígios de uma cidade que já não é a mesma, agora que a voz lírica precisa aprender a vagar só. O concreto não oferece conforto, a não ser o último de todos, aquele ensaiado em diversos momentos ao longo do livro. Consequência de uma sociedade que não nos acolhe, que mantém os portões fechados para quem implora por uma abertura mínima.</p>
<p style="text-align: justify;">É devido a essas ausências que a cidade sem as figuras amadas (no plural, pois o amor aqui extrapola os limites do uno, do binário, do cis) é um ambiente decadente. E essa decadência aparece impregnada em tudo: na derrocada financeira (“não tem nada na geladeira/e eu me deito com fome/penso em/arrumar um emprego”), no perigo da vida urbana (“naquela mesma esquina/onde vimos o homem que vendia cachorro-quente/tomar três tiros pelas costas”) e no perecimento do próprio corpo (“doem os pulmões/e a garganta reclama/tenho cuspido sangue”). Ao longo de todas essas problemáticas, a escritora insere registros cortantes do vazio deixado por entes queridos e da sua própria experiência com a hostilidade (“cuspiram em mim no banheiro feminino”).</p>
<p style="text-align: justify;">A cidade é um ente vivo que nos mastiga e nos cospe, um movimento de expulsão semelhante aos constantes vômitos da voz lírica, que parece estar sempre em iminência de vertigem. De certa forma, o próprio livro parece surgir a partir da necessidade de regurgitação. E assim os versos adquirem formas e ritmos que entorpecem quem os lê. Ao fim da leitura, somos nós que ficamos de ressaca. Se a destruição pela poesia é uma honra para a escritora, ler seus versos entorpecentes é nosso privilégio.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Luciano Duarte</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>A casa da memória</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-casa-da-memoria</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 May 2024 14:26:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Aos olhos levo a água lenta que corre para a terra
sob a névoa de uma manhã cega
de
chuva.

Sem nenhum anjo da guarda
à entrada
da Casa da Memória
agora,

só tu e o mar.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“Não tem importância nenhuma escrever um poema”, diz Azenha. E com isto ela sacramentou a verdade da causa secreta do poema, sua metafísica, sua origem, a fenomenologia de sua aparição.</p>
<p><strong>Rogel Samuel</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Poemas que escrevi enquanto ainda sangrava</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/poemas-que-escrevi-enquanto-ainda-sangrava</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 May 2024 18:21:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[todo mês que sangro
morro um pouco
e tenho a sensação que você
está cada vez mais viva
dentro de mim]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Quanto do corpo é capaz de abrigar nossas dores? O que permanece dentro, inabalado, após tudo aquilo que jorra e nos escapa? Como ocupar os vazios intrínsecos enquanto se desenha um novo mundo com as palavras? A poesia de Jaisy Cardoso alcança a nós, leitores, como um quente vendaval: nos convida a atravessar tantas inquietações seguindo o rastro vermelho de seu próprio movimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Dividido em quatro partes, <em>poemas que escrevi enquanto sangrava</em> encanta ao capturar com delicadeza as profundidades de uma mulher que carrega em si outras e tantas mulheres, numa façanha ancestral de habitar suas semelhantes; as dores pulsantes de um útero em luto, o vazio impreenchível de uma quase-mãe; os desejos que ainda a fazem viva; e o afeto que lhe reconfigura, fazendo reverências a todos aqueles que se movem com o seu renascer.</p>
<p style="text-align: justify;">Em sua estreia, a autora dita o passo dessa dança de cor rubra. Cada poema disposto aqui traz sua maior assinatura: a capacidade de dobrar-se para si em contemplação de todas as minúcias, de cada detalhe vívido em suas entranhas. Esta mulher que sangra habita ambivalências — ora completa pelas presenças daquelas que ainda virão e aquelas que aqui passaram, ora dilacerada pelo oco de uma perda irreparável. A mulher-bailarina, de borboleta a búfala, escancara para quem a lê sua maior e indomável força, mas também a carne viva de seu maior abismo. Da dureza que recobre seu corpo ferido, Jaisy não se rende: sua poesia, sua vida e seu desejo ainda pulsam, ela ainda vive e ainda sente. E o mesmo corpo quebrado é o corpo que arde de paixão, de libido, de amor e de vontade de viver.</p>
<p style="text-align: justify;">Entendendo tudo sobre pequenas coisas, os poemas não muito curtos que Jaisy Cardoso nos apresenta brilham no ato certeiro do seu fazer poético. A autora escreve com segurança e sensibilidade fascinantes. Entre as imagens tão presentes do fogo, dos ventos e do sangue, Jaisy não esquece do material aquoso, de tal forma que seu livro de estreia guarda em suas linhas uma sabedoria ancestral que Conceição Evaristo já desenhou com suas negras mãos: as águas que passam, enquanto as pedras ficam, são aquelas que da autora-faísca pulsam e jorram e abrem o caminho para transpor todo o resto. Jaisy faz todos voarem para apreciar em suspensão a glória do seu renascimento e a recriação dos caminhos. Lendo-a, é possível entender tudo o que sangra para se refazer. Daqui do alto, assisto a sua alvorada tingir seu corpo das cores iansânicas — e há beleza em acompanhar seu trajeto ascendendo.</p>
<p><strong>Pablo Emmanuel</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Não quero morrer enquanto durmo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 May 2024 13:46:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[uma novela
um capítulo por dia
um pé esquerdo
um passo lento
café e um pão de queijo às vezes
sombrinha molhada de ir à padaria
jogo de futebol
um gol depois outro e ainda mais um
rapaz sentado no chão perto do sofá
comemora discretamente com o pai
acaba o jogo uma porta de quarto
fechada depois mais outra

uma mãe sozinha na sala
vê a televisão sem som
segura o controle remoto
uma boca seca
num sofá vazio
o filho morto
soluço cortado ao meio]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Quando comecei a escrever este texto, lembrei-me de minha avó, que morreu repentinamente enquanto dormia. Eu só tinha dez dias de vida, mas posso imaginar que disseram &#8220;pelo menos ela não sentiu nada&#8221;, como é comum nesses casos em uma tentativa tola de consolar os familiares. O título do livro é também um verso que aparece em dois poemas, por insistência e resolução, e até quando não está presente o verso ecoa nos outros poemas, mas sua leitura nunca é a mesma. E essa é a mágica da poesia. Ser igual e ser diferente o tempo todo. Da primeira vez que li <em>Não quero morrer enquanto durmo</em>, imaginei o animal que Gilles Deleuze compara ao escritor, escritora, no caso. Um animal à espreita que nunca dorme, atento a tudo ao seu redor.</p>
<p style="text-align: justify;">Com seus sentidos aguçados, Constança decifra as mensagens secretas das notícias de jornal, descartáveis, lê as entrelinhas de uma ecografia ou de um calendário com desenhos de Miró. Imaginei a autora insone, de pijama velho, porque dormir é se entregar e quem contaria a história dos ursos d&#8217;água? Dos moluscos azuis, dos bichos e dos seres-humanos em extinção, senão ela? Desperta, a poeta diz temer a escuridão. E ela o diz porque consegue enxergar a obscuridade da nossa época e é isso que torna o livro tão contemporâneo.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo que boa parte destes poemas tenha sido escrita durante a pandemia, não há dúvidas de que é um livro sobre o extremo agora e, ainda assim, sem riscos de obsolescência, pois a autora consegue nos tocar em nossa humanidade. Com coragem, ela derruba qualquer neutralidade para emitir sua opinião, que denuncia desde  ícones como Serge Gainsbourg até abusos nefastos do mundo neoliberal. Ou mesmo para replicar as palavras da atriz estadunidense Joanne Woodward, apagada pela máquina patriarcal de engolir mães, “se eu tivesse de fazer tudo de novo, talvez eu não tivesse filhos”. Depois que li este livro pela terceira vez, lembrei-me da poeta C.D. Wright, que disse: &#8220;O poema nunca dorme, a não ser que eu durma, pois se me deparasse com ele dormindo, o capturaria. E então seria isso, minha presa esplêndida&#8221;, e pensei em Constança de vigília fazendo emboscadas para capturar poemas nos lugares mais improváveis, como no fundo de uma geladeira vazia. Felizmente, nossa poeta está viva e ela sente muito. Muito.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Carina Gonçalves</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Pirilampas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/pirilampas</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 May 2024 15:34:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[quando amanheço junto com a cidade
vejo gotas de sangue nas calçadas
ouço as palavras que gritam pelos muros
sob o silêncio duvidoso das madrugadas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Este é um livro de luminosidades intermitentes. Em um voo traçado por lampejos de luz, <em>Pirilampas</em> promove uma incursão pelos interstícios da linguagem, incorporando silêncios, produzindo imagens-fragmentos, cristais do tempo agenciando um movimento de mundo, força capaz de fazer ver o que não se mostra, potência tão marcante na poiesis ritualística, quase litúrgica, de Morgana. Sua natureza arisca risca a palavra e se arrisca no desejo. Ela ousa pintar as cores do cerrado com os tons primordiais de suas raízes do sertão, veredas e encruzilhadas irremediáveis do sentir e do pensar, subjacentes nas nossas travessias existenciais. Seu caminho é uma cartografia de meridianos tortos como as árvores do cerrado, ecoando em espirais da Bahia a Goiás, a lira de Morgana insurge em contratempos fabulados. A cidade de pedra por trás da serra guarda o choro de Pirene como um silente aboio.</p>
<p style="text-align: justify;">Aqui se alinham o cabelo rosa da menina com asas de vento e um ponto de esquerda firmado com um ebó na Rua Direita, denunciado em um bilhete às vozes imemoriais do passado, mensagem a uma dimensão do tempo que nunca para de ser, a incessante polifonia dos aedos, estatuto ontológico do humano. Canto, logo existo. Mas há também nesse canto o silêncio da sereia, feitiço duplamente mais poderoso. A estética peripatética da poesia pirilampa é quase uma dança, cujas formas do saber_se acontecem em um só andar, só, em multidão de multiplicidades, devir-mulher, sangrando suas dores e prazeres, a_colhendo incertezas na partilha do sensível. Na sua busca de acalanto para o desassossego, na penumbra entre luz e sombra, entre brumas e trovões, ela anuncia seus ritmos: “entre o doce e o salgado, a diferença é de movimento”.</p>
<p style="text-align: justify;">Este livro é feito de outridades, um convite a uma jornada para os desentendidos, os que não temem os riscos entre o dito e o não dito, os que sabem que toda palavra é maculada de silêncios, aqueles para quem a poesia é sempre a melhor das realidades.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Andros Anderson</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Dentro da casa o vazio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 May 2024 10:42:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[que olho é esse que me olha sem pedir licença
que olho é esse que me segue quando ando
que olho é esse que me faz tremer de medo
que olho é esse que me invade
e me destrói inteira?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Os olhos lindos e grandes de Thaíse sempre viram tudo. Pareciam obcecados, mas eram só poesia. Sempre foram poesia. O jeito manso escondia uma cachoeira firme, uma corrente que, antes engana, depois emana afeto e cuidado, mas também decisão. Assim é <em>Dentro da casa o vazio</em>, seu novo livro. Não é apenas uma sequência de <em>Mulher-Palavra</em>, seu primeiro trabalho poético, que foi aplaudido pela crítica acadêmica. É um livro que guarda mais profundamente as inteirezas das águas. Escolhe o vazio ante à casa. No “Diálogo com o Arcuíro”, esbanja intertexto rumo ao “amor furta-dor”. É inteira linguisticamente do seu povo em “Palavra fria”, no qual “teima não existir”, e “como dói”, assim como as dores do genocídio do povo negro, seus iguais da periferia de Itabuna, que lhe pariu. Na “Casa” está a experiência gustativa do seu povo, que não só vive das dores, mas de uma certa beleza, do bolo de milho, do fogo, do feitiço, do poema que atravessa páginas. Os poemas em <em>Dentro da casa o vazio</em> mostram uma poeta ainda mais decidida, arguta, necessária. Ela é o Nordeste, ao mesmo tempo que a estrangeira no Sudeste. Ela pouco pestaneja, senão dribla as intempéries de uma identidade geontológica. Ela brinca com o não ser que lhe fizeram, com o animismo que o racismo, antes de lhe propor, lhe impôs, de ser a coisa na modernidade inacabada, a não coisa, o não poema, o alvo das máquinas de guerra da necropolítica. Thaíse Santana antes ri do que responde o irrespondível frenesi racista. Ocorre aos seus poemas um passeio pelo discurso do colonizador, sem o enfatizar. A sua cara de não mineira/não brasileira, o tilintar e seus efeitos do corpo reconhecendo a casa, o vazio das lembranças, mas não da inação. O poema é movimento como as águas de Oxum lavando todo o ouro do mundo. Parado, o ouro vê Oxum tal qual a mudez perante Nilda, mãe de Thaíse. O que mais me impressiona nesse trabalho é como o movimento fotografa o gesto, e não o contrário. Trata-se de uma obra originalíssima, digna de todos os prêmios e orgulhos da nossa gente, num inconfundível trabalho de poesia baiana e brasileira que carrega com louvor séculos de luta negrodescendente.</p>
<p><strong>Gabriel Nascimento</strong></p>
<p>Linguísta e escritor brasileiro</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Fuga eterna para lugar nenhum</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 May 2024 16:00:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[quantas dezenas de formigas
você pisoteou sem perceber?
quantas vezes uma palavra saiu
da tua boca feito bala perdida?
e quantas vezes o teu silêncio
estrangulou alguém que te amava?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“tenho olhos castanhos como os seus,/mãe, mas não vejo a vida com seus olhos./também lamento a inocência perdida/tal qual nosso cão que fugiu para sempre.”</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Fuga eterna para lugar nenhum</em> reúne 50 poemas de Héber Luciano. Com linguagem simples e introspectiva, os textos abordam temas como amadurecimento, solidão e a busca por pertencimento. Acima de tudo, a coletânea retrata — de maneira honesta, sem eufemismos — a depressão e o vazio existencial, como no poema “outra cama”, que apresenta uma autoanálise sobre relações líquidas:</p>
<p style="text-align: justify;">“então observo a garota/cruzar, nua, o apartamento,/mas meu coração enxerga/uma alma trajando burca./às vezes é como/entrar numa loja de roupas/e experimentar as peças,/sabendo que não vou levar./e às vezes é como/invadir a reta final/de uma maratona e sair/com medalha no peito,/a camiseta limpa,/nem um pingo de suor,/sem saber ao certo/a quem estou enganando.”</p>
<p style="text-align: justify;">O amor — como não poderia deixar de ser — também é abordado na coletânea. Com referências a poetas como Carlos Drummond de Andrade e Frank O’Hara, os poemas falam de amor platônico, paixão e desamor. É o caso do poema “renúncia”, que retrata o estágio final de uma desilusão amorosa: “tirei esse afeto do coração/como quem tira do bolso/o embrulho rasgado/e vazio de um chocolate.”</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Autobiografias ou o que se é enquanto se tenta ser</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 May 2024 09:17:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Há uma estranha normalidade e antiguidade nos gestos matinais.

Repetem-se quase intocáveis há anos, e sinto-me a caminhar num passado que desconheço ou que esqueci enquanto caminho até ao trabalho.

(<em>sobre o dentro e o fora</em>, número 8, página 23)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Autobiografias ou o que se é enquanto se tenta ser</em> é o primeiro livro de coletâneas de textos de Francisca Sousa Soares.<br />
Estruturado cronologicamente, com pequenas passagens que lembram entradas de diário, questiona o que difere a autobiografia da ficção e o banal do extraordinário. Assim, como o ciclo da natureza, acompanhamos as percepções e os sentimentos da autora que nascem, crescem, transformam-se e desfazem-se para depois nascerem novamente.<br />
Na sua escrita, Francisca reflete-se e parece moldar-se a todos os estados possíveis, entre sólido, gasoso e, principalmente, líquido. A própria expressão ‘o que se é enquanto se tenta ser’ descreve algo que vive mas que não é possível intitular. Assim é o corpo da narradora que nos conta em pequenos textos, e quase em sigilo, como é que o ser humano se funde entre construções premeditadas e instintos selvagens, estes que provêm de lugares ancestrais e de uma sabedoria intrínseca.<br />
São reflexões profundas e introspectivas que analisam as rotinas diárias e as expõem como vivências complexas e repletas de questões filosóficas. O ritmo da vida é alongado ao máximo que lhe é possível. Um sentimento natural das almas jovens e ambiciosas que procuram incessantemente conhecer-se a si e ao mundo, com uma teimosia que é no fundo uma vontade plena de viver cada segundo e mergulhar cada vez mais fundo num mar de novidades e incertezas.</p>
<p><strong>Pietra Galli</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>as 12 voltas de júpiter e a mira de saturno</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 May 2024 09:40:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[não crer no mistério é como observar o vazio
sem ceder, perplexo, ao esquecimento
do nome do tempo
registro de pedra à porta dum sopro
que se instaura e inaugura
o momento mesmo do sopro.
o mistério dum tempo
não daqui, mas de antes
a centelha de outrora de alhures
afronta o corpo presente
matéria forjada no campo
inenarrável da Ideia:

talvez seja isto
a impossibilidade de desvio
da irrefutável concretude
da estrutura e
do motivo por e a que viemos.

(...)

[<em>almuten figuris</em>, página 31]

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os poemas de Ana Zambi queimam: como a verdade prática ou a brasa do cigarro. Tanto fado: verdade, destino, quanto fardo: peso e responsabilidade dessa mesma verdade e destino — “carregar o signo do rigor das palavras/é fado e fardo/não se transmite”.<br />
Astróloga e poeta, Ana Zambi surge com o belo <em>as 12 voltas de júpiter e a mira de saturno</em>, um primeiro livro que reflete os ciclos da experiência. Ciente dos desastres e augúrios que esses ciclos podem causar, esta poesia pendula entre o trauma e a beleza, tentando tirar do cotidiano aquilo que os ingleses chamariam de “silver lining”, ou seja, o revestimento prateado de toda situação tempestuosa.<br />
A expressão significa “tudo tem um lado bom”, o que poderia ter laços bem apertados com o sentido jupiteriano do otimismo: mas se engana quem acredita que os poemas de Zambi caem no otimismo inocente ou no dualismo estanque. Com o lirismo temperado de ironia, devedor de Alexandre O’Neill, citado nas epígrafes do livro, esta poesia também elabora com escárnio a reação a uma realidade comezinha e mundana demais.<br />
Quanto a ela, o maior tributo a se pagar com a moeda do tempo de Caronte é listar as coisas escritas com fúria: “olhos fechados de desejo/tentativas de esquecer o frio/a cama dura que nos fere as costas/as minhas costas feridas e o modo como as dei ao mundo”.<br />
Sem querer dar spoiler, as 12 voltas… falam de como se voltar mais uma vez para esse mundo, se reconectar com ele, a partir do básico: dos seus elementos naturais, da escrita vertiginosa dessa realidade, do desejo por um corpo permanentemente em falta.<br />
Quem está sob a mira destes poemas é o leitor, ele é o interlocutor final dessa voz que se dirige ao ser amado, aos luminares, às métricas do céu. Que ele se permita ser flechado.</p>
<p><strong>Fernanda Drummond</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Benevolência</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 May 2024 19:42:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Um coração autocompassivo não se julga.
Toma longos banhos e faz aulas de canto,
põe folhas de patchuli entre os lençóis,
tem paciência consigo.
Acarinha-se.
E segue.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Este é um livro de poesia que não dói, não sangra, não grita, mas nem por isso deixa de acordar, um a um, e sem muito susto, todos os ossos do corpo.</p>
<p style="text-align: justify;">É um chamado para ir ao encontro do outro e do mundo sem medo, ou com o mínimo medo possível, mas é, antes de tudo, um convite para lamber as próprias feridas e se dar sossego.</p>
<p style="text-align: justify;">“Eu vim cicatrizar músculos e costelas, rins, fígado e baço.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu vim regenerar pele e esquerdo do peito, depois de mil anos de cansaço.”</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">(Trecho do poema “De muito longe e de muito antes”.)</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Sereias-anjos nadam ou voam?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 May 2024 16:47:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Bruxas
da América
Central
queimando a fibra da terra
com histórias de outras terras
reivindicando para si o óleo sagrado
do primeiro dendezeiro

o eco vem através das águas
aninha-se de aromas e ritmo
o tambor ancestral renasce
Mulheres Sagradas da América Central

[<em>Poema à Tituba, a bruxa negra de Maryse Condé</em>, página 42]

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A metafísica do universo é o corpo de uma mulher negra. Este é o princípio fundador das páginas de Sereias-Anjos Nadam ou Voam?, da poeta Hannah Bastos, que no seu livro de estreia transfigura a sobrevivência em uma existência ritualística onde é preciso talhar-se a si com ladainha e reza de mangue e mar para de si nunca deslembrar. Mas não só. Aqui, esta mulher deslocada na diáspora que exibe a voz poética de alguém que se entende negra há milhares de quilómetros de casa para perceber que é preciso reinventar a casa para reinventar também o próprio centro e o centro do mundo. E, à medida que se torna negra, percebe-se não como lhe desejam que se perceba, mas ao contrário, como a sendo aquilo que concretamente se é: esta grande tecnologia ancestral. Assim, evoca as bruxas da América Central com o mesmo tom radical e sedento em que chama pela sua avó bilíngue em plantas e serenos. Faz-se ninho de si mesma enquanto encara a solidão do seu próprio espelho, conquista e reconquista o seu rosto incerto, observa a vida e a morte pelos olhos de Suçuarana, e enquanto procura, encontra e assenta sua retomada. Sereias-Anjos Nadam ou Voam? é sobre a pele, que, uma vez que habita o sal (e a água), assume o estatuto da eternidade, assume o reinado de um povo inteiro; e sobre o encontro entre o Nilo — este rio de um continente África onde nunca esteve, mas ao qual sempre pertenceu — com as águas do Rio Jaguaribe ao sul do Equador; ou do oceano Atlântico, que umedece as finas areias de Tambaú com o Mediterrâneo, cujas conchas são de ambos sempre os ossos, as pernas, os braços dos que ali ficaram antes de si. Esta é a forma valente que a poeta encontrou para que sua voz fizesse cumprir a promessa das manhãs e esperasse pelos peixes presos nas redes de arrasto mais uma vez, seja lá em que água esteja. Sereias-Anjos Nadam ou Voam? é o sopro da esperteza de gente de beira de mar.</p>
<p><strong>Manuella Bezerra de Melo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>O transbordar da permanente incompletude</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-transbordar-da-permanente-incompletude</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 May 2024 23:21:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[estou esperando
o meteoro prometido
o fim inevitável
a morte contumaz
enquanto admiro a beleza de tudo
e me agarro ao viver

<em>— a vida é esse incômodo obstinado</em>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Entre linhas e versos, mergulhamos na essência de uma alma que transborda sensibilidade. É com imensa alegria que convidamos você a adentrar o universo poético de uma autora que se revela pela primeira vez em páginas que ecoam emoções, reflexões e sonhos.</p>
<p style="text-align: justify;">Em <em>O transbordar da permanente incompletude</em>, cada palavra é um convite para mergulhar nas profundezas do ser humano. Dividido em três grandes capítulos temáticos — Talvez, Seja e Demais —, somos conduzidos por uma jornada poética que oscila entre a dúvida, a certeza e a intensidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao adentrar essas páginas, permita-se ser transportado para um mundo onde as emoções fluem livremente, onde cada verso é um convite para explorar os recantos mais profundos da alma. Esta não é apenas uma obra de poesia, mas sim um convite para uma jornada íntima e pessoal, na qual cada leitor encontrará sua própria verdade refletida e fotografada nas incertezas e instâncias de seus pensamentos.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Talvez</em> seja a busca incessante por respostas que nos move, ou quem sabe <em>seja </em>a aceitação da incompletude que nos torna mais humanos. Seja como for, é nas entrelinhas desses versos que encontramos a verdadeira essência da vida, em toda sua beleza e complexidade, que nunca será <em>demais</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta obra é o produto de uma jornada do dia a dia, da exaustão de um dia de trabalho, dos devaneios de amores incertos, da felicidade de estar com amigos, da alegria de cozinhar algo gostoso e compartilhar, de passar os dedos e sentir o amor condensado nos pelos do nossos gatos e cachorros, dos gritos ensurdecedores da sabotagem dizendo que nunca somos suficientes, das infinitas e criativas possibilidades de fazer arte, da ansiedade de ser algo sem saber ao certo quem somos e o que queremos, da tristeza de se sentir só mesmo com pessoas te rodeando, do calorzinho no peito de quando estamos com quem nos completa e da risada boba e esperançosa de quando olhamos o mundo e o registramos por nossas lentes. Esta obra é, portanto, puramente a vida, caótica e certeira.</p>
<p>Do quarto de uma garota do interior, para o mundo. Perdure. Transborde.</p>
<p><strong>Gustavo Fernandes Rodrigues</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Janela sertã</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 May 2024 14:11:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Como me recompor em linhas
se venho perdida em cada cruz deste caminhar?
Um ninguém para lugar algum. Agora vejo.
Devo por isso deixar cair o lápis na mesa?
Ter mãos vazias besteira a mesma.
Desejo aprender em bernardo soares entranhar.
Ser uma designação indiferente na álgebra do mistério
e ainda assim guardar livros,
ainda assim desenhar chaves para o incomunicável,
repetir enquanto houver folhas,
sentimentos não nascidos e sensações a estalar a dorsal do meu tempo.
Abandonar o sentido,
já não mais o preciso
nem nunca o alcancei.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Com seu primeiro livro de poesia, Martha Jerônimo nos abre a janela para paisagens do mundo feminino, histórias e estórias do cotidiano, comuns a todas nós. Os versos breves, intensos de emoções, nos remetem de um tempo a outro, como uma dança para ser sentida em camadas, em busca da compreensão dos enigmas da vida. As palavras de “um jeito, uma maneira” pedem passagem, sem receio de expressar aquilo que ficou represado, transbordando em angústia e vazio (“às vezes a vida me lasca e fico órfã de novos significados”), mostrando que aprendeu a enfrentar e reinterpretar os vaivéns das perdas e achados, criando vida nova, fresca como uma reza: “que eu semeie palavras, que onde a hera verdeje a dor esvaia”. “Ainda criança aprendi a pôr significâncias nas coisas enfeadas ou tortas” nos conta Martha, acompanhada de Manoel de Barros, de onde se vislumbra a menina, com olhar atento ao mundo, questionando o tempo campeiro, duro e seco, mas de onde se fez a semente da mulher fértil e sensível. O texto potente de Martha, Martinha como se diz, nos abre não só uma janela, mas um mar que tinha Martha recolhido, pensando ser ele apenas um riozinho que mal havia de lhe saciar a sede. A cada interrogação que lança à vida, mais descortina para nós a parte oculta, a sonhada, o lançar-se no abismo que traz terror, mas também espaço e liberdade para abrir as asas. Assim o fez esta poeta, que agora experimenta seu voo amadurecido pelo tempo, sem amarras, ousando encontrar-se entre tantos pássaros audazes. Nos alcança, parceiras, num tempo e espaço comum a todas, ensinando a abrir as janelas para vislumbrar um oceano sem fim, que se mistura com o céu. “Eu escrevo desde sempre”, diz, e assim inventa a vida e “as emoções verdadeiras” que nos afetam em nossas câmaras mais secretas. Martha nos ensina o movimento em queda e dançar ao vento, fazendo “nu, o chão da alma” e a deixar-se ser semeada e brotar em flor “para ser menina outra vez”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Lia Dauber</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>O que eu preciso gritar</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-que-eu-preciso-gritar</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 May 2024 11:19:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O amor não deveria fazer de você uma carrasca de si
Nem colocar sua confiança em si mesma em xeque
Não fique onde menosprezam sua forma de sentir.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Um livro sobre o trajeto que nunca é reto.</p>
<p>Úmido, volumoso e com cheiro de artemísia: O que eu Preciso Gritar deve ter sido escrito em noites de lua cheia.</p>
<p>Para quem gosta de navegar e para quem quer aprender a desbravar o futuro girando em torno de si. Uma oferenda a tudo que é irregular.</p>
<p>Bendita seja a inconstância!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Nathalia Ruggiero</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Pária amada, Brasil</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/paria-amada-brasil</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 May 2024 15:53:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[No concerto das nações, o Brasil é um dos que não tem conserto.

O Brasil nunca foi comunista, mas está há mais tempo no vermelho que a China.

O Brasil não passa de uma ilusão de ética.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>O Brasil não cabe em uma frase. Mas, em 99, ficou nota 100. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Meu nome é Brasil, mas pode me chamar de &#8220;o país do futuro&#8221;. A propósito, o meu futuro acabou de ser adiado para a próxima década, novamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Estou aqui, com meus <strong>8.514.876 km²,</strong> para apresentar este livro que fala sobre mim — e um bocadinho sobre Portugal — através de aforismos.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Pária amada, Brasil</em> é uma coleção de observações tão afiadas que poderiam cortar ao meio a cabeça dura de uma tia do <em>zap</em>. Nele, você encontrará verdades que são ditas em voz baixa por aí, mas que agora, enfim, estão impressas para todo mundo ler. E, se não doer, até gargalhar durante a leitura.</p>
<p style="text-align: justify;">O livro é um espelho que reflete não apenas o que somos, mas também o que poderíamos ser, se não estivéssemos tão ocupados discutindo o futebol e a terminologia correta a ser usada nos banheiros públicos.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Pária amada, Brasil</em> sou eu de B a L. Discute desde a política — essa arte performática que praticamos com o entusiasmo de uma micareta fora de época — até os nossos planos econômicos, que são mais furados do que as explicações de por que ainda não sou uma potência mundial.</p>
<p style="text-align: justify;">Nada ficou de fora destas páginas. Exceto o autor, Carlos Castelo. Por nunca ser chamado para <em>lives</em> ou cursos de escrita criativa, como vingança, acabou adotando uma persona misantropa. Mas, em havendo cachê, Castelo costuma ser mais flexível, chegando mesmo a fazer performances de <em>kuduro </em>em festas de debutantes.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro ponto importante sobre <em>Pária amada, Brasil</em>. Não se preocupe, não é necessário entender de economia para lê-lo — até porque, se entendêssemos, talvez eu não estivesse nesse miserê todo.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas vejamos pelo lado bom, pelo menos possuo praias lindíssimas para os brasileiros visitarem enquanto decidem quem será o próximo messias a me salvar das mãos da esquerda, centro ou direita — dependendo do valor do dólar à época da eleição presidencial.</p>
<p style="text-align: justify;">Então, se você quer rir um pouco da tragicomédia tropical que é viver em minha companhia, ou se simplesmente precisa de algo para ocupar o tempo enquanto me espera pegar no tranco, aqui está a obra perfeita para você. Afinal, arriscando criar um aforismo bem cabotino sobre mim mesmo: &#8220;No Brasil, até o passado é incerto&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Brasil</strong></p>
<p style="text-align: justify;">é um país da América do Sul, lindo, trigueiro, terra de samba e pandeiro</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Sob esses rios que voam</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 May 2024 14:36:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[a câmera do celular
percorre a casa vazia.
ouve-se narração
que chega em vídeo
a tentar traduzir
o silêncio
de senhora maranhense
e suas filhas — famélicas —
perdido, para a fome,
o gesto primitivo.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Alguém já disse que a arte poética é mais transpiração que inspiração. Desde o título, <em>Sob esses rios que voam</em>, de Edmon Neto, é um livro que transpira. Seus versos nascem do suor do corpo e da umidade impregnante do ambiente amazônico. Como sabemos, os rios voadores nascem da transpiração da floresta. São correntes de ar invisíveis suspensas sobre nós, a levar umidade da Bacia Amazônica para outras regiões do Brasil, especialmente as do Sul. Trata-se, afinal, de comunicação. Mas uma comunicação que não informa: forma — ajuda a formar e manter as condições vitais dos ecossistemas.</p>
<p style="text-align: justify;">Mineiro vivendo na região do Xingu, no Pará, Edmon transforma em poesia a experiência quase etnográfica de ser um “estranho familiar” numa terra nova que, no entanto, sempre foi sua. Redescobre, assim, uma humanidade que não consegue se reconhecer sem uma profunda comunhão com a terra, para citar seu conterrâneo Ailton Krenak.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse processo criativo, o eu lírico evapora-se, mesmo quando usa a primeira pessoa, para dar lugar à perspectiva do poeta cidadão que se coloca inteiro na escrita. Ele não quer representar nada, mas assumir um ponto de vista, o seu. Faz-me lembrar de Viveiros de Castro: “Uma perspectiva não é uma representação porque as representações são propriedades do espírito, mas o ponto de vista está no corpo”. Não o corpo fisiológico ou anatômico, mas esse “conjunto de maneiras ou modo de ser que constituem um <em>habitus</em>”, ou seja, “o corpo como feixe de afecções e capacidades, e que é a origem das perspectivas”.</p>
<p style="text-align: justify;">A perspectiva não é, portanto, um atributo exclusivamente humano. É por isso que, acompanhando a voz do poeta, ouvimos também as vozes de outros corpos, humanos, não humanos e inumanos. Animais selvagens, rios e igapós, visagens, meninos, música, chuva, odores, a cidade (sim, a Amazônia é também urbana), ruas, meios de transporte, nuvens, calor etc. Ao modo como os rios voadores do Norte se comunicam com o Sul e o Sudeste, essas vozes que se comunicam com o poeta e com o leitor <em>nada informam</em>, antes, <em>alimentam</em> seus corpos, fortalecendo neles um multinaturalismo — ainda Viveiros de Castro — que não separa cultura e natureza, poesia e política. Comunicação-comunhão. Celebração desse estranhamento familiar que nos une e nos dissolve, para então nos religar outra vez, elementos vitais interdependentes, <em>Sob esses rios que voam</em>.</p>
<p><strong>Eleazar Carrias</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Amaranto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Apr 2024 17:01:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Saí do sertão rumo às terras salgadas e de mares,
abandonando uma paisagem seca e retorcida.
Mas, a mim tão bela durante as chuvas.
É tão intrigante nas invernadas de março, pois a vida se esconde na
secura da mata cinza.
Foi de lá que nasceu a sede e a lágrima,
ao ver o cinza transmutar-se em verde-vida,
das fontes d’águas fazedoras de caminhos invisíveis.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Amaranto</span></i><span style="font-weight: 400;">, do grego ἀμάραντος (amárantos), diz daquilo que não morre.” Em seu perene caminhar, Maycom Cunha nos conduz aos jardins que antecedem a passagem do último limiar, como uma abertura no umbral cujo véu desvanece em nossa mirada final. </span><i><span style="font-weight: 400;">Amaranto</span></i><span style="font-weight: 400;"> possui uma tessitura tão sensível e bela quanto triste e saudosa, como se a hora das Parcas finalmente se aproximasse. Nossa jornada, aqui, vai aos mares do além-horizonte, mas não antes de caminhar pelo chão da Caatinga, nas muitas andanças que anunciam o crepúsculo, pois os deuses já se recolheram ao seu sono eterno. Em sua poética singular, Maycom Cunha nos ensina a semear despedidas, plantando-as na beira do rio que deságua no salgado oceano das mudanças. </span><i><span style="font-weight: 400;">Amaranto</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz a nostalgia, fome e sede advinda do que se avizinha nos amanhãs oníricos que lamentam a perda dos dias, mas guardam suas promessas nos pontos cintilantes da abóbada celeste. Arrisco-me a dizer que, talvez, tudo isso seja mesmo sobre envelhecer, contar o que guardamos da vida; nossas memórias e cascas que deixamos pelas veredas de Guimarães Rosa. O sertão ensina-nos que é preciso aprender a entardecer, esperar as chuvas de março, e alegrar-nos com a vida que emerge do solo, evocada pelo banho sublime que deságua de cima. Sem saber como aqui chegamos, nos apercebemos diante de uma encruzilhada. Que faremos então? Que seremos? Habitaremos? Morreremos? Não importa, vibraremos segundo as sinfonias dos antigos mestres, e dançaremos enebriados pelos murmúrios dos ventos do litoral. Arrisquemo-nos, pois, a </span><i><span style="font-weight: 400;">amarantar </span></i><span style="font-weight: 400;">a vida, tanto em uma prosa que celebre outra revolução possível, quanto em versos de caligrafias íntimas. </span><i><span style="font-weight: 400;">Amaranto</span></i><span style="font-weight: 400;"> não tem como não ser sobre vida, e tudo que dela a torna viva: a própria morte e finitude, que nos acompanham como sombras pelos nossos caminhos. </span><i><span style="font-weight: 400;">Amaranto </span></i><span style="font-weight: 400;">também é sobre perseverar, mesmo diante o desalento. Medo, solidão, lamento. Um sopro de alívio ao tirarmos um espinho do dedo, assim como, as memórias da infância reavivadas ao olharmos álbuns da casa da avó. Não, não morreremos. Não hoje, pelo menos. E quando formos, andaremos de mãos dadas com a nossa própria saudade. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Arthur Lima</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Suícidios diários</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Apr 2024 20:41:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[tenho morrido todos os dias
não conto a ninguém
tenho medo que comecem a sentir

o cheiro.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">aramyz assume uma postura frente à morte de coragem e frente à vida de resultado. E fede. Viver transcende qualquer fedor. Viver entre a maioria dos homens é uma tristeza. Viver entre o passado que frequentemente nos visita e não nos permite expurgos é lamentável. Viver é a somatória de derrotas atrás de derrotas. Mas se a vida não o tivesse derrotado, se não fosse mais forte do que ele, eu jamais teria vivenciado sua literatura, e isso não é pouca coisa. Alterou quem sou enquanto mulher, profissional, pessoa. Impregna na pele, numa nova descoberta de encarar o que nos empurra as pálpebras quando estão cerradas. Não há limites para o que ele produz, para quem ele é. Dentro de todas as fugas do padrão normativo, aramyz é um presente da derrota de suas ações – e isso não poderia ser mais incrivelmente lindo e reflexo de uma tormenta infindável.</p>
<p><strong>Debora Rendelli</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Só é possível ser feliz numa cidade estrangeira (poemas portugueses)</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/so-e-possivel-ser-feliz-numa-cidade-estrangeira-poemas-portugueses</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Apr 2024 10:29:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O tempo fez-se, expandiu-se, dilatou-se.
Expôs a polpa sumarenta de fruta madura
a rebentar sementes; um tempo prenhe,
voraz; urgente, tempo egoísta.

Fugidio, escapa dos pulmões a cada golfada de ar,
desfaz-se em fiapos nos interstícios dos músculos tesos,
sente-se desfalecer entre sístoles e diástoles pressurosas,
repousa por ínfimos segundos no dorso da língua.

Este tempo, janela entre o ontem e o agora,
despossuído de mim ou de ti,
explode em partículas de nada e água,
E leva-nos, pulverizados, indistinta poeira,
pelos céus de agosto.

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O escritor Juliano Garcia Pessanha uma vez escreveu: “Aquilo que desaloja é o mais hospitaleiro”. Em Só é possível ser feliz numa cidade estrangeira, Alexandra não apenas expõe com eloquência esse aparente desatino, mas também alerta com sabedoria sobre o perigo de enraizar e sobre a importância de saber partir quando a cartografia que nos cerca se torna mundana.<br />
Nesses poemas portugueses, tudo que passa por ordinário no cotidiano e tudo aquilo que envolve o destino humano é observado de maneira generosa e com ternura. Essa capacidade de olhar, que se equipara a de um Georges Perec, nos conduz a reflexões sobre os espectros da infância, as ambivalências do ofício da palavra, a fatalidade da morte, a esperança no amor, a inflexibilidade do luto e o tamanho incomensurável do vazio que ele desenha. A morte de um ente querido é uma ausência categórica que não arrefece com o tempo, é um decreto do não. A vida não se repõe, afinal.<br />
Mas a vida se atualiza. Em solo estrangeiro, é legítimo descobrir que partir pode ser como retornar. É assim mesmo: a geografia é um tanto traiçoeira, andamos em círculos. Em calçadas portuguesas, nos aguarda a oportunidade de reaprender a caminhar e a tropeçar, repensar o vínculo com o chão e a impossibilidade de ser colibri. Olhar para o turista criticamente, mas também com compaixão — ele também está fugindo. Olhar para a tristeza com igual compaixão, ela também é um rebento assustado.<br />
Reconhecer que o peso da mala é ínfimo diante do peso do corpo. Perceber que os pés de bebê que estranharam a areia de Ipanema ainda são os pés que hoje em dia ressentem a textura do mundo. Assumir a constituição mineral e a veneração pelas pedras, como quem finalmente aceita as próprias dores. Amar, mesmo sabendo que o amor não é uma estrutura balanceada. Parar de esconder os rastros, aprender a reconhecer os índices, no caminho e no rosto. Amar as ruínas e saber que todo corpo é uma ruína postergada.<br />
O texto de Alexandra transparece uma vitalidade vocabular inédita que nos confirma: a literatura memorável é também uma cidade onde chegamos estrangeiros, ainda sem saber como conduzir a exploração do território e, acima de tudo, sem adivinhar o tamanho do legado humano da incursão poética — e que legado Alexandra nos deixa. Nas frestas destes poemas, a tal felicidade nos espreita muito tímida e, às vezes, nos cumprimenta. Noutras, se despede do leitor com delicadeza, feito uma amiga de longa data que atravessou um oceano para terras portuguesas e sobre a qual nutrimos esperança de, algum dia, vermos novamente.</p>
<p><strong>Harini Kanesiro</strong></p>
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		<title>Cacos &#038; casos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Apr 2024 13:40:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[eu continuo preso neste quarto
há rachaduras no meu peito
com a distância do teu sorriso
meus dias ficaram mais longos
o céu cada vez mais cinza
não há fuga no espelho
o peso do vazio me assusta
todo caminho é confuso
desconhecido sem teu toque.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Nas primeiras vezes que li, eu me confundi. Eu escrevi &#8216;Cacos &amp; Acasos&#8217;, ou foi &#8216;Casos </span><span style="font-weight: 400;">&amp; Atrasos&#8217;? Lendo &#8220;Cacos &amp; Casos&#8221; eu lembrei que </span><i><span style="font-weight: 400;">o amor nem sempre é tão azul</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">porque &#8220;até o amor ser bom, ele é tão ruim&#8221;. Posso ouvir Letrux cantando, chorando. </span><span style="font-weight: 400;">Assim como algumas pessoas, os poemas de </span><span style="font-weight: 400;">Janderson T Sousa </span><span style="font-weight: 400;">tem gosto e cheiro de</span><span style="font-weight: 400;">cigarro e vinho baratos. Nessas linhas que pegam fogo, ele nos diz “e meus versos </span><span style="font-weight: 400;">estão em colisão”. </span><span style="font-weight: 400;">Com a mesma sensação de insegurança que todo acidente oferece, eu me fiz algumas </span><span style="font-weight: 400;">perguntas: são poemas, letras de rap, cartas ou páginas de um diário? O hibridismo </span><span style="font-weight: 400;">de gênero, característico da poesia contemporânea brasileira, está muito presente </span><span style="font-weight: 400;">nesta reunião dos dois primeiros livros, lançados de forma independente e digital, de </span><span style="font-weight: 400;">Janderson T Sousa, e se intensifica ainda mais quando este traz para o seus textos </span><span style="font-weight: 400;">outras vozes, como Kerouac, Clarice, Almodóvar e José Aldo, com a mesma </span><span style="font-weight: 400;">intimidade que seu melhor amigo te recebe em casa para uma noite de desabafos, ao </span><span style="font-weight: 400;">som de Thiago Pethit. Nós também estamos aqui. </span><span style="font-weight: 400;">Janderson T Sousa é rapper. E talvez por isso ele nunca está só. Talvez por isso eu me </span><span style="font-weight: 400;">sinto em um slam, em um sarau; porque é ouvindo alto seus poemas que eu me </span><span style="font-weight: 400;">aproximo tanto dos seus silêncios. Engraçado, eu ia escrever </span><i><span style="font-weight: 400;">fragmentos. </span></i><span style="font-weight: 400;">Usando suas palavras, ele me diz que “tudo que escrevi, escrevi embaixo d&#8217;água.” E </span><span style="font-weight: 400;">me faço outra pergunta: é possível escrever embaixo d’água? Lembro de uma poema </span><span style="font-weight: 400;">de Nina Rizzi e me faço outras perguntas: é possível escrever sob um teto em </span><span style="font-weight: 400;">chamas? É possível escrever atravessando uma cidade, “só para te ver dançar”? E este </span><span style="font-weight: 400;">livro, nas suas mãos, me grita: “escrito na confusão dos olhos”. Você consegue ouvir? </span><span style="font-weight: 400;">É assim estar apaixonado? Escuta. </span><span style="font-weight: 400;">Kintsugi, ou kintsukuroi, é uma técnica japonesa de reparação de cerâmicas que </span><span style="font-weight: 400;">colmata as falhas de uma peça </span><span style="font-weight: 400;">– </span><i><span style="font-weight: 400;">cacos </span></i><span style="font-weight: 400;">– </span><span style="font-weight: 400;">cobrindo-as de resina misturada com pó de </span><span style="font-weight: 400;">ouro, prata ou platina, diz o Google, formando (a)</span><i><span style="font-weight: 400;">casos</span></i><span style="font-weight: 400;">. Isso pode não significar muita </span><span style="font-weight: 400;">coisa, mas me lembra de um conceito de leitura que diz que ler é construir sentidos, </span><span style="font-weight: 400;">juntar os cacos, formando casos, como estes poemas aqui.</span></p>
<p><b>Caio Balaio</b></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Fundo azul</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Apr 2024 17:15:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[cuidei de orquídeas azuis
que tiveram sede de tintas
que foram almoço
de formigas desavisadas
que não sabiam que
as flores eram especiais
porque podiam morrer]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Escritos durante os anos de 2020 e 2021, os poemas reunidos em <em>Fundo azul, de Fabiane de Souza,</em> investigam a vida na quietude da introspecção e desbravam caminhos de construção de significado em torno de uma questão fundamental da condição humana: o que fazer daquilo que nos acontece quando nada está acontecendo? Qual destino dar às coisas que não cabem na consciência, mas vazam do inconsciente para fazer lugar num <em>entre</em> tão inacessível ao discurso quanto impossível de elaborar sem linguagem? Ou, na formulação da autora: “<em>como a palavra pode acontecer nos dias?</em>”.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Fundo azul</em> fala sobre ausências e vazios, mas não de modo niilista: pelo contrário, escava de dentro deles pontos de ancoragem capazes de dar a ver o quanto de vida existe, latente, no lado invisível das coisas. Nessa pesquisa orientada para o sentido de sobrevivência psíquica, a poesia de Fabiane de Souza dá conta de recuperar a dimensão de <em>experiência</em> dos acontecimentos — essa dimensão vital e cada vez mais rara — e imantar o vivido na pele dos dias. Porque a autora sabe que no fluxo das horas “<em>algo não cessa de escapar </em>(&#8230;)<em> e é o jeito desse algo restar: sempre esvaindo</em>”.</p>
<p style="text-align: justify;">No cotejo de dias que se parecem a outros dias, a poeta vive sua verdade mais íntima: observar, absorver e traduzir em arte — por meio de imagens que tomam forma em cores e palavras — a poética de certa <em>imobilidade ativa</em>, colhida da “<em>breve lacuna de quando a angústia vacila</em>”. Com isso, demonstra um conhecimento profundo das nuances discretas da nossa humanidade e sugere vias pouco usuais (mas muito efetivas) de conexão com a pulsão de vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Povoado de imagens únicas, construídas a partir da escuta aguçada dos silêncios ao redor, o livro de estreia de Fabiane de Souza traz, em seus poemas, a mesma sutileza perspicaz, a mesma inteligência poética que a artista vem trabalhando nos últimos anos em suas séries de obras fotográficas e cianotipias.</p>
<p><strong>Carolina Zuppo Abed</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Escândalo escuro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Apr 2024 13:43:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Um colo ficou vazio,
intacto na noite,
quando te foste em direção a outras noites,
e o silêncio ficou a arejar-me o peito
que já não tem o teu contorno,

que é só escândalo escuro.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Na superfície das palavras bem garimpadas, vem o alívio: Arte. Para dores escuras.<br />
No subterrâneo, como lava quente, num vulcão em franca ebulição, brota o fulgor. O escândalo. Ou seria do fulgor? Ou, talvez ainda também, no fulgor do escândalo?<br />
Luminosa como um candeeiro na caverna, Carolina mostra suas veias, seus meandros. Coloca o imensurável na linha do horizonte. Esse lugar existe sem talvez ser nunca suposto pelos olhos que leem. Capturados pela cordialidade rebelde daquela presença potente que se faz pairar. Em cena. Em linha, em verso. Uma artista que entende a impermanência está em busca da eternidade no agora do sentir.<br />
Desmedida, intensa. Abusada mesmo e no seu escrever incontrolável da pessoa que deseja romper limites. Seus, meus, nossos. Amém.<br />
Quero estar na plateia de todos seus assombros. Como guarda-chuva na tempestade violenta. Na proteção segura da tempestade, que acabou de passar. Do sentimento que atravessou o pensamento em busca da palavra. Palavra hóstia. Dando, assim, novo sentido ao estar. De novo o agora, sim, mesmo na madrugada seguinte. Ou anterior. Pouco importa. Importa a flâmula, o vigor, a desafinação perfeita de sons inaudíveis. O torpor das noites insones. Criando e demolindo seus castelos. E são tantos. E há tantos por vir. Afivele seus cintos porque o melhor aqui está sempre por vir. Na próxima página, na próxima máscara. O palco da escrita te aguarda a cada espaço vazio bem-ocupado. De um ar que corre pelas frestas que restam do fôlego, na voz partida do coração já quase sem som. Mas que ainda bate forte.<br />
A escrita de Carolina perturba e ronrona. Aponta dores possíveis na beleza estética de quem acaricia palavras. Ela as usa. Toca-as como notas musicais do seu sentir tão vertiginoso. Algumas morrem, quedadas nos precipícios da sua ousadia, mas nenhuma vai sem que as beije uma a uma em despedida antes que se afoguem nas linhas.<br />
Há um matar e um morrer que não se cala em nós.<br />
A garganta sempre viva da artista, pulsa, arde a carne.<br />
Nos escuros ou nos escândalos, nada morre:<br />
Pois tudo Vive<br />
Na Entrada<br />
Na Tomada<br />
No Assombro<br />
Na Vida Eterna<br />
Ave, Carolina<br />
Que na sua Poesia<br />
____________ se<br />
Eletri(fi)ca</p>
<p><strong>Christine Fernandes</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Rosamenininho</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/rosamenininho</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/rosamenininho#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Apr 2024 13:15:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[papai gostava de Nelson Rodrigues
por isso mandava afogar todo anjinho negro
que vinha anunciar o crepúsculo dos deuses

— escapei-lhe ao banho na cisterna?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Doze anos depois de ter sido expulso, o autor retorna à casa do pai e nota sua ausência nas fotografias da família. Na sala, o Sagrado Coração de Jesus continua como um grande vigia dos gestos. Finalmente anistiado, barganha o perdão em troca de ter de volta: o corpo e a voz. Do quintal, escuta um choro primal com terra na boca, e surpreende-se ao encontrar a si ainda criança ensaiando no escuro de uma cova rasa a própria extinção. Movido pela crença da ressurreição, propõe a repatriação de si na própria história. Se Hilda Hilst e Paul B. Preciado tivessem um filho, seria Rosamenininho. O livro nasce do manifesto; a criança viada toma consciência de forma tardia e recupera os limites que, antes inexistentes, tornavam seu corpo um rio sem nome, deslegítimo e indesejado. Aqui o sonho é uma breve segunda vida, tem sua própria cosmogonia, explica a origem do universo a partir da transa de duas estrelas lésbicas. Seus homens delicados são peixes corvinas e estátuas de barro. Os mais silenciosos, ruminantes hipopótamos. O futuro existe porque definitivamente este desmunhecou. E, para quem ousar imaginar final trágico para as afeminadas, trago o “felizes para sempre”, empurrando de vez o dedo no olho do armário. Na companhia de Foucault, Rilke, Clarice, Conceição Evaristo, Preciado, Buttler, Beckett, Vanusa, Paulo Freire, Christiane Torloni, Xuxa, Rouge, Kafka Didier Eribon, São Sebastião, Santo Antônio, Maria Padilha, Nanã de Buruque, Nelson Rodrigues, Jung, Freud, Jesus Cristo, Dona Rute e todos os gays que não se beijaram no fim da novela América, uni-vos. Ao final desta jornada — dividida em três partes: infância, adolescência e vida adulta —, quem é cis vira trans, quem é trans vira Deus, quem é Deus vira jacaré, e quem é jacaré deita na lama e espera com a boca aberta a salvação das espécies. Num mundo onde tudo é performance, a bicha que souber a coreografia de Ragatanga já pode tirar sua carteirinha Rosamenininho.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Pacientemente, desejei a morte ou o evangelho das mil desgraças</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Apr 2024 11:38:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[viver junto a vocês
até virar esquecimento
para enfim uivar na copa
de uma castanheira velha.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Por vezes o poeta, ser concomitantemente extraordinário e impiedoso, desce às catacumbas de suas entranhas para proclamar as cóleras do cotidiano, as vicissitudes do íntimo, ora apunhalando-se à custa de sua própria vociferação, ora desenlaçando os vertiginosos e insinuantes emaranhados de suas urgências.</p>
<p style="text-align: justify;">Em seu livro de estreia<em>,</em> João Rodrigo Costa, poeta de nascimento, não foge aos tormentos inerentes à palavra. Pelo contrário, atravessa sem mordaça um abismo de feridas e desdobramentos, tendo a clara compreensão do despedaçamento, das sobras, dos ritmos e dos tons, como no poema em que ratifica e traz à contemporaneidade a frase de Theodor W. Adorno: “Escrever um poema após Auschwitz é um ato bárbaro […]”.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo a desesperança perante a morte e a inevitável finitude ganham voz aqui — algo como uma confissão existencialista, a exemplo desse excerto do poema “Palhaço”: “todos os poetas estão mortos/e fantasmas que assombram deuses/são homens de alma e osso”. João percebe essa lucidez com a sapiência poética de um meticuloso desbravador de rebeliões, saboreando com conhecimento de causa as nuances objetivas e maleáveis dos versos.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste sentido, <em>Pacientemente desejei a morte</em> é um livro para quem não receia acusar a força das palavras, defrontar seus sangramentos e refletir acerca dos contornos que caminham sob a ótica do que é considerado fim , onde o poeta, com maestria, nos convida — ou nos intima — a um passeio inevitável, porém tomado por uma natural compreensão, como nos versos de Carlos Drummond de Andrade:  “O pássaro é livre/ na prisão do ar./O espírito é livre/na prisão do corpo./Mas livre, bem livre,/é mesmo estar morto.”</p>
<p><strong><em> </em>Brunno Leal</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O quarto azul</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 06 Apr 2024 13:31:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Abandona o livro, esquece
o poema, sucumbe
às prestações da morte
que se aproxima
e grita um canto que
prescinda de letra, de
verbo, de qualquer
articulação predefinida
por idioma ou rigor
comunicativo.

Menino, homem e ancião
nos esperam, eles nos são,
cada um à sua maneira, uma
variação específica dos
dias que passam, das
horas que ficam, daquilo
que não cessa de existir.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Entre quatro paredes:</p>
<p>o quarto.</p>
<p>Dentro dele, o homem.</p>
<p>Solitário, múltiplo.</p>
<p>O Universo dentro de um cubo.</p>
<p>Na sua arquitetura escorreita,</p>
<p>ele é o elemento mais íntimo da casa.</p>
<p>Como se concebido para engendrar os artefactos do poema</p>
<p>que dorme nos desvãos do sono.</p>
<p>Nele, desdobram-se as estações do Homem:</p>
<p>o menino, o adulto, o ancião.</p>
<p>Naquele lugar, guardião do imaginário,</p>
<p>o poeta menino indaga</p>
<p>qual a cor do poema.</p>
<p>E ele nem sabe que</p>
<p>haverá de escrever um livro singular,</p>
<p>suscetível de fecundar nossa Poesia,</p>
<p>como este <em>O quarto azul</em>,</p>
<p>de Fernando de Mendonça.</p>
<p><strong>Everardo Norões</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Iminências de agosto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 06 Apr 2024 12:09:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Virei a cara, depois
virei chorando
um jeito
Virei o disco, o bicho, virei
a mesa, virei do avesso
Depois
virei a esquina, a madrugada, a página
Virei
além da conta, além
dos espantos sob
cautela

Virei sereno
instrumento
Virei um tempo. Virei
Virei contigo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A diferença na posição aparente de um objeto em relação a um plano de fundo, tal como visto por observadores em locais distintos ou por um observador em movimento. O conceito de paralaxe pode muito bem ser aplicado ao mosaico de abordagens e estilos que Aluízzio emprega nos 51 poemas destas <em>Iminências de Agosto</em>. A cada tapar de olhos, ou virada de página, o poeta maneja com domínio e sensibilidade esse jogo de esconder, ora com a primeira pessoa lírica, entre sóbria e perplexa, ora com jogos semânticos bem engendrados, ora com poesias visuais inspiradas, e mais do que isso, que homenageiam o poeta, compositor e cantor Arnaldo Antunes, e ainda relendo os caligramas de Apollinaire.</p>
<p style="text-align: justify;">O próprio autor deste livro anuncia “veja,/só há um tipo de mau poeta/o que negocia com seus versos, pois/todo verso verdadeiro é suicida”. E é exatamente isso o que ele faz ao se recusar, de forma inarredável, a negociar com seus versos. Ao contrário. Aluízzio aponta sua lente para os abismos corrosivos e os jardins suspensos das relações cotidianas amorosas e filiais para logo em seguida tirar do seu tanque de revelação um olhar profundo e crítico sobre a hecatombe social dos nossos dias, e na sequência escrever sobre o ato de escrever. E o faz com a acuidade e a sabedoria dos escribas.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Iminências de Agosto</em> é dividido em duas partes, “A vida bate” e “Chamar a si todo o céu com um sorriso”. São dois blocos que se desdobram em outras figuras de paralaxe, como uma teia em que a visão do leitor pode projetar a imagem deslocada do seu ponto real, com um simples fechar e abrir de olhos. E não deixa de ser curioso lembrar algo que foge à maioria dos escritores e poetas: o ponto, na geometria, é um objeto que não possui definição, dimensão e forma.</p>
<p style="text-align: justify;"> Ao leitor, aconselho que entre neste livro com a perspectiva dos indígenas que pescam em rios com arco e flecha, ou lanças. O alvo está onde não parece estar. Ao disparar, é preciso considerar que um poema se move no espaço. Portanto, flua no fluxo da poesia do Aluízzio fechando e abrindo os olhos, deixando-se levar pelas paralaxes que o conjunto aqui reunido proporciona. Mas, lembre-se, é livro de um poeta que descobriu algo fundamental a quem escreve. Em suas próprias palavras, “quando você se dá conta/de que não precisa de nada além de sua mandíbula/em brasa no altar”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Caê Guimarães</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O sol mastiga os dentes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 06 Apr 2024 11:54:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[um grão
de poeira
oscila

entre
a película
do espelho

e a sósia
granulada
de si

um grão
de poeira
exila.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Cole, com os olhos, teus ouvidos nas minhas orelhas. Você vai ouvir, pelo sistema auditivo do teu olhar, algumas melodias esquisitas de palavras. Você notará passos em pontuações. Você sentirá disposições estranhas de letras em algumas páginas. Enquanto lê, ouça e veja, enquanto vir, leia e ouça as imagens íntimas de um indivíduo qualquer se aprontando para sair de casa, para mais um dia de trabalho, caminhando por São Paulo, pegando trem e metrô, cansando-se mentalmente no cansaço do labor, voltando pelo transporte público cheio, retornando para casa, vazio, tentando dormir, conseguindo ou não amar, acordando Sísifo, no dia seguinte, para a vida seguir. Assim: colando os ouvidos do teu olhar nas minhas orelhas, você vai ouvir, nos efeitos da bigorna, estribo e martelo dos teus olhos, a voz de um mistério que insiste em existir, apesar do peso das mãos do século.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Pequeno manual de preparo do solo para um constructo de destroços</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/pequeno-manual-de-preparo-do-solo-para-um-constructo-de-destrocos</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Apr 2024 10:59:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Porque algum endereço
(sem número)
há que se achar para um verso-coração
(sem carteira assinada)
a perambular pela cidade
a prosa e a troça como seus adereços
de não sucumbir ante a desembestagem dos dias.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Se eu já não soubesse que o poeta Zeh Gustavo também é músico, poderia deduzir. Sua poesia vai muito além do clássico empilhamento de versos com desenvolvimento de imagens: é palavra bem acompanhada da melopeia, do ritmo, da construção da expectativa e da surpresa, do contraste. Não como num concerto, mas como numa roda de samba: “[&#8230;] um samba todo feito em fundamentos:/versado e tergiversado em manhas e mandingas”. Dessas coisas que a transversalidade e as andanças em outras artes — mas mais especialmente na composição e interpretação de canções — podem proporcionar tão bem ao escritor de poesia, como vemos neste <em>Pequeno manual de preparo do solo para um constructo de destroços</em>. Zeh prepara, literal e literariamente, o solo para o plantio da poesia. Faz a <em>aragem</em> e a <em>gradagem</em> do terreno, dividindo esse compasso em dois tempos. O primeiro é mais manso, um mergulho para dentro da subjetividade, com uma presença autobiográfica mais marcada, saudando as origens; já o segundo traz um salto seguido do “voo para fora”, com o olhar planando sobre o mundo e as suas tantas e várias camadas, personagens, acontecimentos. E o <em>fazer poesia</em>, aqui, é como um voo de milhafre sobre todo esse terreno, da raiz às folhas. Sua poesia traz, no bico da ave, o carinho da mãe que foi muitas, a luta (e o ódio) de classes, a infância, a morte, o esquecimento, a lembrança, o amor, a saudade, o tempo. Em solo, o plantio das sementes é alternado: uma policultura, à maneira das aldeias e dos quilombos, para aproveitar ao máximo o uso da terra. “[…] o sopro que rema/desde a terra/gota serena/sulco no vazio/raiz que se não finca/e ainda assim toca/com seu canto/em cada fio/um breu” (esse poema ainda brinca com a mancha gráfica, como outros presentes no livro, que ora desenvolvem silhuetas na poesia visual, ora ampliam as possibilidades de leitura). Tudo isso é semente bem plantada e bem florida. Ao modo de Drummond, faz o <em>constructo</em> imaginário para as “flores esquisitas” brotarem dos destroços, furando <em>o nojo e o ódio</em>. E para nós, seus leitores, fica a colheita farta, numa paisagem de encher os olhos até se perder de vista. Não olvidaremos.</p>
<p><strong>Amanda Vital</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>(em) lume bravo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/em-lume-bravo</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Apr 2024 10:59:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Pena pele pelve
escrevo entre mares
a contrapelo
trans-lúdica opacidade
incandescente
e à margem:
nu(l)a alteridade.

(Do Mar Egeu
ao Jalapão,
a mesma
soberana lua
sobre o que
não tem
explicação.)

[<em>Lume</em>, página 9]

&#160;

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>(Em) lume bravo</em>, livro que estreia a poesia de Isabella Faustino, toda matéria poética se ergue sobre um risco. Não somente o risco do confronto, multifacetado na sua experiência imigrante, na sua bússola nortista, na sua assertiva feminista ou, sobretudo, no senso de justiça que costura com dor e ironia as linhas de força desta obra. Trata-se também de um risco da linguagem, que ora se camufla na hipnose rítmica, verbo-imagética ou idiomática das palavras, ora se desembainha seca e arremata um poema como quem explode uma estrela. Do começo ao fim, a progressão do plano temático nos orienta por um movimento espacial gradativo e imersivo. O primeiro segmento — assim o chamemos — estende-se por largos traços em uma geografia colonial, cujo centro de gravidade são as tensões entre um certo imperialismo linguístico-cultural e a “ilusofonia”, sempre forjadas na incapacidade de assimilação das diferenças entre o local e o alheio. Tal voz, predominantemente direta, desembocará em poemas como “Rubra”, de interrogação biográfica sobre sua vivência em Coimbra e os expressivos sintomas de uma tradição decadente: “submerjo (em) tua noite/como se eu mesma fosse/a própria voz de mulher/que falta no teu fado”. Como um contrapeso, essa ansiedade do reconhecimento irá ser suspensa ao evocar como uma memória idílica a paisagem da cidade de Palmas. Aqui, a luminosidade oratória das imagens projetadas irá friccionar com os limites da representação, dissolvendo em contornos imprecisos ou até inatingíveis a dimensão do seu horizonte: “é olhar de soslaio/espalmado/de quem, sob a luz,/vê o mundo para além/de seu fim”. Em paralelo, esse retorno a Palmas se demarca como um divisor de águas do livro, desdobrando-se adiante em um novo percurso pessoal, não mais delineado pela (des)territorialização da identidade, mas agora pela reivindicação de uma individualidade ética, tanto sublinhada pelo tema da justiça, quanto pela luta pela liberdade do corpo feminino. Por fim, essa imersão encontrará na metalinguagem uma última etapa produtiva ou um retorno essencial desfreado por um plural de vozes. Sobretudo, ao adentrarmos pelo itinerário poético de (Em) lume bravo, defrontamo-nos com a notável perspicácia de Isabella Faustino em extrair de uma consciência coletiva (e histórica) não somente o espelho de um amargo cotidiano, mas uma metáfora da criação de uma saída possível como uma condição literária: “Era vontade de usar a língua:/a portuguesa/e a própria”.</p>
<p><strong>Daniel Cruz</strong><br />
professor, produtor cultural, escritor e mestre e doutor em Literatura pela Universidade de Coimbra.</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>As fracas aventuras de uma moça numa cidade toda feita contra ela</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/as-fracas-aventuras-de-uma-moca-numa-cidade-toda-feita-contra-ela</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Apr 2024 10:03:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Quero que você voe
Voe muito, voe alto
Faça um rasante
Nalgum rio amazônico

Quero que seja livre como o vento
Quero que vá e volte
Quero que escolha ficar
Porque é livre]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Alguém entra em um táxi numa terça-feira qualquer, fala um endereço de destino, mas o motorista, por algum motivo que eu e você jamais saberemos, inverte os números e leva a passageira para um lugar que ela inicialmente sequer sabia que existia. Ela, a partir da chegada, passa a saber algo sobre si que até então lhe era desconhecido.</p>
<p style="text-align: justify;">Por meio da escrita, Ana tem essa capacidade de inverter os números e nos conduzir exatamente para o destino que não sabíamos que esperava por nós. Ler este livro é um reencontro com tudo aquilo que, vez ou outra, esquecemos que existe. É a permanência descrita em &#8220;O arqueiro&#8221;. É a cama de solteiro compartilhada de &#8220;Viva&#8221; e a de casal, compartilhada em &#8220;Julian&#8221;. É a salvação em &#8220;Geografia&#8221; e o desejo em &#8220;Sistema cardiorrespiratório&#8221;. É a honestidade comovente de &#8220;Meios&#8221;. É a constância e a insistência em &#8220;O último poema do primeiro príncipe&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao percorrer as páginas onde Ana dá destino às palavras que não poderiam estar em outro lugar, ficamos sabendo de coisas sobre nós mesmas que até então nos eram inacessíveis. É como se vários pedaços de existência finalmente se encontrassem. Alguns para falar de primeiras vezes, outros para lembrar de últimas. Alguns para sentir saudade do que não foi. Todos, sobretudo, sobre amar.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;As fracas aventuras de uma moça numa cidade toda feita contra ela&#8221; é um desses acontecimentos que você não percebe até perceber. É aquele alumiamento que toma um corpo distraído quando se dá conta de que a paixão já se instalou. É a levantada de pé nos beijos em contos de fada. É o meet-cute das comédias românticas hollywoodianas. É o táxi errado levando você para o endereço certo. É o encontro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Marina Lua</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Não tenho fogo no mapa</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/nao-tenho-fogo-no-mapa</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Apr 2024 13:25:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[guardar rios
é tarefa impossível
em pequenos potes

é preciso
amplos espaços
de entendimento

no passo-a-passo
da linha da vertigem
a aprendizagem final é
deixar o rio ventar caminho
: livre.

no fim
tudo que se
tem são
: memórias.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Comecei a leitura de <em>não tenho fogo no mapa</em>, livro de estreia de lucas lins, como quem tira a roupa e entra nua e afoita “mar adentro”, navegando em suas águas — elemento-chave que vem nos apresentar de um jeito lindo a primeira parte do livro. Afinal é a água que em nós predomina, dentro e fora. É com ela que a Lua dança todas as noites suas coreografias sentimentais. É também na água que mora o tesão poético que sentimos ao ler este sublime livro.</p>
<p style="text-align: justify;">Aristóteles afirmou que no átomo encontravam-se os quatro elementos (água, ar, fogo e terra), de modo que o ser humano seria constituído por essas quatro forças, mas depois desmistificou-se essa ideia do filósofo grego. Faria sentido dizer que somos emoção sentida, inteligibilidade espiritual e intuitiva, ação temperamental para impulsionar a vida, materialidade para que se faça corpo e presença-gozo?</p>
<p style="text-align: justify;">Em sua escrita, lucas lins tece sua poética a partir dos elementos que constituem a nós e à natureza, mas também diz daquilo que nos difere como tecnologia orgânica, como corpo-arapuca. Trata-se de uma escrita-redemoinho que flerta com um determinado concretismo por fazer caminhos outros com as palavras, que aqui podem ser rochosas, densas como a terra, cheias de mistérios por descobrir, possibilitando que um poema seja dois ou mais, que inventemos rotas outras para ler ou até mesmo desler. Mais que a referência aos arquétipos desenhados pela astrologia com os quatro elementos (como evoca o título da obra), a escrita de lucas é cósmica e cosmogônica, carrega o desejo de desatar nós monoculturais que se inscrevem no corpo e no imaginário para, assim, poder bifurcar ainda mais as encruzas que antes nos levavam sempre a apenas dois caminhos, num eterno jogo maniqueísta: ao branco e ao preto; ao dia e à noite; ao céu e à terra; ao macho e à fêmea; ou ao sagrado e ao profano. A poesia é impossível por meio de uma lógica binária, pois, ainda que não haja equilíbrio, ainda que a escassez se faça presente, ainda que nos falte “fogo no mapa”, resta-nos a terra, o ar e a água de cujas entranhas pode brotar calor em pura lava.</p>
<p style="text-align: justify;">E, se nos falta fogo no mapa, poderemos encontrar a chama viva da poesia nesta escrita, que já se mostra grandiosa. Eis um livro que nos convida a ir além de todo e qualquer limite para o afeto e para a literatura, esta feita das margens, como disse João Silvério Trevisan — nossas margens e de outres —, e talvez nessa origem resida a potência viva da escrita transviada: uma poética que desvia de profecias antigas para re/escrever novos mundos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Anum Costa,<br />
</strong>escritora, artista e produtora cultural</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Mulher, Posso e Mando</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/mulher-posso-e-mando</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Apr 2024 15:31:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Nunca me senti tão barragem
De comportas a ceder
Ruturas
Trémulas

Nunca me senti tão represa
De águas a tremer
Tonturas
E névoas

Nunca me senti tão contenção
Húmida
De águas
Afluentes

...

(<em>Barragem que sou</em>, 82)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A poesia de Maria Caetano Vilalobos<br />
grita no papel.</p>
<p>Não leia parada/o.</p>
<p>Leia em movimento, voz alta,<br />
palavra entre a língua e o pé.</p>
<p>A palavra performática de Maria implora por ação.</p>
<p>A poeta constrói imagens como quem viaja junto,<br />
cantando no carro,<br />
observando as nuvens<br />
e o cheiro dos pneus.</p>
<p>A estrada é a sociedade,<br />
e o veículo,<br />
um corpo de mulher.</p>
<p>Goza, treme e luta.</p>
<p>O corpo poético de Maria Caetano imprime<br />
as suas opiniões e manifestos na palavra<br />
e as palavras em seus movimentos.</p>
<p>Convida a não assistir ao presente<br />
impunemente.</p>
<p>Aceite e mova-se com ela<br />
sabendo que, juntas,<br />
podemos.</p>
<p><strong>Maria Giulia Pinheiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Hamsterdão e alguns desapontamentos de poesia tópica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Apr 2024 10:03:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[viver todos os dias
cansa

há demasiado tempo
ruído e confusão
sobredose de informação

perde-se o foco e a esperança
com a lista de compras na mão

é infinito o rol de cenas
a verdade é adaptação

da realidade
queremos saber apenas
se o roque ainda é o que era
quando chega a primavera
ou se chega
ou não
(...)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Na declaração de intensões — assim mesmo — com que abre <em>Hamsterdão,</em> e alguns desapontamentos de poesia tópica, Rui Portulez trincha a poesia em cima de uma mesa de mistura e tempera-a com um raminho de ervas confessionais: “a meu favor/muitas canções de amor/versos que só eu sei de cor/e pouco mais”.<br />
Para muitos, Amsterdão é aquele lugar onde se vai em busca de um café simpático, onde se possa enrolar um charro sem ter a polícia à perna ou, para os mais dados a confortar o estômago, uns bolinhos com ingredientes extra. Para Portulez, que trata de inventar aqui a sua própria cidade, esta será um pouco a terra de todos nós, uma utopia nebulada onde “usamos espressões/em série/de televisão”, esperando “pelo anúncio da próxima rodada/para voltar a encher o copo”.<br />
Recusando fazer a revolução no sofá, Rui Portulez dispara em várias direcções, soprando a nuvem de forma difusa a que chamamos cloud, definindo a (nova) imortalidade como o “acaso de alguém tropeçar em nós”, caminhando pela terra do like tentando não ficar enleado na “sobredose de informação” ou no extenso “rol de cenas” que nela habitam. A rádio, essa continua a merecer os mais rasgados elogios, uma forma de resistência que caminha em ondas hertezianas: “há gente tresmalhada/energia e bons refrões/em transferência modelada”.<br />
Em tempos de enfiar a cabeça na areia ou no forno, as dúvidas chegam a perturbar até o espírito mais irrequieto: “vale a pena insistir?/vale a pena resistir?/vale a pena um bom refrão?/vale a pena outra canção?/vale a pena apresentar reclamação?”. Como começar, então, a revolução que a todos toca, tirando o caruncho a um reino que está tão podre quanto o da Dinamarca imortalizada por Shakespeare? Talvez começando por aqui: “há que levantar o cú do sofa, ya/e os olhos do umbigo”.<br />
Como muleta ou consolo, teremos sempre a música — e o vinho: “é urgente convocar/o cancioneiro popular/e deixar a porta aberta/ao desvario e fruição/da pop descoberta/à canção de intervenção/à loucura e ao protesto/brindo de copo na mão/emborco tudo de resto”.<br />
Anos depois de <em>Rima, não rima?</em>, livro de poesia para adultos descomprometidos com letras que dariam canções para gravar um novo disco para meninos, Rui Portulez faz do verbo fazer o motor da revolução: “fazer de conta/fazer por fazer/fazer por dever/é coisa de valor!”. O livro fecha-se, mas a janela com vista para esta <em>Hamsterdão</em> comum fica aberta. Saltemos.</p>
<p><strong>Pedro Miguel Silva</strong><br />
in <em>Deus Me Livro</em></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Silvina</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/silvina</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Apr 2024 11:23:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[há um santinho bem gasto
tinta estalada e fenda quebrada a meio
com o menino ao colo
fica de lado sobre a cabeceira
nunca ninguém lhe reza
nem lhe dá graças por melhores dias
sempre deitado no mármore
quieto sem nome nem milagre

não sabem
mas a avó é que o beijava
todas as noites antes do sono
e essa é ainda a bênção
que guarda aquela casa

(<em>dia 8</em>, página 9)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Para a Leonor e a sua Silvina.</p>
<p>Em cada poema de Leonor, há uma casa num Sul pouco árido mas húmido e fresco. A frescura é tão velhaca que está sempre presente e à espreita pelo ombro, tal como a morte. <em>Como uma erva daninha numa parede de betão? Sim, como uma erva daninha numa parede de betão. À entrada, ela diz, poisem a cabeça neste varandim e olhem para a pombinha morta, e nós olhamos, mas é como se a pombinha fosse voar a qualquer momento. A pombinha está morta?</em> Silvina desorganiza-nos; é uma selvajaria de ruas, flores e chochos gordos que enchem os lábios de ternura. Se há uma casa, há alicerces tortos e açucarados como a seiva de algumas árvores e pelo caminho;</p>
<p><em>golfadas de silêncio absolutas</em><br />
<em>como poças de ar</em></p>
<p>Encontram-se becos sem saída e angústias. A poesia é angústia. Nesse silêncio dos lugares que já conhecemos, julgamos perder a sensibilidade. Não queremos um Alentejo moderno mas um Alentejo sem modernices e pejado de léxico vintage; queremos inhas, inhos, itos e itas. Cacofonia e açúcar. Não sabendo se a pombinha se encontra viva ou morta, temos sempre para onde nos virar, e há sempre uma janela na poesia <em>Silvina</em>. A Natureza, obviamente, é o que vemos dessa janela para nos aliviar do burburinho dessa angústia. À mesa erguemos chávenas e praticamos o tilintar à burguesia, mas a falhada. Pode a burguesia ser outra coisa que não falhada? E, se há sempre um santo em casa de alguém, estalado, mofento e com bafio nas brechas, também há sempre um santinho na poesia de Leonor. Estamos de saída mas ainda queremos soprar milagres. <em>Silvina</em>, minha querida, penso nela todos os dias. Sopramos, não acontece nada, só a sombra que as pedras fazem nos pequenos círculos de relva fria é que parece aumentar. Ah! É verdade, dizem que os milagres não existem, mas Leonor diz muitas coisas, e eu digo esta, há luz na sombra, que cliché tão cheiinho de<em> verité</em>.</p>
<p><strong>Rafaela Jacinto</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Navio</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/navio</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Mar 2024 14:27:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[em protesto
os frutos subiam às
árvores
prendiam-se
aos ramos
e recusavam-se a
cair.

(Protesto, página 13)]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Na melhor tradição da atual poética em língua portuguesa, António Quintas Mendes faz pausar o tempo, ralentar a vida, cumprindo as funções máximas do poeta: baralhar sentidos, dar novo nome a velhas coisas, transformar palavras em perguntas e certezas em delírios.<br />
A relação entre Brasil e Portugal é ressignificada a partir deste <em>Navio</em>, nau contemporânea mensageira dos poemas do autor, ora líricos, ora misteriosos. Então, cenas e imagens se sucedem, mas a pressa esperada não assalta a alma que, sequestrada por metáforas potentes, queda frouxa e extática nesses alguns versos e poemas que singram mares, borrascas e funduras, desde o lado europeu do Atlântico.</p>
<p><strong>João Peçanha</strong><br />
escritor, doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Ninguém fica rica a trabalhar</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/ninguem-fica-rica-a-trabalhar</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 Mar 2024 18:09:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Torna-se inevitável descobrir como
Coreografar areia
Desprogramar o café da manhã
Soltar berros fortes
Beber o máximo de água das pedras possível
E ficar mineral
Aquecer o colchão e não os lençóis
Dormir sem lençóis
Dormir sempre com algum corpo
Nenhuma cama deveria estar vazia
Torna-se inevitável descobrir como
Pagar a conta de eletricidade no mês de dezembro de 2022

<em>Para a Mafalda</em>, página 13.

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Ninguém fica rica a trabalhar</em>, o primeiro livro de poesia de Sofia Lemos Marques, nasce da necessidade descomplexada de escrever e é como se nos convidasse a nós, seus leitores, a fazer exatamente o mesmo. Ver no baixo preço das diárias um convite alargado a todos e na humidade das paredes a inutilidade da rápida construção é olhá-las para lá da sua existência simples: tudo poderão ser sinais que nos apontam para as ideias, temos de estar atentos. Este livro traz-nos a audacidade de ver na marmita em tupperware a classe operária que, mesmo com cursos e mestrados, se une à mesa do escritório. Não nos enganemos, a nossa liberdade começa nos nossos pequenos sonhos quotidianos — será o topless na piscina municipal um sonho impossível de concretizar? E a escrita? Posso escrever? Ok, obrigada.</p>
<p><strong>Ana Mariz</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Amor &#8211; conheço demasiada cadelas com esse nome</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/amor-conheco-demasiada-cadelas-com-esse-nome</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Mar 2024 19:18:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[todo fazendeiro que criou gado
sabe que em algum momento
as vacas vão acabar montando
umas
nas outras]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Conheci Yana em uma oficina de escrita: dedicada, misteriosa, empolgada com o que podia fazer com as palavras. Conheci Yana escrevendo este livro de biquíni, para suportar o calor; depois de um banho de mar; ou de dias intensos de trabalho, remando contra o sono. Conheci Yana teimando em atravessar a cidade, de bicicleta, enquanto chovia — recriando, feito profecia, uma cena descrita em um poema escrito meses e meses antes: “não deveria ter saído com a chuva/não deveria ter saído com as palavras”, em diálogo com os versos de Matilde Campilho. Para alguns, tudo isso é história, e não importa. Para mim, entretanto, o caminho para ler os poemas aqui reunidos é justamente o da intimidade, algo tão caro à poesia de Yana, algo que ela desenvolve tão bem.</p>
<p style="text-align: justify;">Senhoras e senhoras, este livro reúne uma poesia explosiva, “vida que brota”, vista a partir de uma lente multifacetada. A poeta transita entre um olhar reflexivo e crítico sobre a cidade, especialmente uma grande metrópole, que ora é Rio, ora é São Paulo, e se mistura à pandemia, ao desgoverno, à inflação dos supermercados, à desigualdade social, à precarização dos trabalhos e trabalhadores: “Quantas passarelas da Avenida Brasil podem sustentar minhas mãos em descontrole, o meu corpo em descontrole, uma pandemia em descontrole”.</p>
<p style="text-align: justify;">Ganha relevo, também, a desestabilização que essa cidade provoca, o que nos leva a uma escrita que, apesar de íntima, apesar de partir de si, é também descentrada, por vezes até desconcentrada — foge, se amplia. É em meio à profusão de luzes e estímulos da cidade e do seu tempo que Yana veste tudo de neon, até mesmo a pele. E escreve sobre incertezas, desconhecidos, desequilíbrios variados. Escreve no ritmo acelerado da cidade, mas cria um outro fluxo, apostando no que não estudou, no que não conhece, no que não sabe nomear. Aposta na escrita e no amor, coisa de quem sabe que é sempre melhor acordar com quem se ama — “o dia é mais dia quando acordo dentro dos seus olhos”.</p>
<p style="text-align: justify;">A alusão aos vestígios do cotidiano, desde as pizzas frias na geladeira até “o jeito de amar a maneira como seu esmalte rosa se desfaz”, é um exercício poético em si. E assim ela funde o amor e a escrita como dois gestos indispensáveis, incontornáveis, que explodem <em>apesar </em>do capitalismo, <em>apesar </em>dos pactos sociais de pura violência e embrutecimento. Toda vez que isso acontece, ela segura o avião, e “life can be so sweet”.</p>
<p><strong>Regina Azevedo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>O dia que me deixou ir embora sem se despedir e a catástrofe que eu fiz disso</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-dia-que-me-deixou-ir-embora-sem-se-despedir-e-a-catastrofe-que-eu-fiz-disso</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Mar 2024 19:26:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[quase saiu da minha boca
(pelo menos duas vezes)
a palavra “apaixonada”
mas talvez quem sabe
para poupar o estrago
que essas dez letras
juntas poderiam causar
engoli a saliva
e te beijei]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>o amor arde, lateja e se mantém vivo na estrutura do corpo. repare no conforto que o abraço traz e no desespero que a falta dele faz. repare em cada detalhe de cada cena, de cada esquina, de cada canto<br />
um dia, naquele dia<br />
a poesia foi (e é) a única que correspondeu ao abraço doído do amor<br />
ao laço maciço da saudade<br />
e ao sentimento rastejante da desilusão e da distância</p>
<p>como classificar o trajeto até a completude sem considerar profundamente todos os percalços até lá?</p>
<p>respirar é insustentável incontáveis vezes<br />
suspirar, contornar, retornar, remar<br />
é tanta cor na ponta dos dedos<br />
é tanto tom como se cada sílaba fosse lembrança (talvez seja)<br />
como se fosse o instrumento mais sutil da cartilha de todos os instrumentos</p>
<p>palavras pra descrever o indescritível, vírgulas que definem a pausa dos fluxos — o ar, correntes de sensações e cenários e sentimentos explícitos. linguagens tão possíveis, olhares tão reais. memórias tão sutis quanto acariciar os lóbulos da orelha ou passar a mão em fios de cabelo, observar um entardecer ou olhar olhos de reciprocidade</p>
<p>são misturas intensas de tempo. todo segundo é feito de mistério, ruídos silenciosos, janelas entreabertas e portas mal fechadas. não existe fórmula pra amar. o amor é sempre só o amor. a gente nunca sabe de que forma ele vai se manifestar</p>
<p>e para além do amor: aqui vejo passados, presentes e futuros. espero que as pessoas possam ver também.</p>
<p><strong>Luiza Soares</strong>,<br />
(guilhotina &#8211; @euguilhotina)</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Noite consumida</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/noite_consumida</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Mar 2024 19:14:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Descansa aquele sorriso
dentro da terra
a gerar,
como em primeiro coito,
a rosa subversiva.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Vinícius Coimbra carrega, em si, a chama da poesia. Seu livro goteja versos que aquecem as letras e ofertam emoção aos lábios de quem lê. Em cada troca de carinho, a boca tão feroz tem nuance de protesto e de acalento sensuais. Costumo dizer que ele é árvore de outono a se desnudar do verde, para se vestir de cores, na primavera. Seus textos roçam a derme de Ferreira Gullar, poeta maranhense, conterrâneo, pelo qual é apaixonado. Vinícius Coimbra, um jovem poeta, entre as noites consumidas, reveste as tramas da poesia e convida você a valsar, neste livro, permitindo-se ser tocado pelo perfume das palavras e levando os leitores de sua obra a perceberem que seus poemas são pilares em construção.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Geruza Ilha</strong>,<br />
poeta e escritora</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>A observadora de pássaros</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-observadora-de-passaros</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 09 Mar 2024 13:51:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Fumavas como arregaçavas as mangas.
Saltavas em ressaca como se fosse de alegria.
Olhavas de soslaio como se disfarçasses
a ternura que as olheiras escondiam.

Sorrias de barba à frente
e querias sempre sentir doçura
para além do dia.

Tentavas.

(página 56)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Esta observadora de pássaros é uma observadora de passagens e, inevitavelmente, de memórias, que surgem, muitas vezes, sob forma narrativa, ao criá-las em histórias, esses meios, tão antigos como as fogueiras, de construção de comunidade.<br />
<strong>Raquel Luís </strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Um dia serei humano</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/um-dia-serei-humano</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Mar 2024 13:24:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A memória de não ser amado
ascende no calor do verão
como escapar ao laço do outro?

As aves por exemplo será
que apreendem a sua forma alada
na angústia do embate na rede?

(Regresso aos mistérios, página 19)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Por aqui começa então a poesia de João Vilhena, esta é a ponta do icebergue que se esteve formando há tantos anos, em tantas cristalizações subterrâneas e invisíveis. E, se não é tarefa fácil para mim a de segurar esta garrafa de champanhe gelada com que o quero brindar, é precisa muita coragem para lançar esse barco num mar cheio de portentos e potenciais titanics.<br />
Quem é então este poeta, ou seja, o que nos diz esta poesia? Há, na poesia de João Vilhena, uma oscilação clássica entre duas pulsões: se por um lado o autor é capaz de dotar muitos dos seus poemas de um lirismo bastante erotizante (eros), por outro lado há uma constante observação da morte (thanatos) no decurso da sua escrita: “Os mortos quero crer são plantas/em movimento no pátio com o sol/mas quem afinal se move é a terra/o sol vai ficando atrás de nós/mudam as mãos as plantas no pátio de lugar/e surgem flores: a vida toda/condensada em horas/mas que morte será a das plantas/ainda vivas quando se for a mão/que em busca do sol as move?”.<br />
O Algarve é tanto o território deste poeta, que aí nasceu, quanto a cidade de Paris, onde agora vive. Alguns destes poemas reflectem essa dupla vivência, essa contra-dicção, essa convivência, por vezes mais feliz, outras mais conflituosa. E que poemas não nascem do conflito feito inquietação (por vezes aparentando acalmia)? Imagens várias, sonetos falsos e imperfeitos, esparsas e outras músicas constituem a música por onde se pauta esta poesia (auto-)questionadora, rigorosa e, na sua simplicidade, muito lida.<br />
Mas não precisamos saber muito mais, para já, sobre João Vilhena. Não precisávamos saber nada, na verdade. A sua biografia, a de qualquer poeta, não nos pode interessar, no limite.<br />
No limite das palavras, o que podemos dizer sobre este João português é que ele “um dia será humano”. Título provocatório em tempos de inteligência artificial, ou da progressiva ausência de sentido de comunidade. Ele lá saberá o que quis dizer com isto, e nós, seus leitores, com isso não temos nada e temos tudo.</p>
<p><strong>Ricardo Marques</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>O jardim onde os poemas murcham</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-jardim-onde-os-poemas-murcham</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Mar 2024 11:08:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Havia algo de sensual na violência.
No frio da navalha entre os corpos.
Quando o sangue fervia
E tudo era raiva e fogo,
Que com a língua nos despia,
Sem reflexo no espelho.

Matéria feita poeira,
Alquimia da devassidão,
Mestres da manipulação.

(<em>o fogo</em>, página 39)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Um jardim é um lugar. E um lugar é o onde-quando em que o tempo e o espaço se cruzam para fazer-se hábito. Mas o hábito — o fazer-se significado até do absurdo — não é algo que permaneça, que se essencialize ou que se transcenda. O hábito, num lugar, é o que persiste na transformação.<br />
O jardim de Rosário Alves Cardoso é um lugar em que o hábito se faz no entre: num espaço e num tempo amplos e demorados, onde as coisas fervilham, levitando, entre uma e outra coisa. “Por isso pairas,/Bem longe do que és/E não és balão sequer.”<br />
O entre, esta distância entre as coisas contrárias, é uma casa. E habitá-la não parece fácil. “Entrem. Fiquem. Bem-vindos ao jardim”, somos assim convidados, talvez por alguém que amanheceu estátua e cuja existência é apenas sinalizada por “pontas de cigarros intermitentes”. Entrar, poderíamos dizer, é estar no entre. Este não é um convite fácil. Mas entramos. E encontramos então poemas murchando, um pouco por todo o lado.<br />
O que será isto de poemas que murcham? Imagino então palavras que levitam — como algo entre um grito e um suspiro, entre o dado e o indizível — e que depois caem na terra húmida, virando húmus. Os poemas murchos são linguagem que habita o entre: o crepúsculo entre a noite e o dia, o cruzamento entre a vida e a morte, a ponte entre a vigília e o sonho, o “cheio vazio” e o “vazio cheio” entre o tudo e o nada, o “imprevisto cósmico” entre o absurdo e o dogma e a “ausência da comunhão do todo” entre o ego e o comum.<br />
No Jardim onde os poemas murcham a poesia é matéria viva e morta, onde as coisas se encontram e se misturam. Os poetas são “necrófagos da experiência humana” e do mundo. E os leitores são “abutres que se alimentam do poeta morto”.<br />
“Escavo e escrevo até o coração bater apenas/Pelas cordas tendinosas que o sustentam./Sou só ridículo/E gosto da audiência desta morte transmitida”.<br />
Entramos. E a meio das estátuas, das flores várias, da areia e deste húmus, descobrimos que o jardim do entre é também o lugar da alteridade. E que este lugar se pode habitar de várias formas. Com indiferença, soberba e sarcasmo. Ou com empatia — esse gesto que se deleita no esforço do impossível. Rosário Alves Cardoso parece conhecê-las a todas e parece ter escolhido a sua.<br />
“Ninguém chorou por ti,/Nem pegou na tua mão cerrada./Dormiste até adormecer.//Não te sou ninguém./Mas chorei por ti.//Amanhã há mais”</p>
<p><strong>Miguel Oliva Teles</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Poemas do manicômio de Mondragón</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Mar 2024 11:31:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[você que só tem palavras doces para os mortos
e leva na mão um ramo de flores
para esperar a Morte
que cai de seu corcel, ferida
por um cavaleiro que a captura com seus lábios brilhantes
e chora pelas noites pensando que lhe amava,
e diz vá ao jardim e contemple como desabam as estrelas
e falemos calmamente para que ninguém nos escute]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Poemas do manicômio de Mondragón</em> (1987) reúne, pela primeira vez no Brasil, um conjunto de poemas e textos escritos por Leopoldo María Panero (1948-2014) – um dos mais importantes e desafiadores poetas da literatura espanhola moderna – durante os primeiros anos de sua permanência no Hospital Psiquiátrico San Juan de Dios. Nesta edição, o leitor contará também com a publicação dos poemas vinculados ao livro de Mondragón que saíram esparsamente em outras obras. Além disso, encontrará os textos de Globo Rojo e uma seleção de fac-símiles da revista homônima, editada, escrita e ilustrada pelos próprios internos</p>
<p>(tradução: Ayrton A. Badriah, Pedro Spigolon e Tiago Fabris Rendelli)</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Escalda-pés</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Mar 2024 07:57:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[coração fica
espremido
constrangido
sem espaço
para pulsar
aquecer
derreter
resfriado
se esconde
dentro de uma
tupperware
na geladeira]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Que a poesia fala com o coração, isso não é novidade. Mas como seria uma poesia que falasse com o pé? Como seria uma poesia que falasse não com o coração na boca, não com o coração na mão, mas com o peito do pé? Aqui, falar com o coração na boca, ou com o coração na mão, também é falar com o que se escuta desse peito que pulsa na planta do pé. Este livro se faz em deslocamento: do pé do ouvido ao ouvido do pé. Esta escrita começa pela escuta, e essa escuta se passa por aprender a pisar. Assim, este livro transmite um saber: “Amar começa assim:/colocar os pés/no chão do outro/para ouvi-lo”. Ele transmite um saber amando, gozando, com o corpo todo, até com as margens do corpo, as extremidades. Amar passa por saber ouvir com os pés. A sabedoria dos pés, como princípio po-ético, erótico, filosófico, leva-nos a vislumbrar como seria uma escrita, uma escuta, um amor, um pensamento, um aprendizado que começasse pelo pé.</p>
<p style="text-align: justify;">Caminhar por este livro é andar pelas trilhas de um romance e seus atalhos, suas fendas, seus buracos. Com pés cansados, pés lascados, caminha-se com a planta dos pés cheia de calos: qual é o burburinho do calo? Aqui, o que se cala fala sempre mais alto. Ele vai sulcando as besteiras que historicamente homens dizem sobre mulheres, fazendo do pé um ouvido ancestral que escuta o solo comum daquelas que nunca foram escutadas por eles, sempre pisoteadas pelo machismo, até levar todo esse barulho subterrâneo à superfície do pé da letra. Da planta do pé escutamos todo um pé de árvore: raízes, frutos, grama, toda uma gramática que grafa nesse terreno esburacado os passos de uma travessia tão antiga e tão presente nas mulheres. Tão antiga e tão presente como canções que escutamos desde sempre. Tão antiga e tão presente que chega a ser brega. Sim, essa travessia se faz pelo eco do brega, pelos jambeiros de Belém do Pará, pela paixão que faz ver estrelas, pela dor revertida em humor. Cair apaixonada como quem dá uma topada é apostar a sorte e o azar no lance dos versos: Teresa Dantas tece um modo de amar não com o manto de Penélope, mas com um pano de chão que junta os cacos do que não irá retornar, e faz dessa falta a abertura de caminhos para uma escrita ao rés-do-chão. Esse é seu maior lance, seu maior flerte, seu maior crush, seu maior gozo. E o que não é a catacrese senão uma palavra que falta? Com essa figura de linguagem que serve para suprir a falta de uma palavra específica, escutamos com a planta dos pés a vida que passa e pulsa aos pés da cama, nesse lençol freático úmido e quente.</p>
<p><strong>Danielle Magalhães</strong></p>
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		<title>Eu só sei falar de amor etc.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Feb 2024 15:36:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Camões que me perdoe,
Mas amor é um porre.

De cachaça.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Este é um livro carioca. Com todo charme, deboche, calor e esquinas sujas. É um livro noturno, um livro da madrugada. É um livro de quem vive a repetição de lembrar e ter que esquecer. Um livro que faz graça com a desgraça, que entre o ódio e a derrota cria tempo para dar uma flertada, que sabe que o que resta é seguir. Andressa não deixa o infortúnio ter a última palavra, ou o desgosto estar desacompanhado de um risinho, mesmo que amargo. Seus versos olham com ironia para as emoções que carregam — as mastigam, engolem e cospem, entendendo que, mesmo se forem ridículas, pelo menos são honestas.</p>
<p style="text-align: justify;">É um livro que, andando com pressa, encontra um boyzinho pelo caminho, um corpo do qual não se espera muito porque tudo acaba mal no “capitalismo tardio” e tudo se esquece, ou morre na praia, talvez porque “não é possível amar nesta economia”, apenas comprar cigarros e classificar seus amores a partir deles. É um livro que incorpora a bela cerimônia meio-festa-meio-fúnebre de tentar exorcizar uma paixão cantando karaokê na feira de São Cristóvão, e reconhece que muito se dissipa antes mesmo de começar, como a onda de ódio capaz de abastecer uma revolução, mas que termina em “Fiz um tweet e depilei as pernas. Era suficiente/Sou millenial”. É um livro que tira sarro da falta de talento de uma inteligência artificial para a poesia, provando que poetas ainda servem para alguma coisa.</p>
<p style="text-align: justify;">É um livro para ser lido em voz alta. É um livro que pode ser vivenciado ritualisticamente, em um bar de gosto duvidoso em algum canto desse Rio de Janeiro [ou preencher com outra cidade]. Passar o livro para a pessoa ao lado a cada poema, tomar um gole de algo a cada página virada. Ao atingir o meio da publicação, pedir um gurjão de frango com molho rosé, por falta de frango de padaria:</p>
<p style="text-align: justify;">I — usar o livro para dar nome aos bois, II — afogar o que falta ser afogado, III — dizer amém quando enterrar seus fantasmas, IV — agradecer pelos livramentos, V — encerrar o culto no último ponto final.</p>
<p style="text-align: justify;">— ou então —</p>
<p style="text-align: justify;">ler sozinha, debochada, regendo seu próprio expurgo como um maestro regendo uma orquestra para ninguém.</p>
<p style="text-align: justify;">E, apesar de tudo, e de uma nova forma, ser romântica.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Alexia Carpilovsky</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Muamba</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Feb 2024 15:24:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[a minha dor é

uma abelha
circular
à espreita de
uma flor.

quando mãos humanas lhe
ameaçam
tocar
ou matar

ela não se recolhe.

É pólen ou ferrão: você escolhe.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O que pode a muamba de uma infância? Com este livro, Maria Eduarda nos convida a vislumbrar um processo: desde o roubo, até o desaparecimento dos vestígios de sua <em>muamba</em>. Diz ela: &#8220;eu escrevo com a pele, do raso exposto, fútil, tosco, sujo, das formações sutis, do que não cheguei a ser&#8221;. Ela escreve desde o hiato, do buraco negro de onde tudo sai e onde tudo se reencontra, &#8220;ao mistério e à delicadeza que corre nos tubos, onde toda a merda junta é um motim, uma ética, uma floresta, inteiramenteindiferenciável&#8221;. Do abismo de dentro, composto por fragmentos de vida e morte, provindos dos gritos da pulsão vital de quem insiste. <em>muamba</em> é o estilhaço, aquele caco que &#8220;só existe no momento da queda&#8221;, cujo corte de um andarilho desavisado resulta no sangue exposto, sangue que corre na veia de todos os desterritorializados, de todos os que caminham, que vendem e são vendidos. Aqui, a trans-ação que movimenta a vida está guardada em cada palavra e serve de escambo aos que se lançam à feitiçaria que acontece no opaco mistério destes poemas. Como quem busca algo de valor no lugar errado, longe do brilho das vitrines e perto das sarjetas, leitores que se encontrarem com esta escrita vão experimentar as mais diversas transações do espírito, começando pela torção da lógica que rege as aparências das transações capitalísticas, já que aqui o processo começa pelo roubo. Maria é diversa, é plural e — assim como as mercadorias roubadas que aqui fazem cena — traz consigo vários mundos em sua <em>muamba</em>. Mundos que, para além do bem e do mal, trans-acionam também diversos afetos em quem a lê. Para carregar e publicar uma muamba, há que se correr o risco. E não existe vida sem risco. E disso Maria sabe quando nos conta que &#8220;o risco é o que produz e o que ameaça a possibilidade de nadar; e nadar é preciso, ainda que viver não o seja&#8221;. Aqui há de tudo, para todos que procuram desvelar a vida e se aventurar sem medo. Trata-se de uma ética: tomar a coisa, mover a coisa, trocar a coisa por outra coisa, apagar os vestígios da coisa. Uma ética da metamorfose, da muamba enquanto rastro do que em nós é coisa, e também bicho, e também criança, pois &#8220;tudo que nasce está já em trânsito&#8221;.</p>
<p><strong>Débora Caetano Dahas</strong></p>
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		<title>O liceu das vozes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Feb 2024 11:23:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Poema mudo
Relicário desabafo
Não fala de tudo
Resvala do extravaso

Mudo não de fala
Mudo de ninho
Línguas em uníssono
Vozes encaminho]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A partir do nome <em>O Liceu das Vozes</em>, o recifense Estêvão Machado nos entrega a busca de um “espaço” de aprendizado que repercute falas e construções — e aspas aqui, porque, apesar da formação em Arquitetura, o que ele menos procura é a delimitação de um lugar material, físico e específico. Esse liceu é rizoma, é múltiplo e rechaça a ideia de observar a realidade por um único ponto de vista. Circula por aqui, nestas linhas, um almejar de aprendizes aptos à escuta, ao passo que também são (ou estão) construtores das ações-palavras-pensamentos ao mesmo tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">A filósofa catalã Marina Garcés nos diz que a “educação é o substrato da convivência, oficina de onde se experimenta as formas de vida possíveis”. Qualquer modelo de ensino que quebre a aliança de saberes em prol de tecnicismos para uma hegemonia econômica é um ataque ao ato de educar; por conseguinte, à convivência, à sociedade. O que Estêvão traz aqui em temas e formas poéticas é o deslocamento de uma visão tecnicista e unitária de um “capitalismo cognitivo” — que apenas ataca — para uma reordenação rizomática de nossos aprendizados/exercícios: todos lastros das nossas convivências e formas de vida diversas.</p>
<p style="text-align: justify;">Os recursos estéticos aqui usados por Machado reforçam a condensação e a gravidade dos poemas. Em malabarismos de ritmos e sílabas, utiliza versos livres, formas fixas e poemas visuais que renovam palavras e deslocam olhares com uso de polissemias e homonímias. Faz uso da forma fixa “retranca”, criada pelo poeta pernambucano Alberto da Cunha Melo — uma representação estilística de um esquema tático futebolístico que mais defende (o toque de bola ou dos versos) do que ataca com bandeiras vis&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Por tudo dito até aqui, as temáticas abordadas não poderiam ser menos amplas — abordam cotidianos bucólicos, operários, escolares, foliões, musicais, desportivos&#8230; — mas com a crítica transversal de “quais saberes estamos empreendendo em nossas convivências e possíveis futuros?”.</p>
<p>lutar com palavras</p>
<p>esgrima o sentido</p>
<p>golpeia o contido</p>
<p>na pancadaria das lavras</p>
<p>Escrever aqui é um exercício e um ato de liberdade&#8230; Uma busca, dentro do liceu da vida, para uma linguagem que reforce o aprendizado contínuo e a partilha entre os homens.</p>
<p><strong>Omar Cury</strong>, pedagogo, ensaísta e poeta</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Pelos teus pelos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Feb 2024 14:31:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[o homem nu
faz fronteira
ao homem nu
que dorme em seu abraço.

peitos, pernas, pelos,
falos flácidos se somam,
formam lanços.

o homem nu
espelhado e esparsado
repousa docemente
nos braços do amado.

cercos caem,
indistintos territórios
se constroem pelos flancos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O que o leitor tem em mãos é um livro com poemas de amor e tesão. Um livro romântico e sexy. Um livro que me lembrou uma história que a Deise, minha esposa, me contou: antes dela me encontrar, quando estava solteira à procura de alguém, ela se maquiava com sombra azul até quando ia à farmácia, arrumava o cabelo e punha roupa bonita como quem vai a uma festa, porque podia ser que de repente encontrasse aquela que seria seu amor. O amor é um ato de fé. Tem a força de uma tempestade e move montanhas. É lindo, brega e libertador. Ele motivou a escrita da maior parte dos livros e das canções que existem. “Desconfio que todos sejam no fundo um pouco cafonas”, diz um dos poemas de João Pedro Cerdeira — somos, e amamos o amor e a pessoa amada, a coisa em si, o ato e o objeto, que se fundem em nós e nos lançam para experiências fundadoras de novos mundos: “costuro um novo verso/aguardando teu regresso”. Forjador de vozes, o amor se multiplica em desejos nos poemas de João Pedro Cerdeira: um eu de versos livres, um eu métrico, amante de música e forma, um eu “inventando formas/fáceis/formulando fábulas/avessas”, um eu <em>barbie girl de barba hipster</em>, um eu que tem um aluno (poderia ser um filho) “que perguntou/se um dia também poderia/escrever um livro”, um eu que realiza seus desejos de corpo e encontro, lê o corpo do outro e se deixa ser lido até o gozo (“unidos por enigma/num sintagma corporal”), que se pergunta sobre a duração do amor, um eu <em>just like marie antoinette</em>, um eu amante, a amar como quer e a habitar o amor, como na canção de Johnny Hooker.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Pelos teus pelos</em> é um livro solar como o amante solar, figurado em vários poemas: rapaz-carnaval de pele-pétala, lugar de festa e descanso. Os eus dos poemas de João Pedro Cerdeira passeiam por um jardim do Éden onde “frésias e falos farfalham/firmes por campos e falésias”, “adão dorme, o corpo melado,/pelas flores da angiosperma/pelo esperma dos anjos”. Nele, amores machos inventam “uma gramática/para o futuro”, “uma área”, “um país/para viver junto/pra estar perto, ter corpo/e inventar memórias”.</p>
<p style="text-align: justify;">Este livro é também uma prova de amor à escrita e a autoras como, Ana Cristina Cesar e Paloma Vidal. O poema “eu espero portuário/como só se pode ser num poema/você atracar em mim/feito navio” e o trecho “‘não é fácil formar frases/com a palavra amor’” aludem, ambos, ao labor poético e à disciplina da busca pela afinação desejada. Pela palavra que cabe e pelo não dito que tanto diz.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ana Cláudia Romano Ribeiro</strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Tecido de papel para envolver entranhas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/tecido-de-papel-para-envolver-entranhas</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Feb 2024 20:12:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Hoje reguei as plantas
estavam secas, duras, quentes, talvez ocas
o verde escuro, agora amarelado
se assemelha ao pus cicatrizado

O corpo, inerte e cansado
respira para recuperar
tateio o terço em voz alta
suplico, até o ar voltar
me recomponho em tom de cuidado
e volto a acreditar no amor

Hoje reguei as plantas
ou foram elas que me regaram?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Às vezes a ferida está tão exposta que é preciso embrulhá-la num papelzinho, mesmo que este seja parco, precário. Como se desse esforço dependesse a possibilidade de preservar qualquer coisa de vida ante à emergência da morte, prologando a inevitável putrefação da carne, dos dias, da rotina, dos sentidos, do vocabulário. Um papelzinho que é também uma segunda pele; uma ferida que se faz tão íntima, que é também órgão, entranha.</p>
<p style="text-align: justify;">Parece ser com esse gesto que Michelle Pastorini, essa poeta enfermeira de palavras, oferece ao mundo o seu primeiro livro de poemas, <em>Tecido de papel para envolver entranhas</em>. No lugar do bisturi, a caneta. No lugar do manual de anatomia, o dicionário. No lugar da aprendizagem técnica, a alfabetização. É com esses instrumentos que Michelle constrói seu tecido, essa frágil pele de papel na qual escreve, rasura, risca e reescreve, resistindo viva com a enlouquecida gramática das perdas e sem se eximir de reencontrar o amor diante do luto.</p>
<p style="text-align: justify;">Os versos deste livro testemunham sua condição de sobrevivente. Como se, ante à perda de um núcleo organizador de sentido, precisasse reaprender o mundo por conta própria, dar nome ao inominável, ao silêncio de cada coisa, às texturas, às cores. E com quantas cores Michelle nos envolve em seus poemas. Descritora minuciosa de tons, é como se apostasse na passagem de um matiz policrômico à recuperação de um timbre de voz, um ritmo, algum som gutural apto a lhe dizer, a lhe narrar, a lhe reinventar.</p>
<p style="text-align: justify;">O adoecimento e a morte, mesmo que reservados ao impossível, ao serem contornados e coroados de cores, deixam pestanejar alguma cintilância, alguma luminosidade que permite tocar o desejo, aqui retraduzido em escrita. É, portanto, uma aposta de vida a que faz Michelle, a de contar aos seus agora leitores o quanto a experiência de vazio se tece com alguma nascente invisível de claridade.</p>
<p style="text-align: justify;">Respeitemos seus ritos. Caminhemos cautelosos nos enigmas que ela enuncia. Duvidemos do léxico cotidiano. Confiemos na prática de uma poeta que reconhece que amar é saber abandonar o texto. Ao fim, Michelle Pastorini, que nos brinda com este imenso livro, nos promete uma canção.</p>
<p><strong>Marcela Maria Azevedo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>O ranger dos dentes cor de espuma exalando flúor e eucalipto</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-ranger-dos-dentes-cor-de-espuma-exalando-fluor-e-eucalipto</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Feb 2024 19:55:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[o capataz colocou o chapéu pralana sobre o balcão
disse Me vê uma
pinga
varonil
aprumou o cinto pro meio da cintura
bebeu
dormiu
sonhou que era o dono da fazenda
e que todo aquele pasto bonito e apetitoso
era dele.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Dividida em três partes — as memórias, as histórias e as balelas —, a obra <em>O ranger dos dentes cor de espuma exalando flúor e eucalipto </em>reúne um conjunto de poemas despretensiosos que parece querer buscar, por meio de versos livres e esteticamente simples e desafetados, equilíbrio entre um passado regurgitante, um presente não muito confortador e um imaginário voraz que tenta escapar através de alegorias surrealistas e anedóticas. O amor pela linguagem, a memória e a família são alguns dos temas desta obra de estreia da autora no universo da escrita poética. <em>O ranger dos dentes cor de espuma exalando flúor e eucalipto</em> nos coloca diante de um universo em preto e branco, mas constantemente redesenhado pela escrita poética, em cores fortes que parecem querer abraçar um realismo mágico quase cínico, quase trágico — não fosse o humor melancólico de que são feitos os versos soltos e desenlaçados desta potente obra. Tendo como referência clara e explícita a escrita livre de Manuel Bandeira tanto na temática — o cotidiano — quanto na forma — o verso livre —, <em>O ranger dos dentes cor de espuma exalando flúor e eucalipto</em> condensa em lirismo singelo aquilo que nos devora, o que é violento e faminto, transfigurando momentos de verdadeiro desespero em causos poéticos narrados com leveza e tenuidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>A aurora no bocejo de um tilacino</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-aurora-no-bocejo-de-um-tilacino</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Feb 2024 18:21:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Preciso demais de mais
de quatro mil e setecentas substâncias tóxicas
para paradoxalmente estraçalhar
acrobáticos sisos retardados dos felizes.

A lentidão das lesmas habita a felicidade
basta um beliscão nas nádegas da linguagem
para desarticular os contentes

A inércia lasciva é inerente aos voyeurs

A madrugada é o prenúncio da neblina
na esquina sexo reimoso
gostoso pau apimentado na sina
Ui ai assim sim isso vai vai...

O olho de Hórus plantado na testa
do céu estrelado se anima.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Logo na epígrafe de seu mais novo livro de poemas, <em>A aurora no bocejo de um tilacino</em>, Francisco Gomes sinaliza, com uma citação de Jorge de Lima, que trabalhará com a metáfora da metáfora: “Não procureis qualquer nexo naquilo que os poetas pronunciam acordados”.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim como o vate de “Invenção de Orfeu”, Francisco Gomes, em versos esfíngicos, canta o ansioso caos interior e o sentimento agônico do ser, num mundo que não é mais dele, porquanto o inventivo poeta, bem ao contrário da poesia hodierna que se quer social, transcende a temática meramente social e foca seu discurso na epifania do verbo no instante intuitivo.</p>
<p style="text-align: justify;">Desses bardos quase não os temos no tempo presente. Daí o recurso à metáfora do tilacino, um marsupial da Tasmânia — o maior de que se tem notícia — hoje extinto, bocejando seus assombros e miasmas na aurora de um mundo imemorial.</p>
<p style="text-align: justify;">Para percorrer esse bocejo, Francisco Gomes é erudito, mas não pernóstico, invocando vários ícones da cultura universal em seu processo dialógico de construção poética, mas sempre no sentido de escavacar o cerne do ser, em suas ansiedades e agonias, de modo a impor um mínimo de ordem nesse caos anímico e mental.</p>
<p style="text-align: justify;">Se ele consegue pôr rédeas ao indomável e ao desconhecido, é um caminho que deve ser palmilhado pelos leitores deste livro inconsútil, no sentido de que deve ser lido como sendo um poema inteiro, ao estilo das epopeias. Somente assim poderemos (ou não, mas pelo menos teremos tentado) “(…) alcançar o mais alto galho/da árvore frondosa de Robert Frosty/abrir os braços para o céu/gritar o mais alto possível/para o sol/gritar para o mundo/gritar para si mesmo/para muitos/e poucos..…/Gritar sem medo ou pecado/<em>Ainda há vida nos destroços das ruínas</em>!”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Regis de Moraes Marinho</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Restos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/restos</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Feb 2024 17:49:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[como é possível
que falemos a mesma língua
se o sol do meu país
nunca deitou em suas costas
?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O conteúdo deste livro é feito por um eu poético das fronteiras, a começar pela territorial, cujo combustível de mobilidade é a fuga, “e não me interessa o lugar/eu gosto da sensação de ser aquele que está sempre indo embora”. Travessia de países e cidades. Do mesmo modo, o tópico é desdobrado pela geografia do corpo ou do amor. A obra alarga os limites normativos a partir do pensamento <em>queer</em>, esforço visível nos fragmentos desconcertantes e na aderência à causalidade. Em cada página, são sussurradas confissões íntimas, daquilo que o eu lírico experiencia vida afora. Sujeito de carne e palavra repleto de desejo, que pede em um dos poemas “afasta daqui a normalidade do nosso beijo”.</p>
<p style="text-align: justify;">Num bordejo intersemiótico, o ritmo poético das imagens evocadas e dos assuntos cotidianos é engendrado por uma beleza sem esforço. Tudo isso organizado na encruzilhada entre “o erudito, o popular e o massivo”. Lendo o livro ao revés, a última sobra que institui como má ideia adiar a vida aponta para o imperativo da liberdade na vivência do sujeito. O primeiro poema, por sua vez, sugere um ser híbrido que, posteriormente, alcança a vontade — “queria ter um corpo-aranha para dividir-me entre vários destinos”.</p>
<p style="text-align: justify;">Na obra, sujeito e objeto de desejo se confundem, estes têm seus contornos fundidos. E, para além, a percepção particular das coisas se realiza muito bem no registro. O certo é que isso se dá pela atenção ao mundo e interlocução com outras produções. É, sem dúvida alguma, um livro “para morar na sua estante/entre Matilde Campilho e Caio Fernando Abreu”.</p>
<p style="text-align: justify;">O projeto inaugural de compartilhar as andanças internas e externas, em textos que versam a respeito da tentativa desafiadora de inscrever o mundo em alguma gramática, é admirável. Dividido em seis sessões, <em>Restos </em>é, dentre tantas definições possíveis, um retrato do nosso tempo à graça de uma potência transatlântica mineira. E que ninguém se engane a respeito da afetação diante da obra, afinal, a pontaria certeira impõe sensibilidade de turista a quem lê, e, como o autor atesta, “é impossível sair impune de uma viagem”.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Maria Luísa Sousa</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Quanto de mim é uma nuvem</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Feb 2024 16:37:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Ensinamos nossas crianças a sacrificar as flores. Bem-me-quer, malmequer. A gangorra da fortuna sobe e desce em suas pequenas mãos. Não estamos a ensinar, contudo, o dom divinatório. Ao pedirmos que acreditem que o desejo se manifesta através da álgebra das pétalas despedaçadas, estamos tentando dizer que toda fé possui uma parte de tragédia. No fundo se trata de uma lição de poética.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="Standard" style="margin-bottom: 8.0pt; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph; line-height: 150%;"><em>Quanto de mim é uma nuvem</em> é também um convite permanente para um reviramento do olhar. Aqui, as ondas esticam-se para chegar aos pés ou, ali, se diz que, afinal, quem diria, “A grama crescendo faz muito barulho.” Já repararam nisso? Eu nunca tinha reparado, mas agora que o li, percebi que é mesmo assim. Existe, nestas páginas, uma perturbadora originalidade de pensamento, uma inversão da “lógica das coisas”, como se o poeta nos estivesse constantemente a convidar “olha, olha de novo, talvez não seja bem assim”. Tudo isso se prolonga em “Estudos teológicos”, em “Estudos literários”, sempre com uma profundidade, vou chamá-la filosófica, à falta de melhor termo, que se estende da primeira à última página. Há aqui um exercício poético de filosofar no fazer da palavra. A palavra espreguiça-se, a palavra pensa, a palavra pergunta. Sente-se alguém que se detém na prática reflexiva da vida, e que convida, muito delicadamente, a fazermos o mesmo. Com ele. Consegue-o, e muito bem.</p>
<p class="Standard" style="margin-bottom: 8.0pt; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph; line-height: 150%;"><strong>Judite Canha Fernandes<br />
<span style="color: #ffffff;">Túlio Stafuzza</span><br />
</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Configuração clandestina</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/configuracao-clandestina</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Feb 2024 11:04:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[comi o ceviche
só pra você não ficar
puto comigo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Conversávamos em um bairro de casca moderna, num café “niu iórque estaile”, que imagino, nunca fui, nem me emociono. Botafogo já é suficientemente longe de onde vivo. Enfim, dizia que Dora e eu digressávamos sobre alguma coisa (e coisa alguma) de se ter livro publicado: seus sentidos (há?), impactos e consequências para si, para o mundo, para o café e o mate que engolíamos com gargantas secas de especulações torpes.</p>
<p style="text-align: justify;">Lançar livro é como ler textos escritos no escuro. Imagina-se algo que, refeito em linhas cruzadas e letras sobrepostas, revela uma caligrafia no breu. Há que se demorar para colher algo que normalmente varia entre sentido nenhum e um cluster mudo.</p>
<p style="text-align: justify;">A palavra escrita, impressa e lida em silêncio é do gosto de Isadora, e seus textos, de tão seus, se tornam inevitáveis convites a projeções. Frases facilmente tão nossas que este impresso desvela.</p>
<p style="text-align: justify;">Isadora, à primeira vista, é olho vivo que gera expectativa de inopiniões, que, depois de certo convívio, previsivelmente, sempre surpreendem. É também ligeireza de ângulos e perspectivas, um microfone aberto no viaduto. Um risco contagiante que se equilibra, em riste, na lâmina de um punhal chamado graça. E sorri de si, do outro, do contexto e da autoficção que elaboramos como geração. É doce saber o que atrai mais que a iminência do corte.</p>
<p style="text-align: justify;">Penso que o que se espera de nós é sempre gozo e cadafalso. Assim o é <em>Configuração Clandestina</em>, um pedaço de Isadora, agora impresso e sujeito a intempéries no mundo físico. Aproveitem a viagem.</p>
<p><strong>Almir Chiaratti</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O outono era tão azul que dava vontade de fotografar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Feb 2024 13:04:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">Eu gostaria de sempre poder ver sob a luz intensa do Sol
Mas está mais pra lusco-fusco o risco o ponto cego</span>

<span class="fontstyle0">
O fade out dói
Mas é assim
E há vagalumes doutro lado da estrada</span>

<span class="fontstyle0">
Dói ainda mais segurar o Sol no coração</span>

<span class="fontstyle0">
(O sol do meio-dia faz a gente fechar os olhos e tropeçar na calçada)</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“Morrer faz parte da vida, não da morte: é preciso viver a morte”, diz Rosa Monteiro. Recordo-me dessa frase seguidas vezes ao ler os poemas iniciáticos de Yane San. <em>Esse livro é sobre cair, livro de cânticos ao fim e ao silêncio. </em>Parece que somos convidad@s a começar pelo fim, nesta terra <em>em que se aceleram as partidas, </em>em que falamos àqueles que já não estão, ou em que uma voz conversa impessoal e anônima com suas despedidas. Enquanto leitor@s, talvez, nos metamorfoseamos às pedras acompanhando o fluxo das línguas dos rios, <em>corredeiras súbitas</em>. Livro ritual das partidas, que celebra ou memora as mortes que não puderam ser vividas, os mortos que não puderam ser contados ou palavreados. Não sabemos se estamos no centro de um velório [seremos nós mesmos, leitor@s velados e revelados?] ou diante de um <em>bueiro grande como a boca de Satã, </em>faminto por nos arrastar em sua queda ao centro de um mundo. Um pouco errantes, quem sabe, nos labirintos do sonho de angústia em que um homem cai entre os ferros. <em>Não dá pra contar um sonho a alguém que foi embora</em> e, no entanto, se o poeta fala a alguém que partiu, somos nós quem escutamos porque ainda estamos aqui: vivas! Aqui onde <em>somos mais, jamais um, nem dois/Ou menos/Fundamento de mãos dadas.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Yane San estreia com o fim, e parece ser este o oroboro que seus poemas portam: <em>Para o buraco vão as sementes e os mortos</em>. Que suas palavras germinem um começo, o despertar de uma voz estranha. <em>É como torcer um rio a fim de que volte todo à nascente</em>. Pensando desde aqui, também os mortos podem fecundar começos, caso possamos encontrar as sementes que nos deixaram e enterrar aquelas que queremos vingar. Como as pedras e as pupas que guardam em suas presenças o tempo larval, estático, silencioso. Que este livro guarde a <em>palarva</em> de outros livros <em>a escrever, como tocar a flecha e lançá-la bem no olho da história.</em> Pois que na ambiguidade de Yane San começar pelo fim, há também esta outra ambiguidade da despedida,</p>
<p style="text-align: justify;"><em>o desejo não é um lugar: é uma partida.</em></p>
<p>Partamos com nossos mortos, ou torçamos os velórios e os rios para nos enterrar: germinantes, nascentes.</p>
<p><strong>Mariana Castro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Ritual</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/ritual</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Feb 2024 16:55:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">Seguir feito vento
em mapa de pedra
canção do amanhã
mato fechado de corte fino
e todo céu abafado
dentro dos peitos-caixão
que inundam
nosso
tão pequeno
jardim.</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O mundo que não cabe no mundo, a poesia infindável que não cabe na terra. Por isso é semeada, brota, cresce, é arrancada, é devorada, é expulsa e volta para onde veio, assim como todos nós.</p>
<p style="text-align: justify;">Nessa ritualística de tudo, pela qual todo ser humano anseia, indomáveis almas selvagens que almejam a conexão crua com a origem de si, Carolina Carvalho faz sua poesia. Sua música, seus contos, sua prosa, seu traço, suas palavras, sua voz, é tudo fruto da memória que a autora cultiva na terra.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde pequena, Carolina se envereda por diferentes tipos de expressão artística. A latência do misto de suas dores e alegrias sempre se fez urgente, e rapidamente se transforma em suas criações. Na suavidade da voz serena, Carolina se prostra diante da obscuridade do luto quando reencontra sua terra e sente sob o corpo o galope de seus cavalos. Na beira de um lago, versa sobre o verde denso, sobre a roça, os animais, o amor, a infância, o silêncio que escancara o grito da dor geracional e universal de todas as mulheres: aprender a amar nossas origens.</p>
<p style="text-align: justify;">As ausências e perdas são temáticas presentes na poesia da autora tanto quanto sua alegria e seu brilho por estar sujando as mãos de terra e sentindo as bochechas queimarem pelo sol que estala sobre o roçado. A coragem de poucos: olhar nos olhos a ambivalência da vida, o indissociável e incômodo-constante da ternura, que é íntima da tristeza.</p>
<p style="text-align: justify;">Pelas entranhas da correnteza que beira a terra batida, Carolina descobre seu corpo de mulher-bicho. Evoca, assim, memórias de infância, cristalizadas sob tantas e diversas camadas que a vida adulta nos impõe. A redenção não é mais destino final, mas a divindade que habita no vento, na chuva, no rio, no céu, no sol que queima a pele e na terra que mancha os dedos. A impetuosidade da figura do cavalo, consolidada historicamente para representar poder e conquista, para a poeta é elo firme que se liga a seu coração dilacerado e abrilhantado e, assim, a conduz pelos fios da memória.</p>
<p style="text-align: justify;">No galope, Carolina desbrava essa terra, onde reencontra a essência de seu pai e retoma as rédeas de seu próprio mundo. No entendimento da sabedoria da natureza e com confiança na maestria do tempo, a poeta nos convida a abandonar o medo dos ciclos de vida-morte-vida e apresenta a dimensão primorosa, incrivelmente complexa e ao mesmo tempo simples, dolorosa, bela e visceral de seu mundo. A origem de sua origem. A memória que é raiz que não cessa em se espalhar.</p>
<p><strong>Carolina Menezes</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Tudo que escrevo me mata</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Feb 2024 16:44:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<ol>
 	<li><span class="fontstyle0">toda vez
que eu</span> ouço
você<span class="fontstyle0"> falando o nome dela
uma parte de mim
apodrece <span style="color: #ffffff;">Angelina Peccini</span></span></li>
</ol>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>tudo que escrevo me mata</em> nasce conforme o eu lírico percebe o fim do amor <span style="text-decoration: line-through;">e o fim de si.</span> conforme a ligação com o outro se quebra e o caminho pra dentro dele é preenchido por todas as conversas que não aconteceram, todas as lágrimas que não escorreram e todas as pequenas discussões que se condensaram num muro intransponível dividindo dois seres que haviam se escolhido. conforme a relação morre <span style="text-decoration: line-through;">e eu morria ao longo dos últimos cinco anos.</span> um livro sobre o amor. <em>você é a inspiração de tudo que eu escrevo. </em>da sensação de esperança, de paz, de abrir a porta de casa depois de chegar de uma viagem incrível ou de um dia estressante no trabalho ou do cheiro de café de manhã. <span style="text-decoration: line-through;">da sensação de chegar em casa depois de fugir de você.</span> sobre como o amor é a âncora que te segura e que te afoga. <em>você fez do amor o peso de uma avalanche inteira.</em> sobre como o amor é uma piscina perfeita até você crescer e perceber que na verdade era uma piscina infantil. rasa. milimétrica. que vai transbordar se você se apoiar nela. <em>de como a gente se desfez um dentro do outro e depois desfez o outro.</em> gelada demais nos dias amenos e fervente nos dias quentes.<em> deixei que meu corpo perdesse todo esse calor e que sentisse frio. que as unhas ficassem roxas. que meu cabelo congelasse. tudo que escrevo me mata</em> é uma cronologia. uma memória coletiva. de como a gente ama, se volta pra dentro do outro, e de como ir embora dói. <em>até hoje tudo que eu chorei não foi intemperismo suficiente</em>. depois, de como a gente tem certeza de que superou, deu a volta por cima, virou a página e agora alega pra todo mundo que <span style="text-decoration: line-through;">não</span> pergunta que foi melhor assim. que os dois estão melhores assim. <span style="text-decoration: line-through;">exceto você.</span> mas volta e comete os mesmos erros<em>.</em> mas vai e comete erros piores. <em>te recebo conferindo a data de validade pra descartar o quanto antes e sei o quanto isso é cruel com você.</em><span id="more-19320"></span></p>
<p style="text-align: justify;">este livro é a doença e eu não prometo a cura. <em>porque não sentir nada é um sentimento, também. </em></p>
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Tosca lyrica</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/tosca-lyrica</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Jan 2024 13:13:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Não sei escrever poemas de amor
só sei adivinhar-te na ausência
só sei adiar o silêncio para te procurar na luz
só sei comer pão nas horas mortas
esperando que o estômago reaja
ao calor do amido e do fermento
como compensação por não ouvir meu nome
saindo como um fruto da tua boca.

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Tosca Lyrica</em> é fruto de uma síntese de metamorfoses condensadas em verso. Alguns destes versos careceram de algum tempo nas trevas de um caderno fechado para que se percebesse se seriam semente ou esterco. Muitos foram esterco.<br />
Estes, porém, e na perspectiva da poetisa, tornaram-se sementes. Poderão ser raízes de outra espécie, ou ramificar-se. Existe um elevado grau de imprevisibilidade na escrita lírica — por mais que os poetas afirmem habitar num reino místico de onde se colhem poemas como frutos das árvores,<br />
não será bem assim. É difícil encontrar um poema que se possa contemplar, morder, despedaçar. A espera, creio, faz parte integrante do processo de escrita. Não obstante, eu devo ter-me enganado, e duvido que esteja no tal reino místico de que os poetas falavam. No reino onde estou, há aridez sob os pés e pó na atmosfera. Todas as janelas de todas as casas se quebraram, e todas as portas se abandonaram, permanecendo abertas. Cicia o vento. O ar crepita de febre e de fumo. Não é fácil encontrar libélulas poisando num lago, ou buganvílias espreitando de um muro. As pessoas parecem silhuetas que parecem sombras. Não se ouve música, canto ou som cristalino. Nem sequer a água ecoando de um poço. Mas continuo à procura.<br />
Talvez <em>Tosca Lyrica</em> seja isto: um testemunho da procura de um reino que já ninguém encontra.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Estilhaços</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/estilhacos</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 20 Jan 2024 16:33:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[a gata?
não incomodava tanto
gostava do aroma dela na casa
o problema mesmo
era o cheiro de amor vencido pelo ar]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>La poesía es conocimiento, salvación, poder, abandono. Operación capaz de cambiar al mundo, la actividad poética es revolucinaria por naturaleza; ejercicio espiritual, es un método de liberación interior </em></p>
<p style="text-align: right;">Octavio Paz</p>
<p style="text-align: justify;">Mover-se em direção ao poema é atrever-se ao conjecturar de imagens, sons, semioses e universos através da palavra. Os poemas em <em>Estilhaços </em>instauram as tensões e os diálogos de quem não se move neste mundo completamente absorto. Allan nos revela seu olhar atento sobre o caos das estruturas sociais, as relações humanas, o amor, a religião e o fazer artístico.</p>
<p style="text-align: justify;">A poética interrogativa em <em>Estilhaços </em>é elemento estruturador do exercício poético imprescindível ao fazer artístico, à literatura, à vida. Há que se fazer sentir, há que se buscar mover no outro aquilo que nos deslumbra, desperta, bestifica, revolta, faz ressentir, ecoar. A escrita de Allan vem inundada por Brasis, por dores antigas, amarguras, esperanças e, sobretudo, pela sutileza de quem consegue capturar um instante cotidiano e emoldurá-lo no poema antes que o objeto esmaeça no transcorrer farfalhante dos dias.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Estilhaços </em>é uma obra perpassada também pelas veredas travadas no verso, sem a pretensão de bordar rima ou de reivindicar para si qualquer verniz que possa sobredourar a alcunha de ‘poeta’. Afinal, poeta se forja mesmo é na lida e na teimosia de perseguir a palavra — esse nascedouro que a humanidade faz verter em dicotomias, miragens e materialidades.</p>
<p style="text-align: justify;">No Brasil escrever é um ato de resistência e de coragem. A poesia cristaliza a memória, auxilia o exercício de reconstituir nosso caminhar pessoal e coletivo, a palavra circunscreve cronotopias nesta nossa teia líquida contemporânea que tem acostumado demais nossos olhos às telas e aos subterfúgios luminosos que encandeiam vaga-lumes vacilantes entre a angústia e o sufocamento. Escrevemos, em um país que ainda luta contra as misérias da colonização, do analfabetismo, da violência policial, do racismo estrutural que nos (a)funda.</p>
<p style="text-align: justify;">Insistimos na palavra, ainda que ela nos estilhace: <em>sem verso/sem rima/sem tinta/ao reverso</em>. Por tudo que se faz urgente, Allan escreve, é poeta e não me engana. Assim como Augusto nos alertou acerca do beijo, do escarro e da lama em seus mais íntimos versos, eu te digo sem medo de parecer lunática: acostuma-te às vozes, meu caro amigo. É com elas que aprendemos a fiar nossas próprias asas e a afiar nossas barbatanas para tomar com seres abissais lições sobre o alumiar de profundezas para seduzir e capturar os leitores.</p>
<p><strong>Aline Cardoso</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Livro de Urgências</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jan 2024 20:13:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Não a fome
Por palavras
Ou pela vida
A fome dos famintos
É outra coisa
Pura carcaça
Abjeta e nojosa
Que nenhuma poesia é possível.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Neste terceiro livro de poesias, <em>Livro de Urgências</em>, Jonas Leite evoca como matéria poética as urgências; a inexorável falta física e espiritual. Entre as necessidades mais gritantes, está a de aplacar a fome, esse monstro que volta anacronicamente a ser contemporâneo. O poeta também traz como urgência a fome de amor, de afetos. Destarte, este livro alimenta a alma de quem lê, pois aparecem os exageros inventados para os vazios eternos, o lamento pelo “Ontem” que foi e pelo presente que não é, pois nos apunhala com a banalização da morte e do morrer. Em “Ouro de Tolo”, o destaque é para o ofuscamento do brilho real, encoberto pela “Pose”, esta também falsa; culminando em um “ter sem ser” dos “Encontros de Vazios”. “Poema de Natal” e “Salmo 23” não trazem esperança para aqueles que não têm fé, sendo estes “Penélope”, vivendo de espera ilusória, de um futuro que lucidamente inexiste concretamente. Contudo, em seus poemas, na sua maioria curtos, cortantes, afiados e certeiros, Jonas Leite nos faz lembrar a secura de João Cabral, e também sua reverência ao torpor da aspirina, atualizada com o “Zolpidem”, matéria poética de uma contemporaneidade insone, em que o remédio de dormir não faz sonhar. “Roma” questiona a eternidade das coisas, e a angústia do “Quase” nos lembra dos vácuos eternizados por Mário de Sá-Carneiro; bem como a efemeridade que aparece em “Aniversário”, essa celebração paradoxal que soma e ao mesmo tempo subtrai, como evoca Pessoa. Das urgências da contemplação da alma, aparecem o “Paradoxo, o Júbilo”, que tem a felicidade sempre escorregadia.</p>
<p style="text-align: justify;">Em meio a tantas necessidades importantes, sociais ou individuais, Jonas Leite continua atento aos movimentos incertos da contemporaneidade. Sua invenção poética evoca a urgência do pão e do afeto. E, assim, junta-se caos, abismo, fome, que culmina em “Jardim das Delícias”, guiado por Vênus, as mãos do poeta voltam às vicissitudes de Eros, suas dores e seus gozos. O poeta, portanto, eclode em “Amor”, “Carnaval”, “Mar”, “Blue Jeans”, “Pretérito Perfeito”, “Em Frente ao Desejo”, “Olinda” e “Epílogo”, quando captamos um eu poético em todo o seu esplendor, sugerindo uma espécie de esperança; nem que seja como a efemeridade do “Carnaval” que, assim como o amor, é intenso e transformado em cinzas pelo outro necessitado. Este é o <em>Livro de Urgências</em> de Jonas Leite, de urgente e deleitosa leitura.</p>
<p><strong>Maria Aparecida da Costa</strong></p>
<p>Professora de Literatura Luso-Brasileira</p>
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		<title>Merdas do amor</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jan 2024 10:59:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Esse perfume deixa-me extasiado
Louco, delirante, inebriado
Num tumulto de sensações únicas
Transportado a paragens idílicas
Aos pensamentos mais atrevidos
À inocência primitiva dos sentidos
E mesmo quando mais sonoro
O teu peido é lindo. Adoro!

(o teu perfume, página 49)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Conheço o autor há muito tempo. Não fosse ele meu pai há 20 anos. As piadas sempre lhe foram inatas e sempre fizeram parte da nossa relação, especialmente as “piadas secas”. O meu pai é super talentoso, disso não há dúvidas, desde ter-se autoensinado a tocar guitarra até a escrever textos com uma destreza impressionante.<br />
Mas nunca pensei que a sua maior paixão algum dia pudesse ser a poesia. Um dia estávamos os dois na sala de espera de um serviço de saúde e, em modo de brincadeira, desafiei-o a fazer um poema tendo como base a palavra “gaivotas”. E, em três meses, este senhor tinha escrito, ilustrado e paginado um livro. Fiquei tão impressionada e orgulhosa ao mesmo tempo.<br />
Apesar de tudo isto, vou ser sincera, sempre gostei do início dos poemas, especialmente aqueles que eram contemplativos. Mas porque é que todos têm que acabar com algum tipo de humor de casa de banho? Porquê?<br />
Os poemas estavam tão bonitos nas suas palavras e forma. Mas, mesmo não sendo este o meu sentido de humor e ficar sempre com cara de enjoo depois de acabar de ler os poemas, tenho a certeza de que o livro vai encontrar a sua audiência. E espero que cause exatamente o que o meu pai quer, risadas e boa disposição.</p>
<p><strong>Clara Rodrigues</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Corpo cabrito morto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Dec 2023 12:56:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">se subtraía como num jogo de
sete erros
se saía
sem se deixar perceber</span>

<span class="fontstyle0">
não sabia
mas permaneceria
na espessura das coisas.</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Ainda me lembro de uma frase que vi pichada há muitos anos numa placa em Paris: <em>l’amour est mort</em>. Só hoje, com orgulho, revido: <em>pas ici</em>. Ao longo destas páginas que virão, em estado e não de morto corpo cabrito, Carolina nos guia por entre uma dança amorosa com as palavras. Uma leitura que nos convida a bailar no passo do si, no adeus ao outro, nas memórias, nos escaves, no impreciso que não se dá. Quanto do que não finda em nós só o é para permanecer poema?</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Corpo cabrito morto</em> é a inauguração de Carolina na poesia — embora há muito já a faça pelas vias de seus outros talentos. Sua narrativa sutil é percorrida por um entrecortar de tudo o que nasce ou rasga os mínimos acontecimentos — são as frestas dos dias, a matéria de Carolina. Assistir, ao longo desta reunião de poemas, ao seu despir-se/vestir-se pelas entrelinhas acabou por me despertar também o desejo bonito de conhecer a espessura das coisas (a espessura das coisas: quanto para se demorar, aqui).</p>
<p style="text-align: justify;">Por entre notações e revelações, respiros, pausa e pesar, Carolina tece retratos de sombra e luz com a sua escrita. Tudo leve, breve, nosso — tudo tanto. Um livro que coreografa delicadeza e afeto, e que nos pinça do canto do olhar um sorriso.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Conversão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Dec 2023 12:39:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">Quatro horas da tarde,
quase cinco.
“Fechem as janelas”,
eu grito.
“É hora de visita”.</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Bárbara pagou excesso de bagagem numa viagem à Europa. Quando abriu as bags, tinha passaporte brasileiro, biquíni brasileiro, livros, um monte de roupas de frio, remédios e um celular sem chip. Ela não sabia, mas, quando saiu do avião, tinha também uma venda tapando os olhos. E somente o povo da nação idealizada poderia tirá-la. E assim esse povo fez. Bárbara tirou <em>le bandeau</em> e viu na expressão alheia um outro jeito de ser brasileira. Nada aqui era surpresa, mas veio alguém e jogou na cara com outras palavras.</p>
<p style="text-align: justify;">Bárbara descobriu que trocou o fascismo à brasileira por outros fascismos. Parece um jeito triste de descobrir, nos 30+, que o sectarismo tá bem on e que privilégio é não ter que entrar em conflito com o relativismo cultural. Mas Bárbara passou por cima disso em uma viagem fora do trajeto Barbieland-Real World, feito pela homônima Bárbara (vulgo Barbie) do blockbuster deste 2023. Fez uma <em>Conversão</em> que não costuma ser justa em muitas cotações. Até era vida real contra vida real, mas de outro jeito.</p>
<p style="text-align: justify;">Ana Cristina Cesar, que veio antes, usou a poesia para reclamar do inverno europeu. Me lembrei dela lendo Bárbara. Ana C. disse: <em>Daqui é mais difícil: país estrangeiro, onde o creme de leite é desconjunturado e a subjetividade se parece com um roubo inicial. Recomendo cautela</em><em>.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Conversão</em> retoma essa história de muitas formas. A doutora em Filosofia saiu de casa para uma experiência imersiva que envolvia assistir a um homem negro servir uma mulher branca, rica e com as joias reluzindo o ouro que nos roubaram. Tem disso no Brasil desde sempre, Bárbara, mas entendo que essa moldura não cola mais em cultura alguma, nem no Velho Mundo. Fica kitsch-agressivo. É nisso que dá sair de casa pra ver o mundo a olho nu.</p>
<p style="text-align: justify;">Acho que a canção do exílio sempre estará em voga. É aquela novela de Glória Perez que a gente sempre vai gostar de acompanhar: Jade no Marrocos pensou no Brasil; Sol em Miami lembrava de um amor em Boiadeiros. É assim mesmo, a mocinha descansa da luta contra os vilões para mostrar para a gente que tem um amor, família, amigos e perdas.</p>
<p style="text-align: justify;">O livro de estreia de Bárbara Buril tem disso tudo, inclusive uma investigação sobre conversões de outro tipo, em direção a outros regimes de consciência e através de outras espécies animais. Aqui dá para atravessar de diferentes maneiras e, neste caso, sem jet lag.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Allan Nascimento, jornalista</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Paraísos eternos como relâmpagos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/paraisos-eternos-como-relampagos</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Dec 2023 12:32:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">Pássaro cego
se debatendo
entre os muros
entre as sílabas
de angústia
do meu desejo</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“Fiquei com o sentimento de que o seu livro ilumina e se oculta, como se desvelasse não desvelando, como se encobrisse não deixando de buscar a luz aberta da poesia. É um livro de celebração. De poesia autêntica.” — Marco Lucchesi</p>
<p style="text-align: justify;">“[&#8230;] cada poema confirma o que já lhe disse em carta anterior e constitui uma prova cabal de que a linguagem discursiva e o lirismo reflexivo ainda têm lugar em nossa poesia, hoje tão capitalizada pelos ventos incertos da moda e de um passadismo vanguardista que já disse o que havia a dizer.” — Ivan Junqueira</p>
<p style="text-align: justify;">“Bela, grave e forte é a poesia de Alexandre Bonafim. Poesia humanista, plena de dignidade e compaixão, toda voltada para a nossa precária condição humana. Nada do que é humano escapa a este sutil, sóbrio e esplêndido poeta. Seus poemas tão belos de conteúdo têm também o esmero da poesia realizada com todo o cuidado formal. Poesia lunar, mas que retém o selvagem sentimento que nos atrela à vida. Poesia reflexiva, com mistérios, sombras, porém iluminada de êxtase.” — Olga Savary</p>
<p style="text-align: justify;">“Poeta maduro, dono já do seu ofício, ele cumpre neste seu livro uma trajetória exemplar: com rigor, explora temas já consagrados pela poesia clássica, mas insuflando-lhes um sopro novo e original, graças ao domínio de uma práxis poética que não se rende aos apelos do canto de sereia dos modismos estéreis.” — Álvaro Cardoso Gomes</p>
<p style="text-align: justify;">“Pois um poeta da estirpe do belo-horizontino Alexandre Bonafim, autêntico “mineiro marítimo”, digno herdeiro de Eugénio de Andrade, assim como de Cecília Meireles, Sophia de Mello Breyner Andresen, Luis Cernuda, Dora Ferreira da Silva, entre tantos mestres amados, pede muitas leituras. A voz que ecoa neste arquipélago é tão rica e rara que, sem dúvida, encantará cada leitor de cada ilha ou de cada estrela que dele se aproximar.” — Luiza Mendes Furia</p>
<p style="text-align: justify;">“A poesia de Alexandre Bonafim revela, assim, uma sensibilidade dolorida, uma melancolia que se estende sobre os homens desde o princípio. Tem fortes traços expressionistas e passionais. Há também uma ligação com a lírica contemporânea portuguesa, de quem é grande leitor.” — Donizete Galvão</p>
<p style="text-align: justify;">“São muitos os poemas e várias as imagens que tocam fundo na gente, porque nascidas de apurada percepção e da mais íntima comunhão com as instâncias poetizadas.” — Roberval Pereyr</p>
<p style="text-align: justify;">“Alexandre Bonafim, jovem bardo de voracidade cultural ímpar, anuncia uma obra como falava Herman Hesse no <em>Lobo da Estepe</em>: só para os loucos, só para os raros. Loucura sã de Eros para o intelecto.” — Flávio V. Amoreira</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Pedra viva</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/pedra-viva</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Dec 2023 12:01:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Estamos no século xxi,
era do melhor progresso.
Espalmamos a Lua, as mitocôndrias,
a partícula infinitesimal.
Criamos a rede que não pesca peixe,
utopia digital.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Há algo em comum entre as taipas – os muros das serras do sul – e as estradas de pedra da Estrada do Ouro que ligavam Minas ao Rio de Janeiro: são formados por pedras imperfeitas. Mas não bastasse essa constatação, resta outra, de outra ordem. Tanto as taipas como as estradas foram construídas por mãos humanas e olhares e toques inteligentes, pois vieram desses olhares e dessas pegadas de mão as constatações óbvias sobre que pedras deveriam vir antes, quais deveriam vir depois, e por quê.</p>
<p style="text-align: justify;">A poesia de Isaías Gabriel Franco é pétrea. Ora, do tamanho de um muro de arrimo; ora, do tamanho de um cisco no olho. Sejam do tamanho que forem, das louvações aos aforismos, essas pedras (no sapato, algumas vezes) não devem servir para o conforto. Antes, para o impossível a que os poemas sempre se dedicam, como a eternidade; antes, aos acidentes provocados pelas pedras que nos atravessam o caminho, tanto faz.</p>
<p style="text-align: justify;">Isaías escreve no poema “Magma”: “A vida endurece os homens, / a poesia os liquefaz”. É a porta de entrada para “Morada das coisas”, trecho em que estão assentados poemas metalinguísticos e “Inverdade das coisas”, uma longa sequência de aforismos. Se estamos diante de uma reunião de poemas tirados da pedra, o poeta se mostra o mais carnal possível: humano, gente, cidadão. O faz ao louvar a figura do pai, ao saudar sua terra, ao endurecer-se (o quanto mais for possível) contra uma certa escória política que tomou o país de assalto nos últimos anos.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">O calor pode contra as pedras. A água também. Quem pode contra a poesia? A crítica? O público leitor? O próprio poeta? Talvez somente a própria poesia, enquanto ente autônomo, que se volta contra ou a favor (do vento?) de quem escreve e de quem lê. Seja como for, temos aqui um belo compêndio de poemas de Isaías Gabriel Franco, o poeta – não de pedra, como sua poesia, pois passível ainda de lapidação, como os bons poetas precisam ser, e a cujo desafio não se furtam jamais.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Marcelo Labes</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Para estreitar os tatos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/para-estreitar-os-tatos</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Dec 2023 11:40:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Meu sexto sentido é repetido
— o quinto que vence os quatro.
Sem você, sou redundância,
se estamos juntos, sou todo tato.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“Para estreitar os tatos” traz o anúncio de um novo tempo, mas tão repleto de coisas antigas, como as singelas e as grandiosas, que são capazes de tocar e de marcar uma vida inteira. Se, por um lado, há a necessidade de distanciar-se do que é áspero, por outro, fica claro que vale a pena viver as conexões reais e a liberdade de sentir, apesar da imprevisibilidade dos acontecimentos e da vida. O autor nos convida a encontrar um significado nas transições, aquelas fases em que não se está nem lá nem cá, mas se aceita o processo e se vive pelo desejo de ver o sonho de um encontro (tão aguardado) realizado. Esse encontro traz o toque e desperta (e mistura) os sentidos literais e figurados. Conversamos sobre o poeta, o mar e o artesão cujos papéis se confundem ao moldarem as palavras capazes de aquecer o coração. Ao final da leitura, vem o entrelace dos dedos, o amor, e tudo encontra o seu lugar certo neste universo tão complexo que é o humano. A oportunidade sinestésica de tocar e de experimentar lugares, pessoas, mesmo que nunca tenhamos saído de nosso lugar de origem, é algo que essa leitura literária certamente nos permite.</p>
<p style="text-align: right;">Patos, setembro de 2023</p>
<p><strong>Jéssica Martins Araujo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Essa fome chamada desejo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/essa-fome-chamada-desejo</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Dec 2023 03:03:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">na psicanálise, chama-se desejo aquilo que nos difere dos bichos ao fazer a passagem do instinto para a palavra. como faz um bebê faminto que, ao crescer, deixa de chorar sem nome e passa a pedir pela comida. em guarani, ñe’e significa palavra-alma: uma força vital indissociável de tudo que é vivo e que, ao ser forçosamente cindida no mundo ocidental, nos faz padecer do silêncio. aqui, alma, instinto e desejo se confundem, mesclam, brincam. a palavra não vem pactuar com a civilização. ela vem dançar, cantar, morder, chorar, ter fome. a palavra vem para retornar à condição de bicho e fazer bichanas as mulheres que desejam.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Como a panela que começa chiando baixinho e logo toma conta dos sons de uma cozinha, as poesias aqui são escrevivências pulsantes, tecnologia ancestral com tempero próprio da autora; um convite a mergulhar o pão num guisado temperado a verso e prosa.</p>
<p style="text-align: justify;">Molha-se o dedo para provar o gosto das páginas, numa experiência sinestésica de olho-verso-saliva-peito, onde o gosto do frango no centro mistura-se ao amargor de um coração partido. Marcante.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Essa fome chamada desejo</em> transcende a barriga cheia, dispensa talheres, exige toque. É a conversa entre peito cheio e tábua de corte, a fome e a vontade de comer [poesia]. Também o cuidado que rompe com o definido, se apropria da própria dissidência, aceita o instinto e o alimenta.</p>
<p style="text-align: justify;">E para quem tem coragem de provar dessa bacia, de melar-se na polpa dos versos aquosos: lambuze-se.</p>
<p><strong>Amanda Amani</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Rumina</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/rumina</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Dec 2023 18:45:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Aos amores sem causa,
minha desavença.
Aos amores interrompidos,
meu lamento.
Aos amores que eu não vi a cara,
meu desgosto.

Aos amores vividos,
eu teço o fio e repouso
algum dia,
em agradecimento.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">É preciso ruminar a si mesmo como quem morre e nasce. É preciso compreender que, na <em>rumina</em> da vida, geramos sempre alguma coisa no outro, no mundo. Assim, é preciso também entender a necessidade da poesia em ser ruminada e este livro de Natália Luna é um preci(o)so convite para tais reflexões.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando for ler, abra-se antes; se já o leu, continue assim porque as palavras escritas não se fecham, não terminam, ecoam como alimento do cotidiano. Esse, em troca, também nos nutre e ruminou Luna em sua obra, como mulher satélite refletindo seus versos do norte ao sul de si, do imenso ao pequeno, vice-versa. E vale lembrar: nada aqui é por acaso, pois <em>O mundo não dá à volta em torno de qualquer aleatoriedade</em>, apesar de <em>A gente te[r] o céu cheio de aleatoriedades</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"> Nessa perspectiva, a estética de Natália, <em>entre o não dito</em>, é <em>luna</em> de face profunda e rumina um pouco de nós no muito de cada dia. À vista disso, ao ler os poemas a seguir, desejo que vivencie <em>a experiência ampla dos sentidos</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Jennifer Trajano</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Um poema sempre chega a seu destino</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/um-poema-sempre-chega-a-seu-destino</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Dec 2023 15:37:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[entulho escombros
cada qual numa parte do corpo
há dias em que
todas elas doem
fiz alguns movimentos nessa semana
tirei as suas chaves do molho das minhas
e replantei a costela-de-adão
que ganhei de presente
em um vaso maior
todos os dias
eu preciso
retirar o que prende
a planta de se esforçar
pra caber]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Como seria você no mar?</strong></p>
<p>A escrita começa antes. Beeem antes&#8230; Antes da primeira tecla digitada ou primeira letra desenhada. A escrita começa antes da ideia sobre o que escrever. Como um fruto, a escrita já está acontecendo desde o brotar da semente, em processo lento, levando o tempo que tem que durar para o crescer, desenvolver, gerar flores, maturar. A escrita é uma flor aguardando pelo pólen grudado nas patinhas de uma abelha ameaçada de extinção. A escrita começa antes, está no observar a janela e narrar o que vê, no levantar da cama, no escutar a mãe contar histórias que escutou da sua mãe, que escutou da sua mãe, que escutou da sua mãe&#8230; No guardar peixinhos no samburá. O conjunto de letras que se desenha já aconteceu antes, na fala de alguém, numa palavra tropeçada, nos segredos soltos em sussurros.</p>
<p>As letras desenhadas e pintadas com cor por Tayná carregam imagens da infância, da família, do amor visto por uma mulher de pele negra, o toque, uma planta que busca caber num vaso novo, uma carta não aberta, os dias da semana e os meses, a falta da falta. Na tentativa de deixar alguém ir ou um poema vir, ela faz nascer um mar, e nessas ondas de letras, palavras, frases e imagens é possível mergulhar nas profundezas poéticas dessa mulher. Durante o mergulho, em que você está prestes a embarcar, é possível sentir cheiro, gosto, calafrio, as extremidades da corpa se encharcam de suor pela catarse, dá pra ver poesia nas entrelinhas das estrelinhas do universo que a autora é.</p>
<p>O mar, tão presente, pintando ondas em nossas cabeças, nos provoca a rememorar lembranças de outrora. Ler este livro é tomar um caldo de uma onda do passado à beira-mar.</p>
<p>“Como seria você no mar?”</p>
<p>Dá vontade de cantar a musicalidade desse conjunto de palavras, um ecossistema de letrinhas que formam uma fauna/flora de sensações e imagens. Este livro pulsa de Tayná a partir do seu ori, sua memória, sua pele, seu sangue, seu picumã, seu peito, seu sexo, seu gênero, sua potência, sua fragilidade, sua ancestralidade, sua relação com o mundo. Como ela mesma diz: “um poema que escrevo em pé/para que todo o corpo vire palavra/para que eu não volte a me separar do meu corpo/para que eu acredite”.</p>
<p>A cor da letra de Tayná foi pintada neste livro-moldura e deve ser pendurada em seus olhos para lá enfeitar. Presentear as suas ideias com um livro de poemas que acabou de chegar ao seu destino.</p>
<p>Vista suas roupas de banho e bom mergulho!</p>
<p><strong>por Amora Tito</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O homem da chuva</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Dec 2023 17:55:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[caos

é o caos

tal qual ás de paus

no xadrez

&#160;

mantenho a confusão

em ordem

por favor, entre

e repare a bagunça]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A poesia de Brunno D’Almas, escrita rítmica, muitas vezes lúdica e dizendo muito na concisão, propõe a beleza da linguagem no seu sentido estético e melódico entrelaçado a temas diversos sem abrir mão da forma, possibilitando ao leitor o prazer da sonoridade e a transposição da palavra escrita para a projeção de imagens.</p>
<p style="text-align: justify;">Ora palavra anoitecida que devolve brilho aos olhos, ora metáfora de travessia feito “lâmina perigosa que a coragem afia”, nos oferece a certeza que a poesia, se não salva a vida, salva o minuto e nunca falha. Nos versos “em cada palavra um labirinto / se escrevo me perco / se me perco me sinto”, o poeta já anuncia a sua produção poética como um perder-se em palavras necessário para sentir, sejam as subjetividades e dilemas da existência com os quais nos identificamos, seja o terreno espinhoso de temas sociais dolorosos, sejam o banal e o cotidiano versificados em ironias e poemas-piadas que nos fazem rir em meio à rotina.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Estados Unidos com a América embaixo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Nov 2023 21:35:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Já não há tabaco
em lugares fechados
nem se fuma à janela
as sirenes podem passar e rasgar
todas as cortinas da noite
mas nós
devemos permanecer
distantes
assistindo
tambores de revólver

A gente despossuída desse século
não graceja o ritmo
e mesmo os poemas
parecem cair
empilhados
sobre certa brancura]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Sobre <em>Porque fecho os olhos</em>, o livro de Augusto Meneghin anterior a este, Tiago Rendelli escreveu: “Como editor, posso afirmar que o Augusto é um dos maiores poetas vivos, uma potência mesmo em nosso tempo”. Concordo absolutamente. Escolher o que dizer sobre <em>Estados Unidos com a América embaixo</em> é sumamente difícil, afinal, caleidoscópio, ressignifica-se a cada leitura. Como fixar a impermanência? Preparem-se para um inferno de perguntas, uma espiral de enigmas com uma singularidade desconcertante.</p>
<p style="text-align: justify;">Começa com um poema-avalanche que logo se faz interrogação — Pode uma avalanche pausar em sua inexorável descida? Digo-o, porque os versos conseguem esse segundo de silêncio absurdo, no qual a neve, perturbada, se imobiliza no vazio da montanha. Divina Marta S, a mulher que cai, <em>empregada do planeta Terra</em>, para a meio da descida. Pois, <em>antes</em> <em>disso ela ouviu/o som do mar/dentro/de uma concha extinta.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Tempo, nascimento, morte compõem o fio que urde este livro. Sutra do nascimento, poema que o fecha, traz nas mãos um frágil ser nascente: <em>A primeira vez que o segurei/tive medo de derrubá-lo/imaginei que você pudesse morrer.</em> Augusto é peculiar na sua relação com o tempo — ora parece incorporar uma poesia que “já não existe”, ora ser imune a datações. Este livro oferece essa incontornável contradição — o tempo avança tanto quanto permanece. Oferta a possibilidade de nos mantermos vivos ao progredirmos entre ruínas. Todas as ruínas, todos os tempos. O avião de Hiroshima que atravessa a sala onde as crianças brincam, a estrada pavimentada até certo ponto/depois fendas e escuridão, Lisboa revisitada por um estrangeiro entre a guilhotina e a saudade, a sua infância e a dos seus filhos desabrochando, no mesmo país, onde o cinema tornou-se uma igreja neopentecostal, e o lago oval de carpas douradas com uma ilha no centro/agora é uma cratera de cimento onde pulam crianças. Um país em fogo permanente, repetidamente invocado: Brasil eu não sei o que é justiça/Brasil suas crianças estão fodendo/Brasil eu não conheço o seu sexo/Brasil eu queria uma farmácia cheia de floriculturas/Brasil eu queria uma farmácia cheia de poemas/Brasil eu desejo um paradoxo. Brasil é um poema de 2007, mas poderia ter sido escrito hoje. Porém, o poeta é o que ressuscita, é aquele que no círculo do espelho permite o encontro com uma avenida ignorada até então.</p>
<p style="text-align: justify;">Augusto, termino agradecendo. Ouso dizer que muitos te agradecerão este mesmo poema. Obrigado amanhã/por ter me esperado/apesar da história/que me precedeu. Beleza pura ter acompanhado tuas mãos tecendo este livro sublime.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Judite Canha Fernandes</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Mergulhar na pele, desoxidar a língua</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Nov 2023 19:20:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[a mulher abriga
ruídos da onça
a casca afina o
mistério
rasga a água
do mar
o peito luta]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Mergulhar na pele, desoxidar a língua</em> é entender a pele enquanto mistério maior da existência. É a celebração do verbo pelar, enquanto presenciamos uma dissecação detalhada das várias camadas dessa cobertura pelas mãos da autora de forma robusta e delicadamente num poro só! Essa pele-ritmo, pele-diário, pele-casa, pele-eu, pele-você, pele-nós, pele-confronto, pele-transformação, pele-fortaleza é uma viagem em que o mapa é a própria sensibilidade da escrita que nos é presenteada. O mergulho é real, os poros vão se abrindo de tal forma que até a superfície tem a sua profundidade e também transborda troca, enquanto se reinventa e se encontra. Este livro é para você que sabe que a pele fala e vai agora poder finalmente escutá-la. Aqui, o mapeamento vai acontecendo à medida que a bússola, que também é língua, se funde ao vasto reino dos poros.<br />
Essa é uma pele que respira e por isso vive na iminência de ser asfixiada. Aqui, pele e língua viram sinónimos no radar da violência que se desenha e tenta se afundar nela. Apesar de serem lidas como isco, são na verdade a fonte da resistência. Essa pele-língua é arco e flecha cheio de sabedoria ancestral, é encontro que segue enfrentando a violência, escancarando as cicatrizes, se desfazendo das crostas, evidenciando e desfazendo os enigmas e principalmente se pelando de novas possibilidades, novas linguagens, num mapeamento tão profundo que protege. Aqui, pelar, é existir na pele no seu todo. Afinal, é esse o maior órgão que temos. Tchibum! <strong> <span style="color: #ffffff;">Julia Peccini</span></strong></p>
<p><strong>Jorgette Dumby</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>A sorte do sopro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Nov 2023 18:56:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[até onde dizer
piedade

oferecer estilhaços
sem ameaçar
o corte?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Entre todos aqueles pensamentos aparentemente inúteis que nos ocorrem em momentos de vagueio, sempre me questionei como deve ser peculiar a vida de quem habita nas fronteiras de países, o amálgama entre duas culturas e a sensação de pertencer a ambas e não pertencer inteiramente a nenhuma ao mesmo tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">O paradoxo do ser fronteiriço geográfico é a representação de todo indivíduo do nosso tempo, aquele que vive entre mundos, buscando um lugar — físico ou emocional — para chamar de seu.</p>
<p style="text-align: justify;">Brunno, neste <em>A sorte do sopro</em>¸ mostra o movimento ruidoso do poeta entre a esperança da perenidade e a realidade da impermanência. A sua vontade é a de erguer casa, mas o ambiente com que se depara é o do terreno arenoso das dunas, a moverem-se permanentemente ao sabor do vento. Dois universos aparentemente inconciliáveis à luz da realidade, mas não da poesia, arte resistente e com histórico de rejeitar as coisas como se apresentam. O autor então levanta a voz em recusa: “pentear os cabelos de quem amamos/não pode ser um rito/a preceder o funeral”; ao mesmo tempo em que parece ceder: “Escrever seu nome no ar/com a fumaça do cigarro/como se bastassem/palavras descartáveis — um prazeroso aceno/à extinção”.</p>
<p style="text-align: justify;">Brunno sabe que o poeta é um ser fronteiriço e, como tal, aprendeu a viver no limiar entre dois mundos, cria pontes e portais, os quais atravessa inteiramente nu, pois não concebe existir de outra forma. Igualmente compreende o preço a se pagar, respingando o que escorre da angústia: “Poeta/ajoelha-te/ante a chaga//sangrar-se/tudo//ainda assim/seguir sem/sangue?”, apontando para o fazer poético como o ato derradeiro de um corpo.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>A sorte do sopro</em> é uma obra essencial a quem sangra e espera com a mesma intensidade, a quem se reconhece como ser humano em desterro e à procura de um lugar para erguer casa, ainda que seja feita de palavras dentro do próprio peito, pois como disse Gullar: “é voz de gente — poema:/fogo logro solidão”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Rafael Ferreira de Abreu</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Reclamar a sacarina surpresa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Nov 2023 17:47:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Espero
que a data da minha
última menstruação
me seja bem
anunciada,
para
assegurar
a maior das
festas,
com o mais
elevado gáudio,
a mais estridente
gargalhada,
o mais
ostensivo
guarda-roupa
e o mais
animado
arpejo.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Como naquele instante em que, ao vestir-me, senti que o meu corpo era o corpo da minha mãe; que eu era ela ou o contrário, não sei muito bem, e assim me tornei oficialmente adulta.</p>
<p style="text-align: justify;">Denise reconhece na bisavó as suas próprias pernas. Aquelas que seguram o peso do corpo, da família, da casa, do trabalho invisível e do trauma. Enquanto mulheres sabemos bem que verbos guardam para nós: suportar, servir, aguentar, ouvir, carregar, engolir, calar, cuidar, cuidar, cuidar, calar — variantes viciadas da subalternidade. O que herdamos das nossas mães e avós é mais carga simbólica que genética. Ressentimos no corpo as falhas da História e perdemo-nos na repetição. Mas o que temos de nosso afinal? Quem podemos nós ser no meio da confusão?</p>
<p style="text-align: justify;">Denise volta ao início. Observa-se. Descreve-se para se encontrar e, ao fazê-lo, propõe um novo atlas sensível da anatomia feminina, que é poema e manifesto — insurjam-se, moças, contra o ato de contrição. O direito à ira é vosso, assim como o desejo, o prazer e a alegria!</p>
<p style="text-align: justify;">O exercício que lhe serve de contorno estende-se a nós, neste pequeno poemário de palavras afiadas e exatas, em que o corpo se faz de matéria, mas também de política, memória, dor e festa, tempo, espaço, campo, revolução e voz, voz, voz…. que nos encharca de riso áspero e choro, espanto e admiração.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez as pernas ainda suportem o peso do passado, mas chegará o dia em que um grito das entranhas se lançará livre pela primeira vez.</p>
<p><strong>Mariana Camacho</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Entre pássaras</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/entre-passaras</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Nov 2023 09:36:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[a árvore engoliu
o corpo chupou
os ossos
o pássaro morreu
de pouso
a moça veio dos
gases e se criou
poesia]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>exercício de [oito] orelha[s]: como soltar a pássara engaiolada na goela? </strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">abrir os olhos, chorar. alongar o pescoço formando uma meia-lua pra dissolver a areia de dentro. elevar os braços num espreguiçamento, olhar o abismo sem certeza absoluta sobre o funcionamento das penas e saltar. abrir a boca, esticar a língua infinitamente até que se possa sentir o grito entocado na vibração não dada da prega minúscula vocal sendo empurrado pra fora. grunhir, gemer, tecer um som sem pé nem cabeça até que se possa vocalizar o indizível. cantar/pássaras-palavras que voam e voltam pra garganta. prestar atenção para que elas possam sair espontâneas e cuidadosas, acreditando na possibilidade de reparação consigo e com o outro. constantemente aprendendo a viver, vulgo peda[lar]. pedir lar pra mim e pro outro. viver é ação, exercício de ser nesse corpo que habitamos e se movimenta — como pedalar, <em>esticando uma perna e flexionando a outra</em>. esses movimentos coexistem, são mútuos para que seja possível/vingar a palavra, deixando-a sair de dentro como um vômito, como um grito, como algo que nos habita e que tem urgência em sair. fazendo vingar o choro que foi engolido, as partes que foram omitidas por não serem aceitas. as vezes em que fomos invadidas e não pudemos revidar por medo ou falta de espaço. fazendo vingar nossas vontades, nossa potência e luz sem culpa, sem medo e sem pudor/segura a própria mão, sente a pulsação. é no impulso que está o pulso. ímpeto, constância e consistência/é difícil caber na palavra. na gaiola, na goela, o espaço não acomoda — reforça, empoça, sufoca. o pouso tem leveza de peso, só que há sempre um punho de penas escancaradas, escangalhadas por aí/metade do mundo é mulher. a outra veio de dentro delas. pra parir pássaras-palavras, lembra desta fita: enche o pulmão e grita/com um grito de ave de rapina, que ecoa goela acima a maldita herança bendita das mais velhas, que não se dobraram ao estigma. lude freitas nos instiga a soltar a pássara presa na garganta, como quem fisga palavras mortas e prenhes no chão, como quem habita o ordinário, o onírico, e estica sua duração num vórtice temporal de atualização ancestral. mas talvez a pista mais importante que nos deixa é aquela que se dá antes de abrir o livro: <em>entre pássaras</em> — aliança necessária para seguir.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong><em>entre as pássaras: </em></strong><strong>giuliana melito, marina caetano, jéssica costa, mariana pelizer, karen lira, luiza barros e carol ferreira. </strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>O Livro de Sagres</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Nov 2023 18:22:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[monólitos e cromeleques quedam
serenados nos campos abertos e inúteis
onde a estrada não passa margeia e para
e na placa em madeira arruinada anuncia a flecha
NEOLÍTICO as pedras perdidas e sacras
os menires que não encontrei os
monólitos castanhos ainda abaulados como
cabeças de cães servis ou fragmentados
pelos matos baixos últimos resquícios pré-
-históricos talhados pelo homem e retrabalhados
pela erosão do tempo quais ventos quais vestes
quais chuvas quais pedaços
de caminhos estraçalhados de pergaminhos
futurísticos quais respirações passantes
e adejantes bordejaram esse planalto]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Entre Brasil e Portugal, o mar. Salino, corrente, vasto. Este livro de Elisa Andrade Buzzo traz a força arenosa, granular e sedimentada de um tempo que vem de sempre, mas que nos leva a um lugar que ainda não conhecemos. Uma Sagres como símbolo de linhagem e de alinhamento, não só com as profundezas da língua portuguesa, com a dicção portuguesa — tão íntima e tão misteriosa aos autores brasileiros — mas também com a natureza lírica da poesia.</p>
<p>A poeta é especialmente habilidosa nessa construção encantatória, barravento, a partir de elementos do imaginário literário português, explorando o que poderia haver para além de falésias, infantes, seixos, alcovas, relíquias, lamparinas, âncoras, espumas… E ainda muito antes, em vestígios do período neolítico, “num território reduzido ao essencial”. Uma espécie de ourivesaria sobre camadas mais fundas — ou melhor, dissecação e rearranjo das partes primordiais para que ressignifiquem na caleidoscópica poesia contemporânea.</p>
<p>Elisa Andrade Buzzo, que é pesquisadora, em Portugal, da literatura brasileira, posiciona-se justamente no limiar da familiaridade: como quem observa um lugar, uma cultura, uma língua que é sua sem totalmente o ser: “esse padrão de sagres aqui fincado/como os dos solos tropicais/é lembrete calado e de distantes/enfadonhos ditames coloniais”. Assim, consciente da sua sensibilidade além-mar, a poeta percorre a topografia do Algarve como quem busca por uma memória perdida, munida, em suas escavações, de ferramentas bibliográficas e afetivas intrínsecas. Deixa a intuição ancestral revelar um elo nas encostas pedregosas, nos personagens locais, nas manifestações transformadoras do presente: nas fábricas, nas velas de windsurf, nas casas neoclássicas que irrompem espontaneamente pelo terreno.</p>
<p>Vai anotando, com o olhar poético-científico, suas impressões sobre “relíquias vicentinas”, a Sagres mítica e simbólica que há muito já não reside somente em Portugal. A poeta revisita o imaginário colonial e arvora seus direitos sobre territórios oníricos em comum: “a paisagem não adentra antes sou eu/que me anteparo insólita no peso físico da paisagem/e vejo sem enxergar e ando sem caminhar”. Sob o ponto de vista da poesia, da vivência poética, este não poderia ser, jamais, um olhar estrangeiro.</p>
<p><strong>Flávia Rocha</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Poemas e urgência</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/poemas-e-urgencia</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Nov 2023 16:58:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Não sou mais aquela
certeza
geográfica
cromática
aquela certeza verde-azul-amarela
a certeza Cruzeiro-do-Sul me deixou.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O título Poemas e urgência aponta ao leitor o que se instalará à flor-da-pele (ou no fio da lâmina) das palavras. Essa urgência-singular é unânime e ecumênica, mesmo que, por vezes, camuflada pela leveza de cenas sutis flagradas do cotidiano.<br />
Pelagagi incensa a ancestralidade através do olfato, os cheiros, temperos, perfumes, especiarias: a hortelã da infância, a dama-da-noite, o pão, o azeite, o vinho e, por que não dizer, do sangue rizomático que assombra a menina que habita a mulher, que abriga a mãe. “Ser menina é urgente”, a frase do poema “Matrioska” ecoa pelas páginas do livro. O poeta inglês William Wodsworth escreveu, Machado de Assis ratificou: o menino é o pai do homem. Entretanto, fica a interrogação: a menina é o pai da mulher? A menina é a mãe da mulher? Ou é apenas “A origem do mundo” — rasgo metafórico e fundura infinita representados pela pintura de Gustave Courbet? Afinal de contas o que quer a menina como a sua descendência? E com ascendência? O que ela inaugura?<br />
Esses e outros enigmas tornam-se insumos para a formulação poética pelagagiana. O que é tempo, por exemplo, ela indaga em “Fotografia que não fiz”: “capturei você ali sentado à janela/com idade indizível/Novo, velho, eterno/naquela expressão de viver”.<br />
Em “Primeiro andar”, o medo, infiltrações e rachaduras (símbolos de nossas fendas existenciais?) são bichos noturnos que tanto provocam a nudez quanto desassossegam. O mundo exterior, o pânico, a morte, a violência, o vírus e seus tentáculos afetam e dão substrato à escrita, como auscultamos em “Era para ser um ensaio”, “Choro”, “Pandemia I”, “Pandemia II”, “Para o menino da foto”, “A impressão de existir(em)”, “Black Lives Matter”, “Ruas ilustres”, “Tsunami” e outros.<br />
Andréa homenageia alguns de seus autores prediletos, num trânsito intertextual que atesta a força, a profundidade e a intrínseca musicalidade de sua trajetória literária. Assim como a “Valsa número 2”, de Shostakovich, que assovia aos nossos ouvidos, enquanto sonhamos a pedido do poema “Sexta-feira”, trago o antológico “Urgentemente”, de Eugénio de Andrade, como um mantra lírico a nos acompanhar nessa travessia, como uma senha (ou mote) da esperança que supostamente nasce à revelia, no inconsciente poético desta obra. Sim, é urgente o amor, é urgente permanecer. Assim como é urgente seguirmos verso a verso até o Posfácio, “O lugar era de uma aridez só/ Mas dava pra ver, de longe, se olhasse bem, uma flor/O homem era de uma aridez só/Mas dava pra ver, de longe, se olhasse bem, o amor/O texto era de uma aridez só/Mas dava pra ler, lá no meio, se decifrasse bem, alguma coisa além”.</p>
<p><strong>Eltânia André </strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Noctonautas &#8211; a cosmogonia segundo Zizito</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Nov 2023 14:26:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[participante que é
do mundo
zizito conhece bem os olhos desmesurados da quinzinha
embora seja completamente desconhecido por eles
os olhos da quinzinha às vezes parecem
uma sopa de leite com dois animais redondos
mexendo e boiando na superfície
parecem dois animais]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>noctonautas: a cosmogonia segundo zizito</em> é um longo poema em prosa, com marcações em versos e estrofes, algumas rimas quase incidentais e extensos períodos cujos meandros sintáticos são suavizados pelas quebras do verso — o que também funciona como pontuação e respiro rítmico.</p>
<p style="text-align: justify;">O texto se abre como o universo inaugurou-se, com uma explosão, “a antemãe de todas as explosões”, inimaginavelmente explosiva, “de arrepiar partícula subatômica”, e com a solidão muda que a acompanha: “ninguém morreu/devido à ausência de candidatos aptos”; “escatafataplum mas ninguém ouviu”, pois não havia ar para propagar o som, “apenas onomatopeia de explosão e princípio”. De saída, a sensação de miudeza perante tanta grandeza. Uma miudeza tão ínfima, que a introdução “do microscópico ser/de nome zizito”, oriundo “das profundas entranhas do nada”, parece pouco afetar a insignificância do universo como resto, como entulho de explosão: “tudo é pedaço/tudo é estilhaço/tudo é irmão//tudo é vestígio/tudo navega em vão”.</p>
<p style="text-align: justify;">Quem é zizito? <em>O que</em> é zizito? É real ou imaginário? Seria um ser? “ou simplesmente um jorrinho de luz vagalúmica”? zizito é o nosso guia através de uma cosmogonia poética, fabulada, lúdica, quase infantojuvenil, que retrai as imensas distâncias.</p>
<p style="text-align: justify;">zizito é veículo de desvendamento de um dos mistérios que mais inquietam e fascinam a indagação humana: a origem de <em>tudo</em>, a origem do universo. Mistério em que se funda parte da atividade científica. Mas a ciência é apenas um dentre tantos mecanismos produtores de cosmogonias. Outros são mais diretamente associados à produção literária, como demonstra a riqueza das narrativas cosmogônicas produzidas por povos originários de diversas regiões do planeta, por diferentes correntes religiosas, ou pelas fabulações de intenção mais propriamente literária.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>noctonautas</em> é poesia, não equação. Contudo, procura transmitir a intensa carga poética que pulsa sob a fria aparência da linguagem e do método científicos. Quão fascinante e inquietante é sentar-se à noite na areia da praia e, ao observar o céu, conectar-se com a dinâmica das coisas celestes, sabendo de antemão o que a ciência explica? Que a estrela cadente é meteoro em chamas. Que a luz das estrelas vem de um passado que muitas vezes precede a própria existência humana. E o que fascina e inquieta é sempre matéria e energia latentes para a produção poética. O racional e o intuitivo, contrariamente a uma concepção comum, não se dissociam, mas, antes, se alimentam, enriquecendo-se mutuamente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fernanda de Campos</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Vou chamar de lugar, mas pode ser que mude</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Nov 2023 13:47:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[das viagens levo na pele
algumas marcas:
no braço direito, a cicatriz
da Península de Maraú,
e, da Polinésia Francesa,
Bora Bora tatuou-se maori
sobre o descuido de arame farpado.

recordo: dois dias antes,
a coroei rainha
com uma folha de palmeira
trançada de tiarés.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O poeta Ricardo Rachid habita o sempre lugar, com a imaginação povoada de paisagens. Ora voltam lugares de brincar, recuperando-se o sabor de peraltices e reticentes estadias que não se desfazem, ora basta olhar o braço direito e reaparecem cicatrizes em forma de poema.</p>
<p style="text-align: justify;">            Com um pouco mais de imaginação do poeta, seguida pela fantasia do leitor, até jacaré pode ser palavra e ter asas. E Ricardo Rachid continua sua viagem nas trilhas de dentro — rio de poesia —, estâncias nos braços da noite, tecidas de proteção e filó.</p>
<p style="text-align: justify;">            Já de fora, chega difuso passante na foto em que olhos desertos recolhem estrelas. No sonho, restos da Pietá de mármore alimentam o filho que dorme; o navio flutua na tarde, e Vênus de Milo sorve o pôr do sol.</p>
<p style="text-align: justify;">            Por meio da “valsa dos dedos”, Ricardo Rachid escreve a cartografia de lugares sem tempo. E, recuperando fragmentos, povoa de significados seu fazer poético.</p>
<p style="text-align: justify;">            <em>Vou chamar de lugar, mas pode ser que mude</em> é anúncio discreto da boa-nova. Ela virá, silencia o poeta. E os leitores se surpreendem e se extasiam com o inusitado.           Diante da epifania da criatividade do poeta Ricardo Rachid, só nos resta lê-lo com respeito e reverenciar a poesia escondida nas coisas simples adormecidas em um lugar qualquer.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Alzira Maria Ribeiro Araújo</strong>, poeta.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Poesia alguma</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Oct 2023 21:02:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[a mad-
rugada trans-
borda em silên-
cios e lem-
branças

amal-
gamada a um ans-
eio de alen-
to e além

lança

a man-
hã dans-
ando plen-
a de aman-
hãs]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">josé g. principia <em>poesia alguma </em>com uma declaração programática: “este livro inicia igual ao fim de um al/de um algo que tresli/de uma alma igual a mil/em língua desigual”. Nele, mais que promessa, o leitor surpreende um autor que, apesar de estreante, demonstra um destacado domínio da carpintaria poética, numa convivência madura com as palavras, com ritmos que se põem, se repõem e se dissolvem, com assonâncias e ressonâncias destinadas a transmitir pensamentos, desejos e afetos. O percurso se organiza em torno de cinco eixos: I. <em>languedoc devastada</em>; II. <em>biblioteconomímesis</em>; III. <em>os trabalhos e os dias</em>; IV. <em>filosofemas</em>; V. <em>algaravia</em>. Cada passo constitui uma surpresa para o leitor, desenhando um rizoma que se desdobra entrelaçado em novas dobras, para gerar surpreendentes conexões.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, em <em>languedoc devastada</em>, ainda que tudo se articule em torno do “sim” (e <em>langue d’oc </em>significa literalmente “língua do sim”), isso só se faz para embaralhar as fronteiras aparentemente instransponíveis com o “não”, permeadas por todo tipo de dúvidas, incertezas e contradições. Afinal, como se afirma em <em>os trabalhos e os dias</em>, poetar vem a ser “este exercício minu-/cioso de extrair as conc-/has de dentro de frasc-/os”. Frascos comunicantes que, em <em>biblioteconomímesis </em>e <em>filosofemas</em>, transbordam em diálogo com a poesia e a filosofia dos antigos. Em ambos, no rastro de temas e imagens colhidas da tradição, é notável a verve nietzschiana em enfrentar as questões sem nenhuma condescendência, passando pelo discurso, a verdade e a natureza, a fim de tocar os constituintes mais elementares da linguagem. Como declara o autor, ao modo de dicionário: <em>semantema </em>é “o sêmen do poema”. Tudo conduz, afinal, a <em>algaravia</em>, primoroso e último exercício daquilo que o livro tem de mais próprio: quebrar palavras, proposições e recursos de estilo — neste último caso, a própria separação entre poesia e prosa, através de uma sofisticada prosa poética desdobrada ao modo de certa escrita automática.</p>
<p style="text-align: justify;">Se <em>poesia alguma </em>drummondianamente inquire sobre a própria possibilidade de alguma poesia, não há dúvida de que a promessa e o convite que este livro faz ao leitor se cumprem sem regateio. Com aguda atualidade e irretocável perícia, o que se constata é quanto “cada verso sorve um devir à deriva/da presença em essência/do meu ser em ausência/de uma morte que é vida”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Jacyntho Lins Brandão</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Mapas dos campos minados</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Oct 2023 17:43:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[em dias como hoje

o peito arde e as horas secam

coloco nos ouvidos a própria boca

e me sussurro coisas impossíveis

sonho com leões

montados em cavalos de lego

suas jubas incandescentes a revirar

os pastos ao lado da casa da infância

&#160;

em dias como hoje

o peito arde e o ar perfura o relógio

que está sobre a geladeira

invento o corpo e lambo

com a própria língua

os cotovelos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>mapas dos campos minados</em> é um corpo de poemas explosivos. aqui, o cotidiano é bélico, a repetição dos movimentos mais banais da vida é apresentada como ruínas que insistem.</p>
<p style="text-align: justify;">claudinei sevegnani soube, com a beleza que a poesia pede, revelar o cansaço existencial em lidar com sentimentos-pensamentos que exaurem a história de cada coisa. a repetição de movimentos, como se sentar e se levantar, aqui poderá ser uma curva para a exposição de uma dor; os poemas, neste livro, são pilhas complexas de dor, por isso a leitura vai despertando um desejo enganoso de que o autocuidado fosse derrubar a poesia, fechar o que te faz melhor ver, porque neste livro cada poema parece mesmo ter se aproximado da vida. e estes a apresentam como um acúmulo de incômodos e ausências.</p>
<p style="text-align: justify;">no poema “procedimento nº 01 — objeto” lemos o verso: “mapear o perímetro do acidente”, e a imagem/ação desse verso é exemplar para pensar o exercício de escrita deste livro como um narrar sobre o ordinário, a interdição da fala, a proibição do sentir, o afundar-se nos próprios desejos.</p>
<p style="text-align: justify;">do expor a exaustão ao mais refinado exercício de escrita, <em>mapas dos campos minados</em> vai nos apresentando esse mapear acidentes como uma prática possível para a leitura e produção da poesia; este livro te apresentará referências, te afundará e te fará ressurgir em sentimentos.</p>
<p style="text-align: justify;">este livro tem medo do desaparecimento do amor e da liberdade e, por isso, este é ainda um livro sobre esperanças; o escrever aqui, sem deixar de ser revelador, ainda assim nos ilude, este livro pode até chocar um ovo (contra tua cabeça).</p>
<p style="text-align: justify;">os poemas aqui escritos podem não te responder nada, mas, sem uma duvidazinha só que seja, te digo: este livro seguirá expondo em tua cara imagens de uma investigação de coisas absurdas, fissuras que se abrem no cotidiano e que nos obrigam a seguir pulando sombras, que são mapas da queda.</p>
<p style="text-align: justify;">este livro enche nossas cabeças de perguntas, ao passo que parece derrubar nossas pilhas de importâncias. <em>mapas dos campos minados</em> aponta que a poesia é um caminho possível de resistência ao cotidiano: a repetição exaustiva de tantas opressões do mundo. este livro questiona as marcações que definem: corpos, dança, poesia, dor, teatro, planta molhada. os poemas aqui questionam a colonização de nossos sentimentos.</p>
<p style="text-align: justify;">a poesia pode revelar a nossa exaustão, mas ela será principalmente assustadora para aquelas e aqueles que ainda não sabem que estão cansades.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>luciany aparecida</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Vida e morte de Adília Lopes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Oct 2023 16:34:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<em>agora as pessoas</em>
<em>não sabem morrer</em> eu não sei deixar
morrer mesmo quem eu poderia
odiar]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>LIII</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>as noites de santo antônio<br />
guardam sempre um lugar<br />
na minha cidade<br />
era como se eu escrevesse sempre<br />
com código postal errado<br />
rezando para tudo dar errado<br />
nessa fachada que dá à rua<br />
sinuosa e aborrecida<br />
onde me isolei para tentar<br />
escrever esse poema<br />
sabendo que não chorarei o bastante<br />
a morte duma amiga</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Ave rara: uma arqueologia da palavra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Oct 2023 13:00:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[a palavra

é a pele inefável das coisas

a forma como me relaciono com Deus

&#160;

é o avesso do mundo

e o direito ao mundo das coisas

&#160;

a palavra é amplidão

mas, também, confinamento]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“nessa arqueologia, em busca da ave-palavra</p>
<p>te convido a aguçar os sentidos, a deixar fluir</p>
<p>as incertezas, a remover as pedras que teimam</p>
<p>em impedir o voo (…)</p>
<p>nessa arqueologia, te convido a me dar as mãos</p>
<p>os olhos os ouvidos</p>
<p>e a entrar comigo na caverna, silenciosamente, até que ouçamos</p>
<p>o pio da ave; a voz, o chamado”</p>
<p><em> </em></p>
<p>Tão logo adentrei o universo poético de Helena Arruda, desde seu primeiro livro, deparei-me com esse chamado, um convite irrecusável. Assim é Helena quando decide abrir todas as fronteiras, arrombar as portas, arrebentar as cercas, escancarar as janelas, mergulhar em alto mar, subir montanhas íngremes e escorregadias, voar, ou, simplesmente, ficar. Se antes ela buscava sua “flor no abismo”, passa agora a buscar incessantemente a “ave rara”. Para isso, ela escava, arqueologicamente, os porões do pensamento numa procura pujante; pois se no princípio era o verbo, a poeta brinca com Cronos e se antecipa a ele com imagens impactantes, belíssimas, como a “mulher de dedos longos” que a acompanha não só nas montanhas, mas nas águas dos rios, nos oceanos, nos campos estrangeiros, nas esquinas das metrópoles, nas ruas, na vida e, talvez, na morte. É ela quem lhe diz a hora de retornar e de retomar a poesia, é ela quem abraça a poeta quando o cansaço é insuportável, quando as dores vêm, é ela quem lhe aponta os caminhos e as curas. Mas a poeta novamente se antecipa e confessa que um dia esse retorno será impossível. É nessa linha tênue que tudo acontece, nesse zênite que lhe recobre a cabeça, o corpo, os olhos, os ouvidos, a pele, as veias, as linhas fronteiriças entre o Ocidente e o Oriente, entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio, entre a imaginação e a alma.</p>
<p>Por meio de uma costura ordenada — a poeta mantém uma linha temporal de acontecimentos sobre o nascimento da poética —, e uma melodia ritmada, com muitas vozes sobrepostas, Helena traz à tona temas necessários, recorrentes em sua poesia, colocando no centro a figura da mulher, sem, no entanto, desligar-se do seu objeto principal: a palavra-corpo, a palavra-cicatriz, a palavra-mundo, a “ave rara” que sai da sua boca e das bocas de suas predecessoras e de suas contemporâneas.</p>
<p>Helena Arruda, com sua voz única, vem imprimindo marcas indeléveis à poesia brasileira contemporânea. Desde sua poesia política à sua poesia mais intimista, a poeta finca os pés, solta a voz, liberta corpos aprisionados, voa alto, e, por fim, pousa serena em meio às vozes mais potentes dessa geração de poetas.</p>
<p><strong>Marta A. Chaves</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Se a ansiedade tivesse um som, seria de uma ambulância</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/se-a-ansiedade-tivesse-um-som-seria-de-uma-ambulancia</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Oct 2023 12:45:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Não consigo dormir quando lembro que as pessoas morrem
e que ninguém sabe direito para onde vai
já que cada um pra quem eu perguntei me deu uma resposta
diferente
adultos não sabem mentir como as crianças
então perguntei para a Marina, minha melhor amiga da escola
como ela dorme sabendo que um dia vai morrer
ela deu uma risada-grito
bem alta
e disse que crianças não morrem
mas agora eu não durmo pensando que não quero ser a primeira
criança
a morrer.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Escrever como tentativa</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Se a ansiedade tivesse um som, seria de uma ambulância</em> desperta. Não sei exatamente o que, mas é como a luz automática de um corredor acendendo enquanto você passa. Enquanto criança, você se questiona se tem algum superpoder: fui eu? Sim, foi você. E então crescer nos livra da imaginação e nos conta verdades. Foi exatamente assim que me senti enquanto as páginas iam passando: estou encarando fatos, e eles estavam presos na garganta. Na minha? Também. Na sua? Provavelmente.</p>
<p style="text-align: justify;">A Jessica tem esse poder, o de quando a gente é criança e resolve que é mágica ter acendido a luz. Ela nos conta o que é íntimo como quem coloca a mesa do almoço de domingo, nos fazendo pensar que é cuidado enfrentar a realidade tão dura e incômoda como a receita de todo fim de semana de uma mãe.</p>
<p style="text-align: justify;">No fim, uma espécie de conforto cria espaço entre o desconforto de uma mulher adulta que só quer ser boa pra sua versão criança que tentava incessantemente livrar-se de algo.</p>
<p style="text-align: justify;">Nossa personagem se dá conta de que não se pode fugir de quem se é e nos permite o autoencontro.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao invés de só uma casa, somos também as portas e as janelas. Escrever é mesmo como tentativa: não a de fugir, a de permanecer.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Yasmin Vieira</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Regras de fuga</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Oct 2023 11:24:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Todos os dias penso em partir.
Mas sinto o lodo das pedras,
o deslizar dos peixes e
o calor molhado do ar
de minha terra / <em>minha terra é vermelha</em> /
segurando-me as raízes,
e sou obrigado a ficar.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A poesia, tal como a música, é marcada por oscilações de sons e silêncios, instrumentos que tocam e param de tocar, pessoas que cantam e param de quando em quando, ritmos e pausas, presenças e ausências. Como evidenciar ou pôr em destaque no texto tudo que se refere ao vazio? Como falar sobre “a vida inteira que podia ter sido e que não foi”?</p>
<p style="text-align: justify;">Pulverizando os versos destes poemas de Eleazar Carrias percebemos como é possível. Neles, o eu-lírico se declara não-poeta, afirma que nunca será poeta e que a matemática é a poesia mais bela. Justo a matemática? A “arte de resolver problemas”, em sentido etimológico. Ela, cujo trabalho é encontrar os valores incógnitos. A poesia mais bela é aquela que trabalha com os vazios, com os não-conhecidos, com o que se deseja ou quer preencher.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez por isso diante de um dos primeiros problemas a que se coloca o poeta ao organizar um novo livro, a resolução foi matemática. Foram escolhidos apenas o primeiro e o último poema (ambos marcados por movimentos de partida) e os demais foram ordenados aleatoriamente, através de sorteio. Afinal, o poeta é a-matemático, é um “cientista sem método”. Além desses dois poemas limítrofes, predomina na poesia de Carrias a sensação de escape, não apenas físico, mas também discursivo. Embora deseje discordar, o eu-lírico concorda que o boi devorado é culpado pela própria morte.</p>
<p style="text-align: justify;">É uma poética marcada por vazios. O que o poeta quer dizer com isso é que “as séries: / equilibram, não existindo”. “Engenharia” é encontrar Deus onde não há engenharias humanas, na floresta. Solidão é um aprendizado lento, entre amigos, e é aprendida na multidão. Uma poética que se apresenta nos gritos roucos, nos pedidos poucos (merrecas).</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso encontramos afirmações pela negação ou pela supressão ou por algum desvio de olhar ou pensamento. A identidade que o interlocutor no poema “Um violão folk” não tem é semelhante a um “uísque de Glasgow / envasado no Brasil”. Não é falso, tampouco é original. Mesmo as ironias trabalham com esse duplo afirmar-negar. Em “Quatro lições”, afirma que “a boa poesia só a si mesma se refere: / não cita nomes”, mas afirma que aprendeu isto com um amigo, cujo nome estampa no poema. Também o não se acostumar com o corpo amado, o perdão pedido para os corpos nus que vê, quando, na verdade, o pecado é desejo de quem olha (se pecado for).</p>
<p style="text-align: justify;">A epígrafe do livro fez lembrar-me outro verso de Manuel Bandeira: “Fecha meu livro se por agora / Não tens motivo algum de pranto”. A poesia de Eleazar nestas <em>Regras de fuga</em>, parece-me dizer claramente: “Fecha meu livro se não te falta nada”. Eu ouvi. A mim falta, e fui até o fim.</p>
<p><strong>Abilio Pachêco</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Nem todas morrem no final</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/nem-todas-morrem-no-final</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Oct 2023 20:27:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Ela fumou um cigarro no caminho, as luvas atrapalhavam um pouco, <em>mas estava um frio! É cada uma que eu passo por esse homem</em>. Cruzou com os olhos dele e mirou fundo no castanho: ele era bem bonito. Naquela íris perdia-se devagar enquanto pedia para sentar em seu sorriso. Em meio aos delírios de quase êxtase, um toc toc na porta.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Quinze textos breves compõem este livro de estreia de Monalisa Bomfim. O designativo “textos” ajuda a contornar a dificuldade em circunscrevê-los em único gênero literário, já que se trata de uma reunião de contos e poemas. Mal escrevo isso e me parece desajustada a palavra “reunião”, que poderia dar a entender, equivocadamente, que os textos aí estão de modo aleatório, único fio a atá-los a sucessão das páginas impressas. O que ocorre é bem diferente disso. Explico-me: são textos que se enredam mutuamente, que fazem eco uns aos outros, seja temática, seja formalmente — e isso sem prejuízo de sua diversidade. A essa força centrípeta não escapam nem mesmo as epígrafes escolhidas a dedo pela autora: outros tantos textos, apropriados e chamados a dialogar com esse universo de personagens mulheres que de diferentes maneiras se mostram abertas para a vida, para o amor e para a morte.</p>
<p style="text-align: justify;">É desse enredamento que resulta talvez o mais notável aspecto do livro, a maneira como vida, amor e morte são tratados sem hierarquizações benevolentes ou oposições maniqueístas, em favor de um olhar que desvela como, no quinhão de existência de cada uma das personagens — e de cada um de nós —, vida, amor e morte estão imbricados e implicados mutuamente. Se isso parece um truísmo, nem sempre é fácil encontrar boas representações literárias dessa complexidade que faz deslizar a vida para dentro da morte, o amor para dentro da vida, a morte para dentro do amor e assim sucessivamente em combinações cada vez mais improváveis e verdadeiras. Veja-se, por exemplo, o desvelo amoroso da guardiã, em conto do mesmo nome; ou a força anímica da flor que desponta teimosa do cimento, despertando o impulso mortífero até de quem só soube, ao longo da vida, cultivar; ou ainda o cuidado metódico da personagem que planeja cuidadosamente o momento mais extraordinário da sua vida, ainda que saiba que ele também será engolfado pela vida ordinária.</p>
<p style="text-align: justify;">É assim que fui sendo levada de texto em texto até a última página do livro: sem coragem de quebrar os elos que os atam, curiosa para entender de que forma a autora daria a ver os deslizamentos de aspectos da vida humana que, de tão sutis, quase nunca são captáveis, senão pelo olhar artístico e literário. Ao fechar o livro, permaneceu aquela satisfação intranquila que nos reserva a literatura digna desse nome.</p>
<p><strong>Rejane Rocha</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Caminhos curtos para caracóis</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Oct 2023 19:52:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[caracóis alugam terrenos
entre as muretas do meu pensamento.

molusco tem concha:
a casa própria que ninguém lhe deu.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Caminhos curtos para caracóis</em> nos proporciona uma íntima e profunda trajetória, interna, que se desprende de si, pouco a pouco, revelando a poesia íntima de Paula Maria, que, no mesmo passo, escreve as experiências e sentimentos que nos juntam e nos ajudam a enxergar caracóis no espelho.</p>
<p style="text-align: justify;">É evidente a habilidade da escrita poética da autora, deslizando entre questões complexas, elaboradas nas palavras que dizem tudo com maior licença, e exposta pela capacidade de auto-observação, pela consciência das próprias contradições, sempre munida do lírico que representa a experiência da mulher no mundo. De uma e de tantas.</p>
<p style="text-align: justify;">Este livro nos mostra que, muitas vezes, não temos casa; muitas vezes, escolhemos abdicar da redoma que nos forma e nos abriga, porém também fazemos crescer a casca que torna o mundo possível. A trajetória do caracol é, afinal, um arrastar de sangue e de busca. É, acima de tudo, um encontro com o eu autêntico. Uma jornada que nos envolve com a escrita genuína e bem-colocada de Paula Maria.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>“mostro alguns pedaços</p>
<p>que entregam apenas vestígios</p>
<p>do que desejei um dia”</p>
<p><strong>Jarid Arraes</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Tarde inventada</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Oct 2023 19:44:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Houve um poema.
Perdi-o.
Perdi-o
(como tantos)
em busca
das palavras
que o dissessem.

Tantos poemas perdi…
Tantos poemas perdi assim.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Os poemas desta <em>Tarde inventada </em>têm a aparência das crônicas urbanas do cotidiano, narradas numa linguagem simples e envolvidas num lirismo levemente irônico e descompromissado. Um bálsamo para a alma sempre atarefada e cansada das pessoas em situação de cidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, a este leitor que busca refúgio no entretenimento, recomenda-se o cuidado de não se deter demais nos poemas, pois nas suas entrelinhas singelas afloram temas graves, como a morte, o amor, o (homo)erotismo, a memória, os problemas sociais, as dúvidas e angústias pessoais, existenciais, poéticas etc.</p>
<p style="text-align: justify;">E se o leitor se aprofundar mais, vai perceber que a linguagem simples do texto oculta uma complexa trama de sons e imagens, que dão densidade e intensidade aos temas; e que a leveza superficial da crônica encobre um espesso abismo de sentido, que só a melhor poesia consegue expressar.</p>
<p style="text-align: justify;">A tarde, anunciada no título e obsessivamente evocada nos poemas, é usualmente uma metáfora para a maturidade ou a velhice. E essa conotação está presente no livro. Mas há também o resgate e a reinvenção das tardes da infância e da juventude. Há, ainda, o lirismo das tardes marginais dos loucos, dos animais e das cenas insignificantes, cuja magia passa ao largo da percepção utilitária da vida urbana, voltada ao trabalho e ao entretenimento.</p>
<p style="text-align: justify;">A voz do poeta evoca essa profusão de tardes gratuitas que se entrelaçam para formar a teia poética de uma grande tarde onírica. Mas o livro não se resume a este salto para o devaneio lírico, pois os poemas também tropeçam no chão das tardes de trabalho e da vida ordinária, cujo tédio o poeta acolhe e apresenta prosaicamente ao leitor.</p>
<p style="text-align: justify;">E aos saltos líricos e tropeços cotidianos somam-se ainda as quedas desencantadas que atravessam o livro, na forma de desencanto social em relação ao mundo pós-moderno, mas também como desencanto existencial diante do sem sentido da vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Encanto lírico, tédio cotidiano e desencanto social e existencial são os fios afetivos desta tensa e contraditória <em>Tarde inventada</em>, teia sensível de poesia disfarçada de crônica. Disfarce que é mais uma trama da obra, urdida entre a simplicidade aparente do texto e sua complexidade latente.</p>
<p style="text-align: justify;">Quem ousar um mergulho sob a superfície literal da crônica vai encontrar, com o perdão do trocadilho, a verdadeira <em>Tarde inventada</em> de Ubiratan Costa, uma intrincada teia de canções, ao mesmo tempo, subjetiva, social, existencial e metapoética. Trama lírica, ávida por enredar o leitor nos prazeres, e pesares, da boa poesia.</p>
<p><strong>Wilton Cardoso</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Nem eu, nem máquina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 Sep 2023 13:07:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span class="fontstyle0">Sei lá, amor, é a pessoa que falei tudo, tá? Se fosse. Ele tentou comunicar: é expressa sua coragem, quase a grafite, quase teve com Maria e Maria em roubo de carro. Por que estou 23 de fevereiro de Carnaval? Só queria que essa alegria tivesse a ver com a sua idade. </span></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Igualmente longe da difícil acomodação do conceito de lugar de fala na criação ficcional e dos prenúncios alarmistas de uma suposta ameaça à subjetividade humana que a IA traria, Drump Goo desloca as questões atuais por meio de uma poética radicalmente democrática: a autoria extinta, mais uma vez e ineditamente. Mais uma vez, porque se insere em uma linhagem amplíssima forjada na insistência de uma autonomia da obra em relação ao autor, da qual fariam parte figuras tão singulares e díspares quanto Catulo e Rimbaud, William Burroughs e John Cage, Lygia Clark e Marcel Duchamp. E ineditamente, porque os recursos de seus procedimentos são recentes e indicativos de um ponto de virada. Se chegamos a uma nova consciência da relação entre a posição do escritor e seu texto ou não, essa discussão vem no instante em que as vozes podem se perder na geração de discurso da máquina.</p>
<p style="text-align: justify;">É precisamente nessa fenda que os procedimentos poéticos de <em>nem eu, nem máquina</em> operam. Na perda do referencial rastreável de quem fala, Goo orquestra textos compostos por discursos ora reconhecíveis, ora insuspeitos, mas nunca identificáveis. Em “Incontornável”, descobrimos de saída a existência de um coro de vozes afirmando, por exemplo, que “o novo punk” é o conservadorismo, o <em>queer</em>, a gentileza, o velho punk <em>e</em> a própria internet. O poema “Identidade nacional” vem se juntar com ironia perspicaz à tradição literária que tenta captar uma imagem do país, revelando por sugestões de complemento da frase “o povo brasileiro é”, fornecidas por um mecanismo de busca, a própria jocosidade fracassada da coerência de um Estado-nação. Em “trajetória”, a relação entre experimentador e máquina que compõe o livro é cortada pelo registro da paisagem frankensteiniana de expressões textuais da cidade. A rua é a transição para um jogo entre oralidade e texto que funciona na brecha entre o que é dito e o que é transcrito automaticamente pela máquina, em desentendimentos que Goo coloca para funcionar poeticamente: os registros de um programa televisivo em “DOMINGO/23022020/20:40” e a transcrição de repetições de uma declamação sua de “Primeiro escrevi este parágrafo&#8230;” fecham a obra produzindo fagulhas poéticas ali onde a máquina falha.</p>
<p style="text-align: justify;">O que <em>nem eu, nem máquina</em> arma é uma ponte entre o passado recente e o que está por vir, não como um passo ingenuamente calculado, mas como um salto no eco cacofônico da multidão: “Não é o Candangão, rei dos contatinhos, eu só tô vendo o Brasil”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Gustavo de Almeida Nogueira</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Avessamento (2ª edição)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 Sep 2023 10:58:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">Tenho o mar morto no peito.
Tanto sal, tanto sal, tanto sal, tanto sal, tanto sal, tanto sal, tanto sal.
Sou o mar morto do meu peito.
Tanto sal, tanto sal, tanto sal, tanto sal, tanto sal, tanto sal, tanto sal.</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A gente se conhece tanto, eu e Magiu, de uma maneira que não conheço muita gente. A gente não se conhece direito, eu e Magiu, de uma maneira que sei mais dela do que de gente que não conheço. É uma relação que ficou profunda e próxima por sentimentos, por isso digo que a gente se conhece tanto e a gente ainda não se conhece tanto assim. E aí recebo um convite para escrever nesta orelha, e claro, um livro Avessamento. Percebo que isso, esse conhecer por sentimentos, é coisa dela, essa vontade de avesso, de mostrar o que a gente não conseguiria ver, de ousar o que a gente não conseguiria ler, de amar o que a gente não conseguiria ser. Uma fome de vida, uma literatura que faz parte da carne e do corpo, um desejo de uma arte com risco (eu nem sei se existe arte sem risco, existe?), a arte que é capaz de tirar a gente do nosso ordinário lugar e nos levar para um outro: extra-ordinário; e é deste lugar que escrevo. E daqui vejo: o tempo, esse maldito que passa e passa e passa e nos deixa aflitos para viver e viver e viver. Vejo também muito mais: um lugar onde é possível um outro lugar, diferente deste que estamos. Livre, onde uma cidade seja possível, onde as pessoas são respeitadas. Neste lugar também as mulheres são tudo, porque nesse lugar ser tudo é possível e mais do que respeitado, tudo vale, vale tudo.<br />
Ser deslocada para um lugar assim é assim um lugar para ser deslocada. Avesso. Avessamento. Triste perceber que o lugar dela é o avesso do mundo porque o mundo anda muito do avesso. Escrever isso do mundo é sempre atual, pois estaremos sempre em busca de outro lado, de outro dentro, de outro ser. Encontrei aqui um lugar para chamar de meu, podemos chamar de nosso. Cabe mais. porque o mundo anda muito do avesso. Escrever isso do mundo é sempre atual, pois estaremos sempre em busca de outro lado, de outro dentro, de outro ser. Encontrei aqui um lugar para chamar de meu, podemos chamar de nosso. Cabe mais.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Todas as fases da lua</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Sep 2023 18:19:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[quase todo dia, de madrugada
fico sonhando acordada
procurando, inquieta
algum vestígio seu

telas, sons e vultos
sorrisos, sonhos, sustos
revelando detalhes
perdidos no breu

a cada noite, um novo tormento
você mora no meu pensamento
será que já passei pelo seu?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Penso em como seria observar a lua em alto-mar, até quando o brilho não alcança as margens escuras. Onde navegar é preciso, mas há temor no caminho, e não nos disseram que apenas alguns teriam coragem! Devido às condições específicas, eram tempos de maré alta. E, como mar de ressaca, o poema veio e (me) acertou em cheio!</p>
<p style="text-align: justify;">Você, leitor, encontrará aqui experimentações no amor e na escrita, em quatro atos que formam a circunferência perfeita. Uma crescente de drama, seguida da cheia do mar em euforia e que na espera do silêncio assiste à lua minguar, para enfim, nova, trazer a leveza do amadurecimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Marina, em seu cais de partida com <em>Todas As Fases da Lua</em>, atrai até mesmo os menos corajosos e nos conduz a desbravar a paixão em todas as suas fases. Como um segredo revelado, seus versos sussurram um tempo em que a lua mediava seus sentimentos, demonstrando que o amor, assim como as marés, segue a lei da atração gravitacional.</p>
<p><strong>Luana Silva</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Onde aperta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Sep 2023 22:05:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Um corpo
cravejado de brilhantes
mamãe disse
você virou estrela
um corpo cravejado
de estrelas
constela
constante]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O livro <em>Onde aperta</em> testemunha, participa. Através da condensação do poema, tenta demonstrar a grandiosidade das coisas escondidas na banalidade do cotidiano. Uma observação, um pensamento, um nome dado à dor que irrompe e em alguns momentos se mantém suspensa na página porque pede silêncio, atenção. E pela brevidade, a capacidade que elas têm de ser lugar de encontro, formulação, reformulação e mesmo torpor, revelando uma luta para dar palavra àquilo que escapa pela força dos fatos. Como testemunha, é chamado à participação, e, como participa, também narra — os poemas estão atrelados ao contexto do poeta e por isso se dão com uma certa cronologia: poemas/diários porque a estética se confunde ao modo de se relacionar com o mundo — algumas vezes assumem um tom de conversa com o leitor: escuta e fala se entremeando — e para isso, demonstra, é preciso também humor e desenvoltura. Estes poemas também são a tentativa de compreender uma história que de tão recente, tão perto, é difícil enxergar de todo. Por isso, pressupõem uma dúvida: onde aperta? Tentar tocar aquilo que podemos apenas intuir.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Todas as luas que me habitam</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Sep 2023 18:39:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Certa vez ouvir dizer que
Quando uma mulher é violada a terra sangra
E a natureza consegue sentir em suas entranhas
E todas as matas perdem parte de suas vidas
E todos os frutos apodrecem,
E as flores murcham,
E as plantas secam

Então,
Esse talvez seja um dos motivos pelo qual
A natureza ao longo dos tempos
Sempre foi tão devastada]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Um livro encanto de lua.</p>
<p style="text-align: justify;">Em meio aos versos, um convite para encontrar alguém. E o encontro com os poemas mais esconde que revela, ao passo em que se entrega o c(éu) da escritora. A pena enluarada lamenta e ama. Uma poesia dos desencontros, ora com o espelho, ora com o estranho, talvez na mesma alma apenada de sonho. E é imensa a cadente sensibilidade da autora, cujo sereno envolve de luzes estelares, enquanto anoitece de desejos cálidos a fantasia de seus leitores.</p>
<p style="text-align: justify;">Sua poesia parece resgatar o mito grego de Selene, conhecida pelos antigos como a personificação da própria Lua. Carrega sobre seus cabelos uma auréola no formato de lua crescente, e é a responsável por transformar o céu a cada nova fase lunar. Ainda que seja iluminada pelo Astro-mor, não é frágil, não é simples, posto que o brilho revelado em suas linhas clama e luta por seus desejos, justiça e autonomia, enquanto vive e revive amores e suas dores; enquanto reafirma a imensidão de quem é e do que sente.</p>
<p style="text-align: justify;">A cada novo capítulo, a cada nova fase lunar vemos uma constelação de assuntos íntimos, porém comuns a quem se permitiu um amar amplo: carnal e divino. Constelação esta que abrange o feminino, as marcas sofridas ao decorrer da vida, angústias, amores, solidão, presença, falta, realização, e tudo aquilo que for permitido sentir.</p>
<p style="text-align: justify;">Reúne em um laço de estrelas: eu, tu, (ela) em nós. Estamos todos sob o mesmo corpo celeste, mas não debaixo da mesma espécie de encanto, quando cantam <em>Todas as luas</em>, de Caroline Lobato.</p>
<p style="text-align: justify;">Entre, desligue a luz, abra a janela e contemple, brilho e escuro na mesma existência poética dessa lunar escritura.</p>
<p><strong>Hellen Cristina Queiroz de Freitas </strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>A idade das perguntas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 09 Sep 2023 14:23:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Meu pai, como muitos outros, queira usar o dinheiro que ganhasse na construção de Brasília para comprar um pouco de terra em algum lugar. Talvez começar alguma criação. Um ano antes de morrer — caindo de um dos prédios onde estava trabalhando —, comprou uma ema, crescida, e colocou o animal em um cercado que havia feito atrás do nosso barraco provisório. Equivalia ao peso de quinze galinhas, foi o que lhe disseram. Pagou caro por uma fêmea, que supunha a primeira de sua futura criação. Deu-me a responsabilidade de cuidar para que não roubassem o bicho durante o dia, e de alimentá-lo. A ema era enorme, metia muito medo em mim.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Nem sempre há possibilidade de redenção, na vida e na literatura. Mas, às vezes, há a possibilidade de vislumbres de uma luz estranha, que quando toca — sempre com assombro e volatilidade — as coisas do mundo, tem o poder de vicejar, em pequenos instantes, verdadeiras epifanias.</p>
<p>É disto que se encarrega a escrita de Iko Flores, das impressões indizíveis encapsuladas de forma quase sobrenatural em invólucro de texto. Em seu livro de estreia, nos deparamos com a escassez das respostas, porque elas deixam de ser importantes quando são os enunciados que carregam as revelações.</p>
<p>No conto “A idade das perguntas”, que dá título ao livro, os questionamentos se desenrolam sem sobreposições hierárquicas, ou sem apreço ao reino da lógica. O que é o suicídio? — a criança pergunta ao pai. Quando o sol se põe no horizonte, ele passa a iluminar o fundo do mar? Também os cavalos, quando velhos, ficam grisalhos? Indagações infantis, profundamente necessárias: enquanto o olhar da criança busca compreender o mundo, ela gradativamente o reinventa.</p>
<p>Os estremecimentos que perpassam os contos aqui reunidos são de uma ordem singela, jamais abalada por excessos, seja de luz ou de sombra. São, contudo, dramas cotidianos que, ao trabalharem as irrupções do que há de mais poético e de decisivo no humano, nada têm de banalidade. Ao autor interessam mais os sobressaltos do âmago do que os eventos (trágicos ou esperançosos) que se desencadeiam em torno dos personagens. Estes, solitários, em busca de salvação ou diante do abismo, patéticos ou imbuídos de uma dignidade intrínseca, são protagonistas porque carregam o <em>agon</em>, o conflito, mas na via contrária à das jornadas heroicas: pois são antagonistas de si mesmos, e seus desfechos importam menos do que seu encontro com as questões que trazem. O encontro, nesses contos, essa fricção entre dois corpos, dois mundos ou duas desolações, é colisão ou adeus, confluência de cursos d’água, sempre efeito alojado entre as omoplatas, deixando em seu rastro reverberações de beleza. É uma prosa que se desfolha em consumição necessária, de dor ou de graciosidade. Somos invasores em um universo magnético e as tramas escondem, aqui e ali, passagens secretas.</p>
<p>Neste sentido, Iko Flores é habilidoso não apenas em tecer ficções inventivas e luminosas a partir das linhas mais tênues: sua prosa se firma em pequenos e constantes clarões de poesia — aquela luz estranha que, quando se revela, é sempre intempestiva e rara.</p>
<p><strong>Léo Tavares</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Filosofia da ancestralidade</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/filosofia-da-ancestralidade</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 09 Sep 2023 14:07:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[sua cabeça é um duo

eu sou a santa
que pede oferendas
de carambolas
na feira
das suas sextas-feiras]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Filosofia da ancestralidade</em> nasce como o fruto de uma diáspora singular que atravessa um oceano de orís para se adensar às prateleiras da literatura brasileira, espaço carente da palavra preta da mulher atlântica. Nesta filosofia, a casa se organiza como uma quartinha, contendo em si o líquido que funda os brasis desassistidos pelo Brasil que o estrutura: uma disputa epistemológica que monta o país, antes mesmo deste texto que não pretende encerrá-la. Mirella Ferreira nos conduz a experimentar o amarelo de uma fotografia que segura, junto das mãos de Tempo, a imagem de pai, mãe e espírito — que aqui não se pensa santo, mas parte do cotidiano que faz crescer um mato viçoso das frestas mais impossíveis. Entretanto, seu texto é menos um banzo plasmado em manchas gráficas, e mais um itan das urbes de uma Bahia espremida entre os mistérios de um passado estético e um presente das pressões capitalistas e neoliberais. A autora toma para si a narrativa da sua própria vida, compondo um manuscrito poético enquanto uma coreografia que é um grito, como um ilá que pontua a mudança entre a comunicação com o terreno e o espiritual. Sua poesia repartilha o sensível, pois não há caminho para elaboração política que não transpasse o campo estético. Não à toa, os deuses da diáspora se apresentam através do som e da dança, ritmos que a autora transforma em palavras, escrevendo um convite aos seus ancestrais do passado e do futuro, e a todas as pessoas leitoras.</p>
<p><strong>Kauam Pereira</strong><br />
Artista visual</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Com as patas no  grande hematoma</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Aug 2023 14:02:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">eu que de tão submersa
preciso fundar um novo espelho para minha aparição</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>exibimos inúmeras acrobacias para aplacar o Aberto<br />
no entanto, não cessamos de cair<br />
no Vazio do vazio<br />
página após página<br />
a “experiência do Rombo”<br />
não há ardil contra Isto<br />
sobretudo para o corpo que cuida “daquele que<br />
migrou de si”<br />
página após página<br />
a filha-cuidadora com seu pai-migrante<br />
são — somos — arrastados pela Doença para dentro<br />
da Rachadura<br />
rostos esburacados, imagens perdidas, nomes<br />
desamparados<br />
página após página<br />
o retorno à animalidade, ao espanto constante, ao<br />
silêncio inconcebível<br />
“como estar diante de uma língua que se<br />
desprendeu?”<br />
este é um livro de perguntas vorazes, de versos<br />
vertiginosos intermináveis<br />
página após página<br />
uma escritura no vazio do Vazio<br />
pois, como “fazer a reza de um corpo que<br />
carrega outro corpo”<br />
a não ser com a Voz do poema?<br />
gesto maravilhosamente insuficiente de dizer<br />
página após página<br />
o impossível.</p>
<p><strong>Isadora Krieger</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O livro do absurdo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Aug 2023 20:07:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[nasci no século xx e vim para a poesia a nado
como tinha números no sangue estudei matemática como não trazia letras
fiquei a escrever cartas ao Minotauro]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Absurdo é uma palavra de origem latina que procede do termo absurdus, que é a junção das palavras ad e surdus, na qual a primeira significa afastamento, afastamento no tempo e no espaço, e já a segunda relaciona-se com o ouvido, fora do que comumente se ouve.<br />
Escreve Walter Franco:</p>
<p>“o<br />
ab<br />
surdo<br />
não<br />
h<br />
ouve”</p>
<p>Em <em>O livro do absurdo</em>, o criador, representado inúmeras vezes pelo Homem do Absurdo, faz o escândalo de uma sociedade. Ele tem uma forma própria de a manifestar. Forma que não coincide com a forma dominante da sociedade em que vive perante a qual é um estranho.<br />
Não é fácil descrever os homens e o mundo e ao mesmo tempo conviver com eles.<br />
Ele não é indiferente ao sofrimento, às injustiças, e aos mecanismos que escravizam o ser humano, tornando a Criação uma necessidade, embora saiba que só mergulhando no Absurdo a (re)vela.<br />
“A arte pela arte, o divertimento de um artista solitário, seria uma arte artificial de uma sociedade fictícia e abstrata. O seu resultado lógico seria a arte dos salões ou a arte puramente formal cheia de preciosidades e abstrações e que acabaria pela destruição de toda realidade”, diz Camus.<br />
O livro do absurdo é um poemário que usa a linguagem ordinária com o intuito de ultrapassar a própria linguagem e recorrendo a uma escrita irracional, sabendo que o absurdo não se situa nem no homem nem no mundo mas na relação de confronto entre ambos.<br />
Se o consegue ou não, só o leitor o dirá.<br />
Advirta-se:<br />
Este poemário brinca ao absurdo com o gato de Schrödinger.</p>
<p><strong>Alexandra Kräft</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Nunca falei tão sério</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Aug 2023 15:35:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em 1992
quando você me deu o livro do Camus
o mundo nem sonhava
com uma nova peste
nem a Márcia Sensitiva]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Você me convidou para tocar o terror, e eu aceitei escrever a orelha do seu livro. Peço atenção de quem lê aqui o primeiro livro de Keyla Sobral, pois falo baixo, <em>pied de l’oreille</em>: <em>Você é escritora? Perguntei./Eu corto palavras, você disse./Com uma lâmina afiada/e sem remorsos.</em> Keyla escreve como ela mesma diz, afiada e tão próxima de nossa vida, de nossas palavras ditas e das que estão por vir, que é como se essa escrita confessional, íntima, fosse uma conversa ou um moleskine cheio de ironia, fragmentos onde eu ou você que os lê certamente se encontrará.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao contrário do que a crítica literária diz sobre a escritora Ana Cristina Cesar, em que escrita literária e vida eram indissociáveis (e ainda duvido um pouco dessa certeza), Keyla flerta com a autoficção, território entre a autobiografia e a ficção (e ainda duvido um pouco dessa certeza, também). <em>Já ganhei/um concurso de dança/em que eu só mexia/os pés/e levemente as mãos/o júri/acreditou/no meu swing</em>, eis aqui o convite à poesia de Keyla, tocar o terror e acreditar no swing das palavras que é próprio da poesia, e cabe à poeta escolher a nota certa. KS soube escolher bem, ouçam com atenção, e, mesmo que doa, a boa poesia é sempre uma revelação: <em>Meu primeiro amor/foi a Brooke Shields/mas você foi o segundo.</em></p>
<p style="text-align: justify;">O primeiro livro de poesias de Keyla Sobral pede passagem, abre-alas-que-eu-quero-passar, de mãos dadas com o contemporâneo, mas também com a memória, o desenho, a arte, o cinema, e por que não, com suas musas.</p>
<p style="text-align: justify;">O convite está feito, a travessia das palavras com este livro em mãos torna tudo em estado de poesia, e, como nos diz a própria poeta: <em>Nunca falei tão sério</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Danielle Fonseca</strong></p>
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
					
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		<title>O livro das vivências</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 13 Aug 2023 19:24:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Desde quando ganhei minhas pernas,
Nunca mais me pus cabresto,
Fui descobrir como andam os ébrios,
E como querem elas ser amadas.

Não me poupei das derrotas.
Provei o amargor dos restos,
Tanto que sei dos doces tardios.

Senti-me ridículo a cada passo.
Busquei sedento o caminho,
Entre tropeços e cigarros,
Sobre a corda estendida.
Sigo vacilante a cada trago.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Esse livro é uma coleção de pensamentos e de reflexões de um arquiteto e artista plástico que não encontrava nas imagens meios suficientes para expor algumas ideias. Organizados em uma ordem quase cronológica, os poemas refletem épocas diferentes da vida do autor, embora não sejam todos autobigráficos, tentando reunir lembranças, conflitos e frustrações que a vida teima em nos proporcionar. Estão presentes as mais diferentes temáticas, desde as mais comuns, como o amor, até as menos poéticas, como a tecnologia.</p>
<p style="text-align: justify;">O poeta convida o leitor a um passeio por situações e sentimentos universais, apresentados por meio de imagens mentais que tentam expressar como eles influenciaram o autor, ou como este conseguiu reagir diante dos questionamentos que fazemos à vida e que ela nos faz.</p>
<p style="text-align: justify;">Encanta o poeta a possibilidade que a poesia oferece, sem prescindir da beleza, de formular críticas,  de propor discussões, de criar conflitos, de ser bonito ou feio, delicado ou rude, de apontar fraquesas ou tentar construir pequenas certezas.</p>
<p style="text-align: justify;">Entre nessa leitura, concorde ou discorde, mas deixe a poesia te provocar.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Nada que se assemelhe a qualquer animal vivo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 13 Aug 2023 18:40:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">sou leal à improficuidade
olho o céu às dezesseis
percebo o sol pendendo de um galho</span>

<span class="fontstyle0">
nessa compleição
um colibri poderia sugar seu néctar
apoiado num cometa</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O que permanece na certeza de que tudo convalesce?</p>
<p style="text-align: justify;">Em seu livro de estreia na poesia, Gabriela Porto Alegre nos diz que é preciso fazer<em> com as palavras um pacto de sujidade</em>. Regida por esse pacto, reorganiza órgãos e verbos, células e sujeitos, sílabas e organelas nas mais inusitadas composições até acessar as memórias escritas no avesso das carnes ou <em>na escuridão dos ossários do passado </em>— memórias herdadas das mães, das avós, das mulheres que as antecederam: “<em>escutemos/ a primeva sinfonia das vísceras</em>”.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Nada que se assemelhe a qualquer animal vivo</em> nos mostra como sair do corpo para ocupar um corpo. Ainda que somando cortes e dando a eles um<em> torniquete com o perfex,</em> de modo que o fechar dos talhos acorde um novo sentir a léguas e léguas de distância do velho sentido. É na potência de versos lapidados para retomar o <em>latifúndio arrendado</em> do espaço-corpo que a poeta abraça a derrocada de estar viva, enquanto nos diz, entre sussurros e gritos, que: “<em>o corpo/ não pode ser meu/ porque, como tudo, está à venda</em>”.</p>
<p style="text-align: justify;">A poesia de Gabriela não chega para nos lembrar, para nos convencer, para nos conduzir: ela chega, ela existe, ocupada do propósito nada simples de existir e compreender seus fins. Em versos vigorosos, rompe com a necessidade de aprovação, com a sujeição, com a serventia — quando afirma que “<em>poucos gestos são tão importantes quanto venerar a inutilidade</em>” — e com outras tantas falácias que têm apequenado mulheres.</p>
<p style="text-align: justify;">Estes versos auscultam sinais e segredos vitais da semente à carcaça. Algo que sentimos e quase, quase sabemos, mas que, sem a poesia para nos tirar do torpor e nos lançar entre o incêndio e o maremoto, permaneceria intacto em algum lugar em meio às entranhas do ser. Com unhas recém-lixadas, Gabriela descortina aquilo que sangra debaixo da pele.</p>
<p><strong>Juliana Blasina</strong>, poeta</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>With foxgloves on our fingers / Con estraloques  nos dedos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/with-foxgloves-on-our-fingers-con-estraloques-nos-dedos</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 13 Aug 2023 15:00:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[tradución – traducción – translation
andrés catalán
isaac xubín
keith payne]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>The earth is ripped<br />
beneath out feet<br />
spring tides of blood red flow<br />
from cracks of stone<br />
traces of eroded cliffs<br />
stray bird feathers<br />
crucified on the earth</p>
<p>—</p>
<p>A terra está esgazada<br />
debaixo dos nosos pés<br />
unha marea vermella<br />
verte dende a fenda dunha pedra<br />
de cantís erosionados<br />
plumas de aves perdidas<br />
crucificadas na terra</p>
<p>—</p>
<p>La tierra se desgarra<br />
bajo nuestros pies<br />
mareas de rojo sangre fluyen<br />
de las grietas en la piedra<br />
vestigios de riscos erosionados<br />
plumas de pájaros perdidos<br />
crucificado en la tierra</p>
<p>máthair na cruinne / mother earth, Dairena Ní chinnéide<br />
traducido por Isaac Xubín &amp; Andrés Catalán</p>
<p>//////</p>
<p>A ollada cravada no horizonte<br />
os ollos enchéndose de azul<br />
mergullada a visión na distancia<br />
por vez primeira: un iceberg!</p>
<p>—</p>
<p>My gaze moored to the horizon<br />
blue fills my eyes<br />
my sight submerged in the distance.<br />
Then a first: an iceberg!</p>
<p>Abraio, Xavier Queipo<br />
translated by Keith Payne</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>O mal das flores</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-mal-das-flores</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Aug 2023 16:24:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<h5>[monotipias: <a href="https://editoraurutau.com/autor/greta-coutinho"><span style="color: #ff0000;"><strong>Greta Coutinho</strong></span></a>]</h5>
Não fale na velocidade do estômago.
Não cuspa as palavras antes de sentir seus sabores.
Não evite o circuito digestivo da língua
que é feio, certo,
mas que faz parte
da nossa beleza possível.
Não expulse as borboletas do casulo
quando ainda são larvas.
Deixe-as voar céu da boca
afora
quando a noite valer a pena.
Permita o encontro entre a língua,
a boca,
o estômago,
as vísceras,
o fígado,
para que a beleza aconteça
entranhas adentro
noite afora.

<a href="https://editoraurutau.com/wp-content/uploads/2023/08/mono.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-17885" src="https://editoraurutau.com/wp-content/uploads/2023/08/mono-211x300.jpg" alt="" width="211" height="300" /></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Poder tatear um poema, uma flor, uma cidade, alguns corpos, soltos, ou uma casa inteira de mulheres é também poder e precisar confiar no caminho silencioso da transformação. Emergir do atravessamento que a literatura de Gabriela nos causa: impossível sair daqui como éramos antes. <em>O mal das flores</em>, além de nos enganar das possibilidades do asfalto, dos afetos passageiros, das desobediências civis desejadas, também nos seduz a tatear o que a sombra de uma flor nos causa, a textura de um fiapo nos dentes, o peso de existir e carregar o mistério da hereditariedade. Encontrar um rato morto ou a serendipidade no desabrochar do caminho é espalhar raízes confiantes através de versos, seja no escuro solitário de um lago pantanoso, no jardim selvagem ou no “transtorno sonoro da cidade nua”. Gabriela rega isso tão bem que nos convida, com sementes nas mãos, a olhar de perto e cruamente a beleza da força das relações; o abandono, o desejo, o tédio, um roubo na calada da noite, o casamento irrecusável, entranhas adentro, o tísico, o alérgico, os exauridos. Olheiras fundas roxas, inexoráveis fantasmas, unhas quebradas, pelos, celulites. “Mal de ventre, má comida”. Males que te aprisionam com garras quando se apresentam como flores. Depois, uma casa, “concreto afeto cimento”. “Cortinas empoeiradas de rancor”: uma mãe, vendo o entorno de quem nunca esteve ali, uma irmã solteira, desimportante para o amor e atrapalhando heróis, seja ela calada ou tagarela, uma irmã casada que, por tantos motivos, enlouquece; uma avó, uma tia, uma prima. A filha mais velha, a filha mais nova, a maternidade. A aspereza da doença, dos crimes cometidos dentro dos cômodos, da competição sussurrada, quase não dita, das mesquinharias típicas e dolorosas e surpreendentes dos vínculos. Uma leal confusão de afetos. A cidade dentro da família. Verdadeiro laço emaranhado de buquê que a gente compra para si mesma, para abafar as dores e ter esperança num girassol andarilho-da-terra ou numa <em>echinacea laevigata</em>. Que o leitor se prepare para um livro belo, amargo, cheio de delicadezas e assombrações, tudo junto e direcionado em busca de uma fresta em que seja possível entrar a luz.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Greta Coutinho</strong>,<br />
artista plástica</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>O fragmento 31 de Safo e outros poemas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-fragmento-31-de-safo-e-outros-poemas</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Aug 2023 20:49:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[deitar-se nos tijolos
sentir o limo úmido nas costas
ouvir insetos
deixar virem e irem embora cachorros e galinhas
olhar a copa das árvores
saber que os abacates estão quase maduros
e que as árvores perdem folhas o tempo todo
amadurecer nos intervalos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Ana Cláudia Romano Ribeiro vem fazendo uma trajetória poética de explícito deslumbre com o mundo; nessa obra, cada coisa ínfima explode em secretas epifanias de sentido e não-sentido, que se aclaram num prazer sensorial de existir em meio a tanto bicho, planta, terra, gente, corpos e palavras. Isso não quer dizer que o projeto poético seja monolítico. Muito pelo contrário: quem já leu <em>Ave, semente</em> (2021) e <em>A casa das pessoas</em> (2023) certamente sabe que os poemas-ilustrações concisos e contemplativos do primeiro estão a uma distância imensa das vertigens <em>subjetivobjetivas </em>nas peças mais longas do segundo. Apesar de tudo se tocar, não seria diferente neste <em>O fragmento 31 de Safo e outros poemas</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Aqui tudo parece emergir, desde o título, da experiência de leitura do fragmento 31 de Safo de Lesbos, como se o resto das obras gravitasse de modo algo desconexo. Não é o caso. Assim como Romano Ribeiro pega um mesmo fragmento para reescrever ritmicamente em estrofes sáficas brasileiras, traduzir livremente como poema próprio e depois encontrar jabuticabas ali, todo o livro vai descascando camadas da múltipla experiência de corpo e vida, entre o amor com Deise, o envelhecimento do pai e cada coisa sagrada do universo, que lemos em poemas como “tempo”: “deitar-se nos tijolos/sentir o limo úmido nas costas/ouvir insetos/deixar virem e irem embora cachorros e galinhas/olhar a copa das árvores/saber que os abacates estão quase maduros/e que as árvores perdem folhas o tempo todo/amadurecer nos intervalos”. E tudo aceita ainda outros desdobramentos imprevistos e tradutórios, como o “anu-preto”, que traduz “Blackbird” de Lennon &amp; McCartney, numa variação impressionante de modos e tons.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez por isso eu possa dizer que este livro está repleto de um caráter solar que, do seu jeito, não deixa de ser muito grego e abrasileirado a um só tempo. São seus modos possíveis de “colher o dia”, como termina um poema. E isso sem ingenuidade ou otimismo vazio, porque também depreende modos de colher a dor, em cenas inesperadas como esta: “um jacu manco salta de galho em galho/a pata quebrada não impede o voo/da primavera que começa//na dúvida da vida”.</p>
<p style="text-align: justify;">É um livro maduro, provavelmente o mais forte dessa trajetória entre poemas e imagens, porque incorpora intenso e sem medo a movência no mundo e nos seres. Outro verso resume seu deslumbre maturado: “impressionante como o movimento faz florescer”. Bichos, plantas, gente: tudo que guarda seu tempo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Guilherme Gontijo Flores</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>O próximo vento nos levará para casa</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-proximo-vento-nos-levara-para-casa</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Aug 2023 20:26:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[a pele prenuncia o beijo
o desejo precanta a palavra
a memória predica o cheiro

nos nervos da língua
eu guardei teu nome]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Quando li <em>O próximo vento nos levará para casa</em>, me senti sendo levada por belos percursos de maré e correnteza. Corri às prateleiras da minha estante em busca do <em>Poço do fim do mundo</em>, o primeiro livro do Rafael de Abreu, pois tive a sensação — a qual confirmei em seguida — de que havia um caminho não tão óbvio a me levar de um a outro livro. Identifiquei lá no <em>Poço</em> as primeiras raízes desta nova obra, numa espécie de solo liquefeito: era uma rota de fuga desesperadamente almejada.</p>
<p style="text-align: justify;">Um poema da Alejandra Pizarnik veio a mim também rolando nesta mesma onda, e vi em suas palavras um certo tipo de chão (ou ao menos um porto-seguro) no qual se pisa quando adentramos no novo livro do Rafael, que, a propósito, mostra uma poesia cada vez mais madura, guiada pelos mistérios do que vai e do que fica. <em>O próximo vento nos levará para casa </em>busca, nos versos emprestados de Pizarnik, “explicar com palavras deste mundo/que partiu de mim um barco levando-me”.</p>
<p style="text-align: justify;">Em pilares maleáveis, Rafael estrutura esta obra atravessada pelo naufrágio de si, uma aliança com todos os seres que se habituaram a respirar o afogamento em tempos de amor junto ao mar. Uma boia salva-vidas atirada a Ulisses, quem à deriva busca ao sul sua Penélope — sereia que incendeia dentro d’água com seus mistérios cultivados em oceano.</p>
<p style="text-align: justify;">Como Pizarnik, Rafael procura dentre as palavras deste mundo as que podem acertar, procura até nas que não existem, inventando novo léxico se preciso for, na tentativa vã de definir este desejo que tanto afoga quanto ancora.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>O próximo vento nos levará para casa </em>é uma linda rota poética refeita com delicadeza, melancolia e água salgada: o mar como saída de emergência. É um livro que nos firma na esperança do amor e do fascínio, mesmo quando o barco parte levando a gente dentro. Especialmente quando há vento.</p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em><strong>Luisa Müller</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Poemas retangulares</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Aug 2023 17:17:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[se ficares tempo que baste
vais aprender a diferenciar
aridez de aridez
nada de nada
morte de morte
cada uma, uma
por muitas que sejam

se calhar já não estou a falar do saara

— paisagem interior]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Afrotopia, deambulações, coroas e o Atlântico Negro</strong></p>
<p style="text-align: justify;">(Cartas do Atlântico Negro)</p>
<p style="text-align: justify;">Meses depois de Bruna deixar Porto [pt], de turbante na cabeça, cabelo-coroa, terra fértil, gestante,<em> nascida e renascida</em> entre águas ancestrais, dororidade e grito.</p>
<p style="text-align: justify;">Meses depois dos encontros-colo das terças-feiras do Chá das Pretas. Meses depois da última tarde que passamos juntas, flanando pelas ruas da cidade, como Bruna gostava de fazer, recebi uma carta, email de Bruna, <em>mulher negra periférica mãe solteira</em>. Bruna escritora, que conheci antes de conhecer a mulher, hoje minha irmã.</p>
<p style="text-align: justify;">Bruna, que tece as palavras uma a uma com a delicadeza de uma artesã de tempos imemoráveis, uma artesã das palavras, do gesto, do movimento da escrita que nos guia pelo caminho das ruínas, do mármore branco asséptico de Brasília, do quotidiano de uma mãe e sua filha aprendendo o mundo, sorvendo cada dia, cada detalhe com espanto. Artesã-poeta das ilusões, dos retratos gastos esquecidos a um canto, nos guia pelos mangais plantando sementes-sonhos, utopias e revoluções pelo caminho.</p>
<p style="text-align: justify;">Bruna, que viu a europa em chamas e brindou, a <em>velha europa</em>, indefensável europa, sussurrou-me Césaire e Fanon, abriu-me ao universo de Carolina Maria de Jesus e de Elza.</p>
<p style="text-align: justify;">Em <em>cabelo</em>, performance coletiva que apresentamos em junho de 2017 no Porto, renascida entre irmãs, numa tarde de verão cinzenta e abafada, Bruna viu ao espelho uma mulher forte, decidida,<em> uma mulher que não leva desaforo pra casa e essa mulher era eu</em>, disse, certa de seus passos.</p>
<p style="text-align: justify;">Minha irmã, renascemos juntas naquelas tardes.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>A tecnologia dos afetos é ancestral</em>, Kabu Verdi e Brasil, afrotopias e imaginação como potência de um (afro)futuro.</p>
<p style="text-align: justify;">Abraço-te e ao teu primeiro livro de poemas, aos teus poemas retangulares, dando continuidade às nossas trocas, grata e honrada pela confiança e o carinho.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Para que a palavra signifique</em> e que possa <em>transfor-mar, as que vieram antes, as/que estamos, as que virão</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Melissa Rodrigues</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Antes que a gente morra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Aug 2023 12:49:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[preciso encontrar
dentro de mim
alguém mais corajosa que eu]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Como se vida e poesia fossem uma só prática, Ana Larousse nos apresenta seu livro de estreia, <em>Antes que a gente morra</em> — uma obra que já em seu título nos convoca a intensidade dos gestos vitais. É feita de urgência a voz de Ana — mesmo quando calma, mesmo quando sem pressa alguma, mesmo quando “esperando uma estrela cadente passar”.</p>
<p style="text-align: justify;">Porque aqui, não só as expansividades dos rompantes interessam, senão também as delicadezas que se fazem em escalas mínimas. Nem toda importância virá com contornos oficiais. A via processual, a sinceridade aberta, errância e incerteza, a invenção no grau máximo do desejo: “desdigo tudo o que disse/aproveito e desdigo também tudo que ainda vou dizer”.</p>
<p style="text-align: justify;">A poeta parece saber que morrer e viver e morrer e viver são movimentos que estão no interior de todas as coisas — até mesmo nessas que acontecem em dias sem brilho aparente. É com a criação — a escrita, a composição, a poesia — que nossa sensibilidade se abre para os começos e fins de tudo aquilo que nos atravessa e nos forma. Ela registra: “ando ansiosa pra ser o que penso ser/quando tento ser eu”<em>. </em></p>
<p style="text-align: justify;">Atenta aos diferentes tempos dos acontecimentos dos mundos — internos e externos —, Ana nos oferta, via palavra, uma experiência em memória. <em>A beleza que se debate aqui</em>, coleções de afetos, nossas próprias lembranças misturadas aos poemas — “eu nem me lembro mais das coisas que me lembram você”. Identificação e estranhamento, tal qual as paixões, mergulho&amp;afogamento, solidões acompanhadas: “fui tudo que amei e tudo que fiz amar”, ela escreve. “foi-se o tempo em que a gente…<em>”</em>, ela escreve também, como se nos chamasse a escavar nosso passado, em projeção ao futuro.</p>
<p style="text-align: justify;">E há mesmo um compromisso com o futuro aqui, me parece. Ana Larousse reúne seus <em>ciscos de sonho</em> e nos entrega, em generosidade, convites para que sonhemos junto dela, como se cada verso nos perguntasse: <em>vem comigo?</em> E essa é, talvez, a coisa mais bonita que a poesia pode fazer por nós: companhia.</p>
<p><strong>Francisco Mallmann</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Atlântico</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Jul 2023 17:43:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[foi preciso um atlântico entre nós, foi preciso te encontrar do outro lado, e retornar ao passado… pra poder terminar de montar a rima, de engolir o mapa... os processos que nos separaram não nos venceram, não nos mataram! é que nós não sucumbimos... não! nós lutamos. bravas. èsù. òsàlá. rosa branca e caboclaria. nós lutamos e sobrevivemos, dia a dia… eparei iansan bangalô três vez. num mafuá de bons ventos. bons sentimentos... e tempestades. e kizumbas. águas dos rios. alagados. sahel e cordilheiras... inteiras. seguimos… aquilombando reticências. aquilombando… resistências. ancestralidade! nós somos e seguimos sendo, vontade. em nós. um mesmo corpo, em vários corpos… carnes de um mesmo significado. eita, pretume danado! crioulo danado. negada. samba de quarta-feira, consciência e dororidade sagrada.... terreiro de mãe dinha e revoada. num tipo de elo, atado! enterrado. dentro da gente. amefricanidades insurgentes. kimbundu e canela. yorùbá, tupinambá. yanomami. ava canoeiros e favelas. amefricanidades...

(<em>Sem nome</em>, página 40)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em Atlântico, Maíra Zenun nos presenteia com uma coletânea de escritos nascidos da experiência de se tornar imigrante e mãe, ao mesmo tempo. Isso, enquanto caminha pela importante reflexão a respeito do que é a própria poesia. Entre brisas, florestas, entidades, águas e expressões ancestrais, em ritmos, cadências e tonais vindos de longe, mas que não cessam nunca. Este tipo de narrativa, que nos é entregue em forma de escrevivência, faz deste livro uma obra íntima e necessária. O título, certeiro, permite convocar inúmeras referências que abrem espaço para reimaginarmos este lugar do meio que é o Atlântico. Uma leitura deliciosa, mas delicada, sobretudo porque Zenun nos leva a criar rotas de confluência e descompasso, ilhas de (re)encontro e desapego, em um outro tipo de luto, luta e celebração, num manto de limbo profundo que é esse mar, em todas as suas heranças ladino-amefricanas — pegando emprestado este conceito tão exato de Lélia Gonzalez.<br />
Maíra Zenun denuncia, a partir da poesia, discrepâncias socioeconômicas sustentadas pelas atuais estruturas e hierarquizações veladas. Mesmo quando fala de amor, ela se junta a toda uma escrita consolidada, que escancara o que se passa em sociedades como Brasil e Portugal, assentadas no sistema colonial. Ao trilhar estes caminhos, a autora escolhe poetizar os efeitos nos afetos, da vida que gira em torno de tudo o que respira. Tanto que, em boa parte de sua obra, Zenun mergulha fundo na vontade de quem se camufla na paisagem de nunca ter sido criança, de nunca ter estado à beira da morte ou sufocada de medo, camuflada no sossego que não chega, nunca, e nos desejos mais desesperados, que insistem e esbarram nas pessoas que teimam em nascer poetas. Tem sido mesmo assim, desde o final dos anos 1990, a sua escrita. Como as sementes que cultivou e colheu em seu blog “Flores de Maio” (2007-2017), durante dez anos de versos e prosas deflagradas pelo deserto que assola mulheres negras, em muitas das batalhas de suas rotinas diárias. Em “Receita para podar felicidade” (2016), seu primeiro livro publicado pela Edições da Nêga, a autora bebe das águas assombradas pelas solidões impostas e violências deflagradas. Ao mesmo tempo em que começa a caminhar pela estrada de como é ser — e se tornar — poeta. Trajetória trilhada ao lado de muitas outras mulheres negras que, como ela, vivem carregadas de afetos, espinhos e palavras. E que, nesta obra específica, desabrocha de maneira surpreendente e originária.</p>
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		<title>Colecionador de perdas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Jul 2023 19:01:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[revê-la depois desta longa separação
e encontrar, intactas, a conexão e a ternura
dos velhos tempos, feito alguém que
se depara com uma música na rádio
após vários anos sem escutá-la
e percebe que ainda a sabe de cor
e sente a avassaladora emoção da descoberta
no ato de redescobrir.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“chegando à vida adulta/percebeu que, na verdade,/em vez de acumular bens,/acumulava perdas&#8230;/quanto mais velho ficava,/maior se tornava a coleção de perdas,/aglomeradas num quartinho da memória/que se revelava cada vez mais estreito/para tantos suvenires.”</p>
<p style="text-align: justify;">Mais que uma antologia poética, <em>Colecionador de perdas </em>é um ensaio sobre a alma humana. Com uma linguagem simples e mordaz, sem eufemismos, os textos enfocam questões psicológicas e emocionais. A melancolia e o niilismo permeiam os poemas, que também apresentam frases impactantes — como diamantes pequenos e afiados:</p>
<p style="text-align: justify;">“não adianta se agarrar ao passado./você se apega a esse amor como quem</p>
<p style="text-align: justify;">carrega o cadáver de um passarinho,/esperando que ele volte a cantar.”</p>
<p style="text-align: justify;">Nesta antologia, cada texto é um universo particular que acaba e começa em si mesmo. Influenciados por autores como Raymond Carver, Wisława Szymborska e Carlos Drummond de Andrade, alguns poemas se assemelham a crônicas e contos quebrados em versos.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Ilhada</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Jul 2023 18:50:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Contei errado
foram oito espaços e um núcleo central
mas do que valem
são as tintas do corpo que colorem o mundo
eu escrevo por isso
para vestir o mundo
para me vestir de sete ou mais cores
e sair por aí andando com um objeto cortante]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Quando percebemos as ilhas em nós? Quantas de nós revestem a ilha? Este livro é um marco pessoal, Josiane propôs escrever poesias e, durante a escrita, o mundo foi assolado pelo coronavírus. <em>Ilhada</em> é um livro de poesias em liberdade-isolamento escrito no Norte do Brasil. Caminhamos sem fixidez pelas letras das poesias sobre a cidade, sobre olhares de si, sobre identidades, identificações e solitudes populadas. Com uma tarefa de reviver a casa e o mundo em isolamento, a autora descreve seu mundo ao redor com focos museológicos, pensa os objetos e o entorno com poesias moventes. As poesias escritas neste livro sugerem o que disse Manoel de Barros: a poesia como uma “voz de fazer nascimentos”.</p>
<p style="text-align: justify;">A poesia como curva em meio ao caos, como aponta em <em>Silhuetas</em>: “era a curva da vida ingerindo formatos abertos”.</p>
<p style="text-align: justify;">Essas poesias se inscrevem como um trânsito entre olhares públicos e olhares isolados, sobre identidades e modos de estar no mundo. Não somos fixos nem mesmo em isolamento, assomamos diante qualquer circunstância. Somos um palimpsesto, reinventamos em nós, logo, escrevemos. A pandemia trouxe consigo sentimentos devastadores, aterrando-nos, portanto, este livro é uma experiência de escrita para desafogar, para viver na beleza, no respirar das poesias resistentes, nas coisas pequenas, coisas simples. Neste livro temos vivências amazônidas que entrecruzam o local-global, escritos de um trânsito decolonial que desafia as tramas cartesianas da vida. É uma escrita das coisas reais-metafóricas, do realismo simbólico entre a vida antes e durante o isolamento social. A autora desafiava o inventivo às circunstâncias do contágio (covid-19) no Norte do Brasil, no deslocar, indo e vindo entre as Ilhas de Caratateua e Mosqueiro.</p>
<p>Devemos pensar que somos um palimpsesto diante das catástrofes, vivemos:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>“na natureza do inventivo</p>
<p>apagar</p>
<p>borrar</p>
<p>rasgar</p>
<p>silenciar</p>
<p>sumir</p>
<p>reaparecer</p>
<p>translucidar</p>
<p>reinventar”</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #ffffff;">Josiane Martins</span></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Preposição de entendimento</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/preposicao-de-entendimento</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Jul 2023 18:24:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Sou um botão
mãos e pés brotando
e um rabinho

Sou um peixe
nascido em lagoa quente
agora mergulhando no oceano
de meu sentido
Sou sons
gorgolejando borbulhando
fazendo bolhas

Sou uma prisioneira
alimentada pelas
bicadas e mordidas dela

Sou uma alma
ansiando pela libertação
em vida

Sou sangue e ossos
e carne
como minha mãe
o mercado de carne
cheguei!

O que vou ser
uma adoção secreta
uma órfã abandonada
ou carne à venda!

Serei eu
uma vida roubada
do útero de minha mãe?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A poesia de Shelly Bhoil, que se apresenta nesta coletânea <em>Preposição de entendimento,</em> é mar de versos e será de leitura surpreendente. Enquanto o texto se constrói, <em>personas</em> forjam-se a partir de uma conversa com o poema quase anônimo, tudo se abre em um <em>crescendo</em>, e então há amor inocente e há formigas — sim, é (torna-se) possível viver dentro de um saco de açúcar. O diamante dos nomes, os números e os rostos, tudo é poeira e águas infinitas. Um jardim na manga, almíscar e murmúrios. Ondas são hinos. A narrativa é de estrelas.</p>
<p style="text-align: justify;">Aqui exercício é significado em buracos do tempo, em recordações em elipse. Fios de cabelos justapostos, a gêmea que nem existe, pássaros aninham-se em outra língua, e o labirinto de pregos é o que cresce no inóspito: ramos dos ramos, fatias de fatias, mães das mães, sóis dos sóis. Garotinhas silenciadas falam e, alquimizadas em vaga-lumes, tornam-se alegria e destreza. A cozinha-ilha é um país inteiro, é essência em ecos, é alvorada. A noiva da noite sabe-se imensa e roubará segredos a partir da vida que vem em ondas. O poema vem também, palavra bruta em sua nudez do primitivo tal qual os voos que migram. Assim e por isso a lua treme sobre o lago.</p>
<p style="text-align: justify;">Então a escuridão nunca será. Corvos brancos, corpos-mariposas (na fama dos anônimos a terra valsa), páginas livres ousam verdades. Flores na língua, ventiladores dançam loucamente, e a lua é tanto um homem quanto uma mulher: páginas se incendeiam. Pela poesia de Bhoil, a palavra é servida com encantamento, e a tinta é efetiva e indelével. Estrelas recolhidas. O céu é familiar e por dentro é e será veludo. Deixe-se arrebatar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Luci Collin,</strong><br />
Ficcionista, poeta e tradutora</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Minha bricolagem</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Jul 2023 18:40:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">parece que é de lá e de cá. é coisa de tomar diferentes caminhos. como se a gente tivesse na casa da avó do nosso pai e no mesmo dia fosse tomar uns gorós com as amizades e ficasse bem louco de cair e quebrar o dente, ter urgência de dentista, até dar umas tremidas por causa do impacto e no dia seguinte contar a história se cagando de rir. prosa e poesia.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Você está em minha frente, me dá a mão e vamos andar. Quando andamos juntos e conversamos e nos escutamos, somos capazes de perceber o som das nossas vozes em contraste com o que acontece por perto. Percebemos o peito acompanhar um novo ritmo, mais rápido, não urgente, só mais rápido, um pouco eufórico, sim, da alegria de saber que as palavras aparecendo são aquelas que queremos.</p>
<p style="text-align: justify;">Você está em minha frente, me passa os baldes com o sangue renovado, ouvimos o som da queda, espontânea, como se cair não fosse ser empurrado, como se cair fosse só esfregar a cara no chão.</p>
<p style="text-align: justify;">Você está em minha frente e começo a tirar da boca todas as imagens que escolhi. Estamos andando. Tudo aqui é caminho, mesmo que comece na terra, vá para o céu e termine na água, sublimado, submerso, contemplado como quem encontra um amigo dormindo no fundo do mar. O que é um caminho? Você parece perguntar o dia inteiro. Descaminho, pecado, túneis, ruas sem saída, labirintos, pais e filhos, o próximo início, asfalto, valeta, pedalo, canso, estaciono.</p>
<p style="text-align: justify;">Você está em minha frente e não quer que eu me afogue com todas as imagens que preciso tirar de mim. Apesar das palavras atenção e concentração, hoje é só você.</p>
<p style="text-align: justify;">Não vou acabar com todas as imagens, vou ficar com algumas, como vai acontecer com todo mundo que passar por aqui.</p>
<p style="text-align: justify;">Você está em minha frente e você escreve. Tem fé na escrita porque vê anjos, mortos e procurados, vivos e procurados. Vê anjos e é pelo amor, pelo real que se vê, e é pelo amor, pelo corpo estirado, parado, que se escreve. Do amor, gritou-se o escândalo, do churrasco, a voz da consciência nacional e com paciência e obstinação você anda, manipula o papel machê mais de uma vez e cria o que só você pode criar.</p>
<p style="text-align: justify;">Veja, amanhã já chegou.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo cresceu no meio da morte e da vida e os meninos ainda parecem correr. Como quem entope a desgraça com alegria, você está em minha frente e o sempre é um único instante possível, a possibilidade, a chance de deus, o registro da vulnerabilidade de quem escreve e tateia, alucina e gira. O registro de quem diz amém para a escrita.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Jessica Stori</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O que estive fazendo quando nada fiz</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-que-estive-fazendo-quando-nada-fiz</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Jun 2023 14:22:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[e sempre falo
com o corpo
porque escapa]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Como conheci uma jovem milenar</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Anos atrás fui apresentada a uma peça de teatro chamada <em>Aqui</em>, de uma dramaturga do Sul do país. Era Martina Sohn Fischer, a poeta deste livro que você acaba de colocar entre as mãos. Li o texto teatral atravessada por imagens de uma beleza terrível e digo isso porque elas me deslocavam de uma humanidade focada no antropoceno para um lugar onde a voz busca um corpo para habitar. Aquela obra se constituía como a possibilidade real de experimentarmos algo muito além das emoções mapeáveis que somos condicionades a sentir. Uma percepção extraordinária do mundo ao seu redor, como se fosse possível reinventar, renomear tudo porque o olhar te convidava a ver além. A vida é forte e quis o tempo que nos aproximássemos. Amei primeiro a obra, depois a autora. Escrevo aqui como quem ama, mas também como quem lê esta obra que você acaba de tocar e te aconselho a levá-la para casa. Antecipo que se trata de um caminho sem volta, ler Martina é ter a própria sensibilidade ativada ao máximo. Quando a conheci, ainda muito jovem, soube que estava diante de uma jovem milenar, alguém capaz de habitar tempos, lugares, humanidades distintas, atuando como uma voz em busca de alguma materialidade e que geralmente se desfaz no momento seguinte. Há também nesta poeta a voz inflamada de uma mulher guiada por paixões que ela nem sequer tenta controlar, corporificando emoções, permitindo que elas modifiquem sua forma, além de transformar a nossa a partir do que ela constrói. A leitura deste livro torna-se um exercício de libertação imagética de um mundo no qual somos levadas a viver em oposição a tudo aquilo que tenta apagar nosso sol, brilho, nossa luz. O convite de Martina é para que nos coloquemos nesse estado gasoso, líquido, espalhando, fluindo através de humanidades capazes de abrigarem nossa multiplicidade, trocando o eu pelos eus, a humanidade por humanidades. A pulsão de vida contida nesta obra atua como vitamina para o espírito, nutrição para o corpo. Não é possível voltar a ser a mesma pessoa depois de cruzar o seu caminho com o dela. Trata-se de um encontro entre sensibilidades, de navegar guiada por um farol de luz potente, mas sobretudo de irmanar-se com a própria luz. Há muito amor nestas páginas, não aquele romântico, iludido, falo de sentir o vento soprando entre os dedos, do tempo passando, daquela sensação de que, às vezes, você precisa se tocar para ter certeza de ainda estar no próprio corpo. É preciso abraçar a própria sombra e dar-lhes função. A de quem nasceu para escrever é criar obras como esta, que te arrebentam, mas também te arrebatam no melhor, na potência. Deixe que este livro te leve para casa. Ele vai cuidar bem de você.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Dione Carlos</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Refração</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Jun 2023 21:52:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[talvez o peso do tempo
nos ensine a leveza da simplicidade
posso sentir no corpo o cheiro de cada vida
está tudo aqui e eu sou o mundo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Os poemas deste livro traçam imagens entrecortadas, típicas do movimento de refração. A velocidade não é mais a mesma de um segundo atrás, e o que vemos são objetos que parecem partidos. Mas é uma ilusão, tudo permanece onde sempre esteve, nossos olhos é que se movem com mais vagar, despercebidos.</p>
<p style="text-align: justify;">Patrícia do Amaral usa as palavras para habitar uma espécie de borda da linguagem; ela toca o limite com as pontas dos dedos, e nos conta com palavras do lado de lá o que viu. A margem não é mais a mesma entre o que vemos e o que somos. Como se o corpo se tornasse um órgão expandido, consciente das ínfimas pequenezas ao seu redor – no fundo, os poemas recolhem inúmeros excertos sobre o encontro, possível e impossível, com o outro, aquele que está sempre um pouco mais além.</p>
<p style="text-align: justify;">Entramos em cenas íntimas do eu, permeadas pela natureza, pela madrugada, pelo correr dos dias. O que resta é sempre algo sensorial, imagens-texto que habitam um mundo inteiramente novo e apenas referenciado naquele que conhecemos. O silêncio constrói o ritmo de movimento lento, mas agudo, do sentir.</p>
<p style="text-align: justify;">A leitura circula pelo tempo do mito, no qual o sonho se imiscui no que se vive. Uma longa conversa de poucas palavras tece o interstício da vigília e do sono, onde a linha do tempo não existe mais. Adentrar esse livro é ficar um pouco à mercê do que se desconhece, esticar a linha entre as fronteiras, e assim ter um vislumbre de si mesmo um pouco refratado, um pouco em dois lugares ao mesmo tempo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Elisa Marder</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Não são versos o que escrevo: Breve antologia do canto popular da mulher iraquiana</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/nao-sao-versos-o-que-escrevo-breve-antologia-do-canto-popular-da-mulher-iraquiana</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Jun 2023 12:04:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Maria Toscano
[tradução para o português]

trilíngue / trilingüe
árabe-español-português

Quem dera que o pó e a chuva cobrissem esta terra
e apagassem todos os rastos,
de cada vez que os olhos se movem
recordam o seu amado.

–
Ojalá que el polvo y la lluvia taparan esta tierra
y borrasen todas las huellas,
cada vez que giran los ojos
recuerdan a su amado.

&#160;

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O canto popular da mulher iraquiana é, por excelência, o género poético, breve e renovador que se chama Darmi. É um canto poético integrante da canção folclórica iraquiana, de autor anónimo, que esteve sempre ligado à mulher iraquiana. Os seus temas variam conforme as circunstâncias da vida e os seus desenvolvimentos, mas não extrapolam o tema do amor e dos desgostos do coração apaixonado. Caracteriza-se, em termos gerais, por ser um poema direto, breve, simples, compreensível por toda a gente, independentemente das diferenças de nível cultural. É um canto melodramático, emocionante, que está mais próximo de um canto triste e melancólico. Dos seus temas antigos destacam-se os cantos de amor e desamor. É um poema que se herda geracionalmente e se transmite oralmente.</p>
<p>—</p>
<p>El canto popular de la mujer iraquí por excelencia es este género poético, breve y renovador que se llama Darmi. Es un canto poético perteneciente a la canción folclórica iraquí, de autor anónimo, y siempre ha sido ligado a la mujer iraquí. Sus temas son variados según las circunstancias de la vida y sus hechos, pero no sale del tema del amor y los sufrimientos del corazón enamorado. Se caracteriza en general por ser un poema directo, breve, sencillo, comprensible por toda la gente a pesar de sus diferentes niveles culturales. Es un canto melodramático, emocionante, que está más cerca de un canto triste y melancólico. De sus antiguos temas destacan los cantos de amor y desamor. Es un poema que se hereda generacionalmente y se transmite oralmente.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Fronteira-mátria [ou como chegamos até aqui]</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/fronteira-matria-ou-como-chegamos-ate-aqui</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Jun 2023 10:11:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Sou fronteira
dois lados de lugar qualquer
um pé em cada território.

O ser fronteiriço é
nascer
&#38;
ser
de todo-lugar/ lugar-nenhum.

(...)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Todas as coisas primeiras são impossíveis de definir. <em>Fronteira-Mátria</em> é um livro que traz um oceano ao meio. Neste projeto original que une TERRA e MAZE, há que mergulhar fundo para ler além da superfície uma pulsão imensa de talento e instinto.<br />
Toda a criação é um exercício de resistência. Aqui se rimam as narrativas individuais, com as suas linguagens, seus manifestos, suas tribos, mas disparando flechas para lá das fronteiras da geografia, do território, das classes e regressando, uma e outra vez, à ancestral humanidade de uma história que é coletiva — a nossa. Veja-se a beleza e a plasticidade da língua portuguesa, a provar como este diálogo transatlântico é também a celebração necessária do que, na diferença, nos une.<br />
Todas as coisas surpreendentes são de transitória definição. Há que ler as ondas nas entrelinhas. Talvez o mais audacioso deste livro seja o servir de testemunho para muito mais do que as quatro mãos que o escrevem. Ficamos nós, leitores, sem saber onde terminam eles e começamos nós.<br />
Todas as coisas maravilhosas são difíceis de definir. Este é um livro para ouvir, sem sabermos se é poesia, se é música, se é missiva no vento. Se é uma oração antiga, ainda que nascida ainda agora pela voz de dois enormes nomes da cultura hip-hop de Portugal e do Brasil. Mátria carregada de futuro, anterior à escrita e à canção.</p>
<p><strong>Minês Castanheira</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Roubar os mortos lamber os vivos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jun 2023 19:54:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[lembrar quando era criança fotos eram reveladas
economia de selfies
filme de 36 poses custava muito
uma vez voltei de viagem e fui revelar fotos
nenhuma foto
nem negativos
o filme não rodou dentro da máquina, disse a moça
parei de fotografar.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>quem poderia imaginar que a Língua é uma coisa deste tamanho.</p>
<p>e vai levando nas curvas do seu bife — que língua</p>
<p>quando quer</p>
<p>é bife — tudo quanto é corpo desvairado, as lacunas</p>
<p>do grito, o esmalte</p>
<p>da louça, tudo quanto é coisa que calamos</p>
<p>feito bolinha</p>
<p>de tênis ou cão, você quer os verbos? pois tem beijar conversar soletrar</p>
<p>saltar comer duvidar — tudo músculo</p>
<p>pelo bife, quem diria! — roubar morrer rebaixar — que Língua com essa estreiteza</p>
<p>levaria do prato</p>
<p>um livro de poesia, uma msg</p>
<p>de zap, um problema de homem, ninguém diria, que a dúvida de Hamlet chegaria tão longe, que Júlia pediria relaxe, que ensaio do tema tem hora, que à noite no cu cabe vela, que você agora está morto, que deus agora é no Google, que você morreria mesmo assim continua</p>
<p>me dando vontade de</p>
<p>comer:</p>
<p>Não,</p>
<p>não saberíamos. de que escada poderíamos nos prever</p>
<p>tão capazes desse nu frontal?</p>
<p>e com que memória adivinharíamos</p>
<p>este nosso sucesso tão</p>
<p>fraco, esta mão que espera no dente</p>
<p>e que o suor</p>
<p>da tua axila</p>
<p>levantaria e levanta</p>
<p>o pau de qualquer poema? Não,</p>
<p>não saberíamos. Hibernávamos</p>
<p>na boca do urso</p>
<p>quando este Livro, enfim, nasceu.</p>
<p><strong>Aline Bei</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Levar consigo um oceano / Llevar consigo un océano</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jun 2023 16:44:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[edição bilíngue: português/ espanhol

estar suspensa
no ar como se o avião
fosse uma ponte
que flutua estática e nos afasta
desfrutar dessa distância etérea leve
sem raízes nem pés afincados na terra

—
estar suspendida
en el aire como si el avión
fuese un puente
que fluctúa estático y nos aleja
disfrutar de esa distancia etérea leve
sin raíces ni pies hundidos en la tierra]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em <em>levar consigo um oceano / llevar consigo un océano</em>, Esther Blanco condensa a forma de nomear o mundo da poeta nômade, a partir de uma poética de linguagem clara e uma fluidez em consonância com as imagens aquáticas. Há, sem dúvida, nestas páginas, uma busca do minimalismo, no qual o eu lírico vai soltando lastro e, no plano gramatical, prescinde dos sinais de pontuação e das maiúsculas.<br />
A autora desenvolve um jogo de espelhos idiomático, pois constrói os poemas a partir do bilinguismo (espanhol-português), para constatar que não há um sentido unívoco para nomear as coisas. Duas línguas românicas que atravessam distintos tempos e geografias, até o estranhamento do trânsito. Esther Blanco entrelaça cartografias que miram o mundo “como um mapa em relevo” desde o movimento ou as alturas (avião, costa, janela). Parte de uma contemplação profunda da natureza para transmitir sua beleza efêmera e os ciclos da vida, simbolizados na libélula vermelha boiando sobre o rio da existência. Assim, a escrita não deixa de ser um processo de desaprendizagem que nos permite registrar a lentidão dos dias, o tempo habitado.<br />
A poesia de Esther Blanco, além de recriar magistralmente atmosferas, dialoga com as artes plásticas. Desde o predomínio de tons azuis (oceanos, rios, céus), há poemas que se aproximam da aquarela paisagística e outra série de textos na qual a fotografia trata de responder aos enigmas do instante efêmero do retrato. Com um tom reflexivo, a poeta aborda temas como a memória, o luto, os vínculos familiares. “Algo invisível retrata na foto seu eixo vacilante” e deixa um rastro de nostalgia por um tempo que se torna suspenso e, como a própria poesia, parece anunciar o que virá depois.</p>
<p><strong>Verónica Aranda</strong><br />
poeta</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Língua solta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jun 2023 15:52:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<strong>prefácio de Eliane Robert Moraes</strong>

língua solta
rolezeira
entre céu e
véu
fala sobre falo
ave rasteira
nunca à míngua
nem desmilinguida
trapo farto
de alívio
e saliva
lambisgoia do palato mole
e duro
salamandra em saltos
em repouso também
(às vezes calar
cai bem)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“herdeira de todas as mães e de todas as putas”<br />
<strong>Eliane Robert Moraes</strong></p>
<p>Língua solta foi parar até no ai, calma. Misturo com a minha saliva e deixo arder em mim o desejo. Como partir da língua para uma orelha? Antes passamos pelas napas, ventas. Antes demoramos muito em detalhes ínfimos, na curva dos zoinho por exemplo. Antes de uma orelha pode-se sentir o cio das axilas até. Pois fique sabendo: o caminho que estas páginas nos oferecem é o de uma loba boladona correndo veloz em direção à utopia delas das manas monas queer com vulvas elétricas cintaralhas vassouras mágicas rendas kinky cães araras gatos &amp; o que mais a gente quiser. Ufa, que bom. “é um aval essa voz”, este livro. Uma autorização. A própria lesma gastando a borda da vida, ou sete corpos lambendo as gotas dessa água toda. Fartura. Não seca, felizmente: permanecemos lubrificando com espanto os serões das províncias. Oremos, senhoras, senhorys e senhorus. Oremos antes, durante e após a leitura deste manual sensorial, desta cartografia dos afetos meio errados. Eu fico jaqueiro; aberto em mil sementes; entre poemas esguios e palíndromos; entre bombas por explodir e outras já escancaradas. O território que Flora oferta em Língua solta é ao mesmo tempo pontiagudo e constrangedor, profético e erótico. Sem papas nessa língua, bebê! Hoje é dia de maldade. São retratos de uma linguagem que se constrói nos espaços fronteiriços da migração, do gênero e da sexualidade e que caminha para um novo centro descentralizado. Hoje é dia de verdade, bebê, quer ouvir? “perdeu, tigrão/o trono agora/é das queens.”<br />
É um alento ver uma nova poeta na cena oferecendo tanto insumo, contribuindo tanto. Que bom é ver a chegada deste livro, mas também a estruturação de uma poeta que veio muito bem alimentada pelas suas tetas, uma poeta que vem muito bem instrumentalizada pelos seus passeios nas línguas que lambem ou não. Essas todas que falam, que nos dão orientações num bairro desconhecido, que nos dão o telefone numa noite de tesão, que nos mordem ou coçam ou… essas línguas todas que fazem o diálogo e todas essas que passam por nós e moram nos nossos versos. Língua que se solta… língua que se lembra!</p>
<p><strong>João Innecco</strong><br />
poeta-etc.</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Prospectos: feitiços entre o tempo, o vórtex, o eu e o eco</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/prospectos-feiticos-entre-o-tempo-o-vortex-o-eu-e-o-eco</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Jun 2023 02:51:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[De maneira sensível é como gozo
quente encostando na moleira do corpo.
Que sente rente a temperatura do osso,
os peitos, anseios, as pistas, o outro.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Escrever para não ser esquecida. Ler para não esquecer.  Este livro é sobre a direção do fogo, os percursos das águas e os pés firmes no chão para alongar as asas. Retratar a voz do meu corpo tentando se comunicar com a sua. O diálogo é o feitiço das palavras. Será que conseguimos dançar juntes essa prosódia de ecos? Adentrar um tempo passado-presente-prospecto?  Será que aqui nos convencemos do vórtex que é ser e sentir? Quem escreve, quem lê, quem escuta, quem fala? Não sei mais… mas sei que as palavras chegam aonde têm que chegar, quando têm que chegar. Se você chegou até aqui, te convido para dançar com o corpo todo.  Escrevo pelo que há de poroso na língua e no peito.</p>
<p>Luna Dy Córtes</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Nos confins de um lapso</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/nos-confins-de-um-lapso</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Jun 2023 14:42:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[uma revoada de palavras simples,
guardadas
ao acaso do bolso das calças
como pedras, como vagas.
Um veleiro antigo
ou as mãos brandas do destino,
esfolemos a preceito as suas
almas danadas.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Se atentarmos nas afirmações de René Char, de que “A poesia é o amor realizado do desejo que permanece como desejo”, ou de que “Aquele que vem ao mundo para nada perturbar não merece nem consideração nem paciência”, talvez possamos olhar <em>Nos confins de um lapso</em>, de Fernando Chagas Duarte, e perceber esse frágil mas persistente canto, que se tenta fazer grito, elegia, poesia, em todos os sentidos.<br />
E é um canto por entre tensão, quer filosófica, quer expressiva, nos meandros dialógicos da subjectividade e objectividade interior e exterior, sobretudo em alguns dos textos, pois, como profere: desconheço/a cópula infernal/dos insectos/desconheço/o impossível milagre/das rosas/(…) é que o tempo/tem o paladar do engano/essa substância espessa/da ingratidão.<br />
Se escrever poesia hoje, a julgar pelos actuais circunstâncias de insanidade do mundo, poderá expressar uma atitude susceptível de ainda se resistir, a questão da utilidade do acto poético impõe uma abordagem mais profunda dos impasses que a envolvem na linguagem bárbara do mundo. Este livro é um corpus do labor poético do autor, quer seja na “reconhecida” leitura de poesia, seja no polir do artefacto poético. Citando o grande Antonio Machado, “o caminho faz-se caminhando”, e é isso que F.C. Duarte está a fazer desde o seu primeiro livro, a resistir, a caminhar!<br />
Um livro que, de alguma forma, no seguimento dos anteriores — em que quase todo o labor poético é uma viagem, a do poeta, a nossa, a de todos —, é uma ética da palavra, da poesia, do humano, onde a escoriação e o fogo são, ou só poderão ser, o único catalisador desta poesia, na poesia: serei a mesma parte de um homem/que se alimenta do silêncio,/quase aos braços dele//os animais são uma parte adormecida/essa secreta errância da ternura/que sobe pelos pulsos da existência.<br />
Se antes de Baudelaire e Mallarmé a poesia se evidencia por falar sobre um sujeito que busca somente desvendar as esfinges da sua alma, autores modernos, como Char e, de alguma forma, como o autor, já não buscam uma resolução para o quem sou eu?, mas, sobretudo, questionam, mas e tu, quando surgirás?<br />
A poesia de F.C. Duarte é uma busca incessante da percepção do mundo, interior e exterior, suportada por um palimpsesto lírico e metafórico, mas também fotográfico do real, do seu real. E, se algumas palavras ou imagens o acompanham desde o primeiro livro ou poema — água, mar, chão, lugar, memória, tempo, poesia —, neste livro, como é natural, palavras ou imagens de crueldade, humanidade, guerra, fim, branco, ruína inundam a textura que se reflete no olhar do poeta e do leitor. Perante este mundo, nem a poesia, nos confins de um lapso, poderá travar o suicídio da humanidade: <em>as palavras/estão tão gastas, o passado é tão inútil/como as mãos do mundo/(…)/as pessoas parecem enigmas umas das outra</em>s.<br />
Concluo, esperando que a ética poética de resistência que daqui brota possa espelhar-se do “alabastrino” do poeta para os olhos e coração dos leitores e que o amor e a poesia possam reviver a infância, a nossa e a do mundo, para que seja possível ainda o “tempo enfim de ser humano/(…) em transparência”!</p>
<p><strong>João Rasteiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Como a palavra amor sai naturalmente de nossas bocas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/como-a-palavra-amor-sai-naturalmente-de-nossas-bocas</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Jun 2023 23:17:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span class="fontstyle0">— pra eu conseguir fazer a próxima cena, eu preciso que um boy se voluntarie pra dividir ela comigo! </span><span class="fontstyle2">a performer entrega um livro da peça </span><span class="fontstyle0">hamlet </span><span class="fontstyle2">para o boy escolhido.
</span><span class="fontstyle0">— o que vai acontecer agora é o seguinte: no seu tempo, no seu tempo mesmo — isso não é nenhum processo seletivo, ninguém vai estar te avaliando —, você vai levantar, abrir na página que está com o marcador e ler o trecho que está grifado, tá bom?</span></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>como a palavra amor sai naturalmente das nossas bocas</em> é uma oferenda carinhosa que rúbia vaz nos lega, ao recontar a narrativa de ofélia sob a ótica do gaslighting e da violência psicológica contra a mulher, enquanto elabora também sua própria vivência em práticas que embaçam as divisas entre o relato e a ficção. nos últimos quatro anos, tenho tido o prazer de acompanhar rúbia nesse projeto, atravessando são paulo, santo andré e rio de janeiro. a peça me espanta: como uma testemunha, me vejo ouvindo as palavras fluviais, ressonantes, em acontecimentos que ameaçam desaguar no conhecido leito da tragédia. aqui, no entanto, jazem as águas com as quais rúbia verte o fluxo que confina o imaginário de ofélia, evidenciando sua capacidade de escutar os muitos sons soterrados. nesse sentido, rúbia é generosa: permite que ouçamos também, como que entreouvindo o desenrolar, por vezes sem dimensionar o todo, mas sempre atentos para o presente da situação. o prólogo se faz incontornável: obrigado por estarem presentes. recordo essas palavras nos mais diversos contextos, e a peça vibra em algum lugar do meu corpo. presentes. que capacidade fantástica de nos revirarmos apenas pela enunciação da memória! o presente, esse algo que se dá, também é algo que se carrega, uma pedra que se distribui, que se recolhe e pela qual se é possível rememorar. rúbia vaz nos mostra, com efeito, que o ato corajoso de rememorar é um projeto do agora, um passado verdadeiramente presente, que ela explora e revela com maestria. tenho experienciado um prazer e aprendizado nos últimos cinco anos, um privilégio que agradeço e reagradeço, a dádiva de ver um processo criativo para além de seu tempo dedicado, de seu espaço especializado, para fora do teatro. o presente de ver a elaboração da artista em sua vida, de ouvir as palavras ressoarem antes da retina. rúbia vaz é um presente, e certamente <em>como a palavra amor sai naturalmente das nossas bocas</em> é a materialização da sua engenhosidade como dramaturga, diretora, performer e pesquisadora. que as palavras desse livro sejam presentes aos nossos ouvidos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>arthur murtinho</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Para quem está se afogando crocodilo é tronco</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/para-quem-esta-se-afogando-crocodilo-e-tronco</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Jun 2023 13:39:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[[colagens]
Elisa Scarpa

um dia, desses tantos que se cabem em algum calendário,
estará a data da morte de meu pai, o acidente de um amigo
ou o meu próprio,
relembrarei por dias, meses e anos,
nesses calendários chamados de folhinhas por minha avó,
que era cega e me pedia para ver que dia estávamos
e que desde 20 de setembro de 1996, não me pede mais nada.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Aquilo que se faz pela apática busca da beleza resulta na assepsia da própria vida. Portanto, ao falar deste livro, não evocarei o azul atlântico das distâncias que constroem a língua estrangeira de todos os lugares, nem as montanhas cobertas com o verde da primavera tecida nos olhos da infância ou algum carnaval dos sentidos perdido na linha da história. Tudo caberia aqui, mas pareceriam palavras grandes como tantas outras que escutamos nesse farfalhar de asas sem rumo que estamos imersos.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Para quem está se afogando crocodilo é tronco </em>foge dos estereótipos possíveis numa festa erigida no que há de mais marginal, interior e real, é o bailado de Deus morto, o lixo esculpindo o sublime, a ressaca da manhã seguinte. A experiência do poeta Wladimir Vaz Mourão é da falta de pertencimento de ser de alguma parte alguma, do moleque recém-chegado da várzea distante e cujo sotaque e português era motivo de chacota entre os colegas, futuros acadêmicos — homogeneizadores do conhecimento —, até o homem que encontra Dionísio nas seringas de heroína jogadas pela rua suja e entende que isso tem a potência de mil declarações de amor.</p>
<p style="text-align: justify;">Agora que as cerejas apodrecem no fundo de nossas bocas, sabemos que relembrar os amigos mortos será feito no calendário de nossas cegueiras, pois cada poema das páginas que se seguem possuem o peso de um dia riscado. Desfalecem as ilusões: fora da tormenta, somos apenas autofagia, jamais o outro, nunca a maravilhosa fome compartilhada do que nos é mais humano.</p>
<p style="text-align: justify;">Podemos ver também nos escritos do autor a consciência da classe trabalhadora, dos explorados, daqueles que se negam a entender a realidade como patrimônio privado e a arte sendo a representação da fartura. Nas lentes brutais do capitalismo, poucas fotografias possuem cor. Os desajustes dos versos desta obra são pequenas inserções no repositório fastidioso do cotidiano.  E, quando o medo se releva de julgarem que tais intentos são o da mariposa enganada com a lâmpada e a sua falsa luz, a coragem se revela: fechem as portas, os países, os corações, o voo persistirá até o limite do sol.</p>
<p style="text-align: justify;">Tu que estás com esse pedaço de tempo nas mãos, abra-o cavando na terra para depositar o teu próprio corpo e, no vasto céu que fitas, recebas os abutres pousados pelo naco de tua carne com a mesma alegria da chegada das aves carregando os mais doces frutos. Assim, tu estarás pronto a repensar teus sentidos.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao poeta, amigo, guerrilheiro, inventor de onças, digo-te: já sou homem velho, mas sigo pouco sábio. No entanto já consigo desejar o teu sorriso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Tiago Fabris Rendelli</strong><br />
escritor e editor</p>
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		<title>Antes de morrer um poema</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 May 2023 13:33:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">minha casa virou um ateliê
um estúdio, um canto, um santuário
um corpo</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“Descobri que sou poeta” é a frase que estava escrita na parede branca da casa onde <em>Antes de morrer um poema</em> nasceu. Trinta metros quadrados abrigaram pequenas mortes de si que, nos seus rituais de despedida, celebraram a vida e tornaram-se imortais na palavra. A poesia de Isabelle Borges é sua extensão: imensa como o mar, singela como um canto de unha, curiosa como uma criança, libidinosa como uma mulher em êxtase. “Ondas da boca”, primeiro capítulo do livro, é um tratado sobre a relação entre as sensorialidades do corpo e a invenção de mundos. Seu olhar para as partes compõe uma coreografia minuciosa que revela a potência que a materialidade da existência tem de provocar movimentos. Assim ela nos leva a compor e a dançar uma “Mulher bicho corpo”, segundo capítulo do livro, que abocanha com as fendas o seu próprio desgoverno. Não há poesia sem desordem, sem voracidade ou sem corte. Não há poesia sem vazio ou sem ponte entre os afetos e os artefatos, o contato pronuncia a escrita. Não há poesia sem que se passe a língua na memória, onde estão guardados os primórdios do sentir. A egrégora afetiva que Isabelle Borges convoca se revela como fonte, força e feito, nos jogando para fora dos registros habituais para encontrá-la e nos encontramos de outros modos. Neste esteio ela se finca como água e se funde com o mistério. No terceiro capítulo do livro, “Bicho da terra não aguenta mar”, o tempo é de espraiar-se em sua natureza e oferendar-se para quem aceita mergulhar. Na erótica de sua bússola há quem se perca, há quem se ache, há quem fuja e fique sem ar, mas nada fica perdido em seu olhar que escreve na própria pele o ato criador. Nesta obra, no último capítulo, homônimo ao livro, Isabelle Borges se ergue inteira e repleta de inícios, sacia seu peito no gesto de escrever e de saber-se infindável. Se pergunta, se abre e se percebe trêmula, viva: “Poeta geme de gozo e de dor entre as paredes do quarto”. Nasce.</p>
<p><strong>Carla Vergara</strong></p>
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		<title>Na madrugada do sanatório</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 May 2023 13:22:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">manchas de fezes no lençol
o quarto fedendo a sol
desarranjo intestinal de van gogh</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O livro de estreia de Tomás Braune — poeta entre “corpo e passagem” — nos traz a lucidez cortante <em>na madrugada do sanatório</em> do mundo. Metáfora da vida oblíqua de quem resiste no movimento de não ser — “sou sido, de percorrido e penetrado não estou: sou estado, e vazo, vazo, vazo”, na insistência de “envelhecer ao avesso”. O poeta “é-se” como o verbo clariceano que se encontra no compasso de uma vida que se refaz e se renova na busca pela palavra. No poema “exato”, ele diz: “isso aqui não é um sonho, tampouco um poema, exato: é uma vaca. isso aqui é uma vaca”. Como se ver vendo fora do aprisionamento do mundo-sanatório?, é a pergunta que ecoa.</p>
<p style="text-align: justify;">O poeta é sensível de incongruências, lançando-nos às imagens que integram o que nomeia como compaixão — a matéria densa e humana que mistura lamento e dor, crueza e sublimação — e presenteando-nos com a beleza de cavalos metafísicos “que permanecem batendo a cabeça no muro” mesmo depois da morte. Talvez seja essa a imagem-síntese dos grandes artistas, como Tomás, que não desistem, transformando o gesto derradeiro em poesia. Por isso, na madrugada, ele recebe a visita de um anjo que lhe cobra um beijo na contramão da dureza do pensamento. Por tamanha lucidez, o poeta-personagem deste livro, entre fezes, bichos e minérios, nos dá no lugar de uma “poética dos ossos” a poética do coração, que não é músculo “mas um desespero com ritmo, esse espalhafato”.</p>
<p style="text-align: justify;">Como uma “bromélia-rubra”, a poesia é revelada na tradução de sensações dirigidas ao outro/pessoatravés — “você não está amando: amar está vocêndo”. A beleza deste primeiro livro de Tomás Braune está no intervalo entre palavras, e também na sua junção, nos alicerces que vai construindo entre um estado e outro, entre o eu e o outro, entre poeta e leitor, entre imaginação e ação, entre a liberdade do sanatório e a prisão do mundo. Da aparência dos contrários, da força das imagens, nasce sua poesia, que veio para ficar. Sorte a nossa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Gabriela Lírio</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Insira uma ficha e pressione esse botão se quiser ver a luz do dia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 May 2023 14:06:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[como pode o calor do café
penetrar a solidez da louça
e chegar às minhas mãos?

como vaza do tecido
o rio que o lava?

como é que a mente
embebe o cérebro
e com este se confunde?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Um congresso de pedregulhos e seixos; odes a insetos e personagens de anime; um Deus avesso a teologias e poemas de amor que podem ser lidos de trás para a frente. Essa mistura improvável, em igual parte lirismo e jogos de forma, é o que compõe o genoma de <em>Insira uma ficha e pressione este botão se quiser ver a luz do dia</em>, segundo livro de poemas de Felipe Fortaleza.</p>
<p style="text-align: justify;">Tratam-se de poemas escritos, editados e redescobertos durante a pandemia. Na impossibilidade de “ver a luz do dia” durante os períodos de necessário isolamento social, restou ao poeta a opção de brincar com os versos e as permutações sentimentais — como quem brinca com máquinas de fliperama, gastando fichas em atividades sem nexo (mas, por isso mesmo, cruciais).</p>
<p style="text-align: justify;">O primeiro terço do livro contém os versos mais lúdicos e as realidades mais fragmentadas. No impronunciável poema “bnυɿɒdɒɉoɿ”, um livro contém todas as histórias e os futuros, inclusive os do leitor que o lê; em “O jogo engraçado”, regras que desaparecem junto com o jogador, tão logo sejam usadas. Há aqui <em>sandboxes</em>, móbiles, sistemas precários de partes alternantes. Influências concretistas, mas sem perder uma certa e particular melancolia.</p>
<p style="text-align: justify;">Em seguida, os poemas se dirigem ao campo do amor, mas os objetos amorosos são heterogêneos e facetados. Deus ama o homem, mas seus atributos são incompreensíveis, e aquele amor é como os sentimentos misteriosos dos polvos (“Pois crede”). O amor também se volta à vida, à mesma substância que é drenada na rotina, dentro e fora do confinamento (“Dois dias por dia”).</p>
<p style="text-align: justify;">Finalmente, no último terço, tem-se uma veia simples e direta. São quadras pentassílabas, uma tentativa de sintetizar o que há de alquímico no livro, costurando temas através de um ritmo comum: origem, religião, o movimento dos astros, os peixes e o próprio leitor, razão última da solitária atividade de escrever.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Insira uma ficha</em>&#8230; busca, sobretudo, recompor as criaturas diárias sob um novo ângulo e revelar o que há de novo nos objetos e nas sensações mais familiares. Um pequeno e estranho diorama, sonhando com a luz distante do</p>
<p style="text-align: justify;">
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>As fantasias da carne</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 May 2023 16:05:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[os jovens pastores de Creta sorvem bagas maduras
têm as tetas de fora, ao vento
querem ouvir o amor a tocar cítara
querem gozar os anos lindos
eles querem pecar
mas ainda não sabem pecar
não inventaram pecado
e o primeiro pecador só daqui a centenas de anos

os jovens pastores de Creta sorvem bagas maduras]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Matheus R. Gonçalves é jovem, mas seu espírito é ancestral: como um vigoroso bardo de aldeia ou um velho cronista em sua biblioteca, ele vai cantando e catalogando imagens sobre o corpo masculino, até formar um painel que pode muito bem ser descrito como um épico, no seu sentido mais coletivo — uma história dentre muitas, mas uma bastante especial. Afinal, o que liga o belo Antínoo aos marinheiros de Jean Paul Gaultier? O seminarista tentado pela carne dos santos ao martírio de Mishima? O corpo perfeito da propaganda comunista ao <em>beefcakes</em> do cinema em technicolor?</p>
<p style="text-align: justify;">Comunidades possuem seus códigos, uma história cultural, e com o tempo formam uma iconografia. Matheus Gonçalves traça a contínua cronologia e permanência dessas imagens e, nos poemas que compõem este <em>As fantasias da carne</em>, versa sobre as relações entre o homem e seus desejos, partindo do ponto de vista íntimo de um corpo e de um imaginário homoerótico, homoafetivo, histórico e, até certo ponto, histérico. Para isso, introduz eu líricos, imagens e personagens diretamente ligados a esse universo de referências da cultura gay.</p>
<p style="text-align: justify;">Com o erotismo sublime de um Kaváfis, o humor e o devir de uma Angélica Freitas e a versatilidade de vozes digna de nossos melhores poetas, o autor decanta essas figuras de heróis, deuses, santos, atores de cinema, gogo-boys e modelos de propaganda de guerra ou da publicidade em sua essência como fantasias não apenas do corpo masculino em si, mas dos múltiplos olhares sobre esse corpo, que ao longo dos séculos constituiu-se num verdadeiro cânone, em contínua transformação. Um cânone que atravessa culturas e oceanos, que se inicia com a imagem de um veado ferido e se encerra com a de uma sensual pantera saindo à caça. Matheus canta corpos elétricos — e molhados — e os insere na sua poesia como imagens feiticeiras distorcidas ou reveladas sob a luz dos versos, fazendo deles a matéria-prima da fantasia poética e o instrumento de fixação dos mitos de sua aldeia, uma comunidade que possui códigos próprios, uma história cultural que atravessa séculos e uma iconografia cheia de ambiguidades cantada por esse novo trovador tão jovial e ao mesmo tempo tão antigo quanto o mundo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Samir Machado de Machado.</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Fresta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 May 2023 10:32:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[logo eu
que era crisântemo
que já fui rosa espinhuda
orquídea exótica
tantas vezes cacto
outras, tulipa
folhagem camuflada
quase mato seco de geada em manhã fria
floresci girassol
na noite nua

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma fresta é ruptura: a depender da circunstância, pode ser que seja necessária — mas nunca fácil.<br />
Uma fresta também é brecha: através dela enxergar o que há do outro lado, ainda que não se possa transpassar muro.<br />
E ainda: por meio de uma fresta, a água vence a telha, e o concreto e pinga sua liberdade até formar poça, encher balde — então nunca lidou com uma goteira no teto?<br />
De todas as metáforas imagináveis com o título do livro que você tem agora às mãos, nos encanta pensar que todas as significações são possíveis. E as tantas mais que lhe couber criar.<br />
Marília nos presenteia essas frestas como possibilidade de ver o facho de luz que invade um quarto escuro atrás de paredes cerradas: a expectativa da flor — e há um imenso jardim delas aqui — move um corpo que busca força em direção a um que-virá ao mesmo tempo em que contempla, crítico, vez-que cético, o presente: “só o nada testemunha o espaço entre o céu e o todo”, observa a poeta.<br />
Entre os bordados, flores, águas, nuvem e brecha costurados neste livro, Marília alinhava arremates precisos sobre o existir/resistir mulher, imigrante, lgbtqia+. Nos fios, cores que nos levam ora a um estado onírico: “tem um mar em mim que é só vertigem”, ora a uma assertividade crua: “é esse silêncio resguardado/o meu direito sobre o mundo”, ora a imagens lúdicas: “a bota sem par da cartografia da Itália”. Afinal, “é preciso leveza para a luta”. E assim, a costura que parte da experiência íntima também nos veste, coletiva.</p>
<p><strong>Janaína Moitinho e Michele Santos</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Da queda enquanto voo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 May 2023 12:29:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Poeta vai para Machu Picchu?
Que poema se faz para Machu Picchu?
Poeta visita as Muralhas da China?
As pirâmides de Gizé?
Poeta tenta encontrar a Aurora Boreal?
Poeta é sócia de clube?
Participa de manifestações?
Das reuniões de condomínio?

Poeta sai de casa?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em <em>Da queda enquanto voo</em>, este livro de estreia cheio de vertigens, Adriana Massocato começa seu primeiro verso com um mar em sua frente, mas sem saber nadar.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse poema inaugural, uma espécie de introdução às quatro partes que compõem a obra, parece indicar o que encontraremos a seguir: um sujeito carregado de desejos que deve se encontrar, circular e pertencer a um mundo imperfeito, ao mesmo tempo em que se faz poeta, aprendendo a “caminhar sobre as águas”.</p>
<p style="text-align: justify;">A palavra “caminho”, aliás, não apenas intitula uma das partes do volume, mas é central em toda a obra. O eu lírico (pessoa ou poeta) em construção busca a própria feitura durante o caminhar, no voo e na queda, já que na queda também nos constituímos, é das quedas que se fazem os voos. É a partir desse salto no vazio, então, que Adriana se torna poeta, que desatina a escrever “cartas aos pombos e aos intérpretes”.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas duas primeiras partes desse percurso, “Muda” e “Fundo”, a poeta se lança aos nascimentos, à infância como memória e esquecimento, ao aprender a ser, “cair no mundo como um pássaro”, ao sentimento de inadequação, ao desamparo e à loucura. É preciso aprender a jogar a vida “que todos parecem jogar tão bem”. Lançamo-nos também, como não poderia deixar de ser, no abismo de nascer menina e de se fazer mulher: “tornar-se indesejável/para nunca mais/ser comida viva”.</p>
<p style="text-align: justify;">Seguimos sem rumo pela terceira parte do livro, “Caminho”, em que encontramos o mundo externo, grande e redondo, os lugares aonde nunca chegamos: “Eu, aqui e ali, sou a esmo”. Encontramos ali mais um lugar de risco: o amor, com toda a sua beleza e ruína. Mas é na quarta e última parte, “Laço”, que todos os caminhos se enredam, a vida em sociedade e o passar do tempo, alguém que quer detê-lo “como quem laça/um cavalo/um boi/um amor/um unicórnio”, o estar no mundo “que não cumpre as promessas que fez” e as indagações sobre o que é ser um sujeito e o que é ser poeta (“Poeta vai para Machu Picchu?”). É assim que a poeta existe e resiste como ser deslocado, “à margem do que foi instituído como margem”, é assim que se faz poeta: encontra palavras como chaves perdidas.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa combinação provoca no leitor a vontade de viver aquilo que a poeta viveu, em sua memória e esquecimento, caminhar pelos lugares ou não lugares em que pisou, no voo que já começa com a queda, como o unicórnio perdido que vagueia pelas páginas deste livro.</p>
<p><strong>Júlia Codo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>A minha pele arde como o sol quente que nela ecoa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 May 2023 10:20:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Uma mulher que carregava
o céu em seu nome
e as muitas dores em seu corpo
que mirava o além
como se ele estivesse na esquina

Uma mulher que me apertava
em seu ventre
e que agora carrego no meu
céu, centro, corpo.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A poesia encontra veios para simbolizar o que, no mais das vezes, não vem a lume pelo ordinário arranjo de palavras — ou sequer ressoa num significante próprio. Daí a necessidade de compor acordos textuais para dizer do que, à primeira vista, se mostra indizível, notadamente por meio daquele expressar corriqueiro.<br />
Compondo seu modo peculiar de exercitar o dizer poético, Benedita de Matos, graduada em Moda, no Brasil, mestre em Criação Artística Contemporânea pela Universidade de Aveiro e mestranda em Filosofia Contemporânea pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, em Portugal, nos apresenta este comovente A minha pele arde como o sol quente que nela ecoa.<br />
A maioria dos poemas aqui contidos foi gestada durante a reclusão pandêmica e sob o fumo das queimadas que assolaram algumas cidades portuguesas. Na própria expressão da poeta: “no insuportável calor de um apartamento vazio, era difícil até de respirar. Mas foi um encontro comigo mesma”.<br />
Aí, talvez, tenha nascido a Benedita poeta, pois crava: “Giro a ponta dos pés/Até ficar de ponta-cabeça». Ou ainda: “Quero segurar o tempo/(entre minhas próprias mãos)/Como quem segura a chuva/(que nunca cai)».<br />
A poesia de Benedita de Matos é uma tentativa de deslindar fios e tramas que tecem e vestem nosso viver. Viver que, no seu caso, também foi adensado pelo habitar chão estrangeiro, apesar de estar na terra da língua-mãe.<br />
Aqui está sua poesia de existir. Versos sobre o viver, suas impossibilidades, possibilidades, afetos, emoções; seus fantasmas e suas potências.<br />
Poesia de persistir. Versos viscerais, de tons densos e arquiteturas comoventes.<br />
Poesia de aludir. Versos de observar a cena do existir, de céus, mares, asfaltos, tempestades, chuvas&#8230;<br />
A poesia de Benedita de Matos retraça um olhar pervasivo, de quem vive e assiste ao existir, de nós e de si.</p>
<p><strong>Nohêmia Santos Lima</strong><br />
poeta e jornalista<br />
<span style="color: #ffffff;">paula lima</span></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Afetos navegantes: olhar o porto do mar</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/afetos-navegantes-olhar-o-porto-do-mar</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Apr 2023 13:11:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[desenhos de
diana sofia varela cabral e stephanie borges
—
Fez-se do resto, rito
Celebração em fá sustenido
Na batucada, o espaço do grito
Nessa sede violenta
Se germina a cadência
Sem pudor e sem ausência
Viajei
Percorri um solo seco e parei
Nesse abismo do encontro
Nessa falta de você
De vocês
Comer feijão e alimentar-se do outro
Do pouco
Dessa fome ancestral
Que torna imenso o encontro

...

(feijuca, página 13)]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Mais do que lido, este livro tem que ser ouvido, porque é no corpo que a palavra da Marina ganha sentido. É no fazer real, na vibração das marés que habitam nos seus versos, que provocam para quem ouve uma viagem que vai da ponta dos dedos dos pés até a mente, passando sempre pelo coração.<br />
Marina rasga com a verdade crua dos olhos que veem, reconstrói com as mãos que escrevem e pisa com a firmeza de quem se sabe sensível aos seus afetos.<br />
Marina estende a mão sempre que necessário e é por isso que a poesia dela se torna tão essencial, para poder questionar um mundo que grita pela desconfortável e tão necessária reinvenção.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Irma Estopiñà</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Metamorfose do corpo enquanto dorme</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/metamorfose-do-corpo-enquanto-dorme</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Apr 2023 10:58:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[(...)

Sou ventre de pássaro
e no corpo das palavras
pouso o amor que descansa sobre a mesa.
Trago em mim trinta corpos teus,
habito dentro do teu nome,
menstruada de frio e noite escura,
sentada,
plena,
em modos de morrer.

<em>(modos de morrer</em>, página 19)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Marta Rocha apresenta-se neste primeiro livro como uma poeta do amor-corpo fluido e de consciência surrealista.<br />
Num imaginário que habita as divisões da casa, o trabalho fonético e gramatical exige uma leitura atenta à melodia cuidada dos seus versos, naquilo que é mais uma evidência de que a sua poesia é para se ler “sedentos de vincos de nós”.<br />
Deste imaginário nasce um outro rio, o do corpo, cuja metamorfose evoca a impossibilidade e a deterioração do sentido habitual das palavras.<br />
Marta Rocha, neste seu conjunto de poemas, encontra um ser-se erótico, fundindo corpo e casa que acabam, quase sempre, na ausência.</p>
<p><strong>Guilherme Lidon Guerra</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Atentações [quatro atos]</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Apr 2023 14:12:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[tudo em ti é show
mas deixa-me te avisar o que ignoras
mesmo que o budget do teu job seja top
não passas de tenra carne dos trópicos
a água da tua colônia não é potável
a canga que vestes não cansa
apenas mansamente encanta
e te emparelha ruminando olhares]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>prenúncio para atentar<br />
</strong>breves cantos:</p>
<p>1</p>
<p>um livro de estreia múltiplo<br />
a desejada (e necessária) vazão<br />
para tanta criação de décadas<br />
que no pós-mundo de tudo que é coisa<br />
reconecta o olhar de outro tempo<br />
com perspicácia em ver com olhos livres<br />
a doce amargura do atual calendário</p>
<p>2</p>
<p>sagaz nas páginas que seguem<br />
é entre outras a capacidade fluida<br />
de transar o trânsito entre popular e erudito<br />
boa medida de passeios por clássicos<br />
em paisagens cotidianas<br />
e o domínio de línguas/gens<br />
que favorece o batuque das palavras<br />
onde improvável se torna possível<br />
e louco confunde sábio sem deus pra adorar</p>
<p>3</p>
<p>lucidez dos sóbrios delírios<br />
caminhos que se apresentam sem mapas<br />
somente ao percorrê-los será possível<br />
chegar em algum lugar (ou lugar algum)<br />
uma bússola girando pode interessar mais<br />
que direções previsíveis óbvias datadas<br />
pathos de poeta nas páginas arenas e ágoras<br />
a incrível peleja entre o sangue e as veias abertas<br />
por tanto tempo que já nem se sabe quando<br />
haverão de serem fechadas</p>
<p>4</p>
<p>a questão épica<br />
e a questão antropofágica<br />
ocidentes com ares de orientes<br />
aforismos flertando com provérbios<br />
variadas atmosferas em diferentes camadas<br />
memória afetiva colchas de retalhos<br />
por aqui o ritmo é quente — item indispensável<br />
tem de sobra só de sapato não pode sobrar<br />
pode embarcar tranx porém atentades<br />
nos versos deste outro grande Alexandre<br />
que disse “e a noite cai sem nunca haver subido”</p>
<p><strong>Caco Pontes</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Hemisfério sul</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Apr 2023 18:31:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">rimos a ponto de cair da cadeira
você lembra?</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Krishna estava triste e me chamou pra conversar. Tava passando por umas bads e queria desabafar, um ombro, um colo, dois ouvidos. Entrei na sua casa, era noite, e o abajur com uma lâmpada quente deixou a sala bem aconchegante. Não bebemos nada, mas pairava um cheirinho de café. Sem ruídos externos, ouvia-a falar sobre tudo que a atormentava no momento e histórias do seu passado que tinham mas também não tinham nada a ver com o que ela tava falando antes. É claro que suas histórias eram sempre permeadas de gracinhas, de piadas ácidas, de uma ironia deliciosa que é <em>very Krishna of her. </em>Enquanto ela contava odisseias transatlânticas, eu me tornei uma mosquinha na parede, e ela pôde se sentir mais à vontade. Fiquei paradinho pra não atrapalhar o fluxo de Krishna nem virar lanche da madrugada de algum dos seus três gatos. Enquanto mosca, fiquei por uns dias na casa dela e acabei acompanhando seu cotidiano. Como ela acorda, o que ela escuta, como cozinha, o que fala quando fala sozinha. Pude sentir seu amor pela irmã ainda não nascida, o tapa dos poemas de uma frase só, os romances e seus fins.</p>
<p style="text-align: justify;"> Nada disso realmente aconteceu, mas foi assim que me senti enquanto lia. O livro é franco e dispensa firulinhas pretensiosas sem dispensar o Mistério. Krishna é uma escritora que faz uma digestão linda das suas referências e as transforma em uma coisa muito própria, sempre em movimento, sempre mudando. Eu a conheci em 2016, trocamos nossos tumblrs de poemas, e eu virei fã basicamente de primeira porque, além de uma pessoa muito foda, ela escreve com navalhas e serve um cafezinho pra você tomar enquanto cicatriza os cortes leves, bate um papo, escuta um disco, ri um bocado.</p>
<p style="text-align: justify;">Este livro me deixa muito animado. Animado por saber que ele vai ser lido por outras pessoas, animado pelos dias que vou viver depois de lê-lo e animado pra ver o que mais vai sair da belíssima cabeça de Krishna Montezuma. Animado pelo futuro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Victor Lampert</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Torpedo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/torpedo</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Apr 2023 18:20:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">a primeira palavra que sai da minha boca quando acordo</span>

<span class="fontstyle0">
amor</span>

<span class="fontstyle0">
</span><span class="fontstyle2">)e toda vibração que nasce desse nascimento)</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Torpedo</em>, hoje, palavra quase em desuso, anuncia a provocação de Beatriz Veloso ao pôr em xeque a língua. Jogando com as formas, a poeta explora a <em>metalinguagem</em>, ao recorrer aos estrangeirismos de maneira operante, refletindo sobre pertencimento e deslocamento, sobretudo no poema “Útero”. Também brinca com os sons, dando à palavra outras possibilidades semânticas “yohan pediu o deskitty/a sua mais amada kitty kitty”, o que caracteriza uma alta e bem-humorada consciência de que, quando se trata de poesia, é sobre <em>como</em> dizer, daí o trânsito constante entre oralidade e escrita presente na obra.</p>
<p style="text-align: justify;">Chama a atenção o uso da intertextualidade com personagens bíblicos, como Madalena e Onésimo, pois constrói uma crítica contundente à violência sexual e de gênero e à desigualdade social, afirmando a liberdade de ser quem se é. Além disso, a <em><span style="text-decoration: line-through;">rasura</span>,</em> utilizada como procedimento estético, “oculta” o que está posto e testa os limites do poema “<span style="text-decoration: line-through;">já gastei todos os meus emojis de corações</span>/<span style="text-decoration: line-through;">amarelos laranja vermelhos azuis roxos verdes com outros arrobas</span>/<span style="text-decoration: line-through;">não restou nenhum pra você</span>”, deixando sempre a dúvida…  Os corações foram ou não gastos? E, mais do que isso, enquanto são emojis e arrobas, como é a relação entre esse “eu-você-eles”? “A presença precisa ser física?”</p>
<p style="text-align: justify;">O livro responde a essas perguntas caminhando à concretude. As cores, figuradas no mar azul, no sol alaranjado, no vento lilás e em outras imagens, denotam a sua plasticidade. A poeta faz o convite para visitar um museu e ver Marina Abramović, ressignificar Paul Klee, reconhecer Bansky, materializar Foucault e tantas outras referências. Contudo, das atividades mais eruditas às mais corriqueiras, o leitor é encorajado a escrever cartas de amor, a cozinhar, a viajar, a resistir às durezas da vida e apreciar sua beleza. O tempo é visto sob o prisma do instante e da eternidade (“9x”, “Armazéns”, “Cotidiano &amp;terno”) e são as mulheres as protagonistas dessa experiência.</p>
<p style="text-align: justify;">Ler <em>Torpedo</em> é como compartilhar uma espécie de <em>inventário afetivo do cotidiano.</em> Neste livro, profundamente sinestésico, o leitor é estimulado a “sentir tudo de todas as maneiras”. Logo no verbete de abertura, há a orientação de que os poemas podem funcionar como um engenho explosivo ou como um bilhete público com intenções amorosas. Seja como for, “há de entorpecê-lo”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mariane Tavares</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Máquina absurda, absolutamente patriarcal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Apr 2023 18:12:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">quando olho no espelho
essa cara torta decifrada
a cara pigmentada de alumínio
cimento branco e monóxido de carbono
nos meus braços
volto à fábrica
votorantim</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A memória é quente, às vezes escaldante, nos pondo em risco de torrar a pele. É essa imagem-sensação-conceito-textura que nos entrega Paloma Palacio, em seu livro de estreia. Brincamos aqui com a dubiedade da entrega: por um lado, a autora constrói, com as mãos legadas por seu avô (“meu avô não queria me entregar/bonecas barbie remela gelecas massa/corrida no lugar, me deu/essas mãos”), uma obra poética carregada de referências da infância e da adolescência, vividas no subúrbio do Rio de Janeiro. São lugares (Irajá, Cascadura, o Shopping Carioca, a Rodoviária Novo Rio), elementos típicos (“acima de tudo os telhados/de zinco carcaças pupilas/as pipas/um amontoado de bicicletas tábuas/desplegadas/de civilizações passadas”), pessoas (a avó, o avô, o colega de escola Pedro), a própria percepção do tempo a passar (“do avesso/uma camiseta estirada/contra o vento/no varal/fazia pensar em//caminhadas/ainda que fosse dia/era tarde/avançava/no quintal, as lamparinas”). A outra dimensão da entrega é mais sutil: aos poucos, discretamente, vai surgindo uma figura de mulher do concreto dos edifícios, dos sinais de trânsito, das placas, da tepidez dos bairros suburbanos. São as coisas — palpáveis, por vezes pontiagudas e cortantes — que entregam a menina-mulher (“Not a girl, not yet a woman”) do passado ao presente. Seria esse livro um <em>coming of age</em>? A propósito, não faltam acenos ao universo cinematográfico. Aparecem filmes do coreano Hong Sang-soo, do iraniano Abbas Kiarostami e, ainda, insuspeitadamente, um curta-metragem da própria autora baseado no conto “Preciosidade”, de Clarice Lispector. Há também referências a obras literárias (Golgona Anghel, Prisca Agustoni, Ana Cristina Cesar), à cultura pop (Britney Spears, Verão mtv, Felipe Dylon) e à história do Brasil (“são eles ainda que me batem/quatrocentos e trinta e quatro vezes os nomes em fitas/cassetes: desaparecidos ou mais/datilografados”), que ajudam a desenhar a “máquina absurda absolutamente patriarcal” que mói as vidas de mulheres e homens nas entrelinhas. Mas nem tudo está perdido: ao mesmo tempo em que a máquina se apresenta, a mulher que se torna cria o seu próprio mundo, a sua própria <em>vida</em>. Resiste, portanto. Não por ser feita de “alumínio/cimento branco e monóxido de carbono”, mas por reconhecer a fragilidade de seu corpo, que deve calçar os sapatos para evitar os fios.</p>
<p><strong>Liana Salles Monteiro</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Coleção de meninos mortos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Apr 2023 18:05:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">Buraco
No escuro
longe de tudo
silêncio
no escuro
um e só com o mundo</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em seu primeiro livro de poesia, Pedro Minet conjura um universo queer conturbado de sexo e violência, narrado por uma série de “meninos mortos”, cujo principal papel no ambiente que os cerca parece ser o de objeto de desejo e brutalidade. Musos, como passantes de Baudelaire, idealizados, usados e finalmente descartados. Ao contrário daquele flâneur, no entanto, aqui são os passantes que contam a história. Cada poema surge como um vômito, tentativas de dar corpo e voz a uma perspectiva quase impossível de se vislumbrar. Como Matheus Ultra escreve no prefácio, essas são histórias não de sujeitos, mas <em>sujeitados</em>. Abjetos. O resultado é inquietante, perturbador e mágico na mesma medida, como escutar bonecos ganhando vida e aprendendo a falar aos poucos na estante do quarto.</p>
<p style="text-align: justify;">Um adolescente decide testar seu poder indo para casa com um intelectual famoso, outro se vê refletido em manequins durante um passeio ao shopping, um terceiro lida com as consequências de transformar a própria beleza em espetáculo nas redes sociais. Seus nomes e características variam, mas as tensões de afeto, sexualidade e poder permanecem constantes. Serão todos, essencialmente, o mesmo menino, reencarnado e velado texto após texto? Autoficção do próprio autor <em>enfant terrible</em> talvez? Ou só símbolos abstratos, recortes de papelão, pontos cartográficos de um contexto muito mais amplo do que cada um deles consiga compreender, muito menos superar?</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo isso a partir de uma perspectiva jovem e transgressora, no limiar constante entre beleza e abjeção, que expõe aspectos do imaginário gay contemporâneo raramente abordados tanto na poesia quanto fora dela. Apropriando-se e misturando a todo momento referências díspares, da mais erudita ao chamado trash popular (Genet, Baudelaire e Rimbaud lado a lado de <em>Silent Hill</em>, <em>Yu Yu Hakusho</em>, Brian De Palma, Antonioni e letras de música de K-Pop), o livro reflete formalmente a fragmentação sentida por seus personagens.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de todos os abusos, decepções e tristezas sofridas pelos “meninos mortos” da coleção, no entanto, há sempre resiliência e um sonho discreto, distante de um mundo um pouco mais suportável. Só é preciso escutar com atenção seus cantos, ecoando suavemente por debaixo das lápides…</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Ainda não aprendi a brincar com amoras</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/ainda-nao-aprendi-a-brincar-com-amoras</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Apr 2023 12:17:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[tem muita gente
com medo
neste poema]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Stella do Patrocínio disse do que disseram: “lugar da cabeça é na cabeça/lugar do corpo é no corpo”. Esses versos me acompanharam durante a leitura de <em>ainda não aprendi a brincar com amoras</em>. Em seu livro de estreia, Ingrid Limaverde nos convida a uma caminhada constante de espanto. Cabeça e corpo desafiam os comandos estabelecidos: encolhem, se escondem, navegam; afirmam o pesadelo que é viver sem amor.</p>
<p style="text-align: justify;">Seus poemas traçam um diálogo principal com a autora Maura Lopes Cançado e, através do tema da loucura, esgarçam o tempo de tal modo que muitas mulheres estão aqui. Avós, mães, amigas, namoradas, artistas, eu e vocês, nos reunimos em torno dos versos, fingimos estar sozinhas para poder estarmos juntas. Ingrid emociona, porque sabe que a poesia é lugar de nascer e de morrer; porque nos apresenta muitos medos e, junto com eles, as saídas de emergência.</p>
<p style="text-align: justify;">Enlouquecer toma muitas formas neste livro que faz um pedido de suspensão. Abandone os receios e venha mergulhar, venha ler estes poemas para quem desapareceu de si, mas que ressuscitou e não esqueceu quem se é; para quem foi e voltou.</p>
<p style="text-align: justify;">A partir de vínculos miúdos — detalhes fabulados na memória e na emoção de estar em contato com a vida —, o livro apresenta temas como as violências de gênero e manicomial de maneira sensível e corajosa. O risco é permanente, cortante, mas a experiência é continuamente ampliada: descortina e inaugura múltiplos olhares. ­­­­</p>
<p style="text-align: justify;">Waly Salomão, em seu poema “Jet-Lagged”, afirma “Escrever é se vingar da perda”. Eu sinto que, através dos versos, reconheci perdas minhas, e acredito que cada pessoa vá ver as próprias miragens. Ingrid, me senti vingada, não só pelas despedidas ou rompimentos, mas porque seu livro resiste ao esquecimento compulsório dos sumiços, de abusos passados e daqueles que persistem.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante a escrita deste texto, percebi como é difícil falar sobre o livro de alguém. Senti o desafio de fazer não só um comentário ou tecer elogios, mas algo que fosse um convite, que buscasse encantar outras leituras. Ainda bem que a minha tarefa é sobre o livro de Ingrid, porque seu trabalho desperta o sentimento necessário para que eu faça um relato honesto, talvez o máximo que consigo pretender com esta orelha. E os poemas? Ah, os poemas conseguem muito mais.</p>
<p><strong>Letícia Carvalho</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Santíssimo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Apr 2023 20:01:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">não fosse o mundo
em colapso diário
até teria como pensar
em gostar mais de você
sobre a possibilidade
de uma outra distopia.</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Estar e atravessar <em>Santíssimo</em>, no instante das páginas, nos retira a sentença de chorar sem colo. Aqui, o choro partilha água com a psicologia do mar e se torna água imensa novamente.</p>
<p style="text-align: justify;">As poesias em <em>Santíssimo</em> unem pessoas que moram longe da praia com pessoas que moram de frente para o mar. Sendo isso um pecado, um close ou uma maldição. Independente de se estar ou não perto do mar, os adultos aqui lembraram que amaram alguém e que, por saúde, cobriram a visão de si para o amor a que não se pode mais dar atenção.</p>
<p style="text-align: justify;">Rafael Amorim nos convida a tramar um plano por cima dos mapas e das cartografias que são impostas aos nossos caminhos diários. Nele, bichas não estarão ausentes dos poemas e microcontos, pois, como Almodóvar, ao tornar a mãe como uma repetição, as bichas estarão sempre em duas ou mais e não chorarão sozinhas. Por isso, ao escutar ou ler uma bicha, aguarde sempre sua repetição para a reconstrução da realidade.</p>
<p style="text-align: justify;">A lei do dia é que a partir de agora não queremos mais nenhum olhar bélico sobre nós. Temos o direito de sermos a primeira maravilha no glory hole. Se essa Coca é Fanta, como diz a popular gíria homofóbica, ela não só vai matar a sede de alguns. Ela vai causar a sede para quem ousar tocar a borda dos copos com algo de podre na boca.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Gabriel Sanpêra</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Pistoleiras</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Apr 2023 18:17:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[fios brancos coloridos de histórias
entradas disfarçadas de vazios
protegem memórias
encoraja-nos de afeto
enfraquece-nus

e livra-nus do pesar]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em <em>Pistoleiras, </em>encontramos todas as mulheres que existem em Missandra Almeida, mulheres que ela carrega no peito, debaixo das saias, na quentura do abraço que é convite, rio escorrendo, poesia com palavra que faz cafuné na gente. Ao dedilhar essas páginas, você entrará numa casa que venta com a força de quem sussurra segredos ancestrais que detêm o poder de lamber nossas coxas com a suavidade dos prazeres eternos. A poesia de Missandra é um convite constante para repensar a outra, que compartilha com você a costura, o crime, a escrita. Nos poemas deste livro há o segredo das ervas, cada um deles traz consigo a cura para os nossos dias, e irradia um novo sopro de vida. Missandra é guiada pelas mãe-veias, pelas mulheres e suas fases lunares, pela energia das meninas malinas, pelas destemidas que giram com a potência do mundo. Assim sua poesia tece este livro, que é, antes de tudo, um aviso de que as mulheres que há em Missandra, as Pistoleiras dos tempos de hoje, não se submetem, não abaixam a cabeça, não dizem sim no altar.</p>
<p style="text-align: justify;">Missandra domina a arte de escrever poemas porque sabe dispor as palavras no papel. Há nas escolhas que faz uma alquimia, talvez mágica, com certeza feitiço. Bruxa das boas, ela sabe como trazer para a página as palavras que te ajudam a dizer, e o que diz ganha força porque ela usa o vocabulário que tem, a linguagem que a circunda e forma, uma linguagem que é travessia entre Bahia e Sergipe. Uma linguagem que fala para todas que existem no mesmo tempo que ela.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Pistoleiras</em> é um livro para ler com fome, com viço, com a voragem de quem anseia por liberdade. No balanço das ancas, no erotismo do corpo que carrega o mundo, na desdobra da palavra que é nossa, temos em cada página a poesia, a revelação, a convicção de que o mundo vai ser melhor. Temos neste livro anunciações de uma mulher que move.</p>
<p><strong>Euler Lopes</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Inventário de objetos de decorar e ferir</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/inventario-de-objetos-de-decorar-e-ferir</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Apr 2023 13:48:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">sempre quis ser ana ou
Antônia algum nome
que começasse com a letra </span><span class="fontstyle2">a
</span><span class="fontstyle0">e fizesse com o resto
uma melhor assonância.</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Inventário dos objetos de decorar e ferir</em> é o livro de estreia de Bruna Gonçalves. O título nos leva para o limite tênue dos objetos e seus nomes. Não é uma coleção nem um arquivo, embora revele o ofício de quem guarda, reúne ou descarta. Etimologicamente, um inventário nos conta sobre uma descoberta. Mais que um registro de bens daquele que morre, seu inventário aponta para a relação das coisas que se <em>inventa</em> sobre aqueles que vivem: “eu mesma relato a herança e distribuo/os objetos para a posteridade” (“Leitura”).</p>
<p style="text-align: justify;">A tesoura que serve para ferir e decorar, não por acaso, é o primeiro objeto inventariado. As duas partes do livro, “De decorar” e “De ferir”, são dois lados de um mesmo lado. A própria poeta nos lembra que “pensando bem: tudo tem/para ferir/alguma utilidade” (“Tudo tem”). O livro se faz em torno disto: domar o que fere e devolver o corte ao que decora: “não sentir/medo nem raiva dos objetos que ferem” (“Pergunto aos atiradores de facas”).</p>
<p style="text-align: justify;">Bruna Gonçalves mostra inteligência no uso dos recursos poéticos: a diversidade dos ritmos, o despojamento da linguagem, os intertextos e as metalinguagens, a precisão dos enquadramentos, uma fina camada de ironia e beleza que a tudo recorta. Na poesia da autora, reconhecemos o influxo de suas leituras, em especial das poetas contemporâneas, mas fica evidente uma dicção muito particular e uma forma própria de retratar personagens, especialmente mulheres. Assim, somos apresentados a Janaína, Marlene, Lucinha, Andrômeda, e aprendemos com elas uma ética do olhar.</p>
<p style="text-align: justify;">Este livro é também um inventário de sonhos, delírios fotografáveis. O sonho com o sonho do mamute em “Um dinossauro sonha com um meteoro” cria um poema que soa inédito, mas parece sempre ter existido. Em poemas como “Se você fosse um de seus alunos” e “Saberíamos cantar o hino da Hungria”, o real se torna múltiplo, tal como nos versos de “Iceberg” (“você brinca/que deve existir uma realidade paralela/para cada escolha feita: imagina/um duplo de você em cada palavra/desse poema em cada poema desse livro uma infinidade de outros”) ou na descoberta insólita de um livro seu (de outro) em “Tabacaria”.</p>
<p style="text-align: justify;">Historiadora, professora, ex-funcionária de arquivo, estudiosa de fotografia, nascida no dia do Oscar, Bruna Gonçalves oferece em seu<em> Inventário</em> uma lição das coisas visíveis. É preciso entrar neste livro como um gato numa casa ou simplesmente lê-lo como se, de repente, descobríssemos que fomos nós próprios que o escrevemos, em alguma vida que ficou submersa.</p>
<p><strong>Rafael Julião</strong></p>
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		<title>Boneca overdose</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Apr 2023 13:37:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">a melancolia corrói tudo pela frente
meu silêncio pensativo que amedronta
as roupas bem passadas
olhando esse espelho miúdo
meus sapatos tão femininos
tão estupidamente doces e felizes
esse perfume             esse perfume
esse cheiro de esterilização cirúrgica</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Esta boneca tem dentes. Incisivos, caninos, pré-molares, molares, outros dentes. Esta boneca tem dentes que denteiam a casca dura do que hoje se pode entender como o gênero-mulher, as resinas, os vapores, metais cortantes, cristais lancinantes, os fiados, a moldura, a ossatura e todo o ódio que o homem, no tempo, urdiu para compor a casca. Umas vezes, os dentes a mastigam para amaciá-la, chegando mesmo a fazê-la deglutível — embora jamais saborosa; outras vezes, esses dentes de palavras fundidas tomam a casca e a perfuram, seguram, chacoalham chacoalham de um lado a outro a casca até esgarçar a sua lógica precária, que arrebenta — como ancestral algoritmo de merda que é.</p>
<p style="text-align: justify;">Pedaços velozes de gênero-mulher a boneca espalha pelo horizonte, cintilantes e arsênicos. Essas lascas poderiam dar, uma vez mais, em estrela-guia [a boneca, corpo exausto, buscando assento no andar da carruagem abafada dos dias], mas são, aqui, resíduo gelatinoso que ela manipula para usar em favor de seu deleite [a boneca, corpo amante, overdose].</p>
<p style="text-align: justify;">Versos de sacar do ventre o útero e, delicadamente, lavá-lo sob água corrente. Ritmos densos, feitos resistentes para que se esgarcem e esgarcem e, sem que se rompam ou delonguem, devolvam à pessoa leitora uma outra capa: envoltório de mútuo reconhecimento, ninho quente cerzido junto a partir do desconforto — na leitura, Mariana e pessoas falamos um mesmo idioma, ainda que os ventos que primeiro acariciam nossas línguas nos engendrem pulsos diversos do gênero-mulher e de outros. Coesão da grande imagem: é um livro inteiro, que abraça com cabeça, tronco, membros e dentes, as partes dançando, inspirando a abraços outros que, em tranquilidade, denteiem a matar as alegrias, estragar os prazeres dos que seguem sentados à mesa de jantar a acariciar — e sem jamais pretender morder — aquela casca.</p>
<p><strong>Thaise Nardim</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>A simpatia dos exilados</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Apr 2023 01:34:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[separados por paredes

da flor do pinheiro defronte

colho a corrente

até meu filho
deitado
na mesa de operação

capaz de continuar
a operar vida

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Este livro de Manuel Almeida Freire foi escrito no decurso de duas pestes mortíferas (a pandemia do vírus Covid-19 e a guerra suja de Putin) e de outra ainda mais mortífera (a anunciada peste climática, que tudo indica ir pôr fim à vida no planeta que habitamos).<br />
Este pano de fundo convoca indignação e, no caso de haver talento disponível, a expressão acutilante dessa indignação. O horror que defrontamos não se compadece com uma linguagem penteada e vigiada, antes sugere, com grande força e acinte, o uso deliberado daquele calão feio, do qual o grande poeta americano Carl Sandburg dizia que ele é “a linguagem que arregaça as mangas, cospe nas mãos e vai à vida”.<br />
O autor deste livro usa o verso livre, que notáveis poetas do século xx rejeitaram, mas que outros, igualmente notáveis, acolheram.<br />
O verso livre acomoda bem a linguagem brutal, vingativa e assassina, que se impõe, como reacção inútil mas incontornável, ao pesadelo que vivemos e promete ser terminal.<br />
O verso livre e indignado é aquela espécie de “gaguez organizada”, de que falava Marshall McLuhan, a propósito de linguagem, e que esta, de Manuel Freire, é, muito em particular, bom exemplo.<br />
W.H. Auden definia a poesia como “a expressão clara de sentimentos confusos”. O verso livre do autor deste livro nunca deixa de ser claro, mesmo quando glosa a grande confusão que nos cerca e os sentimentos contraditórios que nos visitam. Sandburg, a que já atrás recorremos, dizia que a poesia é misturar jacintos com biscoitos. A poesia fala-nos, realmente, muitas vezes, de “aproximações” improváveis ou bizarras: estas poderão confundir-nos, mas a linguagem que no-las veicula não deve acrescentar à confusão: deve ser clara, para nos permitir visitar a complexidade e o contraditório, sem nos perdermos pelo caminho.<br />
A “linguagem afiada”, de que nos fala um poema deste livro, é isto mesmo: clara, na sua acutilância bem afiada e vingadora.</p>
<p><strong>Eugénio Lisboa</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O cubo e outros contos cariocas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Mar 2023 21:19:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span class="fontstyle0">Interessante como as partes do corpo funcionam tanto juntas como separadas. Pinto, barba, cabeça, tudo de gente, assustadoramente familiar. Os pedaços dele são como outra história, um curta feito de si para si mesmo sabe, frames insidiosos e resolutos. Enquanto o corpanzil todo parece a mim sempre bem maior quando consigo fixar o olhar de uma só vez. Imenso, e aos cacos. Parece o tesão mesmo, às porções. Aos saltos, abocanho peças, sem mastigar, com a boca bem cheia. Pulos de desejo, sanha, entre a curiosidade e o medo.</span></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Líquidos dos corpos e vísceras da cidade é ao que nos expõe Gabriel Alvarenga em <em>O cubo e outros contos cariocas</em>. De uma ponta à outra, caminhamos através de um olhar sangrento, é sempre um corpo que sente, um olhar que atenta, um momento que pulsa. Por corpos turvos, gomosos, úmidos, flutuamos entre a cidade que se esvai violenta em esgoto e o cruel corte seco do sol sobre a testa, onde molhado é o que brota da pele.</p>
<p style="text-align: justify;">Em todos os contos, o presente é soberano e Gabriel o apresenta por meio do suspense. Cortes no cotidiano em que, do grande angular do urbano, da rua, da noite, da feira, o que resta é um aturdido instante, uma bandeira esquecida, uma gota prestes a cair, o gozo à espreita, o som vazio de um momento, o espanto. Espanto que também é nosso ao nos depararmos com esses átimos sempre em movimento e que misturam o lodo da cidade que corre, a corrida do suor no corpo, o visual da rua que passa, o horário que marca, a melancia que se rasga.</p>
<p style="text-align: justify;">São contos de cores vivas e contrastes — a transparência da gota e o escuro da carne, o colorido da fruta e o corte que arde — escritos feito poesia. Com sonoridade complexa, linguagem imagética, evocações musicais e referências populares, os narradores trazem algo da criança que vê tudo pela primeira vez e ao mesmo tempo a complexidade de sentimentos que só quem vê há muito tempo a mesma cena pode ter.</p>
<p>Uma experiência tranquila, você não vai encontrar por aqui, mas se você quer a singela monstruosidade cotidiana, leia <em>O cubo</em>.</p>
<p><strong>Talita Tibola</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Dias medidos em xícaras de café</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Mar 2023 20:48:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">quanto vale uma olheira crônica e
um bloqueio criativo
inspiração vende na internet
encarei o espelho</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>dias medidos em xícaras de café</em> não é um livro sobre o tempo, não é um livro sobre medir o tempo, não é um livro sobre a louçaria nem sobre café.</p>
<p style="text-align: justify;">Tendo a acreditar que este é um livro de observação e ponderamento. A observação que advém do contato constante com o conhecido a ponto de enxergá-lo com olhos de surpresa. E o ponderamento a ela atrelado — um pensar profundo sobre aquilo que se acreditou escrutinado ao esgotamento, porém tinha ainda uma barreira superficial a ser rompida para que se pudesse chegar à origem.</p>
<p style="text-align: justify;">Como acontece com todo objeto cotidiano quando fica muito mais à frente dos olhos do que de costume: começamos a criar desenhos a partir das ranhuras. Imaginar a feitura do parafuso amarelado que segura a alça da chaleira de metal meio amassada no canto não sabemos muito bem como, se foi a gente que amassou ou comprou desse jeito; ou como aquela mancha avermelhada apareceu no canto da cortina recém-comprada, será um defeito de fabricação?; por que a estampa do sofá não é simétrica?; de quem é a marca de mão que não tínhamos ainda reparado no vidro da janela?</p>
<p style="text-align: justify;">Quando analisada à exaustão, toda cotidianidade levanta mais perguntas que respostas. Subitamente, sozinhos em casa, não tínhamos mais a capa de distração que nos afasta constantemente do contato profundo com o mais profundo de todas as coisas. Não restou saída senão mergulhar.</p>
<p style="text-align: justify;">Gabriele mergulhou. Seu olhar detido sobre cada objeto aparentemente banal do cotidiano se mistura ao olhar igualmente demorado sobre questões maiores e universais. Sua escrita rápida parece listar tudo aquilo que lhe está diante dos olhos, e assim somos bombardeados com bule, abajur, costelas-de-adão nas paredes, páginas em branco, ansiolíticos, pele, saudade, desespero, saudade, a condição da mulher, o corpo, saudade, a violência, o desejo, sono, café e um pouco mais de saudade.</p>
<p style="text-align: justify;">Conheci que toda sutileza é pessoal e intransferível porque vivenciada por um corpo igualmente intransferível, no qual cada ser humano nesta terra nasceu e vai morrer sozinho. Um corpo frágil e quase desabitado, solidão primeva, sempre em busca do contato com outras solidões, sempre atravessado pela potencialidade da morte em cada arroubo de vitalidade, essa finitude desordenada.</p>
<p style="text-align: justify;">É com ele que sentimos o todo de estar no mundo, é por meio dele que tomamos o risco e o tornamos palavra.</p>
<p style="text-align: justify;">Para com ela dar de comer e beber a nossa memória ao amargo assustado dos dias.</p>
<p style="text-align: justify;">Medidos em xícaras de café sim, mas adoçados com a coragem do verso.</p>
<p><strong>Milena Martins Moura</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O coração nu</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Mar 2023 20:28:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">hoje as pessoas são suspeitas
como uma flor</span>

<span class="fontstyle0">
amanhã o que serão
essas vãs esperanças
em formato de carne enlatada?</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O coração se dilata, falha, pulsa, enumera. Pronto, se sintoniza, se oferece, se conecta em espírito. É simbólico, vira o mundo de cabeça para baixo, diz que sim, está e se sincroniza em corpo, faz-se ouvir. Às vezes tem muito peso, é quente, insiste, chama atenção, é andrógino e reanimado como o sexo. Neste quinto livro, Conrado é um poeta maldito. Sobrevivente do que sobrou e do que se tornou o Brasil. É na ruína de um banheiro de rodoviária em Nova Friburgo que o poeta percebe o telefone do casal que quer transar a três, apelos de suicidas escritos na parede, a sujeira e o odor que contorna todos os poemas. A baratinha imunda que caminha entre a parede de um box e a louça que um dia foi branca, que esqueceram de dar descarga, quase que imperceptível, mas está ali, se chama Bolsonaro, rasteja, peçonhenta e parasitária. Sem dúvidas, seria um sinônimo de asco em referência ao tão citado Augusto dos Anjos. O repertório do poeta friburguense atiça o leitor com suas referências do cânone brasileiro, encanta com sua poesia concreta, e a música está mais que presente para ditar a melodia em que este livro se envolve. Para esta organização de poemas, precisa-se constantemente lembrar: “quase só músculo a carne dura. É preciso morder com força”. São os versos do poema “Coração” de Eucanaã Ferraz. Tudo na poesia de Conrado Mapelle é músculo, órgão fibroso que preserva uma intensa amálgama religiosa, mística, esotérica. Não era para menos, Conrado Mapelle, além de poeta, é tarólogo, DJ e apresenta ao leitor, diferentemente dos contos de fadas, em que se pede o coração em uma caixa, uma bandeja descartável como um item de açougue que arrasta o leitor para fora de um lugar comum, um lugar entre a rejeição e o ressentimento por não conseguir ser amado. Assim, o coração que é apresentado tenta em uma cirurgia vital ramificar-se com aorta em várias outras artérias. Dói, mas o coração é o que resta da gente.</p>
<p><strong>Bruno Couto</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Nos dentes dos olhos outra fome de ver</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/nos-dentes-dos-olhos-outra-fome-de-ver</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Mar 2023 20:14:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">em cada objeto
a resoluta
cicatriz de vida</span>

<span class="fontstyle0">
com seu
resíduo
de olhar</span>

<span class="fontstyle0">
pequeno
esplendor</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A fome de ver (de Carlos Orfeu) devora a Língua e regurgita este livro, em que as coisas trocam de pele, renovando os próprios nomes (mas bem longe dos nomes próprios) em territórios de aparente desordem, mas de novas interfaces entre o ser e o estar. Os poemas são passagens de nível, oferecidos a certas operações do olhar, em que florescem novas ordens sob toda a desordem em revolta; os poemas são desovas de matéria absorvida e devolvida, em ciclos de morte e vida, numa poesia de rejeitos, dejetos, restos de naturezas-mortas, cacos aparentemente irrecuperáveis, das pequenas partes móveis do grande fractal da realidade. Para alguns, aqui talvez coubesse ao poeta (ao colar nele um rótulo de Midas) reconstruir as cenas das coisas destroçadas com alguma nobreza artificial; porém, para esses, Orfeu frustra espetacularmente as expectativas, porque não interessa a ele restaurar nada, como naquela arte japonesa de recuperar (com fios de ouro) as porcelanas espatifadas, mas, ao contrário, exaltar justamente a quebra em si, a queda existencial na qual cada caco febril exibe seu próprio brilho, cada pedaço solto do real reemerge, na festa difícil de uma nova gênese, mas absolutamente necessária à sua poética — como se os próprios ossos e fósseis trocassem de lugar com a carne, assumindo o protagonismo naquilo que entendemos por &#8220;vivo&#8221;. Na dança das belíssimas imagens que cria (sempre o butô, nunca o balé), é na zona de cinzas que os contrastes do preto e branco fazem mais sentido. Pois aqui Orfeu extrai &#8220;vida&#8221; (na Língua) justamente como um anti-Midas. Este é um banquete de formigas que, depois da fartura das migalhas e das sílabas, canibalizam-se entre si. É a revoada de aves sem asa, alheias ao céu alto, afeitas ao asfalto, mas ainda assim aladas, pela via da Palavra. Mastiguemos pois, com ele, estes poemas. Orfeu pode até ter saciado um dos olhos, mas no outro persistirá (esperemos) sempre a mesma fome de ver, com a qual — e pela qual — este volume mesmo veio a lume, sob o facho simultâneo de algo entre a luz negra e o raio-x, como se a superfície pudesse espelhar o lado de dentro: olhemos (ao lermos), saciados e com fome, ao mesmo tempo.</p>
<p><strong>Alexandre Guarnieri</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Cinza, vermelho e magenta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Mar 2023 20:08:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">a agonia mofada
guardada há décadas
se rompe</span>

<span class="fontstyle0">
a sagrada família fracassa
e a maré cheia leva embora
os retratos amarelados
de uma geração de desamor</span>

<span class="fontstyle0">
a costura desfeita
desprende o corpo desatado</span>

<span class="fontstyle0">
o mergulho leve
arranca a vazante
dos olhos cheios de liberdade
que se fecham para a correnteza levar</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span class="fontstyle0">As coisas carregam consigo um valor semântico, um significado… às vezes, mais de um sentido, porque o contexto é<br />
rico demais e não comporta em uma única experiência todas as faces de uma palavra, de uma expressão… de uma cor ou da mistura de várias delas.  Em </span><span class="fontstyle2">Cinza, vermelho e magenta</span><span class="fontstyle0">, Mozileide personifica a cidade (ou várias cidadesiguais a esta), dá voz aos que já se foram e aos que são quase invisíveis, aos que não têm como gritar… ou, se gritam, o berro soa como um sussurro. Através de uma harmoniosa sinfonia de substantivos e adjetivos, a escritora, num tom cinzamente irônico e quase eufemístico, pinta um quadro lexical no qual cada cor, cinza, vermelho e magenta, transporta ao leitor sentimentos e sensações outrora calados, mas agora em alto e bom som… dor, revolta, abandono, desrespeito, solidão, invisibilidade, ausência de proteção, de esperança.<br />
O livro é um impactante grito! Pare e escute o que ele tem a dizer. Sinta… pinte-se você também de cinza, vermelho e magenta.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="fontstyle0"><br />
</span><strong><span class="fontstyle3">Tatiana L. Costa</span></strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Corpo: animal em extinção</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Mar 2023 16:13:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Efe Godoy, Drica Ribeiro, Fernanda Cirenza, Gabi Lotaif, Gabrielle Guido, Italo Brasileiro, Irene Lucia Malpeli, Liliane Oraggio, Priscila Kerche, Tania Ralston, Tatiana Russo, Vitória Viviani

Lucila Losito [organização]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Para Guimarães Rosa amar os animais é aprendizado de humanidade. Já para Clarice Lispector, não ter nascido bicho foi sua secreta nostalgia. Donna Haraway gosta de saber-se um macaco, entre macacos, ciente de que somente 10% dos nossos genomas são considerados humanos. Para Cristine Takuá, se fôssemos criados entre leões, falaríamos a linguagem deles. Para Carlos Papá, animais e plantas são seres criativos. Em “O animal que logo sou”, Derrida sugere que animalidade é a potência de se relacionar com o outro através dos sentidos e pelo coração. Para nós, investigar a animalidade foi antes de tudo, uma aproximação com o corpo e um afrouxamento da necessidade de controle.</p>
<p style="text-align: justify;">Aqui o leitor vai encontrar os rastros de um acontecimento: este grupo heterogêneo de 12 autores/as de diferentes regiões, idades, gêneros, descendências e maturidade em relação à poesia, esteve imerso na Amazônia paraense de 11 a 20 de dezembro/21, logo após longo período de recolhimento por causa da pandemia. Entre banhos no Tapajó, caminhadas na floresta, noites sem parede, convivência com seres visíveis e invisíveis, ou mesmo rodando as saias no <em>Carimbó</em> para reencontrar a alegria, vimos uma teia se tecendo, entrelaçando medos, percepções e transcendências. Ao habitar os mistérios que a floresta nos impôs, aceitamos o desafio de inscrever um corpo dilatado, vulnerável e poroso.</p>
<p style="text-align: justify;">Antes de ser o pulmão do mundo, ouso dizer que a Amazônia é o útero e o intestino da Terra. Nos põe em contato com a ferida <em>primeva,</em> provoca ânsia, trabalho de parto, diarreia. A floresta, assim como a vida, nos oferece um escorpião cada vez maior até encararmos os nossos poemas de frente. Dormindo casulo, sonhando borboleta e acordando lagarta, movendo macaco, rolando criança, trocando o corpo-aquário pelo peixe-pássaro-pessoa, despencando cascas e habitando velhices, nos pudemos metamorfose.</p>
<p style="text-align: justify;">“Corpo, animal em extinção” convida o leitor a usar a boca como uma espécie de mão, como muitas vezes fazem os animais em busca de uma forma mais viva de sermos humanos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Lucila Losito</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Doze passos até você</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/doze-passos-ate-voce</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Mar 2023 12:27:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: left;"><span class="fontstyle0">finjo ausência num canto da sala
procuro um manto escuro
um arbusto
ouço atenta
a moto que passa e arranca na rua
sem me levar sequer um pedaço</span></p>
<p style="text-align: left;"><span class="fontstyle0">fico tonta
do giro brusco que faço
quando você toca meu ombro</span></p>
<p style="text-align: left;">(te vejo e sorrio mesmo que ainda nada).</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Ainda que bell hooks tenha alertado que amor é mais ação do que sentimento, começamos a leitura de <em>Doze Passos Até Você</em> distantes dessa compreensão. Entretanto, muito acontece quando nos permitimos sentir e olhar de frente para a impossibilidade de sermos correspondidos. E não é surpresa nos questionarmos sobre o amor romântico após anos confinados nos dando conta da precariedade das relações humanas. A solidão, mal do nosso século, é ainda mais perversa quando vivida ao lado de alguém. A palavra amor, ela mesma, tão desgastada.</p>
<p style="text-align: justify;">Para além disso, por mais bem sucedidas que sejamos, nós (as mulheres) há gerações somos treinadas para orbitar em torno de outrem. Tanto dentro dos poemas, como na vida, nos pegamos de novo e de novo fora do nosso centro. É olhando por essa perspectiva que <em>Doze Passos Até Você</em> não leva ninguém a lugar algum. Mas é também sem sair do lugar que muitas vezes damos os passos mais importantes. Vemos a perspectiva da narradora migrar da obsessão para a possibilidade de simplesmente enxergar o outro. Luciana Annunziata nos entrega o ponto de partida para um caminho novo, que se abre em infinitas direções.</p>
<p style="text-align: justify;">Experimente ouvir os poemas com o corpo, deixar-se atravessar por eles. É possível que seus ossos enxerguem o próprio deserto e suas miragens. Mas é provável também que a poesia ocupe os espaços vazios do seu corpo, revelando a possibilidade de sentir-se bem em ser vulnerável. Poema a poema, vértebra a vértebra, passo a passo, testemunhamos um amor contido e sua urgência cronometrada. A busca, a falta e a ânsia, a conta-gotas, alimentando a iminência. Mas, então, aquilo que não chegou a ser abre espaço ao que é, como é. Porque sim, também amor.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Doze passos até você</em> é um romance mínimo, escrito em poemas, sobre um amor em tempos de pandemia. A narrativa, que se forma através de um delicioso encadeamento, vai deixando cair no trajeto muitas das desilusões sobre o que julgamos saber do amor. Os mesmos objetos, antes cúmplices durante a fuga da realidade, compõem o cenário do que foi possível acontecer em presença. Terminamos a leitura de mãos dadas com o passado e, da cabeça ao corpo, percebemos escorrer aquilo que em palavras tanto nos escapa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Lucila Losito</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Muralha</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/muralha</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Mar 2023 11:57:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O mar é uma muralha a bordejar um país
é uma das teorias para ter aqui demorado

estar circunscrita a um corpo d’água e nunca
poder ir parar lá do outro lado

uma ilha, assim aprendi

é haver o mar emparedando
um pedaço de terra

que continua ali por baixo

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Essa Fernanda que agora publica o seu primeiro livro de poemas tem sobrenome de poeta brasileiro, mas desengane-se quem acha que esta poesia é apenas devedora do riquíssimo património poético do maior país da América do Sul. Quem assim proceder ficará no meio do caminho. Aqui estão presentes as pedras que Fernanda foi recolhendo no meio do seu caminho individual, mas, em vez de ficar por ali pensando nelas, ela puxou-lhes algum brilho e erigiu a sua Muralha.<br />
<em>Muralha</em> é, assim, um livro da humildade. A expressão que aqui é mais repetida pelo sujeito poético é «Não sei», sobretudo num poema longo no qual a dúvida se plasma em interrogações retóricas (que livro de poesia não é, todo ele, uma interrogação retórica, mesmo que cheio de frases declarativas?). São poemas urbanos de hoje, de alguém que vive entre baías e estuários e com um oceano pelo meio.<br />
Mas a razão primeira por que este livro deve ser lido é porque ele não pretende estar em cima do muro, apesar do título. Como todo bom livro de poesia, leva o seu leitor a pensar em que lado da <em>Muralha</em> nos devemos (ou queremos) sentar. Eu sento com ela e Blake e Fiama e Sophia e toda a “porra da literatura portuguesa” que, como ela diz, também acabou com a minha vida. Como nómadas, havemos de fazer a festa rija por cima das ruínas do nosso mundo e “explodir essa muralha/arruinar esse muro/assassinar esse verso/e isto é preciso”.</p>
<p><strong>Ricardo Marques</strong></p>
<p><span style="color: #ffffff;">Fernanda Drummond</span></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Foram talvez os anjos revoltados</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Mar 2023 17:18:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[clubbers como somos,
sentimos a temporada presente
na noite cerrada, na hora indecente,
e a vivemos sem nos preocupar com
as veredas do seu plot —

como num roteiro de hollywood
em perpétuo processo de tratamento.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Escrever é uma vastidão dormente: espaço desértico, areia contra a pele, secura na garganta, morte e abutres sob a cabeça.  O poeta caminha nesse terreno e de seus olhos arregalados a paisagem é esgarçada em vida. Felipe Julius tem essa maneira de ver atravessada pelo que não se vê.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Foram talvez os anjos revoltados</em>, está repleto da dissonância dos grandes livros, são acordes desencontrados, intervalos aumentados e diminutos se completando numa voz melódica, harmonioso. Falamos aqui da arte do contraponto Bach, da polifonia de Villa Lobos, do cruel Artaud, do absurdo de Beckett, das imagens derretidas de Piva.</p>
<p style="text-align: justify;">A pergunta feita em nossas caras:  <em>preservar a tradição/é realmente mais importante</em>/<em>do que investir na singularidade? </em>Creio que não, melhor ver Mallarmé pichado num muro, uma sinfonia tocada numa gaita de camelô e as praças sendo transformadas em hortas públicas.</p>
<p style="text-align: justify;">Os <em>marketplaces</em>, a inconsciência admitida, o suco do capitalismo e a pachorra de nenhuma caridade a nos elucidar. Todos nós ignoramos em algum grau a realidade que nos permeia, mas este livro não é piedoso, é baque de fuzil, britadeira dentro dos ouvidos, mãos amarradas do faminto numa mesa farta. “Sejam bem-vindos”, se anuncia na entrada, mas só poderá comer quem perpassa os pratos vazios com a imaginação e encontra neles o banquete farto. Apesar do deboche, da vicissitude, terminar-se-á em exaltação.</p>
<p style="text-align: justify;">Houve um debate muito intenso nos últimos anos sobre a ideia de que a poesia contemporânea, embora extremamente diversa, tinha como prevaleça certa sisudez, hermetismo e um tom de diário autocentrado. Até o defunto de Fernando Pessoa foi trazido de volta para corroborar com a tese e ainda puxaram do além, como séquito funesto, mais meia dúzias de escritores que, segundo o dito pelo maldito, sabiam desde épocas imemoriais ser muito mais difícil se arriscar nas artes das letras depois do poeta sebastianista.</p>
<p style="text-align: justify;">Com o devido respeito a opinião alheia e as múltiplas experiências passíveis na existência, é compreensível que nem todo mundo entenda a magnitude do lirismo contido na imagem pagã de uma mamada abaixo da escada rolante do shopping, ambiente asséptico feito para ser revertido nas ruínas do que é a beleza.</p>
<p style="text-align: justify;">Aqui, nesta obra, há materialidade em forma de anjos cosendo nas velhas nuvens, contradizendo o conceito econômico, executando o maior dos crimes: inverter os valores preconcebidos e, numa alquimia, tomar o conforto de assalto e produzir uma estética do desconforto para repousarmos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Tiago Fabris Rendelli</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Preciso de outro cérebro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Mar 2023 15:42:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[fotografias de Wladimir Vaz

Consegui ligar o computador,
a rede já está acessível.
Ontem engoli duas entradas USB,
um cabo áudio,
duas bananas de aparelhagem
e o abecedário completo
do teclado de telemóvel.
Hoje é dia 10.
Procuro, ao acordar,
o meu fio umbilical eléctrico.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>No dia 12 caguei um chapéu,<br />
não sei se o hei-de<br />
usar na cabeça ou no cu.<br />
No dia 13 escrevo um poema,<br />
não sei se o hei-de publicar<br />
ou limpar-lhe o cu.<br />
Dá-me a tua opinião<br />
em cu@poema.pt</p>
<p><span style="color: #ffffff;">elisa scarpa</span></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Grãos: poemas de lembrar a infância</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/graos-poemas-de-lembrar-a-infancia</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Mar 2023 13:00:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: left;"><span class="fontstyle0">a filha é bela, a vida é difícil, o país é difícil ,
a filha ri nos anos da infância.</span></p>
o salário é baixo
a filha é bela
a vida nem tanto.

o mar está longe, o gozo está longe
o dia pesou no corpo inteiro e exige o sono
a vida exige o sangue
mas a filha é bela, rimos com ela
enquanto a comida na mesa espera
enquanto a vida lá fora é fera.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span class="fontstyle0">A boa melancolia</span></p>
<p>As memórias infância-juventude impressas neste livro são habilmente mescladas por uma visão retroativa e prospectiva da autora. Lá estão fundidas duas visões infantis — uma sob o ângulo de alguém enquanto criança, embora não mais criança; outra, a criança ainda criança. Logo no início do livro, quase que como um código a ser memorizado, a autora se situa claramente dentro do seu passado: “estou de azul no primeiro/degrau da escada olhando/as frutas verdes. as frutas/quietas respiram. encosto/a boca no seu rosto/adormecido e constato/a textura de pêssego, manga/maçã”. E assim também se situará o leitor como espectador de vidas que começarão a se desenrolar dentro da “narrativa” dos poemas. Pois o livro é quase uma novela em poesia, possui sequências narrativas. É isso que torna <span class="fontstyle2">Grãos </span><span class="fontstyle0">um livro melancolicamente doce, nos conduzindo todo ele ao repouso.<br />
</span><span class="fontstyle3"><br />
<strong>Joyce Cavalcante</strong><br />
</span><em><span class="fontstyle0">em </span></em><span class="fontstyle2"><em>Livros</em> <em>em Debate</em></span><span class="fontstyle0"><em>,</em> jornal O Escritor, UBE/SP. <span style="color: #ffffff;">Ieda</span><br />
Romancista, contista e conferencista, autora de </span><em><span class="fontstyle2">O Cão Chupando Manga</span></em><span class="fontstyle0">, </span><span class="fontstyle2"><em>O Discurso da Mulher Absurda</em> </span><span class="fontstyle0">e </span><em><span class="fontstyle2">Noites Masculinas</span></em><span class="fontstyle0">, entre outros <span style="color: #ffffff;">Ieda Estergilda de Abreu</span></span></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Descolonizar o sujeito poético</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Mar 2023 14:56:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Às vezes o naufrágio —
colisão sem fronteira entre os corpos —
meu lugar de repouso ausente
da cronologia semântica do texto.
Creio nas almas
fruto das coordenadas consequentes
de um infortúnio naval qualquer
destroços das profundezas
tesouros à superfície do meu olhar

quando eu nasci, em tempos,
só o mar sei amar

(Naufrágio, página 17)

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Descolonizar é preciso.<br />
Sara Duarte Brandão — “sou um frágil desencontro entre o corpo e a palavra” — proporciona-nos neste seu lucipotente livro uma lenta e incendiária viagem no mar alcandorado da Palavra, esse animal indomável.<br />
(Bem sabe Sara que são sempre as palavras que vencem, resistindo ao silêncio, à distância, ao tempo e à ausência.)<br />
Viagem fecunda, sem métrica, sempre com a madrugada a vigiar-nos os impulsos, a colocar a mão no cachaço da Vida, essa coisa sem solução.<br />
Sara Brandão também sabe que o acto de escrita é um gesto de resistência, de sublevação.<br />
Sara encostou uma metáfora à garganta do poema, e a Poesia (a Vida?), rendida, vai-lhe dando tudo o que ela quer: Amor, Sonho, Liberdade.<br />
Interroga a poeta: “Com quantos cravos se liberta uma mulher?”.<br />
Sara cheira bem, cheira a liberdade, e, já sabemos, quanto mais livre, mais perigosa.<br />
Ler Sara Brandão é aceitar e compreender que há um espaço dentro do Homem onde a liberdade é livre.<br />
“Do cadáver de um homem que morre livre pode sair acentuado mau cheiro — nunca sairá um escravo.” — exulta Cesariny.<br />
Sara Brandão consegue neste livro aquilo que é mais difícil para um jovem poeta: conquistar um estilo, conquistar uma voz própria.<br />
A Sara já tem o mundo debaixo da língua.<br />
<em>Descolonizar o sujeito poético</em> é um livro comovente, eivado de autenticidade, de limpeza verbal, de te(n)são poética.<br />
É um livro líquido, contundente, com humor certeiro, impróprio para manteigueiros, sacristas e convertidos ao império do tédio.<br />
Definitivamente: a Sara escreve para quem a sabe ler.<br />
Escrever é um acto libertador, mas pressupõe a descida aos infernos.<br />
“A estrada que conduz ao céu passa pelo inferno”, ensina-nos Henry Miller.<br />
Sara Brandão é decisivamente “um caminheiro do céu”, em trânsito para Elsinore, em hora de ponta e mola.<br />
Roubem <em>Descolonizar o sujeito poético</em> numa livraria junto ao vosso coração. Ruminem a obra, de trás para a frente. Encontrarão sempre um livro novo, cada vez mais vertiginoso, mais desenfreado.<br />
A alma é a arma secreta da Sara Brandão. Com ela aprenderão a deixar “o verso a cerejar”.<br />
Fico refém do batimento cardíaco deste livro “exquisito”, um livro onde nos arriscamos a perder o pé a cada página folheada.</p>
<p><strong>João Gesta</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Giz</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/giz</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Mar 2023 14:44:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[prefácio por Emicida

Pantera negra prende
a verdade entre as garras,
afia a História com os dentes.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Mário Quintana dizia que poesia é insatisfação. Afinal de contas, um poeta satisfeito não satisfaz. Lendo Gisela Casimiro, fico pensando nessa insatisfação, que ela partilha com o velho Mário, e em seu poder de nos manter em movimento. Movimento é vida.</p>
<p><strong>Emicida</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Descolônias</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/descolonias</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Mar 2023 12:49:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ilustrado por <a href="https://editoraurutau.com/autor/nelson-sebastiao">Nelson Sebastião</a>

O mais é assombro,
posse, prece, prumo e peste
e a tabatinga
toda acesa nesse agreste.
Foi a poeira
meu oráculo tardio
que não renego
e por toda parte o escombro
e a ribanceira
até onde alcançam as vistas.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Desde <em>Nverso</em> [2020] vimos despontar a poesia de Thiago Hoshino, e pareceu óbvio que de seu percurso brilhante um dia iria emergir esses versos com a força com a qual Hoshino dedica-se sempre à vida. A vida aqui, entenda-se, como uma soma de re-vivências que se apresentam no dia a dia como sensibilidade e potência em processo, para saudar a existência, para recriar a experiência do tempo, que em seus poemas ele ressignifica.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Cada traço-caminho abrange /um mapa de andarilhar/</em>e esse mapa é o modo com que Thiago Hoshino andarilha por esse tempo. Caminho-memória, dádiva e gratidão que se desenlinham da própria história que o cerca, mapa riscado pela presença ancestral de casas, árvores, seres mágicos, folhas, pessoas. A ancestralidade jorra de um futuro que se desenha no passado, e é nesse passado que a poesia de Thiago engendra sons, aromas, cantos, vozes e cores. A recorrência à ideia de alma antiga, <em>alma mater</em> primordial, alimenta a poesia de Thiago.</p>
<p style="text-align: justify;">Aqui, agora, com <em>Descolônias,</em> iluminado pelos desenhos de Nelson Sebastião, o tempo se arvora nessa ancestralidade: <em>Naquele tempo/nem sequer havia galos/</em> <em>para as manhãs,/nem para coser venturas/as tecelãs./</em>nesse desfiar contínuo e silencioso, para em seguida jorrar em vozes femininas e míticas: <em>Nossos acordes/são a voz das lavadeiras/e das sereias.</em> A visão se espraia em todas as direções, o horizonte se mostra próximo e as vozes de um infindável tempo sussurram: <em>Foi a poeira/meu oráculo tardio/que não renego/e por toda parte o escombro/e a ribanceira/até onde alcançam as vistas.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Quanto a nós, leitores, nos aproximamos, cúmplices que nos tornamos. E o mais é exatamente a cumplicidade desse mergulho profundo na poesia de Thiago Hoshino.</p>
<p><strong>Jussara Salazar</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Blues do homem contra o sol</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/blues-do-homem-contra-o-sol</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Mar 2023 13:50:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[grande era o pé de abóbora
bonito era o pé de abóbora

rama em cima de rama
flor em cima de flor

só tinha um defeito:
nasceu no lixão da cidade]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Os carcarás estão desnutridos. Deus e o Diabo foram embora da Terra do Sol e se esqueceram dela. Globalizaram o sertão do sertanejo, e ele já não consegue morar em lugar nenhum sem viver contrariado. É nesta atmosfera insólita que este <em>blues</em> se desenha. É a partir do delírio causado pelo <em>sol</em> na cabeça que nasce cada poema escrito por Aliedson Lima. E aqui falo de um poeta que abraça “fraternalmente o absurdo/nosso de cada esquina”, tecendo versos “sobre o rinoceronte enclausurado que ataca as grades do meu peito”. Do nosso peito.</p>
<p style="text-align: justify;">Não há mais tempo para a poesia. Eu sei disso, o leitor que tem esta obra em mãos provavelmente já alimenta uma ideia parecida, mas o poeta jamais pode abrir mão do seu delírio em prol da realidade. Afinal, é a alucinada vontade de se agarrar à poesia, quando tudo parece se aproximar de um fim, o que o move adiante. Esteja ele desafiando a Deus ou sucumbindo ao poema com “a navalha nos dentes”, como “alguém que desaprendeu a chorar/e que sorri pra alimentar a desesperança”.</p>
<p style="text-align: justify;">Por falar em Deus, ao ler Aliedson, podemos nos perguntar se Ele existe mesmo ou se é apenas um primoroso recurso literário. Percorrendo as suas linhas, refletimos sobre a possibilidade de a literatura universal ser encontrada no meio do mato, sorrimos diante do amor inocente e até nos questionamos, vez ou outra, se a literatura regional pode existir em centros urbanos. É provável que terminemos a leitura quase sempre sem respostas, mas não é para encontrar respostas que lemos poesia.</p>
<p style="text-align: justify;">Aliás, para que lemos um poema? Para que “não esperemos mais pelo tempo”? Para que possamos não mais respirar pela boca? Eu sinceramente não sei. E é por isso que continuo a ler este <em>blues do homem contra o sol</em> mesmo quando ele está longe de mim.</p>
<p><strong>Matheus Peleteiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Amarelo desordem</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/amarelo-desordem</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Mar 2023 20:23:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[É hora de regressar
ao templo,
à pornificação de si,
à instância do sagrado.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O cinema de Hugo Katsuo começa aqui, com palavras, pactos, acordos. O nosso cinema começa com essa alvura que reflete radicalmente a nossa posição em relação aos quadros, às câmeras, aos olhares. E sabemos que os olhares nos fitam. Daqui tentamos desenhar o mapa do lugar. Fora da linguagem, o cinema de Katsuo nos obriga a lê-lo novamente, “com menos altivez/e mais atento”, nos lembrando dos versos mestres de Hilda Hilst que guiam, também, este <em>Amarelo desordem</em>.</p>
<p>Este cinema nos lembra da violência do <em>gaze</em>, que evidencia que “o erótico em disputa” ainda é um “território a ser colonizado”, uma diferença a ser consumida. Por isso <em>amarelo</em>, por isso <em>desordem</em>. Adentrar este espaço, habitar a contradição e afirmar pactos de silêncio e de recusa. Tudo aqui se dá na dimensão limítrofe da linguagem com o real. Tudo aqui é um relato visível, mas não público.</p>
<p>Em termos de estrutura, <em>Amarelo desordem</em> nos conduz por dois caminhos. De começo, “Pós-pornô” nos convoca a habitar o pacto da transparência e da espectatorialidade, a fim de dar a ver “uma chuva que nos/separa”, mesmo que ainda não esteja a chover. Há aqui também as inegáveis marcas de um desejo, da presença de Gabriel, de uma tentativa de dissolução de si no outro. No entanto, o “fora da linguagem” de Katsuo nos coloca um desafio: precisamos confiar no oculto, no que não se diz nesses poemas, mas ainda se faz presente. Afinal, há tantas formas de dizer que “todo filme é constituído de/ausências”.</p>
<p><em>Amarelo desordem</em> “desafia a semelhança”, “recusa a transparência”… tudo aqui é um grito. E com esse grito começa o (nosso) cinema. Não em uma sala, mas no movimento de imagens que recusam a aparição para que não caiam em armadilhas, como aquelas armadas pelo(s) Gabriel(éis) de Katsuo. Tudo aqui é uma previsão do futuro: “amanhã sonhei contigo/e te encontrava inteiro”. Em <em>Cinema 2</em>, Gilles Deleuze afirma que o poder do cinema moderno é restaurar nossa fé no mundo. Restaurar a fé é restaurar o sentido, a relação, ativar o processo. É se permitir habitar o espaço do futuro fugidio, porém anterior, de <em>Amarelo desordem</em>.</p>
<p><strong>Viníciux da Silva</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Meia lua ou meia laranja?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Mar 2023 12:05:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Duas esferas.
Dois círculos.
duas esferas mais pequenas,
progressivamente escurecendo,
à medida que te aproximas.

De natureza lípidica,
montanhas lúbricas
que sobressaem,
funcionais e taxonómicas.

...

<strong>[Duas esferas, uma linha, página 57]</strong>

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O presente livro é a segunda publicação não científica da autora. Engana-se quem achar que possa parecer um livro “normal”. Não o é. É um livro que vem apetrechado. Quem consiga sintonizar- se na frequência certa, não só ouvirá um ukulele de maneira persistente a acompanhar os textos, senão que verá surgir, a poucos palmos do nariz, a figura de uma marioneta a recitá-los, com um pontual a dois terços, mais por trás do que pela frente. A partir daí, é um espectáculo sinestésico que se desata. Começa com uma sensação aveludada na boca, um zumbido persistente nos ouvidos e um tac-a-tac, tac-a-tac, tac- -a-tac cada vez mais grave que vai dando lugar ao som da terra a abrir-se num precipício.</p>
<p><strong>Mário Gomes</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Poemas verdes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 04 Mar 2023 15:30:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Mas, uma vez visto
o céu estrelado
e o imenso em suspense
e a janela que grita
de fresta
em
fresta:

criação

A janela anuncia
os tempos
e toda a gente
a história.

(Socialismo, página 48)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Este livro de verdes poemas e poemas verdes traz com ele um segredo, segredo carregado dentro de um peito cujo calor transita entre duas metrópoles, São Paulo e o Porto, e que convoca o leitor a desvendá-lo.<br />
A voz poética, firme e sutil, é a grande entrega da autora, que oferece em seu primeiro livro aquilo que ela, pessoalmente, tem de melhor e mais valoroso: o seu existir e a sua forma de olhar as coisas intangíveis, deixando fluir as fragilidades do desconforto mas a beleza incontestável da existência.<br />
Como autora, carrega consigo a sacola da vida. Bióloga, educadora popular, pode ser generosa, paciente, didática ou jogar as bombas no front, quando é preciso. Por isso, empresta à sua poética a sapiência de quem conhece todas as formas de confronto, de quem sabe que guerra se faz com flores e coquetéis molotov, com pão e com poemas; e escreve verde porque verde é, e escreve para tornar verde aquilo que sempre o foi, mas deixou de ser, porque foi desfeito o verde que lá estava.<br />
Nas três fases do livro, os poemas seguem em estado de encanto, e sente-se em cada um deles a experiência vivente do planeta nas suas mais diversas — e sublimes — formas. A poética passeia tingindo tudo de verde. Esverdeia a cidade, a luz e a escuridão, deixa verde a justiça, o minhocão de São Paulo e a gentrificação.<br />
Ao tornar verdes as coisas, ela enaltece a sabedoria do sutil, o conhecimento popular de saber ser, apenas ser, na metrópole, enquanto em apneia batalha-se contra forças invisíveis.<br />
Dois países, o oceano, o trabalhador na sua estação, que é sempre o trabalhador em sua estação, em qualquer país, o amor e sua grande delicadeza, uma carta ou uma receita em que cabe a flor, a pedra, a montanha, a areia, a água e o sangue, a compostagem da própria vida, o extraordinário que só o ordinário pode nos dar, tudo isso são pistas para que o leitor acesse esse segredo e a pergunta que persiste: “qual o lugar do segredo na terra dos homens?”.<br />
A resposta nunca é dada, mas é.<br />
Basta deixar-se ser olhos e ouvidos dos Poemas verdes para encontrá-la.</p>
<p><strong>Manuella Bezerra de Melo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Os dias ou os dentes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Mar 2023 12:00:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Celebramos a distância
como se não pudéssemos escolher entre
o prazer de estar perto e a beleza
dos quilômetros.
Não sabemos mesmo escolher.
Colocamos nossos corpos
decididos frente a frente
dez mil quilômetros entre eles. Imantados
nossos corpos são capazes
de alinhar-se mas não correm
um em direção
ao outro.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Houve um tempo em que eu lia os poemas de Eliza como se eles fossem pequenos romances, caçando personagens, tramas, enredos. Quase vinte anos depois, descubro que, enquanto eu caçava a história, Eliza sempre caçou o poema: <em>essa coisa imensa. </em>Na sua poesia, “a palavra é um animal que dorme com fome”<em>. </em>A partir desses objetos vibráteis, ela cria uma composição extraordinariamente complexa, feita de materiais heterogêneos e dispersos: os dias, os pés, a escrita, a cidade, o amor, a eletricidade, a família, a fumaça, os dentes, a casa, os pratos, a comida, o cachorro, alguém, um trovão.</p>
<p style="text-align: justify;">Gosto de pensar que Eliza escreve o paradoxo. Nos seus poemas, esse procedimento pode ser observado <em>no ponto exato onde os contrários se tocam</em>.  Escrever o paradoxo é habitar a linguagem de outro modo, trocando as coisas de lugar, desencaixando palavra e sentido, expectativa e intenção. Nessa artesania com as palavras, Eliza produz <em>a rachadura necessária</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez a essência do paradoxo seja provocar certa perturbação — como a imagem de uma rachadura necessária. Algumas dessas perturbações, presentes em <em>Os dias ou os dentes, </em>são incrivelmente sedutoras outras me provocam desassossego, curiosidade, não sei dizer.</p>
<p style="text-align: justify;">Imagine seios que dão de comer às mãos. Imagine uma língua grudada numa panela quente. Imagine uma casa com febre. Imagine uma pergunta que nenhuma lâmpada incandescente é capaz de responder. Imagine um poema com raiva entre os dentes.  Imagine um paradoxo.</p>
<p style="text-align: justify;">O movimento dos poemas cria um inventário de imagens que intensificam essa noção. O paradoxo como figura daquilo que só podemos expressar — e mesmo assim parcialmente — a partir de certa confusão ou de um certo desafio que se faz à linguagem.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa coleção de paradoxos está presente desde seu primeiro livro <em>O caderno das inviabilidades</em> (editora Urutau, 2017), criando uma espécie de eco entre as duas obras e consolidando Eliza Caetano como uma das vozes mais singulares no cenário da poesia contemporânea brasileira pela ousadia de não se submeter a nenhum tipo de regra ou modelo poético. Ao abrir um atalho próprio dentro da poesia, Eliza nos convida a ver, pensar e sentir a linguagem a partir desse objeto meio mágico/meio trágico que é o poema.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Flávia Péret</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>A curva infinita</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-curva-infinita</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Mar 2023 11:13:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[estou, estivesse esta noite pronta para receber a água, o
sonho, o corpo, o espírito de algo que nasce a partir do
meu corpo, receber o parto, o gesto de partilha, o verbo,
tenho tido no entanto sonhos de águas que correm entre
as minhas pernas e descem pelo ralo, que brotam
e criam desertos sobre a cama seca, o frio seco do
vento que entra pela janela, a planta que coloquei
no canto e que deposita sobre a campa perguntas
sobre o frio que a lâmpada incandescente
não será capaz de responder.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Ilustração de Julia Panadé</p>
<p><a href="https://editoraurutau.com/wp-content/uploads/2023/01/ilustra-1.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone wp-image-15653" src="https://editoraurutau.com/wp-content/uploads/2023/01/ilustra-1-205x300.jpg" alt="" width="400" height="586" /></a></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Pés pequenos pra tanto corpo [2ª edição]</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/pes-pequenos-pra-tanto-corpo-2a-edicao</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Mar 2023 10:39:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Não sei se mudei multipliquei
se subtraí alguma eu de mim
se me somei posso ter inflado
ou esvaziado mas já não sou
mais ela aquela magrela tagarela
insegura gazela cheirando a mar
não sei se alcancei aquela moça
que desenhei ou se nesse projeto
fui vitoriosa ou me equivoquei
alcei voo depois posei em cima
da fiação eletrifiquei morri feito
urubu malcriado ou burro ou tonto
pensando ser subversivo mudou tanto
tanta coisa mas manteve o velho hábito

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Toda a poesia repete o ato alucinado de uma pergunta, de múltiplas perguntas, de uma busca em direção a um lugar nenhum que nos corrói. Dito isto, lembro-me de um amigo me contar que, ao ler um poema, corava e ficava perplexo, sem saber o que fazer, incapaz de repetir o poema alto. Assim me sinto também. Falar sobre a poesia da Manuella é um exercício que sei nunca ser capaz de cumprir. Suas perguntas são suas, sua busca algo que me escapará sempre. Detive-me por isso nas palavras, lugares palpáveis deste livro e são essas que gostava de partilhar convosco. Alguns versos que me ofereceram um lugar parado no tempo, o colapso dos ruídos à minha volta, o esquecer de minha própria consciência que parece nunca querer dormir. Espero que vos possam oferecer algo de semelhante. É muito.</p>
<p align="justify"><i>pés pequenos para tanto corpo.</i></p>
<p align="justify"><i>São elas, as moscas, que chegaram pra anunciar a primavera</i></p>
<p align="justify"><i>corpo caminho, porém morto e descompensadamente torto embora vivo</i></p>
<p align="justify"><i>mas mesmo/ queria ser laranja de/ pomar ou chuchu na / serra que dá aos montes o ano inteiro</i></p>
<p align="justify"><i>de cada caco varrido da tua vida em mil; / foi golpe</i></p>
<p align="justify"><i>Enquanto me cobram hojes, passo com o carro / na frente dos bois</i></p>
<p align="justify"><i>Ah, Renata! Eras tão clara ou mascarada / sob teus telhados de vidro estilhaçados? / Salve, Renata. Salva-te!</i></p>
<p align="justify"><i>serpentes de todas espécimes / humanas dormem nas árvores que também cochilam / aproveitando o vento da tarde;</i></p>
<p align="justify"><i>os outros são somente / onde eu gostaria de morar / pra não ter que morar em mim</i></p>
<p align="justify"><i>morreu ainda com vida / e embora tenha vivido quarenta anos / Já nascera morta</i></p>
<p align="justify"><i>Coração que pousa / no marfim elefante / dribla a morte</i></p>
<p align="justify"><strong>Judite Canha Fernandes</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Legado miserável</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/legado-miseravel</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Mar 2023 22:07:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[meu nascimento
lição primeira:
não se pode ter tudo
mamãe queria uma menina.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Legado miserável</em>, primeiro livro de poemas de Ues Batista, é um presente em forma de objeto-livro em que o escritor nos pega pela mão e vai nos mostrando as palavras que herdou da vida e como as ressignifica em seu fazer poético.</p>
<p style="text-align: justify;">Dialogando em vários momentos com a religiosidade, desde a Bíblia sagrada, e até mesmo no título de alguns poemas como “Gênesis”, “Confissão” e “Deus perturba quem cedo madruga”, estamos diante do caminho percorrido pelo poeta desde sua infância, na garupa da bicicleta do pai, até sua maturidade, nos encontros afetivos com outros homens. Entretanto, Ues não blasfema. Conversa com Adélia Prado para abrir caminhos e se conecta com poetas próximos, como Suene Honorato e Atílio Bergamini. Mais uma vez o aviso, não se engane. O poeta nos escapa todo o tempo e não se deixa ser classificado facilmente. Entre seus textos há declarações de amor, denúncia de desigualdade social, relato de desejo, memória de infância, mas todos os temas são permeados por uma linha em comum: é como se o tempo todo existisse o apelo a um Deus. Não um Deus inventado e que tem sido usado de forma deturpada, mas um ser maior do que o poeta e que, além de inspirá-lo, é chamado à responsabilidade diante das injustiças do mundo.<br />
No poema “Confissão”, a voz do poeta, menino crescendo, cheio de questionamentos sobre si, sobre o mundo, interpela esse Deus: por que não?/pergunto a Deus/&#8230; não me ouve. O poema subverte o título. Se, em geral, a confissão dos pecados é um momento íntimo com um líder religioso e o recebimento das penitências para expiação da culpa, este eu lírico é um inconformado, literalmente, que não se deixa caber na forma e questiona um Deus que não responde às suas demandas. Ao fazer esse diálogo, Ues Batista não se coloca à altura de um ser superior; ao contrário, humaniza esse ser divino, transforma-o em uma pessoa com quem pode conversar e pedir as respostas por que tanto anseia. Não há sacralização de um ser superior, há somente a poesia.</p>
<p style="text-align: justify;">E é justamente o fazer poético que também tem vez em alguns poemas do livro. Dessa vez, o eu lírico, como um médico tradicional, repara, ampara, sutura, cura pa-lavras e, ao conectá-las, mostra ouvido atento e olhar apurado para convocar o que transborda em sua pele e, em seguida, cortar o que sobra em seu texto. Esse é o fazer cirúrgico de uma tradição de poetas que se propõem todos os dias a curar a si e a outros corpos que gritam por um lugar neste mundo. E Ues Batista, atento, segue inaugurando caminhos.</p>
<p style="text-align: justify;">
<strong>Valéria Lourenço</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Os grilos também sabem voar</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/os-grilos-tambem-sabem-voar</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Feb 2023 16:35:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[É pena que nossas vidas
sejam tão breves, tão cheias
de problemas, que corramos
contra o tempo, contra os grãos
da ampulheta, contra táxis,
ônibus, motos... É pena.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A literatura de temática rural, que legou alguns dos clássicos mais decisivos de nossa prosa, também teve grande relevância na poesia, através de nomes como Manoel de Barros, Cora Coralina, Adélia Prado, Leonardo Fróes etc. Nos dias de hoje, porém, tal literatura costuma ser pouco cultivada em comparação com o passado. Por isso mesmo, nomes como Rafael de Souza são fundamentais para a continuidade da tradição.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta coletânea que o leitor tem em mãos — a quarta de um autor com menos de 30 anos de idade — é a demonstração de um talento ainda a ser descoberto. Mas não pense o leitor que aqui vai se deparar, exclusivamente, com poemas sobre a natureza. Não; em Os grilos também sabem voar, Rafael vai muito além. A memória parece ligar-se ao amor,<br />
o qual se liga à morte, formando um quadro com as temáticas centrais da maioria dos poemas. A divisão em duas partes do livro (Os vaga-lumes da aurora e As andorinhas do inverno) também revela muito desse mundo ao mesmo tempo insólito e paradoxal, elegante e sutil.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos versos que enquadram desde a forma livre (como em “Sobreplanos”, poema que abre o livro) até o tradicional soneto (a exemplo de “À poeta do Rio”, notável homenagem a Cecília Meireles) e a retranca — forma poética inventada pelo também pernambucano Alberto da Cunha Melo —, o autor parece traduzir sensações por ele sentidas durante a infância, sob as mangueiras e juazeiros de sua terra natal; ou, já mais maduro, quando se deixava abstrair pela leitura de Drummond, Bandeira, Dickinson e Pessoa.</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, nota-se em cada verso o cuidado de um poeta atento, que se deixou embeber na fonte de clássicos do passado e do presente. Por fim, resta a certeza de que o leitor sairá deste livro como quem, após anos, passa uns dias distante da cidade. E, ao encontro de um eu perdido em face da tecnologia viciante e do frenético clima urbano, se depara com o voo insólito dos grilos ao pé de uma calçada no interior de Pernambuco.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Pedro Júlio Camargo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Centelha</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/centelha</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Feb 2023 15:31:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Acaba com a minha voz,
começa com o meu corpo inteiro.
Vi nas nuvens, estava escrito, há muito tempo.
Há muito tempo.
Nada começa — já tudo mudou, e não há um fim.
Só o nosso rídiculo de que eu tanto gosto,
e as nossas asneiras, os nossos disparates.
O ar sério que pomos quando estamos irritados
e a nossa maneira triste de brincar às guerras e às cidades,
aos amantes, exactamente como perguntam os rapazes.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Esta <em>Centelha</em> que o leitor tem em mãos abarca dois tempos, situados nos dois extremos do sonho do desterro. O primeiro ciclo de poemas, de ‘Acaba com minha voz’ a ‘Bloco de notas’, escrito entre 2002 e 2008 aproximadamente, prenuncia a partida da autora para o Brasil, onde viveria por cerca de sete anos e se dedicaria à realização de uma obra cinematográfica documental de profunda delicadeza e engajamento. Somam-se a esses os poemas escritos após seu regresso a Portugal, em 2017, por ocasião de uma residência literária no Teatro do Silêncio, em Carnide. Entre esses dois tempos reunidos, a fricção de que nasce a Centelha, título de um de seus poemas mais recentes.<br />
“Acaba com minha voz, começa com meu corpo inteiro”. Esse impactante verso de abertura desata uma das forças motrizes do livro, um ímpeto para a dissolução que se revela ora nessa súplica a um outro, ora na negociação com certa violência simbólica, ora no explícito desejo de fuga da paisagem familiar, num movimento de aura rimbaudiana como lemos em ‘Sentamo-nos lá fora?’: “Quero ir para lá das ruas. Negociar o preço da minha sorte./ Pôr-me num navio para navegar à deriva”. Conforme o desejo avança, esse sujeito cindido vai se metamorfoseando, como no quimérico autorretrato de ‘A inspiração?’: “Eu sou uma ave./ Tenho as costelas de uma vaca./ Os olhos de todos os animais.” Em ‘Daqui a nada’, refulge por fim o ansiado verão perene no horizonte da partida: “Eu tenho planícies a perder de vista/ dentro de mim um riso perdido sabe/ que há um sol inominável que me guarda o corpo.” O corpo, novamente o corpo, ambígua morada que avança pelo caminho sazonal dos pássaros.<br />
Não à toa a intensa carga erótica de alguns poemas, que resvala num desejo de agarrar-se à impermanência, de gargalhar frente à erosão perpétua do todo-poderoso teatro das nações, como nestes belos versos de ‘Para que as mães se sobressaltem’: “A vida é para nós uma torrente de sais / sob um manancial de armas.” Ou, também, em ‘Acaba com a minha voz’, onde esse jargão enleia o jogo mais íntimo: “Só o nosso ridículo de que eu tanto gosto (&#8230;) e a nossa maneira triste de brincar às guerras e às cidades.” Na alcova, afinal, vinga-se a angústia e a desesperança.<br />
Com seus versos livres carregados de mapas, direções, instantâneos de vidas alheias, objetos cotidianos alçados a símbolos, manchetes corrompidas, paixões inebriantes e vagalhões imaginários, esta <em>Centelha</em> de Rita Brás é uma viagem vertiginosa aos cantões da epifania, onde se descobre que partir é também regressar, e que nem mesmo a paisagem mais arraigada ou os olhos do amor podem permanecer a salvo das incessantes transformações a que nos entregamos na imensa aventura da descoberta de si.</p>
<p><strong>Camila de Moura</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Pingos de sangue não alimentam ninguém</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/pingos-de-sangue-nao-alimentam-ninguem</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Feb 2023 14:04:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[mulheres com o filho no braço

nunca ficando cansadas

balanceando trabalho e maternidade

mães solo mesmo com um marido do lado.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Este livro é para quem sabe desfrutar do lado doce e amargo da poesia. Pingos de sangue não alimentam ninguém ecoa o que de mais profundo há nos anseios do povo brasileiro que lê, e sente o que está acontecendo ao seu redor. Sempre com uma escrita crua, Beatrice traz na simplicidade de seus textos muita potência. É dessa fonte que ela bebe<br />
e deixa derramar em suas linhas. Não é um livro para qualquer leitor, porque ela nunca foi qualquer escritora. Guardem esse nome.</p>
<p style="text-align: justify;">
Ruthe Maciel</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Txaiuirá</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Feb 2023 14:04:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Chanduca acesa parecendo estrela
punho de rede teu punho no tambor
chão de terra cheio de tempo
sereno.
peço e rogo, jurema
os pés do pajé são pingos de chuva.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Jorgeana Braga atravessa uma floresta para escrever este livro de pouco mais de 80 poemas. Parece um bicho, uma árvore, uma semente, um rio, uma flor, uma canoa. Ela também ocupa terreiros e quintais sagrados, abrindo clareiras e claridades onde dança com seus versos entre raízes e trovões, pétalas e vertigens. Em um momento está no meio de um tambor de crioula. Em lugar de rimas e dodecassílabos, pungadas, batuques e toadas. Com seu caboclo no peito, Jorgeana se aproxima ainda de uma etnia para pedir a bênção ao pajé. Em lugar de aliterações e paronomásias gratuitas, passagens comoventes transformadas e celebradas neste grande ritual de vivências de corpo e alma: <em>TxaiUirá</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">“Como uma borboleta que voa para dentro da terra” numa “tarde laranjeira”, a poeta nos apresenta versos delicados. Muitos deles se enquadram, por exemplo, nas vivências poéticas de Leonardo Fróes, ou dialogam com a última fase de Reuben da Rocha, artistas-poetas que caminham pelo mundo, se confundindo, cada um à sua maneira, com a ânima da natureza. Há também em <em>TxaiUirá</em> algo da ambiência telúrica de Regina Colônia, do belo <em>Sumaimana,</em> além das paisagens-pinturas dos haicais japoneses que tanto nos encantam e nos cobrem de sabedoria. Jorgeana Braga sabe que toda essa intensa ancestralidade trazida para o cotidiano não salvará o mundo, mas sem ela a vida parece não ter sentido.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais que comentar este livro, é urgente lê-lo e relê-lo, como que refazendo a caminhada da poeta, do primeiro ao último poema, sem se prender ao começo e ao fim, já que o último é também o primeiro e vice-versa. Como um mantra sagrado costurando seus véus e nuvens, em que chão e céu se confundem na mesma luz e sombra, sol e lua, aurora e crepúsculo.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>TxaiUirá</em> é um reencontro, um ritual. Estamos todos ao redor da fogueira. Hora de celebrar. Tambores afinados, vozes atentas, pele e carne num mesmo corpo de anjas e pássaras. Eis os poemas! Que ninguém deixe de provar, beber ou comer os versos de <em>TxaiUirá</em>, porque “o dia se abre como rosa menina”.</p>
<p><strong>Celso Borges</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Reforma &#8211; um tríptico insone</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Feb 2023 10:16:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A privação voluntária do sono – será uma forma de passar o tempo ou de capturá-lo?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O que esperar de uma poeta insone? Que visita faria ela ao tempo, ao silêncio, ao sonho de sonhar? Carolina Zuppo Abed nos brinda com a última de suas produções, esse breve e instigante livro: <em>Reforma: Um tríptico insone</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">A obra parte de um tema recorrente nos nossos tempos: a insônia que, nos momentos de solidão e silêncio, leva a poeta a refletir e expressar um mundo visto sob um cronotopo menos habitual, o do cérebro em vigília que observa o mundo que dorme. Ele viaja para as experiências, as vivências de um eu lírico perdido em busca de memórias que manifesta por meio de poesia-narrativa, visual, gráfica, com vazios que remetem aos espaços noturnos, aos silêncios mundanos que fazem surgir impressões e paisagens na poeta insone.</p>
<p style="text-align: justify;">No estado de vigília, a solidão da noite é acompanhada por alguns ruídos imperceptíveis durante o dia que desperta devaneios, sensações, faz recordar leituras. O cérebro que se recusa a descansar preenche o silêncio com muitas histórias e impressões, como uma fome de vida, uma fuga da morte e uma tentativa de significar a impossibilidade de repouso, de relaxamento necessários ao corpo humano. Há um embate entre corpo e mente que disputam seus espaços na experiência existencial, cada qual exigindo seu lugar e cobrando seu preço no equilíbrio das forças para a estabilidade do existir, mas é na instabilidade que a poeta encontra novos meios de expressão que se traduzem na obra literária.</p>
<p style="text-align: justify;">Carolina Abed é leitora voraz, observadora atenta e escritora dos novos tempos. Sua percepção de mundo e sua experiência didática na escrita criativa transformam-se logo em expressão literária a dialogar com os leitores sobre os embates do ser na contemporaneidade. A leitura é sempre agradável e estimulante, provocando reflexões e nos fazendo esperar o que ela nos mostrará a seguir.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Doris Nátia Cavallari</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Antes de mais nada</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Feb 2023 12:00:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[sente a firmeza do meu punho cerrado
e o pulsar incessante das artérias furiosas
a arrebentar as cordas de sisal
que sustentam pesos e estátuas
no teto de memórias desvanecidas

sou inteira pó
pólvora

pergunta
e renascimento]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“Quando pequena/encantava-me com os pentes de madeira/de fragrâncias florais […]/perdia-me na mística que haveria de ter ali […]”: guardar-se “perfume de flor/em natureza morta.”</p>
<p style="text-align: justify;">Assim — com uma pergunta sobre o mistério, um enigma posto, incandescendo — Juliana Dias abre este <em>Antes de mais nada</em>, seu livro de estreia. Como podem os cheiros, que são vivos, inscreverem-se num corpo frio, na matéria inânime? Há um vislumbre e um espanto que nascem aí, no litoral dessa pergunta.</p>
<p style="text-align: justify;"> Agrupados em quatro seções, os poemas de <em>Antes de mais nada</em> repõem a incógnita própria do encontro entre os opostos, desdobrando-a na descoberta de que nós mesmos nos construímos pelo contraste entre o vivenciado e o perdido. Afinal, ao lado do tempo que se desenrola e se cumpre, corre outro tempo, feito de nossas desistências e abandonos, “uma pilha de livros/não lidos […]/um rio de palavras/não vertidas […]/uma lista de projetos/não executados/um punhado de amores/não ateados”.</p>
<p style="text-align: justify;"> Não deixa de ser uma espécie de cronologia que segue à sombra — e que, vale lembrar, também atua sobre nós, sobre nossos corpos. “Desejo não é bicho que se mate”, diz a poeta. Não há renúncia que não pese sobre aquela que renunciou, seja numa cicatriz ou numa ferida aberta, seja na presença insistente de uma voragem represada ou num ímpeto torcido. Vira um hóspede, no fim das contas. “Ferve-me o sangue/arqueia-me as garras da boca”.</p>
<p style="text-align: justify;">Com uma linguagem repleta de sutilezas, delineada no fio entre certa poética da sensação e a abertura à reflexão, Juliana nos oferta aqui um livro a um só tempo delicado e provocador, tênue e fulguroso. Nele, atravessamos um caminho em que a rede de referências e o endereçamento do vivido não encerram o vivo, pelo contrário: há sempre algo que a palavra não esquadrinha jamais, uma espécie de “silêncio-sussurro”, “furo-passagem da dúvida”. Deslumbramento, digo eu depois da leitura. Sonho a ser lido no escuro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mar Becker</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Volver ao corpo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/volver-ao-corpo</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Jan 2023 11:57:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[com o suor na nuca
ao pé da montanha

aprendo a presença
com os cães

mudo a fogueira de lugar
a curva do rio]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Volver ao corpo, como um gesto, lhe oferece a mão e conduz os olhos pela beira de um rio até um ponto suspenso de sua paisagem: essa paisagem nada tem de regresso. Sua transformação é natural, do chão ao vento, do vento ao fogo, do fogo à água. O corpo, no entanto, é o lastro orgânico de uma permanência, aquele que aprende a presença com os cães. Volver ao corpo é um convite aberto à presença e à lembrança, a transpor-se no verso, mudar a fogueira de lugar, perceber do tempo a física, a gravidade e a resistência do ar, e a saber da ciência a química, meter a mão no sal para temperar a comida. Há aqui a mistura das línguas, do gosto e do gozo: hay vida en cada canto. Na ausência de idioma, tem as mãos como língua, toca fogo para destinar ao corpo a memória da faísca e a capacidade das águas de surpreender as labaredas. Grafa a curva do rio, levando-a no pulso do relógio. Pinça os gestos. Cria-se assim o mapa<br />
de um percurso, ao mesmo tempo em que se abre o espaço para que o vento entre e leve o mapa, se for o caso. Volver ao corpo para ser lida em espaço aberto, fora dos cômodos e das fechaduras, de dentro da pele porosa.</p>
<p style="text-align: justify;">
<strong>Clara Delgado</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Mar adentro</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/mar-adentro</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Jan 2023 12:57:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[E te recebo e celebro
olhos do mar olhando
às cinco horas da tarde,
e estou feliz.
Meço a espessura de tua tristeza,
abro as nervuras
limpas
por tuas asceses
duras de menina,
beijo-as, e reverenciando-te,
te toco os joelhos,
suplicando.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>eu te observo, poeta, há noites em teu retiro,<br />
esquecido de si,<br />
lavrado pelas notícias do mar.</p>
<p>o claror nos pulsos, teus sóis aindas em vísceras erguendo-se em canções, andanças,<br />
um violão que cruza a turquesa da estação mais quente,<br />
o lírio de sal nos teus lábios.</p>
<p><em>dói num homem a mulher amada ali onde lhe dói o mar.</em></p>
<p>nós já estivemos aqui antes —<br />
e tu eras ave em meus pulmões de organza,<br />
e eu era passo em teus pés. dizíamos</p>
<p><em>eis o início de tudo</em></p>
<p>esta cidade: suas meninas dormindo inclinadas nas janelas,<br />
a rosa dos ventos ainda entregue<br />
às figuras do impensado,<br />
os cabelos em naufrágio sobre os parapeitos, casas afora, afogando gentes,<br />
ruas e avenidas.</p>
<p><em>             só se aprende o mar pelo que o mar devora.</em></p>
<p>eu te observo, poeta, em teus escuros de retiro,<br />
entreaberto pela boca apenas — teu vocabulário de óbulo de jaspe.</p>
<p>pela <em>rue du caire</em> ou em tramandaí, no anúncio da vindima ou no elã, tu segues,</p>
<p>e já todos os nomes do mundo me parecem pouco<br />
para dizer do outro livro que há neste livro, mar adentro</p>
<p><em>aberto</em>,</p>
<p>intocado miráculo,<br />
infinito</p>
<p>como um fogo.</p>
<p><strong>Mar Becker</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Trégua</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/tregua</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Jan 2023 11:26:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ojos brisés
colorem de
febre rouge
fragmentos
do corpo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Trégua: “suspensão temporária de hostilidades; cessação temporária de estado ou ação desagradável”. Assim lê-se no dicionário. Mas o que se lê nestes breves e intensos poemas de Claudia Itaborahy é que a trégua não separa um campo dos outros, um momento dos outros: o intervalo entre a “queda de início”, o “corte”, a “outra cena” e o “corre” — partes que compõem o livro — é mais um “intervalo doloroso” (como Bernardo Soares costumava nomear alguns de seus fragmentos, que vieram a compor o Livro do desassossego) do que exatamente um descanso.<br />
Não descansamos neste livro: estamos perpetuamente a cair. Mas a queda é livre, como a de alguns planadores que se deixam levar pelo sopro dos ventos. E a dor, então, não é exatamente a da queda, mas a de sua suspensão, que nos permitever do alto o que se passa lá embaixo, na cidade de onde estamos ausentes: “olhar a cidade/ do alto/grande/sem saber/onde você está”. A chuva cai, a vida cai, eu caio, tu cais. Não há trégua, a não ser a da queda em suspensão, para tornar a cair: “&#8230; deixei o corpo cair. e, caiu. caía como pena, sem volta”. Queda sem trégua, trégua em queda, um rosto ao rés-do-chão pode ainda ver o que via do alto? O corpo, caído, vê: “raízes com o sexo exposto na terra/espalham-se no chão”. É também em movimento de vertiginosa queda que lemos este livro em que as perdas rolam: “os textos escritos somem e a madrugada só cai”. O que faz, então, com que nos mantenhamos suspensos na queda livre da leitura até o final do livro, quando os dias também caem, derretidos pelo verão? Talvez a certeza de que “a vida passa volta” e de que “para acabar/basta cair” sem medo.<br />
Mas, se a grande aprendizagem, para aquela que lê, sempre esteve na escrita, a sutil aprendizagem, para aquela que<br />
escreve, residirá ainda na leitura. Afinal, o mestre aqui é o poema, em sua queda livre de letras. E aqui também, como já anunciava a poeta Luísa Neto Jorge, só “o poema ensina a cair”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Lúcia Castello Branco</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Tudo se distingue além da fruta</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/tudo-se-distingue-alem-da-fruta</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Jan 2023 13:25:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[me vejo te abandonar
como rio que corre pro
céu

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Um livro de poesia não tem por que ser dissecado, pois extravasa em semântica e forma. Porém, de alguma maneira, deve-se apresentá-lo ao leitor. De primeira, talvez seja eficiente denunciar que existe em <em>Tudo se distingue além da fruta</em> uma pequena organização, uma maneira de desmembrar o que se vê e o que se sente, com efeito de detecção do mundo. Em contraposição, há um segundo elemento, para o qual a atenção é imprescindível, que é a fluidez da narrativa.<br />
Lana Ruff apresenta a natureza em si, suas aparições de fauna, flora e o que mais há de se encontrar por aí — uma composição plástica arrebatada de surpresa. Com o seu olhar subjetivo, partimos então para uma observação atenta de quem percebe e do que se percebe. E lá vamos nós, alinhando informações, sistematizando pensamentos. Seguimos como num passeio e, nele, observamos ainda outro aspecto da natureza que nos é trazido pela autora: as situações provocadas pela ação humana.<br />
Às vezes soltos e fluidos, como se sentir e escrever pudesse ser apenas um devaneio, logo nos vemos diante de uma análise estética do patético da vida ou da sua beleza intrínseca. Em outros momentos, somos atraídos por uma breve narração prática, até fisiológica. Parece que há uma tentativa de apreensão do banal, mas somada a ela há também a simples sensação de apenas se estar no mundo.<br />
Finalmente, talvez o que interesse à autora sejam ainda as possibilidades de composição linguística — o que de fato não importa, pois o sentido é dado na leitura, e nada disso está imune ao que nos rodeia e nos comove. Quem descobrirá como entrar neste livro é o leitor, a partir de pistas que lhe são oferecidas.</p>
<p><strong>Rachel Amoroso</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Cajujerê</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/cajujere</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Jan 2023 18:20:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[rebimboca da parafuseta
bairro no balaço da
caçamba da cuia entoada
todo bairro dentro do peito a
cara encrua-
da
babados
renasce a flora a ponta da goza
uterina
na vasta várzea
pornoxaxado metelância
teko pentada 762 rajada no baço
fogocruzado
bagaço
tá-feito peita q é nós q tá
balaço
arranque
trintolho naquele bicho degolado depenado
é o bixo do caralho]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em tempos em que os poetas vivem em miudeza e suas obras publicadas condensam-se, “Cajujerê” retesa os séculos e espanta o esfomeado pelo poema – aqui, nesta obra, se tem fartura. Os versos acontecem por toda a página, espalhando o corpo da palavra assim como nossa árvore genealógica fundou o Brasil. Os suburbanos, os pobres, os pretos que galgaram todo um país fundado por edificações e rodado pelos braços das máquinas. Sérgio Ortiz de Inhaúma alucina o leitor numa escrita épica onde entidades heroicas estabelecem o maior dos heroísmos do mundo: a cosmopoética. Dénètem Touam Bona quando cunha este termo diz que “A cosmopoética é a forma primeira da ecologia: uma ecologia dos sentidos e da imagine-ação pela qual pajés, <em>ngangas</em>, mães de santo, bruxas neopagãs e outros mestres do invisível estabelecem um diálogo obscuro, tecido de metáforas, com o conjunto de tudo que vibra. ”</p>
<p style="text-align: justify;">Seja em brejo ou barro, em quentura ou vento, ou entre “folhas de bananeiras onde me mijei / deitada”, o invisível transita pelos subúrbios do Rio de Janeiro assim como anunciou o poeta Marcos Nascimento no poema que abre seu livro “Os portões da fábrica” (7Letras, 2020). Esse subúrbio que acontece antes das fundações das casas e fábricas, quando ainda a palavra antepassado era futuro. É como se a materialidade dos corpos que estão celebrando e gemendo por esses espaços coexistissem com o tempo que não finda, formulados em alguma espécie de sexto sentido, extrapolando a matéria.</p>
<p style="text-align: justify;">O autor propõe uma leitura profunda em que a experiência poética acontece no campo da imaginação dos sentidos. É preciso ver, cheirar, apalpar, cantar e escutar até que se crie uma dimensão total do verbo. Com um repertório de palavras assombroso, vislumbramos uma paisagem ancestral erguida sobre nossos olhos e escrita por um poeta habilidoso no traquejo das quebras de versos e na atenta disposição de experienciar o mundo arredor.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Valeska Torres</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>A memória é uma oficina de ossos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-memoria-e-uma-oficina-de-ossos</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Jan 2023 13:40:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Os ossos choram
enrolados em pedaços de papel
como se a vida morresse
neste silêncio de uma tarde espessa
sob rajadas de vento e tempestade.
Não há sorrisos dentro daqueles potes
de vidro.
Há um chumaço de vazio e o nada.
O nada que sopra nos ouvidos
a mácula
e o desassossego destes punhos tristes.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Impermanência com disfarces sociais. Escutar o ar. Antes do tempo das cordas, de T.S. Eliot, e de um caracol que ressoa pelo mundo, de Octavio Paz, a poesia surgiu nos ossos. Cava. Na origem do vazio, sobra a sede de “Luz e sal”, o silêncio, a sombra de sua sombra, como bem dito por Alejandra Pizarnik, por aqui sopra sobras. Freitas parece se conectar exatamente com essa esfera quando apresenta A memória é uma oficina de ossos, obra de fôlego e de impacto, viajante dos símbolos da finitude, livro-nauta da sobrevivência de tuk-tuks nervosos, pois “de um relógio/à procura de novos instintos” permanecemos com um grito, sorrindo, alados. Viver também é grafar um piano constante: nestes densos poemas há vibrações de toques como uma “Sonata ao Luar”, de Ludwig Van Beethoven “embaixo das unhas/dentro dos ouvidos”. Mírian ludibria e convida “à caça do tigre de papel”, em um girassol espelhar refugiando a memória do mundo: porque somos ninguém no mesmo sonho, vícios à imagem prelúdica de “forças ciprestes”. E deitados ao sol, de repente, escutamos assobios, e você já me lê, ao vivo. Continue: “o corpo cresce:”.</p>
<p style="text-align: justify;">
<strong>Mariana Basílio</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Cai na prova?</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/cai-na-prova</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Jan 2023 12:40:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[a) A moça adorou a carta, namoraram e casaram como qualquer
casal bonito;
b) A moça e a professora não se casaram, até porque nem era
permitido;
c) A professora guardou a carta junto com as tintas guache;
d) A moça jamais respondeu.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Cai na prova?</em> é livro de matéria que, como estudantes, sempre quisemos aprender: as camadas descamadas da vida das professoras. Essas seres que nos acompanham por anos a fio e de cujas existências nós acessamos só uma parte, muito pequena, revestida de autoridade. Tal verniz, a autoridade, aliás, lhes retira toda a humanidade. E é por isso que, não raro, entre risos bobos e curiosos, a criançada vira e mexe quer saber se a tia também arrota, namora, sai com as amigas, sabe dançar. Na poesia de Ana vemos que a professora, sobretudo, deságua e flui como um rio entre livros, interditos, porquês, medos, amores, desejos e lençóis.</p>
<p style="text-align: justify;">De outro modo, este livro também é matéria de crítica mordaz, que afirma o corpo docente como corpo político. Contraria não só as estruturas sociais que forjam a Educação, como também os mecanismos que tentam, a qualquer custo, conformar os corpos das mulheres que se dedicam às relações de ensino-aprendizagem. Encontramos nas poesias inscritas aqui a defesa da professora enquanto corpo múltiplo, marcado pelo que habita a sala de aula e seus anexos, e pelo que habita o fora dela. A <em>professora-fora-do-que-se-espera</em> de Ana Ladeira nos convida, agora como pessoas adultas, a ler criticamente a “professorinha” de nossa infância, sem que caiamos em julgamentos pessoais. É uma crítica que acolhe a ternura.</p>
<p style="text-align: justify;">Num percurso que se desenha em idas e vindas, destacam-se momentos desse corpo que é tudo ao mesmo tempo. Na greve, a gente adentra a intimidade da trabalhadora, com surpresas, cansaços e convicções. Nas reuniões pedagógicas, mergulhamos fundo no que faz pulsar seus desejos. No conselho de classe, o contraste entre uma Educação antiquada, rasteira e limitante, e a realidade tão mais diversa e elástica. Ao fim, é posto à prova e à queda um olhar original e audaz sobre o magistério e as paixões que o atravessam.</p>
<p><strong>Silvana Marcelina</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Os cavalos  adoram maçãs</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Jan 2023 11:42:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[antes de olhar
ver

estranhar
o que nos vai no círculo

entranhar
desaprender

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Escritor, fotógrafo e editor de livros, Ozias Filho aprimorou a sua carreira artística e profissional em Portugal, país em que reside há mais de três décadas. Durante esse período, inclusive, o autor de Páginas despidas e Poemas do dilúvio tem desempenhado também a função extraoficial de embaixador da poesia brasileira em terras lusitanas, as mais das vezes sem o natural apoio do Itamaraty.<br />
Como poeta, antes de <em>Os cavalos adoram maçãs</em>, Ozias Filho tivera apenas dois de seus livros editados no Brasil: <em>Insulares</em> e <em>O relógio avariado de Deus</em>. É importante salientar que ambos foram originalmente publicados em Portugal. Portanto, este <em>Os cavalos adoram maçãs</em> já salta da prensa com o mérito de ser a única obra do escritor, até o momento, cuja primeira edição se dá no país em que “Vinicius escreveu um poema/ para Teresa, mãe de Leonor” e para onde se volta, numa página pungente, a sua “finestra di memoria”.<br />
Embora a memória funcione como um<em> leimotiv</em> em diversas passagens deste livro — acendendo até mesmo “o aroma da saudade” ou “a bossa/sempre nova” de Tom Jobim e João Gilberto —, há espaço também para a crítica político-social e para aguda certeza de que “nenhuma palavra pode nos salvar”. A “tecla minimalista do silêncio” serve de contraponto à precisão momentânea da realização poética, exposta ao “esquecimento para continuar/a escrever coisas novas/mesmo que seja para bater/às mesmas portas”.<br />
Até mesmo a dicção confessional jamais se entrega ao leitor, aqui, sem a tradicional sagacidade do ofício: “para não dizer que não falhei às flores”; “desconfio que deus é a minha mãe//quando diz/come e cala-te”; “troco de pele todos os dias/no evangelho de destruir o planeta”; “tu não verás os meus cabelos brancos/a tua face heterônima (…) não verás morrer a ficção que criaste”. Este último excerto se insere num núcleo simbólico no qual a lembrança paterna domina a cena e, aos poucos, se adere ao próprio eu lírico, num processo de radical identificação: “mais anos de calendário/do que o meu pai/entanto o espelho insiste/em devolver-me/a sua imagem”.<br />
O título desta coletânea rebrilha numa peça premida pela imagem de “um cavalo branco morto/estendido sobre a linha férrea que liga/a Praia das Maçãs a Sintra”. Uma imagem que, como um poliedro, reflete em suas faces tanto o “calmo azul/por sobre/a cidade/que perece” quanto a “noite de posses ancestrais”. Captar tais nuances é o destino das grandes leituras. Oxalá o presente livro se entregue por inteiro a este destino.</p>
<p><strong>Iacyr Anderson Freitas</strong><br />
escritor e ensaísta</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Algo errado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Jan 2023 09:46:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[talvez um dia
da janela de um avião
entre o medo da morte
e o silêncio das nuvens
eu acabe por ver um anjo

&#160;

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Algo errado deu certo: as palavras encontraram-se num campo de batalha onde se fizeram aliadas, mesmo que o combate seja inevitável: lutam entre a tristeza e a alegria. Leio-as como se as ouvisse. No recorte destes poemas encontro o autor e quero pôr-me na sua cabeça: “O meu lugar no mundo sou eu”.<br />
Hellington ocupa a geografia afectiva de ser neto de Ana Okarenko, filha de refugiados ucranianos. O livro, sem saber ainda que tinha nascido, partiu da guerra, e os poemas alinharam-se entre a dor e a certeza que tantas vezes a tristeza nos dá, de estarmos vivos. É tão forte essa certeza que às vezes chegamos à alegria. É assim este livro, um semáforo que ora nos faz avançar, ora nos detém para pousarmos sobre palavras tão simples e, ao mesmo tempo, tão certeiras. É a tristeza que nos empurra para a lucidez. São palavras disparadas do coração que ocupam agora estas páginas.<br />
Neste semáforo de poemas algo errado deu certo. Avanço sem medo para a travessia.</p>
<p>Apropriação citada ou Citação apropriada: a questão não é quantas páginas temos, mas quantas nos restam.</p>
<p><strong>Inês Meneses</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Geografias exaustas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/geografias-exaustas</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Jan 2023 12:01:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[(...)

O sexo existe,
no breve instante das mãos a abrir figos
a abrir bocas
métodos pouco ortodoxos
pois se era Deus e Deus sabe de tudo
só pode haver má-fé e ódio às mulheres
como nos livros do Stieg Larsson,

Coração de salvamento.

&#160;

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Este livro é um conjunto de textos — espécie de prosa poética — que foi acontecendo do lado errado do Atlântico. Que lado foi esse, cabe ao leitor decifrar. Fala-se muito de geografia, fala-se de amor e de raiva e de outras coisas que mais parecem um tabuleiro de Scrabble. Essa palavra aqui não vale, essa outra pode ser. <em>Geografias exaustas</em> é um livro que tinha muita vontade de ser redondo e azul, mas é muita turbulência na zona de ventos convergentes do Equador, num voo noturno da TAP, entre Lisboa e o Rio de Janeiro.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Apagão</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/apagao</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Dec 2022 10:58:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A delicadeza
É uma missa.

Opõe sempre ao céu
O frio que fecha
A Graça luminosa.

Reunida na vida,
Cada pétala
Está onde ela chora.

És tu —
Onde não se entra ou mora,
Rubras águas
De duas lágrimas apenas.

Eis que não procuro coisas humanas.
Só a delicadeza me enamora.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Minha querida POETA, quem escreve um poema como aquele que começa assim:<em> A delicadeza/é uma missa</em> não precisa de perguntar a ninguém se a sua poesia tem mérito. Esse poema e outros que juntou a este acervo revelam uma escrita poética singular, na qual a subtileza vulnerável convive com uma assertividade de visão veiculada por um uso certeiro de fonemas que dedilham uma música sedutora. Minha Amiga, não vou cobri-la de palavras inúteis. Sabe bem o que escreveu, não sabe? Espero, esperamos muito de si.</p>
<p>Um bom abraço fraterno.<br />
<strong>Eugénio Lisboa</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Gravar o fogo em preto e branco</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/gravar-o-fogo-em-preto-e-branco</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Dec 2022 18:18:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[nenhum desafio
ou linha que avança
nem lance como desafio

desfigurar e decifrar
ordem nome e assinatura
ordem nome assinatura

é o poema sozinho do outro poema
como se fosse ele mesmo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A palavra-ruído de Gabriela Nobre tensiona a zona liminal dos procedimentos que demarcam a ourivesaria formal dos seus poemas/composições de texto-som. Move-se, em voo aberto, pelos entrelugares dos silêncios que ciciam a imaginação sônica e o azo. Deriva dessa porosidade seu caráter experimental. É a própria maquinação da linguagem que assume o vórtice da fabulação poética. Há um rearranjo constante do léxico de práticas e articulações formais dos quais a autora se vale para explorar a dimensão sinestésica dos seus textos-ruído. Provoca o leitor-agente a desdobrar procedimentos e atualizá-los constantemente a partir da sua intervenção criativa, assumindo a opacidade dos mapas e das trilhas como premissa do labor criativo. O poema-procedimento não é apenas um artifício expressivo, o que lhe daria status de componente constituído — por uma exterioridade demarcadora da sua cisão do mundo. Ao contrário, é o elemento constituinte, a expressão manifesta em si da estruturação da linguagem poética em-situação-no-mundo. O espaço que separa afirma um horizonte de possíveis. A potência da experiência de estranhamento não se refere apenas a classes de expressões ou arranjos formais totalmente desconhecidas, mas também ao reordenamento inesperado de elementos familiares. Cicios-silêncios-sons sustentados em combinações incomuns. Um texto-voz que vai e volta. Uma cartografia alheia a qualquer registro topográfico. Ou a si mesma. A tensão entre o estabelecido e o inesperado e a repetição como menor diferença. Práxis. A abertura ao outro, nesse sentido, não demarca os limites da compreensão; em sua incompletude, expande-a pelo eixo da alteridade radical. Perder-se. Não saber o que um mapa orienta e nem o que é um mapa. O loop como reiteração do que lhe é distinto. A dobra. A outridade do mesmo e a dimensão relacional da experiência performativa da linguagem em uma deriva sem instruções e cega. O poema inscrevendo a si mesmo na maquinação da linguagem. Como se fosse ele mesmo. Diáfano. Outro. Ruído.</p>
<p>[Isto não é o fim.]</p>
<p><strong>Yuri Bruscky</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Meu pranto deságua nos cabelos de uma árvore velha</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/meu-pranto-desagua-nos-cabelos-de-uma-arvore-velha</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Dec 2022 13:43:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[nunca peguei uma folha no ar
nem salvei uma folha do chão]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Algumas palavras sobre as palavras</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em <em>Meu pranto deságua nos cabelos de uma árvore velha</em>, Deborah Castro faz nascer uma primavera gótica atemporal, cortante em sua sinceridade sensorial e no seu olhar para os espaços triviais nos quais a vida toma seu curso. Um eu lírico imprevisivelmente ondulante entre orvalho e tempestade, entre flor e plástico, entre um raro sorriso e o choro, entre uma dor e outra.</p>
<p style="text-align: justify;">Os poemas quase em prosa apresentam imagens das sensíveis nuances de palavras em constante evisceração, como os ciclos das árvores e da terra, da vida e da morte, com a combinação de uma rede lexical simples e quase despretensiosa, mas que desvela signos complexos e profundos da experiência cotidiana.</p>
<p style="text-align: justify;">Na exploração sensorial dos espaços das memórias fundidas entre passados, presentes e futuros, a humanidade não é encontrada nos versos, mas nos resquícios, nas folhas que caem ou nas metonímias espalhadas pelos olhos, mãos, cílios, lábios, cabelos, pelos, dores, hematomas, lágrimas, dedos, tranças, decepções; nas mais elementares reações do corpo.</p>
<p style="text-align: justify;">E, como toda primavera, estes escritos apresentam uma sucessão de quedas dos cabelos das árvores, das folhas se despedindo de suas próprias pequenas primaveras, deixando um rastro mórbido de uma beleza lúcida e pacífica que nos impele sempre ao próximo verso, ao próximo delírio, ao próximo enterro, à próxima dor e aos singelos desejos, lampejos de devires que transbordam a natureza primordial das coisas.</p>
<p style="text-align: justify;">É como viver um rio, ou ser um rio, descer na corrente, com previsíveis imprevistos, em um caótico sistema em que tudo se encontra na calma dos poços e na falta de remorso ou dor pela folha que cai, ainda que tenha sentida a sua queda. E, como um rio que corre para a vida, <em>Meu pranto deságua nos cabelos de uma árvore velha </em>permite sonhar micromundos sensíveis, tangíveis e intangíveis, ao mesmo tempo em que permite enxergar o tempo e todo o universo, e se perceber parte inadvertida de um sopro cósmico.</p>
<p style="text-align: justify;">E, como toda água que corre, a leitura da poesia das palavras, simplesmente pela imagem do que são, dos versos destas folhas impressas que se sucedem, é transformadora.</p>
<p><strong>Paulo Henrique Caetano</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Antes de cruzar o atlântico</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Dec 2022 13:18:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Antes de cruzar o Atlântico é a busca, em poemas, de uma mulher por sua casa. Uma casa feita de água e de futuro. Há um certo tema que perpassa este livro em algumas variáveis: a consciência do corpo feminino. Corpo que abriga outro ser, corpo que recebe um amor, corpo que se despede de sua terra, corpo que constrói na pele seus próprios territórios. A linguagem construída no corpo da memória. Escrever é também implicar. Em Antes de cruzar o Atlântico, cada cômodo percorrido dessa casa traz consigo suas formas de ser e estar. É um livro em busca de algum tipo de abraço randômico diante de tantas notícias ruins. Um abraço atlântico, cheio de oceano, afirmando que a distância nunca é motivo para uma separação.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O terceiro livro de Letícia Simões é <strong>água</strong>. Abrigadouro de vidas, transmutada em formas variadas, mas água, uma só: a que se bebe, a que se chora, onde se nada, água doce, salgada ou ácida, sólida ou gasosa, toda ela, uma, a mesma.</p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em><em>Antes de cruzar o Atlântico,</em> a autora transfigura-se no estado líquido e morno do lado de cá do oceano e de dentro de si, se surpreende e nos dá a ver novos tons de Azuis. Azul é a presença que a poeta deságua no mundo inspirando a quem lê, incorporar a reviravolta do tornado, a dança sutil do vento pela casa e a paciência do vulcão. A poesia desta obra está, justamente, nas mudanças de estado que a autora-água cursa enquanto se lança no mar da investigação, nos permitindo imergir no seu corpo-oceano, sentir suas temperaturas quentes ou duras e sua sabedoria pré-lógica, ora naufragando, ora gargalhando.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim como no seu ensaio autobiográfico audiovisual <em>Casa</em>, o movimento imagético-emocional deste livro de poemas nos desperta duas palavras que, juntas, nos faltam nos dias de hoje: coragem e beleza. Tudo isso com a concretude do mistério das coisas aninhada no colo de uma mulher que tem fé nas miúdas grandezas da vida, enquanto faz, talvez, sua maior travessia.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Antes de cruzar o Atlântico</em> abre o coração e a simplicidade da gente com uma honestidade rara. Ao acompanhar seu deslocamento, a autora propicia, generosamente, o mergulho em nossas próprias fundações e, na simples ação de engolir, nos permite ficar defronte à ânima da água mansa logo após ela mesma ter caído em tempestade.</p>
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
					
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		<title>E vivemos infelizes para sempre</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/e-vivemos-infelizes-para-sempre</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 10 Dec 2022 00:48:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Era começo da noite e eu estava <em>caindo</em> de fome

após passar o dia me esforçando para prestar aten-
ção ao conteúdo insuportável das aulas.

Estava no primeiro ano do curso de administração e
todos os dias pensava em fazer outra coisa da vida.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>E vivemos infelizes para sempre</em> é uma prosa do cotidiano de inúmeras sujeitas que, ao ingressarem nas relações afetivas, se deparam com a violência patriarcal. Renata Rodrigues narra, como se falasse a uma amiga, a cronologia de uma tragédia anunciada ao leitor, mas não para quem vivencia. Vemos uma mulher que se torna “uma máquina de fechar caixas” enquanto encaixotava a sua vida em um mundo que não lhe cabia. A ideia do amor romântico em nossa sociedade nos impõe desde cedo o desejo de realização do ser por meio da relação, a cristandade atrelada a isso nos prepara para sempre dar a outra face. E damos tudo. Damos nosso corpo, nosso tempo, nossa energia e abdicamos do nosso desejo, dos fetiches, dos sonhos e nos perdemos em sonhos outros que não são os nossos. Ao ser apresentada a uma personagem que caminha em um deserto de afetos, pensei logo no dito de que quando sentimos sede, uma gota de água parece um rio. Quando não estamos acostumados com o afeto, uma migalha torna-se suficiente a princípio. A autora capta em sua escrita a degradação da vida em nome do amor e do desejo de ser amado. É uma escrevivência que dialoga com tantas e tantas histórias. <em>E vivemos infelizes para sempre </em>critica os ideais de amor ensinados em nossa sociedade (família, igreja, mídia) e nos põe no ponto central, a infelicidade sempre nos caberá enquanto nosso ideal de afeto for regido por uma sociedade patriarcal.</p>
<p><strong>Bruna Santiago</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Daqui do quarto</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/daqui-do-quarto</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Dec 2022 17:48:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Eu sempre ostentei uma feição meio indecisa
e busquei compensar minha vaidade transiente
conjugando meus versos na primeira pessoa.

Mas meu sorriso, em suas (agora) raras manifestações,
tem crescente semelhança com um minguante ambíguo,
deturpando a fidelidade do meu último talento:
um mar com constantes ondas de risadas à toa.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Convido o leitor a penetrar não surdamente aqui no quarto do autor. Faça-o com todos os seus sentidos. Não é necessário chave. Toque a maçaneta, gire-a e aprecie o rangido da porta. Ofusque os olhos com o azul da luz. Respire a dúvida contida na fumaça do pavio da vela que ora se acende, ora se apaga na lembrança daquele que se faz hóspede em seu próprio regaço, pois que sua alma já fez morada onde o corpo se encontra impedido de pousar. Deguste o doce ou o amargo do amor, da saudade, do desejo&#8230; Entre. Mexa nas gavetas da sua escrivaninha. Ouça o violino. Contemple o teto, o céu do poeta, o seu limite. Participe. Não há passividade na leitura. Mas não perturbe. O poeta encontra-se procurando o sono ou sonhando com o passado ou com o futuro. O presente é áspero para o seu coração. Tempo difícil. Mas há um leve aroma de esperança nos traçados e adiados planos do escritor. Chegue. Esteja com ele. Faça-lhe companhia. Havendo timidez, você poderá observar também da fresta da janela que ele nos oferece. Mas, se tiver a coragem e o atrevimento suficientes para uma extasiante viagem sensorial, sinestésica, venha sentir, com o seu corpo e a sua alma, esta experiência poética ímpar proporcionada por este jovem autor, de inteligência e sensibilidade extraordinárias, que, gentilmente, partilha conosco uma parcela da sua história de vida, a partir da escrita desta bela obra, em que conta tudo o que viu, sentiu e viveu dali/daqui do quarto.</p>
<p>Patos, setembro de 2022.</p>
<p><strong>Naelma Wanderley Lira de Araújo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Urgente é a gente</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/urgente-e-a-gente</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Dec 2022 16:24:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[tenho aceitado a solidez e o peso das coisas
tenho observado os movimentos coreográficos da vida
especialmente quando me calo ou contraio os músculos
deixando gestos suspensos no ar

tenho ansiado por águas limpas
persigo a única lagoa cheia no estio
o mergulho compensa a fadiga

não quero ser barragem
quero ser canal

depois de tantas imersões em águas doces e mares revoltos
sigo indagando:

vamos?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em seu livro de estreia, Mariana Diniz transforma a vida em poesia. Dividido em três parte — mulheres, idosos, crianças —, a poeta brinca com a mulher que é: “a certeza/dos últimos óvulos/pesa na fronte/comprime o ventre/turva o horizonte”; a idosa que será: “como a velhice crescendo em meus escombros”; a criança que foi: “no sonho, caminhei de mãos dadas com uma garotinha que desperdiçou a infância”. Presente, futuro, passado misturados no cotidiano.</p>
<p><em>Urgente é a gente</em> nos convida a enxergar beleza nas contradições do ser mulher: o cuidado, o desejo, a maternidade, a culpa, o envelhecimento, o amor, “na moldura do casamento, para onde resvalam as mulheres?”, e nos faz refletir sobre o peso dos papéis sociais do gênero feminino.</p>
<p>Minha primeira lembrança da Mari é a de que ela não queria ser escritora. Eterna leitora, era o que dizia ser. Mas a palavra é traiçoeira: quem vai se cercando dela numa leitura aqui, num livro acolá, quando vê, está tão misturada delas que “enquanto você escreve/seu marido vai ao supermercado/a professora ensina os filhos”. Para nossa sorte, Mariana Diniz se deixou ser levada pelas palavras e não é mais uma “escritora muda”. Eis aqui a urgência de sua poesia.</p>
<p><strong>Nayara Noronha</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Ao modo dos girassóis</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/ao-modo-dos-girassois</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Nov 2022 21:41:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Desenharam um girassol
de giz no ponto de ônibus.

Está lá, ao lado do girassol
que eu rabisquei numa segunda-feira

quando o abraço de despedida
manava agridoce
pelo vazio dos meus braços.

Aquele outro desenho,
feito em lápis grafite,
do coração apunhalado que chora
também continua lá.

O sol dominical faz doer
as olheiras das janelas.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Victor H. Azevedo, um velho conhecido nosso de outros livros, agora é detentor de uma gibosa plantação de girassóis. A seu modo, crava imagens suburbanas com vestígios explícitos de uma linguagem autossuficiente — incansavelmente calculada. Azevedo é um verdadeiro poeta da minúcia, da filtragem, pois, dedicando sua obra à <em>Pepita</em>, sua companheira, enquanto recorta quadros vivos da cidade, nos conduz a um romantismo — em um sentido mais cotidiano — peculiar. Com muito cuidado, em poemas como “Te sussurro…”, “Estrela” e “Pepita…”, insere o seu leitor em um universo muito particular, em um universo só possível àqueles que fazem do próprio trajeto (e por que não do próprio movimento?) a sua pátria, combinando estéticas que fazem dele um exímio lapidador de palavras, que não cansa de buscar, a seu modo, uma faceta crua e autêntica.</p>
<p style="text-align: justify;">O poeta escreve: <em>“</em>Este não é um daqueles livros de poesia sobre o amor<em>”</em>. De fato, trata-se de um diário de poesia, um artefato usado para cantar pinturas fotográficas colhidas pela mão do poeta, que forja, como se em argila do manguezal, o itinerário dos girassóis, como quem clama a estrela maior, o sol.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste <em>Ao modo dos girassóis</em>, temos a insistência do autor em uma escrita pela reinvenção, que, trajada por um vestuário de palavras, pontua um vértice fora da curva, curva essa que dá gás a Victor H. Azevedo a continuar tecendo uma memória, inconformada ou não, que começa a sair de suas gavetas, de seus diários de bordo, de sua cachola e beija o mundo. Saímos ganhando nós, que somos do mundo, pois o autor parece ter muito mais a contar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Jefferson Martim Turibio</strong></p>
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		<title>Bordado a fio de faca</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 19 Nov 2022 13:46:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ancas batendo contra o ferro,
catracas girando;
centenas de corpos por minuto
atravessam
as saídas as entradas
os acessos
catracas girando, girando, girando
— tal a órbita do Mundo Que Fizemos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Bordado a fio de faca</em> é um livro que pretende, com uma lâmina, o ofício cuidadoso de tecer a linha do encontro. Em cinco capítulos, a autora costura poesias, prosas poéticas e cartas endereçadas a Tereza — alguém que parece ser ao mesmo tempo uma remetente e um eu lírico que, mesmo com os extravios dos Correios, do tempo e da linguagem, recebe esse esforço de comunhão.</p>
<p style="text-align: justify;">A primeira parte, <em>Suturar com os braços, </em>diz das fraturas, das feridas imensas sentidas num país que corta nossa pele, quebra nossos ossos. Da necessidade e da diligência para construir laços.</p>
<p style="text-align: justify;">No segundo capítulo, <em>Catedral do extravio</em>, a matéria-prima é a palavra endereçada que não chega ao destino previsto, mas que chega a algum lugar — seja ele o futuro, o sonho, o vazio ou a utopia. Já o título <em>Tese número 12</em> brinca com a famosa Tese 11 de Marx, uma crítica à filosofia meramente especulativa, e interpela a atividade da escrita poética. Esse capítulo é um chamado à poesia que quer ser mundo, à matéria da rima, à forma do poema em união com seu conteúdo.</p>
<p style="text-align: justify;">Já o capítulo <em>Não se guarda uma voz</em> é escrito sob a necessidade de romper silêncios ou contorná-los com o canto, abrir garganta e caderno, bico e asas. Para finalizar, em <em>Mulheres reunidas</em>, a autora abraça as mulheres de sua vida “na ágora e no agora” — nesse lugar cotidiano e político de manter a vida em chama acesa.</p>
<p style="text-align: justify;">Esther Guimarães, Maria, Tereza é uma artista com muita mão para o que é material e um olhar tão atento e faminto à matéria que chega a transcender. Em suas letras há sempre algo conjuntural, político e principalmente trabalhoso. <em>Bordado a fio de faca</em> é seu primeiro livro publicado e já se mostra grandioso ao trazer o cuidado e a paciência aflitos de um ofício que liga pontos para formar um todo. Um todo forte o suficiente para unir e ceifar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Nathália Ferreira Guimarães</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Algodoar, devolvir</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Nov 2022 19:43:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">já corri de arrastão
de madrugada
de homens que falavam outra língua
de onça no mato
de madrugada
de homem armado
de homem com faca
de homem com piroca
de homem que me batia
de madrugada
de homens da torcida organizada
de homens que soltavam bombas na manifestação
de homens da polícia</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Quando conheci Raquel Versieux, era 2006 num boteco de BH. Ela retornava de uma caminhada pelo Anel Rodoviário, fotografando calçados perdidos juntos da mureta de concreto que divide as faixas desta via expressa. Sentou-se à mesa sedenta, reproduzindo o som estridente das buzinas de carretas, contando do vento quente dos motores diesel que balançavam seu corpo enquanto fotografava. Essa teria sido sua primeira investida como artista visual. Em “algodoar, devolvir&#8221;, sua primeira publicação de poemas, reencontro em palavras sua sede por descrever um mundo observado fotograficamente, em descolamento, sugerindo o movimento entre doar e devolver, ou devolvir, como nos convida a inventar. Foi ela que me contou também que, na fotografia, a velocidade mais baixa para não tremer a imagem é o exato intervalo entre uma batida e outra do coração. Para isso, deve-se ouvir o coração. Mas não é só sobre isso que ela me conta quando diz “devolvir/meu coração”, anunciando aqui uma espécie de auto pacto: reconhecer-se ao mesmo tempo em que se devolve o mundo através daquilo que observa e reorganiza, apaixonadamente. Sonho, trauma, imagem, memória, erosão, ereção, desejo, algo de ácido sobre o trágico e um gotejamento inteligente que figura a partir do seu “léxico particular de paisagem”, grande nuvem condensada prestes a romper, ou que rompe, feito raio, serpenteando a costura entre os poemas, talvez um barbante de algodão tramado a muitas mãos. “Algodoar, devolvir” é um livro imagético, quiçá figurativo, simbólico e lírico. Composto de três partes, vemos a autora percorrer o lamacento da individualidade, edificado na fabulação de si, para lançar-se num campo mais vasto e comunal, de parentescos e paisagens. Visível, por exemplo, na forma particular com que tece o envolvimento de sua pesquisa e criação a partir dos eventos históricos associados ao “Caldeirão da Santa Cruz do Deserto” (1926-1938), comunidade autossuficiente de base rural e religiosa, localizada no Crato, região do Cariri Cearense, violentamente massacrada pelas forças militares do Estado. O livro “algodoar, devolvir” faz do verso a escrita do tempo presente: fragmentado, incompleto e aberto, solicitante da leitora, assim como da memória. Nesse mesmo tempo presente, em que a reciprocidade é ainda uma miragem, estariam as imagens nos indicando algo de comunitário? São muitos corações batendo, pode-se ouvir.</p>
<p><strong>Vedete Frugal</strong></p>
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		<title>Sombria e outros contos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Nov 2022 18:44:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Durante a quarentena da pandemia da covid, as autoridades orientaram as pessoas a se resguardarem em suas casas, consideradas como local seguro, enquanto não chegava uma solução concreta para a situação.

No entanto, e se nossas casas não fossem tão seguras assim?

Afinal, atrás das portas, dentro dos guarda-roupas, embaixo das camas e dentro de nós vivem seres de outros mundos que perambulam de um lado para o outro…

<em>Sombria</em> e outros contos traz dezesseis histórias e um bônus que narram acontecimentos em que o sobrenatural se mistura ao real e o limite entre os dois é completamente ignorado]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Um dos maiores conflitos para o ser humano é deparar-se com as próprias sombras. Para Jung, o lado sombrio é nosso arquétipo primitivo e se refere ao <em>eu</em> reprimido por não ser socialmente aprovado. Nesse sentido, os anos de 2020 e 2021, com todas as mudanças de rotina suscitadas pela pandemia, nos obrigaram a parar. Dentro desse contexto de esvaziamento, olhar para dentro de nós mesmos se tornou inevitável.</p>
<p style="text-align: justify;">A autora Emanoelli Soares Farias apropriou-se desse medo coletivo e explorou em cada um de seus contos um embate, em que o sobrenatural se coloca como uma alegoria a representar tais terrores que tentamos manter ocultos. Quarentena, <em>home office</em>, <em>fake news</em>, sanidade mental, violência doméstica, entre outras importantes pautas levantadas nos últimos anos, atravessam suas narrativas em paralelo a elementos lendários como bruxas e demônios tão amedrontadores quanto o lado de nossa personalidade passível de disfarce.</p>
<p style="text-align: justify;">As palavras da autora são perfeitas para dar o tom pedido pelas temáticas empregadas. As linhas se enchem de frases perspicazes, criatividade, um bom toque de sarcasmo e outros ingredientes literários, fazendo cada narrativa inserida na obra se salientar entre outras do mesmo gênero. À medida que o texto flui, os sentimentos afloram, e a obra transcende ao período da pandemia. Temos amor, superação e muita reflexão.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Sombria e outros contos</em> vem para nos impactar. Afinal, mexe o tempo inteiro com nossos medos. É somente a partir desse confronto que podemos chegar a novos lugares — esses mais iluminados.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Michele Fernandes</strong>,<br />
escritora, editora e crítica literária</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Do que sorriem os homens</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Nov 2022 19:53:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: center;">Vejo, circunspecto
nossa carne covarde
despindo-se aos medos infantis
que nos trazem, impunes
este cotidiano cair do anoitecer.</p>
<p style="text-align: center;">A sanidade põe-me vulnerável
ao espreitar vítreo do tempo
o fulgor incorpóreo
a emergir, intempestivo
defronte à alma que descreio
e sou indigno
e sou errado
e sou outro
desplumado.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>— Acendam as luzes! — Um grito no escuro.</p>
<p>Só quem tem coragem sabe como usar as palavras no tom certo. Elas nascem e, em um movimento preciso, podem rasgar o fio que une a venda dos nossos olhos. É preciso coragem para encarar estes versos. Essa é a tal da sensibilidade a qual ouso dizer que é a maior arma que temos.</p>
<p>A grande revolução não se constrói no silêncio, não se constrói no conforto, não se ganha nem se perde. Foi isso que aprendi com estes poemas. O homem ocidental nasceu adoecido, e estes versos podem ser usados como remédio. Às vezes tão amargo quanto a doença, às vezes tão doce quanto a cura.</p>
<p>A grande revolução tem traços marcados pela literatura, e no caminho da transformação tenho o privilégio de acompanhá-los, caminhar pelo íntimo, ancestral e expansivo (do autor e do leitor), cutucando cada parte do conforto. Esta obra é um convite para desconfortar-se.</p>
<p>A grande revolução é um grande desconforto. Encará-la é tatear o cotidiano com atenção e deixar-se atravessar pelos versos que encontramos no nosso caminho. Eu deixei e deixo este texto como um reflexo do que li e um alerta a quem lerá: se quer continuar abstendo-se das suas revoluções, feche este livro e vista novamente a sua venda.      <span style="color: #ffffff;">Renato Franco</span></p>
<p><strong>Talita Horniche</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Ex-voto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Nov 2022 13:11:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[tudo o que em mim parecia inexistir
a caatinga, o sertão, o retrato
grava a sorte

tal qual essa
que você de mãos finas arou
na casa de ciganas que sabiam amar

e todas elas eram eu
então canto fino
kukukaya, eu quero você aqui
kukukaya, presta atenção em mim]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Este é um livro digno de nota. Note-se, para começar, o título, que designa objetos artísticos doados às divindades como forma de agradecimento por uma graça alcançada ou pagamento de alguma promessa. Note-se a estrutura em quatro partes: “Fogo, Danação, Cinzas, Arrebatamento”; sugerindo uma trajetória de penas, morte e ressurreição. Note-se a poesia intimista, surgida de um mundo interior cultivado, urdindo uma poética da observação, conexão e sentido vazada em linguagem por vezes elíptica e lacunar, feita de digressões, frases entrecortadas. Note-se as referências e diálogos com outros textos e autores, e os versos muitas vezes flertando com a prosa. Note-se o humor, preciso e corrosivo, atento às ironias e hipocrisias da sociedade. Note-se como os textos transitam entre raízes familiares, leituras, sonhos, mas sobretudo a memória e o cotidiano.</p>
<p style="text-align: justify;">É conhecida a afirmação de Ferreira Gullar de que a poesia surge do espanto. Neste sentido, os poemas deste livro parecem querer nos dizer que, se olhadas com atenção, até a mais rotineira das experiências é de fato espantosa. Desse modo, a realidade imediata se estabelece como ponto de partida para muitos dos poemas, num exercício meditativo (porém ativo) de presença e observação, como, entre outros, nos poemas “Aos urubus da avenida Omar O’grady”, “Despertador”, “O piolho de Cassandra” e “Depois de tudo”, onde o mundo exterior do rio e do cair da tarde (com suas árvores, pássaros e animais) se mistura com naturalidade às imagens e associações do mundo interior do sujeito lírico, e no qual o fluxo poético e lírico desse encontro é desfeito, de forma sintomática, pela chegada incontornável de outras presenças e subjetividades.</p>
<p style="text-align: justify;">Note-se, portanto, que a poesia aqui emerge não só da observação, mas do atrito com o cotidiano, do embate entre a realidade objetiva (os fatos e coisas e seres externos) e a subjetiva (o mundo interior, os sentimentos, as associações e referências do sujeito lírico). Estabelecendo uma atenção relacional ao mundo que é também uma investigação do mundo por meio da linguagem, que funciona como um vínculo, um veículo, uma ponte, uma forma profundamente humana de conexão e contato com os seres e as coisas ao nosso redor. Note-se, assim, finalmente, que é preciso embarcar quando uma poeta digna de nota nos concede um passeio pelo mundo visto por seus olhos, cérebro e nervos. <span style="color: #ffffff;">Maíra Dal’Maz</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Márcio Simões</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Endereço certinho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Nov 2022 18:47:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[os próprios fenômenos a própria natureza
te cura
os próprios fenômenos da natureza
me curam as ondas
do mar fazem qualquer coisa na ordem do planeta
que te curam
e me curam de qualquer contratempo ou
intempérie que
o coração de cada um possa
causar em cada um as próprias
frentes frias os próprios ciclones bomba as nuvens
de gafanhotos as nuvens
as sombras
os eclipes ou
o eclipse.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Eagle Igor, Eagle Mo, Igor Mozão, Igor em sobrevôo citadino é a águia tropical; a harpia amazônica que plana também nos céus do Pará [de onde emerge o Igor, em toda a sua exuberância]; a ave de rapina planando sob um arpejo eletrônico de technocarimbó. Planando com as asas para trás e o bico cortando o vento, chega a São Paulo e pousa no alto de um prédio da Santa Cecília. Eagle Mo fisga em plongée a cidade, os prédios e os amantes conformados da mesma matéria — pra qual endereço eu envio essa missiva? Onde fica a casa do meu amante? —;  a palavra forjada pelo concreto armado que é herança de uma venerável poesia brasileira. Em outro tempo, a arquitetura maciça subtraída de arabescos de Le Corbusier incidiu sobre a antilira cabralina [joão CABRAL de melo neto, o CABRAL que fundou um país porque criou uma língua]. Aqui, no Eagle Mo, mesmo de forma obtusa e violentamente erótica, ela aparece, a máquina de comover<em>, </em>que cria as habitações duras e antilíricas e por isso mesmo arranca de quem as habita o maior e mais derramado lirismo; não é nem Igor, nem Cabral, nem Corbusier, nem o michê do trianon que vão te dar o lirismo embrulhado em celofane. É na brutalidade que se alicia o habitante desses prédios ou desses corpos à produção de poesia. Igor entrega o seu edifício duro e, para o desfrute lírico-erótico, roga colaboração de quem escuta. Igorila King-Kong, em cima do prédio, observa a cidade; embaixo do prédio, em contra-plongeé<em>, </em>engole o prédio, mastiga e cospe de volta. De que jeito eu ou você podemos nos avizinhar desses poemas e dizer coisas sobre uma poesia que infla as palavras, desafia a bidimensionalidade da página e dá volume ao escrito, poesia de arquiteto &amp; pedreiro — endereço certinho — ?  Escrita com volume é ter a palavra, a locução, o verso e a estrofe para se esfregar neles, versos superfície cilíndrica de se colar a pélvis contra eles, palavras para nelas passar óleo bronzeador. O leite da pedra. De repente o livro, que é um sobrevoo, agora é um perfurador de britadeira, e não mais que de repente é um trator em alta velocidade ou um rolo compressor (mas o voo da harpia tem também esse brilho). Dunas de cimento, infestação de latinos, autocoroação do homem objeto. Lendo as palavras do Igor é possível, mais ainda do que ouvir a voz dizendo tudo, sentir o respingar da saliva da boca de onde sai essa voz; o som, a textura e o veneno dessa saliva.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Arthur Braganti</strong></p>
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		<title>Peito cheio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Oct 2022 14:33:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ele me atravessa de uma forma
tão cortante
que por um
momento
não sei mais quem sou.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Arrisco-me a dizer que o livro de mariana ozório está cheio de vida. Um <em>peito cheio</em> de vidas que pulsam e corações que batem acelerados. A obra revela a voz de uma escritora que não nega a beleza e nem o espanto da vida. Minicontos, poemas fragmentados, frases perdidas ao longo do percurso, versos repetidos, discursos de formatura criam uma espécie de canto no qual vozes orquestradas por ozório cantam e celebram a possibilidade de a vida ser reinventada, mesmo que no curto intervalo entre o “corpo na vertical e o corpo na horizontal”, como anuncia a puta que entra em cena.</p>
<p style="text-align: justify;">Se “as coisas mais doloridas precisam ser ditas em outras línguas”, uma voz não hesita em balbuciar em um bom português “estou ocupada demais me despedindo da mãe que tive” ou “dói como o dia de uma viagem qualquer/em que vejo meu pai voltar/mas eu não o reconheço”. Mas este peito é grande e nele cabem também aquelas vozes que berram, quase como num manifesto, que “o sonho da vida perfeita é vocês todos irem pra puta que pariu”. Cabem também as que desejam “violenta-me com a mesma veemência/de um animal em um abatedouro”, “nunca mergulhar duas vezes no mesmo rio, nem na mesma buceta”.</p>
<p style="text-align: justify;">A poética desta jovem escritora é puro movimento. Às vezes é como aquele “doispralá doispralá”, em outras “um samba carnavalesco” e ainda como aquele “menino-homem” que dança ao som de Britney Spears. Mas não se iludam, as vidas inventadas nestas paisagens sangram um “sangue vermelho-cinza-barro”, e em alguns instantes é como se elas tivessem o mesmo peso de um pente de recarga “e isso dói/dói como um dente inflamado engolido pela pele bucal/dói como um apêndice supurado/dói como o dia em que você foi embora/e nunca mais voltou”.</p>
<p style="text-align: justify;">Como anuncia um outro alguém em dado momento, até podemos ter “o mesmo tamanho agora/mas uma vida inteira nos separa”.</p>
<p style="text-align: justify;">Arrisco-me a dizer que em <em>peito cheio</em> os corações batem acelerados, e todos dançam numa combinação “perfeita de um carnaval comunista”.</p>
<p><strong>Anderson Feliciano</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Bem-vindos os bárbaros</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Oct 2022 09:44:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Viver é isso
na cara lavada
todo dia
o sol]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Os bárbaros não somos nós, e sim aqueles que nos invadem, “tão doces, tão cruéis”, como a epígrafe de Gilberto Gil por Moama escolhida para acolher, dar margem a esse rio de contenteza, de braveza, de beleza. Também me sinto tão bárbara quanto a estranheza de poder ler todos os poemas do livro “numa tirada só”, numa matemática que já somei e subtraí e dividi muitas vezes, nessa leitura de corpo inteiro. São quarenta e cinco poemas, e o meio dessa conta pode ser o poema “Vulgo amor” ou o poema “Ode à barata”. Entre os dois, está lá “Theodor W. Adorno”, estamos eu e você, leitora/leitor, entre duas cartilhas de muros: uma primeira, que abre o livro e nos convida a “derrubar fronteiras”, e uma última, terceira, que fecha o livro e nos convida a repensar a poesia, o poema, a escrita. Moama escreve em diálogo com tantas mulheres; todas convidadas a dançar nessa roda, pois Moama abriu a caixa de abelhas, e são elas que recebem os bárbaros, “antes que que eles voltem/a cavalo/antes que eles cheguem/em navios”. Os poemas soam como exercícios de resistência, como convites para que possamos seguir de mãos dadas com mulheres que abrem brechas com “mãos que acenam o amor”, com dedos que ensinam o prazer. E Moama abre mais caminhos e revela as leituras e escritas todas de quem aprende e ensina, mais apreende que ensina, porque de verbo a gente precisa mesmo, mas não de esperas tantas, porque as esperas nem sempre são infinitas, infinitivas; são ações de gozo, como no poema “Banquete”. Nessa costura, nessa contagem, nessa numeração, chegamos ao meio, aos gatos, ao gato que “afia a trama”, ao gato de Cortázar, pois sobre Cortázar, Kafka e Ulisses interessam muito mais o gato, a barata (“morre aqui o mito da barata tonta”), o cão e esse jeito de falar da escrita do poema, que é também escrita de um corpo, pois tudo é sangue, tudo é carne, tudo prazer. Escutamos os gritos de mulheres que escreveram como se fossem outras, que escreveram para viver, em tempos outros, e que escrevem, hoje, embriagadas de poesia, que dançam e gargalham ao ler todos estes exercícios de “beleza diabólica”, em mais um diálogo que Moama estabelece, agora com a escrita de Herberto Hélder. Por fim, recebemos o convite para “Habitar a casa”, habitar a poesia que soma, mais do que toda a minha matemática. E que venham os bárbaros, pois temos a poesia. Desse encontro nos alimentamos, nos saciamos e ainda temos muito “o que fazer na cidade”. Vamos ocupá-la com a poesia de Moama.</p>
<p><strong>Ana Marinho</strong></p>
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		<title>Cancioneiro da desilusão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Oct 2022 13:20:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">asas fechadas
um selo sobre os lábios
olhos no chão</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Ler <em>Cancioneiro da desilusão</em> é embarcar em duas viagens. A primeira é a do narrador personagem, descrevendo vivências de um imigrante japonês que chega ao Brasil na segunda metade do século XX. A segunda é a do leitor dentro de si mesmo, à medida que o texto apresenta condições humanas universais, propiciando contemplações sobre a própria vida: a expectativa causada pela iminência do contato com o novo, a sensação de despertencimento, os caráteres braçal e moral do trabalho são temas que instigam tanto reflexões pessoais como a empatia com o imigrante que chega em terra estranha.</p>
<p>Do mesmo modo como esse leitor duplamente passageiro, no renga (連歌, &#8220;poema encadeado”), também as estrofes estão em um jogo de duplicidade. A estrutura desse gênero de poesia japonesa é tal que toda sequência de duas estrofes constitui um poema. Sendo assim, à exceção da primeira e da última estrofes, todas as outras formam dois poemas: um com a sequência de versos antecessora, e outro com aquela que vem depois. Dessa maneira, o renga maneja simultaneamente a repetição e a variação, mantendo uma unidade temática ao mesmo tempo em que modifica as imagens apresentadas.</p>
<p>Originalmente, essa poesia era composta por dois ou mais poetas, que escreviam cada uma das estrofes intercaladamente. E é apenas por isso que o texto de Karen Kazue Kawana é chamado &#8220;pseudo-renga”. Em <em>Cancioneiro da desilusão</em>, cada estrofe ajuda a revelar duas cenas da narrativa, ressignificando seu próprio sentido enquanto conduz a progressão da história. Os versos “um rapaz da cidade/com aspirações rurais”, além de promoverem o encadeamento entre as cenas, têm a capacidade de sugerir um cenário de ares idealizados quando juntos da estrofe anterior:</p>
<p>leio sobre flores<br />
espécimes tropicais<br />
plantar e colher<br />
um rapaz da cidade<br />
com aspirações rurais</p>
<p>E a de constituir um quadro de teor realista ao serem lidos com a estrofe que os sucedem:</p>
<p>um rapaz da cidade<br />
com aspirações rurais<br />
enxada em punho<br />
pele queimada de sol<br />
trabalho árduo</p>
<p>Assim, o texto de Karen Kazue Kawana exibe o fluir característico do renga: foca no presente, através dos poemas formados a cada cinco versos, enquanto realça a transitoriedade de todas as coisas no recontextualizar de cada estrofe.</p>
<p><strong>Leonardo Reis</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Contos desencantos: literatura de ninar &#038; histórias da peste</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Oct 2022 12:25:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em <em>Contos Desencantos</em> somos convidados a mergulhar no mundo moderno colapsado. Nesse, a crise dos indivíduos representa pequenas mortes simbólicas e banalizadas. Ao tatearmos esse universo caótico e caricato, entre contos e poesias, sentimos como se o livro tentasse de diversas formas achar novos pontos de ancoragem para a reflexão sobre o viver. O leitor crítico e atento irá se perceber como sendo a pedra de toque almejada.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O livro de ficção de estreia de Ronaldo Kirilauskas,<em> Contos Desencantos: Literatura de Ninar &amp; Histórias da Peste, </em>apresenta um rico exercício de imaginação voltada à reflexão sobre nosso cotidiano.</p>
<p style="text-align: justify;">Transitando entre a poesia e o conto, o livro traz sujeitos atormentados pela violência das relações sociais, atentos aos momentos de revelação da violência que se esconde na cordialidade.</p>
<p style="text-align: justify;">O lirismo crítico dos poemas também surge nos contos, como é o caso da narrativa “A salvação da ignorância”: “enfim havia descoberto, entre as obviedades técnicas resultantes da observação do fogo, como o fogo nos observa. Como o fogo é por dentro. Qual a verdadeira alma do fogo. A ciência novamente dava um enorme passo na reconciliação com a igreja”.</p>
<p style="text-align: justify;">Professor de geografia, o autor oferece um bom mapeamento sensível dos trabalhadores e de sua vida cotidiana, revelando afeto por aqueles que não se encaixam, assim como um respeito que dignifica suas escolhas e seus desejos. Veja-se, nesse sentido, a abertura do conto “O preço do pão”, com um trabalhador desempregado que se pensa, reflete sobre sua habilidade com a linguagem e vê a insuficiência do mundo que o submete com uma certa ideologia do trabalho — “Sempre se julgou melhor cronista que trabalhador fabril. Mesmo assim se empenhava”.</p>
<p style="text-align: justify;">Não é fácil, depois da demanda pela experiência de isolamento social e pela vivência da violência estatal que o Brasil presenciou nos últimos anos, querer escrever literatura, menos ainda uma poesia que nos oferte um olhar carinhoso, ainda que exigente.</p>
<p style="text-align: justify;">Veja-se, por fim, este convite de um dos narradores: “Concluí com um certo orgulho poético, embora logo depois viesse a esquecer, que as voltas que o mundo dá separam as pessoas como se essas fossem pedras de dominó mexidas por mãos habilidosas”. Se o mundo separa as pessoas, a literatura mostra essa movimentação — por vezes aleatória e violenta — e nos permite participar do jogo com mais compreensão e com a sensibilidade apurada.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mônica Gama</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Istmo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Oct 2022 20:11:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[quero ouvir ininterruptamente
ininterruptamente o som do seu coração
escutar escutar escutar
até a hora de romper
até a hora de escoar
até saber te perceber
até saber te repetir
e te percebendo, te repetir
como se repetem as ondas
as linhas da minha mão]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“Istmo: 1 (geografia), estreita faixa de terra que liga uma península ao continente; 2 (anatomia), estreitamento que conecta duas partes de um órgão”. No mesmo dicionário, descubro que o termo deriva do grego, <em>isthmós</em>, “lugar por onde se vai”. Ao fim da busca, lá por quinze pra uma da manhã, a atenção flutuando entre sono e vigília, navegando a esmo em páginas de definições informais, uma imagem me deslumbra:</p>
<p style="text-align: justify;">Istmo é uma “língua de terra apertada.”</p>
<p style="text-align: justify;">É como sinto este livro de estreia de Nathália Lima, cujo título me conduziu à pesquisa descrita acima. Num vocabulário que se sustém em “terra estreita”, os poemas aqui anunciam pela palavra o que escapa à palavra. Surge na leitura a impressão de estarmos caminhando em solo pouco; nós e nossos pés escassos, à deriva.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Istmo</em> é um convite a que abracemos a errância, o passo em falso, a queda e a vertigem como modo de ser da poesia, como lugarejo onde o próprio dizer testemunha uma ferida que está fora da língua — corte sem batismo, “selo escorregadio”, “uivo” nascido no corpo, na coisa viva. Esse é o chamado de Nathália, e ela o faz com o raro domínio de recursos expressivos que só se vê na grande poesia, com plena liberdade quanto a se movimentar pelas imagens e sons, intercalando fluidez e corte.</p>
<p style="text-align: justify;">Temos em mãos um livro de interstícios, do que se tateia nas divisas, entre “escamas, velas, sinos trincados”. Atravessá-lo é aprender a falar um “palavreado apertado”, compreender que há rios que se deixam antever mesmo em “terra seca”. É sobretudo descobrir que “o mar esconde epígrafes”, e que talvez seja possível lê-las nas ruínas de cada litoral, nos despojos sobre a areia — tapete de cascalhos, de moluscos. De pedras e perdas.</p>
<p style="text-align: justify;">Um “peixe sem título” nos arrasta pela garganta nestas páginas. Através do animal fugidio, a poeta indica que poema e corpo se singram mutuamente, do que se depreende então uma marca. Uma cicatriz que canta.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mar Becker</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Mágicas dores mínimas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Oct 2022 00:46:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">Das tuas tetas verte
meu sumo insano.
Cuceta, cacete,
a cara do demonho.</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em> <span class="fontstyle0">Mágicas dores mínimas </span></em><span class="fontstyle2">são poemas escritos ao longo de uma década (2012–2022), entre Minas Gerais e São Paulo, e registram os espantos cotidianos, o transe e os trânsitos, as saudações e as despedidas pelos caminhos do corpo. Marcas da passagem à vida adulta, também guardam, nesse sentido, algo de romance de formação, de auto-ficção de<br />
</span><span class="fontstyle0">coming out</span><span class="fontstyle2">, de fábula e de conto de fadas — enfim, dos territórios da fantasia e do mito. Trata-se de poesia estranha (cuir): haicus, dísticos, trípticos, críticas, cânticos para ritos, hinos, ladainhas, litanias, minicontos de horror e duvidosos bilhetes de amor.</span></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Lençóis frenéticos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Oct 2022 00:38:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">venho confundindo a função dos objetos
tenho posto farinha no bumbum do nenê
talco no teu mingau
afago-te o cabelo ralo como se limpasse o fogão
e limpo o fogão como se limpasse a mim
esfrego cada cantinho, não quero ver nada
feio, só quero que ele fique como novo</span>

<span class="fontstyle0">
nunca ficará.</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span class="fontstyle0">Em </span><em><span class="fontstyle2">Lençóis Frenéticos</span></em><span class="fontstyle0">, segundo livro de Fernanda Eda Paz, a poesia se apresenta despida das diplomacias iniciais, próprias de estreias. Explico-me. No livro inaugural, o primeiro poema publicado solicita, de quem escreve, algum aceno à tradição, alguma notícia de ciência sobre as muitas poéticas que vieram antes daquele gesto criativo, como faz, por exemplo, Adélia Prado em sua </span><span class="fontstyle2">Bagagem </span><span class="fontstyle0">de estreia (1976). E, de certa forma, </span><span class="fontstyle2">Saudades de estranho</span><span class="fontstyle0">, lançado<br />
em 2017, nos apresenta uma escrita atenta ao passado, na mesma medida em que elabora o presente — com epígrafe de Hilda Hilst, desenvolvendo poemas como &#8220;Tem uma cidade dentro de mim&#8221; e &#8220;Os burgueses do Leblon”, suas imagens e movimentos de linguagem demonstram que muitas vozes poéticas estão ali, lado a lado, caminhando juntas. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="fontstyle0">Agora, não. Se no livro de estreia há &#8220;uma cidade que não morre / uma cidade que não nasce. / Tem uma cidade dentro mim / que preciso parir&#8221;, aqui, despida da macropolítica do cotidiano e mergulhada na singularidade do corpo, a voz poética, mirando o espelho e não mais a cidade, afirma: &#8220;preciso amá-la, preciso desesperadamente amá-la/ ensinar a ela o que é o amor, o amor bom / ou a tragédia será para sempre / o nosso destino&#8221;. E nesse mergulho, nessa atenção à fabricação de corpos e línguas para os afetos do presente, o amor, &#8220;amorinteiro&#8221;, enquanto campo e gozo da completude do instante, é a prova dos nove. Nele, cabe nomear os afetos — sejam os ativos, alegres, construídos a partir de quem enuncia e sabe que sangra e transborda (“Eu sangro, eu desço feito cascata / eu transbordo para os lados / em que você diz: não!”); sejam os afetos tristes, passivos, impostos pelo capital e sua face sempre branca, masculina, cisgênera, misógina e violenta. Cabe também nomear o luto, assentar livros e ideias, pois, a despeito de todas as questões, laços são laços. Cabe, inclusive, voltar ao útero, evocado no livro de estreia, pois sua escrita vive em plena consciência de que, entre mãe e filha, é impossível haver &#8220;objetos sem história&#8221;. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="fontstyle0"><span class="fontstyle2">Le<em>nçóis Frenéticos </em></span>apresenta uma poeta consciente daquilo que deseja dizer, derramar e expurgar enquanto linguagem, em exercício contínuo de tatear, na tangência, novas possibilidades de casa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="fontstyle0"><strong>Moisés Nascimento</strong><br />
</span></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Eu tento ser grato, patrão, eu tento ser grato sim, patroa</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/eu-tento-ser-grato-patrao-eu-tento-ser-grato-sim-patroa</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Oct 2022 13:09:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ser uma graça em estado de metralhadora
tirar as balas do pente para chupar
ler a bíblia como se estivesse em um consultório
e defronte ou de costas à bandeira azul-vermelha-estrelada e seu
hino da guerra, sempre cínico,
nunca vacilante
conspirar e sorrir antiamericanamente]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Estamos no século 21 e a vida está acelerada. Quanto mais se trabalha, mais acelerada a vida fica. Perdemos tempo no caminho e na pressa de recuperá-lo, nos alienamos mais ainda daqueles detalhes que diferenciam cada uma de nossas experiências. Os detalhes são valorosos, porque a regra é da homogeneidade. A maioria trabalha, a maioria sofre, a maioria consome (se permitido), a maioria dorme (quando dá) e começa tudo de novo como esperado. Nessa história, vamos esquecendo que a vida em comum deve unir em consciência, mas os detalhes importam. Joaquim Bührer sabe que os detalhes importam.</p>
<p style="text-align: justify;">A “pobre alma trabalhadora” de que Bührer fala é o que resta em modo de sobrevivência, aquele pedacinho da essência humana que se tenta proteger de um sistema que cobra tudo e abocanha tudo se puder. Quem trabalha um dia morre, mas morrer trabalhando já é demais. O capitalismo já tira a vida, tirará também até a morte? Aqui nós, amantes da poesia, encontramos um dos muitos segredos que o poeta revela a cada página. <em>eu tento ser grato, patrão, eu tento ser grato sim, patroa </em>traz consigo a rebeldia do cotidiano do trabalho, da precariedade, das negativas sociais, que mora entre a norma da obediência de classe e o impulso corporal, consciente ou não, que impede genuína gratidão aos ladrões de alma e suas mansões.</p>
<p style="text-align: justify;">Os poemas aqui contidos foram escritos entre 2019 e 2022. Foram atravessados por pandemia, gestão de morte, deterioração do que resta de vida da classe trabalhadora, novos módulos de opressão, repressão, perseguição e a horrenda sensação de caminharmos de volta ao passado cruel que formou as desigualdades da nação brasileira. Mas o Brasil pode ser mais, já diziam os intelectuais, seja Lélia, Florestan ou Darcy, que ensinaram que devemos olhar para o nosso lugar a partir dele mesmo. “Conspirar e sorrir”, escreve Bührer de uma forma que poderia ser um mantra, mas pela natureza política – como deveria ser – de seus poemas funciona também como um manifesto.</p>
<p style="text-align: justify;">A quem ainda se pergunta se há tempo para a poesia se vivemos cronometrados pela uniformidade do capital: claro que há. E se por acaso não há, que o criemos. O mundo livre não irá se anunciar sem que saibamos apreciar os detalhes do hoje e do porvir. Que a pulsão de utopia que brota entre as palavras mais cansadas e as mais destemidas dos poemas de Joaquim Bührer agucem nossos sentidos para quando a hora chegar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sabrina Fernandes</strong>,<br />
socióloga, autora e educadora</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Remoso</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/remoso</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Oct 2022 11:04:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[atravessar a garganta de um beija-flor
caminhar sobre sua língua
a bifurcação
do canto único
o coração do beija-flor é proporcional
ao peso de duas pernas
no corpo
de mãe cila
imaginar uma vez na vida
asas estáticas em plena suspensão...

<strong> </strong>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Não se atravessa o <em>Remoso</em> impunemente e convém avisar: quem considerar que pode ler o livro de forma inocente corre imenso risco. É andança que pede pés descalços e curtidos. <em>Som de batuque/corpo tomba no enterro/ sol caindo no couro.</em> Já nos primeiros passos os olhos piscam como que diante daquele raio em temporal inesperado de dia que nasceu azul. As mãos, por sua vez, envergonham-se um pouco do tremor e pensam se não seria melhor pousar o livro por alguns minutos sobre a mesa, mas já não podem&#8230; cativas, continuam, em gesto obediente, percorrendo as páginas com um misto de cerimônia e volúpia. E há também o som que, remosamente, invade o corpo e faz tambor fundo, dentro, ignorando as tramoias do labirinto e se atrevendo a outros atalhos – <em>Som do agreste. Fole/ trincando desprendido/ da sanfona. Do primeiro/ movimento até sua extensão/ máxima, o mergulho do pássaro</em>. No fim da travessia não se sai dele mais leve, não se sai em estado de primavera; a gente sai chacoalhado e varrido pelos ventos que ele convoca. Como Clarice Lispector bem apontou: “arte não é liberdade, é libertação”. Pois é isso: saímos mais libertos. Os ventos levam para longe as folhas que já não se nutrem da seiva. Ficamos só com a seiva pulsando.<br />
A escrita de Ivan Braz é maestrina ousada e, no concerto do poema, chama à vez, com o mesmo peso no arranjo, tanto a palavra quanto a sua falta, ou: a não-palavra. Pode ser que Ivan queira ‘apontar com o dedo’, tal como o seu dileto Gabriel García Márquez, aquilo que ainda não tem nome. E ‘apontar com o dedo’ significa trazer o seu corpo ao texto. Talvez por isso, ao ler o livro, tenha sentido tanto a presença do autor por todo canto. Vejo o Ivan Braz como um pastor a movimentar seus rebanhos de palavras. Hoje ele pode considerar que esta palavra fica bem ao lado daquela, mas, no dia seguinte, dependendo da fome de cada uma, pode muito bem criar outras movimentações. E é importante notar que em seu pasto há espaços para que as palavras-ovelhas respirem. Talvez deseje ele que, de tempos em tempos, elas olhem-se com certa distância para melhor se medirem em suas forças.<br />
Ivan diz de onde veio. Se ele é de Feira de Santana não é menos verdade que Feira é dele também. Porque de outra forma como poderia ele desaguar em um livro de poesias tantas diferentes formas, cores, sabores, sons sem que se duvide, nem por um momento, da singularidade da sua linhagem? Ivan diz a que veio.<br />
<em>Café preto e pão torrado pela manhã/ e já penso que deus é bom.</em> Valha-me Deus, porque tem escrita que rasga a gente por dentro.</p>
<p><strong>Lu Lessa Ventarola</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>O que há de autêntico em uma mãe inventada</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-que-ha-de-autentico-em-uma-mae-inventada</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Oct 2022 16:16:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[entre nós há o mundo inteiro
e seu barulho
as pessoas imersas à pressa
presas às nove
e mais presas ainda às dezoito

entre nós há o incontável
borboletas, portas fechadas, o azul
há até aqueles que desistiram de estar aqui
e tudo parece se expandir

entre nós há quase tudo
mas se eu fecho os olhos
sinto o peso e a leveza de sua mão

sinto você deixando suas digitais
em todo canto da minha pele

e quando te sinto enfim não há mais nada entre nós]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A escritora afro-americana Toni Morrison, quando questionada sobre a maternidade, afirmou que o lugar de mãe, para as mulheres negras, nunca significou meramente opressão, pois era também um lugar em que projetos de liberdade podiam ser gestados, sonhados e levados a cabo. Além disso, ela acreditava que as mulheres negras deviam prestar atenção às “propriedades ancestrais” que herdaram, o que envolve, principalmente, a capacidade de cuidar não apenas do outro, mas também de si.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse sentido, Oluwa Seyi, nos poemas de seu livro de estreia <em>o que há de autêntico em uma mãe inventada</em>, revela, na verdade, como há tudo de autêntico na mãe que inventa, pois ela é também uma herdeira das propriedades ancestrais. Em seus versos a maternidade se torna não apenas uma inspiração ou um tema, mas o lugar a partir do qual Oluwa materna a sua criança interior, materna a jovem adulta com medo do futuro e, principalmente, parteja palavras como quem deseja parir um mundo em que as vidas negras não sejam interrompidas o tempo todo.</p>
<p style="text-align: justify;">Da poeta que não sabe abandonar a própria carne, uma “casa que me prende/que não é confortável ou quente”, à poeta que afirma “serei, pelos séculos, a mulher da minha vida”, acompanhamos a jornada de alguém que aposta na capacidade e na possibilidade de gerar vida como força e potência da sua existência e de sua poesia. Ao mesmo tempo, é a maternidade que também a assusta e desperta o desejo de jamais dar à luz num país que “mata por capricho/criança que ousa nascer preta”, rogando por Iemanjá, pois “chorarei quando me souber grávida”.</p>
<p style="text-align: justify;">Em seus poemas encontramos, então, uma menina-jovem-mãe que sonha, chora, ama, se cansa, tem medo, tem coragem — virtude que “só cresce em condições adversas” —, mas sem esquecer de se ver “como potência de outras vidas”, rezando e cantando os nomes dos rebentos futuros que, ainda que não nasçam, já vivem em sua poesia. Nada mais autêntico, então, do que a mãe inventada de Oluwa Seyi, uma “mulher parida” que escreve como quem materna. Sua poesia é, sem dúvidas, sua propriedade ancestral.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fernanda Silva e Sousa,</strong><br />
crítica literária, tradutora e professora</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Sismos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/sismos</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Oct 2022 15:00:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[entendo de vazios
de fomes
e de cios
alimento bestas
engulo abelhas
e trovões

sei de abismos
desfiladeiros, depressões
de sismos, de frações
e de inteiros

entre terremotos
abalos sísmicos
e devaneios
forjo meu paraíso
nos escombros
e nos entremeios]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Cefas Carvalho reúne em<em> Sismos</em> poemas em estado terroso, de solo, epicentro e lava, talvez um pouco de fogo, mas sem voos ou águas. Poemas arenosos que transformam a aridez em ar possivelmente respirável. Ao lê-los, temos a sensação de um soco, mas também de um sopro.</p>
<p style="text-align: justify;">Como um Hades grávido de cactos e pedras, talvez também grávido de mortes, esse poeta nos brinda, em seu primeiro livro de poemas, após o livro de contos <em>Não sei quantas almas tenho</em>, com um diálogo com o chão, a terra, o espaço seco, vazio de estrelas, pleno de ecos bárbaros e diários.</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, é um jornalista que escreve, e, como tal, a rispidez da existência aparece. Além disso, é também um autor de quatro romances publicados com as trepidações, já sem muitos devaneios, de um homem em sua quinta década de vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Ler <em>Sismos </em>também é encontrar Perséfone beijando o submundo, tecendo com agave e sal as linhas mais duras da vida e da morte. Ícaro às avessas, Cefas mantém o corpo poético no plano médio e baixo, quase réptil.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse convite à dureza provoca um impactante espanto filosófico. Tal qual uma pedra na garganta, é uma poesia que dói com pouco sangue, mas lateja e fere como treva.</p>
<p style="text-align: justify;">Terminamos a leitura deste livro com essa treva nas mãos: meio planta, buscando ar, sol, raiz. O poeta trouxe duras sementes para que possamos plantá-las sob nossos pés. Lê-lo é também dialogar com a terra escura, com a morte e a sorte.</p>
<p style="text-align: justify;">Entre bordados, fardos, rochedos, azulejos, o poeta tece e destece sua tapeçaria e nos apresenta um livro sem ardência nem dor, mas com uma árida e cálida força, como no poema “Ícaro, não!”:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>o firmamento<br />
</em><em>deixo para<br />
</em><em>vocês<br />
</em><em>que voem em vão<br />
</em><em>em paz</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>desejo o solo<br />
</em><em>o chão<br />
</em><em>e nada mais.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Enfim, convidamos todos e todas a essa leitura ríspida e bela.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Iracema Macedo,<br />
</strong>poeta e professora de Filosofia do Instituto Federal Fluminense</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Aranhas pensam com a teia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Oct 2022 14:52:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: center;">Batemos os pés no chão para levantar poeira.</p>
Outrora toda espécie de matéria sólida
as agora partículas aventam nossos passos
e sorrimos — veem-se as gengivas

Até os filhos das famílias bem-dispostas
fizeram ventar o rés do chão
quando crianças, como crianças
se não quando se deu
o indeglutível

Até os filhos das famílias raras

É como com os gatos —
buscamos o fundo do chão para
buscamos o fundo do chão e
resiliente, a energia reanima:
fúria redistribuída brilha
residual fragmento
funcional como uma lâmina ou
perfeito para enterrar]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Thaise Nardim estreia como alguém que publica poesias e enfrenta o inusitado do cotidiano. A poeta, aquela, como diz o poeta, que faz da luta com a palavra a luta mais vã, é colocada nessa tarefa por Thaise como a que capta a dimensão das coisas na balança do tempo — o seu tempo. Por isso, a realidade é entrecortada, como tem que ser — ganha um ritmo de quem faz graça porque não tem saída e <em>sente</em> para achar saída. Esses poemas, poemas de circunstâncias de poemas de circunstâncias, circunstancialmente pensados e tecidos a fios de ouro ou de cobre roubado do poste — como os que pensam, na tormenta ou no café da manhã, na padaria ou na performance, na obra de arte ou no modelo pronto, na conversa, no jardim, nos milênios.</p>
<p>Os poemas e a poeta às vezes se juntam, às vezes se separam, aranhas pensam com a teia, garante-se a proteção, o lugar de andar, sua armadilha e sua beleza: as teias — uma extensão do corpo, como as nossas caraminholas. Mas além e com o título tem a poesia, essa arte sutil, besta e grandiosa, que se faz no próprio ato da pena, na virtualidade do miúdo e no todo que rebenta o mapa da mina da humanidade.</p>
<p>A Thaise fez da sua inquietude intelectual-artística-política um deslocamento da exatidão que a palavra no poema exige. E fez muito bem. Louvo a sua estreia com essas passagens que tentam, intentam e encarnam uma prosa de vida, que é uma poética dela, das coisas, do cotidiano — do corpo em extensão e tudo, os seus adjetivos: “Tenho as pintas quebrando a monotonia da pele/e elas não significam nada até que sejam tumor” (“Interpretose”); e outro: “já cortei assim duas vezes;/tô ficando parecida com minha mãe;/tá no meio mas ainda posso pedir pra mudar;/foi isso que pedi mas acho que pedi errado;/quantos cortes será que já tive;/no fim das contas cabelo cresce rápido;” (“Cortes”); e mais: “Toda a tragédia que emergirá como afluente da correnteza dela./Filha criando a vida com suas linhas,/toda tragédia que emergirá como afluente da correnteza da mãe” (“Novela”). Poesia para ler e reler com partes do corpo e outras.</p>
<p><strong>Marcelo Brice,<br />
</strong>doutor em Sociologia pela Universidade Federal de Goiás (UFG), professor na Universidade Federal do Tocantins (UFT) e atualmente realiza estágio pós-doutoral em Literatura na Universidade Nova de Lisboa.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Aprender a se apaixonar observando répteis</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/aprender-a-se-apaixonar-observando-repteis</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Oct 2022 17:12:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Régia loucura que me rege
Cálice mostrado à altura da boca
Tomo suas poções
De letargia litúrgica
E ascensão aos céus
O bater coincide com o nascer de asas
De um pássaro humano
Volante voltande no determinado instante
Que não se demora e nunca se sabe
Nascido à loucura que reina
Do caos mais ordenado já visto
Que me rege</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Embora não facilmente identificável, existe um fio condutor discreto, quase imperceptível, que percorre toda a extensão de <em>Aprender a se apaixonar observando répteis</em>. Da potente inocência que se expressa no primeiro capítulo de maneira espontânea e irresistivelmente informal, através de afetuosas lembranças de expressões regionais, dinâmicas familiares e marcantes personagens, ao inquietante existencialismo encharcado de todo tipo de desejo impresso nos escritos mais recentes, somos conduzidos por uma voz que se altera, se desafia, se acostuma a cicatrizes recém-adquiridas, descobre novos mundos e se adéqua às circunstâncias que a cercam. Seria fácil ceder à tentação de usar o adjetivo “camaleônico” e assim fazer uma alusão ao título sob o qual residem estes textos, mas também seria injusto, preguiçosamente reducionista com o complexo registro apresentado por Robson Ashtoffen em sua promissora estreia literária. O poder destas reflexões claramente não se limita a agir sobre o narrador. Transforma as relações, ressignifica as memórias, adéqua as expectativas sobre o que se pode esperar de uma vida que se intensifica em seus percalços a cada momento.</p>
<p style="text-align: justify;">O amor enquanto servidão, a servidão enquanto gesto de amor. A ambição sem limites de “posar nu para Deus” e “ser condecorado o melhor dos humanos”. A tocante simplicidade de sonhar com uma máquina de moer cana dentro de casa. As necessárias fugas de realidade cotidianas na constatação de que “alucinamos ao beijar, chorar ou cair” — afinal, “alucinação é a linguagem”. Conviver com ideias que se assemelham a moscas inoportunas, do tipo que não vão embora facilmente.</p>
<p style="text-align: justify;">Tópicos tão distintos recebem como tratamento redirecionamentos estilísticos bruscos, imprevisíveis, assim como repentinas quebras no ritmo narrativo. Constrói-se, dessa maneira, uma biografia sinuosa e incomum, tanto em forma quanto em conteúdo. Como se o autor nos contasse sua história não através de fatos, sempre tão manipuláveis e sujeitos à censura da memória, mas ao nos apresentar quais eram seus questionamentos, percepções, paixões e anseios em diferentes momentos de seu desenvolvimento artístico e pessoal.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Jair Naves</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O tráfico de órgãos na poesia brasileira</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-trafico-de-orgaos-na-poesia-brasileira</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Oct 2022 14:58:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Minhas queridas amigas, já não sei o que poderemos fazer,
e talvez, e certamente, não exista mais qualquer tempo.

Mas digo que, por causa de vocês,
o suicídio se esqueceu dos lugares altos

e o que antes convocava ao mundo dos mortos,
num pisca-alerta contínuo,
tornou-se a luminária de nosso vagão-restaurante,
entre Belgrado e Sarajevo, num país imaginário, por onde
nós seguimos, sempre alegres, em passeio.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Neste <em>O tráfico de órgãos na poesia brasileira</em>, o segundo volume de uma trilogia poética que se iniciou com <em>Insta fantasma </em>(Urutau, 2021), desde o título o leitor é apresentado a uma imagem — o tráfico de órgãos — que sintetiza a reificação e radicaliza sua expressão. Se, desde os anos 1980, o tráfico de órgãos assustou, no noticiário, o imaginário brasileiro, hoje se trata de um assunto quase esquecido, deflacionado na nossa infindável lista de preocupações. Gabriel Morais Medeiros recupera esse passado para nos lembrar, com certa nostalgia sadomasoquista — “o passado/em devastação” —, que os terrores do neoliberalismo fascista dos dias de hoje já se anunciavam no neoliberalismo vanilla das décadas de 1980 e 1990. O tráfico de órgãos, assim como o turismo de transplante e o turismo sexual — temas recorrentes nesta obra, entre outros —, são consequências, todos sabem, de um projeto de precarização já antigo, mas que agora se pornografiza.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, o poeta assume a “posição fetal/passiva ante a netflix” para descrever e enfrentar o tempo, enquanto o tempo no capitalismo lentamente acaba. Estamos todos presos neste pesadelo, como no “feed do insta-fantasma” que não cessa de se atualizar, uns agonizando mais do que os outros, vislumbrando pelo “google glass adaptável/aos escudos faciais/apple watch em sincronia/co’a guarita antimendigo” um futuro que promete terminar por nos devassar, porque não há “fuga do mundo dos mortos”, mesmo com “‘sonho por sonho’ à playlist”, mesmo com “a minissainha voandinho”.</p>
<p style="text-align: justify;">[Arthur Araujo, escritor]</p>
<p style="text-align: justify;">Depois de tanto destroço social, do lixo e da glória televisivos, dos primórdios da internet, das décadas de neoliberalismo, dos antigos videogames, afinal, há vários fantasmas dos anos 90 dando voltas na poesia de Gabriel. O “et de varginha”, várias vezes citado, é um primor, é uma assombração cômica e recorrente. Diante dessas voltas, devemos talvez retornar aos primeiros poemas, procurar pelo bonito nome de Luane ou pela declaração à “pesseguinha”. Porque em meio aos ruídos dos ossos urbanos, em meio a tudo isso, há o afeto: “[&#8230;] seus bocejos flébeis, gráceis ao fim de tudo, enfim, nossas delicadezas alegres, travessuras, de verdade, inesquecíveis”. E ao afeto, Gabriel Medeiros dedica os poemas mais extensos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Maíra Vasconcelo</strong>s,<br />
poeta e jornalista</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Mamãe chora quando quando eu falo de partida</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Oct 2022 18:28:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Se eu morrer amanhã, não chore
Vá no meu quarto e quebre todas as janelas
Se o fatídico dia ocorrer amanhã
Não fique triste, rasgue todas as páginas de todos os meus livros
Se isso ocorrer, não pereça
Jogue minhas roupas na rua
Pois de mim, não me tenho
E de tu, não tereis
Por isso, me jogue no liberto júbilo do ar
Nos côncavos marulhos exorbitantes]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Uma casa que não proteja, mas que seja como os relógios de Dalí: paredes derretidas, escadas que mudam de lugar, um teto aberto ao céu — belo e ameaçador —, sob o qual o morador contará uma existência de amor, saudades e dor.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Arquiteto e mentiroso”, Felipe Matheus divide sua obra em capítulos-cômodos. Guiados por seus versos, percorremos entrada, quarto, banheiro, cozinha, quintal de um projeto quase antidoméstico, no qual não há fronteiras entre dentro e fora. Ao mesmo tempo em que deseja se esconder do mundo e blindar-se do fato de existir, o autor é atravessado por eventos que ultrapassam suas paredes tão permeáveis: a força imposta à pele preta, os avós que dançam e depois vão embora, a história e a memória que se refazem a cada dia.</p>
<p style="text-align: justify;">Com este livro, aprendemos que, quando sentimos muito e nos aventuramos a imergir no sentimento, seja ele o desespero de estar ou a melancolia de perder — um avô ou um possível amor —, os tijolos ao nosso redor umedecem de experiência. E então o universo inteiro, o completo cosmos de ser humano, passa a caber sobre uma cama desarrumada.</p>
<p style="text-align: justify;">Sem temer a linguagem, remontando as palavras para que ergam sua casa-carta, e usando-as num jorro que tem tanto de grito quanto de lucidez, Felipe Matheus nos lembra por que escrevemos. Não para encontrar o que procuramos sobre nós e sobre o todo e muito menos para erguer muros. Escrevemos para seguir buscando, o que significa continuar vivendo. <span style="color: #ffffff;">felipe matheus silva alencar</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ingrid Fagundez</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Bruxismo e outras automutilações</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Sep 2022 13:05:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<strong>Sinus</strong>

por trás da caveira
dança furioso um fluido
ouço o sono
a quais solos, a que custo a dor meço?
troco
estampas de amarelo por ataduras nos ocos
os círculos secam]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Investigar o corpo como um legista. Tratar o poema como uma dissecação. Captar a beleza na putrefação. São esses os eixos que constroem <em>bruxismo e outras automutilações, </em>estreia na poesia da professora e poeta Samara Belchior.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de trazer uma poética da intimidade, esta muito próxima, ainda, do incômodo, Samara se debruça sobre algo universal — a incompletude do corpo, ou a impossibilidade de mapear todo o aparelho sensorial que constitui um corpo. São poemas que, entretanto, buscam investigar um incômodo para além da dissecação, questionando conceitos como subjetividade e identidade que sobressaem dos processos fisiológicos retratados.</p>
<p style="text-align: justify;">Dividido em três partes, “matéria macia feita de pele deitada”, “ampliar os cortes para saber de que tecido é feito o eu” e “estruturas porosas”, <em>bruxismo e outras automutilações </em>busca trabalhar o corpo em suas interrupções, trazendo como material poético joelhos ralados, narizes escorrendo e, até mesmo, o processo de embalsamamento de cadáveres. São textos que evocam principalmente o conceito de <em>defeito</em>, mas que se catapultam, partindo destes, para um exercício de elaboração — seja da experiência corpórea, seja da construção poética em si.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse sentido, traça-se uma poesia em que se reconhece tanto a influência da ode ao silêncio proposta pela poeta argentina Alejandra Pizarnik (1936-1972) quanto a ideia de conscientização da morte, trabalhada pela escritora e agente funerária estadunidense Caitlin Doughty (1984).</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar da temática pesada — e dos versos curtos de Samara — percebe-se que a autora não se limita em termos de linguagem, explorando a disposição gráfica do texto e se atentando à escolha das palavras, reverberando a ideia inicial de se produzir um efeito físico em quem lê. Trata-se de uma escrita única, que carrega uma verve contemporânea, trazendo elementos performáticos em seu texto.</p>
<p style="text-align: justify;">No final, o que se tem em mãos é uma estreia bastante potente de uma autora que busca não se inserir, mas, sim, se reconhecer dentro do texto a partir de uma visceralidade — palavra que pode definir <em>bruxismo e outras automutilações </em>em sua totalidade. Trata-se de um convite ao eu, o eu que se enxerga e que se tem consciência a partir de uma autópsia.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Laura Redfern Navarro</strong><br />
poeta &amp; jornalista<br />
<a href="https://www.instagram.com/matryoshkabooks/">@matryoshkabooks</a></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Entre o que brilha e o que arde</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/entre-o-que-brilha-e-o-que-arde</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Sep 2022 13:00:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Somos talvez somente corpos
cravados nos ossos

os braços que pendem
do tronco vertebral

o valor da espécie
no peso do metal

desejamos de volta
as asas que antecedem

o traçado original,
a cicatriz ou a luz

que nos unia e nos separava,
hoje, silenciosos e errantes

entramos no espelho,
entramos na segunda morte.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O título do livro prenuncia de imediato a presença de dois polos fundamentais, faíscas cintilantes que tanto iluminam quanto cegam o leitor que se aventurar por essa paisagem às vezes fria, outras vezes incendiada, e por onde desfilam figuras andôginas, máquinas mortíferas ou florestas milenares. É nesse pêndulo oscilante entre a ameaça e a esperança, entre o que se projeta para o futuro e o reflexo distorcido do passado que se constroem as tramas principais dessa nova coletânea de Prisca Agustoni, atravessada por temas caros à sua poética, como a migração, o plurilinguismo e a constante indagação da memória coletiva e individual.</p>
<p style="text-align: justify;">O teor metalinguístico de sua escrita está presente no diálogo intenso que a autora estabelece com artistas plásticos e escultores, através do qual propõe reflexões sobre o próprio processo criativo ou sobre a sempre necessária releitura da história. No entanto, se em abertura do livro as estátuas da artista islandesa Steinunn Thoraridsóttir — de aço e de bronze — evocam corpos mudos e sem expressão, através das palavras da poeta, aos poucos, estes assumem uma feição cada vez mais humana, mais semelhante a cada um de nós — perdidos e inertes no caos contemporâneo. Assim, as instalações metálicas  do escultor suíço Jean Tinguely – que evocam a crueldade do holocausto — são ressignificadas a partir de uma voz lírica (e áspera) que parece se levantar da sucata, dessa “fábrica de dejetos”.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro diálogo com as artes plásticas está na sequência que encerra a coletânea. Como explicita Prisca Agustoni, trata-se de uma tentativa de fixar em palavras o movimento interior da artista suíço-brasileira Mira Schendel (migrante assim como ela), movimento este que foi motor de criação em suas obras pictóricas ou em suas instalações, através de um inquieto interrogar a natureza do real (em sua materialidade) na medida em que foi <em>se interrogando</em> sobre os mistérios da existência.</p>
<p style="text-align: justify;">Já na seção central “Arcaicos” — como coração pulsante de um animal ancestral — é onde se desdobram as temáticas recorrentes em sua escrita — a memória individual, a relação entre as línguas, o espanto diante da morte por COVID do último membro da etnia Juma, a releitura dos vários incêndios que devastaram o país, seus museus e suas florestas.</p>
<p style="text-align: justify;">Em definitiva, esse livro, breve e intenso, se compõe por indagações que se cruzam ao longo dos versos, se aproximam, circulares, como uma corola em cujo centro polinizador está a poesia em estado bruto, ardente, lacerante, brilhante.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Roseira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Sep 2022 14:31:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[acontece às vezes de uma criança
ser criada por uma mãe enlutada
os efeitos psíquicos no desenvolvimento
dessa criança
talvez não sejam conhecidos

20 anos negando
7 anos frustrada
6 anos triste
13 anos em terapia
e contando]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">De todas as flores, a mais encontrada na literatura, a mais cantada, a mais trovada, a mais grafada é a rosa: da rosa que Lúcio, transformado em burro nas <em>Metamorfoses</em> de Apuleio, deve comer para se tornar novamente um homem, a <em>Rosa das rosas</em> de Alfonso X, a <em>Rosa do povo</em> de Drummond. A Rosa de Aiezha contesta rosas anteriores: dedica-se a uma mulher de cem anos. Seu nome Rosa possui uma multiplicidade que chora, decepa, ironiza, expõe. Em toda a obra, o nome das mulheres aparece com a letra capital minúscula, como se fossem meros substantivos, enquanto os homens conservam bem seus nomes próprios na autoridade maiúscula. A mulher na história dos Homens ocupa o lugar do anonimato, do não ser humano: Rosa múltipla se torna um nome geral, um não nome, por mais que tenha uma identidade, como se apenas vidas importantes importassem. Aiezha também joga (e debocha) do científico: rir da ciência opressora, racista e patriarcal — definições de rosa, suas vastas espécies bem classificadas, seus lugares-comuns, rosas que se destacam. Cantar a memória de mulheres permanece um ato oral, como no poema guiado pela expressão “diz que”, marco sonoro, não escrito, perde-se no ar, não fica. O mistério de rastros biográficos está presente: casamentos que não protegem, o sobrenome Pinto (como a rosa, é coisa múltipla: ameaça, poder, linhagem: pode ser decepado, como a flor da roseira), um certo Natal de 88, as coisas que mulheres não dizem por medo, os gritos de pavor, as tradições familiares. A epopeia da rosa termina com o ato de se tornar pedra: apesar da sua imobilidade e aparente falta de subjetividade, a pedra permanece. Poemas de flor escritos em pedra: para ficar, estar, ser livremente.</p>
<p><strong>Laura Cohen Rabelo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Debaixo dos paralelepípedos o mar</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/debaixo-dos-paralelepipedos-o-mar</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Sep 2022 14:01:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">seu olhar sufocado assim
estilhaçado assim é
infelizmente
uma correspondência
uma forma de conduta
um olhar para o chão
o movimento matemático dos vencidos
um engano</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Debaixo dos paralelepípedos o mar</em>, segundo livro do poetamigo Igor Teodoro, é um convite ao mergulho em um oceano clandestino. É como se você estivesse caminhando durante a tempestade pelas margens das calçadas, nas ruas soturnas e cravejadas de buracos onde paralelepípedos rebolam soltos em busca de encontrar um lugar sempre côncavo demais para seus formatos. Você caminha com os pés encharcados por água doce e mijo de rato, desvia de restos vegetais, mucos humanos, sacolas plásticas, salta paralelepedras e se dá conta de que aquela é a única hora em que se sente grande diante do universo de tralhas carregadas pela água da chuva. Você olha de cima quantos mundos podem escorrer pelas valas e usa a ponta dos pés para atrapalhar o fluxo e frear o redemoinho. Tropeça no paralelepípedo quase pontiagudo, cansado de tentar se encaixar, e ali debaixo dele se descortina o mar: como numa abertura teatral. Nesse momento a escolha inefável do mergulho marítimo. Abrir o livro é o trajeto, o tropeço e o encontro salino depois da saga. Navegar sem bússola sobre o peito do poeta exposto nas entranhas e nos vértices. Nadar pelo recôndito. Pescar as palavras íntimas e melancólicas. Puxar a rede e ver o âmago. Remar sobre as páginas em um passeio anatômico e tocar as cavidades e os órgãos do poeta. Ver de perto a palavra — baço — fígado — coração — pleura — pulmão — tórax — pneumotórax.</p>
<p style="text-align: justify;">Saber de cor seu vocabulário náutico, tatear a quilha — espinha dorsal — que sustenta a embarcação e suporta os movimentos. Ancorar ao porto a palavra — corpo. Um corpo-mar que quer estar, flutua e persiste — bélico ou político, miúdo ou expansivo — permanece, enfim, o livro — corpo — mar aberto do poeta.</p>
<p style="text-align: justify;">Um livro de amor, não esse clichê hollywoodiano, brochante e inalcançável, mas o amor que nasce e morre nas trincheiras dos muros, em que o único resquício de romantismo é o picho fodido: &#8220;luta comigo?&#8221;. O amor que resiste à barbárie, como a flor Drummondiana ao furar o asfalto.</p>
<p style="text-align: justify;">Acabar a leitura é rasgar o peito do poeta como quem abandona a tripulação costurando delicadamente com linhas trançadas por mulheres ribeirinhas que entoam cantos de lamento e emprestam suas mãos, as carícias em administrar os fios. Fechar o livro é como terminar o último ponto na certeza de que a cicatriz permanecerá, mas não intacta o suficiente para deixar de derramar as palavras que não conseguem sair e nem podem ficar.</p>
<p><strong>Tainã Vidon</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>As cidades de Calvino</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Sep 2022 13:15:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">Decifrar signos
Signos ocultos
Aos olhos incautos
O dia do sábio
O dia em que conhecerás
Tudo e tudo mais
E decifrarás
Tudo e tudo mais
Emblemas entre emblemas
Se desfaz</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O mundo do poeta Natalino Oliveira é infinito. As fronteiras se perdem e as cidades se expandem. <em>As cidades de Calvino</em> é um convite à errância, ao caminhar sem rumo: “Que minhas cidades sonhadas?/O mel que escorre em meus rios/O céu estrelado em pleno dia/Sol e lua e frescor/A imagem, a fresta, a estrada/Prezado <em>Kublai [Leitor]</em>/Segui-me em caminhada”. Pegue o livro, abra um vinho e se deixe perder.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Os límites da miña lingua son os límites do meu mundo – The limits os my language, are the limits of my World</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Sep 2022 11:51:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[tradución - traducción - translation
andrés catalán
isaac xubín
keith payne]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Things being so urgent, when you<br />
open a book its leaves should take you<br />
back to the forest they came from,</p>
<p>—</p>
<p>Se temos en conta a conxuntura, ao abrires<br />
un libro as súas follas deberían levarte<br />
de volta á foresta da que saíron,</p>
<p>—</p>
<p>A pesar de tanta urgencia, cuando<br />
abres un libro sus hojas deberían hacerte<br />
regresar al bosque del que proceden,</p>
<p>Vestige, Grace Wells<br />
traducido por Isaac Xubín &amp; Andrés Catalán</p>
<p>—</p>
<p>Un anxo acendeu a nosa fronte<br />
cunha marca de sete espellos. Un anxo<br />
cos xenitais na voz e ningún idioma<br />
para a vergoña, con fariña nas palabras,<br />
verbos só de vogais felices coma estrelas<br />
e unha vez que estoupen<br />
volveremos ao segredo sen mensaxe da nada.</p>
<p>—</p>
<p>An angel lit our brow<br />
with the mark of seven mirrors. An angel<br />
with genitals in his voice and no word<br />
for shame, with flour on his tongue,<br />
verbs only of bright vowels like stars<br />
that when they explode<br />
will return us with no news of anything.</p>
<p>Angelus Novus, Jesús Castro Yáñez<br />
translated by Keith Payne</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>A vida inteira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Sep 2022 18:06:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<strong>۩ – idade do ouro</strong>

falo de quando, por tanta alegria
de sermos amados, caímos
no chão <em>oh!, viva carne</em>
<em>que vai perder a voz</em>
<em>no pranto</em>, falo de quando
inspirados, nós construímos com martelo e pregos o cenário
e o fóssil de um anjo separa
as asas da cal
dos muros, na parte alta. falo de quando
eu abraçava em você a vida inteira: a sua
e a minha, que luziam unidas por uma alegria pré-histórica
na noite, que chegava pelo oeste
sobre a campina, falo de quando
você retornava virgem pra mim
numa transparente hemorragia de luz — oh!, coisa
extraordinária
de natureza ordinária — oh!, vida
toda intacta, toda
bagunçada, antes que o amor
limpe
tudo, para trás
tudo, a vida inteira

<em>9.10.13</em>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Há algo de selvagem na escrita de Maria Grazia Calandrone. É preciso explicar: refiro-me ao selvagem pensando na qualidade daquilo que nasce, cresce e vive como um pequeno milagre, sem demandar atenção ou cuidado, e, acima de tudo, na qualidade daquilo a que não se pode domesticar. Falo de quando amor, vida e morte subvertem o que poderia ser considerado a justa medida.</p>
<p>Adotando diferentes registros, a poesia de Calandrone flerta com intensidades. Em um poema desta seleção, ela diz: “como são laboriosas as criaturas,/com quanta atenção passam os pincéis/nas pranchas de madeira/no entanto sabem que devem morrer”. E mais adiante, no fim desse mesmo poema: “(…) o sorriso que/diz eu estou vivo, eu neste momento/estou vivo pra sempre”.</p>
<p>Viver o momento como quem vive para sempre é não abrir mão da vida durante aquele instante. É isso que, ao que me parece, ela faz tanto no conteúdo quanto na forma da sua poesia. Claro que, ao mesmo tempo, há o reconhecimento de que nunca se deixa de morrer enquanto se vive. A vida é tecida em espirais: “Não adianta lembrar/quando o amor se transforma em monstro. Não adianta lembrar/quantas vezes eu já morri/enquanto estava viva. Não adianta lembrar/do abandono. Uma pessoa é aquilo que ela contém/depois de a vida/ter trabalhado a tora da vida/até a medula, até dela fazer um barco levíssimo/que se mantém no mar/sob qualquer céu.”.</p>
<p>Para finalizar, há um trecho específico que grifei e gostaria de mencionar aqui. Calandrone, a certa altura, diz: “é por esse/raio de sol sobre as louças/pela calma solidão/das coisas/e pelo luminoso estar/das coisas em si mesmas/que continuamos vivos”. No fundo, é o exame detalhado da vida que norteia esta seleção precisa de poemas. A vida inteira — e seus pequenos milagres, pulsando sob uma lupa.</p>
<p><strong>Lilian Sais</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Matéria do sopro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Sep 2022 13:00:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Deixa, amor, os limões
para outras bocas
e comamos nós as amoras
mais silvestres.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O silêncio, a luz, o mar distante, o cansaço, a solidão, muitas vezes desejada, algumas vezes sentida, percorrem a poesia de Ezra Pereira. De poemas finos, com imagens iluminadas, mas sem esquecer a escuridão, esta obra traz algo que se sobrepõe: a Terra. Ezra tem apego ao chão, à natureza dos pássaros, canto de cigarras, mesmo ao corvo — que “pousa na página/e não é a morte/o que anuncia&#8230;”, mas “indício alado de alegria”. Os valores da Terra, o <em>amor fati</em>, mostram o eu-lírico como um <em>flâneur </em>entre os continentes do mundo, pelas terras da Ibéria, da Gália ou do Brasil. Mas, de novo, mesmo na sua errância, o silêncio se faz necessário, para que os versos surjam. Resta nesse silêncio apenas o vento — “respiração única/da Terra”. Enfim, este livro é do poeta de nome cristão-novo, atento aos Antigos, romântico do velho e do novo mundos, mas que escreve enraizado no território de indígenas e de diasporados d’África. Tantos lugares, tantas línguas. Todos da Terra, pátria da sua alma. Do seu corpo, unidos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ricardo Evandro Santos Martins</strong></p>
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
					
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		<title>Despótico, despolítico, despoético</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Sep 2022 12:25:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<strong>medidas diplomáticas</strong>

quantas tragédias seriam evitadas
se houvesse uma régua
e um banheiro
para medir o tamanho das armas
dos homens de estado
flácido.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Phillipe Sakai (1987) me foi apresentado pelo nosso amigo em comum, Thiago Hansen, como “alguém que eu precisava conhecer”. Bastaram duas palavras para entendermos a proximidade de nossos projetos artísticos e políticos (há diferença?) e começamos de imediato a publicar juntos semanalmente na Hecatombe Edições. Na coluna política “QuintasHeca”, possibilitadas pelo trabalho primoroso de nossa editora Débora Ribeiro, produzimos poesias e imagens de urgência sobre os acontecimentos abjetos em nosso país. Imagens e textos se juntam em sentido como ideogramas chineses — não podem ser pensados em separado, pois os desenhos não são meros apêndices decorativos do texto. O significado é criado no espaço entre.</p>
<p style="text-align: justify;">Em seus poemas, Phil trava as línguas dos leitores, como o país que tropeça em seus descaminhos, evoca imagens e imaginários, varia tecnicamente em estilos e recursos poéticos, usando eu-líricos improváveis, demonstrando sem exibicionismo grande erudição. A justaposição dessas diversidades cria um todo articulado em várias camadas. Assim também fiz com meus desenhos em nanquim, numa estética diretamente desenvolvida pela coluna semanal e que perfaz sentidos parciais que se ativam num todo, exigindo idas e voltas, páginas de um <em>sketchbook</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">De nossas experimentações de quase dois anos de produção, Débora nos convidou para publicarmos este livro. <em>Despótico, Despolítico, Despoético</em> reúne elementos nervais e nervosos do nosso país em crise, de um ponto de vista irônico, que ri, mas que também chora, e que também ergue os punhos. De “pô, emas”, pastos, mi-mi-mis autoritários e contracheques escandalosos até a resistência dos expatriados, sobreviventes e lutadores, este livro é lançado como um molotov incendiário. Uma bomba. Mas uma bomba de versos, pois é com eles que Phil e eu nos armamos <em>versus</em> os “<em>versus</em>” daqueles que são contra. Nas fissuras que subvertem, um Brasil profundo aparece.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Yuri Campagnaro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Dpois se vão tb os ddos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Sep 2022 12:39:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[vivemos desde sempre produzindo e acumulando objetos
junto com os objetos, veio a atribuição de sentido
depois veio a imagem do objeto, signo que o substituiu:

palavra. junto com os objetos, veio uma pergunta
sobre o tempo. e, sobretudo, sobre a finitude. as coisas
permanecem. ou não. vão-se os dedos, ficam anéis

depois se vão também os anéis, ficam imagens. pessoas
se vão, ficam memórias. corpos também se vão, ficam imagens
até que se apaguem. ou que se perca a senha da nuvem.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Anéis nos dedos. De mãos oníricas que desfiam tramas e tecem novas urdiduras no que quase foi. E salpica ainda, em gotas citrinas, rumo à dissonância de uma ironia que desconcerta. Tudo pode viger, agora como outrora, em rotas e derrotas de vida e sonho. E que a tudo abarca, de quando em vez. Livro alusivo, eivado de matizes entre o que se aspira, inspira. E pode expirar. Ao longo dos caminhos. Dos descaminhos também. Sua leitura nos captura sob o naipe do inaudito.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste texto de espessa intensidade e ineditismo formal, uma bisneta contra-canta com ancestrais imagéticos, adejando díspar, por espaço e tempo, vem a pousar na crueza do real que assola e ensombra. Narrativa em que nos cabe erodir, elidir. E se aquilo que escapa à devora nos revigora, outro verão há de vir.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>C. O. Viana </strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>De onde me vim nunca me fui</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Sep 2022 13:46:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[um dia
vou fazer um poema tão
de mulherzinha mas tão
de mulherzinha que dele
verterá [como a nós nos
coube: a dor. o sangue.
o leite. a língua de
lilith.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">nada antecipa a poesia. fiquei pensando da orelha, logo da orelha, que quando orgânica mais escuta do que diz (quando escuta), pois logo nos livros (maresmo de palavras em silêncio em busca de quem as leia, transborde a cheia), logo nos livros se mete a querer falar, antecipar alguma coisa&#8230; y logo da poesia, isso que nada antecipa.</p>
<p style="text-align: justify;">: a poesia antecipa nada</p>
<p style="text-align: justify;">: nada antecipa a poesia</p>
<p style="text-align: justify;">vamos, então, à orelha:</p>
<p style="text-align: justify;">que ainda assim acho importante pendurar palavras à orelha pendurada ao livro poema de michele. que é dos santos como eu; com quem partilho ainda o ofício de poeta; no entanto convém explicitar uma desparecença: a afirmação de um feminino uteral que ela defende e do qual eu, pessoa não-binária, me evado — no que vou parafrasear a poeta: também passei borracha na mulher que me desejaram pra ser. me pôs a pensar se a racha é mesmo essencial ao feminino, se a lacuna é mesmo fundante da subjetividade, se o único jeito de receber o sol é mirando de frente, se há caminhos pra uma poética feminista sem sangrar o tempo todo corpo, de útero ou não, de mulher.</p>
<p style="text-align: justify;">só que aí acabo por antecipar alguma coisa dos versos que você, que pegou contigo este <em>De onde me vim</em>, vai saber por si: pousar a retina nesse sol que michele santos aquece.</p>
<p style="text-align: justify;">às vezes a ponto de queimar.</p>
<p style="text-align: justify;">noutras, como brinquedo de acriançar (aprendi aqui, no livro, esse verbo bonito).</p>
<p style="text-align: justify;">às vezes, princípio vital da fotossíntese pra alimentar insubmissões radicais anti-asfalto, anti-desamor (o futuro é a floresta, a autora é de câncer).</p>
<p style="text-align: justify;">ela faz historicismas, também, neste de onde se veio. tem também uma tentativa corajosa de sobreviver a muitos afogamentos, muita dor. sem nem se negar, nem se render (à dor).</p>
<p style="text-align: justify;">é um livro cheio de cicatriz (assim me a/pareceu). mas sem faltar a magia da palavra-poema que tenta antecipar, se não o futuro, um desejo de que ele vingue (feito árvore, não a revanche):</p>
<p style="text-align: justify;">y nisso a poesia de <em>De onde me vim nunca me fui</em> também conjura feitiço antigo de palavrar.</p>
<p style="text-align: justify;">agora leia você, mire seu sol. talvez, sim, poesia seja tantas vezes um depois na palavra, processo de plasmar pensares, sentires, falares, sonhares em palavra&#8230; mas ainda um desejo-devaneio de futuro: brotar a palavra no chão.</p>
<p>tatiana nascimento (dos santos)</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>O limiar das fendas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-limiar-das-fendas</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Sep 2022 15:34:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<strong>pero vaz da língua</strong>

Entre as pernas do homem, há origem de um continente.
Nele, marés e ondas de saliva em boca levam, afônico, o ser
De um cais-testículo a uma ilha de extensão vertical e rígida.

Ela pulsa, mas só sobrevive quando o céu da boca, encharcado,
Atinge a superfície de sua terra brasílica e rega a vegetação-glande.
É a exceção de toda invasão: esta, não matando, implora e pede.

Quando a navegante-língua desbrava a extensão do mundo, sente,
Estática, que daquela seringueira não deve extrair o látex na tigela.
Português, pois, revertida, fecha-se no navio e parte até outras índias.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A poesia iconoclasta de Douglas Laurindo não propõe, simplesmente, a destruição das imagens sagradas da nossa cultura machista e heteronormativa. Sua operação é a da devoração criadora, com ressonâncias do sonho de Oswald de Andrade. Trata-se, porém, de uma antropofagia particular: devorar o interdito, o proibido, a normatividade e, nesse ato, devorar a si mesmo para recriar-se livre e potente, mesmo na interdição, entre as fendas:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>“e como eu caminhasse/por aqueles pátios líquidos/de violência falada,/algo inesperado se via://a fenda é o espaço/estreito no qual o fio/morte e vida termina.” </em></p>
<p style="text-align: justify;">O desejo nasce nas fendas — dos becos urbanos, do corpo — e manifesta-se despudoradamente na linguagem: <em>varas que latejam</em> à procura de preencher os buracos abertos pelos processos de subjetivação colonizadora de nossos corpos e mentes. Como Adília Lopes, Laurindo está ciente de que esse uso da linguagem constitui “<em>um jogo bastante perigoso</em>” e sabe também que é o único jogo possível, numa sociedade que, desde a infância, fode os corpos <em>queers</em> diariamente, porém lhes censura o direito de foder. Em<em> O limiar das fendas</em>, a violência erótica atinge novos significados, insuspeitos.</p>
<p style="text-align: justify;">A leitora destes poemas ouvirá, entre outras, ressonâncias de Adelaide Ivánova — ignorância deliberada dos “níveis de fala” e produção de imagens que expressam diretamente o que se quer dizer —, Mário de Andrade — o boi como metamorfose da cultura e da palavra — e Dorothea Tanning, de quem Douglas poderia perfeitamente roubar estas palavras: “Por favor, esteja ciente de que irei vacinar o mundo com um desejo de espanto violento e perpétuo”.</p>
<p style="text-align: justify;">Particularmente, este livro me fez lembrar Hélène Cixous: “A literatura como tal é <em>queer</em>”. Douglas Laurindo nos dá uma poesia em que as identidades se diluem: tudo é processo, produção e performance. Devore-a e seja por ela devorada.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Eleazar Venancio Carrias</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Água mínima</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/agua-minima</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Sep 2022 12:43:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<strong>recomeço</strong>

Só hoje notei que as
cadeiras estão bambas
e que a lâmpada do quintal,
de súbito, em algum
momento morreu.
Percebi que a gaveta não
mais fecha sua boca e nem
esconde sua língua seca
sem salivar, e que
vilancetes e madrigais
(ou mesmo rondós e haicais)
por ora não fazem sentido.
Através do vidro canelado
vi que os carros, moto
contínuo, levam ainda
motoristas tristes e fumantes
mastigados pela presteza
dos rádio-jornais,
e que agora pela fresta
já não chega nenhuma luz.
Nesse final de exílio morto,
científico e filosófico o
próprio corpo, diz que se
faz necessário amanhã,
já de antemão,
erigir o céu.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Água mínima</em> precisa ser lido com os ouvidos atentos. A melodia composta por Alexandre Ladeira — palavra a palavra e com ritmo e fluidez — conduz o leitor por três atos de inquietação, dúvidas e encantamento. Não necessariamente nessa ordem, mas quase sempre simultâneos.</p>
<p style="text-align: justify;">Sem ignorar os cânones (mas a partir deles), o poeta experimenta e tensiona ao introduzir cada ato com uma citação que aponta para artistas sempre atuais. Alexandre deixa claro que tem os pés no presente e anuncia: os conflitos e prazeres dessa obra são inerentes às almas também contemporâneas.</p>
<p style="text-align: justify;">O vocábulo “luz” surge diversas vezes ao longo do texto, um convite a enxergar as trevas que nos consomem e as possibilidades além delas. Da origem do mundo ao brilho de um vaga-lume, do valor da alma ao mistério da lâmpada. Não será surpresa se, depois da <em>Água mínima</em>, o leitor perceber que lá fora “é tudo pó de poesia”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Aura Grube</strong></p>
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		<title>00:00</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Sep 2022 14:43:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[casa

substantivo feminino
do latim, casa.ae, que, em português, data de 1221
sinônimo de lar domicílio residência vivenda

ou

espaço material no qual
os bicos dos peitos, sem escrúpulos, tocam
o dentro das blusas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Nesta primeira coletânea, Fernanda Lira já demonstra habilidade em lidar com diferentes recursos da linguagem poética: o verso livre, o poema em prosa, entre o narrativo e o expressivo, o poema em forma de conversa, de fragmento de diário, de lista em que a poesia aparece em meio a itens de supermercado. Também é significativo o uso do espaçamento e de recursos gráficos que produzem tensão entre significado semântico e potência semiótica — herança mallarmaica homenageada ambiguamente em um dos poemas. A intertextualidade, ora mais ora menos explicitada, é bastante presente também, aproximando diferentes tipos de discurso como o da filosofia e o da música pop, o da poesia da tradição moderna e o do mais “infraordinário” coloquialismo.</p>
<p style="text-align: justify;">O poeta Paulo Henriques Britto empresta seus versos à epígrafe, abrindo o livro, portanto, sob uma marca de intensidade e falta, que reaparece no modo como a primeira parte, intitulada “de tout coeur<em>”</em>, é seguida de poema intitulado “Se segura, Cinderela”. A Paulo e Mallarmé vêm se juntar referências tão diversas como o escritor surrealista Michel Leiris e as cantoras pop Rita Lee e Lana Del Rey, citada em um poema em que a poesia é mostrada como “pseudoautobiografia” conflitante: “hope is a dangerous thing/for a woman like me to have<em>”</em>. Essas e outras citações musicais dão o tom da segunda parte do livro, não por acaso intitulada “.mp3<em>”</em>. A ela se seguem as nomeadas como “retalhos e pílulas”, que ajudam a confirmar a tessitura, entre excesso e falta, dessa poesia.</p>
<p style="text-align: justify;">No conjunto de procedimentos convocados, se encena uma possibilidade de atualização do lirismo como subjetivação dramática do escrever e do apagar, do escrever apagando — dolorosa conjugação da arte de poder com a arte de perder, a si mesma, inclusive ou principalmente, como ensina Elizabeth Bishop, lembrada no poema “Não é nenhum mistério”. Mostrando coração, corpo e palavra sempre à beira da queda, do que já foi e do que ainda não é, tempo-espaço <em>00:00</em>, como apontado desde o título do livro, a poesia de Fernanda representa uma bela promessa.</p>
<p><strong>Celia Pedrosa</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Máquina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Sep 2022 12:45:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O problema está em nomear as coisas.
Um nome pode desencadear tristes destinos.
Tanto quanto possível,
evita essa tarefa ingrata.

Se nosso irmão não se chamasse Caim,
teríamos Abel conosco esta noite.
O pai nunca se perdoou por ter
escolhido o nome errado.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A poesia será uma língua de fogo ou não será. Evoco a bela e forte imagem bíblica para saudar a poesia de Eleazar Venancio Carrias e por perceber sua palavra poética não apenas compartilhando de uma centelha daquela labareda contagiante, mas também por reconhecer nela a capacidade de se comunicar comigo na minha própria língua, naquela linguagem íntima e primordial que só a poesia sabe e pode acessar, e que é única para cada indivíduo. Assim, recebo esta poesia com entusiasmo, palavra da qual gosto muito, por significar literalmente ser tomado pela divindade. E a qual deus servimos melhor, senão à Poesia? Isto é para dizer que esta Máquina irá tocá-lo a fundo, leitor, menos como um dispositivo artificial, mas como um organismo vivo, algo que se move e que põe coisas (percepções, pensamentos, palavras) em movimento. Uma poesia que é filha da elegância da luz. E não será por acaso que a lucidez e a claridade que amalgamaram a poesia de João Cabral de Melo Neto e a arquitetura da máquina de comover de Le Corbusier pareçam se movimentar entre os poemas de Carrias, não como referências explícitas, mas como cintilações, seja no cultivo de relâmpagos, ou no elo quente silêncio da fruta esquecida sobre a mesa. Do mesmo modo, como em todo trabalho poético que se preze, cintilam outras vozes, outras referências que, no entanto, só afirmam que a poesia de Eleazar Venancio Carrias tem brilho próprio e veio para ficar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MICHELINY VERUNSCHK</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>minha raiva com uma poesia que só piora</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Sep 2022 12:42:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[a poeta amola a faca com a sua língua. a faca amola a poeta
com a língua dela. a língua da poeta é uma faca. a faca da
língua é uma poeta! quem é mais língua? a faca, a poeta ou
língua? a poeta amola a faca com a sua língua. a faca amola
a poeta com a língua da poeta que amola a faca com a
língua que amola a língua com o amolador da faca. língua-
-faca, faca ou tiro de bazuca? que arma é a língua da poeta?
que língua é a faca da poeta? em que língua a faca fala? em
que faca fala a língua da poeta? em que poeta fala a língua?
em que língua fala a faca da poeta? quais línguas são faca
e quais língua são fala? quais poetas são faca? que línguas
são amoladas? a minha língua é fala, faca ou amolador? a
minha língua é de poeta? poeta-faca, poeta-fala, GRITA,
poeta! mata camões! genocida da língua, da língua de camões.
amola a faca-língua, corta inteira a língua de camões.

<strong> </strong>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Qual é o lugar da pertença na miragem de um mundo sem fronteiras? Penso ser a partir deste território de profundidade que a Carol desenha a sua cartografia poética, estabelecida entre a fragilidade de uma ponte indestrutível e a leveza intensa de um uivo afirmativo. O uivo, qual oásis no deserto deste mundo selvático, radica na raiva como única virtude humana capaz de legar testemunhos de lugares que os vernizes da civilização pintaram como inóspitos. E a ponte, erguida sobre a dádiva do encontro, carrega presságios de um gesto vocal articulado com a partilha desmedida na nudez de um face-a-face. É esta voz-raiva poética, voz-ponte inabalável e voz-espaço de liberdade que se lança no mutirão de um verso pontiagudo, debruçado sobre as páginas do futuro, para abanar os pêndulos da história e determinar o rumo do seu próprio destino. <span style="color: #ffffff;">carol braga</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Lucerna do Moco</strong><br />
é a palavra-poema de Gabriel Capiñgala. Artista natural do Huambo – Angola (1994), formado em direito e dedicado à vida para tocar o universo pela oralitura actuante, tendo como veículos a escrita, a música, o teatro e a performance. Vencedor da sexta edição do Portugal.SLAM! (2019) e Vice-Campeão do 7º Campeonato Europeu de Poetry Slam (2020).</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Desejo absoluto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Sep 2022 10:59:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<strong>mortalha</strong>

a úmida neblina
encharca
meus olhos de vidro
recebo
ligações constantes
o silêncio berrando
ao pé do ouvido
à meia-noite
meu adormecido coração
preserva teu nome
me deixaste
no olho do tornado
do sangue
das almas inocentes
tenho uma nova faceta
dormente — sólida
não demorará
até o dia da maldição
meu veneno correrá
por tuas estreitas veias
sentirás então
a pele seca
o corpo oco
os lábios gélidos
o beijo da morte]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">E haja luz: &#8220;com o fogo não se brinca/porque o fogo queima&#8221;. É o que diz Adília na epígrafe deste livro de poemas, quase como se, pela própria escolha de pontuar tais palavras, Déborah Bacelar falasse que tecer sua poesia e exibi-la ao mundo fosse ato de combustão, perigoso e arriscado. Mas qual o risco? O risco do desejo, de querer. Esse ato, tal qual sua tessitura poética, se desdobra no campo do subversivo bíblico, revirando as entranhas hipócritas de falsos dogmas e atribuindo ao já conhecido texto novos e poderosos sentidos. Transita também no âmbito da memória, da afetividade familiar não construída, do significado de escolher liberdade mesmo quando o contrário seja o considerado normal. É poética de vida, morte e, claro: de desejo. A lumieira está posta, e o fogo está pronto. Brinquem.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Matheus Santos</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Tudo que ancora em mim</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Aug 2022 12:51:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[lembrei que coisas que causam danos
irreparáveis levam nome feminino
não me importei com a problemática:
dei teu nome ao furacão]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Ancoramos nosso corpo no amor lendo Manoela. O amor da mulher, com a mulher e para a mulher que deságua e escorre para viver na escrita a beleza e a dor até o seu último dia-palavra. Não só o amor dedicado a outro ser, mas à vida, à si e ao relato fotográfico de um acontecimento onde está pulsante esse sentimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Denotar a máxima intransitividade desse sentimento que nos move e por vezes nos para, nesse caso vindo de uma escritora, é dizer que o bloco de notas é “todinho seu”, ou seja, seus escritos transpiram amor. Quando ela se encanta ou cai junto no seu abismo; quando ela brinca ou quer viver junto dele o absurdo, quando suspira ou entrega as chaves a ele. Se o amor machuca para a poeta, vale a pena escorrer como água, dobrar seus joelhos para ele e sangrar. Como em Sophia de Mello Breyner Andresen, em Dia do Mar (1947), “nas tuas mãos trazia o meu mundo”.</p>
<p style="text-align: justify;">Começamos com os dedos molhados de suor lendo, fluímos como água-sangue nas veias, no toque e terminamos com os eles molhados de água salgada, lágrimas e gozo. A força da água está muito presente, como sendo a água o amor e vice-versa. Matilde Campilho, em Jóquei (2015) escreveu “os peixes respiram debaixo de água e se você mergulhar entre as rochas e se concentrar muito também vai conseguir”, em “Tudo Que Ancora em Mim” conseguimos respirar embaixo da água se nos concentramos nas suas linhas e entrelinhas. Saímos dele, então, com a sensação de que a vida é mulher, como em Hilda Hilst, em Alcóolicas (1990), “Deita-te comigo. Apreende a experiência lésbica: O êxtase de te deitares contigo. Beba. Estilhaça a tua própria medida.”</p>
<p style="text-align: justify;">Vamos juntos com o barco de Manoela em direção a esse furacão que nos arrasa e nos alegra, pois “um corpo é um corpo na medida da conexão com os outros”, e um livro é um livro também nessa medida. E esse livro nos conecta de tal forma que sentimos na pele do olhar a mulher ferina e ao fechá-lo, o cheiro da mulher poesia infinita, vivendo.</p>
<p><strong>Cláudia Cesca</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Santuário [das tartarugas e dos vira-latas]</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/santuario-das-tartarugas-e-dos-vira-latas</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Aug 2022 15:21:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[solidão é um trio
de calças listradas,
um número par
e mais um,

ímpar.
os números primos,
amigos caros,
e os filhos bastardos,
cisnes raros.

é dos amantes
feita de penas
de ganso nos hotéis,
motéis, a noite sobra
nos lençóis

(a falta dos anéis)

quem dera
descobrir ainda
que os patos
não carecem cura.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Gosto de pensar que poemas são objetos de montar, coisas que podemos construir com as mãos: quebra-cabeças, tangrans, origamis. Vem do Oriente essa artesania milenar de transformar quadradinhos de papel em pássaros, flores, barcos. Ao ler o livro de estreia da poeta mineira Bia Mergener, me deparo novamente com essa metáfora que é uma espécie de afirmação do fazer poético: os poemas, assim como outros brinquedos, montam-se e desmontam-se a partir dos arranjos que criamos com nossas mãos, órgão motriz e matriz conectado à cabeça e ao coração por milhares de células e canais energéticos.</p>
<p style="text-align: justify;">Cuidado, no entanto!</p>
<p style="text-align: justify;">Ao contrário dos brinquedos projetados para crianças, Bia Mergener faz do <em>risco</em> um convite, nos propondo um flerte com a melancolia e sua potencialidade de ocupar o mundo a partir de uma sensibilização singular. O prazer (como essência do lúdico) mantém-se, entretanto, intacto. Bia fabrica seus objetos-de-papel polindo suas arestas para que sejam finas e cortantes, como o vidro e como o vento, como neste poema que se parece com uma fotografia em movimento: (<em>sinto falta) da minha bicicleta azul/e dos cigarros blue camel que fumava/escondida </em>—<em> de quem? </em>—<em> no caminho de volta/pra casa, nos pontos de ônibus, nas ruas/escuras e úmidas de Copenhagen. </em></p>
<p style="text-align: justify;">Ou como nesta outra imagem em que cor e texto confluem para um espaço poético inusitado e antagônico: <em>Slow down, em neon na parede dos fundos/Slow down enquanto toma café (&#8230;) slow down, enquanto a vida lá/fora corre, a pressa comendo os segundos/faminta, o sol suando a testa dos passantes.</em></p>
<p style="text-align: justify;">A inteligência poética da poeta encontra-se em saber que a melancolia, entretanto, é um estado transitório: uma lente. Os mesmos cacos de experiências e imagens afiadas que provocam feridas na pele fina dos dedos nos fazem querer voltar para a vida com mais curiosidade, tomar um sorvete de pistache, segurar a casquinha doce e gelada entre as mãos, imaginar (e escrever) outros mundos que possam se desdobrar no papel como os sabores ocultos se desdobram (e se revelam) na ponta da língua.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Flávia Péret</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Pontos no mapa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Aug 2022 15:09:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Os que hoje oferecem
à voracidade pátria
a própria carne
movem-se antes pelo ódio
aos irmãos
do que pela devoção ao pai.

Comungam com ele
da mesma fome
insaciável de morte
de sorte que
por livre vontade da maioria
escolhem dar-se todos
em sacrifício
e lambem os beiços.

A quem mais deleita o prazer
de ver o outro consumido
menos dói a dor
de ser devorado.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Quando é que nasce um poema? Quais elementos são necessários para que uma simples informação retirada do jornal, do Google ou de uma fábula antiga possa se configurar em poema? Essas são algumas das perguntas que me fiz quando li pela primeira vez o livro de estreia da poeta mineira Ariane Viana.</p>
<p style="text-align: justify;">Num dos poemas, “Os olhos da aranha”, a poeta conjectura sobre a possibilidade de sair de si não como uma experiência de quase-morte ou de sublimação em um nirvana hipotético, mas a partir de uma suposição fisiológica de “ver através de muitos olhos” e daí poder observar o mundo como num prisma, a partir de muitos ângulos e perspectivas. Ariane, então, escreve: “Os dramas pessoais seriam percebidos/tal qual minúsculos insetos/presos na trama”.</p>
<p style="text-align: justify;">Os assuntos tratados no livro são variados e abordam desde a necessidade de haver bidês nos banheiros domésticos brasileiros ao fato insólito de um bairro de Belo Horizonte levar o nome de Luxemburgo. É como se os conteúdos abordados não tivessem importância por si mesmos, mas valessem sim pela fricção que podem produzir quando colocados no plano do poema. Ao explorar as diversas perspectivas das micronarrativas cotidianas em suas nuances mais sutis, muitas vezes de forma irônica ou com um toque sagaz de humor (“o cômico que perdeu peso corpóreo”), Ariane vai colando em sua teia pequenas descobertas que surgem enquanto se escova os dentes ou se coloca comida na vasilha do cachorro: “não é amor/o medo que eu sinto de você/de repente morrer?”.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim como diz Walter Benjamin num dos excertos colados no livro, a capacidade de se orientar em uma cidade pode não significar muita coisa, mas a habilidade de se perder como alguém que se perde numa floresta requer instrução, é possível dizer que um procedimento análogo de “aprender a se perder com método” ocorre também na escrita de um poema. Se o desejo imputado por certas palavras pode fazer deslizar, submergir, escapar ou se perder na viscosidade de certas imagens/palavras, é preciso também aprender a voltar. Se na teia do poema podem grudar moscas ou folhas, é preciso ter os olhos aguçados para saber o que se pode deglutir: melancia ou melancolia? O que tem mais peso: uma caneta Bic ou uma pistola? O que é que faz <em>POFT</em> quando despenca? Isto se parece mais com uma carcaça de javali ou com uma bromélia alienígena? É justo saber voltar. Recriar os verdadeiros pontos no mapa com os tesouros encontrados.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, então, afinal, quando é que nasce um poema? Num dos versos Ariane escreve: “Lançada ao mar, a mensagem é pra quem a lê/Qualquer leitor é um milagre”, faz pensar no poema como esse acontecimento quase aleatório, ocasional — quem, afinal, pode saber quando algo vai grudar na fibra dessa tessitura? Mas, sim, é preciso esperar. Se o poema procura o leitor, o leitor também procura o poema. É preciso um tanto de escuta e de atenção para que o encontro aconteça — “a parte interna/do ouvido/tem o nome de caracol” e “há cavalos pastando ao pôr do sol”. Você vê?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ana Estaregui</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Porque fecho os olhos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Aug 2022 14:57:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: left;">Já estão mortos
os que não sabem morrer
embora brilhem
com a força
de uma água-viva.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Este livro foi lido para mim pelo amor de minha vida, com sua voz estridente, sentado à mesa de uma anciã, sobre uma toalhinha de crochê. Um arrepio tortuoso veio mais de uma só vez. Senti um misto de angústia e fúria por ter a consciência de estar diante de algo que não irá morrer. E isso é tão raro.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Porque fecho os olhos</em> é a resposta para as tensões e impossibilidades, o percurso pelo qual a memória configura um corpo presente. As veredas traçadas podem parecer sombrias e tenebrosas, paralelas à morte, mas as coisas se entrelaçam no infinito aqui. Escute, leitor, o pedido de perdão desse poeta, seu grito de clamor, o sussurro vindo de sua memória abafada, esse lugar de peste e amor.</p>
<p style="text-align: justify;">Augusto será lembrado por não caber, por ser maior que as páginas, que os quadros, que as telas, por ser esse extravasamento de beleza em carne viva.  Suas perspectivas de imensidão estão à altura de uma mirada diária, seja na xícara de café meio suja, com resto de pó mal coado, ali, frio, seja no maior dos poemas ou até no abraço que encerra qualquer distância.  Augusto é o olhar do gato, atravessa o invisível, rasgando a fumaça da realidade para compor o novelo de pontas soltas chamado vida.</p>
<p style="text-align: justify;">É sempre preciso saber quando se foi feliz e nunca por que não se é mais. Estes poemas trazem a crueza de encararmos que todas as guerras existentes são incomparáveis à vastidão das estrias que percorrem coxas amadas. Invencíveis as guerras, invencíveis as estrias.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo em flashes soltos do que poderia ser o mais ordinário possível, quando unidos, à meia luz, vislumbra-se o todo, meio vazio, meio deturpado. Esse é o poeta, essa é a potência que está presente em cada frase deste trabalho. Quase sempre resguardado na saudade, no que falta, entre brinquedos, eletrodomésticos e barbárie, o mundo expira, pois enxergar nunca foi nem será suficiente.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez os anos componham o abandono, amarelem essa primeira edição que estará repleta de canetadas ilegíveis típicas de sebos, rodados. Não morrerá. O todo esvazia e os recortes perpetuam a existência. Quase nunca se há espaço para tudo, mas para Augusto há. Para este livro sempre haverá.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Debora Ribeiro Rendelli</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>O mar sem nós</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-mar-sem-nos</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Aug 2022 14:22:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p class="font_8">quando o mar
verter sua memória
nos vidros da estante
meu mundo
estará mais completo
:
abrirei a porta
por onde saem os monstros
e investigarei
os fragmentos de meu corpo</p>
<p class="font_8">(Poema do vidro)</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Personificamos tantas vezes essa terra escura, essa terra seca e quieta, estendida num tempo que nunca há de caber em relógios ou calendários. Somos tantas vezes esse território onde está o tudo que só o nada pode conter. Que podem os olhos saber duma paisagem assim? Que podem fazer o sangue e a pele, que podem as vozes construir para despertar um mundo assim, para o revelar, para o trazer ao <i>mundo? </i>Que ossos é preciso cuidar de ter para suportar um peso assim, um equilíbrio assim, uma perfeição assim do tamanho duma borboleta, ou do sopro certeiro dum vento? É hercúleo o trabalho do poeta: ligar o visível ao invisível, redesenhar o bem e o mal, escolher as linhas e os traços, meticulosamente, até tudo se tornar vida, esta vida, uma vida. E ler tudo isso, fluentemente, como se fosse água, a água que tudo ocupa, que toma os mais ínfimos espaços e que corre, que corre até à sede de alguma coisa ou de alguém.</p>
<p>Que beleza ir buscar aos séculos (todos os séculos são remotos, como a verdade) a explicação <i>deste </i>momento, <i>deste </i>segundo, que a tropeçar no coração ou no olhar, cai sempre num gesto que se revela ou se esconde, num papel, numa tela, num muro, numa confissão que é preciso fazer aos outros, que é preciso trazer para o lado em que nós próprios existimos como outros, porque «tudo o que temos são trapos fervidos» e é com eles que «desafogamos o mercúrio» da nossa mortalidade.</p>
<p>Às vezes uma palavra é um mapa. É o itinerário dum corpo, «uma bússola desesperada» que nos aspira centripetamente para a retorta do amor, transformando a terra escura, seca e quieta num frenesim de fendas e de rasgões por onde toda a loucura das sementes pode enfim extravasar. Como este livro. Um poeta nunca dá um nó que não possa desatar. <span style="color: #ffffff;">Augusto Meneghin</span></p>
<p><strong>Gil T. Sousa</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Ardósia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Aug 2022 15:15:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[é que tinha visto magnólia
e sonhado com flores
resolvi tentar outra vez
as pessoas são boas
mas insuportavelmente maçantes]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Já no século V a. C., a poeta grega Praxila alertava: “Espia bem, amigo: / sob cada pedra / pode esconder-se um escorpião”. À diferença das pedras, entretanto, a <em>ardósia</em> que nos apresenta Larissa Lins esconde outros perigos – perto dos quais constantemente caminhamos –, embora também se queira o chão que ampara nossa queda.</p>
<p style="text-align: justify;">E não nos enganemos: esta <em>ardósia</em> tampouco é estática. Desliza conosco entre o mundo dos sonhos e a realidade; põe-se à mão como arma; testemunha o pranto incontido; forja casas e lápides – duas distintas formas de morada.</p>
<p style="text-align: justify;">A poesia de Larissa Lins, contudo, não se resume à concretude do espaço, à dureza da rocha. Também o onírico impõe suas demandas, descortinando o palco onde se encenam os sonhos e se subvertem o amor, as dores, a razão – e a própria vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Numa linguagem que sabe mesclar com argúcia os ritmos e os ritos de uma vasta tradição literária, em muito devedora do Romantismo de língua inglesa e das vanguardas artísticas das primeiras décadas do século XX, em especial o Surrealismo, <em>Ardósia</em> nos incita, sobretudo, a olharmos para dentro de nós, para aquilo que se esconde sob a pedra que também somos. Afinal, como declara o eu lírico, “O tempo interior passeia por mim e me assombra”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fred Spada</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Ainda morreremos tanto e será só o começo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Aug 2022 21:38:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Tempo quebrado
cada um
num por si que
soçobra,

qual queda d’água em mar bravo.

(Que hora é essa que chove agora,
que hora cai e embaça e
passa. Que hora é essa?)]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Estamos diante de uma jornada. Talita Tibola a inicia por diversos pontos: corpo, cidades que deixa, novas ruas que adentra, por entre memória e toque de mãos, tecendo-a. Uma personagem-devaneio-fala-gosto faz vezes de atravessadora e realiza seu encarnar desde as coisas comuns que a rodeiam até o limite dos intervalos. É poesia de <em>entre</em>, feita num convite sinestésico de ser humana, num mundo de tantas velocidades e espaços, ousando fazer da sensibilidade não só modo artístico, mas zona de habitação. Dividido em quatro partes, que reverberam entre si, <em>Ainda morreremos tanto e será só o começo</em> marca o desenvolvimento poético dessa morada-palavra-sensível.</p>
<p style="text-align: justify;">Primeiro o convite é feito: tens pele, sentes as grandes distâncias, tens que partir, alguém tem que ficar, desafio: tocar o ENTRE que nos bordeia — fendas-oceano-vivo, a poesia testemunha dos interstícios.</p>
<p style="text-align: justify;">Lançar-se em poesia é trabalho do coração, olhando de frente descaminhos sem torrão de terra, em mares de solidão da carne que chora, sua e ama aos rompimentos — essa a segunda etapa do livro. Amor, solidão e insistência. <em>Só o doer do verso indevido.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Daí o truque da terceira seção, fazer da palavra recurso de habitação, diluição e sobrevivência. Aforismas do coração dos intervalos. Dê clara ação do amor.</p>
<p style="text-align: justify;">A quarta parte adensa a jornada do mote-travessia-mistura que Talita ergue nas outras poesias, vivendo e sendo o <em>entre</em> em diversas dimensões, mistério de palavrar. Palavra anzol invisível, montando casa-cidade-mundo no entre-atos do tempo. Questões-aterro e versos-enxada, encharcadas do que nos passa. <em>É preciso saber viver sem estar em lugar algum.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Poesia experimento vivo de ser tudo, sendo uma só. Convite-andança que brinda com literatura viva tempos tão fraturados, encontro-intervalo-suspiro-via. As poesias de Talita amam o que se passa, perguntam do perdurar, respingam afeto e exalam mundo, e, com dor e prazer, moram distraidamente no momento de agora.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Gabriel Alvarenga</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Conversas com Federico García Lorca</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Aug 2022 11:23:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Senti o teu filho chamado Juan.
Senti o teu filho.
Cheirava a pólvora e a tomilho
Trazia no mar os braços
E um peixe nos ossos, Deus meu!
Ai!, trazia nos ossos sargaços.
Senti o teu filho da guerra
Senti o Juan.
E tu dizias:
<em>Yo tenía un mar. ¿De qué? ¡Dios mío! ¡Un mar!</em>

(<em>Senti</em>, página 22.)

&#160;

<strong> </strong>

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Brilhante<br />
Com o seu jaleco de riscas<br />
Todo o corpo à vista tatuado<br />
O rosto ainda de menino<br />
Assombrosa<br />
A voz num assopro subindo<br />
E subindo e subindo ainda mais…<br />
Tarda em galáxias crispadas<br />
E eu a ouvir e a tremer:<br />
— Aguentas?</p>
<p>(<em>Adam, the singer</em>, página 31)</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Só faz sentido o rio&#8230;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Aug 2022 15:30:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[áspera língua.
veneno torpe.
inala peito.
escorre pernas.

víbora!

desajeitada e inquieta.
frutos do tempo.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Só faz sentido o rio</em>: uma coletânea de poemas solúveis que podem ser devorados de uma só vez. Particularmente, porém, eu recomendaria uma apreciação um pouco mais lenta, umedecida por doses de café forte ou mesmo um chá, conforme seu gosto.</p>
<p style="text-align: justify;">As palavras sensíveis de Daniela Mara dos Reis são capazes de nos tocar de diferentes formas ao longo desta obra. Você vai encontrar neste livro o tipo de poesia cujos versos ressoam na mente. Por instinto, buscamos todos os possíveis significados para seus jogos de palavras, combinadas de maneira pulsante, delicada e inteligente. Impossível ler uma vez só, e a cada releitura uma nova descoberta e uma nova sensação. Aqui, temos espaço para o amor e para a revolta. Para a natureza e para o grito entalado. Completo e complexo tal qual a materialidade humana. Leia, e depois me conte.</p>
<p><strong>Heloisa Mandareli</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Até que o infinitivo escrever tome arranjo em minha extinção</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Aug 2022 15:01:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[desejo lapidar
as letras
em palavras,
as palavras
em versos,
os versos
em páginas,
as páginas
em livros,
os livros
em bibliotecas
e as bibliotecas
em silêncios]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Recentemente, li <em>Escrever, </em>de Marguerite Duras. Dos muitos grifos e anotações feitas ao longo da leitura, destaco uma passagem, que parece ressoar nas páginas do livro de Diego. É essa aqui: “encontrar-se em um buraco, no fundo de um buraco, numa solidão quase total, e descobrir que só a escrita vai te salvar”. Buscando me entender com o sentido que me fez associar o que diz Marguerite com o conjunto dos poemas de Diego, é preciso dizer que trago apenas rumores do que o poeta escreveu. Procuro, brevemente aqui, traduzir em palavras, provavelmente imperfeitas, o que consegui escutar, o que me comoveu e me fez levantar da cadeira muitas vezes para beber água e prosseguir a leitura.</p>
<p style="text-align: justify;">Nasce-se-morre-se, essa é a lógica da vida, todos nós cumprimos esse ciclo. Mas talvez a gente não esteja muito atento ao fato de que já ao nascer morremos para um certo mundo, o mundo-barriga da nossa mãe. E esse corte significa nascer para um mundo próprio, singular que, no entanto, precisa ser instaurado, não vem pronto. Implica um trabalho incansável para que essa vida floresça, faça sentido para si no mundo. Frágeis, lidamos com o imponderável o tempo todo: o de dormir e não acordar no dia seguinte, o de nascer e imediatamente morrer. Uma vida que medra, do jeito que for, é sempre um mistério.</p>
<p style="text-align: justify;">Os poemas contidos neste livro, que leio como um único longo poema que se desdobra, estão tingidos de dor: um pai perde sua filha, nasceu-morreu. Brutal assim. “Nascimento e morte/me encurralaram/em um lugar interminável”. E um pai poeta “precisa trabalhar” muito diante de tamanha devastação, e recobrar algum prumo possível na vida, e não faz ideia de como. Escreve. Se para Duras só a escrita salva, para Diego não é bem assim: “escrever é escasso/é insuficiente/escrever não basta/escrevo sobre isso”.</p>
<p style="text-align: justify;">Diego esgrima, como pode, com palavras que sabe serem insuficientes para dar algum contorno a um sujeito devastado. É imperioso que forje essa espécie de língua poética estranha, que é ao mesmo tempo desatinada e silenciosa. Fúria e recolhimento. É quase uma ordem se queimar na dor para se reanimar: “escrever a colisão/da morte/com/o nascimento”. Escrever ampara, “alquimiza” a vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao longo dos poemas, a dor é senhora, mas vai sendo lapidada, abrindo espaço para o infinitivo nascer de um filho. A dor destilada nos versos devém semeadura. A vida deseja vingar, e nos surpreende sempre. O que nos cabe é perseverar.</p>
<p style="text-align: justify;">Escrever-viver é nosso destino.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Rosane Preciosa</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Nove casas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Aug 2022 09:19:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Há um Médico de plantão
vinte e quatro por sete
Ele examina os órgãos de O.:
estão puros.
Ele repete a receita
a mesma receita
que desde os nove anos de idade
não falha: fumar muito, fumar sempre
fumar sem trégua e o tanto quanto possível
para conservar a juventude.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Estes escritos de Beatriz Ras impressionaram-me fortemente desde quando ela contou-me, há muito tempo, sobre este projeto — lendo alguns trechos escolhidos. Reservo, para este conjunto de escritos, a denominação de poema, tal como classifica o grande poeta Wlademir Dias-Pino: um texto poético que se expande para além das palavras e incorpora outras linguagens. Em Beatriz, a linguagem da clínica é que se dissolve na arte. De maneira corajosa, a autora sobrepõe o poético à rígida descrição técnica do mundo Psi, seja ela oriunda da subjetividade da psicologia ou da objetividade da psiquiatria. Beatriz começou a escrever este poema enquanto trabalhava em uma casa onde pessoas com dilacerantes vivências psicóticas deixaram os grandes e insanos manicômios, em que moravam por décadas, para exercitarem a experiência de morarem juntos. É dificil para essas pessoas fragmentadas pelos traumas (pela vida) o exercício da empatia com o outro: através da imaginação, penetrar no que o outro sente e voltar para si. Na casa eles são convocados a reconstruir, dolorosamente, essa habilidade humana importante para a sobrevivência psíquica — ela é o caminho da cura. É nesse jogo emocional entre os moradores que Beatriz entra. Ela se vê obrigada a reconhecer-se nesse fluxo de sentimentos e a descrever a realidade de cada morador. Primeiro senti-los, penetrar pela imaginação no mundo em que eles vivem, depois desidetificar-se para traduzir em palavras o retrato de cada um deles. É quando a linguagem poética passa a ser mais eficaz em trazer a semelhança da verdade. Nesse nível de experiência — intensidade de um convívio primário —, as palavras não costumam dar conta de descrever, e o poético vem resgatar.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Ao trazer a clínica para a arte, invertendo o sentido comumente visto nos movimentos de Saúde Mental — em que a clínica apodera-se da arte —, Beatriz é chamada a revelar-se como artista e mostra-se uma poetisa amadurecida. Seus versos são cortantes como uma lâmina a dissecar a solidão de pessoas tantas vezes marginalizadas: pela doença, pela sociedade e pela cultura. Mas não pense, leitor(a), que apenas esse rico processo, vivido por Beatriz de maneira orgânica, é a originalidade deste livro: as experimentações linguísticas ( formais) nos causam um forte e bom estranhamento poético. Ao promover uma aproximação entre a linguagem e o o vivido, trazem nossa imaginação para perto das construções literárias das mulheres do modernismo brasileiro recente: Ana Martins Marques, Ana Cristina Cesar, Rayane Leão…</p>
<p style="text-align: justify;">Com este livro-poema, Beatriz nos fala do quanto a arte é amiga da vida.</p>
<p><strong>Lula Wanderley</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
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		<title>Lidocaína sabor laranja</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Aug 2022 13:28:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">aí cê sorri e cê assovia. Cê se põe solícito aos espasmos de medo e finge que a velha chocando a bolsa na suvaqueira-quente duma tarde de sol no dia que cê resolve sair de casa pra pegar busão sem se arrumar é sua vozinha que não tem nada contra preto, ou contra os que são-quase, só não gosta [item indispensável nas famílias birraciais], aí cê lembra da sua boa-vozinha [branca, em algumas famílias birraciais] que te amava e da qual cê era o neto favorito, aliás, como sempre somos os netos favoritos de todos nossos avós racistas, e tem a trip de imaginar caras iguais ocê que tiveram que passar pela mesmíssima coisa, com ela, a vovozinha, em público. Qualquer solução que cê arranjar internamente pra essa incongruência é uma traição que vai te transformar e assombrar pra sempre.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Ao propor uma imersão dentro do seu sub\consciente homoerotizado, o autor de <em>Lidocaína sabor laranja</em> te introduz a um lugar profundo de reconhecimento do tesão existencial. Os contos se encontram dentro de fritações muitas vezes derivadas de experiências momentâneas, que se tornam marcantes pela reconstrução des-hetero-colonial da formatação de palavras canalizadas para uma orgástica experiencia entre estereótipos, críticas a uma sociedade heteronormativa, fetiches e autoaceitação. Essas palavras, ah, as palavras, tão bobas as palavras que insistem em nos fazer de tolos perdidos nos caminhos sinuosos de um falocentralismo (não) normalizado. Ah, essas palavras que ditas uma atrás da outra se tornam um ritual contemporâneo (bem cênicas agora) de ancestralidade biXXXa. COM PESQUISAR: vídeo amador hetero dando pra preto dotado e mamando travesti morena PAUzuda. Foca no P A U, PAUzão, preto e grande. Tem que ser preto e grande, pra eles só servem assim. Mesmo que não seja real, palpável, que só veja pela tela do celular acreditando na mentira do “é de agora”, afinal, enquanto eles que querem e possuem mentem para si, para todos, só resta a biXXXa. COM iludir o mágico enquanto faz seu truque com a piroca sigilosa.</p>
<p style="text-align: justify;">Todo tesão é real? Será que o tesão é narcisista? Ou seria platônico? Tudo é válido pelo tesão? Desejo é desejo ou desejo é automático? CARA, QUE TESÃO! Boêmio demais ou afetado demais? Racializado demais ou foda-se? Ah, a racialização! Este dildo racistinha que é arrancado do cu de uma vez e ainda sai com cheiro de laranja e óleo de coco, SORTE QUE FIZ CHUCA HOJE!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Allie Barbosa</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Amarração de amor: pagamentos após resultados</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Aug 2022 13:28:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Eu aceito o sofrimento
das minhas outras vidas

meu remendo, minha emenda.
Meu retalho transgeracional

me faz rezar para as quatro
almas de Fernando Pessoa

(envolta da minha árvore)
retomar nossos rituais da lua,

aprendo a completar em pajubá
um resgate por anamnese]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Bruno Couto disse, na apresentação de seu primeiro conto publicado em coletânea, em 2012 (<em>Tragédia nossa de cada dia</em>, Ed. Faces), que “escreve para ser entendido, para me entender, para me pôr em observação”. E é com essa escrita fácil e direta que o autor nos apresenta <em>Amarração de amor</em>. Um livro sobre amor, sobre o que significa amar, sobre o que é ser amado quem sabe, ou principalmente sobre o que significa ser rejeitado – pelo que se é, pelo outro. Ser posto de lado por ser gay e/ou pelo ente que depositamos nosso desejo amoroso. Poemas sobre o amor, mas também sobre o que é ser bicha hoje, sobre o que é ser bicha agora. Nós, as bichas. Sim, bichas. Bichas que ouvem Lady Gaga, Amy Winehouse. Que seguem David Brazil no Instagram. Sim, poemas que falam de redes sociais, apresentadores de TV, religiões&#8230; HIV. Tudo que há de mais comum e banal, mas que nos permeia e nos perpassa, nos atinge, nos mata, nos ressuscita. Temas que por meio de seus poemas altamente sagazes nos conectam em nosso dia a dia e que não desejam falsear erudição. Você vai lendo os poemas de Bruno Couto como se ouvisse ao lado “Eu não sou cachorro não”. E é tudo tão bonito. O livro nos convida a mergulhar na cultura pop interconectada que nós queers, seja você pão-com-ovo ou não, conhece tão bem, ao mesmo tempo que apresenta densidade pura, nos apresentando a discussão do tema amor a partir de uma ironia autodepreciativa tocante que apenas o ser rejeitado, aquele que dá aquilo que não se tem a quem não o quer, como diria Lacan, poderia nos trazer. Os poemas deste livro, que poderiam ser conversas de todos nós com amigos, são escritos por aquele que ama, que ama sozinho, aquele que é, portanto, o instável, o que não é ouvido. Poemas endereçados àquele merda que nos deixou, aos que nos cuspiram por sermos o que somos. Mas como já disse Frank O’Hara, e como parece nos dizer Bruno Couto apesar de tudo: “E aqui estou, o centro de toda beleza! escrevendo estes poemas! Imagine!”</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Poesias famintas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/poesias-famintas</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Aug 2022 13:13:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[lembre-se sempre do nosso instinto principal:
nascemos para sermos felizes
momentos tristes não nos tornam
pessoas tristes
nossa natureza é feliz
não a perca dentro de você
o estado de felicidade
não é o riso
é a consciência de que você é feliz
apesar de tudo
— todos os sentimentos podem morar no estado de felicidade]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O que a nossa fome diz a respeito de quem somos? Em pele, ossos, nervos e vísceras, <em>Poesias famintas,</em> Marcella Saraceni, desperta em palavras o apetite devorador de quem aprende a entregar o seu corpo aos abismos da vida. A obra mostra a poesia como grande fonte de nutrição daqueles que vivem na corda bamba entre o incômodo e o encantamento da existência. Nasce então o convite à uma peregrinação em busca dos porquês. A palavra é a cura, o alimento é a voz em um mundo que silencia. É uma carta aberta vinda do fogo que nos habita entre o umbigo e o peito, ora acendendo, ora apagando. Nessa carta, você encontra alguns ingredientes para construir a própria identidade como ofício de almas inquietas. Ausências como fonte para enxergar-se a maior aliada de si mesma. Relacionamentos como reciclagem de auto-amor e matéria criativa. O feminismo como símbolo de força e resistência vulcânica e catalisadora. E a liberdade como oxigênio que faz da atmosfera respirável. Aqui, entende-se que mapear a si mesmo não é limitar-se, mas sim amar os começos, as transições e os recomeços. E que aceitar o mistério do mutável, no hiato do corpo, é fazer dele bússola que refuta a lógica e ensina a dança. Marcella nasceu com alma antiga e hipersensibilidade para as belezas do mundo. Faz de suas perdas, reinvenções e amores um grande mapa de palavras que revela a importância de escrever para digerir, aquilo que não tem nome, forma ou cor. Sua poética traz a simplicidade de Manoel de Barros, como aquela que também valoriza as insignificâncias, e ao mesmo a força e a irreverência inconfundível de Clarice, passeando por temas como solidão, amor e luta. Tudo isso como um canto capaz de enredar pela sensibilidade, a beleza e a resistência de suas palavras, sendo impossível se sentir indiferente a esse cantar. Ela ensina, não só como poeta, mas também como fotógrafa, artista, e mulher, que somos “sementes vivas” do que carregamos em si. Por isso, é importante saber se nutrir, espalhando pelo mundo a mensagem de que “entregar o corpo é símbolo de coragem”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Renata Andrade</strong></p>
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		<title>Entre nós &#8211; poemas de memórias canceladas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Aug 2022 13:00:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Eu estava longe
Do outro lado
Do rio
Quando eles chegaram
Curiosa me aproximei
Traziam uma mala
Muito grande
Dentro havia cruzes
Códigos e leis
A lei erradicou a mandioca
Tiquara
Decretada comida
Dos preguiçosos
Imorais]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Os poemas são retratos cotidianos, pequenas histórias que falam de revoluções do dia a dia presentes no ato de ler um livro, revisitar lembranças, escavar memórias e redirecionar sentimentos. Trata-se de uma escrita insubmissa de revolta e cura que exalta modos de existência de pessoas racializadas.<br />
Um universo poético embebido de realidades soterradas e imaginações verídicas que se friccionam na materialização das palavras.<br />
E, por ser a vida mobilidade, os versos presentes no livro percorrem rios, lembranças, cenas locais e mundiais que voam entre novos e velhos mundos para se fusionarem nas Américas, de Norte a Sul.</p>
<p><strong>Marci Ezili</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>A cor do rizoma</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Aug 2022 12:49:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[matei o segundo homem
com as mãos
decepei o pênis
deixei o corpo na porta de casa

o terceiro homem
não foi intencional
ele me disse: pode me matar
eu o agarrei sem piedade
caiu do décimo andar]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Um livro escrito na simbiose entre português e espanhol. Na fronteira entre línguas quase irmãs. Os poemas estão além, na orilha, na margem da invenção. Uma costura de palavras cotidianas, presságios, versos e imagens. Vivências eróticas e feministas, uma rotina da densidade dos fluxos. A cor do rizoma é um experimento com o risco da fecundidade. Uma travessia que revela a criação a partir da experiência da desterritorialização do amor.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O desportista na cama</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Aug 2022 11:25:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[o repolho também pode
ser servido como o são
os chucrutes, tanto faz.
e se essa imagem
é tão somente uma lição
de estética que a vida dá,
como entregar-se
roxa e burra
à sua própria ruína?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Uma possível entrada para a poesia contemporânea, entre inúmeras, é observar o modo como cada poeta lida com os limites da própria linguagem, contornando-os a partir da tensão que guardam com as coisas do mundo. E essa é justamente uma das primeiras questões colocadas em <em>O desportista na cama</em>, livro de estreia de Edmon Neto, que em sua parte inicial, intitulada “Limpeza do aparelho”, apresenta uma espécie de diálogo com o leitor, no qual a voz cética e perscrutadora que perpassa todo o livro passeia por conceitos da filosofia e da teoria da literatura, faz alusão a polêmicas literárias e suportes midiáticos nos quais a poesia tem reverberado, experimenta métodos, duvida de metodologias e testa procedimentos. Todos esses movimentos são marcados por uma constante indagação sobre a poesia e seu lugar e por um embate acirrado entre crítica e arte, resvalando, inclusive, no espaço acadêmico, colocando em questão os meandros da pesquisa e a possibilidade de a linguagem figurar como objeto de algum tipo de análise.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong>Também tem sido frequente a tendência aos poemas de viagem, que muitas vezes colocam a descrição e a contemplação em primeiro plano. Essa é, entretanto, postura distinta da que vemos na segunda parte do livro de Edmon, “Diário tardio”, na qual encontros insólitos, planos que não correm como o esperado ou tentativas frustradas de comunicação constroem experiências de deslocamento vividas numa espécie de desestabilização dos indivíduos, sempre implicados em movimentos quase irrepresentáveis. De modo análogo, nos poemas de “Saga de quintais”, nos deparamos com o enfrentamento <em>natureza x cultura</em>, quando assistimos aos engenhos da linguagem para domesticar uma natureza que não se entrega “de mão beijada ao extermínio” e arde em “explosões sob a terra”.</p>
<p style="text-align: justify;">A hostilidade do mundo, agora assumindo contornos existenciais e políticos, volta a aparecer na construção abismal de “Dísticos para dois”, em que, derrotados por mais uma – entre tantas – “época obscura”, os personagens se perguntam “O que foi que aconteceu com a última gota de desejo?”. Talvez a resposta esteja justamente no último poema do livro, o longo e narrativo “Peso pluma”, espécie de culminância de esforços que leva às últimas consequências as disputas entre corpo e linguagem. &#8220;Todas as barras são impossíveis&#8221;, conclui o atleta a certa altura. Porém, ele ignora seus limites e ergue o peso, assim como os poetas, que mesmo diante da impossibilidade da poesia, seguem escrevendo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Laura Assis, </strong>poeta</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Atlas da anatomia imaginada</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Aug 2022 11:18:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[para atravessar teu corpo com cuidado
calibrei toda cartilagem
lavei meus ossos
(alguns tive que deixar de molho)
inflei os músculos
forjei uma única célula de coragem
entre as costelas
hiperventilei meus alvéolos
e você, meu bem,
nem reparou]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Lembro-me da primeira vez que li os poemas de Emily Dickinson e fiquei embasbacada com sua capacidade de olhar a natureza tão de perto, sem nos poupar da dor e do sentido erótico que essa observação implica.</p>
<p style="text-align: justify;">Para Dickinson, falar de violetas existindo no jardim e enxames de abelhas era também falar de membros amputados, cabeças com o tampo aberto, pequenos pedaços de madeira enfiados como estaca no coração. Falar sobre o que se vê é também falar do que está dentro do que se vê. A possível observação da natureza como um espelho do próprio organismo.</p>
<p style="text-align: justify;">O <em>Atlas da Anatomia Imaginada</em> é a exposição de uma maldição. Ver o que tem dentro está longe de ser pacífico, dizia Dickinson. Dentro é confusão, é mirar a ânsia brutal, é sexo desgovernado entre todas as células, manifestar a angústia de finalmente dar palavras àquilo de que somos feitos. Olhar dentro é também nomear o sadismo iminente que toca o ato de imaginar e a consequência passional de escrever.</p>
<p style="text-align: justify;">A poesia de Luísa atinge como pequenas agulhas, como chaves de fenda, como línguas úmidas confundindo, machucando e exorcisando o amontoado de imagens que engolimos todos os dias, todos os anos, todos os séculos. O atlas do(s) corpo(s) de Luísa é feito de muitas muitas palavras, são as palavras que estão nessa mesa de anatomia. Cada capítulo é um novo corte nas carnes das palavras, para chegar, talvez mais fundo, do outro lado.</p>
<p style="text-align: justify;">Não se deixe enganar pela aparência lúdica que pode ter o ato de “imaginar uma outra anatomia humana”. Aqui, fabular o corpo é a saída para poder seguir vivendo. E não existe vida sem imaginar freneticamente. O apocalipse das palavras não pode ser o apocalipse do corpo, então a anatomia de Luísa é uma luta. Lançar palavras como facas, morder glóbulos como uvas, respirar pelos dentes para poder atestar que o desejo continua. Mesmo quando tudo parece a mais pura ruína. O desejo de imaginar deixa tudo vivo, muito vivo. Escrever é continuar desejando. Mas toda essa intensidade não significa a ausência de humor. Luísa nos lembra muitas vezes o quão risíveis são as hordas de palavras amontoadas na viscosidade da matéria.</p>
<p style="text-align: justify;">À medida que avançamos nessa especulação do corpo e da palavra, parecemos desaprender certos sentidos hegemônicos do vocabulário, como se precisássemos reaprender a falar. Nesse processo, novos contornos para a expressão aparecem. Dentro do fundo desse organismo novo e assustador, cuspindo novas velhas palavras, em ordens trocadas, uma outra possibilidade para se começar a falar de amor.</p>
<p><strong>Carolina Bianchi</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Agora e na hora de nossa morte</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Aug 2022 11:07:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[um poeta preto é
um poeta brasileiro é
um poeta latino é
um poeta americano é
um poeta do mundo é
um poeta pelo mundo
quase sempre
esquecido]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A literatura apresentou-me João G. Junior há quase uma década, em 2013, quando ministrei oficinas de poesia na Flupp Pensa, a convite de Écio Salles e Julio Ludemir, e publicamos a antologia de poesia<em> Flupp Pensa – Novos Poetas</em>. Agora, em meio ao caos social em que vivemos, no ano de 2022, mais consciente de sua força e do seu trabalho, João nos presenteia com <em>Agora e na hora de nossa morte.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Neste novo livro, nota-se a sua formação enquanto indivíduo político/poético que, apesar das ruínas, propõe-se a dançar e cantar – com a certeza da proteção e dos ensinos de seus ancestrais, e do constante diálogo com os eleitos faróis de seu caminhar entre as pedras: Roberto Piva, Linn da Quebrada, Carlos de Assumpção, Grada Kilomba, bell hooks, entre tantos outros, invocados diretamente em epígrafes ou nas entrelinhas de seus versos.</p>
<p style="text-align: justify;">João revela o manifesto de um poeta na periferia do mundo, se rebelando contra o seu esquecimento na sociedade, trazendo ao jogo sua luta diária, a religiosidade, a sexualidade e a recente descoberta/revelação de sua soropositividade – o que torna a consciência da finitude um ato emergente de transformação, através das pequenas ações do cotidiano e da própria leitura de mundo. O poeta traça uma cartografia da cidade e dos afetos, para além dos cartões postais, e busca enxergar as relações sociais em nível simbólico dentro do espaço urbano (como seu próprio quintal) sem excluir a violência, o desemprego, a solidão e o preconceito. Em seus versos, o corpo da cidade e o corpo do poeta se misturam, se infectam de afeto.</p>
<p style="text-align: justify;">A visão política da vida pulsa nos versos. Aqui, corpo é texto e protesto: um corpo negro, um corpo gay, um corpo posithivo, um corpo dissidente, que reivindica ser ouvido/lido. A dor como combustível para atear fogo no preconceito e nas violências cotidianas com suas palavras, quando a prece sai como grito. Escreva, fale, grite, faça seu movimento, João. Jamais silencie. Vida longa à sua poesia.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ramon Nunes Mello</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Todas as vezes que ficamos vivos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Jul 2022 18:33:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[as palavras são muito vascularizadas
é importante deixá-las inteiras
circulando

corte as palavras
e elas sangrarão]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Todas as vezes que ficamos vivos</em> é um livro de experiência. Sobre vida antes de ser sobre literatura. Paula Dias Conrado nos põe diante dos arranjos mais íntimos — aqueles que a constituíram e os que dinamitaram seu corpo e seu trajeto. Paula talvez faça parte de uma leva, toda geração tem a sua, de poetas que amam narrar, que não conseguem não narrar, que estão mais atentos e apaixonados pelo dito do que com a forma de dizer.</p>
<p style="text-align: justify;">A comunicação da experiência como uma finalidade da poesia humaniza, põe carne e amores nos versos. Faz com que olhemos os livros como longas conversas, que só temos com quem tem a coragem de tirar a roupa na nossa frente, cobertas de afeto, verdade. Livros como este cumprem o papel fundamental de lembrar que antes da arte, antes do dinheiro, antes das profissões, antes mesmo da escrita, já estamos muito empenhados em mergulhar em uma humanidade que não nos deixa escolhas. Somos obrigados a amar demais para aguentar a vida como ela acaba por nos envolver.</p>
<p style="text-align: justify;">Temos aqui um livro dos aprendizados, sempre surpreso e aterrorizado com o que somos capazes de nos tornar, nosso corpo, seus mil compartimentos de sangue e graça. Paula nos mostra, a partir das suas leituras, dos poemas, das peças, dos manuais médicos, pequenas conclusões filosóficas e tão cotidianas, mas, antes de tudo, ao narrar seus avós, ao fazer crônica das batatas no canto do prato ou da limonada preferida, nos ensina.</p>
<p style="text-align: justify;">Seus avós são aqui pilares de uma cidade inventada: a Volta Redonda que Paula escolheu e por quem foi escolhida, a cidade que não tem mais do que quatro gerações de operários, mas que é antiga, porque tomada dos puris com aço e fumaça, como quase tudo que somos, que perdemos. E os amores, o amor. Paula grava aqui um livro com as conversas que, por tempo, trauma, guerra, não pudemos ter.</p>
<p><strong>Heyk Pimenta</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Mulheres que sangram</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Jul 2022 18:22:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A culpa estava
Presa
Nas entranhas
Entrelaçada como os cabelos
Trançados
De mãe para filha
Numa tradição
Feminina
De um sistema
Que silenciava vozes
E construía
Mulheres
Fortes demais por fora
E cheias de feridas
Por dentro]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“Cuidado com aquelas que vêm de uma geração de mulheres silenciadas”, pensei eu depois de entrar em contato com a poesia de Naiara Reis. “Para cada três bocas que emudecem num século, vinga uma no seguinte que vocifera”.</p>
<p style="text-align: justify;">Vociferar, “falar com cólera”, define o Dicionário Priberam. “Clamar, bradar, exclamar”. Nas palavras relacionadas, sugerem-se ainda “estrondear, gritar, escarrar”. “Sangrar”, digo então a mim mesma, em silêncio, na urgência de estender um pouco mais a lista. Essa urgência, descobri-a no seu mais fundo enquanto lia este <em>Mulheres que sangram</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Com uma dicção poética a um só tempo íntima e voraz, Naiara atravessa estas páginas como quem vem de longe. Do seu corpo se levantam outros, de tantas outras mulheres, cheias de “desejos sufocados”, “fêmeas fartas espremidas dentro do meu peito”. Na sua voz se ouvem ecos, “um coro de vozes ancestrais”. Mesmo a mudez ganha timbre aqui — nesse caso numa espécie de performance do vazio, quando no poema “Muda” a autora nos convida a olhar não só para o abismo do grito, mas também para o abismo do silêncio. Da mordaça.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa é uma das grandes belezas de <em>Mulheres que sangram</em>. São figuras reais que encontramos nos versos, são meninas e mulheres com as quais nos identificamos em alguma medida, que escancaram tanto nossa ira e nossa insubmissão quanto nossos medos, vergonhas, fragilidades, contradições. A ambivalência de Joana e Amélia — uma se impõe pela luta, enquanto a outra resiste aquietada —, esse limbo entre duas que “brigam entre si”, ele é lugar onde muitas vezes também nós nos vemos.</p>
<p style="text-align: justify;">Com Simone de Beauvoir, aprendemos que “não se nasce mulher, torna-se”. Com Naiara, esse tornar-se vai se desdobrando em palavras, numa busca que não passa jamais ao largo de reconhecer em toda cicatriz uma memória de ferida, um testemunho. Essa é a rebelião a que se propõem as mulheres que sangram, que vociferam. Delicadíssimos, seus corpos se erguem — ferozes. Prestes a “domar oceanos, arriscar o engano, desnudar o céu”.</p>
<p><strong>Mar Becker</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Bicho-mãe</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Jul 2022 15:18:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">quando te
conheci
passei a ter
medo
da morte</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O bicho-mãe acomete quase 3 milhões de mulheres no Brasil todos os anos. Algumas se planejam pra tal, outras são pegas de surpresa. Independentemente da forma como o processo de maternagem se dá, tornar-se bicho mãe é uma metamorfose kafkiana. Perdem-se as referências daquilo que se era e novas possibilidades são abertas o tempo todo. O bicho mãe (assim como o bicho-filho) não nasce aprendendo a morder. Ele só quer chorar, mas diferente do bichinho cria, é dito a ele que não pode, que adulto sabe o que tá fazendo. Grande balela! Pros bichos-mãe sensíveis demais, que jorram das tetas leite e lirismo, a poética dos dias (repetidos, limitados, encurtados, exaustivos) se fortalece nas descobertas de uma força inédita, no rompimento dos limites pré-estabelecidos, na criação de vínculo que, apesar de todos os pesares, é lindo e eterno. Talita é uma dessas artistas, mulher, mãe e bicho — coruja e leoa — que morde as palavras com destreza e entrega o cerne das problemáticas atuais acerca da vida feminina. A pauta maternidade sem romantizações é recente, sobretudo na poesia nacional contemporânea, e temos aqui um livro que toca nas feridas com a mesma ternura e coragem com que toca nos cachos delicados de um bebê a dormir. A poeta, Talita Galindo, trabalha todas as camadas da existência feminina sem receio de julgamentos, expondo aos leitores coragem e talento de sobra. Às mães, uma leitura obrigatória. Aos demais, um convite empático a um universo interessante de infinitas contradições e afetos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Camila Assad</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Arranjos vazios para letras cheias</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Jul 2022 14:48:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">A nota acesa na ponta em brasa
sumia no apartamento e em nosso silêncio
aquela nota eu não poderia esconder
minha voz não soava em nenhum acorde</span>

<span class="fontstyle0">
Eram permitidas as frases
que não morressem queimadas:
o que agride o corpo, vive o corpo</span>

<span class="fontstyle0">
Desistimos um pouco
quando acendemos esse cigarro
quando emito uma nota dissonante</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em 1996, Wislawa Szymborska recebeu o Nobel da Literatura. No discurso de premiação, a polonesa falou sobre o trabalho dos poetas como um processo aparentemente não fotogênico. Szymborska nos convida a imaginar a cena de um documentário que tem como personagem principal alguém que escreve poemas. Uma pessoa caminha pela casa. Senta-se numa mesa. Durante vários minutos, olha o papel. Depois de um tempo, escreve alguns versos e logo apaga<br />
o que escreveu. Volta a caminhar pelos cômodos, retira um livro da estante. Retorna para sua mesa de trabalho ou deita-se no sofá, onde permanece observando as sombras projetadas na parede. Aparentemente nada acontece. Mas o poeta está incansavelmente trabalhando.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao ler o livro da mineira Clara Delgado, percebemos essa mesma deambulação, aparentemente silenciosa e discreta, entre a escrita e os acontecimentos do corpo, da casa e do amor. Em arranjos vazios para letras cheias, o elo entre a subjetividade da poeta e o compasso da vida é examinado como se o poema fosse uma ressonância magnética, onde sons se transfiguram em imagens, imagens em palavras, palavras em máquinas de teletransporte e outros instrumentos que nos permitem ouvir, sentir e ver aquilo que aparentemente não percebemos. Arranjos vazios para letras cheias não se parece com um livro de estreia. Acredito que muitas escritoras ensaiam a forma poema em cadernos, bilhetes de amor e outros arquivos secretos. Clara, no entanto, atravessou a fronteira entre a vida privada do verso e sua forma pública há algum tempo. Além de poeta é compositora. Alguém que sabe que canção e poema compartilham o mesmo encantamento pelo pulsar cintilante das palavras. Essa espécie de energia vital que constitui tudo que é vivo. Por isso, seu livro é uma espécie de investigação sobre as oscilações do mundo, no qual o barulhismo do cotidiano é, simultaneamente, silêncio e cadência, explosão e deglutição, rima e metáfora, tremor dos corpos e das águas, tapa de luva e susto. Esquecidos que andamos da relação íntima entre nós e o mundo, arranjos vazios para letras cheias nos convida a inventar unidades de medida para mapear os variados e múltiplos ritmos que nos cercam, especialmente daquilo que é pequeno e invisível como a relva ouriçada de um braço ou o som de uma língua estrangeira. A poesia de Clara Delgado é um presente para nossos sentidos, bastante adoecidos e cansados, de tantos vazios.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Flávia Péret</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Interior</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Jul 2022 22:24:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">as árvores mantém-se
no interior do livro
esperando que o segredo das matas
se imponha.</span>

<span class="fontstyle0">
faca amolada fundando um lugar para o sol:
uma palavra amarela e perigosa.</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O corpo se empenha em todo movimento cotidiano: a organização da casa, as roupas estendidas no varal, as frutas que se perdem na fruteira pela ausência de quem as coma, os passos descalços pelo piso frio, a lâmina do papel que corta a pele fina, a escrita que entra no quarto fosse ela a luz cega que irrompe as cortinas. Em tudo que se move, está o gesto a compactuar conosco a existência das coisas.<br />
Fernanda traz em seu livro de estreia a pertença a este campo, o Interior do gesto, onde acontecimento é o nome que se dá ao olhar que modifica a paisagem. Nestes textos, a autora convida o leitor a vigiar pelas frestas dos escombros do que foi outrora casa e chama: “veja cá, escrever palavras oficina um fenômeno”.<br />
Há ao longo dessas páginas um corpo entregue à vibração das imagens (que não são quaisquer imagens) e o que delas escapam. E, como uma professora atenta, ela se coloca sobre a escrita e ensina ao leitor o poema: o corte da escrita, o desenho de uma palavra, a espera e descanso dos olhos, a vigília do que está ainda por vir – terra úmida de fazer brotar.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Interior, </em>de Fernanda Maia, reorganiza a relação do escritor com os seus livros, os traz em diálogo sob o fragmento, o corte, a superfície do segredo. Cabe ao leitor o desafio de ouvir, enquanto a palavra se avoluma na pele e abre-se em rio.</p>
<p><strong>Brenda K. Souza</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O banquete da chanfana de Séneca aos rojões de Nietzsche</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Jul 2022 10:37:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Não recordo se foi ontem
No fogo do meu nascimento
Se agora
Neste preciso momento sendo
Ou talvez amanhã
Ou num futuro ainda longínquo
Estarei já dentro dela?
Brindemos juntos e bebamos
Nada mais há para ver
Na poeira caminhei
A mim me coube o instante
Que resvala e pesa o que foi
É e será
Na febre da festa
Tremi noite e dia
Agora silencia-se o canto
Dilacerado na embriaguez

Velho ou menino
Já me esqueço de ser homem
E sem lembrança
Remorso fingido

<strong> </strong>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>«O quarto grau da poesia lírica é aquele, muito mais raro, em que o poeta, mais intelectual ainda mas igualmente imaginativo, entra em plena despersonalização. Não só sente, mas vive os estados de alma que não tem diretamente. Em grande número de casos, cairá na poesia dramática, propriamente dita, como fez Shakespeare, poeta substancialmente lírico erguido a dramático pelo espantoso grau de despersonalização que atingiu. Num ou noutro caso continuará sendo, embora dramaticamente, poeta lírico.», é isso que nos diz Fernando Pessoa em um fragmento intitulado “Os graus da poesia lírica”, e que neste livro singular de Pedro Loureiro podemos entrever, porém com uma diferença em relação ao gênero de poesia dramática tradicional, já que em muitos diálogos as personagens não podem ser previamente conhecidas, deixando-nos um espaço vago que é, afinal, a possibilidade de um campo aberto — palco onde a literatura pode ser um acontecimento. Nesse campo é gerada uma tensão pela própria impossibilidade de um saber prévio (quem afinal está falando, quem está respondendo, há alguém que podemos conhecer?) e um desconcerto muito próximo do onírico (as notas de rodapé reforçam a estranheza ao invés de elucidá-la), embora possamos suspeitar que esse onírico, no caso desses diálogos, seja apenas mais uma das inúmeras janelas do absurdo.<br />
A escolha do diálogo para esta obra de poesia dota-a de uma amplidão de vozes na qual uma fina ironia, por vezes, deixa implícita uma capacidade de visão do poeta em relação a temas valorosos da história, da metafísica, da mitologia e da arte, não como uma discussão ensaística, mas a partir dos próprios seres que a engendraram. Giorgio Coli, em sua obra O nascimento da filosofia, aponta que «Platão inventou o diálogo como literatura, como um particular tipo de retórica escrita, que apresenta num quadro narrativo os conteúdos de discussões imaginárias a um público indiferenciado. Este novo género literário recebe do próprio Platão o novo nome de “filosofia”». No caso, a referência a um dos mais famosos diálogos do filósofo grego, O Banquete, torna explícita a referência ao gênero inaugurado por Platão, mas aqui a diferença é que Pedro Loureiro não assume a posição de um «filósofo» (um amante da sophia), mas sim a posição abandonada pelo próprio Platão: a de um poeta. Ou seja, de alguém que não se apresenta como portador do logos, mas apenas como um meio, como uma abertura que, à medida que se abre, esconde o próprio rosto.<br />
Os diálogos deste <em>O banquete da chanfana de Séneca aos rojões de Nietzsche</em> não são constituídos como fios que nos conduzem a uma conclusão, como alguma verdade que pudesse ser atingida por uma ascese do discurso. Pelo contrário, a verdade dos diálogos (quando ela se propõe a existir) surge ao modo de uma revelação, tal qual um antigo oráculo (Quis o amor/Que a morte/Fosse o esquecimento) ou uma sentença da ordem dos mistérios (Aos homens resta-lhes/Uma imitação de sangue/Um desejo de regresso ao informe). Isso tudo entrecortado por momentos de pura sensorialidade como no caso de Ares &amp; Afrodite (Se ao acordares/Eu aqui não estiver/Contenta-te com tua mão/Ou o que mais te aprouver). Com isso, afasta-se do diálogo platônico e aproxima-se da poesia dramática, tal qual em Diálogos com Leucó de Cesare Pavese, ainda que este mantivesse a presença efetiva das personagens em uma estrutura mais tradicional.<br />
O Banquete inaugura na trajetória literária de Pedro Loureiro um novo momento, em que a voz escapa de uma escrita de si para uma região mais ampla, mais indefinida também, o que em termos de poesia é sempre um encontro, um acontecimento e uma possibilidade. Em outros termos, a dimensão de uma experiência.<br />
<strong>Augusto Meneghin</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Isto não é um poema, mas parece</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Jul 2022 18:26:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Oi, bonita!
Oi, querida!
Oi, baby!
Oi, delícia!
Oi, gulosa!
Oi, <em>diosa</em>!
Oi, rainha do mel!]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Isto não é um poema, mas parece</em>, porque isto é uma câmera extraordinária (“Imagino <em>closes</em>, fusões e planos-sequência a cada cigarro à meia luz”, escreve a poeta). <em>Isto não é um poema, mas parece</em>, porque isto é um diário polifônico dos muitos modos de existir (os belíssimos “Vaga-lumes resistentes a tempestades frias”, de Mariana Torres, remetem tanto, lidos em clave de metáfora elétrica, à “sobrevivência dos vaga-lumes”, de Pasolini/Didi-Huberman); <em>Isto não é um poema, mas parece,</em> porque isto é um acelerador de partículas provocando mil e uma colisões entre o real e o imaginado, entre o sonhado e o vivido; é o alto-falante da mente cotidiana transmitindo perguntas poderosas para um oráculo noturno: “Lampejos de sombras íntimas – será a isso que chamam carma?”.</p>
<p style="text-align: justify;">Sartre dizia que “imaginar é dar ao imaginário um naco de real para roer”, e quando Mariana, no ótimo poema de abertura, “Imagina”, salta da infância ao luto, numa velocidade tão vertiginosa quanto a leveza com que nos leva, percebemos estar diante de uma poeta que não hesita em nos servir, como fazem as pessoas de verdade: ora o sumo da fruta de lamber os beiços, ora o osso duro de roer do real.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Isto não é um poema, mas parece </em>– porque isto é um livro de amor, essa condição mais radical cravada em nosso DNA. Amor mais geral, pela felicidade, pela vida, pela condição feminina, e amor mais particular, cheio de cheiros e sabores específicos, de zonas de luz, zonas de sombra, palavras e silêncios, e que, “Feito vestígio de terra em camiseta de criança”, não sai. Isto não é um poema, mas é sim, porque Eros vive e pulsa e ri ali. <span style="color: #ffffff;">Isto não é um poema, mas parece</span></p>
<p style="text-align: justify;">E, por fim, isto não é uma orelha ou apresentação crítica, senão teria que falar no domínio que a poeta tem do estilo enumerativo (como nos excepcionais poemas “Mudar de casa”, “Lista do dia” ou na incrível serialização “Coisas que já me disseram”) e outras questões estéticas. Isto é apenas mais uma constatação de que, para nos aproximarmos assim da vida e seus possíveis, é que existem os ótimos livros de poemas.</p>
<p><strong>Carlito Azevedo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Quase</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Jul 2022 11:11:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[começa sempre
assim num fim
com espaços
imensos com sentenças
esparsas sempre
com um não
saber profundo
um não
entender não é
desentender
começa sempre
assim com um
cada vez mais
abissal em seu som
nulo até nos tomar
por completo
e imaginarmos ouvir
este tom

<strong> </strong>

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>quase</em> é um livro de poesia escrito por Juliana Marta, que nada e nadifica, faz das ninharias, coisas grandes, e das grandes coisas, insignificâncias. Começo a achar que todos os nadadores, aqueles que mergulham e atravessam pedaços de mar, são bons poetas e bons professores. Neste livro, precisamos atravessar as páginas nadando em crawl, com respiros rápidos e precisos, ou de costas, deslizando na superfície com toda a calma. No meio desta Pandemia, em que a vida humana foi posta em risco e riscada da lista de prioridades, rabiscar escritas e ver-se riscado por palavras, aparece como uma sorte de esperança. Como se fosse possível respirar de novo. Alguns versos têm qualquer coisa de revelatória, como se a autora tivesse ido longe demais na mente e nos desejos humanos e nos presenteado com faíscas que nos lembram da vida, do que significa, ainda, estar na vida como nadadora na água. Faíscas são coisas belas e fugazes. É preciso estar atento para não perder os gatos, as chuvas, as advertências, os vazios, os amores e os devaneios. Palavras unidas em curtos verbetes e longos pensamentos entrecortados por tempos acumulados. Tempos de muitas julianas que são como você e eu, mas não exatamente, quase. Poesia que lê, com nossa voz, um futuro no qual ainda é possível existir em aparências —tão importante é o que se mostra! — e aparições, sonhos, delírios.</p>
<p><strong>Sofia Porto Bauchwitz</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O mundo gira até ficar Jiraya</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jun 2022 20:19:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Como o dito se relaciona com o não dito
Como o bendito se relaciona com o maldito
Como o maldito se relaciona com o Dito Cujo
Bakhtin
Nem pense
Sai de mim
Sai desse corpo que ele não te pertence]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>O poema gira</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Liguem o Atari, o Playmobil. Andem de <em>skate</em>, saiam em um rolê de pixo pelas quebradas, folheiem os mangás. Escrevam um poema para apresentar na escola. A mãe adormece assistindo à Hebe, e os guris fazem a festa; mas a mãe também é <em>serial-killer</em> (e o pai é <em>drag-queen</em>). Deixem escapar um pum poético, fumem um fininho enrolado em uma folha do Novo Testamento e girem girem girem até tudo ficar Jiraiya.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim é este livro de poemas do escritor Andri Carvão: torvelinho de ideias, de imagens, de palavras, “cacos do caos”, como um aprendiz de feiticeiro zapeando as TVs e as vidas. Imagens de Becket em um caixa eletrônico, de um poeta que pede esmola aos mendigos, de um paciente Hesse numa fila de mercado. Tudo ao mesmo tempo aqui e agora, “nebulosas &amp; buracos negros”. As imagens e palavras se sucedem vertiginosamente como os duzentos cartuchos de jogos, como a Barbie de mil-e-uma fantasias (não poderia faltar nestes tempos esquisitos a Barbie fascistinha), como os revolucionários de breja nos botecos, como as goteiras ruidosas sobre os guarda-chuvas dos cidadãos de bem, como os personagens drummondianos poliamorosos, como os <em>piercings</em> em lugares inusitados, como os SOCK!, os POW!, os WHAP!, os BUM!!!</p>
<p style="text-align: justify;">Os poemas leves e musicais grudam em minha cabeça como memes; sua simplicidade não é superficialidade e sim uma pureza infantil que leva a um universo zen, como o monge que medita toda uma vida contemplando uma pedra. “Quando eu crescer/eu quero ser uma nuvem de pedra”, escreve em seu dever de casa o alter-ego de Andri, Maicon, aluno da 5ª Série B. Em outros poemas já é a voz do adolescente, do blogueiro, é o garoto que anda de <em>skate</em>, que tem medo de cadeira de balanço. E que sabe na pele que nas periferias da vida “o céu desaba lá fora”.</p>
<p style="text-align: justify;">“Minha sombra me arrasta”, escreve o skatista que virou poeta e quis construir uma ponte, pulou as preliminares, mas também não bate palma para loucos. “Rock pauleira, rock paulista, não dê bandeira, nunca desista”. Ler e viver os poemas de Andri é isto: resistência.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Jozias Benedicto</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Língua de serpente &#8211; um poema é um feitiço</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/lingua-de-serpente-um-poema-e-um-feitico</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jun 2022 15:47:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Falam por aí
das mulheres
que cometem crimes
contra a sociedade
de direita,
Mulheres que
engravidam
entre elas
em pacto com
o sub-
-mundo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Você acaba de receber um segredo em mãos. Esta orelha é convite e aperitivo. Se um poema é um feitiço, que será, então, deste livro? Desejos escondidos, secretos, perigos. Códigos sociais, existências violadas, liberdade clandestina, controle dos corpos, mulheres em abismos. Sobreviver, subverter? Renata domina os feitiços; conhece os mistérios; das línguas que se costuram umas nas outras: “aqueles corpos de mulheres/ que se abraçam/ contrariam leis/ ocupam o mesmo lugar no espaço”.</p>
<p style="text-align: justify;">Em um tempo outro, datado no futuro, com idas e vindas temporais entre relatos marcantes de neta e avó, uma sociedade (talvez) distópica violenta e infértil vigia úteros e pune mulheres que não acatam ordens heterocispatriarcais. Poeta e artista visual, Renata investiga e subverte também a escrita e o que esperamos de um livro de poesias. Romance poético? Narrativa em versos? Experimentada por algumes outrora, com coragem a autora mergulha também nesta receita, aprendida talvez nos tais livros clandestinos. Na sobre/vivência LGBT da vida: “busco mais do que nunca/ os horizontes na escrita/ e nas nossas histórias”.</p>
<p style="text-align: justify;">A língua de Renata desfruta do gosto pelas histórias de suspense, desejo, deleites e sombras. “mia já sabia, gostava de:/ feitiços culinários e videoclipes antigos.” Medo do escuro, mas não da solidão. No breu, nos desejamos. Nos encontramos: “não enxergo futuro/ mas eu vejo você”.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 2020, no seu instagram, a artista deu-nos pistas de sua pesquisa em línguas outras: “‘Terei minha língua de serpente’ é parte de uma série sobre corpo e língua que venho pensando e produzindo durante o isolamento social. O título é uma citação de Gloria Anzaldúa, que tem sido uma presença, um abraço em meio aos vazios do momento.” Renata nos segreda: “a escrita aparece na minha vida como caminho, como um alívio, como certeza: usar as línguas das serpentes”.</p>
<p style="text-align: justify;">E ecoando essas línguas, te convido a adentrar a atmosfera ficcional (atual?) de Renata Spolidoro. Atenção ao caminho: “seja bem-vinda à margem”.</p>
<p><strong>Aline Miranda</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Ainda não sou água</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/ainda-nao-sou-agua</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jun 2022 15:16:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ser um corpo no mundo
fazer-se lembrar de estar aqui
escutar para além dos olhos
enxergar para além dos ouvidos.
lembrar, lua, que depois da firmeza,
é preciso leveza.
não é contradição, é receita de existência.
não esquecer, lua,
de esquecer algumas coisas no ar às vezes
mas lembrar-se sempre do que aterra.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Quando água e terra se encontram: lama. Do barro ancestral entendemos que nascemos, mediante as tradicionais ontologias afrodiaspóricas que nos servem de <strong>farol</strong>. Como é frondoso, então, o espetáculo sagrado e <strong>profano</strong> proporcionado por este encontro. Luana é a mão firme na caneta que <strong>(a)terra</strong> com segurança as palavras <strong>quando o corpo pede (c)alma</strong>. Ainda assim, é possível ver escorrer os sentimentos líquidos entre as linhas. Uma combinação tão potente que só pode resultar no parir, uma vez que sustenta <strong>dar-se de cara ao limite</strong>. Livro e autora se formam diante dos olhos de quem consegue apreciar as miríades da <strong>gestação</strong>, este processo tão líquido quanto sólido. Este é um livro-espelho, também um livro-presente, onde <strong>a gente fica</strong> de frente com nuances potentes do pântano das nossas próprias alegrias, amores e angústias. É uma obra <strong>pra lembrar</strong> de si, do palpitar ao <strong>engasgo</strong>, do grito ao silêncio, do solidificar ao fluir.</p>
<p style="text-align: justify;">Com Lua, me permiti “escutar para além dos olhos, enxergar para além dos ouvidos”, reestabelecendo uma conexão que vem desde o umbigo até o <strong>pé (de raiz)</strong>, alinhando este <strong>estranho-familiar</strong> <strong>corpo no mundo</strong>. Suportando as dores das <strong>cólicas</strong>, <strong>no agora</strong>, a autora nos conta segredos desta alquimia necessária <strong>pra viver</strong>, sem se pretender único <strong>norte</strong> ou <strong>manual</strong> de nada: cada ser escolhe como gestar em seu útero-<strong>casa</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Toda água que Luana ainda não é, eu fui ao ler suas palavras, <strong>indecente</strong> na maestria com a qual apresenta sua mistura autêntica e corajosa. Convido, a quem amar poema e quiser sentir a plenitude rarefeita de oscilar entre os elementos e suas fases, a espiar por detrás de cada camada estratigráfica deste solo fértil onde Luana com seu corpo floresce, regada pela água que aos poucos nos mostra sua nascente. <em>Ainda não sou água</em> é companhia para <strong>domingos </strong>e dias úteis; alvorada, anoitecer e <strong>madrugada</strong>. Basta que se <strong>esteja atenta aos letreiros em neon</strong> onde Lua fala: continue você também nesta modelagem, ser barro a virar obra de arte: poesia condensada.</p>
<p><strong>Lara de Paula</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Lagar de fala</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/lagar-de-fala</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jun 2022 15:06:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[As volúpias da fé, quais as do império,
fedem mais que as fezes frescas dos fetos.
Se é isto o que se tem por refrigério
em meio à pasmaceira dos dejetos,
e o rei assim o diz, já sem mistério,
dos mesmos camburões, sempre repletos,
as glórias cantarei, bem que disperso,
se tão ferino esgoto cabe em verso.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Lagar de Fala</em>. Lagar ao invés de lugar.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu vejo lugar de fala como equívoco<em>. </em>Quem fala pelos outros sem autorização expressa está necessariamente supondo. Júlio, com seu talento paronomástico, escapa com ironia para <em>Lagar</em>, onde os pés descalços do poeta maceram as palavras, talvez na dança do <em>kizomba </em>angolano, escorrendo delas o sumo infame, o mosto sanguíneo do racismo.</p>
<p style="text-align: justify;">No início de <em>Lagar</em>, uma incursão pela história e pelos versos de Fernando Pessoa – “Tudo vale a pena/Se a alma não é [pequena]” – onde cada palavra aparece recheada com paronomásias, aliterações e sinonímias. Já “Gramática Gerativa da ocupação do outro” evoca a teoria de Chomsky – a universalidade genômica da língua. Usamos a linguagem como os pássaros usam as plumagens. Exibimos a fala. O pavão abre a bela cauda multicolorida.</p>
<p style="text-align: justify;">“<em>Cerberus poem</em>” é uma triunfante celebração das paronomásias. As cabeças trifrontes das palavras surpreendem e criam sons e formas imprevistas. <em>Sacred Scared</em>, uma simples troca de posição da consoante <strong>&#8216;</strong><strong>c&#8217; </strong>virou a primeira do avesso. Assustou-se o sagrado? Corre um arrepio religioso no texto poético.</p>
<p style="text-align: justify;">“As meias do pai” é um mergulho de Júlio Machado em poema que escrevi sobre meu pai (“As meias furadas”). Achei que estava sozinho nas águas geladas, mas lendo o de Júlio percebi as borbulhas de alguém que conseguira mergulhar solidariamente comigo.</p>
<p style="text-align: justify;">É encantador “O moleiro e o esmoler”. Ao modo das parábolas, gostoso e belo de ler, poema em que se conversa até com o caminho e a pedra, enquanto a vida nos mói a todos.</p>
<p style="text-align: justify;">Dos melhores livros de poesia que li nos últimos anos. Alma alada, só posso desejar que voe logo, alto, rápido, e vá encantar muitos outros leitores.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Gilberto Nable</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Sozinha cheia de poodles</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/sozinha-cheia-de-poodles</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jun 2022 12:50:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[não entendo nada
mas conservo o grito

não uso relógio
me aperta o passo

não faço sala
não sou arquiteta]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Daqui vejo um sofá no meio da rua na grande e movimentada Copacabana. Sentada no sofá, com muita tranquilidade, uma senhora trajando um longo vestido rosa choque, cercada de seus poodles. Ela se chama Caio Riscado e, às vezes, se sente sozinha. Não fossem os cães, latindo em coro com suas memórias, ela estaria tristíssima, sabemos, mas não está. A senhora está tranquila, belérrima e um pouco espantada, sente que precisa correr. Mas se lembra que está ali para contar suas histórias e se mantém com a coluna reta, confortavelmente sentada em seu sofá no meio da grande Copacabana, aguardando sua nova visita.<br />
Quem resolve se sentar ao lado de Caio Riscado, no burburinho de um dos bairros mais agitados da cidade Rio de Janeiro, precisa estar despreparado para o susto que se arma com a vida mais corriqueira, como pequenos acontecimentos em uma calçada: um menino sozinho vai solicitar dois ingressos e acenar ao longe; um operário vai ensinar um passo de dança; duas pessoas vão se transformar em um bar; uma gema amarela vai estourar; alguém vai chamar um táxi e seguir a viagem a pé. É preciso estar atenta, mas também um pouco distraidinha no dance.<br />
Ao longo das páginas de <em>Sozinha cheia de poodles</em>, ouvimos as histórias de Caio Riscado, que na verdade devemos chamar de poemas, porque é assim que ele prefere. Mas me atrevo a dizer, que depois de sentar-me ao seu lado e ouvir sua voz atravessada pelos latidos, eu também poderia chamar esses poemas de cochichos e mentirinhas, novelas das oito, relatos longuíssimos doloridos, pequenas ordens para pessoas confusas, declarações gritadas na pista de dança, jogos de trapaça e correios do amor.<br />
Andando pelas calçadas destes poemas, observando a senhora sentada sozinha com seus poodles em um sofá no meio da rua na grande Copacabana, descobrimos que abalos às vezes são necessários para nos sentirmos vivas e que, são nestes abalos, que vemos as palavras perdendo sua ordem e se reorganizando como se ossem pequenas coisas espalhadas pela calçada, porque Caio Riscado avisa: “sempre quis ser coisa”. E agora penso, emocionadérrima, que este livro é um convite amoroso para uma conversinha a dois, a três, a mil, em um imenso sofá no meio da rua em Copacabana.</p>
<p style="text-align: justify;">
<strong>Estela Rosa</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>É verdade que tudo aquilo aconteceu num dia sem data</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Jun 2022 16:46:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[segurar seu rosto
na mesma altura do meu
criar espelho de olhos
narizes
e bocas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Você começa acreditando: <em>É verdade que tudo aquilo aconteceu num dia sem data</em>. Pode ter acontecido hoje, mais perto do almoço, enquanto você estendia as roupas no varal. Ou talvez ano passado. Você tenta identificar outros chãos pra compensar a falta de um tempo, mas percebe a desimportância disso; o título diz ser verdade, e você confia. Apesar de estar vendado, dá pra sentir alguém te puxando pela mão, um sentido sussurrado no ouvido.</p>
<p style="text-align: justify;">As imagens nos poemas da Maria Catarina se assemelham àquelas que visualizamos em uma prática meditativa guiada: soltas em um não espaço, sem borda. E isso também não importa, você se segura no pouco que enxerga, um urso pardo, não todo, só os dentes do urso ou um pedaço das costas, ele esconde algo vermelho. Você segue lendo com a sensação de quem espia o próprio sonho.</p>
<p style="text-align: justify;">As linhas que atravessam o livro servem ao seu propósito contrário, daí o ar onírico no texto. Elas costuram fragmentos de realidade pra dar conta do que existe no avesso. Se você mexer os dedos bem devagar, vai perceber que está acordado.</p>
<p style="text-align: justify;">Você está diante de um abismo que mais te instiga do que amedronta, por isso segue lendo. O livro oferece o cuidado de quem não desperdiça palavra, um barco, picadas de inseto, você já viveu isso, correspondência, são só poemas metalinguísticos, não só, espera. Você ri pequeno pelos dentes, imenso por dentro. Ou não ri, porque não consegue distinguir prazer de espanto.</p>
<p style="text-align: justify;">A escrita da Maria Catarina te faz acreditar no que não se enxerga facilmente. O eu lírico aproxima ou afasta a cena, dá a ver o todo ou parte, você se mistura à paisagem. Descobre a beleza de estar do outro lado, indiscernível, seus desejos tímidos como se esperassem na antessala, assistindo a outros desejos.</p>
<p style="text-align: justify;">“Escuta o tilintar”. De repente são 4h40. A dobra da sua blusa encosta na barriga, você caminha até a estação, vozes metálicas te perturbam. Você questiona as direções propostas, relê o indiferente imóvel à sua frente, aguarda novas instruções, luzes se acenderam automaticamente? Quem lê empresta o corpo à prova.</p>
<p style="text-align: justify;">Maria Catarina testa a realidade com a linguagem. Destitui o óbvio da sua origem com a humildade de quem reconhece a experiência do leitor como parte do caminho.</p>
<p><strong>Mayara Blasi</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Átrio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Jun 2022 16:26:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[depois de seca
escreve-me de volta
ou volta a esquecer a toalha
para eu saber que leste a carta
e que esperas
ansiosa
pela próxima.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Desde a entrada, o livro de Fernanda Comenda pede orelhas atentas; não só à sua pulsação, mas ao breve silêncio que intercala sístole e diástole — a estrutura do livro remete ao ciclo cardíaco. Como sintetiza um dos poemas: “não escrever linha alguma/que seja menos/que um silêncio”.</p>
<p style="text-align: justify;">E, contudo, se escreve. Afinal, esse imperativo de mudez não resulta numa poética do silêncio. Antes, a voz inquieta da autora se vale da falsa transparência da linguagem para insinuar outros sentidos por baixo da superfície. É uma poética da insinuação que diz (e muito) sem dizer.</p>
<p style="text-align: justify;">Muitas vezes, as relações afetivas aparecem configuradas por elementos domésticos, dispostos em ordem regular, como os tacos do piso no início do poema “maneiras de dizer que você veio”:</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">“três na vertical</p>
<p style="text-align: justify;">três na horizontal</p>
<p style="text-align: justify;">alternados</p>
<p style="text-align: justify;">três na vertical</p>
<p style="text-align: justify;">três na horizontal</p>
<p style="text-align: justify;">alternados</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">dois na vertical”</p>
<p style="text-align: justify;">É de se notar que, apesar da quebra de alternância, o padrão rítmico no último verso se mantém. Uma maneira sutil de indicar a presença pulsante daquilo que falta. Diante da rejeição e dos desencontros com o outro, o antigo conselho de sacudir até a poeira dos pés — ou rodapés, como no poema “eu me atrasei” — não deixa de ser um modo de sublinhar sua permanência, mesmo que seja pela subtração. Já disseram: “quem muito se evita, se convive”.</p>
<p style="text-align: justify;">E, com todas as suas ambivalências, “convívio” é uma palavra-chave que permeia as páginas desde o título: <em>átrio </em>denota tanto as cavidades cardíacas de entrada e saída do sangue quanto o pátio central de um imóvel. Esse “encontro/entre o couro/e a casa” sugere o ponto limítrofe onde interior e exterior se ligam e, ao mesmo tempo, se separam. De fato, é um limite frágil, que muitas vezes se rompe, chegando ao cúmulo da impermeabilidade: “de dentro pra fora/nada alcança/de fora pra dentro/nada chega”.</p>
<p style="text-align: justify;">Se o que a vida quer da gente é coragem, ei-la aqui. Para encarnar o êxtase, e também o estrago que nos fazem os afetos. E “afeto” não se refere à qualidade dúctil e sentimental da palavra, mas àquilo que nos afeta, que nos move — para dentro, para fora. Como as pancadas do sangue.</p>
<p style="text-align: justify;">Em círculos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego Alves Amâncio</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Exílios</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/exilios</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Jun 2022 10:29:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O mundo era plano
e o silêncio do mistério
pressionava meus ouvidos.

O mundo acabava
no final da minha rua,
na última parada do ônibus.

[a pálida branquidão lunar
para nós, na tenra infância,
parecia mais possível
que um estado vizinho]

O mundo não tinha
conhecimento de seu umbigo.

O mundo, como nós,
não alcançara a puberdade.

O mundo era um bairro
e nosso bairro era o mundo.

(<em>Lugar</em>, página 23)

<strong> </strong>

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Rafael Mendes vive numa espécie de desterro: Irlanda, depois Espanha, depois Irlanda outra vez. Vindo do interior de São Paulo, assim como eu, Rafael Mendes versifica um mundo muito próximo daquele que reside na minha memória mais íntima. Mesmo quando fala das ruas de cidades seculares no Velho Mundo que jamais avistei. Mesmo aí me identifico com o poeta: em terra estrangeira. Pois é possível viver diversos exílios, ainda que dentro do próprio país.</p>
<p><strong>Pedro Moreira</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Fazer colidir trens</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/fazer-colidir-trens</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 May 2022 21:23:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[no caminho da minha psicóloga pro metrô
tem um viaduto
e então tem o trem
na rua tem os carros
chegando em casa
tem o estilete
e os remédios

então eu durmo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Toda revolução começa no corpo. Revolução: gabriela efigênia farrabrás. Eu a saúdo,</p>
<p>pois chega em hora exata este corpo-livro revolucionário. “e eu prometo/um</p>
<p>dia chego”: promessa cumprida, memória de futuro. Um corpo é sempre exato</p>
<p>em sua hora: vasculho-o porque ela assim me confiou. E porque</p>
<p>víboras conhecem os túneis que levam ao de-dentro.</p>
<p>Obreira de si, a poeta não se economiza no verso: “ontem/tentei me matar//hoje pintei as</p>
<p>unhas/de preto//as banalidades seguem”. É a vida rompendo do, no e com o</p>
<p>passado. Os versos finais de cada poema sustentando o edifício todo.</p>
<p>Laborar o pharmakon-palavra. Pintar as unhas,</p>
<p>tomar sol, lavar louça, cozinhar: que força sustenta os fazeres —</p>
<p>batalhas diárias — de uma fêmea adoecida? Quanto dessa força destina-se a</p>
<p>dis-trair a morte?</p>
<p>gabriela coloca nesta obra toda sua força. É Iansã essa que vejo a</p>
<p>um lado? E do outro, cujo nome não se diz mas teve a pele queimada? Atrás, a</p>
<p>legião: “me multiplico em duas/e com duas de mim/eu sei ser</p>
<p>minha própria amiga”. Na frente, a poesia.</p>
<p>Ela sabe transformar morte em vida. E poesia não brota</p>
<p>do acaso, mas de mãos calejadas. Milimétrico o labor da mulher-poema —</p>
<p>trotskista e maiakovskiana — que precisa manter os trens nos trilhos, o pau</p>
<p>ardendo na punheta, o poema em pé sobre a página: “fique viva/é importante</p>
<p>que esteja viva/vital até/pois//nenhum poeta vai falar sobre a greve dos</p>
<p>petroleiros//exceto tu”.</p>
<p>Nunca li/vi/senti poética tão precisa sobre responsabilidade e cuidado de si:</p>
<p>gabriela afunda a mão no caos do corpo e toca a intrusa, mas, ao</p>
<p>torná-la matéria viva — palavra, som e sentido —, inicia o ciclo de atividade</p>
<p>vulcânica do corpo expandido em texto. Erótica, a poeta se incendeia em e de</p>
<p>vida: “pega o poema/como pega na punheta”, “quero</p>
<p>engolir o mundo/à boca pequena/— eu já disse —/mas vai caber tudo/o que</p>
<p>eu quiser/basta abrir a boca”.</p>
<p>Toda revolução começa nas bocas e corre pelas artérias do corpo</p>
<p>social: “devorar/essas pessoas/a palavra mais linda/camaradas/a</p>
<p>sabedoria/nos queremos vivas/nos precisamos vivas/para a revolução/que</p>
<p>virá/para a nova vida”. É uma poeta madura essa que nasce hoje, mas que</p>
<p>vem se gestando há tanto tempo nos subterrâneos da cidade, nas bandeiras</p>
<p>erguidas nas passeatas: “parar os meios de produção/ocupar os meios de</p>
<p>produção/e Marx fica sempre mais lindo/na boca de uma mulher”.</p>
<p>gabriela efigênia farrabrás é voz que ecoa muitas. Seu nome, Legião. Sigo</p>
<p>ouvindo-a e sopro pro futuro: que a poesia seja desde já seu mais longo</p>
<p>relacionamento.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Geruza Zelnys</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Os Cães todos verdes</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/caes-todos-verdes</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 May 2022 21:15:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[toda essa ideia de uma revolução imaterial. uma revolução
metafísica, principiada no coração de uma criança. uma criança
comandando uma multidão inglória que não luta, apenas se
entrega — gritando declarações de amor.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Uma criança me habita em festa: não tenho medo. São poemas de abuso — e ainda assim, e também por isso, de uma paixão diabólica. Estar, não ser, a vida vivida em constante transitoriedade, o corpo sempre pronto a morrer. São fragmentos de adeus, curtas cartas que dizem: estou prestes a cometer um suicídio, mas não se preocupe, eu vou deixar para a próxima vez. E para a próxima, e para a próxima. Toda paixão é profana e todo gozo é sagrado. Deus é o rosto de um homem que machuca, Deus é uma mulher inalcançável. Armadeiras e bailarinas se unem, contraditórias, simbióticas, violentas como são as noites, em um mesmo palco vítreo. Há lábios de areia, há sangue e sal, há um iminente fim de mundo, e então dançamos, com a certeza e a dúvida apertadas nas mãos. Enquanto estou lendo marina, posso acreditar que há, sim, um espaço-tempo em que todos os cães são verdes. Corrompidos pela civilidade, sim, mas verdes, coloridos, deíficos, os cães todos vivos. Entendo a força dos enxames. Sei que todas as palavras são desimportantes, e por isso precisam existir. Sou também palavra enquanto estou lendo: desimportante, finalmente viva.</p>
<p><strong>GABRIELA SOUTELLO</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Ultimidades</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 May 2022 13:38:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">o tempo reintegrado em pontilhismo
a casa demorada em suas pinturas
murais
o silêncio de seus mortos
decapando paisagens marinas</span>

<span class="fontstyle0">
(olhando de perto
se vê casa rasurando outras casas
em seus dramas edificados)</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span class="fontstyle0">havia na garagem<br />
abandonada<br />
um estoque de maçãs argentinas<br />
e um acervo de inocência<br />
embrulhado em papel azul<br />
para as primeiras lições<br />
de apelo</span></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>O maquinário fantasma</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-maquinario-fantasma</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 May 2022 13:28:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">Por isso, me diz o espectro,
não dê ao destino tanto gosto.
Quando pensar ter em mãos
sua caveira, o mais fulcral dilema
talvez lhe ocorra
de tantas prudências
ter preterido outros opostos.</span>

<span class="fontstyle0">
É desse espanto
(em tropeços por litorais
os crepúsculos em riste)
que entendemos cada tendão
um sustentáculo de dois
ou mais eclipses.</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em O Maquinário Fantasma, primeiro livro de Guilherme Pavarin, nos deparamos com uma constelação de vozes que povoam a imaginação do poeta; vozes que surgem da memória e da história, mas também de objetos descartados, de um maquinário obsoleto que cisma em existir mesmo depois de perder suas funções originais. Fantasmas do novo milênio: uma máquina Brastemp transformada em aquário; ou um drone que insiste em participar com seu irritante zunido de uma performance teatral. Nesta terra devastada que herdamos, essas vozes fantasmagóricas nos interpelam, cobram dívidas do passado. São dívidas que nem mesmo sabíamos possuir, mas que, ao mesmo tempo, em um tempo sem futuro, são tudo o que temos; são o elo que nos prende ao aqui, o motivo para continuarmos nossa caminhada. É nesse cenário que o jovem poeta tenta se encontrar; que ele procura, entre tantas possíveis, a sua voz, uma tarefa ingrata entre os estímulos, horrores e carências com os quais o poeta é confrontado num país em escombros; em um planeta em crise constante onde só se pode “existir numa queda constante”, como diz o poema. Em um dos melhores poemas do livro, o poeta reflete sobre um cartaz destes que vemos em postes pela cidade, cartazes sobre um cachorro perdido, e sonha em aplacar a dor desses outros desconhecidos com um telefonema, mas logo descobre com sua amarga ironia que é ele quem precisa ser encontrado. Mas alguém o está buscando? Surpreendentemente, neste cenário impossível, Pavarin ainda encontra algum otimismo, um otimismo melancólico de quem não está disposto a abandonar essas vozes, um otimismo lírico que nos é familiar e acompanha aqueles que não se encaixam; que seguem gauches por aí, carregando os seus (os nossos) fantasmas. Uma estreia peculiar de um poeta disposto a mergulhar na investigação de temas diversos, a explorar a própria melancolia e o desafio de encontrar a sua voz.</p>
<p><strong>Marcelo F. Lotufo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Tantos estados da água</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/tantos-estados-da-agua</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 May 2022 13:06:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">o mar está em meu nome
como no de minha mãe:
talvez porque meu avô
habitara uma baleia
ou porque pedi da membrana
um vocativo que transbordasse.</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Mariana Ferraz é uma grande pesquisadora do tempo e das palavras — bem como das palavras no tempo —, capaz de subverter qualquer rigidez proveniente de sua formação acadêmica para adentrar as águas movimentadas da poesia, de sua própria poesia, anunciada para suas leitoras e leitores: &#8220;o mar está em meu nome&#8221;. É na força da substância fundamental para a existência da vida no planeta, a água, que Mariana desbrava novas fronteiras de sua escrita — e também do tempo e das palavras — para brincar de ancorar em úmidas descobertas poéticas.</p>
<p style="text-align: justify;">O convite é lançado já nos primeiros versos: &#8220;encontre-me na fundura do mergulho&#8221;, e é para as profundezas de suas experiências — principalmente de sua potência feminina — que sua poesia nos conduz. Com uma construção lírica excepcional, por meio de uma espécie de artesania da linguagem, atravessamos intimamente, página a página, seus tantos estados da água que nos inundam de vida.</p>
<p style="text-align: justify;">É na construção da pluralidade desses estados que a poeta realiza sua ancoragem e consagra seu pertencimento como mulher neste mundo. Paradoxalmente, é esse curso que a conduz também para o reconhecimento de sua singularidade: isso porque Mariana adota, em alguns poemas, um tom que não apenas invoca a própria natureza feminina (sejamos sólidas, líquidas, gozosas e sublimes!) como também reverencia seu poder mutável: &#8220;há versos que ninguém/além de mim/há de entoar&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">tantos estados da água é o registro em palavras e no tempo do corajoso mergulho de Mariana Ferraz em si mesma. Cabe a nós, leitoras e leitores, desfrutar da coragem e da liberdade da poeta em compartilhar tal aventura conosco: pois &#8220;há de se ter coragem/e há de se ter liberdade/para ser a coragem que se tem&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Priscila Ferrer</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Eu pedi pelos tigres</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/eu-pedi-pelos-tigres</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 May 2022 22:53:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ventilar as emoções que insistem em corroer os ossos
não tentar se apoiar nas bordas do oceano
nenhum contorno de aço
servirá de bote salva-vidas
no encontro com a cólera das águas
seguir no exercício de aprender a hospedar o caos em si]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Algo se arruína atrás de mim: estou livre. Uma selvageria irrompe discreta, crescendo quente, um bicho me mostra os dentes, até se roçar físico em meus olhos de leitora. Penso que bruxas nunca foram mortas. Penso nos pulmões das baleias. Natália nos faz enfiar a mão no fundo da terra e puxar raízes soltas. De onde vêm as águas que vertem entre rochas e rasgos, que nos fazem espremer panos, contendo o excesso com as mãos? De que valem, afinal, as raízes quando soltas? Não espere encontrar respostas nessas páginas de vento: não espere nada. Natália nos espelha nos rompimentos que são também fertilidade, mas não há resposta fácil. Tudo o que quebra se expande, mas tudo o que quebra, não se engane, quebra também. Todos os dias os planetas giram em coincidência, arrepio, deja-vù, lembrança susto espasmo, frenesi. Todos os dias giramos junto, conectadas<em>. Eu pedi pelos tigres</em> não reduz o simbólico a explicações retilíneas, mas nos convida: podemos, sim, ser artérias em risco, atravessando. Somos, sim, indivíduos, pontos soltos, precipitando — mas nunca sozinhos.</p>
<p><strong>Gabriela Soutello</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Poesia se mata com tiro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 May 2022 19:47:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ao soprar as velas
e fazer o seu desejo
não esqueça que o vizinho
delatou os nossos beijos
à polícia.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Poesia se mata com tiro</em> é um livro de coragem. Demonstração da força e potência da palavra frente aos discursos que empesteiam os dias. Afinal, “os covardes não leem poesia porque/temem que ela os denuncie, revele”. A partir de um exame de diferentes manifestações artísticas e de cenas de um Brasil pandêmico e brutal, a poesia de Sidnei Xavier dos Santos traz um empuxo de forças, um convite contra a apatia e a resignação.</p>
<p style="text-align: justify;">Na primeira parte, “Poemas com Figuras”, a poesia examina, diante da fotografia, diante das marcas do corpo, dos primeiros amores, do erótico, a mão que escreve e cria. A procura “por aqueles que transponham o abismo”. Uma resposta poética a trabalhos tão distintos nas artes plásticas, como as fotografias de Man Ray e Jason Bard Yarmosky, as pinturas de Cícero Dias, Frida Kahlo e Tarsila do Amaral. Essa investigação dá continuidade ao projeto de escrita do autor — sua novela<em> A linha augusta do campo</em> foi publicada com imagens do fotógrafo Cídio Martins (Quelônio, 2020), obra finalista do Prêmio São Paulo de Literatura.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa primeira seção termina com “Riscos sobre a Terra Plana”, conjunto de poemas que expõe, pela ausência de menções explícitas (afinal, no contexto da publicação, é desnecessário explicar a inumana era bolsonarista), um cotidiano arrastado por uma crise democrática e contaminado pela melancolia pandêmica — “o que há é o silêncio dos mortos”.</p>
<p style="text-align: justify;">A segunda parte, que dá origem ao título do livro, arma-nos de uma lírica capaz de refletir sobre a violência dos discursos cotidianos em que estamos agora imersos. Um antídoto à complacência resignada dos dias. É formada por conjuntos de poemas: “Poesia com afeto para dias de ódio”, “Velório das Musas” e “Tudo que mata é prosaico”. Visitamos retratos de um território em que a vida vale pouco e a precariedade neoliberal nos engolfa, “compro uma dívida, uma xícara/e compro com bônus/um voto/e uma vida”, tudo isso com um dólar. Uma nota de sabedoria soa em “não há poema nos dias/que vencem os boletos,/por isso a poesia é rara”. O volume se encerra com uma bonita imagem de abertura: livros abertos sendo janelas.</p>
<p style="text-align: justify;">É isto que Sidnei Xavier dos Santos nos oferece, uma janela, um respiro. Estudioso de literatura, doutor em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo, o poeta nos oferece agora palavras de encorajamento. E, como é sabido, a sorte sempre favorece a coragem.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Ana Rüsche</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>A luz do abismo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 May 2022 19:24:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Crianças em frente ao bosque fechado
senhoras na fila da farmácia
a sirene da ambulância no romper da tarde
o poema de Manoel de Barros sobre o silêncio
a aula de yoga no meio da sala
perto das 18 horas os cães latem no portão]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>algumas Poesias (ou seriam as Pessoas?) demoram a se abrir ao leitor. regra número um: o leitor de Poesia há de ser paciente, há de voltar ao Livro</p>
<p>com devoção, vulnerável ao Mistério, até que</p>
<p>em um par de horas, comum como outro qualquer</p>
<p>aquelas palavras se abrem</p>
<p>inexplicavelmente</p>
<p>e te convidam</p>
<p>para uma dança,  é o caso</p>
<p>deste Livro.</p>
<p>Aqui, a Poesia é uma boca sem dentes, mucosa de pântano, escura, úmida, impossível de se desvencilhar.</p>
<p>entramos em contato com as camadas existenciais da palavra através das Sombras</p>
<p>e de repente o Poema é o apátrida que caminha ao nosso lado</p>
<p>desfocado</p>
<p>e no entanto íntimo.</p>
<p><em>a luz do abismo </em>é um Livro de contrastes, a ruína do que outrora foi regresso.</p>
<p>carrega as particularidades da (de)composição</p>
<p>onde há humanos? são todos uns irreconhecíveis.</p>
<p>não sem ironia caminhamos pelos Poemas, não sem humor ou lirismo</p>
<p>na fresta, a teimosia de um mamão no muro</p>
<p>algo de Brecht que grita <em>a tua indignação </em></p>
<p><em>está no lugar errado</em></p>
<p>mas o mundo esqueceu os óculos</p>
<p>e ainda assim: Armando aproxima</p>
<p>distância s</p>
<p>mergulhando no ritmo das florestas</p>
<p>somos o barulho das folhas enquanto alguém corre por nós.</p>
<p>há neste Livro o imperativo do verbo</p>
<p>e a fragilidade do medo</p>
<p>do dentro</p>
<p>da rua</p>
<p>na ponta dos versos: flanela na lança</p>
<p>são Poema revestidos</p>
<p>de notícia</p>
<p>de revolta</p>
<p>de inversões.</p>
<p>as palavras e o seu hálito da infância</p>
<p>se derramam em um dos mais belos encontros deste Livro &#8211; &gt; dois Poetas</p>
<p>tio &amp; sobrinho</p>
<p>três com o demônio</p>
<p>quatro com o riso</p>
<p>(rir cúmplice é uma saudade unânime)</p>
<p>e tudo isso dentro do Poema e seu sinônimo,  o Abismo.</p>
<p><strong>Aline Bei</strong></p>
<p><span style="color: #ffffff;">Armando martinelli</span></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Boladão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 May 2022 19:14:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Meu país não pode ser
um gigante
fa(r)dado a ser
Golias.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Boladão, </em>Vitor Motta<em>,</em> foi escrito durante a reclusão pandêmica, no cata-cavaco emocional que o período trouxe. Cai, levanta. Altos e baixos. Sobretudo muita indignação emergiu desses tempos. E tornou-se poesia.<br />
Os poemas refletem sobre fatos que tocaram profundamente autor e sociedade, como o “engenheiro civil formado melhor que você”, as trapalhadas e crimes de um certo falso Messias e o distópico “estupro culposo”.<br />
Há poemas com métrica, sem métrica, verbo-visuais, ora irônicos, bem-humorados, ora bolados, carregados mesmo<br />
de ódio. Sim, a esperança também se vislumbra em pontos estratégicos.<br />
Por fim, Boladão apresenta uma poesia honesta, arrebatada, obcecada. Desejo que o leitor se identifique e lembre-se de que a literatura sempre vale à pena e que os canalhas contra os quais essa obra surgiu odeiam poesia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Jabuticaba</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 May 2022 11:47:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[a tristeza
que carrego comigo

é daquelas

grandes

que pegam o sujeito
desprevenido

que assassinam
sem medo do flagrante]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“A vida em seus métodos diz calma” já dizia o cancioneiro pernambucano, e é com essa premissa que Victor Pimentel escolhe inaugurar seu primeiro poema em Jabuticaba. A partir desse momento, o autor nos convida a nos atentar às marcas de seu metrônomo, a contabilizar um tempo pertencente aos poetas, que conseguem atingir a proeza de chegar na beira de deus, pelo olhar.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, Victor por não conseguir deixar de ser Victor, funde-se às formigas &#8211; detentoras dos mistérios do mundo animal -, para contemplar o tempo das plantas, e o cotidiano dos formigueiros. Dos caramujos gelatinosos até uma sobremesa pelas beiradas, passando pelos olhos que se beijam e pelas luas no interior de jabuticabas, Victor esmiúça o horizonte dos nossos minutos. Como quem espera sua canção favorita passar na rádio, enquanto observa as costas dos prédios se bronzeando, e entende que “a calma das coisas vivendo em seu tempo, é a chave do próprio tempo”.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao entrar em contato com Jabuticaba, fui atingida por uma profunda vontade de viver, de mansinho, esvaziar-me das distrações cotidianas e imergir em um profundo compasso das crianças, dos amantes e daqueles que estão plenamente vivos, ao passo de gritar. Como no poema ambulância, que Victor irá dizer que as sirenes, responsáveis por gritarem no lugar dos incapacitados, ressoam “ecos de dor que perturbam a ordem do dia”.</p>
<p style="text-align: justify;">E se na Austrália, o poema é um meio para chegar ao outro lado, engana-se quem pensa que tal vocação temporal de psicodelicadeza do gesto é exclusividade apenas dos artistas ui ui ai ai, ou dos poetas que quando dormirem de terno continuarão vivos. Na obra de Victor, não é o poeta, mas sim o leitor que conduz a viagem &#8211; ao universo infinito da casca de jabuticaba.</p>
<p><strong>Beatriz Veloso</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Cheiros indistinguíveis</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/cheiros-indistinguiveis</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 May 2022 11:39:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Há essa mulher pela qual estou apaixonada.
Não é uma menina, não é uma garota, não é uma mina, não é
uma figura.
É essa mulher.
Poderosa, e linda, e forte; frágil, e confusa, e vulnerável.
Que tem a capacidade de me dissolver quando me olha, de me
acuar quando me questiona, de me receber quando me envolve.
De me matar de saudades quando está longe.
De me matar de saudades quando está perto.
De me fazer sentir em casa, de ser minha casa e meu lugar.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Evelyn Silva nos brinda com uma obra de suma importância, sobretudo se considerarmos o grave momento político que vivemos. São 17 “contos-poesias” — também poderíamos chamar de crônicas — que navegam entre as dores e as delícias de ser, e se saber, uma mulher sapatão dentro de uma sociedade machista que o tempo todo busca controlar nossos corpos e nossos desejos.</p>
<p style="text-align: justify;">E isso não é pouca coisa. A narrativa poética nos protege da selvageria diária, criando uma espécie de armadura idílica que permite navegarmos por cada cantinho do sentimento. Dentro dessas páginas, sinto-me acolhida e encontro as forças necessárias para enfrentar a violência do mundo lá fora.</p>
<p style="text-align: justify;">Logo no início temos uma mulher desbravando o mundo, “perdendo o medo de se perder”, e assim entendemos que aí pode estar a solução para despistar coisas ruins. Em seguida, chegamos à Praia, que relata a banalidade de um casal com seu filho nas areias, por um lado, e a extraordinária beleza daquela mulher, de outro.</p>
<p style="text-align: justify;">Posteriormente, a autora apresenta nada menos que seis textos inspirados em obras de Jackson Pollock. Nesse ponto, chegamos ao ápice da sensualidade da escrita de Evelyn, que foi buscar inspiração nas obras do mestre do expressionismo abstrato. “Estou em busca das palavras que mostrem você me liquefazendo com o olhar” é uma das imagens criadas pela autora, para quem as costas da mulher desejada “são um país”.</p>
<p style="text-align: justify;">A nossa loucura diária não passa despercebida por Evelyn. Em “Fumando espero”, ela deixa evidente que nada escapa à sua sensibilidade, nem as coisas simples: “Letrinhas verdes que digam ‘digitando’ no aplicativo que não gosto e preocupa a mim pela sanidade mental da humanidade” é um registro que se apresenta suave, mas que poderia, ou deveria, ser uma preocupação para a saúde pública mundo afora.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Cheiros indistinguíveis</em> é um livro repleto de sentimentos bons e críticas boas, para lermos a qualquer hora, em qualquer lugar, em casa, no almoço, no metrô, no ônibus, na praia. É sobre beleza, sobre amor, sobre nós mulheres, mas sem perder de vista a crítica sociopolítica urgente e necessária, essa mesma que nos permite sonhar com um lugar melhor para vivermos.</p>
<p style="text-align: justify;">O amor entre mulheres é revolucionário.</p>
<p><strong>Monica Benicio</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Mamãe, não era mais fácil a vida quando você só plantava bougainvilles?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 May 2022 11:31:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[o intestino delgado existe?
mesmo?
e se eu botar na minha cabeça que ele não existe
e você tentar me provar que ele existe
mas eu simplesmente não acreditar?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">é poesia tecnológica porque não saberia outra maneira de explicar.</p>
<p style="text-align: justify;">nunca fui de entender bem que tipo de escrita era a minha, só sabia que escrevia. mas também não era de assumir isso.</p>
<p style="text-align: justify;">mostrei meus textos pra Glauco (meu amigo que some), e ele disse:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>“amiga, que bonito! é sempre delicada a situação de opinião, porque se eu não falo nada é um símbolo, se eu falo alguma coisa é outro. e tudo esconde algo. mas quero falar, sim. ‘ser ridícula vai me derrubar, se não me derrubar será meu triunfo’, ‘já foi mais difícil ser careca’ e ‘esperando o ponto do arroz passar porque eu gosto assim’ me pegaram. não tem desfecho, começam e terminam no mesmo clima e faz disso sua graça. poesia tecnológica. se fosse uma bebida, seria café.”</em></p>
<p style="text-align: justify;">eu respondi que café era minha segunda bebida favorita e depois transformei parte desses poemas no meu primeiro livro de poesia.</p>
<p style="text-align: justify;">(tecnológica, é claro.)</p>
<p style="text-align: justify;">aliás, dos poemas que ele citou, só um permaneceu no livro.</p>
<p style="text-align: justify;">um dia farei algo novo com os que ficaram de fora dessas páginas.</p>
<p style="text-align: justify;">//talvez não faça nada com “já foi mais difícil ser careca”. não é meu local de fala e eu sou muito respeitadora. do que é meu e do que também não me pertence.</p>
<p style="text-align: justify;">hoje é o melhor dia da minha vida.</p>
<p style="text-align: justify;">bem-vindo a minha mente!</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Bandalhices</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 May 2022 10:09:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[minhas lágrimas salgam a sopa
meu pranto vira maré
quando o desejo é muito
quero o mundo em uma colher]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Tomei um susto quando li o <em>Bandalhices</em> da Thais Helena Bueno. Bem, não foi exatamente um susto, eu não caí da cadeira nem nada do tipo. Vou explicar melhor: a Thais é introvertida e perspicaz. O que isso significa? Que ela fica quieta e observa. E isso é um perigo. Você não sabe o que se passa na cabeça desse tipo de pessoa, ela pode bolar planos ou te julgar. Pode gostar de você, ou ter simpatia por pessoas que você nem imagina. Pode estar alegre ou irritada, num dia bom ou ruim. Não dá para saber.</p>
<p style="text-align: justify;">A Thais já havia me mostrado suas canções. Parecia insegura de jogá-las no mundo. Então eu já sabia que existia, sob o véu quieto-tímido-desconfiado, algo complexo e agitado, ora cosmos, ora caos. Alguma coisa que tinha a ver com textos poéticos. Pois bem: calhou de eu estar certo.</p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em><em>Bandalhices</em> é dedicado aos tímidos, quietos e silenciados. Quando você passa os olhos nas páginas, vê poemas curtos, pílulas e textos com uma palavra por linha. São formatos dificílimos de dominar. Escrever poemas curtos, concisos, fazendo uso das pausas e dos espaços, isso não é para qualquer um. E em <em>Bandalhices</em> tem também coesão de estilo, maturidade poética e um <em>pathos</em> difícil de explicar, que parece fundir numa coisa só: os rolês na Hocus (“criatura escondida”), <em>insights</em> filosóficos (o primeiro “sub sub sub”, “<em>artiste</em>”<em>, </em>“<em>ec</em>o”, “você ainda tem lição de casa”), lirismo com frescor de noite de primavera (“<em>o’clock”, </em>“doçura”), tensões existenciais (“garota ansiosa”), Beatles (o terceiro “sub sub sub”), Oswald de Andrade (“lágrimas”), a subjetividade feminina que não ousarei comentar (“a beleza vizinha”, “<em>moondog”</em>, “como me encontra”), um pouquinho de trevas (“pílulas”) e observações ácidas e agudas que, tenho a impressão, surgiram do silêncio (“perversão”, “os tóxicos do pau”).</p>
<p style="text-align: justify;">Mas atenção: esse jeito de ler os poemas foi uma extrapolação hermenêutica de minha parte. Não tenho ideia do que a Thais pensou ao escrever esses versos. É provável que você leia e enxergue outras coisas.</p>
<p style="text-align: justify;">Tive que consultar o dicionário para saber o significado de algumas palavras. Quando li “<em>o’clock</em>” pela primeira vez, vi a palavra iridescer, que descobri que significa “refletir as cores do arco-íris”. Também foi assim com as palavras “empíreo” (o mais alto dos paraísos), “invídia” (uma espécie de inveja mitológica), “ledice” (alegria jovial). Então você tem em mãos um texto que exige uma leitura atenciosa: como o estilo é conciso e econômico, cada palavra importa. Nas <em>Bandalhices</em>, cada palavra é uma cor.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bruno Ishisaki</strong></p>
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
					
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		<title>Caindo no mundo de bicicleta</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/caindo-no-mundo-de-bicicleta</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 May 2022 09:56:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ter tido é melhor do que ter
repito aos mil cantos da casa
a saudade é dura e muito dura
é ela que asfalta a estrada

para ir aonde? não sei
pisar já é muito importante
ter tido é um lugar muito forte
é sempre bem melhor o antes

pois ter não existe, não tem
pior ilusão do que esta
quando achas que tens já não há

nada mais, já acabou a festa.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">São poucos segundos. Às vezes, menos que isso. No entanto, vemos passar como se em câmera lenta. Cair de bicicleta é assim quando se cai no chão. Quando se cai no mundo, é outra coisa. E a intriga vem desde aí: João, e nós com ele, não caímos, estamos repetidamente caindo de bicicleta num mundo que não vai nos oferecer um abraço materno ou os cuidados hospitalares merecidos, porque não é disso que se trata. O importante, aqui, é se permitir a queda. E como João sabe fazê-lo!</p>
<p style="text-align: justify;">“se escrever fosse/dar a mão”, ele diz, porque entende que escrever não serve para abraçar ou sentir-se abraçado. “linda como uma lâmina/afiada furando”, ele diz, e a cada vez entramos mais no mundo de João, na poesia de João e no homem que João é: ama, dorme, come, sonha e entende que a vida é isso e que dela não escapamos nem com o amor nem com a falta dele. Estamos presos aqui, e, se é assim, que bom que nos resta a poesia, esse engano que pode conter tantos acertos.</p>
<p style="text-align: justify;">João Liossi, esse homem que não conheço pessoalmente, sempre me soou doce. Doce-amargurado, doce-cuidado-que-ele-dará-um-bote. A resposta talvez venha desses versos: “um cacto cresce sob/as palavras embaixo/da língua.” João nos espeta com palavras &amp; timbres, ritmo &amp; olhares. Fere? É possível aguentar a dor — porque nos acostumamos a ela, nos acostumamos a sentir doer e esperar o momento em que essa dor arrefeça.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas João não permite o arrefecimento, porque ele é a própria escrita (ou o contrário?) e não permite trégua. Penso: que difícil deve ser ao poeta ter de lidar com a própria existência e fazer dela versos que nós, seus leitores, teremos o prazer (e a dor, sim, somos masoquistas) de ler. Mas o que será fácil, já que “o amor também corta/e come”? Não há trégua nem no lirismo de João.</p>
<p style="text-align: justify;">Para fazer justiça, há sim. Nos pequenos poemas contemplativos. Disse trégua, não armistício. Porque os — chamarei de haicais — são doloridos como uma saudade antiga, como uma espera por um telefonema antigo num telefone antigo e que não toca.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa beleza está contida nos poemas de e em João Liossi, esse homem que não conheço pessoalmente e que com certeza, antes de qualquer palavra dita, abraçaria com força por saber que é ímpar nesse mundo, que é um músico incrível, um poeta de mancheia e por ter entendido — e me ensinado —, que até poderíamos tentar nos livrar — da vida, da poesia, da procura por um amor que dure —, “mas o motor está velho/e cansado e não liga”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Marcelo Labes</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Erosão [2ª edição]</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/erosao-2a-edicao</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 May 2022 18:45:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O tempo de vir o autocarro
e descobrir o que temos em comum:
eu, a mulher que arrasta uma gaiola vazia
pelas ruas da cidade,
e tudo o que ainda lá está.

(O tempo, página 45)]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="p1"><span class="s1">O </span>título do primeiro livro de Gisela Casimiro antecipa a melancolia dos poemas, nos quais convivem o desgaste do corpo, a destruição das relações, a morte, o afastamento, a perda. No entanto, até estas destruições parecem sofrer o poder da erosão, porque após a leitura não é o seu gosto que fica, mas o da cicatrização e das luzinhas que nos encaminham para a reconfiguração e a redescoberta do bem-estar. São pequenas receitas para a sobrevivência que Gisela partilha connosco: a ironia, a esperança, o doce de tomate da mãe, as sardas da pele de alguém ou a relação intima com o que a transcende.</p>
<p class="p1">Estes poemas testemunham movimentações físicas e emocionais, são a passagem que a palavra abre da ferida à cicatriz, porque entre muitas outras coisas “o poema é o verbo salvar”.</p>
<p class="p1">Direi por isso que esta erosão é sobretudo a promessa de uma forma futura.</p>
<p class="p1"><strong>André Tecedeiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Amantes Ocasionais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 May 2022 18:33:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Falem-lhe de rios-prisma,
um feixe de luz a queimar a água:
do lado de lá sairemos ilesos
e a nossa cegueira será uma bênção.

Falem-lhe das mulheres em escama,
os seus seios são hálitos doces
com que prendo a respiração:
e mergulho sob a fluidez do desejo.

Falem-lhe de todas as criaturas
que se escondem no riso da margem.

(<em>Ninfas</em>, página 28)

<strong> </strong>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Este não é um prefácio. É um aviso de segurança. Toda Beleza deveria trazer junto um desse. A Beleza é um mal, uma praga, do tipo irreversível. A Beleza é uma peste. Eu poderia não avisar e deixar que você se transformasse sem consciência. Principalmente porque a estética moderna, meio junkie, meio urbana de Lígia Reyes engana. Ela é sorrateira. Aquele tipo de noite que não nos deixa dormir, e nunca mais somos os mesmos depois. A verdade é que Lígia Reyes é perigosa. A doçura nos embebeda sem percebermos. A caneta de Lígia é um desses entorpecentes colocados em bebidas na madrugada. Acontece que, ao invés de um rim, os poemas da Lígia talvez tirem a sua inocência.<br />
É sutil, sabe, você lê como quem toma um gole e, quando vê, está sozinho (a), como todos os outros.<br />
Mulheres como Lígia estão aqui para serem mais uma. Para que os desavisados se percam. Se você for um filho bastardo de homens sem causas nobres, talvez se queime. Tomara que se queime. Permita-se queimar. Vai fazer muito bem. Agora, se você for uma mulher a atravessar a escuridão, o ardor de um céu, ou uma jovem em um colete de forças pronta para a humilhação, Lígia guiará o princípio de todas as eternidades.<br />
É um favor que faço, percebe?, ao colocar um aviso de segurança aqui, no lugar do prefácio. Depois você vai achar que as janelas abertas são sinais de voo e que o amor é isso. Não me diga que não avisei.<br />
“Os Amantes” de Magritte se cobriam de uma forma diferentes dos Ocasionais de Lígia. Os amantes de Lígia se escondem nas esquinas, nas vielas, nas tabernas, nos Galetos e, principalmente, nas palavras. Mas a palavra é traiçoeira, a cada uma somam-se as entrelinhas, e é no entre que a poesia se revela. Nos revela. A revelação de Lígia, caro(a) leitor(a), já aviso, será a sua própria revelação. Vá consciente e depois não diga que não disse.<br />
Os amantes de Lígia não têm os rostos cobertos. Pelo contrário, estão profundamente à mostra. Mas são muitos, muitos, muitos, a tal ponto que os rostos se tornam mosaicos insuportáveis. Narciso enlouqueceu e vê espelho em qualquer face. Os amantes de Lígia estão no começo do século XXI. Estão aqui. São ácidos, apaixonados, tristes e tantos, que são nenhum.<br />
Talvez você conheça Lígia de O Amor peixe e outras loucuras, então você já sabe um pouco do que estou falando, mas não tudo. A poesia de Lígia se transformou, está mais traiçoeira, mais afiada, e, querido(a) leitor(a), quando você olhar o mar na cama de alguém, vai perceber que o oxigênio é uma invenção da boca da poeta.<br />
Acontece, leitor(a), que a vida sem Beleza, sem paixão, sem pathos, é um acordar para contar as horas. É preciso “nem que sejam apenas alguns segundos/escrever sob influência do suicídio” para sentir-se realmente vivo(a). Mergulhe no oxigênio que Lígia Reyes lhe oferece.<br />
“Pelo menos existiu um adeus que doeu,<br />
e nada me foi neutro ou vulgar”<br />
Deste livro e do amor ocasional ninguém sai incólume.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Maria Giulia Pinheiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Faca na bainha</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 May 2022 19:16:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A viela cruza
e traça, no chão, sua geografia.
Entre dois caminhos: um terceiro-cruzo

Desestabilizar o tempo
e tingir o sol na noite mais escura.
Aquecem-se os corpos na penumbra,
anunciando kizumba.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Feito flor que brota em encruzilhada — tesouro das eras e viajante das sagas —, nada como um livro para viajar e carregar histórias nas pontes entre o passado e o futuro. Vitor conta, e nos encanta, através de seus olhos e poros e se expressa com a mesma liberdade em uma <em>escrita-corpo</em>. Em pulsação de vida, seus poemas são como portas e janelas que nos levam à malandragem das ruas, de mandingas e rezas, dos balanços entre o riso e a memória.</p>
<p style="text-align: justify;">Com muita satisfação, pude deslizar numa deliciosa leitura, onde seus versos versavam, também, em minha vida: senti cheiros e lembrei que beijava a mão da minha avó para pedir a benção. Em suspiros, lágrimas, risos e lembranças que, por vezes, me tiravam os olhos do texto e me via, perdido em mim. Tragado em estímulos vibrantes, entendi que o transe também compõe a leitura, suas palavras, versos e arranjos carregam um profundo poder de expansão.</p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em><em>Faca na bainha </em>surge no centro do redemoinho da terra vermelha — cruzeiro do sul que a estrela norteia. A poesia brota, feito brilho de faca no suor da onça, onde suinga o verso e a palavra bebe água. <em>Abundantemente vivo</em>, cria um delicioso contra-ataque para os tempos que tensionam em nossa órbita. Cartografia dos símbolos, a transa dos tempos em uma dança fluida.</p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em><em>A leitura que se refaz em miração</em>: terminamos o poema sob a bruma de seus feitiços, com a palavra que corta, mas também reluz e aponta, e por vezes, descasca os sintomas da caretice que mantém os tempos em constante aflição. Sinais de um tarot tropical, onde os arcanos maiores trazem o cheiro da horta e a chama da vela, que combina com o vermelho da telha das casas do bairro. Lança faróis e aproxima lupas na direção de microdramaturgias que configuram uma vida latente, fora do <em>close</em> das telas e, ao mesmo tempo, enraizada nos <em>baobás</em> que dormem dentro da gente.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde “Ladainha<em>”</em> (Parte I) a “Louvação<em>”</em> (Parte II), borrifa plantas de poder e defuma os quatro cantos da casa em charutos de benzer, zelando das mitologias que compõem nosso imaginário. <em>Como uma pérola negra que reluz nosso tesouro ancestral</em>. Poesia e pajelança somadas às mais altas temperaturas. Luzes, cruzes e calçadas. Deslizou pelos poros e transou meu suspiro mais profundo de gratidão e pertencimento.</p>
<p><strong>Almir Rosa</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Mais uma casa de bonecas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 May 2022 17:21:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Este livro é um misto de verdades cruas e de possibilidades de uma vivência fora das normas absurdas que constroem um mundo ficcional. É sobre se autoescrever para conseguir se enxergar por fora. É sobre ler para poder compreender como se constrói a personagem aqui descrita. É talvez um convite para o processo de criação da autora ou um chamamento para penetrar no que acontece com a protagonista, para além da fatia de sua vida descrita na obra que antecede esta. Este livro não é uma história linear, é uma proposta. Este livro pode até nem ser, na verdade, um livro, mas fragmentos que, após lidos de uma forma linear, podem ser quebrados, rasgados, rasurados e justapostos antes, durante ou depois do livro lido anteriormente.</p>
&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Na cicatriz-livro-diário <em>Mais uma casa de bonecas</em>, segunda parte da <em>Trilogia d’Ela</em>, a escrita de Maria Lucas é revelada a nós por um processo de fazimento e de entendimento dela própria no mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">Ela, pronome pessoal do caso reto, que por vezes se mostra no cotidiano da artista-autora como prótese sentimental — tatuagem — marcada abaixo de seu pescoço, é também a travesti, a personagem e a corpa-sobrevivente das páginas da ferida-livro-diário <em>Esse sangue não é de menstruação, mas de transfobia</em>, por conta agora de ser reescrita transcentradamente como alguém que tem sede de viver a tão sonhada vida, apesar d’Ela estar limitada — como toda gente — a viver dentro do grande coma CIScolonial do dia a dia no mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">Ser agora fugitiva de uma antiga casa civilizatória binarista gigantesca localizada no topo de Santa Teresa numa nova casa — semelhante às casas coloridas de brincar recordadas de sua infância — próxima aos Arcos da Lapa, ambas na cidade do Rio de Janeiro (Brasil), não será garantia d’Ela não se deparar novamente com o pacto da cisgeneridade — nomeado por Narcisismo pela autora-artista —, porque, quando Ela quer apenas esquecer da existência da demarcação exaustiva de seu gênero nesse novo espaço, ele será recordado e posto em questão imediatamente pelos novos moradores cisgêneros de uma forma brusca e dolorosa, quase como uma violência física, causando mais desconforto e dor para Ela. E assim o mundo inteiro vai vivendo constantemente numa grande FICÇÃO POLÍTICA ENCARNADA, onde a régua da cisgeneridade — entre outras réguas — atua em peso, o tempo todo, traçando formas de horror que vão desde desvalidar e inferiorizar até negar e matar as experiências e a legitimidade da identidade de gênero d’Ela.</p>
<p style="text-align: justify;">Sob uma ótica transfeminista, <em>Mais uma Casa de Bonecas</em> ecoa — em sua narrativa — a ausência de solidariedade, a perda de oportunidade de entendimento do lugar que Ela ocupa e a recusa de sua presença em lugares inteligíveis que muitos feminismos radicais transexcludentes — e também movimentos LGBcis — assinalaram ao longo de décadas. Mas, afinal, por que a cisgeneridade como estrutura delirante tem tanto medo d’Ela? Porque Ela desafia a forma cisgênera de como o mundo funciona, bem como desestabiliza a organização de certas coerências corporais demandada pela cisgeneridade. Ela é inassimilável à cisgeneridade, em outras palavras, a qual recusa a entender a diferença de sua corpa em seu mundo civilizatório binarista. E o entendimento da consciência da diferença d’Ela e de sua capacidade política deveria ser agregador, porque desagregador é a ideia de negar justamente a diferença em prol de uma suposta igualdade que para se consolidar precisa excluir.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, então, para onde Ela vai? Às multidões queer, para fazer de seu corpo-ouvido um samba corpo-coro que pulsa e grita por vida.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hilda de Paulo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Súbito</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 May 2022 16:39:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Vago só pelas encruzilhadas do tempo,
a fuga impossível ao flagelo dos ponteiros,
caminhos bifurcados como línguas de víboras,
a deriva infectada pelos despojos das trevas,
rastejo pelo ventre da noite
suspensa no pó da viagem,
o sono impossível sob o grito das estrelas,
no quarto escuro
a vela acesa como um farol...

<strong> </strong>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Talvez os versos demorem a fazer ricochete. Emudece-nos a sua nudez que, enquanto acontece, não nos deixa desviar o olhar. Nada temos a acrescentar. Ficamos apenas esperançosos pela coincidência feliz de alguém, carregado de outras vivências, mais ou menos duras, leia as mesmas palavras e delas saiba extrair o que lhe tocar.<br />
Peter Handke, autor do Poema Duração, disse numa entrevista qualquer que “há uma idade para a poesia: tem de se ser muito novo e, depois, tem de se esperar&#8230; pela sabedoria e intensidade e tristeza e alegria, tudo junto”. E, depois, que a “poesia precisa não só de inocência, mas talvez de culpa e de inocência”, de ambas. Nada percebo de poesia e menos ainda de que precisará ela, abomino fórmulas (embora seja sensível a preocupações formais) e tampouco creio em idades certas para se fazer algo.<br />
Comove-me ainda sentir o calor ou a dor por intermédio das palavras de alguém que nos dá o pulso a medir a temperatura. Temperatura essa normalmente não correspondente entre corpo e voz. Então, ao arriscado ofício de traduzir dor e beleza, seja a “tua”, da rua, ou das trevas potentes, desejo o melhor passeio que nos vai sendo calcetado à medida da leitura. Brassalano Graça intriga aqueles que pisam, ainda que de leve, as suas palavras. Sejam poéticas-radiofónicas, pela atenção e vibração que confere aos outros, pela delicadeza com que chega ao trabalho do outro, seja poéticas-escrita, desde um Facebook surpresa ao livro <em>Súbito</em>.<br />
Intuo que a sua incursão na poesia em livro afasta-se do poema perfeito, que enferma algumas mentes adeptas de virtuosismos apoucados. Ferreira Gullar, autor de Poema Sujo, defende mesmo “que não existe poesia pura. A poesia verdadeira não é sectária, não é unilateral.”<br />
A poesia de Brassalano Graça poderá ser a farinha do moinho que há anos lhe arde no peito. O lançar das cartas comprometedoras para todo o jogo. Uma poesia sensorial, entre coxas, orvalho, declive da pele, amores, carnes e música fúnebre do futuro. Onde as noites pesam de insónia e chumbo, e as lágrimas são de luz. Embora tudo esteja sobejamente adjectivado para dar saltos não estridentes de sentido, a composição não arrebata a espontaneidade. Nestes versos parece que nunca se sai de uma imagem que está sempre a abrir para novas imagens, átomos em choque, que nos vão povoando, produzem combustões — amor e conflito — é o que faz andar, creio.<br />
Memórias antigas de cadáver da humanidade &#8211; de onde veio? qual o propósito? Unha de arranhar por dentro, extravasando os dias ponderados e fazer-nos cúmplices da sua inquietação. Uma poesia que é dança glacial de seres erráticos, que logo se derretem como barcos afundados. Uma poesia que permite inventariar possibilidades, amores, retornos a um nós mesmo com a única casa que realmente temos: esta nossa acumulação existencial. Uma poesia que convida a entrar em novas paisagens à boleia de nuvens prateadas, para chegar a cidades suspensas num domingo eterno.<br />
Não sei se os seus poemas devidamente respiram, ou se se penduram na vertigem de brevidade, na atenção às pequenas coisas. Nada têm a ver com a atualidade, mas com as cidades libertárias, onde o jazz ecoa e a literatura acrescenta pormenores videntes. No seu poema encontro o que há “de sobrevivente no mais inóspito da realidade, no mais fundo da linguagem”. Mas não sei onde o poeta repousa a cabeça, se é que repousa, esse “clássico de dentes grandes, tortos e manchados por fumo e café”, esse “nervo desvitalizado do dente canino da civilização”. Brassalano oferenda-nos temores e deleitamentos, comparece nesta casa imunda e eternamente desarrumada que pode ser a poesia.</p>
<p><strong>Marta Lança</strong><br />
tradutora e editora</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Kyrialles</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/kyrialles</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 Apr 2022 12:15:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[quem abre e fecha
todos os domingos
os portões da igreja
nem sempre é a mais
queridinha de Deus
mas a do padre]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“orelhas servem para ouvir” (não confundir com ovelhas)</p>
<p style="text-align: justify;">Tocam os sinos do cemitério ao lado de casa. “Orelhas servem para gente ouvir”, você me disse, e penso que estas orelhas vão acompanhar para sempre o livro, andando de mãos dadas com ele. Então estas orelhas estão coladas, a não ser que a leitora decida cortar, é uma opção. Um livro é uma obra de manobra.</p>
<p style="text-align: justify;">Este <em>Kyrialles</em> é uma viagem no tempo. Na entrada, o título-esfinge, e logo em seguida a recusa à clausura de Ferlinghetti. Este livro é povoado por muita gente. Contei 56 nomes próprios: santas, poetas, monges, parceiras, presenças que convivem no livro numa equivalência-pêndulo. Haroldo, Juliana, Merton, Olga, Suzuki, Blake, Torquato, Silesius, Dorothy, Daniel, Roque, Gabriel, Maria, Tzu, Cardenal, Érica. Todos juntos convivendo, todos fazendo companhia no seu poema, fazendo companhia no seu caminho. E esse caminho também trama assombrações. Os poemas desfazem o que se pensa puro e santo para a experiência real do corpo, como em “para parra: (&#8230;) e sigo feliz assim/peidando e rezando”, ou “o anjo do Senhor/apagou com seu/próprio cuspe/o QRcode colado”, e ainda, “ler antes de transar/uma santidade/a três”, até chegar à síntese luminosa: “hálito: você é/o que/você come/é o hálito/que faz o monge.”</p>
<p style="text-align: justify;">Mizael, será que este livro pode te levar a uma cela? E não me refiro à cela dos monges — você nos lembra: “todo monge é um preso político”.</p>
<p style="text-align: justify;">Este seu <em>Kyrialles</em> é o próprio coquetel molotov lançado na porta de igrejas que dissimulam que estão limpas de mundo, “os inquisidores não olham para cima (&#8230;) se vissem ficariam loucos/ateariam fogo/nos seus próprios corpos”.</p>
<p style="text-align: justify;">O seu livro é sujo porque é direto, é sujo e é limpo como as mãos de alguém que acabou de fazer uma faxina. É também sujo, limpo de gozo.</p>
<p style="text-align: justify;">A presença das mortes em grande parte dos poemas, luto e suicídio, os assassinatos de Jesus Cristo e de Dorothy Stang — neste momento em que estamos vivendo, já há dois anos de epidemia, a cada morte, dentre os três de governo do extermínio, fazem <em>Kyrialles</em> vibrar com sede de vida e voo.</p>
<p style="text-align: justify;">O livro é um encontro entre línguas. “Deus também/entende gíria”. Rua e liturgia. Grego e iluminações da Ásia. Este <em>Kyrialles</em> é ágil e, ao mesmo tempo, denso, transita pelos séculos do crucifixo, ao sonho da borboleta. E é testemunha da atenção e dedicação de Mizael às vidas que inventam línguas e saídas impossíveis, seu Verbo é Rimbaud e “a santidade é inútil sem a maldição da poesia”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Júlia Rocha</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Última carta na manga da cantora careca</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/10632</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 Apr 2022 18:26:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">De onde alcança a lembrança, nenhuma cultura nos gestos fundados de esperança, alegria, amor e pensamento existiu senão para reatualizar a experiência da queda. A calva luz que nos resta.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Qual o lugar da sensibilidade estética na fatura do mundo numa época em que quase tudo o que chamamos de arte está convenientemente afastado do cotidiano da vida? Se já faz algum tempo que essa pergunta tem ocupado a poesia de Dyl Pires, é em <em>Última carta na manga da cantora careca </em>que ele retira as consequências que hoje o levaram a interromper a atividade escrita. “Toda crise artística é uma crise biográfica”, diz um dos versos mais testemunhais deste livro. O poeta marcou no peito as fissuras da delicadeza que estão estampadas nos pequenos e grandes gestos de violência nos quais se cancela o futuro por indiferença e preguiça. Coisas que acontecem entre as pessoas na hora de comprar o pão e também nos olhos dos mendigos. Nos termos do autor: “ninguém quer saber de ouvir o canto do bode/que necessariamente deveria vir do matadouro silencioso do coração”.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse bode esquecido é o animal grego que possibilitava, num rito de embriaguez e dissolução coletiva do eu, a criação mítica de um espaço para a representação que começa no próprio corpo. Com efeito, neste livro, as diferentes inflexões sobre o teatro que encontramos em vários poemas abordam a impotência da arte contemporânea para reinaugurar o ego como o bicho a ser sacrificado. E não é falta da técnica correta, do elenco preparado, dos editais, da bibliografia especializada. Muito pelo contrário&#8230; É o fato de que toda essa engrenagem não altera coisa alguma além do miúdo quintal do cânone e seus arredores. Dyl sempre relembra com alegria uma frase do Cazuza: “Cada disco do Caetano transforma minha vida”. E quem hoje vai a uma peça, ouve música, lê um livro para se tornar uma outra pessoa? A própria fruição artística se torna cada vez mais privativa e incapaz de desafiar o gosto pessoal e cômodo de nossas <em>playlists</em>. O jovem mudo, desatento, sem olhar para o entorno, com a escuta enterrada num fone de ouvido, é uma das imagens mais acabadas do público artístico de nossos dias.</p>
<p style="text-align: justify;">“Não chamarei atores para reencenar o mundo no tempo do fim”, diz o poeta cujo silêncio de agora nos provoca a pensar se vale a pena convocar versos e palavras para uma encenação dessa natureza. Eu não sei dizer. Mas, na mudez dos seus olhos escancarados para a vida, impossível não notar as sementes dentro da videira.</p>
<p><strong>Matheus Gato</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>O sol pelo basculante</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-sol-pelo-basculante</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 Apr 2022 13:27:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em forma de chuva
mal bato no chão
escorro pelo bueiro:
tenho sede de ratos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A poesia que observa e que alimenta</p>
<p style="text-align: justify;"><em>O sol pelo basculante</em> é a segunda coletânea de poemas do escritor mineiro, de Passos, Alexandre Brandão. A primeira delas, o impressionante <em>Nenhuma poesia: uma antologia</em>, editado pela Editora Patuá, já indicava o surgimento de um grande poeta, com dicção própria e talento inquestionável. Divididos em oito partes, que os reúnem tematicamente, os poemas nos revelam um poeta maduro, senhor de sua arte, sensível às questões do seu tempo, atento à sinuosidade misteriosa da vida e às suas armadilhas e miragens. Alexandre Brandão constrói, com domínio absoluto de sua arte, um verdadeiro painel do ser e estar no mundo, indo do melancólico memorialismo lírico, como em “A gambiarra da garotada”:</p>
<p><em>A escuridão se perdeu pela noite</em></p>
<p><em>e eu, menino de mim,</em></p>
<p><em>me olhei no espelho e</em></p>
<p><em>gostei do que vi.</em></p>
<p>à crítica social mais ácida, como em “Morada do medo”:</p>
<p><em>Somos medricas morrediços</em></p>
<p><em>somos merdinhas movediças</em></p>
<p><em>somos mórbidos movidos a morfina</em></p>
<p style="text-align: justify;">passando por flagrantes poéticos do cotidiano da vida presente, dos homens presentes, como diria seu conterrâneo ilustre e gauche, como em “Tempo sólido”:</p>
<p><em>A infância não voltou num chocolate quente</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>nem a juventude num rabo-de-galo.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>No presente, uma curra</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>diária, um curto</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>do cujo.</em></p>
<p style="text-align: justify;">ou em sua reflexão sobre o poema, em seus metapoemas, como em “A lida disforme”:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Palavra verbo</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>desejo silêncio</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>um verso</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>: eis o mundo</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>O sol pelo basculante</em> é fruto também destes tempos de pandemia, de isolamento, de reflexões no claustro doméstico e, não por outro motivo, traz ao leitor, em versos livres e imagens desconcertantes, o desassossego e o espanto do autor diante de um mundo que se foi e de outro que se mostra desafiador, pois que já nasce em ruínas. Nesse novo mundo, calcado na frieza absoluta, na descrença, na falta de perspectivas, a poesia de Alexandre Brandão – como, aliás, por princípio, toda poesia – resiste, confronta, afirma, traz esperança e frescor. A poesia desse poeta radicado no Rio de Janeiro tem a simplicidade complexa inerente aos grandes poemas e, mesmo sem qualquer pretensão de apontar caminhos, cumpre naturalmente a função de invadir nossos lares e aquecer nossos corações, como o sol que, rompendo o basculante, “nos observa e alimenta”.</p>
<p style="text-align: justify;">Brasília, março de 2022</p>
<p><strong>Leonardo Almeida Filho</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Cosmocorpo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/cosmocorpo</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Apr 2022 22:01:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Desperta:

— A humanidade está nas pálpebras.

Não se pode comer a carne da carne

desde que atravessaram o Atlântico,

pois o tempo mudou de tempo.

Da terra surgiu uma outra terra,

aos que a herdaram, um outro corpo.

— Ah, o corpo é algo avesso

engolido pelas pálpebras da terra;

e a morte dos peixes é sem sentimento.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O sentimento poético, aqui, encontrado nessas páginas, flutua entre um rigor lexical preciso e contundente, adestrado por uma viva consciência que já não mais se concilia com a realidade, embora permaneça partícipe dos movimentos do mundo, e uma delicada musicalidade que flerta com uma transcendência que está sempre a se evadir. O tempo e nossa inexorável condição de finitude parecem conduzir as imagens para um suave niilismo, uma espécie de serena desesperança diante da incomunicabilidade dos seres, como bem define o trecho: “Ancorado a essa cadeira, gravita em torno a mim o que é inusual/num mar tão inexistente e vasto como amanhã e disperso como agora./Ainda que seja tarde, ouço o estalo de um móvel,/só alguém se mexendo numa outra cadeira./Conformado, vou me afogando.”.</p>
<p style="text-align: justify;">Há um posicionamento político mesmo aí, operado por essa voz que está na iminência de se extinguir, ao denunciar um tempo de absoluta apatia e de recrudescimento espiritual do homem: “Os passos se tornam incertos/o dia também dorme/as vozes emudecem./Sinto o tédio se abatendo sobre o espaço/— um verdadeiro feito —/Retrato do completo embrutecimento”.</p>
<p style="text-align: justify;">Não se pode deixar de notar a limpidez no trato da palavra e a concreção objetivista, avessa a gratuidades e a inutilidades meramente decorativas, nos versos enxutos de Lucas Perito. Na esteira de poetas como Eduardo Lizalde e Pierre Reverdy, o autor nos lembra de que um poema é um construto do pensamento, uma força clarificadora para a apreensão do mundo e do ser humano. Não raro, o(a) leitor(a) irá se deparar com uma poesia que bem equilibra a emoção e a urdidura do intelecto, num jogo pendular encantatório. Há, a mais, um desfile de referências, diretas ou indiretas, que traçam o refinado mapa de conexões estéticas e filosóficas que permeiam esse <em>Cosmocorpo</em>, enriquecendo ainda mais o seu tecido semântico.</p>
<p style="text-align: justify;">A narrativa dos poemas aqui contidos, por fim, nos permite entrever a condição de alguém que transita por um mundo que está a ruir sob os pés. A perda, o luto, a passagem do tempo como uma instância esvaziada de sentido, tudo isso parece culminar no esgotamento das utopias. Não obstante o assédio assombroso da transitoriedade, ecoa nos versos de Perito certa graça estoica que nos incita a não temer os desertos, nem nos turbarmos perante o abismo; no interior do indizível, todas as possibilidades estão à espera: “Bem dentro do silêncio/haverá uma explosão,/e um mundo.”.</p>
<p style="text-align: justify;">Milton Rosendo</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Vinte anos para descobrir minha vagina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Apr 2022 22:50:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[muito barulho
paredes finas
se o vento bater mais forte
ou se alguém fizer perguntas
caem as estruturas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong> </strong><em>vinte anos para descobrir minha vagina</em> é um livro que foi digitado em um dia e preparado em, pelo menos, vinte anos.</p>
<p style="text-align: justify;">inspirado em <em>outros jeitos de usar a boca </em>de rupi kaur<em>, tudo nela brilha e queima </em>de ryane leão, <em>as guerrilheiras </em>de monique wittig e em relatos de mulheres e meninas,</p>
<p style="text-align: justify;">apresenta poesias de resistência e esperança em “niñas por mais tempo” e “patriarcado presente”; versos difíceis sobre violência e sobrevivência em “uma dorzinha específica”, “doulas de guerrilha” e “manual das sobreviventes”; literatura lésbica e feminista sobre amizades e amor — às vezes é difícil entender a diferença — em “amor y rebeldia” e “agora a gente fala a mesma língua”; relatos sobre corações partidos em “amarguradas” e outros.</p>
<p style="text-align: justify;">esta é a primeira publicação de poesia da artista e escritora anna luxo.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Palavrório</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Apr 2022 22:09:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Aquele pequenino anel que tu me deste,
Na real, não era de vidro, nem se quebrou
fui dar um rolê lá pela Zona Leste
E o lanceiro, taqueopariu, catou]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Carlos Castelo foi um dos integrantes da banda Língua de Trapo, compositor de várias canções, entre elas, “Como é bom ser punk”, que emulava algo como um canto gregoriano mas com letra que, entre outras coisas, dizia: “Como é bom ser punk/A mãe degolar/E a vovozinha/No varal pendurar”; e que terminava assim: “Só uma coisa me dói/É esperar o apocalipse/Tendo que ser <em>office boy</em>”. O ano era 1985 e, apesar de estarmos nos estertores da ditadura civil-militar, a música, ao lado de outras da banda, foi censurada. O caráter subversivo das canções do grupo, mais do que vir de um posicionamento de denúncia, vinha de um humor paródico que não perdoava nenhum gênero musical, nem perdoava o que esses gêneros representavam, profanando assim uma ideia de acervo. O que por certo incomoda muito os discursos de poder, porque tais discursos não admitem que as coisas mudem de lugar, ainda mais as coisas que os representam e, portanto, os sustentam. Essa longa introdução para dizer que este formidável <em>Palavrório</em>, embora distinto no tom das canções do Língua de Trapo, traz também uma força que mobiliza um grande acervo, deslocando-o radicalmente por meio do humor corrosivo ou, antes, por meio da maquinaria da paródia. Isso torna mais vivo aquilo que chamamos de tradição, justamente por entrar em atrito com ela, friccioná-la até tirá-la do lugar, isto é, tirá-la do pedestal. Um rápido percurso por estas páginas já revela que Carlos Castelo aciona uma salutar máquina de ler e de deslocar com o riso. Na primeira sequência, o famoso poema de Gonçalves Dias joga futebol, ou melhor, o futebol joga com ele. Depois, a célebre frase de Adorno sobre o fim da poesia vai parar numa blitz policial. E só para ficar nas páginas iniciais, lá vai: Poe, Gregório de Matos, James Joyce, Chico Alvim, Augusto de Campos. Todos em uma conversa direta com Carlos. Literatura — modo de usá-la para si que o poeta divide conosco. Literatura — modo de rir e, sobretudo, modo de rir de si. Porque, apesar de Carlos rir desses autores com eles, o maior alvo do humor mordaz, aqui, é ele mesmo, isto é, a sua figura como poeta. Nesse sentido, é impagável a reescrita autoderrisória que o autor faz de outro Carlos: “Carlos Drummond? — o anjo indagou/Expliquei-lhe que era Castelo/O anjo saiu voando e aconselhando:/Vai, Carlos, ser qualquer coisa na vida/poeta já tem coisa melhor”. Como é bom rir de si e da poesia, mas sem perder a ternura.</p>
<p><strong>Leonardo Gandolfi</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Uma mulher só não faz verão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 09 Apr 2022 16:15:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ela pede socorro e me olha
um pedido de socorro é um pedido
elaborado em linguagem universal
o sol a pino demarca as sombras agora
ele passa a língua por cada uma de suas estrias
ele busca o ponto ideal, o alvo sem volta
é quando ela menos espera]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">a dedicatória já diz a que veio “uma mulher só não faz verão”: “às mulheres sós”. o livro de estreia de daniela rezende é um convite em si a um enlace, que é também um mergulho na solidão em comum. risco, belisco, bravura. “mulher que ladra não morde”? “em boca fechada não entra mulher”? os poemas vão chegando assim, revolvendo os ditos, abalando os chãos, estampando alto “a mulher é um animal gigante”. sem se eximir de lembrar do abate: “(haverá um mugido possível?)”. a costura dos versos segreda que estamos lá. é uma obra que convida a estar no movimento das margens, das linhas arredias, das minúcias das minúsculas, dos vãos entre um gole e outro da língua — de tantos gumes e laços. “língua gloriosa laçada e levada”. de dentro da solidão, dos escuros, questionar a luz com a lucidez combativa de que “noite e sombras/não protegem ninguém”. protesta, revolta, inquieta, esse livro comunga. medos, histórias, sintomas. de geração em geração. “o grito em erupção na minha boca” ecoa na mesma garganta que sente “estou cansada, tão cansada, quero uma trégua dessa merda toda.”. um “ser morta aos poucos”. essas páginas também falam de morte. sobrevivências, a outra face. há poemas assim, no limiar. cortam, narram. poesia de “e se”: “o corpo é uma ficção”. de ironia e voragem, o verso enverga, avança em “escadas e escuro”. enfrenta: “será bicho ou homem?”. desloca: “na última quarta-feira”, engasgo. poemas assim, “uma mulher não deve vacilar” e “a buceta da brasileira vale menos do que o kg do feijão”. sim, “o interrogatório é profundo &amp; longo &amp; profundo”. sim, “mas basta abrir o livro de história”. absurdamente sim, “basta ouvir o presidente”. mas atenção para o poema “agora”. “no fogo”, “sem medo”. “uma mulher”, o poema repete. assimilamos que somos. marias, teresas, sylvias, glórias, avós, mães, filhas. cumplicidades como acordar em um poema feito “tristeza”. ramificar-se em “georgia”. alçar a terra, “o desejo”: “ter um corpo e não saber”. os poemas desse livro dizem de contravontades. urros, muros, murros. e também de vontades. rumor das asas: “uma mulher só não faz verão”. um livro feito de coragens. vamos?</p>
<p><strong>dheyne de souza</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Palavra gerúndio finito</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 09 Apr 2022 15:47:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">minucioso acordo com o silêncio que se diz o que deseja  e não se diz o que deseja evaporo água fervida ferida está a dor a alegria um gozo fala mais milhões de palavras frias eu vi uma palavra saindo do mar o sol era tão quente que ela decidiu voltar ao mar da boca sal salivam ondas incansáveis saciam o mergulho sem se pronunciarem inalam o súbito ar resvala nas pedras de uma grande rocha que liquedesfaz milhões de anos no ímpeto da imensurável força a emoção em dose cavalar veloz é o galope da chegada crina preta robusto corpo selando o rastro com a permanência fincada na língua assim não se nasce</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Palavra gerúndio finito</em> é ato-iniciação, caminho para o começo que desvela, entre sendas, cruzamentos e travessias, a vertigem do nascimento do poeta. Vinicius Brasileiro reúne uma cepa peculiar de poemas livres de pontos, vírgulas e travessões em que a palavra se instaura fluida na ininterrupta composição de imagens cinematográficas — ora como sonho, ora como reza, ora como alucinação (“da boca sal salivam ondas incansáveis”).</p>
<p style="text-align: justify;">Os poemas vão e vêm como galope, “as palavras saem do mar” em cortes abruptos, molhados de saliva numa procura latente por afeto e celebração do corpo, o redemoinho da vida. Água, sol, areia, língua, voo, vento e silêncios são evocações que nascem-renascem no solo fértil de epifanias e fluxos, lembranças-fotografias da memória do poeta (“sombras que me dobram”).</p>
<p style="text-align: justify;">É um livro para ser lido de uma só vez e em alta voz, num ritual de valentia e entrega, e depois meditado em goles demorados e envenenados de sussurros e salmodias rebeldes (“a pipa em queda livre parece acenar contornando o ar em agradecimento e despedida”).</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, a poesia de Brasileiro nunca se despede, nunca se esquiva, nunca se esvai, porque segue presente, inaugurando ventanias e tempestades, ao rés do chão ou um pouco acima do chão numa “camada de pele que pulsa cristalina” no breu.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Rudinei Borges</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Uma ode ao som de vácuos extensos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 09 Apr 2022 13:14:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[você nunca leu os meus poetas
ou entendeu as minhas artes
você nunca se atentou às minhas histórias

e eu me pergunto, que amor é esse, que não me venera
como uma divindade quando o mundo grita que eu fui feita
para um altar de rosas.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Com a delicadeza que se exprime em versos singelos e a força dos sentimentos mais secretos, a escrita de Clara Cassini se revela uma refrescante brisa de reflexões acerca do SER e do SENTIR.</p>
<p style="text-align: justify;">Em meio ao melodioso som do mais profundo interior da mente, entrevendo-se através dos segredos e das emoções, essas palavras proporcionam um exaltar da alma e a alegria e a paz que somente a sinceridade de descobrir-se a si mesmo e reconhecer-se no mundo ao redor pode oferecer. <span style="color: #ffffff;">Clara Cassini</span></p>
<p style="text-align: justify;">Que essas palavras te guiem na mais fantástica jornada dentro de si mesmo.</p>
<p><strong>Rebeca Luz </strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Um rosto para nosso nome</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 09 Apr 2022 13:06:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[escrever é prestar contas de um rosto
deixado para ser esquecido num lugar
sem final.
escrever é cavar esse rosto
nadando contra
o vesúvio das cinzas.
lembrar é bater
contra o vestuário
de tintas mortas.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>As dores subterrâneas de Armison Rodrigues</strong></p>
<p>Este livro de poemas é sobre a perda.</p>
<p>A perda é física e mora dentro da terra. Está quente porque é de carne.</p>
<p>Comprometido contra o esquecimento, são poemas cinzas, acobertados,</p>
<p>que o autor cava um a um para escrevê-los. Sofre-os de novo. Distingue-os.</p>
<p>Toda dor precisa de um rosto.</p>
<p>E há a repetição, não para o desgaste, mas para arcar com o sucedido,</p>
<p>para desmascarar nuances, para processar o efeito da dor sobre o homem.</p>
<p>Porque a perda inacabada reincide. A própria morte cobra da vida, procura seu legado.</p>
<p>&#8220;Um rosto para nosso nome&#8221; carrega o espírito num barco tranquilo.</p>
<p>Quebra-se para lê-lo, abre-se o livro feito peso, mas a queda que produz está viva. Extinguidos os restos, dorme aberto o que virá.</p>
<p>Com muita coragem, Armison fala sobre a perda crua, além dos reflexos do belo que ela cria. Não há disfarces. Os poemas são manchados da cor ocre e nos suja as mãos.</p>
<p><strong>Sofia Ferrés</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O mundo aqui dentro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 09 Apr 2022 12:46:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Minha mãe não viu
quando me tornei professor
quando me tornei mestre
e escrevi na tese
uma linhazinha para ela.

Não, ela não leu. <span style="color: #ffffff;"> Geraldo Witeze Junior</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Quando a fragilidade de um ninho no</p>
<p>asfalto é a síntese da desumanização da</p>
<p>polícia. Quando as veias abertas são da</p>
<p>América Latina, mas também das memórias</p>
<p>do amor e da repulsa pelo regaço materno.</p>
<p>Quando a fé se afirma sem temer expor suas</p>
<p>fraturas. Quando a reflexão sobre a arte não</p>
<p>a mata, nem deixa suas vísceras expostas.</p>
<p>Quando o pensamento sobre o próprio</p>
<p>fazer intelectual não o cristaliza, mas o faz</p>
<p>fluir como um rio, então temos uma</p>
<p>verdadeira obra poética. É o que</p>
<p>encontramos nessas páginas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Priscila Malfatti</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Não foi assim que nos pediram os que morriam?</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/nao-foi-assim-que-nos-pediram-os-que-morriam</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Apr 2022 19:13:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Um violoncelista escrevendo notas de pesar.
Uma senhora em pé no ônibus ajeitando as alças da mochila.
Uma recepcionista em seu primeiro dia
me perguntando escondida como é que se desliga o Macintosh.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Enquanto lia esta obra de estreia do poeta Gabriel Stroka Ceballos, certos versos de Donizete Galvão não cessavam de retornar à minha cabeça. Publicados em <em>O homem inacabado</em>, no ano de sua morte, dizem: “Atravessar as coisas/para melhor absorver-lhes/a duração e o gosto”, e continua: “Sair do outro lado/com outra densidade:/o corpo mais sólido/diante da correnteza/desses dias”.</p>
<p style="text-align: justify;">Não creio ter sido à toa. Quando se entra em contato com a poesia de um autor novo, convoca-se todos os autores já lidos, como companhias para a travessia do desconhecido. Pois bem, ao que me parece, é justamente sobre as complexidades de atravessar a vida (e ser atravessado por ela) que trata este <em>Não foi assim que nos pediram os que morriam?</em>.<em> </em></p>
<p style="text-align: justify;">Do poema que abre o livro ao que o encerra, engenhosamente posicionados, Gabriel vai construindo um inventário de observação e questionamento do mundo. Página a página acompanhamos o poeta em um caminho tortuoso de aproximações e afastamentos da metafísica: “Deus não apareceria tanto aqui/mas não sou eu quem escolhe”.</p>
<p style="text-align: justify;">O solo do trajeto é movediço, os filhos já não têm mais os nomes dados pelos pais, a terra escarra os corpos dos avós, o amor não passa de um brinquedo antigo, “que ameaça/mas não decide onde cair”, ratos aparecem pelo caminho, um cão voraz morde a carne da canela.</p>
<p style="text-align: justify;">A duras penas, a passagem ao real vai se fazendo, convidando-nos a certas reflexões filosóficas e nos colocando frente a questões do nosso presente comum. O poeta explora caminhos e meios para tentar elaborá-las, inclusive através do corpo, que ganha mais matéria, mas não sem todas as implicações da presença e da consciência deste corpo aqui, agora: “Minha mandíbula se fecha e range com o terror/mas não deixo que meus dentes se quebrem”.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa tensão da existência, familiar a nós e narrada tão bem por Gabriel nos poemas que compõem este seu primeiro livro, acaba por amarrá-los de tal forma que podem ser lidos, por que não?, como capítulos breves de um romance de formação movido pela memória e pela tarefa de construir, através dela, um novo mundo possível “tábua por tábua”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>André Oviedo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>As montanhas seguem lá</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/as-montanhas-seguem-la</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Apr 2022 17:03:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Uma das minhas avós tem cheiro de naftalina e água de rosas
a outra de creme Nivea e amaciante de roupas.
Hoje percebi que não tenho paciência
para conversa de comerciante e homens que já têm opinião formada
sem nunca terem conversado comigo.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A palavra pode até ser um tanto perigosa, mas não há termo que a substitua: <em>lírica</em>. A poesia de Giulia Barão é lírica até a medula da alma, no melhor dos sentidos — de alma, de medula e, principalmente, de lírica, essa “arte da solidão” de que nos fala Emil Staiger, que é “receptada apenas por pessoas que interiorizam essa solidão”.</p>
<p style="text-align: justify;">Não se trata, evidentemente, da solidão do abandono, muito menos de misantropia, mas a solidão voluntária daquela parcela mínima de pessoas que conjugam sensibilidade e inquietação, capacidade de observação e de síntese, e que mergulham nos próprios abismos para desvelar — com delicadeza e malícia, com inteligência e modéstia — os abismos de cada um de nós. Ou, citando Staiger mais uma vez, “aquele em si impossível falar da alma”.</p>
<p style="text-align: justify;">Os títulos das três partes que estruturam <em>As montanhas seguem lá</em> podem oferecer uma espécie de alegoria desse impossível: da “Cordilheira” ao “Despenhadeiro”, e daí ao “Mar”. Acidentes geográficos que nomeiam tanto o universo natural quanto os estados subjetivos desse <em>eu lírico </em>que atravessa os poemas do livro.</p>
<p style="text-align: justify;">Em “Cordilheira”, a família aparece como metáfora e medida do tempo, um tempo marcado pela permanência, calculado pela sucessão das gerações e pelas esperas, um tempo que é cotidiano e cosmo: “enquanto giramos na valsa do planeta/eu espero que tenha/salada de batata/que meus pais sejam felizes/que minha voz amadureça/que meus avós morram em paz”, diz a poeta em “Almoço de domingo”.</p>
<p style="text-align: justify;">Em chave oposta, os poemas de “Despenhadeiro” captam o instante, o efêmero. Corpos em contato, afagos e evasões urgentes, registros desse instinto tão humano e contraditório que é o amor: “há que ser/galáxia em expansão/fome fora de hora/pois se não for/o amor que não te cabe/te devora” (“Imensidão”).</p>
<p style="text-align: justify;">“Mar”, por fim, se não é uma síntese das duas partes anteriores, tampouco é uma fuga: a vontade de estar em movimento também é medo, a busca pela transcendência e o desejo de ir adiante relembram-nos daquilo que vamos deixando pelo caminho e, com isso, da possibilidade de ficar. A grande poesia não resolve o dilema, preocupa-se em enunciá-lo com nitidez: “quisera/desfazer o sentido vertical/de ter nascido/e correr pelo mundo/como um rio de planície/toda água doce, preguiça e lodo” (“Rio de planície”).</p>
<p style="text-align: justify;">Como boa poeta lírica que é, Giulia Barão também sabe que não basta enunciar os dilemas: é preciso povoá-los de silêncio e sopro, esquecer-se neles, recusar-se a explicá-los. E, principalmente, saber sumir no momento adequado: “Eu sei da hora/de ir embora novamente,/embora nunca inteira” (“Areia”). Saber se perder na solidão, para que os leitores se encontrem.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego Grando</strong></p>
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		<title>Felisberto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 31 Mar 2022 21:45:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Gozei em cima
de um morro de
grandes calmas.
Bora noss’alma
tijésse pousada
na palma, mão,
vez-vez a calma
desvém assim,
liqui-e-feita,
liqui-e-certa,
na lembrança
as altas sombras]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Fazia tempo que a ideia de escrever um poema narrativo me acompanhava. Talvez essa ideia tenha sido alimentada por um sentimento de espanto e deslumbramento, surgido na infância, o de ficar seduzido pelos cantos da oralidade. Meu pai frequentava semanalmente as feiras populares de Natal: Alecrim, Quintas, Rocas, Carrasco, Santos Reis e Cidade da Esperança. Ele quase sempre me levava junto, e não era incomum que ali se apresentassem repentistas, violeiros, rabequeiros e emboladores de coco. Em certas ocasiões, ouvíamos poetas populares lendo seus folhetos de Cordel e meu pai gostava muito daquelas audições. Em minha lembrança, ficávamos dando mais atenção aos versos do que comprando frutas e verduras. Nessas feiras, ouvi pela primeira vez as palavras “poeta-repentista”, “Cordel”, e entendi que proferiam “desafios”, “emboladas” e improvisavam,  inventavam, mentiam com consentimento público, brincando de narrar palavras cantadas. Na maioria das vezes, eram momentos alegres, o povo ria e se divertia. Hoje, procuro esmiuçar cada uma das cenas. Para ouvir os versos, era preciso parar com as compras, aproximar-se, posicionar-se em um lugar estratégico e depor as sacolas no chão. A teatralidade singela e circular era dotada de gestos próprios: às vezes o povo propunha temas, “motes”, e me lembro de meu pai dar umas moedas em troca dos versos de um violeiro. Depois, em casa, nos restaurantes ou entre os amigos, meu pai repetia as histórias ouvidas nas feiras, recontando-as, reinventando-as. Na adolescência, recordo-o entre os pescadores da praia de Pirangi do Norte, ouvindo e refazendo as histórias-e-poemas. Assim foi que narrativas-e-versos povoaram a minha infância e juventude. Na memória de meu pai, essas cantorias se transformavam em novas versões. De algum modo, elas persistiam, duravam, sobreviviam ao tempo e à passagem dos anos. Ainda na juventude, surgiram outras vozes. Agora eram as palavras dos livros: o Bhagavad Gita (século IV a.C.); Eclesiastes, atribuído a Salomão; A divina comédia, de Dante Alighieri; Orlando furioso, de Ludovico Ariosto; Os lusíadas, de Luís de Camões e Altazor o el viaje en paracaída, de Vicente Huidobro&#8230; Nenhum outro poema narrativo, contudo, me impactou mais do que o Grande sertão: veredas (1956), de Guimarães Rosa. Desde 2011, retomei-o em concentrados, longos e ininterruptos estudos. Suas releituras produziam a sensação de que eu precisava brincar — uma vez mais —, inventar infâncias. A voz de Riobaldo abriu a lembrança e trouxe os sons dos poetas populares das feiras livres e dos narradores da juventude. Assim, no Algarve, em maio de 2021, embalado de alegria e sossego,  como um raio, surgiu Felizberto. Já no Brasil, o poema foi retomado outras três vezes, mas muito pouco mudou da primeira versão. Numa dessas retomadas, incluí também personagens do conto “O recado do morro”. Por tudo isso, dedico este livro a João V. Silva (in memoriam), meu pai.</p>
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		<title>Canções de lutar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Mar 2022 13:39:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[demorei tempo para notar
que a luz à ascender
localiza-se na pe-ri-fe-ria.
o fogo da explosão de ideias nos satélites
e a queda total dos pilotos e seus planos
dependem
antes de tudo
de nóiz.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Ricardo nasceu no Distrito Federal, na cidade do Gama em 1994 e residiu em Santa Maria até alguns anos atrás. Hoje, mora em Cristalina &#8211; Goiás e desde quando se descobriu como escritor nos faz viajar com palavras de inspiração .</p>
<p style="text-align: justify;">Neste livro você acompanhará a evolução de sua trajetória como escritor e como arte-educador. Ricardo é professor pedagogo e busca transmitir aos leitores experiências vivenciadas pelo nosso povo e também a sua ótica de como sobreviver às mazelas sócio-histórico-culturais que nos assolam diariamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Você irá mergulhar em sonhos possíveis de serem realizados em um futuro próximo. Suas escritas despertam no leitor e na leitora o desejo de dar continuidade à luta pela realização de sonhos, execução dos direitos, acesso à informação, à ação e reação do nosso povo para um mundo mais justo, igualitário e alegre. Como arte-educador, Ricardo respira empoderamento político e expira serenidade. Suas palavras têm muita força, e sua caneta rasga o moralismo e a falsa igualdade racial.</p>
<p style="text-align: justify;">Interpretar poesias escritas por este escritor é mágico, nos faz transitar diferentes rotas com diferentes emoções e sentidos. Cada interpretação se torna única e singular. O SLAM vive aqui, com alma e coração. Somos levados à reflexões diferentes a cada interpretação. Lucidamente, Ricardo nos mostra uma Utopia não tão distante. Espero que aproveite esta leitura. Obrigada!</p>
<p style="text-align: justify;">Com amor, NEGA LU.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Três miomas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Mar 2022 12:23:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[oferecidas a deuses misóginos
três miomas me doem de morte
um bebê também doeria
não julgo marcas
apenas as contemplo
como abelha que fugiu do esmagamento]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Esse livro é feito de nossos corpos, nódulos, gozos. Faltas e fissuras. Excessos e estilhaços.</p>
<p style="text-align: justify;">Escorrem excessos que não são meus/memórias inventadas e escombros no Camboja/a explosão de uma mina terrestre no quintal/campo minado, jardim do diabo/longínqua terra com cheiro de gente/em pedaços/minas plantadas em guerras ancestrais/arqueologia de dores atávicas/com meninas mutiladas/os escombros formam um corpo-bricolagem&#8230; (trecho do poema Corpos-estilhaços)</p>
<p style="text-align: justify;">É feito de sororidade e coragem. E esperanças também!</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Tanto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Feb 2022 17:36:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[a solidão me cedeu
imagens
a solidão reatou
minha potência
inusitada, a solidão
me reergueu
me garimpou]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Abrir um mapa cartoneiro, aceso e fugidio; um mapa que, de tanto se desgarrar dos braços, molda desde dentro a terra da caminhada, com seus ares densos de mata cerrada, mas também com o rutilar das águas marinhas, de rudes marinheiros ébrios. <strong><em>Tanto</em></strong>, terceiro livro de Marcus Vinicius Santana Lima, arquitetado como um livro-poema, faz da experiência uma seara de presságios, uma espécie de épico do contemporâneo, com suas partes interligadas a cada página-poema. Há uma captura da palavra escavada na memória, uma embarcação à deriva, paisagem cortada pelo escuro de um país entregue ao medo ou a uma cidade brotada do leite, vingando em si os próprios arroubos libertários. Nessa circunscrição, o horror do flagelo político aparece na figura de <em>um animal/pendurado pelo pé (&#8230;) pensando na liberdade </em>como pensaria num grande amor. O tesão e a dor de Mião, o personagem quimérico-adâmico, melhor seria, o animal-nordeste, o homem-paisagem, o ser-em-exílio deflagrado para o combate e o sonho, são testemunhas vivas: <em>eu vi tudo acontecer/castigos e novelos/vingança e torpeza/tudo isso fundou esta terra verde/onde galhos secam e os frutos limam</em>. Mião lembra, em parte, Prometeu, que acende o fogo da poesia sobre a escuridão do tempo. Nota-se que opção da poesia já é uma escolha política do livro, pois a potência poética é uma afirmação de vida, em confronto com o governo da dor e do medo no cotidiano do nosso país e do mundo. Marcus é a mão telúrica a desamarrar as cabras nesta terra em feixes, o <em>impelido para as recordações</em>, o que <em>quis ser artista plástico das calçadas </em>para<em> pintar de branco o mundo escuro dos sonhos.</em> Clama por nomes de um itinerário familiar, sabe a vastidão e a vulnerabilidade das cores sob tantos céus, assim como a artesania dos sons (é bonito ver o livro dedicado a potências sonoras como Wim Mertens e Uakti). Por ser matéria espessa, de início traz algumas pistas: a poesia devém, isto é, <em>deve</em> <em>desassossegar os mitos. </em>O poeta de Juazeiro recorda o mineiro Donizete Galvão, em uma das epígrafes: <em>Remói/a lembrança/de um tempo/em que o corpo e o pensamento/se deixavam levar.</em> Obra de radical sensorialidade, capaz de unir o onírico ao político, de fazer, dentro de nós, uma cartografia de afecções. Recordo Georges Didi-Huberman: <em>O espaço todo é salpicado — constelado, infestado — de pequenas chamas que parecem vaga-lumes. </em></p>
<p><strong>Roberta Tostes Daniel</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Pororoca</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Feb 2022 12:10:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[quando a barragem sangrou e o bico do pássaro
rasgou o tempo em dois
todas as metáforas das águas fizeram sentido
e de repente criou-se um mundo onde era possível
chorar e gozar
ao
mesmo
tempo

mergulho no cheiro de onde o pescoço termina
e vira ombro
e não me espanto
quando tu dança é m a r e s i a

não preciso fechar os olhos para dançar com você e
pra compreender o estrago
o desastre é matéria, presença, substância,
eu posso tocar.

(marejar, página 25)

<strong> </strong>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>seus olhos são duas tochas<br />
que nunca param de queimar<br />
<em>they</em><br />
<em>burn burn burn</em><br />
<em>y quien se acerca se enciende.</em></p>
<p>quando encontram os meus tentam<br />
em vão<br />
atravessar o limite dos ossos<br />
dos orgãos</p>
<p>o coração com osteoporose</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Muxima</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Feb 2022 16:36:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[são 5 da manhã
eu acordo num susto
eram eles
sabia que elas queriam falar
e eu queria ouvir
por que não conseguia?
se eu conseguia ouvir
as propagandas nos carros
a professora no colégio
os mestres na universidade
por que eles eu não conseguia?
por que tão distante de ver e ouvir minha ancestralidade?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Muxima</em> traz, em seu nome e essência, a lógica da subversão. Carrega em seu nome filosofias nossas e em sua essência uma escrita potente e que muito me lembra do que o psicólogo Dr. Joseph White chama de um “um jeito preto de falar”, e chama atenção para como as rimas e a poesia foram e ainda são uma estratégia de sobrevivência do povo preto.</p>
<p style="text-align: justify;">A oralidade segue sendo uma de nossas principais tradições e tecnologias, mas, como qualquer tradição cultural que se mantenha na contemporaneidade, o registro de nossas heranças, memórias, vivências e oralidades se faz presente no caminho da permanência e vida dos nossos. Assim, Gisele subverte a colonização de seu corpo, seus sentimentos e sua espiritualidade (e, por consequência, de todas e todos nós) enquanto se humaniza e se desnuda em escritas intensas e fluidas.</p>
<p style="text-align: justify;">A leitura de<em> Muxima</em> é um mergulho em que, não surpresa, me deparo com toda a profundidade que essa palavra carrega. Muxima, Okan, Coração&#8230; Para os povos Bantus, alguns dos primeiros a serem trazidos de África forçadamente para estas terras, muxima não é só o coração que bombeia o sangue, mas é o que nos mantém vivos, porque transcende a definição física de coração e traz a essência que conecta a experiência humana à sua própria consciência. E, assim, Gisele traz, no próprio título, um convite a um portal intrigante e profundo que nos leva a uma jornada íntima, reflexiva e emocionante.</p>
<p style="text-align: justify;">Submersa em coragem, ela mergulha em si e, consequentemente, em todas e todos que a fazem ser, e nos convida a dançar debaixo d’água embaladas pelo ritmo de suas palavras que, além de melodia, trazem imagem, aroma e sabor. Em cada etapa desse percurso, a Seca, o Barro, a Nascente e a Queda d’água, nos leva a sentir as nuances da vida. Entre Seca e Queda d’água, uma infinidade de vida se faz presente e não se finda no último poema. Escrita que é rio, que deságua, preenche e corre mundo dentro da gente.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Muxima</em> é um mergulho profundo e ao mesmo tempo leve e dançante sobre emoções, caminhos, escolhas, dores e alegrias de uma mulher negra que expõe seu íntimo e assim se faz espelho para que nos encontremos também em vivências e sensações tão únicas e coletivas. Afoguemo-nos juntos na abundância que só uma mulher que é água pode proporcionar em suas palavras banhadas em mel e dendê para retomar o ar da vida e o poder de sentir.</p>
<p><strong>Dangê ua Lunda</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O céu das pequenas criaturas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 13 Feb 2022 23:19:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[isolado na noite da cidade pequena
apuro ouvidos atentos à igreja
em cuja torre habitam cúmplices
um relógio que circunda lento
e o sino seco como um cadafalso
ambos metódicos na tarefa
de criar passados e extinguir futuros]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A poesia fere com delicadeza, mas não na acepção violenta que esse verbo sugere. Ela fere abrindo veios nas gramáticas do sentir, rasgos cuja profundidade ou extensão não são mensuráveis a não ser, talvez, pela pujança com que umas poucas palavras de poeta nos arrebatam. <em>O céu das pequenas criaturas</em>, primeiro volume de poemas de André Tessaro Pelinser, é um livro repleto desses momentos de franca epifania: visões da amplitude e percebimentos de miudezas que, articulados com segurança pelo autor, traduzem a experiência que não se esgota na representação de um tempo acelerado e pandêmico porque atenta às feridas mais profundas do sentimento do mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">A referência acima ao poema-livro de Drummond não é gratuita. Há muito do poeta de Itabira na linguagem sopesada de Pelinser, nos gestos comedidos das palavras mais melancólicas, na segurança que esconde e revela o ser político, na economia sintática que nunca é trivial, ainda que pareça comezinha. À medida que os poemas formam suas próprias constelações — “confinados”, “abandonados”, “empesteados”, “injustiçados”, “ressecados” —, leitoras e leitores talvez se lembrem, como eu, das palavras célebres do narrador Rodrigo S.M. no início de <em>A hora da estrela</em>: “Que ninguém se engane, só consigo a simplicidade através de muito trabalho”. É, portanto, com simplicidade laboriosa e muitas vezes desconcertante que o poeta rasga a tranquilidade dos consensos hipócritas: “nem toda a cultura do mundo/é capaz de nos salvar da civilização”.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma orelha de livro não é, certamente, o melhor lugar para se tentar apresentar um novo conceito, mas há nos versos deste volume algo que só consigo descrever como <em>vivez</em>, uma vivência única e irrepetível do mundo que parece adquirir forma e linguagem no momento da leitura para desaparecer logo em seguida, assim que os breves poemas de Pelinser retornam ao silêncio de todas as coisas. <em>O céu das pequenas criaturas</em> é o espaço da vertigem do possível, “da escola da perda”, do “mercado do desespero”, do “gozo da destruição”, do “oco do mundo”. Lugar para onde inevitavelmente nos precipitamos todos, em uma queda para o alto que só a poesia consegue traduzir com delicada revolta e fereza, como a imagem de um Ícaro que possui “todos os voos/nas pontas dos dedos/na sola dos pés”.</p>
<p><strong>Berttoni Licarião</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Pássaros negros</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 13 Feb 2022 22:01:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[tudo feito para te dizer não
porque o não é o espaço destinado
para teu corpo

outra gaiola
onde te encaixam
porque sempre aperfeiçoam a antiga
que pertenciam a teus ancestrais]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Meu bem, não temos diante dos olhos apenas o <em>blackbird</em> e o assum preto de Poe, Beatles ou Belchior, não. Nas nossas palmas, na nossa cama, em nossas almas, além de sangue, suor, cruzes, espinhos e cervejas, o desejo de liberdade orientado e consciente ocupa toda a área daquilo que sempre podemos usar para nos defender. Porque o meu desejo é duro, forte, firme, teso. E meu coração, “cuidado, é frágil”. Porque “meu corpo é franco”, baby, e às vezes “me canso de ser homem”. Aqui não tem reconciliação. Aqui, se “o mercado não nos ama, gozar e gozar e gozar”. Aqui o “verbo é livre”, mas há sempre uma bala surpresa. Aqui meu nome é pecado. Aqui, entre “efeito de mil sonhos desfeitos, solidão tem sexo e cor”. Aqui “eu não sou perigoso”. Aqui, não se iluda, quando se canta e dança e grita e noite, “viver é um grande delírio”. Aqui “até aqui a poesia nos ajudou”. Querido, segure firme e se prepare para o brilho.</p>
<p><strong>Caio Balaio</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Tranca a rua</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/tranca-a-rua</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Feb 2022 14:27:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Um dia eu acordei e vi que o céu não era azul.
Não, não acordei à noite. Acordei às onze num domingo de revista.
Pista da praia fechada, orla cheia. Cachorros, gringos, skates e patins dançavam um improviso no asfalto. Os óculos escuros nas caras da maioria a mim pareciam avessos. Biquínis e sungas ao que a mim parecia a luz da lua. O mate vendia gelado. O cheiro de queijo com orégano vinha numa onda ou outra. Os deitados não demonstravam sono. A roda de amigos continuava redonda.
Cangas e chapéus balançavam nos guarda-sóis ambulantes. A lixeira cheia de cocos dizia que o sol haveria de voltar.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O João é desses jovens multitalentosos que damos a sorte de encontrar pela vida. No meu caso, foi alguns anos atrás, numa graduação em letras — formação do escritor. Lá já me chamavam atenção suas muitas e boas ideias, e, mais do que isso, sua disposição para colocá-las em prática.</p>
<p style="text-align: justify;">Essas qualidades, somadas a experiências vividas na sequência (em roteiro, em prosa, em poesia), estão todas presentes em <em>Tranca a rua</em>. Aqui, encontramos a cidade, ou as pessoas, e as relações, da cidade. Através de uma variedade impressionante de sentimentos, afetos e situações cotidianas muito caras ao contemporâneo, Schlaepfer nos convida (nos provoca) o tempo todo à reflexão.</p>
<p style="text-align: justify;">Para isso, se utiliza de elementos que, em geral, tomamos por banais, mas que, nas mãos seguras, no olhar sensível e na inventividade de um autor que vive a concretude urbana, oferecem-se constantemente a novas configurações. Elementos como um cartão de metrô, isqueiro ou um chip de computador, de repente, podem nos fazer olhar para outros lados, nos transportar a lugares para os quais normalmente não teríamos ido.</p>
<p style="text-align: justify;">Quanto à forma, percebe-se, ou melhor, não se percebe o uso de estruturas que sustentam os textos, os poemas narrativos, os sonetos! As aliterações, as rimas, a musicalidade, as repetições vêm surgindo de maneira orgânica. Aqui, nada é gratuito — cada escolha vocabular, cada pausa está no seu lugar exato, gerando deslocamentos e efeitos estéticos impactantes.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Tranca a rua</em> é livro para ser lido muitas vezes, e, tenho certeza, cada vez deve ser uma experiência distinta, como viver a cidade.</p>
<p><strong>Carlos Eduardo Pereira</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Sob linóleo vermelho</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/sob-linoleo-vermelho</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Feb 2022 09:45:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A vida tem
umas asas
de mármore;
e o chão
é um perigo
mais próximo.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“A poesia/é uma caixa/cheia de pregos/enferrujados/protegida pela pele/de um tomate”, definem os versos finais de “Oficina”, poema de abertura desta sexta coletânea de Alexandre Pilati. A imagem da poesia como algo cortante e perigoso, protegido por uma membrana orgânica, perecível e fragilíssima, parece inverter o sentido da imagem que dá título ao livro, extraída do poema “Colheita”, de Louise Glück, que Pilati utiliza como epígrafe. Nele, a poeta estadunidense fala da última colheita de outono, das frutas e vegetais já danificados pelo frio. Os tomates parecem “cérebros humanos cobertos por linóleo vermelho”. Aqui, o interior do objeto, tomate ou cérebro, é frágil e aparece protegido por material resistente, impermeável e industrial. Mas o linóleo vermelho não impede a ação do tempo: o tomate apodrece, assim como o prego enferruja. Assim, apesar das suas diferenças, as duas matérias movimentam-se, isto é, mudam de forma, transformam-se. Embora em diferentes velocidades, tanto o ferro como o tomate decaem e perecem. A atividade cerebral também cessa, eventualmente. Como lemos em “Rejuvenesça”, “Certas coisas — a poesia, o órgão do sexo,/ os instintos e alguns lugares/onde de repente estamos/ou em que sempre estivemos—/encontram a ruína devagar.//E, com sorte, feito a juventude,/desaparecem sem tragédia”. Logo, fincando pé no campo do possível (“Ó, alma, não aspira à vida imortal, mas esgota o campo do possível”, apela o dístico de Píndaro), o poeta fala da matéria submetida ao devir aristotélico, esse movimento incessante e interminável da potência ao ato, que se realiza em tudo: nas coisas, naturais ou artificiais, e nas ações humanas. Mas se, para o filósofo grego, a matéria se move com uma finalidade — a de encontrar seu lugar natural, atingindo a perfeição do mundo supralunar —, para Pilati o mundo é um só: sensível, imanente, cujos movimentos nem sempre são previsíveis ou necessários. Pois é de fragilidade, instabilidade e contingência que Alexandre Pilati extrai a força de seus poemas e segue adiante: para além dos movimentos da matéria, há os movimentos da história, que determinam a própria physis. Mas, atenção: não se trata da história como totalidade estrutural, unidade sistemática, mas da história heterogênea, descontínua, composta de fenômenos particulares e transitórios. É no interior dessa “história natural” (para falar com Adorno), ou natureza histórica, que Pilati busca dizer o ser das coisas — e por isso sua poesia tem também uma aspiração ontológica. Assim, é sintomático que “Os anjos com os quais mais simpatizamos são aqueles de quarto ou quinto escalão, feitos de gesso” (“Esculturas infinitas”); no poeta que lida com a matéria rebaixada, “nada há que seja feito de ar” (“Entulho”). O eu lírico de “Escapatória”, tal como o inseto de Kafka, parece ter a “consciência agudíssima/de que só se pode profetizar/o presente e ele é um labirinto/cheio de gigantes”, em que “escapatória” é mais palavra que realidade. A percepção da transformação das coisas caminha de mãos dadas com a consciência aguda do processo social junto ao qual a poesia também se move. As coisas do mundo sublunar não estão sujeitas apenas às leis do hilemorfismo (às interações entre matéria e forma), mas também aos movimentos da história, que engendram classe, trabalho, produção (“Preso à minha classe e a algumas roupas (&#8230;)”, diz Drummond, que é mestre e guia da poesia de Pilati). Não por acaso, é em outro poema metalínguístico (“Literatura”) que Pilati retoma o título do livro: “Essa cálida luz/de prece e cadafalso/sob linóleo vermelho”. O que o linóleo protege, aqui, é a própria literatura, luz provisória e perene, ameaçada e resistente, solitária e empenhada.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Chantal Castelli</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>E eu era a casa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Jan 2022 13:24:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Chove
E o mundo é grande
Igual a um deserto
Que não cabe em nós

Nunca somos de um mundo apenas
É isso que nos dói
Quando andamos sobre o soalho
Desta casa
Escoando para as fendas os barcos que a vida tem]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>ONDE FUI PÁSSARO ANTES DE SER GENTE</p>
<p>“Onde fui pássaro antes de ser gente” assim começa este livro.<br />
Tudo indica que, num momento anterior, a Poesia aconteceu quando o Poeta foi pássaro.<br />
A distância temporal entre um estado e outro parece não existir.<br />
O que existe é uma memória atualizada.</p>
<p>E cito:<br />
“Pouso a minha face na tua mão: A piedade de um<br />
verso<br />
Dentro da chuva”.</p>
<p>É tão verdadeiro o poema quanto a imagem gerada pela lente que ele revela.<br />
Os versos de “E eu era a casa” são seres delicados.<br />
Respiram através do “orvalho da manhã” na intimidade das águas, mesmo que em “(des)conhecidas palavras”.</p>
<p>Neste livro não há espaço para notas de rodapé. Os poemas são naturais. E próximos de nós.</p>
<p>“Repara / Como labora a chuva sobre a terra // Disseste-o tão próximo de mim”.<br />
Não admira que em “E eu era a casa” todos os endereços estejam representados.<br />
Escrever poesia é seguir o voo dos pássaros, indo muito além dos próprios passos.</p>
<p>Vai sendo raro “ver” como M Céu Costa.</p>
<p>É desta linguagem que temos Saudades.</p>
<p><strong>Maria Azenha</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O limpo imundo (uma trilogia helenística pós apocalíptica negativamente integrada)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Jan 2022 12:47:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<a href="https://editoraurutau.com/autor/jose-virginio-marques-filho">José Virgínio Marques Filho</a>

não fui eu,
foi meu eu lírico
o responsável
por esses versos:
ridículos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“Irresponsável e insolente, este livro esquadrinha a nossa exceção permanente ao manipular, com tara profana, o espólio das experimentações e crises do verso. Revolvendo uma tradição arruinada, submete ao choque da atualidade um século de poesia a perigo. Que o leitor desembrulhe com cuidado: sitiado no beco, Presente de grego traz no ventre o mau cheiro próprio ao nosso tempo.”<br />
ARTHUR VONK</p>
<p style="text-align: justify;">
“Bom, tomei uns socos e umas facadas. (&#8230;) Parece que o enfant terrible do Beijo Grego cresceu e também ficou amargo, claro. E mais sofisticado. Além das incríveis referências (expressas ou ocultas), há um trabalho de linguagem e de pensamento maravilhoso. Não que no Beijo não haja, mas o deboche manda mais na leitura.”<br />
MERCEDES FERREIRA</p>
<p style="text-align: justify;">
“Alguém disse que o sarcasmo é o refugio dos fracos. Também já foi dito que humor é sinal de inteligência. Aqui na trilogia grega (Churrasco, Presente e Beijo), não há refúgio e a poesia vai desafiar sua inteligência. Acauam Oliveira e José Virgínio Marques Filho trazem versos que se inspiram de Falcão à Drummond. Nada é sagrado, nada é profano. É tudo poesia.”</p>
<p style="text-align: justify;">RODRIGO MENDONÇA</p>
<p style="text-align: justify;">
“Com a urgência poética de uma pedra atirada contra a janela do vizinho, José Virgínio e Acauam Oliveira encontram em seus versos o lirismo próprio dos pratos mal servidos pelas ruas do centro da vida. Entre os escombros líricos dos nossos tempos estranhos sobra, marinado em vinagrete, o amor dos amigos.”<br />
BRENO LONGHI</p>
<p style="text-align: justify;">
“Não vale a vela que acendo no mêi do Sol ao meio-dia nem candeeiro quebrado em casa com energia É como placa pra esquerda sem ter a ponta da seta como sem ter atingido já querer dobrar a meta É o que penso, tá registrado<br />
sobre esses cabra safado que se intitula de Poeta.”<br />
ROMÁRYO</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Canções de amor em língua morta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Jan 2022 12:23:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[penso nas palavras de pedra e arranco ruídos
do meu sangue
tento compor algum estranho sentido
as sombras passeiam pela casa,
bebem água quando me levanto
e dançam quando me esquivo

cecília me exibe como bicho sem luz,
moldura que não se vê
no corredor de pedras quase brancas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Este livro é composto de poemas em alta voltagem. Mesmo que de início pareçam sóbrios, mansos, singelos até, há neles uma energia capaz de abalar crenças, destruir convicções, desnudar todas nossas fragilidades. A dura, a excessiva realidade cotidiana, ceifadora de sonhos infantis.</p>
<p style="text-align: justify;">O entendimento — melhor, não o entendimento, mas a vivência do mundo — evidencia a impossibilidade da compreensão total do outro e a inviabilidade da exposição total de si. E então os desgastes nas relações, e as dores daí nascidas.</p>
<p style="text-align: justify;">Os poemas estão repletos de certeiras, sofisticadas e sensíveis imagens poéticas. Que não são discricionárias, surgem essenciais para que a percepção do íntimo se dê. E há também as palavras duras, de pedra, necessárias para a exposição das aflições que envolvem o ser, como treva, como sombra, imunes à luz.</p>
<p style="text-align: justify;">O poeta sabe que o absurdo está em nós. Mas que só sofrer não dará luz aos versos. Não adianta chorar. Conhecer o mundo não significa compreendê-lo.  A vida é turva. E o mundo é feito de neblinas e sombras, tendo quase sempre, como fonte única de iluminação, a luz dos olhos de alguém.</p>
<p style="text-align: justify;">Há no livro, ainda que tímida, uma crença sincera no amor. Na amada presente, que não se entrega aos fracassos, que não se curva à dor. Não há palavras sem alma. A amada é uma interlocutora em silêncio. Sobre ela se diz, por ela se sofre, se ergue. E sua figura é a imensa presença por toda a poesia surgida. E há ainda o amor pelas coisas inúteis, pelas coisas não percebidas. Não há remorso, não há saudade, é a vida inscrita nos ossos.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez alguns poemas não serão compreendidos na primeira leitura. Mas causarão impacto na primeira leitura. E serão belos na primeira leitura. E convidarão para o aprofundamento, para o pulo no abismo.  A fuga da vida é impossível. Não se pode fugir dos labirintos.</p>
<p style="text-align: justify;">Alexandre crê que não há sacralidade alguma nos sentimentos. Todos podem ser crus, desnudos, expostos. E os poemas escavarão corpos, romperão carótidas, cortarão pulsos. A vida não é só a vivida. É a questionada. É a possibilidade que não se deu, ou que foi covardemente recusada. Há uma variedade de vidas que se tornam concretas em versos etéreos, pesados como chumbo.</p>
<p style="text-align: justify;">Adentrar o universo poético de <em>Canções de amor em língua morta</em> é encontrar o estranho e fulgurante qualificar das coisas e das circunstâncias (a incoerência das manhãs, o obtuso sabor das flores, o amarelo intenso de um lá maior). E saber que nem tudo pode ser dito. Há o que existe e é maior que a linguagem.</p>
<p><strong>Lausamar Humberto</strong>, poeta</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Neblina</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/neblina</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Jan 2022 12:13:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[(um escorpião faz seu percurso e chega à superfície
seca
de um banheiro
úmido de Brasília
ele assusta
uma mulher isolada
que toma um banho quente
— é maio é frio estou sozinha)]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Os dias, as horas, o que é preciso fazer nascer com as próprias mãos. O livro de estreia da Bárbara Gontijo se faz assim uma paisagem na neblina. Quando eu era pequeno, ouvi muito da minha mãe uma outra palavra para essa precipitação de nuvens: cerração. Elas não são a mesma coisa — diferença mínima que toca a distância da visibilidade. Mas me lembro aqui dessa palavra porque esse livro faz reverberar a umidade, num clima seco, e fecha a vista sutilmente. Tudo, nessa instabilidade do que se pode ver, tenta dar nome, tenta acabar um poema, como quem acaba também uma história. Entre sumir e sonhar, esses poemas falam do que dói, do que seca a garganta para além da pele seca antes da neblina. Esses poemas também nos propõem respirar melhor, antes e depois da neblina. Como portar o outro, como responder pelo que ganharia esse nome desordeiro de amor, num mundo inteiro que é apenas um canto, um pedaço muito curto do que ocupa o corpo?<br />
“me cerrando o corpo” parece responder um dos versos. O que cessa, cerra, nevoa é o que um nome pode guardar diante do abandono de escrever, escavar, esvaziar. O que quer dizer talvez: “vou ali e volto já”, a um metro e meio — efeito de neblina como efeito de fim do mundo. Um corpo marcado, como todo corpo é marcado, é o que a gente pode ler aqui. Por mais que se negue, todo corpo postula-se uma marca de alguém outro que esteve por ali — sejam as companheiras, as mães, isso que vai de uma à outra. Ou ainda esses poemas são arquivos do que não se pode esquecer, na luta do esquecimento. Um poema pode ser um trabalho de luto por aquela que ainda não morreu? O poema inscreve essa temporalidade iminente da perda, do desmembramento do fogo que parece evocar uma personagem possuída, um pensamento mágico diante do que nós não damos conta diante da vida comum, não ainda. Então, o que essa Neblina nos propõe é reaprender, pela palavra, tocar o corpo do outro, esse corpo sempre distante numa imagem que não se dá senão pelo que resta e demora; querer uma carne depois do estremecimento.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>PIERO EYBEN</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Nada meu vinga</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/nada-meu-vinga</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Jan 2022 11:25:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Eu sou
as tampas mastigadas
das canetas
as calcinhas carimbadas
de sangue
o silêncio estendido
das coisas que não fiz
— mesmo que digam o contrário.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Nada meu vinga</em>, de Gabriella Moura, é desses livros de poesia sobre o qual há muito a dizer. Nem todos são assim, embora muitos sejam. Como não vem ao caso dissertar longamente, farei um foco, este: da metáfora “Eu sou”. Essa metáfora e variantes correspondem a uma autoidentificação como ato de autorreconhecimento. Que um livro de poemas tenha ênfase no eu, e como é o caso, na eu, não é nenhuma novidade. Mas não venho tratar de novidade, e embora jovem, a poeta tem amadurecimento estético-verbal suficiente pra não se perder em busca de novidades, sabendo que poderia, na busca, perder-se num museu.</p>
<p style="text-align: justify;">Há cento e onze vezes de emprego de eu pela eu desde o título do livro, pois minha e meu são variantes de “Eu sou”. Em doze vezes diz sou, e dessas, em cinco vezes diz literalmente eu sou, e em quatro, diz não sou. Todas as vezes, a eu é a mesma. Persiste. Amplia pra cento e quinze vezes, variando pra mim. Não se trata duma eu ególatra, muito menos egocêntrica e menos ainda egoísta. Não há deslize: todas as vezes, a eu constituída por Gabriella Moura a partir de si mesma se pauta a dizer “Eu sou”. Amplia mais: pra cento e vinte e três vezes, dizendo “Eu sou” em seu próprio nome oito vezes. A eu diz você trinta e quatro vezes, e sempre nessa interlocução, a eu diz “Eu sou”. Leio: a cada verbo conjugado, a eu de Gabriella Moura se diz.</p>
<p style="text-align: justify;">A eu de <em>Nada meu vinga</em> não se limita a ser pessoal, que a rigor nem é se limitar. Quero dizer: a eu é consciente de que ser pessoal converge a ser muita gente. Uma mulher é uma pessoa. A mulher é gênero de gente. Dos povos das gentes, mulher é também categoria. Nisso, no conjunto, a eu diz poema a poema que não vinga porque o mundo de homens tóxico, é feito pra destruir mulheres — e uma ilustra o caso de muitas. O corpo — palavra vinte e duas vezes dita entre singular e plural – é mostrado pela eu violado pela feira de corpos que o mundo de homens rege.</p>
<p style="text-align: justify;">Num exemplo, e há no livro, quando uma criança se torna mulher – conforme a poeta muito bem pontua –, há força-tarefa da feira de corpos do mundo de homens pra reger a mulher, liquidando-a, ou a liquidando de imediato se não for regível. Gabriella, nesta estreia, chamará atenção, pois não é regível. Como no poema <em>Insurgência</em>, o grito “eu existo” está pra persistência, que é resistência, de “Eu sou”. Leio assim: Gabriella Moura diz: eu sou, eu existo, agora me aguentem, não vou parar, nem caída. É como se dissesse: não vingo, mas persisto, sou, existo — EU EXISTO.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Jamesson Buarque</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Proibido sentir: Escritos desde a máquina-prisom</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/proibido-sentir-escritos-desde-a-maquina-prisom</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Jan 2022 13:12:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[quem som eu
para nada disso
só sinto nojo

e já quase
se me esquecem
as metáforas

Junho de 2019,
Centro Penitenciario A Lama
(Pontevedra)

<strong> </strong>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>nom hai interferências na mensagem, nídia e singela, sem matiz. estarmos fóra e estarem dentro supom um abismo amplo ao que nos custa achegarnos, ainda afeitos aos penedos afiados que conforman a capa visíbel desta fim do mundo. apelando ao leitor, em cada pregunta nace um sentimento profundo, picadas no fundo da carne que resoam no interior, sabedoras da ignorância, acaso voluntaria, que possuímos do íntimo dos internos, da poesía artelhada na soidade forçada das celas, coas tosses e as pisadas como ruído de fondo. mesmo vivimos e sofremos amargamente essa cela em movemento, como umha agéncia pública de torturas uniforme, vingadora e infinita. umha fenda gris que une puntos geográficos, de miseria em miseria, vertedoiro a vertedoiro, lixo apartado. a metáfora vólvese fúria cando falamos da máquina, a devoradora, a esmagadora, quebra-espíritos e depuradora de mentes: “las dejamos impolutas”. senlheiro traça o jogo dual, retranca e carragem, humor e melancolía, nobreza e vileza, saudade e nojo. desde aí, no burato do coraçom, medra a resistência e a luita para nom caer na loucura. tambén medra a esperança, essa voz que resoa e vibra dicindo vive; e o eco silandeiro da chegada do día, aquel no que cargar coa pessoa que ja nom está, que escapou pola fiestra hai anos, dobregada e minada sem fin, pero incólume, imorrente no cerne primario. cargar tamén co resto da pessoa que medrou entre as paredes, essas lixadas, mordidas, nas que passeian os ratos, e as formigas, nas que vemos o reflexo do que xa nom é, somos. a codia, de formigón, os límites, arámios dos que poden pendurar as almas ou os passaros, o anaco de ceo e nuvens reflectido nas poças, e as sombras, gardiás axexantes, assasinas da intimidade. preside a lúa pendurada de toda a arela pola liberdade, e presencia da mesma, así como ese fluir de auga limpa que é o amor, figura que percorre o livro deijando que fique claro que é o que move o mundo, que terma das almas, que enche os coraçoms, aínda fendidos e sangrantes, seguem latejando mercê sua. nom nos rendemos, em sete, doze ou vintedous anos, aqui seguimos caminhando, juntos, ja pandora fica moi atrás, diante nossa o porvir segue por escrever.</p>
<p>o subtexto fica claro: abaixo os muros das prisoms!</p>
<p><strong>yolanda gil villaverde</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Há uma flor no abismo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/ha-uma-flor-no-abismo</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Jan 2022 14:43:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">1. estou nua diante das águas imóveis do lago
onde narciso se olhou pela primeira vez
[mas não me vejo]
estou nua à margem das águas escuras
: leve libélula lápis-lazúli
que rodopia sobre um único lugar
[mas não se molha]</span>

<span class="fontstyle0">
estou nua e minhas roupas
abandonadas sobre as pedras frias
agonizam com minha agonia.
tenho medo do escuro
mas preciso cumprir o meu destino
: mergulho
no
céu
apagado
[desapareço]</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Num abismo com flores, a queda se inventará asas e o destino do corpo e do sumo é o azul oceânico das palavras. Porque aqui Helena Arruda inaugura e franqueia o espaço-em-flor feito esperança e, divagando entre poemas e labirintos, se deixa encharcar de encontros. Encontram-se sóis e o céu da boca da moça de dedos longos, as claridades invadem retinas. O sob a pele, insistente, nos chamará pras linhas, pro viço, pros valões, mas sobretudo pro gato a esquentar colo. Na poesia de Helena, somos o próprio convite à emergência do canto. As voçorocas nos chegam e é carne crua e é a saída que se encontra e é a coragem do palimpsesto e sempre se amanhece.<br />
Está habitada e (nos) converge ao entardecer luminoso essa mulher que retorna e sussurra: fica perto de deus e dos pampas e dos gritos lá do alto. Diz-se de mulher como se diria de dragões e montanhas, como se saboreia aqui pão de canela, sereias lidas.<br />
Retorno ao abrigo (abraço dos minúsculos que se anotam e se materializam). Seu horizonte é a paz da janela cotidiana e sua conquista são os pés fincados no que germina. Evave. Tanto faz se amora tanto faz cabra-cega tanto faz perséfone tanto faz orquídeas. Faz tanto a mulher que se basta faz tanto o outro lado do sorriso faz tanto a vida miragem faz tanto o medo que não há.</p>
<p style="text-align: justify;">Histórias aqui e mapas que moram no sagrado pelo desejo (migrações): é a risada larga é o infinito côncavo e convexo da maçã na cigana que morde sabiamente. E na primavera quente o escafandro é a loucura belíssima duma bacante dum almodóvar duma ariadne. Vamos por mar vamos criança vamos à saga da alegria e do que zeus, não permitindo, nos põe a catar conchas e funduras. Bem como os retornos as ressalvas, bem como a origem longínqua é a própria pista — pai e sensação de pai, traço e sensação de traço, centro cascalho e contrassenso.<br />
Poemas que se espraiam no dulçor duma matéria que revela a largura da vida. Há uma flor no abismo, falando da hora em que se nasce, nos guia à medida do sol acordado (e neblina e flamboyant florido e tanto mais disso). Livro feito a própria flor dourada e feito como tem que ser a vida. Jogo. Luto. Lembrança. Tango. Uma transcrição da delicadeza das ervas ao relento e sim o oceano inteiro das pérolas e dos não mais mistérios. Ler esse livro iguala a recolher vozes olhos línguas e a palavra estrela.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>LUCI COLLIN <span style="color: #ffffff;">Helena Arruda</span></strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>O aplauso partido ao meio</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-aplauso-partido-ao-meio</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Jan 2022 17:32:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">No primeiro dos dias percebo que o Ar me pertence: quando for assim o mundo, convergirão todos os tempos, extinta será a densidade, pesarão o mesmo os corpos alados dos aviões e o corpo açoitado de cristo que sentiu dor como nunca sentiste. Deste lado, unimo-nos por uma das mais antigas experiências: a dor. Conjurem-se todos os velhos espíritos para purgá-la e fazer nascer um novo homem</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“Detenho-me para sempre na terra perdida, no tempo ausente, no funeral eternamente encenado porque nunca existiu”. Nos poemas e no conto que compõem o livro O aplauso partido ao meio, Luciana Ferreira nos faz prestar atenção ao tempo. De que é feito o agora? Resta algo além da repetição? São perguntas inspiradas em Walter Benjamin, um filósofo que desconfiava do estilo de escrita dos filósofos tradicionais e que ficou conhecido por ter nos contado que o anjo da história está de costas para o futuro, olha para o passado e enxerga ruínas.<br />
No livro, a leitora e o leitor reconhecerão o tempo como um ritmo que nos move entre uma e outra perda. No começo, um poema sobre uma fila: ela enxerga somente as costas de todos que aguardam a chegada no cemitério, mas continua lá, como se fosse uma fotografia. Outro poema, agora sobre um ídolo que apesar de morto continua sendo amado em seus filmes. A coruja branca que aparecerá depois não é como o ídolo, já que rejeita a fotografia — será que a coruja pode nos ajudar a compreender alguma coisa sobre tempo? Após o ídolo, mas antes coruja, um poema sobre uma terrível paixão que, felizmente, ajudou a transformá-la em uma velha. Agora outro, sobre o ritmo ele mesmo, uma batida no peito que irrompe: um em um minuto; um dois, um dois. Quase no fim, um conto sobre o amor e sobre o tempo insuportavelmente lento de quem pressente sua perda. Perda do outro ou de si? Resta o relato e o estilo de Luciana Ferreira.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MARIANA PIMENTEL FISCHER PACHECO</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Metábole</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Dec 2021 22:52:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[no meio da tarde úmida
escrever a palavra onde tudo cabe
a política dos segundos
a dança do mundo
a memória de enamorados
que antes
nem se sabiam

— salivar a folha, suas estrias.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>Do outro lado da Ilha, orquestra e sonhos</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Aviso aos leitores: não se iludam com a metáfora do título deste livro, por mais que metábole no dicionário seja o que consiste na repetição de palavras já ditas, mesmo que se altere a ordem, não acreditem no trocadilho. Adriana disse uma vez que a poesia é um sopro, e esse sopro é o que encontraremos aqui, uma poesia potente habitando página por página, porque, talvez, seja a poesia esse vento capaz de arejar tudo que parece uma incongruência sem limites, mesmo se dita de outras formas, ou, como diria Wislawa Szymborska, prefiramos o absurdo de escrever poemas ao absurdo de não escrever poemas.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Metábole</em> parece ser o testemunho poético de uma mulher que chegou aos 40 anos com cicatrizes de guerra, carregando um filho e com uma profunda compreensão do estado de melancolia que encontramos quando estamos sozinhos. É o fragmento de uma travessia: há um mar, certamente. Um rio. Uma ponte. Um mangue. Apesar dos caminhos, um passeio fraturado. Um dia, Adriana avistou o outro lado da Ilha, lançou-se e disse adeus. Seguiu na direção de sonhos, de uma orquestra e suas melodias. Do lado de lá encontrou o paraíso, apesar dos terremotos, dos escombros, das despedidas, porque ainda há a memória em sua áurea de quietude. Ficamos sem saber com certeza se nos deparamos com um desejo, um pensamento ou uma descrição. Porque as perdas, o tempo, a saudade estão presentes, às vezes na água, no mineral, em bichos. É tudo muito orgânico. Sensorial. Como o cotidiano nosso de cada dia.</p>
<p style="text-align: justify;">O tempo inteiro Adriana olha curiosa para muito longe e continua na sua travessia, porque nós simplesmente acreditamos e continuamos. Por varandas. Por casas. Por livros. Duetos. Acreditamos no equilíbrio e no caos. E com a poesia tudo caminha pelo diferente, nos mudamos de cidade com outros corpos e sons — ou a ausência deles —, seus próprios rios, suas próprias pontes — das quais podemos pular em águas turvas ou claras. Com a poesia podemos dizer por outros caminhos a solidão, a vida com suas mutilações, seus cortes bruscos, e Adriana nos coloca com seu <em>Metábole</em> diante da finitude, dos confrontos e das dificuldades de se viver aqui e agora.</p>
<p><strong>Franck Santos, do lado de cá da Ilha</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Jukebox</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Dec 2021 22:00:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[os joelhos e os pés
estão para a sereia
assim como o amor
para os que estão sozinhos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>No pé de orelha a entoar um dizer tão desnecessário,<br />
quando o importante é a poesia do poeta</strong></p>
<p><strong> </strong>Bem que poderia cantarolar, com as bênçãos de Torquato Neto e Gilberto Gil, em uma jukebox, bem particular, que “um poeta desfolha a bandeira” e uma grande viagem de aventuras, desventuras “se inicia”.</p>
<p>Ou&#8230;</p>
<p>Bem que poderia, quem sabe, dizer, em sons amorosos, como um Otto, em letras de canto, que o poeta, em escancaro de alma, ressoa de sua jukebox, que “certa manhã acordei de sonhos tranquilos”.</p>
<p>Eis micropartículas do poeta que nos povoa com seus sons cativantes, nos provoca em ruídos tão necessários e, em barulhos da alma, se põe nu. Enigmaticamente desnudo, a provocar seu/sua ouvinte/leitor(a) com versos precisos, cirurgicamente pontuados por um caminho de mesa a tecer encanto, espanto em tão singelas e preciosas palavras tecidas.</p>
<p>Que fazem os poetas com seus/suas incautos(as) leitores(as)?! Que potência de perversidade resiste em um gesto de carinho?</p>
<p>No recanto de cada um que lê, ouve, balbucia, ecoa uma cumplicidade frente aos amores conquistados, outros possuídos e uns tantos perdidos. Um respirar de um viver, que a poesia de Julio Pires, como profano alento, e no silêncio do silêncio, que só na poesia habita, repercute um cirandar de referências. No reconhecimento e desconhecimento de tantas vozes ditas o(a) leitor(a)/ouvinte, como um hitchcokiano ser, se redobra no prazer das descobertas e nos infindos preciosos desrevelar do já sabido. Reinventados e aquecidos, dos/nus tempos&#8230;</p>
<p>Somos, assim, habitados no titular, em verso primeiro de alguns poemas, o anúncio de possíveis chegadas. Condensação de tantos ditos milimetricamente tocados. Para, em um após seguido, no término do término de outros poemas, em solitário verso, a titulação do já tão bem dito e nas aves, marias, cheias de tantas graças, atravessamos e somos atravessados pelas experiências poéticas tão necessárias para o seu dizer dos/nus espaços&#8230;</p>
<p>O poeta diz de um romance que poderia ser escrito e em cada canto um capítulo a se esboçar, a se desmontar em uma poética que (des)romanceia a experiência do existir dos/nus bichos e outras ratazanas&#8230;</p>
<p>O que há de pedir mais? Tão somente o encanto de continuar a ler, a testemunhar e partilhar o prazer de ser embalado pelos versos do poeta.</p>
<p>No mais&#8230; sei eu de mim, talvez diria o poeta que em Julio Pires se faz.</p>
<p><strong>Gilberto Freire de Santana</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Profecias</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Dec 2021 21:36:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[gozar
e mais nada!
a chuva cai
a música acaba
o universo sobre o próprio cu gira
e nem as lembranças ficam
etc.

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Nestes tempos incertos de temor, de uma dor fantasma que corrói nossas almas, ora rolando entre abismos e ora em delírios, onde o nunca é sempre distante, ainda assim existe poesia, que nos impressiona por sua capacidade de nos fazer ver mais, de percorrer por caminhos de uma razão quase enlouquecida de tantos percursos e desvios até a sublime síntese dos contrários. Sua consciência filosófica é apolínea, filha de mil livros, pai de mil filósofos, e a intuição criadora é dionisíaca, filha da liberdade, dos excessos e prazeres da loucura do dia a dia, esse é Felipe Luiz Guma.</p>
<p style="text-align: justify;">Poeta e filósofo do nosso tempo, que tenciona seu ser rebelde em ritmo dinâmico e contestador, com apenas um dos seus versos nos tira do abismo mundano e inconsciente da miséria de nossas vidas, constrói imagens críticas e sarcásticas da nossa selvagem sociedade capitalista.</p>
<p style="text-align: justify;">Felipe Luiz Guma é um poeta ao mesmo tempo “maldito” e “maravilhoso”, companheiro da poesia de Maiakóvski, amigo de Brecht, irmão de excessos de Allen Ginsberg e herdeiro dos antigos gregos, como Anacreonte e Safo. É maldito pois se coloca no lado dos explorados e injustiçados do mundo, sendo sua poesia armas da reflexão e bombas ante seus inimigos, e maravilhoso por nos revelar seu inconsciente poético, o erotismo e amor pela justiça e liberdade.</p>
<p style="text-align: justify;">“Guma” é o poeta que seremos, e nós somos o poeta que ele já foi, pois se entrega à poesia sem arrependimentos, ganhando assim um feliz viver e morrer sem medos, não se rendendo aos donos do mundo. Sua única culpa é deixar o coração fazer as perguntas e procurar as respostas no cérebro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>E<strong>duardo Facirolli</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Casa 11, telefone 09</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Dec 2021 01:13:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[o fim das coisas parece
mesmo ser
como um rio
que sempre termina onde
começa
outro rio (ou mar)
tudo parece recomeçar

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A BELEZA DA FINITUDE</p>
<p style="text-align: justify;">Há semanas leio e releio, a altas horas da noite quando, enfim, posso estar realmente só, esta coletânea de poemas (ou é um romance? pergunto) de Nydia, minha “poeta de cabeceira”. Depois mergulho no silêncio e rumino seus versos que, assim, se tornam meus. No último ano, tornei-me a mais velha de minha família, dos dois lados, e em minha memória falta espaço para dados recentes, enquanto tanta coisa que parecia esquecida me volta, em forma de infância reinventada, aqui também <em>a menina que mora no meu porta-retratos, sorri (&#8230;) ela nem sabe do tempo que vai passar, </em>e as mulheres que me ensinaram tanto voltam em forma de lendas. Tudo isso pede para ser escrito. Não sei se serei ainda capaz de escrevê-las, mas, se eu não puder, leiam e releiam estes poemas de Nydia, que aqui está o essencial.</p>
<p><strong>Maria Valéria Rezende</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>No coração do escorpião mora o perigo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/no-coracao-do-escorpiao-mora-o-perigo</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Dec 2021 01:00:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Talvez voar seja o mesmo que cair
e o salto aconteça no instante em que se atinge
o cume da queda.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Ainda durante esse olhar, em seu corpo, um mundo — ou um livro — já está em gestação.<br />
As palavras chegam ao papel assim como em um diário, ainda com a quentura do corpo. Por isso elas nos parecem tão vivas e tão íntimas. Neste belo livro de poesias, a autora nos proporciona a sensação de estarmos em movimento com ela, tentando capturar os instantes. No percurso visitamos lugares: pontes, casas, redes, travesseiros, salas, abismos e corações.<br />
Nós, leitores, seguimos as pistas na velocidade de nossa respiração. Aliás, por traçar diferentes disposições para as palavras, Renata nos indica ritmos e, por que não, melodias.<br />
Pausas.<br />
São as pequenas revoluções que valem mais.<br />
No coração do escorpião mora o perigo me deixou em estado de alerta, lembrando-me, a cada momento, de que viver é perigoso. Ao dobrar uma curva, não sabemos se será terreno plano ou um abismo que nos aguarda. Saltar voo deles é uma pequena revolução. Ficar de pé na beira também. A mesma disposição é necessária, seja para voar ou para cair.<br />
Renata Froan consegue expressar em pequenas sentenças uma infinidade de ideias e emoções, por isso é muito tentador fazer citações do seu texto. Entretanto, não estragarei as surpresas de vocês ao se emaranharem nesse novelo de 33 poemas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Zéis</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O cólera a febre</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Dec 2021 18:39:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">Na beirada da minha cabaça de silêncio
onde trepam as muriçocas – abana
a asinha de Akhmátova
já sem carne para a morte
as costelinhas destroçadas da andorinha
na fina sombra do poste
peito colado no chão
sangue de grude no asfalto quente
- gorjeia</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Não sei o quanto vale o escalpo dum poeta no mercado negro, dum poeta sincero, encarnado até o ponto da desgraça. Renan Porto chegou até mim bem despretensioso. “Mais um poeta”, pensei. Queria publicar na R.Nott Magazine. Saiu, oras!</p>
<p style="text-align: justify;">E eu não sou do tipo que pede recato. Como acontece quando leio grandes poetas, “como pode sentir tanto?” era o que pensava. Lembro da angústia que senti ao passar o olho pela primeira vez em “todo mundo tem direito de não amar quem lhe ama e sem dolo e maltrato lhe causar o sofrer.” Cretino, me fez sofrer na hora. Era um bom poeta.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais que isso, Renan possui a qualidade definitiva que, para mim, define todo e qualquer bom artista. Ele não é covarde – e em vossas mãos está o livro que o prova. Seja no contra-adacemicista “fulano de tal fodão referência forte”, seja na morte nunca ocorrida sob a pseudo-bomba ‘Estação Maracanã’, seja nos sapos do Rio Doce, seja no coito de toda uma raça; inda assim topamos com seus decas e com seus dodecassílabos disfarçados na violência-prisão-de-ventre, com neologismos e pontuações sousandradinas que entram ponto a ponto na “carne que malha a ideia com a vontade”; também com a “porra fria derramada no lençol” ou com o “fulano que não libera a bosta do cu”. Como talvez tenha dito o poeta português em algum dos seus rabiscos: “não há normas.”</p>
<p style="text-align: justify;">E sem alimentar normas, Renan Porto é um poeta sério – mais sério do que eu jamais seria – e de temas graves. E de temas sinceros. Embora seu livro esteja dividido em três partes + uma valiosa introdução, não me levei por divisões temáticas poetoteóricoideológicas. Tudo se amarra e não importa em que ordem ou direção. Tudo o que eu vi foi carne; tudo o que eu vi foi gozo; tudo o que eu vi foi fome. Tudo é tão cólera quanto febre.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu diria, mais do que completamente-sinceramente, que o parágrafo que abre o poema “15”, na segunda parte do livro, chamada Veneta&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Bom, esse parágrafo é um texto que eu gostaria muito de ter escrito.</p>
<p style="text-align: justify;">Renan é realmente um bom poeta. Seu escalpo deve valer muito no mercado negro.</p>
<p style="text-align: justify;">E se for pra não valer, que não valha absolutamente nada.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Vinicius Ferreira Barth</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Teneba raíz</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Nov 2021 15:38:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Pelas minhas andanças
Caí lá na comunidade
Sambei, ri, cantei
E aprendi sobre ancestralidade
Algo que eu não sabia antes
Dar valor de verdade]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Me chamo Mariana<br />
Sou nordestina, do sertão<br />
Sou baiana, teneba<br />
Arretada, pé no chão<br />
Pois assunte e anote<br />
As rimas do meu mote<br />
E as guardem no coração</p>
<p>De longe, mas tão perto<br />
Eu vou lhes contar<br />
O que me trouxe até aqui<br />
E o que me faz continuar<br />
Deixo de lado a vaidade<br />
Conecto com a ancestralidade<br />
Para meu cordel declamar</p>
<p>Vou falar um pouco<br />
Sobre minhas encruzilhadas<br />
Das pessoas e lugares que conheci<br />
Na qual fiquei encantada<br />
Com os causos contados<br />
Risada para todos os lados<br />
Que merece ser compartilhada</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
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		<title>Errando</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/errando</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Nov 2021 14:50:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[gaivotas
entrando dentro de casa
no seu canto memoriado
não porque haja no mar tempestade
mas porque é Porto
meu
afinal sempre meu
e contendo toda a minha idade.

&#160;

<strong> </strong>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Tudo começa então no somatismo das vidas, de umas com as outras. O choque entre tudo, desastroso e simbiótico, é constante. Nos desenhos textuais de <em>Errando,</em> nas divagações telúricas urbanas, entre exterior e interior, em proximidade e distância, xs protagonistas, para Miguel Oliva Teles, são as sensações de tristeza e prazer, melancolia e nostalgia, as saudades ou desejos que invadem os corpos, que os habitam e que são meras estratégias arraigadas para a energia sobreviver ao que quer que seja; os percursos, muitos, de um dia que correu mal ao caos doce do passado no presente, No ritmo melado de quem tem sítio nenhum para chegar, as sensações neste livro-vida pousam em tudo, atravessam tudo, okupam tudo.</p>
<p><em>Errando</em> de Miguel Oliva Teles é o livro que conhecemos sem conhecer, a língua que dobra a língua, a energia do amor totó, futuro ou ancestral, o presente como multiplicidade, o desqualificado como valor. Um livro que atravessa tudo e todxs, e com o qual</p>
<p><em>os olhos descansam, viajam </em><br />
<em>e fica só o coração</em><br />
<em>batente</em></p>
<p><em>Errar é uma sorte.</em></p>
<p><strong>André e. Teodósio</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Andar barato</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/andar-barato</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Nov 2021 17:41:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ficaria assim
desnuda refém recém nascida
uma baby sem malícia
impressionável
um revólver apontado
querendo mais]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Andar barato</em> é um livro da nossa aventura.</p>
<p>O percurso de um pensamento em três partes.</p>
<p>O seu percurso em muitas noites, nos dias ou em cada um dos versos que formam o poema inteiro.</p>
<p>E como é certo das aventuras, a cada vez se busca outra estrada, mas sempre a mesma aventura vertiginosa e insinuante, aprisionada no veio de uma língua, no campo estreito e, contraditoriamente, libertador que é o caminho com a palavra, sozinha em casa, andando na rua, ou se tem um namorado.</p>
<p>Então, com os leitores, mostrando, sai muitas vezes e volta pra casa, sai e volta pra mesma noite, a noite barata, não a noite mítica. Mas no seu modo especial de voltar a ver a rua ou no seu modo de olhar pro espelho do banheiro em casa, que é sempre um modo de ir à volta e de voltar, dar voltas, volta, volta e revoltar, outra vez.</p>
<p>É um livro que vai mandando ver sempre de novo nessas aventuras urbanas e domésticas de ir e voltar, de revolutear, de voejar. Quase um diário da noite no seu esvoaçar de passarinho, de pensamento preso na palavra, vai mandando ver que há um homem que quer ter um filho, um outro que tem acatisia,</p>
<p>aquele maluco te olha estranho uma, duas, três vezes</p>
<p>modernos os homens ainda brigam por uma mulher</p>
<p>agora sou cowboy vingo a morte do meu pai</p>
<p>um playboy anônimo</p>
<p>em três noites me conheceu</p>
<p>melhor que qualquer santo</p>
<p>ou poema</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Também diria, todos se fodam. Mas isso, desse jeito, agora, digo eu, o que andar barato diz de outro modo:</p>
<p>é que</p>
<p>deixei meu amante</p>
<p>para viver com haldol</p>
<p>fenergan e gritos</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Assim, nesse fundo onde passeamos com andar barato, nas questões onde se coloca, na sua superfície cheio de amor e ódio, no seu jeito de ver, na sua ironia, que é também um jeito de ver a si mesmo, desde a superfície ao fundo, damos juntos as suas voltas e também com ele voltamos onde não queremos voltar:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&#8230; e, nesse momento</p>
<p>então é preciso alguma coisa</p>
<p>que não seja voltar</p>
<p>aos filtros brancos</p>
<p>àquele bar, àquela noite</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>que agora se volta para</p>
<p>as conversas privadas</p>
<p>sobre escritos políticos</p>
<p>sobre militares enquanto</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>assistem a golpes na</p>
<p>televisão</p>
<p><strong>Luís Capucho</strong>,<br />
compositor, escritor, cantor e violonista</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Cosmos e casas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/cosmos-e-casas</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Nov 2021 17:04:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[sendo o coração pedra,
estrutura regular poliédrica, cuja morfologia
move em constante vocação hialoide,
o embuste do silêncio incide

<strong> </strong>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Cosmos e Casas</em> é o livro de estreia de uma poeta que pressentimos vir de há muito constelando vozes, e que logo de entrada, “sendo que amor e palavra alinham distâncias,” assume o ofício de fiar versos para constituir e cruzar corpos, para correr riscos, para descobrir (mas não colonizar) o eu, para ligar e se alterar. Daí também, desde o início, a assunção da aventura do amor, desafio e metamorfose no outro pela palavra, a reivindicação e dádiva de uma encarnação: “sou teu corpo / dito / génese.” Transmutando-se, prossegue-se pela aliteração e pela invenção das imagens, por guinadas de sintaxe e dobras de morfologia (por exemplo adjetivos a agirem como verbos). As associações não surgem meramente por contiguidade mas por ondulações e feixes, procurando ramificados desenhos, mais amplos e melhores prolongamentos, a desfazer convenções e espartilhos, a pretender uma compreensão do cosmos à margem da discriminação do logos: “Em vez de ciência crua quero tratados alquímicos pura magia tudo o que existe e se conquista pelo sono ou se expande no segredo da meditação”. Não que se rejeite o que revela o conhecimento científico, antes se valoriza o seu abalar do sólido, o desfazer da ilusão de ser fixo o solo: “a crosta afinal terreno / móbil resvaladiço içando fraca barreira / ao avanço líquido”.<br />
Crente na emergência a partir do movimento, esta poesia evita dualismos, e, imbuída de uma ironia capaz de matizar acusações, não se demora na mera contraposição. Se “Madame Bovary” ou “Princesa de Clèves” lamentam a tipificação literária da mulher dividida entre a liberdade passional e a circunscrição social, nestes textos vai-se descobrindo um feminino lírico capaz de se reinventar, de se multiplicar, inclusive de alargar o sentido da maternidade além da biologia, da família ou da genealogia – a um fazer da comunidade, ao evento generativo do poema: “a palavra cantante / o verbo ardente / muro vivo do poema / corpo sílaba / sangue” . Por outro lado, se há em certos textos revisionismo literário, há, acima de tudo, restauração: dos textos e ritos sagrados em que a palavra é corpo e profecia, em que poesia é oração e êxtase, de uma tradição espiritual herética e erótica, evocando o “Cântico dos Cânticos” ou o misticismo desejante do andaluz Al Mut’Amid, bem como legados de sabedoria e visões sagradas do Oriente. Comparecem ainda a música e uma memória moldada pelas artes visuais (“imagem treme tangente tragando resquícios por ela conduzo”), e celebra-se, pelo saber dos sentidos, enfim, a união dos corpos como ascese caleidoscópica a mais vastos planos, de que a palavra é inscrição, gesto de mistura e desvendamento: ou “as mãos entrando na pele / até outro reino onde somos um no outro.”</p>
<p><strong>Margarida Vale de Gato</strong></p>
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		<title>O rescaldo dessa casa sou eu</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Nov 2021 11:46:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Na porta,
o seu adeus maternal em volta de um azul forte
e com um laço malfeito
a cingir tudo o que a parede deixava vazar.
Há sempre algo a ser dito nos espaços.
Mas, na sua boca, só há palavras trêmulas
de um frio para o qual a lã já não significa estadia.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“A casa que contém todas as coisas” é uma frase que Virginia Woolf coloca na boca de uma de suas personagens, em <em>As ondas</em>, sendo, aqui, evocada para dar a justa medida ao livro de estreia de Raphael Matos Dourado. Esta casa, mais do que um quadrado de fundação e um triângulo sobre sua estrutura, é a metonímia do próprio poeta desdobrado em muitos cômodos.</p>
<p style="text-align: justify;">Em cada uma das páginas d’<em>O rescaldo da casa sou eu, </em>a intimidade do eu-lírico não é espiada por frestas ou brechas, revela-se, conscienciosamente, como um convite de quem já compreendeu com Raduan Nassar, antes libertando-se do que contrariando o mestre, que o quarto não é inviolável quando se deixa a porta entreaberta para “A palavra irmão, /tatuada na retina”; que o quarto pode, sim, assumir ares plurais quando se internaliza a sentença: “antes de ser dois /é preciso ser sozinho”; que o quarto é mundo e, também, catedral quando se reconhece que “se vive enredado / por centenas de telhados”.</p>
<p style="text-align: justify;">Nessa casa, além da linguagem do afeto abrigada nos cômodos de louvação a nomes e pulsares reconhecíveis e irreconhecíveis ao leitor, há, também, os cômodos de solidão, de áspera lucidez em relação à vida, às coisas e às pessoas; tudo isso em que, também, se empresta o espírito.</p>
<p style="text-align: justify;">Com o pleno domínio da metáfora, do verso lapidar, das imagens ricamente construídas – como só os bons poetas são capazes –, o bardo do “de dentro”, cujo lirismo é capaz de espelhar a realidade, mostra, em cada poema integrante desse livro, que “Há sempre algo a ser dito nos espaços”. São esses espaços de fecunda vida interior, os quais flertam com cenas do cotidiano, que dão sustentação à casa-poesia para abrigar o homem, o tempo e o estar de cada coisa.</p>
<p><strong>Maria Clara Aquino Damasceno</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Manual de aterrissagem em pistas clandestinas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Nov 2021 20:05:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A vida como pupilas dilatadas atrás do vidro da ampulheta
enquanto o tempo passa
descrevo os movimentos ornamentais da areia
e tento ensaiar discursos pré-formatados
com indagações cotidianas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O cheiro de musgo das pedras no litoral agora faz um homem, de cabelo ressecado pelo sol e barba com cheiro de fumaça, desopilar de um passado à margem das possibilidades de controle da própria vida. Histórias como essa formam o livro Manual de aterrissagem em pistas clandestinas, onde aqueles que um dia tiveram sua tranquilidade extinta pela ansiedade e a volúpia dos dias agora parecem desfrutar de uma certa paz.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas os tempos da desordem ainda são reminiscências. Mesmo em meio a uma vida de jantares com “leite de onça”, sentindo o sal do mar grudando na pele, as sensações e histórias das vidas que levavam ainda fazem partes da “psique” dos homens que já atravessaram o Rio Paraguai a nado ou usavam uma câmera para ganhar dinheiro de onanistas do Missouri e Wyoming.</p>
<p style="text-align: justify;">O tempo passa de forma descontínua, assim como os personagens que apenas têm “vida própria” através de pequenos versos que servem como elo para suas existências fazerem sentido, quase como “easter eggs” onde o leitor vai descobrir que não são poemas desordenados, mas que retratam de<br />
forma quase onírica imagens da vida daqueles que deram origem à matéria bruta do livro.<br />
Se os sonhos (e as lembranças que o inconsciente não consegue apagar) são a matéria das estrofes, o cinema é o instrumento dessas melancolias, afetos passados e, também, saudades. As imagens<br />
são retratadas quase como decupagens minuciosas, onde as sombras formadas em paredes de cedro, a marca de meia nas canelas e os dedos besuntados de manteiga Aviação dizem mais que discursos entusiasmados sobre os seus modos de vida. Chega ao ponto de em certos momentos as coisas ocorrerem como um “making off” da escrita, no momento que escreve “quando nossos rostos se materializam em close/ e nossos corpos em long shot.”</p>
<p style="text-align: justify;">Manual de aterrissagem em pistas clandestinas é um livro sobre um passado que ressoa como imagem descontinuada em protagonistas sem nome e nem características físicas, como se realmente tivessem uma vida clandestina, que apenas consegue vir ao mundo através das poesias escritas no livro.</p>
<p class="Standard" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"><strong><span lang="PT-BR">Diego Krominsk</span></strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Vermelho/ruína</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Nov 2021 13:52:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[a sina de quem luta
é ser coroado
com uma boca que não mente
com uma língua afiada.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Recebo com emoção, me sentindo honrada, o convite para “puxar a orelha” do novo livro de poesias da Erlândia, que tenho acompanhado desde algum tempo. Venho gostando desse seu jeito inteiro, por sua capacidade de escrever de forma visceral com todos os sentidos, colocando o corpo a serviço da escrita.</p>
<p style="text-align: justify;">Erlândia em <em>vermelho\ruína</em> traz o vermelho do vinho, do sangue, das paixões, do sofrer e viver em estado de poesia. Ela nos mostra que pode ficar em estado “vermelho”, “ficar por um fio”, com o direito de “causar má impressão” com o “sangue à flor da pele” para que “a escrita fale”, abrindo a “boca com dentes afiados” para poder vomitar e digerir tudo. No “espelho” se autoconhecer, se reconhecer, para se ver e dizer que há muito mais por dentro que por fora, apesar da necessidade de um “vestido” para guardar momentos daquilo que é excesso com a vida em vermelho que foi momento do fora de si, mas que a traz para dentro da palavra.</p>
<p style="text-align: justify;">Em <em>vermelho\ruína</em> Erlândia nos presenteia com esse seu estado permanente de poesia. Como me disse um dia a poeta Alice Ruiz, “ficar em estado de poesia é necessário” para que possamos perceber e alcançar a palavra.</p>
<p style="text-align: justify;">A paixão que sangra nos versos de Erlândia não é ruim, não é dor, é algo bom, é construção da ruína, das pequenas tragédias cotidianas, pois nas “crises” percebe que no vermelho do sangrar pulsa a vida, permitindo “morrer em si mesma”, “entrar e sair de si”, para que no estado de poesia a palavra se faça. Estar dentro de si e fora de si, mas sempre em estado de poesia.</p>
<p style="text-align: justify;">No vermelho Erlândia se mostra, se expõe, e em ruína se constrói, ficando em estado de poesia, dentro e fora de si, se apossando da palavra, da escrita como exercício de arte e mecanismo de luta.</p>
<p><strong>Nilza Menezes</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Lugar comum</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Nov 2021 13:06:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[nada se resolve
nenhum poema
nem as tentativas de dizê-lo
ou de me desviar
de você]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>algumas vezes é preciso </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>cruzar a muralha da china</em></p>
<p style="text-align: right;">Mariana Paim</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Para Milton Santos, cada lugar é um mundo inteiro, a partir da perspectiva de que o espaço gera uma tensão de forças que modifica a paisagem natural, cartográfica e psicossocial e dialoga entre si e para fora. Há entrecruzamento, violência, hibridismo e contágio (palavra tão cinzenta nesses dias, mas que na visão de Deleuze e Guattari ganha uma dimensão de possibilidades e resistência). Um lugar também é feito de vazios que se aproximam, se despem e trilham jornadas diversas, como <em>ilhas</em>, como <em>línguas</em> que, um dia nascidas, e com tanto a dizer, hoje são puro deserto:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>nesse mundo</p>
<p>existem mais de</p>
<p>seis</p>
<p>mil línguas</p>
<p>quantas delas</p>
<p>já morreram e</p>
<p>quantas</p>
<p>possibilidades de</p>
<p>mundo se perderam</p>
<p>com elas</p>
<p>em silêncio</p>
<p>como agora</p>
<p>que sinto</p>
<p>que dentro</p>
<p>de mim</p>
<p>tudo é</p>
<p>ilha</p>
<p>e em você</p>
<p>também</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Pensando nesses espaços, <em>Lugar comum</em>, de Mariana Paim, sustenta um coral de cifras atravessadas pela ausência e por uma beleza longa e delicada, especialmente erótica, de <em>capturar palavras em pleno voo</em>, de sondar o indizível e de pensar no isolamento que nos impõe o instransponível(?) e um novo e confuso imediato:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>só tua</p>
<p>voz na tela</p>
<p>arranhando o vermelho</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nesses lugares, a poeta também trabalha a reinvenção de distâncias, rememorações, perdas, perpetrações tecnológicas e o próprio ofício de alinhavar palavras. Mas, como atesta o título do volume, é o lugar partilhado, e do amor, sob nuances em trânsito, perto-longe, que impera, reinando-conversando sobre todas as outras, relevantes, pontuações, conferindo a tônica do livro e trespassando o olhar da leitura.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Tenho uma noite à minha espera</p>
<p>e nenhum mudo convite</p>
<p>só</p>
<p>à espera</p>
<p>Espera que</p>
<p>em minha cama [nem branca ou limpa]</p>
<p>teu corpo possa</p>
<p>amanhecer</p>
<p>manhãs</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>No livro aqui tateado, seja nas <em>formas breves</em>, seja em textos mais longos, seja, ainda, em feições que dançam sobre a página, ou por meio das <em>googlagens</em>, há uma voz poética firme e consciente de suas trilhas, que passeia por uma lira cotidiana e por fissuras tênues do corpo, cortinas de <em>silêncio</em>, montando um conjunto de poemas que nos tocam e pedem perene passagem, como um mar, cujas águas sempre molham de encanto nossos pés.</p>
<p><strong>Clarissa Macedo</strong></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Como se a gente conseguisse medir o tamanho do escuro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Oct 2021 17:41:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ligo pra minha mãe
aos domingos sei quando ela chega da igreja
é hora do café mas tomo chá
com mel disfarço a voz da noite
passada embriagada
esfumaçada depois dos pesadelos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O escuro não medimos por fita métrica, por palmos, por passos, por computador e, é claro, nunca de olho.<br />
No máximo, caminhamos às cegas à procura, esquecemos o quanto andamos, voltamos atrás, encontramos um obstáculo. A empreitada é inútil. O breu é sempre infinito e não há um parâmetro que diga se acaba cinco centímetros além dos nossos narizes, se dura mais um quilômetro ou se está mesmo no corpo. É esse o espaço investigado neste livro: “os travesseiros não boiam afundam no escuro/é noite de ondas negras/pela fresta água entra pelas veias íntimas do casco”. A tarefa não é só inútil, é também impossível. Mas Constança Guimarães lança a hipótese e escreve com as pálpebras apertadas, como se fosse deparar-se com uma parede a qualquer momento.<br />
Se fosse possível, essa seria uma investigação sobre o susto, sobre o medo, sobre aquilo que arranha, que faz sons insuportáveis ao nosso corpo, sobre o desejo que atinge a beira e se transforma em outra coisa. Se fosse possível medir o tamanho da escuridão, seria uma medida de distância? De volume? De área? Qual a medida correta? Centímetros, pés, palmos, metros, quilômetros, milhas? O terror? Ou os olhos atentos de vidro de um felino noturno?<br />
A escuridão deste livro pode ser a memória, o passado, uma viagem ao fim do mundo, o café preto que se repete, um medo muito grande: “todo dia eu tomo um/às dezenove horas/em ponto risco o passado/marco o novo número”. Pode ser ainda a falta inútil e que cultivada não acaba: “guardo sempre comigo uma caixa/ riscada que nunca/fica vazia”. A cama range, as alegrias são ralas e a madrugada insone termina com o som do cachorro arranhando o papelão. Mas é aí também que uma onça avança, abre as janelas, desafia. A preservar o algodão, prefere deixar as janelas escancaradas. Na dúvida, ocupa a cama inteira e dorme de viés. Esperará o dia do pagamento para sumir de vez. Quem mede o escuro é a mulher, é a mãe que não sabe aonde vai e ainda assim guia, que não se ouve, mas às vezes canta escondida no quintal: “ninguém de nós sabia pra onde/mas a gente ia grudado/nela que ia grudada em nada era o que/a gente pensava/ miúdo calado [&#8230;] a mãe chegou sozinha/onde estamos hoje bem”. É a mulher miúda que o poema nunca ouviu. Quem mede é Constança Guimarães, com voz grande, olhar agudo e uma gargalhada sonora. Quase uma bruxa. Não somos? Mas o leitor pode ler tranquilo. Amanhece. A fissura é escondida. “Lá/onde não há moldura onde eu possa estar/estou”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Eliza Caetano</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Quarentenário &#038; desjejum</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/quarentenario-desjejum</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Oct 2021 20:44:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[De repente,

todos os filmes de guerra,
os livros de Kafka,
os poemas de Bandeira,
as previsões xamânicas,
Carmen Maria Machado,
os discos de fado,
o Decamerão,
os Big Brother Brasis,
amar sua família,
viver em sociedade
a solidariedade
e a solidão

fizeram sentido.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A pandemia de 2020 está se configurando gradativamente como um marcador secular. Ela inaugurou de forma histórica, drástica e efetiva, o século XXI. Nada produzido nesta fratura estará ileso do seu reverberar. Alguns de modo ligeiro, outros nem tanto. Quarentenário, de Lucas Augusto da Silva, expõe a solidão do período, em um diálogo frontal, nos seus conflitos e descobertas, neste que é o segundo livro de poemas do autor.<br />
No início do recolher obrigatório, seus dias, revelados em seu diário de quarentena, se passam entre livros, escritos, filmes e “previsões xamânicas”. Aos poucos, seus versos versam sobre os móveis, a casa, as paredes da casa, tentando se esquivar em metáfora das limitações e tristezas impostas, que a sua “mão pariu”, e que se estabelecem num padrão, cada vez mais distendidas no tempo que, embora anunciado breve, agora parece não chegar ao fim.</p>
<p>Sua escrita ácida ironiza os altos e baixos do isolamento, os amores, os desamores, a sua condiçãoimigrante em Portugal, o Brasil e sua política execrável de abandono. E acaba por cair de boca, numa boca “remediadora de gritos engolidos”, e por adentrar as entranhas das adversidades colecionadas nestes tempos enquanto humanidade.</p>
<p>Escrever para não adoecer, adoecer de pensar-escrever. Quarentenário é um tratado – poético, desorientado e inflamado – que se pretende reorientar através da demarcação dos seus dias de escrita, preenchidas pela coleção (e excessos) de intimidades transparecidas entre nós mesmos e nossos corpos, nossos desejos e medos, nossa família, nossa casa, nossa imaginação, nossa loucura.<br />
Como companheira de arte e de vida, possuo o olhar de uma expectadora privilegiada dos engendros que estas palavras assumem ao longo dos dias de Lucas. Inclusive, nos dias que calam e que faltam, atropeladas por espaços reivindicados pelo silêncio, até um pouco depois de “trinta e um de dezembro de dois mil e vinte”. Silêncio este que nada mais é do que um expoente do cansaço de um ano de 2020 denso, amargo, debochado e caótico. Um ano que ainda perpetuou suas incertezas, insistiu em ignorar a sua passagem, e declarou sua continuidade em 2021. Um ano que não se sabe nem quando, nem como, nem se um dia finalmente terminará. <span style="color: #ffffff;">Lucas Augusto da Silva</span></p>
<p><strong>Samara Azevedo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Enguia-lobo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Oct 2021 17:38:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Sentei-me na cama e, olhos virados para o teto, contemplei-a. Tinha um rosto engraçado, bochechas salientes, olhos enormes, era um urso-peixe. Não por medo, mas pelo inédito, eu estava paralisada. Fiz um grito, não gritei, fiz um aaaaaaaa abdominal e ela grunhiu. Aí eu corri. De um pulo parei na sala, não ousei voltar ao quarto até o fim da tarde, quando ouvi uma espécie de lamúria.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Poesia, prosa, conto, romance? Enguia-Lobo, de Flavia Recabarren de Castro, parece desafiar os gêneros. Seu texto transita livre ao descrever situações, imagens e personagens. Dois personagens: uma inusitada Enguia-Lobo que habita as pás de um ventilador de teto fazendo companhia fiel à narradora no momento em que esta se recupera da perda sua cadela Guloseima. Temos aí o esboço de uma pequena trama centrada na relação que aos poucos vai se estabelecendo entre as duas. Mas o que interessa em Enguia-Lobo está menos no conteúdo de sua história e mais na forma como o texto de Flávia se desenvolve e nos envolve. Descrições de situações domésticas, e dos afazeres do dia a dia, ganham uma dimensão poética. Um exemplo: <em>Uma camisa no chão. Tem os punhos apontados para a porta. Parece desesperada.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Mas eis então que a crônica das situações domésticas encontra o fantástico. As nadadeiras da Enguia-Lobo como asas de uma imaginação que voa. Uma enguia falante, leitora de Machado, bebedora de cerveja (do tipo escura), que curti discos de rock. E ela também tem seus dias de ressaca&#8230; A crônica fantásticas das situações comuns. O comum das situações fantásticas. Tem vezes que tudo se mistura. E a lógica da Enguia é a que faz mesmo mais sentido.</p>
<p style="text-align: justify;">Os vinte e um capítulos que compõem Enguia-Lobo possuem como regra nunca ultrapassar o limite de uma página. Rigorosamente uma página. Às vezes bastam algumas poucas linhas, dando prova de um domínio de síntese da autora. Outro exemplo: <em>Às cinco da manhã de uma quinta-feira eu disse “bom dia”. Ela respondeu com uma voz caricata e rouca “bom dia”. Eu vomitei.</em> Apenas três linhas. Um capítulo, mas poderia ser um miniconto.</p>
<p style="text-align: justify;">Já faz algum tempo quando li pela primeira vez os textos da Flavia. Era uma série de contos curtos misturados com poemas distribuídos em umas cinquenta páginas de um arquivo <em>doc</em>. Alguns dos contos vinham com títulos duplos, outros nem títulos tinham. Mas todos eram marcados por uma originalidade rara, dessas que ilumina e te leva para cima te tirando de qualquer buraco. O texto solto, espaçado nas páginas, uma polifonia de vozes, trocas rápidas de diálogos, festas, danças, relacionamentos turbulentos, os CDs das bandas de rock&#8230; Sim, a época era essa, os CD <em>players</em> alimentavam as festas e as cervejas ainda eram boas&#8230;. Até hoje guardo como um dos arquivos de texto mais preciosos do meu computador. Uma fonte segura de inspiração.</p>
<p style="text-align: justify;">Como primeiro livro, Enguia-Lobo vai aumentar bastante o número de pessoas que terão a chance de conhecer o precioso trabalho da Flavia. Inspiração multiplicada. E isso é só o começo&#8230;</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Sérgio Puccini</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Cordéis que não são</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/cordeis-que-nao-sao</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Oct 2021 17:23:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[de todas as dicotomias

em fase de desconstrução

seja prática-teoria

des-sub-jetivação

ciência-filosofia

os sentidos, a razão

coisas da modernidade

corpo-alma é bem cristão

só não sei se foi escolha

a nossa triste educação]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Como o título já diz, este livro é composto por Cordéis que não são exatamente cordéis. Trata-se de uma mistura entre homenagem e subversão. Morgana Poiesis, nômade sertaneja, nascida em Feira de Santana-BA, conhece as veredas do interior do Nordeste e de outros cantos do Brasil. Mas também é uma cidadã do mundo, atenta aos acontecimentos que reverberam em sua mente e corpo de mulher contemporânea.<br />
Seus poemas em pele de cordéis não estão aqui para enganar ninguém. Não são lobos traiçoeiros. Acima de tudo, respeitama cultura popular, a voz do povo. E tomam emprestada essa voz calejada para dizer o que está engasgado na garganta, o que a rua precisa ouvir a plenos pulmões: abaixo a injustiça, a tirania, a vilania; viva a força do povo, da mulher, da ciência, da poesia. Morgana brinca de roda com seus poemas e nos convida a participar. Ora ela segue o rigor da métrica cordelista, ora a joga para o alto, em versos desembestados. Contudo, as rimas lá se encontram dando um ritmo vertiginoso a palavras que nos calam fundo.<br />
Você encontrará nestas páginas a leitura saborosa de versos urgentes.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ricardo Santos </strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>100 anos da Semana de Arte Moderna de 22</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Oct 2021 17:09:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Após terminar a Semana
Fez um projeto, sem medo
Montar os textos modernistas
No “Teatro de Brinquedo”
Junto com o marido ia
Interior, periferia
Encenando seus enredos

Além de Anita e Di
Vicente Rêgo Monteiro
John Graz, Oswaldo Goeldi
Alberto Martins Ribeiro
E Inácio Costa Ferreira
Eis a cromática feira
Com os pintores brasileiros]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A ARTE DE 22 INSPIRA ZEZÃO</p>
<p style="text-align: justify;">Feira de Santana, 2021</p>
<p style="text-align: justify;">Com o faro de jornalista, Zezão, o poeta, escreveu este Cordel sobre a “Semana de Arte Moderna” que, agora, em 2022, completa 100 anos. Evidencia, assim, que o gênero ganha novo público de estudantes, professores, classe média e intelectuais, visto que o tema não é tão popular no universo de folhetos. Universo esse que o curioso e irrequieto grapiúna José Carlos de Castro Junior está estudando, com foco para o início do Cordel na Bahia, quando houve, dentre outros, o cruzalmense Permínio Lírio e o colega Augusto Ferraluso.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1849, por exemplo, quando o negro Lucas da Feira foi enforcado na Vila de Santana da Feira, houve a motivação para a publicação pioneira (até onde a história alcança) de um cordel no Brasil, o “ABC de Lucas da Feira”. Antes desse, os abecês eram de propagação oral ou manuscritos.</p>
<p style="text-align: justify;">Todavia, este folheto-reportagem de Zezão, com mais de 150 estrofes, segue a tendência atual do gênero, manifestando-se em obras mais grossas e linguagem mais rebuscada, para ser publicada num chamado “Cordelivro”. Por sinal, bom saber que obras assim já interessam editoras e a livrarias. O formato se reinventa, ganhando prefácio, como nas publicações tradicionais e eruditas.</p>
<p style="text-align: justify;">Na década de 1970, em São Paulo, numa iniciativa do poeta Cláudio Willer, comemoramos os 50 anos da Semana no mesmo Theatro Municipal de 22. Na ocasião, declamamos o folheto “Carta dum Pau-de-Arara Apaixonado pra sua Noiva”, com o devido humorismo de cacófatos e a empulhação de duplo sentido.</p>
<p style="text-align: justify;">O certo é que Zezão Castro está se firmando como um dos valores da terra que já deu Cuíca de Santo Amaro, Antonio Teodoro dos Santos, Antonio Alves dos Santos, Minelvino Francisco Silva e o alagoano Rodolfo Coelho Cavalcante, que atuou na Bahia, dentre outros.</p>
<p style="text-align: justify;">Autores modernistas, como Mário de Andrade e Manuel Bandeira, e pós–modernistas, como Jorge Amado, Carlos Drummond, João Cabral e Ariano Suassuna se inspiraram no Cordel como uma base de cultura e seguem, aqui, também, representados.</p>
<p> <strong>Franklin Maxado </strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Fragmentos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Oct 2021 17:00:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Pouco a pouco a lei da selva
Também entrou em vigor
Só os mais fortes sobrevivem
Batatas ao vencedor
Se não quer ser dominado
Seja um dominador.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Quando um poeta logra publicar um trabalho no Brasil — dadas as peculiaridades de nossa nação — já é motivo de alegria, reconhecimento e congratulação. E se esse poeta é um amigo e está socializando e promovendo a tão incrível arte da literatura de cordel, aí chegamos quase a uma condição de êxtase, tamanho o contentamento. Para completar, o amigo em pauta convida nossas humílimas palavras para servirem como a cereja do bolo neste livro tão lindo. Felicidade plena! Indubitavelmente nossa sociedade carece ler mais; e esse hábito precisa estar recheado de prazer e deleite (pelo menos como introdução ao costume). Deste modo, vemos esta obra como um convite ao sedutor caminho do conhecimento pela via literária, sem deixar de lado — no entanto — as informações a respeito do contexto de nossa gente, de expressões do cotidiano, de dores e delícias que nos circunscrevem…<br />
A literatura de cordel é um estilo dos mais populares e lúdicos entre os modos de comunicação que dispomos em nossa vasta condição cultural; ela une o popular e o erudito com uma dinâmica precisa e mar cada pela leveza da simplicidade de cantadores e cantadoras, repentistas e violeiros e violeiras com a técnica apuradíssima da métrica, a sonoridade refinada das rimas e o foco claro das orações; ou seja, demonstra, em escritos valiosos, como este do<br />
querido Márcio Fabiano, o quanto estamos diante de algo tão precioso e salutar.<br />
Versos, ao contrário do que muita gente ainda pensa, não são passatempos e/ou um modo de desabafar tão somente.<br />
A poesia, sobretudo embebida de tantas regras e tamanha disciplina técnica (como é a literatura de cordel), consegue<br />
unir, em um só escopo, a literatura, a música e o contexto; assim sendo, amarra — com identidade sagaz e fulcral, como vemos — os elementos plenos e necessários para agraciar leitores e leitoras com este afago lancinante.<br />
Satisfação, prazer, honra e muito carinho são algumas das marcas que vão embutidas nesta nossa breve fala a respeito de Fragmentos!</p>
<p style="text-align: justify;">Deliciemo-nos!<br />
Viva o cordel!<br />
Avante, poesia!</p>
<p style="text-align: justify;">Que a literatura popular consiga nos seduzir e nos embriagar cada vez mais!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Welsen Almeida Sampaio</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Insta fantasma</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Oct 2021 16:48:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[só que
a teu tio esquizofrênico a velha não
lembrou de dar presentes
e sentiste a angústia no coração dele, a angústia irrecuperável
então lhe deste por compensação
tua caixinha de madeira, foz quadradinha para
pedras de cobalto
e peixes e macaquinhos aquáticos, e araras d’água
a arara d’água é uma alegoria da prostituição
a mosca-da-cerveja é alegoria da prostituição]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Sem aviso prévio, ficamos presos em casa. De uma hora para outra, a rotina mudou, a cidade se esvaziou, o tempo estagnou. Mas não o tempo da poesia. <em>Insta fantasma</em>, de Gabriel Morais Medeiros, é um mergulho no limiar do tempo. Ao longo da coletânea, percorremos desde a capital do Império Asteca, a “Tenochtitlán inexpugnável”, até o “print-screen do zoom”. Da origem do universo em <em>Popol Vuh</em> chegamos igualmente ao “fim do mundo em lives”. A era da internet, porém, tampouco escapa do prazo de validade, como nos adverte o poema: “o colapso dos fóruns/internet dos noventa/morreram há tanto tempo/domínios angelfire, cjb”. No entanto, e o registro das selfies? É possível ludibriar o esquecimento da morte com a captura de um instante passageiro? Num tom provocante, respondem os versos: “variação de epicuro/filtro de selfie/a morte não existe/nem sequer quando morres”.</p>
<p style="text-align: justify;">Se a marca do tempo perpassa a poesia de Gabriel Medeiros, a sobreposição de diferentes imagens também caracteriza a verve criativa do poeta. Numa aproximação atilada, a pandemia é aqui comparada ao submundo da prostituição. Os versos “proibiram/a abertura do câmpus/durante a praga devastadora em tua cidade” vêm logo acompanhados das seguintes estrofes: “geralmente me prostituía nos domingos à noite/nos banheiros subterrâneos, longe/da fiscalização das seguranças inteligentes,/longe dos dispositivos de ronda-/noturna/dos radares sincronizados”. O isolamento tão temido pelas pessoas é a rotina das prostitutas. Em lugares desertos, às escondidas, precisam furtar-se do olhar perscrutador do outro.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa força imagética revela-se ainda em outros tantos momentos da coletânea, como nos versos: “quirguistão/sob bombardeio/intacta a rampa/do drive-thru”. Tema recorrente dos poemas de <em>Insta fantasma</em>, a devastação é colocada diante da realidade do leitor. No cotidiano pandêmico, a internet, antes um refúgio da solidão, apresenta-se como um espaço vazio, onde figuram somente desconhecidos: “amealhar seguidores/te será uma opção/o usuário fantasma/contra o robô, semifinal”. Tal como indicado no título, este livro lidará com fantasmas: o fantasma das cidades desabitadas, do mundo virtual, ou, a cargo da interpretação do leitor, o fantasma de cada sujeito. Todavia, em meio ao caos que nos cerca, a poesia de Gabriel Medeiros oferece uma alternativa. Num dos poemas, o eu lírico sugere: “fã subscrito/ganhei o sorteio/para um date com ela/propus ficarmos, não fugirmos”. Fiquemos, leitor, e enfrentemos nossos fantasmas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Thaís Soranzo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Diga aos brancos que não vou</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Oct 2021 00:55:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ouvi um pastor dizer se for
da vontade de deus, não há
facada certa em resposta ao
meu ele não antes da eleição
hoje o messias é presidente
é o vírus, líder negligente]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">No meio do caminho não tinha uma pedra: tinha um homem e sua prepotência. O homem pisou na lua, mas alguns não chegam até a esquina. No <em>pós-guerra</em> toca <em>funk</em> e os meninos assistem o show de cima da <em>jazida</em>. Não é preciso dizer a cor deles. Séculos antes, quando as matas sussurravam, as pequenas viravam <em>sereias</em> &#8211; e não era conversa pra boi dormir. Mas mataram a <em>unidade</em>, e agora o xamã <em>sereno envelhece</em> ao som das serras elétricas. Não captou? Jennifer nos trouxe a chave exata para desatar esses e alguns outros deliciosos nós a vir. Porém, sorrateiramente, a escondeu entre espaços, sons, pontos e letras (eis, pois, o princípio da literatura). Como poucos, ela sabe a justa medida entre a referência e a concepção; doma o famoso antagonismo ficção x realidade de maneira tal que, em sua poesia, esses elementos já não são contrários e sim cúmplices. Versos denunciam uma república violenta, bradam o couro de quem foi calado. A palavra-<em>cicatriz</em> da menina mulher da pele preta estampa a <em>consciência</em> no papel. Este livro diz a todas as mulheres: escute. Lá vem a <em>fênix</em>. E nada é mais essencial à mulher do que renascer no seu próprio ventre. Só então é possível ser, desejar e escrever em <em>henna</em> instruções claras: dedos no lado de dentro, dose as mãos e suba ardentemente. A poeta paraibana voa e manda um recado: <em>diga aos brancos que não vou.</em></p>
<p><strong><em> </em>Naíla Cordeiro</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Onírica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Oct 2021 08:57:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[tony cassanelli [desenhos]

&#160;

&#160;

Onde plantei
Meus ontens
Florescerão
Botões de amanhãs
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q"></div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto"></div>
</div>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Onírica</em> é um espelho do infinito.<br />
Uma obra que reflete a luz e a sombra de uma mulher que se permitiu mergulhar em si mesma e emergiu em poemas.<br />
Cada texto sugere uma experiência de relacionamento com uma arte viva, que transpõe a superfície da ideia de ser e se ver para encarar o âmago das grandes questões de um indivíduo.<br />
Uma viagem sem tempo e espaço que permitiu à palavra ser o alimento do traço.<br />
Poética a revelar as diferentes faces de uma personagem que se veste de histórias embalsamadas na vivência de um ser andante, imigrante e detentor da própria morada.<br />
Composta pela magia do infinito, resgata o amor mais bonito e rasga o véu da ilusão do Narciso.<br />
<em>Onírica</em> é um espelho do infinito no sentido em que nos permite visualizar a amplitude de possibilidades de caminhos internos, não obstante às fases da lua, ora mais clara, outra mais escura, que enche e esvazia as águas das emoções no movimento constante de se recriar a cada ciclo.<br />
Respire fundo e permita-se ser tomado pela magnificência desta viagem onírica.</p>
<p><strong>Nati Valle</strong><br />
escritora e arteterapeuta</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Teimosia e memória</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/teimosia-e-memoria</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Oct 2021 08:46:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[de bruma e faísca surgem os sonhos

que independentemente dos gritos, gemidos e gargalhadas
são mais silenciosos do que a vida.
em encruzilhadas de teimosia e
memória são celebrados os nossos
corações,
mais barulhentos do que o silêncio
formados por camadas de tinta vermelha
que escondem, pouco a pouco,
tudo aquilo que dorme
e segue acordado.

[abro a porta para você entrar]
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q"></div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto"></div>
</div>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A boca abre e fecha, fala e cala, abre as cortinas, anuncia e encerra. Por ela, sussurramos aquilo que com muita dificuldade não gritamos e urramos aquilo que se espalha pelas veias e cerra os punhos (e os olhos) em lágrimas vermelhas.  O mundo que acessamos pela boca, embora muito não tenha gosto, todos sabemos o sabor que tem. Entre o azedo e o doce da saudade, o sal do mar, da pele, das lágrimas, o doce do cafuné, do enjoativo, daquilo que engolimos a contragosto.<br />
<em>Teimosia e memória</em>, é sobre tudo aquilo que degustamos (e desgostamos) em um mar de tons, toques, carícias e carências. Salgar o feijão, entornar o leite e adoçar o café. Os medos e as medidas. Afinal, o homem é o único ser vivo que permanece no sol mesmo quando o couro queima.<br />
Aqui experimentamos o gosto da vida por meio das palavras, como quando sentimos o sabor pelas pontas dos dedos. Daquilo que feito pimenta faz a gente lembrar que o sangue corre (e escorre). É um lembrete de que a vida é movida pelo fogo, não ganha quem apaga, ganha quem se esquenta.</p>
<p><strong>Heloiza Dias</strong><br />
escritora, artista multimídia e redatora</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
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		<title>O amor e outros sufocos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-amor-e-outros-sufocos</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Oct 2021 13:53:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[o amor é sufoco,
enrosco,
desgosto.

amor é inquietação,
engasgo,
recosto.

amor é urgência,
demência,
posto.

o amor é sufoco,
encosto exposto,
suposto imposto,
oposto composto.
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q"></div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto"></div>
</div>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Nós compartilhamos você e entendemos algumas coisas próprias nossas. Escrever lado a lado esta orelha exige duas mãos que tentam se confundir, mas não conseguem porque são duas escutas. Temos que ceder um para o outro o entendimento dos versos. Lemos assim e assado. Para você talvez fique claro nesta “carta de mil linhas” quem é quem. No fim das contas, não importa. Os versos falam para além de nós, de você.</p>
<p>Em O amor e outros sufocos há uma vontade de distrair-se da vida, mas uma tensão sempre atenta para o abismo, para a queda. Você diz para si mesma o querer outra, para a que não foi, quer ser, mas reage e não acredita que pode. Vai em frente. Pensa e duvida, para. Segue. Fala que sim. Não morre na cama. Nunca morreu. Vida, sua vida. Comeu fatias vagarosamente, guarda a com mais recheio para o amanhã. E não há, nunca houve.</p>
<p>Ora parece uma estranha absorvida por algum insignificante já em decomposição. Ligeira, você faz a compostagem de um verso para o outro — excluindo os vícios do século passado, dos homens passados — à luz de si mesma. Cicatrizes permanecem.</p>
<p>Havia uma cicatriz no seu joelho, talvez hoje não haja. Não porque o corpo incorporou, foi expulsão, superação, o corpo é outro. E aquilo tudo que o corpo é volta e meia deixa de ser para além.</p>
<p>Agora estamos aqui, ambos, a escrever sobre o que lemos com o medo da verdade, pela saúde, pela saudade, pelo quase ser que está nas palavras, versos, na angústia de antes, pois sempre é a angústia a motivação primeira, a nossa e a sua.</p>
<p>A angústia e a escrita. É sempre a escrita. Os recados na porta da geladeira antes de viajar, os versos compartilhados, os bilhetes deixados nas semanas mais difíceis de nossas vidas. Os vícios de linguagem, as cartas trocadas que insistimos em mandar pelo correio, provocando o cruzar do oceano, a espera, o tempo fazer efeito, a transformação, quem sabe. O anseio que sentimos ao iniciar cada primeira leitura de cada novo livro seu; tudo que escorre de nós enquanto lemos, acusando: é ela, é nossa mãe.</p>
<p>Em sua “caixa cheia de vida, entupida de pequenas mortes” você consolida cada caminho torto, certo. Ao ler seus sufocos, trocamos nossa solidão pela sua, e concluímos, como traz o poema que abre o livro, “ninguém está preparado para saber do que são feitos os versos de uma poeta”.</p>
<p><strong>Dédallo Neves &amp; Lívia Maria</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Apagar histórias com a língua</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/apagar-historias-com-a-lingua</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Sep 2021 00:06:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">que susto levei ao acordar e perceber que, ali, onde deveriam estar minhas vísceras, órgãos responsáveis pela preservação de substâncias vitais, havia pedaços de pedras. num domingo de outubro, sentia um medo concreto: medo em forma de britas.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Ronie aprendeu a dançar com a literatura. Má professora, ensina o que não devemos dizer. Para a dança contemporânea, se você fala demais, corre o risco de perder a língua, assim como o rapaz da cena final do filme <em>Salò</em>, de Pasolini. Ronie não perdeu a língua; perdeu o emprego, a casa, o sucesso — assim como os poucos que movimentam o universo das artes, um risco ao entretenimento. Virou morador de rua, e o verbo “virar” não representa uma condição: foi Ronie quem decidiu ir para a rua. (Segure seu sorriso enviesado, ele só faz sentido para você). Ronie passeia de um bairro a outro, de uma cidade a outra, de um continente a outro, sozinho. Quem quer fazer companhia para um vagabundo? Em seu corpo agregam-se a sujeira, as bactérias, a visão. Ele vê o que muitos veem e, em voz alta, diz o que muitos não podem dizer “porque têm uma abelha no chapéu ou óleo escondido sob a axila, foram apanhados em flagrante delito, e agora pagam por isto; a liberdade deles está por um fio, estão dispostos a tudo”, disse-lhe outro morador de rua, Milorad Pavić, Ronie me contou. Claro, escrevo esse texto enquanto observo o seu percurso. Estou do outro lado da rua. Tomo distância; a proximidade causa desconforto. E, não, caro benfeitor, isso aqui não é uma metáfora que samba sobre a condição desumana de quem, de fato, vive na rua. Isso aqui não é arte cívica. Isso aqui se chama literatura. No planeta das letras existe também os que têm casa e os que fazem seus trabalhos sobre os que não têm; os que não têm casa e editam seu primeiro livro. Chegou a hora, Ronie é um deles. Seu acervo de experiências leva no título o verbo <em>apagar</em> como o disparador da história. Evidente: quem tem <em>maison</em>, utiliza borracha; quem mora na rua, apaga com a língua. Eis a diferença, caro leitor.</p>
<p style="text-align: justify;">Ronie: Muito obrigado pela apresentação, quero assistir esse filme.</p>
<p style="text-align: justify;">Wagner: Deus te abençoe. Passei mal durante cinco dias. Pasolini disse que esse não era um filme para assistirmos até o fim. <em>Salò</em> o levou até a morte. Mas, você também vai morrer com seu livro. Seja bem-vindo ao clube.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Wagner Schwartz</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Minério de ferro &#8211; 18 contos e uma tradução</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/minerio-de-ferro-18-contos-e-uma-traducao</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Sep 2021 14:41:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Um antigo e certeiro sofrimento paira acima do que restou das minhas vitórias e conquistas, feito um velho monstro que acaba de acordar. Juntando toda a grana que levei depois do golpe que demos ao vender a revista Cerdos &#38; Peces para o filho do dono da fábrica de camisinhas Velo Rosado, abandonei o comando da publicação e viajei até um povoado perdido chamado Mariana.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Um desvario, mas e daí? Vejo o Brasil como um balão desses de propaganda ou daqueles que Escolas de Samba utilizam quando precisam de uma lua alegórica. Gigante, suspenso, lindo, verde, azul e marrom, preso por poucos fios. Balançando no ar e fazendo sombra densa ao pedaço de chão de onde se soltou com asco: terra arrasada, cupinzeiro, pasto seco, espólio de incêndio e miséria, cravejado de grandes varandas gourmet de cem metros quadrados, com seus vidros verdes, shoppings, garagens de <em>crossfit</em>, <em>glocks</em>, leds, becos mijados e torres de telefonia — “neomoinhos de vento”.</p>
<p style="text-align: justify;">O balão guarda em si a essência do que somos e a eleva de nós, em segurança, como quem suspende uma criança diante de um cão raivoso solto na rua. Fica no céu, exposto. A altura permite que seja visto e admirado de muito longe, por muita gente. Poucos fios o sustentam. Muitas mãos corajosas nos poucos fios. As de Flávio, com duas voltas no pulso, estão entre elas.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste seu <em>Minério de ferro</em>, Flávio, com a camisa do Timão de 77, invade a live e arranca da parede, a tapas, a estante de livros-cenário da verborreia pequeno-burguesa dizendo: — Literatura deve ficar no chão. No rés do chão aos pés do povo!</p>
<p style="text-align: justify;">É ali que ele atua feito estaca no peito dos vampiros que tocam o lúgubre projeto de escuridão que traçaram para nossas vidas.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesta estaca, com duas voltas no pulso, os fios que sustentam nossa lucidez, nossa sanidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Douglas Germano</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Umbilical</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 04 Sep 2021 13:58:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[todo dia pego uma rua de sentido proibido. olho
para os lados, procuro a sombra de um guarda de
trânsito, sigo. todo dia prometo:
é a última vez]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Um jeito delicado de nascer</strong></p>
<p><strong> </strong><em>O que nasce em Umbilical, Nathalia? </em>Abrupta, ela recolheu as palavras espalhadas no chão da sala, acalmou o braço da vitrola que narrava a gravidez de Marina e se despediu. “Do outro lado da porta, o tempo dobrou a esquina” ela disse, após seguir o cordão para ver onde ele queria chegar.</p>
<p style="text-align: justify;">Desimpedida, Nathalia Duprat cartografou o próprio eu em processo. Lidou com os vazios e silêncios que interceptaram o movimento corpóreo da linguagem. E ela sabe que palavra não é pensamento. Palavra é a materialização expressiva do pensamento. E ela sabe também que, por meses, habitou a escrita; um lugar onírico de onde nasceram poemas de pernas tortas, repletos de belezas imperfeitas, transitórias e incompletas.</p>
<p style="text-align: justify;">Preparei a casa inúmeras vezes para nossos encontros tão cheios de simbolismos, leituras e estudos até que um dia o poema virou livro e disse basta. Não era justo que ele só existisse em segredo. <em>Umbilical</em> é o nascimento da escritora.</p>
<p style="text-align: justify;">Não tenha medo de começar, Nathalia. Não tenha medo de segurar o livro, leitor. Coloque chá na xícara azul de porcelana e corte o cordão.</p>
<p><strong>Stefanni Marion</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Retratos de ruínas &#038; outros fantasmas comuns</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 04 Sep 2021 13:40:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[&#38; agora
por onde vou
para sempre estou amarrado
às sinfonias dos teus ossos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em 2018, um tremor abalou o bairro do Pinheiro, vizinhança tradicional de Maceió (AL). O Serviço Geológico do Brasil descobriu que as falhas geológicas foram resultado da exploração de sal-gema, feita por uma empresa gigante nacional instalada na cidade. Em acordo bilionário, os moradores que deixaram o local foram indenizados, mas não houve qualquer responsabilização ou punição por transformar quatro bairros em ruas fantasmas, mudando o rumo de cerca de 40 mil vidas. Do pó ao pó num piscar de olhos. Criou-se assim uma imagem apocalíptica, que diz tanto sobre os desmontes do País, quanto sobre uma tessitura de rompimento do que entendemos por Lar.</p>
<p style="text-align: justify;">Em um projeto poético impactado pelas imagens do bairro do Pinheiro e dos recentes desastres sociais e emocionais do Brasil, o livro “Retratos de ruínas &amp; outros fantasmas comuns”, de André Santa Rosa, busca narrar as pequenas políticas de vivermos num país em devastação. Apresentando uma série de 35 poemas, a obra tem como arquitetura, e imagem central, a planta de uma casa assombrada, erguida para projetar a tal sombra no papel. “<em>agora partiremos cada um para/um canto da cidade/os carros vão continuar/passando infinitamente/um dia as crianças aprendem/ a deslizar por entre os desmoronamentos</em>”, escreve no poema “everything &#8216;s in it&#8217;s right place”. Nas páginas que seguem, o leitor encontrará o gesto literário de erguer construções vazias. De vislumbrar despedidas de pessoas, de ideias e de cômodos afetivos.</p>
<p style="text-align: justify;">“Retratos de ruínas &amp; outros fantasmas comuns” é um livro que pensa a banalidade e o sentimento de finitude do mal-estar brasileiro. Bem como descreve o crítico literário Schneider Carpeggiani no posfácio do livro: “Acredito que a poesia dos últimos 10 anos cumpriu o difícil exercício de descrever o mal-estar de viver num Brasil que vai despencando a cada ano, como nenhuma outra arte fez. Um livro de história do Brasil da última década tem de ser também um livro sobre os poemas da última década”.</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Umbuama</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 04 Sep 2021 13:29:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A chuva
Os cílios
Pingos d’água.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A poesia é semente que o poeta lança e o leitor (a)colhe. <em>Umbuama</em> é essa semente que nos chega, causando estranhamento já a partir do próprio título, e está prenhe de imagens e símbolos que revelam a imaginação criativa do poeta Daniel Rodas e sua habilidade em converter tais imagens e símbolos em poesia de indiscutível qualidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Do conjunto de imagens que permeiam <em>Umbuama</em>, há uma predominância daquelas que remetem aos elementos simbólicos da Terra, revelando signos e símbolos de força e repouso, como a imagem da sagrada árvore do sertão de que o poeta se apropria como título para o seu livro e que, no interior de sua obra, assume um caráter cósmico. Não à toa que o livro está dividido em três partes, cada uma das quais recebe o nome de uma figura que representa, em culturas distintas, o mesmo princípio: o da Grande-Mãe.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao subdividir sua obra em “Gaia”, “Parvati” e “Pachamama”, Daniel Rodas está revelando o quanto <em>Umbuama</em> é perpassada pelo princípio feminino e intimista do elemento <em>terra</em>, símbolo maternal daquela que nos dá, mas também nos rouba a vida.  Talvez, por isso, notemos em alguns poemas imagens de uma profunda afetividade para com a vida e com a natureza.</p>
<p style="text-align: justify;">Os poemas de <em>Umbuama</em> assentam-se, portanto, na materialidade das coisas sobre a terra. Não para a simples contemplação da paisagem e de seus elementos materiais, mas como fagulha que impele o sujeito poético a perquirir sobre a geografia mais íntima do Ser e produzir imagens da beleza íntima da matéria que não teme a passagem do tempo, mas o acolhe em seu interior e se molda às suas investidas, como o velho umbuzeiro, que consegue resistir às intempéries e fincar-se soberano sobre a terra.</p>
<p style="text-align: justify;">Daniel Rodas constrói uma poesia minimalista, em que se nota uma herança modernista à la Oswald de Andrade, certo cunho reflexivo que nos remete a poetas como Drummond ou Pessoa e em que há a presença de um humor sutil e de uma fina ironia. Além disso, é também uma poesia que se ressente da perda da integração entre homem e natureza, mas que, talvez por isso mesmo, se coloca como um canto de celebração à vida de que o leitor poderá participar ativamente a cada poema lido, sentido e acolhido como experiência solitária e, ao mesmo tempo, solidária.</p>
<p style="text-align: justify;">Enfim, <em>Umbuama </em>é uma obra que se afigurará como instantes de revelação que podem nos encantar, consolar e inquietar.</p>
<p><strong>Marcelo Medeiros da Silva</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Sei que nada disso é real mas não suportaria a verdade</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/sei-que-nada-disso-e-real-mas-nao-suportaria-a-verdade</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Sep 2021 17:45:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[mesmo que eu não queira pensar em você
é no meio da noite que sinto as tuas mãos
quando quero tocar meu corpo
você invade os meus sonhos
atrapalha tudo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Já ouvimos de outras vozes a navegar nos genes da poética deste país o quanto é sempre, sempre mais difícil ancorar um navio no espaço. É preciso se deixar engolir pelo precário. É preciso mover e ser movediça. A fala, essa sobreposição de vozes ocas no sem fim, ancora os navios guiados pela cartografia do entre. Mapeamento de uma tessitura polifônica entre as realidades, entre os imaginários, entre os gêneros, entre as línguas, entre as danças, entre os corpos, entre os versos, entre as estrofes, entre os títulos, entre os poemas. “Eles não entendem que toda pele é fronteira”, e por isso, há um convite para outrizar-se. Desfazer mundos trilhando caminhos oceânicos: no lodo de dentro, a terra que dá de comer porque tem fome. O desejo prenhe, gesta e aborta: tudo ao mesmo tempo <em>–</em> “desce até o inferno pra depois subir ao céu, caminha horizontalmente sem saber o fim”. É hora de apreciar o balé das incertezas. Você deixa o abismo te olhar nos olhos? Nietzsche em transe. O poema é antes tudo aquilo que não se é: uma psicanálise historiográfica das dores. Há um querer apressado, corrompendo o tempo e reconstituindo a narrativa. O abismo pode ser muito bem um papo de boteco, eu e você no “fim de tarde – troca de mundos – hora em que te deixo para ser o encontro”, encarando o desfalecer das estruturas patriarcais, arcaicas, escorregadias e violentas. Conta-se que havia na China uma mulher belíssima que enlouquecia de amor todos os homens, mas certa vez caiu nas profundezas de um lago e assustou os peixes – a mulher-merluza sabe que chegar “perto da morte vai aumentar as chances de sobreviver”<em>.</em> Ariana, Alfonsina, Lucas, Virginia, Rose, Lilith, Isis, Bruna.  Esses nomes que são vários e os mesmos abrem as fendas da poética, abrem os mundos, abrem as pernas e costuram as feridas. A palavra dissolve a mágoa fincada na história do país que é a nossa própria história<strong><em>.</em></strong> Brune apresenta diálogos no seu íntimo tanto místico quanto mítico e possibilita, assim, o alargamento e alagamento das esferas do sentir. Sua poética traz no silêncio o verbo, o corpo que dança e corta a facadas o corpo do poema disposto a transitar entre seus signos. <em>Sei que nada disso é real mas não suportaria a verdade</em> nos traz a verdadeira realidade daquilo que ancora no espaço: o nosso precário. Afinal, “podemos nos vestir de vários corpos, mas chegará o momento em que será preciso se despir de tudo”. Não perca tempo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Renata Mocelin </strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Requiém ou o sopro de Vênus</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Sep 2021 15:50:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Tantas tantas lágrimas
alheias ao porquê derramadas
Coleção de memórias
que eu não soube viver
Espalho-as na fúria
que o langor aplasta
e por elas me revisto
sonhando com estrelas.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Este <em>Réquiem</em> é dedicado aos seres marinhos e àqueles habituados a profundezas, ou seja, a todos nós leitores e amantes da poesia. Com uma linguagem madura e utilizando de referências consistentes, Íris Ladislau nos apresenta uma poesia completa, um livro como um caminho a ser trilhado e contemplado.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Réquiem ou O sopro de Vênus</em> é dividido em duas partes, primeiro <em>A queda</em>, nos apresenta todas as pequenas batalhas, as mortes por que passamos diariamente, o fim da inocência. Banshee prevê nossa morte, porém esta se mostra uma velha amiga. Afinal: &#8220;sou apenas um grito morto na garganta&#8221;, &#8220;túmulo de palavras e sentimentos&#8221;. A palavra aqui reflete como a súplica e a oração. &#8220;Contemple meu corpo envolto na palavra (…) Me descobre lá dentro&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">A segunda parte, <em>O gozo</em>, prevê um novo momento, uma outra possibilidade nessa trilha que é a vida vivida na profundeza. &#8220;Agora é tempo de nadar&#8221;, e amparada por Sekhmet, Hathor e Bastet aqui a palavra é uma égide: sustentação, auxílio e escudo de uma eu-lírica guerreira, forte e dona de seu corpo (de sua voz). &#8220;Aprendi a nadar&#8221;, &#8220;pois no meu prazer sou eu que mando&#8221;, a parte que completa e contempla &#8220;a força erótica que jaz recôndita em nosso Ser&#8221;. Por fim, encontramos então a harmonia do que ruge e canta, do sol e da lua, da guerra e do amor, entre pele, luz e juba!</p>
<p style="text-align: justify;">Um livro profundo, que diz muito das batalhas e das conquistas femininas; um livro necessário, que fala de íntimo para íntimo; um livro intenso, que nos acompanha na queda para nos mostrar o caminho do gozo.</p>
<p><strong>Ana Cláudia Dias Rufino</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Para ver Peri beijar Ceci</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Sep 2021 15:13:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Atormentava a rua agora, que sabia ela estar absorta em um indo-e-vindo infinito desde não sei quando, adormecida, mas tão viva! Adormecida-morta. Adormecido-vivo.
“CULPA SUA!” (para o Céu do quarto)
“CULPA SUA!” (para a janela)
“E SUA!” (para o pai)</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A história de <em>Para ver Peri beijar Ceci</em> se passa em dois planos, o do real e o da imaginação, que vão se confundir durante todo o livro. A narrativa parte do fantástico, apresentando um primeiro protagonista, o Pombo, que conta a sua tentativa falha de voar após ter sido ferido na Segunda Grande Guerra das Aves, quando serviu na Fauna Aérea Brasileira. Naquele fatídico dia 28, pulou do telhado do prédio onde mantinha seu ninho e, sem conseguir alçar voo, despencou. Depois da queda, Pombo inicia uma jornada de volta para casa, espionando, no caminho, os humanos com quem divide o prédio, um deles o misterioso garoto do terceiro andar. A trama é construída pelas vozes de Pombo, de Paloma, sua companheira, e culmina na do próprio Garoto, que acompanha o leitor até o desfecho, registrando, aqui neste livro, o seu processo de desesperança e enlouquecimento frente às condições políticas e sociais de seu país.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Perpétuo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Sep 2021 13:25:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O meu marido já exumou três corpos.

A mãe
a terceira mulher dele
e um outro, que eu não me lembro.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Exumação. Máscara Mortuária. Inscrição Lapidar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A morte tem um vocabulário próprio.</p>
<p>Como você lia os textos sobre morte?</p>
<p>Como você lê os textos sobre morte agora?</p>
<p>Nós, Agora, Brasil, 2021.</p>
<p style="text-align: justify;">Anos atrás, quando li <em>Perpétuo</em> pela primeira vez ficou comigo a coceira: a imagem de feridas da cabeça que vão se espalhando pela casa, cada ferida uma ideia, se tivessem me perguntado eu teria dito Sim, eu entendo o que é a morte. Mentira.</p>
<p style="text-align: justify;">Agora está tudo diferente. <em>Perpétuo</em>, como a própria morte, está ao mesmo tempo conosco e além de nós. Agora presto atenção nos túmulos, pequenos demais para o tamanho do caixão, penso nos ossos maiores, em corpos dobrados, carne que não cabe. Nosso país não cabe, não existe mais como existia antes, nossos mortos já são muitos, na nossa cabeça, Daniele ecoa uma mensagem que parece vinda direto do subterrâneo: os mortos do país são os mortos da sua família, não existe país, não existe família. Qual é mesmo a identidade do morto? Quem fala e escreve diários em <em>Perpétuo</em>? São vozes de braços amarrados, as pontas dos dedos com sangue, pedindo que não se chame quem está indo, muitas ideias na casa em silêncio. A morte tem um vocabulário próprio, isso Daniele me mostra enquanto junta mistérios, objetos pequenos, restos mortais: todo o espólio. Do que vale o que fica? Na nossa língua existem muitas expressões para evitar o vocabulário da morte, <em>Perpétuo</em> não quer evitar, prefere páginas escuras, números de inscrição, epitáfios. Alguém, apesar de tudo, abre a boca para dizer, não existe romantização, não existe superação, existe sim uma maneira de continuar vivendo. Penso na falta de ar, na tontura, na confusão mental, eu penso nas pessoas que não estarão mais nas fotos: eu quero chorar, mas em vez disso eu me coço.  Depois de <em>Perpétuo</em> eu posso soltar as mãos, encostar os dedos na cabeça, existe a minha cabeça, existe a terra. Me coço e sei que estou aqui com você, Dani, vivas.</p>
<p><strong>Julia Raiz</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Nos teus quadris de parideira</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/nos-teus-quadris-de-parideira</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Sep 2021 14:21:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Não são paetês, não,
eu preguei no teu vestido
um buquê de pirilampos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Belo Horizonte, setembro de 2020.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>À beira-mar, prenunciações alertam tragédias irremediáveis por ligações inesperadas em horários desajustados. À Bahia, porto de início da História, tecla botões incontroláveis, bipes do outro lado da linha e o segredo — costelas precárias partilhadas de um homem milênios vésperas de Cristo não mais se firmam, e, insustentáveis, cobram o preço da fé e proíbem o corpo de pé: faça-te própria de tuas carnadura, mulher. À efígie do incontestável de rezar às imagens sacrossantas, devotar-se a altares com mulheres de seios cobertos, fios disfarçados e lágrimas escarlates da Virgem Maria do México à Itália. Àquelas horas de fulminação, revelou-me o pior: queria perder-se na palavra, e, do verbo, criar-se em carne. Respondi: desconheço ameaça maior à sanidade, tratar à língua a pornografia do corpo de mulher —– indecente parir e erótico amamentar, não diriam? Descobriu não se caber mais em sete letras cabalísticas de Mariana: conceder à poeta a permissão do corpo?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Às páginas, o útero a germinar a brutalidade de letras rabiscadas à mão pela escritora que reúne nas pontas dos dedos a glória de construir-se como poetisa fundamental — descreve-se aqui o que encontrará o leitor às folhas paridas: caracteres gemidos de dor com a hostilidade da substância a amealhar ancestralidade, esculpir-se em raízes de árvores imbricadas à terra (não foram elas, mulheres que primeiro aqui chegaram?). À resposta indissolúvel de indagações seculares, a literata que se apresenta às próximas laudas reverbera: onde é que se encontram nossas radículas de mulher? Lugares por onde são penetrados nossos corpos?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Fatal, ninguém teceria escrituras tão sagradas como ela a nascer e morrer com dores intrínsecas a seios que pedem pela boca da menina: literatura com cheiro de fêmea, prévia de catástrofes, porque, quem, não sendo mulher, poderia dedicar amor que não pela devoção da palavra? Não se esquecer antes de mergulhar à poeta mais doce de Minas Gerais (que aguardem territórios tupiniquins), que aqui não serão fáceis narrações sobre filhos ou cabelos molhados de rio — o inédito de Mariana não cabe no bucólico deixado às caixas, no modernismo inexperiente ou no contemporâneo lançado. Apontaria-a como Adélia Prado e Hilda Hilst do século à espreita, e o livro a abrir-se expõe ameaças irredutíveis da literatura que a invade em noites insones.</p>
<p>Em segredo, a nós: pode haver amor maior que pedir dedicação à orelha? Repetirei-a também na antologia poética de Mariana Cardoso Carvalho, que dista apenas uma ou três décadas de trajetória inadiável.</p>
<p><strong>Lara Alves</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Maratonistas do Quênia</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/maratonistas-do-quenia</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Sep 2021 20:58:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[cê escreve então
escrevo
e escreve qual fita?
depende do dia do sono
boto fé
e tu?
e eu o que?
faz qual quando não tá puxando carroça?
tenho dois trampo tamém]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Poucos dias antes de que o livro fosse entregado pra editora, eu liguei pro Richard e perguntei por que ele queria que eu escrevesse a orelha. Quando me convidou, ele fez menção ao meu trampo no jornal, disse que era político, mas depois que eu li <em>Maratonistas do Quênia</em>, fiquei me perguntando se cabia a uma mina branca arquitetar um textão político pra apresentar um apanhado de poemas que falam tanto de racismo. Ele me respondeu entre suas habituais pausas de cigarro: lembrou que a gente corre junto há mais de uma década; lembrou do dia que acordou cedo pra escrever um poema e eu falei que então era sério, ele era escritor mesmo; lembrou que volta e meia saía da minha casa achando que tinha que esquecer das próprias lutas pra lutar as minhas, mas depois entendia que tamo junto pra caralho. Faz tanto tempo que as nossas narrativas se cruzam que ficaram quase indissociáveis: a história de um também é um pouco a do outro. O nosso lance sempre foi sobre diálogo.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu e o Richard nos conhecemos trampando na mesma rádio – um estudiozinho dois por dois de repartição pública onde cada um tocava um turno por setecentos trocados. Dois bolsistas de faculdade cara tentando bancar a passagem do ônibus. O resto eu investia em roupas de loja de departamento que me garantissem o mínimo de passabilidade. Ainda nutria a ilusão de que podia me misturar; ele nem tentava. Tava sempre meio azedo porque tinha virado a noite fazendo taxa no bar. Eu chegava depois do almoço e não gostava do cheiro de marmita que ele deixava na memória das espumas acústicas. Ele retrucava que cheiro de comida era cheiro bom e se alongava um pouco mais.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Escrevi uma parada. Quer ler? Fecha a porta pra gente ouvir Seu Jorge no talo. Conheci um maluco chamado Gabriel García Márquez.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Se as orelhas servem pra apresentar o escritor e sua obra ao leitor, acho que tô em casa. Existe algo de familiar em apresentar o Richard às pessoas, então abro uma cerveja e me ajeito aqui no meio-fio pra te falar: o livro que você tem em mãos foi escrito nas horas que ousaram chamar de inúteis, por uma pessoa cuja existência é política como são políticas todas as existências sustentadas à marmita de arroz e feijão ao meio-dia. <em>Maratonistas do Quênia</em> é generoso porque dá a letra e não cobra respostas. De uma linha pra outra, é manhã de São Silvestre e você quer saber por que são as pernas pretas que correm mais rápido. Cá entre nós: isso acontece porque, por motivos similares, as sinapses do autor têm a mesma agilidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Jess Carvalho</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Câmera fixa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Sep 2021 20:10:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[eu tenho raiva do tempo que come as coisas do mundo
eu tenho raiva do que ainda não sabe que vai morrer
eu tenho raiva do amor que sei que estou sempre perdendo
eu tenho raiva de quando amo
eu tenho raiva de saber que o amor que eu sinto, eu tenho raiva
de saber que o amor que eu sinto carrega a morte —
do amor, do seu nome, do tempo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Marcela chama o vento e seu acaso e, com ele, compõe seus poemas. Atravessa um método, apresenta outro para, no frame seguinte, nos conduzir à confusão dos sentidos, a outras perguntas. Ainda, versa sobre a arte de empunhar pipas – os giros, o fôlego das repetições, o redemoinho dos retornos. Neste livro, a poesia opera sua força de palavra e silêncio. O pulsar do que não se pode reter, o movimento das “cinco janelas” e, como deixa subentender a poeta em seus versos: o que escrevo agora já é outra coisa. Exceto a câmera e seus registros, as palavras, mesmo cunhadas, não são fixas: “as coisas movediças estão lá”, aqui, avisa Marcela. E o livro quebra a geografia de quem o lê e, enquanto duvida, é livre, vibra. O soltar da linha. “Não há insígnias/ou agulha/que crave o tecido interno”. Imagem-palavra-poema-pipa e seus movimentos ou apenas abrir-se ao morno do vento — os punhos de Marcela na exata tensão, “em outra estreiteza mínima/após longa abertura do obturador”. E depois do morno, rajadas, enquanto a “poeta dependura a frase/antes que ela caia”. Não se atravessa este livro sem se revolver e deixar-se ventar “em ponto de desamparo”. Soltar-se é outro modo de ir na poesia que pulsa, nesta viagem.</p>
<p><strong>Inês Campos</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Memória rã</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Sep 2021 19:52:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[quando nóis constamos no terreno baldio
quando a língua de cá encostou o céu da boca daí
atrás de novidades que você disse que só podemos encontrar
yin espaços vazios só que cheios
no terreno sagrado y escuro
onde mora o coração]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Um dia eu e ísis batíamos um papo sobre as crianças Mbya-Guaranis aprende rem pra mais de 30 nomes dados a diferentes tipos deabelhas. Depois aprofundando um pouco mais, a gente encontra que o povo Kaiabi tem um nome especial pra cada parte do corpo da abelha: da cabeça, passando pelos olhos e mandíbula, até chegar nas asas posterior e anterior e abdomên. ísis se interessa pelas muitas maneiras que se pode chamar os bichos e as suas partes, ela mesma se comunica em diversos níveis com tudo o que está vivo, isso você vai perceber ao ler “Memória Rã”. Talvez você se anime a se sentar no chão e desenhar a palavra Memória e depois a palavra Rã, assistir elas explodirem para lugares diferentes ou darem um salto pra fora da página, incapturáveis.<br />
Este livro veste nomes como se fossem adornos. Substantivos abstratos se confundem com os concretos e riem das classificações. Com ísis reaprendemos a ler com o tato, reaprendemos a sentir com a língua, reaprendemos a nomear<br />
e quando preciso a ficar em silêncio, fazendo download do céu, bêbadas de espirais. Encontramos a nós mesmas, multiposicionadas. Aqui, o cavucar na linguagem lembra um profundo manejo do solo, as palavras pulsam em direção às ligações íntimas. ísis com sua poesia/dança reúne em si mais de um ponto de vista e nos convida a perceber as relações acumuladas nos corpos de nossas avós: sabemos que é tecnologia de ponta o que elas fazem com as mãos. Depois de ler este livro, talvez você sinta vontade de: ouvir Lauryn Hill (des-educação de ísis odara), aprender a língua das sucuris, tirar um sarro de operações gastas entre natureza x cultura, desenhar uma abelha, ou, simplesmente, perceber em tudo o que existe graus de magia e indecifrabilidade.</p>
<p><strong>Julia Raiz. </strong></p>
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		<title>Cada palavra que solto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Sep 2021 18:29:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">mulher na frente do restaurante anuncia no alto-falante: “almoço sem balança, minha gente!”. um amigo me reconhece e me manda um tchau de longe, e eu solto um beijo. um carro antigo passa, e eu fico com vontade de entrar nele. um peixe morto na calçada, fotografei. andei bem devagar pelas pontes, fiquei com vontade de chorar. um rapaz perguntou se eu queria fazer tatuagem.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">&#8220;A poesia é um dos destinos da palavra&#8221;, diz Gaston Bachelard. Mas se depender de Bárbara, a poesia também vai ser o ponto de partida. Não existe chegar, neste livro de estreia. Aqui as palavras correm soltas, caem, mas não caem estáticas para criar raízes. Pelo menos não em um primeiro momento. Elas caem como pequenas sementes, sementes invisíveis, cuja intenção é voar livremente por aí até encontrar a condição ideal para brotar, que pode ser uma dança de coqueiros ou um trio mágico feito de mim, que escrevo esse texto, tu que vai mergulhar neste livro e ela, a poeta que abre portas para nós. Mas abre as portas de quê? Como um devaneio, a poeta desenha um pouco dessa resposta, dizendo: “gosto do cheiro de chuva quando bate no mato. Esse é o aroma que deve existir dentro de mim”. Dentro de Bárbara tem muitas, tem principalmente Babi, essa artista curiosa, errante, em eterno movimento, que se entrega ao ciclo do mundo com uma fome e uma sede, e principalmente, uma coragem que vai inspirar quem chegar nessas páginas. Nas poesias que formam esse belíssimo livro não existe medo de botar os pés nas águas e, por vezes, até se afundar. Um livro brincante, que por vezes lembra Manoel de Barros, com seu quintal maior que o mundo. Bárbara Melo também tem um quintal de onde partem insetos, mangueiras e crianças imaginárias que formam, antes mesmo de existirem, memórias que ficarão por toda a eternidade. Como ela mesma escreve no poema uma ideia de morte, a &#8220;poeira cobre cada fio branco do meu cabelo, estou embaixo da terra e devo voltar no próximo ano&#8221;. A poeta volta e volta, passeia pelo Recife, pelo Largo do Machado, mas é na sua casa, no seu jardim, vendo insetos se debatendo na janela, que ela condensa todas e tudo que ela é. Suas palavras bailam, entregam-se em poemas que saltam e abraçam e saltam novamente, dela para nós, de nós para o mundo. &#8220;A escrita revela minhas muitas vontades de ser outra pessoa. Mundos que posso habitar sem nunca ter ido, visto, tocado e vestido”. E enquanto Bárbara sacia seu desejo de pluralidade, nós, leitores desses poemas, embarcamos com ela nesse mar formado por todas as palavras que ela, livre e bravamente, soltou.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Marília Valengo</strong></p>
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		<title>Sou a pronúncia do teu nome</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Aug 2021 00:09:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Dormi, finalmente. Sonhei que
o diabo me dizia: estamos apar
tados da graça divina. Deve ser
verdade. Tem de ser verdade.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Com os versos e as palavras em medidas próprias, como em “sou dos caetés”, ou em “minha língua/brotando raios da/silibrina; pa/dres cíceros e/cangaços”, ou ainda em “calangos e mandacarus”, e até em “tenho que acreditar que ainda sou a pronúncia de meu nome…”, é sob o signo da palavra poética que este Poeta se escreve e se apresenta ao leitor. Assim, numa premeditada construção textual, Thiago Medeiros promove revelação imagética de um mundo em aguda transição e dá o testemunho de seu tempo. Na poesia, tecida com interstícios vernaculares, com entreatos delineados nos versos e com a intermitência do fôlego que resvala na voz, em tudo se revela a dúvida que paira sobre o Ser; sobre a angústia do lugar e do tempo dos entes e das coisas na esfera do real imediato: De tudo se extrai o espasmo na digestão das cenas que se entrecortam no aluir do efêmero. Neste livro, o poeta se coloca diante do abismo: recorrer à linguagem para traduzir a crueza e o absurdo do real. Resistir ao abismo é o que o move: sua voz poética conjuga a sobrevida diante das distopias que saltam do anteparo das sombras para vingar à luz das cotidianas horas. Poema a poema, o autor faz o traçado de sua saga percorrendo os labirintos de uma realidade aparente. Mas é nos desvãos da palavra herege que não se rende às demarcações de nenhum reinado e nos paralelos, em que a esquizofrenia das artes faz sua morada, que o Poeta afirma e reafirma sua voz poética. Este livro nos convida à respiração e nos desafia à inspiração: seguir e prosseguir nesse chão de rarefeito ar que se funde ao tempo interdito pela espera e pelas ausências. No caminhar desse chão “talvez não/possamos/morrer/de fome/se afinal/sobra/ tanta/carne/das nossas/certezas/ sem nome”.</p>
<p style="text-align: justify;">Bom fôlego à leitura.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Um grifo-pedrês</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Aug 2021 13:31:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Um grifo-pedrês
sugado pela turbina dum avião,
que voava entre o Quênia e a Itália.

Uma vida decorosa interrompida.

Com a sua envergadura e força,
o ingênuo abutre arrasou a turbina inteira,
desequilibrou a aeronave,
assustando a pequena burguesia passageira.

O piloto, diligente e bem remediado,
conseguiu pousar na Etiópia.

Triste fim teve o guardião das alturas,
destes que também comem carniça.

Jovem, porém, já numa enorme existência,
sobejamente corpulenta.

Magnificente criatura.
Ávida, arrebatada e sonora.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Há palavras no universo de uma língua que estão vivas a muitíssimos anos luz daqui. Há outras que, nesse mesmo tempo, são como um sol estonteado ou firme na via láctea e fazendo nossos dias. Há palavras-lua dos planetas, palavras-mar vivo da terra, palavras-passarinhos voando aqui perto, palavras-estrelas parangolando o céu da noite da cidade. Todas inteiras e vibrantes em cada tamanho e distância.<br />
No mundo desse livro, no seu corpo de poemas, o sol, a palavra-sol é um grifo-pedrês. É ela que do seu alto lança raios de brilho luz-laranja, seu calor, para cada corpo de versos semoventes no invólucro biografado e vivo dessas páginas.</p>
<p>E na história dos versos aqui, um grifo-pedrês, sol dos poemas, tragado na turbina de um avião no céu da África:</p>
<p><em>Em que pese a obscuridade, </em><br />
<em>tendo em vista a suprema covardia, </em><br />
<em>todos os assassinos serão tragados </em><br />
<em>pela marcha dos mártires esquecidos. </em></p>
<p><em>O sol desponta nas entrelinhas, </em><br />
<em>a iluminar os rostos assombrados. </em><br />
<em>O sol desponta nas entrelinhas, </em><br />
<em>a despeito do ministério da justiça.</em></p>
<p>Mas também, gosto de pensar no grifo encantado do bestiário antigo, corpo de leão, cabeça, garras e asas de águia, um sol, em seu ninho de ouro.<br />
Além de um legítimo e típico galo carijó cercado no quintal de casa.</p>
<p><strong>Luís Capucho</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Igrejinha do Rosário</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Aug 2021 13:21:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Todos os que dizem cada um por si são tolos
Todos nós somos feitos para encontros
Todos nós somos ainda por enquanto
Todos somos andares repletos de ardores
Por isso é preciso comparecer à procissão do encontro
Pelas dores penduradas nos andores.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Cada poeta tem seus desertões.<br />
Terra, gente, luta: tudo se resolve ou dissolve em letras.<br />
Minha terra tem a modesta Igrejinha do<br />
Rosário, onde velei alguns mortos.<br />
A começar por meu pai, que tinha Sebastião em seu nome, na minha terra há muitos Bastiões, incluindo o santo padroeiro:<br />
enquanto ele ficava flechado lá na torre,<br />
Cupido me flechava nas esquinas.<br />
E tenho também outras terras, onde enfrentei rios &amp; desafios. Beagá, Sabará,<br />
quem saberá?<br />
A gente se torna bardo para dar o brado,<br />
se puder, dobrado. E hastear outras vozes, preencher solidões, pois ninguém<br />
nunca está só se a mente é companhia.<br />
A luta é esta: torcer para que o esqueleto<br />
aguente o tranco, para que a casa suporte<br />
as trincas, para que a magia supere os truques e para que o time se levante depois<br />
das quedas.<br />
Tinha um tio que sempre dizia: “ô, luta!”.<br />
E adormecia no canapé enquanto a gente<br />
fazia nele um cafuné.<br />
Outro tio costumava dizer, batendo com a mão no outro pulso: “chumaço, torresmo,<br />
toicinho, tostão”.<br />
E daí?<br />
Um poema é feito de palavras e de momentos. Um poema é feito dos movimentos, por mais imóvel que pareça.<br />
Um poema é a memória pelejando.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Musa medusa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Jul 2021 14:24:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[e não é que antes de ir
se lembrou da sobrinha neta amada?
que coração gigante, tia!
quem não quer uma fatia?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em <em>Musa Medusa</em>, mulheres reivindicam o poder de contar a sua própria história. “Destrinchadas por narrador? Ah, mas por favor!”. Alanna Ajzental devolve a voz de suas personagens, deixa que desenrolem o nó da garganta da trama que as envolve, sonoras e sem medo de serem taxadas de loucas, frescas, putas. Em Contato Imediato, a abdução sonâmbula desperta na narradora a retomada do poder de seu próprio corpo abusado pelo marido, censurado pela violência doméstica e médica. Há também a revolta da musa muda pornográfica, que mesmo com “palavras de sobra” é escalada “pro papel sem fala” onde “boca é buraco”. A mulher que conhece a ira do homem feio que se diz vítima das moças que quer destroçar. Em Dúvida de Eva, não há paraíso, apenas a procura de uma saída para um mundo que é corpo estranho dentro da boca. Em <em>Musa Medusa</em>, há o dilema do corpo estranho, algo que precisa ser resolvido, abandonado, posto pra fora. Uma bolinha de metal no braço, um bebê, um marido bolsomito, um “croc” entre os dentes, a laringe alcançada, a boca engasgada de silêncio e desumanização. As mulheres de <em>Musa Medusa</em> rompem o silêncio. Encaram com olhos de pedra a inevitável luta contra o homem territorialista, um tipo mais antigo do que os mitos que ouvimos falar sobre deuses que raptam as belas jovens com violência ou valem-se de artimanhas transformando-se em animais e chuvas de ouro para as possuírem. Quando não conseguem, as amaldiçoam ou fazem com que sejam amaldiçoadas. Medusa foi violada por Poseidon e punida por Atenas, que a culpou por ser violentada em seu altar e a amaldiçoou com a solidão. Resumiram a história de Medusa à sua aparência e ao ataque cometido por Perseu, que a decapitou com o auxílio de objetos oferecidos pelos deuses: um elmo de invisibilidade e um escudo espelhado. Porém, as Medusas de hoje não sucumbem diante do próprio reflexo. Elas se reencontram consigo mesmas e com seu poder. Falam por si e assim se libertam do silêncio e da solidão. Levam a cabeça de Perseu no banco de trás do conversível como a avó do poema XX: olhando o futuro, ouvindo um soul, derretendo o asfalto no sinal verde.</p>
<p><strong>Natasha Tinet</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Cê num vê, ma&#8217;ô tô movênu</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/ce-num-ve-mao-to-movenu</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Jul 2021 13:04:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ela também tem sido uma violadora de direitos que
produz misérias
pra isso também dançamos
pra que nosso cotidiano não se renda à miséria
imposta]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Abram caminhos: a filha da mata inteira em seu quintal de bambu se volta ao chão para nascer em palavras e prosas de encantaria. Vévi di vento sorto essa fia. Arrudeia seiva. É frô e é cipó que assustenta nossas cabeças pras riba di dentro. Entra pelas peles num movimento de dar as mãos. Entrelaça mapas, árvores e mulheres. Com a boca e corpo inteiro, evoca. Das terras antigas memória do mundo, avoa. Sua acústica ressoa, ondas n’àgua. Sua acústica grita: é a sina, o sonho, a sede. Sente cum o povo desde muito tempo. Refaz dia a dia o caminho da travessia cum seu povo. <em>Ô disimpregada, ô mulher discabelada</em>. Ô mô fio, meu amor ternura. É <em>no sintido da sobrevivença</em> qui essa fia dança. Escuta ela. Óia ela. Vai junto cum`ela moveno. <em>Agôa os passo sa minina. </em>Primeiro mergulha, depois aterra. Móia os caminho dela pra móde ela passá. Seus movimentos amanhecem e despertam, e do coração se presenceia um muntuejo de sentimentos prósperos e abundantes. Há luz. Junto aos seus e às suas, brilha e estala a gira de um corpo que se encontra com sua história &#8211; <em>É tempo de romper com o que não dá mais. </em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Georgianna Dantas</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Brusco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Jul 2021 00:14:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[(ilustrado por marcelo marsan)

aprecia a proteção
quem já provou o gosto
da morte
quem já viu o rosto
do quarto
torcido de horror

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O novo livro de põem as de Cecilia Furquim — b<em>rusco</em> — é um livro de tensões. Tensões linguísticas: mistura de registros linguísticos sem qualquer mediação – <em>cortei pauscom garras implacáveis/e joguei no meio da merda</em>, poema <em>circo</em>; tensões políticas: referências à violência de gênero, aos pequenos e grandes fascismos de cada dia, à violência policial – violências que, aliás, frequentemente se misturam; tensões cronológicas: reconstruções de certa infância, imaginação de presentes paralelos e possíveis projeções de futuros.</p>
<p style="text-align: justify;">Fiel aos impasses da contemporaneidade, a voz por trás de <em>brusco</em> não soluciona essas tensões  — ela as leva adiante, torna-as testemunhas das dificuldades do ontem, da miséria do hoje e (por que não?) da esperança do amanhã. Assim, <em>brusco</em> não foge de colocar, à mostra, a natureza contraditória das relações de afeto e de poder e sua indissociabilidade: <em>o pai/amava/humilhava//a filha/amava/temi</em>a, poema <em>colônia</em>; <em>o segundo homem/não perguntou meu nome/mas me disse/que possui muitos hectares/e que prossegue comprando/terra, para ele barata,/que tem muitos funcionários/mas não me disse o que planta</em>, poema <em>placa</em>; <em>minha família/manchada/de chibata/de sininho na mão</em>, poema <em>colônia</em>; <em>meu pai é uma/dor</em>, poema <em>ordem</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Em meio a essas tensões, <em>brusco</em> é também <em>busco</em>: busca e luta dos lutos anunciados na dedicatória do livro (<em>sobre os lutos de//pai /par/país</em>). No entanto, essa busca quase já não tem como objetivo recobrar o que se perdeu — algumas dessas perdas (talvez todas) são irremediáveis. Mais do que recobrar pai, par e país, o que se busca nas tensões do livro <em>brusco</em> é entrever, sem esperança de unidade, os fragmentos da história de uma mulher: sua dor e sua delícia no sombrio e difícil Brasil deste início de século.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Matheus Guménin Barreto</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Não haverá caminhos fechados</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Jul 2021 15:57:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[um som de gaita vem de fora do muro
chiando — “meu” … “coração” “vagabundo”
as folhas tão batucadas e o vento marimba

a dor dos filhos, ovos sendo chocados
a mãe que avança, todo o critério para
a seleção]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>jangada</p>
<p>de fios esgotados [e<br />
nuvens minguadas [dos</p>
<p>galhos dependurados em<br />
seio materno [das</p>
<p>pedras calcinadas<br />
maré-distantes [das</p>
<p>tábuas derrotantes<br />
ao tenaz dos rochedos</p>
<p>[não naufragaremos]<br />
faremos jangada.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Principalmente amaldiçoada, mu klôpô plixiza dizanda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Jul 2021 13:36:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[odor
axilas
escravas
superego

tudo o que deve
ser dito de outras maneiras]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Abra este livro e se abra ao desejo, ao cotidiano que atravessa corpos, casa, urgência e pensamentos.</p>
<p style="text-align: justify;">Mar-espelho, novelos de lã vermelha, calulu, mão e sombra, seio, cabelo-árvore. Medicina, quiromancia, amuleto, areia, estrela. Mergulhar nessas águas de palavras em que a especialmente-poeta submerge e guia. Nadar-tricotar. Se reconhecer inteira “aos olhos feridos/olhares sensíveis/que já nem sei/se são meus/os mesmos ou outros”.</p>
<p style="text-align: justify;">Saber-se entre sóis e sais, manhãs e mar. Prova oral ou pular anúncio? A tecnologia da atualidade permeia sentimentos: “você não entende/de amar um notebook/sustentado por durex/ter carinho por ele”. A sabedoria feminina da família também: “ontem um anjo/passou pela sala de estar/a minha mãe viu/eu também senti/Iemanjá”.</p>
<p style="text-align: justify;">Ferida e cura. Tristeza colonial. A insônia que só quer assistir.</p>
<p style="text-align: justify;">erika gomes da fonseca em 22 anos de corpo prete sapatã não-binárie, fabula memórias nascidas em continente africano (São Tomé &amp; Príncipe). A do meio de três irmãs, o poder circular mãe &amp; filhas. Sua vida transita entre as artes, a poesia e o estudo da Psicologia na Universidade Federal do Paraná – dentre tanto mais. Se, por vezes sugere “rabiscar/na mente/um poema/não escrever para esquecer de propósito”, erika escreve um livro. Sabendo que “para escrever um poema/é preciso ter coragem e/tempo”.</p>
<p style="text-align: justify;">O poema revela afetos e clama em ode: “benditas sejam/todas aquelas que se amam e se comem”. O corpo do poema é também o corpo físico, cólica e tesão, tensão e dor, “longas e brilhantes/línguas”, nudez até o mindinho do pé. E sente: “não sei ser amada/quando me olhas/arde bem aqui, ó:/na minha pele”. E mostra: “futuro localizado/na boca do estômago”, “com a língua dos anjos/chorando em todo seu rosto”.</p>
<p style="text-align: justify;">As horas dos dias (e noites insones) se explicitam em número e utilidades essenciais do nosso tempo-agora: “uma manhã inteira para/chorar à vontade”. A natureza que por vezes esquecemos que somos: “você não entende/da pausa nas sombras/das árvores”. Poema detector de mentiras: “que tenebroso que/amargo é isso de/se reler/e ainda se encontrar”.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Playlist</em>, sótão, tarô no youtube, eucalipto, hortelã, <em>flash mob</em>, fluxo, espiritualidade, sereia, insta. E “não sei como concordar/sem parecer finita”. O livro de estreia de erika é atual, é o antigo e também futuro.</p>
<p><strong>Aline Miranda</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Urgências que não são</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Jul 2021 12:53:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[no canto do café
a tarde fria
à mesa sem toalha um celular
retângulo apagado
e o olhar lá fora
através da janela]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A epígrafe de João Cabral é uma via de entrada para <em>urgências </em><em>que não são</em>, novo livro de Cristiano de Sales. A concisão formal e a densidade das reflexões cabralinas resultam numa chave de leitura que acentua a precariedade de nossas respostas ante os dilemas do mundo. Sem mitigar nossas utopias, Sales demonstra desde seu livro anterior (<em>De silêncios e demoras</em>, 2020) que um dos apelos da poesia contemporânea é compreender os lugares onde a vida se exprime em constante ebulição. Na rua, no centro da cidade, na feira, o olhar do poeta é atraído pela impermanência. Ao tentar capturá-la, sinaliza para outro mundo forjado para ser disperso.</p>
<p style="text-align: justify;">Dividido em sete partes — que podem ser lidas como séries autônomas, ou como um conjunto dissonante — <em>urgências que não são </em>radicaliza o interesse do poeta pelo fracionamento das experiências humanas. Os poemas não são um retrato do presente, mas são atravessados por alguns dos seus aspectos, de modo particular a pandemia de Covid-19. Por causa dela, a tensão entre vida e morte é encenada no confronto entre a alegria de um frágil carnaval e a imposição do confinamento. Os desencontros, a solidão, o trabalho exaustivo são evocados como elementos de uma ordem social insatisfatória. Tédio e desalento acompanham quem busca “no canto do café” um conforto contra a “tarde fria”. Dentro e fora do sujeito, o mundo deixa, aos poucos, de ser uma promessa e se cristaliza no esfriamento dos afetos.</p>
<p style="text-align: justify;">É dessa terra desolada que o poeta extrai a razão de ser do seu ofício. É através da palavra volátil que descobrimos outro sentido para nossos pequenos e grandes atos: “quem sabe/se conseguimos fazer demorar/um pouco mais/a espessura do silêncio/da manhã”. No entanto, esse fio de esperança vem acompanhado de um reconhecimento crítico dos erros que foram cometidos pelas sociedades modernas. Por isso, o poeta se mostra atento àqueles que, como Ailton Krenak e sua comunidade, interpretam o mundo de um ponto de vista em flagrante desacordo com a lógica da produção e do consumo desenfreados: “para os povos da floresta/pensar é ouvir/ritmos de outro eco/de outra lógica/ visão.”.</p>
<p style="text-align: justify;">O encontro desejado entre o hibisco de Krenak e a rosa de Drummond (flores nascidas no solo do desprezo humano) consiste num alerta contra as práticas anti-civilização que ameaçam a contemporaneidade. Se elas não forem estancadas, teremos menos recursos para pensarmos o passado e imaginarmos o futuro. Daí, como está subentendido no título deste livro, tudo é pungente, até que saibamos discernir as urgências falsas das verdadeiras.</p>
<p><strong>Edimilson de Almeida Pereira</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Evangelho da terra segundo a serpente</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Jul 2021 20:27:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[As pessoas quando gostam não tem traição,
como diz o Rap da Estrada da Posse,
eles disseram, pero,
assim que anunciei partida,
sangraram-me as vísceras.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Este livro é a criação de um novo Evangelho, de uma religião híbrida, como sua estética literária, que assistimos ser mexida dentro de um caldeirão. Dentro de uma cumbuca. Pelas mãos das primeiras mulheres convocadas, as mulheres que abrem esta obra e que nos indicam: isso aqui é também sobre ancestralidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Ancestralidade, memória, rejeitar o esquecimento. Lutar para que nada seja apagado. Nem o grito, nem o choro, nem a risada. Porque este Evangelho segundo a Serpente é um livro muito bem-humorado. Talvez sarcástico. Escrito por mãos zombeteiras. É um livro capaz de jogar com o Velho Testamento e a Velha Religião, juntá-los, transformar um velho capitão de uma arca em uma mulher que bebe nua em sua tenda. É uma obra que coloca nome de mulher a cada contagem de arcano. Contar o tarô com Natalia Amoreira é uma experiência sensorial. Entre prosa e poema, o corpo se arrepia, o âmago se emociona. Muitas vezes o que vem é dor, puro sofrimento. A autora é precisa em denunciar injustiças e violências. Chama quem entende de morte para que fale junto dela, como quem faz coro. Muitas vozes femininas unidas.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>O Evangelho da Terra</em> não é de respostas fáceis; primeiro, é de inquietações. É um livro que deseja. Quer que você o leia ao lado de outro livro, ou com a tela de pesquisa aberta. Vá em frente, digite os números das cartas do tarô, pesquise sobre a Temperança e a Cova dos Leões. Talvez você não tenha passado por essa formação cristã, talvez não saiba sobre os primogênitos mortos no Egito. Tudo bem, porque Natalia Amoreira escreveu esta obra para te apresentar um mundo de centenas de introduções. E elas serão feitas do jeito certo. Poético, livre, misturado, decifrável. Acessível. Embora sua estética seja trabalhada com diligência, e cada palavra flua no ritmo que parece pensado e planejado para ser lido em voz alta, ele é possível. Digo: quando há verdade na escrita, é assim. Somente uma escritora de honestidade palpável escreveria sobre a ditadura militar e a escravidão no Brasil fazendo uso desses recursos. É a primeira vez que leio desse jeito! É muito difícil trabalhar com símbolos dessa natureza e não repetir figuras cansadas. No entanto, Natalia Amoreira surpreende com sua sopa de hebreus, pagãos, orixás e política contra nosso peito. Este é um livro para ler entre recuperações. Intenso, impressionante. Parei muitas vezes para me permitir observar a consistência que escorrem das páginas: feita de incenso, terra, lama e sangue.</p>
<p><strong>Jarid Arraes</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>De dentro do ônibus um aceno</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Jul 2021 18:38:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[no ouvido

a ladainha que a vó desatou a balbuciar

em sua língua materna em seu leito de morte

a memória:

extenso inventário de coisas que dão medo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">De dentro desse livro, de Iamni, palavras nos acenam, viagens se cumprem a sós e ao mesmo tempo com tanta gente, trajetos carregando imagens de onde se parte: choro em cascata; catálogo de nuances; sonhos de uma vida toda. Dentes de adultos não rangem e o vidro embaçado é que nem filme.</p>
<p style="text-align: justify;">Iamni desenha aqui um coração cheio de estrelas. Luzes de emergência no escuro e línguas de animaizinhos tocando o dorso das mãos. Lembranças laikas. Alguns descem e olham e compram e voltam. E há o peso dos objetos e a leveza dos objetos. Peças de barro e ladainhas: não me toque. Crianças no colo. Nomes num alto-falante. Palavras gritando. Longos corredores. Sapatos desvirados.</p>
<p style="text-align: justify;">Histórias de quaisquer uns que somos todos nós. Embarque muito livre nessa leitura. O aceno aqui são espelhos que (lhe) devolvem espantos. O mundo não para, mas o ônibus sim – porque chega; porque este chegou.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Luci Collin</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Nódoa sobre tela</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/nodoa-sobre-tela</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Jul 2021 20:30:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[a sereia parece livre
frequenta mares e terras
navega com ou sem nau
mas não escapa
de ouvir seu próprio canto
que insiste em abismos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Leitoras, leitores! Aqui, nessa orelha, lhes convido a percorrer as voltas e as volutas dessa <em>Nódoa sobre tela</em>, como a cobertura apetitosa, volumosa, em espiral ascendente de um bolinho que será devorado em uma, duas ou três mordidas. Importante lamber nos dedos os resquícios do creme não apenas decorativo. É sim de fomes, texturas, odores e sabores que se faz esse conjunto de poemas. Nele, Ana Araújo investiga os sentidos da língua, da palavra, o que delas e com elas podemos ouvir, tocar, cheirar, saborear e ver. Na imagem da nódoa que dá título à obra é possível encontrar um mapa que provoca a trilhar direções. Quem se entregar à experiência corre o risco de se deparar com paisagens imprevistas de um cotidiano nada banal. Aqui o mundo doméstico – a vida íntima, o interior da casa, a experiência corpórea da mulher – é selvagem, grandioso, abundante, feroz e profano. Afinal, é de mácula que se trata, dos desastres que se inscrevem no corpo e na língua de modo incontrolável, e por isso ampliam nossa potência de criar e de gozar, já que o desejo não é asséptico, plano, liso, mas se nutre das fricções, dobras, brechas, sujeiras, pulsações, de tudo o que vaza e escapa. Esses excessos contrastam com a exatidão na escolha das palavras, na extensão dos versos e na duração variável dos poemas, que abrigam sempre uma dose de irreverência, ironia e sensualidade. É que a linguagem brinca ao dizer sempre mais do que se diz. Assim, a mancha é também “uma espécie de aura”, nos diz <em>Cornucópia</em>, esse poema da boa-fortuna, povoado de larvas, pus, suor, moscas, ratos, formigas e outros seres e substâncias proliferantes, nem sempre convenientes e ainda sagrados, que habitam mais poemas no livro. Aos poucos, quase sem perceber, somos imersas em outra investigação, agora sobre o amor, ou seria a mesma? Como planta, como brasa, como água, o amor se insinua, valioso, desejado e significativo, universal como a merda, ambos historicamente produzidos.</p>
<p><strong>Elisa Tonon</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Fogo de Santelmo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Jul 2021 15:55:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<strong>plaquetes carcará_2</strong>

meu coração é um poste de luz
na cenografia de uma rua

cinza, na América Latina

um poste
em concreto e aço

na extremidade
fios, cabos desencapados
expostos, precários
conduzindo energia
em carne viva

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>cavalgo em metáforas à beira do ar<br />
sem papas, dobrando tua língua no vão<br />
coçando a razão como numa oração<br />
tua míngua destrava meus versos sem par</p>
<p>[enquanto]<br />
naufrago tua nau galopando meu mar</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>A inexigibilidade das coisas no processamento dos dias</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-inexigibilidade-das-coisas-no-processamento-dos-dias</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Jul 2021 01:31:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[o mundo saiu dos eixos e não vale
mais a pena
mas, desencana. ninguém sabe o que há
por baixo desses panos quentes
lá, é onde o sol não bate]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O poema é uma das mais obstinadas experiências da linguagem e uma das manifestações literárias que mais paralisa a crítica. Octavio Paz nos diz que na poesia a imagem resulta escandalosa porque desafia o princípio da contradição: o pesado é ligeiro. Nilton de Q é habitante deste paradoxo. Com faca afiada, ele, o poeta, deu no seu longo poema dois longos e profundos cortes, poema que é também prosa inflamada pela riqueza vocabular, para chegar à sutura. Apêndice desse tempo em suspensão, nem ontem, nem hoje, nem amanhã, ele explora nos<em> dias mornos,</em> numa <em>terra que se tornou plana,</em> as coisas que nos assustam e nos intimidam. No limite. Leitora destes versos, eu me vejo no planeta água ou no planeta animal: ora transbordo meu corpo na piscina, ora vislumbro o mar, ora tento respirar, ora percorro esquinas entre peixes, cavalos e elefantes. Não há humanos neste processamento dos dias. Só ele, o poeta lírico, dramático e épico. Por trás outras vozes como a de Drummond, a sabedoria do povo e o cotidiano com nossos distanciamentos e nossos olhares perdidos no fundo da geladeira. Se eu pudesse dar um título ao que aqui escrevi me apropriaria de seu verso: <em>a fé também é uma arte</em>. Se eu pudesse escrever um posfácio me apropriaria da sua voz que supera a inexigibilidade das coisas: <em>Isso escrito, não desdigo</em>. Porque seu longo poema também tem som.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Tânia Regina Oliveira Ramos</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Avoa</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/avoa</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Jul 2021 17:30:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">já costurei este corpo tantas vezes. remendo trilhos de trem por esta pele de retalhos. caminho pelo salão vazio que o amor deixou me comprimindo as costelas. minha cor ébria escorre com os palmos pela brancura da parede. já costurei este corpo tantas vezes.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Mariana Queiroz tem o dom de colecionar palavras, conduzi-las ao limite da sensibilidade e da expressão de uma revelação, que não contém propriamente segredos, mas é difícil de trazer à luz, pois requer a intenção da queda livre, da exposição, de marcar território. Desta vontade férrea, que vai lapidando caminhos e um estilo, brota o ato desafiador do escrever, do poetizar. Isso, Mariana tem de sobra.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, desbrava a poesia, tornando a palavra em corpo, e o corpo em um instrumento poético. Como uma colecionadora, sabe escolher a palavra mais certeira (aqui, uma beleza de alicerce crítico), como se decodificasse, aclarasse o existir, em um particular modo de investigar o que, para muitos, é insondável: a materialidade da vida, a consciência e o poder da resistência. Um “eu” mulher que resiste e convoca suas aliadas à luta. Seus versos capturam instantes do cotidiano, porém, trazem o que há de sublime nele, assim como a necessidade de rupturas e as indignações diárias, que não descansam, pois o patriarcado insiste em não permitir.</p>
<p style="text-align: justify;">A melhor maneira de resistir surge no apresentar, desdobrar e doar a poesia, com inquietante sutileza, à missão de imprimir uma voz feminina que já se cansou dos silenciamentos. O silêncio bem-vindo é só aquilo que o poema deixou de contemplar como impossível de ser dito e permanece à margem ou nas entrelinhas. Em <em>Avoa</em>, muito foi dito, há vivências, recortes e convergências, que desnudam a condição da mulher neste tempo de fascismos que desejam tornar os universos femininos um campo de batalha, um reino a ser conquistado e submetido.</p>
<p style="text-align: justify;">Em um cenário perverso, assumir-se, gritar a própria identidade é o auge das estratégias de resistência. A poesia de Mariana Queiroz diz com todas as letras o que é o amor, o que é uma mulher amar outra mulher: os afetos, o corpo e a natureza, todos os elementos que nos aquecem, protegem-nos e nos fazem sentir vivos.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Avoa</em> é um livro dividido em eixos, contemplando sentimentos, perigos e a beleza de ser mulher, contundo, ao promover a fascinação pelo desassossego e o empoderamento de quem precisa lutar cotidianamente, revela-nos a experiência humana dos afetos, para amar, congregar e sobreviver.</p>
<p><strong>Wuldson Marcelo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Fragilissimamente</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/fragilissimamente</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Jun 2021 10:27:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Barquinhos
Dançam uma valsa
Em torno de um farol.

O forte
Chora.

Queria pedir a mão
À areia,
Casar com o mar.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>FRAGILISSIMAMENTE é um coração.<br />
Como é que se fazem-escrevem badanas/orelhas para um coração?<br />
Como é que se escutam os batimentos de um coração que se expõe na sua delicadeza furiosa? Sem pudor de se mostrar, sem medo de levar o corpo à deserção existencial.<br />
Uma tensão crescente de sentimentos e ideias atravessa os poemas e afirma com profunda lucidez lírica: “As pessoas fáceis estão nas prateleiras dos supermercados”.</p>
<p><strong>Elisa Scarpa</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Moro em uma ilha e não sei nadar</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/moro-em-uma-ilha-e-nao-sei-nadar</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Jun 2021 20:05:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Foi em uma dessas manhãs de chuva
que ela me perguntou
enquanto assistíamos
a um casal de canários
brincar na poça d’água
se eu sabia
que algumas espécies de aves
têm apenas um par
durante a vida toda.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Miudezas se tornam oceânicas na compridez da sensibilidade de Carolina. Se um bicho-da-seda dançar sob uma fresta de luz que triangula por entre a janela, ali se fará poesia. Não que já não se faça, mas é que nem todos os olhos têm a umidade necessária pra refletir a profundidade da vida que existe em todas as coisas. Assim seria com a haste da chaleira que assusta a mão distraída num inverno qualquer, poesia, entremeando memórias dum corpo que assiste ao mundo ativamente, e reage, escrevendo. Carolina é como uma coletora de delicadezas invisíveis à pressa — o quente da chaleira conta do tenro da dança do bicho que conta da preguiça do sol acordando em dia frio. Do que atravessa corpos vivos, ela conta. Aquilo que as palavras rondam e rondam e rondam, ela, rindo, diz sem querer. E sem querer ela toma. E sem querer ela acessa. E sem querer ela pousa nosso peito na qualidade rara de estar atenta e ouvir o que dizem as ondas. Recôndita brecha de alargamento que destaca as luzes do mais comum — o que de mais precioso há senão qualidade de decifrar a complexidade manifesta do amor na forma como se balançam os pássaros? A leio como quem escuta o silêncio, os sons que profundamente nos tocam são aqueles que nos selam os lábios, ao arregalarem o brilho dos olhos que lembram. Ela conta que nada nessa vida é efêmero, justamente por ser.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Salinê Saunders</strong></p>
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		<title>Diástoles</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Jun 2021 19:06:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[no ar a serpentear
numa noite aconchegante
sob lume intermitente
um perfume tão pungente
desperta-me a exasperar<b></b>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Diástoles</em>, terceiro livro do poeta Anderson Antonangelo, é um conjunto de impressões sobre os sentimentos humanos. A poesia marcadamente rítmica e sonora de Antonangelo, nesta obra, divide espaço com a áspera delicadeza das sensações. As diferentes paisagens se fundem e os sujeitos se entrelaçam numa dança de alteridade e impermanência. Movimentos, aromas, paisagens e sons embalam as sensações num encontro do lirismo com a crueza. No fundo, este é um livro sobre o peso da imagem e da memória no sujeito poético, que interpela o leitor pelo poder sinestésico da palavra. Aqui, o que é concreto amolece e as coisas transitórias se espraiam até os confins do tempo. Por vezes acolhedores e afetuosos, por outras brutos e fisiológicos, os versos de Antonangelo almejam tocar no todo exprimível do que é sentir-se gente. O poeta encontra liberdade na dor da perda e na beleza do instante, pois é a inteireza dos sentimentos que tece sua poesia: “<em>só sei ser se irrestrito</em>”, escreve no poema <em>Recôndito</em>. Na conjunção das experiências humanas de <em>Diástoles</em>, o lirismo materializa-se, o tempo dança com o espaço e as palavras exalam perfume.</p>
<p><strong>Vitor Varella</strong></p>
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		<title>Aos tímpanos da Zacroqueia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Jun 2021 18:11:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[(ilustrado por Carambola da Silva)

Se orgasmo é a pequena
morte,
(...)
a morte é o grande
orgasmo.
Então, por que se render
à frigidez da religião?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“Sob as epígrafes de Maiakovski, Baudelaire e Burroughs, e dividido em duas partes – Sacrílegos e Sacripantas – depreende-se claramente a visão do autor a respeito da finalidade poética. Primeiro, cortar o cordão umbilical que ata o destino dos homens aos deuses, para que no umbigo humano possa nascer outro divino, assim restaurando a poesia enquanto religião primeira da humanidade. Segundo, romper as amarras das hipocrisias burguesas, das demagogias e dos absurdos de um capitalismo caquético e excludente. (&#8230;) A obra enfoca justamente a iluminação da voz dos insurgentes, sejam aqueles contrários à manipulação espiritual, sejam à política. Mas seus méritos não se limitam ao registro visceral ou à relevância temática, pois a forma é tão subversiva quanto seu conteúdo. (&#8230;) A intensa oralidade de sua poesia advém da criação de um páthos, terreno fértil para a semeadura das palavras que alvejam o empoderamento ontológico do leitor, que passa a ressignificar por si o mundo. (&#8230;) Ao virar essas páginas, o leitor poderá pensar quase tudo a respeito dessa poesia, ora destinada aos tímpanos da Zacroqueia – uma república de bananas imaginária, ou, talvez, nem tanto. Só não poderá pensar que ela seja inofensiva. Não é possível passar incólume ao longo deste livro. Algo muda dentro do leitor nesse percurso. E sei que este é o grande propósito de toda arte: provocar movimento interior.”</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Dioniso Bento</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O físsil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Jun 2021 23:17:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Quando de Iluminação
o sistema já não é preciso,
furta-se no Inferno o pão
de artifício ao Paraíso.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O físsil é o que se pode (e se deixa) fissurar (ficcionar?), abrir em fendas, passar pelo meio, atravessar ou cindir: a estrela, a célula, o núcleo. Através da fresta, sabemos por Ovídio que súbito uma língua se fende em duas: a fala d’O físsil está na ponta das línguas que infinitamente se fendem e transformam. Imagine-se abrindo um livro em uma língua que reage, um livro que nos abre. Por tais fissuras, entrevemos o sol que desponta como o <em>rubedo</em>, o último estado da Obra alquímica. Sombra? Feche os olhos.</p>
<p><strong>Isis McElroy</strong></p>
<p>Os poemas deste livro (miríades verbais ou caleidoscópios de algum mago bêbado) emergem como brinquedos de linguagem. Um halo lúdico os circunscreve ora na celulose. A cada rodada deste jogo de muitos jogos, livro-físsil, os objetos grafo-sonoros que Davi Araújo esculpe no vazio — na urgência de escovar das palavras suas camadas mais desgastadas —, exigem que brinquemos livres, ora numa face do prisma, ora noutra, surpreendendo, na leitura, olhos e ouvidos.</p>
<p><strong>Alexandre Guarnieri</strong></p>
<p>só Marlon Brando, aquele de <em>Apocalipse Now</em>, poderia emergir do pântano primordial e dizer com precisão o elaborado texto de Davi Araújo, O físsil. fiz duas leituras aparentemente díspares. a primeira voo sobre a superfície do texto, sentindo suas planícies de solidão e seus solavancos de palavras encrespadas nos <em>vivaces</em> da partitura dodecafônica. a segunda no corpo a corpo com as palavras buscando seu justo engaste, sua eficácia poética plena. arriscado o processo de lavrar este livro elaborado, pleno de conhecimentos cifrados, que leva o leitor através da senda magmática da poesia. <em>arigatô</em>, como diria Bashô.</p>
<p><strong>Roberto Bicelli</strong></p>
<p>O que pode a palavra? Nesta nova reunião de poemas de Davi Araújo há um tensionamento e uma problematização da palavra, como se ela fosse um arco esticado até quase se quebrar na direção de um alvo na névoa feita das representações do real, isto que um dia quis ver a si mesmo e criou não a linguagem, mas as imagens. Os poemas são também dobras, desvios da flecha que não busca um alvo definido, mas o atravessamento da névoa. Pode a palavra, tensionada para além de seu uso comum, opacificado, presentificar aquilo que está escondido na linguagem como um segredo? Possuem os poemas uma reserva secreta de não-linguagem capaz de iluminar a linguagem? Este livro não é uma resposta, mas algo bem mais intenso e vivo porque me levou às perguntas. Um livro assim, antes de ser tocado por nossos olhos, tocou o misterioso cerne da vida.</p>
<p><strong>Marcelo Ariel</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Como sair daqui, meu amor?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Jun 2021 22:56:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Assassinado na ponte entre meu cabelo e meus dentes; meu
corpo não responde. Sinto falhas geográficas surgindo em pontos
cegos, há uma impossibilidade na minha língua; há um ponto de
cruz que você não entende

e saliva olhando meus ferimentos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“Eu sou um monstro que lambe tuas feridas” se apresenta o narrador. Corpo disforme e deforme, sempre sujo de poeira, saliva e cinzas. Presença onírica e real, que cospe nas categorias. Ser corpóreo que sua permanentemente tentando aniquilar a assepsia (plásticos, máscaras, chuveiro, sal, mar&#8230;). Distancia obrigatória, presença inevitável.</p>
<p style="text-align: justify;">“Como escapar da violência, do trauma, dos abusos, de um país que, institucionalmente, nos quer mortos, mortas, mortes? Como escapar da necropolítica?” se pergunta. Como escapar de uma pandemia que nos deixou expostos a feridas e fraturas — ancestrais sim — mas que agora devem ser enfrentadas sem paraísos artificiais? Como sobreviver sem abraços, sem contato e na onipresença de um vírus?</p>
<p style="text-align: justify;">A resposta é um convite: narrativas, colagens, vozes multifacéticas que partem de um uno que se quer coletivo. Nas letras paleólogas, inquietude é a gasolina de uma mágoa ancestral, mágoa materna feita de invisibilidade e cabelo queimado. Lástimas seculares contra instituições, catedrais e colégios. Condolências que, no entanto, escondem uma fagulha que só precisa de um leve sopro, um pequeno passo para uma nova ordem que impede o morrer. O futuro é de sobrevivência.</p>
<p style="text-align: justify;">Há o desejo de romper um mundo em ruínas que se materializa em outros destroços: as regras de léxico, de gênero, de forma&#8230; Pós-pós-moderno o texto aceita o apocalipse em vida, inferno cada vez mais evidente, desnudado pandemicamente dia após dia. O livro denuncia anos de abuso, anos de ser bicha enfrentando a pseudo-homens. Anos de resistência, de espelhos embaçados, de diálogos monologais, “fumando pra não enlouquecer”.</p>
<p style="text-align: justify;">Páginas e páginas de uma literatura que não consola e talvez por isso mesmo acalante — não há espaço para paternalismo. Não há país, não há pai, talvez só uma velha mãe que abraça enquanto mete o dedo na ferida. Linhas e linhas de caos tempo-espacial coletivo, impasse de sistema virologicamente conectado. Como sair daqui, meu amor? A velha mãe prepara o dedo, oferece o colo e abre o livro. <em>(This is no fucking bedtime story!).</em></p>
<p><strong>Vivian Rangel</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Dar corpo ao naufrágio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Jun 2021 21:36:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[encarava a luz nascida como afronta
suplicando migalhas de surpresa
e recebendo pontualmente
o tapa na cara
ordem do dia

não era a primeira vez
que calculava me matar
antes mesmo de engolir o café
mareados nós desfeitos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Maria está com medo. No tempo da nossa amizade, não me acostumei a ver Maria como alguém com medo. Então, agora que ela tem medo, quase sinto um prazer mórbido. Estranhamente, o que põe medo nela é – pasmem – fazer um livro de poemas. Maria leva – sempre achei – a poesia muito a sério, apesar do bom humor com que fala da coisa e de uma exigência ácida muito particular sobre assuntos literários, que geralmente me fazem rir. Então estamos mais acostumados a rir juntos.</p>
<p style="text-align: justify;">Maria, como muitos sabem, é uma estudiosa compulsiva e perfeccionista. Boas notas do início ao fim dos tempos. Acho isso também muito engraçado, embora inveje. E aqui vem ela com este livro e me pedindo coisas como quem precisasse delas. Logo a mim, que tenho tão pouco ou – tenho refletido – quase nada.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas não consigo negar porque tudo isso é como Maria diz bem no poema dedicado a mim e que ela usou como fina chantagem emocional para me trazer até este mistério bonito chamado Maria Caú. Sinto-me seguro com ela, mesmo dentro da sua insegurança.</p>
<p style="text-align: justify;">Maria é filha de um poeta puro, um poeta total, condição ingrata que não desejo a ninguém. E que acontece, sobretudo com alguns poetas de ofício. Mas, até aqui, não com Maria, porque ela trabalha com cinema, além de ser uma acadêmica 24/7. Então eu ficava aliviado, porque ela estava livre, por assim dizer, de uma espécie de maldição. Mas, como toda maldição, esta não teve pressa e tem pernas compridas. Veio pegar Maria pelo pé, aos 38 anos, com este livro de poemas, tão intenso como uma náusea em alto mar, mas ao som do acasalamento dos golfinhos. Porque corre sangue no medo de Maria. Viemos, os dois, de <em>casas esgotadas, </em>o que seria também um bom título para este livro, já que todos temos sido, ultimamente, como caracóis de cascos quebrados.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando Maria me falou pela primeira vez do seu livro, eu disse a ela que o verso do seu pai, “jamais me afogarei”, deveria ser o título. “Mas eu me afogo o tempo todo”, ela replicou com uma risada. E foi então que vi, no medo de Maria, uma beleza faminta de estar sempre se afogando e nunca repleta de mar, ao contrário do pai que, com todo mar do mundo, não se afoga jamais. Ali ela invertia a maldição paterna para declarar sua própria maldição e, com isso, sempre parcialmente, poder sentir-se livre. Eu vejo uma amiga caminhando sobre escombros, com firmeza, ternura e, agora sei, muito medo. Que medo bonito esse! Agora ele é de todos nós. E, na forma de poema, torna-se uma espécie rara de coragem.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Leonardo Marona</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O corpo sublime</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Jun 2021 17:05:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">uma moto passava
quando o político
no sítio de atibaia
armava um plano para
catar laranjas</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">As placas tectônicas da geopolítica mundial movimentam-se freneticamente. Os tempos estão mudando. Atravessamos a noite da noite escura – assistimos ao massacre causado pelos projetos de extermínio neoliberais/fascistas, enfrentamos a pandemia de covid-19, a devastação ecológica, o sucateamento completo das condições de vida no planeta, a fome, a violência, a morte. São tempos complexíssimos, brutais. É o tempo que nos coube viver. Como escreveu a extraordinária poeta polonesa Wisława Szymborska: “Somos filhos da época/ e a época é política”. É nosso dever olhar com atenção, refletir sobre e agir, atingindo em cheio o coração de nossa época. <em>Todas las armas son buenas</em>, não nos esqueçamos.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>O Corpo sublime</em>, quarto livro do jovem poeta e performer mineiro Hugo Lima, é um trabalho que tem consciência das tensões e contradições dessa nossa época convulsiva. O corpo-aríete abrindo caminhos para a passagem da existência plenamente conjugada: <em>contramorte</em>. O corpo, “(&#8230;) só mistério/ e minério”, está à escuta, abre pontes de diálogos (com a tradição, com o real abissal), e nos guia por entre os mapas de seu repertório: Drummond, Gonçalves Dias, Bob Dylan, Maria Lúcia Alvim, Angélica Freitas, dentre outras vozes que dão corpo ao corpo: <em>corpoesia</em>. Não à toa, o poeta escreve: “ser/ é/ conter/ em si/ pedaços/ do/ outro”. Alteridades. Substâncias.</p>
<p style="text-align: justify;">Hugo escreve: “quando nasci/ a cor da minha pele/ determinou o meu destino:/ vai viver de cotas/ de maus tratos/ e da objetificação/ do corpo” num diálogo um tanto quanto tenso com seu (nosso) conterrâneo Drummond. Nada é simples e tendo consciência de que a margem é um exílio, o poeta constata, torcendo a tradição, pasmo, que por aqui “já não há sabiás/ nem palmeiras/ nem o canto de um/ povo de um lugar”.</p>
<p style="text-align: justify;">“e se houver qualquer esperança/ um suspiro que seja/ vem a polícia, vem a milícia/ vem a política…/ pah! pah! pah!”. É certo que devemos trocar a passiva esperança pela pujança da luta. Não há outro caminho. Derrubar o sistema. Mesmo, à vera. Voltar a exigir o impossível. Reverter o tenebroso quadro de resignação geral. <em>Todas las armas son buenas</em>. Armas cortantes como, por exemplo, “Livre comércio” ou “Corpo-casa”, constantes deste livro. Um grito, mil gritos, mil vozes. Urgência de transformação. A poesia-vida <em>contramorte</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta poesia é viva e inconformada. Sanguínea. Fiquem em sua companhia. Faz parte da grande, coletiva e árdua tarefa de escrever as ficções do futuro. E torná-las reais. <em>Todas las armas son buenas</em>. Saúde. Viva a poesia!</p>
<p><strong>Fabiano Calixto</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Punhal cravado no continente</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/punhal-cravado-no-continente-fortaleza-azul</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Jun 2021 16:50:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[por uma mesma luz
vê! o sol está lá fora
na dança o som de deus se espalha

então, dança! nem que seja na hora da morte
dança!
dança!]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Marilene levanta do mar uma “Fortaleza Azul” que em nós propala os absurdos do mundo. No entanto, por ser esta a força — habitante das multidões de vozes — da qual Marilene nos fala e encarna em seus poemas, sobreviveremos por insistência da poesia! Em um <em>Punhal cravado no continente</em>, as palavras são feitios de cinzel, largos talhos, fenda entre as pernas. Uma ferida aberta, sempre. Coisa de mulher: “a mulher de Lot de Anna Akhmátova/ a mulher dos mundos/ a mulher da Fortaleza Azul”. Aquela que transita e vê “moleiras de crianças ajoelhadas/ defumando o chão das passarelas da money city”. Que escreveu <em>Cosmonópolis: O que sabemos nós das histórias dos outros?</em>  E o que não sabemos? Outrar-nos? Se&#8230;? “uma porta se abre para o precipício/ e de todas as gargalhadas e apitos fervorosos do general Messias/ o manto de Cristo surge no crepúsculo/ e a glória!/ e se cambiará o demônio general/ e a prece deve ser acendida todos os dias no círculo do fogo”. Se acesas as preces, “o menino que olha a ilha é Martin Luther King da Fortaleza Azul/ o menino da Mangueira/ que olha a vida e sorri e vende balas de manhã cedinho no itinerário Tijuca — Morro do Alemão/ é Jesus Cristo da Fortaleza Azul”. Por esse menino-deus da mangueira e outros tantos, que nos fazem crer em deuses que são crianças e dançam, deuses que fazem pequenos milagres por dia para suas existências serem possíveis, dançar, pois “na dança o som de deus se espalha// então, dança! nem que seja na hora da morte/ dança!/ dança! [&#8230;] eu te redijo em meu peito para sempre”. Dancemos as <em>37 baladas para o horizonte</em>, que continuarão sendo dançadas! Aquelas palavras que foram talhadas pelo cotidiano dos tempos e que continuarão a ser ferimentos e cuidados: “na escuridão do mar gentil/ vejo canções querendo sair ao ar/ encerro meus dias em teus dias/ respeito tuas dores que não conheço/ procuro um chá, uma erva, um emplastro para teus ossos doloridos/ somos liberdades nas quimeras”. Aquelas palavras que escrevem sobre como o <em>Punhal cravado no continente</em> faz de nós uma travessia: “travessia da palavra/ monólogo do outro/ que atravessa o outro/ na travessia da palavra”. Um convite à alteridade, mas saiu impresso no jornal da esquina: “suicidou-se no início da manhã/ mas o comércio não pode parar”.  Nós paramos aqui! Uma boa leitura do livro e do mundo, sobretudo uma boa escrita de mundo a todes! <span style="color: #ffffff;">Marilene Vieira</span></p>
<p><strong>Cintia Luando</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Etcétria</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/etcetria</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Jun 2021 15:09:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Depois do amor ter reduzido uma baleia a predicados
Tão cedo, aqui, não me lavo
Não me levanto para ser esperança
Nem outras condicionantes
À parte os sujeitos
Que em parte não me sujeito
E fico condescendente
Na mesa tenho o que sonho
E tombo sobre a travessa
Estou longe e nunca me vejo
Sei de mim pelos boatos
Tão cedo não me levanto
Fico para ver as lembranças
Sou feito desses bocados
Antes do amor ter reduzido o mundo inteiro a predicados

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="western" lang="pt-PT" align="justify"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">Eis a frenética poesia de Pedro Morcego. Eis o poema que se faz radicalmente vivo ou o poeta que “</span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i>se</i></span></span> <span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i>preside e reivindica”</i></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">. Poesia, portanto, da insurreição ontológica ou da voraz desobediência linguística. Desta língua em permanente rebelião, a percorrer “</span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i>planícies virgens”</i></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"> – língua acesa que quer “</span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i>provar todos os lábios”</i></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"> e “</span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i>em todos os lábios ser grito” </i></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">– diremos somente que aglomera, como um rock transgressor, todas as vozes da experiência profana. É que </span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i>Etcétria</i></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"> é um registo impetuoso do mundo: cataloga-se, nos versos, a avidez de ser inteiro, a liberdade de sentir completamente, e de tocar, com dedos sujos e um sorriso “</span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i>sem amarras”</i></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">,</span></span><i> </i><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">o espontâneo coração – ainda fresco, ainda alto e palpitante – de um espécime humano. </span></span></p>
<p class="western" lang="pt-PT" align="justify"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">E se de humanas compleições nos falará este livro, a solidão será o cerne do catálogo das sombras. Solidão que tudo rasga, despedaça e digere. Inveterada adversária do amor – dessa emoção de “</span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i>ideal gémeo”</i></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">, alicerçada em juras mútuas que se inscrevem sobre a carne – a solidão será vencida unicamente no exercício da palavra. À dor pungente que advém de uma existência solitária, à dor aguda em que fiéis acreditamos – mais ainda “</span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i>do que em qualquer outro deus” – </i></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">a poesia há de propor-se</span></span><i> </i><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">como</span></span><i> </i><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">fórmula secreta</span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i>, </i></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">como unguento</span></span><i> </i><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">ou luminoso</span></span><i> </i><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">elixir</span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i>. </i></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">Pois que</span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><i> Etcétria</i></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">, em luz altiva e euforia redentora, possa agora sanar-nos. </span></span></p>
<p class="western" lang="pt-PT" align="justify"><strong><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">Luiza Nilo Nunes</span></span></strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Zen-budistas e furiosos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Jun 2021 20:28:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[a semana passa
alguma coisa não passa
não passa e se arrasta
e me arrasta junto
pra dentro da minha voz
sem voz]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">trombei com crespo por causa da escrita. pelas conversas, dava pra ver que tentávamos falar a mesma língua: ele me mostrou guided by voices e me ensinou a beber cerveja com steinhäeger. um professor, escritor publicado, dramaturgo, um artista com camisa de time de baseball e blazer. fantástico. bêbado na cinelândia, eu nunca imaginaria que receberia um convite ilustre para escrever a orelha do seu livro de poemas.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>zen-budistas&amp;furiosos</em> já me pegou de primeira (sendo um admirador de títulos, esse poderia ser emoldurado). de alguma maneira eu imaginei que esse livro seria de um ritmo e tom dignos de uma franquia milionária de filmes de ação. o que será que vem por aí?</p>
<p style="text-align: justify;">o que veio foi o contrário: um livro que pega você pela mão, mas não é pra ensinar nada, é pra passear com você. nem zen, nem furioso. a poesia de danilo crespo é de uma sagacidade tenaz e sem nenhum patronismo. fratronismo, talvez. percorre a atualidade de uma maneira agridoce: smartphones, redes sociais, videogame, música e o confinamento de uma quarentena que é impossível de dissociar de um corpo que escreve. um corpo fatigado pelo isolamento, um corpo que observa, um corpo ruminante de sonhos. uma poesia que te encoraja a (se) arremessar. precisamos da poesia de danilo, mas não mais do que ela precisa da gente. é dialético, é lado a lado, é de mãos dadas.</p>
<p style="text-align: justify;">tranquilamente furioso, com vocês: danilo crespo.</p>
<p><strong>victor lampert</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Tem faca de gente nessa casa?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Jun 2021 12:31:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">nossa senhora desatadora dos nós
rogai minha prece
olhai pelos tropeços
pelos nós cruzados
emaranhado de fios
na gaveta direita
da cômoda
ação do cotidiano</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Veja se agrada: uma poeta que pensa bastante em psicanálise (Tamara Kamenszain) disse uma vez que, pra um outro poeta (caso dela), o corte brutal do açougueiro atravessava qualquer embrião de poesia. Essa interrupção rápida solicitava dele uma segunda urgência: a publicação. Era quase um quebra-cabeça: &#8220;Primero publicar, después escribir&#8221;.  Entre cortes e suturas, quando importa menos o elogio da obra e mais a cooperação do inconsciente, a gente pode encontrar um convite para repensar nossas heranças. Alguém pode querer ler nesse livrinho, por exemplo, alguns ensinamentos da escola das facas, desviando as linhas bem estabelecidas do desenho coletivo (uma caneta de Estado, patrilinear) por outras geografias do desejo, mais abertas à espiritualidade. A infraestrutura dos poemas mói canaviais, tecnologias, capitanias, formações. Passa adiante, também, a transmissão de práticas rituais. E uma simpatia ao cerimonial: &#8220;A faca fica à direita&#8221;.<br />
Agora outra leitura: os poemas aqui dentro colocam em cena – sem neurose – a dificuldade de expor um argumento, entendendo a conversa como uma partilha trágica, ameaçada sempre por outra tragédia maior: a tentativa de controlar os equívocos. A escuta que vinga é uma vingança da escuta. Mas sem imposição. O entendimento, muitas vezes, é confortável para x e incômodo para y. Pensar o convívio como dissonância, então, é pensar a afinação da matéria linguística, que é a matéria das relações todas, dos orgasmos e vínculos. Acho que essa Isabela que assina quer isso: um olhar diferente nos protocolos de comunicação e a possibilidade de fazer disso um assunto. Escrever o distanciamento, reinventar a proximidade. Participar e não participar de uma conversa. Participar e não participar de uma relação. Daria talvez uma hipótese de começo: participar do circuito da poesia (e especular com esse capital simbólico) é também investir num curto-circuito da participação. Atração e repulsa, investimento e desistência, fusão e fim. Na montagem dos modos à mesa, lembrar de temperar a avalanche discursiva que esquenta as nossas orelhas e ameaça derreter as suturas (precárias) da imaginação coletiva. Talvez sejam poemas contra a reprodução. Às vezes o poema te implica e você nem sabe. Não era uma chamada para submissão?<span style="color: #ffffff;"> Isabela Equor</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Vinícius Ximenes </strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O cavaleiro de Copas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Jun 2021 17:48:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Quando segurei
a mão dela
ocorreu-me
a ideia
tão óbvia &#38;
fascinante
de que mão
é coisa
que se dá]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A primeira vez que ouvi o título O Cavaleiro de Copas foi em 2016, quando Pedro me contou que havia escrito um livro. Até então, o conhecia somente como músico e compositor de músicas belíssimas e impactantes. De lá pra cá, o mundo virou de cabeça pra baixo: há uma pandemia lá fora, o Brasil está um caos politicamente, vivemos num estado constante de calamidade pública. Mas continua-se a ler e a escrever. Por quê? Ora, porque isso nos lembra que estamos vivos. Que a vida existe. Ainda que. Apesar de. E reencontrar este livro em 2021 foi um melodioso alívio.<br />
Pedro Santos não deixa de ser compositor sendo poeta, e não deixa de ser poeta sendo compositor. Há, no meio literário, uma briga teórica entre poesia e música, onde começa uma e termina a outra. Eu sou do time que concorda com o poeta mexicano Octavio Paz: “Um quadro, uma escultura, uma dança são, à sua maneira, poemas. E essa maneira não é muito diferente do poema feito de palavras. A diversidade das artes não impede sua unidade. Antes a ressalta”. Ou seja, arte é poesia em diversas formas. E viva a diversidade.<br />
Atenção, leitora, leitor: isso não significa que o livro que está em suas mãos são letras de música. Longe disso. A poesia de Pedro Santos se utiliza do conhecimento musical de seu autor, mas não se restringe a ele. Nos poemas que você está prestes a ler, há ritmo, melodia, musicalidade. Mas também há atenção e cuidado poéticos: o corte do verso, a pontuação, a apresentação visual do texto na página.<br />
O Cavaleiro de Copas é a narrativa de um eu-lírico que enfrenta tormentas, luta contra moinhos – às vezes também contra si mesmo –, mas, apesar de tudo, jamais esquece que o seu naipe é a imagem de um coração. O norte desta obra, pois, é este: o amor, tema preferido dos poetas e dos namorados. O assunto afetivo aqui, porém, não repete fórmulas desgastadas ou anacrônicas. Pelo contrário. O cavaleiro sabe que a vida neste século não é fácil, e busca se reinventar enquanto cavalga.<br />
Em um dos poemas, lemos: transformar o verbo em chão. Pedro Santos, no seu livro de estreia, consegue a proeza de escrever com os pés no chão enquanto monta e guia, respeitosamente, o seu cavalo. Portanto, é isto que desejo às leitoras e aos leitores desta obra: subam na garupa d’O Cavaleiro de Copas. Sós ou acompanhados. O galope é tão gostoso juntinho – mas não somente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bruna Kalil Othero</strong></p>
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		<title>Rotas para um passeio noturno</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Jun 2021 14:48:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Traga-me o universo dentro de uma casca de noz. A esperança e o sonho já me pertencem…]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“Só porque/erro/encontro/o que não se/procura”. Essa estrofe de um poema de Orides Fontela poderia ser a epígrafe (ou o epitáfio) do livro de estreia de Erick Felinto na poesia. Como todo jogo — como todo lance de dados —, a poesia não apenas pressupõe o acaso do resultado, mas o destino de quem (se) joga. Na primeira parte deste livro, Felinto nos convida ao jogo do tarô. Ele dá as cartas, ou as cartas se dão. E, em cada uma delas, vemos surgirem as figuras dos arcanos da existência, que o leitor poderá atribuir ao autor (ator?) ou a si mesmo, conforme o acaso. Evidentemente, o leitor entendido jogará as cartas ao seu modo. Outros verão face a face a figura já conhecida, o rei que não se contenta com seu reino, o enforcado que dialoga com seu Outro. Afinal — para lembrar outra referência famosa ao tarô — as notas às notas de The Waste Land não redimem a poesia de T.S. Eliot do mistério e do encantamento, aquele de quem lê um fragmento em alemão (oed und leer das Meer) e o repete a vida inteira sem questionar seu significado. A poesia não é, afinal, como uma ordem dada por um superior desconhecido, que cumprimos sem saber por quê? Na segunda parte de seu livro, Felinto abre sua Wunderkammer onírica. Aqui nos acercamos mais dessa ideia perturbadora de incompletude e de vazio, que é também a marca desses tempos sombrios em que vivemos, que mais se parece com um infinito pesadelo. Aqui também, a esperança de encontrar um sentido fechado (ou oculto) se desfaz, ou se disfarça e foge, como faz o polvo. Por isso mesmo, o leitor poderá encontrar aqui algo que não procurava: esse estranho/desfamiliar que é a sua imagem num espelho.</p>
<p style="text-align: justify;">Adalberto Müller</p>
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		<title>Racionemos também a estupidez</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Jun 2021 14:39:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[percebemos que não percebemos
deriva do fuso da terra
falta um fuso
parafuso a menos
na cabeça

alegres rodopiamos
quem vier atrás

que feche a porca
terra

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“A penetração dos elementos mecânicos no nosso quotidiano é avassaladora _ acontece como uma avalanche _ sem aviso, deixando-nos pouca capacidade de recuo. Tirar um documento de identificação, procurar uma informação necessária ou até divertirmo-nos, todas estas acções implicam o uso de computadores.<br />
“Racionemos também a estupidez” de Manuel Almeida Freire faz uso do humor verbal para atravessar este planeta, onde os homens parecem sentir apenas o vibratum dos écrans, obliterando tudo o que não é mediado por estes.<br />
O autor chama a si o erro , o espanto, a angústia, o enlevo, ou seja, deixa-se tocar pelo mundo. Ladeado pelos «animais queridos do zoo doméstico» e os «frios algoritmos antropófagos» fica a pergunta: que prodigiosa irracionalidade é esta que nos está a tomar?</p>
<p><strong>elisa scarpa</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Noites brancas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/noites-brancas</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Jun 2021 18:42:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[para onde vão
os perfis daqueles
que morrem
enlouquecem
ou viram monges?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Você está em casa, passa os olhos pela milésima vez no celular, abre a tela, descobre: a garota que te deixou publicou um vídeo de uma mulher lendo um poema chamado “dezembro”, mas você diz para si mesmo que não gosta de poesia, mesmo assim, escuta os míseros dois minutos e nove segundos de vídeo e, surpreendentemente, gosta. O nome da autora: Gabriela Lopes de Azevedo. Você resolve tentar a sorte e compra um exemplar.<br />
Ao iniciar Noites brancas, você perambula e observa a cidade por meio de seus movimentos quase inertes, afinal “carros diminuem a velocidade/os que se movem pausam”, ao redor, tudo é verbolocomotor de uma mesma areia movediça; “o chão do metrô se mexe sozinho”, “as pessoas no ponto de ônibus olham para o chão/ os passantes param”, a coreografia até banal de um dia como tantos outros “mãos para cima/olhos para a direita” não fosse a intervenção da voz poética “não coloque os pés no chão/pode ser fatal”.<br />
A Luz da sua casa coincide com a luz que incide sobre os poemas do livro: é meia-luz; você lendo, lembra das suas conversas que ficaram pela metade, dos desejos irrealizáveis e dos medos de atar-se aos poucos amores, nesta era modern love, amor batata-quente, “será que já estamos sepultados nos cookies e propagandas do big data?” você cético responde que sim, querendo dizer não, “que dó que dó/da gente”, você concorda com a Gabriela.<br />
As noites brancas parecem sempre quase findar (porque este não é um livro de fins) em manhãs adormecidas, nas quais a casa é testemunha temporal da arte de perder: a si, o timing e o outro.<br />
Você diria que o interlocutor não responde à voz poética, são solilóquios intercalados com fatos cotidianos, constatações da nossa fratura como sociedade, “como você consegue andar na rua/depois de ver aquela moça sentada/entre os sacos de lixo”. Não melhoramos, a sequência de poemas intitulados Noites brancas são notas de um guia jazzístico para o fim do mundo, ou para a próxima catástrofe ou pandemia: “lembra disso/quando estiver/na beira/do fim do mundo”. O que você saberá apenas ao final da leitura é que as noites brancas são conjunções em ebulição, por vezes ferozes, fugazes, vorazes e insones. Elas são acontecimentos importantes aos poetas, durante as noites brancas é possível encurtar o espaço-tempo, hoje é amanhã. O que você saberá ao final da leitura é que este livro esteve na estante de uma livraria entre os títulos que você Procurou Durante Vários Anos Sem Ter Encontrado, mas, felizmente já pode ser encontrado na mais profunda solidão, de onde você continua lendo-o e relendo-o.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Maitê Rosa Alegretti</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Pão só</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Jun 2021 23:15:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Pintassilgos na tua planta
que enrijece em minha boca:
tua terra molhada
em meus lábios
minha lavoura
nos teus.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A estreia de Pedro Torreão na poesia traz em sua maneira-de-fazer dois movimentos aparentemente contraditórios: temos um poeta extremamente sucinto, que trabalha de modo maduro o corte elíptico do verso, ofício de xilógrafo que entalha imagem e ritmo em papel; e uma poesia que parece ensaiar o tempo inteiro uma ruptura dessa contenção para se expandir em jorro, dança, quebra do cálculo que a constitui. A economia e o dinamismo em versos como “Céu que cai/ do teu passado/derruba teto/caindo gesso/ em meu/café” exemplificam essa dupla operação de retenção-expansão que permeia o livro.<br />
Trabalhando com uma tradição lírica que privilegia a memória, o amor e a vida sensorial, o poeta não se deixa seduzir pelos caminhos já trilhados (e exaustos) de certa poética brasileira, encontrando um meio-termo entre o artesanato pessoal de Bandeira e o rigor construtivo do primeiro Gullar, apontando tanto para a insuficiência da poesia na transposição da experiência, quanto para a riqueza que essa exiguidade gera no trabalho com a linguagem.<br />
Torreão cria essa tensão com o propósito de atestar o equilíbrio instável que rege a relação mundo-poesia, e como esse equilíbrio se sustém exatamente pelo risco de implosão, e não apesar dele. Sua poesia entende que parte da tarefa do poeta é gerar esse tensionamento, não como mero artifício estilístico, mas como modo de tatear, mapear e transgredir as divisas que separam os campos da linguagem e da experiência.<br />
Ainda assim, a leitura de Pão só em momento algum se torna menos fluida. Fiel ao título que escolheu, o poeta produz um livro que, por um olhar mais desatento, poderia parecer mera inscrição confessional, orgânica, mas que, como o pasto bíblico, esconde em sua simplicidade os procedimentos complexos que garantem sua feitura. Torreão retesa o arco da linguagem como modo de fazer soar mais natural o poema à leitura e à escuta, em um jogo que nos desafia a entender o quanto há, nessa aparente facilidade, de criterioso e intencional. É poesia que se forma “achando pouco/desfazendo o oco/num xambá”.<br />
Torreão nos instiga, nesse seu nascimento em livro, com aquilo que todo livro de poesia deveria trazer: linguagem consciente de sua responsabilidade enquanto código do vivido. E que “canta/formando ecos” que se grafam e se escutam.</p>
<p><strong>Arthur Lungov</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>A loucura das facas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-loucura-das-facas</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 May 2021 10:37:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[As nuvens urdem facas no solo.
Os ciprestes colhem do céu
letras
quebradas

gosto dos poemas que caem nas mãos como balas
ou como granadas.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Uma faca azul nos dentes</strong></p>
<p>O espaço é uma grande máquina de sombras e<br />
o poema uma miragem de letras<br />
não posso escrever os meus gritos<br />
não posso dizer-te quem sou</p>
<p>escrevo um testemunho inútil numa noite imensa<br />
e o amor para sempre é um defunto<br />
com uma faca azul nos dentes. <span style="color: #ffffff;">Maria Azenha</span></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>O vivo no vivo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-vivo-no-vivo</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 May 2021 17:00:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[com papel seda
deu linha ao vento
traçou cerol no céu

lá vai o menino
atrás da pipa

emaranhada
nos carretéis de Portinari]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“Nós vamos ter que parar por aqui.” É o último verso do primeiro poema de <em>O vivo no vivo</em>, de Anna Violeta Durão, no qual se emula um fim de sessão de análise, concluindo um texto que faz coincidir duas formas distintas de rememoração: das fontes do eu e das do mundo da arte, fundidas. Na brusca interrupção do eu e da arte começa a vertigem que tem palco na obra que você tem em mãos.</p>
<p style="text-align: justify;">O que é uma interrupção? Pegue uma cadeia de acontecimentos interligados. Cada evento é o elo de um processo que faz sentido. Quebre a corrente. Com que martelo? Com trauma ou milagre. Dois procedimentos de interrupção que atravessam <em>O vivo no vivo</em>. O truque de Anna Violeta consiste em esconder essas duas forças, trauma e milagre, em imagens mínimas. No poema “embrulha pra viagem”, três estouros na embalagem de plástico-bolha atualizam o remetente: “ploft! viagem;/ploft! presente;/ploft! encontro”. Nada além de uma mínima explosão de ar acontece na cena, mas essa distensãozinha repentina desloca o corpo até um encontro. Isso é possível porque a poeta se condensa a si mesma: “me cristalizo/uma pitada/de sal”.</p>
<p style="text-align: justify;">É assim que devemos ler seus poemas? É isto que está vivo no que é vivo? O trauma? O milagre? Quem acompanha Anna Violeta quando relembra alguém que “assopra/um rio que ainda arde/band-aid/merthiolate/sobre os meus joelhos/e s f o l a d o s”? O rio que ainda arde é um dispositivo com o qual a poeta encontra aquilo que passou, aquilo que se perdeu – em outras palavras, aquilo que morreu – em sua forma viva. Assim o trauma (que tão frequentemente se converte numa nova corrente de associações neuróticas em nós, com as quais nos defendemos dessa forte impressão do passado) se converte positivamente em outra coisa. Uma coisa viva.</p>
<p style="text-align: justify;">As coisas vivas são milagres. O que é um milagre? Hannah Arendt argumentava que o milagre deveria ser incluído entre as faculdades humanas, porque o ser humano é capaz de dar início a coisas sempre novas. Em outras palavras, suas ações podem ser tão imprevisíveis que elas não obedecem às correntes da lógica – e as quebram. A ação humana pode ser milagrosa porque tem em si a forma do inacabamento. “Amar é/ nunca completar o álbum”, nos diz Anna Violeta.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>O vivo no vivo </em>é um palíndromo. Pode ser lido nas duas direções. Um presente para converter trevas em luz e luz em trevas. Um vagalume. É o que precisamos agora, nestes tempos estranhos. Essa força alquímica do que vive: a capacidade de ver “em carne viva/à flor da pele”.</p>
<p><strong>Rafael Zacca</strong></p>
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		<title>Ecolalia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 08 May 2021 20:47:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Um Homem que
edificando uma casa
escava cava abre profunda vala
para alicerces
feito o telhado
retorna apenas para dormir]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em <em>Bordado e costura do texto</em>, Tamara Kamenszain confia às mães o ofício de ensinar a escrita enquanto um gesto artesanal que provém da conversa e do cochicho. Para Virginia Woolf, as escritoras estão sempre pensando a partir de suas mães. Já Hélène Cixous afirma que a escrita das mulheres se faz com a tinta branca do leite das mães. Diante da escassez histórica de referências femininas, essas escritoras mulheres reivindicam e elaboram as suas próprias tradições. Como Adrienne Rich convoca em <em>Quando da morte acordamos</em>, para se assumir enquanto uma autora é preciso re-visar a história em busca dos rastros de nossas interlocutoras perdidas. Em seu livro de estreia, Giulia Benincasa realiza essa procura enquanto se une ao burburinho de mulheres que escrevem movidas pelo anseio de constituir ou inventar uma genealogia. É assim que a poeta transforma o eco em seu procedimento de escrita. Aqui a filiação é uma ação criativa a partir da qual é possível tecer uma rede (uma casa?) comum em que diferentes interlocutoras se conectam: <em>aqui os nomes são refrões para serem entoados por anos. </em>E os nomes que esse eco repete são nomes de mulheres como Roberta Iannamico, Luciana Di Leone, Carla Diacov, Maíra Matos, entre outras. <em>Ecolalia</em>, como um livro <em>mamushka</em>, abre e compartilha em suas poesias uma legião de infinitas filhas-mães. Entoar esses versos é, então, repetir o desejo ativo de uma tradição de insubmissa recusa ao silêncio. G<span style="color: #ffffff;">iulia Benincasa</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Taís Bravo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O resto é céu</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Apr 2021 16:47:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[nunca soube diferenciar o poema do mundo
nem do meu corpo
mal distingo um cais ou o peso de um entardecer
da pele avultada que arredonda as unhas
mas posso, por exemplo, colocar a palavra ilha
no limite do esterno aonde só chega o ar
e a partir daí, talvez pronunciar povo
muitas vezes, a partir daí
a partir daí: a vida

e o resto céu

&#160;

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O poemário começa cumha operaçom de camuflagem, a ilha converte-se no corpo dela, ou ao contrário ela converte-se na ilha. Nestes casos, toda panorámica é autorretrato. Ela nom sabemos quem é. As poetas sempre, por respeito à venerável retórica, falam em primeira persoa. Depois temos a sensaçom de que Penas deixou a porta aberta, para que entrassem outras vozes, outros corpos. Como o corpo está camuflado, provavelmente por lama, ou cinsa vulcánica, nom reconhecemos bem quem som as outras que estám a falar. Umha voz dirige-se a um filho (a um desses filhos que sempre aparecem nos poemas): “Deverás ir armado de ontem até os dentes”. Outra voz afirma: “Posso conhecer umha cidade polo latido dos cães”. Quem diga isso tem que vir de moi longe, de moi atrás. É alguém que ainda lembra a fala dos cans. Andando o livro, levantam-se silhuetas femininas sobre a paisagem ocre baixo o céu limpíssimo, mulheres, nenas, velhas que falam coa boca cheia de terra. Som vozes que aparecem por primeira vez nos versos de Silvia Penas. As vozes falam de cousas que a poeta galega nom pode saber pola própria experiência. Ela vem dumha terra que ignora a sede, e onde o mar é manso e familiar como a horta que contorna a casa. Criaturas que pedem para falar, mulheres das ilhas que descolonizam para sempre o poema e coa sua voz escacham todas as cámaras dos turistas: “Há uma mulher a meio chorar, pelos cantos, suplicando amor, um gesto, umha moeda, suplicando amor”. E essa mulher fala, e escuta, espantada, a visitante. Atrás dela, tomárom a palavra as mulheres do país, e o verso fijo-se teatro. Entendendo por teatro o lugar onde a poeta deixa que falem as demais. “A minha saia abanada pelo desejo da chuva”, di o coro. Nom vou continuar a indicar versos, a citá-los. Dixem algúns que se levantaram do testo terroso e salobre, e apelarom-me directamente. Cada vez que aparece a palabra “cão”, “cães”, estremeço, e vejo-me de novo ali, olhado polos cachorros dos terraços. Talvez a outra persoa nom lhe diga nada, e será noutro verso, que para mim seja inócuo, onde aparecerá o resplendor para outra persoa. As instantáneas de Penas aparecem umha atrás da outra ante os meus olhos, e as minhas fotos, excepto umha, vam perdendo nitidez diante do teatro propiciatório da poesia. Eu também amei em Cabo Verde, mais nom lembro que fosse tam arrassador e conmovente como a estória de Penas. Hai turistas que nom saem dos hotéis dos trópicos por medo a topar com o corpo, com o povo, com a vida. Talvez eu seja um desses agarrado prudentemente ao daiquiri. A autora deste livro, nom, desde o primeiro dia saiu do hotel atravessando o muro de cristal que incluem no preço os tour operators. Ela saiu e “empunhou a vista, empunhou o fundo dos olhos” e percorreu o seu corpo, o seu teatro, rápido, rápido até o último verso, e o resto é céu.</p>
<p style="text-align: justify;">E assim, o céu passa a ser, na voz poética de Silvia Penas, sinónimo de silêncio.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quico Cadaval</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Plagiando Hilda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Apr 2021 17:08:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Folheio tua poesia helena (ora
minha!) e reviso. Folguedos de verão.
Febris, incenso e candência, fôlegos
e ternos relevos esboçando em ti
o que desconheço ainda hoje.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Este exercício de plágio sobre <em>Júbilo, memória, noviciado da paixão</em>, de Hilda Hilst, não se esgota no estudo dos recursos composicionais da poeta ou na perspectiva dum “elogio às influências”. Seu ânimo verdadeiro está antes na tentativa, aliás malsucedida, de incorporar ao cotidiano e disciplinar – apesar das circunstâncias – a fidelidade à prática diária do poema, tal como a herança biográfica registra aqui e ali a respeito da poeta plagiada. Que um livro específico tenha servido de matriz para organizar o ambiente necessário à empreitada é algo que se explica muito mais pelo acaso e pela trivialidade que por qualquer motivação cobrada ao texto. Digamos, para seguir logo adiante, que era o livro ao alcance das mãos quando o projeto de plágio ganhou consistência e seus primeiros rascunhos. Desenvolver o hábito e a intuição de sua reação sobre os poemas resultantes, para fora do círculo da “inspiração” e da “poesia-expressão-imediata” foi, portanto, o principal. Se vez e outra a interpretação estrita da matriz recebeu alguma atenção, temos aí um mero atalho, o mais preguiçoso possível, para contornar as dificuldades impostas ao projeto. Nesses casos, compreender a matriz é coisa que igualmente me escapou, por incompetência assumida e dos modos mais variados que se possa imaginar.</p>
<p>Uma última palavra a respeito da matriz antes de chegarmos a este <em>plagiando hilda</em>. Sua função quase figurativa no projeto não deve ocultar o quanto há nela duma estratégia de modulação entre ao menos dois campos, duas dicções, não complementares de antemão, num recuo bastante provocativo e plagiável até certo ponto… Ainda assim, outro detalhe acessório para o momento, e que poderá ser aferido com maior acuidade pela atenção ledora futura.</p>
<p>Desconfio que todo argumento investido nesta orelha não servirá, confusas que andam as coisas às vozes. Então é melhor ficarmos pelas atenções. Jamais iria de fato adiante sem registrar onde esses poemas saberão existir melhor. Trata-se do espaço sonoro, da expansão da fala presente, dos pulmões e ouvidos atentos à frequência vital, atentos aos ritmos amigos da hora de lapidar e dilapidar, os reais conhecedores da noite difícil. Aí, onde o que pensamos ser mais objetável escapa sem sabermos como, por que razão ou em que direção, exatamente aí deparamos algo que talvez se pareça com um ponto de partida.</p>
<p>Agora, adiante. <span style="color: #ffffff;">Marcus Vinícius Lessa </span></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Pandemônio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Apr 2021 16:51:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ritmos que cessam,
vozes que se calam,
são as cinzas,
tarde em cinza,
quarta-feira de cinzas.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<article class="post autor">
<div class="post-content col-66"></div>
</article>
<div class="col-100">
<div class="col-50 red">
<div class="trecho">
<p>Pandemônio em sua totalidade durante a pandemia que nos assola, em meio ao isolamento e espanto com negacionismos diversos, os versos caminham foi escrito quase que pela dor e a esperança em momentos difíceis de ódio e obscurantismo.</p>
<p>A obra é crítica e claustrofóbica, carregada de alusões aos dias difíceis atuais pelos quais passamos e o tamanho retrocesso que aflora em governos conservadores e negacionistas, onde nega-se a ciência, o conhecimento, negam-se as artes, a diversidade, montando-se base em discursos racistas, lgbtfóbicos, misóginos, xenófobos. Dias em que se prefere por exemplo isentar de impostos a importação de armas e tributar os livros. E, neste momento, nenhum artista pode se omitir, ninguém pode se omitir.</p>
<p>Dias difíceis,</p>
<p>Eis a fase em que nos encontramos</p>
<p>A pandemia não acabou</p>
<p>Mas os negacionistas ganharam força</p>
<p>Negar é como estar tudo bem se você não acreditar</p>
<p>É deixar-se morrer, afetar os seus</p>
<p>Os enterrar</p>
<p>E mesmo assim não acreditar</p>
<p>É fazer tudo o que se devia e sonharia de uma vez</p>
<p>Justamente no momento em que não se pode</p>
<p>É o retrocesso de um século batendo em sua porta,</p>
<p>Com revolta dos antivacinas</p>
<p>É um se igualar a terraplanistas. <span style="color: #ffffff;">Wagner Tonin</span></p>
</div>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Ecdises de Abaporu</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Apr 2021 16:43:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[aceito migalhas
quaisquer
e juntando
uma a uma
desejarei comê-las]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<article class="post autor">
<div class="post-content col-66"></div>
</article>
<div class="col-100">
<div class="col-50 red">
<div class="trecho">
<p>se a ecdise é o processo de transformação de vida e morte do corpo para permitir o crescimento, lude freitas vem nos lembrar que essa transformação só é possível se há alimento. aqui, abaporu nasce, vive e planta<em> sementes que germinam a fome</em>, junta aos poucos <em>lascas de palavras </em>e nos confessa: <em>escrever tem a ver com a vontade de lamber as coisas</em>,<em> é pela sede a escrita. </em>abaporu parece se construir na percepção de uma presença-ausência daquilo que digere – <em>ideias são como nós porque é preciso comê-las </em>– abaporu se percebe na falta, se percebe na fome por comer aquilo que não se é, por se tornar e ainda não ser. aqui habitam tartarugas, moscas, urubus e mariposas. tornamo-nos montanhas que olham pela janela do quarto e se perdem em lembranças do recreio ou anseiam por um <em>amanhã que parece nunca</em>. nestes poemas, lude freitas nos ensina que <em>há perigos por todos os lados</em>, que a morte nunca nos abandona, mas que muitas vezes, como no ato antropofágico, ela também significa vida, também soa renascimento. entre passadas de elefante e passadas de formiga, encontro feliz por todos os cantos do cômodo de onde abaporu nos olha, inúmeros gruminhos de sua voz. <span style="color: #ffffff;">Lude Freitas </span></p>
<p><strong>Viviane Nogueira</strong></p>
</div>
</div>
</div>
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		<title>Amém período fértil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Apr 2021 16:41:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[numa noite bem bonita
te lamberia
te lamberia bem devagar entre os dedos entre as coxas os seios e
os cabelos
te lamberia no meio da praça no peito do mato no cu do mundo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<article class="post autor">
<div class="post-content col-66"></div>
</article>
<div class="col-100">
<div class="col-50 red">
<div class="trecho">
<p>Maria Rilke afirma que, ao exercício poético, não há cotidiano pobre, pois o poeta é aquele que evoca suas riquezas e é se originando daí que um poema tem valor. Foi dito que Newton criou a Teoria da Gravidade durante a quarentena da peste bubônica, Shakespeare escreveu um de seus clássicos também durante uma quarentena, e monges, ainda hoje, se iluminam depois de anos de clausura. Digo isso sem romantizar a experiência política que nos obriga a forjar a solidão, a separação física do dia a dia social. Mas, à nível individual, quem poderia, a não ser o poeta, povoar essa solidão?  É o poeta que se debruça na ausência, preenchendo o seu vazio. É o poeta que se debruça sobre o silêncio cantando com ele a mesma nota opaca até que um verso se faça. É o poeta que acha a fagulha de luz no seu próprio escuro e se ilumina de si. É rico o reino da poesia. Mesmo que o cotidiano o esconda, o poeta o redescobre como a criança o redescobre. Este livro é um exercício de manter fértil o exercício da poesia, “ocupando ocupá-la”. <span style="color: #ffffff;">Gabriella Zanardi</span></p>
<p><strong>Gabrielle Albiero</strong></p>
</div>
</div>
</div>
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		<item>
		<title>A proclamação da vulgaridade ou quantos furos uma calcinha pode ter?</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-proclamacao-da-vulgaridade-ou-quantos-furos-uma-calcinha-pode-ter</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Apr 2021 16:25:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[vinte e cinco reais cinco quilos de arroz
não dá pra desperdiçar nenhum
grão mesmo que isso signifique não
alimentar outros insetos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Tira a calcinha do meio da bunda, termina de arrancar o esmalte, faz um sanduíche com o resto da geladeira e entra aqui. Que o último a chegar não é a mulher do padre. Aqui não tem padre. <em>A proclamação da vulgaridade</em> é uma fé bem cachorra, passando um esfregão no mundo, numa procissão de latidos. Eu leio assim — latindo.</p>
<p style="text-align: justify;">No meio da proclamação, vemos duas mãos. “que sorte: minhas cicatrizes preferidas ficam uma ao lado da outra<em>”. </em>Mão esquerda com a queimadura de cigarro que a avó fez na neta, mão direita com a mordida do cachorro impedido de perseguir uma pizza da dona. Seja lá qual das duas for a mão com que a poeta Mila Teixeira escreve, há um lembrete: perto do destino tem sempre uma bobagem. Um personagem. Uma cena. Um caderninho amarelo caído de uma bolsa, objeto que você não devolve porque quer bisbilhotar.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>A proclamação da vulgaridade</em> não é, então, um discurso. Nada disso. A poesia de Mila Teixeira é uma grande risada. Da nossa condição, de todos os diagnósticos. Um corpo fugindo do médico: as doenças que tenho são as que eu imagino que tenho, doutor. Posso inclusive ter alergia a você, doutor. O jogo é bruto: se apaixona pela foto de perfil de um cara sem se esquecer que ver a outra metade do rosto pode ser fatal pra reverter o apaixonamento. Aqui estamos colados à nossa decomposição, à nossa breguice, aos nossos lençóis com elástico frouxo. Batendo no mistério: “não é por acaso/que passo o dia mijando.”.</p>
<p style="text-align: justify;">Como uma calcinha velha acumuladora de furos, vai se adequando perfeitamente à nossa anatomia — e também por isso, eu acho, deve ser queimada. Na vulgaridade, as segundas intenções são para o horário do fantástico, se goza como um bom animal, a casca de banana vai permanecendo no quarto, no poema, a guerra é declarada a um pombo e há a certeza: de que poetas são pobres. Deixando certamente a vontade: de que devemos ser fregueses de Ismália. Comedores do queijo coalho de Ismália. Pelo menos aqui, nesse livro, sob tal presidência.</p>
<p style="text-align: justify;">Está declarada a falta gostosa de poder. A quantidade de mal-entendidos e satisfações desnecessárias são também produções poderosas de vida. E, de todo jeito, terminamos sem descobrir quanto tempo vive uma barata, antes de ser morta por uma escova rosa. Ou o tempo que leva para uma baleia, que desistiu da vida, se decompor.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Maria Isabel Iorio</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Todas as mães são tiranossauras</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/todas-as-maes-sao-tiranossauras</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Apr 2021 16:21:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[como explica a origem da dor
das têmporas ao peito
como me ensina a dormir
sem o tato réptil
frio
como faz pra acordar]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<article class="post autor">
<div class="post-content col-66"></div>
</article>
<div class="col-100">
<div class="col-50 red">
<div class="trecho">
<p>O irrecusável começa pelo título, corpulento, desenhado por mãos de criança. Com sua pequenina mão, uma cuiatãzinha enlaça a nossa e, sem nenhuma palavra além de um sorriso, puxa-nos para dentro deste livro-labirinto. A criança não se despede, corre e some. Mas a sentimos sempre por perto. Entramos tateando a coerência paleolítica desta aventura. Sentimos que algo nos amarra no calcanhar direito, por lindura de cuidado, por reserva de qualquer perigo; na perna das leitorassauras, um fio, de Ar e Água. Somos muitas, seguras em colo de mãe.</p>
<p>Mas é claro que não podemos achar coerência num labirinto. Só podemos, escrileitoras de convites, estar numa aventura geograficamente subjetivada. Entramos como gostamos: <em>à procura de distinguir a semelhança das aves</em>. Há um enigma nesta esquina que pinça o nosso miocárdio, um augelivrolabiríntimo que instaura ambiente, tempo, sentimento, não desta era. Lugarejando eras. Pois a infância também é uma vida passada.</p>
<p>Interpretamos as paredes tocando nosso caxixi do Mestre Manel. <em>Vocês / que me desvendam tão bem / estão prontos para abrir os olhos?</em>, entalha Marcela Maria, e nos é tão “Tu que me lês / tu vês / talvez / isso é um cavalo?”, de Max Martins, mistério maior que nos mancomuna, que nos mareia de incêndios. Sol em Peixes e Vênus em Áries escrevemos: <em>morder meus olhos enquanto durmo / mastigar o que há de violento em meu sonho</em>.</p>
<p>Dizemos com os olhos: esse ritmo de chagacura labiríntima está gostoso. Vemos: todos os territórios são plurais e poéticos. Entendemos: a poesia já nos foi um peso, o peso de não saber o que fazer com o invisível. Então acreditamos que havíamos nos curado — como aves, migrado — da poesia para o tarô. Mas aí <em>todo </em>[esse]<em> estudo das relações humanas / contidas num espaço específico / delimitado ou não por fronteiras</em>.  E, adultas que somos, gostamos de nos perder.</p>
<p>Encontramos: uma saída e uma carta. De amor ou de tarô, não sempre liberam algo que está bloqueado? Uma segunda pessoa? Leitora, o livro és tu quem escreve. O labirinto é o teu íntimo. A jornada agora se inicia. És a maga. Faz teu tu.</p>
<p><strong>Élida Lima</strong></p>
</div>
</div>
<div class="col-50 red">
<div class="trecho">
<p>&nbsp;</p>
</div>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Naquele ano eu era calada e triste</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/naquele-ano-eu-era-calada-e-triste</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Apr 2021 16:08:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[emoções
motivos pelos quais tenho raiva da morte:
Marília
Marília
Marília]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Louise Bragado me parece silenciosa e radiante. Mansa por dentro. Um tanto mais, talvez.</p>
<p>Conheci essa moça em uma tarde de sábado, na ensolarada Copacabana, em horas de leitura, escrita e conversas. Mulheres diversas, em vidas, tempos, nascimentos, dores e delícias, guiadas por um delicado moço. E seguimos nos visitando e acompanhando no virtual.</p>
<p>Louise fala sutilezas, solidões e companhias, palavras e vozes. Inteira.</p>
<p>Em seu <em>Naquele ano eu era calada e triste</em>, a ausência de Marília pega o leitor pela mão e leva para a roda de sua vida e partida. Roda de medo, fé. De mulheres em tripa, coração e estômago.</p>
<p>Pedaços em listas.</p>
<p>Pedaços de todas e todos nós.</p>
<p>Pedaços urgentes.</p>
<p>Pedaços de calma.</p>
<p>Pedaços de quem ainda não sabe.</p>
<p>Pedaços de ir e não ir.</p>
<p>Pedaços de pandemia.</p>
<p>Pedaços de vida real.</p>
<p>Uma vida imaginada para sobreviver. Uma vontade de processar Deus. Pães em uma sexta à tarde. Um passeio de bicicleta no domingo. Um pouco de Marília embalada na mudança. Coisas a dizer todas as manhãs. Crer em Caetano como Caetano crê em Gil. O desenrolar invisível das coisas. Pertencer a algo que escapou. Transar até morrer de sede. A celebração de uma chaleira a apitar. Redução de danos. Mãos sujas de afeto. Mover o luto para uma dimensão de cuidado. Deslumbramentos.</p>
<p>Um direito de amar em público sentado na sarjeta, porque nesses tempos de governo canalha os direitos andam livres nos livros, não nas ruas.</p>
<p>Uma arquiteta e uma publicitária provando o paraíso antes do inferno. Pedaços.</p>
<p>Uma leitura aos pedaços mas em respiro único. A gente começa pagando a funerária, termina em estado de poesia. E segurando a mão que Marília deixou só.</p>
<p><strong>Bárbara Anaissi</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Ficamos eu</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Apr 2021 14:15:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[eu estive tão perto
minha calma assistia solene
cada fibra do fio que partia
como se eu não estivesse]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Escrevo esta orelha para que outras ouçam as palavras da Talissa Ancona Lopez, que batem à porta do ouvido, desesperadas por entrar. Recordam-nos que o desejo não espera, pois onde crepita, feito reticências fúlgidas — “bom, evidente que o desejo ele…” —, as perguntas brotam e a eternidade se desdobra.</p>
<p>Mediante uma poética do “contrapé” delicadamente gozadora, essa ânsia traz na esteira do seu tremor uma contraposição: é “meio pé” de equilibrista que rodopia em “meio-fio” de verso boiado, antes de dar “meia volta”, por “meio querer”. A palavra tombada da ponta da língua desdiz ao mesmo tempo que arrisca, e a prontidão da escrita, empenhada em costurar lembranças semiditas, palimpsestos ruidosos e cantadas suspiradas, desemboca numa airosidade buliçosa e aérea.</p>
<p>Em um primeiro espasmo do livro, o poema <em>Dictionnaire du corps</em> traz à luz a espessura altamente carnal do caldeirão onde ferve a escrita. A dobra mais sensível do “origami” se entreabre, ofegante, em <em>Carona na capital</em>: “por baixo das palavras as mãos teimam”. Envolto em palavras que o “rondam” e “apressam”, o corpo insiste em se dizer. Sensual, obstinado, espalhado entre mil contorções desvairadas e algumas convulsões silenciosas. Em <em>Ficamos eu</em>, a poesia não irrompe, tampouco surge. Ela jaz, à flor da pelepapel.</p>
<p>Aí, frisa-se a importância da psicanálise para a autora. Além do leitmotiv da sessão como componente do cotidiano pincelado neste livro, sua leitura recoloca de forma original a questão da relação entre o suor analisante e o elã poético, notoriamente aberta pela poeta H.D. em <em>Tribute to Freud</em>. Se ambos nascem do mesmo arrebatamento diante do “mar de palavras” escorregadias que parece não acabar nunca, a frequentação do divã não seria uma extensão da cama de lençóis desarranjados em que, segundo André Breton, a poesia se faz como o amor?</p>
<p>Os versos aqui selados, frutos de uma aposta inédita, respondem à pergunta de modo singular, pela public-ação. Assim, enquanto uma análise pode levar à redução do ego imaginário a um puro “eco seco”, ao lançar seu primeiro livro, Talissa demonstra um passo dado além (ou aquém? ou simplesmente fora?) da depuração que o título evoca, discretamente, do lado da solidão com a qual cada um há de carregar sua dor.</p>
<p>Convidado a se constituir como horizonte renovado de escuta, cabe ao leitor, doravante, tornar-se a caixa de ressonância do grito íntimo da poeta. Basta abrir essas páginas “devagar, como se economizando o tesão do ruído do papel pelo corpo”.</p>
<p><strong>Marie-Lou Lery-Lachaume</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Ferrugem</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Apr 2021 14:12:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[dentes de leite caem e deixam buracos na gengiva
é gostoso passar a língua nesses buracos
e também é gostoso enfiar a língua embaixo do dente mole
enquanto ele está preso
por um pouquinho]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Ferrugem inicia-se com a descrição aparente de um procedimento: “serrar ossos com um faca de cozinha”. Parte de uma imagem-matéria-metáfora. Abrem-se os ossos, disseca-se a corrosão da matéria no corpo. Corrosão que é o próprio corpo. Que é existir e roçar o vazio: “dentro é o deserto”.</p>
<p>A artista-poeta nos dá o rastro, a borra, o escoamento seco-molhado-vazio-oco-borra de imagens e palavras que ocupam o entre. Ocupam na sua condição de vestígio. Dá pra pegar? A mancha na parede? As marcas identitárias conservadas nos dentes? Dá pra pegar quando morre? O que foi aquela vida?</p>
<p>Para Barthes, a imaginação poética é improvável. O poema é aquilo que não poderia acontecer em nenhum caso, salvo justamente na região tenebrosa dos fantasmas que, por isso mesmo, ele é o único a poder designar.</p>
<p>Se “dentro é o deserto”, e “dentro não tem dentro é seco”, é preciso “arrancar com a unha as carnes”.</p>
<p>Clara Machado busca a pulsação, e cria imagens-palavras que adensam e ocupam o deserto, que criam corpo, na condição de “fantasma roçando na carne”. Procura a carne, o rastro, a infiltração, o corpo. Há corpo? Osso? Carne? Existe isso que pulsa e marca? A marca fica?</p>
<p>Percorremos com Clara o que se infiltra na pele e marca. A artista-poeta quer guardar as marcas, criar memória: “já faz um tempo que eu coleto ruínas”.  Busca com violência erótica esses rastros (da vida), como se ali houvesse algo de precioso. Constrói um universo singular, de imagens, palavras, relicários de sangue e ouro. Havia algo naqueles ossos, naqueles dentes?</p>
<p>Da masturbação no bidê. Da escada e da casa, onde o corpo habita e se faz presença perene. A infância, a casa, a avó, o pai e a mãe. Os ossos e cabelos que crescem dentro. Deve haver algo que fica, que mancha. Clara vive e olha a casa, a mancha que brota. Procura essa dureza líquida que vaza. O dente de leite, os buracos, as inundações.</p>
<p>A mancha é ferrugem, e jorra vermelho. A poeta quer fazer vermelho o deserto, vermelho sangue, vermelho-ouro. Inundar o corpo, o banheiro, a calha, o sol. Quer corroer. A mancha “expande suas fronteiras” até o entupimento.</p>
<p>Do corpo penetrado, corroído, entupido, os rastros surpreendem, ao final: dois poemas e fotografias de um trabalho performático de Clara. Tudo se ilumina. Com o corpo do pai, Clara cria-desenha-escreve na luz e indaga: “pode o espaço ser um pulmão cheio de terra?” parte da indagação para construir algo. Vivemos com a artista o momento em que se cria, luz:</p>
<p>“pode a gente jorrar luz. pode, pai, ser a vida clara.”</p>
<p><strong>Maíra Matos</strong></p>
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		<title>Acidente geográfico</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Apr 2021 13:55:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[se eu fosse inglesa
reclamariam de mim diferente
diriam: you get itchy feet
nunca está contente
mas, sendo brasileira,
não tem nome
a minha coceira]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O sentir é um lapso acidental da consciência. Talvez seja tangível a todos experimentar o sublime existente na pétala da flor mais frágil de um campo selvagem. Talvez. Mas é fato que a existência mercantil dos tempos modernos quase nunca nos permite gozar corriqueiramente desta contemplação, mas há quem o faça.</p>
<p>Há quem se entregue ao desacelerar, negando o imperativo da pressa e optando dirigir abaixo da média só para poder observar pela janela as vidas à margem, com tempo hábil para criar, inventar e contar histórias sobre elas. Há quem se deslumbre com o Rio, o rio e o riso, desbravando e se encantando com os imprevistos deste perambular, sem jamais deixar apagar a regionalidade natural que perpetua sua raiz. Há quem se inspire até nos insetos, ágeis, alados e tão capazes de ensinar nossas pernas a também voarem. Há quem perceba a mudança persistir e se privilegie da inconstância. Há quem se deixe queimar nas fogueiras latentes das paixões voláteis, poetizando a consistência arenosa que é ser um em dois. Há quem perceba que o agora, tão sólido, também se finda na efemeridade do daqui a pouco. Há quem saiba que as palavras, quando saem e de onde saem, visitam um lugar comum chegando carregadas de anseio sobre ser e dizer.</p>
<p>Muriel Assumpção, na mais profunda essência do existir como um acidente geográfico – do onde, quando e como –, faz, destas páginas, passeio. Um passeio de mãos dadas com o admirar de uma mulher andarilha e desacelerada, um convite para sentir, cotidianamente, sublimar.</p>
<p><strong>Erika Zordan</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>A cadeia quântica dos nefelibatas em contraponto ao labirinto semântico dos lotófagos do sul</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Apr 2021 13:53:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[NÃO VЄNHΛ COM ЄSSΛ, ΘRFEU
∫EUS DESEJФS P└ ΛNISFÉRICOS ΛMPLIFICΛDOS
SEM TRONO ←→ NEM ΛTROFIΛ
PADЄCЄM COM Λ FILIΛÇÃO IM∞RTΛL
SUPLЄMЄNTOS NULOS E ATℜΞVIDOS BROTΛNDO
DЄ GLÂNDULΛS NЄVRÁLGICΛS
Λ FLEXIBILIDΛDE DOS EPÍGONOS]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Dentro de matrizes simbolistas e surrealistas, este livro apresenta histórias e vozes ficcionais que se cruzam: um astronauta, dois amantes divergentes, lotófagos e nefelibatas flanando por territórios físicos e mentais. São versos e sequências tipográficas que se apropriam de diversos dispositivos literários, estabelecendo intertextualidades com o cânone modernista e a poesia de vanguarda por meio de jogos sintáticos e sonoros. <span style="color: #ffffff;">Marcio Aquiles </span></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>IXÉ YGARA VOLTANDO PRA ’ Y’KÛÁ (sou canoa voltando pra enseada do rio)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Apr 2021 06:52:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ixé ygara voltando para `y’kûá.
Ixé ybyrá de raízes que voam.
Xe r-oka é o vento,
Xe r-oka é a água.
A-guatá pelo mundo,
As vezes longe de casa,
As vezes perto de mim.
Xe r-oka é a terra
Da floresta, da ilusão do ocidente,
estrada, fumaça ou curupira.
Longe ou perto de casa
sou yby r-aîyra.

<span style="color: #ffffff;"><strong>ellen lima</strong></span>

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Este livro é um atravessamento. Os versos que atravessam os poemas antes disso atravessaram a história de um país inteiro, contada aqui pela voz poética de uma mulher na medida da sua travessia. A voz criada pela autora, uma mulher brasileira de origem na indígena, conta poema a poema a vivência de milhares de brasileiros cuja identidade e ancestralidade indígena foram atravessadas pela ocidentalização, mas que agora fazem uma nova travessia, a de volta, como uma canoa voltando pra enseada.<br />
O fio condutor dos versos costura a diáspora e o retorno a si, uma retomada que, de dentro pra fora, acompanha o ciclo do mundo, uma reocupação do seu próprio território íntimo, mas tão pessoal quanto universal. E retornar a si mora no reconhecimento em ser ela mesma um resultado dialético da ilusão do Ocidente com sua origem e ancestralidade indígena, aquela que tem a casa com chão de água e paredes de ar.<br />
A leitura conduz às sensações mais profundas de uma identidade que, marcada, cortada, ferida, gera uma nova identidade no corpo marcado da moça indígena ocidentalizada que aqui fala: angústias do capitalismo ocidental, pertencimento, não-pertencimento, o paradoxo de morar sob a composição de dois sentidos tão antagônicos, a presença e a vivência da cosmologia indígena, em que a natureza é tão somente si mesma, diz: o mar sou eu, tal e qual o vento, o céu, o pássaro, a, a água, a nuvem, e cuja a morte e a vida gozam do mesmo pleno sentido, estatuto e importância.<br />
As páginas que aqui serão lidas são um passeio num Brasil contemporâneo, um passeio assombroso, doído e cheio de ternura neste país tão fortemente atravessado quanto são os poemas, uma seta, uma travessia onde a leitura de cada poema oferece um atravessamento no corpo de quem o maneja. Este livro é uma pedra, portanto. Uma pedra à beira do mar, exposta à ventania e à agua, que com o tempo, toma a forma do próprio tempo que o provoca. A pedra, em algum momento, que deixa de ser somente pedra e passa a ser também tudo que nela toca. A estrela valente, e o significado da literatura brasileira. <span style="color: #ffffff;">Ellen Lima</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Manuella Bezerra de Melo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Volta para tua terra: uma antologia antirracista/antifascista de poetas estrangeirxs em Portugal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Apr 2021 16:57:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[amanda vital &#124; ana luiza tinoco &#124; ana paula vulcão &#124; bruna carolina carvalho &#124; carla muhlhaus &#124; carol braga &#124; costa neto &#124; daniel cruz &#124; danilo cardoso &#124; delmar maia gonçalves &#124; duda las casas &#124; dulce semedo &#124; elizabeth olegario &#124; ellen lima &#124; etivaldo camala &#124; flávio catelli &#124; francisco mateus &#124; francisco welligton barbosa jr &#124; gabriela carvalho &#124; gabriela gomes &#124; hilda de paulo &#124; huggo iora &#124; irma estopiñà &#124; ivan braz &#124; jamila pereira &#124; jaqueline arashida &#124; jean d. soares &#124; jorgette dumby &#124; juliano mattos &#124; laura beaujour &#124; leidy rocio anzola chaparro &#124; luca argel &#124; luciana pontes &#124; luciana soares &#124; mai zenun &#124; manuella bezerra de melo &#124; maria giulia pinheiro &#124; mariana dorigatti woritovicz &#124; marianna di giovanni pinheiro serrano &#124; monise martinez &#124; murilo b. lense &#124; murilo guimarães &#124; noemi alfieri &#124; ronaldo cagiano &#124; salazar crioulo &#124; samara azevedo &#124; samara ribeiro &#124; sylvia damiani &#124; vum-vum kamusasadi

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A imigração é um labirinto. Um labirinto de concreto cujo céu não se vê. Seguir em frente é o único sentido e até mesmo voltar para trás significa seguir em frente. Decidir tirar os pés do próprio chão, cujo solo é conhecido, cujo terreno está medido, onde se planta, onde não se planta, onde é possível colher ou não, é um ato de coragem. Perguntam então porque faz-se isto se é um ato tão duro consigo mesmo? As vezes a gente conhece o próprio solo, mas está exausto da espera pela colheita. As vezes, ainda que se saiba sobre o teor do solo, da terra abaixo do seu corpo, é preciso que o grão brote, e se não brota, a sobrevivência leva os humanos, que tem pernas, a se movimentarem. Assim constituiu-se o mundo, a sociedade, as civilizações. Homens e mulheres com pernas caminharam, deslocaram-se para onde já estavam deslocados os seus sonhos. Uma vez dentro do labirinto, uma vez que é feita esta escolha, não há mais volta a dar. Algumas pessoas passam uma vida inteira no mesmo lugar, no mesmo sítio, na mesma aldeia. É respeitável, é uma escolha. Mas são as que se movimentam aquelas que transformaram a humanidade, as pessoas cujo deslocamento de si mesmo promoveu o deslocamento do eixo da terra. Quando alguém se desloca ela transforma tudo dentro e também à sua volta. O movimento, a deslocação em si não é danoso, pelo contrário, é importante e produtivo, desde que isto não leve a um encontro danoso com a alteridade. E é sobre alteridade que também queremos falar. Nós, estes poetas estrangeiros que vos falam, viemos dos mais variados países, nós estamos em Portugal, somos aqui residentes por uma série de motivações conhecidas apenas por cada um de nós. Portugal, este país de território pequenino na ponta da Península Ibérica, é pela história conhecido por sua essência exploratória, curiosa e desbravadora. As míticas personalidades históricas portuguesas conquistaram o mundo para a sua coroa, sua monarquia na altura poderosa, vigorosa, que construíram uma imaginária nação gigantesca. Imaginária porque falamos aqui sobre imaginário mesmo, sobre como as narrativas são capazes de produzir verdades que talvez não sejam assim tão verdadeiras como esperávamos que fossem. Estamos falando de algo que inicia em um tempo remoto, que parece que não se vê neste agora.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Manuella Bezerra de Melo <span style="color: #ffffff;">VOLTA PRA TUA TERRA</span></strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>O livro dos fantasmas sozinhos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Apr 2021 16:53:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ontem lhe apontaram o dedo,
dedo rígido de ponta
que no vai e vem da verdade,
pegaria na mentira.
Não há mais cidades, viu.
São catedrais espalhadas
por espirais celestes.
Quando sobe ao céu
o verbo se desfaz e grita.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Esse é um livro experimental, radicalmente experimental. Não à moda de certos experimentalismos, que caem no nada, numa espécie de experimentar por experimentar. Leo Thim leva a fundo a concepção de que forma e conteúdo nunca se separam. Assim, as invenções formais que o livro propõe mantêm íntima relação com o que os poemas desejam dizer. A linguagem é deformada numa experimentação que a amplia, e assim as possibilidades do mundo também crescem. Digamos que sua coerência formal seja justamente esta: se cada poema deseja expressar algo único, deve também possuir uma forma única, uma forma que consiga sustentá-lo no mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">Mundo este que é (des)povoado por fantasmas. Um mundo interior, nunca enclausurado pelo tom confessional, mas onde as paixões e as memórias passeiam cobertas por lençóis brancos. Às vezes, confundido com uma casa abandonada cuja mobília buscamos em vão preservar, há ratos e traças. Às vezes, há uma multidão de fantasmas solitários aos pés de uma Babel em chamas, com palavras arremessadas como estilhaços pela ruína da linguagem. E somos, então, arremessados juntos ao mundo exterior. O lugar onde os fantasmas da época se encontram, ora falando em árabe, ora em forma de máquina; ora como mosca, ora como Buda; ora com bigodes fascistas ora sem – mas ainda fascistas; ora como cometas ora como amores – não seriam a mesma coisa?</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, os fantasmas aqui estão nus. Mas este não é um livro triste. A palavra o anima (e o assombra) desde dentro. Traga, leitor, os seus fantasmas para fazer-lhe companhia.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Pedro Spigolon</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Lingua de ántrax</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/lingua-de-antrax</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Apr 2021 16:50:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[[tradución]
<span style="color: #ff0000;"><a style="color: #ff0000;" href="https://editoraurutau.com/autor/anton-blanco-casas" target="_blank" rel="noopener">Antón Blanco Casás</a></span>

máis penoso ca unha besta
humanizada, mutílame
apaticamente coa mesma
elegancia fácil coa que
corta o tofu. chúchame os ósos
para escindilos do pecado
e prende lume a toda lembranza.
entón fico febre vibrante xelatinosa
e ocupo inmóbil o espazo absurdo
entre dúas fendas.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>como esgazar unha granada e manchar a blusa coas pingas cor sangue e despois ficar ollando para os pedazos redondos aínda imbuídos na carne da froita. meter as mans na polpa, máis con curiosidade que con tino, primeiro a punta dos dedos, logo as unllas, arredar os grans contra a casca da granada, rematar derrubándoa contra chan. mirar como se estomballa na baldosa, manchar agora a cociña, os pés. como observar todo isto sen apenas emitir un son, como apreciar o escenario xa tinguido de granate, o sucio, desde un anaco moi pequeno e moi prezado de experiencia, como unha forma de coñecemento.</p>
<p>así lingua de ántrax de Anna Gas.</p>
<p>este libro é un descubrimento dos descubrimentos, dunha forma de ollar sobria que encaixa a precisión dos detalles con consistencia, pero non con cinismo. a voz poética sabe da supervivencia, da inhumanidade, do corpo espido, da traizón, do milimetrado. cóntanolo sen adornar, como quen irrompe no cuarto dun descoñecido coa cama a medio facer e a roupa do día anterior ciscada na cadeira. con esa honestidade radical e íntima, como esgazar a granada, así lingua de ántrax de Anna Gas.</p>
<p>grazas a Antón Blanco Casás por achegarnos esta voz necesaria.</p>
<p><strong>arancha nogueira</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Anjo frito no amor de dois deuses</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Apr 2021 17:00:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Bem haja a chama que cruzando o Mar eu ardo.
Bem haja o útero que der
o novo e imoral espaço que,
sempre provisoriamente, me acolher.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">À medida que aborda os temas que lhe convocam, Thiago vai nos levando, aparentemente doce e sempre muito profundo, digo aparentemente, porque sendo poeta, não poderia ser uma coisa só eternamente. Fui lendo devagar e atenta, me sentindo sob um certo controle, até que “Engenharia inversa” me engoliu com sua beleza e fina precisão. A metalinguagem amorosa, que fala do poema como um prédio, que “se edifica de cima para baixo”, me aprisionou naquela página por um bom tempo. Ler é reler. Quando o que se tem diante de si é um poema, reler é olhar pra dentro e atingir um céu tão particular quanto irremediavelmente coletivo, porque humano. “Erigir noutro contexto”, como infinitamente melhor diz nosso escritor.[…] “Palavra é onda: não as houvesse, e o mundo estaria alijado de também ser mar?”, provoca Thiago, enquanto mergulha, de mãos dadas conosco, nessas marés de procurar o objeto-palavra nas coisas do mundo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Zélia Duncan</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O pássaro zero</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Apr 2021 16:49:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Cai o bich
Oalado no a
Bismo enQuantoeu
Acho asu
Acarcaça
Aqui nomeio
Oumbigoe
Todoosangue]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Djami Sezostre é um poeta-alquimista, poeta-diamante.</p>
<p><strong>Afonso Henriques Neto</strong></p>
<p><b> </b>A seiva textual de Djami Sezostre é um recuo ao medievo.</p>
<p><strong>Alécio Cunha</strong></p>
<p>Djami Sezostre é um faiscador de diamantes.</p>
<p><strong>Cely Vilhena</strong></p>
<p>Em Djami Sezostre o panteísmo é celebrado através de uma intensa e colossal orgia.</p>
<p><strong>Claudio Willer</strong></p>
<p>Um dos poetas mais relevantes da atualidade por suas experiências lexicais e formais.</p>
<p><strong>Daniel Osiecki</strong></p>
<p>Ao propor uma nova grafia, Djami Sezostre sugere um novo sistema de ler, sugere um novo mundo.</p>
<p><strong>Edgard Pereira</strong></p>
<p>O poeta Djami Sezostre é uma surpresa neste cenário de homens duplicados.</p>
<p><strong>Fabrício Carpinejar</strong></p>
<p>Djami Sezostre age como um deus do vocábulo.</p>
<p><strong>Fernando Aguiar</strong></p>
<p>E tudo é música em Djami Sezostre.</p>
<p><strong>Francesco Napoli</strong></p>
<p>Djami Sezostre constrói um texto de alta modernidade.</p>
<p><strong>Francisco Igreja</strong></p>
<p>Toda a poética de Djami Sezostre é uma experiência de limite.</p>
<p><strong>Jorge Melícias</strong></p>
<p>A poesia de Djami Sezostre é uma das mais interessantes que conheço em língua portuguesa.</p>
<p><strong>José Luís Peixoto      </strong></p>
<p>O poeta torna-se o animal que esbraveja incalculados outros para uma plateia.</p>
<p><strong>Leonardo de Magalhaens</strong></p>
<p>Poeta xamã aparentado do jaguar, tendo por tio o índio Iauaretê.</p>
<p><strong>Marco Aurélio de Souza</strong></p>
<p>Poesia em alta voltagem.</p>
<p><strong>Micheliny Verunschk</strong></p>
<p>Djami Sezostre conseguiu escavar o cansaço da língua, vencer a exaustão da insuficiência de expressão de uma época.</p>
<p><strong>Salomão Sousa</strong></p>
<p>Djami Sezostre complexifica a temática brasileira, encaminhando novas performances poéticas.</p>
<p><strong>Seraphim Pietroforte</strong></p>
<p>Nada enjaula Djami Sezostre!</p>
<p><strong>Tarso de Melo</strong></p>
<p>Djami Sezostre é um poeta raro dentro do cenário brasileiro.</p>
<p><strong>Vinícius Lima</strong></p>
<p>O sujeito lírico em Djami Sezostre se expande como animal, como água, como planta, como eu no outro.</p>
<p><strong>Viviana Bosi</strong></p>
<p>Como será recebida essa poesia, tão poesia, tão minha, tão dele, tão de Djami Sezostre?</p>
<p><strong>Rubervam Du Nascimento</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Caos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Apr 2021 16:34:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em qualquer lugar do mundo as mesmas caras,
lojas, marcas, fast foods e igrejas evangélicas.
Turistas cruzam o mundo para visitar shoppings,
pastores pregam colonizando almas. <span style="color: #ffffff;">Wladimir Moreira Santos </span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">é necessário exercitar a autonomia para criar o hábito de outra existência e outra estética capazes de compor uma conduta atravessada pela poesia como orça vital que eleva plantas. acredito que esta seja uma das principais propostas deste caos, tão calmo em algumas de suas mais belas imagens, como a do trecho na sombra de uma árvore,  cochilo e desperto de um sonho/no sonho, uma arca de todas as plantas, de todos os bichos/num voo por territórios de agrofloresta, por territórios de paz. &amp; tão angustiante em suas constatações mais singelas a humanidade é um fracasso./ser vitorioso equivale a destruir o planeta./homo sapiens, cancro maior da Terra?. percepções tão distintas, claramente, só poderiam representar o fim e o início de um mesmo poema, que me leva a pensar “como, então, habitar a terra? como agir para dizer que não, não somos o cancro maior da Terra?” a poesia de wladimir desconfia de muitas respostas, mas também parece nos apontar alguns rastros com os calos e cortes que marcam as mãos de um trabalhador capaz de cuidar da terra, da sua própria terra, enquanto olha com respeito, indignação e ternura para as habilidades de desespero que nós, animais mamíferos, temos usado para  lidar com nossos desamparos. vemos que a oposição à  perversidade do capitalismo financeiro nos versos por essas e outras, quero estar só junto à natureza,/a meus filhos e a nossos cães. resulta, inevitavelmente, no acolhimento de uma vida “inferior”, como o autor nos fala em nunca pensei que fosse me interessar por subterrâneos/e, hoje, é tudo o que quero. vida “inferior” entendida aqui como aquela que persiste em afirmar sua própria existência e em se posicionar contra a desolação, a crueldade e os assassinatos perpetuados pelos boçais mineradores. e no brasil há tantos…<br />
vemos também que é preciso estar atento ao caminho e aos passos que são dados, pois nos mostram a qualidade das forças, dos desejos e dos sonhos que nos conduzem.<br />
sinto que você, que segura este caos nas mãos, segura, simultaneamente, a beleza e a dureza de uma poesia que<br />
enxerga os desencontros entre a lucidez &amp; a colonização e consegue nos oferecer perguntas urgentes e incontornáveis.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>victor prado</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O coração é uma pedra sonhando</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-coracao-e-uma-pedra-sonhando</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Apr 2021 16:21:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[quando o céu cair
só vai sobrar o silêncio
do choro de todos
os deuses : ruídos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Como o artesão de um assombro por vir, eminente no âmago de todo Ser, Felipe Teodoro compõe sensivelmente a desilusão violenta com um real que corrói e devora através da miséria dos dias a carne de todos nós — <em>somos unhas roídas pelos dentes do tempo</em>. Ainda que consumidos pela desesperança, embriagamo-nos de uma lucidez delirante e atravessamos os labirintos da consciência em direção ao abismo da linguagem tentando <em>com a faca dos sonhos escrever o nome</em> em meio a fragmentos de memórias estilhaçadas do Pai, da Mãe ou da borboleta negra clariceana, mas no limite dessa possível inscrição do <em>Eu</em> está incrustrada a lancinante percepção de que mesmo a mão que <em>talha</em> não possui o poder de romper o fluxo contínuo dos <em>Outros</em> que nos assombram insolitamente. João/Márcio/Um mendigo/William Wilson ecoando nas entrelinhas, espectros disformes de uma multidão que emerge de cada poema, <em>quantos fantasmas doentes se escondem dentro de nós?</em>, conduzindo-nos às ruínas de tudo. Nos confins do onírico que comumente chamamos de Real, <em>saiba q existe esse limite e é ele q dói nos ossos?</em>, mas esse limite encontra ao menos sua dilatação na poesia, como <em>coreografia da existência</em>, que permite que silêncios ressoem em uma fantasmagoria dolorosamente audível: <em>o coração é uma pedra sonhando</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ramon Mendes</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Invenções a duas vozes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 03 Apr 2021 19:35:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[em 20 de janeiro de 2018 escrevi este poema e
foi a última vez que lembrei
da minha tia ana]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em diversas antiguidades humanas, canções e cantos eram responsáveis por contar histórias e compor mitos. Podemos pensar que as artes que chamamos hoje de literatura e música nasceram juntas, como gêmeas siamesas: inseparáveis, sobrevivendo por gerações de bocas humanas. Inventando-se a escrita, uma forma de guardar as palavras na pedra, no pergaminho ou no papel, narrativas não ocupavam mais exclusivamente a melodia, mas passaram à possibilidade do silêncio da leitura. Proponho a apreciação de <em>Invenções a duas vozes</em>, segundo livro de poesia de Tatiana Bicalho, como uma relação dramática da fraternidade entre a música e a narrativa (também da pintura e da fotografia, outras formas de narrar sem palavras): irmãs que sentem saudades uma da outra, mas também podem sentir ódio uma pela outra. Referindo-se às <em>Invenções </em>de Bach, para além da música, temos a invenção da narrativa: uma mentira que, narrada com verossimilhança, pode se assemelhar a uma verdade. Podemos fazer o caminho contrário: certo acontecimento histórico sem verossimilhança, por mais absurdo, é verdadeiro. Faz-se, assim, o humor: rindo da suposta distância maniqueísta entre a pura verdade e a mentira, mandando às favas a pompa da música clássica, brincando com outras línguas. A tradução, por si só, já é outra espécie de invento. Dizer em português algo que era originalmente pensado em uma língua estrangeira carrega uma espécie de falsidade bem-humorada. Falamos, afinal: tradutor, traidor. A legenda aparece nos poemas como uma forma de frustração pelo inalcançável, sendo ele não só a língua do outro, mas também a música e a própria ideia de verdade. Os poemas de Bicalho possuem uma voz metamórfica, de forma que inventar pode ser também uma apropriação. A segunda voz pode ser de Thomas Bernhard (com quem a autora ironicamente partilha as iniciais) com seus traumas musicais; pode estar nas casas de pianistas célebres, ora reformadas em uma hospedaria de nome ridículo, ora com pianos trancados à chave; pode ser uma resenha do tripadvisor; é possível que essa segunda voz seja até mesmo o silêncio de John Cage, quando a poesia responde à piada começada pelo compositor na peça 4’33’’. Este é um livro que se compõe sobretudo de narrativas, que se fixam no espetáculo do banal (a professora de piano que indica livros de capa dura enquanto só lê livros de banca de jornal; o relojoeiro que se torna o homem-metrônomo), tornando banal também o beijo entre Shostakovich e Bernstein.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Laura Cohen</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>A morte da graça no baile dos erros</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-morte-da-graca-no-baile-dos-erros</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 03 Apr 2021 18:58:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[no dia em que foram
esquecidos
os signos das frutas e
as suntuosas vestes
santificadas em película
nas mais vívidas cores]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Estilhaços de memórias espalhados pela sala de estar do apartamento, fragmentos de noites perdidos no esquecimento, pedaços rasgados de beijos guardados numa caixa que nunca mais será aberta. Poderia a memória derrotar a corrosão do esquecimento?</p>
<p style="text-align: justify;"><em>A morte da graça no baile dos erros</em> fala, essencialmente, sobre a experiência humana a partir de suas perdas. A força poética de suas imagens advém da conjugação de elementos cotidianos, como postais, garfos e escapamentos, com sentimentos e experiências ligados à fugacidade, ora desejando-a, ora a recusando-a.</p>
<p style="text-align: justify;">O eu-lírico dos poemas é isolado e solitário, fruto típico da modernidade. Por vezes melancólico, por outras contemplativo. No entanto, não adota um tom confessional ou de lamento, mas de ficção e encantamento a partir da linguagem poética, inventando imagens capazes de tornar a experiência do mundo em algo próximo a uma cena de filme. Às vezes, um filme de Tarkovski, com a beleza de uma casa em chamas, às vezes, um filme romântico – mas sem final feliz. Às vezes, um “olhar de entorpecidos vulcões”, às vezes, um “jeito raro de adormecer em meio à colisão dos hemisférios”.</p>
<p style="text-align: justify;">Vítor Guima conduz os leitores por lugares ao mesmo tempo familiares e desconhecidos, por experiências comuns com as quais nos identificamos, recriadas a partir da particularidade do olhar do poeta. Assim, a música que toca nesse baile dos erros também é para ti, leitor. Levanta e dança!</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Carrego meus furos comigo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Mar 2021 20:11:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Dorothy Dorothy
me fale das lâminas.

Que frases de efeito
esquartejam os homens
que jogam na lama
o que temos no peito?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A poesia de Susy Freitas penetra e perfura. Perturba e nos permeia, atravessa os nossos avessos, adentrando até o fundo, e expõe todas as aberturas e fragilidades que nos fazem seres humanos. Se Caetano já cantou <em>a tua presença entra pelos sete buracos da minha cabeça</em>, a poeta sustenta nessas páginas o prazer e a angústia feminina de se possuir mais buracos, e bem sabe que esses são mais funcionais e complexos, como expõe nos versos <em>Sinto pena dos furos do homem/que não jorram não insultam</em>. Ela apresenta um recorte dos nossos tempos e espaços: a tensão política de um Brasil onde a democracia afunda, a pauta feminista e a luta pela igualdade de gênero, a saúde mental daqueles que lutam contra moinhos de ventos com faces de governantes retrógrados. Traz também retalhos do visível e do invisível, da palavra e do ruído, conduzindo o leitor a transbordamentos com a fricção de suas estrofes potentes e bem construídas. O cenário do livro é a cidade de Manaus, não aquela dos cartões postais que é ofertada aos turistas estrangeiros, mas aquela onde reside — e sobretudo — resiste o artista, o professor, o indígena, o proletário, a mulher que luta pelo pão e pela palavra, como expõe nos versos <em>quando penso na selva/penso nos filhos mortos/no ventre do seringal</em>. A poeta dialoga constantemente com o cinema, com demais autores e com fatos históricos, nos conduzindo para dentro do seu universo rico e multifacetado. O corpo do seu poema é flexível e não segue regras ou fórmulas, sua poesia risca nossa pele com navalhas para que seu verso sangre e sintamos o gosto, o sumo, que não sairá tão cedo da boca. Susy Freitas não se envergonha de mostrar esses orifícios, uma vez que aprendeu que vazar é descobrir novas possibilidades para a demarcação de territórios, e mostra aqui <em>furos pra todo mundo ver</em>, para a sorte dos seus leitores.</p>
<p><strong>Camila Assad</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>A anatomia dos parênteses</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-anatomia-dos-parenteses</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Mar 2021 19:13:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[alguma coisa
estará nos esperando
depois do limiar
será a mudança
será o ciclo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>A anatomia dos parênteses</em> é iniciado com poesia homônima, costurada por linhas da oralidade baiana, que permanece presente em todo o livro, nos dengando com a fluida escrita de Hosanna Almeida, que brinca com as palavras e presenteia quem as lê com uma estética muito característica, trazendo em seus textos a geografia e culturas de uma Salvador enérgica. As cenas descritas são palpáveis, nos permitindo facilmente imaginar cada detalhe, sentir os cheiros, o calor, o toque ácido de críticas sociais em meio a belas metáforas. Este é um livro que vai te provocar de diversas maneiras. Atenção aos detalhes!<br />
Hosanna, a Academia te espera (desejo que até lá, ainda existam as cadeiras…<br />
e as letras).</p>
<p><strong>Lorena Ribeiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Dentes brancos, mandíbula presa</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/dentes-brancos-mandibula-presa</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Mar 2021 18:29:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">não queria ser poeta
poesia não tem utilidade política
tudo isso que eu digo vai passar feito piada
queria ser era assassino
terrorista
homem-bomba</span>

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O pulo da ponte</p>
<p>Na noite de 27 de abril de 1932 o poeta Hart Crane se atirou do navio que o trazia a Nova Iorque, no golfo do México pondo fim à vida e às expectativas de substancial parte da poesia modernista norteamericana. Das vozes mais emblemáticas de sua geração, o suicida foi tema de pungente elegia do poeta Vinicius de Moraes, amante da vida que se confessava um homem triste. O que de comum buscar entre o boêmio Vinicius de mil amores e o jovem poeta deprimido que não essa tristeza, esse buraco na alma que se supre com álcool, com poesia ou se atirando no mar? Por toda a paleta dos desejos sexuais, dos gostos literários, dos estilos de vida, perpassa de comum aos poetas do mundo esse sentir capaz de levar tanto a píncaro quanto a abismo.</p>
<p>A poesia de João Victtor Gomes Varjão é piercing, é tatuagem, é navalha na carne, é pular de pontes, talvez da ponte que separa Juazeiro e Petrolina, lócus deste livro, ponte de ciúme e dor. Conheci o trabalho do jovem poeta em São Paulo, fui desde o início um de seus entusiastas, razão da imerecida honra de escrever estas linhas de apresentação, e parto desta jurisprudência literária, da fascinação do velho fauno Vinicius pelo jovem Crane suicida, com a mesma fascinação de quem leu atento nos <em>Suicídios Exemplares</em> de Enrique Vila-Matas a compulsão por pular da Torre Eiffel, como se pode pular de uma Ponte (<em>The Bridge</em>), talvez a ponte que separa Juazeiro de Petrolina ou pular do convés de um navio no golfo, enfim, saltar no escuro para saber o que diz a poesia. É a lição que a dor ensina, abençoado é o poeta que a sente, tantos indivíduos passam pela vida anestesiados e apenas sobrevivem.</p>
<p>Seja no estranhamento de um mundo que pratica o bullying contra os diferentes, seja no se estar indefeso à estupidez e à grosseria que nestes tempos parecem ter virado distinção e são ostentadas sem pudor, seja no lirismo trágico que encerra, a poesia de João é um libelo contra a inércia, o grito de vida às avessas de um homem solitário, tão jovem e tão solitário, como todos nós. Somos tão jovens, e já condenados à marginalidade, à morte, à insensibilidade e a todo o coquetel Brasil-liberal.</p>
<p>Não sei se o poeta usou a metáfora do cetáceo gigante por alusão ao jogo suicida que seduziu gerações de adolescentes, para desespero de pais puritanos, mas a imagem de um homem solitário vagando na noite abismal como sacrifício pessoal por um mundo antipoético é o que me fica desta leitura tão impactante.</p>
<p><strong>Manoel Herzog</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Abrupto</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/abrupto</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Mar 2021 18:19:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[quem levanta os montes depois de mortos? quem ergue o eixo
que faz respirar? quem derrama suas fezes sobre um povo, corrói
seus novelos e ergue um punho

sobre
nós

está ali às cegas
tateando infinitos em praça pública
mil sóis em utopias
e amores]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">o tempo corre veloz por dentro desses dias de espessura incalculável. daqui da sala de casa, ouço a mistura de sons que vem dos apartamentos vizinhos. a trilha sonora intermitente parece coincidir com o ritmo da minha leitura de abrupto. justaposições. versos que terminam de repente. nessas notas suspensas paira uma alegria inusitada.</p>
<p style="text-align: justify;">inês nin escreve como quem enxerga fotogramas. tem algo de poeta-cineasta. faz montagem experimental. divaga e enxerga ângulos imprevistos de luz. seu pensamento gera um atrito, uma pulsação que ocorre em deslocamento. capta os eventos em suas escalas e impactos variáveis. inês percebe a vida que ocorre antes das formulações corriqueiras. acessa a atmosfera, em casa, na praça pública, e reconhece o “instinto/de alguma coisa/(existir)/alguma coisa/que seja/viva/respire”. contra o neoliberalismo, “abriremos terrenos”.</p>
<p style="text-align: justify;">chegar é menos interessante do que (se) fazer mover, como se mercúrio saísse por aí com uma curiosidade atenta, flutuante, ainda que em travessias breves (tudo que gostaríamos de fazer agora). o deslocamento talvez seja aqui uma espécie de impulso perceptivo ou modo de rearranjar os minutos, os dias, os acontecimentos, “para que se formem/ novas memórias/e campos de ação”</p>
<p style="text-align: justify;">a “investigadora crônica” diz o que soubemos esquecer. faz perguntas sutis: “um arbusto/tão sereno/que tudo percebe”. inês expõe as condições sob as quais escreve. o corpo é tessitura coletiva: “multidão-livro, multidão-blusa, multidão-multidão e categoria nenhuma”. com “desejos de nomadismo e floresta”, busca se perder, talvez “a única coisa que há”. aponta modos de continuar pelas brechas, também atenta ao que irrompe: “não ter tempo é não dispor de si mesmo”.</p>
<p style="text-align: justify;">se ocorre algum perigo entre um passo e outro, o movimento impede a queda, ou, ao menos, refaz as conexões e as membranas. inês favorece os encontros — “nunca parar de dançar”. descrever algo num tom de quem fala pode ser um modo imprevisto de reler e reconfigurar os sentidos alojados ou gastos demais. percebe as “pequenas ervas cheirosas” e o “amor/afáveis ligaduras”. persiste por meio dos experimentos caseiros ou das performances cotidianas, saberes situados para contrabalançar o excesso de abstração. abrupto deixa o acaso fazer sua bruxaria. poesia é também política.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span class="fontstyle0">luiza leite</span></strong></p>
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		<title>Em obras</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Mar 2021 18:09:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[mergulhar fundo
conseguir impulso
ter força
fugir dos nados rasos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Imagino este livro sendo lido de duas maneiras: a primeira, em mastigadas lentas e despretensiosas, sem compromisso, com a boca cheirando a hálito fresco de drops de hortelã. A segunda, de preferência em voz alta e com bastante atenção, voraz, glutona, daquelas de balançar o corpo no assento a fim de se equilibrar para não estatelar no chão. Nas duas leituras: dance com Nina pelas ladeiras belorizontinas e aguarde as sensações da cidade se avizinharem, ainda que você nunca tenha passado pela capital mineira. Por vezes um poema ressoa como o alento morno do balançar do ônibus saindo para o Paraíso — mas isso você há de entender depois. Noutra hora, o mesmo poema é digerido como pastel do centro frito na gordura velha e rançosa, já que as coisas verdadeiras, mesmo quando comidas com a língua longa, por vezes não nos caem tão bem. Tudo dependerá do ânimo do espírito: de uma página para outra, o sentimento muda com sutileza ou furor. A leitura sob o sol indireto de sua janela bem na hora em que a luz ganhar espaço entre as persianas ajudará a absorver devidamente a essência lírica e comovente de Nina Rocha, com todos os seus dramas e construções. Sugiro também que você escolha como pano de fundo da leitura seu som preferido, seja ele o barulho do caos cotidiano que atravessa as paredes, um pagode melódico de sucesso dos anos noventa ou o lamento de Leonard Cohen, para se deixar atropelar por essa mulher lúdica na vida e na escrita, que recorta, inventa, versa, dobra, cola, borda com a agulha afiada e cozinha com colher de pau, se despe e transforma as palavras e os acontecimentos da vida num banquete literário crítico e musical bem diante dos nossos olhos. Este certamente é um livro para ser ouvido e comido com vozes e papilas gustativas diferentes em cada experiência.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Carol Dini</strong></p>
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		<title>Poemas para a noite dos mortos-vivos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Mar 2021 17:54:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O queijo é leite podre.

O vinho igualmente o é.

(Podre bem entendido não leite).

No caso do vinho

foi a uva que apodreceu.

Em certo sentido

o ketchup também

é tomate podre.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Andityas é un excelente captador dos excesos regresivos no que se embrollan os tempos actuais e nos que a poesía ten un papel importante e liberador. Sobre a situación actual ten moito que dicir e o di contundentemente, dunha maneira irónica, con esa dose de coñecemento que depara e asiste á súa poesía. […] Andityas está na antítese do visíbel drama que percorre o mundo, moito ben parapetado na vangarda do bo ir e saber, na horizontalidade expresiva dunha poesía erixida no cántico de revolta e no laudatorio da liberdade. Como dicía Camões: “Cantem, louvem, e escrevam sempre extremos”.</p>
<p><strong>Xosé Lois García</strong></p>
<p>Em <em>Rosa das línguas</em>, Michel Deguy diz que “a poesia, como o amor, arrisca tudo nos signos”. Essa é a lição que emerge da poesia de Andityas, radicalizando o que, desde seus primeiros livros, fundamenta sua íntima consciência filosófica e aguçado senso exegético não apenas em relação ao nosso estar-no-mundo, mas ao valor e à necessidade da arte em tempos de distopia, contradições e condicionamentos disruptivos. A alma do livro aponta para o inconformismo, um desejo de exorcizar fantasmas, peitar o desconforto e realizar uma catarse de nossos mais recônditos dilemas, eis que seccionado em temas que remetem para um olhar blasfemo, a palavra insurgente, a metáfora furiosa, as referencialidades geográficas, afetivas e psicológicas, tudo culminando num estreito diálogo com as eras, o sagrado, o profano, o místico, o suprarreal. Os poemas flertam com a prosa, a diversidade temática se espraia como um caleidoscópio de sensações, confluências e influências.</p>
<p><strong>Ronaldo Cagiano</strong></p>
<p>Em nosso tempo de festejado obscurantismo literário não deixa de ser <em>mirábile</em> que um poeta jovem como Andityas se expresse através de uma poesia eminentemente culta, não tendo medo de ser considerado um “poeta erudito”, o que entre nós está quase se tornando uma espécie de proscrição. Isso porque a alta qualidade de sua poesia não é de molde a transformá-la numa peça de <em>mécano</em> ou numa fria exibição de palimpsestos de museu literário. Suas referências clássicas interagem com o mais natural dos coloquialismos, daí resultando uma poesia de alto impacto pela sua extensão de saberes conjugada à eficácia do entendimento imediato de sua linguagem. Esta ambivalência — o novo no antigo — prevalece […] num processo de lento desabrochar, desdobrando-se, num bruxuleio distante, como parecem hoje as nossas esperanças de reversão da <em>umbra</em> geral em que mergulhou a vida (não só literária) do país.</p>
<p><strong>Ivo Barroso</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Jubileu</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Mar 2021 15:15:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">com a mesma memória você distribui pratos e talheres
sobre a mesa do café o passeio nos arredores com o pequeno </span><span class="fontstyle2">poodle
</span><span class="fontstyle0">a pergunta brutal endereçada com sorvetes
onde se vê daqui dez anos?</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Às margens dos anos 20 deste nosso século, é preciso que certas torrentes de criação iniciadas há eras tenham continuidade e permanência na vida-poesia; e é justamente isso o que Matheus Torres faz questão de deixar evidente já nas primeiras linhas deste seu <em>Jubileu</em>.</p>
<p>Aqui, vida e poesia mostram-se como indubitavelmente unas. A fim de decodificar a realidade, é impossível considerá-las de forma diferente: a linguagem-palavra tem a função mágica de propagar essa verdade que se ajusta tão bem à existência de tantes de nós. Torres traz revelações, sejamos descrentes ou não.</p>
<p>E, na especificidade das imagens apresentadas nos poemas deste livro, somos convidades a participar do banquete, na mesma mesa à qual se sentam Roberto Piva e Samuel Beckett, Madonna e Elisabeth Fraser, David Bowie e Wong Kar-Wai. Afinal, do foco chega-se à abrangência. Na sua poética sobre o amor e a cidade, sobre as deidades do cotidiano e o fetiche alimentado pelas cores, formas e gostos que nos rodeiam, Torres constrói uma estética queer muito particular que, ao mesmo tempo, marca a representação do coletivo.</p>
<p>Como no verso em que, a partir da intimidade entre dois amantes dedicados a criar leis que os sirvam, alcançamos o universal:</p>
<p>“o meu sexo sobre o seu</p>
<p>destruirá as fundações da usina</p>
<p>e com sêmen escreveremos</p>
<p>um novo evangelho”</p>
<p>Que todas as revoluções propostas neste livro sejam descobertas por nós, no melhor tempo.</p>
<p><strong>Cristina Judar</strong></p>
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		<title>Peças avulsas num jogo de tabuleiro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Mar 2021 15:09:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">o grito é o princípio
faz ou desfaz um encanto
quando grita
(não quando canta)
é que levanta a poeira
nem o riso nem o pranto
o remédio é o grito</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>bilhete (na orelha) para leitores</p>
<p>Marina,</p>
<p>Compartilho do interesse pelo começo das coisas. Mas acabo me perdendo no meio. Isso de começar e não terminar — de escrever e ler — também me confunde. É mesa posta de um só lado. Do outro, já não é a mesma cidade. Insisto em algo, automatizo. E de repente olho para o lado, a janela recortada pela cortina e vento… anoitece. Para você já é outro dia: recomeço.</p>
<p>Durante esses meses fiquei muito interessado pela sua obra, apaixonado mesmo. Não pude evitar, não quis. Eu gostava de ler e encaminhar para pessoas próximas, às vezes arriscava te escrever qualquer linha. E então vivemos nossa parceria de <em>silêncio e som</em> com fotos e poesia publicadas como diário (para não surtar durante o tempo de isolamento). Perdi a conta de quantas peças avulsas tivemos depois. Canções que nunca acabam. O convite. A carta. Tudo que não terminou teve um começo. E no começo era só o começo mesmo, estávamos certos de uma experiência bem-nutrida apenas por existir. Como esses barcos que descem pelo rio até o mar, são tão pequeninos! Não sei onde vão atracar. Por que estou falando de mim e revelando coisas tão pessoais?</p>
<p>(Não há nada de pessoal aqui.)</p>
<p>Não sou poeta e não poderia mentir (melhor) para leitores.</p>
<p>Orelhas são quase exteriores (mas gosto de pensar que esta mensagem vai abraçar o livro). Quem abrir esses “braços” (com as mãos, para entrar) vai se entrelaçar ao seu jogo. Você disse ali dentro que escreve para perder. Eu acredito que perder é o que a gente aprende quando fotografa. Você atirou as letras de um abismo para contemplar um verso no vazio? E ele se foi todo em fragmentos? Eu gostaria de encontrá-los e perdê-los. Isto é, fotografar o poema. Fazer um retrato como John Cage faria, com muito espaço, em que tudo seria de importância descontraída e sem precisar deixar algo definitivo.</p>
<p>Pedaços de papel que dobramos e deixamos debaixo da porta ou numa mesa. Bilhetes são coisas que a gente escreve para não esquecer. Da mensagem curta ou enigmática. Mas do bilhete, lembramos? Bilhete da sorte, loteria. Para pegar um trem ou ônibus. Para entrar num museu. Para andar na montanha-russa. Para jogar. É algo que se carrega com certa simplicidade, é um gesto econômico para se entregar de mão em mão. É também um segredo.</p>
<p>Eu leio e sinto que estou quase no lugar de onde você escreve: memória ou sonho? E penso que você está <em>não acabando</em> de dizer — palavra-pensamento, quando rápida: não é tentativa, é aposta.</p>
<p>— entre analogias e virtualidades —</p>
<p>Aqui está.</p>
<p><strong>Mauro Figa</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Corpo-cátedra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Mar 2021 14:50:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">Que o sonho fosse minha musculatura.
Mas não passa de um nervo ameaçado.
Um rápido susto, porém caudaloso:
Assim como o calor que emana do fogo.</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O corpo, parte primordial, constituinte e indissolúvel do ser humano, diz muito sobre a vida, sobre a existência no mundo físico. Mas o que é o corpo? O que lhe constitui? Por dentro e por fora é constituído de beleza, mas também do que há de mais deplorável, nojento e odiável. O corpo e todos os seus órgãos, o corpo e todas as suas dores. O corpo transpassado pelo tempo, o corpo que é o próprio tempo.</p>
<p>Os poemas aqui presentes provocarão reflexões a respeito do corpo desde o nascimento até o último suspiro, sobre o corpo no mundo e o mundo no corpo. Não é possível ignorar o quanto os hábitos sociais influenciam os comportamentos individuais. Esse entendimento pode passar por gatilhos, em um caminho de aprendizados, desencontros, perdição e salvação, não sem antes haver questionamentos sobre loucura e sanidade. É preciso questionar todos os padrões.</p>
<p>Maiky da Silva usa todo potencial elaborativo da linguagem, promovendo um assentamento de epifanias. Versos que recorrem ao que há de mais bonito na língua para dizer sem dizer. É preciso estar atento ao que não é dito, ao que é apenas sugerido. Ler os poemas aqui presentes é como estar sentado diante de alguém que ensina as belezas da vida em suas singelezas e miudezas, ensina ver beleza onde nunca se imaginou, ou ver a simplicidade da vida com muito mais valor, com mais atenção, ao ressignificar palavras e entendimentos, como “uma bala boa de chupar”.</p>
<p>Ler <em>Corpo-Catédra</em> é um arrebatamento. Deixe-se arrebatar, afinal: “É preciso ser drástico. É urgente ser fatal”.</p>
<p><strong>Maria Ferreira</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Erto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Mar 2021 14:45:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Todo mundo já nasce errado
Depois descobre espantado
O erro terrível que cometeu

E de tanto remexer o passado
Acaba, mais cedo ou mais tarde, no seguinte ditado:
Quem nunca fez merda na vida, não sabe o quanto que perdeu]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Ensaio(s)-esboço-exercício-teste-sobre-a respeito de-por sobre-a(s) orelha(s)-do livro-autor-leitor-e as olheiras do poeta desperto na “Preta noite, como café preto/Claro! Como café da manhã/Como não pensei antes?!”. Heitor e o café (da manhã, da noite, noite e dia) e os cigarros, inseparáveis, químicos da epifania. Café, cigarros, Heitor (e Jim Jarmush?!): podia ser um filme, com Gabys, Ágathas, “Caróis”; um disco, com poemas que podiam ser letras (de música); ou um livro (como o é), que, como disse Heitor, “reúne tudo de melhor que já escrevi [escreveu] e que não virou canção”. § Uma vez me disse também nunca ter se considerado poeta. Mas, o que é o poeta, a poesia?! E quem sou eu pra dizer, ainda mais pra duas orelhinhazinhas. No entanto, como faz Nancy em “Fazer, a poesia”, quem procurar no dicionário o que é poesia vai se dar conta de que é tanta coisa, e sequer é exclusiva de quem escreve poemas. Ou, pensando em Bernstein, se o que faz do poema um poema é o <em>timing</em>, quem melhor pra ter <em>timing</em> do que um músico? Ainda, das tantas definições que Leminski traz em “limites ao léu”, tem “Dante via Pound”: “words set to music” (palavras musicadas…); e tem uma de quem, embora conhecido como músico, foi o vencedor do Nobel (<em>le bon</em> — pra não perder o palíndromo) de Literatura (!!!), Bob Dylan: “poetry is to inspire” (poesia é pra inspirar…). § Enfim, leitora-leitor-l[H]eitor, não há como negar: aqui se apresenta, sim, um poeta, com <em>timing</em>, “palavras musicadas” e poesia “pra inspirar” (e suspirar, e, sendo de matar, expirar<em>, </em>como quem dá seu último suspiro, “cúmplice suicida”). Exemplo vívido e terrível disso, de quem escreve todo ouvidos, é: “Vivo,/Ao mesmo tempo verbo e adjetivo/Dizem: ‘Quem é vivo sempre aparece’/Quem vive sempre aparece/Vivo/Viver não passa de um paliativo”. § “De quem é a voz? De quem é a vez/De passear no fundo do poço?”. Esta é sua voz (de Heitor Dantas) e sua vez (leitora-leitor) de passear no fundo do poço — seu (de Heitor, e de você, enquanto l[H]eitor). § Quanto ao seu título de estreia (em livro), não vou fingir que entendi ao [c]erto ou que cheguei [p]erto (ao chegar em <em>erto</em> em galego, em italiano) e tentar explicar seu sentido, seu reto teor: <em>Erto</em> (pra não perder, agora, os anagramas). Só sei que o autor dá um oi, em inglês, ao título do livro: [H]e[i]tor&gt;H[e]i[rto]&gt;<em>Hi, Erto!</em> § Por falar em anagrama, é com dois que me despeço, em diálogo com outros dois deste <em>Erto</em>:</p>
<p>Li! quebra, dói,</p>
<p>abre líquido</p>
<p>— equilibrado…</p>
<p>Lido, quebrai!</p>
<p><strong><em>Zéfere</em></strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O último verão dos nossos inimigos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-ultimo-verao-dos-nossos-inimigos</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Mar 2021 14:42:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[(44 &#38; 4)

Aquilo se chama cosmo.
É piche &#38; são pregos.
É feito de vazio e solidão
E, portanto, é nosso.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Se o estranhamento está no coração da experiência moderna e encontrou no Brasil solo fértil em figuras como Francisco Alvim, esta forte tradição encontra atualização mais do que pertinente neste novo livro de Renato Mazzini.</p>
<p>Poemas breves e centrípetos que desafiam o leitor a cantar equilibrista contra a luz que cega; a revidar, mesmo que já metade derrotado.</p>
<p>Nada é de fato paradoxal, pois nem os opostos se contradizem quando encaramos a experiência com a mesma finesse, crueza com que o poeta nos propõe aqui.</p>
<p>Nada justifica a certeza frente ao momento e o insólito não requer truques.</p>
<p>O único desejo? Medicar o verão tempo o bastante para matarmos os inimigos fora de clima.</p>
<p><strong>Leandro Rafael Perez</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Linha de arrebentação</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/linha-de-arrebentacao</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Mar 2021 14:38:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">Xoxota não era xoxota
era caixinha
florzinha
pepequinha
piriquita.</span>

<span class="fontstyle0">
Nunca xoxota era uma xoxota.</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Fazer um poema que desarrume a própria cabeleira</em></p>
<p><em>e quebre nas nossas cabeças</em></p>
<p><em>como uma boa arrebentação</em></p>
<p>E, assim, Joana quebra silêncios, feito onda de mar cheio indo bater à beira d’água em arrecifes, puxando conversas que não tivemos ali na hora, no despontar dos dias, mas que criamos na ponta da língua pra inventar o amor, o desejo e as palavras que não nos foram ensinados na escola, na novela, nos banhos de mar aos domingos, pra dar forma, significante e significado aos nomes que nos calaram, pois nós temos nome, nos amamos mutuamente, e, sim, aparecemos pra almoçar, sempre apareceremos.</p>
<p>A poesia de Joana, esse gosto de mar, essa areia nos dentes, os cabelos emaranhados de sal. Joana nos faz sentir saudades de casa, o cheiro de cuscuz no nariz dia após dia, cajueiros, coentro picado na cozinha que da sala a gente já sente o prenúncio, fronteiras de rio e todo aquele litoral guardado em seus versos como quem faz água e cospe-fogo pra não queimar a própria língua, ou pelo menos deixá-la a ponto de forja, como quando o ferro dobra pra virar outra música qualquer, aquela alegria quente do vermelho, destrezas de mãos pretas que um dia nos ensinaram a fazer essa mandinga que é viver de sorriso no rosto dia sim dia não, mas aprender a sorrir afinal, e aprendemos.</p>
<p>Nossas pernas ficariam mais fortes se tivessem antes caminhado por essas letras, mas serão ainda fortificadas e realinhadas quando não houver mais a vigília forçada dos olhos, que eles fechem quando bem entenderem e abram em dias ímpares ou pares é o recado que Joana nos dá: o corpo solto, os nomes dos pássaros livres. Pois assim renasceremos em contínuo caminho daquelas pernas que, se um dia fraquejaram, foi pra conservar força pra mais tarde, pra gente que viria depois em seu encalço com o presente de guardar memórias e aspirações do passado em nossos lábios que hoje cantam.</p>
<p>Vida longa, axé e caminhos abertos às palavras de Joana que nos oferendam tudo isso e mais em troca. Às nossas, que cantem muitas histórias, que gritem aos quatro cantos nossos nomes e costumes, alegrias e desditas, a lembrança da areia que trazemos nos pés de volta da praia, a terra que carregamos por dentro do peito e nossas águas: que jamais esqueçamos delas, que elas se encontrem mareando em nossos ouvidos muito tempo ainda. <span style="color: #ffffff;">Joana Côrtes</span></p>
<p><strong>Cecília Floresta</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Meu nome agora é uma cidade devastada [ou tango, blues &#038; medo]</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/meu-nome-agora-e-uma-cidade-devastada-ou-tango-blues-medo</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Mar 2021 14:31:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">não guardo boas ressacas de março
nenhum março de nenhum ano
nem deste nem anterior a este
e todo fevereiro tem sido uma vaga liturgia
um adágio arrastado
para o mês que me atravessa
filho, você tem lido o jornal?</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A cidade devastada de Ithalo Furtado está abarrotada de uma perturbação que parece nunca evaporar. Abarrotada das ruínas, das memórias, de um passado que insiste em estar ali. E é suposto que seja dita, aqui, dessa maneira: porque precisamos da poesia que fale da dor sem moderação. Que levante a camisa para mostrar a pele rasgada para desconhecidos. Que mostre a fratura exposta das estranhezas do eu com o mundo. Que fure a película do decoro com o odor de mijo, os vícios, as denúncias, a solidão, as caras dos afetos que poucos têm coragem de dar a tapa. Que seja, enfim, inerente ao humano. Porque é preciso coragem — esse milagre em tempos tão bárbaros, pandêmicos, genocídicos — para trabalhar a dor, manipulando-a sobre o cansaço das mãos. Manipular um produto tão hiperativo, cheio de ânsia, em poesia: é preciso coragem, e ela é visível no trabalho da linguagem poética de Ithalo, que constrói, em terreno tão vulnerável e tão árido, imagens sólidas, maciças, inteiras. Constrói, porque essas imagens se erguem e se enrijecem, mantendo-se de pé como se fizessem parte de um passado que sempre teve o propósito de estar ali, a fazer parte de um estilo seu, próprio e dominante. Toda uma arquitetura fantasmagórica, em vultos, de uma cidade devastada que mantém a sua sobrevida através do verbo. Uma cidade feita a partir do lado de dentro do peito até seu último muro, a partir da falta de um nome, de um indivíduo, de uma presença — e que tenta, aqui, recontar a sua história. Porque o poema cujo título batiza o livro traz os seguintes versos: “meu nome é uma desonra para os outros/um operário que se joga do alto do alicerce/um vizinho que bate à minha porta de robe/e pede um pouco de veneno”. Porque Ithalo traz a público uma cidade que poderia ser muitas outras, mas que é dita com todos os detalhes, cenas e fotografias, o curso de cada fato que se processa, como se personificada. Respira, passeia, sofre, não toma fôlego. É, sobretudo, corpórea, e fala a mesma língua que todas as cidades devastadas, feitas por pessoas devastadas. Uma cidade muda de nome: tango, blues e medo; tango pelo amor, blues pela melancolia e o medo pelo medo, completando as três esferas mais representativas do cenário do livro como um todo. Um poeta muda de nome: rebatiza-se, aqui, fincado rente ao chão, pisando firme no terreno nada devastado de sua literatura.</p>
<p><strong>Amanda Vital</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O ano da fumaça</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Mar 2021 14:24:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">Enquanto lia seu livro via as imagens do Chile
e a revolta popular.
Hoje, dia 13, vi que colocaram fogo em igrejas.</span>

<span class="fontstyle0">Existe um tanto de outras imagens circulando
em nossa América Latina por esses dias.</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Maikóvski deve estar emocionando em algum lugar </em><em>§ Pensando que mesmo que no Brasil ninguém mais seja feliz, […] § Alguém insiste na vitória dos camaradas escrevendo poemas de amor</em>:</p>
<p>São versos de <em>O ano da fumaça</em>, primeiro livro de poesias de Pedro Kalil, autor de uns quantos zines, do infantil <em>O menino que queria virar vento</em> (2012) e do monólogo <em>Charlote-peixe-borboleta</em> (2016). “Coloco por extenso para ver se é possível manter alguma extensão”, lemos em outro destes poemas que tateiam limites temporais e dilatações sociais do ano de 2019 em que pela última vez experimentamos o mundo tal qual o conhecíamos antes do confinamento universal.</p>
<p>O livro se abre e se fecha sobre si e outros textos. Tudo começa por meio de uma correspondência com <em>Onde estão as bombas</em> (2019), de Tatiana Pequeno. Daí desbordam incontáveis intertextualidades com 2019 e inflexões nas camadas de nossa percepção temporal. Há um menino às iminências da reabertura democrática; há um adolescente frente às disputas hegemônicas dos anos 1990 e a compasso com o projeto progressista dos anos 2000. E junto a eles o adulto escapando das bombas lançadas em 2013, vivenciando explosões lacrimogênias da esperança que tão logo passaria a ecoar a falência institucional da primeira década ganhada em nossa história enquanto país e cujo fim nos trouxe até aqui — onde estamos?</p>
<p>Continentes, cidades, amigos desgarrados, cinema, debates políticos, Paulinho da Viola e Sepultura: a estrutura monádica de <em>O ano da fumaça </em>acolhe fragmentos pessoais de uma totalidade que não podemos tocar sozinhos. E por isso predica que “as leis que só existem agora”, levadas ao passado, “poderiam despertar rebeliões em nome de direitos a serem conquistados”, ao passo que, trazidas ao futuro, “poderiam despertar uma derrelição generalizada”.</p>
<p><em>O ano da fumaça</em> está longe de nos alimentar apenas com histórias de perda. Reivindica o absurdo do ridículo, ou seja, quer o <em>pathos</em> da utopia gregária em vez da patologia melancólica. Daí o registro textual optar pela flutuação entre o oral e o normativo: a linguagem é cindida por uma voz que anseia entender (com outras) a trama do que nos resta dos minúsculos acertos do passado na extensão de nossas vidas erráticas. A poética partida do livro suscita nos leitores a sensação de sermos diante dela senão um símile. Afinal, assim como nos poemas deste livro, “sempre estivemos — quebrados — mas ainda inteiros, sempre remendados, sempre adiante”.</p>
<p><strong>Davis Diniz</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Maiúsculas abertas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Mar 2021 14:20:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">dependurar-se no teto, catar abelhas, de
vastidão, estio e linguajares, de
expor a bílis e abrigar os gris exílios, de
salobros, tambores, sanhas, de
coice nas pétalas e fogo nos veleiros, de
partituras, candeeiros, abris e marços, de
compor o ermo do corpo com ouriços, de</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">O que mais pode querer o poeta senão habitar os “olhos infinitos dos cavalos”? O que é o poema, senão um “rio que esculpe outro rio, ao quartzo”? Gosto de pensar a poesia como algo que atravessa sempre uma natureza intelectual, sonora, bela. No percurso do projeto poético de <em>maiúsculas abertas</em>, este novo livro de Isaac Bugarim (a quem acompanho há tempos), vê-se a sua percepção apurada do cotidiano. Se em seu <em>Agrafia</em> (2015) a obsessão pelas palavras dá o tom (buscando a expansão de seus sentidos, explorando suas combinações), aqui, a palavra, “este animalesco porto”, adensa as inquietações do poeta, acompanha-o no naufrágio, ilumina o caminho pelos abismos.</p>
<p style="text-align: left;">Os poemas deste volume constroem uma grande tessitura expressiva e o entrelaçamento verbal parece criar, de tão bem compactado, uma peça única que se lê num só fôlego, uma instigante suíte verbal com muitos movimentos e estratégias – um “poema atado às cotovias”. O resultado é uma explosão de belas imagens: “para limpar da memória dos olhos/os pés manchados de sangue da bailarina”, “um instante pesando, como se pesa/um rio e seu fundo, como se pesa o grão/acrescentado ao peso da colheita,/peso o que pesa um bosque de paralelepípedos”, “maiakóvski não é poeta,/é uma estação ferroviária”.</p>
<p style="text-align: left;">Acima de tudo, <em>maiúsculas abertas</em> é também um livro de amor, no qual o poeta deposita no nome da amada “as carnes,/tubulações de amor”, onde há a celebração afetuosa do encontro, o descanso natural de um corpo no outro, como no poema “entre a névoa burguesa, boca brônzea de sirene”: “roberta tinha,/além da boca, uns ombros de amansar meu pranto./uns ombros tão largos que, ali – não duvido –/se amansavam também os cavalos.”.</p>
<p style="text-align: left;">É, enfim, uma poesia que nos sacode pela força de suas palavras e formas, mas, além disso, nos faz “saborear as urdiduras da beleza” por meio da experiência sensível que nos mostra como iluminar o abismo presente em cada canto do mundo e em cada um de nós.</p>
<p style="text-align: left;"> <strong>Natália Agra   </strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Guerrilla</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/guerrilla</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Mar 2021 14:11:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">pousei meu conformismo
na finitude do universo
me esqueci
das doenças compulsivas dos políticos
mentecaptos</span>

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O poeta é um ser híbrido, mãos de sátiro, anuncia o primeiro poema. Até onde isso pode ir? O que há de humano em um ser dessa natureza? Provavelmente o gosto pela poesia radical. Que não é satírica. É guerrilha linguística, moral, ética e estética. Será lido mais adiante, o autor é vários. E conhece o percurso de se desnudar.</p>
<p>O livro são poemas que permitem diversas leituras, estilo caracterizado pela expressão literária contemporânea. O texto não tem definição de voz do autor, mesmo utilizando-se, às vezes, o pronome “eu”. A leitura compõe o sentido, por meio da sensorialidade e da plasticidade do texto, que não tem pontuação nem letras maiúsculas. O texto se torna introspectivo, particularmente lúdico. Trata-se de um autor sensorial, intérprete dos afetos que fluem dentro dele e afluem da sociedade aflita.</p>
<p>Um bichinho de pelúcia, o conforto da finitude, o alter ego amante são categorias poéticas permeáveis  ao naipe existencial, tanto quanto são a compaixão provocada pelos sinais da guerra na catedral de Colônia, a xícara trincada, o marlim cuspido pelo oceano, a mulher transformada em falésia, as flores secas amanhecidas no despertar atemporal. Essa temática diversa é, contudo, coesa.</p>
<p>Pois igualmente existencial é a irregularidade nas métricas (como em <em>sete para as nove</em>), na sintaxe, na extensão dos versos, nas formas dos sonetos. Ainda que irreverente, a poesia é um sério fazer, o que é sério pode ser grotesco, o que é grotesco pode ser lúdico, o que é lúdico pode ser sensual, o que é sensual pode ser inquietante, o que é inquietante é poesia.</p>
<p>Aristotélico na ética de se comprometer com o leitor, platônico no exílio íntimo, o texto é assim contemporâneo. O erotismo é mais presente quando é o mais sutil, envolvendo a lã, a vírgula e a vela; no desdém com que a terra trata o exibicionismo dos raios e dos sabres; no jogo de xadrez.</p>
<p>Com ironia, o poeta sugere que a luz é mais fraca do que o escuro, enquanto rima <em>desdém</em> com <em>idem</em>; revela-se sonolento em seus mergulhos existenciais; sofre com joelhos frouxos no caminho da fé; percebe sua vontade banal e simplória, o risco se torna um detalhe cotidiano de quem tem “vontade de não pecar sem ser santo”. Se o poeta se apaixona, tem vontades, ele se sabe tão banal quanto qualquer um.</p>
<p>Cabe, não menos, ler o poeta que se encanta com as contradições e com a rigidez da realidade. Seu encantamento com a grandeza da vida alaga os pulmões. Sem esperança e sem ser triste, o poeta apenas ama as oportunidades. <span style="color: #ffffff;">Bernardo Monteiro de Castro</span></p>
<p>Ótima leitura.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Tantos quartos lunares</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Mar 2021 14:05:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">os quartos desarrumados
da lua minguante
ela me designou
sua mucama
agora passo as noites
dobrando seus alvos
lençóis de linho</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Nestes Tantos Quartos Lunares, Daniela Pace Devisate dança entre devas, dafnes, tatuagens leves da luz &amp; das sombras nas janelas. Lunações não falam somente da lua, falam das relações solilunares: conjunções,  isjunções, sizígias; eclipses, às vezes. A lua é um paradoxo: inconstante, impermanente, mutável, apesar de mostrar-se em ciclos recorrentes. Por isso as primeiras deusas lunares apresentam caráter ambíguo. Estes poemas são lunares, &amp; as formas/da lua/mudam de noite a noite. O ciclo lunar, e suas mudanças perpétuas, embora constantes, traz deusas virgens (adolescentes, silvestres, caçadoras, mestras das feras); deusas grávidas (leitosas, suculentas, matronas, parturientes); deusas negras (letais, feiticeiras, caninas, ctônicas). A lua é quaternária, sendo trívia. No tarô, o Arcano XVIII traz uma carga misteriosa cujo nome científico é CREPUSCULUM &amp; cujo nome popular é LA LUNA; ela derrama sua luz matematicamente exata sobre um mundo de binários, de duplos, de formas vagas, onde entre duas torres se retorce a senda serpentina da existência, regada com areia para nela expor um visível vestígio de sangue. Escrever (literariamente) é estabelecer territórios de sonho, &amp; não somos nós que sonhamos: somos sonhados pela linguagem. A poesia de Daniela nos traz a prata do sonho.</p>
<p><strong>Rubens Zárate</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Todo oceano transporta um incêndio</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/todo-oceano-transporta-um-incendio</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Mar 2021 14:00:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">por onde escapa nosso enlace?
em que onde sucinta nosso comum?
sou estrangeira ao nosso encontro
ou nativa ao nosso longínquo? <span style="color: #ffffff;">Diego Rezende</span></span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Diego usa palavras grandes para tentar colocar no papel a densidade dos seus dizeres.</p>
<p>Palavras que devem ser degustadas aos poucos, mas com força, como a água e o café. Palavras que devem ser lidas com suavidade, como a pele e o respiro. Nomes que devem ser sentidos, como Sofia, Hilda e Teresa.</p>
<p>São palavras que escorrem e nos remetem a mares e a frestas.</p>
<p>Há uma fagulha na poesia de Diego e a sensação é de que, em algum momento, seu livro irá explodir.</p>
<p>E Tarsila… esse nome que é mais sentido que os outros.</p>
<p>Este livro é dois livros em um. Há um abismo entre as primeiras leituras e tudo o que se refere a Tarsila nas palavras e versos e profundidade e afeto que regem as mãos de Diego quando escrevem sobre sua filha. É históriamor, palavrafeto. É a imensidão do indizível tentando caber no papel para que esse pai nunca se perca. É possível se perder diante da potência desse encontro? Afirmo que não. Diego afirma que não.</p>
<p>O coração de Tarsila continua batendo aqui, nestas páginas. Seus olhos estão abertos vendo o horizonte. E Diego, seu pai, apenas colocou no papel a força da sua pequena grande existência.</p>
<p><strong>Cris Moreira</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Manifesto de corações partidos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Mar 2021 13:52:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[e se o mar virar sertão
mais retas
teremos eu
e o coração

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“Manifesto de corações partidos” é um corpo que dança. Não digo isso porque o poeta André Kaires é dançarino, mas pelo fazer poético que coreografa, no palco das páginas, os movimentos de um corpo sem limites. É isso que me excita nesse livro, a experiência de certa instabilidade: textos que se abrem, se desdobram, se multiplicam, se ampliam, desconfigurando as espacialidades estabelecidas. Eu também falo de gêneros: as bordas físicas e textuais se expandem do manifesto à poesia, da poesia à prosa, da prosa ao pênis, do pênis ao coração, porque “esse manifesto não pode esperar até o amanhecer. ele tem pressa. tanta coisa pra falar. e não se importa em não ser lido. ele apenas quer dizer…”.</p>
<p>Querer dizer, aqui, é dançar a dança contemporânea na qual o corpo está sempre em estado de recomeço: “minha cabeça anda tão desarrumada/que preciso cortar os cabelos,/colorir as unhas/batom vermelho/na boca”. Na experiência do corpo que se desborda, Kaires não dança só, seus pares são tantos: Hilda, Clarice, Bukowski, Ginsberg, Rimbaud, Caio Fernando, Cazuza, Roberto Carlos, Belchior, Janis, Amy e outres que giramos nessa enlouquecida “poemia”, espécie de superfície lisa para encontros que clamam:  “cura essa arrogância do mel e me/ame me ame me ame me ame me ame me ame me ame”.</p>
<p>A música dessa poesia não é uníssona, ela confunde éter, espasmos, pensamento, desejo do corpo-qualquer porque é corpo, e corpo é movimento: “tire esse copo das minhas mãos e derrama tua garrafa em mim/me leva pro seu apê ordinário fode comigo de ponta de/cabeça/inala meu éter/exala meus versos/vomita meus sonhos/empedrados no ventre”. Em LitOrgia, dá-se a horizontalização do corpo que dança, como se o peso verticalizado do início agora se entregasse à gravidade: “continuar é um ato de doer”. Na memória muscular, a imagem se repete: “cara, você já reparou que as estrelas mudam de lugar no nosso peito?”, como se um passo marcado atuasse sobre nossas intensidades: “– deixa eu ver tua alma?!”.</p>
<p>Neste livro de estreia, André Kaires expõe corpo e poesia. Investigando seu movimento, vejo que a região pélvica é o centro vibrátil de um corpo que não se limita e, por isso, vomita borboletas e beija-flores, pois o coração – isso que sangra – já se partiu: duas asas vermelhas partindo desde dentro desse corpo de papel.</p>
<p>P.S.1: José Gil diz que o sentido da dança é o próprio ato de dançar.</p>
<p>P.S.2: também eu, Geruza, vou te amar pra sempre, André Kaires.</p>
<p><strong>Geruza Zelnys</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>A ópera náufraga</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-opera-naufraga</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Mar 2021 13:40:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<strong>O filho:</strong>

Minha mãe, minha mãe,
em pleno século das luzes,
escravos?

<strong>A mãe:</strong>

Meu filho, meu filho,
neste país sempre haverá escravos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="col-50 red">
<div class="trecho">
<p>Jozias Benedicto nos fala de um naufrágio, metáfora para momentos de crises, de perdas e decepções. Nada melhor para descrever a derrocada do projeto civilizatório engendrado pelos barões da borracha na cidade de Manaus, que culminou com a construção do Teatro Amazonas, pérola da arquitetura brasileira encravada no meio da selva amazônica. Os poemas de <em>A ópera náufraga</em> são como fragmentos de memórias, folhas de diários boiando nas águas do rio mar. Águas que são o elemento de união entre tantas vidas entrelaçadas: uma cantora de ópera, seu filho, marinheiros e tripulantes do navio compartilham emoções e esperanças nessa viagem transatlântica. Águas que também trazem a lembrança dos seringueiros que deram a vida para tornar possível o sonho de uma Paris tropical.</p>
<p>Jozias costura diversas temporalidades em sua narrativa poética; presente, passado e futuro se conjugam, formando um quebra cabeças de recordações inventadas. Em um jogo de apropriações, o texto faz referência a diversos naufrágios presentes no cinema e literatura do século XX. Assim como os labirintos de igarapés amazônicos, as diversas histórias vão se entrelaçando e conduzindo o leitor a uma jornada nessas águas profundas e misteriosas.</p>
<p><strong>Raul Leal</strong></p>
<p><strong>Artista visual e músico</strong></p>
</div>
</div>
<div class="col-50 red">
<div class="trecho"></div>
</div>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Como acender pavios</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/como-acender-pavios</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Mar 2021 13:10:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">regurgitar
pode ser
uma palavra hilária
um verbo um nojinho
um requebrar
da garganta que esfria
a nuca
enlouquece a
língua
</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Nunca sei se estou à altura de escrever a orelha ou o prefácio de um livro, desconheço as fórmulas por rebeldia; ou talvez seja culpa, de fato, da astrologia. Decifrar os corpos celestes, nomear pouquíssimos poemas e convidar Martin a se juntar a nós é <em>sobre como acender pavios </em>sem que ao menos seja preciso riscar os fósforos. Folhear a página é o gesto que incendeia.</p>
<p>Foi pelo fogo que o ser humano sentiu pela primeira vez o poder de controlar algo na natureza, essa energia natural obtida intencionalmente serviu para a vida e a destruição. Alexandria, a grande biblioteca, incendiada por invasores que pelo poder lamberam as labaredas pisoteando não só corpos como também livros – memória pulsante de uma nação. Hectares de árvores centenárias em fuligem à medida que fazendeiros corpulentos se banham em dinheiro, esfomeados feito gados arrebanhados no deserto. Na contramão, Carolina traz em seu livro incêndios que remetem a uma busca pelas suas origens, ancestralidade, cura, desejo de amar e falar ao mundo sobre as fotografias do céu. Destruir para construir.</p>
<p>Perceba que quando um livro desses vem às mãos, é preciso:</p>
<ul>
<li>Arregalar os olhos, até que eles saiam de órbita.</li>
<li>Beber Cantina da Serra e perder um maço entre confusões.</li>
<li>Contar a palavra “fogo”, multiplicar por dois e escrever o numeral na horizontal no item abaixo.</li>
<li>Coragem. É preciso coragem para palmilhar o chão dessa América que silencia atabaques, onde meteoros transpassam as retinas das crianças suburbanas, é preciso coragem para ser a poeta que a Carolina é, quando seu <em>corpo preto feminino/no papel dilacerado em versos </em>pontilha a voz em flecha direto em meu peito, no seu peito, até que projetemos a voz, uníssonos, junto ao dela. Seus versos curtos que cabem na palma da mão celebram a existência desde os vulcões até as faíscas, dos oceanos até os suores, da poeira até as ruínas e do poema até um <em>fosforozinho</em>. Ou seja, a brevidade do poema indica o quanto o tempo é elástico, pois com pouquíssimos versos a poeta me leva à história dela, à minha história, até chegar à sua feito um fio condutor. Um pouco de gêmeos, um pouco de escorpião e aos poucos, ingenuamente, decifro (como se fosse alguém experiente em quiromancia) as linhas que contornam as palavras usadas pela poeta, essa ser mística estrelada, da mesma pele cor noturna de sua mãe. <span style="color: #ffffff;">Carolina Luisa Costa</span></li>
</ul>
<p><strong>Valeska Torres</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>No dia após</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/no-dia-apos</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Mar 2021 12:59:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">catarro e quetamina
escorrendo pelo nariz
enquanto a Terra gira
não-gira, lenta, e o dia
(este) não quer acabar
nunca</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O primeiro livro e seus tumultos.</p>
<p>Primeiro, o poeta, Gabriel Bustilho: nestas páginas sempre entre dois, inquieto, insurreto, arquiteto de seu sujeito lírico. Vivo em 2020, atento a todas as quedas e à crueza triste desses nossos tempos de quem “quer se manter vivo/obrigatoriamente se mantém”. Bustilho parte para dentro de si, movimento de implosão subjetiva que se alastra, “hoje vou abrir os botões da camisa/e que se foda”, e nos implica ao mesmo inconformismo “de quem não morre na imundície deste lugar asséptico”. Seu sujeito é um campo de batalha.</p>
<p>Segundo, seu percurso é de mãos dadas. Os poemas de Bustilho nos convocam, retomam a mesma paisagem que nos instiga, esses “dias em que a rua é uma casa/arruinada” e ainda assim precisamos atravessá-los. Os dias nos exigem. E o poema é o que sobra e justifica. Uma sintaxe que se alterna entre a hesitação e a certeza de uma urgente catarse. Um valete que nos oferta uma granada à porta da esperança — “uma inútil granada que nunca explode”. Implode, corrói por dentro as normas e impõe essa vida que precisa “a palavra se dissipando nas veias”.</p>
<p>O poeta segue sendo essa aporia, esse vício da busca, essa reação de quem tem “no peito um fuzil/contente e desconfiado”. A “metralhadora em estado de graça” de que falava Roberto Piva. A ampla e inútil, por isso bela, generosidade de assinar os dias como os poemas: “porque tudo sempre pode ruir”.</p>
<p><strong>Flávio Morgado</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Rupestres</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/rupestres</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Mar 2021 12:57:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[não quero
pressa

quero
praça

não quero
preço

quero
prece]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em um tempo no qual as palavras se multiplicam para, muitas vezes, nada dizerem, nas inúmeras camadas de comunicação de nossa contemporaneidade – desde a chamada “grande imprensa”, passando pelo universo digital dos sites e perdendo-se na gigantesca mata fechada das redes sociais –, surge, conciso e oportuno como uma lanterna, <em>Rupestres,</em> quarto livro do poeta Carlos Frederico Manes. Ao mesmo tempo um diagnóstico de nosso século e seu elixir, os versos de <em>Rupestres </em>derramam-se como gotas aromáticas que se oferecem a nossos sentidos, nosso intelecto e – como aponta, solenemente bem-humorado, o poema de abertura – “ao juízo de quem não tem limo no ouvido”.</p>
<p>Passeando pelas tendências da arte e da poesia concreta da segunda metade do século XX sem nelas se limitar, e, ao contrário, repintando-as através de novos e inesperados ângulos, Manes registra o seu tempo e o atemporal, o nacional e o universal, a ordem e o espanto: “homens tornam-se poeira/diminutas formigas/o amor a arte a própria vida/esvaziam-se” (“Diário de um satélite”). Densidade e frescor caminham lado a lado em <em>Rupestres,</em> onde a palavra, conforme a definição auerbachiana, deixa de ser, em sua “função dupla”, apenas signo, para evocar sensações ao aparecer e – paradoxalmente – ao se ocultar. Essa palavra que se oculta, ou que se deixa vislumbrar, como uma silhueta, faz de <em>Rupestres </em>uma obra sobretudo pulsante, dinâmica, na qual a criatividade e a surpresa se desenham página a página.</p>
<p>Tomem-se alguns exemplos, como “Alerta”, em que a crítica social se alia a um cuidado artístico e gráfico: “vermelho/morte/vermelho/dentro da luz dentro da cabeça”, e o delicado poema a seguir, sem título, que parece responder à incômoda pergunta de “Alerta”, chegando como uma melodia superposta, um contracanto. <em>Rupestres</em> pode, aliás, ser apreciado como uma sinfonia: em seus andantes (“Euclidiana”), <em>allegros</em> (“Destilação”), <em>vivaces </em>(“Travessia”) e <em>prestos</em> (“Deus ex machina”), uma exuberância de temas e formatos têm entretanto um fio que os une, um eixo, uma batuta.</p>
<p>O leitor exigente de hoje, como aquele a que se referia Alfredo Bosi, que está “à procura de uma palavra carregada de húmus moderno e, ao mesmo tempo, capaz de transmitir alta informação estética”, encontrará em <em>Rupestres</em> serenidade e inquietação, resposta e angústia, antídoto e veneno, irreverência e mistério.</p>
<p><strong>Natália Nami  </strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Taxidermias</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/taxidermias</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Mar 2021 12:53:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[humano
restituído o fluxo
natural das coisas
como se a linguagem
não fugisse à experiência
como se o poema
merecesse
do amor
a represália <span style="color: #ffffff;">Alice Vieira</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Taxidermia</em>, antes de designar o processo de empalhamento de animais mortos, tem origem etimológica no ato de dar forma à pele. Mas não seria a forma o que se dá na passagem, e a pele a forma mesma do corpo enquanto passo, ritmo, conversão? O que não passa, então, com a morte, que justifica a conservação?</p>
<p>“quem perde o medo de morrer não perde/nada”, escreve Alice. Permanece contíguo ao risco, “na língua do excesso”. A agudeza verbal de seus poemas não tem piedade; não é apenas um código entre vários, um maneirismo qualquer. Não se trata de confrontar a negatividade com o artifício, ou de com a morte estabelecer um pacto, como tentou Orfeu, herói das passagens. Este sabe, “porque nascido além/não há nada”. Eurídice, inclusive, está de greve, indisposta. Nem por isso a poeta se imobiliza, como Hamlet capturado pelo desejo sussurrado pelo fantasma. Alice atravessa o “espelho cantante” (dos nomes), a resistência da semelhança (das línguas), desafiando o que há de intraduzível numa imagem refletida. Como máscara que não sai do rosto, o corpo é impossível realmente. “Não procuro um corpo que seja possível”, escreve a poeta, “eu procuro uma mulher/para chamar de apostasia.”</p>
<p>Esses poemas, mais do que subscreverem os pactos, os laços e as filiações de quem se acha aos pares, disseca-os desde a linguagem dos afetos, que é impasse e desamparo por natureza. A origem é afecção e afetação, ciência das pendências e das renúncias; por isso a voz dirige-se ao pai, ao partido, à tradição, ao fascismo da língua que nos obriga a dizer. Há, no entanto, um outro que nunca é dito, este sim, causa dos abismos do desejo não filiado. Uma cena mais além do hereditário, que não pode ser transliterada.</p>
<p>O poema é um animal trocado, imobilizado entre o fascínio e o assombro. A leitura movimenta-o no imaginário, como o que indaga o corpo. Agrupa-o no simbólico, como o que desafia o laço. “espero nunca-nunca/perder a voz”, nos diz um de seus poemas, enquanto a voz parece ser o humano em espera, a “fissura familiar” por onde imaginamos, nas bordas ou na poeira do Sol, um <em>habitat</em>. “Na linguagem o jogo é sempre venal”, escreve Alice, brincando sobre o duplo sentido: o que é das veias é corrediço, fluente, troca constante — herdando o que não foi dado, doamos o que não temos. Não abandonamos as casas vendidas, as galáxias que não estão à mão. Não basta tudo perder, o corpo em perdição: é preciso questionar tanto a propriedade quanto a contingência, como aprendemos com o que vem a ser o comum, mais uma vez, na poesia de Alice: “ouro epidérmico de escombros”.</p>
<p><strong>Carolina Anglada</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Ela vai nascer livre</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Mar 2021 12:47:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Eu quero escrever um livro.
Talvez um romance,
talvez uma autobiografia
não importa tanto,
mas eu preciso escrever esse livro que
eu comecei a escrever agora.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Aos quinze escrevia cartas.</p>
<p>Páginas e páginas em um envelope pardo com selo postal.</p>
<p>Você pode imaginar o espanto</p>
<p>no momento exato em que elas deslizavam pelo chão do meu quarto.</p>
<p>Aos dezoito, meu corpo se deitava na terra</p>
<p>e movia os braços como se fizesse anjinhos barrocos</p>
<p>para coroar Ifigênia.</p>
<p>No fundo da paisagem, os sinos dobravam brincadeira e lamentos.</p>
<p>Eu não sabia latim, mas entendia que era chegada a hora.</p>
<p>Nascer em Minas é como acolher nas juntas a epifania dos santos</p>
<p>o sobrenatural no que cabe entre o dia e a noite</p>
<p>e de repente perceber que, às vezes</p>
<p>é preciso transpor as montanhas e rabiscar as linhas das mãos</p>
<p>para brotar rearranjos.</p>
<p>Hoje, aos trinta</p>
<p>Retiro os metais pesados do plexo, alço voo.</p>
<p>Encontro no mar aberto o milagre do espelho.</p>
<p>No início era a água.</p>
<p>Depois, o gosto de sal no céu da boca, os vestígios do que rasteja, as plantas daninhas a germinar frestas para que ela pudesse nascer livre. Bárbara Bija escreve como quem brinca e lança seu olhar sobre as coisas miúdas, a vida rasteira e aquela que transcorre na altura do voo, para tratar das revoluções humanas. Para isso, dispõe de mapas, cartas de navegação, caracóis, moluscos; evoca os antepassados que chegaram por navio e hastearam o corpo onde o mar não alcança. <em>Ela vai nascer livre</em> é um livro-prece que ora canta o que sobra entre os escombros, ora decreta trégua nos levando a descobertas “não assinaladas pelas bússolas”. Em cada verso, a ciência e a literatura se enroscam e irrompem no corpo a sabedoria do mundo. As quatro partes que compõe o livro são sustentadas pelo processo de recorte e colagem, e emancipam o leitor da ordem, das estradas em linha em reta, mas, antes, nos sugerem em sua lição de geometria, ao menos, quinze fins diferentes. A poesia profetiza o voo, reverencia o limo e o que está abaixo dele. Como em <em>Aviso aos navegantes</em>, respiro fundo para dar conta da imagem.</p>
<p><strong>Bárbara Mançanares </strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Poesía galega novísima</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Nov 2020 14:36:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[[coord.]

afonso traficante // afra torrado // alexandre fernández // ana fraile somoza // andrea valle // antón blanco casás // ánxela do canto // arancha nogueira  // belén senín // benjamín vidal // carlos lixó  // carlota corredoira // celia parra  // c. ermitas // clara vidal // diego bará louro // eilún del pazo moa // emmanuel joven // helena salgueiro // jesús castro yáñez// jorge rodríguez durán // lois alcayde dans // lucía cernadas // noelia gómez. // noemia veiga gonçalves// nuria vil // pablo rodríguez lópez // paula antía rey baliña // quico // regina touceda // sara villar aira // tamara andrés // vicente vázquez vidal]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Se ben existen, como en todas as literaturas, certas inercias —e é inevitábel, porén, que algúns patróns (referenciais, espaciais, de canal, emisión ou amizade) fagan que as temáticas e as voces se acheguen dunha forma non sempre desfavorábel, pois a semellanza tamén supón cohesión e concordancia—, sería precipitado nomear a poesía nova da Galiza como constructo ou imaxinario dunha posible xeración en crecemento. As achegas difiren tanto entre si e teñen intereses tan disímiles que non poderiamos trazar, sen caer na pretensión ou no superfluo, unha liña que definise con xustiza a realidade creadora en que se desenvolven. E o certo é que sen querer entrar en controversias (…) cómpre salientar que hai en Galiza un país o suficientemente robusto no eido da poesía como para ter que propoñer xeracións literarias cada cinco anos e esquecer os autores e autoras que as compoñen porque algo novo xorde no inmediato. Claro que reformular constantemente os grupos é algo que presume de riqueza, pero non máis que a difusión, o recoñecemento e a lectura que deberían ligarse ao seu descubrimento.  (…) Isto serían os novísimos que este volume acolle: poetas que escriben en galego menores de trinta anos.  Atopamos neste libro algunhas liñas temáticas que trazan unha trama xeral e constrúen o que define esta non-xeración como representación dunha realidade comprimida nun espazo tan pequeno —pero suxestivo— como é Galiza.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Poesias mareadas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Nov 2015 18:04:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[me desfaço do mapa.
sempre foi outro meu talento:
o de navegar, instintiva,
segundo o rumo do vento.

disfarço o medo.
sigo passo a passo, tudo a seu tempo;
esqueço temores, falsos amores
e os já mortos laços.

fortaleço a alma.
vida vive de vida, por isso é que sempre caço;
ora sem mapa, ora com medo
um dia eu ainda me acho.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Entre o eu, o mundo e o amor há entrelinhas tão miúdas, que só o<br />
tempo é capaz de ler. Escrever é uma tentativa de contornar o tempo,<br />
fingir que somos capazes de compreender os desenhos que ele faz em<br />
nós.<br />
Escrever é “descaber”, como diz Luciana. Mas caber é tão pequeno,<br />
não é? A casa muda de tamanho em silencio. A gente nem percebe. A<br />
casa que cabia a gente, de uma hora para a outra, perde em precisão.<br />
E, então, caber não comporta. É preciso mudar de casa, para outra<br />
maior, que em breve também ficará pequena. Diz-se que o nosso corpo<br />
é nossa casa. Mas a verdade é que a alma é a casa, o corpo são<br />
vários cômodos.<br />
Haja mar para tanto desconforto.  “Poesias Mareadas”, de Luciana<br />
Soares, convida a gente a navegar pelas casas antigas, pelas novas,<br />
pela casa dos outros. E sentir nossa alma navegar. Às vezes, para<br />
escrever, é mesmo preciso “desinventar” o tempo, para que sejamos<br />
nós a criar os cinemas de nossas vidas. E, assim quem sabe, com as<br />
palavras, escutar as entrelinhas. Afinal, só a essência interessa.<br />
Tenha este livro como um companheiro para fugir de casa.</p>
<p><strong>Maria Giulia Pinheiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Cidade submersa</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/cidade-submersa</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Nov 2015 18:09:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Janelas
espelhos d’água
de olhos lodosos
abrem líquidas entranhas
quando o pântano
vem à tona
levando a alma
à lona.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p><em>“</em>É preciso aprender a fica submerso/por algum tempo<em>”</em>, escreveu Alberto Pucheu num dos grandes poemas desta década. Em <em>Cidade submersa</em>, de José Antônio Cavalcanti, submersão/subversão nos fazem prender a respiração nas três partes do livro. Não se pode dizer, no entanto, que a cidade esteja situada no leito de qualquer oceano. Localiza-se, ignorando extensões territoriais, no interior de um estado líquido em que viver é a longa espera por algo que talvez não venha. A arte, no entanto, é o que escapa ao não vir. Daí a necessidade permanente de inventar o fôlego, renová-lo, buscar aquilo que se agita acima da superfície perdida entre o aberto e o inalcançável.</p>
<p>“Submersa” é pista falsa. Seria “um cinza matricial/flexionado por línguas polidas/em verbos sem pessoas?” Ou antes “a memória de civilizações submersas/Atlântidas devassas como a nossa/mergulhadas/gota a gota/na barbárie?” Ou, ainda, “a faca cega/miseravelmente cega/dos dias que não virão”. O sufoco contemporâneo obriga a reinvenção do fôlego como arte de resistência. Se o poema ainda respira, cabe ao leitor se apropriar dele a fim de sobreviver nesse mar demencial, nessa espessa camada de desconforto e insegurança, nesse espaço hostil à circulação da arte e dos afetos na necrocidade em permanente estado de exceção. Nesse sentido, “Teoria do afundamento” (quebra das fronteiras do texto poético), entre o humor e o ontológico, formula uma pré-história do refúgio em áreas fora dos radares, das câmaras de vigilância dos podres poderes constituídos. Resistência poético-política em bolsa antiamniótica, já que proteção é tudo o que não temos.</p>
<p>“Suburbanners”, em sua origem, foi uma série de poemas ambientados na área de naufrágios da Zona Norte do Rio de Janeiro. Em função dessa zona abissal, cheia de correntezas mais perigosas e camadas mais espessas de dor e desamparo, acabou gozando de certa autonomia.</p>
<p>A última parte de <em>Cidade submersa</em>, “Haicais em falso”, diminui a pressão e renova o fôlego. A aproximação à luminosidade dos dias azuis não acena com a solidez de qualquer terra à vista, mas, ao alcançar um estado de encanto e leveza, aguça a percepção da presença daquilo que vige acima da linha d’água.</p>
<p>Tenho certeza de que, após o mergulho nas páginas deste livro, o leitor sairá com o fôlego renovado.</p>
<p><strong>Wilton Peixoto Filho</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Sutura</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/sutura-3</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Nov 2015 17:00:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">Eu, a impura
Bicha Imoral
Que escuta os murmúrios
As piadas, os insultos
Que envergonha os pais
E recebe gratuitamente facadas
Banhadas em cuspe e palavras
De ódio
Por amar um homem</span>

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Exibindo suas feridas, Gabriel Mação estreia com a seleta de poemas <em>Sutura</em>.</p>
<p><em>Bicha Imoral</em></p>
<p><em>Que escuta os murmúrios</em></p>
<p><em>As piadas, os insultos</em></p>
<p><em>Que envergonha os pais</em></p>
<p><em>E recebe gratuitamente facadas</em></p>
<p><em>Banhadas em cuspe e palavras</em></p>
<p><em>De ódio</em></p>
<p>A dor e a resistência de sua própria existência são matéria-prima para sua poética. Enxergo a dicção do jovem poeta circunscrita no tempo em diálogo com <em>Falo</em> (1976), de Paulo Augusto, um dos primeiros livros de poesia homoerótica da literatura brasileira.</p>
<p>Com grito ou expurgo, Mação faz de seus versos um ato político. Uma leitura possível está na atenção ao tratamento identitário e político de gênero e das sexualidades. Não que os versos tenham um propósito ativista, mas o motivo de sua escrita se apresenta diante da perplexidade com sua própria condição.</p>
<p><em>Eu, que morro a cada 25 horas</em></p>
<p><em>E morro quando esse poema termina</em></p>
<p><em>Ou quando ele começa</em></p>
<p><em>Morro</em></p>
<p><em>Morro</em></p>
<p><em>E vivo</em></p>
<p><em>Vivo como se fosse o último dia.</em></p>
<p><em> </em>Entre falas e sussurros:</p>
<p><em> </em><em>Gritamos ainda mais alto</em></p>
<p><em>Que homens também se amam</em></p>
<p><em>E transam</em></p>
<p><em>E sangram</em></p>
<p><em>E ainda sobrevivemos</em></p>
<p><em>E os que virão</em></p>
<p><em>Também irão sobreviver</em></p>
<p><em>E iremos gozar em nossas camas</em></p>
<p><em>Com homens e homens e homens…</em></p>
<p>A reivindicação do corpo político, que escreve sua trajetória tendo como premissa a liberdade.</p>
<p>Esses corpos ocupam os espaços de uma cidade partida pela violência, a periferia do Rio de Janeiro: Marechal, Avenida Brasil, Maré… Uma geografia feita de pedras, ossos e carnes. Corpos atravessados por passarelas, viadutos, morros e ruas.</p>
<p><em>Há corpos pela cidade</em></p>
<p><em>Corpos carregados em sacolas plásticas</em></p>
<p><em>Carregados em ônibus lotados</em></p>
<p><em>Em ruas enferrujadas</em></p>
<p>O poeta costura as vísceras de uma cidade adoecida com pedaços de amores efêmeros, perdidos. A morte passeia com seu cheiro de carne putrefata entre os corpos que buscam prazer. Um misto de suor, sangue e sêmen. Aqui, o amor é gozo, volúpia, capaz de estancar a dor dos dias mais tristes — uma espécie de sutura, invisível aos olhos dos mais distraídos.</p>
<p><em>Costurando a carne rasgada no arame farpado</em>, Gabriel Mação escreve uma cartografia da exclusão, registrada em versos, sem perder de vista o prazer de estar vivo, em resistência. O seu corpo — seus versos — é a sua cidade em ruínas e o seu templo de oração.</p>
<p><strong>Ramon Nunes Mello</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Cenário implícito</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/cenario-implicito</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/cenario-implicito#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Nov 2015 18:25:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[eu poderia descrever a pintura dos seus olhos, as pinceladas
cromáticas dadas por deus ou pelo diabo… (eu não sei)
eu poderia escrever sobre os seus olhos
poderia ainda
inventar]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Conheci Talita Feuser numa das cenas poéticas mais acolhedoras do Rio de Janeiro, o CEP 20000, entre rappers, performers, e o poeta Chacal. Chamou minha atenção a desenvoltura da moça ao falar os seus poemas, com gama de emoções que iam da candura à ironia, do modo íntimo ao crítico, como “observadora clandestina” dos fatos mais corriqueiros aos abalos subjetivos de uma mulher num “cenário implícito”. De fato, sua assinatura poética, exposta na cena ao vivo, era a de uma poeta atenta que fisga os múltiplos aspectos do vivido, tragando-os para um lugar velado, mas, ao mesmo tempo, revelador dos pormenores inusitados, sensíveis, da vida de uma mulher, cenas recortadas onde as palavras desafiam o leitor a ver mais do que as aparências.</p>
<p>A qualidade pessoal dessa poesia pode ser apreciada na versão em livro de poemas por si sós visuais, conjugados aos desenhos do artista visual Gpeto, cujo traço forte nos mergulha no cenário implícito da poesia, reverberando a vida urbana. A versão em livro confirma a perenidade das sensações provocadas pela enunciação oral. Uma das qualidades dos poemas é a busca do “apuro” com as palavras, o que pode chegar a exercícios plásticos com a composição visual das mesmas: “calo calo calo calo calo calo calo calmaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa/nem todo ar é sopro”.</p>
<p>Não se trata, porém, de um maneirismo exibicionista de virtuosidade no manejo da Língua, mas da busca artesanal de romper com os limites do implícito/explícito, do fora/dentro, do banal/sublime, romper a plasticidade dos significantes estendendo o fôlego à falta de ar, ao irrespirável da experiência: convite ao risco da poesia.</p>
<p>Quando aceitamos o convívio com este olhar sobre as coisas, ficamos também expostos ao olhar do outro, e ao mesmo tempo somos observadores, todos embarcados nessa travessia, aventurando-nos pelos recantos obscuros das palavras, munidos de lentes de aumento para a erótica do corpo, expostos “sem cordão umbilical/sem placenta/como posso então ainda me nutrir?”, abertos, portanto, ao que vem sob as formas variadas dos poemas.</p>
<p>Trata-se de disponibilidade ao contágio da poesia, um SIM dito à abertura do corpo para a vida das sensações, enfrentamento do tempo, na contramão da pressa da vida contemporânea, sem pressa como quem toma café sentindo o gosto e vendo a paisagem como promessa: “nós teremos tempo/ainda é cedo/[para o que não tem fim]”</p>
<p><strong>Ana Chiara</strong><em> </em></p>
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		<title>Quem dera o sangue fosse só o da menstruação (vol. II)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Nov 2015 13:39:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ellen maria martins de vasconcellos / mariana paiva / thaís campolina / isabela sancho / julia bac / lara carvalho / paula silva / sabrina dalbelo / kalina paiva / carolina hidalgo castelani / mariana pio / lia d’assis / yolanda lópez / maya falks / susy freitas / clarice landi / ayssa norek / gabriela gonçalves / carolina braga ferreira da costa rosa / luísa zanni / carla beatriz / milene moraes / gabriela luna / eilún del pazo moa / maria do carmo costa e silva / neysi oliveira / carolina lobo camila morgana lourenço / cris guimarães / martina camini / clarissa comin / jéssica andrade / tássia veríssimo / mandi moreira rafaela miranda / pilar bu / andreia tavares de sousa / paula quinaud / maria azenha / luísa monteiro / mar becker /cristina corral soilán / adolfina mesa / aline macedo / amanda bambu / annalau / capitu / coletivo duas marias / fran rebelatto / giselli m / giulia cavalcanti / jéssica saggin / júlia bertú / lana maciel / lara marques / li vasc / lionizia goyá / m céu costa / marianna viana / milene tafra / paula holanda cavalcante / tatiane rebelatto]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">&#8221;Da alma de uma mulher só saem palavras de amor. É o que dizem. Se não é amor, é silêncio.</p>
<p style="text-align: justify;">O tempo escondeu a voz das mulheres em um mundo que não as aprecia. O vento abafou todos as frases que elas tentaram dizer. Tudo parecia em vão.</p>
<p style="text-align: justify;">Na hora de escrever falavam a mesma coisa, tudo que vem da caneta da mulher é amor. E a tinta borrava o que não fosse isso. O papel tremia se as palavras viessem com mais força.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas os dias passaram e com ele as paredes começaram a cair, não resistem a passagem dos séculos. E a voz feminina, antes temerosa e aflita, ganha um novo som: a resistência que vem do coração, palavras duras se desenham nos cadernos, frases reais se desenham no papel com a tinta. Tudo o que foi calado começa a ser escrito.</p>
<p style="text-align: justify;">É muita dor. Sim, muita. A dor de séculos de silêncio. As palavras que saem agora não são doces nem amáveis, são flechas carregadas de dor, indignação e revolta. E a necessidade de ser escutada.</p>
<p style="text-align: justify;">Não espere em ‘’Quem dera o sangue fosse só o da menstruação’’ frases caramelizadas, versos açucarados, momentos cálidos e passagens amáveis. O que está aqui vem de almas quebradas, fraturadas, mas resistentes e dispostas a mostrar ao mundo o peso da verdade, o que é real nas almas femininas.</p>
<p style="text-align: justify;">E atrás de tudo que é real existe uma infinita beleza, uma transparência que se espalha pelo ar. Mulheres têm muito à dizer, depois de séculos sendo caladas. Mulheres têm muito a escrever, depois de séculos sendo afastadas dos cadernos.</p>
<p style="text-align: justify;">Em ‘’Quem dera o sangue fosse só o da menstruação’’ algo fica claro: é um sopro de brisa ler o que existe na alma de todas as escritoras. A leitura é um momento de agradecimento ao tempo, que agora abriu passagem para que possamos conhecer o que a alma feminina tanto tempo foi obrigada a esconder. Ao ler o trabalho magnífico das escritoras nos identificamos com suas almas, percebendo que o tempo silenciou nossa voz, mas nunca a apagou.</p>
<p style="text-align: justify;">Estamos vivas. Temos muito o que dizer, escrever e viver.</p>
<p style="text-align: justify;">Libertar uma voz é libertar a voz de todas&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Iara Dupont</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>In fuck we trust</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/in-fuck-we-trust</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Nov 2015 12:51:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[descem os católicos
sobem os evangélicos

vamos fazer a dessalinização da água benta]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Este livro de poemas, em sincronia histórica, continua o anterior, publicado pela Urutau em 2018 — <em>Gambiarra </em>—<em> Uma pinguela para o futuro do pretérito</em>. Enquanto <em>Gambiarra</em> começa no momento da queda de Dilma e acaba quando se dá a prisão de Lula, passando pelo governo Temer e por múltiplos personagens, fatos e momentos mais insólitos do período, este <em>In fuck we trust</em> foca no período do governo Bolsonaro. De poema em poema, Ademir Demarchi passa em revista com ironia o país estraçalhado e cindido pela disputa visceral política e econômica. Continuando o <em>espírito de porco</em> de <em>Gambiarra</em>, com o poema “Guerrilha”, lá incluído, o autor sinaliza o que pode ser essa ação poética: “a esquerda hoje/não pega em armas/que não façam rir<strong>”. </strong>O tom crítico é marcante e persiste neste novo livro como uma necessidade imposta pela reflexão, reiterando que no Brasil não há pontes, há apenas pinguelas e o escritor está sempre na corda bamba sobre o abismo desse enfrentamento.</p>
<h2></h2>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Zumbimalê Pivete – Parte I</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/zumbimale-pivete-parte-i</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Nov 2015 11:24:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[você precisa saber que
em tudo aplicou o granito
o cavouqueiro
o macaqueiro
o gerente da pedreira
projetou um pouco o Rio de Janeiro <span style="color: #ffffff;">Claudio Medeiros</span>

túneis a golpes de picareta o trêmulo
bronze nos arrabaldes escoam a cidade
os trilhos da cidade, e esse vadiamento do
que na vida é porosidade e comunicação]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Sangue e breu. Zumbimalê navalha a noite como um gato descortina a casa. Estrelas varam janelas, batem às portas. Convocam os que são da noite: “o malê tinha encarnado nada/menos que Madame Satã vadio/carioca velho conhecido da/crônica policial jornalística”. Não se conhecem os planos dos revoltosos. Trocas de mãos e pernas, velhas fotografias se entreolham. Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. O poeta reclina-se para ver os mapas, como pedrinhas no chão: quem vem chegando? Quem cortou a primeira pedra? Quem trilhou ou calçou a rua que cruza? Interessa-se pelos nomes, mais pelas frestas nos nomes, pelas ruínas, mais pelas vozes que assomam das ruínas. Interessa-se pela noite do nome, pela cara que vem dar à esquina, pela cidade das esquinas. Nervura de plantas, a voz que é foz, a cidade retomada pelo corpo de sua memória: retalhos nos mapas, o poeta se movimenta para ver desmontes, desterros, fugas para o subúrbio, rostos nas fotografias, os nomes nas crônicas dão-se a falar, entreolham-se. Silêncio: todos se cumprimentam nas cidades do passado, e as cidades do passado dão aqui. Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. 2020. Ano de sua fundação. Zumbimalê salta da linha do trem à Estação Olímpica do Engenho de Dentro. Todos os Santos. Engenho de Dentro. Méier. Linha Amarela. Água Santa. Encantado. Corre o asfalto Zumbimalê. Abaixo da lei, acotovelam-se. Os cruzamentos das ruas, ao lado da lei, acima da lei, trocações, encantamento, onde não mais os da morte, desencantados violadores de túmulos, desordenadores de memórias, pobres diabos sentados em seus tronos erguidos a retroescavadeira. Não mais prosperam. Onde não mais os projetos de cidade talhados a mármore e barbárie sobre a cidade dos pivetes. Não mais prosperam. Corre junto a Zumbimalê: pedra sobre pedra? Quem talhou as pedras? Haverá festa?</p>
<p><strong>Vinícius Melo</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>N kre ser pueta (Puezia na kriolu kabuverdianu)</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/n-kre-ser-pueta-puezia-na-kriolu-kabuverdianu</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 07 Nov 2015 18:56:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Si bu da-m
N ta da-bu
Si bu fla-m
N ta fla-bu
Si bu txoma-m amor
N ta kudi-bu ku ardor

Si bu da-m bu karinhu
N ta da-bu nha ninhu
Si bu oferese-m flor
N ta toma ku amor

Si distinu uni-nu
Nada ka ta sipara-nu
Bo e nha metadi
Mi e bu padas

Nos mo dentu’l kunpanheru
Nu ta bira un so
Nu ta brilia sima seu ku strela
Orizonti ta bira pertu
Nos odju ta dimira kanbar di sol
Nu ta viaja na un noti di lua-xeia]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p align="justify">N sa ta ben tenta po leitor ku gana le es livru di puezia, ki ten kondon di bira nos lingua maternu, materializadu atraves di alfabetu kabuverdianu ofisial, na spedju di alma di un romantika di nomi Andreia Tavares de Sousa.</p>
<p align="justify">Es livru ten un sentena di puema agrupadu na 12 tema: amor, seduson i fantazia sensual; didikason pa omi; dizeju ku speransa di autora; forsa, dor i katisa di mudjer; karinhu di mai ku fidju; li na stranjeru; luta i vivensia di nha povu; magua ku sufrimentu; motivason ku sintimentu di autora; natureza – fauna ku flora; nostaljia di mininesa; i vida na sosiedadi.</p>
<p align="justify">Pa temas li di riba, ta odjadu ma es livru ta rifleti vivensia di un Kabuverdiana ki pasa se infansia i adolesensia na interior di Santiagui dexa Kabu Verdi na flor di idadi rostu pa emigrason, mas spesifikamenti pa Fransa, undi el sa ta vive dja ten uns 3 lustru.</p>
<p align="justify">Atraves di un kriolu fundu, autora ta mostra se orgulhu di ser di interior di Santiagu, faktu ki dexa markas profundu na se personalidadi. Es opson di puetiza ta riforsa karater teluriku di es livru, pois, atraves del, leitor ta viaja pa kes prinsipal fenomenu imusionanti asosiadu ku speriensia di vida similhanti ku kel di autora.</p>
<p align="justify"><strong>MARCIANO RAMOS MOREIRA</strong><br />
Studiozu di língua kabuverdianu</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>O homem que capturou areia entre os dedos e alega ter parado o tempo brevemente</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-homem-que-capturou-areia-entre-os-dedos-e-alega-ter-parado-o-tempo-brevemente-2</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Nov 2015 14:17:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[não é mais possível escrever poemas
que não sejam também bulas
que tenham não apenas
contraindicações mas pelo menos
alguns efeitos colaterais]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>São precisos quatro pares de olhos para entrar neste segundo em que o tempo brevemente parou. Dois deles são físicos, humanos, materiais — captam o punhado de areia que escorre entre os dedos e forma o chão. Norteiam o ser, sua relação com o tempo e a vida lá fora.</p>
<p>Os outros são íntimos, sensuais, femininos — realizam o movimento de libertar a si e de se reconectar com o corpo e com todas as perdas e afetos que renascem a cada novo ciclo.</p>
<p>Mariane Germano não vem falar só de belezas, trata-se de sentir. E muito. Aqui, a liberdade provoca, fere, trai, e por isso mesmo, é tão cabível a ela.</p>
<p><strong>Lorena Cardoso</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>#semfiltro</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/semfiltro</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Nov 2015 20:14:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">quando nasci, um anjo
neoliberal
desses que, nas sombras, agradam as grandes corporações
disse: bruno, você está fadado a ser fodido</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Os poemas de #semfiltro, de Bruno Oliveira Fernandes, remetem, paradoxalmente, a uma dupla filtragem de matrizes em princípio antagônicas: o formalismo das experiências dos anos 60 — concretismo, poema-processo — e a distensão da poesia marginal da década de 1970. Entre uma e outra, Bruno opta por ambas. A primeira parte, dos poemas visuais — a “ foto” —  e a segunda, dos poemas verbais — a “grafia” — unem-se pelo viés ao mesmo tempo crítico e lírico impressos em seus textos, numa atitude saudavelmente avessa à busca de “verdades”, que só existem em seitas fundamentalistas, poéticas ou de qualquer outra espécie. Com leveza e humor, descumprindo os mandamentos tanto da vanguarda quanto da poesia marginal (afinal, mandamentos só existem para serem desmandados), Bruno brinda o leitor e os leva, com versos, na conversa de que mesmo a serpente, pelo poder do poeta, se transforma em serpentina, antídoto contra o baixo astral destes tempos tão sombrios.</p>
<p><strong>Antonio Carlos Secchin</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Descrevir de bicicleta</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/descrevir-de-bicicleta</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Nov 2015 17:53:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<strong><span style="color: #ff0000;"><a style="color: #ff0000;" href="https://editoraurutau.com/autor/camila-ennes">Camila Ennes</a></span> </strong>[ilustração]

Escrevemos num mármore da Praça XV de novembro:
+ AMOR
– MOTOR
A bicicleta gargalhou a reverência circunscrita.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Receituário</p>
<p>Sem tropeçar em palavras difíceis. Leve, tocante e atiçador: um livreto de uma viagem sem final.</p>
<p>Passando por diversos espaços, diferentes localidades e pedalando por uma via de mão dupla, mostra que seu quebra-cabeça de metáforas é o mais sensível e real do mundo.</p>
<p>Quincas (d)escreve para conquistar.</p>
<p>Ele usa a bicicleta, os livros e sua poesia para fazer com que as pessoas se apaixonem pela real potência da vida.</p>
<p>Sempre sozinho, mas nunca desacompanhado, viajando por futuros já pensados, pegamos carona no espírito livre da sua bicicleta para lugares novos no mundo e lugares novos dentro de nós. Aviso aos leitores: ao esbarrar no trânsito interno, não buzine e nem olhe para trás nas despedidas.</p>
<p>Abrace o livreto, um pouco do mundo e siga pedalando no equilíbrio viageiro…</p>
<p><strong>Luisa Cortes</strong></p>
<p>Receituário</p>
<p>Seja em aquarela, nanquim ou mesmo através de um improvisado “lápis de olho” durante um passeio de bicicleta, a serelepe Camila Ennes imprime sempre leveza e bela simplicidade em seus traços rápidos.</p>
<p><strong>Leonardo Pressi</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Ferro de espera</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/ferro-de-espera</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Nov 2015 14:28:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[o destino do neto vem pronto:
escola loja administração
até desenrolar por dentro
o novelo invencível do não]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>“Rio, 19 de abril de 1995.</p>
<p>Senhorita: desculpe-me pelo sem momento, mas eu precisava sentir muito pelo acontecido. É que as reformas por que a cozinha da língua portuguesa vem passando despertaram em mim estranhos reflexos.”</p>
<p>De Jacarepaguá a Copacabana, os textos percorriam a cidade até bater debaixo de minha porta. Ainda sonhávamos, como a maioria das gentes que não dobrou as décadas. As cartas levavam selos e demoravam, ao menos, dois dias no trajeto.</p>
<p>Dentro de um envelope, vinha o réquiem para o trema que morria; no outro, a mensagem dizia: quem dera ser de Minas Gerais para poder me emocionar ao conhecer o mar, ou viver como a arara azul. “Vive melhor a arara sem seu parceiro do que eu enamorado do mundo inteiro.” O escrito era pretexto, resultado das notícias dos jornais.</p>
<p>Da caixa onde moram hoje os papeis almaço, saltam também, produto da mesma fábrica, poesias forjadas pela pressão dos tipos. “A máquina de escrever, quando reina a falta de assunto, é um maravilhoso brinquedo. Eu, por exemplo, tento desenhar.”</p>
<p>Vinte e cinco anos depois, este <em>Ferro de espera</em> é a poesia crescida de quem sempre soube manejar o real usando a palavra. É a história em versos do tempo suspenso, do momento que virá, do intervalo em que a tecla avança rumo ao papel. Ele fala do segundo que antecede a flor. Flor de concreto, flor de tomada de três pinos, de fêmur, de nylon, de pedra de feijão e de pedra no sapato.</p>
<p>O amor, essa droga malhada, é aqui osso, roupa na máquina de lavar, fantasia de Papai Noel e sangue do filho. A família é toalha de mesa. Nuno constrói beleza sobre lajes, apoiada em vergalhões.</p>
<p>Fico pensando: se lhe dessem mar azul e botão de rosa, de onde viria sua poesia?</p>
<p>Quando fui apresentada a Nuno Virgílio, em 1992, ouvi dos amigos: “Ele soube usar as palavras subterfúgio e flanco na prova.” Convenhamos: quem faz verso em prova é capaz de tirar o leite que a poesia pede às pedras.</p>
<p>Em novembro de 1993, numa carta, aconselhou-me: “Procure os caminhos mais esquecidos pelo resto do mundo. Acho que são eles que levam aos povoados onde o circo ainda faz rir.” E incluiu no PS: “Me pediu que escrevesse, agora atura!”</p>
<p>Aturando há tanto tempo este que é dos melhores escritores que já li, faz-me bem ao coração ver este segundo livro publicado, depois de <em>Eletricaestrela</em>, que, além de ocupar a minha cabeceira, ainda foi semifinalista do Prêmio Oceanos 2018.</p>
<p><strong>Débora Thomé</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Pensamento de criança</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/pensamento-de-crianca</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Nov 2015 18:21:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[de todas as minhas feridas
só
as
da
boca
eu lambo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>“Pensamentos de criança” é o livro de estreia de Victor Pimentel. Aqui, o leitor encontrará a infância não como um período cronológico distante, como se da infância pudéssemos apenas rememorar. Não: aqui, a infância é o motivo da alegria mais pura, pois surge como o tempo presente e vivo em cada verso. No étimo, <em>in-fans</em> é o lugar da não-fala, onde a língua encontra apenas um balbucio. Inarticulada, não obstante, ali a experiência acha sua relação mais verdadeira com a linguagem: é no silêncio, em suas pausas e na equivocidade das palavras que reside o segredo de todo dizer.</p>
<p>Victor procura pela infância em cada objeto que encontra pelo caminho – é por isto que poderá dizer, ao modo de Manoel de Barros, do olho “que mais parece gente”, “mais parece joia”, “é fruta doce colhida/do pé”. Ou: “tenho apreço/pelo verde”. Tal como São Francisco de Assis, o mais infantil dos santos, a poesia de Victor persegue a voz da natureza (“o mar nos diz todo tipo de coisa” ou “luz é palavra de passarinho”), deixa escapar os sussurros que dirige a ela (“falo baixinho com a areia”). Mas é somente a partir da construção de uma poética da escuta que Victor poderá erigir uma paisagem sonora em que a natureza, há muito proibida de ascender ao lugar da comunicação, conseguirá agora mostrar ao mundo o caminho a seguir.</p>
<p>O flerte que Victor mantém com a poesia visual também é digno de nota. Ao contrário da poesia concreta, que constrói sua versificação a partir do critério da maioridade de suas exigências formais, Victor preenche visualmente o espaço como uma criança: apesar da austera crença de que “o coração é um edifício”, Victor vê em todo lugar um parque de diversões, no qual o brinquedo é a palavra. Há feridas ocasionadas pela queda, claro, mas aqui “o abraço/dobra/o espaço” e “faz surgir/nova estrela”.</p>
<p><strong>Arthur Henrique Martins</strong></p>
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		<title>Flor de arremesso</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Nov 2015 14:33:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Nunca te vi.

fora de tua japona preta onde guardavas o couro do
príncipe dinamarquês o trovão do clube osso e liberdade e a
navalha do chileno lavador de pratos as fronteiras os crimes os
lençóis freáticos. <span style="color: #ffffff;">Tiago Mine</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>leio, desleio, meneio a cabeça de cavalo, o tronco humano</p>
<p>o que reter de um poema?</p>
<p>relâmpagos que me fazem trilha de fuga</p>
<p>tropeço em poças do passado</p>
<p>fico respingado de esperas</p>
<p>lido, permaneces incógnito</p>
<p><strong>Danilo Monteiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Da língua e dos dentes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Oct 2015 19:33:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[língua não se quebra
liga a saliva debaixo dela

mole a língua controla
o batente do som no osso do dente

a água lambe a pedra branca
dente mineral, dente rochoso]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Embora venha acompanhando a luminosa produção plástica de Edith Derdyk desde o princípio — vá lá, do final dos anos 80, quem sabe quando certos artistas começam? —não havia me advertido que ela havia avançado seus domínios para o território da poesia. Ah, a desatenção contemporânea. Poesia — sabia do seu interesse pelo livro, do objeto livro, essa “extensão da memória e da imaginação”, como defendia Jorge Luis Borges — a poeta já havia incorporado há décadas como desdobramento natural de sua produção plástica integral e coerentemente dedicada à linha. Matéria prima preferencial da artista, dos desenhos sobre papel às anexações de espaços arquitetônicos que ela vem realizando, a linha, solitária, ou reunida em feixes densos como os anéis de Saturno, é a grande protagonista de sua obra, responsável por sua singularidade.</p>
<p>A relação da linha com cadernos e livros é mais que natural, é óbvia. Já quando crianças fomos aprendendo a domar o desenho das palavras, lidamos com a natureza cambiante de cada um desses seres cheios de personalidade que são as letras do nosso alfabeto, tendo como recurso o gesto de estirar e pousá-las sobre os fios finos retilíneos e pênseis das pautas.</p>
<p>Edith vai estendendo linhas pelos espaços, criando nuvens carregadas de energia, e agora, sem perder seu modo particular de demonstrar a voragem de um único fio esticado, engata essa pesquisa ao interior da palavra, pensando sua matéria maleável, o modo como sua sonoridade, sua posição, sua articulação com outras palavras irradia sentidos inadvertidos. À instabilidade imanente da palavra ela propõe que sua precisão resulta das inúmeras e latentes variações. Dos poemas mais longos como <em>céu, da língua e dos dentes, silêncio, aos enxutos, como buraco, luz, sombra, corpo, recuando até algo e arroio</em>, entre os mais concisos, o que se tem é a tentativa incansável de cercar a coisa, definir o substantivo escolhido, o que é o mesmo que avaliar suas metamorfoses, as oscilações de seu corpo em virtude do avizinhamento de outros corpos, outras palavras, capazes de deformá-los mais ou menos.</p>
<p>As poesias de Edith têm algo próprio à refração de uma onda quando atravessa um outro meio e se abre em espectros, como a luz incidindo sobre gotículas em suspensão. Ela sopesa as palavras, analisa, ausculta e as quebra, percebendo a potencialidade de suas sementes, demonstrando que a inconstância e a flutuação compõem os riscos de se jogar com elas.</p>
<p><strong>Agnaldo Farias</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Casa Zero</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/casa-zero-editora-urutau</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Oct 2015 17:03:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[desenhos de <span style="color: #ff0000;"><strong><a style="color: #ff0000;" href="https://waldomiromugrelise.bandcamp.com/" target="_blank" rel="noopener">Waldomiro Mugrelise</a></strong></span>

extrair do muro
a polpa
fruta exótica
destroçada
porta retornada lenha]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2>Sobre este livro</h2>
<p><iframe title="Casa Zero by d i b u k" width="500" height="450" scrolling="no" frameborder="no" src="https://w.soundcloud.com/player/?visual=true&#038;url=https%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Fplaylists%2F1067088304&#038;show_artwork=true&#038;maxheight=750&#038;maxwidth=500"></iframe></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Esta noite dormimos em Tânger</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Oct 2015 18:25:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Esta noite dormimos em Tânger
Se o furacão Elsa
Permitir que o avião levante voo.

Mas já dormimos antes
Em Tânger
Era mês de Ramadão <span style="color: #ffffff;">Maria Estela Guedes</span>
Abril ou maio, agora é Natal.

Foges, na esperança de poderes dormir
Num país sem fantasmas de família.
Veremos, veremos…
Nem Allah consegue escapar às verdes folhas
E rubras bagas de azevinho,
Às prendas, ao comércio, à impiedosa exploração.
Quem sabe? Veremos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>São muito belos, os rostos sombrios<br />
Sob a noite dos cabelos.<br />
Depois, a miséria e os anos<br />
Arrancam-lhes a luz dos olhos<br />
E da boca os dentes<br />
Deixando na máscara<br />
A caverna do sorriso.</p>
<p>Só umas figurinhas lá em baixo, no porto,<br />
Parece que dançam, que levitam<br />
Acima do chão espelhante.</p>
<p>Indiferentes à chuva e à ventania<br />
Os meninos<br />
Patinam incessantemente para lá<br />
E para cá<br />
Descrevendo infinitos oitos<br />
Na marginal de vidro.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Qualquer coisa finge de morto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Oct 2015 20:35:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[as crianças querem techno, baby
o lance é você sentir onde esse
grave vai te bater e você precisa só
ser gentil com ele baby você vai se amarrar
confia em mim eu prometo
palavra de escoteiro]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Conheci o Victor Lampert quando ele veio trabalhar comigo na livraria. Ali estava, de repente, sorrindo com cara de bobo (ou seria apenas simpático de uma forma nova?), aquele menino que parecia uma menina e agia como qualquer outra coisa — senti um calafrio, nunca disse isso a você. Eu estava com a camisa que estampava em preto e branco um Bob Dylan bem novo, não muito diferente do Victor que estava na minha frente. Então ele me disse algo como “bonita camisa, Fernandinho”, mas talvez o Fernandinho seja invenção minha, porque o Victor me dá vontade de inventar as coisas. E com a benção de Bob Dylan, eu o amei naquele instante.</p>
<p>Ele usava uma camisa do Buzzcocks, mas nele aquilo não era nada agressivo, nada nele era agressivo e tudo nele era compassivo. Como uma encarnação de Walt Whitman (exageros à parte, essa foi a sensação), um Buda menino, Sidarta no palácio real — sei que você vai rir disso. Como ele é ator (eu não sabia que escrevia até pouco tempo atrás), sempre tentei me comunicar com ele fazendo gestos de atuação dramática calamitosa, caras e bocas das quais rimos juntos: ele com a idade que realmente tem; eu como um idiota velho demais.</p>
<p>É difícil falar de algo tão sério quanto poesia quando eu penso no Victor. A poesia viva pouco precisa se explicar, como já sabemos. Prefiro falar dele chegando atrasado ao trabalho, em dia de chuva, fazendo o Gene Kelly na minha frente, com um aceno para a câmera do meu telefone celular. Prefiro quando — e como no poema que abre o livro com perfeição de mantra — ele fala de coisas que não sei e que eu seria tão feliz, talvez, se as tivesse conhecido com a idade do Victor. Que bom que você possa me ensinar tanta coisa sobre o afeto gratuito justamente por ser jovem e viver com todo coração.</p>
<p>E tem também outra coisa. Imagino os catedráticos diante dos poemas que aqui seguem. É ou não é, onde colocá-los, como dizê-los, que forma é essa? Desespero na Academia. Disse ao Victor agora que estava escrevendo um texto ridículo sobre o livro dele e que o livro era muito engraçado e que eu não sei o que ele é. Ele me retornou dizendo apenas: Que bom que está ridículo. Eu quero o deboche. Então aqui está, com todo amor. Porque teu livro me permite estar sozinho sem nenhum medo.</p>
<p><strong>Leonardo Marona</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Valdeniagô</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/valdeniago</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Oct 2015 18:20:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Desfiei minha alegria sitiada na boca miúda, poema com o corpo estatelado num breve e estirado tempo borrifando do chão. Quando enchia minha boca de pamonha, beiços açucarados e minha prima Tita bem da fogosa prendendo a saia entre o arame-farpado pra pescar barrigudinhos-de-vala. O céu era uma santa de vestido rosa assassinada no horizonte. Na responsa, era tudo um crime confesso, um céu enxameado de horizontes batendo asas. A epidemia de olhos retirados das cavidades, na vasta várzea de construções e manilhas abandonadas se esparrando na imensidão. As valas a céu aberto, o cheiro da égua morta sangrando no chão de terra batida.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p><em>Valdeniagô</em> é uma zona de interferência de vozes e pedras de amolar, Inhaúma o escreve como um alquimista invoca forças que não pôde conter. E porque devolve ao poema a força dos feitiços de linguagem. Seu gênero poético é o encantamento de conjurar <em>eguns</em> silvestres entocados no <em>xarpi </em>dos viadutos: “noutro dia em que passei por uma rua deserta de Ramos, ouvi o som de crianças, mas eu olhava de cá pra lá e não conseguia apontar onde. Sou como minha tia-vó Zefa, rodeada de mortos sangrentos inundando meu silêncio, os subterrâneos de minha vida. Todos eles ligados a mim, atraídos numa cobra se espiralando por meio de meu sangue, enrodilhada como os gritos das crianças retumbando sabe se lá de onde”. Narrativa do <em>fiat</em> do mundo na gira do subúrbio, estes poemas, como os demais do poeta, são carcaça de uma Elba cheirando na esquina do sagrado com profano. Subúrbio aqui não é cenário, é antes o anti-herói mestiço de uma anti-trama: “Av. Brasil suntuosa, desmembrada, fábricas abandonadas, ruas tributárias zunindo despejando seus carros. Pensei pelo 770 lotado… jorge aragão enroucado nas bolinhas de sabão estourando bicadas por um periquito, pétalas se abrindo na nervura incitada, onde comecei em certo tempo, na jugular da noite, lua desencapada, decepada. Eu vi meninos rapelando as vigas, derrubando viadutos, degolando gatos com linha-chilena”. Está no caminho desses poemas pertencerem ao mesmo estoque de pólvora que atiçou os mutirões no assentamento dos terreiros e na vitalidade pujante que definiu nossa histórica subida em direção aos subúrbios. Subida anterior aos tempos, inconclusa desde o dia em “que houve Fogo na Avenida Itaóca. Os olhos maravilhavam com as chamas. E foram a vez primeira.” Heitor dos Prazeres, Barreto, Genet, Stella do Patrocínio, Jovelina, Artaud e Maria Padilha trouxeram o viço ingovernável da geologia suburbana, o mesmo que sorveu as artérias de Valdênia. Estamos na poética das mulheres e homens quebrados. Os sobreviventes dos estilhaços aqui se criaram, na brutalidade inocente das encruzilhadas, e eles têm algo a dizer sobre sua radicalidade — o poeta de Inhaúma mora na escuta dessas vozes que não negociaram a vida pelo sucesso de uma felicidade miúda. <span style="color: #ffffff;">Sérgio Ortiz de Inhaúma</span></p>
<p><strong>Claudio Medeiros</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>O fio invisível dos dias</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-fio-invisivel-dos-dias</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Oct 2015 14:12:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Quanto mais eu funciono
menos entendo
números e tabelas e planilhas
esbulhos e estratégias e filas
códigos e planos e milhas.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Leio “o fio invisível dos dias” enquanto estou confinada. Leio em um tempo sem espaço em que os dias parecem perder a meada. Através dos poemas passeio. Reconheço o burburinho da minha cidade, suas falhas, a materialidade que nos esmaga, as brechas pelas quais nos lançamos. É enquanto um corpo que também se lança que Mariana Imbelloni escreve. Como as mulheres que cochicham na sua estante, sua escrita se dá na ordem do enquanto. Ela escreve enquanto adivinha os incêndios diários que tomam o Rio de Janeiro. Enquanto está em pé no transporte público. Se segurando como pode. Isso quando pode. Quando os muros não sustentam um silenciamento. Quando não é confundida com outros corpos na rotina sufocante do metrô. Quando não é coagida a rearranjar os desejos em cômodos cada vez mais apertados. Mariana escreve enquanto é furtada de poder. É no momento em que as saídas se mostram do tamanho de uma fresta que o poema se lança. Sua escrita costura a rotina com <em>os fios desconexos do possível</em>. Enquanto seu corpo transita entre a rua e a casa, Mariana encontra na poesia um outro lugar para ser. Um lugar de <em>fecunda imprecisão</em> em que ainda é possível intervir no mundo e ao mesmo tempo estar sozinha. Ao defender uma poesia que não é um luxo porque se situa no âmago de nossas rotinas, Audre Lorde diz que “o tipo de luz sob a qual examinamos nossas vidas influencia diretamente o modo como vivemos”. Enquanto estou presa em uma realidade enclausurada, a escrita de Mariana lança uma luz sobre meus dias e instaura um movimento possível. Um deslocamento tenso. Uma costura aflita na qual o que está em disputa é o poder de elaborar as condições de nossas próprias vidas. Enquanto Mariana manuseia a poesia como uma oração ou uma tentativa, encontro uma forma para também me lançar. E pelo menos por hoje, a meada está salva.</p>
<p><strong>Taís Bravo</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Estados mistos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/estados-mistos</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Oct 2015 20:03:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[a mulher tocando lira estica
a corda com que escreve a História das paixões
enquanto
aceita em labareda o assovio desenhado
na ladeira com a curva do horizonte
(porque sabe que da porta para trás não há mais nada)]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Espelho. Nós entre atravessamentos. No fundo do escuro.</p>
<p>Em suas mãos, o primeiro livro editado de Maíra Fernandes de Melo, poeta duplamente taurina, pensadora de forte sensibilidade das profundezas da arte (e) da vida. Mas não pense que há peso (apenas), por ser tão funda. Abra-se ao delírio, ao impulso e voo, às marés noturnas insones, às gatas no cio, às relhas e também à força das placas tectônicas.</p>
<p>Maíra escolhe não temer diante do abismo. E nos convida ao salto. Para dentro… de si, nos levando ao confronto de nós mesmxs. Sombra e luz – e às vezes essa ausência. A cada poema, retratos e retalhos cotidianos de gente que <em>[…] sabe/que a noite pode ser um sol horrendo</em>, de quem sobrevive às <em>noites geladas de inferno</em>. Dentro desse mergulho de quem desce para o play, há as vidas de gente z e gente y, há também acenos a Piva, Tieta, Agualusa, z e Zumbi, Florbela, Ginsberg e Camões, junto a -inas, -atos e -pam.</p>
<p>Se sentimos dentre as páginas <em>um/silêncio/sem/descanso</em>, em outro momento o verso grita: <em>por isso faço barulho</em>! Há algo de humor na melancolia que constrói, um malabarismo entre idiomas <em>hermanos</em>, entre poemas tantos, e entre uma vida tão tecnológica e virtual – de e-mails que não chegam, procrastinação, google, motorhome, instagram e o poema a escrever: <em>[…] na cadeira a bunda/[…] no papel o poema</em>. Num sábado qualquer, a eu-lírica acorda esquisita, mas em português. A gente sorri de canto de boca, devora mais uma página, <em>[…] entre ladainha e lágrima</em>, e ela define: <em>dançar, que é pensar com a bunda</em>, e avisa: <em>nada em mim é rima.</em></p>
<p>Caminhamos entre lembranças e assombramentos diante da <em>[…] gravidade que como você/também não estava</em>; museus e parapeitos, trabalhos, fugas, talentos, êxtase, pulo. As casas e corpos que ela habita com seus estados mistos. <em>Tudo o que em mim desmorona em você só constrói</em>. Aqui longe, aí perto. <em>Só há arco-íris/mantida a distância</em>. Suspiramos duas vezes.</p>
<p>Pesquisadora do indomável da escrita feminina, Maíra nos apresenta em seu livro o amarelo inviável da tarde de outono, e o sol de julho que já não arde nos ossos. <em>Estados mistos</em> começa com o poema “fracasso” e termina em “sou”. Trajetória que anuncia a potência do percurso. Ao fim, diferente das jardineiras, sentimos sua falta. Um portal se abriu. Ventou. E ela bem que havia dito: “<em>a quem perguntar,/avisa que hoje eu vou me perder</em>”. Voou.</p>
<p><strong>Aline Miranda</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Fogo perpétuo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/fogo-perpetuo</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Oct 2015 14:39:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Estamos quase como que invisíveis. A paisagem
da eternidade nos consome. Durante o sono
temos premonições sobre o extravio da luz,
ainda nos doem tantas lágrimas e o rosto
daquele que esperamos torna-se névoa.
A quem é preciso abandonar?

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Não sei como​​ dizer o silêncio, a magnólia ocultada pela luz ofuscante do Sol a pino que estes poemas me doaram como dádiva e memória. Li que Kierkegaard disse: “A melhor prova que se dá para a miséria da existência é aquela que se tira da consideração do seu esplendor.” Miséria e esplendor, lado a lado, sempre. E a poesia de Cíntia é a angústia e o assombro diante de um anjo à cabeceira e outro aos pés. Vivos, no sepulcro vazio a ocultar a coisa amada, o perfume da flor que ascende do pássaro selvagem, desconhecido pelos mensageiros, que funda a nossa vigília, e é o nome invocado pelo fogo perpétuo a quem confiamos a simplicidade do silêncio – dádiva e herança dos mortos à espera das flores. Mas a quem se destina a espera pelas flores senão a nós, que ainda estamos aqui, deste lado do véu, impedidos de dormir pelo farfalhar das asas de uma divindade terrível e desconhecida​, pelo pulsar do coração devorado? Como ecoa no covil o voo noturno dos anjos? “Na infinita hecatombe, os deuses se calam. Nenhum trovão.” <span style="color: #ffffff;">Cíntia Faria</span></p>
<p><strong>Fernanda Boaventura</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>O tédio dos dias variados</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-tedio-dos-dias-variados</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Oct 2015 14:28:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[chove sobre a cidade
como chove sobre o menino-
homem da porta ao lado
(the boy next door)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Li estes poemas como quem passeia os olhos em uma estante de livros. O tempo todo, fui lançada na constelação de leituras de João. O livro me pareceu uma fotografia povoada de gente em que eu podia encontrar alguns rostos conhecidos: Angélica Freitas, Matilde Campilho, Audre Lorde, Ana C., Adélia Prado, Grada Kilomba, Adília Lopes, Angela Davis — apenas lembrando algumas das autoras citadas nominalmente. O movimento de leitura que fiz foi vertiginoso, porque, afinal, é potencialmente infinito: ler o que o João leu, depois ler o que xs autorxs de João leram. E então, <em>O tédio dos dias variados </em>não se esgota. É recorrente falarmos em “constelação de autorxs” quando nos referimos a esse repertório de leituras reunido em um texto ou livro, mas talvez aqui a imagem mais acertada seja a de uma nebulosa. As nebulosas são nuvens formadas por poeira cósmica, resíduos de astros, mas, apesar de feitas de restos, são consideradas berços das estrelas. Assim são chamadas porque, em determinadas ocasiões, quando há o aumento da força gravitacional e o aumento da temperatura, seus átomos se reúnem formando novos corpos celestes. Neste livro, as leituras-átomos de João, as suas pessoas e experiências, se condensam e formam também uma espécie de nova estrela. Enquanto lia, lembrei que um dos homens que mais amei até hoje tinha nas costas uma série de pequenas pintas e, sempre que eu fazia carinho nelas, dizia a ele: “estou namorando sua nebulosa”. Acho que essa lembrança me veio também por causa da <em>paixão</em> que João explora no livro. Esse significante — paixão — volta em diferentes momentos, de diferentes maneiras. E há força gravitacional maior que a paixão? Usina de alta temperatura maior que o desejo? A paixão por homens específicos, a paixão frustrada, a paixão realizada que, depois, nos decepciona, essas nossas obsessões. O desejo atravessa tudo, é ele que guia também os diálogos intertextuais: “não é qualquer dickinson/que eu trago pra cama/pra me descobrir//pedaço por pedaço/é preciso ser grada kilomba/ou mulherão feito angela (a davis)//pra me descobrir/na minha cama/é preciso falar a minha língua […]”. E é desse modo que encontro este livro, como um centro gravitacional apaixonado, que atrai para si aqueles que povoam os dias entediados de João. <span style="color: #ffffff;">João G. Júnior</span></p>
<p><strong>Juliana Travassos</strong></p>
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		<item>
		<title>Caderno de sonhos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Oct 2015 14:20:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[E se então eu descobrisse
que todas as memórias que guardo
são, na verdade, memórias de um sonho?

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Se a ideia de um caderno de sonhos sugere a espontaneidade das anotações sonolentas e imediatas, este <em>Caderno de Sonhos</em> de Ana Gabriela Rebelo concilia a lembrança do sonho vertida em poema e um trabalho tão preciso de linguagem que, envoltos pelo ritmo, mal conseguimos enxergá-lo. O artifício desaparece por detrás de imagens que deslocam e condensam sentidos e se dizem ora em verso, ora em prosa, como se o que determinasse a voz fosse justamente um pedido mudo de cada coisa: jeitos de que a respiração acompanhe a leitura e o passeio da autora pelo mundo embaçado das melhores fotografias, dos melhores e dos piores sonhos –– da poesia. Aquela que sonha e nos diz, aquela que oferece palavras que se encontram na linha de corte entre o onírico e o poético, compartilha seu entendimento, seu desentendimento e seu espanto na mesma medida. O vivido, seja em vigília ou em sonho, tenha ou não acontecido de verdade (“na verdade mais verdadeira, eu nem acredito em verdade”), é feito ressonância, transformado em pistas que, seguidas, acendem clarões de sentido: como os que nos fazem arregalar ou fechar os olhos ao compreender o que nos quis falar, respectivamente, um sonho ou um poema. Seguir a mulher que calcula os preços do mercado na prancheta de madeira é, então, como entrar no ônibus de sempre para pegar o caminho errado, o único que leva para o lugar que, só então, ao ser errado, estava certo: o lugar do sentido, onde sonho é poema e poema é sonho. Deste caminho, espere acordar com um gosto ruim na boca, com o gosto bom da lembrança de um sonho ruim na boca, espere se ver diante da vida eterna das tartarugas ao olhar para um prato de macarrão com queijo –– espere poder ser assaltado a qualquer momento pela visita que espreita de patins pelo corredor vazio à espera do próximo tombo. Espere, só espere: que o ovo de traça sem significado aos desavisados está prenhe da destruição das coisas, está prenhe de tempo, de morte –– e por isso mesmo, também de vida. Ana Gabriela Rebelo nos mostra, com o afeto da lembrança que pode portar a imagem do sonho, como é isso de vagar. E que prazer é poder dar as mãos às suas palavras.</p>
<p><strong>Natalia Timerman</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Com as costas cheias de futuro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Oct 2015 18:43:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[jamais me esquecerei do dia que você lançou
contra a minha cabeça
o quadro de fotos de metal
jamais me esquecerei da sensação
de ver as fotos todas no chão
e pensar que a memória
é mesmo um lugar onde devemos pisar]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Rápido, escolhe uma roupa. Isso aqui é um bar. Vem. É uma estreia. Caio Riscado provavelmente não tem roupa pra isso. Mas também não vai pelado. Foi autorizado a tirar a roupa, numa página, mas não tira. Caio escolhe entre as roupas que não tem. Empresta os corpos que tem. As filhas que não teve. É ele que serve os copos, nunca cheios, nunca na mesma altura. Temos a imagem de seu peito, de seu desacerto. Conversar ele sabe (e muito bem, todo mundo sabe), mas não quer. Quer escrever. E agora você pode ler, mesmo que esteja tímida: <em>bonitinha, (…)  poesia é você me comendo/sem me olhar nos olhos. </em>Veja: a bicha ama um problema: o problema da tradução, do amor dos homens, da falta de corpo para certos dias, da falta de intimidade das pessoas com a solidão, da esperança ser um trapézio impendurável; o problema de esquecer tudo que a gente já foi capaz de imaginar, das possibilidades estúpidas estampadas nas portas dos banheiros, dos personagens que não enfrentamos, do engano que é pensar em vencer. Aqui uma noite é uma promessa — de confusão. Chamando deus pelo nome dos outros. Caio só faz um pedido: <em>por favor, briga comigo. </em>E a sua briga tá comprada. <em>A</em> <em>morte não me ensinou nada, </em>então a bicha está viva. Delirando, amando, dando pinta. Com as costas cheias de futuro. O futuro vem atrás, anda junto, enquanto ele anda. O futuro é um acompanhamento. O futuro que o siga. O futuro que o veja de perto. Se entregando de bandeja, comendo a bandeja. Dormindo sozinho. A bicha é capaz de se jogar aos seus pés, mas não se engane, Caio já disse: <em>cheguei aos seus pés/pronto/pode caminhar/daqui debaixo sou eu/quem dita as direções. </em>Você esteja disposta. e<em>ra uma vez/uma bicha/e é ainda. </em>Essa história não acaba, porque desobedece: <em>os anos passados são outros países</em> e a memória é um lugar onde devemos pisar. u<em>m cigarro e a gente vai?</em> Os bilhetes estão todos à mão. d<em>eixa a poeira baixar que a gente vai</em>. Você esteja sem sono, porque esse bar vai durar a noite inteira, a mesa tá lotada, estamos certamente brindando, ficando malucas, não encerrando assunto nenhum. q<em>uando o socorro chegar a gente vai. </em>Pronto, esse bar não fecha, nem as contas. No final vamos ter que acertar, dividir entre nós, o que ficou faltando. Caio já vai ter ido embora. E eu te pergunto a mesma coisa que ele pergunta na última página. Você fique com essa pergunta, quando chegar lá, e for incapaz de responder, de fechar o livro. Fique com ela daqui em diante.</p>
<p><strong>maria isabel iorio</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Bigodes sujos de mar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 18 Oct 2015 17:14:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">as coisas precisam de manutenção
existe música pra chover
o outro está em extinção
vou cultivar você.</span>

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Como tudo que temos de mais pulsante na produção artística carioca, a poesia de Adriana Nolasco acontece nas frestas. A poeta, que também é uma operária da cultura, afirma essa escolha há tempos em todos seus luminosos trabalhos no audiovisual, chafurdando na ruína, fazendo festa com o resto, sempre oferecendo uma chance de aproximação de uma alegria possível a partir da abertura de brechas.</p>
<p>O convite, desta vez, consiste em observar a vida que excede nos interiores, nos azulejos, nas tramas do cabelo anelado, no pavê de biscoito champanhe etc., para, por meio desses vestígios, sonhar (ou retomar?) novos modos de convivência/conivência. Estes poemas, que se põem a inventariar o mínimo, costuram-se sobre o fluxo cotidiano e podem ser lidos como um diário de bordo ou um caderno de notas. São fragmentos que nos lembram de que a vida é fruição, como nos avisa Ailton Krenak.</p>
<p>É verdade que “Bigodes sujos de mar” privilegia o resíduo — o sal que ficou nos pelos do rosto —, partindo de um movimento introspectivo – o mergulho dentro da cabeça, que guarda “a rosa”, “a manicure”, ou dentro do quarto que “tinha um mundo”. Até quando sai à rua, seus versos focalizam o vazio da barriga do homem. Contudo, o livro não ignora que nunca foi tão premente dizer que “a liberdade é uma esquina” e tem como premissa, principalmente em tempos tão embrutecidos, o gesto de insubordinação, que se dá na ocupação dos espaços públicos, do mato, do céu, pela dança e pelo prazer.</p>
<p>Outros momentos bonitos da obra giram em torno de sua troça malandra e da ludicidade. Como Louise Burgeois, a poeta cultiva uma relação de ternura com uma aranha — a quem chama de Miriam —, que faz sua moradia em uma caixa de remédios psiquiátricos. Para ambas artistas, o aracnídeo é amigável e a arte é garantia de sanidade; e, em um planeta cada vez mais insano, cujos valores são modulados pelo consumo, impelindo-nos a uma falsa ideia de bem-estar, nada mais adequado do que criar uma aranha “antidepressiva, antiabusiva, antifascista e ansiolítica”.</p>
<p>O leitor encontrará aqui essas mesmas propriedades. E poderia ser de outro jeito? Quando nos perguntamos, como nos aconselha Barthes, que textos poderiam ser afirmados “como uma força neste mundo”, a resposta, para Adriana, parece clara. São versos solares, apesar de apontarem o escuro.  São poemas, sobretudo, anticapitalistas — como se esse não fosse o gênero menos prestigiado pelo mercado, — que convocam à insubmissão (“se existem roupas por que não ficar nua?”) e que são pelo não esgotamento das subjetividades. É uma poesia cuspida, de afeto, de alegria. E nada é mais urgente, nesse momento, do que pensar, com ela, o sorriso como “uma espécie de insurreição”.</p>
<p><strong>Carla Oliveira</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Um dia eu preciso voltar lá, eu sei</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Oct 2015 18:30:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Os abutres virão atraídos por seu cheiro morno
elevarão aquele corpo
na plumagem imunda de suas asas
rumo ao céu de arame
estreito de um segundo útero gástrico-estéril.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>A orelha perdida de Van Gogh</p>
<p>Esta coletânea nos oferece um delicioso e melancólico passeio pelo íntimo do eu lírico, bem como suas lutas e indagações sobre como reagir diante da vida manifestada no meio externo e no seu interior, além do trânsito entre eles. Ao longo dessa construção poética, houve a preocupação de que, antes de uma busca e formação individual, houvesse uma atenta análise social. Assim ela leva quem lê através dos ecos dessas mazelas e sobrevidas até seu rompimento, para chegarmos então a uma nudez de etiquetas e passarmos pela construção mais genérica dos sentimentos pelos quais uma pessoa pode ser acometida, de forma mais trivial, como uma busca pela naturalidade deles. Só então imergimos na parte mais íntima e obscura do eu lírico. <span style="color: #ffffff;">Victor Santos</span></p>
<p><strong>Luana Pereira.</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Basculante</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Oct 2015 16:53:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[revisitar a expressão obedecida versos atrás
a fim de extrair dali
a morte do poema]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Abra os basculantes, sinta o vento trazendo as palavras e comece a viagem. Mas já adianto, aqui as palavras não chegam de forma óbvia ou prosaica. Talvez o termo mais apropriado para definir o livro de Vanessa Caspon seja deslocamento. A própria poesia encontra-se descolada do óbvio e do tradicional. Os poemas se movem, flutuam em espirais nada lineares, acertam em cheio aqueles que estão dispostos a caminharem juntos com a autora.</p>
<p>O labirinto iconográfico e textual criado por ela permite acessar sua preciosa cartografia afetiva, possibilitando ao leitor que o percorre as mais variadas e deliciosas fruições estéticas. Para muito além dos sentidos, aqui é possível enxergar <em>o silêncio eterno desses espaços infinitos que existem entre uma linha e outra, entre o vão e a plataforma</em>, entre uma frase e a sua sucessora.</p>
<p>Há a presença de um <em>spleen </em>tropical (e vale acrescentar: feminino, ativista, periférico), essa espécie de melancolia que se expressa sem razão aparente, que nasce com Baulelaire, caminha pelas obras de Hocquard, e chega à poesia contemporânea brasileira por meio de Marília Garcia, em constantes diálogos e reinterpretações.</p>
<p>Haroldo de Campos disse que <em>quando se vive sob a espécie de viagem o que importa não é a viagem mas o começo da. </em>Neste livro experimental de múltiplos caminhos e interseccionais narrativas, o percurso — que também pode ser encarado como procedimento — leva (e traz) o leitor para a dedução de que tudo é linguagem, e assim sendo, tudo pode ser poesia.  Alongue-se, respire fundo, permita-se ventar com a autora e faça uma boa viagem.</p>
<p><strong>Camila Assad.</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Aprendi a voar quando fui empurrado do precipício</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/aprendi-a-voar-quando-fui-empurrado-do-precipicio</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Oct 2015 11:48:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[tempo….óbvio
templo……vil
…. porra………..*…..*…..*……”’…
foda-se
…
oblitero-me!]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>A textura poética de Tales Jaloretto é hemorrágica, espirra, se espalha, se infiltra em frestas, em gretas, em lacunas. Ele, um jorrador, pede o tempo inteiro para desaguar, para fluir em qualquer parte nossa que aceite inseminação, transfusão, dada a profusão de sentidos, de imagens, de estruturas gráfico-espaciais, de pontuações (in)existentes que desejam aportar.</p>
<p>Sua poesia é composta por pedaços que são e abrem fendas: não adianta travar experiência com um fragmento apenas. Ele nos incita a devorá-lo até a última letra. Ou ponto (in)certo.</p>
<p>O tamanho da sua essência — que para mim é como vento: não há início e nem fim.</p>
<p><strong>Evill Rebouças.</strong></p>
<p>Meus olhos em sinestesia entumeceram. Chega a ser doce, ácido, limbo, bolo de fubá, fel e céu. Jaloretto se desnuda em preto e branco em seus estigmas e frescores da vida, como quem se distancia das dores e dos amores para apreciar em si a grande obra da vida em forma de poesia, palavras desconstruídas, reformuladas de concreto e brisas frescas de primaveras idas. Ao lê-lo, me vi em sua própria montanha russa. Vi-me em amores e dores da vida, a maior de todas as obras primas. Prazerosa leitura, de sonoridade ímpar que em meus pensamentos se tornaram música.</p>
<p><strong>Mario Matiello.</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Construção</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Oct 2015 11:57:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[27 de abril
já é fim do dia que teve início com o quadro
pintado a cores vivas quando escrevo:
o jovem em busca do elo que une a travessia
solitária de uma rua e a igual travessia da cidade só.
em casa, vejo nos olhos de outrem o tempo
que me foi roubado e estou]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p><em>me pergunto se ainda há poetas</em> é o verso que encerra o primeiro poema de <em>Construção</em>, segundo livro da jovem e talentosa poeta Luana Claro. A pergunta, que não exige marcas gráficas (?) vai, tal qual a autora, direto ao ponto, evitando distrações ou adornos e estabelecendo um canal de diálogo com a tradição Benjaminiana, cujo imperativo, <em>toda obra de arte pode e deve ser lida como um documento de barbárie</em>, evoca o início de uma longa crise no seio do qual as artes e, em especial, a poesia, buscam esteio para resistir à entrada no que se convencionou chamar período do pós-guerra.</p>
<p>O argumento basilar da discussão estética não surge na poesia de Luana apenas como mera reposição de um ideário crítico, mas, sobretudo, como atualização de uma discussão que nos obriga, a todo instante, ao presente, e cujo lúcido questionamento encobre, como todo verso bem trabalhado, uma questão ainda mais reveladora: em não havendo poetas, haverá poesia?</p>
<p>O pressuposto de que parte a autora é fundamentalmente existencial e imperativo<em>: a linguagem é o castigo</em>. Origem e destino de tudo que é possível conhecer, a partir do qual a autora extrai, <em>chiaroscuro,</em> a condição essencial das coisas e a ordem fatal dos acontecimentos: a manhã dá à luz/o abandono das palavras.</p>
<p>O Eu abandonado pelo sentido dessa existência, emerge, nos poemas de <em>Construção, </em>como processo<em>, </em>orbitado por signos vazios cuja substância inconcreta é atentamente observada, a <em>lucidez desatino de ler no próprio destino sem poder mudar-lhe a sorte</em> revela a condição do intelectual num mundo pós-utópico, o que na esteira de <em>Emil Cioran</em> afirma-se a partir da terrível ideia de consciência como fatalidade.</p>
<p>A palavra e, metonimicamente, a linguagem, são matéria-prima e núcleo duro para onde converge toda a discussão, cujos paradigmas, cuidadosamente escolhidos pela autora, remontam às várias instâncias do pathos social — da mais epidérmica <em>bonus pater </em>romana<em> à </em>profunda aporística epistemológica da palavra-segredo.</p>
<p><em>Construção</em> não é, certamente, um livro-resposta, como se propõem tantos de seus coetâneos; é, ao contrário, um livro-testemunho, cuja indagação, que abre seus labirintos, pode e não pode ser respondida e, portanto, o leitor prestes a se aventurar pelos seus versos deve estar preparado para lidar com a contingência, familiarizando-se ao princípio cambiante de sua própria existência.</p>
<p><strong>Rafael Tahan.</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Ré</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/re</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Oct 2015 13:30:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[fiquei comovida
com sua promessa
de lealdade a si

e vi em mim coragem
então desconhecida:

a de suspender âncoras
no rio do não saber

ao me assumir natureza
dar a ela minhas rédeas

vibrei em ré]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>O mesmo mundo que nasce se destrói e depois de destruído renasce para logo se destruir… Tal alternância foi algo que vislumbrei uma vez nos gestos de uma velha “artesanciã” no interior da Bahia, ceramista sabedora de que seu ofício é atravessado por motivos cósmicos. Não tinha forno, curava as peças fazendo fogo na rua.</p>
<p>Os mistérios do tornar-se: o jogo incerto, o abraço precário do que se agrega e dissipa, do que adere e escorre. Povoados de imagens desse agregar/esvair, os poemas do livro “Ré”, de Letícia Sodré, reverberam tais forças, impermanência e transmutação. Uma poética atenta ao caráter cíclico da vida e à fugacidade dos encontros, com uma marcante presença de elementos e situações relativas à natureza. Essa atenção ao que em nós e no mundo é mutável e transitório não se encaminha, entanto, para um sentido de urgência agonizante. Ao contrário, induz à celebração da exuberância dos gestos cotidianos.</p>
<p>São construções poéticas que atravessam um plano de elaboração do sutil. Essa vocação impregna muitos dos poemas de uma sacralização, ligada à natureza, à ancestralidade, ao corpo. Não uma sacralização esterilizante, pois sagrado é antes de tudo o corpo e suas conjunções. Por isso a leitura se espraia por aspectos sensoriais vários, táteis, gustativos, de um corpo insaciável na exploração do que lhe é vital, física e animicamente.</p>
<p>Creio que Leticia Sodré se revela — nesta sua primípara lida poética — como fecunda aprendiz de uma artesania consciente de que a verdade é carnal e seu fundamento, cósmico.</p>
<p>Marcus Groza</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Avulsa</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/avulsa</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Oct 2015 14:08:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[faz meses que
não te ligo
e você também não
toca no meu nome.
parece que combinamos
de esconder o amor
na gaveta do quarto
e só falar dele
quando for
tarde demais.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>no dicionário, avulsa significa<br />
<em>aquilo que não faz parte de um todo.</em><br />
quando li pela primeira vez<br />
lembrei de todas as vezes que</p>
<p>olhei pra cidade como passageira.<br />
se antes falei de bagagem, aqui falo<br />
de passagem. de não-pertencimento.</p>
<p>todos se sentem, mesmo que por<br />
um momento, parte de algo.<br />
eu, durante muito tempo<br />
me senti parte de mim, e só.<br />
como se tivesse pronta pra partir<br />
a qualquer momento. como se fosse<br />
o último minuto naquele lugar.<br />
aquele lugar que é aqui e agora.</p>
<p>nesses momentos eu desenhava<br />
o mundo ao meu redor com poesia.<br />
eu via, entre linhas, paredes e pessoas<br />
a possibilidade de deixar a vista mais<br />
bonita. toda vez, com poesia. toda a vida.</p>
<p><em>avulsa</em> é, então, a vida em movimento.<br />
vista de fora, por mim. é o meu eu turista<br />
visitando todos os sentimentos e fragmentos<br />
do cotidiano. se bagagem é o grito, avulsa<br />
é o sussurro. aquele respiro que o corpo dá<br />
quando vê a vida acontecendo no outro.</p>
<p>avulsa é ser sozinha e mesmo assim fazer parte.<br />
avulsa é fazer arte, sem se preocupar<br />
em ter alguém pra olhar. <span style="color: #ffffff;">Larissa Campos</span></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Greta</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/greta</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Oct 2015 20:47:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Capeta
porque feia
Capeta
porque esdrúxula
Por minha culpa
por minha tão grande culpa
Ave maria, que estais na terra
Livra-me do fardo de anjo.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p><strong>G, </strong>de G<em>reta</em>.<strong> G </strong>de Gabriela.<strong> G </strong>de Guimarães…</p>
<p><strong>Greta </strong>que, corruptela de Margarida, significa pérola… Como se furtar à evidência de que o que se dá a ler aqui são delicadas pérolas<em>, </em>pérolas feitas poesia? Poesia em forma de pérolas? Pois <em>Greta</em> revela-se — ou seria <em>Gabriela, Gabriela G.</em> que se revela como poeta? — como matéria (poética) preciosa que transforma cada poema, cada verso em uma concha portadora de outras pérolas e, por isso mesmo, de brilho surpreendente. <em>Greta</em> como <em>nácar de pérola</em> a impressionar o leitor com sua poesia a um tempo luminosa, colorida mas, à maneira de uma concha, igualmente plena de interiorização e de introspecção de um sujeito que se desvela com cautela. Decorosamente.</p>
<p>Gabriela Guimarães integra a galeria dessas escritoras que, sob a face tímida e sorridente de uma delicada figura feminina, é potência, é força poética que mal se contém em versos. Seu início na “Cripta” — título da primeira seção — é justamente revelador. Ali, é todo um silêncio, é toda uma solidão, é toda uma loucura incontida que se torna afinal “constelação”, isto é, reunião de estrelas nacaradas que se fazem poesia. Na segunda seção, “Coro phantasmagoria” — convida-se aqui o leitor não apenas a ler, mas a ouvir e a ver toda a produção de imagens que <em>Greta</em> carrega — descobre-se que a poesia está inscrita no tudo e no nada, na vida e na morte, no ser e no não-ser, na figura e na desfigura, na forma e no informe… Sem contar que se esboça ali, habilmente, certo jogo zombeteiro entre texto e imagem. Em “Ao redor da mesa”, o sujeito poético procura, afinal, “plantar” seus versos em algum lugar. Entretanto, esse lugar, que parece se querer disperso, é um não-lugar, pois que a poesia em Greta deve estar por toda parte e em parte alguma — ao redor de tudo e de nada. A última seção, sob a batuta de Ariel — que a Bíblia representa como um herói e que se aproxima do arcanjo Gabriel (Gabriel/Gabriela…) —, ganha em força e em coragem até alcançar a (in)certeza do ser-poético, impessoal, feito de canto, de grito, de luz, de ar, de mar, de céu.</p>
<p>Que se leia Greta, e é a poesia de Gabriela Guimarães e o belo trabalho do ilustrador Gabriel (ora, ora…) que igualmente parece sugeri-lo, como um magma — e vale lembrar que o termo magma provém do grego <em>máttein </em>ou <em>mássein</em>, isto é, de massa, de amassar. Magma, pois, de que toma em suas mãos o sujeito poético para dele fazer… matéria poética.</p>
<p><strong>Leila de Aguiar Costa. </strong></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Como se todas as janelas tivessem seu nome</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Oct 2015 18:51:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[enquanto o ralo reconhece
somente despedidas
minha avó cantarola
uma música da década de sessenta
e lava os cabelos
como se ainda fossem
compridos

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>“Entre o visível e o invisível”. Este é, talvez, o intervalo de onde a poesia surge. Sem dúvida, brotam dessa fenda os poemas deste livro. Fernanda Seavon é uma poeta de escuta fina, olhos calibrados para os desvios e versos que não desperdiçam nem uma palavra. Os poemas de “Como se todas as janelas tivessem seu nome” dão a sensação de buscar sempre o melhor jeito de dizer, numa afinação muito especial da cena vista com a cena escrita.</p>
<p>Todo poeta carrega um tanto de distração. Fernanda parece andar aos tropeços, e de cada deslize recolhe o material que compõe seus poemas. Nada passa batido — “e ficar comovida até/com os desperdícios”. Sua curiosidade varre tudo que encontra. Uma pessoa distraída, por que não?, é alguém atento ao que não pede atenção.</p>
<p>Os poemas são incansáveis na investigação dos menores acontecimentos, como ao ter um fiapo de abacaxi preso entre os dentes: “ficar na dúvida/se o gesto é carícia ou incômodo”. Ou quando afirma que tem “menos a ver com o mar/e mais com as miudezas”. São pequenas epifanias (“como se os detalhes suspirassem”) que a poeta absorve com inteligência e certo humor que não arranca a gargalhada, mas um riso que cresce por dentro.</p>
<p>Existem os poemas que cabem no que sentimos como uma roupa de caimento perfeito e existem os que nos levam a lugares inteiramente novos. A poesia de Fernanda Seavon é do segundo tipo. Uma espécie de guia de espaços secretos que ela abre para o leitor. Tudo o que a vida cotidiana automatiza ou despreza, aqui ganha uma relevância.</p>
<p>Depois de acompanhar os passos deste livro, ficamos em permanente estado de atenção para os desvios. Afinal, “(…) quem escuta/poderia amar até/os furos dos pregos/na parede vazia”.</p>
<p><strong>Laura Liuzzi</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Metropos e a vida de seus paulicenos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Oct 2015 13:46:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Recolhedores de risos
catando aos montes
o quanto aguentam
das ruas, festas e
das poucas fotos espontâneas.
Lavam risos reciclados
e espalham
em prateleiras
pra que sejam brancos
os risos nas caras deslavadas
(todas)
que paguem por uma risadinha.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Uma história que dá sentido aos muros, ao concreto, aos faróis acesos, apagados e quebrados, às faixas de pedestres, às buzinas, aos automóveis, ao caos. Não se deprima, não se repreenda, não se assuste… Permita-se. Sinta o granulado da areia com água que se mistura com os sais necessários e vitais das suas veias. Sinta o quanto o farol ofusca sua visão.  Prepare-se. As poesias aqui contidas não vão lhe salvar de nada, porque nada daqui tem salvação, mas se elas não lhe despertarem nada… está em um caso sério de antipatia. De qualquer modo, aceite a balbúrdia que essa cidade boa oferece. Bem-vindo ao peso do cimento e das almas urbanas. <span style="color: #ffffff;">Danilo Minharro</span></p>
<p><strong>Letícia Negretti</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Sete e meio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Oct 2015 14:06:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[É o Rei que não está

O Rei que não está
Jamais voltará

O Rei que jamais voltará
É o Rei que atravessa]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Este livro não trata de qualquer jogo em abstrato, mas principalmente do GRANDE jogo, o xadrez. Danilo Bueno joga, gosta de jogar. Ele costumava frequentar o CCSP. Não sei se ainda vai lá. No xadrez tem essa ideia bastante comum de o tabuleiro ser uma representação (fechada) do Universo, uma imagem metafísica. Engraçado que também usam xadrez para dizer xilindró. É com esse tipo de verdade que Danilo se propõe a jogar neste livro duplo, com dois títulos. Não se engane o leitor interpretando Waterloo apenas como a batalha perdida de Napoleão, Waterloo é também o nome da rua onde o poeta cresceu.</p>
<p>Acho xadrez um jogo muito masculino. Só aprendi a jogar, porque já gostei de matemática: com um namorado, aprendi as regras; com outro, nos uníamos contra Stockfish no computador e perdíamos sempre. Como roubar de um robô? Não é à toa que a maioria das figuras que atravessa este livro é da linhagem do masculino e vem para repensar seu legado: avô, pai, filho, neto, irmãos, poetas, jogadores etc. A figura da Mãe se faz presente em alguns poemas, mas <em>en passant </em>no início do livro, não como aquela jogada especial do xadrez, que capturaria o Pai, mas para acessá-lo. Nadia Comaneci está em outro livro do autor e se estou aqui, infiltrada como Rena Kanokogi, é porque ainda não deram por isso.</p>
<p>Conheci o Danilo na USP, na Lit. Portuguesa, um ramo que abandonei faz tempo, ao contrário dele, que ainda acredita no seu lado mais lúdico: Pina, Cesariny, Alberto Pimenta etc. A primeira vez que marcamos um encontro foi num bar e ele ficou o tempo todo de óculos escuros. Como o escritor Benno von Archimboldi, personagem de <em>2666</em>, sempre com seu casaco de couro. Eu, para poder olhá-lo, olhava os seus dentes da frente, com diastema. Um detalhe. Os detalhes são importantíssimos, são como pistas. Ajudam a revelar mistérios. Quem nunca encontrou seu dente pela própria dor que nele sentia?</p>
<p>Recentemente li em Derrida: “O advento da escritura é o advento do jogo”. Na hora pensei em Wittgenstein que tanto me ensinou sobre jogos, mas também sobre a dor. Pensei também no <em>Homo Ludens</em>, mas não sei até que ponto essas referências conversam com estes poemas, organizados quase aleatoriamente, misturando várias obsessões do autor, como Drummond revisitado, por exemplo. Neles, Danilo parece querer brincar com a vida, abordando GRANDES enigmas, numa perspectiva ainda menor, rebaixando a poesia para mais perto do chão. O que sobrevive, então, desse gesto? Nem a memória, talvez.</p>
<p><strong>Érica Zíngano</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Panaceia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2015 20:44:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[digo mais
ou não menos
que os ditados populares
de outrora
o peixe morre pela boca

pois a atividade oral
é farta essencial
e não tira pedaço
a depender da ocasião

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Panaceia é popularmente conhecida como conjunto de remédios para todos os males, mas também é a deusa da cura na mitologia grega, tão cara para Cecília Floresta, autora deste volume de poemas.</p>
<p>A cura dos traumas causados pela invisibilidade e pela lesbofobia às mulheres que amam mulheres passa também pela arte, é certo, e nesse sentido é saudável que as poetas lésbicas, ou sapatões, como a geração de Cecília nos ressignifica, ofereçam poemas para chamarmos de nossos, para nos espelharmos, para termos alento, alegria, reflexão coletiva.</p>
<p>Nestes poemas, os títulos são curtos e um “falatório” de amor das mulheres-amantes desenha uma topografia de montes dos quais são miradas vastidões oceânicas de sentimentos e sensações. Existe uma passagem rápida por práticas de silenciamento a mulheres-sapatão, mas os poemas se ocupam mesmo é de modular as vozes emergentes, insurgentes. São poemas empenhados em reverter clichês e inventar narrativas que deem certo para as mulheres e seus amores, que enfatizem um modo de viver desafiador da heteronormatividade, como nos versos: “esta noite/solitária por gosto/&amp; fria pela estação […] escreverei um poema/pra dizer a ela que venha/sem aviso ou telefonema/&amp; sem pudores capitais/bater em minha porta”.</p>
<p>Cecília Floresta cria um senso de pertença a uma comunidade-sapatão por meio de uma linguagem partilhada pelas mulheres-membro sobre o comum, sobre o ordinário que embasa os afetos e as sexualidades de mulheres que amam mulheres, que vivem a vida com mulheres, entre mulheres. A autora nos apresenta esse universo, nos convida a conhecê-lo e a respeitar seus códigos de existência. Que não nos falte coragem e olhos atentos para aceitar o convite, bem como ouvidos abertos para uma voz migrante na Pauliceia ou a voz de uma poeta perdida que acha a si mesma numa rua onde as iguais se encantam: “comprida rua augusta/da paulista até o centro/fostes muitas vezes/minha única consolação”.</p>
<p><strong>Cidinha da Silva</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Cem agulhas nos ossos / Cento aghi nelle ossa</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/cem-agulhas-nos-ossos-cento-aghi-nelle-ossa</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 03 Oct 2015 19:05:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[“Entre os muros frios deste quarto
encontro-me
com uma quebra no peito,
cem agulhas nos ossos.”

—
“Tra i muri freddi di questa stanza
mi trovo
con una fitta nel petto,
cento aghi nelle ossa.”]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p><em>Cem agulhas nos ossos </em>é sobre o que inesperada e convictamente se aloja dentro de nós, cuja forma de entrada nem sempre é visível e nos altera a mobilidade, a percepção e a estrutura. O que Noemi Alfieri (investigadora e emigrante) propõe é “recompôr na escuridão / algo limpo”: uma reflexão sobre justiça social, sobretudo à luz dos anos mais recentes da política de fronteiras. A poesia de intervenção começa em casa e ocupa as ruas, mas cabe a cada um fazer a sua parte, começando precisamente pela sua própria rua, pelos que a habitam e constroem diariamente o tecido urbano e social, muitas vezes por apenas “três euros e meio por hora”. Poucas coisas serão tão viscerais como a nacionalidade e, no entanto, nunca se debateu tanto o direito de cada um a determinar as noções de nacionalidade em detrimento da naturalidade alheia. Um livro sobre questões de que não nos iremos livrar tão depressa.</p>
<p><span lang="PT"> </span></p>
<p>—</p>
<p><em>Cento aghi nelle ossa </em>tratta di ciò che, in modo inaspettato e convinto, alloggia in noi, la cui forma di entrata non sempre è visibile, alterando la nostra mobilità, percezione e struttura.<br />
Ciò che Noemi Alfieri (ricercatrice e emigrante) propone è “ricomporre nel buio / qualcosa di pulito”: una riflessione sulla giustizia sociale, soprattutto alla luce degli ultimi anni di politica delle frontiere.</p>
<p>La poesia impegnata inizia in casa e occupa le strade, ma spetta a ciascuno di noi fare la propria parte, iniziando esattamente dalla sua via, da coloro che la abitano e costruiscono quotidianamente il tessuto urbano e sociale, spesso per soli “tre euro e mezzo all’ ora”. Poche cose sono probabilmente viscerali come la nazionalità e, ciò nonostante, non si è mai dibattuto così tanto sul diritto di ognuno a determinare le nozioni di nazionalità a discapito delle origini altrui.</p>
<p>Un libro sui problemi di cui non ci libereremo così in fretta.</p>
<p><strong>Gisela Casimiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>30 (poemas de amor) para (os) 30 (anos de alguém que nunca amei tanto assim)</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/30-poemas-de-amor-para-os-30-anos-de-alguem-que-nunca-amei-tanto-assim</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Sep 2015 17:33:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span style="color: #ff0000;"><strong><a style="color: #ff0000;" href="https://editoraurutau.com/titulo/elogio-da-divergencia" target="_blank" rel="noopener">Elisa Scarpa</a></strong> </span>[colagens]

Domador de nuvens,
Você penetra minha
cabeça e limpa meu céu.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2>Sobre este livro</h2>
<p><em>E nem depois. E nem dentro</em>. E nem sequer em São Paulo em 2023 nem na Beira em 1918, nem neste dia que corre agora à nossa frente ultrapassada a muita distância a primavera.  Nada é absolutamente certo; como tudo aquilo que conduz ao poema, existe e não existe. Mais do que um presente por cada ano desses 30 por fazer, o que lateja sob estes textos e imagens é uma promessa, aí é onde a poesia opera: no trajecto entre a esperança e o futuro. O seu ritmo é o de um encontro pactado com o mistério, uma alegria um bocado azeda que convoca espaços e dilata tanto os tempos que até  os pronomes podem trocar, de <em>você</em> para <em>ele, </em>por exemplo; na cama de papel que acolhe as palavras, podem tornar-se outras facilmente. Assim a leitura torna-nos também de revés, como algumas das figuras que pendulam nestes <em>collages</em>, com a cabeça virada para um amor que não tem fim.</p>
<p>Como esse instante em que se sente <em>o vento na cara sem nada em troca, </em>da mesma forma avançamos por estas páginas receando que alguma coisa aconteça, desejando que alguma coisa devolva o oferecido e nos acalme,se calhar  o que esperamos como indica o paratexto é  “um amor existir” ou concluir uma verdade. Mas o que realmente acontece é que<em> o vento na cara é a troca, </em>temos que seguir ao próprio acto solitário de ler e de amar, com a dose de equilíbrio necessária e a coluna erecta, recebermos as palavras de Maria Giulia Pinheiro como quem brinca a um estranho jogo que inflige uma dor miúda e terrorífica, inocente e invisível.</p>
<p>Atravessar este livro com o vento na cara, e as palavras na garganta quase a incendiar-se no agora, a abrir-se passo para explodir contra a intempérie, breves e exactas. Para não ficar com elas nem dentro, nem depois.</p>
<p><strong>Silvia Penas Estévez</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Vermelho como o céu depois</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/vermelho-como-o-ceu-depois</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Sep 2015 19:52:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Onde houver fogo seremos gasolina,
E a ausência de voz em todo grito.
Seremos a verdade por trás de todo mito,
E a distância do vale à colina.
Seremos a paz de quem lucra com a guerra,
O preço da bala e o custo da vida,
O acerto daquele que sempre erra,
A crença daquilo que se duvida,
E do caminho o passo primeiro.
Mas seremos apenas desperdício e impaciência,
A parte mais humana de toda a violência,
E o resto de tudo aquilo que não se faz inteiro.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Estar em um labirinto em carne viva, um labirinto que é a cidade cinza, enfumaçada, no meio do barulho e do trânsito. Estar em carne viva em um país que é um labirinto de desigualdade social e entrar em rota de colisão, pois o modo de vida não fornece pistas às questões que mais importam como: “<em>por que você foi embora</em>”?</p>
<p>O poeta é esse ser que caminha inadequado e que enxerga aquilo que não é para ser visto – nem falado. Se só é possível estar perdido, inclusive no corpo do outro e no seu afeto, o poeta é aquele que o confessa, a despeito da propaganda e da publicidade. O mundo dita que é para você estar feliz, mas lhe tira todos os meios.</p>
<p>Os versos de <em>Vermelho como o céu depois</em> se confessam “<em>desalento desenfreado</em>”, e o seu desejo de unir já pressupõe a separação. Construir pontes parece uma guerra perdida, mas nem por isso se entrega a batalha: a poesia é seu fio de Ariadne.</p>
<p>Daniel Laks registra o que talvez seja uma das funções dos poetas: “<em>Onde houver fogo seremos gasolina</em>”.</p>
<p><strong>Adriane Garcia</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Pelos olhos do jaguar</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/pelos-olhos-do-jaguar</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Sep 2015 15:00:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Mapear cicatrizes,
contabilizando
as pedras que me beijam a testa
enquanto
corro
dos fantasmas que brincam
em minha cabeça,
que brindam
cada folha caída
da grande árvore que habito.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Quando publicou seu primeiro livro de poemas, <em>Nefesh</em>, em 2014, que tive a honra de editar, Nitiren Queiroz já explorava com segurança os aspectos sensoriais da linguagem, sua interface com dimensões que extrapolam o mero jogo entre o som e sentido, para alcançar o registro de percepções imediatas ao corpo, ao movimento, à relação coreográfica do poeta com o entorno: a palavra tangenciando o gesto, do desejo à revolta, do canto ao grito.</p>
<p>Para o poeta, como para os povos ameríndios, as palavras têm alma e são o alento de tudo que vive: <em>nefesh</em>. Não foi à toa que o filósofo Platão, cioso pela busca da verdade num mundo feito de sombras, via com perplexidade a pretensão de poetas ao emular a fala dos deuses. É nessa fronteira entre dizer e ser, nomear a experiência e fazer da palavra uma extensão de nosso corpo e psique, que o poema se engendra.</p>
<p>Neste <em>Pelos olhos do jaguar</em>, as antenas do poema fazem um giro de 360°, captando elementos da natureza, do outro, da metrópole e de uma infinidade de detalhes que formam e informam nosso aprendizado epidérmico da realidade.</p>
<p>O poeta se desnuda no poema, mas nunca de forma banalizadora, simplista, confessional: “Medir cada palmo/de carne, descartar a cada/palmo as máscaras/até que me reste a loucura”. No avesso da razão, ou melhor, de uma racionalidade instrumental, apaziguadora dos contrastes e das contradições do real, a poesia inaugura um novo olhar, da natureza para o intelecto, das coisas para a sensibilidade, tudo misturado na alquimia da linguagem.</p>
<p>O choro do menino solitário, marcado como gado, pode ser um indício de nossa barbárie diária, construída com zelo ao longo da história, mas será também a matéria do poema que não se aquieta e que não se rende; assim como as ruas da cidade, que guardam o gozo e a agonia do poeta andarilho pela “noite de pedra dos assassinos”.</p>
<p>A epígrafe de Davi Kopenawa nos ensina que essa voz que vem das profundezas do corpo e da mente, indomada pela razão, não pode ser remodelada ao gosto do usurpador, daquele que invade a terra para roubar não só as suas riquezas, mas também a identidade de seus verdadeiros donos. Não é possível tomar do jaguar a sua visão, ou seu bote. Então, que o poema, em suas vísceras de palavras, seja “a laringe dos espíritos” ou “uma porta pela qual nossas vozes podem sair belas e direitas”. Nitiren Queiroz</p>
<p><strong>Reynaldo Damazio</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Fido Dido me deu uma voadora</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/fido-dido-me-deu-uma-voadora</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Sep 2015 14:30:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[sua demência
me seduz

fito a flor pisoteada por ti
e sorrio

sorrio também
com a facada que você me deu
pois foi desferida num estilo circense
como se fosse uma cena
pra satisfazer a plateia
embora houvesse muito sangue
e miolos

sua demência
me seduz

vamos lançar um míssil
em um orfanato à paisana.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Acreditem se quiser, este é um livro de poesia.</p>
<p>Não um livro de poesia como manda(va) a tradição. Não espere versinhos de amor e sentimentalismos gratuitos. Matheus não vai falar de flores. Aqui o lirismo passa longe de bater cartão como funcionário público. A não ser talvez, que ele trabalhe como um super- herói na periferia de uma cidade brasileira.</p>
<p>O autor segue criando uma nova maneira de fazer poesia, valendo-se de uma linguagem objetiva, coloquial e permeada de expressões populares que se opõem ao fazer poético clássico.</p>
<p>Abraçando os preceitos do pai dos antipoetas Nicanor Parra, e de seus discípulos diretos (e indiretos) como Chacal, Nicolas Behr, Bruno Brum e Angélica Freitas, a poesia abraça a linguagem informal, direta, os jargões populares do século XXI, os personagens da cultura pop.</p>
<p>Trata-se de uma linguagem subversiva que assume uma função crítica a qualquer tradicionalismo e dessacraliza a poesia e o próprio poeta por meio da ironia, da parodia, do humor e do exagero. Também através de sensações de desamparo, alienação social e agressividade.</p>
<p>O poeta assume a figura do <em>clown</em>, divertindo porém mantendo sempre uma melancolia dentro de si. Matheus flerta com o surreal, com a arte pop, critica tudo e todos e permite-se brincar com o mundo em que está inserido.</p>
<p>A Barbie, o He-Man, o Van Damme, os Thundercats, o Fido Dido e muitos outros estão te esperando em estrofes potentes para fazer rir e refletir. <span style="color: #ffffff;">Matheus Felipo</span></p>
<p><strong>Camila Assad Quintanilha</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Mazombo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/mazombo</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Sep 2015 13:38:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[escrevo pra me salvar
(ondas do mar não me resolvem)
escrevo pra me salvar
(pele de cordeiro é bom pros lobos)
escrevo pra me salvar
(mágica só aos 7 anos de idade)
escrevo pra me salvar
(…)
escrevo pra me salvar.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Mazombo: substantivo masculino dado a nascido no Brasil, filho de pais portugueses reinóis (originários da metrópole). Pode adjetivar também aquele indivíduo sorumbático e taciturno, oscilando entre o mau humor e rompantes geniais, cuja catálise libidinal é a terra e o barro que dela se forma. Em polos opostos do termo, situam-se a paixão primitiva e o degredo.  São sentimentos que dão fluidez seminal aos versos de Kevin Kraus, a cola que gruda e embolota o solo lixiviado das monoculturas nos cafundós da colônia.</p>
<p>A força metonímica do termo mazombo dá sentido à condição universal em permanente desajuste com a terra mãe, cobrando uma civilidade urbana que todo cu de mundo carece. Os poemas da primeira parte exploram esse humor sombrio como em “Amanhã é agosto”, em que cachorros vira-latas <em>mordem sua bunda</em> e <em>ventos jorram poeira vermelha de cana e pretidão</em>. Não há atalhos nesses descomeços, apenas a dopamina eufórica e fugaz <em>“d’os teus cabelos negros deliciosamente enroscados nos meus dentes!”  </em>Perceber essa contradição na obra de Kevin Kraus é abrir janelas entre dois mundos: aquele de que se quer sair e aquele ao qual não se quer pertencer. E querer sair nem sempre é sentimento de rancor. O<em> andar a pé pra bem longe</em> em “Ermitar” traz a possível reconciliação do retorno saudoso, mesmo que lembrar das gentes e da melancolia reforce o sentido de ser mazombo, de fruir o aroma petrichor da chuva, da ventaneira farfalhando o abacateiro…</p>
<p>A partir de “Celebridades nunca encontradas”, o não querer pertencer passa a ser perplexidade desterritorializada; a constatação de que o bairro do Soho ou fronteiras entre França e Espanha também são amiúde cus de mundo povoados por delicados hipsters emasculados por deuses financeiros feito “Paul e Armand”.</p>
<p>Para tal dilema a poesia “Espacial” aponta um possível caminho: <em>criar um Congo todo dia pra fugir de si.</em> E se Mazombo for mais estado de espírito que propriamente lugar de pertencimento – ótimo: <em>cria no teu próprio Congo este lamento..</em></p>
<p>Oliver Mann</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Feito peixe</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/feito-peixe</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Sep 2015 14:11:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[te vestir
do meu afeto
costurar-me
ao teu peito
ser parte
do pouco que somos
do mundo que somos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Maria virou peixe</p>
<p>Eu adoraria ser um peixe francês como o que se apaixonou pela borboleta de estrelas pretas, estória contada pela poética de um conterrâneo meu, Thiago E. mas não sendo possível eu me contento em ser feito piranha — no dicionário informal, piranha é tanto o peixe carnívoro da família dos Caracídeos como também uma mulher libertina da família dos Caralíneos e como diz a cantiga: piranha é peixe voraz e isso eu sei que sou! Mas minha paixão se dá de fato pelas piabas da lagoa grande que morrem em todas as secas do sertão e brotam do chão rachado toda vez que faz uma poça de água quando o céu resolve chorar por pena da solidão da roça, da secura não só climática. Em Santo Hilário só se tem duas chances de dar certo num romance — depois do segundo namoro a mulher já fica desregrada e mulher assim não presta nem para bater roupa na beira da lagoa pequena, eu mesma inda bem que não moro mais lá porque os deuses sabem que voluptuosa como sou, morreria piranha e nunca seria piaba ou francesa. De toda forma já sabemos que quase todos os peixes morrem pela boca e aqui deixo em aberto como minhas pernas para livre interpretação a qual boca me refiro, eu inclusive tenho pernas tortas e só sei falar sobre meu desequilíbrio, quem sabe o peixe quando morde o anzol faz isso consciente, quem sabe ele já cansou da solidão do silêncio e vai lá de boca aberta encontrar o paraíso. Eu faço isso às vezes, hoje entrelacei meus dedos das mãos e fiquei me questionando qual a sensação que tiveram todas as pessoas que já me tomaram pelas mãos, e que já receberam meus toques, e quis chorar para derramar toda nostalgia agarrada no peito, a aorta vai pulsando e eu vou me diluindo em ritmo lento feito um cardume sorrateiro de piranhas. Vai ver eu possa ser mais que uma piranha, talvez eu consiga ser um cardume delas, faz mais sentido levando em consideração minha oscilação de humor, mas inda assim eu sei que coleciono bichinhos presos no aquário que possuo entre minhas pernas e é uma delícia saber que eles habitam minhas entranhas e me causam estranhamento. Eu tô apelando o meu trigésimo quinto relacionamento e já não posso desistir de nadar. Cecy Maria</p>
<p><strong>Kali Viriato</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Elogio da divergência</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/elogio-da-divergencia</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Sep 2015 18:51:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Dos quadros
Da afasia dos interruptores
Da apneia das portas
Da compulsão das janelas.

Um dia
Acordo
E sou cama. <span style="color: #ffffff;">Elisa Scarpa</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Sou uma mulher<br />
Cega<br />
Que<br />
Encontra na barba<br />
Do mar<br />
A explicação de ter<br />
Mãos.</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Devo admitir que me dá um certo prazer</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/devo-admitir-que-me-da-um-certo-prazer</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 19 Sep 2015 18:00:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[prefere os cavalos
montados a pelo
prefere as ondas
surfadas em jacaré

da vida tira,
estica
o máximo
da pele]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Quanto se esconde — ou se revela — em uma pergunta? Quanto existe no gesto, na flor, no passeio? Não é preciso mais que uma fagulha para fazer nascer a poesia investigativa da matéria invisível. Se, por um lado, o espanto ganha contornos cirúrgicos a partir de um exercício de refinamento dos sentidos, por outro, há o movimento contrário: de apurar o alcance com a diluição das sensações, extraindo, do mínimo, o máximo transmutado de cada experiência proposta. E, então, tal como a poesia, duas abelhas tateiam possibilidades de convívio; o amor se revela na alquimia dos detalhes; o compartilhar de um copo denuncia a intenção do beijo. Em <em>devo admitir que me dá um certo prazer</em>, tudo potencialmente se inicia, nada potencialmente termina. <span style="color: #ffffff;">Carol Sanches</span></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>A clareira e a cidade</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-clareira-e-a-cidade</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Sep 2015 20:28:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[eu sofro de uma doença ainda sem nome
(e se tem um nome, ignoro)
esta doença me retira do vórtice espástico
do espaço-tempo e todos os momentos
fazem-se instantes hesiódicos
nos três segundos do presente
— futuro, passado e possibilidade — inesgotáveis

assim não me diferencio do grande Dario
nem a tua aparição divina de Hipátia]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p><em> </em><em>A clareira e a cidade</em> é o quinto livro de Rodrigo Novaes de Almeida, sendo sua primeira antologia poética. O título remete ao pensamento de Martin Heidegger — para este, a linguagem é a morada do Ser e cabe aos poetas e pensadores habitar nessa morada.</p>
<p>No entanto, as questões levantadas na obra que o leitor tem em mãos não são metafísicas, e sim aquelas que exigem uma <em>práxis</em> que liberte o homem da vida massificada. A proposta heideggeriana é ontológica. As inquietações filosóficas do poeta buscam um pensamento que não atropele os movimentos sociais e ao mesmo tempo dialogue com as questões atuais. De modo especial, uma antropologia.</p>
<p>Um convite aos leitores para pensarem além dos escombros de toda estrutura unidimensional, e quem sabe enxergar outras clareiras e mergulhar nos guetos das nossas cidades, deslumbrando um mundo melhor, em que <em>a poesia é o corpo sensual do saber / que escapa</em>.</p>
<p><strong>Tito Leite</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>A cidade oculta</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-cidade-oculta</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 12 Sep 2015 20:37:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A min
mordeume de neno
unha balea

e no espiral de ADN
mesturóuseme a dolor con tres pasos e tres golpes

as chemineas enchéronse dos bechos máis pequenos
a cola do alacrán habitoume polos brazos

e a memoria

a memoria

a memoria é un animal
con solitaria]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="col-50 red">
<div class="trecho">
<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p><em>Poemas da cidade oculta</em> imprímese por vez primeira en 1996.<br />
Daquela eu tiña tres anos e non sabía máis do que os xelados e as améndoas. A min non me mordeu de nena unha balea, pois a distancia entre Cee e Vigo fai cambiar absolutamente a arquitectura toda das cidades, das imaxinadas e das outras tamén.</p>
<p>ISTO É UNHA ADVERTENCIA e non un limiar adormecido:<br />
Agardan infancias ocultas en tódalas cidades polo opio na escaleira.</p>
<p>É así este libro un mapa ou un artificio, un amante preciadísimo que recala nas tabernas e nas camas de domingo porque morrer é <em>alonxarse do peso </em><em>das cousas e os corpos</em> procuran cómplices para seren máis livianos. Nesta cidade oculta, para saber amar hai que saber fuxir. Deste xeito apréndenos as verbas a percorrer as rúas coa certera posibilidade da morte. Nada significa o sexo se vivimos para sempre, nada os afectos, nada os libros que non lemos. Hai que saber morrer tódolos días.</p>
<p>Coñecín a Estevo un xoves, senteime na derradeira fila namentres construía no ar un poema inmenso do que ía tirando coma nunha <em>Cello Suite</em>, cada vez máis e máis forte, e máis armónico, e máis fiado. Había un único poema, e así entendín eu que tal vez estamos sempre a escrever o mesmo libro. A obra que tes nas mans é fascinante e grotesca, oscura e tenra. Coma calquer animal que se aferra a vida.</p>
<p>Cunha inmensa admiración e agradecemento, imposible de cadrar neste alfabeto. <span style="color: #ffffff;">Estevo Creus</span></p>
<p><strong>Cynthia Menéndez</strong></p>
</div>
</div>
<div class="col-50 red">
<div class="trecho">
<p>&nbsp;</p>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>NEGRO SILÊNCIO (uma série a partir da obra de Rui Chafes)</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/negro-silencio-uma-serie-a-partir-da-obra-de-rui-chafes</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Sep 2015 19:51:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[urge demolir a construção
armadilhar a casa
contra a óbvia domiciliação
desdobrar portas e janelas
suturar os sonho]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p><strong>Quando do negro baço nasce a luz…</strong></p>
<p><em>Negro Silêncio</em> apresenta-se como uma poesia assumidamente devedora do contacto íntimo com a obra escultórica de Rui Chafes – logo no título –, mas sem que isso se traduza em réplicas poéticas desta ou daquela obra, nem na prática «ecfrástica» de um discurso <em>sobre</em> um objecto que lhe é exterior, como a encontramos numa já longa tradição da poesia portuguesa contemporânea, pelo menos desde as <em>Metamotfoses</em> de Jorga de Sena. Aqui, a Obra do escultor (mais o seu espírito do que a sua matéria) vai sendo absorvida e integrada no próprio corpo do poema – nos motivos que discretamente vão espreitando, na conivência e convergência de um modo de ler o mundo, com a inevitável opacidade desse espaço de vida activa, hoje alucinadamente activa, onde tudo «sempre esteve errado» (Rui Chafes).</p>
<p>A esse «escuro labirinto» contrapõe esta poesia exercícios poéticos que, como a prática artística de Rui Chafes, tendem a suprir o vazio e a não-existência dos objectos do mundo. E fá-lo com recurso a imagens recorrentes em que dominam – uma vez mais em claro paralelo com o magma escultórico de Chafes – o silêncio e a luz, a atenção às coisas e a introspecção, a progressiva rarefacção do Eu que se retira e esfuma para deixar falar o pensamento ou o peso da palavra ou da imagem que se destacam, remetendo para os contra-mundos que verdadeiramente contam.</p>
<p>O poema sabe, desde início, que «urge demolir a construção» falaciosa do mundo, para «depois deixar o silêncio falar» e «inaugurar uma casa em constante mutação». E assim cada poema, na sua pulsão imagética e na sua densidade mental, se constitui numa espécie de programa-sem-Eu para uma leitura do mundo actual na sua «dissolução mediática». O perfil que os poemas dele traçam pode resumir-se nas linhas: «na hemorragia do seu discurso / grandes declarações foram feitas / sem nada dizer».</p>
<p>Era já assim no livro anterior de Pedro Loureiro, <em>Astigmatismo ou Redenção</em>. É visível já aí a via de um <em>projecto radical</em>, que se continua em <em>Negro Silêncio</em> (aqui sempre com a sombra de Rui Chafes por perto) e que pretende, como o escultor, reencontrar as raízes da criação num tempo que cultiva o jogo sem consequências, o simulacro e o cinismo. <em>Pro-jecto</em>, é-o esta poesia no sentido que ao termo deram os Românticos alemães (tão caros a Rui Chafes), nomeadamente Friedrich Schlegel: «o gérmen subjectivo de um objecto em devir», «um fragmento de futuro». Nada de definitivo, portanto, mas com um substrato de promessa em cada linha, como parece evidenciar o belo poema que fecha o livro. Com a plena consciência de que cada obra é talvez apenas a «máscara mortuária da sua intuição ou Ideia», um projecto em devir, como o da própria poesia para os Românticos. Ou uma inquirição permanente sobre o estado do mundo e os modos de nele estar, como parece ser mais o caso aqui. Nos dois livros do autor até agora escritos, é esse, e não o do <em>fait divers</em> pessoal em transfigurações mais ou menos felizes, o caminho seguido. E procurar ler um tempo, auscultar uma época pela poesia e com a poesia, é tarefa exigente e rara em tempos de hedonismo cego ou de poesia meramente descritiva, sem que a descrição se amplifique a uma dimensão maior.</p>
<p>Com <em>Negro Silêncio</em> estamos perante uma poesia do desencanto do mundo, visto como coisa fosca e tosca, sem redenção possível («Não há absolvição / apenas a ilusão de um recomeço», lemos no livro anterior a este). Quase apetece sofrer de astigmatismo, para ver o mundo desfocado (já numa peça do italiano Ugo Betti, <em>O Jogador</em>, o protagnista dizia: «Prefiro o nevoeiro: vê-se um pouco menos do mundo»!). Mas o poema sabe dessa <em>pan-hipocrisíade</em> global, desse «como se» do mundo – como se nele tudo estivesse em ordem. E o seu papel é o de desfazer essa ilusão; a sua arma, como acontece neste livro, é a de uma lucidez que constantemente o faz «emprenhar de espanto». Também a voz esculpida de Rui Chafes se não cansa de nos alertar para a banalidade e a dessacralização, a incapacidade de espanto, a que chegou a ponta crepuscular de uma época como a nossa, em que o cinismo e o mercantilismo imperam e o pensamento – como antes escreveu outro poeta da diferença, Fernando Guerreiro – já só «vai / buscar as imagens ao fundo / lodoso do túmulo».</p>
<p>Diferentes são os atalhos por onde se aventura este livro de Pedro Loureiro, desde as epígrafes que o inauguram. Com Rui Chafes, ele sabe que «é a poesia que tende a suprir o vazio…» (e o ruído do mundo). Com Llansol, aprende que o texto é, entre tantas outras coisas, o receptáculo do silêncio. Nas entrelinhas da poesia de Pedro Loureiro sente-se a presença do vazio pleno que responde à vacuidade borbulhante da <em>ágora</em> mundana. Aí, contra a «hemorragia de palavras», sentimos que «no negro baço / somos pura luz», e ouvimos «retinir um silêncio / que tudo vê / como um passado no corpo / uma cesura oculta / no ponto mais obscuro da palavra».</p>
<p>É para a luz desse ponto obscuro que parecem orientar-se os poemas deste livro. Neles, como sobre outros escreveu esse mentor e guia de Rui Chafes que foi Novalis, «as palavras entram em movimentos livres reveladores da alma do mundo, que as transformam em delicada medida e desenho das coisas».</p>
<p><strong>João Barrento</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Bosque branco</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/bosque-branco</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Sep 2015 20:01:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Um bosque
Um barco

A lembrança do vento
O voo de um pássaro

Um número de ouro por toda a parte.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Uma criança inocente dorme em meu leito<br />
Com o nome do meu Amado.</p>
<p>Vem a cada manhã ressuscitar-me. <span style="color: #ffffff;">Maria Azenha</span></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Meu coração é silencioso como uma floresta de eucaliptos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/meu-coracao-e-silencioso-como-uma-floresta-de-eucaliptos</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Sep 2015 16:41:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[quero tornar-me
duro como um pinheiro
silencioso como uma rocha
profundo qual um desfiladeiro
e no entanto
completamente vazio
como tudo o é
toda vida é sofrimento
e todo sofrimento é aprendizado
as montanhas
não precisam endurecer.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>autoestrada carros e caminhões. entre as pequenas tempestades de areia de um inferno quente e seboso na costa brasileira e os distanciamentos da cidade grande; entre afiamentos de faca, corte de legumes, mãos feridas pelo trabalho e cagadas prontas.</p>
<p>a cada poema penso sobre a crueza literária impregnada em seus versos, que chegam a exalar um cheiro fétido e pútrido, que pesa o ar à volta do leitor, apesar da calmaria que s’expande desde o título do livro. é uma crueza viva e intensa, ao mesmo tempo, mórbida e fecal. o contínuo da matéria, a composição e a decomposição das coisas, da vida, do mundo.</p>
<p>meu coração é silencioso como uma floresta de eucaliptos se manifesta como um passeio no aparelho digestivo, se fundamenta num processo de enunciação tempestuoso e deslumbrante, que se inicia sedutor como o cheiro de cebola e alho no óleo quente, sincero como temperos jogados com precisão de tempo e ritmo.</p>
<p>poesias narrativas dividem espaço com acepções ideológicas e reflexões cotidianas, tendo olhos para a cidade e suas personagens, o emprego e o desemprego, a realidade material das coisas e as relações de trabalho, as relações humanas, as ambientações coletivas, o vício, o medo, a Merda, as vísceras.</p>
<p>as fezes borbulham num caldeirão e as páginas são nele afundadas, fezes cagadas ao longo dos dias, coleções de momentos de Merda, peidos de alegria, arrotos depois do primeiro gole de cerveja. páginas que levam à absorção de conteúdo pelo intestino delgado do processo poético, para depois passear pelo intestino grosso, em que o conteúdo é sintetizado e começa a tomar forma.</p>
<p>sente-se na privada e bem-vindo ao nirvana. <span style="color: #ffffff;">Samuel Marrafão Junior</span></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>América</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/america</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Sep 2015 18:19:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[quando as mãos de um homem desconhecido
te tocam é preciso não intuir que
as suas próprias mãos sabem como se mover
é preciso não responder pelas mãos
de um homem desconhecido
não achar que
as mãos te ferem porque as suas não
sabem ferir
não achar que fosse também você um matador
haveria menos sangue
neste chão]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2>Sobre este livro</h2>
<p>América: atentado poético-performativo a todas as subjetividades, estéticas, narrativas e cenas coloniais. América: diálogo entre carne e terra, ou o momento em que, ao saber-se território invadido, penetrado e revirado, o corpo descobre-se carne. América: trauma/memória secular, veias abertas, sangue que não estanca. América: sangue sobre terra: feitiço. América: tremor enfurecido que vem do centro da terra cobrar cada gota de sangue jorrado, cada grama de minério extraído. América: tu me deves. América: o continente está para a terra como o corpo está para a carne.</p>
<p>Em <em>América</em>, Francisco Mallmann atenta o impossível: separar as carnes com as próprias mãos, diferenciar o sujeito de quem o sujeita. O fracasso é iminente, e é por isso mesmo que <em>América</em> carrega em si o paradoxo inescapável da subjetividade colonial pela lente dos vencidos: se esse mundo segue, por via de outras mãos (outras naus), fazendo de nós aquilo que não somos, se a retomada do corpo tem de passar antes pelo seu desfazimento, então a subjetividade por si só não pode nunca ser ponto de chegada.</p>
<p>América faz necessária pressão nas línguas coloniais que vibram por nossas bocas, propondo uma linguagem que trai a si mesma, desconfia de si (“rasgar com os dentes as palavras que sei”). América se faz assim um texto performativo por motivos que vão muito além de ter sido escrito para ser lido em voz alta — performativo sobretudo porque mira o abismo da linguagem, grita o nome dado ao novo mundo e permanece, (corpo enquanto matéria: carne), para receber de volta o eco violento da terra que recusa o nome que lhe foi dado. E se a/o poeta/performer nunca se vira de frente, se ela/e nunca responde aos chamados que querem encerrá-lo em um punhado de palavras, este é precisamente o gesto que lhe garante acesso ao mistério. Sua recusa inaugura algo que está além e aquém do sujeito e da subjetividade, e nos apresenta, sem floreios e com primazia estilística, à vertigem do paradoxo constitutivo das nossas vidas: nos roubaram o corpo ao mesmo tempo em que o inventaram. E inventaram a América enquanto a roubavam.</p>
<p><strong>Miro Spinelli</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Todo Mar</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/todo-mar</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Sep 2015 18:32:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[[fotografias de <span style="color: #ff0000;"><a style="color: #ff0000;" href="https://editoraurutau.com/autor/ana-emerich"><strong>Ana Emerich</strong></a></span>]
o gozo é feito de líquidos geológicos
densos.
de um tempo marcado pela revoada dos bichos agudos
entoando o começo do fim
cantando

infinto mesmo. só o mar.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2>Sobre este livro</h2>
<p>A escritura salva de um naufrágio. Que poderia ser salvo de um naufrágio, quando o que se perdeu foi um mundo e, com ele, a língua dos restos? No mar, no fundo do mar, deixamos tudo o que não tem lugar, diz a escrita de Ana Kiffer, e ali, no entanto, tudo fica. Em fragmentos despedaçados, em estilhaços, esses restos nos dizem, como queria Walter Benjamin, que nada do que tem acontecido alguma vez pode ser considerado perdido para a história. Nem para a escritura, acrescenta Ana. Isso porque a escritura de Ana Kiffer começa com uma contextualização contundente:  Rio, 2017. É o presente, o momento atual, um momento de cataclismas e catástrofes; não se trata de um naufrágio individual, mas de um dilúvio, uma enchente produzida pela fúria do mar, o mar que toma tudo, diz Duras.</p>
<p>Esse dilúvio, como o dilúvio universal, é um castigo. Neste caso, contra um povo <em>que nunca conheceu de fato o diferente, que cerceou a diferença através de sucessivos massacres históricos, </em>e que em castigo, o mar fez desaparecer. A escritura de Ana conecta de modo sub-reptício a catástrofe natural com a histórica, porque no fundo, hoje, as duas são as duas faces de uma mesma direção.</p>
<p>Também essa nota inicial, essa introdução, nos diz que o que o mar nos tem devolvido não é uma obra, mesmo quando se trata de um livro de poemas, aforismos, fábulas, vidas visíveis e invisíveis, e verdades. Quer dizer: trata-se de um livro informe, como os que amava Artaud, a quem Ana Kiffer conhece tão bem; ou melhor: de um caderno que pode acolher a escritura indómita que não pretende construir uma obra, um todo homogéneo, uma escritura estabilizada. Por isso os poemas se entrecortam, os fragmentos em prosa se interrompem. Não há uma estabilidade nas formas porque o livro mesmo procura a metamorfose; ou melhor, o mar, todo o mar: o que nele se perde, o que ele arrasta, mas também, nesse arrastrar, também carrega e guarda.</p>
<p>Nessa indistinção entre história e natureza mergulha-se também o que fica de um eu que perde o rosto e abandona o refúgio da individualidade: por isso a escrita não é íntima nem externa. A perda de si involucra essa escritura que se confunde com o outro ou com a outra, de modo indistinto, porque do que se trata é de advir qualquer um, um qualquer ou uma qualquer, sem nome. Pode por isso haver cães e lixo e ossos, mas tem o sexo; um livro enfim aberto como um navio que se curva até que a água entra pelas bordas e o destrói.</p>
<p><strong>Florencia Garramuño</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Peito aberto até a garganta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Sep 2015 14:51:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[peito aberto até a garganta
veio o céu na anestesia
as navalhas que te perfuram
não se sente
a imensidão é potente
bom não morrer criança
imagine que dor para as tias
olhar o céu da cirurgia]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Vou costurar uma orelha no corpo-livro da Mariana Marino na tentativa de evocar a imagem que eu tenho em mente: seu peito atravessado por uma cicatriz violenta e elegante, que quase alcança o pescoço. Quem agora segura <em>Peito aberto até a garganta</em> vai perceber que os poemas da primeira parte estão povoados por corpos cortados: unhas, pelos, pés, pescoços, mãos, peles, ossos, de gente morta ou viva, desconhecida ou familiar, todas exigindo histórias para si, criadas com uma linguagem certeira e cortante como navalha afiada.</p>
<p>Na segunda parte, o corpo jorra manchando os segredos de mulheres de uma mesma família, que sangram com seus úteros e trompas: “o sangue das mesmas veias/ a história das mesmas teias”. E que sofrem do coração – isso não é só uma metáfora. Antes dos poemas, um prelúdio invoca o Senhor em letra maiúscula, tão esmagador quanto o amante de Sêmele. A triste história do triângulo amoroso vivido entre Zeus, Sêmele e a esposa Hera nos remete à leviandade perigosa do deus e, consequentemente, de suas criaturas homens, feitas à imagem e semelhança. Anne Carson tem uma analogia para o ciúme: a dança das cadeiras. Nessa dança, quais mulheres ficam de fora? Para arriscar uma resposta, talvez ajude pensar que o corte mais profundo é o abandono, palavra que, junto com “corpo”, aparece 17 vezes no livro. O que sente uma menina numa mesa de cirurgia? O que pode ela pensar sobre Deus?</p>
<p>Seguimos o traçado até a terceira parte. O corte se mantém afiado, explicitando violências. As mulheres seguem ganhando nomes próprios, acompanhadas por alguns homens de vidas comuns, que parecem tentar se desvencilhar do peso de ter a mesma cara do que aquele Senhor do prelúdio ou do que Zeus.</p>
<p>Volto à imagem da dança das cadeiras pra lembrar que, para a escritora e mística Simone Weil, precisamos nos abster da alma – como se fôssemos a terceira parte indesejada do triângulo amoroso formado entre Deus, nós e as coisas que existem – a fim de permitir que uma união completa e perfeita aconteça. Penso que Mariana não quer se abster, mas também não quer ser completa e absoluta. Lendo <em>Peito aberto…</em> sinto que quero trocar de corpo com Mariana e outras poetas: poder experienciar o mundo pelos corpos que elas criam em suas poéticas. Talvez elas sejam, entre nós, que as lemos, e o mundo experienciado, a terceira parte do triângulo amoroso tomando para si o lugar de Deus: “ouvi meu nome num poema/ desenhado pelo traço do teu lápis/ o ápice de me imaginar/ no teu corpo/ numa vida outra que jamais”.</p>
<p><strong>Julia Raiz</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Carne e colapso</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/carne-e-colapso</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Sep 2015 14:35:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ver toda casca como possibilidade
como meio termo do tempo que põe a escolha
arrancar ou não
ver ser ferida que nunca sara
ver ser dor
sem saber se pode jorrar ou deixar risco
resíduo de tragédia
memória de unha pedaço de pele
corpo que acaba outro
dúvida possível
um gesto início]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Eu acredito na poesia que surge “sem pedir desculpas”, tal qual a que Jessica Stori apresenta neste livro. Uma escrita de quem “chora em línguas” e “honra os olhos cheios de terra”, quando escrever é o mesmo exercício de se perceber viva, sem mediação, no susto existente em manusear palavras. O espanto de se descobrir criando poemas, a manutenção do desejo de abrir a boca e dizer. O chamado é essa necessidade de “criar algo com isso” que cruza o corpo, o habita, avoluma e se dá a ver nos encontros com as que estão, estavam, estariam e estarão. Uma poesia que se lança ao seu tempo e além — é sempre além — criando comunidade com as irmãs, as mais próximas e as mais improváveis. As temporalidades (im)possíveis neste país de histórias mal contadas. “usar os pés para escrever” nessa caminhada que já não sustenta o silenciamento que era antes condição. Uma atividade que articula a energia vital de se saber “uma mulher latino-americana”. O pedido: “não ter medo”. Ela sabe que a ausência que pesa não é dela, “é do mundo”, que geralmente “não dá conta” do que se leva “na ponta do bico do peito”. Meu convite é que estas páginas sejam lidas com a mesma voracidade de quem as escreveu. A urgência que há em se dedicar — mulher — às letras: reinventando passado, presente e futuro. Não obedecer. Não ceder à paisagem inerte, acostumada, assassina. “Ontem eu caí, de hoje eu não caio”. A (re)feitura do corpo a cada material, “refazer a crítica” aqui onde não há “narrativa pronta”. <em>O que é ser uma escritora?</em>, ela parece sempre perguntar. E depois a questão se altera: é, antes, processualmente, sobre <em>o que pode ser uma escritora? </em>— sem a pretensão de ter respostas, mas com a firmeza de quem desconfia. “tanto acontecendo e eu vou ali me contar”, como gesto de coragem audaciosa, de quem não justifica existência e mesmo assim se expõe. O projeto é “estancar até circular”. Aprender e “ensinar a ser pessoa”. Jessica diz que “toda cicatriz traz um novo registro de como contar o tempo” e eu, daqui, acho que também os livros nos ofertam a mesma possibilidade. Acho até que os livros sejam, eles mesmos, cicatrizes. Olhem bem para este. E contem, depois, de novo, o tempo.</p>
<p><strong>Francisco Mallmann</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>NVERSO</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/nverso</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Sep 2015 17:56:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Não me leve Ikú sem antes
cobrirem meus santos de pano,
baterem tambores falantes
p’ra enganar o desengano
de ter de partir dentro em pouco,
de ter de voltar todo ano,
sem qu’inda aviste o Iroko
do outro lado do oceano.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>As palavras que recebemos no livro de Thiago Hoshino nos envolvem como um presente. <em>Nverso</em> é <em>universal</em> e <em>inverte</em>. Universal por lançar-nos na partilha de sentidos, que em sua diversidade, pluralidade, nos fazem olhar para quem somos de modos diversos. Todas e todos somos enredados em histórias que nos precedem e cabe-nos, agora, encontrar as melhores palavras para contarmos nós mesmos, <em>e a nós mesmos</em>, as nossas histórias e nossos sentidos. Inverso por inverter os sentidos, muitas das vezes estáticos, que temos das imagens que sustentamos do mundo que nos cerca, nos colocando a rodopiar junto a Kitembu em torno de novos sentidos, sentidos outros.</p>
<p>Com um lirismo que mergulha em raízes entrecruzadas, como as de um mangue, o livro nos convida a sermos afetados pela percepção que de muitas tramas são feitas nossas maneiras de estar no mundo.</p>
<p>Míticas, místicas e encantatórias, as palavras de Hoshino nos envolvem, convocando-nos a recitá-las desde nossos lugares, nossos encontros com as muitas paisagens que, como Njila, como Exu, traquinam e movem-se pelo mundo, movendo o mundo.</p>
<p>Palavras feiticeiras, ancestrais, enraizadas, afetantes, que nos remetem às histórias contadas por avós ou outras figuras mais velhas que acalentam as memórias de nossas infâncias, que seguem nos habitando. O livro me chega como um convite para adentrar nesse imaginário intenso das muitas paragens em torno de nós, em um mergulho por águas profundas de nossas histórias, das quais muitas vezes vemos apenas uma superfície serena, mas que oculta em seus níveis mais submersos forças muitas, forças agitadas e criativas.</p>
<p>Celebramos, em festa, a chegada de <em>Nverso</em>!Nzambi ua Katensá!</p>
<p><strong>Wanderson Flor do Nascimento, Tata Nkosi Nambá</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Agáloco &#124; transviscerações</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/agaloco-transvisceracoes</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Aug 2015 13:45:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Nada protege o corpo
do saque do mundo.
Intacto, entre vértebras
quebradas, rubores de
cortes frescos, palavras
de uma canção frágil,
não há.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p><em>Agáloco</em>: planta que cega, num livro de poesia por imagens. Rasgos de vermelho e músculos no vidro afiado. Também, por outro lado, um modo de transvisceração da poesia alheia em própria, ou seja, desvestimento do poema até o tutano do osso e reforma da carne nova, em gesto de ritual xamânico de morte e renascimento circular: aqui, o novo está no velho, origem e desembocadura se misturam. É de contradições, afinal, que se faz esta estreia bonita de Yuri Amaury, mas com uma maturidade rara e um projeto bem amarrado como quase nunca se vê nos baús de achados e perdidos que costumam constituir um primeiro livro de poemas. Aqui, se a poética parece buscar uma secura e contenção ainda cabralinas em sua aparência primeira, é porque é somente nos pulsos vivos do corpo que sua paisagem se desdobra (“não/ é teu corpo, o teu corpo”). Assim, por baixo do comedimento da linguagem, sempre mesurada no gesto do olho e do verso, vai pouco a pouco se organizando um modelo espasmódico e violento (“– Dai graças a Deus, senhor./ Se do original pecado/ Viemos, nada é errado/ – E graças a Deus, senhor./ Oferece a outra face, e/ Na dos outros, mete a faca/ – Dai graças a Deus, senhor.”) que atravessa, ou mesmo vara, os impulsos metafísicos de certos momentos.</p>
<p>É certamente uma poesia do corpo como coisa que trava a todo instante, como máquina ainda informe, inacabada, e ao mesmo tempo já prestes a quebrar, seja diante do toque, seja diante de um deus ausentado que ainda assombra nos discursos do mundo contemporâneo numa contínua terra devastada. É pesado escrever e viver assim, mas é construindo o horror já dado no mundo, dando-lhe um corpo poroso, que ele pode, surgido, ser também recriado.</p>
<p><strong>Guilherme Gontijo Flores</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Vermelho medusa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 29 Aug 2015 13:52:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Meu olhar de urutau
devaneava luminoso
algum inseto de bobeira na lajota,
todo ócio ruminava criativo o tempo
enquanto as marcas frescas
da tua bundinha mordiscada
conservava nosso silêncio
feito um retrato.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Eu ainda sou<br />
essencial surrealista<br />
montando maré-alta<br />
para corpos à vela.<br />
A espuma dos versos<br />
produzindo colírios<br />
na ótica poética<br />
para visionários-de-rapina.<br />
Canções da Província<br />
a um poeta menor<br />
com seus pecados<br />
providos de caprichos<br />
nas mesmas temporadas<br />
pervagando o destino<br />
sobre as serpentinas<br />
que brotam do olho. <span style="color: #ffffff;">Igor Moroski</span></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>O Amoroso</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-amoroso</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Aug 2015 20:09:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p class="p1">e a língua descobre
essa sombra
de carne viva</p>
<p class="p1">entre as pernas</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Estes poemas de José Viale Moutinho são mais uma fulgurante comprovação do corpo a corpo da linguagem amorosa com a língua, que, na poesia poético-erótica se trava. Nela se dão a ler não só as múltiplas posições do amor in fieri, como no <em>Kama Sutra</em>, mas as figurações em que se vão declinando as suas pulsões e movimentos. Veja-se como essa conjugação se consuma, quando os sujeitos amorosos se enlaçam, numa entrega total à linguagem do corpo.</p>
<p><strong>JOSÉ AUGUSTO SEABRA</strong></p>
<p>Ao breve enxame de palavras que pousam neste livro, tão sabedoras do mel do afecto como da cera de que o favo se fabrica, discurso nenhum convirá, susceptível de lhe desinquietar o silêncio.</p>
<p><strong>MÁRIO CLÁUDIO</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Mulheres salgadas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/mulheres-salgadas</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Aug 2015 19:43:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[[sumiês de <span style="color: #ff0000;"><a style="color: #ff0000;" href="https://editoraurutau.com/autor/lucia-hiratsuka"><strong>Lúcia Hiratsuka</strong></a></span>]

quem sabe
essas águas
nem sejam ﬂuidas
quem sabe esse amor
que nelas cruza
seja de fato
um ponto de paralisia
um flime travado
numa foto

minha cruz]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>“muitas mulheres habitam em mim”. É com esse verso prismático que entramos no livro Mulheres salgadas, de Cecília Furquim. E esse verso-síntese nos lança à frase pungente cravada no tempo, anos antes, por Simone de Beauvoir: “não se nasce mulher: torna-se mulher.”</p>
<p>A evocação, apesar de intuitiva, justifica-se pelos versos que se seguem, página a página, nos quais diversas mulheres se multiplicam e convertem-se, cada uma e ao mesmo tempo – mãe, filha, amante, amazona e cunhã –, em uma pluralidade de vozes que tem como ponto de partida um único corpo.</p>
<p>Ainda que essas vozes irrompam de uma foz individual, jamais ela se confunde com um eu narcísico, clamando por uma atenção espetacular e egoica. Ao contrário, ela afirma, insistentemente: “não sei onde começa eu / continua outro / ou termina nós”. Esse corpo que diz “eu”, diz multiplicando-se, ora em uma suíte de murmúrios, ora num grito de espanto, indagando-se como parar um poema diante de uma bruta e covarde execução. Execução essa que se repete seis vezes a cada hora em um corpo órfão de pai e país.</p>
<p>No entanto, o poema não se cala, segue, continua, sempre, pois “para cada poema / cem armas / e mais de mil / balas”. E a voz de cada um desses poemas e cada uma dessas mulheres “tocam / notas de protesto […] pouco se intimida”.</p>
<p>E por mais que se tente, essas mulheres, esses corpos, cada vez falam mais alto, e cada vez mais fortes. Coincidem com a recusa de se deixarem oprimir – “o sopro de um corpo / mistério / não cala”.</p>
<p>Os poemas se dão sob uma linguagem cuja musicalidade nos submete a uma espécie de encantamento, como se neste mar fôssemos conduzidos por Circe e, sob seu feitiço, apresentados a um universo que se desdobra em muitos outros, alguns conhecidos outros sequer vislumbrados.</p>
<p>Esse corpo-voz é metamorfose: é Len “a comer o mundo / pelo esquerdo”; é uma recusa a ser “tubo de ensaio” ou “carne de caridade”; é, enfim, uma Frida cujos êxitos vão além da obra.</p>
<p>Passeando por essas mulheres, por seus corpos e histórias, somos banhados pelo sal delas e lançados em um mar de vozes e corpos que, transfigurando a conhecida sentença de Beauvoir, dizem em alto e bom som: nosso nome é legião.</p>
<p>Em cada uma dessas mulheres ­– filhas, mães, amantes, amigas, guerreiras, artistas ­– fala, ao fim de tudo e de todas, o desejo.</p>
<p>“desejos prescindem hormônios”.</p>
<p><strong>Diogo Cardoso</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Monstera</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/monstera</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Aug 2015 19:49:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Moedora de gelo,
mastigadora de lápis,
mordedora de braços –
o movimento,
fome seca
que nunca passa.

Trituro sem dentes
esse mamilo empedrado
até liquefazer
a ausência do leite
com o músculo mais forte
de nossos corpos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2>Sobre este livro</h2>
<p>Nas palavras e na agudeza de todos os sentidos do objeto, <em>“Monstera deliciosa”</em> é a força da superfície que liga o determinado sentido da Natureza.</p>
<p>A vida, a luz, o óbvio e o improvável – perseguem nesta sequência de imagens o amor, um amor.</p>
<p>As linhas de uma verdade escrita.</p>
<p>Um trabalho de silêncio e mito que se debate no vácuo e na plenitude.</p>
<p>No vazio e no cheio.</p>
<p>Imagens a negro entre todas as cores sugeridas ao coração porque se conhecem ainda.</p>
<p>As imagens vivas.</p>
<p>As outras no branco, quase mortas.</p>
<p>Isabela Sancho completa-as numa imponente e sustentável mão que a determina.</p>
<p>A poeta das imagens, referidas a contento e no completo movimento de olharmos cada poema, que nos deixa aqui como sendo uma imagem extinta.</p>
<p>A Natureza quase morta.</p>
<p>O que pede que se veja, o leitor o fará, ainda em mais palavras do que estas sobre a poeta Isabela Sancho e a sua tinta negra.</p>
<p><em>“Melodia</em>” cobre, a qualquer hora, o dia. <span style="color: #ffffff;">Isabela Sancho</span></p>
<p><strong>Inez Andrade Paes</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Cavalos soltos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Aug 2015 18:21:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[é certo que algo
ainda se cria
na lida e na lavra
dos dias que mais
parecem feitos
de madeira rígida
imoldável
madeira diamantina

é certo que ao menos
a lâmina ainda se esculpe
nessa lavra
e de tão bloqueada
na lida, aos golpes
seu gume ao menos se afia]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Uma imagem de liberdade apresenta ao leitor o segundo conjunto de poemas de Dandá Costa reunido em livro: os <em>cavalos soltos</em>, que muitas vezes aparecem como imagem nos poemas deste volume, perpassam o livro todo. A liberdade evocada no título do volume parece ser realmente a chave para a leitura dos poemas que, reunidos e ordenados em partes distintas, apresentam grande multiplicidade de temas, estilos e linguagens. Do verso curto e seco a poemas mais narrativos, os cavalos soltos da poesia de Dandá Costa não temem visitar modos de compor e tradições diversas. A poesia moderna e a contemporânea brasileiras aparecem ao lado da canção popular, do rap, da tradição cristã. Gusmão aproxima-se desses materiais tanto com reverência quanto com ousadia, ao se valer sem hesitar dos diversos procedimentos de que dispõe.</p>
<p>Na verdade, o sentido da mobilização dessas tradições diversas, seja na linguagem dos poemas, seja nas inúmeras epígrafes e dedicatórias que em um primeiro momento podem até mesmo parecer excessivas, reside em uma tentativa de estabelecer uma rede de afetos, algo como uma composição poética generosa e coletiva. Esse espírito do coletivo também se mostra de maneira forte e potente nos poemas que trazem as falas do cotidiano, provavelmente ouvidas pelo poeta e fixadas em seus poemas. O momento de verdade dessas falas tão cotidianas quanto profundas são pontos altos de <em>cavalos soltos, </em>dando uma continuidade feliz às tradições da poesia e da canção popular brasileiras. Poemas como “sustento” e “crônica” mostram que para tecer algo coletivo no âmbito da poesia é preciso saber, afinal, escutar.</p>
<p>Ao lado desses poemas da fala cotidiana, que fixam imagens fugidias, ao rés do chão, estão os poemas que tratam da dificuldade em encontrar a palavra poética — ou a poesia ela mesma. Nesse sentido, as inúmeras evocações a Drummond parecem atuar mais como assombração, fantasma que repõe enigmas e pesos da poesia brasileira, ainda que a dimensão de afeto também esteja presente. Essa angústia em relação à palavra poética, emprestada e incorporada via tradição moderna, coloca rédeas na liberdade com que outros poemas do volume brotam, mas é também indício da atualidade desses <em>cavalos soltos.</em></p>
<p><strong>Carol Serra Azul</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>No meu tempo era tudo anacrônico</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/no-meu-tempo-era-tudo-anacronico</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Aug 2015 17:52:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[perceber
em cada verdade
pétalas de ferrugem

curar
mas como queijo
o trauma que a história abre
o menino historiador com febre de fotos antigas
hiroshimas e holocaustos
percebe que não é besta plantar árvores

amar
sem ter vergonha do verbo nos infintos
a única concordância entre os povos da babel]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Lugar para encontrar com o Cássio é o centro de São Paulo. Sentei com ele num daqueles cafés com mesas na calçada na praça Roosevelt à noitinha para conversar sobre este livro.  Ali nos pusemos a caminhar com as palavras pelas ruas de cada poema da cidade que habita o Cássio. Um homem que catava latinhas chegou perto de nossa mesa e disse: “eu estou vivo! EU ESTOU VIVO! eu estou vi-vo!” nos olhando com o semblante bem aberto, então a cidade que habita o Cássio encontrou a cidade que o Cássio habita.</p>
<p>Nesta cidade há vida. Nas ruas com as pessoas que moram nelas, no prédio que cai com mães e filhos dentro, nas praças com pombas e santos-mendigos, no uniforme de escola sujo de sangue do menino, no PF que os padres comem suando, na decadência de madames e na bicicleta de mocinhas de classe média metidas a despojadas. Há vida até nos shoppings e clubes de socialite, cada qual com sua miséria.</p>
<p>Cássio Corrêa uiva junto aos poetas para furar os tímpanos do cotidiano viciado. Selvagem, munido de um sarcasmo certeiro, encara sua floresta de bichos de pelúcia e sai pela cidade com um guarda chuva e com afeto, empilhando palavras para usá-las de escadinha para pular muros.</p>
<p>Nestas páginas caminha-se pelas ruas sem a preocupação pragmática de chegar de um ponto ao outro, pois o meio do caminho importa. Tudo e todos que estão no meio do caminho importam. Não existe atalho. Anacrônico isso? Este livro é para quem resiste e acha urgente criar o tempo para ler, pensar, sentir e viver os encontros.</p>
<p><strong>Márcia Teani</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Longo Horizonte</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/longo-horizonte</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Aug 2015 13:25:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[entrego
meu pobre corpo
desfalecido
ao seu Espírito

Santo

Dê forma, eu clamo,
dê nome

Deus sabe,
não se ama
uma fumaça
imploro, só uma palavra
que talvez possa se fazer]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Desde que conheci a Márcia Teani eu queria ser amigo dela. Hoje ela é minha amiga, e, quando minha filha nasceu, Márcia foi uma das primeiras pessoas a pegar ela no colo, e isso me deixou tão feliz!</p>
<p>Antes dela ser minha amiga, eu roubei um verso dela. A gente estava num grupo que se reunia no MIS de Campinas, pra ler e conversar sobre poesia. Aí ela leu um poema dela, que falava assim: “(…) o silêncio (…) ao reencontrar alguém, que você já cumprimentou, após a curva da prateleira no supermercado;” e isso era tão lindo, que eu precisei copiar, e copiei.</p>
<p>Porque a única poesia que importa é essa que a gente queria ter feito, e acho isso dela em quase todos os poemas.</p>
<p>Existe uma relação de sagrado e profano, de mundo do chão e infinito, a noção de que o comezinho do interior é também longo horizonte, que a vida cotidiana é besta e linda. Também vim de um interior cheio de santos voyeurs espiando pelas frestas das portas carcomidas dos banheiros das casas das avós, cantando nas alturas o que é decente e o que não é decente – o esgoto do ralo que foi ficando até acostumar.</p>
<p>Mas tem algo a mais na poesia da Márcia, que nunca poderei copiar, porque ela nasce de um outro furacão, que eu não tenho em mim. Ela passou por muitos lugares, sua poesia tem tantas ruas e becos, além de avenidas e praças, só que menos cartografada em mapas com eixos pré-moldados, é a praia invadindo a seca, ou a gente pulando no rio. Algo de andar e balançar, de carioca longe dos interiores secos, de apócrifo que só me resta me abismar. Aí que eu paro e escuto e me arrebato com tanta força e beleza, e me arrepio com tanta vida.</p>
<p>Ela me pede pra fazer uma orelha, e falo que só faço se ela fizer uma pra mim também. Só que minha poesia tem o limite do olho que vê os sapatos no chão do trem. São tantos, são tortos, são tensos, estão tesos. Mas Márcia vê mais: dentro dos sapatos há pés, e eles têm carne, e pisam no chão como corpos e flutuam no infinito como anjos – ao mesmo tempo, como das raras vezes em que a máquina convida a desembarcar por ambos os lados do trem.</p>
<p>Esse é o primeiro livro de poemas dela. Mas ela é poeta a cada instante, pois sabe que poesia é isso, é corpo, espírito, gosto, cheiro, você sente o cheiro do poema, escuta a música que toca na poesia, você dança. A poesia é a vida, mas é vida mesmo, é santo, é carne: é sublime.</p>
<p>E não é porque ela é minha amiga não, mas é muito bonito ouvir Márcia lendo seus poemas!</p>
<p>Não será tudo isso razão suficiente pra eu ter roubado aquele verso da poesia dela?</p>
<p><strong>Cássio Corrêa</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Uranium 235</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/uranium-235</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2015 19:37:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[[Ilustrações<span style="color: #ff0000;"> <a style="color: #ff0000;" href="https://editoraurutau.com/autor/helena-ariano"><strong>Helena Ariano</strong></a></span>]

oi-se o olfato. E o meu tato? Meus cabelos
devem ‘star caindo, pois sinto
o crânio estar mais leve. Tenho medo
e busco a Dor: eu mordo a língua.
Ai! lancinante, e logo desvanece;
ao menos tem sabor de ferro…

Não sei saber se houve no chão a mancha.
Não soube ouvir o que eu gritasse,
ou se gritei. Toda a minha esperança
era somente aquele sabor acre:
de Ferro… de Ferro… de Fer… de F…
e de… e de… e de… até que…]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Seria megalômano nomear-se urânio físsil num mundo que mal se apreende e denuncia, não fosse a voz dos poemas capaz de autoironia. A surpresa é tornar-se radioativo sem glamour de ficção científica, com um salto ao passado. O poeta se ergue anacrônico — “aqui, <em>rien de nouveau</em>”, tal qual caricatura do pessimismo romântico, duvidoso de sua poética pífia, pedante, demodê. Hermes a um só tempo jovem e velho, almeja mastigar apenas versos e vai mofando conquanto leve. Trôpego, exausto, de estômago fraco e vício por decassílabos — “um soneto, meu Deus?” — de tudo, entretanto, desconfia — “desapreço”. Assim o que começa num exercício egoico negativo — “quisera eu ser como outras coisas, bem mais fúteis, / que sempre encontram uso mais seguro” — acaba por abrir-se: “a Beleza/ é lá fora/ ou-/ trem”. É no alheio que o poeta encontra seu vigor, saúde. A casa muito engraçada não tem teto, o amor que interessa é o dos surdos: “Um deles sembra insinuar/ um algo mais. Um mais”. O poeta morde a língua, petisca o latim, mas anda pra fora, dessa vez moderno, enquanto passam líderes — “num rio, quantas cidades?” —, gestos nos ônibus, prateleiras sem preço, futuro obsoleto de máquinas, Oneguin na periferia e uma pergunta ao Francisco: “que santidade há na escolha?”. Sem resposta, o olhar que enlaça esse volume cria novos órgãos — “O meu abraço, devagar,/ há de mudá-lo. (…)/ o meu carinho move entranhas”. Desviando da ameaça nuclear, o livro parece apostar na pulsão engendrada pelos encontros, na cumplicidade com o que nos muda, mesmo quando o abraço parecer tóxico. <span style="color: #ffffff;">Victor Queiroz</span></p>
<p><strong> Sarah Valle</strong></p>
<h2></h2>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Aos meus desamores, com amor</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/aos-meus-desamores-com-amor</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Aug 2015 19:41:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Que você era bom, mas nunca demais.
Que você era agradável, mas nunca especialmente interessante.
Pois todo seu encanto está na sua falta de gentileza em dar
amor. O seu atrativo maior é sua covardia. E todo seu mistério
está contido na arte de não viver.
Sinto que poderia te quebrar em 568 pedaços.
Mas com que razão, se não seria eu ao seu lado para juntá-los?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>pessoa leitora</p>
<p>este livro</p>
<p>te convida a ser voyeur</p>
<p>da sinuosidade<br />
dos caminhos<br />
das relações<br />
amorosas<br />
e<br />
desamorosas</p>
<p>L. fez isso comigo há alguns anos<br />
– quando recebi convite semelhante</p>
<p>conheci essas iniciais<br />
algumas dessas linhas vi serem escritas com o tinteiro do universo<br />
como quem olha pela fechadura</p>
<p>este<br />
vem envelopado<br />
em uma cativante<br />
e sagaz<br />
despretensiosidade</p>
<p>o amar<br />
quase em análise ativa <span style="color: #ffffff;">Luísa Dalgalarrondo</span><br />
cotidiana<br />
pervertidamente descontraída</p>
<p>esta obra<br />
te recebe à porta<br />
exposta, desnuda<br />
com a cara de quem acabou de acordar</p>
<p><strong>Ivan Montanari</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Mem(orais): poéticas de uma byxa-travesty preta de cortes</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/memorais-poeticas-de-uma-byxa-travesty-preta-de-cortes</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Aug 2015 13:40:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Travesty. Sou e me encanta. Me dói e me espanta, me carrega e
me levanta. Me mundo me murra. Me luz de minha escura. Me
atravessa travessa. Espessa. Sentada na sarjeta, murro que tenta
me deixar murrada e pensando em toda minha curta e grande
estrada, espero… a esperança. Cansa. Mas cansa. Cansada dessa
paz branca manchada de sangue. Me Te Nós. Mete em mim e
não vejo o fim da dor. Voei pro sol demais e minhas asas derreteram, eram apenas uma cis-ilusão. Cai. Sentada eu me sangro no
mangue e penso em Deus, que Deus? Trago um dos meus poucos
cigarros: será que em algum dia poderei te perdoar?

(Mas eu sei ser trovão
e se eu sei ser trovão
que nada desfez
eu vou ser trovão
que nada desfaz)]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro Luna Souto Ferreira</h2>
<p>Sobre o que me tira o sono… Sobre o que sonho… Sobre o que me acorda, quem eu olho, quem me olha… O que me faz, o que me muda, a quem me ama, ao que me toca, a quem estava, a quem me morde, quem me devora, me engole, eu entro… Então hoje de noite me jogo, querendo cair, <em>com<br />
frio<br />
na<br />
barriga. </em></p>
<p>Diretamente da quadrilha das travas, escrita na língua e saberes das byxas, Luna escreve sobre o frio, no país que é o mais gelado pras travestis no mundo. Com gilete na boca, obrigada pelas escritas, de tudo que nos roubaram, retomaremos.</p>
<p>O que me liga é muito mais<br />
Que a opressão que nós sentimos,<br />
Que ser vítima do inimigo,<br />
Gozamo junta e nóiz tramamo<br />
As alegrias e nossos planos<br />
Do fim do mundo e arrasamo<br />
Nossa rede e retomando,<br />
Nosso ritmo rimando.<br />
Rimos juntas no solhando,<br />
Com corote e dançando,<br />
Eu aprendi a estar sozinha,<br />
A ser inteira, não metade,<br />
Conectada eu faço parte,<br />
Dou valor às amizades. <span style="color: #ffffff;">Luna Souto Ferreira</span></p>
<p><strong>Marcela Trava</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Heloísa</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/heloisa</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 08 Aug 2015 18:21:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p class="p1">A que camiña atravesa extensas avenidas
a ambos lados érguense cruces con cabezas de león
sobre columnas de bronce,
deslumbra a voz dos ceos.
Ante min érguese a planura
pois non coñezo outro xeito de vencer que ser realmente devorada,
o volcán
o incendio.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p class="p1"><em>Heloísa</em>, entón, finxe ser tragada por referencias mitolóxicas, permite que os falsos augures e as alfaias certas do simbólico se acomoden baixo a súa lingua. E alí sitúa a voz. A esmeralda, logo. Con dificultade contén o riso polas cóxegas que lle fan, que aos poetas sempre lles produciron, os formularios da Tradición Unánime a cen pesos, igual que a primavera. Lentamente recorda e viste nomes bíblicos, actúa en escena emprestada co único fin de apuñalar ese deus cara de rato, tamén oculto en máscaras e cerimonia antiga. Sedúceo Heloísa; poema a poema quéimalles aos querubíns o traxe de aparecer. Desafía as ridículas cousas ergueitas do patriarcado cabalístico ou hiperbóreo, gaña o dereito a escoller o seu propio nome. Que non é, xa non, o nome do Pai. Que cando tira ao chan a carauta asasina do Heroe —o que baixara ao mesmo inferno para levar flores á súa Musa amordazada— María Xesús Pato nos avisa: venceuno coas súas armas, mais o verdadeiro Hades é ben outro. <span style="color: #ffffff;">Chus Pato</span></p>
<p class="p1"><strong>Xabier Cordal</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Brilha quando foge</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/brilha-quando-foge</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Aug 2015 17:17:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p class="p1">o menino
foi estudar pedras
porque queria saber
das coisas exatas
mal sabia ele
que dentro da pedra
mora o silêncio
que habita a reza</p>
(Geologia, pág. 20)]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Um poema não é a construção mais sólida do mundo, é só uma construção falível como todas as outras, mas brilha quando foge e encantados corremos entre estes poemas e mudamos de casa, de país, de roupa, de corpo, de idade, de nome, de exílio, e atravessamos o mar, a cidade, a floresta, a via láctea, e vamos, de Belo Horizonte ao Japão, sem cartografia definida, sem geologia definida, sem dinastia.</p>
<p>Há neste livro uma necessidade de viagem, de mudança, de procura, de descoberta, mesmo com Bogotá adiada até hoje, há atenção aos detalhes, a toalha de mesa, o pescoço do cisne, o peixe vivo nos lábios, há cuidado com o significado das palavras; coração é uma palavra que não se usa em vão e há cuidado com as consequências dos gestos porque se sabe que há sempre um dia seguinte.</p>
<p>Há uma ideia de construção, de resistência, quase de revolução; o mundo poderia ser um lugar melhor, um lugar silencioso que dispensasse as palavras, mas o mundo não é um lugar silencioso e esta poeta não recusa o seu ofício cantante e porque foi à guerra dá-nos lições da guerra, e não, não quer dar lições de guerra, dá-nos poemas e deixa de aviso que o poema nem sempre cumpre aquilo que promete; dá-nos os poemas em cinzas, porque a vida também é assim, nem sempre cumpre o que promete, porque a vida também brilha quando foge.</p>
<p>E protegida por persianas esta poeta vê como o mundo exige um esforço diário, paciência e urgência, a dose certa de esquecimento, de tentativas desvairadas, de melancolia e de ironia, a dose certa de perguntas, que coloca com contundência e ternura porque não abdica do presente, não abdica do futuro, não abdica do humano. E protegida por persianas esta poeta deixa-se ver a recolher os corpos, a suturar as feridas.</p>
<p>Uma poeta com uma escrita delicada, mas precisa, segura e vulnerável; sim, os poetas são inevitavelmente paradoxais, aos quais não se inibe de colocar andaimes, de usar picaretas, de acender a luz, de criar raízes, de ser mulher, de ser casa, de ser desassossego, de usar os limites da folha, de compreender os rinocerontes, de mostrar a sua devastação, a devastação do mundo, com um alfabeto próprio, ritmo e formas próprias, no garimpo do silêncio.</p>
<p>Depois dos poemas o silêncio.</p>
<p>Uma poeta brilha quando foge. <span style="color: #ffffff;">Júlia Zuza</span></p>
<p><strong>Raquel Serejo Martins</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Espirais</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/espirais</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Jul 2015 19:56:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Os que de mim zombaram, vê-los-ei mendigar
o pão,
os frutos selvagens,
a mandioca,
o feijão,
o copo d’água,
o doce mel,
a sombra fresca,
o poema que declinaram escutar.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>É provável que o simbolismo da espiral já tenha sido bastante interpretado: num movimento concêntrico, essa figura se expande, levando o ponto mais profundo de nossa consciência àquele mais elevado, o sublime ao mais mundano. A espiral representa, na sua essência, o mistério da vida. Vida que escorre por veredas sinuosas, se enraíza e ao mesmo tempo transborda e, nesse fluir incessante, faz com que os seres se encontrem em determinados pontos de suas caminhadas, se entrelacem, se afasteme retornem às origens.</p>
<p>É nesse fluxo que somos levados a adentrar o universo poético de Wladimir. No ritmo de seus poemas, balouçamos do mais transcendente ao mais secular na vida humana; nos abismamos na circularidade das curvas do sol, da terra, dos sonhos de homens e de mulheres e, ali adiante, nos confrontamos com a aspereza de retângulos de vidro fumê. A poesia de suas espirais, fundada no amor, no prazer sensorial, é que, no entanto, nos transmuta para o retorno à natureza essencial.</p>
<p>Assim são compostos seus poemas: com “a imprescindível astúcia” e o olhar arguto de quem escolhe cada palavra para semear; com “o necessário vigor” de quem recoltacada imagem brotada; seus versos pulsam e provocam no leitor o movimento do que verdadeiramente ressoa. Wladimir traz do arado das serras das Gerais a ressonância inconfundível de seu cantar, que se mescla aos ventos da beira-mar, ao sabor de uma “caipi” e que contrasta com a ganância dos poderosos, denunciada de forma ácida e corrosiva: “Habito num país em crise,/ onde a violência dita o ritmo do dia-a-dia./ Com a escalada da violência e a crise, o “dia-a-dia” perdeu o emprego.”</p>
<p>As espirais dos poemas de Wladimir nos remetem, porém, ao que talvez tenha sido a função primeva da poesia: um deliberado propósito social, evidente nas suas manifestações mais primitivas, com o intuito de afastar maldições, curar certas doenças ou conseguir as graças de algum ente sobrenatural. Aqui, “no correr das estações, sitiado”, o poeta cisma no seu exílio, planta e colhe seus alimentos e produz uma poesia que sobrevive às espirais do tempo, às mudanças dos problemas enfrentados pelo homem, como também, à extinção do interesse por aquilo com o que o poeta esteve apaixonadamente envolvido. Mesmo que isso viesse a lhe custar a própria vida: “Sei tão somente que a morte, senhora do jogo, vencerá. / Mas a aventura me seduz, / brincar com as palavras me entorpece, / ainda que esteja em jogo a minha cabeça.”</p>
<p><strong>Antonella Flávia Catinari</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Alguns mundos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/alguns-mundos</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Jul 2015 20:38:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[É preciso
desfiar os dias
como figos na boca
enquanto o sol aperta
disparam gatilhos
contra a pele negra
no mesmo instante
tudo arde]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Onde ancorar hoje uma poesia ‘segura’ que não esteja em crise, que não refaça sistematicamente seus pontos de apoio e sustentação? <em>Alguns mundos</em> – livro de poesia de Virgínia Mota, parece partir deste lugar, ao assumir-se como objeto experimental em atmosfera de interrogação e abertura a múltiplos sentidos.</p>
<p>Contribui para isso o efeito produzido por uma voz lírica de tom impessoal que, mesmo quando interiorizada, retira desse processo não tanto uma marca individual, mas antes um apelo ao comum, à comunidade: e eu/eu não veio/eu não chegou/para dizer/eu é coisa/precisamente/eu é / nós/ assim/alvorada fora.</p>
<p>Refazendo um dos gestos fundadores da poesia moderna, (eu é / nós), o poema retorna aqui como não-coincidência entre o eu que escreve e aquele reconfigurado pela escrita. Sob a presença tutelar de Adília Lopes, todavia, este gesto refaz-se como negação autotélica e reinvenção de itinerários: “tão importante é lembrar quanto esquecer”.</p>
<p>É possível pressentir, na convocação desta poeta, uma proximidade com o procedimento poético que lhe é mais caro: a desconstrução. Como em Adília, a poesia de Virgínia percorre referências da cultura para as fazer ressurgir modificadas numa operação de montagem-desmontagem que recusa posições fixas e canônicas: “Chá preto e/bolachas de água e sal/fazem lembrar Marcel Proust”.</p>
<p>Inclui-se nesta operação um olhar sobre o humano, renovado por poemas em que a presença da animalidade parece propor certa transmutação. “Agora/eu era/um hipopótamo/um rio de hipopótamos”; “queria eu olhos de lebre / ver de repente/aves de rapina/ fugir do lince / ir espreguiçar”. Deste desejo de recuperação de um corpo-vivo aberto a movimentos e percepções, resulta este olhar poético nômade e ambulante, de sentidos expandidos para fora.</p>
<p>O que é possível depreender da leitura do conjunto destes poemas? Que eles não formam um conjunto exatamente, nem têm a pretensão de constituir uma totalidade. Não há motivos poéticos. Poetar é operação de linguagem, contornar objetos ou inventá-los, deter-se no limite do excesso das palavras. Poesia é o que se abre à imaginação e recusa o imperativo do real concreto. É preciso saber ler, não esperar pela morte ou vida dos poetas, quem lê ou não lê poesia somos nós.</p>
<p><strong>Madalena Vaz Pinto</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Esmeril</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jul 2015 19:44:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Destruíste a imagem fossilizada de Deus
e fundaste um novo Olimpo de carnes raríssimas
e pesares abissais
(os gritos vagam pelo firmamento
enlaçando a terra de hinos cáusticos, libertos)
Chegaste desnorteando as horas e apontando
estradas incorpóreas – desmarcadas de afeto
cosidas por cascalhos afiados
e cruéis
Arrancaste das vísceras o mitigado vazio
soletrando-o de silêncio e escaras amotinadas –
murmúrio perfeito da avidez divina.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Para existir, capturar poesias. É isto o que sinto quando leio os poemas da Nayara, que experimenta a vida com um olhar estrangeiro e uma “faca na garganta”.</p>
<p>Nos nós dos seus versos, a cidade flui com seu concreto, seu asfalto, sua velocidade e sua solidão. Mas a frieza do presente não impede que o furor de um outro tempo atravesse a consciência e o olhar. Então, os versos são tragados pela memória de uma infância sem muros, de um tempo povoado por mais esperança e afetos. Assim, diante do caos da vida cotidiana, Nayara para o tempo e captura poesias no improvável.</p>
<p>Não pense que capturar poesia é um gesto harmônico ou neutro, pelo contrário, é um ato político e, portanto, grita, assola, desassossega. Um ato político convoca o corpo a posicionar-se diante do mundo.</p>
<p>Fazer versos como modo de sentir e compreender é uma tarefa de entrega e resistência. Entrega a este sentimento de despertencimento em relação ao próprio corpo, à própria terra e ao próprio tempo. Resistência à lógica capitalista que devasta e emudece, que endurece o mundo e os afetos, que despreza o que é belo, vário e outro.</p>
<p>E Nayara não teme, nesta tarefa, o desmoronamento da palavra. Esta mulher, em construção diante da melancolia, do derretimento dos laços, da terra devastada, do desprezo ao diferente, mobiliza palavras em um movimento que a enlaça no espelho do outro e, ao mesmo tempo, a singulariza.</p>
<p>Enfim, é preciso estar junto, ser comum, para descobrir-se único, eis a tarefa desta poesia:<span style="color: #ffffff;"> Nayara C. P. Valle</span></p>
<p>“Quando saímos<br />
de dentro da gente<br />
é que nascemos<br />
Tocar dentro do outro<br />
feito ponte iluminada<br />
irmana nossos abismos”</p>
<p><strong>Juliana Teixeira</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Ruínas gerais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Jul 2015 13:54:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Por ti me fiz o teu escravo e agora me faço capataz
Oh! Minha terra desprometida
Por ti sou combalido assim, o teu ébrio mais virulento
Minha mãe dona de todos os nossos acasos decadentes
Minha América geral.
Minhas ruínas gerais.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Os brasis que desconheço, dos arrabaldes do caos que nunca vivi, são uma parede de espelhos descascados em seus minerais das águas do Atlântico Norte com as terras dos Trópicos Sul. Os brasis incipientes e invisíveis, ecoaram sonhos em delírio há séculos de distância, e assim brotaram suas memórias rubras e sólidas, de oceanos, de naus embriagadas, caravelas liquidas, sambaquis, cocares e ervas do sol.</p>
<p>As almas arrastadas à força dispõem-se confusas e vagas por todas as ruas do continente. Fomos petrificados ao curso de todo o tempo, àquele que nos confiscaram nas rédeas mais duras do escárnio imperial. Dentre colonos, vassalos e colonizados, somos salmoura corrosiva, somos leito rochoso bruto dentre estes brasis cristalinos que, nas expedições, foi suspendido na metade do caminho, obrigados a resistir famintos por saber até onde vamos e do vendaval de onde viemos.</p>
<p>Qual destas terras ainda resguarda em si um curso de tempo milenar? Corpos de espírito que não conseguiram sustentar a peleja do ar banhado a ferro do saque de continentes viris. <em>Criollos</em>, pardos, negros e mestiços, plantados no seio da terra e compreendidos ali como bastardos da luz do mundo. Errantes persistimos, à altura da busca incessante, cansada e exausta pelas raízes desta história que não surge, que de tanto ser dramática, cansou de corromper as suas artérias embrutecidas. As américas virgens ainda padecem arruinadas, posto que assim são obrigadas à resignação do silêncio, quando seus filhos presumem a face de serem eternamente gerais. <span style="color: #ffffff;">Mateus Carvalho</span></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Exceto na região da noite</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Jul 2015 20:55:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A gente continua a falar do amor
ainda que eles todos passem por baixo
das pontes, desabados, por baixo dos
olhos, secos de lágrimas; eles passam sob
esse barco, mas são uma única água, como
um sangue que se renova, vivo, entre as veias
e as artérias adentro, e por dentro do ventre, casa,
que o expele mês a mês como para se livrar dele,
podre, feito o amor que passa por debaixo dos corpos,
doido, dos corpos feitos para o abate, como a morte
passa rente à pele, todos os dias, e ao largo
dela, mas a gente não sabe, ou desvia
os olhos, e continua a falar do amor.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Uma mulher a bordar cicatrizes, sentada na calmaria do olho de um furacão, como quem amortece a dor lançando-a às flamas têxteis.</p>
<p>Uma mulher a elaborar receitas, como quem entende que o segredo dos manuais está na minúcia de sua propensa inutilidade.</p>
<p>Uma mulher a listar o imponderável da vida, recolhendo item por item de sua própria experiência.</p>
<p>Uma mulher que absolutamente não sabia o que fazer, deitada sob a insônia das noites brancas – essa passagem.</p>
<p>Essa mulher escreve. E sempre a falar do amor: em um espanto derramado, na constatação da desigualdade de duração entre os dias e as noites, como a única forma possível de se ater ao chão.</p>
<p>Na formalidade da angústia que acompanha a insônia, uma estrutura paisagem se configura, a ser cuidadosamente revelada, feita em delicadeza por excesso de ardor, em quatro pequenas tramas sustentando o corpo <em>Exceto na região da noite</em>.</p>
<p>Livro para ser lido com os pés descalços e com barulho de folhas secas sendo colhidas, porque não é possível outra leitura. Tudo é árido, ainda que água, sobretudo água. Ainda que o fim seja sol, o sol fim da madrugada.</p>
<p>Canto: a mortalha do amor é de quem fica. E a gente continua a falar do amor. M<span style="color: #ffffff;">araíza Labanca</span></p>
<p><strong>Camila Morais</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Peito do pé sobre peito</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/peito-do-pe-sobre-peito</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Jul 2015 14:53:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Sensações observadas por mim e por mais diversos olhos
que usam da minha cabeça pra pensar
dos meus lábios pra sentir o gosto da rejeição
da minha língua e eu queria observar a sua, mas está longe
nossas línguas e bocas e lábios e gargantas
às vezes se encontram, às vezes se esquecem
e se lembram e se encostam e se sentem
o cheiro macio de nossos beijos
distrações suaves nos prazeres
a gente vai se sentir até não ter mais mão
e nada mais caber entre nós com uma certa folga
tudo se dissolverá em finais
e nos atravessaremos em futuras aventuras
ou nos reservaremos para sempre aquele ano no passado]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Nestes poemas reunidos, Helena Borges convoca elementos e situações autobiográficas para pensar um expandido, um todo ― como uma “mulher revoltada” que se chama e se entende povo. Identificamos, nos temas, questões sobre sua relação com a cidade e com espaços de intimidade ― como os cômodos de sua casa: quarto, banheiro, cozinha; suas relações afetivas; sua sexualidade; e sua conexão fêmea com a natureza.</p>
<p>Dos espaços que seus versos entoam, percebemos que seu ônibus não só atravessa uma cidade, como também percorre Engenho Novo, ladeiras de Minas Gerais, Praça do Papa, Vila Isabel e Posto 9. Em seu caminhar por Rio de Janeiro e Belo Horizonte, Helena resgata memórias da cidade de infância ― revisita e ressignifica afetivamente seus quintais ― ao mesmo tempo em que deseja apagá-las, num processo de desapego de si. Na cidade nova, ela também constrói lembranças e esquecimentos.</p>
<p>A cicatriz existe para que não se esqueça, ela é dispositivo da memória. Pelas cicatrizes, Helena discute a solidão e o amor. Os vestígios de sentimentos e os restos de memória acumulam-se, tornam-se densos, assim como às vezes também se torna sua escrita. Por fim, em suas ininterrupções e acúmulos, Helena desloca quem a lê para uma zona temporal e espacial outra.</p>
<p><strong>Joyce Delfim</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Mulher-bomba</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/mulher-bomba</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jul 2015 17:19:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Minha fantasia de carnaval
agarrar você no meio do bloco
molhada de água
suja do caminhão pipa
molhada de cerveja
do copo da mulher
casada com filhos relacionamento instável
agarrada à ideia de delito
presa do desejo
da fome, da caça.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Flávia Péret tem aftas cronicamente. Elas aparecem sempre que Flávia bebe qualquer bebida alcoólica, especialmente vinho, que ela adora. Então às vezes nos sentamos em algum lugar, ela pede um suco e conversa a noite toda, convencida de que está fazendo a coisa certa. Em outras, pede só uma taça, ciente de que no dia seguinte sofrerá as consequências, mas convencida de que é só humana mesmo e que quer muito aquele vinho. Ela sabe bem onde ficam as pequenas dores e o quanto elas podem incomodar. A maior parte do tempo as pequenas dores é que são reais (e assim os pequenos desejos, as pequenas frustrações, os pequenos deleites, as pequenas revoluções). Estão na boca, no paladar, em todos os dias, em pequenas feridas corriqueiras que se abrem, permanecem ali durante um tempo curto e se fecham.</p>
<p>Conheço Flávia já há vários anos e pude vê-la se apaixonar pela poesia e talvez também recusar a forma como ela é dada frequentemente às mulheres — algo feito também por várias poetas desta geração que admiro profundamente. Em sua escrita, Flávia propõe um outro jogo, que busca o simples, fala claro, diz o que quer. Antes, uma escrita que quer, deseja.</p>
<p>Não se trata de uma poética de metáforas, de jogos de esconder. São jogos de mostrar, mostrar mais, apontar com convicção onde é que vive a poesia nestes tempos difíceis. Nas tarefas domésticas, na avenida Antônio Carlos, na fantasia de carnaval. No sono e no hálito matinal, nas formas de assar bolo. Jogos de mostrar são explosivos, não fazem ameaças, não dão avisos. Resultam em uma poesia que alcança e pega, com as duas mãos, algo que está “aqui / na carne no atrito na voz (…) aqui mesmo / no tédio dos nossos hábitos”.</p>
<p>Na palavra, operada com firmeza e inteligência, operada como jogo em seu próprio sistema — a linguagem —, está, não resta dúvida, um exercício de vida inteira, o de nascer e tornar-se. Mulher-bomba. A mulher-bomba mora na palavra e por causa dela a escrita se torna esse exercício extremo. Sempre violento, mas também tedioso e rarefeito: “nenhuma palavra/ usada (ou esquecida)/ à exaustão”. Mulher-bomba explode com violência algumas vezes. Em outras, a explosão é um líquido lento, diário, silencioso, guardado dentro de um abrigo nuclear. Ou pequenas feridas que ardem só um pouquinho, na hora do almoço, em um beijo, na pronúncia de uma palavra mais ácida.</p>
<p>De alguns poucos meses pra cá, sem espanto nenhum, Flávia Péret parou de reclamar das aftas.</p>
<p><strong>Eliza Caetano</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
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		<title>Exercícios de ser e não ser</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/exercicios-de-ser-e-nao-ser</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jul 2015 14:01:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[No interior de tudo um grito.
Abaixo do grito um soluço.
Ser outro, ser bruto, ser urso
e esquecer-se de que se é confuso,
escuro, obtuso. Ser luz e, ao
suspeitar que na ferida haja pus,
volatizar-se em perfume alcaçuz.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>O mito de Narciso pode ser entendido como uma condenação moral à vaidade, bem como o pasmo da descoberta do eu, do corpo — nosso (des)limite, uma equação móvel cujas variáveis abrangeriam o funcionamento fisiológico, o aparelho psíquico, atravessados pelo entorno, estímulos incisivos, ubíquos.</p>
<p>Essa equação flutuante funcionaria como um “preâmbulo epigráfico” de <em>Exercícios de ser e não ser</em>, de Diogo Rufatto. O livro sonda três temas que não raro se imiscuem: a identidade, o verso, o erótico. Diz-se sondagem devido ao modo como a voz ali o faz: via relato poético, procedimento que parece colher algo do “narrar inquirindo” de Montaigne, do sensacionismo de Pessoa. A voz poética divaga ensaisticamente quão esquizo se pode ser: “Nos incômodos do existir / encontram-se os não seres”. Talvez por uma herança simbolista, Rufatto usa da musicalidade (em rimas, aliterações) que ora sugerem fluidez entre os “seres do ser”, ora, ruptura na passagem, <em>via</em> fonemas do /s/ e /t/.</p>
<p>Tal dicotomia viria como um pêndulo examinador em que numa ponta há a psicanálise acessando a latência do eu, noutra, a antropologia pensando as práticas da comunidade: o “eu é um outro” rimbaudiano toca numa “antropologia especulativa” (Saer) dessa legião de si assombrando o eu. Para tal, o erótico vem como negaceio no processo (Bataille), tangenciando o interdito, a violência, esses limites intricados que colocam o sujeito na civilização, mas que, brutos ainda, tangenciam a barbárie do instinto. E no espelho, esse grande outro, “imagem — tu que sou eu”, o leitor vislumbrará a ambivalência da tosquidão de um “ser urso” e a sofisticação do eu erótico dissimulando desejos para “Tudo atravessar / o fogo, o verso, o instante”.</p>
<p><strong>Paulo Caetano</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Pele de jabuticaba</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/pele-de-jabuticaba</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Jul 2015 14:56:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em maio de 1733, em Vila Rica,
houve a procissão do Triunfo Eucarístico:
o Santíssimo Sacramento foi conduzido
da Igreja do Rosário dos Pretos
para a Matriz de Nossa Senhora do Pilar.

Em maio de 1833, na fazenda Bela Cruz,
na Freguesia de Carrancas, houve o motim
liderado pelos escravos Ventura Mina, Domingos Crioulo
e João Congo, que assassinaram nove moradores.
O massacre abalou a região, o Sudeste, a Regência.

Mas as meninas continuaram a se vestir de anjos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>“Esta doçura / tem casca preta”, nos alerta Caio Junqueira Maciel num dos poemas deste seu <em>pele de jabuticaba</em>, nono livro publicado pelo autor. A metáfora, síntese da desconstrução poética que o escritor faz do mito brasileiro da democracia racial – que, para escamotear a tensão social e o preconceito, atribuiu ao negro uma suposta candura –, soa como ácida ironia diante do tema que organiza o núcleo dos poemas do livro: a revolta de um grupo de escravos contra seus senhores, ocorrida em 1833 numa fazenda do sul de Minas Gerais, terra natal do poeta.</p>
<p>O fato histórico é ponto de partida para refletir sobre nosso passado comum: “Escutem o galope daqueles cavalos / (e o golpe nas portas daqueles machados) / […] // Relinchos noturnos, obscuros remorsos, / memória estragada, lembranças que mordem”. É também um fluxo interno que, ativando a sensibilidade do poeta, coloca em movimento a engrenagem íntima de seu fazer: “Vem da bica este fluxo da memória, / o curso d’água, simplesmente rego, / que carrego comigo há tantas décadas. // […] tudo é penumbra, / banzos e martírios sem aleluias, / criaturas sem zelo na senzala.”</p>
<p>Como num antigo moinho de pedras, as rodas da memória histórica e da memória individual giram em direções contrárias, e o atrito produz a matéria poética que o autor nos oferece: “O que for resíduo / entra nesta escrita, / engenho, oficina. // Ele é minha tropa / puxando a carroça / do que é memória.” A ferramenta que o escritor maneja com habilidade, no entanto, é a linguagem, e seu artefato, uma poesia potente como o tropel que atravessa a “Cavalgada do insone”, poema de abertura do livro: “entranhas varadas por trôpegas tropas / fazendo das tripas uns trapos que fedem.”</p>
<p>O poeta é um caçador que, com a cadela “chamada ‘Lembrança’”, rastreia o tempo “que foge / que foge.” Não encontrando a presa, seu olhar crítico mira a caça de animais selvagens, prática cruel através da qual o passado também perdura no presente: “A caça é esporte… perguntem à veada” / […] / “perguntem se ela, tremendo de medo, / também se diverte com tanto galope.”</p>
<p>A partir da geografia rural do Sul de Minas, Caio Junqueira Maciel desenha uma cartografia subjetiva, feita de nomes de lugares misteriosos – Bela Cruz, Traituba, Favacho –, e, com sua imaginação poética, nos faz refletir sobre as lacunas, omissões e mentiras que compõem nossa (des)memória coletiva, povoada por fantasmas de cadáveres insepultos que perturbam o sono de todos nós.</p>
<p><strong>Maurício Meirelles</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Terceira Pessoa</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/terceira-pessoa</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Jul 2015 17:11:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Aﬂita, tentando encaixar
tanto lado virado
Amassada, tentando entrar
em formas recortadas
Encardida, tentando cavar
o barro que molda outros lados
E o máximo que alcanço
dos lados dos outros
sou eu.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>A culpa deste livro existir é do meu ascendente em virgem. Nada seria como é se eu não tivesse nascido naquela hora e em coordenada geográfica tão específica. Mais duas voltas no relógio e alguns quilômetros para o lado, e eu poderia estar estancando o sangue de uma artéria, mergulhando no Caribe ou cultivando hortênsias. Se considerasse apenas o signo solar, teria arrancado as páginas deste livro e as teria espalhado pelas ruas – desculpa artística para fazer escândalo. Mas o ascendente, de maneira sutil, organiza até a angústia dos buracos na parede. Define a felicidade com amoras. Cria diálogos em semáforos para a memória não passar em branco. A razão de ser deste livro é achar categorias sem derrubar estantes ou pichar os muros. Nada além disso. Como explicar um peixe cru fatiado refletido em olhos apaixonados? Qual o gosto de um punho fechado suspenso sob olhos encharcados? Qual barulho atordoa tanto para que uma cabeça descanse batendo em um poste? De ariana, me sobra o nariz arrebitado. Minha terceira pessoa tem a lua em câncer.</p>
<p><strong>Bianca Pataro</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Deus está dirigindo bêbado e nós estamos presos no porta-malas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/deus-esta-dirigindo-bebado-e-nos-estamos-presos-no-porta-malas</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/deus-esta-dirigindo-bebado-e-nos-estamos-presos-no-porta-malas#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 18 Jul 2015 17:57:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Quer dizer que todo este chiqueiro nojento,
esta festa fantástica que é o planeta todo,
a esmola negada no trânsito,
a puta degolada, a cadeira do dragão,
a ameaça do fuzil, o palhaço inchado
que escolheram para ministro, o voto na urna,
a mentira total — o fato

o fato, meu Deus, de haver mãos pregadas
sangrando na cruz —,
quer dizer que nada disso é real,
é tudo sonho, alucinação,
uma coisa imposta por tanto poder
que a gente fica tonto?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Andityas Soares de Moura, um atípico goliardo hodierno, debate-se entre a medievalidade e a modernidade, recolhendo os cacos de filosofia, pintura ou música entre as pedras do caminho barroco desbarrancado. Este feixe de versos não costura: descose o discurso arquivado na estante estática. Quando estamos diante do molde tradicional, como o dos trovadores, glosadores e sonetistas, temos parâmetros cômodos de aquilatação da pedra lapidada, mas quando a pepita é bruta ou esfarelada, só nos resta peneirar conceitos, coisa que a multifacetada poesia de Andityas nos incita a fazer. Aqui há muita informação pulverizada, mas a leitura recupera um pó de estrada levantado pelo vento da inventividade: <em>pot-pourri</em> de alaúde e bandolim. […] As cantigas de Andityas são galáctico-amaneiradas, digo, amineiradas.</p>
<p><strong>Glauco Mattoso</strong></p>
<p>Esse traço gnóstico, ou do qual o gnosticismo é metáfora, o inconformismo, é evidente na poesia de Andityas Soares de Moura. Expressa-se, nesta e em obras anteriores, como crítico contundente da sociedade em que vivemos, do mundo regido pela lógica da mercadoria. […] O poeta, equivalente a Prometeu, captura, não o fogo, porém o tempo verdadeiro, subtraindo-o ao domínio de deuses despóticos e de seus representantes na imanência. Gnoses poéticas: mas a libertação não é – como o foi entre místicos medievais e da Antiguidade tardia – através do ascetismo, da negação do mundo, porém da realização do desejo. Reproduzindo heréticos radicais e místicos da transgressão, a superação do tempo cronológico pelo encontro amoroso corresponde à união absoluta, às núpcias alquímicas às quais se refere o título deste livro: à superação da contradição entre sujeito e objeto, sonho e realidade, o desejo e sua realização. Poesia gnóstica? Não: poesia total.</p>
<p><strong>Cláudio Willer</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Last river together</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/last-river-together</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jul 2015 19:43:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[tradução:
Pedro Spigolon

edição bilíngue
<p class="p1">Vocês, todos vocês, toda
essa carne que na rua
se amontoa, são
para mim alimento,
todos esses olhos
cobertos de ramelas, como quem jamais termina
de despertar, como se
olhassem sem ver ou apenas por sede
da absurda sanção de outro olhar,
todos vocês,
são para mim alimento, e o espanto
profundo de ter como único espelho
esses olhos de vidro, essa névoa
em que se cruzam os mortos, esse
é o preço que pago por meus alimentos.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Aqui, leitor, você encontra um dos maiores escritores que já passou pelo nosso mundo, aliás, nas próximas páginas há um poeta para além das amarras do tempo: Leopoldo María Panero (Madri, 16 de junho de 1948 – Ilhas Canárias, 05 de março de 2014).</p>
<p>Panero faz parte de uma tradição literária que encontra poesia no feio, no grotesco, no escândalo e que pensa o poema numa escuridão que ilumina, num inferno paradisíaco no qual surgem eletrochoques anarquistas, pederastas santos, bêbados lúcidos, vagabundos essências e o louco e o louco e o louco outra vez e uma vez mais, mostrando que no cárcere está a semente da liberdade e na falta de juízo, a sabedoria final. Opondo-se a todos os valores sociais vigentes, ele encontra numa poética da crueldade a sua própria cura.</p>
<p>Aos 21 anos foi internado pela primeira vez num manicômio pela sua mãe devido a sintomas de esquizofrenia que se desenvolveram durante o período em que esteve preso por razão de sua militância anti-franquista.  No fim dos anos 80, ele se internou noutro manicômio, Mondragón, e quase 10 anos depois ingressou no hospital psiquiátrico de Las Palmas de Gran Canaria, onde viveu até o dia de sua morte.</p>
<p>Por meio de sua escrita, conta-nos sobre sua vida de prisões, dores familiares, ressentimentos, tristezas. No entanto, não deixa fincar os pés no chão da lucidez, pois a loucura não passa de um sintoma social. Ao atacar a tudo e a todos, ao buscar inclusive sua própria destruição, declara seu profundo desprezo pelo mundo. A missão do poeta segue sendo a de proporcionar consciência crítica ante o suposto bem-estar da sociedade.</p>
<p>Querido leitor, Leopoldo mostrará que a verdade não é o mijo na calça, nem o olhar mirando o nada, tampouco nossos delírios de infância amaldiçoados por cachorros loucos e que o real habita uma criança morta, está nos reflexos dos retratos daqueles que esquecemos e impresso nos mapas dos continentes desaparecidos.</p>
<p>É mais do que necessário celebrar essa publicação, esse poeta, afinal, um dia Leopoldo esteve entre nós com o seu cigarro aceso e seu fumar de estrelas e mesmo que seu corpo já esteja putrefeito em simbiose com outras criaturas escuras, sua lucidez seguirá sendo uma serpente com asas a voar pelos séculos.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Poeta en Nueva York</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/poeta-en-nueva-york</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Jul 2015 18:25:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p class="p1">En Viena hay diez muchachas, <span style="color: #ffffff;">Federico García Lorca</span>
un hombro donde solloza la muerte
y un bosque de palomas disecadas.
Hay un fragmento de la mañana
en el museo de la escarcha.
Hay un salón con mil ventanas.
¡Ay, ay, ay, ay!
Toma este vals con la boca cerrada.</p>
<p class="p1">Este vals, este vals, este vals,
de sí, de muerte y de coñac,
que moja su cola en el mar.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p class="p1">La aurora de Nueva York tiene<br />
cuatro columnas de cieno<br />
y un huracán de negras palomas<br />
que chapotean las aguas podridas.<br />
La aurora de Nueva York gime<br />
por las inmensas escaleras<br />
buscando entre las aristas<br />
nardos de angustia dibujada.<br />
La aurora llega y nadie la recibe en su boca<br />
porque allí no hay mañana ni esperanza posible.<br />
A veces las monedas en enjambres furiosos<br />
taladran y devoran abandonados niños.<br />
Los primeros que salen comprenden con sus huesos<br />
que no habrá paraíso ni amores deshojados;<br />
saben que van al cieno de números y leyes,<br />
a los juegos sin arte, a sudores sin fruto.<br />
La luz es sepultada por cadenas y ruidos<br />
en impúdico reto de ciencia sin raíces.<br />
Por los barrios hay gentes que vacilan insomnes<br />
como recién salidas de un naufragio de sangre.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Quem dera o sangue fosse só o da menstruação</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/quem-dera-o-sangue-fosse-so-o-da-menstruacao</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Jul 2015 17:32:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Antologia poética feita por 63 mulheres do Brasil, Portugal, Argentina e Galiza.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Mas o que é poder ser mulher? Ora é mãe solteira ora tem pinto ora é pobre ora se acha ora é gorda ora é negra ora não sabe dirigir ora não pode abortar ora não pode amamentar ora é louca ora é mimimi ora é loira burra ora é aproveitadora ora apanha ora é ciumenta… ora ora…</p>
<p>Poder ser mulher é driblar tudo que é ser homem e engolir lágrimas de cansaço ódio medo repúdio luta vitórias.</p>
<p>E a definição de quem pode ser mulher? Não basta dizer “sou mulher” – o outro precisa te reconhecer como. E não o faz. Ou é coitada ou é biXa ou é quenga. Mulher “que se dê valor”? Ah. Essa está em extinção. Recatar é lei. Submissão é garantia de casar. E se casou, ser mulher pra quê?</p>
<p>Ser mulher é tema batido. Ainda bem. De tanto recorrermos aos mesmos temas passamos a ver inúmeras mulheres juntas se reconhecendo e obrigando outras a reconhecerem espaço voz lugar de fala corpo escolhas. É aí que poder ser mulher ganha força.</p>
<p>Temos, nessa antologia de belas poetas, mulheres. Mulheres que podem ser indígenas estrangeiras lésbicas briguentas parceiras. E que estão envoltas de poesia… de desabafo de amor de querências de queixas de quem somos e seremos. Panfletárias.</p>
<p>Ser mulher é poder. E podemos. Podemos todos os dias. Podemos poder ser.</p>
<p>Vamos juntas?</p>
<p><strong>Debora Ribeiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Recomece, agora sem cigarro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Jul 2015 20:15:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[exercite:
revide com reviravoltas consiga
explicar na própria fala os limites
do esquecimento que nela trabalham
avance protegida pelo esconde-esconde
retire o cigarro da boca
é assim <em>que</em> <em>sinto mas sem o fogo</em>
desinvente: uma coreografa lenta:
um destino subordinado
diga pras suas pernas que aceitem graciosas
os passos repetidos
(e não tropecem)]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2>Sobre este livro</h2>
<p>Este é um livro de coragem. Aqui você encontrará um corpo exposto, como se virado do avesso. Christine Gryschek se aprofunda na carne, revira a mente, estuda o coração e, no fim da jornada, nos apresenta: aqui está o avesso. Ainda assim, este não é um livro de destruição, mas todo o contrário. A poeta atravessa as sombras e a loucura para criar a si mesma, num parto doloroso, mas cheio de possibilidades.</p>
<p>Os poemas que aqui conversam conosco trazem saltos, corvos, esfinges, oráculos silenciados e deuses em ruínas. Em certo ponto, o eu-lírico nos diz: — <em>na minha mente há uma mulher intuitiva — / — na minha mente há uma mulher que insiste</em>. Estamos na presença de uma poeta ciente de que o bom trabalho na poesia, como na vida, depende da insistência. Em seu livro de estreia, Christine já sabe que escrever é escavar com vagarosidade e atenção. Os poemas moram escondidos em lugares escuros. É preciso buscá-los — sem causar sustos nem fugas — dentro das cavernas, no céu da boca, no oco da caixa torácica, nas águas do mar, no chão do inferno.</p>
<p>A partir de uma autopoiese inclemente, Christine propõe recomeçar sem a fumaça turva do cigarro, com a visão clara e o pulmão aberto. Não se volta atrás, ela nos diz, mas se recomeça. Não há volta porque não há para onde voltar. É preciso escrever os lugares com os pés, assim aprendemos nesta obra. Trata-se aqui de se posicionar na curva do pensamento, bem ali onde se tem o melhor ângulo para olhar, ao mesmo tempo, para dentro e para fora. Os resultados dessa exploração podem ser violentos, mas também libertam.</p>
<p>Entre versos às vezes narrativos e às vezes entrecortados, percebemos a beleza da vida banal que exige compras na padaria e também encontramos razão no olhar quase surrealista capaz de enxergar os ossos do furacão. Este é um livro de imagens, e não apenas por conter ilustrações. <em>O fim de todas as imagens pode acontecer</em>, Christine nos alerta enquanto constrói experiências com essas mesmas imagens. Uma mulher nua desce as escadas, um pássaro pousa sobre o cérebro, alguém alastra o fogo pelo mundo.</p>
<p>De cima de suas contradições, a poeta grita que viaja na direção de seus medos e confessa baixinho que desconfia do corpo quando goza: há medo e fascínio nos poemas de <em>Recomece, agora sem cigarro</em>, porque há medo e fascínio no corpo e no gozo. Mas você pode seguir sem desconfiança na leitura, lembre-se apenas de levar a coragem. Como dizem os versos de Christine, a partir deste ponto,<em> todos os caminhos são noturnos e / são teus</em>.</p>
<p><strong>Julia Dantas</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Erotiscências e embustes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Jul 2015 19:28:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Lugar de mulher sempre na cozinha.
Homem não chora nem foge da luta.
Rapaz vaidoso é sempre bichinha,
moça de saia curta é sempre puta.

Briga de marido e mulher: normal,
espancador sempre tem seus motivos,
alguma coisa a mulher mereceu,
melhor não denunciar os abusivos.

E ri-se a orquestra irônica, estridente.
São mulheres desgraçadas, com filhos
e algemas no braços, qual serpentes.

Míseros, combatem na solidão,
escravos também os homens, espelhos.
O machismo é uma escravidão.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Jozias Benedicto chega pisando firme no terreno da poesia como um astuto veterano de guerra, cabelos grisalhos e pele calejada por tumultos psicológicos e recorrentes batalhas interiores, sem vencedores ou vencidos. Com seu fuzil azul imaginário, exorta versos na direção de almas que se desassossegam facilmente no redemoinho das paisagens urbanas – de imagens noturnas, algumas delas deliberadamente nubladas; outras, esquartejadas no centro da página.</p>
<p><em>Erotiscências &amp; embustes</em>, o livro de estreia na poesia de Jozias Benedicto, é a inevitável dilatação sonora de seu extenso e premiado inventário de contos. Os poemas aqui reunidos são quase contos quase prontos, quase coitos. Meio confessionais, meio fotográficos, feito bichos-grilos cantantes e cortantes.</p>
<p>A poesia de Jozias Benedicto não é uma receita de erotismo urbano, da posologia de prateleira do sex-shop. É o corte não-linear na própria carne do autor. É o corpo em movimento, inquieto, agressivo, trágico, lascivo. <em>Erotiscências &amp; embustes</em> é também o impulso político antipanfletário que dialoga com diferentes armadilhas da literatura, inclusive com a poesia.</p>
<p>O corpo, para o poeta, é quase um cão sem dono, um pedinte no meio da alegoria das ruas, porque, como consta na alquimia do verso, “meia vida nunca”. A poesia de Jozias Benedicto não tem pudor, mas pendor por aquilo que é intenso: às vezes doloroso, de uma ressaca bruta e amargurada; noutras vezes é puro desleixo, sem complexo de culpa, desaforado, como na caricatura de um Gonçalves Dias nu pelo desvão da cozinha.</p>
<p>Jozias Benedicto é filho desses purgatórios solares da beleza e do caos. Sem cerimônia, desembarca neste livro com seus poemas de armadura e purpurina. Como um trovador andrógino, consegue espremer o suor que escorre da alma que há no sexo. Qual Lou Reed em <em>Walk on the Wild Side</em>, prefere pisar o lado selvagem da calçada. A poesia agradece.</p>
<p><strong>Félix Alberto Lima</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Silêncio a lapsos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/silencio-a-lapsos</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jul 2015 20:45:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Passeamos a pé pelo entreposto,
os penduricalhos de mercadorias fascinam
meus condutores, já exaustos
dos doces enjoativos em potes de vidro

Um casal de bons senhores me escuta,
um é fugitivo por furtos no sul,
outro quase não fala dos que matou,
mas pedem histórias sobre o rei

Descrevo deuses tiranos que me marcaram,
dores de chibatadas com sal,
confesso todo mal de cores encontradas
nos sismos detrás do que sou]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Lapsos são as pequenas contemplações que restam hoje. Entre os fluxos de bits incontornáveis, a busca pelo encanto da natureza. Uma mudança brusca para olhares distraídos na fluidez.</p>
<p>Por esta jornada tortuosa, visitantes encontram seus demônios, passando por reflexões íntimas sobre as escolhas diárias, até encontrarem no renascimento a compaixão pelo outro.</p>
<p><em>Silêncio a lapsos</em> flerta com uma escrita dantesca. Versa sobre paradoxos de mundos febris, ora arcaicos, ora contemporâneos, mas eternos. Desperta intervalos ocultos na alma de quem lê.</p>
<p>Se dividir em dois, pode ser assim também:</p>
<p>Lapsos são as pequenas contemplações que restam hoje. Entre os fluxos de bits fluidos, a busca pelo encanto da natureza. Uma mudança brusca para olhares distraídos.</p>
<p><strong>Árion Lucas</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>A verdade é que eu fiquei tão tonta que pensei que fosse cair</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-verdade-e-que-eu-fiquei-tao-tonta-que-pensei-que-fosse-cair</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Jul 2015 13:37:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[abraçar o mundo
pequenino todo que mora em mim
é tão pouco que chega a dar desespero
no desespero as letras escorrem azuis
como no sonho em que me foi cantada
a melodia do vento nas janelas fechadas

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Até onde o corpo pode ir quando abriga uma mente enclausurada?</p>
<p>Os poemas de “A verdade é que eu fiquei tão tonta que pensei que fosse cair” apontam relações do corpo com objetos: a corda, o poste, o comprimido. Meios de morte transmutados em meios de vida, o suicídio dá lugar ao fetiche, a autoflagelação à dança, a química às palavras.</p>
<p>A condição depressiva é transformada em um espelho: resistência do corpo <em>versus</em> colapso da mente. O que fazer com o invólucro físico quando a autoaniquilação não é uma opção? Como gritar quando a noite infinita não propaga som? Viver a morte dos dias, nascê-los de novo, sublimar solidão com fantasia, pôr-se acompanhada de fantasmas e demônios, semideuses tecnológicos, cavaleiros apocalípticos do consumo.</p>
<p>Deixar-se esvair em espiral, suavemente, às vezes sem jeito, mole como que agonizante, desengonçada, orgasmática… Completamente sem esperança. Um corpo que ninguém vê em meio ao sucesso dos outros, ao interesse dos outros, às intenções dos outros, a tantos outros corpos tão mais completos e gritantes. Um corpo cujo único poder é se manter nas alturas, suspenso, girando. Pendendo. A solidão lá no alto é mais tenra, o ambiente propício a transmutar o movimento feio na palavra bonita. A solidão da mão que busca o sexo, da mão que busca a tecla, da mão que busca o poste. A vitória da mão, único ser vivo no corpo, a mão que apreende o rosto como quem toca os contornos de um boneco de cera, de uma máscara.</p>
<p>Por fim, uma mente que abriga um corpo e não o contrário.</p>
<p><strong>Priscilla Matsumoto</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Mulher correndo entre ciprestes</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/mulher-correndo-entre-ciprestes</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Jul 2015 17:09:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Agora dizemos não cabem mais
discursos nesse sótão nesse planalto
não cabe mais só a palavra diante
de um revólver e nenhuma letra
diante do extremismo apenas cabe
a inutilidade do nosso cansaço.

Na falta de cigarros os bilhetes
de avião de loteria de trânsito
sobre cidades
te dou a contemplação lavada
das chuvas de março sobre meu rosto.
<h2></h2>
&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Este livro poderia ser, em sua maior parte, uma reescrita ou uma reencenação de diversos filmes que compõem a história do cinema. Como seriam essas histórias contadas do ponto de vista de uma mulher? Mais ainda: do ponto de vista de uma mulher sob risco? Os poemas deste livro, porém, não são uma representação dos filmes que são aludidos nos títulos. Ao ultrapassar os títulos, vemos que há um acontecimento outro. Os filmes são fios que a poeta puxa como ponto de partida, assumindo todos os perigos para fazer emergir uma cena que nunca teve lugar. Uma pele muito fina e delicada cobre uma camada para dar lugar a outra, às vezes remanescendo um frame do enredo inicial, um pequeno detalhe, uma palavra, de onde se desdobra um cenário novo. Como um palimpsesto, no risco é que se dá lugar a outro. Cada poema/película é a História contada e escrita de outro modo, em outro suporte: a pele de uma mulher sob risco. No risco, o escrito não inscreve apenas a particularidade, senão um singular coletivo: muitas histórias, muitos nomes, muitas mulheres.</p>
<p>Aqui faz frio. Mas há incêndios. Na terra e na pele, porque, nesta “Terra Fria”, “o exílio pode ser um corpo”. É assim transeunte, viajante, andarilha, estrangeira, que uma <em>Mulher correndo entre ciprestes </em>vai contando a seus interlocutores e a nós (aliás, o livro é também uma conversa, ou uma carta) que há algo em comum entre o frio das montanhas e a seca do sertão: queima-se. “Se eu te contar que consumo / metade dos dias calculando riscos / riscando orvalho no para-brisa / sabendo que não passa de suicídio / congelar por medo de incêndios?” E essa mulher risca muitos incêndios: “Minha mãe se assusta muito / com pensamentos incendiários. / Quando criança, incendiei / o rastro / o mastro da bandeira da escola / a mesa da festa de Halloween.<em> // </em>Agora sonho incêndios altos / lapelas de Wall Street burning<em> / </em>a pira estratégica de Niemeyer / agrega utilidade ao congresso.”</p>
<p>Em tempos áridos como o nosso, arriscar-se a talhar histórias a contragolpes é escrever como quem pega na enxada, calculando a dimensão do “útero minúsculo músculo em contração”, como quem treme, como quem arde e não se esquece do vermelho pulsante do sangue, das paixões e das subversões. Nesse tempo, uma mulher quer transformar histórias: é preciso então começar inscrevendo a sua, e a de muitas, sob um olhar a partir do qual nós, mulheres, determinamos como e qual história queremos contar. Assumam vocês o risco, porque nós sempre estivemos sob ele. <span style="color: #ffffff;">Carolina Pazos</span></p>
<p><strong>Danielle Magalhães</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Sussurro: cantos de chuva</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/sussurro-cantos-de-chuva</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Jul 2015 16:57:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[escovar os dentes conferir a bolsa
“seu olhar é lindo”
passar um pouco de perfume
respirar fundo tomar as chaves
desamassar a blusa “você precisa ver aquele filme”
beber um copo de água com açúcar
olhar o caminho no google maps
“pensei tanto em você”… não
“sonhei com você”… não
“você também gosta da lua?”… melhor
confirmar de novo a estação
suspirar antes de sair

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>O “nós”, que só surge depois da colisão de pele com pele, de beijo com beijo, em <em>sussurro: cantos de chuva</em>, surge ainda antes: no momento em que o lápis encontra o papel.</p>
<p>Aqui, Quintella e Vaz fazem poesia dos microcosmos que habitam esquinas, cantos, partes da cidade que, mesmo conhecidas, tornam-se enigma diante do labirinto que é o outro.</p>
<p>As cinco partes do livro são mapas de terras desconhecidas, pouco e muito exploradas –  fazem registro do chão em que se pisa como cartógrafo algum ousou. Aliás, porque, nesse livro, quem ousa é a voz feminina: contorna o lápis entre a primeira e a segunda pessoa do singular, pronomes às vezes indefinidos e partículas cheias de incerteza.</p>
<p>Essas páginas sussurram. Por isso, ouça, enquanto o tempo está suspenso; enquanto cada lapso vira gente, que vira torrente, que vira verso.</p>
<p><strong>Isabelle Costa</strong></p>
<h2></h2>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Amante</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/amante</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Jul 2015 13:58:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[quando eu fecho os olhos
me recordo que perdi a identidade
a cor dos meus olhos dóceis
mas isso alivia o medo da noite
e do inverno que cobre o seu corpo
o mundo acorda e eu morro
mas você não morre em mim]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>todos esperavam pelo poema número um,<br />
que cedesse lugar<br />
as premiações,<br />
as cadeiras,<br />
os vips,<br />
as canções<br />
aguardavam em algum lugar,<br />
na ponta da mesa,<br />
no ferro do poste,<br />
no meio da cama<br />
trocavam suas notas,<br />
envernizavam os olhos,<br />
pediam silêncio sem parar de falar<br />
dizia-se que linguagem não dizia tudo<br />
mas não diziam nada<br />
além disso aguardavam o poema,<br />
tinham esperança no poema<br />
o poema e eu ficamos aguardando em silêncio</p>
<p><strong>Gyzelle Almeida de Araújo Góe</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Manchar a memória do fogo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/manchar-a-memoria-do-fogo</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Jul 2015 13:28:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[porque deus cavou
um poço no meu peito
me estendeu o chão dos acidentes
e me ensina — não desde o berço —
a suportar na língua o fechamento dos horizontes
ter nascido com a diligência do buraco
me faz crer em amparo divino, travessia para ressurreição
mas vejo em minhas mãos um cancro inaudível
o mapa sem rota dos dias, o retrato de uma solidão

o tempo que me pesquisa esfolando meu sangue.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>escrever como quem busca o sangue, a água em que nunca estive, a boca que guarda a descendência de meu nome, a cura para a infecção paterna.</p>
<p>ter o dorso desabitado de nascença.</p>
<p>ser um canal, um abcesso numa língua.</p>
<p>estar líquida dentro da ferida.</p>
<p>costurar no peito uma era geológica, saber de sua própria extinção,</p>
<p>celebrar o incêndio.</p>
<p>investigar modos de morar mesmo em exílio.</p>
<p>exercer o mistério através da boca faminta de deus, saber que ele também é desnível,</p>
<p>e sua linguagem, uma queda.</p>
<p>ser irrigável.</p>
<p>o poema é uma imagem que queima.<br />
o poema é um mar aberto.</p>
<p><strong>Raquel Gaio</strong></p>
<h2></h2>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Alinhavar</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/alinhavar</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Jul 2015 13:53:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[às vezes por muito pouco
a agulha não me fura porque
os tecidos tão colados resistem a
perfuração da derme que chega a ser
curioso como todas as armas têm defeitos
não se pode julgar um delito pelo seu porte mas sim
condenar aqueles que colocam o ﬂagrante nas nossas mãos

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>A urgência em denunciar um presente que permanece no passado encontra resposta no livro de Thaís. Esses tempos sufocantes em que temos a sensação de que o mundo nunca girou estão descritos nos versos de Thaís, a lembrança constante de que não nos encaixamos, não atendemos ao que nos exigem, não somos ninguém, enquanto objetos mofados são mais vivos que nós.</p>
<p>Na contradição do verso livre há o grito sufocado dos tempos em que a liberdade está extinta. Mas, mesmo sufocado, grito é grito. Não há poesia que não seja insurgência. Os versos da Thaís gravam em nós, que somos a matéria viva do presente do que não passou, não apenas tudo isso que não aceitamos, mas também o diálogo nada sufocado entre nós que não nos conformamos.</p>
<p>Os versos de Thaís são fundamentais.</p>
<p><strong>Aline Alves</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>As ilhas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/as-ilhas</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Jun 2015 13:11:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A cidade em ruínas e as colunas eretas

O último dia do mundo é também a abertura do carnaval, ao
fim todas as profecias erraram e não cai nenhum meteoro de
modo que segunda-feira é preciso despertar cedo

A pele queimada parece um rio seco, mas mulheres não sentem dor, só medo e raiva
O poder do amor ficou démodé e cada tijolo empilhado é selado com ódio
A decepção com os cientistas é tamanha, as promessas de teletransporte foram desfeitas, recarrego o Bilhete Único

Chego em casa e planejo mil formas de dizer que te amo, então
faço um café para quando você chegar]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<section id="main-container" class="autor-page">
<div class="col-100">
<div class="col-50 red">
<div class="trecho">
<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Política é amor (e vice-versa). Neste livro, Brena O’Dwyer leva a afirmativa às últimas consequências ao falar de sua cidade, o Rio de Janeiro, e suas angústias. O egocentrismo de uma geração aqui é exibida com orgulho e é esse sentimento que confere potência política a pequenos desafios diários.</p>
<p>Em versos como “Aprendi com o feminismo que o pessoal é político e um pedaço de mim queimou hoje, sem misericórdia, disseram no jornal que perdemos tudo, menos a faixada”, sobre o incêndio do Museu Nacional, O’Dwyer embaralha público e privado para construir uma poesia única, desinibida e verdadeira.</p>
<p>Ao ler os poemas de <em>As ilhas</em> é possível identificar uma geração que se divide entre as telas dos celulares e a vontade de mudar o mundo, mas também vê-se uma poeta forte encontrando sua voz.</p>
<p>Sem se valer de rimas, O’Dwyer constrói um ritmo próprio: a realidade às vezes é postergada, mas cobra, para isso, seu peso em dúvidas.</p>
<p><strong>Luara França</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
</div>
</div>
</div>
</section>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Caleidoscópio</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/caleidoscopio</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Jun 2015 14:25:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[É noite ainda nas tuas costas,
onde pequenas gotas de suor
escorrem fazendo caminhos
de rios há muito já mortos.

Tua nuca é noite ainda em mim
e eu beijo teu destino como
uma forma de perdão
pela guerra que não poderemos conter.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Escrito e parido em pleno turbilhão carioca de fim de década, este livro apresenta <em>tumultos dos mais derivados. </em>Entremeado por escapadas serranas que de longe avistam uma Guanabara que <em>cabe na brasa de um último cigarro – o abismo retorcido horizontalmente – </em>eis o fundamental neste <em>Caleidoscópio, </em>estreia literariopoética de Vinícius Gusmão: o olhar quase que estrangeiro, embora protagonista, preservando o espanto ao passo que torna-se íntimo de toda sorte de acontecimentos e sensações nesta <em>tecelagem das narrativas de meio-fio.</em></p>
<p>Nas esquinas incertas, ruas semidesertas ou nas multidões transloucadas: o elogio à desordem ou a tentativa de dar sentido às coisas de um mundo sentido nas marquises e refletido da janela<em>. </em><em>Retrospecto ativo no mundo brazilis, </em>um pacto sangrado da memória coletiva, patrulhando o esquecimento.</p>
<p>Reflexo vociferado de uma geração pulsante, que não se acanha em fazer poesia dos cacos de humanidade apanhados nos subterrâneos da urbanidade, <em>sem franzir a testa frente ao inacabável.</em> A metalinguagem poética que se esconde na <em>falha entre a coisa e o nome</em>, uma poesia-crônica, não ensimesmada, dialógica. <em>Dualismos de asfalto (sem determinismos, é claro).</em></p>
<p>Estão aqui presentes também fragmentos de amor em tempos coléricos, <em>o revés do tempo, frações de futuro dos que ainda machucam.</em> Pois toda arte estritamente necessária não devolve ao mundo seu reflexo exato: o devora, antropofagicamente, para então devolver-se permeada de interioridade revolta.</p>
<p>É este o mosaico caleidoscópico que te aguarda nestas páginas. Se a <em>ressurreição que é a vida, </em>a poesia do Vinícius é <em>um corredor que se estende ao abismo.</em></p>
<p>Saltemos, pois.</p>
<p><strong>Bruno Martins</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
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		<title>A súbita insistência das coisas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-subita-insistencia-das-coisas</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 Jun 2015 13:23:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Entendo
absolutamente nada
da matéria escura
que sustenta os planetas
São mãos de grandes dedos
que se afunilam
e palmas abertas
como uma espécie de pianista
que toca
é só assim que entendo.

Melhor entendo
que não há lá grande coisa
para além do trombo
do teu corpo transitando
junto ao meu
num acidente de desnível
no bar na calçada
do subúrbio
às 2h da madrugada.
<h2></h2>
&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Nem todo dia forja em si uma poeta, por isso se adverte logo ao leitor que tenha a sorte-sina, o sobressalto de tropeçar neste (não tão pequenino) livro de estreia de Julya Vasconcelos: use um petardo, uma bomba bem pequena, para abrir os flancos dos sentidos e deixar-se navegar pelos líquidos e pelas imagens desta voz poética que, ao fim e ao cabo, sabe de matérias finas do inefável (como a já soprada <em>Súbita insistência das coisas</em> – no título) e se desdobra para chegar a ter o peso de uma viga, refundação de mundo, mas uma que seja pássara e se saiba água.</p>
<p>São imagens de uma voz que se insurge consciente de estar projetando o verbo em cena, por uma marcada via que se reconhece gênero-mulher; em estocadas como no poema O golpe: “corpo humano mulher brasileira vinte dedos” e se desdobram como as camadas da bonequinha russa Matrióchka, umas contendo outras mulheres em si mesmas, ser de multiplicidades. As palavras se apresentam como precisos pontos de sutura, nada sobra. A economia dos versos é a medida da justeza das imagens, o que explode são as reverberações do poético. No poema Ecocardiograma, o retrato do exame de funcionamento e estrutura do tal órgão (bomba de sangue), ao qual certa tradição atribui o sentir, é que nomeia e diagnostica as dores, delícias e idiossincrasias de saber-se: “feito ser mulher e ter medo/ de rua de pau e de faca/ feito tanta coisa triste e bruta/ que tem na vida<em>”</em>.</p>
<p>Não há concessões ou deslumbramentos nesta estreia. A música que Julya compõe é o jazz, que sabe ser o improviso a técnica justa para harmonias se pintarem, para melodias se desdobrarem ao infinito de possibilidades em potência. Em Variações para um trompete sentencia: “na mortidão do tempo havia/ uma grande capacidade de improviso<em>”.</em> Há flores de obsessões aqui (traços do DNA de sua genealogia de poeta? Encontro ecos de Ana Cristina César; Adélia Prado…). A água, a liquidez da vida prosaica, a captura do banal recorrem, como na composição jazzística aludida: “<em>eu posso abrir as águas que me separam de mim?”, </em>indaga<em>.</em> E dou um salto à sentença-hipótese do poema Ondas curtas: “como se de repente eu fosse/ não mais uma mulher/ mas um satélite<em>”.</em> Sim, um satélite; uma antena; um inseto-fêmea e uma pássara-líquida: incontestavelmente poeta.</p>
<p><strong>Renata Pimentel</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Aos outros só atiro o meu corpo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/aos-outros-so-atiro-o-meu-corpo</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Jun 2015 20:20:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Exercitada: a matemática é ridiculamente feita
de desejo.
Dizemos que um intervalo é aberto quando
seus extremos não estão incluídos. Exemplo:
meus olhos, dois números irracionais
sobre a conta dos teus cafés da manhã
veja:

qualquer boca é metade de um beijo.

O corpo querendo 1 corpo a mais.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">S</span>obre este livro</h2>
<p>Existe literatura feminina? Essa pergunta nos é feita sempre a nós, poetas-mulheres, e de certa forma ela nos persegue. Ainda que gênero seja uma invenção, a divisão sexual do trabalho e os papeis sociais impostos às pessoas que se autoidentificam como mulheres* é muito real e esses fatores influenciam nossa escrita, óbvio, porque influencia a nossa vida. Assim sendo, é claro que existe uma literatura feminina, por mais raiva que eu sinta em aceitar. Só que esse aspecto, que por séculos foi limitação, vira elemento emancipador, a partir do momento em que nos acotovelamos para dar a nossa versão dos fatos: se é nesse mundo, e não em outro, que vivemos, e se as coisas são assim, e se há coisas que só um corpo de mulher sabe, então é disso, meu amor, desse corpo nesse mundo, de que falaremos.</p>
<p>Nesse sentido, a poesia de Maria Isabel Iorio vem como um coquetel molotov atirado por alguém que está sozinho, mas sozinho está no meio da multidão, dentro desse protesto infinito que é ser mulher, e que é ser mulher brasileira desde 2013. “Aos outros só atiro meu corpo”, que começa com a palavra <em>chupar</em> e termina com a palavra <em>falar</em>, é um livro sobre a solidão que historicamente nos persegue em todas as nossas facetas – poetas, mulheres, feministas, esquerdistas.</p>
<p>Como diz a própria autora, existem ofícios, hábitos e acontecimentos que só podem ser feitos quando estamos sozinhos – “cortar as unhas depois do banho”, “lembrar escovar os dentes de trás”. Ser preso político. Morrer. Morrer trabalhando. Morrer de desgosto, desistir. Morrer não em outro, mas <u>neste</u> mundo – o de Brumadinho, de Suzano, o de Damares, onde podemos contar com tão pouco, onde nem mesmo a dor é companhia certa, porque “parece que a dor também se atrasa”. Mas esse é o mesmo mundo onde nossos dedos tremem quando adentram o corpo que amamos, onde “qualquer boca é metade de um beijo”.</p>
<p>O livro de Maria Isabel Iorio não vai te afagar, talvez porque seja 2019, talvez porque ela confie que nós, seus leitores, precisamos menos de afago e mais de sustos. De menos aviso de gatilho e de mais coragem. Eu não sei o que Bel queria com esse livro, mas sei que ele está situado, pensando em nós e existindo entre nós, no Brasil 2019. É esse seu maior feito.</p>
<p><strong>Adelaide Ivánova</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Casa</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/casa</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jun 2015 20:48:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[animal adulto, já sabes quem tu és.
fome consumida de reﬂexo, pensei meu nome e descobri teu eco.
sonhos contados, sonhos revelados, garras no teu corpo alado.

de tudo tens que me cativa, animal adulto.
ainda que a deriva assombre, rompe o muro, temos pressa.
poema e água eu levo, sou teu e assim meus absurdos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Enfim um novo livro de Roberto Dutra, jr. Não que o autor tivesse ficado em silêncio, mas já se foram vinte anos desde que seus primeiros poemas surgiram, em uma edição remota, lançada no Rio de Janeiro, que está esgotada e desaparecida. Nesse ínterim, ele foi editor de revista acadêmica, resenhista, contista, cronista, revisor, tradutor, escreveu um monte de orelhas como esta, aconselhou outros tantos autores e até vendeu cerveja no carnaval carioca. Ele se diz orgulhoso de ter colaborado com o Panorama da Palavra, jornal literário que circulou pelos anos 2000 na cena carioca, que promovia leituras com poetas no teatro e foi dirigido pela jornalista Helena Ortiz. Roberto atuou como fotógrafo, escreveu matérias e foi considerado um dos poetas prata da casa nas leituras promovidas naquela época. Seus poemas aparecem nas antologias Escriptonita (Patuá, 2016) e Porremas (Mórula, 2018). Tenho certeza que neste momento ele está algo entre fulo e risonho com este texto, pois não é sujeito dado a retrospectivas. Não chame o amigo anárquico que pra escrever as orelhas, olha no que deu.</p>
<p>Roberto acredita na obra por si, sem apresentações. O que deve circular é palavra, se não repetirem o verso, ainda não está pronto pra boca do leitor. A ideia original de CASA também veio da amiga Helena Ortiz que o convocou anos atrás com uma quase ordem (com sotaque de gaúcha): “Não faças plano, não faça nada. Estás pronto e está tudo escrito. Pega o que tiver de melhor e coloque tudo junto. Alguns livros são assim. Coragem.” Pois é amigo, está feito. Um tanto de metalinguagem, introspecção e respeito pela palavra. Sei que só parou de consertar versos na véspera de entregar tudo pro Tiago Rendelli, da Urutau. Sei que isso deve ser a marca do autor que você se tornou. Esta orelha merece ser mais do que uma apreciação do seu texto, então se tornou uma brevíssima crônica da história deste livro.</p>
<p>Leitor, siga direto para o poema “Plano” e leia em voz alta. Declame até, se algo lhe fizer sentido. De que vale ter a sua CASA se não pode subverter a ordem de tudo?</p>
<p>Boa leitura a todos.</p>
<p>Com um abraço amigo do</p>
<p><strong>Gregório dos Santos</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Parto</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/parto</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jun 2015 14:49:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[da difculdade de estar
todas as bocas que minha mãe tem me batem e beijam
de toda a beleza que minha mãe tem, eu nasci com metade
triste, quando uma música toca sem ninguém ouvir
mas onde está todo mundo nos dias em que o mundo acaba?
nas chuvas que saem nos jornais
e nas que não saem
nas chuvas de que ninguém nem soube.
é cruel a beleza de sentir dor.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>…é como se eu ficasse de quatro, engatinhasse, estivesse de fraldas e colasse o cordão ao meu umbigo, pedindo para voltar. Todos os dias, os olhos abrem como pernas prestes a parir, procurando pais e mães adormecidos aqui dentro. E os pés calçam sapatos mais altos para sermos mais jovens que ontem. Partimos em busca de não sei o quê. Isso é pessoal (e o que não é?). Não sei o que acontece, mas até nos dias de alegria, que parece pura porque brilha (existem os dias que brilham), é como se eu ficasse de quatro, engatinhasse, estivesse de fraldas e colasse o cordão ao meu umbigo, pedindo para voltar. Todos os dias, os olhos abrem como pernas prestes a parir, procurando pais e mães adormecidos aqui dentro. E os pés calçam sapatos mais altos para sermos mais jovens que ontem. Partimos em busca de não sei o quê. Isso é pessoal (e o que não é?). Não sei o que acontece, mas até nos dias de alegria, que parece pura porque brilha (existem os dias que brilham), é como se eu ficasse de quatro, engatinhasse, estivesse de fraldas e colasse o cordão ao meu umbigo, pedindo para voltar. Todos os dias, os olhos abrem como pernas prestes a parir, procurando pais e mães adormecidos aqui dentro. E os pés calçam sapatos mais altos para sermos mais jovens que ontem. Partimos em busca de não sei o quê. Isso é pessoal (e o que não é?). Não sei o que acontece.</p>
<p><strong>Isis Pessino</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2></h2>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Canção para seus olhos e outros castanhos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/cancao-para-seus-olhos-e-outros-castanhos</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Jun 2015 14:30:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Visto as extremidades
do teu corpo em meus dedos
uma segunda roupa
uma segunda casa
uma segunda casca
crisálida branca
de estimular
lonjuras.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Se, por um lado, como dizia Ferreira Gullar, o poema nasce do espanto, penso que pouco valeria, se ele, o poema, não causasse espanto no leitor. Temos, em <em>Canção para os seus olhos e outros castanhos</em>, a espantosa poesia de Angel Cabeza.</p>
<p><em>Se pousares<br />
levemente<br />
a cabeça<br />
no riacho<br />
do meu<br />
tórax,<br />
ouvirás<br />
um alarido<br />
de preces.</em></p>
<p>O espanto, em Angel Cabeza, não é do tipo “É mesmo! Como eu não pensei nisso antes?” O espanto, em Angel Cabeza, é do tipo “Caramba! Como esse cara escreve isso, desse jeito?”</p>
<p>O espanto é do leitor.</p>
<p><em>É inverno lá fora,<br />
mas por dentro<br />
uma queimadura<br />
de plumas.</em></p>
<p>Permita-se.</p>
<p><em>Eis que algum dia<br />
entregarei ao combalido corpo</em></p>
<p><em>a unção do martelo.</em></p>
<p>O poeta, seguro de seu ofício, domina a Língua.</p>
<p><em>Saudade<br />
é a </em><em>eternidade<br />
nas pálpebras.</em></p>
<p>A obra que você tem em mãos é de exímio encantador de palavras – aproveite o espetáculo.</p>
<p><strong>Cláudio B. Carlos</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Língua do P</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/lingua-do-p</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Jun 2015 13:00:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[o sol é uma estrela em combustão
que morrerá numa certa noite
quando não mais for capaz de queimar
qualquer córnea de qualquer animal
que volte a cabeça
pra cima
o ponto dentro da curva é
atingido quando na próxima esquina
se vira à esquerda da décima sexta constelação
continuando pela avenida principal se chega
onde eu moro
aqui cada um tem um sol para si
dentro do peito há quem tenha um sol em si
hoje finalmente não temos partida bueiro adentro
na américa do sul]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>O jogo de linguagem que nomeia o livro de estreia de Roberta Freire irradia sentido para muitos lados, para além de servir como definição dessa poesia ou convite ao segredo contado em quase outra língua. É que a consoante “p”, que organiza o jogo de deformação das palavras, é pronunciada como um antibeijo, um beijo que, em vez de sugar o ar atritando-o entre os lábios, sopra-o numa breve pancada depois de mantê-los, os lábios, colados. O ruído dessa consoante atrapalhando a decifração das palavras aproxima-se, então, estranhamente do toque, do beijo, do encontro.</p>
<p>É na contradição entre o que se fala e o que não se entende, o que se mostra, mas não retorna – o segredo já conhecido –, que os poemas de Roberta Freire se escrevem. O texto elabora a diferença, depois dos encontros, das relações, da caminhada, oferecendo frase e vocabulário ao que parece lateral, latente, mesmo perigoso a um mundo estranho: a feminilidade, o erotismo, a escuta. Por isso, a insistência em saber <em>quem</em>, entender <em>o que faz</em>, perguntar-se <em>por que odeio</em>. Desconfio dessa usina mais aparente dos poemas de <em>Língua do p</em>: “o que faz alguém / tão tarde / segurando delírios / tão perto / de cães?”. Desconfio, para conseguir ler tudo o que for ambíguo, falha, errância, para ficar no analfabetismo do “p”, em vez de cair no jogo da decifração.</p>
<p>Como o casal que aprecia a arquitetura por não saber para onde ir, como a mocinha sozinha na noite que prefere a violência dos corvos, como um corpo cujo centro – o umbigo – é uma cicatriz, em vários momentos, os poemas de Roberta Freire escapam do cálculo da leitura e dizem o que não parecem dizer. A imagem prevista não se cumpre, e a outra imagem produzida espanta a leitura e altera a matéria da poesia, o emaranhado de palavra e memória.</p>
<p>A voz desses poemas vive da espiral entre a casa e a rua, o subúrbio e o centro da cidade, a família e os amores, e o resultado é o de um sujeito em expansão, por isso instável: “fui devorada / pelo misticismo de um dia de sol” ou “minha bandeira é tua saia, isabel”. As marcas de identidade, efeitos do poema. Por isso, nesse lançar-se, em estreia, ao espaço público, os poemas de Roberta engendram a subjetivação de uma voz na língua do “p” politizada.</p>
<p><strong>Luiz Guilherme Barbosa</strong></p>
<h2></h2>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Diário de Guernicia e cartas de amor</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Jun 2015 18:04:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[se inunda
alago
tempestade a me ilhar em nós
meu amor, tá tudo bem se gripar
feito maré a me engolir menina
me afoga
engulo
atlântico a me lamber inteira
meu amor, tá tudo bem não dar pé]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Quanto mais difíceis os tempos, mais necessária é a poesia. Não apenas pelos assuntos abordados nos poemas, mas principalmente porque escrever talvez seja um dos métodos mais eficazes de transformar o mundo. Este livro de Manuela Teteo nos oferece uma sequência de poemas intensos e líricos que nos apresentam a existência poética da jovem autora em imagens surpreendentes, em versos corajosos e em uma poética necessária para a vida de hoje.</p>
<p>Seja pela sensibilidade de seu olhar poético sobre o mundo ou a partir da escolha precisa das palavras e da construção de ritmos exatos, seus poemas fazem emergir o amor, o desejo, a intuição pessoal e também a nossa complexidade contemporânea.</p>
<p>A cada verso, a voz poética da autora nos materializa, por diferentes ângulos, belos exemplos daquela matéria misteriosa de que é feita a vida. A isso, chamamos a tarefa da escritura. E a autora sabe os riscos e o preço de caminhar pelos labirintos desse ofício: “me machuco pelo prazer de não te curar/ a minha hemorragia ainda é teu arranhão/ e meu ego são pés de bailarina”.</p>
<p>A autora tem consciência dos riscos que enfrenta ao optar por uma vida pautada pela poesia, bem como nos propõe, com sabedoria, a leveza como antídoto para quaisquer ameaças: “a poesia mais terna do mundo ainda não vale teu sangue/ a poesia mais terna do mundo ainda não vale teu choro/ não, meu amor/ não caia na deles/ dor alguma te faz clarice/ dor alguma te faz mais que uma mulher em cinzas/ e está tudo bem ser prosa leve de mesa de bar”.</p>
<p>Nos poemas de Manuela Teteo somos convidados a experimentar o amor em sua plenitude. Seja naquilo que em nós esse sentimento completa, ou ainda, e às vezes principalmente, no que de nosso desejo escapa. Este livro é um exemplo poderoso da escrita da autora que não silencia sua própria existência. Ela é aquela que deseja, mesmo quando não consegue realizar em plenitude os amores que a atravessam. Mas também nos apresenta uma mulher de olhar atento que transita pela cidade como se os espaços pudessem fazê-la transbordar-se de si.</p>
<p>Em outros versos, podemos crer encontrar uma definição da própria autora, mas nos deparamos, de fato, com o que deveria ser um projeto de existência plena para muitos e muitas nesses nossos dias intensos: “fui feita pena de cor vibrante / e só me interessam os vendavais que seguem em frente/ ainda que goste do toque que me leva à escrita / não posso suportar a tinta que me engole inteira / é que vim ao mundo para ser a própria poesia”.</p>
<p><strong>Kleber Mendonça</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Esses dias que estamos vivendo há anos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 20 Jun 2015 19:54:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[tenho dores medievais
não escuto mais berros
costuro partes que não se pertencem
estou límpida e aniquilada
mas parece que vim
para ficar]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Esses dias que estamos vivendo há anos: o terror não cessa de se tornar real. E é no real que nos deparamos com buracos e faltas que nos paralisam, porém, não conseguimos evitar. Como se mover diante da imobilidade que se impõe, diante dos dias que distendem séculos de dor, quando “não existe palavra/ que os impeça de acontecer”? Talvez seja preciso encarar a falta de movimento como um passo inelutável para que se consiga riscar fósforos, acender fogueiras, devolver granadas e depois, dançar a um só tempo, como quem se lembra que “nasceu pronta para todos/ os incêndios”.</p>
<p>Há três momentos que precisamos encarar n’Esses dias que estamos vivendo há anos. Três movimentos de um passo a passo constitutivo de quem não sai dessa história senão como sobrevivente. O primeiro é “quarentena”. Em seguida, “começa uma fogueira agora”. Por fim, “estou exausta de esperar o fim do mundo”. Um corpo em transformação está em jogo nesses três movimentos. De início, parece que há uma suposta imobilidade, mas só como quem não revela de bandeja tudo o que um imenso pensamento não cansa de conspirar: “eu gosto de acreditar que não existe nada mais imenso/ que um pensamento”. O que há nesse ponto zero nada mais é que um grande movimento que vai se ensaiando, ganhando corpo, mas só na medida em que constata os limites de um corpo que está prestes a chegar ao grau máximo da ausência de movimento, só na medida em que expõe a falta, em que não esconde que se está vasculhando cada cômodo vazio que o constitui, cada incômodo que lhe habita irremediavelmente: “na fome inclusive o corpo é alertado para guardar/ energias estocar nutrientes o corpo se reconfigura”. Para que possamos incendiar, precisamos receber e acolher a falta.</p>
<p>Maíra Ferreira, desde A primeira morte (Oficina Raquel, 2014), não se desvia dos buracos, não hesita em continuar encarando, abraçando e amando-os como quem diz, também são meus os buracos mais profundos dos dias, dos anos, do mundo: “tenho lentamente morrido/ a cada mulher morta no jornal”. Muitas mortes não cessam de atravessar um corpo que ressurge, reconfigurado: “costuro partes que não se pertencem/ estou límpida e aniquilada/ mas parece que vim/ para ficar”. Ir ao que queima é queimar junto também. Lá onde se começa a dizer, onde se devolve uma granada, onde se joga, onde se deseja, é todo o agora em que se começa uma fogueira. O corpo que arde de amor e de terror, que já dança ao redor do fogo, esquentando a batalha dos dias, é esse que não precisa mais esperar pelo fim, porque já se move por sobre ele, nele, com ele.</p>
<p><strong>Danielle Magalhães</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Ímpeto e outros poemas loucos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jun 2015 20:39:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[É tarde
enterraremos um ao outro
à sombra do esquecimento
Teu universo aﬂige
atordoa certezas
quisera a sinceridade ampla

o tempo haverá de fechar as noites
parta imediatamente
furta a ousadia
Aceitemos o desamor
à luz do passo do teu compasso]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Elena extraviada. Assim diz um poema que li por aqui. Assim mesmo, sem o H (que de nada furta o som), do pós-nome de batismo e com uma dose extra por ser viada.</p>
<p>Cabe dizer que queria ser remetida, enviada. Mas sua dose extra acabou excedendo o gênero. Desses praticados atualmente, que se excedem por ser mulher. O simples e tão complexo fato de uma origem que lhe faz Indecente, Saudosa, Miúda, e tantas outras denominações de uma carpintaria que precisou fugir ao seio, do peito que pensou palavras.</p>
<p>O extravio se deu. Ei-lo nas linhas que se seguem, dando rumo a uma interiorização comovente do exercício diário de parir sonhos e letras. Quem dera eu pudesse sentir essa quietude entrelaçada. Quem dera pudesse pulsar no turbilhão de sua escrita. Quem dera poder me extraviar em gênero pra colher o fruto proibido do exercício de poetizar.</p>
<p>Helena chegou. Sem se perder pelo caminho. Enviada de forma extra, com grande zelo pelas formas que desenharam suas mãos. Por aqui nascem seus sonhos e o registro primeiro de uma remessa de presente, em exclusividade, a um só remetente: seguem seus ímpetos pras mãos do leitor.</p>
<p><strong>Fabrício Branco</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Ave, eva! Ecce homo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/ave-eva-ecce-homo</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Jun 2015 13:39:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Quisera eu ser sem nenhuma geografa
Como o pássaro que voa sem geometria
Como o sorriso se faz sem medir espaço
Como a ingenuidade da ovelha assassina

Quisera eu ser sem parentes de sangue
Chamar de filhos cada poema não meu
Chamar de pai aquela sólida construção
Chamar de irmão uma onda mais violenta

Quisera eu ser sem traço nenhum de amor
Render-me fácil à severidade da paixão
Dançar <em>caliente</em> mesmo em frente ao canhão

Quisera eu não ser sequer eu mesmo
E ser, sim, todos que agora riem na sala
E ser, sim, um ninguém a mergulhar num não]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Cada verso dos poemas de <em>Ave, Eva! Ecce Homo</em> nos prepara para grandes acontecimentos. Feito teoria da conspiração de sentimentos, somos impelidos a abraçar nossas contradições e a nos aprontar para mostrar novos quereres.</p>
<p>“Abismei velhas teorias”</p>
<p>Desenfreados e ofegantes como uma realidade que adora ostentar desobediências, os poemas do Maiky nos arregalam os olhos e transformam o sentir num ato sagrado. Eu li e conjurei: quero ir com eles e, de olhos e coração arregalados, experimentá-los como gosto de baba de moça.</p>
<p>Repetidamente, os versos contidos aqui desenham paisagens íntimas que escorrem pele afora. Os sinais são muito evidentes, pois os sentidos começam a fazer sentido. Dá para reescrever escritos sagrados e redesenhar mitos com os poemas. O medo de encontrar portas trancadas com anúncios de notícias tristes dá lugar a um levante de sopro e fúria.</p>
<p>“eu volto a usar canecas de alumínio</p>
<p>e quebro um por um os copos de vidro”</p>
<p>Abrindo as gavetas de realidades guardadas nestes poemas, me deparo com essa vontade de rompantes, conversas sinceras e embates como resultado de uma experiência de imersão em mim mesmo. Adoro a possibilidade de um agora sem dor e sem ruídos como quem não se sente mais sozinho em um mar de interrogações. É loucura, eu sei, mas os poemas deste livro me incluem numa grande conspiração junto às minhas incertezas.</p>
<p>É possível dizer também que, nestas páginas, estão contidas uma coleção de pequenas epifanias espalhadas em nós mesmos. Já se permitiu uma coleção assim? Foi tão bom percorrer as linhas e entrelinhas do Maiky Silva que sinto irradiando um pequeno chuveiro de chispas para dentro do meu corpo, tentando tocar fragmentos e reunir minha história num único enredo: sincero, raro, meu, de fato.</p>
<p>Devo nomear? Ou apenas sentir?</p>
<p><strong>Wolney Fernandes</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Um levantar de paredes</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/um-levantar-de-paredes</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jun 2015 18:33:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[eu leio o aviso
produto tóxico

não me arrependo
de morrer como meu avô

meu avô era tão triste
não fazia versos tristes

um dia
terei um neto triste
e arrependido]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Certa vez, ao passar a seus alunos um exercício de fotografia, Fabiano Scholl conta que um deles fez imagens de pessoas cujos pés estavam fora do enquadramento, e o professor quis saber o porquê daquela escolha. O aluno buscava um efeito tal que as pessoas parecessem estar no espaço. O professor arguiu, então, a um só tempo enfático e delicado: “Mas nós <em>estamos</em> no espaço”.</p>
<p>Os poemas que Gustavo Rosa apresenta neste livro de estreia entregam esta sensação decuplicada: estamos efetivamente no espaço, a flutuar em nossos batiscafos de memória e em nossas esferas de realidade (seja lá o que isso queira dizer), ainda que as leis da física e as vicissitudes do cotidiano, da rotina e da compulsão à repetição, mantenham-nos rentes ao chão, temerosos em sair voando, presos no eterno labirinto do que volta, mas sempre é o mesmo e sempre é outro.</p>
<p>Assim, <em>Um levantar de paredes</em> pode significar tanto a ideia de construção, como uma metáfora para a edificação, quanto o seu oposto: livrar-se das paredes, fazer coalescer em seus entornos o que antes era espaço privado e “individual”. A dicção do poeta se conecta a isso: ele não parece ter preocupação excessiva com a utilização de uma voz própria, provavelmente porque perdeu (ou nunca teve) essa ilusão – sua voz se liga àquelas de seus poetas prediletos, o que está longe de desqualificar a sua poesia. Uma lógica espacial também aqui se manifesta, a roçar o que anunciou Haroldo de Campos um dia: “A poesia é uma família dispersa de náufragos bracejando no tempo e no espaço”.</p>
<p>O espaço toma as feições de um tempo, com suas vestimentas e sua imantação e, em boa parte dos poemas, o tempo é o da infância – não é a infância o país onde eclode a poesia? Não é sobre os olhos da criança que se aplicará a venda com que ela será empurrada para o mundo adulto, onde epifania, estranhamento e ignorância (no sentido de ignorar diante do mistério) perdem terreno para certeza, objetividade e totalização?</p>
<p>É no espaço solapado pelo permanente quebrar e aderir da linguagem que os objetos de afeto do poeta circulam, interrogam-se, ficam opacos ou resplandecem: mãe, pão, pedra, lua (outra pedra), a casa da frente, estrela – distantes ou perto, ombreiam-se no plasma cósmico do cotidiano (também esse uma casa habitada por muitos poetas, e que tem muitas portas). É nessa senda que o poeta retém “o que uma janela esconde na velocidade”. E é com uma ironia puntiforme que ele admite, não sem alguma melancolia, que “pisar em osso nunca é fácil”.</p>
<p><strong>Marco de Menezes</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Íntimo exílio</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/intimo-exilio</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Jun 2015 12:54:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Extraio gotas de orvalho da multidão de pedras
Estreio a estrela da noite
No centro úmido da chuva dos olhos que tardam por chegar
Dilato a pupila do vago
Com conchas aos ouvidos para ver melhor.

A imposição da partilha é um mundo todo a ser preenchido
O amontoado, para trás, do não vivido
Já não cabe na palma das mãos.

Constelações nas costas indicarão ainda algum caminho:
O mapa de algum naufrágio
Que contesta imensidão.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>A ocupação de ser-poeta, do fazer da poesia a prática da queda de si mesmo em si, expande o percurso a que se vai ao Outro. O livro ‘Íntimo Exílio’, de Natália Luna, é o convite a essa queda, ao perscrutar a memória, ao traçar um trajeto no país que se cria como ser vivente e que é demarcado pelas zonas fronteiriças das relações travadas no devir de ser e de suas composições e limitações advindas do contato com o externo.</p>
<p>A queda de si em si, ou o íntimo exílio no país-de-si-mesmo que o livro retrata, mostra-se como exercício radical e filosófico da autopercepção e, como fim último, libertação das antigas imagens que se inscrevem no corpo em palavras engaioladas: desancoramento do que já foi e já não cabe, abertura para o vir-a-ser. Entra-se num mergulho meditativo de adentrar ao lá dentro, às profundezas para além das pedras, ao concreto da mata amazônica, da selva íntima aos desertos do real.</p>
<p>A autora cria, magistralmente, belíssimas imagens poéticas suscitadas por essa investigação íntima, em que os ecos de uma história pessoal encontram ressonância na história de outros países-de-si-mesmo, em partilha, no corpo-mulher, no corpo-amante, no corpo-criança, no corpo-que-cresce, no corpo-que-vive. De modo a propiciar reflexões filosóficas com relação às questões do Ser: suas paixões, seus limites e expansões, criação e percepção de corpo, memória e esquecimento. É, portanto, um livro continental, cósmico, que abre pontes ao Outro e, acima de tudo, pontes para as imagens de si e a liberdade de se recriar.<br />
A cada ritmo da palavra, abrem-se caminhos para o profundo sentir em profusão. A esperança e a coragem de ser e da experiência de amar, apesar dos percalços a que estamos expostos nesse percurso: os encontros desencontrados. Em última instância, a autora, com sua escrita potente, cria um livro borbulhante de vida, criação, pulsão de Eros – com seus respiros, seus frenesis, suas quedas – em cada palavra e em cada ritmo há de se achar o belo no ‘Íntimo Exílio’.</p>
<p><strong>Flávia Baracho Trindade</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><span class="span">_</span>outras informações</h2>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Canção de ninar com fuzis</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/cancao-de-ninar-com-fuzis</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jun 2015 14:04:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Antes do abate,
verificar se o morto
continua imóvel,
se os ventos
deixam intactas
suas narinas,
e se o mundo
continua
no mesmo lugar;
se o morto mexer-se,
poderá deslocar o mundo.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Na poesia de Pádua Fernandes, o país não é apenas território, mas corpo – um corpo incógnito, cujo único caráter permanente parece ser sua violência constitutiva. É esse país que canta, por diversas bocas, essa Canção de ninar com fuzis, na qual “acalanto” poderia brutalmente rimar com “morticínio”.</p>
<p>A pergunta que permeia o livro (“o assassinato fala?”) não é, entretanto, retórica. Indagar esse corpo em destroços é exigir que sua própria fala ecoe seus crimes, impedindo que sejam esquecidos. Não se trata de um gesto propriamente de revelação, já que a linguagem desqualificada de “meu país” não camufla seu fosso imundo, mas de exasperação: o poeta encarna essa linguagem, corrompendo os instantes líricos de sua obra (o belo final de “Água, imitação do manganês”), para reconcentrar os discursos que sustentam o horror normalizado.</p>
<p>Não que a poesia esteja de todo apartada desse horror. Também ela pode ser devastada por quem considera que a “alegria é o contrato de nove milhões”. Mas é aqui, onde “a catástrofe torna-se / a única política cultural permitida”, que Pádua Fernandes inverte os termos, propondo ainda uma cultura de fato politizada. Se isso não impede a catástrofe, ao menos não nos deixa esquecer o quanto ela pesa, agora mesmo, sobre nossas cabeças.</p>
<p>Renan Nuernberger</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Um olhar sobre o que nunca foi:</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/um-olhar-sobre-o-que-nunca-foi-2</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Jun 2015 18:37:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124; para errar um movimento
/ basta conhecê-lo / fazer bem feito // para um movimento
parvo destro infinto / basta encontrar o foi de Ariadne na
boca do Cão que vigia a porta / se da saída ou da entrada você
é quem vai dizer &#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;&#124;  </span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p><strong>T</strong>udo pode acontecer entre o olhar poético de Ésio Macedo Ribeiro e a sua imaginação neste seu novo livro, <em>Um olhar sobre o que nunca foi:</em>. Porque é lá, no reino inexpugnável da sua fantasia, que eles se processam.</p>
<p>É um olhar poético múltiplo, diverso, um caleidoscópio de linguagens. E o melhor: na primeira pessoa, assumida, corajosa. Poesia que não se esconde atrás da máscara das palavras. Que transcende o real e se refugia para sempre no imaginário, pois o poeta sabe que é só lá que estamos sãos e salvos.</p>
<p>Você, leitor, também logo vai descobrir que a poesia de Ésio Macedo Ribeiro é um épico pessoal, de afirmação, verdadeira epopeia interior, lírica, dramática. Descobrirá, ainda, que ele buscou nas origens da poesia a sua força maior: a entrega.</p>
<p>A matéria-prima da poesia de Ésio Macedo Ribeiro, portanto, está dentro dele mesmo, e ele, generosamente, compartilha-a conosco em poemas que tentam pular fora da página, como a querer nos abraçar.</p>
<p>Ésio Macedo Ribeiro nos aponta, com esse <em>Um olhar sobre o que nunca foi:</em>, novos e ampliados horizontes, infinitos mesmo, onde nos emocionamos e nos reescrevemos.</p>
<p><strong>Nicolas Behr</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Eu não consigo parar de morrer</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/eu-nao-consigo-parar-de-morrer</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 06 Jun 2015 13:52:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[é preciso me despir
arrotar o almoço
esquecer a casa
os cômodos os gabinetes
e sobretudo os
silêncios

caminhar errante
mais um passo
pra dentro de mim
pra dentro da noite

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Um poema pode nascer do fortuito: espanto, vertigem, a fratura que se instala, provocada por uma mínima alteração na densidade dos ventos, o pálido sentido que resgatamos do absurdo, aquilo que se vislumbrou – ou que se ocultou –  no instante de sua criação.</p>
<p>E há poetas que colecionam poemas assim, um após o outro, até que a unidade do pensamento corresponda a um fato biográfico: o registro de uma idade, de uma crise, de um ponto de transcendência, de um sangramento que <em>não pode</em> ser estancado – se não o primeiro morto, aquele que carrega um significado que o ultrapassa. Vários mortos habitando um único corpo. Vários e tortos renascimentos.</p>
<p>Eis aqui o maior sentido e virtude de “Eu não consigo parar de morrer”, de Camila Assad. Trata-se de um livro enquanto percurso, ou melhor, enquanto parte de um percurso. Logo, trata-se de um livro atravessado por um tempo que chega sem revelar o seu sentido, mas que <em>aqui está</em>, manifestando-se nas notícias dos jornais, na realidade física do corpo, no imponderável da memória, na sua condição de mulher, no confronto com um contexto que nunca é dado por inteiro, mas que provoca reações extremas: o horror, a perplexidade, a ironia.</p>
<p>Neste sentido, “Eu Não Consigo Parar de Morrer” é um livro pleno de contemporaneidade, pois revela algo da meia sombra em que – hoje – todos nos encontramos. Não é a idade da razão, tampouco da <em>desrazão</em>, mas algo intermediário: uma idade da orfandade, e aqui temos Camila Assad: poeta órfã.</p>
<p><strong>Daniel Francoy</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Bruxisma</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/bruxisma</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2015 17:25:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[fui gestada em feminismos
parida na insubmissão
pelas mãos de mulheres e deusas
trabalhando incansáveis
terras águas ervas sons palavras

estou aqui por insistência
para conservar histórias
grafadas no meu corpo
que é corpo das que vieram
antes de mim]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p><em>Bruxisma,</em> um manifesto sem rodeios. Com linhas finais matadoras, curtas feito porrada, o livro feminista é escrito quase todo sem maiúsculas, somente com uma pontuação mínima, tudo na pura potência do verso. Traz o caos e as luas entre lobas, abutres, corvos, diabos, deusas, sereias e detalhadas descrições do habitar um corpo feminino. Enuncia muitas vezes o óbvio, mas que ainda é necessário ainda se enunciar – “qualquer homem medíocre/ ganha mais prêmios do que eu”. O livro briga pelo direito inalienável de se existir mulher com dignidade e afeto. É preciso ser trovão.</p>
<p>Indignada a cada verso com a vida, sempre tão pesada, embora se faça possível pelas mãos trançadas de muitas, a autora tece um repúdio claro a respeito da condição das mulheres na segunda década do século XXI. A partir do arquétipo da bruxa, em voz de uma latino-americana no mundo globalizado em mazelas, canta canções em outras línguas em homenagens para a brasileira Conceição Evaristo, para a espanhola María Xosé Queizán, para a britânica somali Nadifa Mohamed – para citar algumas homenageadas em poemas – cantos para as muitas Dolores, as mulheres da sua vida.</p>
<p>O livro é dividido em três partes: “matrilinearidade”, “gestação” e “mulher e bruxa”. O título traz “bruxa” acompanhada do sufixo “ismo” (geralmente utilizado para exprimir nomes de sistemas políticos, religiões, doenças ou até mesmo de esportes) declinado no feminino, <em>bruxisma,</em> trazendo uma filosofia, um incômodo, um ranger de dentes diante de um estado de coisas que se pretende alterar.</p>
<p>Prosseguindo a jornada iniciada em poesia <em>Ultraviolenta: poemas para picar e comer com as mãos</em> (Kotter, 2017), este novo livro de Pilar Bu é uma maneira de expressar a outra face da moeda de sua investigação acadêmica. Uma maneira de ruminar, uma vez mais, os temas do corpo, da voz e da resistência, objetos do mestrado a respeito da poética de Elizandra Souza e Luiza Romão na Universidade Federal de Goiás (2018). Mastigar a pesquisa atual, em andamento na Teoria e Crítica Literária na Unicamp, sobre a condição feminina e memória em romances brasileiros contemporâneos escritos por mulheres.</p>
<p><em>Bruxisma </em>é a junção de águas caudalosas, fruto de reflexão, grito, memória, partilha e abraço. O livro é caldeirão que dilui a voz da poeta com as vozes de muitas. Ao mesmo tempo, nessa diluição o que temos é a Pilar, fortíssima.</p>
<p><strong>Ana Rüsche</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Água indócil</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/agua-indocil</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jun 2015 13:49:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[a estação
é de girassóis secos
à beira da estrada

às margens do Isar
o outono te acaricia
os ombros saudosos do sol

os barcos seguiram seus rumos
os risos se recolheram
sob pesadas vestes

teus cabelos louros
já não me cobrem os sentidos
entre dedos desajeitados

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Como o mar, as imagens destes poemas são ondas que molham nossos olhos de nostalgia, água salgada que enche nossas bocas. São ondas rebeldes que ameaçam destruir todas as estruturas. Poemas que nossos corpos suportam porque conhecemos as pancadas. Anna Clara de Vitto não escreve águas fáceis e doces.</p>
<p>Memória e morte dialogam com uma menina e com uma mulher que trocam olhares compreensivos. Sabem uma da outra. Contam histórias difíceis, mas que na estética e no toque de Anna Clara de Vitto revelam uma grande beleza.</p>
<p>Neste livro, afogar-se e naugrafar é desejável. Não há razão para temer. O momento de voltar a superfície chega. E com ele, a resiliência. Poemas políticos, punhos fechados de mulher. Escrita ferina. Então, toda a trajetória se fecha perfeitamente em uma obra coesa.</p>
<p><em>ainda busco com o olhar</em></p>
<p><em>na varanda do último andar</em></p>
<p><em>maré que baixe e suba</em></p>
<p><em>levando nossos sustos</em></p>
<p>Anna Clara de Vitto tem um trabalho excelente. Está a frente do Clube da Escrita Para Mulheres, coordenando exercícios de escrita que incluem centenas de mulheres que escrevem ou desejam começar a escrever. Sabe como transformar pequenas palavras em grandes universos imagéticos. Sua estética poética comprova: cada um de seus poemas é exatamente o que precisa ser.</p>
<p><em>Água indócil</em> prova muitos pontos. Entre eles, o de que toda lembrança, assim como toda dor, se lava.</p>
<p>E vira luta.</p>
<p><strong>Jarid Arraes</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Atlântida</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/atlantida</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Jun 2015 13:34:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">náufraga, tua pele embolorada de algas, mofo à </span><span class="fontstyle2">gauche</span><span class="fontstyle0">, como a conchinha rosa e o cartão de respirar os pés. lavo o sexo na espuma das memórias da rua-festa. Campos Elísios, Santa Cecília, penso na dor de dente daquela menina na rua, miserável  </span><span class="fontstyle0">feito amores de celular. quando me levanto pra respirar, sinto o cheiro da dona Luiza e o vento de Hong Kong a me pentear os cabelos. faço os inventários como forma de te esquecer,  deixando abertos os poros que respiro feito os corais. ainda ontem, depositei palavras nossas no box embaçado do banheiro. meu corpo ainda te resvala na horizontal e aos  poucos sucumbe ao peso inevitável de ser âncora.</span>

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Ter o mar como um parente, um ente querido. Uma instância que habita dentro — e fora. Quem é neta de marinheiro tem, pelo menos, uma barbatanaziña de sereia, pode apostar — parece nos revelar Janaús em seu livro de estreia. Sabemos que aportar no amor nunca será uma tarefa serena nem para a marinheira e muito menos para a sereia. A âncora traz a memória da terra, daquilo que é seco. Do que oferece resistência.</p>
<p><em>Atlântida</em>, de Janaú, nos dá notícias de uma espécie de enamoramento não apenas pelo líquido em si, mas de um procedimento amoroso atravessado pelo fluxo em si mesmo, por sua vez conduzido também pelo líquido, por essa instância mítica da água que desemboca, em um prodígio espaço-temporal, em paragens múltiplas, desde o México a Atafona, passando subterraneamente pela cidade submersa de Atlântida — aqui tão real quanto eu e você.</p>
<p>Cerca de 75% do peso de um músculo é composto de água. O sangue contém 95% de água. O corpo de uma mulher adulta é composto de aproximadamente 60% de água. Se um corpo, em sua composição, é vastamente preenchido de água, não é de se espantar que a “saliva no canto do […] olho direito [dance] mais do que os recifes de coral”. Que os menores acidentes de asas e pernas produzam maremotos em algum lugar.</p>
<p>Em seu poemário, Janaú conecta as várias instâncias líquidas num mapa aquaviário secreto: os seus próprios afluentes e lençóis freáticos pessoais, o nascimento do rio que desemboca no mar, o arquipélago, a separação entre continente e oceano.</p>
<p>Em versos como “[a] abelha naufragada no meu café sofre mais do que nós duas”, há um registro dessas pequenas catástrofes cotidianas, um soçobrar quase desapercebido que a autora não deixa passar. É com esta disposição de espírito corajosa que Janaú nos conduz, marinheira hábil que é, à beleza de seu próprio naufrágio, com o qual nos despedimos do livro, ainda meio trôpegos, ajustando-nos à terra firme novamente. <em>Sem olhar para trás</em>.</p>
<p><strong>Rita Isadora Pessoa</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>A mamã por cima dos telhados e o meu amor</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-mama-por-cima-dos-telhados-e-o-meu-amor</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 May 2015 13:59:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p class="p1">Há fotografias como punhais e poemas também
Todos os poemas que escreverei já foram escritos
Dou-me apenas ao ofício da névoa
De revelá-los em pedaços de argila</p>
<p class="p1">Neles todos estão impressos a chuva e o vento
E as folhas noviças dos séculos e
Meu pai e minha mãe que já partiram
Esvoaçando num passado remoto</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p class="p1">Los versos se sitúan como postales vivas. Cada palabra se ha escrito con la intensidad suficiente para estremecer al  lector, pues <em>A Mamã por cima dos Telhados </em><em>e o meu Amor</em> es un poemario lleno de imágenes, engranajes que conducen al dolor, la soledad, la muerte, pero también al amor y la esperanza. Una plegaria de hijas que reclaman, cuestionan e imploran a su madre súplicas concernientes a los tiempos de egoísmo y guerra.</p>
<p class="p1">Una madre encarnada en la historia, las manos, la memoria colectiva, la tierra y la vida misma. La propuesta poética de Maria Azenha plantea la observación de una maternidad desde diferentes prismas, pues en ella coexisten complicidad y el abandono, el lenguaje no verbal, las reminiscencias, la intuición y el silencio. La mamá, aquel motor inicial que da la vida y que puede acabar con ella. La búsqueda de sentido inmanente y trascendente.</p>
<p class="p1">Un libro escrito desde las entrañas. Una lectura necesaria y acorde a nuestro siglo, tan falto de besos y poesía, de abrazos y canciones.</p>
<p><strong>Daniela Sol</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Pés pequenos pra tanto corpo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/pes-pequenos-pra-tanto-corpo</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 May 2015 10:24:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p class="p1">Não sei se mudei multipliquei
se subtraí alguma eu de mim
se me somei posso ter inflado
ou esvaziado mas já não sou
mais ela aquela magrela tagarela
insegura gazela cheirando a mar
não sei se alcancei aquela moça
que desenhei ou se nesse projeto
fui vitoriosa ou me equivoquei
alcei voo depois posei em cima
da fiação eletrifiquei morri feito
urubu malcriado ou burro ou tonto
pensando ser subversivo mudou tanto
tanta coisa mas manteve o velho hábito</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p align="justify">Toda a poesia repete o ato alucinado de uma pergunta, de múltiplas perguntas, de uma busca em direção a um lugar nenhum que nos corrói. Dito isto, lembro-me de um amigo me contar que, ao ler um poema, corava e ficava perplexo, sem saber o que fazer, incapaz de repetir o poema alto. Assim me sinto também. Falar sobre a poesia da Manuella é um exercício que sei nunca ser capaz de cumprir. Suas perguntas são suas, sua busca algo que me escapará sempre. Detive-me por isso nas palavras, lugares palpáveis deste livro e são essas que gostava de partilhar convosco. Alguns versos que me ofereceram um lugar parado no tempo, o colapso dos ruídos à minha volta, o esquecer de minha própria consciência que parece nunca querer dormir. Espero que vos possam oferecer algo de semelhante. É muito.</p>
<p align="justify"><i>pés pequenos para tanto corpo.</i></p>
<p align="justify"><i>São elas, as moscas, que chegaram pra anunciar a primavera</i></p>
<p align="justify"><i>corpo caminho, porém morto e descompensadamente torto embora vivo</i></p>
<p align="justify"><i>mas mesmo/ queria ser laranja de/ pomar ou chuchu na / serra que dá aos montes o ano inteiro</i></p>
<p align="justify"><i>de cada caco varrido da tua vida em mil; / foi golpe</i></p>
<p align="justify"><i>Enquanto me cobram hojes, passo com o carro / na frente dos bois</i></p>
<p align="justify"><i>Ah, Renata! Eras tão clara ou mascarada / sob teus telhados de vidro estilhaçados? / Salve, Renata. Salva-te!</i></p>
<p align="justify"><i>serpentes de todas espécimes / humanas dormem nas árvores que também cochilam / aproveitando o vento da tarde;</i></p>
<p align="justify"><i>os outros são somente / onde eu gostaria de morar / pra não ter que morar em mim</i></p>
<p align="justify"><i>morreu ainda com vida / e embora tenha vivido quarenta anos / Já nascera morta</i></p>
<p align="justify"><i>Coração que pousa / no marfim elefante / dribla a morte</i></p>
<p align="justify"><strong>Judite Canha Fernandes</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Grito imóvel</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 May 2015 20:58:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">nunca senti medo
adquiri nas vezes em que vivi
acaso e ódio são uma coisa só
quando alguém morre no seu quarto
com a porta aberta</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Vivemos um contexto histórico e político no qual o silêncio assume conotações nocivas. É cada vez mais urgente estabelecermos diálogos, nos quais argumentos não sejam desmerecidos por uma pretensa rede de informação perversa e manipuladora. O grito contra o fascismo — seu ódio, sua intolerância, sua terrível e profunda malignidade — é, talvez, o único elemento transformador que nos resta. O grito é a literatura, e grandes revoluções subjetivas mantêm-se paralisadas diariamente dentro de cada um de nós.</p>
<p>Existe uma espécie de cacofonia nos poemas, um (des)arranjo poliédrico na própria sintaxe que incomoda pela violência que sugere. A comunicação e suas incontornáveis fissuras são pauta estrutural dos textos deste livro. É um universo de falhas e de repetidas tentativas (o que pode fazer lembrar o projeto de Samuel Beckett), entretanto, toda a história da poesia é uma história de reflexão formal sobre o mundo e sobre a impossibilidade de conciliação entre as partes: a forma, o nosso mundo.</p>
<p>Além de questionar a própria linguagem, os poemas abordam frontalmente a loucura e criam, por meio da radiação dessa ideia, frequências sonoras e rítmicas que experienciam a ausência de limites na lógica do capital. A voz dos poemas apanha de todos os lados e está sozinha.</p>
<p>A linha da razão talvez seja cada uma das linhas que compõem os poemas do livro; formas de decupar a simultaneidade, em ritmo alucinatório, de sons e imagens, em um mundo onde os seres podem voltar a ver, ouvir, dizer, gritar. Ao dizer “uma forma de falar mais das palavras”, Rodrigo Luis tenta aproximar-se de um melhor domínio da comunicação, para um aperfeiçoado domínio da própria subjetividade transviada pelo mundo.</p>
<p>Resta, agora, você, leitor, fazer esse grito entrar em movimento.<span style="color: #ffffff;"> Rodrigo Luis</span></p>
<p><strong>Victor Ávila</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Triângulo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/triangulo</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 May 2015 17:33:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[“veja, é mais seguro para sair por aí
com o seu chow-chow
se o ambiente da vizinhança
for melhor frequentado”
tudo projetado exatamente
para que o cachorro inocente possa
tomar o seu sorvete haagen dazs
direto da mão do orgulhoso dono
sem que nada seja capaz
de atrapalhar;
o teatro perfeito, no timing exato,
com luzes, câmeras, selfies e sorrisos globais
e inclusive a própria carolina dieckmann
se sentiria
em casa;
dizem que o dinheiro não compra felicidade;
quem precisa
de felicidade?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>a imagem é d’um menino<br />
que ao comandar soldadinhos de chumbo resolveu por se juntar aos nativos<br />
a imagem é a velocidade deu seu desejo<br />
um x-wing explodindo o avião yank antes de cogitar derramar o banho de napalm</p>
<p>a imagem é da queda de um drone alvejado por uma arma de feijão<br />
de uma casa com tv ligada em sonho<br />
de janelas e portas abertas pra assistir o que se toca<br />
o que se taca pra dentro ou pra escanteio de si<br />
e de tudo</p>
<p>um jardim delírio</p>
<p>depois disso é a cabeça do menino<br />
que funciona labirinto<br />
contando nos dédalos<br />
ícaros<br />
cantando no miocárdio<br />
um minotauro ainda mais que bicho menino</p>
<p>pueril e tormenta<br />
copo d’água em tempestade<br />
bola de poeira driblando o vazio no meio do conflito<br />
de homens mal resolvidos<br />
pois se esqueceram de como ser meninos</p>
<p>a imagem é de um fio desencapado<br />
tomadas de bastilhas e besteiras<br />
a irreverência e a relevância pros “i”s que antecedem coisas</p>
<p>esse livro é o mapa poético<br />
da geografia d’um menino</p>
<p>três ângulos :</p>
<p>confusos<br />
tortos<br />
agudos</p>
<p>de um planeta fora de órbita e a implosão dele</p>
<p>e a implosão de um homem<br />
pelo tumulto de seu povo<br />
criança</p>
<p>o gado incendiando um carro<br />
de boi<br />
de filho de fazendeiro que mais investiu em cercas e que não divide a bola</p>
<p>um menino<br />
com bic na mão e muitas piras na cabeça</p>
<p>uma bala perdida procurando<br />
desacertar os alvos. <span style="color: #ffffff;">Joaquim Bührer Buhrer</span></p>
<p><strong>Pedro Blanco</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Itinerário para Puma Punku</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 May 2015 12:56:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Mapas sanguíneos e protuberantes
pulsam
sobre o oceano da minha pele,
queimando
como labaredas solares.

Não há extintor para esse incêndio;
a prometazina pode tão pouco
contra
a hora do <em>rash</em>
os sinais vermelhos,
esse desejo de sair por aí
e fugir de mim.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p><em>Poeta</em> é um rótulo para personagens tão diversas quanto discrepantes. Tasso da Silveira é tão poeta quanto Tavinho Paes. Da mesma forma, Drummond ou João Cabral não são mais poetas que ambos por ocuparem locais de mais destaque em nossas estantes. Como são personagens diversas e discrepantes, seus mundos também o são; por conseguinte, são variadas suas ideias, seus valores e suas atitudes. Talvez engenheiros, advogados, médicos e economistas formem grupos mais ou menos homogêneos; quem viu um, viu praticamente todos. Poetas não. Cada poeta é um, a seu jeito, pois muitas são as formas pelas quais a poesia se manifesta.</p>
<p>Fernando Alves de Medeiros não só tem uma fina compressão dessas manifestações tão variadas da poesia, como uma das mais relevantes características de seu livro é uma sobreposição de tons e de dicções que põem em xeque certas práticas em torno do poema. Em <em>Itinerário para Puma Punku</em>, encontramos um guia lírico e sarcástico do centro e da periferia da cidade ou, se preferirem, do centro e da periferia da Cultura, no qual Fernando mescla linguagens e estilos aparentemente estranhos entre si, a do indivíduo empírico que se move entre esses extremos sociais e a do poeta que filtra, reorganiza e ressignifica as relações entre as pessoas.</p>
<p>Em vez de simplesmente dessacralizar, tirando uma vez mais sua aura, deixando se levar pela espontaneidade ou por alguma anedota ingênua promovida a estética, o que percebemos nesse <em>Itinerário</em> é uma poesia que aceita o desafio de incluir uma realidade invisível para a literatura, com a coragem de empregar expressões e referências populares, mas sem abdicar de procedimentos técnicos inerentes à poética, incluindo-se aquelas figuras associadas à tradição (como a menção às graças silábicas, à estranheza temática e aos octossílabos com pausa na quarta sílaba, no poema que dá título ao livro, que não há como ignorar ser uma citação a Manuel Bandeira), o que obviamente é um desafio permanente, pois os componentes dessa mistura precisam ser cuidadosamente administrados. O resultado a que Fernando chega poderia ser resumido como uma poesia que evoca as musas para cantar as minas.</p>
<p>É uma proposta que, por não levar em conta as hierarquias estabelecidas, corre seus riscos, já que o meio literário é um tanto cioso de suas convenções, mesmo as mais antiquadas, e não raro nega que haja uma natureza poética em textos que não sigam certos padrões instituídos. Roberto Carlos, Belchior, Nelson Ned e Mano Brown, presentes no livro, por mais que falem aos sentimentos e à necessidade de fabulação de um número incalculável de pessoas, não costumam frequentar páginas da crítica literária, que poucas vezes faz concessões para a cultura popular ou para a indústria cultural. Quando muito admite os <em>enfants terribles</em> da contracultura, já que toques de rebeldia convêm ao edifício literário. Grande parte prefere pensar como a crítica. O que vemos aqui não tem nada a ver com simples contestação de princípios, muito menos pose intelectual, mas uma demonstração de que há poesia para além das marginais, pois a beleza não escolhe onde e como aparecer. Há quem só consiga vê-la no <em>Jardin du Luxembourg</em>, mas Fernando Alves de Medeiros a vê também no Jardim São Nicolau, no Jardim Itatinga, no vagão de um trem suburbano ou no amor que se troca por um punhado de moedas.</p>
<p><strong>Paulo Ferraz</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Ressonância</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 May 2015 13:39:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">A esta hora da manhã e já lambendo os dedos?
A esta hora da noite e ainda de gravata?
A esta hora da vida e ainda de algemas?
A esta hora da morte e ainda com saudades?
A esta hora da viagem e ainda com enjoo?
A esta hora da infância e ainda com manha?
A esta hora da velhice e ainda se assanha?
A esta hora do show e ainda se acanha?
A esta hora do trato e ainda me estranha?
A esta hora da missa e ainda duvida?
A esta hora da barriga e ainda aborto?
A esta hora da dívida e ainda juros?
A esta hora das juras e ainda acredita?
Vou me retirar
A esta hora do velório
já nem me lembro quem era o morto.</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>O poema “Isso não são horas” nos apresenta a questionadora poeta Claudia Freire, que estreia em livro, mas está longe de ser uma iniciante. Já no primeiro verso, Claudia pergunta e responde e continua sem resposta. Inquieta e inquietante, como um poeta que se preze deve ser. Ela não fecha, não encerra. Abre novas janelas, “desesperada por ar”. Nós, leitores, respiramos.</p>
<p>A autora reverbera, ecoa, vibra. “Com fome/o poeta é uma mal traçada linha/que está por um fio”. Sabe que andar na corda bamba é ofício de quem envereda pelo verso. “Sou o que mais me assombra/vulnerável vulto/delicado nada”.</p>
<p>Seu olhar fotográfico registra horizontes e migalhas. Perspectivas das sobras.</p>
<p>Na mesmice do cotidiano, “a calmaria ficou impraticável”. A todo momento, a poeta desesperada por ar abre janelas como se fossem Matrioscas. Uma dentro da outra, outra dentro daquela. Outra característica de Claudia Freire é a ironia fina, um tapa na cara, deixado em “A marca indelével da emenda”.</p>
<p>Claudia Freire puxou o gatilho e acertou no alvo, na mira. E isso é só o começo.</p>
<p><strong>Lúcia Santos</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Um corpo estranho atravessando o fim do mundo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/um-corpo-estranho-atravessando-o-fim-do-mundo</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 May 2015 18:28:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Quantas vezes eu disse sim
para as máscaras de papel
que puseram no meu rosto
e lá ficaram
sobre as outras.

Quantos papéis eu deixei assim
vestirem o meu corpo
e a pele se corroeu
até o osso
sob o resto.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Quando pensamos em poesia – num direcionamento bastante simplista e clichê de nossas mentes – imaginamos algo sublime, belo, quase divinal. Mas não é disso que se trata a poesia e as artes em geral. A poesia se torna reflexo daquele momento histórico, daquele local, daquela situação em que ela está inserida. E nem sempre, ou melhor, quase nunca, se trata de sublimidade.</p>
<p>É nesse local da aspereza que a poesia de Bruno Gavranic habita. Seu trabalho é ruidoso, sujo, repleto de fumaça e poluição. Inserido no caos urbano da metrópole – neste caso, de São Paulo – os versos pulsam na mesma batida do trânsito, da violência, da inquietação das grandes cidades.</p>
<p>Mas isso não faz dessa obra menos poesia. Certa vez, o músico Kiko Dinucci, em entrevista sobre a música paulistana, criou uma imagem que muito revela (também) a respeito do trabalho de Bruno. Disse Kiko: “Essa paulistanice, encaro como um pombo, está na cidade, está sujo, vive de um jeito precário, mas sobrevive. No meio da sujeira, do cinza, da fuligem. O pombo não virou outra coisa, continua sendo uma ave”.</p>
<p>Assim como o pombo de Dinucci, a poesia de Bruno não se altera. Por mais incômoda que possa ser, ainda é poesia. E assim como o pombo, tem capacidade de voar. E voa, alcançando universos inimagináveis.</p>
<p>Sim, <em>Um Corpo Estranho Atravessando o Fim do Mundo </em>nos incomoda justamente porque diz a nosso respeito. Ao olhar para si, e lançar seu olhar para a cidade, Bruno apresenta um passo torto sobre o que somos, e como vivemos nessa contemporaneidade caótica. E sim, tudo isso, toda essa sujeira é bela. Afinal, a beleza das coisas se dá em como nos relacionamos com elas. E podemos nos ver belos, mesmo quando para o mundo parecemos apenas estranhos e sujos.</p>
<p>É necessário nos permitirmos a nós mesmos ficar incomodados. É necessário que vejamos beleza em nosso incômodo. E <em>Um Corpo Estranho Atravessando o Fim do Mundo </em>é o convite ideal para atravessarmos esse apocalipse urbano e alçarmos voo nas asas do pombo, que é sujo, mas não perdeu a capacidade de voar. <span style="color: #ffffff;">Bruno Gavranic</span></p>
<p><strong>Felipe Candido</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Carta lírica a otra mujer — antología poética</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/carta-lirica-a-otra-mujer-antologia-poetica</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 May 2015 18:34:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p class="p1">Mis nervios están locos, en las venas
la sangre hierve, líquido de fuego
salta a mis labios donde finge luego
la alegría de todas las verbenas.</p>
<p class="p1">Tengo deseos de reír; las penas
que de donar a voluntad no alego,
hoy conmigo no juegan y yo juego
con la tristeza azul de que están llenas.</p>
<p class="p1">El mundo late; toda su armonía
la siento tan vibrante que hago mía
cuando escancio en su trova de hechicera.</p>
<p class="p1">Es que abrí la ventana hace un momento
y en las alas finísimas del viento
me ha traído su sol la primavera.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p class="p1"><span class="s1">“</span>por su sencillez, por su sobriedad, por su escasa manifestación de emotividad, por su profundidad sin transcendentalismos. Y sobre todo por su información, propia de una mujer de gran ciudad, que ha pasado tocándolo todo e incorporándoselo.</p>
<p class="p1">Extraordinaria la cabeza, pero no por rasgos ingratos, sino por un cabello enteramente plateado, que hace el marco de un rostro de veinticinco años.</p>
<p class="p1">Su cabello, más hermoso no he visto; es extraño, como lo fuera la luz de la luna a mediodía. Era dorado, y alguna dulzura rubia quedaba todavía en los gajos blancos.</p>
<p class="p1">El ojo azul, la empinada nariz francesa, muy graciosa, y la piel rosada, le dan alguna cosa infantil que desmiente la conversación sagaz y de mujer madura”</p>
<p><strong>Gabriela Mistral</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Amor peixes e outras loucuras</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 May 2015 14:05:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p class="p1">Fui o Diabo de alguém a troco de compulsivo
Amor nos braços de outrem. Queixava-se do tempo
que tinha o corpo trocado com o inferno
vestidos de Lolita, uma ninfeta sem amparo —
e um pacto quebrado que impede os sobrelimites
da escrita – e do andamento nefasto da morte:
do consumo exasperado de literatura a troco
de umas poucas moedas de vida. Banalidades
que desaprendo com a virtude de desconhecer
a mão perversa que guia todos os poemas:
Sou-o por mim e de mais ninguém, alegras-me,
solidão de memória, inventada para todas as ocasiões
tal qual o vestido negro que dispo perante
Anjos Caídos, figuras celestiais à coca
de paranoias inventadas – redenções e outros
desgostos vívidos da fantasia que teima a vigilância
do demónio Maior Amor, Corpo torpe que cai-cai
e brilha a música que preenche o vazio e é
orquestra de espirito sem maestro. <span style="color: #ffffff;">Lígia Reyes</span></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p class="p1">Três temas se destacam ao longo desta obra: o esquecimento, a lucidez e a individualidade. Não fosse a segunda parte do livro apelidada de “outros exercícios de loucura”, pois sabemos que precisamente estas três componentes são parte essencial da identificação de um estado mental saudável. Contudo, a transfiguração da memória, o entendimento do que é ou não lúcido, assim como o respeito pelas individualidades são dimensões transversais a toda a gente. Não é só o sujeito poético que as atravessa, mas sim todos os leitores. Somos todos produtos de exercícios repetidos de loucura e de sentimentos absolutamente incompreensíveis, como os dos peixes. No poema “Noturno”, o sujeito poético fala das construções de abstração tridimensional como forma que cada ser humano tem de construir a sua realidade, “poemas exaltados sobre a nossa condição humana,/ mas frágil e de beleza vulnerável”. A poesia é encarada pelo sujeito poético como uma interpretação sempre do leitor, visível no poema “Estirpe”: “Revês um poema à espera de vislumbrar alguém;/és só tu, preso ao espelho em que te admiras”. O silêncio ensurdecedor do poema é reflexo da condição humana, do Amor Peixe, também ele indecifrável mas com tantas implicações emocionais. É o poeta apaixonado por um abismo que se atreve a metamorfosear o universo interior na forma poética. Nesta inércia física, o despertador é música que toca alarmando a cardíaca inércia uma vez que lá fora já é dia há muitos anos.</p>
<p><strong>Sara F. Costa</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Espiral</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/espiral</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 May 2015 19:49:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p class="p1">Lá fora ou cá dentro
não disse para te ires embora
Só
que fosses com tudo, disse-te</p>
<p class="p1">Não percebeste o essencial da questão
e nunca voltaste.</p>
—
<p class="p1">Afuera o aquí dentro
no dije que te fueras
Sólo
que fueras con todo, te dije</p>
<p class="p1">No captaste la esencia de la cuestión
y nunca volviste.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p class="p1">O imutável, o impróprio, o imperfeito e a improbabilidade entram num poema… O título do livro de Irma Estopiñà, Espiral, remete-me de imediato para Spiralling, de Antony and the Johnsons, um lamento musicado que debate a possibilidade e o poder de morrer, a incapacidade de levantarse, um coração partido e congelado permanentemente nesse estado.</p>
<p>—</p>
<p class="p1">Lo inmutable, lo impropio, lo imperfecto entran en un poema… El título del libro de Irma Estopiñà, Espiral, se refiere de inmediato a la canción Spiralling, de Antony and the Johnsons, un lamento musical que debate la posibilidad entre la muerte, la incapacidad de levantarse, un corazón roto y congelado de manera permanente.</p>
<p><strong>Gisela Casimiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>O Ganges represado</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-ganges-represado</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 May 2015 14:15:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">Há inevitavelmente, em qualquer período
entre catástrofes, uma noite de chuva boa.
O trabalho termina mais cedo e pensamos
ainda ontem tudo era cálculo, sordidez
e sangue, mas agora a paz respira amplamente.
Ainda há, inevitavelmente, o amor
que ainda se ergue, que ainda caminha
como um animal sem medo dos relâmpagos.</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Há uma frase no Rigveda que Nietzsche utilizou na abertura de seu livro <em>Aurora </em>e que diz o seguinte: “Há muitas auroras que não brilharam ainda” e não pude deixar de me lembrar, enquanto lia essa obra de Daniel Francoy, desta luminosidade que fica sempre à espreita como se buscasse uma rachadura para penetrar. Não significa, de modo algum, que as pessoas que lerem esse livro serão iniciadas em algum tipo de iluminação espiritual, muito embora isso possa acontecer, mas, sim, serão lançadas na experiência mais crua de uma presença diante do cotidiano prismado e alterado pela palavra da poesia. Na aurora de Daniel, “cai a palavra treva, a palavra/ sem frutos que não o dia” e com isso Drummond (uma referência forte e cara ao poeta) pode aparecer na praça XV misturado a cenas domésticas onde se compra gin barato no Carrefour da Via Norte.</p>
<p>As aberturas que o poeta de Ribeirão Preto cria nos dias são características de uma poesia que já é madura e que revela maestria com as imagens e o ritmo.  Assim, “ter o Ganges represado/ dentro do peito raso” é uma das sensações que o poema “O Tempo Estéril” deixa a quem se ocupa da arte da escrita. Muito se fala sobre o escrever, mas quase ninguém deixa entrever, na poesia, os resultados de uma reflexão sem que isso se torne um conjunto de sentenças intelectuais recortadas de lugares-comuns. Neste livro, pode-se perceber que o autor se debruça sobre o sentido do que é escrever, mas jamais deixa que essa busca se sobreponha à intuição original da arte criativa ou, ainda, que ela seja afogada pela convicção de ter descoberto fórmulas pessoais. Fala, então, de amor, da morte, da madrugada, da chuva, da política, de tornar-se um homem, etc., porém, de uma tal maneira que não se é enxertado pelo óbvio, mas pela revelação de que tudo isso existe. Assim, os poemas passam a nos habitar e a ensinar modos de ser no mundo que antes estavam esquecidos ou coagulados pelo tédio e pelo cinismo contemporâneo.</p>
<p>Talvez a característica principal de sua poesia seja justamente essa capacidade de des-velar o que é o mais próximo de nós, de nos abrir para o que está presente na intimidade e nas coisas que nos circundam, sem perder a dimensão de que isso tudo é ainda <em>mundo</em>. Não um mundo apenas de frases de outdoor e panfletos, mas um mundo onde as palavras ainda podem inaugurar modos de sentido, de revelação e transformação.</p>
<p>Daniel Francoy é, ainda que esse rótulo seja usado para muitas pessoas que apenas balbuciam versos, um poeta. Como ele mesmo diz: “Não acredito na poesia/ como algo que me transcende./ É, antes, a ressonância/ da dor que me foi legada/ por caber em meu próprio corpo”. Não é essa a percepção mais essencial, a de que há uma única ferida e que dela nascem palavras que são pássaros, violinistas, cinzas, um passeio de carro e o Ganges?</p>
<p><strong>Augusto Meneghin</strong></p>
<h2></h2>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Sinto mais que qualquer coisa</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/sinto-mais-que-qualquer-coisa</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 May 2015 16:48:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Meu peito é oceano.
Seu vaivém infinito
mistura tudo o que guarda
longe dos olhos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Camilla escreve com a urgência de quem confronta o desespero, de quem toca um tambor no meio do silêncio do mundo. Seus textos não atravessam na faixa ou obedecem cartilhas. São, sim, um amplificador da voz que ninguém ouve, com força e poesia suficientes para derrubar beijos, prédios e certezas.</p>
<p>Quando escreve, é como se nos avisasse que nem todo abismo é feito de quedas — mas que ficar pendurado na pontinha dos pés talvez seja a maior das coragens.</p>
<p>Camilla escreve com o impulso de quem não perde tempo descobrindo se o copo está meio cheio ou meio vazio. Se amor é sentimento justo, coisa do tal destino ou uma roleta sem freio. Nada disso parece importar. Sua escrita quebra o copo em pedacinhos do tamanho do mundo de cada um.</p>
<p>Em seus textos, o amor existe porque resiste. Nada é fácil, previsível ou declarado. Nada é certo, pra sempre ou registrado. Suas janelas têm vista para o lado mais difícil: aquele que as pessoas se esforçam para não revelar.</p>
<p>Camilla escreve como quem acorda no meio do sono. No meio do sonho. Ofegante. Cada palavra tem respiração própria, como uma moldura que corre pela cidade sem se pendurar.</p>
<p>Camilla escreve em nome do silêncio.</p>
<p>Um silêncio que pensa, preenche, provoca.</p>
<p>Um silêncio que grita.</p>
<p><strong>Felipe Valério</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Clitóris Clítoris</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/clitoris-clitoris</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 May 2015 14:24:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p class="p1">Milhares de mulheres
Anualmente
Sofrem agressões físicas
…………Sob a diagnose antropológica
E médica de «mutilação
……………..Genital feminina»</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #ffffff;">Maria Estela Guedes</span></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Metafísica da ausencia</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/metafisica-da-ausencia</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 May 2015 14:41:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p class="p1">Cando paso polo limiar dunha lembranza
amparándome na mudez
pretérita ó soño que me traza no desvelo,
presencio o nome da morte que te leva
co clamor dunha agonía. A dor é sobre todo
aquí:
na palabra ó repouso dun río,
no tempo non chegado,
no recordo da memoria que eu invoco.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p class="p1">Metafísica da ausencia é unha procura da ausencia que nace preñada por un anticristo que vén para asasinar toda presenza redentora e enclaustrala no esquecemento da historia. Ao final, a ausencia é o todo, que é o mesmo que a nada, o que nos  devolve á partida entre “Alguén” e “Ninguén” co escenario dun horizonte gris que paraliza todo argumento estético e que activa aos reporteiros que transmiten para nós ese enfrontamento coas cartas marcadas entre ese traizoeiro “Alguén” e ese ferido “Ninguén”. O autor tenta establecer unhas regras para a partida e recorre á memoria, a cal se amosa como un xuíz que “anda” e “ desanda” os versos e que constrúe unha distancia que leva aos recordos e ao silencio. Alí é onde as flores exercen de reporteiras e de rastreadoras das ausencias, dos recordos e das presenzas. A flora completa unha fraga aturuxada pola noite que fai de beira para un novo mar, que leva á ourela cunchas de odio e de amor, que nos axudan a crecer e a espallar sobre os nosos pés area para construír o noso camiño. O poemario sitúa a “Ninguén” vinculado á palabra, á nostalxia e plastifícao “enfronteirado” co soño e a consciencia. E presenta a “Alguén” como un espello para o “Ninguén”, que cociñan un universo de palabras sonoras. Ao final todo nos leva a un fin. É a nudez dos individuos que se sitúan fronte ao destino. <span style="color: #ffffff;">Marcus Daniel Cabada</span></p>
<p class="p1"><strong>Israel Sanmartín</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Astigmatismo ou redenção</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 May 2015 20:46:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p class="p1">Ilustrado por Inma Serrano &#38; José Louro</p>
<p class="p1">Não há absolvição
apenas a ilusão de um recomeço
a subversão do ontem
perfídia disfarçada
urdindo formações de desalojados
saciando a abstinência virulenta
cabeças que cortam cabeças
matilhas de pássaros orgânicos
causando a obstipação dos profetas</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2>Sobre este livro</h2>
<p class="p1">Astigmatismo ou redenção é um livro felizmente sem chave que coloca, ao mesmo tempo, em cena a bruma e o brilho, a morte e a claridade, a mesa (farta de ser) e a sua severidade. No final, não há uma única palavra que se sinta circunscrita, pois aquilo que se salva acaba sempre por escapar ao insondável. Matéria exposta, pois então. <span style="color: #ffffff;">Pedro Loureiro</span></p>
<p class="p2"><strong>Luis Carmelo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Água forte</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/agua-forte</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 May 2015 17:15:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[fervem nos ombros
dos montes
as pedras do silêncio

e isto podia ser o mundo
ou a casa onde a morte
se cansa de mentir

no céu, só os restos
dum incêndio trabalham
esta febre do olhar

toda a tarde
te respiro por entre
as árvores submersas!

estou tão quente
como um fruto
que o sol ferrou

só, só eu
te sei cantar
até seres chuva

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>O tempo gera seus frutos na escuridão da terra, isso é fato. No entanto, o caminho que a semente percorrerá até virar colheita é misterioso. Não podemos prever o rumo dos ventos, nem o número de eras que tardará, nem o instante preciso em que a vida se faz. Foi nesse emaranhado de destinos que conheci Gil T. Sousa.</p>
<p>Seria ingênuo e pretensioso de minha parte descrever o tamanho desta obra. “Água forte” é um livro precioso que guarda “geografas de sangue”, “apodrece dilúvios” e que nos mostra que não se pode apreender rostos apenas contemplando quadros. Seus versos falam da imensidão de nosso breve suspiro no mundo, de nossa finitude, mas não se esquecem de revelar a eternidade das pequenas coisas, como algum amor que um dia esteve logo ali e hoje lateja apenas na memória, numa paisagem ou em algum gesto antigo. A poesia, neste livro, se faz do exercício diário de experimentar os olhos além da geografa cotidiana. Por isso é preciso ter coragem, derrubando os muros que guardam aquilo que não podemos ver, até que reste apenas “o silêncio se curvando como um animal sem voz» e escutemos, por fim, a profusão de pássaros escondidos nas palavras desse poeta.</p>
<p>Não tenho dúvidas da força tempestuosa e da bonança contida nas páginas a seguir, por onde saltam angústia, místicas manhãs, rumores de estações anônimas, e de onde a esperança não se esvai, mesmo quando o desconhecido emerge das cinzas em círculos de fogo.</p>
<p>Além de sua belíssima obra, Gil também contribui de maneira efetiva para a difusão desta linguagem chamada poesia, pesquisando e divulgando inúmeros autores. Talvez esse trabalho tenha sido um dos diversos fatores que construíram sua voz singular, afinal de contas, conhecer aquilo que já foi feito ajuda a traçar novas veredas.</p>
<p>Meu caro Gil T. Sousa, quando despertarem os últimos poetas e as aves solitárias me conduzirem para além dos bares, eu tomarei de teu cálice, juntos brindaremos a solidão dos deuses e te agradecerei por me “ensinar como regressar às palavras que abandonei e abraçá-las como filhos perdoados”.</p>
<p><strong>Tiago Fabris Rendelli</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>fronteira paraíso</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/fronteira-paraiso</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 May 2015 14:50:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p class="p1">con fotografias do <span class="s1"><b>jesús andrés tejada</b></span></p>
<p class="p1"><i>A casa tiña un xardín de medio lado
</i>e había flores, pero comíalas,
quedaban os talos, as espiñas.
Había tamén un can que aproveitaba as espiñas
e recibía golpes se roubaba algo da mesa;
as demais persoas á mesa comían de min.
Durante o día era engulida sen ser vista,
por iso, mesmo que quixeses,
non podías pronunciarme.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p class="p1">A foto desenfocada de Paraíso non deixa fechar os ollos. Como será durmir nun un lugar que non é lugar? É un tempo, de noite? É a idelización que todas herdamos materializada nunha casa, unha fiestra, un xardín…Unha diana contra a que o propio amor dispara a matar.</p>
<p class="p2">Idilio terrible por impronunciable, querer traducilo a palabras e converter a experiencia da escrita en ritual. A lectura é catártica e, desde o fondo do escuro, ilumina. <span style="color: #ffffff;">silvia penas estévez</span></p>
<p class="p2">O poema é gritar salvaxemente e preguntarse como domesticar a frustración,<i> </i>é<i> </i>escribir o corpo e trazar un río-límite sobre o territorio informe da vida, é <i>«limar a lingua, limar os labios</i>» de desespero para chegar á fronteira e desfacela.</p>
<p class="p2">Franquear as múltiples portas deste poemario, entregarse ás palabras, é bucear na superficie ou planear na profundidade; confrontarse coa herdanza colectiva que construíu un paraíso equivocado, «<i>e nada máis/ e isto é moito e pouco/ e nada máis</i>».</p>
<p class="p2"><b>Area Erina</b></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Outono azul a sul</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/outono-azul-a-sul</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 May 2015 17:32:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[é uma entrada de luz por um furo
que pode ser um poro
e a luz pode ser um touro
o amor pode ser um apuro
uma brutalidade
e pra retirar o bicho cirurgicamente
pode ser duro
pode ser duradouro
uma eternidade
tecnicamente uma fraude
um silogismo indecente
há um sismógrafo no escuro
que pode ser um soro
o sangue sumidouro
daí o amor pode ser puro
novamente (e novamente)]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p class="p1">Belíssimo, outono azul a sul é como uma onda que nos arrasta desde a primeira linha até lugares impossíveis de prever. É tão raro encontrar um verdadeiro poeta.</p>
<p class="p1"><strong>Ana Teresa Pereira</strong></p>
<p class="p1">Prêmio Oceanos 2017</p>
<p class="p1">Entre Lisboa e Rio de Janeiro, desponta um novo canto, herdeiro do vento, do desconcerto e do lírico. Assim é a poesia de Calí Boreaz, geografia do tempo, em seu instante forte e delicado. Uma estreia vigorosa, uma noite que grita, para dizer o mínimo.</p>
<p class="p1"><strong>Paula Fábrio</strong><br />
Prêmio São Paulo de Literatura 2013</p>
<p class="p1">Ao se dar a conhecer em versos de paixão precisa, Calí Boreaz é a poesia e nela aponta novos sentidos. Rosa dos ventos que, colhida de abismos marinhos, exala perfume de “maresia distante”. Seguimos viagem. No rumo ou à deriva, que importa se são seus versos a nos soprar as velas?</p>
<p class="p1"><strong>Francisco Azevedo</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Ontem estive cálido</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/ontem-estive-calido</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Apr 2015 14:36:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">o escuro bate nos ombros
pra dizer, vago:
te engulo
te resolvo
te amedronto
te domino sem dó.</span>

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>O poeta carrega o desconforto, dele retira a razão e o movimento de seus versos. Quando Riobaldo afirma que viver é perigoso, em <em>Grande Sertão: Veredas,</em> desenha o caminho da poesia que se esconde nos dias. Em <em>Ontem estive cálido, </em>Marcus Vinicius mapeia esse caminho, tateando os desenganos, refundações e revérberos. Os poemas apresentam o olhar passante de quem é parte e poente, por isso segue com distância analítica sob a inelutável luz lírica de quem usa as palavras para prenunciar. O olhar é um instrumento de luta contra aquilo que espreita diariamente aqueles que insistem em depositar fé, que insistem em apresentar a defesa para os descaminhos com alguma forma de afeto. A poesia que se funde ao contar é construída ao transpassar o tempo e a percepção do poeta sobre ele mesmo. O ontem é suspenso e o agora é devidamente mensurado quando a poesia tenta significar a semântica do olhar. A dosagem que é destinada para a mudança é a própria sorte de quem doutrina o ar que respira. O poeta traz a cultura do povo em imagens de ontem e hoje, iludindo ou não a fé do leitor, levado a continuar a refletir sobre o calor que vai sempre nos apresentar para a vida. Gozando de versos comedidos ou livres, Marcus Vinicius cria uma obra que é verossímil à vida por doer igual, quando os poemas são acometidos pelos perigos comuns a todos, quando o ontem pode ecoar agora ou servir como um trampolim para mergulhos diferentes. A poesia aqui é um desenho desse passante que caminha pelos dias imensos e procura entender o que se perdeu e aquilo que resistiu. Assim, além de uma ferramenta política, ela se transforma em uma panaceia para o que ainda escorre por entre os nossos dedos.</p>
<p><strong>Tiago D. Oliveira</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Viajo com os olhos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/viajo-com-os-olhos</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Apr 2015 17:36:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<strong>Autopsia das utopias (1986)</strong>

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<h2></h2>
&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>O interesse pelo que há de mágico, incógnito e sapiencial na linguagem marca fundamente a poesia de Elson Fróes. Em seus trabalhos, os possíveis – e sempre abertos – sentidos deslizam explicitamente entre diferentes línguas e códigos. Deslizam como no poema “Lizard”, ou em “Gertrude Stein in the NET”, entre outros. A este deslizamento (a viagem) entre códigos Fróes chama “tradução intersemiótica”, procedimento estudado de modo pioneiro por Julio Plaza e que está na base da criação da maior parte dos poemas deste livro.</p>
<p>No poema “Gertrude Stein in the NET”, Fróes toma o famoso verso reiterativo “a rose is a rose is a rose”, de Stein, substitui a palavra “rose” pelo emoticon de rosa ( – &lt; – &lt;@) e dá ao conjunto uma forma circular. A substituição da palavra pelo emoticon, se por um lado lembra visualmente a imagem de um botão de rosa, por outro enfatiza seu caráter de signo, de artifício humano. Este e vários poemas do livro foram transformados pelo autor em GIFs e/ou videopoemas, o que confirma essa busca de sua poesia pela constante tradução e mutação em outros códigos e suportes. Busca, esta, também perceptível no fato de que Fróes, algumas vezes, cria uma nova fonte tipográfica para a realização de um determinado poema. Forma e conteúdo assumem relação muito íntima, desígnio que o poeta abordou no poema “XXX”, no qual retrabalha formalmente a frase de Fernando Pessoa “tornei minha alma exterior a mim”.</p>
<p>A tradução intersemiótica, tão presente nos poemas deste livro, é também um procedimento intertemporal. Épocas diferentes – e, acrescentaria: lugares diferentes – são marcadas(os) por dispositivos semióticos diferentes. O tempo é um tema recorrente na poesia de Elson Fróes, como podemos constatar nos poemas “sol no templo”, “devir/dever”, “tempo espelho”; “autopsia das utopias”, “caixa”, “lápide” e “Orfeu”. No poema “tempo espelho”, por exemplo, a estrutura visual do texto e a tipologia utilizada realçam uma simbiose das duas palavras de modo a romper a linearidade vigente na concepção contemporânea de tempo. Mas, o tempo, para Fróes, não é apenas um tema; ele está entranhado nos próprios procedimentos de criação, como podemos ver em “alvo”, “recifra-te ou devoro-me” e “love poem”. O primeiro utiliza linguagem poética e tipologia gráfica de inspiração camoniana; o segundo se vale de hieróglifos egípcios de uns 3.000 anos de idade; o terceiro tem como eixo uma runa secular. Em todos eles, o que nos toca não é um fetichismo saudosista, mas um<br />
estranhamento que suspende as noções estabelecidas dessas marcas semióticas de diferentes tempos e lugares e as fazem se interconectar com o tempo presente.</p>
<p>Assim, este livro é importante por reunir grande parte da produção poética – que andava dispersa – de um poeta raro pela constância e coerência de sua pesquisa. A reunião desta obra permite compreender a dimensão dos desafios que Elson Fróes tem enfrentado na tarefa de “airar o que empedra”.</p>
<p><strong>Julio Mendonça</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Delicadezas</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/delicadezas</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Apr 2015 17:33:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[seca primavera
resta um galho de esperança —
pássaro que canta

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>As delicadezas wladimirianas escorrem contracorrente. Já começam em forma de pássaros, animais sonoros, voadores, miméticos, íntimos da natureza delicada. Sob a musicalidade do S e do R de pássaros, saboreamos “Ossos ciscam, / saltitam silentes”, para pequenos pássaros que visitam a terra, e provamos “Do outro lado, / ronca o tucano, / negras asas ruflam”, para que a presença preguiçosa da ave surja dentro do nosso ânimo. E as páginas e os versos seguem contemplativos na delicada construção de imagens por meio dos sons do pica-pau e do eco da cisterna, por meio da paisagem que as palavras compõem em um opaco enigma que conduz à liberdade, por meio da solução minimalista e reflexiva dos haicais que, na brevidade, oferecem a calma brancura do que resta na página. Brancura ressaltada até pela delicadeza do vermelho das árvores com acerolas no Natal tropical — pleno verão suavizado pelos três versos.</p>
<p>A intertextualidade é outro assunto delicado na pena do autor.  Em “Memória”, a fé cega na poesia é equilibrada “no pó do tempo e das palavras” por imposição edípica, necessidade de conhecer o desejo que move o ser e obriga a decifrar para não ser devorado: “mistérios do mundo”. Em “Quadrilha”, rende homenagem ao mestre Drummond. E esse sapo (do Bandeira?) que destoa a paz da noite e martela os sonhos, seria ele, “estranho na noite”, junto com a “rapina da noite”, formas para o estranho freudiano versejado pelo Wladimir psicólogo?</p>
<p>A delicadeza da voz autobiográfica manifesta-se em diversos tons quase silentes. Amores, desesperança e trabalho vagueiam, mas também estão condensados. O compromisso com a agrofloresta e com a sustentabilidade, trabalho de braço e coração, está no espanto com a “primavera árida” e seus sons que permitem propor a salvação da terra por baixo das folhas secas. Adiante, mesmo sem chuva, brota a memória da natureza; no galho seco, a esperança verdeja no canto do pássaro. “Verde verso amar”. Então chegam flores amarelas pontilhando a primavera com águas. Em contraste, o gesto delicado pode vir irônico ao se descrever o bairro de Lourdes, onde mora o autor. E a delicadeza do encanto com o corpo humano tem tez e vez. Além dos ossos dos pássaros, intuídos na delicadeza da arquitetura da vida minúscula e mimética, os ossos humanos da mulher encantadora não permitem desvelar sua delicadeza, ainda que sustentem a carne em que pulsa em curvas o desejo de quem a vislumbra.</p>
<p><strong>Bernardo Monteiro de Castro</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Estaca zero e outros desvios de percurso</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/estaca-zero-e-outros-desvios-de-percurso</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2015 19:58:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[mulher,
te olhar, em fera
te ver em
fúria
na ânsia de dobrar-te toda
e sair feito papel-dobradura
cheio de vincos, riscos, cicatrizes,
mulher,
não há desejo ou manha,
tu estás em chamas
e se consome toda
em si]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Conheci as Rimas dela na primavera de dois mil e dezessete, ainda antes do nascimento da Vênus, e naquela época os versos já não me pareciam cindidos ao meio, mesmo Marina sendo a poeta concreta concretizada. É verdade que seu eu lírico insistia nas encruzilhadas, nos lados menos claros das estradas, nas brincadeiras arriscadas, nas verdades extravasadas, nas dúvidas, nas tentativas, no amor maiúsculo e, invariavelmente, nos erros. Mas não era possível afastá-lo da mulher-Marina, que era, ao contrário, uma força que só avançava, domando de imediato cada ambiente em que adentrava, preenchendo cada pessoa que conhecia, como é certo que continua a fazer, sempre esvaziada de medos.</p>
<p>De volta à estaca zero, re(pensada/imaginada/visitada), as palavras dela também carregam e transmitem esse poder que Marina encerra em si. Porque se o amor se esconde na neblina fina entre a areia e o mar, não é esse o lugar que a poesia da vênus-construída agora habita. Certa de todos os passos que deu depois de sair da concha marinha e se lançar à vida, ela é capaz se reconhecer que seu mundo é dentro de casa, que só se vive dentro de si. E é partindo desse porto que os seus poemas deste novo livro vão promover o exercício de fazer com que os leitores viajem, mesmo que à deriva.</p>
<p>Se antes víamos mosaicos construídos a partir de vazios, navios, telas em branco, solidão, cartas jamais recebidas ou enviadas, saudades e dores, hoje os seus espaços são inundados por uma chuva melancólica e inesperada que se intercala, página após página, com um sol de nostalgia boa, com os jogos, com os brinquedos das crianças descalças no parquinho, com a voz de alguém que canta amores do passado e do futuro enquanto constrói sua própria fortaleza, cria seus próprios territórios e demarca os seus próprios limites, apesar dos desvios de percurso.</p>
<p>Aceitar comprar o bilhete para essa viagem é ter a chance de poder olhar Marina por dentro dos olhos, de enxergar aquilo que se abriga sob sua pele, de ver o que há entre os espaços de uma e outra estrofe, de ouvir os ecos de outros poetas na sua voz, de assimilar tudo aquilo que nos cerca sem grandiosidade: depois, todas as outras viagens parecem impossíveis.</p>
<p><strong>Gabriela Antonia Rosa</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Ombros Hereges</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/ombros-hereges</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Apr 2015 14:34:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[desejo não pede desculpa

não culpa as falhas de comunicação
a imaturidade o orgulho
nem qualquer coisa assim

não se amarre ﬂertando
todas as faces desse equívoco]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p><em>Abro essa carta/livro. Me deixo levar. Leio em uma “correspondência” – a cadência do que em seguida se torna em seu movimento: livro-poema. Me deparo, logo na entrada, com esse M. – com o M. que assina a correspondência e cria traço para que a leitura caminhe. Destaco – da letra à palavra – o que se escreve, o que cai ao solo, o que se move e poliniza fértil com o vento, o que pulsa tempo – como sangue: “o prelúdio trovoa vermelho e anuncia água”. Da metáfora ancestral – “essa coisa que arde e é líquida” – que crava a terra – o calor de uma mulher, a transmissão milenar dos saberes de uma mulher – a transmissão dos orixás – que conta e não conta com o conhecimento. Adentramos aqui as franjas do amor. Como que em um continuum, é possível ler: da mulher, na mulher, pela mulher – sem pausa, no entanto em ritmo preciso, o amor. Uma circularidade – não há ponto de separação: da palavra, na palavra, pela palavra. Está sempre em ponto de heresia. Os ombros hereges – revelam simultaneamente – o que há de mais visível para se expor da libertação histórica de uma mulher – escorrendo – para a singular marca erigida, herética do que a poesia de M. mostra na semi-luz, no lusco-fusco. Há uma vertigem, a fortaleza crescente de um lugar que se insinua como vento anterior ao ventre da Mãe e dele germinado. O corpo-palavra de M. percorre, em nós leitores, dois tempos: no primeiro, a correspondência – no segundo, o poema. Dois tempos indivisíveis, indissociáveis: a correspondência é poesia penetrante e anuncia: “simultâneas existimos nessa terra e assim nos entranhamos.” O livro atravessa, em sua pulsação de versos, o corpo do leitor – pungentes as palavras circulam e ecoam entre diferentes poemas – seguindo um fio de escrita. A letra arranha as retinas – e seguimos junto a essa letra-nome – que por acaso, e não por acaso, me levam a essa mulher, a uma mulher, à letra da mulher – que inscreveu sua escrita na terra, na escavação da pele que recobre e aproxima os ombros descobertos – da força que se transmite. Letra e nome próprios. Próprios e prontos para atingirem e atravessarem outras línguas – outros corpos – abertos à leitura e dispostos ao amor.</em></p>
<p><strong>Marcela Aguilar</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>A última casa noturna da manhã</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-ultima-casa-noturna-da-manha</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Apr 2015 13:29:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Numa rédea curta
Raspando as unhas no asfalto
Espumando gula
Ganindo pecados
Eu conduzo
Eu carrego
bem perto de mim
os meus sete diabos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>O Flávio, que não é de Carvalho, pediu a um neófito em poesia falar sobre esse livro. Logo eu, que só li Bandeira, Barros e Drummond? <em>Anyway</em>, me senti à vontade porque além de poético, <em>A última casa noturna da manhã</em>  é rua e é cu sujo — ah, claro, tem uns fragmentos do projeto “7 Capetas”, que é dos poucos rolês de poesia de rua que eu realmente admiro (inclusive ajudei a escolher quais o 7 que casariam melhor aqui). Não é por um acaso que o projeto “7 Capetas” vem com um livro próprio logo na sequência.</p>
<p><em>A última casa noturna da manhã</em> é pra quem não se assusta com a Rê Bordosa, com a vida amarga. São poemas curtos, rápidos (rasteiros ou não) que carregam uma miríade de referências: <em>Febre do Rato</em>, Wander Piroli, Rodrigo Ogi, Bukowski, Gutierrez, João Antônio, Adbusters etc. Agora quero ver se esse viado vem na minha casa tomar um café (Acreditam que ele me ofereceu uma mísera pontinha pra escrever isto aqui? Já aviso que quero um exemplar do livro e 50g do verdin, se for prensado, dispenso).</p>
<p><strong>Urso Menor</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Nada acontece</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Apr 2015 11:26:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[a palavra evapora da boca da mulher
se assusta com o alarme do despertador
se deforma em sessões de análise, a palavra
afunda em águas cloradas, se
arruína da cabeça às mãos e se despede
como o embrião no redemoinho da privada e se
parte nas portas abre-fecha de aeroporto, a palavra
se enferruja dobrada no fundo da bolsa
apodrece em alguma árvore e morre
no enjoo do caminho]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Começo a escrever essa orelha dentro do trem, termino essa orelha dentro de casa. No passeio de alguns dias, leio o livro de Carina Gonçalves como o enxergo: em trânsito. Passo pelas horas com suas frases ecoando em minha cabeça e me cobrando devagar, como em um de seus poemas, porque há prazos (sempre eles), as coisas por fazer e deslizo assim com o livro, com essa orelha ecoando em pequenas frases. O nada acontece e de repente me choco com os primeiros versos que atravessam o marasmo da vida, “os figurantes das minhas férias/ se repetem por erro/ de continuidade ou por baixo/ orçamento ou apenas para/ me mostrar o quão pequena/ é a cidade”. Olho ao redor e, agora, depois de acontecer o choque, penso nos figurantes da vida, na pequenez das cidades, no erro de continuidade.</p>
<p>E sigo carregando comigo o livro da Carina Gonçalves, sempre em trânsito, e enquanto o nada acontece, já dentro de casa, escolho uma trilha sonora e me lembro dos risos contidos de frente para os figurantes do trem. O chacoalhar do dia acontece e cá estou olhando para as páginas impressas em minha mão e pensando em tirar uma foto, quem sabe mandar esse poema para alguém, criar uma nova espécie de trânsito. Melhor, vou comentar com a Carina, não, vou fazer uma propaganda, pagar alguns anúncios, isso sim deveria ser uma orelha. Tudo porque mais um verso vem e confesso que precisei pesquisar quem seria sua Sylvia, quem é Chay Suede? E agora quem sou eu de frente para esse nada que Carina coloca em cima da mesa e “passa o guardanapo?”, no maior estilo <em>panis et circenses</em>. Estamos tão ocupados e Carina ali, registrando, ela é uma mulher e seu caderno e seus talheres e sua bicicleta.</p>
<p>Os objetos atravessam nosso olhar através das palavras de Carina. Enquanto ela registra, me lembro de Virginia Woolf: “sentindo na imaginação a pressão da mudez, o acúmulo da vida sem registro” e logo em seguida me lembro de que esse mergulho nos versos que leio são para esta orelha, essa mesma que vai ouvir e falar sobre todos os tilintares que Carina registra (ainda bem) nesse livro que você tem nas mãos agora, querida pessoa que ainda lê orelhas em livrarias (ainda bem).</p>
<p>Chego até aqui para dizer que tudo o que você precisa saber, no fim das contas, é que o aviso está gravado no título deste livro. É preciso atenção, eu mesma não me dei conta. Carina avisa, mas no vício da linguagem, acreditei mesmo que nada iria se passar aqui. Mas o nada acontece em privadas japonesas, em cimento e ardósia, em calças furadas, no asfalto, na sala, no deserto e, muito provavelmente, em você também.</p>
<p><strong>Estela Rosa</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Asfáltica</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/asfaltica</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Apr 2015 13:14:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[tenho o cheiro do seu suor na minha boca
preso no espaço entre um cabelo e outro
nas linhas do pescoço que não alcança o lavar
de ontem
você ficou na ponta dos pelos do meu nariz
nos panos que me cercam
e no começo do expirar para existir]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>O conteúdo que recheia não só as páginas mágicas que você está prestes a ler, mas também a alma da autora, é de uma simplicidade e complexidade que fazem jus ao nome da obra. Asfáltica traz consigo a poesia da cidade, da rotina, do coração e de tudo que tocamos, mas que nem sempre nos damos conta de como é belo. É uma espiadela no cantinho íntimo onde vive a Camila e que, a todo momento, reflete nossa própria gaveta de segredos. São poemas sobre quem vive em Belo Horizonte e gosta de catuaba, subir e descer a rua da Bahia, andar pela Afonso Pena, se apaixonar, sobre os amigos que nos deixam, sobre o arroz com pequi do fim de semana e sobre ouvir as histórias de família que nossa mãe nos conta e sem querer não tiramos de nós. Por favor, fique à vontade e não precisa bater na porta, entre sem pedir licença, viva um pouquinho desse lado e deixe flutuando por aqui tudo que também é seu e que também é dela e também é nosso. Boa leitura e cuidado para não se apaixonar.</p>
<p><strong>Rita Morais</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O tempo para cartografar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Apr 2015 14:30:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">somos cidades inteiras
itinerantes delas nada se sabe
endereço direção cidadãos
somos tridimensionais
no plano cartografado</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Em seu poema <em>Meditação para Bashô</em>, Max Martins observa sua “Solitária pedra-silêncio” em uma forma que avança e recua, que examina a superfície e rompe o silêncio denso através da cigarra:</p>
<p><em>A cigarra penetra o silêncio A voz / A voz solitária A pedra O templo A cigarra / O templo A cigarra penetra o silêncio: A voz solitária // A voz solitária A pedra O templo a cigarra penetra / A cigarra penetra o silêncio: A voz solitária / Solitária pedra: O templo A cigarra / penetra o silêncio: A voz</em></p>
<p>O texto de André Villani também oscila e explora superfície e interior, concreto e sensível. Mas em <em>O Tempo para Cartografar</em> — seu livro de estreia, ao contrário de Max, André examina as bordas de um objeto que por dentro é poeira, gás, partículas em suspensão.</p>
<p>Constrói as bordas e tudo o que cabe no entorno — a casa, a família, o chão, os barcos e as formas de um corpo caracol. Desenha mapas que começam no deque do jardim e terminam em uma poesia diversa, que procura sua forma com afinco e emerge potente, porque ao cartografar a borda o que desenha é o vazio.</p>
<p>Não a casa, mas o quarto de entulho; não o quadro, mas o anteparo de vidro que o reflete. Não o barco, mas as velas infladas de ar e o ar que infla as velas, a distância de um para si mesmo: 1,5 metro. A distância que se escolhe intransponível e a matéria de que é feita a distância — as paixões vistas com exatidão. Ao dizer “algo de certo nas vísceras do corpo” André ao mesmo tempo fala e evita falar sobre algo de errado no mais involuntário de si: as vísceras cujo sangue não se vê, cuja dor é lancinante, mas difícil de localizar.</p>
<p>A poesia que resulta desse exercício tem sua própria medida entre o exato e a paixão. Reduz o terreno a linhas e por fim as ignora, pisa sobre a areia. Mede cada palmo, ata o nó que segura a âncora, depois desata. Deriva, como os pés que “(…) NÃO TOCAM / nem de longe e nem de perto / o chão ao lado da cama”. Deriva no mar, na montanha, no mundo todo rasgado ao meio. “vai, vem”.</p>
<p>Mas é que <em>O tempo para cartografar</em> não mede cada palmo de terra. Mede os anteparos, palmos de ar, as distâncias vazias, “(…) o azul / longilíneo mar fechado / rasgando o mundo todo / ao meio”. André mede o contorno, até perceber que o contorno é fluido, desenhar no interior a cavidade, constatar que o centro é um redemoinho e que tudo em volta é mar, falta d’água, pura falta.</p>
<p><strong>Eliza Caetan</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Cru</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/cru</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 18 Apr 2015 18:01:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">a cidade foi fcando toda limpa dessa história
toda limpa de insurgência, toda açoite, toda glória
o passado se escorria, não havia mais tristeza
quem fcava em liberdade tinha acesso à natureza
mas o acesso vigiado, vasculhava competência
ó poeta vacinado declamava em decadência</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><iframe title="Felipe Antunes - CRU (2018) [FULL ALBUM]" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/sjtPGr9DQ54?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Haverá festa com o que restar</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/havera-festa-com-o-que-restar</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Apr 2015 12:39:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[agora eu queria o terraço eu queria deitar agora eu
queria o maquinário do sonho sem dormir eu queria
descansar agora eu queria esquecer eu queria correr
sem as luvas agora eu queria te receber sem dor eu
queria escrever um poema novo eu queria sorrir com
mais dentes agora eu queria uma obviedade que ainda
deixasse pairar um mistério ficcional por sobre minha
cabeça minha cara agora eu queria pular três semanas
eu queria agora desfazer a decisão de nunca mais
confundir agredido e agressor agora eu queria dizer
uma frase brutalmente simples para depois dela eu
nunca mais ter que me explicar]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro<span style="color: #ffffff;"> francisco mallmann</span></h2>
<p><iframe title="haverá festa com o que restar, de francisco mallmann" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/x4dbLzM9T6A?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<h2></h2>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Plástico Pluma</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/plastico-pluma</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Apr 2015 18:12:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[porque a minha tarefa é te lembrar constantemente
do porquê vale a pena salvar tudo que aqui resta.
meu trabalho é me embrutecer onde você é mais viva
e permanecer fresco, vaidoso,
no que você tem que esquecer.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Plastiglomerado. Não só a garça da national geographic, agasalhada em saco linha de mercado, nalgum lixão antártico, e pelos correios em mais dois invólucros plásticos. Um novo mineral, em que se incrustam pólipos e crustáceos, o qual abraçam as raizinhas dos musgos e veiazinhas dos animais, já é reconhecido pela ciência: plastiglomerado. Sem hífen, fundiu-se a natureza ao plástico. Os profetas e os poetas processam o lixo dos séculos; e salvam o planeta, porque Bispo do Rosário roga por nós, milenarismos de papelão no carrinho de um catador ou, num verso de amor pelos espaços virtuais, um buquê florido de pixeis: porque alguém saca, do lixão, uma flor, há dignidade no manicômio-Terra. Resta o desafio à poesia de nosso tempo, em sua tentativa de abraçar as coisas: assimilar o plástico, respirar a nuvem de poluição informacional, e fazer surgir daí seu novo elemento. Dos conglomerados ondulantes azuis, invocar uma Rainha do Mar, híbrida de águas e tecnologia descartável, à tona em guirlandas de cabos elétricos e escamas de plástico. Cantar, para a baleia encalhada na duna ferruginosa, canções de TNT. Fundir às carcaças eletrônicas o último espasmo de vida e imortalizar, no giro irônico de um gif, o gozo da implosão sistêmica, a catástrofe do capitalismo em perpétuo restart até o ponto do risível. O prazer de, num mar de plástico bolha, afundar. A glória de, sobre asas de plástico pluma, voar. É este o desafio, um deles, o maior deles, de Tomaz Amorim Izabel: sacar, ao torvelinho da liquidação global, um resíduo sólido de linguagem, <em>baphywave</em>, com o qual construir uma poesia, <em>Plástico pluma</em>, que dê ao mundo pós-bug do milênio uma nova anunciação e esperança. A matéria deste livro, o que os sobreviventes da guerrilha urbana logo notam, sem afãs de distopia, é muito concreta: de Ramala, esfumaçante de véus, ao vale do Anhangabaú, por cujas ruas vamos nós, com nossas raças, lutas e amores. Erguendo, para o imenso corpo de sucata e ultratecnologia da capital, um golpe nu de capoeira. Revivendo os fósseis que há no combustível que move a modernidade, o sangue ancestral que ferve ao som de atabaques. O voo de Plástico pluma traz à literatura de nosso país um impulso potente e nova alegria, a certeza que temos, ao ler um grande poeta, de que a tudo observam, sobre o plano de ruínas, os sábios olhos da águia.</p>
<p><strong>André Nogueira</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Pomas penicada</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/pomas-penicada</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Apr 2015 18:09:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ouvi seus jovens corações chorando
O ramo do amor mirando os remos
E ouvi gramíneas murmurando:
Não mais, não nos veremos!
Oh, corações; oh, gramíneas murmurantes,
Em vão, amor-tecidos, lamentarão!
O vento selvagem que soprava como antes
Voltar, revolta não.
<h2></h2>
&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Como lembra o estudioso A. Walton Litz, Joyce nunca deixou de ser um poeta. Começou escrevendo poesia, aos 9 anos, “Et tu, Healy” (1891), em homenagem ao herói irlandês Charles Stewart Parnell, e terminou com um impressionante poema, Finnegans Wake (1939).</p>
<p>Pomes Penyeach é uma série de poemas, 13 ao todo, que expressam os sentimentos mais pessoais do autor: “Ela chora sobre Rahoon”, por exemplo, foi escrito depois de uma visita de sua companheira Nora, na época Barnacle, ao túmulo de um amor antigo, Michael Bodkin, que se transformou em Michael Fury, no conto “Os mortos”.</p>
<p>Agora, esses poemas ganham nova vida em português pelas mãos de Vinícius Alves. Diz o tradutor: “Troduzir seria uma mistura de troar, introduzir e traduzir, ou seja, traduzir fazendo barulho, introduzir um ruído, quer dizer, chacoalhar, bagunçar o coreto, brincar com o texto”. E isso ele faz, como se pode aferir já na tradução do título que transforma Pomes Penyeach, de Joyce, em Pomas Penicada. Se no título de Joyce Pomes pode soar poems (poema) e penyeach soa penny each (pêni – uma moeda de um centavo – cada), na tradução de Vinícius, “penicada”, por exemplo, soa peni cada, penicada (um derivado de penico?, algo de pouca valia?, uma brincadeira com o leitor da tradução?) ou pinicada. De fato, as traduções aqui apresentadas pinicam o leitor, no bom sentido, e o despertam para as experimentações linguísticas de Joyce na língua de Guimarães Rosa.</p>
<p><strong>Dirce Waltrick do Amarante</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Sol quando agora</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/sol-quando-agora</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Apr 2015 13:29:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ilustrado por <span style="color: #ff0000;"><strong><a style="color: #ff0000;" href="https://editoraurutau.com/autor/ricardo-bezerra">Ricardo Bezerra</a></strong></span>. Música de<span style="color: #ff0000;"> <a style="color: #ff0000;" href="https://editoraurutau.com/autor/rogerio-botter-maio"><strong>Rogério Botter Maio</strong></a></span>
<p class="font_8">sou nua
nua estarei nua
sempre serei nua</p>
<p class="font_8">nenhuma nudez se contém
tudo me transborda avessos</p>
<p class="font_8">rio em chuvarada
sol de caatinga
mas te peço:</p>
<p class="font_8">me veste</p>

<h2></h2>
&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>(…) <em>sol quando agora</em> é um livro breve e denso. São 30 poemas, divididos em 5 seções, sendo seis poemas em cada uma e foi elaborado a seis mãos. Ricardo Bezerra, professor na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia e pesquisador das relações entre a linguagem visual da pintura com a literatura e a dramaturgia, produziu dois guaches para cada seção, sintetizando, em cada obra, a temática de três poemas. O artista faz uma releitura sensível da poética da Diana, intensificando o motivo solar por meio de formas, volumes, texturas e cores quentes e vibrantes. Os poemas foram escritos a partir da audição das seis composições de Rogério Botter Maio, contrabaixista, compositor, arranjador e produtor musical. Músico sofisticado de projeção internacional, Rogério já atuou com monstres sacrés da envergadura de Gerry Mulligan, Paquito d’Rivera, Lionel Hampton, e o gaitista Hendrik Meurkens e tantos outros, além de ter integrado o Nelson Ayres Trio de 1999 a 2005. Rogério Botter Maio busca uma linguagem musical brasileira, cujo sotaque dos ritmos nordestinos ressalta-se com a fusão do jazz, renovando a um tempo o jazz e a música instrumental brasileira</p>
<p>Segundo a apresentação assinada pelos três artistas, o livro “nasceu como gesto de alteridade, aposta no convívio de linguagens artísticas”. Além de uma lição de alteridade, os guaches de Ricardo Bezerra, os poemas de Diana Junkes e as composições de Rogério Botter Maio suscitarão no/a leitor/a uma tripla experiência estética; uma complexa rede de vasos comunicantes que se entrecruzam e permitem que cada artista ressoe a sua voz com autonomia. (…)</p>
<p><strong>Paulo Andrade</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Recital das reticências</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/recital-das-reticencias</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/recital-das-reticencias#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Apr 2015 13:35:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p class="font_8">A foto no jornal estampa o atraso
Faces de um submundo
Desfile de acusações
Respostas ensaiadas
Coreografias a envergonhar a história
Frases ecoam em ladainhas costumeiras
Velhos conhecidos
Novos figurantes
Vozes empostadas
Crianças sem formação
Espelhos do podre pensamento do eu
Eu posso
Eu quero
Eu tenho
O vírus da Zika atormenta</p>
<p class="font_8">Há vacina contra o homem?</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>O que vocês encontram aqui, nas páginas seguintes e principalmente aonde ela os levar, é mais ou menos uma montanha firme, uma poética consolidada e que por isso mesmo pode ruir, derreter, evaporar a qualquer momento: essa é a força da arte genuína: confiante, sabedora de seus gigantescos limites vulneráveis.</p>
<p>Armando tece líquidos, mistura-os, subverte-os, perseguindo seus vincos, seus cânions, suas lacunas. “Busca as alamedas da memória”, isola-as, cerceia-as, viciado em recuar-impulsionar sirenes. Nesse “lamber o sal que escorre do peito” amplifica rimas internas e aliterações delicadas, vagando no “recital das reticências” e, talvez por isso, esmagando “as vértebras inoperantes da razão”.</p>
<p>Nessa fonte ritmada pode surgir uma bolha, encapsulada e solitária, que convida e é convidada a dançar conosco: na delicadeza, no fluido, no peso, no ruído, no fluxo, na contradição: nas incertezas sutis dos escafandros contemporâneos.</p>
<p>Você, leitor, “deixa verter o líquido azedo”</p>
<p><strong>Diego Pansani</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Aqui nem Deus é gente</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Apr 2015 13:58:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">Saltar ao pescoço de um velho e lhe
beijar no meio da multidão.
Acender um charuto ao lado do barril
de pólvora.
Tacar fogo numa ﬂoresta para ver em
quanto tempo o fogo se alastra.
Arremessar uma pedra na mercadoria
de um vidraceiro e
contemplar um palácio de cristal
destruído por um raio!
Veneno púrpura escorre.
A vida é bela! A vida é bela!</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Então é isso. É tudo um precipício. Entrar ali, ver o palco vazio, as luzes, o silêncio, dei-xar meu corpo boiar ali é um precipício, saca? Eu tive um mestre fudido que falava que tudo, tipo a gente, esse trem, uma maçã na mesa, um pedaço de carne, sei lá, uma planta, um bicho, qualquer coisa, é um precipício, saca? E precipício é queda pura. Isto aqui, ó, na minha mão, tá vendo, moedas de cinquenta e dez centavos. Queda. Overfall.</p>
<p>Ele falava. É inglês mesmo. Overfall isto é um precipício. Saca? Foda pra caralho. A vida é isso aí, uma porra de um precipício cheio de precipícios. E quando você chega na bagaça, é foda. Eu, por exemplo, amarro o cardaço assim, ó, dois lacinhos, que é o jeito que eu aprendi na creche com quatro anos. E ponho os lacinhos pra dentro do tênis até hoje também, porque eu usava um all-star vermelho e punha pra dentro os lacinhos, saca?</p>
<p>Então é isso. Tá na gente. É tipo memória, mas é mais que isso. É gordura. A gordura das coisas. Por isso que não dá pra ficar nessa história de tirar as gorduras das coisas, porque a gordura é essencial. É exaustivo pra caralho também, porque é muita coisa acumulada, saca? Sério mesmo. A gordura é o sedimento de tudo, sem ela, não tem nada. Foda. Mas é isso. Não dá pra querer ser de plástico, saca? Deus, por exemplo. Até deus agora é de plástico. Caralho, deus é gente, porra. Esqueceram disso até. Hoje deus e tudo mais aqui é plástico, saca? E hoje em dia o problema é que ninguém quer olhar pra si, todo mundo quer ser chapado, saca, planifcado que nem plástico. Gente é gordura, saca? Deus é gordo pra caralho, pode botá fé. Deus é gordo pra caralho.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Tripstease</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2015 14:18:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p class="p1">na ponta da língua
aquele pensamento
que não se sabe ainda</p>
<p class="p1">na ponta do lápis
aquela palavra
escrita no ápice</p>
<p class="p1">na ponta dos dedos
aquela música
que se faz em segredo</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p class="p1">Dimi Éter, poeta e músico multifacetado, contemplanos hoje com a obra <em>Tripstease</em> – uma viagem sem subterfúgios. O homem e intrinsecamente o poeta vivem num eterno brincar de palavras, numa espécie de malabarismo que, ao mesmo tempo, nos faz pensar e perceber o humor que domina a maioria dos poemas. Numa simbologia ao mesmo tempo inteligente e ébria de imagética, a poesia de Dimi Éter pulsa numa forte dialética, movimentando-se numa arquitetura poética moderna e madura. Como um código diferenciado de vida, sua voz singular nos leva a uma reflexão séria e lúdica, num fôlego que convida a todos a fazer uma viagem de trapezista sem rede.</p>
<p class="p1"><strong>Maria Andersen</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>) manual do olho (</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Apr 2015 13:56:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p style="text-align: center;">no
esc
ur
o
oo
lh
oé
bu
rro</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-3018" src="https://editoraurutau.com/wp-content/uploads/2020/11/manual-do-olho-sobre.png" alt="" width="160" height="246" /></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Livro dos pássaros</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/livro-dos-passaros</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Apr 2015 14:00:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Fotografias de <span style="color: #ff0000;"><a style="color: #ff0000;" href="https://editoraurutau.com/autor/nadia-maria"><strong>Nádia Maria</strong></a></span>

Envelhecer podando
o pequeno jardim,
controlando as obstinadas
formigas e outras pragas.
Consentir que a morte seja
contínua, como a chuva,
e ler, em cada lembrança,
a presença alegre
de um futuro.
<h2></h2>
&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Embora não se possa falar objetivamente sobre os resulta dos de um livro sem excluir tudo aquilo que ele nos deixa não-dito, parece-me que a leveza de um espírito livre se desprende dessas páginas, porque afinal “O mar sempre avança contra a pedra”, esta dura pedra chamada tempo, chamada mundo, chamada corpo. E sem este avanço repetitivo que busca nos dissolver, qual início seria possível? Como ele mesmo nos diz:</p>
<p><em>Romper</em><br />
<em>o corpo</em><br />
<em>em mil</em><br />
<em>pedaços</em><br />
<em>é o começo</em><br />
<em>da alegria.</em></p>
<p><strong>Augusto Meneghin</strong></p>
<p><strong> <span style="color: #ffffff;">Túlio Stafuzza</span></strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Todos os caminhos levam adeus</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/todos-os-caminhos-levam-adeus</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Apr 2015 17:17:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A humanidade é um Deus estilhaçado.
É um Deus que tropeçou no mundo
e que se repartiu em homens
atordoados
e em mulheres que sangram,
é um Deus ácido que se derramou
em longos viadutos
e criou crostas e crostas de cicatrizes
de asfalto sobre a terra,
que escorreu como metal derretido
que vaza incandescente pelas estradas,
em carros com adesivos
“Foi Deus que me deu”,
que se estendeu sobre a superfície fina
de um planeta
com anemia.

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>A humanidade é um Deus estilhaçado.<br />
É um Deus que tropeçou no mundo<br />
e que se repartiu em homens<br />
atordoados<br />
e em mulheres que sangram,<br />
é um Deus ácido que se derramou<br />
em longos viadutos<br />
e criou crostas e crostas de cicatrizes<br />
de asfalto sobre a terra,<br />
que escorreu como metal derretido<br />
que vaza incandescente pelas estradas,<br />
em carros com adesivos<br />
“Foi Deus que me deu”,<br />
que se estendeu sobre a superfície fina<br />
de um planeta<br />
com anemia.</p>
<p>A humanidade é um Deus que se<br />
descama a todo momento<br />
e mesmo que a vida siga vencendo,<br />
os mortos estão em maioria.<br />
Como me entristece e constrange<br />
esse interminável<br />
e vergonhoso momento<br />
em que este garçom enche meu copo,<br />
esse silêncio infinito.<br />
Esse copo nunca cheio.</p>
<p>Esse “obrigado” tímido e pouco sincero.<br />
A forma pouco natural<br />
que as pessoas disfarçam quando<br />
alguém<br />
coloca a senha do cartão.<br />
“Débito ou credito”?<br />
“Nota fiscal Paulista?”<br />
Que sentido terá<br />
o dinheiro quando César<br />
estiver com todas as moedas?<br />
Quantos anos ainda<br />
vão durar o monopólio<br />
das cores dos Bancos<br />
e dos Postos de Gasolina<br />
nessa cidade cinza?</p>
<p><strong>Da Gênese ao Genocídio, p. 36.</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Esôfago</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/esofago</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Apr 2015 19:48:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p class="font_8">bailarinas com barbatanas
dançam no topo dos prédios
enxergam a cidade em movimento
fazem leques com as mãos
que as livram do calor
impuro das metrópoles
enquanto isso cachorros antenados
mandam sinais
para moças suicidas</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Como um ser assim delicado encontra espaço para alargar suas raízes brancas, que foram bruscamente plantadas na terra dura? A planta precisa que as folhas morram, que sequem, para que as raízes cresçam. Morrer é o primeiro movimento de vida forte. Falar sobre a morte, olhá-la, beber a morte e deixar o corpo expelir o que já não serve, é se entregar sem medo à vida, que a todo tempo nos move a empurrões de mudança. <em>Esôfago</em> nos deixa olhar de perto a morte; a busca por terra boa, por espaço largo, onde o olhar possa repousar no mundo que é cheio de muros muito mais altos do que os nossos olhos. É generoso que a autora  nos deixe participar desse momento tão íntimo e doloroso. Todos buscamos respiros, raízes fortes que nos sustentem e que nos permitam ser. Lana, ao nos mostrar seu caminho – que é seu próprio corpo aberto –, nos mostra também o caminho para o nosso próprio abismo, a nossa morte, e nos dá então a mão para fazermos a travessia, para darmos o nosso primeiro movimento de vida forte.</p>
<p><strong>Natália Gregorini</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Morfo-córporea</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/morfo-corporea</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Mar 2015 14:21:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[afivelei no peito as palavras do
conforto da saudade,
e encher-me-ei do meu próprio
propósito.
<h2></h2>
&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Pablo Neruda — em certo momento de sua fantástica existência — comentou o fundamento do ato de escrever. Recorri, então, para realizar este prefácio, à sua famosa e irritante constatação: “Escrever é fácil. Você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca ideias”. Neruda não foi, de forma alguma, arrogante. Foi sintético e penetrante. O obstáculo para a execução de um bom texto reside, justamente, nas ideias: buscá-las em nosso imaginário é uma tarefa difícil. Contudo, penso que a minha proximidade com a autora permite a elaboração de um quadro representativo convincente e otimista. O leitor deve saber, previamente, que, assim como outros(as) tantos(as) escritores e escritoras, Fernanda também lida com conflitos variados. Ocorre que, ao contrário do conflito básico evidenciado, por exemplo, em Drummond — mais precisamente em “A rosa do povo” — isto é, o “Eu versus Mundo”, o embate-base aqui é o de “Eu versus Eu”.</p>
<p>Lembro-me bem da conversa que tivemos acerca dos significados de “paixão” e “amor”. Nossas confusas (in)conclusões oriundas da pergunta, que, em minha opinião podem ter sido guia de alguns dos próximos poemas, como “Será que já amamos verdadeiramente alguém?”, preparam o(a) leitor(a) não só para alguns “insights” internos ou mesmo reflexões de momento. Eles também convocam a um baile de provocações, cuja parceira de dança é a própria autora, e a música, os versos.</p>
<p>Outro ponto fundamental que destaco, partindo para uma rápida leitura técnica, é a diferenciada construção poética. A noção provocativa se encaixa aqui também, já que a linearidade esperada é confundida por estrofes oscilantes, contando, por vezes, com versos curtos, sucintos. Fernanda ao buscar um estilo próprio, uma peculiaridade, importuna o panteão do <em>padronismo</em> que rege a produção textual dos tempos atuais.</p>
<p>Caro(a) leitor(a), a leitura deste livro é um delicioso exercício para aquele(a) que se descobre cotidianamente. Um exercício que visa perseguir a compreensão dos significados da vida e dos modos que se apresentam para vivê-la a partir da poesia. Por fim, desejo a todos(as) que leem os sorrisos, as caretas e as lágrimas (de alegria): as espontâneas reações de contemplação. À Fernanda, agradeço o espaço concedido e o carinho dado às minhas simples opiniões. Ouso, mesmo que só no fim, dedicar-lhe Rubem Alves: “Somos donos dos nossos atos, mas não donos dos nossos sentimentos. Somos culpados pelo que fazemos, mas não pelo que sentimos. Podemos prometer atos. Não podemos prometer sentimentos(…) Não se podem prometer sentimentos. Eles não dependem da nossa vontade. Sua existência é efêmera. Como o voo dos pássaros…”</p>
<p><strong>Samuel Campos</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>De barro e de pedra</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/de-barro-e-de-pedra</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Mar 2015 14:39:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ilustrado por <span style="color: #ff0000;"><a style="color: #ff0000;" href="https://editoraurutau.com/autor/natalia-gregorini"><strong>Natália Gregorini</strong></a></span>

recolhe cacos do vaso de barro no chão
nada restou inteiro — mas a flor
ainda pode ser
sonhada]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>O que há de mais bruto na poesia é a sua matéria onírica. Revelá-la é a tarefa do poeta, um escultor da linguagem. Assim então os talhes buscaram na pedra que sonha o corpo do poema, ou ao menos um rosto, uma boca através da qual o poema falasse. Os versos presentes neste livro, no entanto, parecem anteceder a prática do aprimoramento da linguagem pelas vias interventivas do talhe ou da lixa de polir. Parecem antes gerar novas formas a partir da combinação e dos constantes rearranjos dos significantes dispostos: pedra, pássaro, rio, entre outros recorrentes. As composições de Nydia Bonetti em De barro e pedra parecem não interferir com o preciosismo humano no som original das palavras, como se essas falassem por si mesmas e ainda pelas angústias da poeta, como se os “erres” do barro derivassem dos “erres” de terra, e a pedra desprovida de um “erre” fosse mesmo apenas uma parte do todo, uma saudosa mas imóvel solidão que sonhasse a unidade original do barro, tal qual suas palavram sonham o rio do silêncio que atravessa o livro. O fluxo da leitura dos poemas é fácil pois acompanha suas águas invisíveis. O efeito dessa leitura, porém, sofre desvios que conduzem quem lê ao interior das próprias paisagens internas, das pedras que em cada um pesam, do que em cada um desejaria ter um par de asas. É nesse sentido íntimo que as cores escolhidas pela ilustradora Natália Gregorini expõem a vida De barro e pedra. Com os olhos voltados ao rio mais próximo, alheia às conversas das grandes cidades, Nydia, como uma espécie de mitológica Pirra, lança por sobre os ombros seus poemas. Esses, ao tocarem o chão, transmutam o tempo em efêmeras flores. Mas há também aqueles que descobrem ter asas, e assim alçam voos, arrastando as pedras da poeta para novas distâncias.</p>
<p><strong>Mariana de Oliveira Campos</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Canção da estrada aberta</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/cancao-da-estrada-aberta</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Mar 2015 18:15:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Traduzido por<span style="color: #ff0000;"> <a style="color: #ff0000;" href="https://editoraurutau.com/autor/tomaz-amorim-izabel"><strong>Tomaz Amorim Izabel</strong></a></span>
<p class="font_8">Em direção ao fluído e seu caráter conector exala o suor
do amor de jovem e velho,</p>
<p class="font_8">Dele cai o feitiço destilado que zomba da beleza
e dos feitos,</p>
<p class="font_8">Em direção a ele suspira a dor
que estremece de saudades do contato.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>(…) “Meu velho Walt, meu grande Camarada, evoé!<br />
Pertenço à tua orgia báquica<br />
de sensações-em-liberdade,<br />
Sou dos teus, desde a sensação<br />
dos meus pés até à náusea em meus sonhos,<br />
Sou dos teus, olha pra mim,<br />
de aí desde Deus vês-me ao contrário:<br />
De dentro para fora…<br />
Meu corpo é o que adivinhas, vês a minha alma<br />
Essa vês tu propriamente<br />
e através dos olhos dela o meu corpo —<br />
Olha pra mim: tu sabes que eu,<br />
Álvaro de Campos, engenheiro,<br />
Poeta sensacionista,<br />
Não sou teu discípulo,<br />
não sou teu amigo, não sou teu cantor,<br />
Tu sabes que eu sou Tu<br />
e estás contente com isso!</p>
<p>Nunca posso ler os teus versos a fio…<br />
Há ali sentir de mais…<br />
Atravesso os teus versos<br />
como a uma multidão aos encontrões a mim,<br />
E cheira-me a suor, a óleos,<br />
a actividade humana e mecânica<br />
Nos teus versos,<br />
a certa altura não sei se leio ou se vivo,<br />
Não sei se o meu lugar real é no mundo<br />
ou nos teus versos,<br />
Não sei se estou aqui,<br />
de pé sobre a terra natural,<br />
Ou de cabeça p’ra baixo,<br />
pendurado numa espécie de estabelecimento,<br />
No tecto natural da tua inspiração de tropel,<br />
No centro do tecto<br />
da tua intensidade inacessível.</p>
<p>Abram-me todas as portas!<br />
Por força que hei-de passar!<br />
Minha senha? Walt Whitman!</p>
<p>Mas não dou senha nenhuma… [edição bilíngue]<br />
Passo sem explicações…<br />
Se for preciso meto dentro as portas…<br />
Sim — eu franzino e civilizado,<br />
meto dentro as portas,<br />
Porque neste momento<br />
não sou franzino nem civilizado,<br />
Sou EU,<br />
um universo pensante de carne e osso,<br />
querendo passar,<br />
E que há-de passar por força,<br />
porque quando quero passar sou Deus!</p>
<p>Tirem esse lixo da minha frente!<br />
Metam-me em gavetas essas emoções!<br />
Daqui p’ra fora, políticos, literatos,<br />
Comerciantes pacatos,<br />
polícia, meretrizes, souteneurs,<br />
Tudo isso é a letra que mata,<br />
não o espírito que dá a vida.<br />
O espírito que dá a vida<br />
neste momento sou EU!</p>
<p>Que nenhum filho da puta<br />
se me atravesse no caminho!<br />
O meu caminho é pelo infinito<br />
fora até chegar ao fim!” (…)</p>
<p><strong>Álvaro de Campos</strong><br />
(trecho do poema <em>Saudação a Walt Whitman</em>)</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Folheio teus cabelos, no contratempo do vento</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/folheio-teus-cabelos-no-contratempo-do-vento</link>
					<comments>https://editoraurutau.com/titulo/folheio-teus-cabelos-no-contratempo-do-vento#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Mar 2015 14:43:03 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://editoraurutau.com/?post_type=product&#038;p=3720</guid>

					<description><![CDATA[caminho
todos os bolsos foram rasgados

nada me pertence
nada
para chamar de meu <span style="color: #ffffff;">Geruza Zelnys</span>

nem o poema
que se perde
da memória obsoleta das coisas

um assobio
dissipa as estrelas
no deserto noturno dos meus dias]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Um gesto preliminar que antecipa o prazer da leitura. Eis o que estes poemas exigem, provocando as pontas dos dedos, ali onde se encontram nossos limites, nossa máxima extensão. Movimento delicado, que solicita frequência, demora, ritmo. Ao toque das páginas, os dias da semana avançam, as palavras se contraem, até que por fim o tempo se transforma, dilatando-se em viagens, sussurros, lembranças. No vazio. Nesse cicio, nesse murmulho, a forma seminal do livro torna-se questão ambivalente, sendo “fórceps”, “contenção do infinito”, matéria incontornável e solitária do fazer literário, mas a qual a poesia quer converter em força, energia, através do choque entre afetos e corpos. Há aqui mais êxtase que gênese, e nesse “abismobase” forma-se uma corrente de versos que flui até atingir profundezas oceânicas, procurando a vida em seu estado líquido. A escrita, assim, torna-se incapaz de crer que haja qualquer coisa indiferente ao desejo: Geruza extrai gozo da pedra, desenha inconstantes letras com frêmitos e arrepios, reúne os ramos secos do mundo, dá a eles uma pele, esperando que a leitura termine em combustão espontânea. Para disparar essa reação, resta uma leve fricção, a fagulha gerada entre o polegar e o indicador. Basta folhear</p>
<p><strong>Tiago Guilherme Pinheiro</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Terra seca</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/terra-seca</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Mar 2015 19:31:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Fotografias de <span style="color: #ff0000;"><a style="color: #ff0000;" href="https://editoraurutau.com/autor/wladimir-vaz"><strong>Wladimir Vaz</strong></a></span>

o inferno queimará o ar
não sobrará nada
serei eu o louco a professar misérias
a abrir portas no céu
a criar a melodia das trombetas.

sete lâmpadas acenderão na minha língua
e toda a penumbra será descoberta.

quem for digno romperá o selo de minha boca:
«tarde demais!», dirá a voz
pois já serei um oceano de vidro a enganar os pássaros.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p><strong>É preciso carregar pássaros na língua</strong></p>
<p>A poesia de Tiago Fabris Rendelli poderia ser como uma fotografia. Um jogo de marcar o papel e os sais pela luz, criando contornos claros pelo que se queima — a escuridão. Mas pensando em manejar a Terra Seca, prefiro dizer que é como uma xilogravura. Escavada com esforço na madeira. Recebendo a tinta na superfície para revelar os vincos. Este livro dá-se a ver pelo claro-escuro dos vãos de sua superfície. Se a luz marca o papel fotográfico como um passe de mágica, aqui cada contorno do desenho é escrito pelo corte do ferro sobre a madeira, com o cansaço das mãos e o desgaste da ferramenta.</p>
<p>O livro traça um percurso pelas sombras em que as imagens aparecem em relevos e texturas criados através da destruição. As imagens de escombros constroem uma caminhada árdua por montanhas erguidas ao contrário ou mortos sepultados no céu (como os de Paul Celan). A luz aparece apenas para ressaltar a escuridão.</p>
<p>Assim como na madeira entalhada, frequentemente escapam farpas do texto e a matéria resulta áspera. Não se vai percorrê-la com pontas de dedos, mas com a mão espalmada e pronta, sensível a perceber uma poesia que carrega textura em suas imagens: o tempo das rachaduras, a pele confundida com folhas de árvores, os plásticos derretidos, margaridas regadas de lesmas, “coisa amarga, lugar errado”.</p>
<p>A partir da prensa, o contato com a matriz compartilha a tinta preta. Então se constata que a potência do encontro está no que há de obscuro deste livro. Que é a coragem exigida pela tinta que faz o poema falar. É depois da coragem que está a liberdade que Terra Seca parece buscar. Mas o contato aqui não se dá sem estranheza ou dificuldade — aproximam-se desespero e riso, dor do parto e orgasmo, assassino e a vítima. Mas há espaço também para a simples comunhão — no plural: “vestir os pés de caminho” e convidar: “colemos outra vez as estações / e todo sul será o mesmo”.</p>
<p>Ainda assim, os contornos são dados do não-contato, da ranhura que não forneceu tinta ao papel. O desencontro constatado pela mão que apalpa a madeira farpada — “todos os encontros prenunciam a ausência e a ciência de que nas estrelas só encontramos / nossos próprios olhos cegos”. Poesia imperativa, em voz alta, que convida, convoca, com ou sem esperança de resposta, não importa. É assim que alcança seu ritmo. Contundente a cada verso — como o mundo que compõe — imperativo no sim e no não, na ação e na resistência (não movimento com convicção). Um texto que da mesma forma se escreve também em pausas contundentes, no equilíbrio (ou desequilíbrio preciso) entre o choque eloquente do corpo no mar e a “onda que se quebra apenas na altura dos joelhos”.</p>
<p>Ao final do percurso, entre positivo e negativo, contato e ranhura, a gravura se mostra em “observações desimportantes”: “há monstros que habitam / os pés sem caminho. / Por isso / é preciso carregar pássaros na língua”.</p>
<p>Terra Seca propõe uma língua feita de se moldar a rigidez. A rigidez da madeira escavada, do corte, da marreta contra o aço. Uma língua que fala de abismos, difícil, verdade, mas hábil na busca da noite. E que lida com a palavra como com o mundo que cria — fundado em destroços que ainda guardam potência de vida. Se o silêncio é rachadura, a palavra é raiz, uma semente, explosão guardada, “até que a voz germina”.<em><br />
</em></p>
<p><strong>Eliza Caetano</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Aquilo que chamávamos de escuro</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/aquilo-que-chamavamos-de-escuro</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Mar 2015 11:54:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[sua voz era aquilo ora caroço
ora pomo posto em meus ouvidos
no limite da última imagem no limiar
da vigília na fina lâmina de passagem entre
o desejo e o sonho suas palavras mais
do que palavras marulhos espécie
de pés que se quebram no último tombo
da noite entre os entulhos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Para ler João Pedro Liossi,  é necessário se desfazer de algumas certezas, expectativas e conceitos pré-construídos. É preciso lançar-se ao novo, ao inesperado e à incerteza, pois sua poesia nos leva à deriva, ao abismo e ao inusitado das palavras e das coisas. É uma fusão e confusão de sentidos que pode nos transmutar de meros leitores a partícipes de seus poemas. Não se pode ficar indiferente à dança das palavras no texto que não para de se transformar, se perder e achar outros rumos e direções às propostas que o autor nos faz a todo o tempo, verdadeiros e infindáveis convites à aventura da poesia.</p>
<p>A construção poética de João Pedro Liossi está para além de um retrato bem elaborado da vida das pessoas. Sugere, em alguma medida, a possibilidade de elaboração do cotidiano do próprio autor quase como sendo uma suplência às questões com as quais ele se envolve na vida, nos sonhos, nos devaneios; ou seja, sua poesia é a sua forma de se pôr na vida e nas questões que afligem, atordoam e maravilham os viventes.</p>
<p>No entanto, convenhamos que essa habilidade com as palavras não está disponível a todos. Trata-se de uma habilidade única e extremamente delicada de dar às palavras uma vida ímpar ao produzir significados que se desdobram em outros e inesperados sentidos.</p>
<p>A poesia de Liossi é toda assim, despojada e densa, opressiva e libertadora, escondendo-se e mostrando-se num labirinto de saudades, dores, amores, horrores e outros sentimentos, entendimentos, perdas, ilusões e tantas outras coisas inimagináveis.</p>
<p>É preciso ler <em>Aquilo que chamávamos de escuro</em> como se nos déssemos a oportunidade de deixarmos de nos importar com o que nomeamos outrora de isso e de aquilo, de claro e de escuro, ou seja, com o que não se deve nomear sob pena de se perder a poesia.</p>
<p><strong>Alessandra Moreno Maestrelli</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Gaveta</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/gaveta</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Mar 2015 19:36:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ilustrado por<span style="color: #ff0000;"> <a style="color: #ff0000;" href="https://editoraurutau.com/autor/raquel-thome"><strong>Raquel Thomé</strong></a></span> e <span style="color: #ff0000;"><strong><a style="color: #ff0000;" href="https://editoraurutau.com/autor/luiza-poli">Luiza Poli</a> </strong></span>

à sombra descansavam
ventos vindos vultos
putrefatos
rarefeitos
já não era eu, o verão
horizontal]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Conheci esta poeta em uma feira. Dessas literárias. De repente, lá na balbúrdia, a menina esbarrou em mim. Ela conta, liricamente sobre isto, no final deste livro. À época com dez anos de idade, chegou e me perguntou, “quero ser poeta: como faço?”. Não me lembro da cara que fiz. Mas devo ter me embananado. Ave nossa! Eta! Por que danado vem essa criatura, deste tamanhinho, querer para si tamanha maldição? A de ter a literatura, desde cedo, como missão. Ou profissão. Não seria mais fácil vender tomates, de repente? Dizem sempre que poesia não vende. Eu digo que a poesia vende, sim, mas não se vende. Não está nem aí para o mercado. Mas o que será que respondi, de fato? Ela garante que eu cheguei para ela e dei a receita. Logo eu, que não sei ferver direito uma água. Hoje, a menina vem e me ensina a ebulição das coisas. Todo fogo, para ela, desde a infância, é bruxaria. Marília Moschkovich cresceu. E com ela, sua poesia. Dezoito anos depois deste nosso primeiro encontro, ela finalmente tirou os poemas da Gaveta. E os oferece, agora, em praça pública. Aos gritos, do jeito que eu gosto. Escancara o verbo, os desejos, os orgasmos. Fuzila, quebra a casca, ressuscita. Inteira, aos olhos do povo, “a fênix que eclode / o próprio ovo”. É ninfa. Ébria. Escreve viva. Uma poesia no fio da navalha. Quente. Fervente. Cria, “derretida”, a sua própria meteorologia. E, madura, anuncia: “poema / e transa / precisam de clima”. O que eu fiz, lá no comecinho, juro que não foi culpa minha. Muitas crianças me procuram. E a maioria segue, depois da possível resposta que eu dou, para um outro futuro. De preferência, longe da palavra. Marília não, ao contrário. Veio me avisar agora, com este bem-vindo lançamento, que virou minha companheira de batalha. Parceira neste crime que eu e ela, há muito tempo, cometemos todo dia. A poesia que nos une. E nos salva. O melhor que podemos fazer por nós. E por outras vidas.</p>
<p><strong>Marcelino Freire</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>A mulher que se foi</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-mulher-que-se-foi</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Mar 2015 12:59:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[água fervendo
coador na pia
pó encharcado
escoa na vasilha
escorre no copo
sobe na fumaça
noite de vigília
saudade é uma casa
sem mobília.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Na natureza, quando um metal é aquecido e, em seguida, sofre um resfriamento brusco, sua estrutura é modificada. Esse choque de temperatura promove transformações estruturais que dão ao metal características que não existiriam, caso o processo de resfriamento fosse lento. Talvez nós, humanos, não sejamos muito diferentes.</p>
<p>Eu acredito que não foram muitas as pessoas no mundo que tiveram o infausto privilégio de viver tantos e diversos sentimentos tão pungentes e em tão pouco tempo como a Michele. De certa forma, seus poemas parecem resíduos que foram sendo expelidos ao longo desse processo.</p>
<p>A construção da mulher, desde a adolescência da menina crescida no sertão, que expõe seus conflitos e sonhos, que é invadida pelo erotismo latente do processo, e que culmina na mulher que decidiu sua própria ideia de futuro, já seria tema bom o suficiente para a obra. Mas o tempo quis seguir de outra forma, deixando para trás a mulher recém-construída, desconstruída.</p>
<p>Através dos seus poemas, Michele convida o leitor a entrar um pouco nesse mundo, observar, ser envolvido pela intimidade dessa mulher que se foi, para depois terminar flutuando e à deriva, assim como ela, sem chão por entre suas páginas.</p>
<p><strong>Adriano Domeniconi</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>À procura</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/a-procura</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Mar 2015 13:18:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Há sempre um lado inédito
uma faceta imprevista
um viés virginal
há sempre uma presença oculta
notada tardiamente
de relance
no susto
no salto
no silêncio]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>O que esperar e procurar num livro de poemas (à flor da pele) cujo título ao ser vocalizado (a <em>vocação</em> poética) ressoa <em>A procura</em> e <em>À procura</em>? O ato e a ação, a contemplação e o objeto a se contemplar. Sem procura, há estagnação, fim da história e da estória e do canto. A procura basta em si, mesmo que o objeto, o ser, as coisas, se nos escapem entre os dedos. A procura envolve o porvir e o já vindo, o que escapou e o que se insinua (a palavra em si nua) mas outrossim reencontro com o imemorial, o esquecediço, o esquecido o que não se cumpriu, o que efêmero deixou de ser para ser poesia, para renascer poesia. Poemas de fôlego (e de tirá-lo), ofegantes, pulsantes. Como a vida. Como a convulsiva beleza.</p>
<p><strong>Éclair A. A. Filho</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Identidade</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/identidade</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Mar 2015 12:44:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ando tão chocado, companheiro,
há qualquer coisa de errado com este início de milênio.
Ainda não consegui os meus quinze selfies de fama
e pensar no que poderíamos ter alcançado.
O sacrifício de tantas crianças
só por anunciarmos publicamente a nossa morte.
Poderíamos ter sido maiores que os Beatles
e ao cairmos com tamanha intensidade
amparados por uma inocência qualquer
estaríamos imaginando um novo conceito de belo.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Pode dizer-se, com alguma segurança, que Daniel Francoy é um dos mais estimulantes poetas brasileiros surgidos neste século. Não deixa de ser, por isso, quase um mistério que a sua poesia tenha permanecido, por mais de uma década, fora dos radares do meio editorial brasileiro. Nos poemas de Daniel Francoy é visível, logo à partida, o domínio de uma certa dicção poética, tão negligenciada nos dias que correm. De facto, inicialmente em blogues e, depois, em algumas publicações portuguesas, Daniel Francoy tem vindo a revelar fazer parte de uma linhagem de admiráveis artífices da palavra que, aos grandes temas (a vida, a passagem do tempo, o amor), acrescentam uma luz, até então discreta, multiplicada por pequenos milagres do quotidiano. Distantes do mar, os seus poemas evocam um território algo árido, repleto de reverberações meio alucinadas, estendendo-se por noites sem vento e cintilações lunares. A essa geografia juntam-se outros lugares — casas de família, terrenos baldios, avenidas, tribunais, praças ao entardecer — que, lentamente, são infiltrados pela beleza das ruínas. Nunca cínico, por vezes algo desolado perante “a pacífica aceitação do desperdício”, Daniel Francoy nos apresenta ainda a alegria persistente de quem carrega “a ternura como um vaso de flores/ trazido dos lugares da infância”.</p>
<p><strong>Paulo Tavares</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2></h2>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>O caderno das inviabilidades</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-caderno-das-inviabilidades</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Mar 2015 19:57:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Fotografias de<span style="color: #ff0000;"> <a style="color: #ff0000;" href="https://editoraurutau.com/autor/lais-blanco"><strong>Lais Blanco</strong></a></span>
<p class="font_8">se eu te disser quem sou, sou a dor nos ombros
observe os pontos cardinais
sempre em frente, entre os dedos, você vai achar meus cabelos
são pretos
alguns brancos</p>
se eu te disser quem sou, sou em círculos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="col-50 red">
<div class="trecho">
<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Jean Luc–Nancy diz, no seu <em>58 indícios sobre o corpo</em>, entre outras coisas, que “o corpo é material. É denso”; que “até o vazio é uma espécie muito sutil de corpo” e ainda que “o corpo é uma prisão ou um deus. Não tem metade”. Recorro a essas imagens talhadas pelo filósofo francês para falar da poesia de Eliza Caetano, uma poesia que se ancora no corpo, nos vestígios materiais que este deixa à sua passagem, nos afetos e afecções, desassossegos que traz consigo ou transmite como herança. É nesse sentido que a poética de Eliza, neste livro de estreia, parece se direcionar; na construção, ou antes, no desvelamento de um corpo denso e luminoso, que convida a compor o vazio com os fragmentos que deixa à mesa como peças de um quebra–cabeças, uma divindade em seus humores, desejos, ausências e incompletudes.</p>
<p>A anca, os ombros pesados, os pés perfurados delineiam um corpo feminino dolorido, mas ainda assim insubmisso. Num dos mais potentes poemas do livro “O atirador de facas”, somos convidados a perceber na moça retalhada em postas, a moça–peixe a flertar perigosamente com o rio, a posição desafiadora perante o assassino, seja ele o (anti) herói, seja ele o amante. Intimidade e inviabilidade se entrelaçam. O sujeito se estilhaça continuamente contra o outro e a isso, a essa ação, se chama amor ou pegando a ponta de um verso de Manuel Bandeira, em <em>Arte de amar</em>, “os corpos se entendem, as almas não”.</p>
<p>Há uma delicadeza perturbadora no trajeto de leitura deste livro, uma sensação de estar lendo um roteiro pelas anotações e rasuras, pelo caminho do fluxo sanguíneo; a sensação de vestir, enquanto se lê, a roupa de um personagem à deriva. Em resumo, uma poesia poderosa que nos faz enxergar, por um momento, com os olhos de Eurídice.</p>
<p><strong>Micheliny Verunschk</strong></p>
</div>
</div>
<div class="col-50 red">
<div class="trecho">
<h2></h2>
<p>&nbsp;</p>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Corpo de areia</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/corpo-de-areia</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Mar 2015 19:00:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p class="font_8">vai, que a tua lembrança é feita de areias
arrastadas pela maré alta a cada poente,
com teus olhos abertos e frios
tua boca seca e teu corpo resignado.
segue com o mar para o fundo das coisas
onde nenhum choro é ouvido
o peito não arfa
as mãos não se tocam
e os olhos dos homens não chegam.
afunda coberto de sal
em silêncio e dúvidas
preso em grades invisíveis
menino com armadura de homem
fílmico personagem de lata.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Ela escreve assim, como quem não toma fôlego, para ser lida/acolhida sem que uma pausa se faça. Acolhê-la não é fácil, há que se tirar as máscaras, abraçar o espinho, mover entulhos, pudores, pruridos. E ela não se faz de rogada, não convida, não faz mesuras, apenas nos empurra de cabeça no vórtice de um turbilhão de palavras, atordoante, alucinado. O receio de se asfixiar se esvai quando nos damos conta de que asfixiados todos nós estamos — é em seu próprio vórtice que ela nos faz novamente respirar. Assim a seguimos, qual bêbados em campo minado. Nada é lapidado, tudo é eviscerado: no dicionário dela, lapidar é eviscerar. Fragmentos de histórias que ela nos deixa entrever se compõem e decompõem a cada poema/petardo/obus, tecendo ressonâncias que se vão tatuando na memória de quem as lê. “Ausência é o prato que me resta”, diz ela, que a certa altura avisa: “qualquer bicho que morda meus calcanhares / vale mais que ter um pensamento preso por algemas”.</p>
<p>A mulher-centauro lança suas flechas. Algumas vão voltar, e ela sabe disso.</p>
<p><strong>Elisabeth Priestley</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Ensaio sobre o belo e o caos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/ensaio-sobre-o-belo-e-o-caos</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Mar 2015 14:08:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p class="p1">vieste até mim
com passadas precisas
como se estudadas
no imenso limiar da insônia</p>
<p class="p1">vestias um puído avental azul
que deformava teu dorso e
ressaltava tua face
que se desmanchava
sob rígida anódina dieta</p>
<p class="p1">olhos verdes extasiados
focavam ao longe
thánatos ceifando
campos de tulipas</p>
<p class="p1">não sabia
o aqui e agora
depois e antes</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p class="p1"><span class="s1">O </span>belo e o caos permeiam cada verso deste ensaio. Toda tragédia é bela. O amor germina no jardim do caos. Estes elementos fundamentam todo e cada aspecto da existência humana. Regem até o contráditório: a lei existe porquê tudo mais é caos. Apreciamos o belo porquê tudo mais é hediondo. Não encontrará através dessas páginas o apreço a forma ou o gênio do artista mas uma honesta reflexão de um ser orgânico que investiga-se, que joga luz em suas sombras para tornar-se cidadão de si, consciente de que a vida escorre inexoravelmente rumo ao epílogo. A criatura emancipa-se ao entender- se finito. Aceitando a premissa do autor encontrará o belo. Rejeitando-a aportará no caos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Sou mar</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/sou-mar</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Feb 2015 16:55:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p class="p1">sou a pausa entre uma respiração marítima e uma aérea.
sou a perda do fôlego e a inspiração de todo ar comprimido.</p>
<p class="p1">sou morta de fome de combustão.
sou os largos e verdes cachos da santa do mar.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Sinta o gosto do sal, do sal, do sal…viver em Dublin é viver dividido em dois lados, duas margens do liffey, sul e norte, ímpar e par, irish e estrangeiros. a cidade nos alcança através de perguntas, onde, quando, quanto. O cinza é o íntimo amigo que nos pede morada por um fim de semana e não vai embora, fica, fica e fica, se torna da família, nos acompanha mesmo que resistimos, se vai por algum tempo entre julho e agosto, mas volta. O mar desde o centro da cidade se vê de alguma ponte sobre o rio, está lá no horizonte, longe do epicentro e dos donnuts por 80 centavos, mas perto suficiente para vê-lo levantar o rio durante a lua cheia ou quase secá-lo na nova. no entanto, existe alguém nessa cidade que insiste com ternura em trazer o mar para mais perto, nos faz sentir o sal.</p>
<p class="p1">Sou mar, ser mar, é lembrar que as águas podem ser calmas e mansas, mas também é cemitério tantos e tantas, que nele os sonhos cabem, mas também afunda navios. em forma diarística em prosa poética, Marluce Lima, cujo o mar já traz no nome, nos regala horizontes.</p>
<p><strong>Wladimir Vaz</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Os rios de mim</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Feb 2015 14:42:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p class="p1">Nessas águas andarilhas
do velho e escaldado rio
que serpenteia pela minha cidade
(ou pela minha veia?)
debruço-me num espelho insosso:
histórias que vão e vêm
entre expurgos do que não f(l)ui.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p class="p1">O poeta e escritor brasileiro Ronaldo Cagiano conhece seu ofício de escrever, de percorrer palavras em versos que marcam e poemas que atravessam a memória. Prova disso é este belo Os rios de mim, uma reunião de poemas que tem ao fundo Cataguases, em Minas Gerais, no Brasil, a cidade onde nasceu que vive em sua lembrança. Basta citar um verso de um poema no final do livro: “A viagem ao passado nunca regressa”. O livro de Cagiano é uma viagem que salta de Cataguases e percorre sua poesia por muitos outros lugares do mundo e também pelas ruas rudes de São Paulo, onde vive toda a angústia.</p>
<p class="p1">Não é à toa que Ronaldo Cagiano escolheu versos de Fernando Pessoa para sinalizar seus poemas ao leitor: “Entre o que vive e a vida/ para que lado corre o rio?”. No caso de Cagiano, trata-se do rio de Cataguases, a exemplo do rio da aldeia de Pessoa. O poeta adianta que velhas histórias vão no leito desse rio de sua cidade. No fundo, toda a paisagem de Cataguases, que o poeta atravessa nostálgico de si mesmo, a colher as imagens que pertencem à sua vida, seus cardumes de solidão.</p>
<p class="p1">Conversando num poema com o poeta Murilo Mendes, Cagiano diz que a poesia está em pânico. É verdade. Mas, no seu caso, um pânico de encantamento, se é que cabe a expressão, de envolvimento com a poesia num mergulho profundo a descobrir ainda o que viveu e ainda vive. Cagiano revela em <em>Os rios de mim</em> o grande poeta que é.</p>
<p class="p1">Um poeta que não cede a qualquer tipo de facilidade e segue com passos firmes em busca dessa poesia necessária à vida dos seres humanos. Poemas de fina elaboração, de palavras corretas no devido lugar de sua narrativa poética de absoluta qualidade. Eis um livro de poesia que merece respeito. Um livro que contém versos assim: “Não há metáfora possível/ no cativeiro da fé”. É o encontro da Beleza.</p>
<p class="p1"><strong>Álvaro Alves de Faria</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2></h2>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Clowns cronópios silêncios</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 Feb 2015 20:18:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ilustrado por <span style="color: #ff0000;"><a style="color: #ff0000;" href="https://editoraurutau.com/autor/helton-souto"><strong>Helton Souto</strong></a><span style="color: #000000;">.</span></span>

tudo na mesma curva
de indiferença
o tempo e suas armadilhas
tarde demais para desescolher]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="col-50 red">
<div class="trecho">
<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Algumas íntegras, como “o silêncio dos lagartos”, “as pétalas do imponderável” e “a mudez tátil dos afetos”. Noutros casos, como um clown pulando amarelinha, o leitor pode saltar um verso para inventar outro modo de ler, como em “a invenção do poema (…) escrevendo-se no chão”. Tais peixes, na vida como no texto, pescam-se na necessária água turva dos dias, que compõe e, por contraste, dão a marca singular da estreia na poesia de Diana Junkes.</p>
<p><strong>Wilson Alves-Bezerra</strong></p>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Em que pensaria quando estivesse fugindo</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/em-que-pensaria-quando-estivesse-fugindo</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Feb 2015 18:36:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ao pulso, pressão ou ponteiro
à mão, o futuro, ou na luva
à porta, retrato, letreiro
o cacho de cabelo, de uva
ao pau, madeira, gozo
ao conto, o texto ou a fada
o pano, de chão, de corpo
o poema, isso, nada]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Começa: Maria Isabel abre o olho em Copacabana. Não necessariamente acorda. Abre o olho. Resolve sair de casa e ganhar as ruas. Onde há distância, arrisca se aproximar. Criança desobediente do zoológico. A única lei que obedece é a da casualidade. Com a mesma curiosidade que visita a Groenlândia, cai dentro de um feijão com arroz. A cada esquina, uma emboscada. Ela cai, eu caio, prepare–se para também cair. Vez ou outra vai machucar: “vestir preto emagrece / mas nascer preto / faz desaparecer”. Vez ou outra vai flutuar: “fumo / só pra não correr / o risco de entrar em lugares fechados”.</p>
<p>Prestes a comemorar bodas de prata consigo mesma, Maria Isabel se formou em Letras, e escreve poesia desde os 6 anos. Áries com Áries, o fogo duplicado a faz pisar nas brasas flamejantes. <em>em que pensaria quando estivesse fugindo </em> é um livro que deixa um zumbido no ouvido. Cheiro de fogo nos dedos. Maria Isabel não arrasta florestas, sentimentos, malas, órgãos, fósforos. As células e Deus: invisíveis, ela conta que aprendeu. Pois parecem completamente nítidxs em sua poesia.</p>
<p>Lá pelas tantas, ela nos indaga se temos onde ficar. Eu, que estou embaixo de um teto, me assombro e confiro se de fato tenho um lugar para ficar. Lembro que ela apenas abriu o olho e ainda não é certo se está acordada ou se é uma <em>flâneur</em> sonâmbula. Se ela sonha, sonhamos juntos, se ela acorda, idem. Com confissões articuladas, Maria Isabel se lança ao espaço, externo e interno, com a guarda baixa, e ainda assim pronta para dar um <em>touché</em>. Seu passeio é uma bela contribuição poética ao ato da observação humana. Em suas divagações, Bel pergunta, se assim como a morte, não há causa de nascimento. Desconfio que sim. Maria Isabel Iorio nasceu para fugir fazendo poesia.</p>
<p><strong>Letícia Novaes</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Não existem rotas conciliatórios de fuga</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/nao-existem-rotas-conciliatorios-de-fuga</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Feb 2015 17:36:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p class="font_8">o sangue da desova de pretos e pobres
o choro de mais uma mãe de maio
e de todos os outros meses
o volume morto enterrado
sem salvação sem reza sem cruz
sem credo nem vela
não secaremos calados:
o fundo do poço transbordará</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Saudamos a poesia de Thiago Cervan e seu cristal vermelho, a desunificação do mundo a nado pelo refugiado sírio, com tantos outros foragidos do sistema econômico em naufrágio de onde, se ouvi alguém falar em fuga, só se for sobre os cadáveres da escória almirantada de botas rangentes no convés como no céu, direto para o inferno. Uma avaliação mais precisa acerca do bem e do mal, respaldada na dura matemática da dominação material e sua contestação na ponta do lápis, envolve riscos, comoao se fazer uma poesia dita “objetiva”, fotografar a vida tal como ela teve a pachorra de ser, cuidar para que não surrupiem o poema as dicotomias laicas, tanto vistas em eleições quanto em golpes de estado, até que o banqueiro se torne serpente e a sirene do camburão corneta do apocalipse, e no mesmo passo suster o fôlego criativo sem ordenar as emoções com motes desgastados. este é um desafio poético que Cervan resolve com notável habilidade…</p>
<p><strong>Andre Nogueira</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Cosmonópolis</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/cosmonopolis</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Feb 2015 19:30:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[E que seja ele forte no amanhecer daquele dia
Várias vezes ao passear na praia de Copacabana
Eu indaguei que não sabia da sua história
O que sabemos nós das histórias dos outros?
O que os outros sabem de nossas histórias?
O que sabemos nós dos corpos falecidos daquelas crianças
Que nem puderam pedir socorro
Porque dormindo estavam
Se deus existe
Eu faleço]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Quando se sai pela cidade, ou simplesmente se vive em uma dessas cheias de gentes, vivendo muito próximas umas das outras, gentes usando muitas engrenagens para recursos cotidianos que enfileiram praticidades: ouve–se o rumor de muitos barulhos. Todo o tempo, esses barulhos aterrorizando a percepção do que se poderia catalogar como olhar poético, contemplação. Marilene se dispara para dentro desse problema e o poema que ela constrói devolve, com ritmo e vísceras, a cidade para o seu próprio ruído. A poeta <em>beat</em> que essa poeta é, acaricia o tema com luvas de arame. Apodera–se das ruas e se empodera em qualquer espaço que escape à visão e aos ouvidos. Não há limites para a coragem no peito dessa poeta. São infinitas as acomodações onde ela pode repousar qualquer universo e lavar um planeta com sua erosão. Vertigem é verso em Marilene Vieira. O que sabemos nós das histórias dos outros? Quem é essa poeta que não estanca a fala e a escrita e não cessa de inventar o mundo usando descartes e fragmentos dele próprio? Fragmentos esses, que outros atropelariam, ou então que fingiriam não ter aderência com eles, por não ter cuidado com arestas. Essa poeta que não para num único ponto, sulcando o chão com seus versos, enquanto os dispersa em vetores violentos pelo ar, e que prefere sua voz crua à amplidão de um microfone; está aqui neste livro para que você se alimente de um grande espanto. Para que você duvide se ainda respira, enquanto seus olhos juntam letras formando o som que ela organiza. O texto de Marilene é ladeira abaixo. Para o leitor escorregar e rolar sem controle, como um deslizamento de terra solta e dura, na velocidade que ela impõem, mais forte do que a gravidade poderia. Cosmonópolis é uma ameaça ao que vemos e ao que vive inerte ao nosso redor. Essa poeta faz aqui, o que pretende fazer a ventania; batendo portas e espalhando, longe, os papéis dispostos na mesa com temas que julgamos importantes. Marilene Vieira é a junção do mar com o continente: onda arranha pedra enquanto pedra arranha onda. A areia nunca gasta e sempre tem mais onda socando o chão, na praia. Cosmonópolis não para de se chocar e se expandir. Cidade Total. Zilhão de partes num único. Não existem níveis seguros para o consumo destas substâncias. Exista enquanto é tempo.</p>
<p><strong>Pedro Rocha</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>O crise</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/o-crise</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 14 Feb 2015 20:28:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[chorei durante toda manhã
planejava uma rota de fuga
imaginando a vida noutras
chorei porque já não sabia
quem sobrava no decantar
mas sabia ser um pouco só
o que sobrava era já nesga
flutuava–me o olho adiante
e podia apalpar o futuro ali
ele sólido e um tanto febril]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="col-50 red">
<div class="trecho">
<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>li de um gole grosso. literatura exigente: é preciso ir se deixando impregnar, dia por dia, durante um tempo. De um gole, sim, mas aos soluços, sopa de pedra, escrita automática surrealista no entanto, calculada, acaso por acaso. Poesia perturbada e perturbadora, exasperadamente autoral. Como lidar com tudo isso, de primeira, já que ler é sempre de prima, por mais que se leia e releia um texto desses, cheio de grãos, grânulos, granulomas: digerir? impossível. Quem escreveu com pitadas de perversidade e perversão, não deseja que seja lanjal o que se espreme, o que se exprime, mas que seja empanzinado, empanturrado, indigerível, na beira da torrente, do vomitório verbal, digamos assim.</p>
<p><strong>Armando Freitas Filho</strong></p>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Movimento suspeito</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/movimento-suspeito</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Feb 2015 17:00:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[a boca da noite
engole
o fogo do dia.

todo gole
de luz
que escapa
é poesia.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Depois da excelente acolhida de <em>Anarquipélago </em>(2013), o autor nos apresenta <em>Movimento suspeito</em>, seu segundo livro de poemas. Se a viagem é a liga que enlaça existência e literatura, o poeta agora se afasta da miragem de ilhas e do sonho de ancorar–se a qualquer superfície, instala–se, com isso, paradoxalmente, na natureza  instável da procura, sem perder o vigor da obra de estreia, considerado por Alberto Pucheu “um livro de força e precisão. precisão de linguagem para o impreciso da vida, das anti–ilhas e anticidades”.</p>
<p>Palavras, lançadas como pedra ou sopro, movem mundos. De onde vem o vigor da linguagem que, expulsa da esfera da relevância, mantém aceso um movimento alheio a domínio e adestramento? De onde vem a potência corrosiva da palavra que se faz inaugural por simples deslocamento? Antônio Miranda, poeta criador do Portal de Poesia Iberoamericana e leitor arguto, percebeu essa onda desestabilizadora: “Mais do que uma surpresa, foi um susto a leitura <em>do Anarquipélago</em> (…)”. Metalinguagem pura, contaminando vida e literatura, mundo recriado ou inventado. “E se todo caminho for (clan)destino?” Desatino. Celebro o poeta e compartilho seus (ad)versos com nossos leitores: “A escrita / um corpo/ quase, / devassa, / devastação.”</p>
<p>Em <em>Movimento suspeito</em>, pele e linguagem seguem coladas na angustiada e angustiante linha de busca do inapreensível, sem temer a linha de aproximação ou afastamento entre poema e poesia, a incursão à zona limítrofe entre linguagem e silêncio, os abismos.</p>
<p>O título nos remete à propriedade poética mais incômoda, a de subversão e  realinhamento de signos, o dizer livre da submissão do poema a qualquer ordem instituída — “o inservível / livre de servidão / ilumina / a linguagem”.</p>
<p>Em <em>Íon</em>, Platão valeu–se de Sócrates para rebaixar o trabalho poético à atividade menor: “Pois coisa leve é o poeta, e alada e sacra, e incapaz de fazer poemas antes que se tenha tornado entusiasmado e ficado fora de seu juízo e o senso não esteja mais nele”. A marca da suspeita, assim, foi impressa na testa da linguagem que escapa a enquadramentos.</p>
<p>Para o poeta, no entanto, o importante é “buscar o que as mãos / não alcançam, / o que os olhos / não veem, o que a mente / sequer consegue imaginar”. Tenho certeza de que o leitor sairá enriquecido ao participar também deste <em>Movimento suspeito</em>.</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Na cadência do caos</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/na-cadencia-do-caos</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Feb 2015 14:15:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ilustração de <span style="color: #ff0000;"><strong><a style="color: #ff0000;" href="https://editoraurutau.com/autor/augusto-meneghin">Augusto Meneghin</a></strong></span>

o poema não tem
nenhuma missão ulterior
que conduza a uma explicação da vida

o poema é só
esta mosca triste
girando em volta de uma ferida

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p><iframe title="BOOK TRAILER | poesia &quot;Na cadência do Caos&quot; de Carla Carbatti" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/lIbip0P1iyU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Dilúvio mudo [uma arcana jornada]</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/diluvio-mudo-uma-arcana-jornada</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Feb 2015 18:13:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ela virá vestindo veludo escuro manto bordado
com pelo felpudo fino couro de mil mariposas
armazenadas em potes, potes e mais potes,
olhos e estômago nas costas,
como uma raposa farejando os restos,
ganindo fora da sua barraca.

olhe ela lá.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>a jornada é primeiro<br />
indisciplina do corpo<br />
que escorre feito temporal<br />
em dias de silêncio<br />
depois a jornada<br />
é conivência da pele<br />
alfândega golpeada<br />
abre–alas para a pequetita<br />
que teve os pés enraizados<br />
no quintal da casa da avó<br />
por fim a jornada<br />
são os litorais na terra<br />
fogo e grande onda<br />
arremetendo contra<br />
é o que transmuta e faz dançar<br />
em formato de saia<br />
o que foi fel e couraça</p>
<p><strong>Marcus Groza</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2></h2>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Desaparecida</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/desaparecida</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Feb 2015 17:46:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">no seu vestido
chovia
a tarde inteira de sábado</span>

nas tuas presilhas
eu via
arquiteturas de um tempo passado]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>O Flávio é tão bom que, desde a primeira linha que li, há uns 15 anos, achei que era ele que eu amava. Entendi anos depois: eu me apaixonei pela escrita. Ele escreve e sussurra, escreve e te lambe, escreve e os poemas te pegam e te torcem e você sorri e suspira e até chora. Corações partidos nas esquinas da Augusta, ouvidos aguçados em algum lugarzinho de Belo Horizonte, sons de salto partindo no corredor, enclausurado em si, com angústia ou paixão, de amizade, amor ou solidão, esses poemas vão te carregar junto pro fundo ou pro céu, ou pra onde ele quiser, e você vai querer ser uma das mulheres desse livro, você vai querer ser um desses amigos do bar, você vai querer fazer parte disso, fotografar, mandar praquela pessoa e guardar no peito esses pedaços que também são de todos nós, que estamos vivos.</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Lâmina</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/lamina</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Feb 2015 18:10:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">não me nego ao tempo,
por isso dele me extraio,
e distraio quando findo</span>

findo sempre
já que o caminho é veio
e nunca se vale como parto]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><iframe title="Felipe Antunes - Acomodar [ao vivo na biblioteca Mario de Andrade]" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/-eiumS6-fuE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>A casa de ler no escuro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Feb 2015 16:52:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p class="p1">Cheguei há poucas horas.
Os sons do mundo são carvões acesos no meio do escuro.
Minha boca gizada a diamantes de sangue
rasga poentes com lenços negros de seda.
A linha do horizonte é uma águia vermelha.</p>
<p class="p1">O poema tomba.</p>

<h2></h2>
&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p class="p1">Há uma parede branca com um poema esmagado<br />
dentro do peito.<br />
É filho da neve e do Castelo do Medo<br />
— um homem abandonado à sua sede —<br />
cujo cadáver clama por ele.</p>
<p class="p1">Vive e chora no Labirinto de Dédalo.</p>
<p class="p1">Urina sem piedade<br />
nas mãos de Deus.</p>
<p>(Século vinte e um, página 51)</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Xeque-mate</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Feb 2015 16:56:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p class="p1">Caem flores submersas no coração das mães.
Digo-te como a uma criança, vem</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p class="p1">há dois tipos de circo: um<br />
com<br />
palhaços<br />
a<br />
fingir</p>
<p class="p1">outro<br />
com<br />
palhaços</p>
<p class="p1">a<br />
sério</p>
<p class="p1">(Página 33: o circo)</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Thats all folks!</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/thats-all-folks</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Jan 2015 17:20:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p class="p1">Senhoras e senhores, meninos e meninas
bem-vindos ao maior espectáculo do mundo</p>
<p class="p1">o poema do poeta “One Man Show”</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p class="p1">Desceu o gelo<br />
e agora tudo está no osso<br />
aguarda-se a todo o momento<br />
o som de algo a quebrar-se<br />
a integridade destruída<br />
accionada por uma força ímpia<br />
riem-se as peles de marta<br />
a tapar as partes pudibundas<br />
perante os pés entrapados<br />
pela vastidão do medo<br />
as baratas escondem-se no calor<br />
por baixo dos destroços das palavras<br />
e consomem o último gomo são<br />
de uma laranja apodrecida<br />
que enxameia todas as cores<br />
muros erguem-se invisíveis<br />
a aplacar memórias<br />
que tremem no ar de gasolina<br />
a ignorância brota<br />
da casca grossa do esquecimento<br />
e pisa tudo para trás<br />
venha pois o deserto<br />
independente e livre<br />
repor a verdade do escorpião<br />
porque aqui faz frio<br />
foda-se aqui faz muito frio</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Gambiarra: uma pinguela para o futuro do pretérito</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/gambiarra-uma-pinguela-para-o-futuro-do-preterito</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Jan 2015 14:53:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">antropófago da procuradoria
manda sinais de fumaça via mídia
enquanto tiver bambu
vai ﬂechada em tudo que é cu</span>
<h2></h2>
&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Este livro de poemas começa no momento da queda de Dilma e acaba quando se dá a prisão de Lula, passando por múltiplos personagens, fatos e pelos momentos mais insólitos do período em que estamos vivendo e, tão cedo, parece não ter solução, com a constante ameaça à sempre incipiente democracia brasileira. Com o poema “Guerrilha”, o autor sinaliza o que pode ser essa ação poética: “a esquerda hoje/não pega em armas/que não façam rir”. Colocando-se na extrema esquerda, contra a direita, o centro e a própria esquerda, com o riso zombeteiro e a cimitarra do sarcasmo, Ademir faz de cada poema um petardo jogado nessa guerrilha que, para um escritor, somente pode passar pelo livro ou, em última instância, pela potente impotência do poema. Trata-se de uma leitura corrosiva do País, que dialoga com as escritas de Oswald de Andrade, Murilo Mendes ou Silviano Santiago; ao lerem o País a contrapelo no passado, ou com a de Glauco Mattoso, no presente. Estes poemas de <em>Gambiarra: uma pinguela para o futuro do pretérito</em>, vêm após livros de poemas como <em>Os mortos na sala de jantar</em>, <em>Pirão de sereia </em>e<em> O amor é lindo, </em>assim como o livro de crônicas, publicadas em jornal por oito anos,<em> Siri na lata</em>, e o de ensaios, <em>Espantalhos</em>, nos quais o tom crítico se evidencia como uma necessidade imposta pela reflexão e, neste livro, mais uma vez, é reiterado como certeza: no Brasil não há pontes, há apenas pinguelas e o escritor está sempre na corda bamba sobre o abismo desse enfrentamento.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Salobre</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/salobre</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Jan 2015 14:23:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">para caçar uma baleia
o homem deve antes
descarnar completamente o amor
deixar em casa
o terço e o que ainda
lhe resta de cor nos olhos
na imagem fria do filho</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Poesia é observação. Exercício de olhar e descobrir (ou criar) a composição extraordinária do cotidiano e forjar implicações impensáveis ao ordinário. Por isso, a poesia é uma ferramenta versátil para analisar o ser humano em relação ao meio que o rodeia e indicar novas possibilidades. E <em>Salobre</em> é um excelente exemplo da utilização desse instrumento, pois os poemas de Thiago Scarlata investigam um desenrolar social para tipificar a contemporaneidade e propor uma poética particular a esse contexto.</p>
<p>É a partir do conceito de soro (solução de água, sal e açúcar, para hidratar e alimentar enfermos) que a primeira parte de <em>Salobre </em>explora a relação entre o homem e o ambiente. Uma relação travada na crueza e na escassez de um universo pré-urbano ou marginalizado pelo que é citadino, no qual o mínimo significa sobrevivência. A natureza provê a continuidade da existência (poemas “salmoura” ou “tutorial para caçar baleias”), não sem desespero (“saco de lixo”) e morte (“Francisca”). Mas a vida persiste para cumprir o objetivo de continuar.</p>
<p>A perspectiva desses poemas é de proximidade, espécie de <em>close-up</em> em pessoas e técnicas que desvenda a constituição de elementos e fazeres, sugerindo o detalhe do que é manufaturado. Ao mesmo tempo em que exemplifica essa escolha estilística, “Sangue branco”, último poema de <em>Soro</em>, também aponta à temática central de <em>Salário</em>, segunda parte do livro: a mecânica explorando e interditando o ambiente, impondo a migração ao urbano.</p>
<p>Nesse urbano (tomado por antenas, ruas e pedestres, carros e semáforos, ônibus e trens), o humano é desterritorializado (“as não-cidades”) e reduzido a mera engrenagem da máquina representada pela cidade. E, ao contrário daquilo que era próximo e manual, significativo apesar de sofrido, os poemas de <em>Salário </em>têm a perspectiva ampliada, uma grande-angular para abarcar a impessoalidade da vida em massa.</p>
<p>Sem origem, destino ou identidade, presa (quando muito) na roda-de-correr que é um salário, sobra a essa massa apenas sonhos extremos de individualização, como descrito em “atentado”. Ou restaria mais?</p>
<p>Encerrando o ciclo do livro, a terceira e última parte intitulada <em>Salinas </em>recupera o sal e o impasse do poema de abertura (“ para propor um desdobramento, que é a própria razão de ser de <em>Salobre</em>. Se, rodeados por água salgada, estamos entre morrer de sede ou “beber o sal / sentir o sal / viver o sal / até entender / o sal”, melhor beber, sentir e viver o sal do que resta para entender e encontrar nele a matéria-prima (essencial e impura) da poesia.</p>
<p><strong>Maurício de Almeida</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>37 baladas para o horizonte</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/37-baladas-para-o-horizonte</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Jan 2015 20:19:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">meia hora e me tornei facínora
meia hora e não socorri
eu não lavo as minhas mãos
e faço questão
que o meu cu seja o primeiro a ser queimado</span>

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>A primeira vez que vi Marilene foi um vulto surgindo do fundo escuro do palco do CEP 20.000 no Teatro Sérgio Porto em 2012. Eu estava pelos cantos da plateia, em pé, quando vi uma espécie de vulcão: uma mulher descalça, de jeans e camiseta, vociferando, cheia de modulações na voz, imagens fortes, palavras precisas, não agressiva, mas vulcânica: de vez em quando uma quebra, uma suavidade e, então, vinha lava, um pouco de calmaria e mais lava, sem gritos, mas com intensidade incendiária, de lava.</p>
<p>Depois soube que era professora. Quem escolhe essa profissão só pode ter um coração imenso, que articula libido de aprendizagem com desejo de compartilhar. Costuma ser da prática docente também uma volúpia de acolher o outro e sua diferença.</p>
<p>Não é por acaso que a temática aqui é rica de paisagens e abrange percepções intensas de perspectivas minoritárias. Quem vive e convive lidando com grupos diversos sabe o valor da diversidade numa floresta: todas as espécies são fundamentais para que a vida siga seu fluxo. Perder uma espécie pode ser o fim — por isso o desejo de que todas tenham acesso ao sol, à água, à terra.</p>
<p>Alegre? Sim, o fluxo da vida segue alegre em Marilene, alegria espinhosa, de Spinoza, que não desiste, não abre mão do sol, nem da chuva, nem do vento. A escrita desse vulcão quer mais, mais de tudo, mesmo quando parece querer só um abraço.</p>
<p>No final do rascante poema “As chacinas são as mesmas”, uma Marilene que viu demais diz que manda sua pulga estereofônica se banhar lá na cidade e pede que a arte a socorra. Não é ela própria essa pulga que traça desenhos virtuais em frente aos olhos de quem a escuta?</p>
<p>Posso dizer que a poesia aqui é de boca, para ser falada. E quem já viu Marilene em cena é capaz de ouvir sua voz ao ver suas palavras no papel. Isso é um valor a mais. Leia o livro e veja essa mulher no palco!</p>
<p>O corte dos versos indica a dinâmica de um corpo que vibra e cisma: às vezes curtos, como se o ar parasse ali, às vezes longos, como se a lente de uma câmera-corpo se abrisse.</p>
<p>“aqui quando tudo crescer e tiver muitos poetas publicando livros e eu sorrir para eles</p>
<p>como uma lanterna de gratidão”</p>
<p>Mesmo dilacerada, sua poesia não perde uma piscadela de humor, não usa salto alto. É poesia descalça, mesmo quando convoca bruxisticamente imagens e verbos que evocam universos operísticos. Alguns poemas têm o vigor de uma ópera torta, um morde e assopra, uma vertigem: num momento lâmina, noutro mel. Lindo! No meio da experiência caótica, apocalíptica, vem o amparo, algum amparo:</p>
<p>“a amizade é como goteira</p>
<p>ela vem devagar e fica para sempre”</p>
<p><em> </em>O poema “A sereia velha no retrovisor”: linda bruxaria urbana transtemporal!</p>
<p>Alguns petiscos para degustação antes de cair dentro:</p>
<p>“(…) há bolinhos de chuva na lasca de um tubarão”</p>
<p>“(…) <em>leve o cachecol, em Chapecó vai fazer frio</em></p>
<p>eu levei uma faca”</p>
<p>“(…) hoje a asa direita não quis mais nascer meu pequeno anjo</p>
<p>eu fui obrigada a castigar a esquerda para ver se ela acordava a direita”</p>
<p>Mergulhe sem moderação, asas vão se abrir.</p>
<p><strong>Tereza Seiblitz</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Uma baronesa às quatro da madrugada</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/uma-baronesa-as-quatro-da-madrugada</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 18 Jan 2015 19:28:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">amarrados em árvores ﬂoridas
sorrimos e sapateamos a morte
essa fruta mais estranha bem ali
indiferente ao nosso lindo pomar.</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>O que de início nos apareceu como rumor, hoje é cantado entre alguns poetas no Rio de Janeiro: Leonardo Marona é o único herói possível. Talvez porque agora a guerra seja um estado permanente e semiconsciente, dentro de nós e ao redor. Talvez porque a poesia seja, nas mãos do Leonardo, o instrumento dessa guerra, um modo de se fazer vivo e estar no mundo, neste circo dos séculos, <em>sujo e alegre após a inundação</em>. Ele que agora nos apresenta seu quinto livro de poemas, o mais coeso deles, escrito entre setembro e dezembro de 2017, como a narrativa de um salto. Aqui tudo é caminho, labirinto, fragmentação e busca de sentido. Ascese.</p>
<p>Ele, que <em>até dormindo perturba o sono de deus</em>, e que por vezes, <em>à la Murilo Mendes</em>, sai pela noite combatendo personagens imaginários, dando as mãos a uma baronesa às quatro da madrugada. Ele, que conhece o espelho da loucura (<em>a felicidade dos tolos</em>), encontrou ali mesmo, cingido, a imagem refletida de Maura Lopes Cançado, e a tirou para dançar. O resultado é este aqui. Poesia salina, de fôlego e corte. Uma travessia pelos escombros do Ulises Lima da nossa geração.</p>
<p><strong>Italo Diblasi</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Linha de instabilidade</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/linha-de-instabilidade</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Jan 2015 13:06:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">O impasse do pássaro
implume
não é o limite do voo
mas não poder pousar
fora do espaço.</span>

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>As anti-ilhas de <em>Anarquipélago</em>, primeiro livro do autor, publicado somente em 2013, seguiram uma carta náutica de aventuras e naufrágios. A poesia à deriva no mar expurgado de mitos não é salvação nem inferno, apenas o fôlego necessário à construção de poemas.</p>
<p>A segunda obra, <em>Movimento suspeito</em>, afastou-se da linha d’água entre pneuma e sufoco para mergulhar na natureza instável da experiência criadora. Nesse movimento em expansão circular e proteica, a poesia, potência de liberdade, carrega sempre a marca da suspeita, o que leva o poeta a habitar um não lugar. É dessa fenda, desse estranhamento que surgem os poemas.</p>
<p>Se neste novo livro, <em>Linha de instabilidade</em>, podemos encontrar os temas tradicionais da poesia, o autor parece atenuar a explosiva intensidade da poética de insurgência que informa seus versos.</p>
<p>Organizado em cinco núcleos, vemos na primeira parte: “Biografites”, a pulverização da tentação biográfica transformada em invenção e reminiscência. A filiação à poética de despedaçamento não esconde o fato de que os resíduos são a forma de renascimento. A vida impressa é prova da multiplicidade de eus e de universos. Tudo é verdadeiro, tudo é inventado.</p>
<p>“Marca d’água”, o núcleo seguinte, traz poemas em fuga lançados à escuta abafada pelo mundo das mercadorias. Dos tempos homéricos, nos quais poema e mar se equivaliam em grandeza à poça, mínimo, efêmero e proscrito não lugar, onde sobrevive, instável, a <em>poésis</em>, o percurso da redução de oceano a gole de água impura é a inversão do sonho de Dante. Pagam caro os poetas por ousarem praticar atentados celestes.</p>
<p>Sob a epígrafe de Murilo Mendes instala-se o céu de carnalidade contra um fundo cor de amnésia em “Vão livre”, o 3º núcleo. Ceticismo, autoironia, naufrágio existencial, memórias amorosas, cavalos drummondianos galopando no peito, tudo remete ao mundo que desmorona quando o amor não está por perto.</p>
<p>“Anticaminho”, o 4º núcleo, revela uma estética de insurgência, espaço de pânico e terror no campo minado da cidade. Acontecimentos, funções e ferramentas de embrutecimento urbano. A cidade é o lugar onde a peste chama para dançar. E onde os homens resistem.</p>
<p>Na última parte, “No território da noite”, a morte e o tempo são intensificados. Versos como: “Logo a lua largará o escuro, / eu não”, revelam a íntima conexão entre vida, morte, noite e poesia. Diante do incognoscível, o último poema guarda ressonâncias bíblicas.</p>
<p>A leitura de <em>Linha de instabilidade </em>confirma que estamos diante de um poeta que merece um público mais vasto.</p>
<p><strong>Anne-Marie Devanneaux</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Móveis fora do lugar: noções de casa e a gaveta remexida</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/moveis-fora-do-lugar-nocoes-de-casa-e-a-gaveta-remexida</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Jan 2015 16:57:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">o barco parece suspenso
a referência costumava ser limitada
há de ser uma de suas partes para este último feitiço
corto seu dedo mindinho pelas promessas não cumpridas
estendo a mão sou a mulher mais bonita do mundo
declaro
iremos mergulhar</span>

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>O lugar dos móveis é passível de mudanças ao longo do tempo, apesar dos espaços habitualmente limitados por paredes. Móveis Fora do Lugar pode encaminhar à um olhar de não lugar, ao tratar do momento de espaçamento entre as formas de nossos móveis internos, mas alguns-muitos podem vir a crer que a saúde reside nesta movimentação. Talvez, nossos móveis estejam sempre fora do lugar, mas desperta-se, neste livro, a possibilidade de, desde muito jovens, vislumbrarmos processos de harmonização.</p>
<p><strong>Scyla Maria Reis Salgado</strong> (<em>Mainha</em>)</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Fora da Cafua</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/fora-da-cafua</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Jan 2015 14:46:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<span class="fontstyle0">Preta
Não sou ouro, não sou.
E também não prometo buscá-lo.
Sou trabalhador do inferno esverdeado.
Arroz-feijão no almoço-janta.
Dedo-chinelo no chinelo-dedo.
No frango, a farofa.
Na cabeça, o chapéu de palha.
Que eu não gosto de prosa com o Sol.</span>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Das matas aos mares, Gabriel Sanpêra nos apresenta a poesia com café fedendo a sangue. A escravidão, o banzo, a periferia, a violência policial, o dia-a-dia que sufoca com e sem lirismo. A pancada vem, mas se mistura ao amor LGBT, ao acolhimento matrilinear, aos caboclos e à Iemanjá.</p>
<p>Poesia brasileira com ares de quem deseja mais e ousa. Tudo escrito nas pontas dos dedos, usando o próprio celular. Gabriel escolhe sua estética híbrida. “Preto nasce sem espera”.</p>
<p><strong>Jarid Arraes</strong>, escritora e poeta</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Até quase perto</title>
		<link>https://editoraurutau.com/titulo/ate-quase-perto</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 10 Jan 2015 13:25:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[eu tenho
um nome
um número
um dia
eu tenho fome
fulgor, furor
horror

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Tudo é inventado, intensamente, com muita coragem, muita segurança e todas as dúvidas do mundo. Nada existe, mas tudo é verdade. Se eu soubesse o que vai acontecer quando o dia amanhecer, preferia não ir dormir.</p>
<p>A Adriana Nolasco escreve assim. Você não imagina o que vem depois e não consegue esquecer o que leu muito tempo atrás – esquecer nem decifrar, que poesia que tem beleza não é explícita como foto de calendário.</p>
<p>Nada entedia mais os artistas do que a vida real, por isto eles recriam o mundo — para melhor, quando o artista é verdadeiro. É preciso apenas abrir os olhos. E quando abrimos os olhos, a esfinge nos seduz e nos mostra o caminho, “tudo acontece acima do chão” e “o chão é uma linha”.</p>
<p>É preciso apenas ler como a Adriana escreve, acima do chão, fora da linha.</p>
<p><strong>Caulos</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2></h2>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Nojo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Jan 2015 14:20:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ilustrado por <span style="color: #ff0000;"><strong><a style="color: #ff0000;" href="https://editoraurutau.com/autor/matias-picon">Matías Picón</a></strong></span>

o sol bate em cheio na cara
barcos prenhes de velas
de ventos
deixam a praia sem face
em direção ao próximo medo

(extraído do poema Autoterrorismo)

&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><iframe title="autoterrorismo" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/d1YyLZ2EvKI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<h2></h2>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Titubeio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Sep 2014 20:50:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Se eu dobrasse seu nome diversas
vezes sobre a minha língua
faria de cada dobradiça
seu corpo presente.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><span class="span">_</span>sobre este livro</h2>
<p>Sem nenhuma pretensão de passar por cima do caráter próprio da poesia ou sugerir qualquer hierarquia tola entre os gêneros, mas ousando numa comparação singela, pode-se dizer que <em>Titubeio</em> é uma espécie lírica de romance de formação. Cambaleante, que não consegue se manter de pé, incerto, hesitante, vacilante, titubeante, é como o corpo do “eu” e da poesia se apresentam, ora como respiro, batimentos cardíacos, pressão arterial, oscilações oculares e outros movimentos fisiológicos; ora como plantas, cujas raízes vasculham um solo procurando firmeza, como rios que buscam o caminho para desaguar no mar. Essas duas naturezas do corpo desenham nele o próprio mapa do mundo ou da aventura que o “eu” deseja. Esse mundo seria um espaço aberto, um cosmos, o próprio céu, o mar, uma nebulosa, um buraco negro, as constelações, um deserto, a Via Láctea, um mundo enorme nas possibilidades e no desconhecido. Mesmo titubeante, o “eu” não desiste, gira, cirandeia, mas avança nesse desconhecido campo estelar de braços abertos.</p>
<p>A segunda parte, <em>Observações astronômicas</em>, é a experiência do desejo e da descoberta amorosa do outro e de si mesmo que “eu”, finalmente, vive por aqueles ansiados caminhos dos rios, das linhas do corpo e dos versos, do deserto, das notas de uma sinfonia, das fases da lua. Maitê Rosa torna possível a experiência impossível do “eu” pequeno, vacilante, irrisório num cosmos estrelado enorme e misterioso.</p>
<p>Depois de se atirar ao mar e vivenciar seus segredos, em “Maré baixa”, a terceira parte, a poeta nos mostra como em toda experiência, mesmo sendo ela a mais ínfima e delirada, ou mesmo sendo o sujeito o mais improvável e insignificante, o “eu” se transforma. Assim como no romance em que o herói, passado o clímax da provação, olha para si mesmo e se vê outro, o “eu” nos leva a olhar de novo o céu, a frequência da respiração, o barulho da rua, o beijo aprendido e ver o que mudou, se foi o mundo ou se foi ele mesmo.</p>
<p>Com a maré baixa para redescobrir o resultado da aventura, na última parte a autora nos convida para uma conversa interna. Não mais o mundo é vasculhado, mas o próprio “eu”, num balanço do passado, para descobrir quando e onde começaria o novo.</p>
<p><em>Titubeio</em> é uma belíssima experiência de como a poesia nos permite, desde adentrar o mar e esquadrinhar as estrelas a elaborar a potência de todas as experiências que habitam dentro de nós.</p>
<p><strong>Gabriela Lopes de Azevedo</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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